quarta-feira, agosto 30, 2006

Leituras recomendadas - 13

TRISTE ÉPOCA
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por Rodrigo Constantino
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“Muitos valores vieram a parecer antiquados: falar a verdade, manter a palavra. Os bons parecem pertencer aos velhos bons tempos, embora sejam sempre queridos. Se é que ainda há alguns, são raros, e nunca são imitados. Que triste época esta, quando a virtude é rara e a maldade está no cotidiano.”
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Tal comentário poderia tranqüilamente ter sido obra de qualquer brasileiro mais atento dos nossos dias. Afinal, a ética foi jogada no lixo, a impunidade anda solta e mentir virou mania nacional. Vivendo nos tempos do “mensalão”, das sanguessugas, do presidente que repete que não sabia de nada enquanto seus principais aliados envolvem-se em escândalos onde ele próprio é o grande beneficiado, não dá para deixar de compartilhar do sentimento do autor que lamenta a triste época, quando a virtude é rara – mais rara que diamante.
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Mas o autor do comentário não vive em nossos dias, tampouco no Brasil. Trata-se de Baltasar Gracián, jesuíta espanhol que escreveu A Arte da Prudência em 1647. Neste mesmo livro, Gracián cunhou uma célebre frase que parece ter sido criada ad hoc para os eleitores de Lula: “A esperança é uma grande falsária da verdade”. Quem lembra da propaganda eleitoral de Lula nas eleições passadas, administrada por Duda Mendonça, sabe muito bem disso. “A esperança venceu o medo”, repetia a propaganda enganosa. Nisso que dá abolir o medo, fundamental na vida, para que busquemos mais informações na hora das decisões importantes. Sem medo, podemos pular pela janela e se espatifar no chão. Ou votar no Lula – o que dá praticamente no mesmo.
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Mas vamos deixar o pessimismo de lado e focar no aspecto bom da coisa: se em 1647 já era normal este tipo de lamentação, é sinal que sobrevivemos, mesmo com os Lulas da vida. A virtude pode ser rara, ainda mais quando alguém como Lula, mesmo depois de todos os escândalos, lidera as pesquisas e apresenta boas chances de ser reeleito ainda no primeiro turno. Mas ela não é nula! E isso faz toda a diferença do mundo.
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Os virtuosos conseguem sobreviver mesmo no meio dos pérfidos, e no final do dia, carregam o mundo nas costas. Parasitas e sanguessugas pegam carona e regozijam-se, como sempre. São maléficos para a saúde da sociedade como um todo, mas não são letais. Os hospedeiros, aqueles que criam a riqueza que será explorada por tais parasitas e sanguessugas, suportam o fardo. O mundo poderia ser infinitamente melhor sem tais exploradores, com certeza. Mas ele não vai acabar por conta dessa gente, por mais que se esforcem para tanto. A vida continua, com ou sem Lula no governo. Muito melhor sem, claro. Mas não vamos esquecer que a época é triste para os virtuosos...
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A CULPA É DE TORDESILHAS
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Sebastião Nery (Publicado no site Tribuna da Imprensa)
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SALVADOR - Em 1965, foi criado o município de Anastácio, desmembrado de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, entre Campo Grande e Corumbá. O governador Pedro Pedrossian, adversário do primeiro prefeito de Anastácio, Vicente Medeiros, fez uma estrada ligando Aquidauana a Jardim, mas, por birra, o DER tirou Anastácio do caminho e fez a placa assim: "Rodovia MT-65, Aquidauana/Jardim".
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Anastácio ficou indignada. Houve um congresso de municípios em Cuiabá. Na sessão de encerramento, o prefeito de Anastácio pediu a palavra:
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- Gostaria que mandassem providenciar a escritura do município de Anastácio, já que não é reconhecido nem pelo senhor governador.
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E mostrou uma foto da placa. O deputado René Burbour, aliado do governador, que presidia a solenidade, respondeu:
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- O senhor prefeito tem toda a razão. Eu, inclusive, já escrevi a Portugal, pedindo a escritura do Brasil. Assim que chegar, faremos um desmembramento e mandaremos a sua escritura. A culpa é do Cabral, que nos descobriu, não fez o desmembramento e esqueceu de mandar fazer a escritura.
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Eike e Dirceu
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O playboy Eike Batista e seu lobista José Dirceu estão com ódio dos reis Dom João II de Portugal e Fernando e Isabel de Castela e Aragão, e do papa Eugenio IV, que, no Tratado de Tordesilhas, de 1494, deixaram a Bolívia para os espanhóis. Pensavam que era mais fácil fazer corrupção lá nas bandas do Evo Morales e agora viram que nos governos de Lula e PT é muito mais.
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O Eike havia corrompido um punhado de autoridades bolivianas anteriores e estava construindo uma imensa carvoaria, que ele chamava de Siderúrgica EBX, em Puerto Suarez, do lado de lá do rio Paraguai, em frente a Corumbá, para fazer ferro-gusa queimando a madeira do Pantanal boliviano.
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As leis bolivianas de meio ambiente proíbem qualquer tirada de madeira às margens dos rios. Eike comprou as leis, como compra escolas de samba no Brasil. Mas veio o Evo Morales e pôs o Eike para correr. Ele pôs seu guarda-costa-mor José Dirceu em um jatinho e mandou ir lá negociar. Não adiantou.
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Marina Silva
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Na época, os jornais contaram que Eike estava querendo fazer do lado brasileiro o que não conseguiu do lado boliviano: trazer os fornos de sua carvoaria para a outra margem do rio Paraguai, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, e queimar o que resta de madeira virgem no Pantanal mato-grossense.
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O Eike e o Zé Dirceu estão acostumados a queimar propinas e mensalões pagando corrupção. E a moral do governo Lula e do PT hoje é a dos espertos faturantes públicos Paulo Betti ("não há governo sem as mãos sujas, não dá para governar sem botar a mão na merda") e Wagner Tiso ("não estou preocupado com a ética do PT nem com qualquer tipo de ética"). Mas ninguém acreditava que eles conseguiriam dobrar a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, com todo seu passado e seu penache.
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"Veja"
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Pois esta semana, no "Radar" da "Veja", o Lauro Jardim contou:
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"O ferro de Eike - Sabe aquele projeto de uma usina de ferro-gusa, empreendimento de Eike Batista que deu uma tremenda confusão na Bolivia? A alegação inicial, da turma de Evo Morales, era que havia problemas ambientais no projeto. Mas, na semana passada, foi dada (sic) uma licença ambiental para o mesmíssimo projeto (ou seja, dois fornos de ferro-gusa para 400 mil toneladas por ano) num local distante 8 quilômetros daquele. Mas foi em Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil"...
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Zeca do PT
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Agora, recebi, de Corumbá, a denúncia com a história toda, gravíssima, mandada pelo jornalista Leonardo Campos, em nome da Associação de Moradores de Maria Coelho, distrito a 40 quilômetros de Corumbá (MS):
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1 - "Mato Grosso do Sul aguarda apreensivo pela decisão da Justiça no caso da doação de um terreno à EBX Siderurgia, do empresário Eike Batista. A EBX recebeu um terreno de 250 hectares do governador do Mato Grosso do Sul, José Orcirio Miranda dos Santos, o Zeca do PT (que está muito guloso e vai deixar o governo levando uma surra de dar bicho), pertencente à EGRHP (Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio do Estado)".
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Pantanal
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2 - "O terreno fica em Maria Coelho, distrito de Corumbá. Foi doado ilegalmente e sem nenhuma licitação. Além de improbidade administrativa - terreno público doado para fins privados -, 70 famílias, que residem em área de 60 hectares do terreno, estão ameaçadas de expulsão. São crianças, mulheres e idosos, que moram em pequenas propriedades rurais, próximas ao maciço de Urucum, segunda maior reserva de managanês da América Latina".
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3 - "As questões sociais e administrativas são dois problemas que se somam ao risco ambiental. É uma área com nascentes de água mineral e cujos córregos podem secar, após a implantação da exploração da siderúrgica. Os empresários locais temem que o lobby de Eike Batista (e de seu agora sócio José Dirceu) se sobreponha à lei e aos direitos dos moradores da região". Com a palavra, a ecológica (ainda?) ministra Marina Silva.
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sebastiaonery@ig.com.br,
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O BRASIL EM PONTO MORTO

