quarta-feira, abril 11, 2007

Apoio à pena de morte e não ao aborto

Da Folha de S.Paulo:

Pesquisa Datafolha mostra que voltou ao maior índice histórico o apoio da população à adoção da pena de morte no Brasil. Entre os entrevistados, 55% se disseram favoráveis à pena de morte, enquanto 40% são contra a prática.

O levantamento foi feito nos dias 19 e 20 de março. Na pesquisa anterior, feita em agosto do ano passado, 51% eram favoráveis à adoção da pena de morte, e 42%, contrários.

O índice de apoio à punição registrado agora iguala o de fevereiro de 1993 como maior desde que o Datafolha começou sua série de pesquisas sobre o tema, em 1991.

O Datafolha havia mostrado há duas semanas que a violência, com 31% das menções, superou o desemprego como maior problema do país na opinião dos entrevistados.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Não é de estranhar este resultado. A questão da segurança aflige atualmente 9 em cada 10 brasileiros. O grau de barbaridade de muitos crimes cometidos nos últimos meses, além da percepção que o povo tem da eterna impunidade com que os bandidos são abençoados seja pela legislação seja pelas decisões dos tribunais, acaba se formando no sentimento de cada um, uma enorme indignação que proporciona este tipo de desejo. A pena de morte, bem sabemos, não resolverá o problema da criminalidade. Bastasse apenas que se cumprisse a legislação na grande maioria dos casos, que os crimes hediondos recebesse o tratamento que se exige, e que a Segurança Pública recebesse o tratamento de choque que se exige e que o governo negligencia, provavelmente, o resultado da pesquisa seria bem diferente.

Fruto da mesma pesquisa, ainda lemos na Folha:

"Enquanto o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defende a realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto, a maioria dos brasileiros se diz contra a mudança da lei atual, que só permite a interrupção da gravidez em casos de estupro e de risco de morte para a mãe. É o que mostra a mais recente pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento realizado nos dias 19 e 20 de março, 65% dos entrevistados defendem que a legislação sobre aborto continue como está, sem ampliação. O índice é o maior já verificado desde quando a pesquisa começou a ser feita, em 1993. Desde então, o percentual dos favoráveis a deixar a lei como está tem crescido constantemente.

Há 14 anos, 23% dos brasileiros achavam que a interrupção da gravidez deveria ser permitida em mais situações além de estupro e risco de morte para a mãe. Hoje, 16% dizem isso."

Fica claro que a sociedade brasileira, em sua maioria, repudia o projeto do Temporão. E é justamente por isto que não se pode esperar um plebiscito sobre o assunto. No projeto do PT, eles tentarão impor esta excrecência à força, pense o que pensar a sociedade. Eles seguem, portanto, o figurino que já desenhamos aqui: eles governam o país movidos apenas pelos seus particulares interesses. Não importa, para eles, a opinião pública. Não há preocupação com o interesse do país, o que é bom ou mal. Interessa seguir sua cartilha imoral.

Interessante nesta pesquisa, é descobrirmos o quanto é conservadora a sociedade brasileira. Bem ao contrário do que imaginavam os esquerdopatas petralhas e petistas. Menos mal. Há luz no final deste túnel. É de esperar-se apenas que o petê e o governo Lula não apaguem o fio de esperança que ainda resta na sociedade como um todo. Sua política de imbecilização do povo brasileiro segue a todo vapor, mas terá que enfrentar as turbulências de uma sociedade que ainda conserva algum traço de decência. Ainda bem.

Um Presidente Leviano diante do caos

Nos últimos meses Lula insiste em dizer que, no caso do apagão aéreo, foi traído e que desconhecia as principais dificuldades vividas pelo setor. Pois bem: este é Lula que, confrontado com crises, prefere a mentira, do que a resolução do próprio problema. Talvez porque lhe falte capacidade, discernimento e competência para resolver questões digamos, mais técnicas. Que exigem um pensamento mais apurado e reflexões menos emocionais. Então: no caso do apagão aéreo, os fatos desmentem Lula categoricamente. Primeiro, que desde 2004, a Aeronáutica o vem advertindo que o contingenciamento redundaria em problemas graves no setor de controle do tráfego aéreo. E, pelo que já noticiamos, vem sempre um aviso prévio para Lula antes de se detonar novo apagão. Porém, o matuto insiste em ignorar os avisos.

Exemplo disso: no dia 9 de novembro do ano passado a Federação Internacional das Associações dos Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca), enviou um relatório ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, explicando a grave situação do setor, destacando que o controle de tráfego aéreo do país é falho e inseguro, que os profissionais do setor não têm preparo e que os equipamentos são ultrapassados e sem suporte adequado.
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Esse relatório foi feito em decorrência do acidente envolvendo o Boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro.
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O que fez o governo? Simples e levianamente o ignorou. O resultado é isso que aí.

Pergunta-se: quem traiu quem nesta história, senhor Lula? Ou quem está mentindo para o povo brasileiro, o senhor que insistiu em ignorar os avisos prévios de uma crise que se anunciava como inevitável, ou toda esta gente que insiste em informar haver enviado ao conhecimento presidencial, através de extensos relatórios, as dificuldades existentes ?

A seguir, leiam o que publicou a Folha de São Paulo a respeito do relatório.

"O sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro é falho e tem um nível baixo de segurança. Os controladores não têm preparo, os equipamentos são velhos, não há suporte técnico, a cobertura de rádio é ruim e os sistemas operacionais são inadequados. E, apesar disso, a Aeronáutica afirma ter um dos melhores e mais modernos sistemas do mundo.

Esse é o resumo do relatório preparado pela Ifatca (Federação Internacional das Associações dos Controladores de Tráfego Aéreo) após uma vistoria geral do Cindacta-1 (Brasília) em outubro do ano passado, em decorrência do choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy que deixou 154 mortos em 29 de setembro.

Os resultados foram enviados, em caráter confidencial, para a OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) e para a Ifalpa (Federação Internacional das Associações de Pilotos de Linhas Aéreas).

E uma carta foi enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 de novembro de 2006 para oferecer assessoria e consultoria para auxiliar o governo na construção de um marco institucional novo, mais transparente e seguro.

