sábado, outubro 23, 2010

Lewandowski deveria entregar logo a faixa para Dilma

Adelson Elias Vasconcellos

Hoje, pela terceira semana consecutiva, Lula enforcou o expediente de Chefe de Governo, para gravar propaganda para o horário eleitoral do seu poste, oopps, de sua candidata.

Nas vezes anteriores sequer foi admoestado por algum juiz eleitoral. Como há dois anos faz propaganda eleitoral ilegal, usando e abusando da máquina pública e dos recursos públicos, sem que ninguém lhe ponha freios, permanece na delinquência como se tudo estivesse normal.

Vimos informando, semana após semana, que seu ministério todo só pensa e faz aquilo. É um descalabro. A Igreja Universal, do Bispo Edir Macedo, está encharcada em seus templos de panfletos de clara manifestação publicitária em favor da candidata governista, lembrando que, Edir Macedo, é concessionário de serviço público de rádio-difusão. Até o inquérito de lavagem de dinheiro contra ele “acabou” sendo arquivado. Será a tal taxa de sucesso?

Sindicatos e centrais sindicais, estatais, reitorias das universidades federais, todas mantidas com dinheiro público, legalmente estão impedidas de fazerem doações e campanhas. Isto é o que a lei determina. Mas, na prática, todas praticam a mesma ilegalidade. E o Ministério Público Eleitoral, ó: escafedeu-se.

Hoje, em Brasília, nas comemorações do Dia do Aviador, Lula tirou fotos ao lado do ministro Ricardo Lewandowski, que só faltou lhe pedir um autógrafo e, de quebra, receber das mãos de Lula um santinho da Dilma. Absurdo? Não, se recebesse estaria fazendo jus ao papel que tem desempenhado à frente do Tribunal Superior Eleitoral nesta temporada 2010 do engodo eleitoral.

São tão flagrantes os crimes eleitorais que, há muito tempo, já se caracterizou, da parte de Lula e sua candidata, o abuso do poder político e econômico. E nada do TSE tomar qualquer providência. E o Ministério Público Eleitoral, então? Pfiu!!!

Agir contra cachorro pequeno fica fácil. É um governador aqui, um prefeito ali, um deputado acolá, até aí tudo bem. Mas por que o mesmo empenho e rigor não é feito em relação aos crimes eleitorais cometidos pelo presidente e sua candidata?

Nas vezes em que critiquei a omissão vergonhosa e deplorável do TSE nesta campanha eleitoral, assim como na crítica que fiz ao juiz eleitoral Henrique Neves pela decisão estúpida de apreender com emprego de força policial um manifesto de cunho religioso, sempre lancei duas questões que, ou uma ou outra, poderiam explicar tanta leniência, e até acrescentaria, tanta covardia de parte do TSE. Ou se trata de um temor quanto a algum tipo de represálias, da qual desconhecemos mas forte o bastante para a intimidação,  ou se trata de um favorecimento explícito em troca de alguma futura facilidade ilícita. Não há outro jeito.

Ora, se um dos lados, em campanha, pode contar com o apoio de um Poder que abdica de suas funções que é a de zelar pelo cumprimento das leis, e, ao contrário, de outro cobra o cumprimento rigoroso da mesma lei, muitas vezes até exorbitando, como temos exemplos, independente de quem vença, o pleito está manchado, maculado e qualquer resultado implica em ilegitimidade, mesmo que tal ilegitimidade seja abençoada, de forma conivente, pelos cardeais do TSE.

E para ficar bem claro: já fiz esta afirmação aqui antes mesmo da publicação da primeira pesquisa sobre intenções de votos neste segundo turno. Com o quadro de infrações tendo se acentuado muito nas últimas semanas, e o visível desequilíbrio que se observa de favorecicmento de um dos lados - o poder instalado - tal ilegitimidade se agrava dia após dia.

Por conta de um bônus de R$ 26,00, já teve político cassado recentemente. No Maranhão, o governador Lago teve seu mandato igualmente cassado apenas porque, em uma solenidade pública, um destrambelhado o elogiou.

Lula voa por todo o país fazendo a mais deslavada campanha antecipada há dois anos, coloca toda a estrutura do Estado a serviço de um partido político para fazer campanha política e ainda critica e zomba da legislação e do TSE quando lhe aplica uma multa aqui, outra ali, como se a merreca de R$ 5.000,00 representasse para Lula algum prejuízo. Ora, para quem há mais de vinte anos deixou de trabalhar e tem suas contas pagas por terceiros, convenhamos, soa ridícula a pena imposta. Mas e a reinterada infração não deveria agravar-lhe as penas? Qual o quê: só faltou os juízes enviarem a fatura de cobrança da multa com expresso e delicado pedido de desculpas!!! "Desculpe, patrão: isto aqui é só para enganar a torcida".

Considerando o alto custo que o TSE acarreta para a sociedade, e dado que simplesmente ignorou o postulado constitucional básico, a de que todos são iguais perante a lei, é de se questionar que utilidade tem para a sociedade, que é quem banca este luxo só, um tribunal que sequer se move no cumprimento de suas funções elementares, independente de quem seja o infrator?

Ao invés de se enganar a sociedade brasileira quanto a lisura do pleito manipulado, ao invés de se corromper a formação dos jovens com a papagaiada de que a Justiça funciona neste país, ao invés de se gastar fortunas de bilhões de reais em campanhas eleitorais para apresentar candidatos para o povo julgar, afora a fortuna que se torra em mordomias, privilégios, dispêndios e palacetes luxuosos, fecha-se esta espelunca inútil e parcial, entregue-se a chave ao porteiro, e o ministro Ricardo Lewandowski tire de Lula a faixa presidencial e a entregue para Dilma, de uma vez. Assim, bem rapidinho, que é para não perdermos mais tempo com esta embromação e o pais poder voltar a sua vida normal, já que, de governo mesmo, faz tempo que o inquilino do Planalto abandonou a função.

Parem de iludir, parem de mentir, parem de trapacear, quando a decisão já está tomada. Esta acintosa e bestial manipulação já não conseguirá enganar a ninguém por mais tempo. Porque uma coisa é certa: esta excrescência de exclusividade verde-amarela tropical, chamada de TSE, já se tornou um peso morto, inútil e caro para a sociedade brasileira, ao liberar salvo conduto para o poder instalado praticar seu assalto continuado às leis. Ao fazê-lo, jogou no lixo sua própria razão de ser.

Depois não sabem por que mais de 3,3 milhões de brasileiros fizeram as malas e embarcaram no primeiro voo para fora daqui!!! Cansaram de sustentar esta ilusão de civilidade e decência...

Enquanto isso, e para encerrar: Gilberto Carvalho, o braço direito de Lula, o próprio PT e outros, se tornaram réus no processo em que são acusados de participação numa quadrilha que cobrava de empresas de transporte para desviar R$ 5,3 milhões dos cofres públicos. Segundo a ação, o assessor de Lula transportava a propina para o comando do PT quando era secretário de governo do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002. "Ele concorreu de qualquer maneira para a prática dos atos de improbidade administrativa na medida em que transportava o dinheiro (propina) arrecadado em Santo André para o Partido dos Trabalhadores", diz a denúncia aceita pela Justiça. De acordo com a investigação, os recursos eram entregues ao então presidente do PT, José Dirceu. Agora, só falta esclarecer o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, que já ameaçara denunciar o esquema.

O que impressiona no caso, é que Lula periga terminar seu governo maneta: sem nenhum braço. Todos caem por corrupção. Incrível a marca do “cara”!

PT e Gilberto Carvalho viram réus em ação sobre propina em Santo André

Ana Paula Scinocca e Leandro Colon, São Paulo

O partido e o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são acusados de participação numa quadrilha que cobrava de empresas de transporte para desviar R$ 5,3 milhões dos cofres públicos


Gilberto Carvalho ensinando Dilma a "rezar"

BRASÍLIA- Uma decisão da Justiça traz de volta um fantasma que acompanha o PT e transforma em réu o partido e o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. O assessor e o PT viraram réus num processo em que são acusados de participar de uma quadrilha que cobrava propina de empresas de transporte na Prefeitura de Santo André para desviar R$ 5,3 milhões dos cofres públicos. O esquema seria o precursor do mensalão petista no governo federal.

Na segunda-feira, a Justiça tomou uma decisão que abre de vez o processo contra os envolvidos. A juíza Ana Lúcia Xavier Goldman negou recursos protelatórios e confirmou despacho em que aceita denúncia contra Carvalho, o próprio partido, outras cinco pessoas e uma empresa. A juíza entendeu, no primeiro despacho, em 23 de julho deste ano, que há elementos suficientes para processá-los por terem, segundo a denúncia, montado um esquema de corrupção para abastecer o PT. "Há indícios bastantes que autorizam a apuração da verdade dos fatos por meio da ação de improbidade administrativa", disse.

