Adelson Elias Vasconcellos
Ontem, comentando sobre o afrouxamento da lei seca, afirmei aqui que o Brasil é o único caso no mundo que combate o aumento da violência e da criminalidade reduzindo as penas para os criminosos. No novo Código Penal, em análise no Congresso Nacional, acreditem, isto não será diferente.
Disse também que, a vingar o projeto na forma como se encontra, ele acabará se tornando numa tremenda frustração para o povo brasileiro, que há muito reclama maior rigor em relação aos criminosos que vicejam no país. E no projeto, acreditem, por incrível que pareça, em nome de uma pretensa “modernidade”, nossos criminosos, em seus diferentes aspectos e níveis, continuarão a ser mais bem tratados do que suas vítimas. Um retrocesso injustificável sob qualquer aspecto. Claro que, para mostrar serviço, um que outro crime terá sua pena aumentada em anos, mas não esperem prisão perpétua para os homicidas reincidentes, o projeto prevê no máximo 40 anos. Ou quase nada.
Mas os perigos não se esgotam nesses aspectos. Pelo novo código, o princípio da vida humana, continuará sendo atacado e desprezado. Lembram do tal Plano Nacional de Direitos Humanos que o PT quis enfiar goela abaixo da sociedade, e que apenas não vingou porque alguns resolveu ler aquela coisa? E foi tamanha a reação negativa em relação ao tal plano, pelos muitos absurdos que continha, que Lula resolveu arquivar a ideia. Na época, disse que arquivar era uma coisa, abandoná-la nunca! A turma esperaria um momento digamos mais oportuno para trair o povo brasileiro e impor ao país suas ideias macabras.
E é precisamente o que está sendo urdido nos porões desta imundície que se chama “política brasileira”. Dentre as barbaridades que se projeta tentarão liberar o aborto, a eutanásia dentre outros mimos.
Nesta semana passada mesmo, a agente nacional pró-infanticídio, Eleonora Menicucci, concedeu uma entrevista à rádio Estadão em que reafirmou todas as suas manifestações anteriores em favor da mortandade de inocentes. Em dado momento, declarou que a sociedade brasileira ainda não está preparada para debater sobre o tema.
É impressionante a desfaçatez desta gente. Quer dizer que aqueles que a não comungam com suas teses absurdas, são despreparados. Preparada nossa sociedade é mas não para matar. A outra saída que este pelotão da morte encontra para o “debate” é dizerem que os que são contra o são por razões religiosas.
Aborto, senhores, nada tem a ver com religião. Não somos contra porque esta ou aquela religião diz que assim deve ser. Somos contra à morte, principalmente contra inocentes, que não terão direito de escolha. Somos contra a putaria praticada de forma desenfreada e, diante da consequência de atos irresponsáveis, mata-se para não se assumir o papel que lhe cabe como ser humano: a defesa intransigente da vida, nosso maior patrimônio. Somos contra o aborto porque ser contrário à natureza humana, por ser o direito à vida um valor inalienável, inamovível, inegociável. Se alguma mulher, qualquer mulher quiser fazer uso de seu corpo da forma como pretender, é uma escolha que lhe cabe por natural. Mas se não deseja ter em si as consequências de seus atos, que evite engravidar e tome as providências que estão ao alcance de todas. Porém, se fruto do descuido acontecer a gravidez, que assuma as consequências de sua escolha. Um bandido não tem o direito de matar ninguém, ele pode dispor de sua liberdade como melhor achar. Mas se matar, que assuma as consequências de sua escolha. Por que com a mulher seria diferente, por que só ela não pode assumir suas responsabilidades? E isto, gente, não tem nada a ver com crenças religiosas. Tem a ver com maturidade, com respeito ao princípio natural de qualquer indivíduo.
Quem não está preparada para o debate é esta tropa de execução, que acham que podem dispor da vida alheia a seu bel prazer. A mulher pode fazer o que bem entender do seu corpo. Praticar sexo vinte vezes por dia se assim desejar. Mas não lhe cabe, por óbvio, é dispor do direito natural de quem quer viver e vê este direito negado apenas por razões de pura imaturidade, irresponsabilidade, insensibilidade e egoísmo, quando não por pura vaidade. É disto que se trata, o resto é papo furado, sem nexo.
Está na hora de as pessoas começarem a assumir suas próprias culpas, isto é amadurecimento. Não se pode negar direito a ninguém. A mulher pode e tem o direito de dispor de seu corpo. E por que ela se acha no direito de negar vida a quem quer seja? É ela que agora vai escolher quem deve viver ou não? Absurdo.
"Estamos diante de uma cultura que quer legalizar o aborto a qualquer custo", afirma Dóris Hipólito, da Associação Nacional Mulheres para a Vida.
Impressionante é alguém sugerir que uma gestante poderá interromper a gravidez até 12 semanas de gestação, caso um médico ou psicólogo avalie que ela não tem condições "para arcar com a maternidade". E cadê as responsabilidades de cada um sobre si mesmo? E quais critérios serão considerados para considerar que alguém não reúne condições para arcar com a maternidade. Eis aí mais outro absurdo: e quando o pai resolver arguir a mesma impossibilidade, como é que fica? No caso dele é irresponsabilidade, no caso da mulher é direito de escolha? Ou seja, só à mulher competirá se considerar incapacitada para a maternidade, o homem terá que arcar com o peso de sua decisão. Cadê o equilíbrio, cadê a equidade?