"Esperamos que as autoridades brasileiras adotarão uma fórmula sistêmica para melhorar a segurança dentro do sistema de aviação civil brasileira, com base na premissa de que operadores, individualmente ou em grupo, são exclusivamente responsáveis por acidentes ou incidentes", diz o texto. Não houve resposta
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Nova Lei de Crime Hediondo gera discussão

Veja online

A nova Lei de Crimes Hediondos, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 28, restituiu ao réu o direito de aguardar o julgamento em liberdade e endureceu os critérios para a progressão de pena nos crimes hediondos. A mudança na lei ocorreu sem debate público e às pressas para dar um resposta à opinião pública cansada de episódios de violência extrema como o assassinato do menino João Hélio Vieites, que ficou preso ao cinto de segurança do carro, no Rio de Janeiro.

Pela nova lei, o regime pode ser abrandado se o preso cumprir pelo menos 2/3 da pena, se for primário, e 3/5 se for reincidente. Antes, a lei vetava progressão, mas o benefício acabava sendo concedido após o cumprimento de 1/6 da pena. A retirada da proibição da liberdade provisória, presente na proposta original do governo, não foi discutida. Em 14 de fevereiro, uma semana após a morte de João Hélio, a Câmara aprovou a lei em meio a aplausos e discursos entusiasmados. A votação foi simbólica e sem votos contrários.

Setores que defendiam o endurecimento começam a reagir contra a medida que, para eles, traiu o espírito da alteração da lei. "Os crimes hediondos são aqueles que chocam a sociedade. E, para eles, tem de se dar de pronto uma resposta à sociedade", afirmou ao jornal Folha de S.Paulo, o desembargador Sebastião Luiz Amorim, presidente da Apamagis (Associação Paulista de Magistrados).

Os mais progressistas afirmam que a mudança na Lei de Crimes Hediondos foi um avanço. Segundo eles, não houve um "afrouxamento" na legislação, apenas um aumento da autonomia dos juízes. "É muito fácil acusar. Muitas vezes, há uma opinião antecipada sem nenhuma prova que justifique a prisão do acusado", diz Gustavo Octaviano Diniz Junqueira, defensor público em São Paulo.

COMENTANDO A NOTICIA: Gustavo Junqueira apelou para “maior autonomia do juiz” para justificar uma aberração cometida na nova lei sobre crimes hediondos. E qual seria a aberração ? A tal da “liberdade provisória” ? Mas que diabos é isto afinal ? Ocorre que a proposta original, proibia a concessão de liberdade provisória no caso de crimes hediondos. Além do endurecimento quanto ao sistema de progressão de penas. Ora, primeiro que “progressão de penas” em casos de crimes hediondos já é uma cretinice. Principalmente em casos de reincidência. A pena deveria ser cumprida de forma integral, sem concessão de espécie alguma e sem privilégios. Segundo, que aguardar julgamento em liberdade, para quem comete um crime bárbaro, é um convite para o criminoso evadir-se de vez. Observem que grande percentual de prisioneiros que recebem um indulto para passar alguns dias fora da prisão, ao saírem, sequer mandam notícias, quanto mais retornam à prisão. E soltos, se põem a cometer novos crimes. Com legislação tão “severa” assim, talvez nem os criminosos contassem receber.

É impressionante como neste país se adora ir na contramão das evidências do que se passa no dia a dia. Qual deveria ser o comportamento dos nossos “sábios” legisladores, após tanto crime bárbaro e em seqüência, seria de se esperar que pelo menos para aqueles julgados e condenados, a legislação reservasse penas mais duras, sem concessões, e sem bondades. E o que se tem? Uma legislação que no fundo mantém tudo como estava antes, apenas que obrigará os criminosos a ficarem um tempinho um pouquinho maior na cadeia. E só. Portanto, crimes como os do garoto João Hélio, um dentre tantos outros que se repetem diariamente nas grandes cidades brasileiras, não mereceram mais do que um bocadinho mais de cadeia para os imbecis assassinos. E assim, as aberrações continuarão a se repetir até que a sociedade, farta de tanta “genialidade” de parte de nossos condescendentes legisladores, passem para a animalidade, e comecem a tomar a justiça nas próprias mãos ! E não se está muito longe disso um dia começar a acontecer. E acreditem: a sociedade brasileira está ficando farta da falta de ação governamental no campo da segurança. Lamentavelmente, o quadro que se percebe é o de que estamos sendo governados por um governo devotado a proteger e dar guarida ao crime organizado. E sempre que tem isto a associação torna-se inevitável: aquele que passa a proteger criminosos, criminosos acaba também se tornando.

A provisória permanente

De O Globo:

"Com a aprovação de apenas três das nove medidas provisórias (MPs) que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e enfrentando um clima de guerra com a oposição devido à CPI do Apagão Aéreo, o governo decidiu antecipar na base aliada a discussão das propostas de prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras) e da DRU (Desvinculação das Receitas da União), cuja validade expira no final do ano. O Conselho Político do governo Lula se reunirá hoje à noite com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o secretário-executivo, Bernard Appy, para discutir os dois temas.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já disse que a posição da Fazenda é manter em vigor a alíquota máxima (0,38%). A equipe econômica defende que continue valendo por dez anos. O governo, contudo, terá que negociar e, talvez, reduzir esse prazo. Prorrogar a CPMF significa manter a elevada carga tributária sobre pessoas físicas e investimentos."


