quinta-feira, setembro 21, 2006

O terceiro capítulo da tramóia.



COMENTANDO A NOTÍCIA: Até aqui temos que não há dossiê coisíssima nenhuma contra Serra, existem sim um dossiê mas contando alguns pecados capitais de petistas, que justificam o alto valor que eles pagaram, temos também transcrito a posição que cada um dos envolvidos ocupação na Cosa Nostra, e uma entrevista do sindicalista Walter Cinchetto, que nos detalha como os comitês de inteligência montados pelos comitês de campanha do Lula trabalham no sentido de derrotar os adversários nos bastidores, e claro com pelo conhecimento do chefão que não apenas conhece mas consente, o que desmacara de vez a pose de estadista e homem sério com que Lula tenta se vender ao eleitorado.
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No foco de mais um turbilhão sobre o Planalto, Lula tem repetido, junto com Mercadante, Berzoini, Tarso Genro e até Dilma Rousseff transitando pelo "isento" ministro da justiça, a mesma cantilena do "a quem poderia interessar o dossiê?". Isto já se respondeu, ao PT. Por quê? Porque o dossiê atingia o PT. Serra, bem, em nosso arquivo, devemos ter umas dez ou doze fotografis do Lula e do Humberto Costa fazendo entrega de ambulâncias. E daí? Pois isto é tudo o que se tem do Serra. Convenhamos, não valem 1,7 milhões.
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Também já demonstramos que o interesse do PT em cima do Serra se dava em duas direções e dois calendários distintos: o primeiro, claro, o imediato, fazer Mercadante forçar a barra do segundo turno em São Paulo. Com Lula reeleito em primeiro turno, conforme indicam pesquisas, ele desce em São Paulo com toda a máquina pública, cofres cheios e abertos generosamente, uma canetinha Bic para assinar MPs a varrer, e entrega a Mercadante o governo paulista.
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Depois, se Serra ganha, ele se torna o candidato natural lá frente, em 2010 à sucessão de Lula, o que não seria interessante para as ambições petistas e do próprio Lula.
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De quebra, atinge Alckimin e põe uma pá de cal na candidatura do tucano.
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As respotas que os petistas queria e "exigem", estão aí, certo ? Agora é a nossa vez de perguntar. Leiam Reinaldo Azevedo, a seguir, com as mesmas dúvidas. Aceitamos que os petistas em esclarecer a verdade, possam servir-se deste espaço para aliviar nossas angústias, e com suas respostas, tenhamos o ponto final desta história enrolada. Claro, que antes eles deveriam explicar direitinho para nós, pobres mortais, como e de onde tiraram aquela polpuda mesada de 1,7 milhões de reais.
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Vai que é tuuuuuuuuaaaaaa, Reinaldão !!!!
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Agora sou eu que pergunto: "A quem interessava?"

