Adelson Elias Vasconcellos
Infelizmente, a ministra Mirian Belchior, do Planejamento, (ver post anterior), mente descaradamente. Que se diga que os governos petitas praticam políticas sociais e redistributivas de renda é uma coisa, outra, e cafajeste, é pretender que se dê ao PT a exclusividade pela criação destes programas e políticas. Primeiro: quem começou a praticar aumentos reais do salário mínimo foi o governo FHC. Segundo: o tal Bolsa Família é a fusão de cinco dos doze programas sociais implementados também por FHC. Terceiro: as melhorias de renda e de indicadores sociais tiveram seu início ainda no governo do tucano.
Deveria haver no Brasil lei que demitisse, depois prendesse, autoridades governamentais que mentissem para a população. Provavelmente, do governo Dilma não escaparia nem a própria presidente.
Alguém poderia avisar a ministra Miriam para deixar de ser mentirosa e ter um pouco de compostura: nem todos os brasileiros venderam sua consciência ou se prestam a fazer papel de idiotas a ponto de esquecerem a história recente do país. Respeito à verdade não é uma questão de ideologia política, e sim de caráter, e dos bons.
Bastaria que a ministra lesse o decreto de criação do Bolsa Família, assinado por Lula ainda em 2003, e certamente teria evitado afirmações tão levianas.
E o que se dizer do confisco salarial praticado via imposto na fonte? Em dezembro de 2012, com FHC, a isenção ia até 5 salários mínimos: hoje mal chega a 2,5 salários mínimos. Agora, Dilma comemora e tenta tirar proveito político em razão da redução das tarifas de energia elétrica. Pois bem: como demonstrado aqui, a carga tributária incidente sobre as tarifas, também em 2012, fechara o ano em 21,6%. Durante o governo Lula, esta carga estúpida saltou para 48,0%. E, sempre é bom lembrar, durante cinco anos, o governo petista cobrou dos consumidores, por erro de cálculo, valores tarifários acima do que seria correto. Esta conta, segundo o TCU, e sem atualização, ronda a casa dos R$ 7,0 bilhões, valor que o governo sempre se negou em pagar, muito embora reconhecesse o erro na cobrança.
Aliás, este governo medíocre de Dilma, adota o mesmo figurino implementado por Lula – para o azar do país pois fundamenta seu atraso institucional – na tal reunião com prefeitos. Durante seus dois mandatos, a presidente adotou política de contração de receitas de estados e municípios. Centralizou-se a arrecadação de impostos com maior apetite em favor do governo federal. Isto impõe um preço nefasto: obriga prefeitos e governadores a estarem seguidamente em Brasília – viagem, estadias e etecéteras por conta do contribuinte, lógico – de chapéu na mão, implorando migalhas para fazerem frente às obrigações em seus estados e municípios, obrigações muitas vezes repassadas pelo governo federal sem a contrapartida dos recursos, cuja entrega quase sempre ficaram apenas na promessa. Para liberar a grana, impõem-se uma certa aliança política que deverá ser confirmada na próxima eleição. Este é o mensalinho, bancado com dinheiro de todos, mas que é usado contra a própria democracia.
Nesta tal assembleia, Dilma afirmou com a maior cara de pau que não aceita discriminação por questões ideológicas em seu governo. Segundo “garante”, é necessário que se mantenha uma postura de fraternidade com os comandantes de municípios. É só consultarmos brevemente os repasses e convênios firmados pelo governo federal. Dois terços sempre são destinados para aqueles municípios e estados cujos prefeitos e governadores pertençam à base de apoio de dona Dilma. Até durante as campanhas, o discurso mais cafajeste é o de que, votando nos candidatos apoiados pelo governo federal, a população será agraciada com a liberação de mais verbas. Já comentamos esta ação criminosa na recente campanha das eleições municipais.