O truque sujo da CPMF
Reinaldo Azevedo

O governo Lula pretende dar um truque e tanto para prorrogar a CPMF. A idéia compreende manter a alíquota de 0,38% e ainda posar de amigo do mercado. O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o governo vai isentar da contribuição os empréstimos do sistema financeiro tanto a pessoas físicas como a pessoas jurídicas. Ele só não sabe se tudo será feito de uma vez ou se a desoneração será parcelada. Mantega espera, assim, obter o apoio até da oposição para prorrogar a CPMF até 2011, quando, então, seria extinta. Segundo o ministro, com a medida, o governo deixaria de arrecadar R$ 4 bilhões por ano, de um total de R$ 32,5 bilhões. A proposta não estaria inserida da PEC que vai ser enviada nesta quinta e seria efetivada por meio de uma resolução do Ministério da Fazenda.
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Vejam só. Em fevereiro, o juro médio dos empréstimos bancários chegou a 39,7% ao ano, com um spread de 27,6% ao ano. O juro do cheque especial chegou a 141,2%. Mas o sistema financeiro atribui à CPMF parte desse preço. Com a isenção, o governo espera que o spread caia para quanto? Mantega não disse. E se saiu com uma afirmação genérica: “Com isso (redução da CPMF para o crédito), você está reduzindo o custo dos empréstimos e beneficiando toda a sociedade, porque todo mundo pega empréstimo".
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Lula tem maioria para fazer o que quiser, como sabemos. A forma como o governo conduz o debate da CPMF não passa de um truque sujo. E cabe à oposição denunciá-lo. A única coisa decente a fazer é extinguir a contribuição — ou, na pior das hipóteses, propor uma redução gradual. Mas Lula não quer assim. Pretende contar com, vá lá, R$ 28,5 bilhões (em valores de hoje, já considerada a desoneração) até o último ano do seu governo e, depois, olhar para seu eventual sucessor e dizer: “Acabou”. Ou melhor: “Acabei com a CPMF”.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Já comentamos aqui a sacada do Lula em relação à CPMF. Ele acaba a CPMF para os outros, e enquanto governar, vai usar os 30 bilhões de reais anuais lindamente. É claro que seu “projeto” em relação CPMF é cretino. Mas quem foi que disse que este governo, como as demais administrações petistas, foi feito para não ser cretino? É a sua marca característica. Quem vier depois que se dane ! Nunca que eles vão governar para o país, ou para estados e municípios. Sempre suas administrações são voltadas e devotadas unicamente à satisfação de si mesmos, e à garantia de seu vitalício sustento à custa, é lógico, do dinheiro e trabalho alheios.

Relato de um controlador de vôo

Do Correio Braziliense:

"O relato foi colhido pelo procurador Fábio Fernandes, do Ministério Público do Trabalho em São Paulo. Algo pior ainda que o acidente da Gol pode acontecer. Venho atuando junto aos controladores e conheço suas condições de trabalho, afirma Fernandes. A iminência de uma catástrofe, segundo o sargento da reserva, que prefere não ter a identidade revelada, já atormentava sua cabeça naquela noite de 26 de maio. As freqüências de rádio apresentavam interferências das mais diversas. Os alvos duplicados, triplicados e multiplicados dos aviões na tela do X-4000 aumentavam a sensação de que não iríamos dar conta do recado. Na cabeça, um só pensamento: ‘será que vai ser comigo?’

O controlador, então, pediu à torre de Congonhas para usar as duas pistas e reduziu de cinco para três milhas náuticas a separação entre aviões. Solicitou aos centros de Brasília e de Curitiba que realizassem um controle de fluxo, mas sabia que isso era quase impossível. Gerava um efeito negativo na produtividade, explica. Às 20h, a tensão quase que rotineira se transformou em terror. Um silêncio tétrico repentinamente tomou conta da sala. Olhares incrédulos se cruzaram das oito posições operacionais ativadas e um gemido uníssono ecoou na sala: ‘Caiu a freqüência!’ Mas meu Deus, caíram todas? De uma vez?, lembra.

Supervisores tentavam ligar para os demais órgãos para que assumissem o tráfego, mas os telefones estavam mudos. Ficamos vinte e dois minutos com os olhos estatelados nas telas do radar, incrédulos e impotentes diante de um filme de terror. Quase bateram quatro aviões, dois sobre Santana do Parnaíba e dois sobre Bonsucesso, em Guarulhos, diz o relato. Às 23h, após anotar as alterações no

Livro de Registro de Ocorrências, desci as escadas, entrei no carro, fechei a porta e chorei como uma criança, lembra. Decidi que enquanto participasse daquele circo, haveria sempre de registrar e relatar tudo, buscando soluções, se necessário, nos altos escalões da Força Aérea. E assim o fiz."

COMENTANDO A NOTICIA: O relato reproduzido pelo Correio Braziliense não a crise em si, mas uma face dela. Uma face perversa por sinal. Não se pode apenas imputar aos controladores toda a responsabilidade pela crise como o presidente tem feito rotineiramente, que já perdura seis meses, sem que este mesmo presidente tenha tomado uma medida saneadora que fosse para evitar tudo isto que temos visto. Só o que fez foi discurso imbecil, transferência leviana de responsabilidades, intrometer-se onde não devia, atrapalhando o tráfego e andando na contramão, além da omissão irresponsável na leitura dos inúmeros relatórios de advertência que recebeu. Enquanto o governo tratar a questão nos níveis políticos, acreditem, esta crise tende a se manter no ar por muito tempo. Aqui, a decisão deve e precisa ser técnica. Não pode mais o governo continuar brincando de faz de conta com algo que, conduzido de forma negligente, redunda em mortes, como o foram as 154 vítimas do acidente com o Boeing da Gol. Aliás, aqui fica a pergunta: por que este governo, tendo o acidente ocorrido em setembro de 2006, até hoje não conseguiu produzir um diagnóstico decente das causas que o provocaram? Houvesse de parte de Lula real interesse em debelar a crise toda, teria começado por aí.

TOQUEDEPRIMA...

A duração da festa
José Paulo Kupfer, NoMínimo

Depois da Páscoa, vem a euforia. Pelo menos no mercado financeiro nacional. O dólar está no ponto mais baixo em seis anos e logo promete furar para baixo a barreira dos R$ 2. O risco-Brasil está no menor nível de sua história, tendo recuado, na segunda-feira, a 155 pontos. As cotações, na Bolsa de São Paulo, batem recordes sobre recordes de valorização e o Ibovespa caminha para inéditos 50 mil pontos.

Você acha que esses indicadores espelham bem o que se passa na economia brasileira? Qual a sua aposta sobre a duração da festa?

