Adelson Elias Vasconcellos
Um dos programas de socorro ao setor privado de maior sucesso e, por conta disso, de maior reconhecimento no mundo foi o PROER, implementado pelo governo FHC. Apesar da gritaria e das imbecilidades proclamadas aos quatro ventos por Lula e seu partido na época, o programa se mostrou, ao longo do tempo, absolutamente correto. Contudo, havia uma condição básica para que os recursos fossem liberados: os donos dos bancos quebrados deveriam transferir o controle acionário a terceiros. O objetivo do programa era, portanto, salvaguardar dos correntistas, e não premiar a incompetência administrativa de banqueiros falidos.
Quando a crise financeira estourou no mundo todo, foi possível constatar o quanto o PROER contribui pelo bem do país. Muito a contragosto, Lula acabou reconhecendo seus méritos.
No domingo passado, na TV Bandeirantes, Programa Canal Livre, estavam presentes Paulo Skaff, da FIESP, e o deputado Paulo da Silva, da Força Sindical, uma das maiores centrais sindicais do Brasil. O tema do programa mediado por Joelmir Betting, versava sobre as relações de trabalho e, mais especificamente, sobre os acordos em curso para redução da jornada com redução de salário, para a garantia do emprego.
Em dado instante, comentando sobre o acordo do governo Lula para a redução do IPI, o próprio Paulinho reconheceu que, em 1998 ou 1999, acordo semelhante feito no governo FHC só foi possível com a condição de as montadoras manterem os empregos. Lembrou Paulinho que, no acordo recente de Lula, não se tinha embutido esta condição, razão porque as montadoras demitiram trabalhadores apesar da redução do IPI.
Em janeiro, Lula e Mantega anunciaram um aporte extraordinário de recursos na casa de R$ 100 bilhões ao BNDES, para este bancasse projetos geradores de empregos. E, nem bem o mercado recebera o anúncio, e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi já ameaçava as empresas que estavam demitindo com punições, uma vez que era inadmissível que empresários que estavam recebendo dinheiro do governo continuassem a demitir. Contrariado, o presidente da FIESP lanço um desafio ao ministro: que fosse mostrada a lista da empresas agraciadas com dinheiro público, quanto cada uma recebera e quem autorizara as liberações. Coincidência ou não, Lupi não apenas não topou o desafio mas também parou de cacarejar.
Os fatos acima são bem ilustrativos de dois modos de se enfrentar crises: enquanto um trabalho e beneficia o maior número de pessoas, o outros faz discursos.
Na semana passada, e já comentamos isto aqui ontem, o governo anunciara um pacote para construção de 1 milhão de moradias. Quatro dias depois, o pacote já ficou pela metade, “apenas” 500 mil unidades.
Há dois anos atrás, com toda a pompa e circunstância, o governo atual lançou o PAC, Não bastasse das obras constantes do programa, os superlativos investimentos não encontravam base tomando-se o Orçamento da União como guia identificadora dos recursos anunciados. Seriam mais de R$ 500,0 bilhões em investimentos até 2010, sendo metade dos recursos oriundos dos governos (federal, estaduais e municipais) e empresas estatais, e a outra metade provenientes da iniciativa privada.
Já demonstramos aqui a grande vigarice de que se acha revestido o tal PAC. Faltou dizer que, apesar dos discursos, dos foguetes, da propaganda, e do lero-lero, sabem qual foi o impacto de tanto investimento sobre o PIB do país nestes dois anos? Impressionantes 0,2% a mais, enquanto as despesas com custeio, cresceram mais de 4,0% !!! Impressionante, não é mesmo? Quando, em 2007, fizemos uma análise detalhada das obras relacionadas no PAC, a constatação se tornou maiúscula: cerca de 40% do que havia ali, eram obras começadas em governos anteriores... Outra parte, também considerável, eram obras retiradas de emendas dos parlamentares e que são embutidas todos os anos no Orçamento da União. Outro tanto, ainda significativo, faziam parte do plano de investimentos tanto da Petrobrás quanto da Eletrobrás. Em resumo: mesmo que o governo não lançasse PAC algum, ainda assim, cerca de 90% de sua totalidade em obras estaria sendo executada. Vigarice maior não pode haver!!!
Hoje, a ministra veio a público para renovar a mentira e lhe dar ares gigantescos: agora o PAC mexerá com mais de R$ 1,0 trilhão em investimentos. A conferir.