O Estado esteve no Fórum de Santo André na quinta-feira para ler o processo e a decisão de segunda-feira. A Justiça local já enviou para a comarca de Brasília a citação do chefe de gabinete de Lula para informá-lo de que virou réu. No documento, a Justiça pede que Carvalho receba o aviso em sua casa ou no "gabinete pessoal da Presidência da República". O Ministério Público quer que o petista e os demais acusados devolvam os recursos desviados e sejam condenados à perda dos direitos políticos por até dez anos.

A decisão judicial em acolher a denúncia foi celebrada ontem pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da região do ABC, responsáveis pela investigação. "Ao receber a denúncia, a Justiça reconhece que há indícios para que a ação corra de verdade. É um caminho importante para resgatarmos o dinheiro desviado", disse ao Estado a promotora Eliana Vendramini. Ela destaca que a Justiça decidiu aceitar a denúncia depois de ouvir a defesa de todos os acusados nos últimos três anos.

Segundo a ação, o assessor de Lula transportava a propina para o comando do PT quando era secretário de governo do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002. "Ele concorreu de qualquer maneira para a prática dos atos de improbidade administrativa na medida em que transportava o dinheiro (propina) arrecadado em Santo André para o Partido dos Trabalhadores", diz a denúncia aceita pela Justiça. De acordo com a investigação, os recursos eram entregues ao então presidente do PT, José Dirceu.

Sombra.
Apontado pelo Ministério Público como mandante do assassinato de Daniel, o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, é companheiro de Carvalho na relação de réus. Somam-se ao grupo o ex-secretário de Transportes Klinger Luiz de Oliveira Souza, o empresário Ronan Maria Pinto, entre outros. "O valor arrecadado era encaminhado por Ronan ao requerido Sérgio e chegava, em parte, nas mãos de Gilberto Carvalho, que se incumbia de transportar os valores para o Partido dos Trabalhadores", afirma a denúncia. "A responsabilidade de Klinger e Gilberto Carvalho decorre da sua participação efetiva na quadrilha e na destinação final dos recursos." O dinheiro, aponta a investigação, serviu para financiar campanhas municipais, regionais e nacionais do PT. Por isso, o partido também responderá ao processo como réu.


Um papelão

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Luiz Inácio Lula da Silva em breve será uma carta fora do baralho. É gastar muita cera com pouco defunto ficar falando em seu comportamento nada condizente com o cargo que ocupa só até 31 de dezembro.

Afinal, são poucos dias: 71 (setenta e um). Mas é que às vezes basta um minuto para um exemplo deitar raízes e frutificar. Como ontem.

Lula da Silva não seria Lula da Silva se conseguisse se portar de modo elegante, tomando duas atitudes: lastimar, como chefe de um partido político, que seus militantes tenham se comportado como os camisas pardas de antanho, chamá-los às falas e deixar bem claro que isso não mais seria tolerado; dar um telefonema para o candidato da oposição, perguntar por sua saúde e deplorar, com ele, o comportamento execrável de militantes políticos que agem como animais selvagens.

Preferiu ficar de acordo com a malta: fez sua análise do momento vivido por José Serra, baseado naquilo que vira ser feito muitas vezes em sua longa trajetória de sindicalista e que, pelo que temos visto e ouvido, acha perfeitamente natural que seja feito.

Se há caso em que um velho ditado português se aplica perfeitamente, é o dele: por fora bela viola, por dentro pão bolorento. De nada adiantou o banho de loja, o se acotovelar com os grandes deste mundo, os oito anos de mimos e paparicos. Não aprendeu nada.

Adquiriu umas expressões novas, seu vocabulário ficou ligeiramente maior, mas na hora de fazer uma comparação, ele precisa se valer do velho futebol, caso contrário, não tem como explicar o que lhe vai pela cabeça. E não conseguiu aprender o mínimo de polidez exigido de quem pretendia ocupar espaços ainda mais altos.

Desta vez nem original foi. Mal saiu a notícia da agressão sofrida por José Serra, já tinha muito leitor/militante neste blog comparando a situação do ex-governador com a do jogador Rojas. Lula da Silva usou as mesmas palavras que podem ser vistas nos arquivos do blog. Nem criar uma imagem nova criou... Conseguiu foi fazer um papelão!

Isso teria a pouca importância que deveria ter, dados os tais setenta e um dias que faltam, se não fosse o fato de sua herdeira presuntiva ter, de imediato, adotado a mesma imagem, a mesma linguagem, sem tirar nem por. Ela só fez uma observação original: é preciso saber se “esquivar”. Dos projéteis, naturalmente. O tal do saber de experiência feito!

O exemplo deitou fundas raízes, como podemos ver, e não adianta nos iludirmos: se ela vencer as eleições, ficará tudo como está e o Brasil, que repele com orgulho descabido ser considerado um vira-lata, vai continuar a não poder desfilar nos kennel clubes da vida.

Votei em Marina Silva. Como eu, muita gente que não quer a continuidade do que aí está. Nem vestida de azul, muito menos de vermelho. E pretendia votar nulo ou não votar.

Mas Lula da Silva conseguiu espicaçar meu espírito. Primeiro, por não ter dito nem uma palavra de reprovação sobre os acontecimentos de 20 de outubro. E depois, por ter sido grosseiro, indelicado, injusto, com um médico a quem respeito e a quem muito admiro: o Dr. Jacob Kligerman, por quem já fui operada, em 1992. Conheço seu trabalho no INCA. Ele é um Médico e não um beldroegas que se prestaria ao papel que Lula da Silva lhe atribuiu.

Diante disso, e bastante assustada com as cenas que vi na televisão, tanto aqui no Rio quanto em Caxias do Sul, estou resolvida, voto Serra e farei o possível para convencer outras pessoas a fazerem o mesmo.

Sem medo do passado

Fernando Henrique Cardoso

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal.

Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado.

Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010.

Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.
(José Eduardo Dutra)

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

Fernando Henrique Cardoso

A Democracia não está no DNA do PT

Paulo Renato de Souza*

Dois fatos são esclarecedores quanto ao DNA do PT. Nele não está a democracia. Estão o autoritarismo e práticas fascistas. Vejamos: o inquérito da Polícia Federal apontou um “jornalista-araponga” ligado ao PT e à campanha de Dilma como mandante, e pagador, da quebra do sigilo da filha de Serra e de dirigentes do PSDB, cujos dados foram parar num dossiê que o “núcleo de inteligência” da pré-campanha de Dilma estava montando contra o candidato José Serra. Esta é uma prática que vem das ditaduras de Mussolini e Hitler. Nada tem de democrática.

Outro fato nos remete aos tempos dos regimes nazistas e fascistas, cujas “falanges” e “tropas de assalto” espancavam seus adversários. Pois bem no Rio de Janeiro, um grupo de petistas agrediu o candidato José Serra para impedir seu diálogo com os eleitores. Não é a primeira vez que hordas petistas partem para a truculência contra tucanos. O ex-governador Mário Covas chegou a ser apedrejado por petistas. O apelo à violência não é ação espontânea das “bases”. Ela é insuflada por um presidente que prega o ódio e chama a oposição da turma do contra. Aliás, José Dirceu bradava: “vamos bater neles, nas urnas e nas ruas.”

É estarrecedor que o Presidente Lula venha agora acusar o candidato José Serra de farsa em relação à agressão. É uma acusação gravíssima que é desmentida por vídeos que gravaram a cena pública. Não foi uma agressão às escondidas. Lula com sua atitude de blindar os baderneiros está na prática incitando à violência, assim como estimulou a corrupção em seu governo ao passar a mão na cabeça dos mensaleiros e “aloprados”. E ao desqualificar Serra e acusá-lo de farsante está tirando a legitimidade da eleição, no caso de derrota. Lula já está vestindo a pele do Chavez: vencer a qualquer custo.

O Roteiro da Mentira
Há ainda outro traço em comum do lulopetismo com regimes totalitários. Quando surge um delito, primeiro nega o fato e quando sua versão não se sustenta mais, faz a inversão da culpa, transformando a vítima em réu. Após embaralhar as cartas, produz um resultado absolutamente previsível: suas investigações nada esclarecem e culpados não são punidos. Só como lembrete: em 2006, petistas foram presos com uma mala com R$ 1,7 milhão que se destinava à compra de um “dossiê” contra Serra e Geraldo. Até hoje a Polícia Federal não esclareceu a origem deste dinheiro e os autores do crime estão livres, leves e soltos.

No caso da quebra ilegal dos sigilos de familiares de Serra e de dirigentes do PSDB, primeiro a candidata Dilma se disse injuriada, pois sua campanha nada tinha a ver com isto, muito embora a Folha tenha divulgado, em junho, que os dados destes sigilos constavam de um “dossiê” produzido pelo núcleo de inteligência de sua candidatura.