Por Reinaldo Azevedo
Certos desvios acabam prosperando no jornalismo porque não se presta atenção a algumas coisas óbvias. Ontem, fiz uma espécie de roteiro explicativo aqui. Uma das mais esclarecedoras reportagens a respeito do assunto foi publicada pelo Globo ainda no dia 19, terça-feira. E tinha como fundamento o depoimento à PF de Gedimar Passos, o petista que é advogado e policial aposentado. Gedimar foi preso em companhia de Valdebran com o dinheiro que pagaria a armação contra Serra e Alckmin. Vale retomar aspectos da reportagem de Alan Gripp e Anselmo Carvalho Pinto.
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Incriminando o PT – Segundo Gedimar, o pacote negociado com os Vedoin incluía supostas informações que também comprometiam o PT. Esse dado desapareceu dos jornais. Ele é importante porque justifica que petistas se mobilizassem para obter a malandragem. A um só tempo, estariam se preservando e atacando os adversários. Se estava havendo chantagem, os chantageados, provavelmente, eram os petistas.
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Quem fabricou? – Logo, parece ser papo furado a suposição de que a picaretagem, chamada de dossiê, foi organizada por Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil. Por que um petista “venderia” um dossiê também contra o PT ao próprio PT? A participação deste senhor pode ter sido qualquer outra, menos essa. É uma cortina de fumaça para encobrir o fato de que os petistas tinham interesse no papelório. “A família Vedoin se dispôs a vender informações graves que comprometiam não só políticos de outros partidos, como políticos do PT”, disse Gedimar à PF.
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E o que seria o dossiê contra Serra? – Segundo Gedimar, naquela língua estranha dos depoimentos, “ocorre que a documentação mostrada aos jornalistas e aquela que foi protocolizada na Justiça se resumia em fatos já conhecidos da sociedade em geral, que se tornaram de pouca importância ao PT e ao órgão de imprensa [leia-se: a revista IstoÉ]; que, como os Vedoin estavam interessados em receber o restante do dinheiro, se apressaram e, ainda na cidade de Cuiabá, entregaram um CD-ROM que afirmavam que continha toda a documentação prometida; que os jornalistas, ao chegarem em sua base, verificaram que o CD nada continha” Na seqüência, ele diz que os Vedoin ficaram de entregar novos documentos e que ele os analisaria para liberar ou não outra parcela do dinheiro.
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Hamilton Lacerda – Agora já sabemos que o órgão de imprensa é a IstoÉ e que foi Hamilton Lacerda, assessor de Mercadante, quem negociou com a revista. Isso significa que ele estava, claro, por dentro do caso, incluindo as ameaças que Vedoin fazia aos petistas. A quais petistas? Bom, o fato é que um assessor de Mercadante estava no rolo. Os outros são homens de Lula.
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Se dossiê havia... – Se havia mesmo um dossiê, parece que não era exatamente contra o candidato tucano. Afinal, o homem encarregado de analisar o material não viu nada além do que todo mundo já sabia: fotos do ex-ministro da Saúde em cerimônia de entrega de ambulâncias.
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PT de São Paulo – Não é por acaso que petistas de outros Estados estão furiosos com “o PT de São Paulo”. Ocorre que o “PT de São Paulo” é o de Lula, que foi definitivo na vitória de Mercadante sobre Marta Suplicy na convenção. O mesmo Mercadante cujo assessor é peça fundamental do imbróglio. Pode até ser que os Vedoin tenham mesmo um dossiê... Resta saber contra quem. Assim, devolvo agora a pergunta que os petistas fizeram muito nestes dias: a quem interessava tudo isso?

A confraria de criminosos !

COMENTANDO A NOTICIA: Iremos transcrever a descrição dos "meliantes" cujas digitais estão espalhadas na farsa que o PT montou para ser abençoado nas urnas. No artigo anterior do Reinaldo Azevedo, ficou evidente que não havia o tal "dossiê" anti-serra. Talvez agora já se esteja produzindo alguma palhaçada nos fornos do ministério da justiça para justificar o rocambole petista. Afinal, após tantas cabeças rolarem, alguém deve estar ansioso para dar uma gorda recompensa ao poderoso chefão do governo do crime, e poder, no futuro, ser gratificado com algum carguinho federal como cortesia. Fica claro que, de fato, o dossiê que havia era o que incriminava os petistas, que no caso, precisavam preservar suas imagens perante o eleitorado para se reelegerem. E, claro, aí faz sentido o alto preço pago para resguardarem suas reputações e garantirem a do chefe.
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Segue parte da folha corrida de alguns dos envolvidos.
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O sistema de vassalagem do petismo

Por Reinaldo Azevedo

No PT, vigora o regime da vassalagem. Os Senhores jamais são atingidos. Antes, alguns vassalos são jogados às cobras, mesmo que sejam, também eles, cavaleiros de nobre estirpe na hierarquia petista. Vejam lá:

Ricardo Berzoini – Era coordenador da campanha de Lula. Caiu. E só caiu porque não tem como se explicar. Ao deixar o Palácio do Planalto, disse que as denúncias contra o PT são “graves” — Não diga. Mas quer que se investigue José Serra. Ele e Fernando Rodrigues. Além de presidente do PT, ele era o coordenador nacional da campanha de Lula. Ganhou a presidência do partido para instaurar nele uma nova moralidade, depois que a trinca José Genoino, Silvio Pereira e Delúbio Soares caiu. Ela está aí.
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Hamilton Lacerda – coordenador da campanha de Mercadante. O candidato do PT ao governo de São Paulo negava qualquer interesse no assunto. Agora se sabe que seu homem forte foi quem negociou a entrevista com a IstoÉ. Leiam o que já escrevi aqui. A turma de candidato petista só entrou nessa história porque, originalmente, era ela quem estava sendo chantageada. E aí é chantagem mesmo: os bandidos queriam dinheiro para não dizer o que sabiam. Lacerda se vai. Mercadante acusa quebra de relação de confiança.
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Freud Godoy – Ele se diz inocente, claro. Mas é exonerado. É o Gregório Fortunato da turma. Homem da estrita confiança de Lula. É acusado pelos petistas que foram pegos com a mão na massa — ou na grana. É um servo bem lá da base. Protege o Senhor dos senhores.
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Osvaldo Bargas – Outro de absoluta confiança de Lula, desde o tempo de sindicato. Casado com a secretária particular do chefe. Assume a sua parte no imbróglio. Também protege o Senhor.
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Jorge Lorenzetti – É um dos homens mais poderosos do lulo-petismo-cutismo. Capa preta da CUT, é o seu grande arrecadador. Pode, em minutos, mover uma máquina contra adversários que conta com uma rede espalhada em todo o país. Formalmente, estava subordinado, na campanha, a Berzoini. Mas tem vôo próprio. Pode furar a hierarquia para falar com o poderoso chefão a hora que quiser.
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Expedito Afonso Veloso - Diretor do Banco do Brasil. É um tipo comum no petismo. Pertence a certa elite do funcionalismo público ou das estatais que ajuda a fabricar dossiês. Essa gente está em todos os lugares: Executivo, Legislativo, Judiciário, fundos de pensão. Sai, como todos, admitindo a sua culpa, mas se dizendo inocente. Quando Lula cair, esse pessoal vai dar trabalho.



Um dos presos com grana da armação

trabalhava para o Ministério da Justiça, de Bastos

É claro que há sempre o risco de a gente parar de se indignar e começar a achar essa gente normal. Mas não é, não. Sabem Gedimar Pereira Passos, aquele policial federal aposentado, que trabalhava na campanha de Lula, preso em São Paulo com aquela dinheirama toda? Então... Adivinhem para qual ministério ele prestava vários serviços... Para o da Justiça, de Márcio Thomaz Bastos, o Inacreditável. Só neste ano, ele recebeu da Pasta R$ 11.213,80 referentes a diárias e serviços prestados à Secretaria Nacional de Segurança Pública. É aquela mesma que deixou São Paulo à míngua no governo Lula. No ano passado, ele recebeu repasses até da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Para quê? Ele deu um curso especial para agentes aprenderem a proteger os defensores dos direitos humanos...
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A reportagem está no Globo desta quinta.

Por dentro da quadrilha


PT já fazia dossiês em 2002, diz sindicalista


Consultor sindical diz ter integrado grupo, criado sob consentimento de Lula, que buscava acusações contra candidatos rivais
Segundo Wagner Cinchetto, Berzoini e Oswaldo Bargas participavam de equipe que levantou denúncias contra Serra e vice de Ciro Gomes
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Rubens Valente
Da Reportagem Local - Folha De São Paulo

O consultor sindical Wagner Cinchetto, 43, afirmou ontem, em entrevista à Folha, que dois dos principais personagens da operação de compra de dossiê contra tucanos na atual campanha eleitoral participaram de um grupo petista que operou na campanha presidencial de 2002 para proteger o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva de denúncias e levantar acusações contra os adversários da campanha.
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Segundo Cinchetto, Ricardo Berzoini -então deputado federal e hoje presidente nacional do PT- e Oswaldo Bargas, amigo de Lula e ex-assessor do Ministério do Trabalho, eram dois dos cinco integrantes de um "grupo de inteligência" da campanha lulista de 2002.
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Em 2003, a revista "Veja" revelou a existência do aparato da campanha de 2002. Na época, a revista disse ter apurado o assunto com 17 fontes. Assessor da presidência da Força Sindical por dois anos (1991-1993) e um dos fundadores da central, hoje consultor sindical, Cinchetto resolveu quebrar o silêncio de quatro anos e afirmou que documentos foram obtidos no Banco do Brasil para atacar o então candidato tucano à Presidência da República, José Serra.
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O grupo também estaria por trás de denúncias contra o vice do candidato Ciro Gomes (então no PPS e hoje no PSB), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
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FOLHA - O sr. integrou um grupo criado na campanha de Lula em 2002 com o objetivo de levantar denúncias contra adversários?