por Guilherme Fiúza, do site NoMínimo

As matérias sobre o programa de governo de Lula para o segundo mandato, apresentado ao país nesta terça-feira, estão partindo todas de uma abordagem equivocada. Começam sempre dizendo o que o presidente pretende fazer nos próximos quatro anos. A regra básica do jornalismo determina que uma matéria deve começar pela informação mais importante (o famoso lead). Portanto, o correto no caso é iniciar a notícia pelo que Lula não pretende fazer.
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No novo programa de governo do PT, o mais importante é, disparado, o que não está escrito nele.
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Não vai haver, por exemplo, reforma da Previdência. O rombo anual de 40 bilhões de reais que representa hoje o maior problema das finanças públicas vai ficar lá mesmo (crescendo, evidentemente). O governo acredita que não há necessidade de mexer nesse sistema falido.
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Não vai haver reforma tributária. A carga de impostos que acaba de chegar à mordida recorde de 37,3% de tudo o que o Brasil produz (cálculo conservador) vai ficar onde está, na melhor das hipóteses. Este cipoal de taxas e contribuições, que explodiu no governo Fernando Henrique e foi incrementado no atual, essa forma desvairada de ajuste fiscal que esculhamba a economia nacional, ficará intacta.
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Não vai haver contenção de gastos públicos. As despesas do governo, que vêm se espalhando com a inflação de ministérios e novos cargos de confiança, e que fechou este semestre 14,8% acima do período anterior, continuarão subindo alegremente. O governo diz que a oposição quer cortar gastos públicos para reduzir os programas sociais, e a ministra Dilma já declarou que “gasto corrente é vida”. Ou seja, a máquina vai continuar devorando a mesma fatia do seu dinheiro.
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Não vai haver projeto de infra-estrutura. As agências reguladoras, órgãos de Estado criados para despolitizar as regras dos serviços públicos, aparentemente continuarão esvaziadas, como apêndices dos ministérios, usadas como cabides partidários. Como o único dinheiro que pode alavancar a infra-estrutura é o dinheiro privado, pode-se imaginar que o setor continuará à míngua.O programa de governo de Lula tem uma idéia: manter a política econômica de Fernando Henrique, com superávit primário de 4,25% do PIB e metas de inflação. Em time que está ganhando não se mexe. Não obstante, o documento dedica um bom espaço para algo estranho a programas de governo: fazer acusações ao governo anterior. Acusações a que? À política econômica de Fernando Henrique. Eis um documento verdadeiramente irreverente.
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O programa de Lula informa que o governo vai priorizar o crescimento econômico. Ótima idéia. Como se faz isso? Eles devem ter a fórmula, mas não revelam. Vai ver, não querem dar munição ao inimigo. Faz sentido.
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Outra decisão corajosa: reduzir os juros. Finalmente um governante com peito para realizar essa tarefa. Não está escrito como isso vai ser feito, deve ser para não estragar a surpresa. A única dúvida que fica é que, como até Cristovam Buarque já avisou, juros só caem com o equilíbrio das contas públicas – estas que o programa Lula II resolveu deixar bem à vontade. Talvez o PT vá pedir emprestada a varinha de condão de Heloísa Helena.
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Mas nem tudo são palavras bonitas. Há um número no programa: aumento da taxa de investimento de 20% para 25% do PIB. Como se sabe, taxa de investimento é conseqüência direta daquilo que o país consegue poupar. Ou seja: Lula, o homem e o mito, será também o santo padroeiro dos endividados. Vai sobrar mais dinheiro no Brasil. Deus seja louvado.
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E é claro que numa peça tão objetiva e contundente não poderia faltar ela, a inimiga de todos os males, a redenção nacional recitada por dez entre dez sociólogos de plantão, a panacéia preferida do público esclarecido: a reforma política. Entre outras medidas salvadoras da moral pátria, como a votação em lista fechada e o voto distrital (esse já quase um mantra), aparece o milagroso “financiamento público de campanhas” – aquela saída genial que distribui dinheiro do contribuinte entre os políticos e desloca o caixa um para a coluna do caixa dois.
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Um crítico mal-humorado, com inveja do triunfo iminente de Lula, poderia perguntar por que um programa de governo, isto é, uma plataforma do Poder Executivo, num país com tudo por fazer, está prometendo prioridade para uma reforma que é essencialmente do Poder Legislativo. Evidentemente, uma pergunta dessas, a esta altura, seria inaudível em meio ao estouro do champanhe.O programa de Lula traz ainda, é bom assinalar, duas metas de alta precisão: combate à exclusão e educação de qualidade.
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Com um plano de vôo tão minucioso quanto este, talvez o presidente possa até deixar o país no piloto automático e curtir melhor as delícias do paraíso. Não há dúvidas: o ex-operário chegou lá.

Texto Completo


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A FILOSOFIA DAS MÃOS SUJAS

Editorial do Estado de S. Paulo
30.08.2006


Perto da aula magna de ética na política que o presidente Lula ministrou segunda-feira em São Paulo a uma classe de dóceis intelectuais selecionados a dedo, as manifestações dos artistas Paulo Betti, Wagner Tiso e do produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, na semana passada, apoiando a corrupção no governo do PT porque os fins justificam os meios, parecem balbucios de crianças puras numa escola maternal. Nunca antes se viu um presidente brasileiro - e nunca antes esse bordão de Lula há de ter sido tão apropriado - ir tão longe em defesa das mãos sujas na vida pública, embora as suas palavras, tomadas pelo valor de face, fossem de resignação diante do que seria uma realidade amarga, porém imutável.
Ele pode não ter se dado conta disso, muito menos desejado, mas sem sombra de dúvida entrou para a história do Brasil como o chefe de Estado que disse para quem quisesse ouvir: “Política a gente faz com o que a gente tem, e não com o que a gente quer. Esse é o jogo real da política que precisou ser feito em quatro anos para que chegássemos a uma situação altamente confortável.” A primeira sentença é uma meia verdade. Faz-se política, de fato, com o que se tem. Nem por isso se precisa necessariamente fazer política cultivando o que há de pior no que se tem. Mas foi esse, e nenhum outro, o ponto de partida do sistema petista de poder para dar a Lula, por meios espúrios, maioria na Câmara.
Os políticos venais - “o que se tem” - não fizeram fila na rampa do Planalto pedindo mesada para votar com o governo. Foi o partido do presidente que os procurou, diretamente ou por interpostos cúmplices, para mudarem de sigla ou, ficando onde estivessem, apoiassem as suas propostas. O suborno sistemático de deputados - chame-se mensalão, valerioduto, uso de recursos não contabilizados, o que se queira - foi a indelével e, pela amplitude e freqüência, inédita marca de Caim do “jogo real da política” jogado na era Lula. Em benefício dele e do seu partido, por iniciativa de sua gente, pouco importando, a esta altura, se com ou sem o conhecimento do chefe, ou, por que não?, com ou sem o seu incentivo.
Já a segunda sentença, em que ele fala da situação a que se chegou, é uma trapaça. À primeira vista, o sujeito oculto da frase é o Brasil: fez-se o que “precisou ser feito” para o País desfrutar de um alto grau de conforto. Na realidade, fez-se o que se escolheu fazer para que ele, ao fim e ao cabo, pudesse chegar à antevéspera da sucessão numa situação altamente confortável. A meta última do mensalão, como de tudo mais que o presidente e seus companheiros fizeram, era a reeleição. Mas a lição enganosa não terminou aí. O professor deixou claro que os puros - ou os menos impuros, como o PT, criado, segundo ele, “para errar (grifo nosso) menos do que os outros partidos” - não tinham saída, sendo o que é o que se tem.
Ora, seja lá para o que se criou o PT, é fato documentado que a sua conduta, tão logo começou a conquistar municípios importantes, se tornou cópia fiel, ou aperfeiçoada, daquilo que atribuía aos adversários muito antes de abraçá-los como aliados. A ética administrativa da atual deputada Angela Guadagnin - a Isadora Duncan do mensalão - na prefeitura de São José dos Campos, em meados dos anos 1990, não foi o avesso, por exemplo, da que os petistas execravam no atual neolulista “Newtão” Cardoso, quando prefeito de Contagem, mais ou menos na mesma época. E a indesmentível extorsão institucionalizada em Santo André, na gestão Celso Daniel, morto ao que tudo indica por se opor ao desvio do butim destinado ao PT.
Em 2002, era o partido fazendo mais do mesmo - dessa vez para enfim eleger Lula - quando o seu presidente José Dirceu pagou R$ 10 milhões ao então homólogo do PL, Waldemar Costa Neto, segundo ele próprio viria a revelar, pelo apoio da sigla que entrou com o candidato a vice, José Alencar. E quando pagou o marqueteiro Duda Mendonça no exterior, com dinheiro ilegal.
O “conforto” moral que Lula sente, ele quer que todos os companheiros sintam. Para isso sugere que “o PT vai ter que responder por seus erros (grifo nosso) e as pessoas que erraram - ou seja, os membros da ‘sofisticada organização criminosa’ denunciada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza - precisam pedir desculpas ao povo brasileiro”. E pronto!

segunda-feira, agosto 28, 2006

O abuso do direito de errar.