Primeiro, que a engordada não se fez acompanhar nem das fontes de recursos tampouco onde tanta grana será aplicada. Faltaram obras, faltaram projetos para ilustrar a mistificação. Claro, nos próximos dias o governo dará um jeito de comprometer investimentos para obras que nem no papel ainda se encontram. Um exemplo disto são os tais investimentos no chamado pré-sal. Não se conhece e sequer foi desenvolvida ainda a tecnologia que será empregada para extração de petróleo lá das profundezas,não se dimensionou sequer o quanto de investimentos serão necessários para tornar aquelas reservas economicamente viáveis de serem exploradas, e o governo Lula já explora politicamente feitos que não existem. E a saber: qualquer coisa que se diga agora, em 2009, sobre pré-sal é pura conversa mole. Os estudos sobre estas reservas se estenderão para além do atual mandato do Lula. Portanto, todo este papo é demagogia asquerosa.
Com dois anos de existência, PAC concluiu apenas 11% de suas obras. O dado faz parte de um balanço oficial divulgado nesta quarta-feira pelo Comitê Gestor do PAC, durante anúncio do aporte bilionário de R$ 455 bilhões ao programa.Mesmo com apenas 11% dos investimentos concluídos, o comitê avalia que 80% do total das obras está com andamento em fase considerada "adequada". Segundo o balanço, 7% dos projetos "merecem atenção" e 2% estão em um ritmo considerado "preocupante". Claro esta é a versão oficial do governo, porque a verdadeira é a que dá conta de atrasos para além de 60,0% do total previsto.
Portanto, estes anúncios de financiamentos de R$ 100,0 bilhões, construção de 1,0 milhão de moradias (ou da metade conforme anunciou Lula no Rio de Janeiro), engordada de mais meio bilhão de reais em obras do PAC, devem ser olhados com a cautela devida. Tais anúncios compõem um roteiro macabro de enganar e enrolar a opinião, dando a impressão de que o governo trabalha para enfrentar a crise. Se a queda na produção nos últimos três meses se aproximou de 20,0 %, queda histórica e a maior desde 1991, se foram demitidos, apenas em dezembro de 2008, mais de 650 mil trabalhadores, com a previsão de que os números tendem a ser iguais ou .ligeiramente maiores, o governo prefere atacar as notícias ruins com anúncios de impacto, mesmo que, no decorrer do tempo eles não se confirmem. O importante é não deixar o balão murchar, isto é, que a popularidade despenque.
Talvez nem em seus piores pesadelos, Lula imaginou um dia ter que rezar e torcer pelo sucesso dos Estados Unidos. Sucesso rápido. Porque dizer como ontem, no Rio Janeiro, que a crise terá a duração, no Brasil, só até março próximo, é de uma leviandade assustadora. Mantega, agora um pouco menos sonhador, admite que o crescimento do PIB será mínimo, quando até quinze dias atrás, sua bola de cristal só aponta para 4,00 de crescimento. E isto se dá no justo momento em que se prenuncia um crescimento próximo de zero, ou até negativo.
Como venho afirmando, melhor faria o governo se descesse de seu pedestal de prepotência, e assumisse que estamos, de fato, mergulhados numa crise profunda, sem hora definida para acabar, e sem que se conheça, mesmo que minimamente, aonde vai bater no fundo do poço. Ninguém é imbecil para torcer contra o país, mas, também, ninguém é tão idiota assim para ignorar que o paraíso não é aqui. Aceitar a realidade tal como ela se apresenta, é o primeiro passo para superar as dificuldades. Sem mentiras, sem rodeios nem conversa mole. A população brasileira assiste todas as noites em suas casas, os noticiários que mostram o ambiente de dificuldades que o país está enfrentando e as que ainda virão. Sabe que 2009 será consumido até o seu final em tentativas de superação. Sabe que, muitos dos problemas que vivenciamos, são originários da falta de ação do governo federal quanto às indispensáveis reformas estruturais que vão sendo jogadas para frente, por conta de um pânico estrondoso de um governo covarde com medo de agir e colocar em risco seus índices de aprovação cuja manutenção, como se vê, contam muito mais na escala de prioridades de suas ações, do que as aflições e dificuldades de todo um povo. Agora, todas as desculpas tem uma só identidade: a crise. A responsabilidade dela, como se propala, não é nossa, é dos outros. Contudo, grande parte de nossas dificuldades, é forçoso reconhecer, advém de antes, quando jogamos fora oportunidades preciosas de nos melhorarmos. Neste sentido, é de se perguntar: qual será a herança maldita que este governo está construindo para quem o suceder? Bem dela ficamos sabendo hoje: o PAC agora, para ficar mais obeso do que já é, está contemplando investimentos de um governo próximo que nem sabemos nas mãos de quem estará!