A confirmar a notícia, tivemos o depoimento, no Congresso Nacional, de um delegado aposentado da Polícia Federal,informando que em abril teve uma reunião em um restaurante de Brasília com Luiz Lanzetta, então coordenador de comunicação da pré-campanha, e o “jornalista-araponga” Amaury Ribeiro Júnior, que disse ao delegado ter dois petardos contra José Serra. Tanto Lanzetta Como Amaury estavam subordinados a Fernando Pimentel, um dos coordenadores da pré-campanha de Dilma e tido, à época, como o representante direto da candidata.

O PT fez um escarcéu quando Serra associou a quebra do sigilo de seus familiares à campanha petista. Imediatamente, o Ministério da Fazenda soltou uma nota, negando a quebra do sigilo do genro de José Serra, enquanto a Receita se apressou em dizer que quanto ao sigilo de Verônica Serra, sua quebra foi motivada a partir de uma procuração lavrada em cartório. A procuração era falsa, o sigilo do genro também foi quebrado. Aí o Secretário da Receita e o corregedor inventaram uma pérola; a quebra de sigilo dos tucanos e de familiares do candidato não tinha motivo político. Tratava-se tão-somente de um caso de corrupção praticado por funcionários de baixo escalão!

A nova farsa
Ao responsabilizar o jornalista Amaury Ribeiro Jr como mandante e pagador da violação dos sigilos, a Polícia Federal desmentiu a versão da Receita de que tratou-se de um crime comum, desnudando sua motivação política. Parecia que, finalmente, as investigações avançariam. Eis que surge uma nova farsa: a PF deu o caso por encerrado sem esclarecer de onde veio o dinheiro com o qual Amaury comprou a quebra dos sigilos e a quem ele servia politicamente. Ou seja, a Polícia Federal, mais uma vez, evidenciou a sua “incompetência” em levar adiante investigações quando elas contrariam interesses do governo ou do PT.

Mais grave: forneceu munição à coordenação do PT ao deixar vazar o depoimento do jornalista-araponga, que, para não assumir o papel de réu confesso, inventou uma história da carochinha, alegando que agiu para “proteger” Aécio Neves. Era tudo o que a campanha de Dilma queria para promover uma intriga entre Serra e Aécio e dar fórum de verdade à versão de que a quebra de sigilo foi produto do “fogo amigo” entre tucanos! Não somos ingênuos e nessa não vamos cair. O próprio Amauri Ribeiro Júnior acusa um dos coordenadores da campanha de Dilma, o Deputado Rui Falcão, de haver roubado esses dados de seu computador.

É a tal da inversão da culpa, onde, da noite para o dia, a vítima vira réu. A mesma tática está sendo utilizada no caso da agressão a José Serra. Ignorando as imagens do Jornal Nacional, o comando da campanha de Dilma acusou Serra e seus simpatizantes pela violência da qual foram vítimas. Aqui não há como tergiversar. É como disse Dora Kramer: “a tropa que entrou em choque com a campanha tucana no Rio fez o que o mestre ensinou: vale tudo e mais um pouco para tentar ganhar a eleição”. Como mestre, entenda-se Lula.

O Partido dos Trabalhadores não inova nada com seu diversionismo. Outros regimes totalitários fizeram o mesmo, para esconder seus crimes. Em 1933, Hitler, com o objetivo de avançar no seu projeto totalitário, mandou incendiar o Reichstag – o parlamento alemão – e pôs a culpa nos comunistas, o que era uma grande mentira. E em 1939, vestiu soldados alemães com fardas do exército da Polônia para invadir um posto de fronteira e assassinar guardas alemães. Graças a esta farsa, Hitler teve o pretexto para invadir a Polônia e iniciar a segunda guerra mundial.

É nesta fonte que os petistas estão se inspirando. No seu DNA não há o gens da democracia.

* Deputado-federal (PSDB/SP), Ministro da Educação de FHC, Secretário de Educação de Serra/Goldman

Evidências de influência partidária na PF

O Globo, Editorial

O grau de aparelhamento do Estado na Era Lula por grupos sindicais, pela companheirada em geral e por organizações ditas sociais não é medido pelo simples — embora preocupante — inchaço da máquina burocrática.

É negativo o fato de os cargos de confiança nos últimos sete anos e dez meses terem passado de aproximadamente 18 mil para mais de 20 mil postos, preenchidos sem necessidade de concurso público, exigência de aptidão profissional e outros requisitos normais nas atividades privadas.

Piores, porém, são as distorções observadas na atuação do Estado em decorrência deste aparelhamento. Por exemplo, no suporte a atividades ilegais de organizações políticas companheiras (MST), no não cumprimento de determinações judiciais por injunções partidárias — caso da desocupação de parte do Jardim Botânico, impedida pelo PT fluminense —, e assim por diante.

Há incontáveis exemplos de degradação do Estado causada por esta intoxicação político-partidária de instrumentos que deveriam agir balizados pela Constituição, pelo verdadeiro interesse público, mas que passaram a se subordinar aos poderosos de turno.

O ministro da Justiça da primeira fase da Era Lula, Márcio Thomaz Bastos, colocou em circulação o adjetivo “republicano”, quando tratou de defender a atuação da Polícia Federal, subordinada à sua Pasta, na investigação do escândalo do mensalão, denunciado em 2005. Uma PF “republicana” não se submeteria a pressões de governo. Reconheça-se que Federal costuma desagradar a poderosos de ocasião. E nem é mesmo seu papel agradar a eles.

Nem assim devemos considerá-la imune à forte onda de partidarização do Estado, talvez nunca antes observada neste país. A investigação meia-sola empreendida pela PF para supostamente elucidar o roubo de dados de declarações do imposto de renda de tucanos ilustres é grave evidência de que até mesmo a PF deixou de ser “republicana”.

Toda a história de vazamento de dados privados de Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB; da filha do candidato José Serra, Verônica; e do marido dela, bem como de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro de FH, tem um desfecho que parece feito sob encomenda para o PT e sua candidata.

A PF prestou grande serviço ao partido, e não à nação, ao validar, sem qualquer crítica, o depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Jr. de que começara a levantar os dados quando trabalhava no jornal “Estado de Minas”, para “proteger” o então aspirante a candidato a presidente Aécio Neves, nos embates deste com o tucanato paulista (Serra).

Em vez de deixar sem investigação as duas pontas políticas desse caso — o lado mineiro e o surgimento no comitê de Dilma Rousseff dos dados surrupiados num esquema de corrupção rasteira existente na Receita — , a PF deveria, ao contrário, ir fundo nestas frentes. Como o jornal mineiro teria deslocado um repórter para montar um dossiê preventivo a fim de Aécio se defender de Serra? Como essas informações foram parar no comitê de Dilma — segundo reportagem da “Folha” —, para o qual o repórter passara a trabalhar?

Estas perguntas se juntarão a uma de 2006, também não respondida: qual a origem das cédulas arrecadadas pelos aloprados do PT para comprar um dossiê também contra Serra?

Polícia não existe para deixar perguntas sem respostas. Quando isso acontece com frequência, algo vai mal. E o adjetivo “republicano” foi revogado há tempos.

Ao Congresso, ex-delegado identificou ‘pagador’ de dossiê

Rosa Costa, no Estadão Online

Os dados revelados pela Polícia Federal sobre o esquema de montagem de dossiês para abastecer a campanha da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, difere do que foi dito pelo ex-delegado Onésimo Sousa à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência em dois pontos: a PF não identificou quem é o “pagador” das despesas do comitê de Dilma e não informou sobre viagens internacionais feitas pelos encarregados de procurar no exterior documentos comprometedores contra o candidato do PSDB, José Serra, e seus familiares.

O ex-delegado da Polícia Federal foi ouvido pela comissão no dia 17 de junho. No depoimento, ele disse que Bené, como é conhecido o empresário Benedito de Oliveira Neto, foi apresentado como sendo “a pessoa encarregada de efetuar os pagamentos”, caso ele tivesse fechado o contrato de R$ 1,6 milhão com os jornalistas Amaury Ribeiro Jr. e Luiz Lanzetta, para que investigasse José Serra e os petistas Rui Falcão e Valdemir Garreta.

Segundo ele, Bené estava presente nessa conversa, ocorrida no fim de abril, num restaurante em Brasília. Ele disse que foi convidado por Lanzetta, “em nome do coordenador da campanha de Dilma, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel”, para investigar vazamento de informações no comitê central da candidata. Mas que o tema passou a ser outro, sobre a montagem de dossiês, logo no início do encontro.