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WAGNER CINCHETTO - Num primeiro momento, nós achávamos que o candidato Lula tinha sido muito atacado nas eleições anteriores. Nós organizamos um grupo e apresentamos uma proposta de trabalhar paralelo ao comitê eleitoral no sentido de antecipar alguns fatos, algumas denúncias que os adversários poderiam fazer, e, ao mesmo tempo, reunir material suficiente e capaz de não só combater as denúncias dos adversários como também divulgar as denúncias contra os principais adversários do candidato Lula.
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FOLHA - Quem integrava o grupo?
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CINCHETTO - Oswaldo Bargas, Carlos Alberto Grana, que era o secretário-geral da CUT, Berzoini e outros.
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FOLHA - Quais foram as principais operações do grupo?
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CINCHETTO - Primeiro houve uma série de operações no sentido de inviabilizar o vice do então candidato Garotinho, uma tentativa de recolher materiais que pudessem ser divulgados em denúncias contra o Ricardo Sérgio e o pessoal do Serra. Também foram reunidas todas as denúncias e as informações que pudessem denunciar o vice do então candidato Ciro Gomes, Paulo Pereira da Silva.
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FOLHA - Sobre Paulo Pereira da Silva, o que vocês conseguiram reunir e o que fizeram com isso?
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CINCHETTO - Na época, Ciro Gomes teve um crescimento muito grande nas pesquisas, que mostrava que num segundo turno ele derrotaria o candidato Lula. Foi então que nós passamos a trabalhar no ponto fraco que nós considerávamos da campanha dele, que foi a escolha do vice, presidente da Força Sindical. Contra ele já havia uma série de denúncias de irregularidades na gestão de recursos do FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador], a compra de uma fazenda superfaturada no interior de São Paulo, o Ministério Público já vinha investigando todas essas denúncias, e o trabalho do grupo foi simplesmente dar um pouco mais de transparência à imprensa para que esses fatos pudessem vir ao esclarecimento público.
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FOLHA - Esse material acabou sendo divulgado pela imprensa?
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CINCHETTO - Foi divulgado de uma maneira muito ampla pela grande imprensa, inclusive foi capa das principais revistas de São Paulo. E logo em seguida o Ciro Gomes começou a perder a cabeça, começou a ter uma série de problemas com seu vice. As denúncias atingiram em cheio a candidatura. Assim que o Ciro começou a cair, o pessoal chegou a me agradecer muito pelo trabalho realizado.
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FOLHA - Sobre José Serra, o que foi levantado pela equipe?
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CINCHETTO - Na ocasião, o grupo atuou no sentido de conseguir papéis importantes sobre um empréstimo feito ao então parente do Serra [Gregório Marin Preciado]. Essa documentação estava guardada no Banco do Brasil e essa operação contou com o apoio também de funcionários do Banco do Brasil. E em seguida nós enviamos os documentos ao Ministério Público e à imprensa. O trabalho foi exclusivamente em cima de tornar públicos esses documentos, não se vendeu dossiê.
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FOLHA - Dos nomes que você citou como integrantes do grupo, dois voltaram ao noticiário nesse escândalo, Oswaldo Bargas e Ricardo Berzoini. O sr. acha que há um novo grupo em ação, como o de 2002?
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CINCHETTO - Há grande diferença entre os dois grupos. O de 2002 trabalhou de maneira profissional, tinha um objetivo de levar o candidato Lula à sua primeira vitória eleitoral, protegendo-o de denúncias infundadas e fazendo com que o candidato passasse a ter reais chances de vitória. Diferentemente da organização desse grupo atual, que mais parece um bando de irresponsáveis comandado por um churrasqueiro, Jorge Lorenzetti. E que se juntou com uma outra pessoa que é o Bargas. Naquele momento, lá atrás, trabalhou de maneira correta e negou que tivesse participado do grupo, não teve coragem de assumir o trabalho digno que fez no primeiro grupo, para poder continuar no espaço que o levou a fazer essa trapalhada.
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FOLHA - O candidato Lula tinha conhecimento da existência do grupo?
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CINCHETTO - Pelo que fui informado pelos outros companheiros, não só tinha conhecimento como autorizou que o grupo fosse criado e organizado para trabalhar paralelamente à sua campanha. Jamais ninguém iria fazer um grupo desse de livre e espontânea vontade, envolvendo pessoas tão importantes da campanha, sem que o candidato soubesse.
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FOLHA - Em 2003, a revista "Veja" divulgou reportagem e o sr. não se manifestou oficialmente. Por que só agora decidiu revelar o que sabe?
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CINCHETTO - Não me manifestei porque recebi pedido do Carlos Grana [da CUT]. Ele disse: "O que o PT, o que o presidente Lula espera nesse momento, é o silêncio dos companheiros".

Não é dossiê, é chantagem !