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Os “patriotas” voltam a assaltar o contribuinte

Deputados queriam aumento de R$ 11.653; agora, eles se contentam com...R$ 17.973. Patriotas!!!
Reinaldo Azevedo

A avaliação de Lula será sempre tanto melhor quanto mais o Congresso enfiar o pé na jaca. E o nosso adora andar com a sola lambuzada, não é mesmo? Ou então vejamos:
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- Ontem, os patriotas decidiram que não se vota mais nada às segundas-feiras. A medida fazia parte de um esforço moralizante de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Moral no PT é como vôo de galinha: curto, grosso e desajeitado;
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- Esses brasileiros exemplares também decidiram elevar os próprios salários de R$ 12.847 para R$ 16.520 — reposição da inflação — tão logo se votem as MPs do PAC;
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- A Mesa da Câmara se reúne hoje para discutir a elevação da verba para a contratação de assessores: de R$ 50,8 mil para R$ 65,1 mil por mês. Não sei se entendem: os deputados tinham decidido elevar seus salários para R$ 24,5 mil, lembram-se?. A sociedade reagiu. Sensíveis, eles recuaram. Reparem: naquele caso, o aumento seria de R$ 11.653. Agora, eles pleiteiam uma elevação salarial de modestos R$ 3.673 e uma ampliação da verba de R$ 14,3 mil. Ou seja: assustados porque a sociedade protestou contra a mordida de R$ 11.653, eles, então, resolveram deixar por R$ 17.973. E trabalhando menos. Entendeu, leitor?
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Ah, mas isso é para contratação de assessores! Sei. Entendi. É para o nosso bem. Por falar nisso, Luiz Sérgio (RJ), líder do PT na Câmara, justificou a suspensão das votações às segundas dizendo que os parlamentares precisam ouvir suas bases; que seria até mais cômodo ficar em Brasília. Ou seja: também é em nosso benefício. Vamos implorar aos deputados que parem de cuidar de nós.

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Procuram a imprensa só quando estão por baixo...

Quando ainda estava em campanha para presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia desfilava lindamente na frente dos jornalistas, a toda hora. Procurava a imprensa sempre para “plantar” as notícias. Eleito, ele acha que não precisa mais “usar” a imprensa, além do fato, canalha, de achar que não precisa prestar contas de seus atos. Cretino antes, cretino depois. A seguir as informações do comportamento “democrático” deste defensor das instituições.

Longe da imprensa
É para valer a idéia do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, de mudar a localização do seu gabinete para fugir da imprensa. Chinaglia quer instalar o gabinete da presidência da Câmara ao lado do plenário, onde hoje fica o comitê de imprensa. Assim, Chinaglia poderá entrar e sair da Casa sem passar por jornalistas que nem sempre fazem perguntas que o presidente gosta de ouvir.

Idéia antiga
Hoje, quando chega ou sai do Congresso e quando se desloca para o plenário, o presidente da Câmara é obrigado a enfrentar um batalhão de jornalistas que ficam no salão verde. Embora empolgado com a idéia, Chinaglia não é o pai da proposta. O autor é outro petista, o deputado João Paulo Cunha, que também presidiu a Câmara.

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A caixa preta da Comissão de Orçamento

Cenário recente de graves estripulias de alguns anões da política brasileira, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) está mudando para melhor. Uma resolução de dezembro passado deixou a CMO mais transparente, mais enxuta, mais racional, mais democrática e, esperamos todos, imune a travessuras com o dinheiro público.

Lipoaspirada, emagreceu de 84 para 40 titulares. Renovada, muda sua composição agora anualmente, revogando as sinecuras eternas do regime anterior. Austera, e atendendo sugestão da CPI das Sanguessugas, passou a exigir nome e endereço de cada entidade beneficiada por emendas individuais, luxo que o sistema anterior dispensava para alegria de quem se refestelava com o anonimato. Rigorosa, baniu a “rachadinha”, apelido das emendas genéricas de bancada que consagravam os acertos pouco claros.

Atenta, criou a relatoria da receita, aquela que vai descobrir previamente a fonte dos recursos para atender tanta despesa. Exigente, vai cobrar cronograma e verbas para acabar com a indústria das “obras inacabadas”. E, descobrindo a pólvora, garantiu a aprovação do Orçamento no ano anterior de sua aplicação – acabando com a zorra que fazia o Brasil viver um Orçamento fictício.

- O Orçamento, que era um problema, agora será uma solução para o país – garante o presidente da CMO, senador José Maranhão (PMDB-PB). Ele acena com novos tempos:

- Vamos quebrar a caixa-preta do Orçamento. A ordem é transparência total, com portas abertas a todos. Não haverá mais reunião a portas fechadas. A Comissão Mista de Orçamento deixa de ser o feudo dos interesses particulares de uns poucos para se transformar na expressão da vontade da Nação. Quero ser cobrado por isso!

Será cobrado, senador - ora se será...

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A Capacidade de Piorar o Ruim. Vila Lula!
Giulio Sanmartini, Prosa & Política

Passado o tempo do regime militar, ao que tudo indica, os governantes que vieram especializaram-se em desaparelhar as Forças Armadas, como se a função dessas fosse tão somente fazer a guerra, derrubar presidentes e “De morrer pela pátria e viver sem razão (da música ‘Caminhando’ – Geraldo Vandré)”.
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Não tenho a mínima dúvida que qualquer tipo de governo que cerceie a liberdade não serve absolutamente para nada, seja este de direita ou de esquerda. Todavia, as Forças Armadas, num país como o Brasil, deficiente de meios de transportes e comunicações, especialmente na continental Amazônia, o apoio do Exército, Marinha e Aeronáutica às populações civis perdidas nas “lonjuras desse sem fim”, são simplesmente indispensáveis, especialmente na assistência médica que levam. Para desenvolver esse trabalho de integração nacional, tem que estar devidamente aparelhadas e treinadas.
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Atualmente nos quartéis falta até rancho para os soldados do serviço militar obrigatório, imaginem o que deve estar faltando de atualização e tecnologia?Carlos Chagas em sua coluna cita o argumento do presidente da República para explicar sua posição contra a Comissão Parlamentar de Inquérito (Cpi) do “Apagão”: “o presidente Lula justificou sua luta contra a CPI do Apagão Aéreo por estar preocupado com a imagem da Aeronáutica. Declarou que a força ficaria desgastada com as investigações, pois revelarão a falta de material, a escassez de pessoal especializado para a manutenção do equipamento e a ausência de recursos necessários ao seu funcionamento.”
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Isso que foi dito é muito preocupante, pois demonstra que o presidente ou (com perdão da palavra) despirocou de vez, ou acha que está lidando com um bando de idiotas onde só ele é o esperto.
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Qualquer que seja a causa, a situação é muito grave para um Brasil governado por esse tipo de pessoa. (G.S.)