Um dos programas de socorro ao setor privado de maior sucesso e, por conta disso, de maior reconhecimento no mundo foi o PROER, implementado pelo governo FHC. Apesar da gritaria e das imbecilidades proclamadas aos quatro ventos por Lula e seu partido na época, o programa se mostrou, ao longo do tempo, absolutamente correto. Contudo, havia uma condição básica para que os recursos fossem liberados: os donos dos bancos quebrados deveriam transferir o controle acionário a terceiros. O objetivo do programa era, portanto, salvaguardar dos correntistas, e não premiar a incompetência administrativa de banqueiros falidos.
Quando a crise financeira estourou no mundo todo, foi possível constatar o quanto o PROER contribui pelo bem do país. Muito a contragosto, Lula acabou reconhecendo seus méritos.
No domingo passado, na TV Bandeirantes, Programa Canal Livre, estavam presentes Paulo Skaff, da FIESP, e o deputado Paulo da Silva, da Força Sindical, uma das maiores centrais sindicais do Brasil. O tema do programa mediado por Joelmir Betting, versava sobre as relações de trabalho e, mais especificamente, sobre os acordos em curso para redução da jornada com redução de salário, para a garantia do emprego.
Em dado instante, comentando sobre o acordo do governo Lula para a redução do IPI, o próprio Paulinho reconheceu que, em 1998 ou 1999, acordo semelhante feito no governo FHC só foi possível com a condição de as montadoras manterem os empregos. Lembrou Paulinho que, no acordo recente de Lula, não se tinha embutido esta condição, razão porque as montadoras demitiram trabalhadores apesar da redução do IPI.
Em janeiro, Lula e Mantega anunciaram um aporte extraordinário de recursos na casa de R$ 100 bilhões ao BNDES, para este bancasse projetos geradores de empregos. E, nem bem o mercado recebera o anúncio, e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi já ameaçava as empresas que estavam demitindo com punições, uma vez que era inadmissível que empresários que estavam recebendo dinheiro do governo continuassem a demitir. Contrariado, o presidente da FIESP lanço um desafio ao ministro: que fosse mostrada a lista da empresas agraciadas com dinheiro público, quanto cada uma recebera e quem autorizara as liberações. Coincidência ou não, Lupi não apenas não topou o desafio mas também parou de cacarejar.
Os fatos acima são bem ilustrativos de dois modos de se enfrentar crises: enquanto um trabalho e beneficia o maior número de pessoas, o outros faz discursos.
Na semana passada, e já comentamos isto aqui ontem, o governo anunciara um pacote para construção de 1 milhão de moradias. Quatro dias depois, o pacote já ficou pela metade, “apenas” 500 mil unidades.
Há dois anos atrás, com toda a pompa e circunstância, o governo atual lançou o PAC, Não bastasse das obras constantes do programa, os superlativos investimentos não encontravam base tomando-se o Orçamento da União como guia identificadora dos recursos anunciados. Seriam mais de R$ 500,0 bilhões em investimentos até 2010, sendo metade dos recursos oriundos dos governos (federal, estaduais e municipais) e empresas estatais, e a outra metade provenientes da iniciativa privada.
Já demonstramos aqui a grande vigarice de que se acha revestido o tal PAC. Faltou dizer que, apesar dos discursos, dos foguetes, da propaganda, e do lero-lero, sabem qual foi o impacto de tanto investimento sobre o PIB do país nestes dois anos? Impressionantes 0,2% a mais, enquanto as despesas com custeio, cresceram mais de 4,0% !!! Impressionante, não é mesmo? Quando, em 2007, fizemos uma análise detalhada das obras relacionadas no PAC, a constatação se tornou maiúscula: cerca de 40% do que havia ali, eram obras começadas em governos anteriores... Outra parte, também considerável, eram obras retiradas de emendas dos parlamentares e que são embutidas todos os anos no Orçamento da União. Outro tanto, ainda significativo, faziam parte do plano de investimentos tanto da Petrobrás quanto da Eletrobrás. Em resumo: mesmo que o governo não lançasse PAC algum, ainda assim, cerca de 90% de sua totalidade em obras estaria sendo executada. Vigarice maior não pode haver!!!
Hoje, a ministra veio a público para renovar a mentira e lhe dar ares gigantescos: agora o PAC mexerá com mais de R$ 1,0 trilhão em investimentos. A conferir.