O próprio Fernando Haddad fez uso deste discurso. Gilberto Carvalho também embarcou na mesma aventura. Não, este governo, apesar do discurso, não é tão “fraterno” quanto diz ser. Tanto o estado de São Paulo quanto sua capital sofreram o diabo para terem suas verbas liberadas e conseguirem do governo federal o apoio necessário em favor de sua população. Em sentido contrário, o que assistimos acontecer no Rio de Janeiro, quando comparado com São Paulo, dá bem o tamanho da mentira e do quanto o governo federal sabe ser bonzinho com aliados, e verdadeiro desastre para estados e municípios governados e comandados por gente da oposição.
A mentira sobre a dívida pública.
Nesta terça feira, divulgou-se que a dívida pública atravessará a barreira dos 2 trilhões de reais. Já tratamos muito neste espaço sobre as mentiras que o governo petista conta sobre a dívida pública. Mas antes de prosseguir, um registro importante: o valor divulgado hoje guarda um truque. Na verdade, o montante informado de mais de R$ 2,0 trilhões, diz respeito à DIVIDA PÚBLICA FEDERAL. Porém, a dívida pública total é muito maior pois, além da federal, tem ainda as dívidas de estados, municípios e estatais, e esta já ultrapassou a barreira dos R$ 3,0 trilhões. Mais adiante informaremos os números reais para provar o quanto o governo federal continua manipulando a opinião pública, para quem está obrigado a dar contas de seus atos, com mentiras e truques. Em frente.
Na apresentação feita pela ministra de Planejamento, Mirian Belchior, sobre o orçamento para 2013, o governo alega que a dívida pública e as taxas de juros estariam em forte queda. Porém, tal dado se refere à distorcida parcela denominada “Dívida líquida do setor público”. O Brasil é o único país que calcula a dívida “líquida”, algo que não tem sentido lógico e que distorce o verdadeiro estoque da dívida pública.
Para obter a chamada dívida líquida, o governo desconta créditos que tem a receber (tais como as reservas internacionais), mas não considera as demais obrigações a pagar, como o passivo externo, por exemplo. Além disso, enquanto os títulos da dívida brasileira pagam as taxas de juros mais elevadas do mundo – em 2011, cerca de 12% –, as reservas internacionais (aplicadas em sua maioria em títulos da dívida norte-americana) não rendem quase nada ao Tesouro Nacional. Aí está outra grande distorção: subtrair parcelas que têm custos totalmente distintos. Por fim, a definição de dívida líquida é esdrúxula, uma vez que os juros nominais efetivamente pagos são calculados e pagos sobre a dívida bruta, e não sobre a líquida. Adicionalmente, as amortizações têm sido feitas sobre a dívida bruta e não sobre a dívida líquida. A utilização desse conceito tem servido apenas para aliviar o peso da dívida pública brasileira, que já está perto de 80% do PIB.
Portanto, o que se divulgou nesta terça feira, foram os números da tal DPF – Dívida Pública Federal que encerrou 2012 superando a barreira de R$ 2 trilhões. Segundo números do Tesouro Nacional, a DPF atingiu R$ 2,008 trilhões em dezembro, contra R$ 1,965 trilhão registrados no fim de novembro.
Em relação a 2011, o estoque da DPF cresceu 11,5%. O principal fator que contribuiu para a alta da dívida pública foram as ajudas aos bancos oficiais por meio da injeção de títulos federais.
Então, qual seria o total da dívida pública, aquilo que será colocado nos ombros das futuras gerações para pagar?
Eis o verdadeiro tamanho do que o poder público brasileiro deve dentro e fora do país:
Dívida Interna: R$ 2.637.403.802.880,08
Dívida Externa: US$ 422.895.138.185,71, ou, considerando o dólar a R$ 2,00, R$ 845.790.276.370,42
Total da dívida: R$ 3.483.194.079.250,50
Para encerrar: lembram daquela cantilena toda do Lula sobre a dívida externa, que estaria paga e de que o Brasil passara de devedor para credor por conta das nossas reservas internacionais? Pois é: em dólar, nossas reservas em 29.1, segundo o Banco Central, eram de US$ 377,151 bilhões. Como a dívida externa fechou 2012 em US$ 422,895 bilhões, mesmo que desejássemos quitar o total da dívida externa, ainda faltariam pouco mais de US$ 45,0 bilhões para fechar o pacote.