Fernando Pimentel não compareceu. “Eles pediram desculpas pela ausência do ex-prefeito, parece que ele teria um outro compromisso”, informou Onésimo. “Mas quando expuseram o que queria eu perguntei: vocês querem editar o Aloprados 2″, contou, referindo-se ao esquema montado pelo PT há quatro anos para inviabilizar a vitória de José Serra ao governo de São Paulo.

Dinheiro vivo.
Ao responder ao deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), Onésimo disse no depoimento que, se aceitasse o contrato, o pagamento seria feito em dinheiro vivo “através da pessoa que se intitulava o pagador, que estava lá presente”. É ele, segundo Onésimo, o jovem empresário Benedito de Oliveira, que tem chamado a atenção pela quantidade de contratos firmados com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma das suas empresas, a Dialog, está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) pela suspeita de irregularidades em licitações. Aos 35 anos, Bené tornou-se uma espécie de patrocinador do comitê de Dilma.

O delegado contou, ainda, que tentando convencê-lo a aceitar a tarefa de preparar o dossiê, um dos seus interlocutores falou das vezes em que foi procurar dados fora do País, viajando na primeira classe. “Um deles me disse que viajava, que foi ao exterior levantar esses dados e que ia em avião de primeira classe, tentando talvez me entusiasmar e não me entusiasmou nada”, contou. “E um falou que teria conseguido dois tiros fatais contra um candidato.”

Autor do requerimento convidando o ex-delegado a depor em audiência pública, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) questiona por que a Polícia Federal omite dados sobre o pagador e as viagens internacionais.

O pagador deve ser o mesmo ligado ao PT que pagava pelo flat do jornalista Amaury Jr.”, deduz o senador. “A demora, sob o ponto de vista da investigação policial, é compreensível, mas não justifica a omissão em pontos importantes do depoimento.” Dias disse não ter dúvidas de que Amaury, Lanzetta e Benedito Oliveira tentaram encontrar “um bode expiatório para encobrir o esquema de dossiês fabricados pelo PT”.

Médico que atendeu Serra no Rio espera retratação de Lula

Gabriela Moreira, de O Estado de São Paulo

'Aquilo não foi uma farsa, aquilo foi um atendimento médico', disse Jacob Klingerman

RIO - O médico Jacob Kligerman, que atendeu o candidato tucano José Serra depois de o presidenciável ter sido atingido por um objeto na cabeça, em Campo Grande, no Rio, disse nesta sexta-feira, 22, que espera uma retratação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente afirmou que tudo não passou de uma farsa e insinuou que o médico teria participado da fraude.

Jacob, que é amigo pessoal de Serra, disse que embora já tenha acionado seu advogado, aguarda um pedido de desculpas de Lula. "Aquilo não foi uma farsa, aquilo foi um atendimento médico. Eu senti a minha dignidade ofendida, pois eu estava praticando um ato médico. Tudo aquilo que eu disse no dia do acidente ocorreu. Eu quero uma retratação, pois minha dignidade médica foi ferida. O presidente merece respeito e eu também. Sou membro da Academia Nacional de Medicina. Pertenço a várias entidades estrangeiras da minha especialidade, portanto, seria muito difícil eu me prestar a ser partícipe de uma farsa", contestou Kligerman, que é oncologista e especialista em cabeça e pescoço.

Ao condenar o que chamou de "factoide", Lula lembrou que Kligerman foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Câncer (Inca) quando Serra foi ministro da Saúde. O médico se defendeu dizendo que foi diretor por merecimento. " O cargo não me foi dado politicamente, me foi dado por merecimento. Quando fui nomeado, eu era funcionário da instituição há 35 anos. ", afirmou o oncologista, que conhece o tucano há 40 anos. "Ele me procurou porque além de amigos, sou a referência médica dele na cidade. O fato de eu ser oncologista não me tira a experiência como médico em geral. Depois de examiná-lo, o encaminhei para outro hospital (Samaritano) justamente para fazer exames. Ele tinha de procurar os amigos. Iria procurar os inimigos?", questionou o médico, completando. "Outro que ele poderia procurar é o Paulo Niemeyer (referência na área neurológica), mas ele está fora do País".

'Lula deixa de ser chefe de Estado para ser líder de facção', diz Aécio

Luciano Coelho, de O Estado de São Paulo

Senador eleito lamenta postura de presidente que, para ele, envolve-se de forma equivocada nas investigações da PF

TERESINA - O senador eleitor por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) afirmou nesta sexta-feira, 22, que o presidente Lula passou de chefe de Estado para líder de facção política, ao lamentar esta postura."O presidente se despe da condição de Chefe de Estado para virar líder de facção política. Ele adentra em discussões e análise de relatórios da Polícia Federal de forma equivocada, violentando as instituições de Estado em favor de sua candidata", avaliou Aécio Neves, ao dizer que o PT está usando a PF de forma política. "Está no DNA do PT trabalhar com investigações, quebra de sigilo, informações forjadas e dossiês", completou.

O senador chegou em Teresina, acompanhado pelo secretário nacional do PSDB, deputado federal Rodrigo de Castro, para reforçar a campanha de Serra e do candidato a governador Silvio Mendes. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, viajou junto com Aécio, em convite de urgência para uma reunião estratégica em São Paulo. O deputado Rodrigo de Castro afirmou que o PSDB estuda a reação aos ataques petistas. No entanto, assegurou que a postura dos tucanos não é de ataque e nem de agressão.

"As agressões contra Serra lamentáveis A democracia pela qual tanto lutamos é um patrimônio maior que uma eleição ou um grupo político. O presidente da República ao reagir de forma ofensiva a um candidato que foi efetivamente agredido, ao adentrar em discussões ou análise de relatórios da Polícia Federal, de forma absolutamente equivocada, violenta as instituições de Estado, como vem fazendo em favor de sua candidata. Ele não contribui para o fortalecimento da democracia. Lamento a posição do presidente, por quem tenho apreço pessoal , amizade pessoal, mas nesse momento final da campanha não está agindo como todos os brasileiros gostariam que agisse. Ele é o presidente de todos. Ele pode apoiar e é natural que apoie, mas é importante que ele mantenha as instituições de Estado fortalecidas e imunes à interferência eleitoral", avaliou Aécio Neves sobre a postura do presidente Lula depois das agressões ao tucano José Serra no Rio de Janeiro.

Sobre a quebra do sigilo fiscal, Aécio disse que é uma inverdade e foi desmentida pelos fatos. "O que vimos foi a Polícia Federal agindo de forma parcial. Quando se lê o relatório do jornalista investigado, se vê que não tem nada nessa direção. Ao contrário, o que ele diz é que foi um membro do PT o responsável pelo vazamento das informações. Isso desmente o presidente da República em ambos os casos. Mas quando se fala em aloprados, quebra de sigilo, forjar informações, dossiê, todos os brasileiros sabem e é fácil saber onde isso ocorre, é no PT. Isso está no DNA do PT e não do PSDB", afirmou o senador eleito.

Quando questionado se tinha alguma ligação com o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, Aécio Neves, afirmou que não e disse que "um delegado da Polícia Federal, de forma incorreta, vaza parcialmente um depoimento. Quando se lê o depoimento, não tem nada nessa direção. É a utilização de uma instituição séria e importante com a Polícia Federal dentro de um jogo político. O PT está vinculado a espionagem e a quebra de sigilo", enfatizou o tucano mineiro.

Ele disse que Serra é mais eficiente pelo preparo e experiência. "Vamos lutar até ultimo momento e estamos assistindo a recuperação de Serra em algumas regiões. Vamos lutar com nossas armas, sem ofender, sem agredir e sem deixar de ter respeito por nossos adversários. Serra tem melhores condições de dar continuidade ao que há de bom até aqui e avançar muito mais", assinalou."Se alguém chegar aqui de fora do Brasil, vai achar que fomos descobertos a partir de 2003, porque para trás não haveria nada. O Brasil avança, reconheço isso, mas começou muito antes do governo Lula. O PT votou contra o plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Reconheço o avanço do governo do PT, mas precisa agir e reconhecer que cada governo que passou colocou um tijolo no desenvolvimento brasileiro", completou.

O senador tucano afirmou que o Brasil precisa de gestão de qualidade para poderemos enfrentar os desafios no campo social e vencê-los.

"Foi assim que fizemos em Minas Gerais, que fizemos em São Paulo e no Paraná. Aqui no Piauí, Silvio Mendes representa o que há de mais moderno na gestão pública. O PSDB é um grupo de companheiros que trocam experiências e se ajudam mutuamente para fazer os estados avançarem. Se o Piauí optar pela vitória de Sílvio Mendes, vamos ter oportunidade de contribuir para dar um salto de qualidade no desenvolvimento econômico e nos indicadores econômicos e sociais. Sìlvio Mendes é um dos mais modernos administradores da sua geração e terá o apoio para acrescentar experiências de outras gestões tucanas de outros estados. A eleição é se ganha no dia e o eleitor tem a oportunidade de agir com absoluta liberdade, sem qualquer imposição para escolher o seu destino", finalizou Aécio Neves.