A queda do secretário, o dólar e as evidências

Reinaldo Azevedo

No Estadão On Line. Volto depois:

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda deixará o governo, anunciou o ministro Guido Mantega, após a publicação, nesta quarta-feira, de uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo na qual Júlio Gomes de Almeida criticou a política de juros do Banco Central e seu efeito sobre o câmbio."Eu acredito que o Banco Central está praticando uma política monetária adequada, correta para o país", afirmou Mantega em entrevista, após anunciar que Gomes de Almeida havia pedido demissão na segunda-feira, dia 2 de abril, "por motivos pessoais".
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A vaga de Gomes de Almeida será assumida por Bernard Appy, atual secretário-executivo do ministério. Para o lugar de Appy, irá o ex-ministro da Previdência Social Nelson Machado. Mantega negou que esteja cogitando outras mudanças em sua equipe, mas anunciou que Tarcísio Godoy continuará como secretário interino do Tesouro Nacional.
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Ele disse ainda que não cogita trazer para o ministério o atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, que foi de sua equipe quando esteve à frente do Ministério do Planejamento.
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Na entrevista, Gomes de Almeida afirmou que a valorização cambial é prejudicial ao país e é resultado da política de juros altos. Para Mantega, ao conceder a entrevista, Gomes de Almeida já falou, na prática, como alguém fora do governo, uma vez que já apresentara seu pedido de demissão.Mantega afirmou que o câmbio não passa por uma "sobrevalorização desenfreada" e disse que o país vive "o melhor dos mundos", com inflação baixa, juro em queda e crescimento econômico. "Então eu não posso condenar o Banco Central, que é um dos responsáveis por essa política", disse o ministro.
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Voltei
Vamos ver. Júlio Gomes de Almeida, com efeito, não pode ambicionar ficar no governo depois de criticar a política econômica. Isso não seria divergência de opinião, mas bagunça. Também não faz sentido a versão de que já tinha deixado o posto quando concedeu a entrevista. Mantega fez o que tinha de fazer.Mas agora há o mérito do que ele disse. Acabo de ver uma reportagem no Jornal Nacional sobre a queda do dólar, que está a um passo, passinho mesmo, dos R$ 2. Fechou hoje a R$ 2,0340, menor cotação desde 6 de março de 2001. Chegou a ser negociado a R$ 2,0280. A repórter fez uma síntese rápida da lei da oferta e da procura. Segurando um dólar na mão, ela dizia: “Se sobra dólar, cai o preço; se falta, ele sobre”. Faltou ficar um pouco mais claro por que a oferta da moeda é tão grande.
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Até outro dia, estavam todos mais ou menos conformados: é a balança comercial. Mas essa posição, agora, começa a fica insustentável. Sobram dólares no Brasil porque os investidores vêm atrás dos juros reais elevadíssimos. E, se o BC não tivesse entrado no mercado para valer, a moeda já teria caído abaixo dos R$ 2. O Brasil aproveita o momento para aumentar as reservas. Sim. Mas, como sabemos, isso também tem um custo interno elevado.Esse problema é melhor do que o da falta de dólares? Sem dúvida. Mas seria o caso de reconhecer, como queria Padre Vieira, que não era economista, que também é preciso remediar os remédios. Ou eles viram veneno. A dose de juros, parece, está errada. Isso não joga no lixo a política do Banco Central. Apenas evidencia que o Copom não é feito de deuses olímpicos, o que é uma boa notícia.
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Quanto ao secretário, reitero: é óbvio que teria de sair. Equipe econômica não é centro acadêmico.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Durante muito tempo (até hoje, se bem que com menor eloqüência), os juros foram a danação criticada de norte a sul como o maior mal brasileiro, e que por força deles, os juros, o país não crescia. Até que os juros começaram a cair, a cair, e hoje pouco o criticam. Ainda é alto ? Claro que é, considerando-se os juros reais praticados no restante do mundo, e que a inflação nacional encontra-se contida.

Como o bom (para os quadrúpedes) é sempre achar uma desculpa fajuta para o não crescimento, um dia alguém descobriu o câmbio como problema. Logo, apareceram as justificativas: o volume de dólares que entram pela exportação, faziam o real despencar.

Durante muito tempo, criticamos esta postura. Defendíamos que a questão cambial estava atrelada ao níveis de juros. Juros altos atraíam capital especulativo. O volume alto de ingresso destes dólares chamados de “capital motel”, adicionados ao volume de dólares das exportações, além daqueles ingressados através de remessas de brasileiros residentes no exterior, na conjunção destes fatores, o real realmente acabava se valorizando em relação à moeda americana.

Poucos falaram desta conjunção. A cantilena ia e vinha pelo canal das exportações, o que agora pouco a pouco vai se demonstrando que as exportações por si só não teriam a força de fazerem o real valorizar-se tanto. Claro que o governo vai demorar para “aceitar” a realidade. Tem sido assim o tempo todo desde que Lula chegou ao poder. Primeiro nega-se o fato. /Depois, quando este já é comum ao conhecimento geral que geral seria burrice, então se inventa uma desculpa por mais maluca que possa parecer, para justificar a bandalheira.

Devemos, assim, buscar formas de contrabalancear o peso excessivo do real perante o dólar, se o que o país deseja é realmente acelerar seu crescimento. Estamos exportando capital (investimentos produtivos) e mão de obra, além de gerar empregos lá fora. Em conseqüência, a produção nacional pouco a pouco está sendo substituída por importações. Em resumo: o pais vive o chamado processo de desindustrialização. Além disto, o nível de crescimento das importações tem se dado em percentuais bem acima do das exportações.