É lamentável que ainda tenham pessoas que preferem fechar os olhos para a realidade. Pessoas que deveriam ser as primeiras a se indignar diante das premeditadas destruições das nossas instituições mais democráticas, que deveriam zelar pelos valores humanos mais primários, preferem se ausentar do debate e da indignação para baterem palmas para o atraso. Não se está diante de um fato isolado. O Governo Lula tem sido pródigo no roubar e deixar roubar.
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Só que o Lula já está passando dos limites com sua imoralidade, com uso indecente de sua caneta para comprar sua reeleição nas urnas.
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Com dados comprovados pelo SIAFI, a revista ISTO É demonstra que o PT já distribuiu mais de 600,0 milhões para pouco mais de 500 entidades em todo país, como sindicatos, ONGS, MST e congêneres, entidades sociais de todo gênero. E o que ali não faltam são vigarices de todo o tipo conforme atestam os relatórios e auditorias do Tribunal de Contas. E mesmo que o TCU identifique os atos irregulares praticados pelas entidades "beneficiadas", a liberação de recursos permanece intocada. Porém, não interessa ao Governo Lula fiscalizar para impedir que se assaltem vergonhosamente os cofres públicos, desde que isto lhe renda os frutos da reeleição.
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Com tal procedimento, Lula compra a voz e a consciência dos muitos canais da sociedade por onde poderíamos levantar nossos protestos contra seu governo.
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Mas o cara não está satisfeito. Depois de vetar o aumento para os aposentados, veio com a cantilena de antecipar o 13° para setembro! Antes já havia, mesmo sob a crítica do ministro Marco Aurélio do TSE, promovido aumentos em larga escala em plena campanha para o funcionalismo público.
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Agora, se sabe que o Bolsa Família no mês de julho teve um aumento descomunal, em relação a junho, de 60% em liberação de recursos, saltando de 597,7 milhões para 952,0 milhões, no total. E adivinhem onde houve maior elevação de recursos ? No Nordeste, saltando de 245,8 milhões para 473,8 milhões, o que representa um acréscimo de 93,o% !!! E em plena campanha eleitoral!!!
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E cúmulo dos cúmulos, através da medida provisória 316, do presidente Lula, pode piorar a situação da Previdência. Destinada a inverter o ônus da prova da doença laboral, a MP presume a incapacidade do trabalhador, dispensando-o de perícia médica. A Associação de Médicos Peritos teme uma farra de benefícios irregulares. Eleitoreira, a medida foi adotada sob medida para alguns sindicatos.
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E junte-se a isto tudo os 191 escândalos patrocinados ao longo de 44 meses de mandato, nos quais Lula ficou privado de auxiliares e ministros de sua inteira confiança, além da derrubada de toda a cúpula de seu partido, por envolvimento direto em atos de corrupção ativa e passiva. E dentre todos os escândalos, sem dúvida, a do mensalão é o maior pois deixou claro a teia de armações para prática de desvios de dinheiro público para abastecer as arcas do partido, de forma criminal.
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Não sou advogado, nem tampouco especialista em legislação eleitoral. Mas com o que se descreve acima, não seria possível impugnar a candidatura de Lula por abuso do poder econômico? Em quantos outros crimes eleitorais Lula poderia ser enquadrado?
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Apenas para lembrar: logo após os aumentos do funcionalismo público, o TSE disse que a medida feria a legislação eleitoral, mas que o TSE só poderia agir mediante denúncia. Alguém fez a denúncia?
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E a “farra” não se esgota e se restringe apenas aos eventos citados. A Folha de São Paulo noticia que o Programa Universidade para Todos, uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha à reeleição, oferece bolsas de estudo a alunos carentes em 237 cursos de ensino superior que tiveram os piores conceitos em avaliação nos últimos dois anos. Eles representam 48% dos 492 cursos de instituições privadas com as notas mais baixas -1 e 2- no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) de 2004 e 2005. Também foram os que menos agregaram conhecimento aos alunos nos anos da graduação -índice chamado de IDD. E o que é pior: os cursos com baixo rendimento só poderão ser fechados se tiverem três desempenhos insatisfatórios no Sinaes, sistema de avaliação do ensino superior do qual o Enade faz parte e que conta também com visita de comissões às universidades. A primeira "rodada" do Sinaes se completa só no ano que vem, quando as avaliações de cursos e instituições ficam prontas. Enquanto isso, as instituições vão usufruir de isenção de tributos fiscais, que é a contrapartida pela concessão de bolsas.
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E num segundo mandato Lula tentará, agora pela terceira vez, colocar sob censura e tutela, a imprensa livre. Está em seu programa de governo, “criação de uma Lei Geral de Comunicação Eletrônica, para estabelecer "equilíbrio e proporção" na radiodifusão pública e privada, criação de conselhos populares que participariam do processo de renovação e outorga de concessões de rádio e TV, criação da Secretaria de Democratização da Comunicação, diretamente subordinada à Presidência”, além de, novamente, correr solto um projeto de cercearmento às atividades dos profissionais de comunicação.
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Já demonstramos em artigos anteriores, o uso vergonhoso do BNDES, o desmonte do Ministério da Saúde e a destruição de mais de 1/3 do PIB brasileiro representado pela agropecuária.
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Será que ninguém tem peito para enfrentar este pústula? Porque, convenhamos, Lula está além do simples direito de errar. O propósito de atender seu projeto de poder está ferindo sistematicamente o Estado de Direito. O abuso do poder econômico no uso intensivo da caneta que libera verbas e assina medidas provisórias, está pondo de lado os princípios mais elementares a que qualquer governante de um país democrático a está sujeito: a decência, a ética, o respeito às leis, e a moralidade no trato dos bens e patrimônios públicos, além de ferir de morte a dignidade que deveria estar encravada e consolidada no seio de uma nação que se pretenda civilizada.
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Não tenho ligações com partidos políticos. O que me interessa como brasileiro é com quem poderemos contar para melhorar as condições de vida do País. E após 44 meses, por certo que este nome não é Lula. Este cidadão além de despreparado, já não reúne nenhuma condição moral para permanecer em seu posto além deste mandato que se esgota em dezembro.
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O que se lamenta, e muito, é que as verdades que criminosamente estão sendo escondidas e sonegadas do povo brasileiro, e que podem culminar com sua reeleição, é um ato de acumpliciamento vergonhoso para que se pratique o maior estelionato eleitoral de que se tem notícia no mundo moderno. Como também Lula não o direito de dividir a nação em duas partes: os que lhe dizem "amém" fechando de forma nojenta os olhos para os seus crimes. E, de outro lado, os que lhe criticam e a quem ele, de forma ignorante e mal intencionada, achincalha como sendo elite. Tanto eu quanto os demais críticos somos brasileiros por inteiro, pobres, ricos, estudantes, profissionais liberais, aposentados, agropecuaristas, empresários seja de porte forem, velhos e jovens, mas não nos calaremos diante da ameaça que Lula representa, nem tampouco aos crimes de diferentes cores que têm praticado. Quando o povo brasileiro acordar, que espero não seja tarde mais, ele cobrará de cada um dos mentirosos, dos cúmplices, dos protegidos o seu silêncio e sua conivência. Repito: Lula não nem condições morais, muito menos éticas e qualificação necessária para permanecer na Presidência da República.
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Pode até ganhar, mas isto não limpará sua ficha criminal, nem apagará sua imoralidade, sua falsidade e sua indecência. Resta saber se acordaremos antes ou depois do pesadelo.

Este Felipe é massa...

O Hexa que a França não evitou...

domingo, agosto 27, 2006

O botox presidencial...

Lula destrói a agropecuária brasileira.

Se você, produtor rural, estivesse neste instante assistindo a um programa eleitoral na tevê, e o candidato que estivesse falando fosse o Presidente Lula, candidato pelo PT à reeleição, e ouvisse vossa excelência prometer o paraíso para a agropecuária brasileira, desligue seu rádio ou sua tevê. A menos que você quisesse ouvir a mais descarada mentira. Lula não quer agricultura nos moldes como a nossa foi construída. Sua intenção é matá-la. E saiba que depende de você, em outubro, reverter o quadro e o drama em que se encontra.

Definitivamente, o governo Lula se tornou a pior praga da agropecuária nacional. Uma estimativa divulgada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indica a queda de 1,91% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio neste ano. O PIB do setor deve fechar o ano em R$ 527,38 bilhões, uma perda de R$ 10,25 bilhões em relação ao resultado do ano passado, de R$ 537,63 bilhões. A desaceleração das atividades do agronegócio em quase 2% do PIB confirma as previsões de menor crescimento econômico este ano, abaixo, portanto, dos 4% projetados pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e pelo Banco Central. A CNA estima que a agricultura e pecuária responderão por uma retração de 0,4% no PIB nacional, explicou o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta. ‘A economia brasileira crescerá menos neste ano devido à crise do setor rural. Não fosse o resultado negativo do agro-negócio, o Brasil poderia ter crescimento de 3,8%’, afirma Cotta. (...) A retração nas atividades do setor implicará nova revisão da participação do PIB do agro-negócio no PIB nacional. Segundo o superintendente da CNA, em 2003 essa participação era de 30,51%, mas este ano deverá cair para 26,44%. ‘Essa é a menor participação desde 1994, quando o estudo começou a ser feito’, afirmou. O PIB do setor agropecuário (agricultura e pecuária) somará R$ 146,94 bilhões em 2006, valor que representa 7,4% do PIB do País, estimado pelo BC em R$ 1,994 trilhão, segundo Cotta. ‘Até 2005, essa participação era de 8%’, completou.”

Em outro estudo, que já divulgamos aqui, a AGROCONSULT informou que haverá redução tanto em área plantada, cerca de 14%, bem como em volume de produção de grãos, ficando abaixo de 100,0 milhões de toneladas, muito aquém da média nacional dos últimos anos.

Em reportagem do Jornal A GAZETA, de Cuiabá, MT, sabe-se que, pela primeira vez na história daquele estado, o Banco do Brasil fechará o ano de 2006 sem atingir as metas de mercada contra a média anual de crescimento de 10% no volume de financiamentos. Em razão disto, o BB fechou 11 postos de atendimento, localizados nos municípios de Rondolândia, Cocalinho, Indiavaí, São José do Xingu, Santa Rita do Trivelato, Ribeira Cascalheira, Porto Estrela, Castanheira, Juruena, Gloria d'Oeste, e Reserva do Cabaçal.

Não bastassem estes problemas, há o lado bandido da questão: o governo Lula, com generosas doações, tem sustentado o MST e patrocinado diretamente que o movimento continue a invadir propriedades produtivas em escalada cada vez mais ascendente. Ocorre, que não havendo repressão nem policial nem tampouco do fechamento da torneira que jorra graciosa e fartamente recursos orçamentários nas veias do MST e seus congêneres, os sem-terras deram-se conta que melhor seria invadir propriedades com gado, pastagem formada e culturas de feijão, milho, soja já formadas. Mais dinheiro, com menor esforço. Apenas para se ter uma idéia no período de 2003 a 2005, o número de invasões multiplicaram-se em três vezes, sendo que 2005 foram 327, contra apenas 103 em 2002, ultimo ano de FHC. Em contrapartida, o número de assentamentos foram de 245.000 ante uma promessa de 400.000, sendo que FHC assentou 30% mais em idêntico número de anos. Já os recursos, bem destes o MST não pode nem deve se queixar. Em três anos e meio, o Tesouro Nacional já liberou cerca de 31,0 milhões de reais. Em conseqüência da política “amistosa”, agro- pecuaristas do Rio Grande do Sul estão abandonando suas terras, e indo viver dignamente, protegidos pela lei, em terras do Uruguai, Argentina, Paraguai e até na Bolívia. Perderam a confiança no Poder Executivo que incentiva o assalto imoral de propriedades privadas produtivas, sustentando a bandidagem, o crime, o terrorismo rural.

A revista ISTO É que circula neste final de semana traz uma reportagem da qual extraímos o texto a seguir:

Intriga entender como estão sendo usados, no detalhe, esses R$ 605 milhões transferidos dos cofres públicos para entidades privadas. Há autoridades que tentam descobrir – e acabam chegando a casos de inadimplência, desvios e indícios de fraude. Auditores do Ministério do Desenvolvimento Agrário estão neste momento escarafunchando os repasses. Já descobriram 62 convênios inadimplentes assinados na gestão Lula. Destes, 34 foram fechados com associações e cooperativas de assentados. A lista de problemas vai desde a não prestação de contas até irregularidades na execução financeira. É o caso de um dos convênios assinados com uma tal de Aspta (sigla de Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), com sede na rua da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Tem o objetivo de promover “mobilização social e desenvolvimento agrícola sustentável, fortalecendo sinergias interinstitucionais para a disseminação de experiências inovadoras voltadas à conversão agro-ecológica de sistemas agrícolas”. Deu para entender? Os auditores estão tentando. Foi o segundo convênio inadimplente da associação com o governo. “Estamos devolvendo dinheiro”, diz Jean Marc, filho de suíços e coordenador dessa associação. Ele atribui a inadimplência à alteração de procedimentos de prestação de contas sugerida pelo Tribunal de Contas da União.