Governador de São Paulo chama Lula de 'leviano' e 'irresponsável'

Evandro Spinelli, Folha de São Paulo

O governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), chamou o presidente da República de leviano e irresponsável.

Goldman disse que Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata Dilma Rousseff (PT) mereciam "uma ação judicial pesada" por terem acusado José Serra (PSDB) de ter feito uma farsa no caso da "bolinha de papel".

"Quem acabou dizendo que foi uma farsa e acabou incentivando a ideia da farsa foram duas pessoas neste país, e duas pessoas que deveriam ter mais responsabilidade, mas infelizmente são extremamente levianas. Uma chama-se Luiz Inácio Lula de Silva, que foi de uma leviandade que não se pode admitir num presidente da República, e a própria candidata Dilma, que repetiu as palavras do seu progenitor Lula", afirmou Goldman.

DECLARAÇÕES
Na tarde de ontem, Lula chamou de "farsa" e "mentira descarada" a alegação de agressão contra Serra e afirmou que o presidenciável tucano deve pedir desculpas ao povo se tiver "um minuto de bom senso".

Dilma Rousseff ironizou o adversário e deu a entender que ele fez "firula" e tentou criar um "factoide".

Assim como havia feito o presidente Lula, Dilma comparou o caso com o episódio do goleiro chileno Roberto Rojas, que em 1989, em jogo contra o Brasil, fingiu ser atingido por um sinalizador.

Para Goldman, as declarações de Lula e Dilma foram "leviandade e irresponsabilidade inadmissíveis num país civilizado. Num país civilizado, que tivesse Justiça, essas duas pessoas teriam de responder pesadamente diante dos tribunais."

‘Lula será lembrado na história cubana como cúmplice da ditadura sanguinária de Fidel e Raúl Castro’

Mariana Pereira de Almeida, Veja online

A opinião é do dissidente Guillermo Fariñas, laureado nesta semana com um prêmio europeu que homenageia a liberdade de pensamento



O dissidente Guillermo Fariñas na frente de sua casa, na cidade de Santa Clara,
após ser laureado com o prêmio europeu Sakharov 2010 (Adalberto Roque/AFP)

Com este prêmio em mãos, eu diria a Lula o seguinte: 'Ao deixar o poder, trate de se retificar'. Ele não está sendo capaz de fazê-lo enquanto ainda é o presidente”

O dissidente cubano Guillermo Fariñas enxerga no Prêmio Sakharov 2010 de liberdade de pensamento, concedido pelo Parlamento Europeu na quinta-feira, um reconhecimento internacional à causa dos presos políticos do país. Ele lamenta, contudo, que o mundo tenha prestado atenção no problema apenas com a morte do também dissidente Orlando Zapata Tamayo, em fevereiro, após 85 dias em greve de fome.

Fariñas acusa o regime cubano de assassinato e reprova a atitude do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva ao visitar o país logo após a morte de Zapata. Na ocasião, Lula comparou o dissidente aos presos comuns das cadeias brasileiras. “Luiz Inácio Lula da Silva será lembrado na história cubana como cúmplice da ditadura sanguinária de Raúl e Fidel Castro”, disse Fariñas, por telefone, ao site de VEJA. “Com este prêmio em mãos, eu diria a Lula o seguinte: 'Ao deixar o poder, trate de se retificar'. Ele não está sendo capaz de fazê-lo enquanto ainda é presidente do Brasil”, acrescentou.

Fariñas iniciou 23 greves de fome contra a ditadura cubana. A mais recente delas, que durou 135 dias, só foi encerrada quando a Igreja Católica de Cuba anunciou a libertação de 52 presos políticos, em julho último. A seguir, a entrevista completa concedida pelo dissidente:

O que o senhor sentiu ao receber um prêmio que trata da liberdade de pensamento enquanto vive em Cuba, onde tudo é proibido?
O meu primeiro sentimento é de compromisso com a causa cubana, com a democratização do país, com meus irmãos que ainda estão presos, com todos homens e mulheres de boa vontade que querem a democracia na ilha. Creio que este é o meu grande compromisso que tenho.

O senhor dedicou o prêmio a Orlando Zapata, que morreu fazendo uma greve de fome. Foi preciso a morte de um homem para o mundo perceber a situação dos dissidentes cubanos?
Creio que sim. Infelizmente, um de nossos irmãos teve que morrer assassinado de maneira planejada em uma prisão cubana - por fazer uma oposição pacífica - para que o mundo se desse conta de todos os maus tratos que os presos políticos sofrem em Cuba.

O senhor disse assassinado, mas ele morreu por fazer greve de fome...
Sim, mas ele foi chantageado. Zapata tomava água em sua greve de fome. As autoridades cortaram sua água durante muitos dias para que se rendesse. Ele não se rendeu e teve problemas renais que o levaram à morte.

O que o senhor diria ao presidente brasileiro sobre sua conduta ao visitar Cuba logo depois da morte de Zapata?
Luiz Inácio Lula da Silva, que foi preso político e tem memória ruim, veio ao país exatamente quando Orlando Zapata estava sendo assassinado. Ele comparou aqueles que faziam greve de fome pela morte de Zapata com delinquentes de São Paulo. Por isso, Luiz Inácio Lula da Silva será lembrado na história cubana como cúmplice da ditadura sanguinária de Raúl e Fidel Castro. Com este prêmio em mãos, eu diria a Lula o seguinte: 'Ao deixar o poder, trate de se retificar'. Ele não está sendo capaz de fazê-lo enquanto ainda é presidente.

O reconhecimento ao senhor veio pouco depois do Nobel da Paz concedido a outro dissidente, o chinês Lu Xiaobo. É um sinal de que as coisas podem mudar em países, como Cuba e China?
Sim. Mesmo que nossas lutas pareçam impossíveis, nós dissidentes sempre teremos fé que nossas idéias são boas, que são para o bem do mundo. Sempre lutaremos por elas.

O senhor acha que a União Europeia pode mudar a chamada Posição Comum, que determina como o bloco lida com a situação cubana, em uma reunião que será realizada na próxima segunda-feira?
Eu considero que Cuba ainda não fez nada para que a UE levante a Posição Comum. Nossos irmãos que estão presos em Cuba e serão colocados em liberdade estão sendo tratados como moeda de troca pelo governo cubano, como se fossem escravos e reféns do regime. Creio que o governo cubano deixou intactas as leis que lhes permitem prender de maneira arbitrária aqueles que fazem oposição pacífica.

Então o senhor acredita que a libertação dos presos políticos pelos irmãos Castro foi uma maneira de conquistar a simpatia do mundo para obter benefícios políticos?
Sim. O governo usou os dissidentes para reduzir o desprestígio causado pela morte de Zapata e por minha greve de fome. Se o governo cubano realmente quisesse respeitar os direitos humanos, os oposicionistas poderiam expor de maneira pacífica suas opiniões, ter bibliotecas independentes e ler livros censurados pelo regime.

Como o senhor se sentiu antes e depois de sua greve de fome?
Me senti bem, de verdade, porque não pensei que ia morrer, mas sim que estava fazendo o possível pelo bem da minha pátria e para que outros dissidentes não fossem assassinados na prisão.

O que o senhor fará com o prêmio de 50.000 euros?
Não sei exatamente o que vou fazer, mas será algo pela causa dos dissidentes e que traga alguma contribuição à democracia em Cuba.

O Dia da Mentira já tem quase 70 mil horas

Augusto Nunes, Veja online

Alertado meses antes pelo governador goiano Marconi Perillo e, em seguida, pelo deputado Roberto Jefferson, o presidente Lula fingiu, em junho de 2005, que nunca ouvira falar em mensalão. Dias depois de escancarado o Pai de Todos os Escândalos, declarou-se “traído”. Ficou algum tempo em silêncio até recobrar a voz em Paris para recitar o que o criminalista Márcio Thomaz Bastos lhe ensinou: aquilo era dinheiro de caixa 2, coisa que sempre existiu no Brasil. Recentemente, decidiu que a roubalheira organizada pelo PT foi uma “tentativa de golpe” ─ contra ele.

Forçado a livrar-se de alguns ministros afundados nas sucessivas maracutaias federais, o presidente absolveu-os todos no palavrório de despedida. José Dirceu (“Meu querido Zé”) foi perseguido pela oposição e acusado de crimes imaginários. Antonio Palocci (“O maior ministro da Fazenda da hist6ria deste país”) enredou-se numa trama tecida pelo caseiro Francenildo Costa, um loiro de olhos azuis a serviço da elite golpista. Foi assim com todos. Até com Erenice Guerra: aboletada no último andor da procissão dos pecadores companheiros, a melhor amiga de Dilma Rousseff não ouviu sequer uma queixa balbuciada pelo Beato Lula.