Ou o governo trata de reverter este quadro, e rapidamente, ou dentro em pouco estaremos queimando as gorduras acumuladas de nossas reservas. Além de se agravarem os problemas de desemprego, quebradeira de fábricas, perda de renda, redução da capacidade investimentos em novas plantas, etc. E com um agravante adicional: o mundo ensaia uma redução no seu ritmo de crescimento. Isto significa dizer o seguinte: jogamos fora uma excepcional oportunidade de vivermos um gigantesco salto econômico nestes últimos anos. E a tal ponto isto é verdadeiro, que a nossa taxa de desemprego vem se mantendo constante em torno dos 10% já há muitos anos. A falta de investimentos, a perda de renda conjugada com desemprego alto, tem levado os brasileiros a um grau de endividamento que pode fugir do controle rapidamente e aí, sim, poderemos por a perder todo o esforço feito nos últimos anos para atingirmos estabilidade econômica. Resta dizer que nosso crescimento médio nos últimos 20 anos tem sido absolutamente ridículo se comparado com as demais nações ricas e emergentes. Há pelos cinco anos estamos vivendo uma estagnação econômica que só faz aumentar a perda de renda média.
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O artificialismo de se conceder aumentos reais ao salário mínimo acabam comprometendo a economia como um todo, e isto se reflete na pouca capacidade do Estado em investir em educação, saneamento básico e infra-estrutura o que acaba comprometendo ainda mais nossa capacidade de crescer acima do crescimento demográfico. Conseqüência: estamos gerando miséria e pobreza de um lado, com a perda do controle sobre o endividamento interno por absoluta inoperância do governo sobre seus gastos correntes. Uma verdadeira bomba-relógio armada para explodir a qualquer momento.

Governo retoma discussão sobre Convenção 151

Assinada em 1978 por dezenas de países, inclusive o Brasil, a Convenção 151 da OIT define normas gerais para "a negociação coletiva dentro do serviço público". No entanto, como não ainda foi regulamentada por um projeto de lei específico, como exige a Constituição brasileira, tornou-se uma espécie de "letra morta" nas relações sindicais dos servidores públicos com os governos do País.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva negociou com as centrais sindicais uma proposta para encaminhar ao Congresso, durante os dois primeiros anos de seu primeiro mandato, mas até hoje o texto não saiu da gaveta.

A negociação se deu no âmbito do Fórum Nacional do Trabalho, encerrado em 2004, e previa garantia de liberdade e autonomia para as organizações sindicais, tempo e facilidades para que os diretores dos sindicatos possam exercer a atividade dentro e fora das horas de trabalho e garantias aos direitos civis e políticos dos sindicalistas.

Com a greve dos controladores de vôo, que paralisou os aeroportos brasileiros no último dia 30 de março, ganhou força a intenção do governo Lula de definir limites para a realização de greves no serviço público.

Para tornar a proposta mais palatável aos sindicalistas, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, resgatou o antigo compromisso e quer enviar, junto com a regulamentação do direito de greve, um projeto de lei que ratifica no Brasil a Convenção 151.

A existência de bases claras para negociação entre governos e servidores públicos poderia já ter evitado longos impasses que só levaram prejuízo à população. No caso da Previdência Social, por exemplo, durante o primeiro mandato de Lula, ocorreram pelo menos três greves de servidores e médicos-peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que duraram mais de 30 dias.

Nesses períodos, os grevistas não garantiram um percentual mínimo de servidores no atendimento aos segurados e, apesar das ameaças de corte de salário dos dias parados, o governo acabou cedendo e não puniu ninguém, como parte do acordo para pôr fim aos movimentos.

No triângulo da insegurança

Na lentidão da tragédia da aviação civil, em vez de 6 meses, teremos que esperar 6 anos
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

Nessa tumultuadíssima crise da aviação civil, para começo de conversa, é preciso identificar o que é governo. Infraero é governo? Anac é governo? A FAB é governo? E se coloquei bem visível aviação civil, é porque na aviação militar não existe o menor solavanco, mesmo que o céu não esteja de brigadeiro.

Outra pergunta que é feita há 6 meses e ninguém responde: a tragédia do avião da Gol, com 154 mortos, foi conseqüência do descontrole dos controladores? Ou foi o sinal visível e colocado diante do cidadão-contribuinte-eleitor de que as coisas estavam trágicas e se transformando em calamidade, sem que ninguém percebesse?

De qualquer maneira, ninguém responde coisa alguma, civis e militares se desentendem publicamente, diante da presença desatenta e até imprudente do governo. E como no presidencialismo (bi ou pluri) o presidente é o governo ou o governo é única e exclusivamente o presidente, nada se resolve por causa da arrogância implícita e explícita do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, presidente pelo segundo mandato.

O presidente Lula conseguiu fechar o triângulo da insegurança. Antes do dramático desastre da Gol, insegurança só no chão, principalmente no Rio e em São Paulo. As mortes passaram a ser contadas por horas ou por dias, quando antigamente só eram somadas por semanas ou meses.

Quando ninguém esperava, a aviação brasileira, o caminho mais fácil e mais seguro para viajar por este vasto País, que cuidou do transporte aéreo bem antes do ferroviário, rodoviário ou hidroviário, os ares deixaram de ser seguros. Ninguém explica nada, mas viajar hoje é um clamor público. Por essa insegurança e pelo receio de não partir e conseqüentemente não chegar.

Complicando e tumultuando o problema. Chegou a terceira insegurança. Essa, pessoal, do próprio Lula, que tem horror à decisão e paixão pela omissão. Deixou que tudo se resolvesse sozinho, enquanto ele viajava por ares tranqüilíssimos, indo até mesmo a Camp David, a bela mansão oficial dos presidentes americanos. E foi de lá que Lula resolveu agir, e desastradamente.

Apesar da comunicação ter progredido assombrosamente, o presidente deveria ter esperado para voltar ao Brasil (pouco mais de 24 horas) para tomar a decisão polêmica que tomou. E que desagradou aos dois lados, conseguiu jogar militares contra civis e civis contra militares, vá lá, um estado de espírito que existe desde 15 de novembro de 1889.

Esse choque entre controladores civis subordinados a militares. E autoridades militares com formação muito mais espartana do que ateniense, comandando civis, precisava de muita coisa. Começando com bom senso e se estendendo por uma dose racional e razoável de autoridade presidencial.

Nos EUA, quando soube que os civis fizeram greve (chamada de motim) e foram punidos e presos pelos militares, imprudentemente Lula veio com a ordem que não tinha nenhuma convicção ou força para consolidá-la: "Soltem todos". Lula voltou, foi "emparedado", era tamanho o absurdo que o próprio Lula tomou conhecimento da bobagem que havia feito. E voltou atrás, coisa que um presidente tem que evitar de todas as maneiras.

PS - A manifestação ao brigadeiro Saito não foi precisamente um triunfo dele e sim a consagração da derrota para o próprio Lula. Agora, está nos jornalões: "Lula deu carta branca à Aeronáutica". E os controladores?