O TCU tem 15 processos contra as principais associações, todas ligadas aos sem-terra, conhecidas pelas siglas de Anca, Concrab e Anara. As duas primeiras são ligadas ao MST. A Anara é do MLST e foi apontada como a associação que financiou o quebra-quebra no Congresso, em julho. Sua sede nacional fica na cidade-satélite do Guará, Distrito Federal. Quem está exercendo o cargo de presidente da Anara é Edmilson de Oliveira Lima. Ele é também da direção nacional do MLST. Ficou 34 dias preso. Em dezembro, assinou convênio com o Incra no valor de R$ 2,247 milhões. Equivalia na época a exatos US$ 1 milhão de dólares. A Anara precisava entrar com a contrapartida de R$ 224 mil (US$ 99,9 mil), mas está inadimplente desde 8 de junho.

Numa amostra de 100 convênios, os auditores concluíram que os acordos são muito abrangentes, sem objetivos definidos. Não há quadros técnicos gerenciais nem operacionais para cumprir os convênios. Não existe comparação dos preços conveniados com os de mercado nem comprovação de regularidade fiscal. A segunda parcela de dinheiro é liberada sem a aprovação parcial de contas relativa à primeira etapa. Em nenhum dos convênios, as contrapartidas foram depositadas nas contas correntes acordadas. Em convênio fechado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação com a Anca, o dinheiro saiu da conta da associação para as contas das secretarias regionais do MST em 23 unidades da Federação. Foi “redistribuído” um montante de R$ 7,3 milhões, uma descentralização não acordada. Os auditores da Secretaria de Controle Externo em São Paulo sugeriram audiência com o ex-presidente do Conselho Deliberativo do FNDE, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, por grave infração à norma legal.

Os pagamentos com dinheiro destes convênios são feitos por cheques sacados diretamente na boca do caixa. Descobriu-se que, durante uma Jornada Socialista realizada com dinheiro público, os sem-terra tiveram aulas de volante, técnicas de massagem e relaxamento. Enquanto isso, a liberação de recursos do Pronaf trouxe para dentro do governo as instituições ligadas à agricultura familiar, como Contag e Fetraf. Os empréstimos do Pronaf nesta última safra totalizaram R$ 7,5 bilhões, 240% acima do período de FHC. O secretário de Agricultura Familiar, Valter Bianchini, já começou a redigir um grande plano agrícola para um eventual segundo mandato do presidente Lula. “Você sabe que lideranças dos movimentos são petistas e estão contribuindo conosco”, diz Bianchini. “Os movimentos são movimentos, mas as lideranças dos movimentos, as direções, estão ligadas ao PT.”

“Há uma obsessão do governo em cooptar os movimentos sociais, assim como cooptou o sindical”, diz o deputado Augusto Carvalho, do PPS de Brasília, fundador do sítio de internet Contas Abertas, que acompanha os gastos do governo. “Essa conquista do silêncio dos movimentos merece maior fiscalização, sob pena de desmoralizar a reforma agrária.” Uma das coordenadoras nacionais do MST, Marina dos Santos, diz que cabe às instituições sem fins lucrativos se posicionar sobre eventuais irregularidades nos convênios. “Mas temos convicção de sua idoneidade”, registrou. Ela reclama que o governo federal repassa mais dinheiro às multinacionais que aos pequenos agricultores. Na noite de quinta-feira 24, o Incra informou que todos os convênios são auditados pelo TCU e pela Controladoria Geral da União. De fato – e é por isso que começam a vir a público tantas irregularidades"
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Quando referimo a estranheza da falta de reação da sociedade brasileira diante de tanta lama, corrupção e safadeza, os números das doações governamentais dão bem a grandeza e a medida com que Lula abafou, premeditada e criminosamente a voz do povo. O silêncio dos movimentos sociais nas vésperas da eleição pode ser medido em números. Desde seu início, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repassou R$ 605 milhões do Ministério do Desenvolvimento Agrário para “instituições privadas sem fins lucrativos”. Associações, cooperativas e outras instituições ficaram responsáveis por boa parte do investimento da verba oficial. Só no ano passado, foram repassados R$ 280 milhões, que beneficiaram 535 instituições. É um crescimento de 300% em relação às transferências no último ano de Fernando Henrique Cardoso. ISTOÉ teve acesso com exclusividade à lista completa de convênios do Incra com instituições privadas. Alguns deles têm duração até 2010, fim do próximo mandato presidencial. Até sexta-feira 18, as instituições privadas tinham recebido R$ 111 milhões do governo neste ano eleitoral. Por trás da maior parte delas estão os movimentos dos trabalhadores sem terra, como o MST, de João Pedro Stedile, o MSLT, de Bruno Maranhão, e a Contag de Manoel José dos Santos, engajados na campanha da reeleição do presidente Lula. “O pessoal do MST vai votar no Lula”, diz o deputado Adão Pretto, do PT gaúcho, um dos fundadores do MST.

E quando a agropecuária se julgava livre do pior, sabe-se o que os criminosos porões do PT terrorista e corrupto estão a urdir mais um escabroso plano para sepultar de vez a agropecuária brasileira. O texto a seguir está na revista EXAME de 30.08., sob o título “O Governo quer tomar as terras deles”:

Não bastasse ter de enfrentar uma das piores crises que já assolaram o campo brasileiro, os produtores rurais acabam de receber uma notícia que caiu como uma verdadeira bomba. Meio na surdina, setores do governo planejam uma abrupta alteração nos rumos da reforma agrária no país e ameaçam de desapropriação uma enorme parcela dos fazendeiros. Pela idéia em debate, cada grande produtor será obrigado a atingir um índice mínimo de produtividade -- quem ficar abaixo dele num único ano corre o risco de perder a terra. Por si mesma, tal notícia já é suficiente para tirar o sono de milhares de proprietários. O mais grave, porém, é que as versões que circulam em Brasília apontam que essa exigência de produtividade poderá ser draconiana. O medo é que os produtores, abalados pela crise, simplesmente não tenham condições de cumprir as exigências. Embora ainda não se conheçam os detalhes, algumas estimativas mostram o fantástico potencial de problemas da medida. No caso da soja e do milho, o consultor André Pessoa, da Agroconsult, empresa especializada em agronegócio, estima que até 58% das lavouras fiquem abaixo da nota de corte. Nos estados mais afetados pela seca, como o Rio Grande do Sul, é provável que haja atualmente um número muito reduzido de produtores em condições de produzir com a eficiência exigida nas versões originais do projeto. "O clima no campo é de apreensão", diz Luiz Antônio Pinazza, diretor da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).

A discussão sobre o índice de produtividade foi um dos fatores que motivaram há duas semanas a saída do governo de Roberto Rodrigues, que ocupava o Ministério da Agricultura desde a posse do presidente Lula, em 2003. Em Brasília, Rodrigues era o principal opositor da medida. Uma de suas críticas ao índice era a de que ele fora feito com base num trabalho do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra, que calcularam os indicadores de produtividade de cada cultura pela produção registrada entre 1999 e 2003 -- período em que o agronegócio nacional bateu seguidos recordes. Com a crise atual, naturalmente, os produtores têm menos recursos para aplicar em insumos, como defensivos e fertilizantes. É por isso que todos os especialistas já vinham trabalhando com a perspectiva de queda na produtividade do setor. Portanto, o momento não poderia ser pior para cobrar dos fazendeiros que cumpram as exigências em termos de produção. "Além de fixar um teto alto, o governo não leva em conta as características cíclicas do setor", afirma Pessoa. "É natural que a produtividade seja maior nos anos positivos e caia nos de dificuldades."

A saída de Rodrigues representou a queda de um dos últimos defensores do agro-negócio dentro do governo Lula. O anúncio do nome de seu substituto deixou o setor para lá de ressabiado. Quem assumiu o cargo foi o antigo secretário executivo do ministério, Luís Carlos Guedes Pinto. Embora fizesse parte da equipe de Rodrigues, Guedes tem ligações históricas com os movimentos de reforma agrária. Em razão disso, os produtores acham que ele tende a ser simpático à idéia de facilitar a desapropriação de novas terras. Na cerimônia de posse, o novo ministro utilizou um discurso conciliatório, dizendo que o tema ainda não está fechado. Presente na ocasião, o presidente Lula também fez questão de apaziguar os ânimos. "Nada será feito por agora", afirmou ele, num sinal de que a medida não será implementada antes das eleições de outubro. O que vem depois ninguém sabe.

Independentemente do desfecho do caso, o episódio já abriu uma nova crise entre os agricultores e o governo. O presidente da Sociedade Rural Brasileira, João de Almeida Sampaio, diz que o setor fará campanha aberta contra a administração petista caso a nova política seja implementada. Alguns produtores falam até em adotar uma espécie de política de "desespero", investindo o que puderem nas culturas, mesmo que isso resulte em mais prejuízo, apenas para atingir o índice de produtividade a ser exigido pelo governo. "Pior do que perder dinheiro numa safra é perder a terra", afirma Nelson Taludo, agricultor do interior do Paraná, um dos produtores que estariam hoje ameaçados de desapropriação.
Vejamos apenas um caso para exemplificar:
.- Proprietário: Celso Griesang
.- Localização: Rondonópolis (MT)
.- Tamanho da propriedade: 4 000 hectares
.- Culturas:soja e algodão
.- Produtividade da última safra: 2,1 t/ha
.- Índice de produtividade proposto pelo governo(1): 2,9 t/ha

.-"É claro que eu gostaria de ter uma produtividade maior, só que é impossível controlar variáveis que influem no negócio, como o regime de chuvas e a incidência de pragas".
(1) MDA/Incra

Ou seja, o índice de produtividade a ser “exigido” pelos burocratas petistas já é superior ao que a propriedade apresenta.