Aos olhos do chefe, a fábrica de dossiês administrada por Aloízio Mercadante virou um recanto de garotos levados ─ os “aloprados”, como se ninguém enxergasse por trás dessa loucura de araque a lógica criminosa do PT. A usina de papeis bandidos instalada na Casa Civil pela dupla Dilma & Erenice virou “banco de dados”. Enquanto o país se estarrecia com a descoberta de que o Senado era a fachada da Casa do Espanto, condecorou José Sarney com a medalha de Homem Incomum, fechou contrato com Renan Calheiros e Romero Jucá, tornou-se amigo de infância de Fernando Collor e exigiu que fossem apresentadas as provas que só ele não conseguiu enxergar.

Desde o dia da posse, todas as incontáveis patifarias promovidas por delinquentes de estimação contaram com a bênção, o endosso e a cumplicidade de Lula. No último ano do segundo mandato, convencido de que a maior obra de um presidente é eleger o sucessor, o juiz que só absolve passou a acumular as funções de réu debochado. Com a desenvoltura dos que se acham condenados à impunidade, atropela a Constituição e a lei comum, zomba do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. Há quatro meses, abandonou o emprego para fartar-se em almoços e comícios. E entregou o comando efetivo do Planalto às mãos suspeitíssimas de Erenice Guerra e, agora, de Miriam Belchior.

Ele tratou como factoides, miudezas ou piadas o estupro do sigilo fiscal de dirigentes do PSDB, o dossiê contra José Serra encomendado pelo PT, as bandalheiras de Erenice Guerra, a dissolução dos Correios, o desmoronamento da Casa Civil ─ e assumiu sem disfarces o papel de fora-da-lei quando confrontado com o ataque das milícias aos inimigos em campanha. Nesta quinta-feira, o serial killer dos fatos tentou enfiar na cabeça dos brasileiros outra versão cafajeste.

“A mentira que foi produzida pela equipe de publicidade do candidato José Serra é uma coisa vergonhosa”, fantasiou. Não está qualificado para tratar do assunto quem começou o governo com um assassinato da verdade e pretende entregá-lo a uma fraude monumental. Em janeiro Lula batizou de “herança maldita” o país recolocado nos eixos por Fernando Henrique Cardoso. Passados oito anos, quer repassar um Brasil em adiantada decomposição moral a uma figura que mente como quem respira.

Para Lula, o dia do ataque das milícias do PT justificaria a criação de um Dia da Mentira. No calendário do Brasil decente, os dias da mentira começaram em 1° de janeiro de 2003. Até esta sexta-feira, já são 2.852. Quase 70.000 horas.

Visão curta

Míriam Leitão , O Globo

O Ministério da Fazenda fez bem em pôr uma tranca em uma das portas pelas quais entram dólares na economia brasileira, mas o efeito não vai durar por muito tempo, o mercado vai contornar essa alta do IOF e muitas distorções vão resultar do aumento de imposto. É uma pena que o ministro não tenha sido apresentado à teoria que tem solução mais permanente para o problema: o controle dos gastos.

Por enquanto o governo está improvisando e há limite para os improvisos no mercado de câmbio. O IOF não pode subir muito porque diminuirá a demanda de investidores por títulos públicos. Como o apetite maior dos investidores externos é por títulos mais longos, isso levará a um encurtamento da dívida e elevação de juros de longo prazo. Além disso, o aumento do IOF sobre negociações no mercado futuro vai na contramão do mundo: empurram investidores para negociações de balcão, que não têm transparência nem supervisão.

O ministro Guido Mantega na semana passada disse que o gasto público não causa inflação. Numa hora em que o país está crescendo a 8%, as famílias estão se endividando como nunca para comprar mais, o governo acha que pode turbinar a demanda agregada com ampliação de gastos. Espantoso para usar uma palavra educada.

Se é essa a convicção das autoridades que deveriam ter como preocupação o controle das contas, não se deve esperar, pelo menos a curto prazo, que o país entre no caminho da redução sustentável dos juros a níveis bem mais baixos que os atuais. E a melhor forma de evitar a entrada de dólares indesejados não é elevando o IOF, mas diminuindo os juros para reduzir o diferencial das taxas entre a economia brasileira e o resto do mundo. Com um prêmio menor, menos investidores estrangeiros viriam ao país em busca do lucro fácil.

Todo mundo se lembra das operações com câmbio feitas pela Aracruz e pela Sadia, que resultaram em perdas de mais de R$ 7 bilhões às duas empresas no final de 2008. Foram firmados contratos que apostavam na valorização do real contra o dólar. Mas esses contratos foram “de balcão”, negociados e firmados por duas partes, com pouca fiscalização. O resultado é que os próprios acionistas das empresas não sabiam o que estava acontecendo. Deu no que deu. Elas foram resgatadas com empréstimos de banco público. O aumento do IOF pesou sobre as chamadas de margem no mercado futuro e deve incentivar mais negócios de balcão.

O Banco Central manteve na quarta-feira os juros inalterados, em 10,75%, e as apostas são de manutenção também na última reunião do ano, em dezembro. O problema é que a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, medida pelo Boletim Focus, aponta 5,19%, acima do centro da meta e esta é a previsão também para 2011. O IGP-M deve fechar 2010 perto de 10% e vai pressionar os serviços no ano que vem. O real está em torno de R$ 1,69. Se as medidas fizerem efeito e o dólar subir, isso pode ter impacto inflacionário; se as medidas não funcionarem e o dólar continuar a cair, aumentará a pressão sobre a indústria local.

A MB Associados aposta que a taxa pode voltar a subir antes do que estava previsto: “Manter a expectativa de inflação muito acima da meta dificulta trazê-la novamente para 4,5%. Por isso, o BC poderá subir a Selic talvez antes do que se imaginava, mesmo com a pressão que isso possa trazer na taxa de câmbio”, afirmou. O problema é que na perspectiva de uma mudança de governo, o grau de incerteza sobre política monetária é muito alto.

A demanda acelerada tem sido atendida em grande parte pelos importados. Com isso, já há projeções de que o déficit em conta corrente saia de US$ 50 bilhões, este ano, para US$ 100 bilhões no ano que vem. Está aumentando a dependência da entrada de capital. Se a Fazenda tiver muito sucesso na tentativa de deter a entrada de investimento especulativo pode ter dificuldade de financiar o déficit externo.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, acha que o país não está aproveitando o bom momento para fazer a coisa certa, segurar gastos:

— Há uma frase do megainvestidor Warren Buffett que se encaixa perfeitamente no atual momento: Quando a maré baixa é que se descobre quem estava nadando sem roupa. Hoje, o mundo está com excesso de dólares e eles estão vindo para o Brasil, mas não será sempre assim. Temos que nos preparar — afirmou.

Desarmar essa armadilha não será tarefa trivial. A pessoa que assumir o governo em janeiro do próximo ano encontrará pressões de todo o tipo, principalmente por soluções erradas. A indústria tem pedido mais protecionismo, mas isso só cria mais distorções. Se os juros forem reduzidos por imposição presidencial num contexto de demanda aquecida, inflação em alta e aumento de gastos públicos será muito pior. O que agrava o quadro é o fato de as contas públicas estarem cada vez mais maquiadas. Mônica de Bolle, da Galanto Consultoria, chama disso de “argentinização das contas públicas brasileiras”, referindo-se ao fato de que hoje ninguém mais acredita nos indicadores econômicos argentinos porque eles têm sido falsificados.

Mônica acha que o governo fez bem em subir o IOF contra capital de curto prazo:

— Ele não podia ficar parado olhando o real subir. Mas dificilmente isso resolverá o problema.

O IOF é apenas uma ponte para a solução definitiva, que só poderá ser o terreno firme do ajuste fiscal.

Siderbrás: o aço é nosso!

Rodrigo Constantino, Instituto Millenium

A memória dos brasileiros é curta, já diz o ditado. Para tentar refrescar esta memória, pretendo resgatar alguns dados sobre o importante setor siderúrgico brasileiro. Impressiona a capacidade com que a esquerda finge não ter defendido as ideias que defendeu e, pior ainda, até se apropria do sucesso alheio como se fosse obra sua. Como os mesmos argumentos usados contra a privatização das siderúrgicas são hoje usados contra outros setores, trazer à tona estes dados será de extrema valia ao debate.

A década de 1970 viu o nascimento de inúmeras estatais sob o regime militar. Em 1973, alguns ministros propuseram a Médici a criação de uma holding do setor siderúrgico. No documento que assinaram, a meta de 20 milhões de toneladas de aço a serem produzidas no país passava a ser vista como insuficiente para atender o crescimento. A criação da Siderbrás foi autorizada em setembro de 1973 para atender a demanda. Duas décadas depois, o país não havia acrescentado uma tonelada extra de aço à sua produção. Na verdade, as 20 milhões de toneladas consideradas insuficientes nesta época permaneciam sendo a produção nacional de 1990, enquanto a Siderbrás se encontrava falida.