PS 2 - Lula começou a naufragar (como se a crise fosse na Marinha e não na Aeronáutica) quando designou o ministro Paulo Bernardo para coordenar. Este é incapaz de saber a diferença entre um submarino, um avião supersônico ou um tanque das "panzer divisiones" do general Guderian.

Efeitos do câmbio: conter a inflação

Produtos beneficiados pelo dólar baixo sobem a metade da inflação
Marcelo Rehder , Estadão

Maior fonte de alívio inflacionário nos últimos anos, a valorização do real ante o dólar tem gerado desaceleração e até queda nos preços dos produtos comercializáveis, ou seja, aqueles que podem ser importados ou exportados pelo País.
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Do início de 2004 até fevereiro deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de referência para a meta de inflação, subiu 18,4%. Nesse período, os produtos comercializáveis encareceram 10,9%, enquanto os não-comercializáveis ficaram 20,2% mais caros e os preços administrados tiveram alta de 25,7%.
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Os números são de um levantamento do economista Raphael de Castro, da LCA Consultores, que analisou o comportamento dos preços de acordo com a classificação adotada pelo Banco Central (BC).
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Alguns produtos, especialmente os eletroeletrônicos, chegam a ser vendidos hoje a preços até 45% menores do que as lojas ofereciam em janeiro de 2004 , como é o caso dos aparelhos de DVD. Um televisor sai hoje 27,32% mais barato, em média, do que em 2004. O preço médio do microcomputador caiu 24,23% e o de um aparelho de som diminuiu 3,05%, nessa mesma comparação.Para se ter uma idéia do efeito da queda dos preços, tome-se o exemplo hipotético de um trabalhador que ganhasse R$ 1.000,00 em 2004 e cujo salário tivesse sido reajustado pela inflação do período, para R$ 1.184,00 hoje. Para comprar um aparelho de DVD que custasse R$ 500,00 à vista naquele ano, seria preciso comprometer 50% da sua renda mensal.
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Hoje, ele compraria o mesmo aparelho por R$ 275,00, comprometendo só 32,2% da renda. A diferença, de R$ 409,00, poderia ser destinada à compra de outros bens e serviços ou à poupança. Além disso, o consumidor conta agora com o benefício da maior oferta de crédito.
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O vendedor Carlos Bertolli Júnior, de 56 anos, se valeu disso quando foi às compras na última quinta-feira, depois de receber seu salário. Ele levou para casa uma TV de 14 polegadas e um rádio com CD player por R$ 518,00 numa loja do Carrefour, em São Paulo. O pagamento foi parcelado em dez prestações, sem juros, de R$ 51,80, no cartão de crédito da loja. “O preço é razoável: cabe no salário”, disse Bertolli, que trabalha numa concessionária de veículos e recebe R$ 3. 500 por mês.
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O recuo dos preços no período analisado pela LCA não se restringiu apenas a bens de consumo duráveis . Diversos produtos que fazem parte da cesta básica também apresentaram deflação. Entre eles, estão alimentos, como o arroz (-28,35%) e o óleo de soja (-13,95%); artigos de higiene pessoal, como o sabonete (-7,83%), e produtos de limpeza doméstica, como o sabão em pó (-2,96%).“O câmbio é o principal mecanismo de transmissão da atual política monetária”, observa o economista da LCA .“Entre ter uma atividade econômica mais robusta, com uma inflação maior, e uma atividade menos robusta, com uma inflação menor, o governo optou por esta segunda alternativa.” Castro refere-se aos efeitos do real valorizado e do juro elevado.
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A política do governo tem recebido pesadas críticas do empresariado, sob o argumento de que leva à desnacionalização da produção industrial. Fábricas de calçados e de têxteis e vestuário, que perderam competitividade tanto no mercado interno quanto no de exportação, por exemplo, já demitiram milhares de trabalhadores. Algumas delas recorreram à concordata ou fecharam as portas. “A questão é quem vai conseguir sobreviver até que a ortodoxia do Banco Central resolva reverter as atuais condições do mercado”, diz Carlos Cavalcanti, diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Além do impacto direto do aumento da concorrência dos produtos estrangeiros, a valorização do real beneficia indiretamente o consumidor.
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Segundo o economista da LCA, alguns setores da indústria conseguem manter e até cortar preços, por meio da redução de custos de produção proporcionada pelo barateamento de bens intermediários importados, que entram na composição dos produtos manufaturados. A mesma situação se verifica no caso dos bens de capital, cuja importação favorece a modernização das fábricas.As tarifas públicas também passaram a pesar menos no bolso do brasileiro, por causa do câmbio. Os preços da maioria dos serviços públicos são reajustados anualmente com base na variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que reflete em boa parte o comportamento da taxa de câmbio. No ano passado, a variação dos preços administrados, medidos pelo IPCA, ficou em 4,3%, ante 9% em 2005.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Há uma desinformação neste estudo: os eletro-eletrônicos ficam mais baratos não em conseqüência do dólar barato, mas sim pela tecnologia que diariamente os torna mais baratos em razão do próprio avanço da tecnologia (o lançamento de hoje fica defasado em pouco tempo), e em razão da concorrência interna entre fabricantes. Além disto, claro que o dólar mais barato ajuda na contenção de preços, porém ao preço de uma desindustrialização interna, de graves conseqüências para os brasileiros, e empresários de pequeno e médio porte, impedidos de concorrer com os estrangeiros livres dos impostos que atormentam a nossa vida. Este é um processo que ajuda apenas o governo, por ser predador do mercado interno.

Claro que a concorrência com os importados são importantes para forçarem nossas indústrias na busca de se melhorarem. Porém, da forma como está ocorrendo esta “competição”, quem perde acaba sendo o povo brasileiro, que já vive um nível de desemprego em torno de 10% e vê cada dia mais sua renda sendo reduzida e a ameaça de perda de emprego se tornar mais real. Seria bom o governo rever tal política, porque se pode manter a inflação baixa sem prejudicar o mercado interno, como ocorre atualmente. E isto não se tornou mais angustiante ainda por conta e risco da economia mundial que ainda se sustenta em um excelente nível de aceleração.

TOQUEDEPRIMA...

Bernardo e Saito tentam encontrar solução para crise

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, vai se reunir com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, no início da próxima semana, na tentativa de encontrar soluções definitivas para a crise do setor aéreo.