Segue a reportagem:

O fato de haver produtores dizendo que vão jogar dinheiro fora para manter suas propriedades não é o aspecto mais surreal de toda essa discussão. Há outros absurdos na história. Em primeiro lugar, o governo não tem condições de saber qual será o impacto da medida, pois não realiza desde 1996 um censo agropecuário no Brasil. Ou seja, ninguém sabe dizer se a mudança das regras liberará 100 ou 1 milhão de hectares passíveis de desapropriação. Além disso, o empenho do governo dá a impressão de que estão faltando terras no país para ser distribuídas -- daí a necessidade de avançar sobre quem produz e gera riquezas. É um raciocínio incorreto. Hoje existem mais de 90 milhões de terras agricultáveis ociosas no Brasil (veja quadro abaixo). Como elas se localizam longe dos grandes centros urbanos, são propriedades desprezadas pelo MST e por outros movimentos do gênero. "Aumentar o estoque de terras para reforma agrária não é o principal objetivo da medida", afirma Guilherme Cassel, ministro do Desenvolvimento Agrário. "Queremos melhorar a performance no campo. A situação atual premia a improdutividade e impede o andamento das reformas."

As palavras de Cassel sugerem que haja no Brasil um número considerável de especuladores de terra, sem interesse em investir seriamente na agricultura. Ocorre exatamente o contrário. Se há um setor eficiente na economia brasileira é o agronegócio. Ele é responsável por 34% do produto interno bruto (PIB), 37% dos empregos gerados e 93% do saldo da balança comercial. Além do mais, trata-se de um dos setores mais produtivos do país -- graças a investimentos em tecnologia implementados ao longo de décadas. Desde 1991, o país foi capaz de dobrar a produção agrícola, apesar de a área plantada quase não ter crescido. Em vez de investir em fatores que possam turbinar ainda mais o trabalho de quem já produz, como novas pesquisas e linhas de financiamento, o governo planeja tomar as terras para entregá-las à turma dos assentamentos agrários, que já provou ser capaz de tudo, menos de produzir com eficiência.

O interesse do governo em fixar um índice mínimo de produtividade traz também outras questões importantes a ser discutidas envolvendo o conceito de direito de propriedade. Um exemplo: punir a ineficiência de um produtor com a perda de suas terras é algo justo? Mal comparando, seria o mesmo que uma lei permitir a desapropriação de uma montadora de veículos que, por alguma circunstância, opera apenas em dois turnos -- e não nos três de sua capacidade total. Em todos os demais setores da economia, fica a cargo do mercado definir quem são os produtores que merecem permanecer em operação -- e quais serão deslocados. Ou seja, numa economia de mercado é normal que os mais competentes prevaleçam. No caso do universo do campo, a noção que abre espaço para que se rasgue o direito de propriedade é a chamada "função social da terra", conforme fixa o artigo 184 da Constituição Federal. Na visão maniqueísta dos congressistas que escreveram a Carta de 1988, só o fato de alguém ter uma grande propriedade já o coloca do lado dos vilões. A realidade é outra. "O modelo distributivista de terras, que o governo atual insiste em adotar, não deu certo em lugar algum do mundo", afirma Xico Graziano, deputado federal do PSDB e ex-presidente do Incra. "Para ser eficiente, a atividade agrícola exige hoje muitos investimentos e uma grande infra-estrutura, condições difíceis de ser preenchidas nos assentamentos. Por isso, muitos deles viram, em geral, favelas rurais."

Vejam o exemplo abaixo:

Reforma absurda
Apesar de ainda restarem 93 milhões de hectares disponíveis para a agropecuária, o governo quer fazer reforma agrária em áreas onde já se produz
.- Áreas não agricultáveis (reservas legais, cidades, unidades de preservação, rios, represas e estradas) - 54%
.- Terras onde já se produz - 35%
.- Áreas agricultáveis desocupadas (93 milhões de hectares) - 11%

Fonte: Ministério da Agricultura

Gustavo Paul encerra sua reportagem levantando questões e concluindo:

Cabe aqui, portanto, uma questão fundamental: quem está cumprindo melhor sua função social, os produtores que respondem por um terço do PIB brasileiro ou os ineficientes assentamentos rurais? Os fatos mostram que a resposta é bastante óbvia. Mais do que isso, o resultado da discussão sobre o índice de produtividade pode definir a vocação brasileira nos assuntos do campo de uma vez por todas. Em última instância, está em jogo se o país vai continuar na vanguarda do agro-negócio -- com fazendas eficientes e capazes de gerar milhões de empregos diretos e indiretos -- ou se vai jogar fora essas conquistas e, em troca, transformar o país num imenso favelão rural".

Que governo é este ? Onde pretende chegar ? No que afinal quer transformar o Brasil ? Respondemos assim: este é um governo corrupto, mal intencionado, que quer destruir a cadeia agropecuária sob seu manto ideológico de atraso, para poder instalar seu comunismo de merda destinado a favorecer seus merdas de seguidores. E, seria oportuno lembrar que o comandante-em-chefe jamais poderá dizer-se patrono dos pobres, a menos que esteja se referindo ao estado em que deseja deixar 180,0 milhões de brasileiros, simples miseráveis atirados aos seus pés, enquanto “elles”, se refestelam ao melhor estilo burguês, verdadeiro bando de malucos e vagabundos, mamando nas tetas do poder central, donde sugam toda a energia produtiva do povo brasileiro. Governo medíocre comandado por uma tropa de imbecis, e chefiados por um demente com ambição de poder. Mais patético do que isso é vermos um país em tais condições alinhado a Cuba, Venezuela e Bolívia. Degradação total. O mínimo que se pode classificar aquilo que se chama de Governo Lula é de ser um verdadeiro antro promíscuo de imoralidade e indecência. Que Deus tenha piedade de nós !

A Carta do Presidente do CREA...

COMENTANDO A NOTÍCIA:

Esta carta foi enviada pelo Presidente do CREA do Ceará, Otacílio M. Guimarães, ao Presidente Lula, e dada sua relevância a trascrevemos na íntegra, e foi publicada originalmente no blog Argumento & Prosa, aquem solicitamos autorização para sua republicação.

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===> A CARTA:

Sr. Luis Inácio Lula da Silva:

Causa indignação a qualquer cidadão medianamente esclarecidoouvir ou ler a asneira abaixo, pronunciada por uma pessoa semi-analfabeta,despreparada, sem nenhuma ética, que 52 milhões de abobalhados colocaram na presidência da república do Brasil. Esclarecendo: asneira vem de asno ouburro.
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O senhor passou a sua vida toda, juntamente com o seu partido(?!?!?!), mentindo para um povo até conseguir conquistar as consciências de 52 milhões de incautos que não sabem distinguir óleo de água e agora, depoisde ter implantado no Brasil o maior esquema de corrupção jamais visto nomundo ainda vem dar uma de o mais honesto do país com essa afirmação desproposital, descabida e desrespeitosa. Pois eu lhe digo, senhor LuisInácio: eu sou um brasileiro de 62 anos de idade, não sou analfabeto, meuspais não eram analfabetos, eu recebi uma educação doméstica, moral e formal para dizer ao senhor, o seguinte: me respeite! Respeite o meu país! Respeiteas pessoas que estão indignadas com a sua desfaçatez! Se o senhor acha que o único repositório da ética e da moral deste país é o senhor, pois fique sabendo que eu quero discutir com o senhor sobre ética e moral, cara a cara,olho no olho.
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Eu quero que o senhor me explique como é que Delúbio Soares eSílvio Pereira armaram o esquema criminoso que resultou neste mar de lama que emporcalha a história do Brasil sem que o senhor, o José Genuíno e oJosé Dirceu soubessem de nada.
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Eu quero que o senhor me explique, cara a cara, olho no olho,porque Celso Daniel, prefeito de Santo André, foi assassinado friamente e o seu governo agiu no sentido de paralisar as investigações. Será que o senhorsabe o que significa obstrução da justiça? Pois foi isto o que o senhor fez,obstruiu a justiça. Se o Brasil fosse um pais sério, o senhor já estaria na cadeia só por isto.
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Eu quero que o senhor me explique porque mandou a prefeita deSão José dos Campos, Ângela Guadagnin, exonerar o secretário de finançasPaulo de Tarso Venceslau só porque este, que também fora secretário de finanças da prefeitura de Campinas, descobriu um esquema de desvio dedinheiro público operado pela CPEM que somente em 1992 desviou 10,5 milhões de dólares da prefeitura de São José dos Campos, sem falar nas outras três onde o esquema funcionava (Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto, esta última tendo como prefeito Antônio Palocci, atual ministro da fazenda), dinheiro esse que se destinava a alimentar o caixa 2 do PT.
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Nesse esquema o Paulo Okamoto, que não detinha cargo público e era apenas militante do PT, fazia o papel que o Sílvio Pereira fez até serdesmascarado recentemente.
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Note-se que estes fatos ocorreram há 12/13 anos atrás. Não é dehoje, portanto, que o PT se utiliza desses esquemas criminosos para suprir o seu caixa 2 e aumentar o patrimônio de seus integrantes. Inclusive o seu edo seu filho, o Lulinha, que recentemente recebeu da Telamar cinco milhões eduzentos mil reais como investimento numa empresa que eu não pagaria um centavo por ela. A troco de quê, senhor Lula, a Telamar deu essa dinheiramatoda ao seu filho?
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O senhor e seus asseclas vivem dizendo que tudo é culpa daselites brasileiras. Para mim, as elites que jogaram o PT e o governo Lula na lama têm nomes: José Dirceu, Sílvio Pereira, Delúbio Soares, Marcos Valérioe os que estão acima destes que o senhor tão bem conhece e eu não precisocitar. O senhor é o chefe de todos eles.
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Pois eu lhe digo, senhor Lula: neste país nasceu antes do senhor um homem em condições de discutir com o senhor, cara a cara, olho no olho,sobre ética e muitos outros atributos que o senhor não possui, como porexemplo, capacidade administrativa, discernimento, iniciativa e coragem de tomar decisões. E digo mais: que eu não estou sozinho, pois o Brasil temmilhões de homens e mulheres que têm condições de discutir com o senhorsobre ética e moral. Quer me parecer que o senhor não entende o verdadeiro significado das palavras ética e moral, talvez seja este o caso, já quenunca estudou e se gaba de ter nascido de pais analfabetos.
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Na verdade, quem se gaba de ter nascido de pais analfabetos e deter pouco estudo não tem o direito de ofender todo um povo arvorando-se noúnico repositório da ética e da moral.
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Senhor Lula, o senhor foi colocado onde está por pessoas tãoignorantes quanto o senhor. Mas eu devo lhe dizer que os homens e mulheres de bem deste país já estão cheios das asneiras que o senhor fala e faz e comsuas bravatas, com a sua incapacidade sobejamente demonstrada em governar o país e com o fato de estar se esquivando de suas Responsabilidades nos desmandos praticados pela cúpula dirigente do PT querendo nos fazer crer que Sílvio Pereira e Delúblio Soares agiram sozinhos. Não creio que Sílvio Pereira e Delúbio Soares sejam tão burros assim. Só um idiota acreditaria nisso. E digo-lhe mais uma coisa: pare de subestimar a inteligência dos brasileiros, pare de ofender os brasileiros, principalmente aqueles que acreditaram em suas mentiras e suas falácias e lhe colocaram onde está hoje.
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Está na hora do senhor devolver estes votos juntamente com um pedido dedesculpas tomando a decisão de renunciar ao cargo para o qual o senhor nunca esteve preparado para exercer.
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A seguir trecho do discurso proferido ontem pelo senhor, presidente Lula, para uma platéia de petroleiros da REDUC, Duque de Caxias,e que ofende pelo menos aqueles que possuem ética e dignidade neste país, oque não parece ser o seu caso.
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"Neste país está para nascer alguém que venha querer discutir ética comigo. Eu digo sempre o seguinte: sou filho de pai e mãe analfabetos.E o único legado que eles deixaram, não apenas para mim, mas para toda afamília, é que andar de cabeça erguida é a coisa mais importante que pode acontecer para um homem ou uma mulher. E eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país com muito sacrifício. E não vai ser a elite brasileira que vai fazer eu baixar a cabeça".
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Estou pronto para discutir com o senhor sobre ética e outros assuntos a qualquer momento que o senhor escolher. Isto se o senhor tivercoragem, porque sempre foge do debate com a imprensa e com pessoasinteligentes. A maioria do povo brasileiro está de saco cheio com o senhor e com o seu PT - Partido dos Trambiqueiros.
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Otacílio M. Guimarães - Presidente do CREA (Ceará)
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PS.: Se você tem moral e ética, ou pelo menos vergonha na cara,divulgue esta carta.