Aqui vale uma pausa para tratar de um mito bastante difundido. Muitos defensores do Estado como empresário alegam que, sem seus esforços iniciais, sequer haveria empresas produtoras para serem privatizadas depois. Eles alegam que os capitalistas não teriam feito os pesados investimentos necessários. A falácia fica evidente quando pensamos que o setor siderúrgico americano, para ficar num exemplo, não nasceu do governo, mas do setor privado. Além dele, as ferrovias e vários outros setores intensivos em capital nasceram de mãos privadas. Mesmo no Brasil, o mega-investidor americano Percival Farquhar, cujo império rivalizava apenas com o de Matarazzo ou Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, tinha a pretensão de transformar uma enorme área no Ruhr brasileiro. O grande obstáculo para este empreendimento foi justamente o governo, que chegou a confiscar seus ativos.

Voltando para a caótica situação do setor no começo da década de 1990, as estimativas de um diretor do BNDES eram que, de 1985 a 1989, a siderurgia brasileira havia consumido US$ 10,4 bilhões da União, sem acrescentar um grama sequer à produção de aço. Que eficiência! Esse gigantesco ralo de recursos públicos tinha que ser tampado, e as privatizações eram o único meio viável. Mas, quando chegara o momento da primeira venda, da Usiminas, um grupo de opositores barulhentos e violentos tentou impedir o leilão. O grupo era formado por entidades como CUT, CGT, MR-8, PT, PCdoB, PDT e UNE. Estas seriam as figuras carimbadas que em todos os leilões mais importantes fariam manifestos, muitas vezes violentos, buscando preservar as estatais deficitárias.

Não obstante, a venda da Usiminas foi um sucesso, e teve ágio de 14,3% sobre o preço mínimo estabelecido. Poderia ter sido bem maior, não fossem as incertezas geradas justamente pela esquerda no processo, especialmente afugentando os estrangeiros. Mais de 80 pessoas ficaram feridas, sendo 52 policiais atingidos por pedras ou artefatos similares. O deputado federal Vivaldo Barbosa, do PDT de Brizola, celebrou a reduzida participação de estrangeiros no leilão. Para os dinossauros da esquerda, a entrada de capital estrangeiro para investir no país representava uma enorme ameaça. Talvez por isso a Coréia do Norte ou Cuba sejam tão “ricas”, protegidas desta maldição terrível. Já Cingapura…

Em seguida, vieram os leilões de empresas como Acesita, Cosipa, CST e finalmente a CSN. Esta foi alvo de dezenas de ações judiciais para tentar barrar o leilão, a maioria impetrada por sindicatos. Já os empregados dessas empresas compreenderam os benefícios da privatização, ao menos para aqueles dispostos a trabalhar de fato, e muitos aderiram por meio de clubes de investimento, tornando-se acionistas das novas empresas privadas. Enquanto isso, figuras como Lindberg Farias, atualmente eleito como senador pelo PT do Rio, tentavam angariar adeptos para seus protestos contra a privatização. O então presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva, condenou a privatização da Acesita como um “equívoco do presidente Itamar”.

Do outro lado da batalha, o grupo Gerdau foi um dos grandes vitoriosos do processo de desestatização, e hoje é uma respeitada multinacional brasileira, uma gigante do setor. É importante destacar quem era quem nesta guerra das privatizações, para deixar claro quem eram aqueles que lutavam pelo progresso do país, por uma economia moderna, competitiva e dinâmica, e quem eram aqueles que desejavam preservar o status quo, as tetas estatais para os políticos e seus apaniguados. A história não pode ser alterada ao bel prazer dos governantes atuais, apesar da torcida que estes fazem pela amnésia popular. Já pensou os eleitores todos lembrarem que Lula e seu PT foram totalmente contra o Plano Real, criando diversas barreiras para impedir sua aprovação?

Se a produção brasileira de aço tinha permanecido estável de 1970 a 1990, girando em torno de 20 milhões de toneladas, já em 2004, livre das amarras estatais, o setor produziu quase 33 milhões de toneladas. Trata-se de um incremento de 65% em 14 anos! Mas isso não era tudo. O setor, que é altamente poluente, tornara-se bem mais limpo sob o controle privado. Em uma sentença judicial de 2005 contra a CSN, a juíza declarou: “Cumpre salientar o fato notório de que, alguns anos após a privatização, a CSN sob nova administração, passou a adotar uma política de gestão ambiental de vanguarda, bem como a investir seriamente em processos industriais mais limpos e eficientes”. Entretanto, a melhoria toda não foi suficiente para livrar a empresa da condenação, que veio por conta de sua fase estatal.

Como se pode ver em mais este caso do setor siderúrgico, não existem argumentos sérios ou convincentes para ser contrário às privatizações. Todos saem ganhando, à exceção dos mesmos grupos de sempre, que costumam se opor à venda das estatais por motivos ideológicos, corporativistas ou fisiológicos. Em outras palavras, aqueles que querem manter privilégios à custa do povo, ainda que, para tanto, tenham que abusar da retórica nacionalista. Vale lembrar que o setor siderúrgico era considerado extremamente “estratégico”. Será que as ameaças fantasmas se concretizaram com as privatizações? Pois é, mas a mesma turma de antes repete hoje os mesmos “argumentos” contra a privatização de outros setores, ignorando os fatos históricos. Se o povo tivesse mais memória, a esquerda estaria perdida!

Má notícia para quem é contra privatização: Brasil já tem praticamente uma linha de telefone celular por habitante

Sabrina Craide, Agência Brasil 

O Brasil tem atualmente 191,4 milhões de linhas de telefones celulares, número próximo ao da população do país, estimado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 192 milhões de habitantes. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número de novas habilitações em setembro foi de 2,04 milhões, crescimento de 1,08% em relação a agosto.

A teledensidade, que é a relação do número de celulares habilitados por 100 habitantes, ficou em 98,98 em setembro. O maior índice foi registrado na Região Centro-Oeste, onde já há mais celulares do que habitantes: são 118 linhas para cada 100 habitantes.

Do total de acessos, 82,14% correspondem a telefones pré-pagos e 17,86% a pós-pagos. A Vivo segue liderando o mercado de telefonia móvel, com 30,14% de participação. Em seguida estão a Claro (25,47%), a Tim (24,52%) e a Oi (9,51%).

A tecnologia GSM é usada por 88,07% dos acessos móveis, seguida da tecnologia de terceira geração (3G), com 6,34%, e dos modems de acesso à internet, que correspondem a 2,96%. As tecnologias CDMA e TDMA estão embarcadas em 2,58% e 0,05% dos celulares brasileiros, respectivamente.

Edição: Vinicius Doria

 

Às raias da irresponsabilidade

Tiberio Canuto e Antonio Sergio Martins – Pitacos-Políticos

O presidente Lula ultrapassou todas as fronteiras do bom senso. Chegou às raias da irresponsabilidade.

Não é possível que o chefe da Nação esqueça a importância do seu cargo e faça uma acusação tão irresponsável de chamar de “farsa” a agressão da qual foi vítima José Serra. Bem ao seu estilo populista, comparou o candidato ao goleiro chileno Rojas, que fingiu ter recebido um foguete na cabeça, no Maracanã, num jogo entre as seleções de futebol de seu país e do Brasil.

Diante da aberração que disse, Lula está na obrigação de denunciar Serra nas instâncias competentes, em decorrência de que teria estimulado a violência, criado uma fraude e de ser o responsável pela agressão à jornalista da TV Globo que recebeu uma pedrada. Mais do que isto: deve ir à Justiça Eleitoral para que impugne a candidatura de Serra, acusando-a de querer fraudar o processo eleitoral e introduzir o vírus da intolerância. No STF, o fórum dos candidatos à presidência, Lula deve denunciar o tucano por incitação à violência pública.

Se não fizer isto e se não provar o que afirmou, é Lula que estará na berlinda. O bumerangue cobrará seu preço.

Compete à oposição acionar rapidamente todos os meios legais para que o presidente arque com as consequências de sua irresponsabilidade. Não é possível que em um momento tão delicado da vida nacional, o presidente da República ignore o peso do seu cargo, sua liturgia e se ache no direito de afirmar o que bem entender, por se achar acima da lei.

Concretamente, o presidente da República assumiu o papel de insuflador de violência ao, mais uma vez, blindar seus companheiros do PT e encontrar uma desculpa esfarrapada para o ato insano praticado por uma horda fascista, comprovadamente formada por petistas, no Rio de Janeiro.