A ordem do Planalto é deixar que o Comando da Aeronáutica assuma a negociação para investir mais na infra-estrutura aeroportuária e nos salários dos controladores militares de vôo. O Planejamento não negociará com controladores fazendo apenas a ponte para que os militares achem as soluções.

Na sexta-feira da semana passada, Paulo Bernardo foi convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para administrar o motim dos controladores militares, que cruzaram os braços e provocaram o apagão aéreo há nove dias. O ministro do Planejamento acabou se tornando, sem querer, pivô de uma crise militar.

Inconformados com a indisciplina dos sargentos controladores, oficiais da Aeronáutica protestaram contra a quebra de hierarquia e o brigadeiro Saito retomou o comando da crise, reservando ao ministro do Planejamento papel coadjuvante na elaboração de um novo plano para o setor.

"O presidente Lula entregou ao brigadeiro Saito o comando desta questão e nós vamos conversar para saber como ele quer conduzir o problema", explica Paulo Bernardo ao confirmar a reunião.

O próprio ministro comunicou aos controladores que estava saindo de cena, depois de ter negociado para evitar a prisão dos sargentos que pararam as decolagens no País por três horas. Também tratou de deixar claro ao brigadeiro que, se estivesse no comando da Aeronáutica, não teria dúvida em prender os amotinados. "Estou à disposição, e vou ajudar", disse Paulo Bernardo ao comandante Saito.

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Min. do Turismo investe em prédio que abrigará obras de Oscar Niemeyer
Agência Brasil

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, anunciou nesta quinta-feira que pretende investir, até o final do ano, R$ 10 milhões para a conclusão do prédio que abrigará todo o acervo do arquiteto Oscar Niemeyer.

O anúncio foi feito em Niterói (RJ), durante a inauguração do Teatro Popular. O prédio, a sexta obra do arquiteto brasileiro na cidade, fará parte de um roteiro turístico que integra o programa de regionalização do ministério.

- Vamos ter Niterói uma valorização turística muito importante, porque o acervo de Niemeyer vai estar aqui. Para nós isso é importante, porque temos que criar pontos de visitação turística. E Niemeyer é um nome internacional - afirmou a ministra.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Apesar de que Oscar Niemeyer mereça realmente todo o nosso reconhecimento e respeito, porém este projeto deveria ser conduzido não pelo Ministério do Turismo, e sim pelo da Cultura, cujo ministro anda mais escondido do que Waldir Pires na Defesa. Mas, em se tratando de Marta Suplicy todos os absurdos condenáveis de gastança de dinheiro público parecem não ter limites. Principalmente aqueles que a “distinta” senhora usa para auto-promover-se. Claro, desde que este luxo seja bancado com o dinheiro alheio ...

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A revolta dos militares
Revista Veja

"O que levou o presidente Lula a ceder tão gentilmente aos controladores de vôo amotinados nos aeroportos do país no dia 30 de março, concordando em dar-lhes compensações salariais e revogando-lhes uma ordem de prisão dada pela cúpula da Aeronáutica? O que levou o presidente Lula, dias depois, a chamar os controladores de irresponsáveis e traidores, cancelando correções salariais e autorizando prisões em caso de nova rebelião? Em sua explicação pública para tamanha guinada, Lula saiu-se com justificativas contraditórias. Primeiro, disse que, ao saber do motim dos sargentos, estava a bordo do Aerolula rumo aos Estados Unidos e não recebera um "quadro completo" da situação. Depois, encarregou seus assessores de espalhar que o recuo se explicava porque, no auge da crise, não tinha alternativa além de ceder aos controladores, sob pena de manter os aeroportos do país paralisados. Por fim, em reunião com aliados no Palácio do Planalto, disse que se sentia "traído" pela categoria. "Fui apunhalado pelas costas. Esperaram eu sair do país." O que Lula não disse é que o principal motivo de ter mudado tão radicalmente de posição foi outro: os militares peitaram o presidente – e ganharam a parada.

Assim que teve sua ordem de prender os controladores de vôo cancelada por Lula, o comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Juniti Saito, reuniu-se com um grupo de oficiais, assessores jurídicos e dois representantes do Superior Tribunal Militar (STM). A reunião aconteceu no 9º andar do prédio da Aeronáutica, na Esplanada dos Ministérios. Na discussão, ponderou-se que a decisão de Lula poderia resultar numa acusação por crime de responsabilidade. Afinal, no artigo 7º da lei que define crime de responsabilidade prevê-se punição para a autoridade que venha a "incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina". Com essa poderosa ameaça na manga, o brigadeiro convocou outra reunião, para a manhã seguinte, com os nove brigadeiros que compõem o alto-comando. Nesse encontro, discutiram como ampliar o arsenal para enfrentar Lula. A primeira decisão foi que o Ministério Público Militar, afinado com a cúpula da Aeronáutica, processaria os rebelados, a despeito das promessas do presidente de que não haveria punição. "A punição dos grevistas sempre foi questão de honra. Não voltaremos atrás nem com ordem do papa", disse a VEJA um integrante do alto-comando.

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Pedido por seguro-desemprego sobe em 11 mil. Nos EUA.
Investnews

O número de norte-americanos que pela primeira vez foi em busca do seguro-desemprego aumentou em 11 mil na semana passada, totalizando 321 mil. Apesar da alta, os dados seguem apontando para um mercado de trabalho bastante aquecido.De acordo com o Departamento de Trabalho, na medida de quatro semanas, considerada menos volátil, os pedidos caíram de 317.500, para 315.750. Na visão de economistas, enquanto os setores automotivo e de construção seguem dispensando trabalhadores, outros segmentos de negócios mantêm os trabalhadores nas linhas de produção. O emprego em alta e o aumento na renda sustentam o consumo do norte-americano, variável responsável por mais de 60% do PIB.O número de pessoas que continuam recebendo o benefício estatal caiu para 2,492 milhões na semana encerra dia 24 de março, menor leitura desde janeiro, em comparação com os 2,517 milhões registrados na semana anterior.Amanhã, o Departamento de Trabalho apresenta o relatório sobre o mercado de trabalho em março. A previsão é de alta de 4,5% para 4,6% na taxa de desemprego, com a criação de cerca de 135 mil vagas no mês passado.