sábado, agosto 26, 2006

O uso covarde do BNDES.

Várias vezes já dissemos que o que o governo fez com VARIG foi uma ação nefasta e mal cheirosa. Se o critério fosse apenas o de resguardar a instituição BNDES para que não investisse dinheiro público na iniciativa privada para salvar empresas à beira da falência, ainda assim, no caso da empresa aérea, tinha obrigação este ou qualquer outro governo que salvaguardar uma empresa quase centenária, uma das poucas empresas com respeito e credibilidades internacionais, e que atua num setor estratégico.

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Deveria mas não fez. Ao não fazer, permitiu que mais de 5.000 profissionais com excelente formação e treinamento fossem, simplesmente abandonados por interesses suspeitos, espúrios e de imperdoável incompetência.

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Várias vezes lembramos que, dentre as razões rasteiras usadas pelo governo Lula para não socorrer a companhia aérea que sempre esteve ao lado do esporte e da cultura com exemplar participação e patrocínio, estava o interesse econômico. Levada à justiça, o governo federal foi condenado a indenizar a VARIG em 4,0 bilhões de reais, frutos de pacotes econômicos que destruíram o equilíbrio financeiro da empresa. Ainda assim, negou em pagar.

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Depois, podendo socorrer a VARIG já agonizante com aportes do BNDES uma vez mais Lula deu às costas e negou o socorro necessário.

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O resto da história é de conhecimento público. Porém, é de se questionar qual a verdadeira razão para Lula negar o apoio do BNDES no caso da VARIG ? Serão razões econômicas? Parece-nos que não. Porque este mesmo governo, por este mesmo BNDES tem sido pródigo em “outros” socorros, verdadeiros lesa-pátria. Talvez um dia a opinião pública brasileira seja contemplada com a verdade pela insistente, equivocada e mal-intencionada negativa de Lula em permitir que o BNDES acudisse a VARIG em sua crise e morte.

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Alegou-se questões técnicas. Mas isso, como veremos mais adiante, além de total idiotia, é uma mentira deslavada e inconseqüente. O BNDES, como se sabe, já acudiu muita empresa em dificuldades até maiores que a vivida pela VARIG, e tem sido pródiga em abrir seu caixa sob condições pra lá de “tecnicamente” equivocadas.

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Nem os apelos de grande parte da opinião pública foi capaz de sensibilizar Lula e seus cãezinhos amestrados do BNDES. Uma pesquisa espontânea divulgada pelo jornal "O Globo", na qual se manifestaram 25.570 leitores, mostra que nem a manipulação dos fatos encontra suporte para o assassinato econômico programado: 63,94% responderam que "o governo não podia deixar a mais importante empresa aérea do Brasil quebrar", enquanto apenas 36,6% subscreveram a capciosa resposta "o dinheiro público não deve ser usado para socorrer empresas privadas mal-geridas".

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Abandonada e levada ao desespero, a Varig tentou agarrar-se a um salva-vidas, enquanto o governo fez jogo duro, como se nunca tivesse aberto os cofres do BNDES para injetar recursos em empresas privadas em crise, como a alemã Volkswagen, que acaba de receber R$ 497,1 milhões para preservar empregos, enquanto anunciava a demissão de 5.773 empregados.

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No caso das montadoras, que já se beneficiam de generosas renúncias fiscais em suas exportações, o BNDES não faz cerimônia. Só a Volks recebeu R$ 3,730 bilhões nos últimos dez anos. No ano passado, obteve R$ 934 milhões de um total de R$ 1,956 bilhão repassados nos três anos do governo Lula, isso enquanto a indústria festeja recordes na produção de automóveis. Nunca esquecendo que no casos dos empregados das montadoras, eles formam uma imensa legião de simpatizantes a Lula, ali nasceu seu curral eleitoral, e ficaria mal diante de seus “eleitores” negar socorro às montadoras.

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E para não se dizer que o governo Lula tenha feitos “negócios amigos” apenas com as montadoras, relatamos um outro caso em que é vergonhoso o papel desempenhado pelo BNDES. A AES recebeu US$ 1,2 bilhão para ajudar na compra da Eletropaulo. Não pagou e o governo, ao invés de exigir a empresa de volta, fez exatamente o que os caloteiros norte-americanos queriam, conforme noticia Wagner Gomes, em "O Globo" de 19 de setembro de 2003. Fechou um acordo pelo qual o BNDES trocou US$ 600 milhões da dívida por uma parceria com a multinacional em uma "sociedade de propósito específico, a Novacom. O controle acionário ficou com a AES e o BNDES com 50% das ações, menos uma.

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Parte dos outros US$ 600 milhões ficou para ser refinanciada: A AES comprometeu-se a pagar à vista US$ 60 milhões no fechamento do contrato, convertendo US$ 540 milhões em debêntures, dando como garantia as ações da Eletropaulo na Novacom. Pelo acordo, se a AES depositasse os US$ 60 milhões (5% do total devido) US$ 118 milhões referentes aos juros da dívida seriam PERDOADOS.

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Não bastasse o assalto praticado pelo governo do amigo Evo Morales, da Bolívia, em invadir e tomar as instalações da Petrobrás com força militar, o governo Lula não apenas reconheceu o “direito” à ação descabida e desproposital, como também, em momento algum, exigiu a indenização que lhe era devida. Não satisfeito, Lula ainda abriu em condições bastante camaradas, uma linha de crédito via BNDES em favor do governo boliviano para obras de infra-estrutura, condições tão especiais que são muito melhores das que o próprio BNDES oferecem para as empresas brasileiras dentro do país.

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É vergonhoso ? É patético ? Ambas, para não se dizer outra coisa, como por exemplo, escandolosamente indecente e imoral. A história de favorecimentos do BNDES às montadoras até poderia ser compreensível, se o governo Lula não tivesse, proposital e calculadamente, permitido a quebra da VARIG e o desemprego de mais de 5.000 profissionais qualificados. Vejamos: no Globo On Line há uma extensa lista de “benefícios” que nos dão em que pensar. Cinqüenta anos depois do início da produção de carros no Brasil, o país continua investindo mais no setor automotivo do que em modernos meios de transporte de massa. Em três anos e meio de gestão, o governo Lula deu mais crédito para as montadoras de veículos do que aplicou em metrô.

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Do início de 2003 até junho passado, as contratações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) para o setor automotivo somaram R$ 7,58 bilhões. O montante é mais de quatro vezes maior do que os gastos orçamentários com custeio e investimentos em metrô (R$ 1,4 bilhão) somados aos desembolsos do banco estatal para o transporte metroviário no mesmo período (R$ 366 milhões).

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Em 20 anos, o BNDES liberou R$ 3,8 bilhões para os metrôs do Rio e de São Paulo, as duas cidades mais importantes do país e que diariamente enfrentam quilômetros de engarrafamentos. Só no ano passado, as contratações de empréstimos do banco estatal para fabricantes de veículos e peças - setor dominado por multinacionais - chegaram a quase o mesmo valor (R$ 3,7 bilhões). Há casos extremos como o da Volkswagen, que em 2005 conseguiu um financiamento de R$ 660 milhões do BNDES, quase dez vezes maior que todos os desembolsos no período para os metrôs do país (R$ 70,2 milhões).