Nunca é demais repetir: violência gera violência. Esperamos que o outro lado – a militância oposicionista e seus partidos – mantenham o sangue frio e tenham nervos de aço. É hora de não se aceitar nenhuma provocação. Tudo o que o lulopetismo quer é que os tucanos deem o troco e respondam na mesma moeda. Seria o portal do paraíso para que Dilma venha a posar de vítima, para tentar virar o jogo.

A pregação do ódio e a irresponsabilidade do presidente desserve a democracia e nos faz desconfiar de que ele não tem tanta certeza da vitória da sua candidata, por mais que certos institutos de pesquisas turbinem os seus números.

Qual é a de Lula? Estimular um clima de confronto e de divisão entre brasileiros para, na hipótese de uma derrota, dizer que o resultado eleitoral não foi legítimo? Ou quer intimidar a oposição para que seus ativistas tranquem-se em suas casas e deixem as ruas livres para o proselitismo petista?

O que aconteceu ontem no Rio de Janeiro não foi apenas uma agressão pessoal ao candidato José Serra. Foi uma agressão à Constituição e ao conjunto da legislação eleitoral. É assegurada a livre manifestação e o livre trânsito de todas as correntes nas disputas eleitorais, para que haja igualdade na disputa eleitoral, no caso, para Serra e Dilma, neste segundo turno.

A atitude de Lula opera para suprimir o direito constitucional da oposição. Com seu radicalismo está contribuindo, mesmo que não tenha plena consciência disso, para derramamento de sangue entre brasileiros. Desejamos, do fundo do coração, que estas linhas estejam pecando pelo exagero, fruto da indignação da hora.

Torcemos que a coisa não chegue a tanto e que a democracia brasileira seja suficientemente forte para que a etapa final da disputa presidencial aconteça em paz e em observância aos ditames do Estado de Direito Democrático.

O Brasil é maior do que Lula. Ele passa. A pátria fica. Lula queira ou não, os brasileiros decidirão, no segredo das urnas, a sucessão presidencial. O recado das urnas em 3 de outubro foi claro. A maioria dos brasileiros, que votaram em Serra e Marina, quer saber a que vieram as duas candidaturas. A normalidade do processo eleitoral, inclusive a livre circulação dos candidatos, é condição necessária para o cumprimento da vontade da maioria.

A paz vencerá, apesar de termos um presidente que, se não chegou às raias da loucura, afundou os pés no território da irresponsabilidade.

Profissão: boçal, mas atua, também, como juiz.

Blog do Noblat


'Sou Ari Pargendler, presidente do STJ. Você está demitido'


A frase acima revela parte da humilhação vivida por um estagiário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após um momento de fúria do presidente da Corte, Ari Pargendler (na foto).

O episódio foi registrado na 5a delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal às 21h05 de ontem, quinta-feira (20). O boletim de ocorrência (BO) que tem como motivo “injúria real”, recebeu o número 5019/10. Ele é assinado pelo delegado Laércio Rossetto.

O blog procurou o presidente do STJ, mas foi informado pela assessoria do Tribunal que ele estava no Rio Grande do Sul e que não seria possível entrevistá-lo por telefone.

O autor do BO e alvo da demissão: Marco Paulo dos Santos, 24 anos, até então estagiário do curso de administração na Coordenadoria de Pagamento do STJ.

O motivo da demissão?

Marco estava imediatamente atrás do presidente do Tribunal no momento em que o ministro usava um caixa rápido, localizado no interior da Corte.

A explosão do presidente do STJ ocorreu na tarde da última terça-feira (19) quando fazia uma transação em uma das máquinas do Banco do Brasil.

No mesmo momento, Marco se encaminhou a outro caixa - próximo de Pargendler - para depositar um cheque de uma colega de trabalho.

Ao ver uma mensagem de erro na tela da máquina, o estagiário foi informado por um funcionário da agência, que o único caixa disponível para depósito era exatamente o que o ministro estava usando.

Segundo Marco, ele deslocou-se até a linha marcada no chão, atrás do ministro, local indicado para o próximo cliente.

Incomodado com a proximidade de Marco, Pargendler teria disparado: “Você quer sair daqui porque estou fazendo uma transação pessoal."

Marco: “Mas estou atrás da linha de espera”.

O ministro: “Sai daqui. Vai fazer o que você tem quer fazer em outro lugar”.

Marco tentou explicar ao ministro que o único caixa para depósito disponível era aquele e que por isso aguardaria no local.

Diante da resposta, Pargendler perdeu a calma e disse: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ, e você está demitido, está fora daqui”.

Até o anúncio do ministro, Marco diz que não sabia quem ele era.

Fabiane Cadete, estudante do nono semestre de Direito do Instituto de Educação Superior de Brasília, uma das testemunhas citadas no boletim de ocorrência, confirmou ao blog o que Marco disse ter ouvido do ministro.

“Ele [Ari Pargendler] ficou olhando para o lado e para o outro e começou a gritar com o rapaz. Avançou sobre ele e puxou várias vezes o crachá que ele carregava no pescoço. E disse: "Você já era! Você já era! Você já era!”, conta Fabiane.

“Fiquei horrorizada. Foi uma violência gratuita”, acrescentou.

Segundo Fabiane, no momento em que o ministro partiu para cima de Marco disposto a arrancar seu crachá, ele não reagiu. “O menino ficou parado, não teve reação nenhuma”.

De acordo com colegas de trabalho de Marco, apenas uma hora depois do episódio, a carta de dispensa estava em cima da mesa do chefe do setor onde ele trabalhava.

Demitido, Marco ainda foi informado por funcionários da Seção de Movimentação de Pessoas do Tribunal, responsável pela contratação de estagiários, para ficar tranqüilo porque “nada constaria a respeito do ocorrido nos registros funcionais”.

O delegado Laercio Rossetto disse ao blog que o caso será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) porque a Polícia Civil não tem “competência legal” para investigar ocorrências que envolvam ministros sujeitos a foro privilegiado."

Pargendler é presidente do STJ desde o último dia três de agosto. Tem 63 anos, é gaúcho de Passo Fundo e integra o tribunal desde 1995. Foi também ministro do Tribunal Superior Eleitoral.

Em alegações finais, Procuradoria pede condenação de Protógenes por vazamentos

Folha de São Paulo

O Ministério Público Federal entregou nesta sexta-feira as alegações finais da ação que o delegado e deputado eleito Protógenes Queiroz (PC do B-SP) responde sob acusação de fraude processual e vazamento de informações.

Para a procuradoria, Protógenes deve ser condenado pelos vazamentos ocorridos na Operação Satiagraha, em 2008.

Quando receber as alegações finais da defesa, o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal em São Paulo, poderá dar sua sentença.

Joel Silva/Folhapress
Procuradoria entregou alegações finais da ação contra Protógenes
 sob acusação de fraude processual e vazamento

Logo após a eleição, Mazloum chegou a reclamar de decisão liminar para suspender a ação do Tribunal Regional Eleitoral da 3º Região (SP e MS) feita a pedido do Ministério Público.

De acordo com o juiz, não haveria tempo para emitir uma sentença antes da diplomação de Protógenes, que está marcada para dezembro. Diplomado, o deputado eleito ganha foro privilegiado e o processo deve ser enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A procuradoria afirma que pediu a suspensão do processo porque o juiz abriu a fase de alegações finais sem anexar cópias de um inquérito que tramita na 3ª Vara Federal de SP para investigar as; ligações telefônicas envolvendo autoridades da Operação Satiagraha.

O pedido foi feito pelo advogado do ex-diretor da Brasil Telecom Humberto Braz, assistente de acusação e também investigado na Satiagraha, que depois da liminar desistiu da solicitação.

O Ministério Público argumenta que não queria atrasar o processo, mas "garantir o direito da acusação de ter cinco dias de prazo para ofertar memoriais finais após o término da produção de provas por todas as partes".

EDIÇÃO DE IMAGENS
Protógenes é acusado de editar as imagens em que emissários do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, negociavam o pagamento de propina a investigadores.

O delegado chefiou a primeira fase da Satiagraha, que apura supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro. Ele foi afastado das investigações.

Segundo a denúncia, Protógenes cometeu violação de sigilo funcional ao convidar um produtor de TV Globo para gravar a tentativa de assessores de Dantas --Humberto Braz e Hugo Chicaroni-- de subornar um delegado da PF para excluir o nome do banqueiro das investigações da Satiagraha. A tentativa de suborno foi gravada em 19 de junho de 2008, em um restaurante de São Paulo.

O crime de fraude processual, segundo a denúncia, foi cometido com a edição do vídeo da tentativa de suborno para excluir das imagens os jornalistas.

Repórteres acompanharam também, no dia da deflagração da Satiagraha, a prisão de investigados, entre eles Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, morto no ano passado.