COMENTANDO A NOTICIA: Para quem nos tem acompanhado neste espaço, deve ter observado que, desde o início, levantamos inúmeras dúvidas sobre não apenas a isenção nas investigações por parte do ministro da justiça, como também, as primeiras versões e informações passadas à sociedade brasileira, sobre o dossiê que se dizia ser anti-serra. As respostas carregavam muito de duvidoso, de estranho, coisas sem sentido, sem correlação aos fatos já conhecidos. Um dos exemplos mais nebulosos, por exemplo nesta história, era o papel desempenhado por Freud Godoy. Como imaginar que a sombra do própria Lula por mais de 20 anos de companhia, a quem o presidente delegava a responsabilidade de garantir a segurança de sua esposa e filhos, com trânsito franco e livre em todos os setores do governo e do PT, seria capaz de arricar o seu pescoço e cometer uma traição para agir numa atrapalhada total, e sem estar autorizado ? Servir de mula para levar dinheiro para bandidos em quarto de hotel em São Paulo ? Um segurança que tem um patrimônio maior do que seu próprio chefe, e que por coincidência vem a ser o presidente da república ? Senhores, desculpem-me mas esta fica difícil, e até diria, impossível de se engolir.
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A outra ponta solta da história é por quais razões o ministro da justiça, Márcio Tomaz, iria reter e proibir fotos e filmagens do material apreendido pela Polícia Federal em São Paulo,e assim, distraidamente, não se asseguraria de fazer o mesmo em Cuiabá ? Se o que continha o tal dossiê em São Paulo era o mesmo material amplamente divulgado em Cuiabá, então, convenhamos, o PT botou no lixo a insignificante quantia de 1,7 milhões de reais. Loucura ? Sim, desde que o material fosse o mesmo.
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Apesar da resistência do ministro da justiça, alguns detalhes dos depoimentos vazaram, e são verdadeiros, poderiam nos dar outras versões que tenham passado despercebido do grande público ? Pois é justamente a partir deles, que a gente começa a concluir que, ou o material "explosivo" de São Paulo não se referia a Serra, ou o PT está nadando tanto em dinheiro que não se importa mais em fazer milionários transações e doações com dinheiro de origem suspeita para pessoas mais suspeitas ainda.
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A partir das dúvidas, e pela curiosidade que nos anima para sabermos a verdade, encontramos no blog do jornalista Reinaldo Azevedo, a crônica de uma farsa. Da mesma forma como no caso das cartilhas, o Reinaldo não se contentou, tanto quanto nós, com as versões "oficiosas" e com as declarações irresponsáveis partidas dos próceres petistas, mesmo aqueles ocupando cargos no governo federal.
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A seguir, numa série de três capítulos, vamos transcrever na íntegra, a desmontagem da farsa e informar ao nosso leitor, a verdade nua e crua de como age um governo voltado para o crime. Ontem, publicamos o bunker petista montado nas eleições de 2002, e que a revista Veja detalhou e esmiuçou, mostrando que por detrás das afirmações "não destrato adversários", ou "não compactuo com compra e venda de dossiês", se esconde um cínico. Uma pessoa que passa para a opinião pública uma imagem angelical, mas que em seu sub-mundo partidário, autoriza que se monte uma oreganização de inteligência com o próposito exclusivo de destruir adversários e ceifar reputações.
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E, em outra matéria, transcreveremos também, uma entrevista dada por sindicalista antigo aliado do PT que dará ainda mais sentido a matéria da revista Veja ontem reproduzida, como também nos mostrará o que vem a ser o PT como partido político, o governo do PT, e Lula como presidente. Não imaginem sejam tres entidades distintas, não se cometa este equuívoco. Os tres se fundem em uma única organização criminosa, devidamente aparelhada, treinada e devotada a tomar de assalto os poderes constituídos, e uma vez neles instalados, perpetuar-se no poder, e sangrarem tanto quanto possível as energias da Nação, sempre em proveito próprio e de quebra, com a meta maior de todas as realizações e ambições, no poder permanecer.
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Quando me perguntam por que a sociedade não reage e não denuncia, temos de responder da seguinte forma, e sempre escudados em fatos reais: primeiro, porque as entidades e vozes da sociedade constituída estão literalmente cooptadas pelo saquinho de bondades do governo, tendo atingido em 44 meses, a cifra impressionante de mais de 800,0 milhões em doações generosas. Com dinheiro compra-se tudo, até a consciência das pessoas (claro que aquelas com propensão natural aos agrados alheios feitos com dinheiro público). Segundo, porque o governo federal sendo um dos maiores, senão o maior, anunciante publicitário, consegue silenciar por coação, alguns veículos tipo a revista Isto É, criando uma confusão de opiniões que deixam o leitor confuso. E partir daí, reduz a sensibilidade da opinião pública, onde é corrente pequenos grupos de resistência que os governistas imaginam silenciar num projeto de controle dos meios de comunicação, previsto de ser implantado num provável segundo mandato do Presidente Lula.
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Segue, portanto, o desmonte de mais uma farsa da quadrilha governamental e partidária.
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Não existe "dossiê contra Serra".
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E o roteiro da tramóia
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Por Reinaldo Azevedo
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Uma aposta: eis aqui o roteiro do imbróglio.
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- Dossiê tucano – Por que o jornalismo insiste em falar em “dossiê tucano” ou “dossiê contra Serra”? Até eu, volta e meia, escrevo isso. Digo este “até eu” porque, obviamente, sou eu a propor a questão. Cadê o “dossiê”? O que é um “dossiê”?
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- Não é nada – O material apreendido pela PF na mão de bandidos, que Márcio Thomaz Bastos fez questão de divulgar (embora amoite a dinheirama), não é um “dossiê”. Aquilo não é nada. Trata-se de um amontoado de fotos e um vídeo com Serra e Alckmin em solenidades públicas de entrega de ambulâncias;