Primeiro, que a engordada não se fez acompanhar nem das fontes de recursos tampouco onde tanta grana será aplicada. Faltaram obras, faltaram projetos para ilustrar a mistificação. Claro, nos próximos dias o governo dará um jeito de comprometer investimentos para obras que nem no papel ainda se encontram. Um exemplo disto são os tais investimentos no chamado pré-sal. Não se conhece e sequer foi desenvolvida ainda a tecnologia que será empregada para extração de petróleo lá das profundezas,não se dimensionou sequer o quanto de investimentos serão necessários para tornar aquelas reservas economicamente viáveis de serem exploradas, e o governo Lula já explora politicamente feitos que não existem. E a saber: qualquer coisa que se diga agora, em 2009, sobre pré-sal é pura conversa mole. Os estudos sobre estas reservas se estenderão para além do atual mandato do Lula. Portanto, todo este papo é demagogia asquerosa.
Com dois anos de existência, PAC concluiu apenas 11% de suas obras. O dado faz parte de um balanço oficial divulgado nesta quarta-feira pelo Comitê Gestor do PAC, durante anúncio do aporte bilionário de R$ 455 bilhões ao programa.Mesmo com apenas 11% dos investimentos concluídos, o comitê avalia que 80% do total das obras está com andamento em fase considerada "adequada". Segundo o balanço, 7% dos projetos "merecem atenção" e 2% estão em um ritmo considerado "preocupante". Claro esta é a versão oficial do governo, porque a verdadeira é a que dá conta de atrasos para além de 60,0% do total previsto.
Portanto, estes anúncios de financiamentos de R$ 100,0 bilhões, construção de 1,0 milhão de moradias (ou da metade conforme anunciou Lula no Rio de Janeiro), engordada de mais meio bilhão de reais em obras do PAC, devem ser olhados com a cautela devida. Tais anúncios compõem um roteiro macabro de enganar e enrolar a opinião, dando a impressão de que o governo trabalha para enfrentar a crise. Se a queda na produção nos últimos três meses se aproximou de 20,0 %, queda histórica e a maior desde 1991, se foram demitidos, apenas em dezembro de 2008, mais de 650 mil trabalhadores, com a previsão de que os números tendem a ser iguais ou .ligeiramente maiores, o governo prefere atacar as notícias ruins com anúncios de impacto, mesmo que, no decorrer do tempo eles não se confirmem. O importante é não deixar o balão murchar, isto é, que a popularidade despenque.
Talvez nem em seus piores pesadelos, Lula imaginou um dia ter que rezar e torcer pelo sucesso dos Estados Unidos. Sucesso rápido. Porque dizer como ontem, no Rio Janeiro, que a crise terá a duração, no Brasil, só até março próximo, é de uma leviandade assustadora. Mantega, agora um pouco menos sonhador, admite que o crescimento do PIB será mínimo, quando até quinze dias atrás, sua bola de cristal só aponta para 4,00 de crescimento. E isto se dá no justo momento em que se prenuncia um crescimento próximo de zero, ou até negativo.
Como venho afirmando, melhor faria o governo se descesse de seu pedestal de prepotência, e assumisse que estamos, de fato, mergulhados numa crise profunda, sem hora definida para acabar, e sem que se conheça, mesmo que minimamente, aonde vai bater no fundo do poço. Ninguém é imbecil para torcer contra o país, mas, também, ninguém é tão idiota assim para ignorar que o paraíso não é aqui. Aceitar a realidade tal como ela se apresenta, é o primeiro passo para superar as dificuldades. Sem mentiras, sem rodeios nem conversa mole. A população brasileira assiste todas as noites em suas casas, os noticiários que mostram o ambiente de dificuldades que o país está enfrentando e as que ainda virão. Sabe que 2009 será consumido até o seu final em tentativas de superação. Sabe que, muitos dos problemas que vivenciamos, são originários da falta de ação do governo federal quanto às indispensáveis reformas estruturais que vão sendo jogadas para frente, por conta de um pânico estrondoso de um governo covarde com medo de agir e colocar em risco seus índices de aprovação cuja manutenção, como se vê, contam muito mais na escala de prioridades de suas ações, do que as aflições e dificuldades de todo um povo. Agora, todas as desculpas tem uma só identidade: a crise. A responsabilidade dela, como se propala, não é nossa, é dos outros. Contudo, grande parte de nossas dificuldades, é forçoso reconhecer, advém de antes, quando jogamos fora oportunidades preciosas de nos melhorarmos. Neste sentido, é de se perguntar: qual será a herança maldita que este governo está construindo para quem o suceder? Bem dela ficamos sabendo hoje: o PAC agora, para ficar mais obeso do que já é, está contemplando investimentos de um governo próximo que nem sabemos nas mãos de quem estará!