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O BNDES não tem nenhuma restrição orçamentária, política ou operacional para a concessão de financiamentos a projetos metroviários. Pelo contrário, as condições são as mais favoráveis. Mas esses são investimentos complexos, de infra-estrutura, não podem ser comparados com os de empresas produtoras de bens duráveis e exportadoras - justifica o gerente da área social do banco, Charles Marot. E por que então negou recursos à VARIG, em volume bem menor do que ao que se destinou à Volks ? Além disto, as vantagens que o BNDES abre ao sistema metroviário, não encontra, por outro lado, o correspondente respaldo administrativo quando este se encontra sob a batuta do poder público.

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A experiência do metrô do Rio contrasta com a da maior parte das empresas do país, que têm prejuízos todos os anos e precisam da injeção constante de recursos públicos para continuar funcionando. O serviço é o único do Brasil que foi privatizado e que tem, inclusive, ações negociadas na Bovespa, com direito a lucros aos acionistas.

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A privatização aconteceu em 1997, quando um consórcio liderado pelo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, arrematou em leilão por R$ 291 milhões o direito de explorar o serviço por 20 anos. Deste total, 30% foram pagos à vista e cerca da metade do valor ainda está sendo amortizada.

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Na Bovespa, a empresa aparece como Opportrans, uma mistura de Opportunity com Cometrans, companhia privada do metrô de Buenos Aires também integrante do consórcio. Hoje, o Opportunity não aparece mais diretamente entre os controladores. Agora, Daniel Dantas é representado pelo Grupo Sorocaba.

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A Opportrans assumiu a administração e o controle das operações do metrô, em abril de 1998, mas as expansões da rede continuaram a cargo do Governo do Estado, por meio da Rio Trilhos.

Até 2005 a empresa investiu R$ 79,6 milhões no metrô. Os primeiros anos foram de prejuízo, mas desde 2004 a Opportrans registra lucro (R$ 180 mil). No ano passado, o lucro cresceu para R$ 27 milhões.

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O governo Lula deve uma explicação à sociedade brasileira sobre a maneira parcial com que conduz as orientações de liberação de recursos promovidas pelo BNDES. No caso da VARIG já se vê a ação dolosa e imoral, que por outro lado não encontra paralelo para alguns “clientes” especiais nos quais, como vimos o BNDES capitulou seu interesse econômico em troca não se sabe de que favores.

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A insistência em manter sob sua guarda o sistema metroviário no qual são injetados bilhões de reais também não encontra paralelo nem tampouco justificativa técnica. Só é possível entender como a necessidade de assegurar cabides de empregos para a manutenção de currais eleitorais além, é claro, da manutenção do podre sistema sindical brasileiro, que no caso da VARIG, a CUT, por sinal, se manteve distante e num silêncio criminoso e traiçoeiro, muito embora este capacho do governo tem outras razões orçamentárias para manter o distanciamento.

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Esquece, acaso, o governo federal que cada centavo utilizado para cobertura nos prejuízos proporcionados por sua má gerência são custeados pelo contribuinte ? Os prejuízos advindos do roubo das unidades da Petrobrás se convertem em bofetadas à própria soberania do país ? E que contratos imorais como o que se fez com a AES acabam em danos irreversíveis ao interesse de se preservar a própria instituição BNDES ?

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Provavelmente, tais ações todas com a conivência e consentimento do governo federal, principalmente no caso da VARIG, a responsabilidade do presidente da república não poderá ser esquecida. Podendo agir, acovardou-se, omitiu-se, fugiu de sua responsabilidade.

Aliás, Senhor Lula, toda vez que vossa excelência acomodar-se em seus assentos de luxo no avião presidencial de milhões de dólares, seria bom recordar-se do desespero de mais cinco mil brasileiros que o senhor por sua incompetência e má vontade desempregou. Faça sua propaganda eleitoral mentirosa e asquerosa na tevê o quanto quiser ao peso de milhões de reais. Mas este crime, estará indelevelmente grudado em sua biografia canalha. A que interesses se atendeu ? Não sabemos, mas com certeza nenhum deles, seja no caso da VARIG, seja na desapropriação ilegal e indevida das instalações da Petrobrás na Bolívia, sob seu consentimento descarado, nenhum estará associado ao interesse brasileiro, sepultado por sua hipocrisia. Um dia, queira você ou não, o destino vai lhe cobrar por seu crime.

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Aliás, seria oportuno e útil Lula conhecer um pouco melhor a biografia de Getúlio Vargas, a quem tenta grotescamente comparar-se. Apesar de ditador, jamais agiu contra o interesse nacional, jamais traiu as cores do país que ele amou. A ele, a VARIG muito deve por seu crescimento.

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E toda vez, Senhor Lula, que se recolher ao seu leito e antes de adormecer, traga à consciência (se ainda a tiver) a frase dolorosa de uma brasileira que você premeditadamente desempregou. Para ela e todos os que você colocou no olho da rua, assim como para os que tiveram o apoio e patrocínio da VARIG ao longo de sua história nas atividades culturais e esportivas, bem como a todos os brasileiros que se orgulhavam da companhia brasileira com reconhecimento internacional por sua excelência de serviços, você deve uma explicação convincente e um formal pedido de desculpas:

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"Sei o preço que estou pagando, mas prefiro lutar a ficar em casa rezando ou torcendo por alguma solução milagrosa."

(Ane Elisabeth Horst, comissária da Varig há 20 anos).

TOQUEDEPRIMA...

Ligações perigosas

Com base em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a polícia de São Paulo abriu inquérito para investigar se existe ligação entre presidiários do PCC (Primeiro Comando da Capital) e militantes do PT.
A investigação foi motivada por um grampo telefônico feito na noite de 12 de maio deste ano - data do início da primeira onda de ataques do PCC - no qual presidiários foram flagrados ordenando os ataques.
As gravações telefônicas, obtidas pela Folha de São Paulo, mostram diversas conversas entre dois presos - Magrelo e Moringa.

O telefonema

Após manifestarem dúvidas sobre os alvos, Magrelo disse que ligou para outros membros do grupo criminoso e recebeu deles a seguinte ordem:

"Prioridade: azul [agentes penitenciários], acima do azul, políticos, qualquer um, menos do PT, entendeu, irmão?".

Em outro trecho, Magrelo deixa claro que o alvo preferencial seriam políticos do PSDB:
"Civil, funcionários e diretores do partido P-S-D-B.".

As gravações foram feitas por uma autoridade da região oeste do Estado e entregues recentemente ao atual secretário da Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, que, por sua vez, repassou ao da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho.

O Secretário, que foi nomeado para o cargo pelo hoje presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), determinou que o chefe da Polícia Civil, Marco Antonio Desgualdo, investigasse as escutas


Ataque da ONU contra a corrupção

A Organização das Nações Unidas (ONU) fará uma investigação sobre a corrupção no Brasil. A relatora especial das Nações Unidas para o Combate à Corrupção, Christy Mbonu, pretende visitar o País no início de 2007.

Só não veio em junho e nem vem agora, porque foi aconselhada por membros do governo a não iniciar qualquer missão no País antes das eleições presidenciais de outubro. Christy negocia com o governo, desde fevereiro, para agendar o estudo no País - o primeiro fora da África a ser avaliado pela ONU.

Alvos precisos

Christy Mbonu preparou um questionário que enviará ao governo. Nesse documento, pede que seja explicado como o governo faz para lutar contra a corrupção de funcionários públicos, de membros do governo e como a lei regula as atividades dos partidos.

"O que estou fazendo é debater os mecanismos que cada governo e sociedade têm para combater a corrupção. Quero levantar porque o combate à corrupção funciona em alguns locais e não em outros".

Christy Mbonu pretende dispensar atenção especial em seu questionário para as irregularidades em licitações públicas, além da corrupção do Judiciário.

"Se há corrupção entre os juízes, um país não tem nem como punir os corruptos".A especialista da ONU adverte que, se existe corrupção, não há como ter uma sociedade que luta pelo desenvolvimento.
"A corrupção contamina todos os direitos básicos: o direito à vida, à alimentação, direitos civis e políticos. Enfim, a corrupção está na base de várias violações".

ACM cobra despesas Lula

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) acusou ontem, em plenário, o presidente Lula de fazer campanha eleitoral sem pagar as despesas de transporte e hospedagem para si e sua equipe.

ACM chamou Lula de "sabidinho" e afirmou que o presidente se valeu do artifício de marcar viagens administrativas para fazer campanha com recursos públicos.“Os adjetivos e as qualificações do presidente Lula foram os mais variados nesta Casa. Hoje, quero apresentar mais um: Lula, o ‘sabidinho’. Lula, o ‘sabidinho’, aquele que marca viagens políticas e administrativas para não pagar transporte, combustível, hotel para si e para sua entourage. É assim que está vivendo o Brasil”.

Propaganda enganosa?

ACM reclamou que Lula está se caracterizando como sinônimo de “propaganda enganosa” no horário eleitoral gratuito.

“Propaganda enganosa é sinônimo do dr. Lula, que só faz mentir. Mente, como se dizia antigamente, que não sente. E, assim, fica enganando o povo na televisão”.Segundo o bondoso ACM, uma das formas de Lula enganar o povo é escalar a terceira divisão do seu time para aparecer na TV, enquanto os titulares estão escondidos após flagrados no mensalão, no valerioduto e nos sanguessugas.

Escalando a seleção

ACM ironizou a desvinculação que Lula faz de seus próprios amigos, sempre que algum deles está envolvido em denúncias.

O presidente renegou a amizade, publicamente, na televisão. Ele disse que não tinha nada com José Dirceu, nada com o Palocci, nada com esse time todo que forma a seleção do PT no país e no seu governo”.

ACM pediu que fossem anotados nos anais do Senado a “seleção de Lula” por ele escalada:

Técnico: Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Goleiro: Paulo Okamotto (presidente do Sebrae e ex-procurador de Lula).