- O que tem lá? – Isso é um “dossiê”. Um dossiê, mesmo quando “falso dossiê”, mesmo quando fraudado, reúne um conjunto de documentos, provas, suspeições, indícios, contra alguém. Pegue-se o caso, por exemplo, do Dossiê Cayman. Era uma falsificação grosseira. Os responsáveis estão na cadeia. Os jornalistas que lhe deram credibilidade continuam por aí, dando agora credibilidade ao “Dossiê tucano”. O que há ali contra os tucanos?
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- Por que pagar? – Por que os petistas pagariam por algo que, por exemplo, Fernando Rodrigues, que era fã do Dossiê Cayman, já divulgou, até onde sei, de graça?
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- Queriam o quê? – Os petistas estavam mesmo tentando comprar um “dossiê antitucano” — que, como se viu, de “dossiê” não tem nada — ou, por que não?, tirar de circulação provas que incriminariam o próprio PT?
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- Chantagem? – Durante um tempo, falou-se em “chantagem”. Existe chantagem quando se cobra de alguém um valor para não divulgar uma informação. Os bandidos não cobraram nada dos tucanos; não pediram dinheiro a Serra. Então, se houve “chantagem”, não foi contra o PSDB.
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- Então... – Andará no bom caminho quem investigar a seguinte pista: os chantageados, na verdade, sempre foram os petistas. E, por isso, eles se apressaram em comprar as tais provas... Só que não ficaram satisfeitos com isso: resolveram fazer do limão uma limonada. Não só tirariam de circulação documentos que incriminariam o partido como inverteriam a situação. Botariam Serra e os tucanos no alvo.

- Inteligência – É para isso que servem os comandos de Inteligência das campanhas, sobretudo quando são delinqüentes. O partido livraria, assim, a própria cara e ainda deixaria no chão a oposição.
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- Imprensa – Para tanto, era necessário dar à coisa toda um ar de “apuração”. É aí que entra a revista IstoÉ. Os bandidos tentaram outras publicações, como sabemos. Mas nenhuma topava fazer o serviço “ao gosto do cliente”. A IstoÉ topou.
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- Os tontos – Isso explica perfeitamente bem a pergunta que os tontos se fazem: “Mas por que o PT faria isso estando na frente?”
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Faria 1) porque tentou reverter a seu favor uma chantagem; 2) porque passaria, no caso da reeleição de Lula e de a coisa afetar Serra gravemente, a governar sem oposição, antecipando, assim, o golpe que pretende dar mais adiante.
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Mais dia, menos dia, leitor amigo, você vai ver que foi rigorosamente isso o que aconteceu. O petismo cedeu a uma chantagem, na qual julgava ver o dedo do inimigo, e, achando-se muito espertalhão, decidiu reverter a situação. Os Vedoin, pelo visto, guardam, sim, munição, mas não contra os tucanos. E também nada tem a ver com aquelas fotos e aquele vídeo, diligentemente mostrados pela Polícia Federal, que, de dossiê, não têm nada.