Portanto, quem quiser acreditar nas mentiras deste governo, fique à vontade. Mas, depois, não terá direito a reclamar da educação, da saúde, da segurança, das estradas, dos aeroportos, dos impostos, e como brinde, levará de bônus os Renans, Henrique Alves Sarneys a tiracolo sugando para si as riquezas produzidas pelo nosso trabalho. Tanto esta cambada quanto a quadrilha instalada no poder, lá estão por conta dos votos da maioria.
Enquanto as despesas forem sendo ampliados indefinidamente, acima da inflação e do próprio crescimento do PIB, como se tornou costumeiro nestes últimos dez anos, não há arrecadação que dê conta desta festa. Assim, gastando muito além do que arrecada, não é surpresa os saltos que a dívida pública vem experimentando nos últimos anos. E, gostem ou não, neste ritmo, o Brasil não demorará muito em voltar no tempo e precisar implementar as mesmas reformas que alguns países europeus estão amargando atualmente. Estamos engessando e comprometendo nosso futuro. Como já se disse tantas vezes, é de temer a herança maldita que os petistas deixarão no dia em que entregarem o poder. Os números estão todos aí para quem quiser ver. Na última vez que o país cumpriu este roteiro, amargamos 25 anos de estagnação e débâcle social. E esta miséria não se constrói apenas da noite para o dia: é preciso um certo período de tempo de desmandos e irresponsabilidades para se atingir este baixo nível. Não precisamos da ficção para construir nossos exterminadores do futuro. Basta olhar para o que os governos petistas tem feitos desde 2003 para sabermos que nossa realidade é muito mais dolorosa.
Aliás, esta construção perturbada não é obra apenas de petistas, não, muito embora sejam eles os arquitetos deste sistema miserável: como bem afirmou o senador Pedro Taques (PDT/MT), “O Brasil é o único lugar que tem jabuticaba e que tem uma oposição que concorda com tudo que o governo faz”. Quando se vê um Aécio Neves, todo sorridente e arreganhado para a eleição de Renan Calheiros e Henrique Alves para as presidências do Senado e Câmara de Deputados, respectivamente, sendo o tucano o principal candidato de oposição à sucessão de Dilma Rousseff, em 2014, a gente desanima por completo.
Aumenta antes para reduzir depois
Empresas de energia passaram a reajustar tarifas tão logo a presidenta Dilma anunciou em setembro a intenção de reduzi-las. Já em novembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou um reajuste de 12%, mas alguns estados, como o Rio de Janeiro, segundo queixas de consumidores, aumentaram a conta de luz até 27,5% antes de Dilma informar na TV, dia 23, que as contas seriam reduzidas em até 18%. Em Mato Grosso, conforme denunciamos aqui, o aumento médio foi de 10%. Já no Rio de Janeiro, No Rio, segundo denúncias, o KWh custava em novembro R$ 0,4548, em dezembro foi a R$ 0,4986 (+9,6%) e janeiro a R$ 0,5698 (+14,3%).
O governo Dilma inovou, sem dúvida: aqui é o único lugar do mundo em que o desconto vem aumento...
Não atrapalha quem, senhor Mantega?
Guido Mantega (Fazenda) acha que o reajuste dos combustíveis não atrapalha ninguém. Não no caso dele, que usa carro oficial, claro, e as despesas com combustíveis são pagas com o dinheiro alheio, no caso, o nosso..
Porta arrombada, tranca de ferro...
Faz tempo que dorme nas gavetas do Congresso projeto sobre a concessão de alvarás para casas noturnas. Depois de dezenas de mortos na tragédia de Santa Maria, se fala em criar uma lei nacional para endurecer as regras de funcionamento. Ok, é preciso aprimorar normas de segurança para evitar que desastres iguais ao ocorrido se repitam.
Só tem um detalhe: no Brasil, se peca não por falta de leis, porque elas até existem em abundância. Aqui, pecamos por não cumpri-las . Podem criar quantas leis se desejar, mas se caírem na vala comum de se fazer vistas grossas, é sinal de que não apenas não aprendemos a lição, como ainda estamos investindo em novas tragédias futuras.