Jogadores:-Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT e operador do mensalão).-Marcos Valério (publicitário e operador do mensalão).

-José Dirceu (ex-ministro-chefe da Casa Civil e um dos arquitetos do mensalão).-Sílvio Pereira (ex-secretário geral do PT, que intermediava negócios de empresas privadas com o governo e recebeu um Land Rover de presente da empreiteira GDK).

-Waldomiro Diniz (ex-assessor da Casa Civil e que foi flagrado pedindo propina para facilitar negócios do jogo com o governo).

-Humberto Costa, (ex-ministro da Saúde, vampiro dos hemocentros e implicado pela máfia dos sanguessugas).

-José Airton Cirillo (ex-deputado federal pelo PT do Ceará, ex-presidente do partido no estado, dirigente nacional do PT e apontado como chefe da máfia dos sanguessugas).

-José Guimarães (irmão do ex-presidente nacional do PT, José Genoino, dirigente nacional do PT e apontado como destinatário dos dólares transportados de São Paulo para o Ceará na cueca do assessor Adalberto Vieira, preso pela PF).

-Ivan Guimarães (petista e ex-presidente do Banco Popular do Brasil, acusado de ter privilegiado sindicatos e organizações não-governamentais (ONGs) ligados ao PT).

Além de quatro ou cinco reservas que ACM ainda não citou.

Aldo e a memória curta (?)

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, parece ter pego o vírus “Lulacticus besteirenses” “doença” sofrida por nosso presidente e sua equipe.

Aldo também afirma que não sabe de nada, e nem vê nada de relevante no caso dos sanguessugas e nem da contratação.

Aldo não sabe que tem 8055 funcionários fantasmas na Câmara, com salários que variam de R$ 2 mil a R$ 8 mil e 200 reais.

Só no gabinete de Aldo existem 22 funcionárias (em Cargo de Natureza Especial – CNES, preenchidos sem concurso público) que ganham R$ 2.150 reais.

Sanguessugas no cadafalso

O Conselho de Ética da Câmara abriu processo contra 69 deputados - 13,4% do total -, que podem ser cassados por quebra de decoro parlamentar.

Dos processados, 67 foram denunciados pela CPI dos Sanguessugas por terem vendido emendas do Orçamento à máfia de superfaturamento de ambulância.Mais dois deputados são acusados por escândalos antigos.

Outros dois denunciados pela CPI dos Sanguessugas já haviam renunciado para fugir da cassação.

Grande palhaçada?

No Senado, uma manobra adiou em pelo menos um mês o processo contra os três senadores denunciados pela CPI.

Os casos serão analisados pelo Conselho de Ética da Casa, seguem para a Mesa e voltam ao Conselho.

"Vamos fazer papel de palhaços".

Foi o que constatou o senador Demóstenes Torres, relator do processo contra a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT).
Não serão reeleitos

Um informante especialíssimo de São Paulo, me diz: "Mentor, João Paulo, Professor Luizinho e Antonio Palocci não se elegem". Pergunto: mas então, quem será eleito no antigo PT agora PT-PT? Ele: "Não sei, embora o ex-ministro da Fazenda diga que será consagrado com a votação que terá em Ribeirão Preto".

Marta, quer a embaixada de Paris (?)

Lula e Dona Marta, o tempo todo abraçados, num comício de SP, ressuscitaram a nota que dei há mais de 1 ano: a ex-prefeita quer ser embaixadora, e com lugar pré-pago: Paris. Continua valendo o que revelei na nota agora desenterrada: a pretensão não é dela e sim do segundo marido, Dona Marta hoje, uma espécie de Dona Flor sem Jorge Amado para escrever o roteiro.

Mas do Itamaraty me dizem e garantem: nem a ex-prefeita nem o atual e quase ex-chanceler têm ou terão os pedidos atendidos.

Ele, como é de carreira, terá direito a escolher o último posto. Que será longe, bem longe de sua ambição geográfica.

(Fonte: Helio Fernandes /Tribuna da Imprensa)

Helio Bicudo: “Lula sabia de tudo”

Promotor, procurador de Justiça do Estado de São Paulo, presidente da Comissão Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), deputado federal e vice-prefeito de Marta Suplicy, o professor Helio Bicudo é o mais ilustre fundador do PT.

Deu entrevista ao jornalista Luiz Nogueira, transmitida no programa "Sábado Especial" da "Rede Vida de Televisão" e publicada na "Tribuna da Imprensa". O depoimento é tão forte, claro e irrespondível, e a repercussão tão grande, que leitores de todo o País continuam pedindo o texto. É longo. Uma página inteira. Os trechos principais dão uma idéia da gravidade:

"O presidente Lula foi o mandante (sic) de toda essa corrupção. Nada que foi feito por José Dirceu foi praticado sem o seu conhecimento. Houve um conluio entre os dois. Lula sempre exerceu o poder dentro do partido. Tudo aquilo que se fez e que se fará no Brasil, do ponto de vista administrativo, do ponto de vista político, vem do próprio Lula".

"O presidente da República, no regime presidencial, não pode alegar ignorância dos fatos da administração. Ele poderia ignorar se nós estivéssemos num regime parlamentarista. Desde que se considere que houve um mandante, este mandante é o presidente da República".

"Isto tudo foi arquitetado não para que o Lula administrasse o País, mas para que o Lula recebesse as benesses da administração e fosse reeleito mais quatro anos. O José Dirceu atuou como atuou porque Lula tinha, evidentemente, conhecimento daquilo que ele estava fazendo. Não só conhecimento, como participação do Lula naquilo que ele estava fazendo".

"Para mim está claro esse conluio entre o Lula e o José Dirceu, para que o José Dirceu assumisse a responsabilidade, fosse punido e o Lula parecesse uma pessoa virginal, que ignora tudo e é traído pelos amigos".

Mercadante: outro com memória curta...

O Mercadante, ou é bobão, e não é, ou quer fazer o País de idiota.
Disse: "Nunca fui citado em nenhuma CPI".
Todos o vimos dizer a Duda Mendonça na CPI: "Nunca ouvi falar no caixa do Delubio".
E Duda respondeu: "Senador, de onde o senhor acha que saíram os milhões gastos em sua campanha em 2002? Do mesmo lugar onde saiu o dinheiro que me pagou".

(De Sebastião Nery/Tribuna Imprensa)

No RS, Heloisa Helena chama Lula de 'corrupto'

A candidata à Presidência da República Heloisa Helena (PSOL-AL) improvisou hoje um mini-comício no centro da capital gaúcha. Falando com um equipamento de som portátil, a senadora criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que ministros e ex-ministros estão agindo "como moleques de recado e espalhando mentiras pelo Brasil". Ao ser perguntada se o presidente estaria se beneficiando da máquina pública na campanha, a candidata afirmou que "seria preciso inocência ou vigarice" para negar isso. Questionada se Lula seria corrupto, ela declarou: "Eu já disse isso várias vezes. Se você quer uma manchete, ele é corrupto."

Referindo-se ao presidente como "sua majestade barbuda", Heloisa Helena voltou a pedir que ele "desça da sua arrogância e covardia política e venha para os debates". A senadora afirmou que o Brasil não pode mais conviver "com as migalhas da inclusão social". Também criticou a taxa de juros e defendeu a reforma tributária. Numa referência aos adversários Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), disse que enquanto "eles cortam os céus do Brasil com o Aerolula e o jatinho tucano, nós estamos aqui humildemente com esse pequeno solzinho (símbolo do PSOL) para falar".

Heloisa Helena disse que seus quatro eixos de campanha são democratização da riqueza, das políticas sociais, da informação e cultura, da terra e dos espaços urbanos. Criticou a desvinculação de receitas da União (DRU) e afirmou que "só dois setores continuam ganhando muito no Brasil: banqueiros e políticos corruptos.”

Lula admite erro em desafio a adversários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu junho, em reunião com seus principais auxiliares, que cometeu um erro ao desafiar a oposição a usar cenas de CPIs em seus programas eleitorais na TV. De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, Lula disse aos seus ministros numa reunião que retomaria o discurso "paz e amor".

O desafio à oposição ocorreu em um evento público. Lula disse que torcia para que a oposição usasse cenas de CPIs para tentar atacá-lo. "Eu quero que eles coloquem CPI na televisão todo dia, toda hora. Eu quero que eles coloquem as torturas que eles fizeram com muita gente lá", disse ele. Os ministros e auxiliares concordaram que a afirmação foi um erro.

De acordo com um assessor do presidente, Lula e os integrantes da cúpula do governo decidiram retomar o tom otimista e menos polêmico nos discursos, ressaltando as vitórias do presidente e não o confronto com a oposição. Lula volta a tratar do pleito na noite desta terça, durante encontro com a ala governista do PMDB, para discutir as alianças com esse partido nos estados.


MARANHÃO : A CAPITANIA DE SARNEY

O Maranhão continua sem ser a Rússia. E é um pesadelo nacional. Tem o menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU) do País. De todos os estados, ainda hoje, com 40 anos de dominação de Sarney sobre a política e a economia do Estado, é onde há mais fome no Brasil.

O gênio de Glauber Rocha viu isso logo depois de 65, quando o jovem deputado José Sarney se elegeu governador anunciando a revolução do "Maranhão Novo". Glauber foi lá fazer um documentário, viu a alma profunda do Maranhão em transe e fez o clássico "Terra em transe", sobre gente de carne e osso, contando a história de uma nova oligarquia que estava nascendo.

Paulo Autran, conservador, velho líder absoluto, era Victorino Freire. José Lewgoy, bigodinho bem cuidado, cabelo brilhantinado até a testa, contraditório, cada dia defendendo uma posição diferente, era Sarney.Paulo Gracindo, sotaque gringo, era Alberto Aboud, dono de jornal, que Sarney, governador, comprou e mudou o nome para "Estado do Maranhão". Jardel Filho, jornalista, poeta, poliglota, era Bandeira Tribuzzi. Joffre Soares, o padre sempre com Sarney, era o cônego Artur Gonçalves.