Na prática, com tamanha estultice se elimina de vez a liberdade exercida com responsabilidade, condição básica para qualquer sociedade minimamente desenvolvida e amadurecida.
Mas esta é apenas uma das variáveis da estupidez do que se está propondo. Mas vem cá: e cadê a imensa maioria da opinião pública, que, por diferentes pesquisas, feitas em diferentes ocasiões, se posicionou contra o aborto? Ou será que só os que preconizam o assassinato de inocentes é que são detentores da verdade e da razão? Convenhamos, esta vigarice não pode prosperar e a sociedade deve ser alertada contra a traição que se está preparando contra seu desejo e que já é de conhecimento de todos.
Para escolher os representantes da esquerda, como Lula e Dilma, o povo serve. Mas para recusar algumas de suas ideias macabras, aí o povo não está preparado para o debate. E aí, de forma sorrateira, à socapa mesmo, tenta-se ir contra a vontade da maioria! Quanta incoerência!
Porque, se a gente analisar bem o que se esconde por detrás deste aborto disfarçado, é na verdade, a validação no Brasil da eugenia e as teorias de limpeza racial que deram origem ao Nazismo. O termo é antigo, foi criado no século 19 por Francis Galton, e vem alimentando através dos tempos uma espécie de idolatria a purificação da raça humana, eliminando os defeituosos, doentes e que não se enquadram no perfil traçado como o ideal da espécie. Ao longo dos anos, a eugenia e a limpeza racial foram defendidas como formas de aperfeiçoar a espécie humana e criar um novo homem. Esses conceitos foram pesquisados no decorrer do século XX, com várias tentativas de transformá-los em realidade. Em resumo, eugenia nada mais é do que a manipulação biológica como arma para eliminar todos os que não se adaptam ao "padrão racial" imposto por um modelo fascista de ideal humano. Ou numa palavra: racismo.
Voltem ao texto e reparem: deixa de ser crime quando o aborto se dá:
- Gravidez em caso do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;
- Anencefalia comprovada ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em casos atestados em dois meses;
- Por vontade da gestante até a 12ª semana de gravidez, se o médico ou o psicólogo atestar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade.
Pergunta: como será classificada a criança que, prematuramente, ainda na gestação, se souber portadora da Síndrome De Down? Será expulsa, impedida de viver, quando sabemos que a síndrome não torna a criança criminosa, a faz apenas diferente, e com imensas capacidades de se relacionar e se tornar produtiva para a sociedade e para si mesma?
E este é apenas um dos aspectos que tornam inaceitável parte do projeto que se tenta impor ao país sem discuti-lo com a sociedade. Como ainda, em tudo o que se propõe, em momento algum se questiona a vontade do pai. Porque se a mãe não tiver condições “psicológicas” para a maternidade, o que impede o pai de cobrir esta falha, e criar e educar a criança saudável para uma vida plena? E o que não faltam são exemplos a comprovar a tese.
Filho jamais pode ser considerado como propriedade de mãe ou de pai. O que existe é uma responsabilidade compartilhada, tanto para concebê-lo quanto para criá-lo e educá-lo. A falta de um pode ser superada pela ação do outro, como ocorre quando um ou outro morrem. E até hoje, o que mais se vê é justamente o filho sendo tratado como um objeto qualquer, uma coisa que a mulher pode dispor a seu bel prazer. Planejamento familiar e paternidade responsável, assim como adequada educação sexual podem até parecerem programas de resultados de longo prazo, mas enquanto se mantiver esta preguiça do Estado em cumprir com sua obrigação, por entender que “dá muito trabalho” e ficar tentando encontrar atalhos para resolver de forma vigarista as consequências ruins provocadas por sua omissão, não estaremos construindo uma civilização justa e harmoniosa, e sim estaremos contribuindo apenas para a barbárie e a desagregação. E isto, senhores, não passa de retrocesso. A sociedade brasileira, em sua imensa maioria, já vem se pronunciando contra o aborto há muito tempo. De forma desonesta, os aborteiros e aborteiras tentam enfiar a ideia goela abaixo demonstrando seu total desprezo pela vida e pela vontade desta maioria, além de se utilizar de manipulações vergonhosas, subterfúgios vigaristas ou se valendo de todas as oportunidades que lhes possam garantir trair a opinião pública para imporem sua cultura da morte.
Em vários países já foram propostas políticas de "higiene ou profilaxia social", com o intuito de impedir a procriação de pessoas portadoras de doenças tidas como hereditárias e até mesmo de eliminar os portadores de problemas físicos ou mentais incapacitantes. O nazismo, com sua obsessão pela “pureza da raça ariana” é o exemplo acabado do mal que esta cultura provoca à humanidade. Que o Brasil não se deixe contaminar por esta monstruosidade que querem lhe impor.

