quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Dona Dilma, por favor, tenha mais respeito com a democracia brasileira!

Adelson Elias Vasconcellos



 Atenção para esta frase: 

"Serei sempre intransigente na defesa dos direitos humanos.” 

A frase acima foi proferida em 01º de janeiro de 2.011, em seu discurso de posse, por ninguém menos do que Dilma Rousseff, a 1ª mulher  a assumir a presidência da República do País.

Exatamente um ano e um mês depois daquele dia, Dilma vai à Cuba. A ilha cujos irmãos ditadores são responsáveis pela morte de 100 mil cubanos, afora os mais de 1 milhão de refugiados espalhados pelo mundo.

Indagada sobre a situação cubana, e já fazendo coro à declaração imbecil de seu ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, para quem a questão de direitos humanos em Cuba não é emergencial (vá dizer isto para os dissidentes morrendo de fome, vá!), dona Dilma esqueceu do discurso, do compromisso de primeiro dia, e entre tergiversações (expressão tão ao gosto da presidente),  direitos humanos já virou outro papo, a coisa não é bem assim, comparou a situação de lá com a brasileira, o que representa um tremendo desrespeito ao Brasil, onde pelo menos há liberdade, democracia, direitos humanos, estado de direito e ninguém vai preso por pensar diferente dos ditadores (que por aqui eles foram varridos para o lixo da história).  

Ou seja, a presidente do Brasil, que deveria elevar as nossas virtudes para dar destaque ao país, engrandecer seu regime de liberdades preferiu rebaixar nossa condição política para equipará-la a um republiqueta de quinta, comandada por uma ditadura ferrenha e assassina.

Não, Dona Dilma, a senhora e seus pares petistas podem até ser amigos de Fidel e Raul Castro. Podem até terem um dia sonhado implantar igual regime macabro no Brasil, como as ações de guerrilha e terrorismo à época da nossa ditadura militar não desmentem, mas, por favor, respeite o pavilhão nacional, e não nos misture e nem nos iguale a lixo. O povo cubano é pobre e vive sem liberdade sequer de pensar diferente, não por ter sido esta a sua escolha. Quem determinou no que a ilha iria se transformar foi o moribundo Fidel Castro, que preferiu as asas protetoras do poder soviético, na época militarmente tão forte quantos os norte-americanos, porque através da proteção militar e econômica, Castro conseguiria se manter no poder a ferro,  fogo e assassinato de seus opositores. 

Pudessem, por certo, ter a oportunidade de optarem, provavelmente os cubanos teriam escolhido melhor sorte que as trevas de uma tirania. Fidel Castro, ele sozinho, por sua única, arbitrária e exclusiva vontade escolheu por milhões de cubanos. Quem pode fugir do regime, e conseguiu atravessar o oceano, foi em busca de liberdade. Mais de um milhão de cubanos moram e vivem nos Estados Unidos, que, diga-se por justiça, acolheu a todos.  

O bloqueio econômico norte-americano foi erguido como defesa daquele país contra a ameaça militar soviética, uma vez que Fidel autorizara os soviéticos a instalarem em Cuba mísseis apontados para os Estados Unidos.

O mundo inteiro conhece e sabe que os norte-americanos financiaram mundo afora vários regimes ditatoriais, dentre estes o do Brasil também. Estes países não sofreram com bloqueios econômicos. Se era ditadura que Cuba pretendia para si, que o fizesse optando pelo melhor lado, aquele que lhe garantisse melhor qualidade de vida aos seus cidadãos. 

Não apenas isto: Fidel não se conteve em implantar seu regime de terror naquela ilha. Quis irradiar para o continente latino sua tirania, tenho acolhido em suas bases militares  inúmeros aventureiros, guerrilheiros e terroristas, treinando-os para desestabilizar as nações vizinhas. A isto, senhora presidente, intromissão indevida nas políticas internas dois demais países.Isto é terrorismo.

Não falar em direitos humanos para respeitar a política interna daquele país é uma coisa, Dona Dilma: mas se o fizesse, não seria intromissão alguma, porque estaria absolutamente no direito de  cobrar dos mesmos irmãos ditadores, uma resposta a intromissão que eles patrocinaram nas políticas internas dos demais países. 

Quem escolheu o lado para lutar foi Fidel, independente da vontade de seu povo que não teve ou não lhe ofereceram outra alternativa. Quem escolheu os parceiros para dar as mãos e fortalecer a amizade foi Fidel Castro, e não houvesse a hecatombe econômica da antiga União Soviética, e os Castros não teriam porque reclamar do bloqueio econômico americano. 

Mas há outros “poréns”, senhora presidente. O Brasil é um país em pleno desenvolvimento, mas está longe de ser um país rico e próspero. Seu povo tem alarmantes índices de abandono e descaso. Metade da sua população sequer pode contar com saneamento básico.  Assim, que o governo petista estenda a mão de forma humanitária para exportar alimentos para os cubanos, ou para o Haiti, por exemplo, creio ser um ato altruísta e humanitário plenamente justificável. Contudo, desviar dinheiro público, arrancado de forma brutal do suor dos brasileiros que lutaram bravamente para reconquistar suas liberdades democráticas, para investir em um moderno terminal portuário em Cuba, conhecendo-se a situação de abandono e sucateamento da maioria de nossos portos, acredite presidente, é esbofetear os votos que lhe foram confiados para a realização de programas e projetos com o objetivo de melhorar a vida dos brasileiros. 

Somos simpáticos ao povo cubano por toda a sua história e formação. Somos fraternos na união de interesses culturais que nos aproximem mais, dentro da nossa histórica postura de relações internacionais, tão característica desde a proclamação da república. Contudo, inaceitável que o nosso regime democrático, por mais mazelas que ainda carregue, por mais aprimoramentos que ainda precise desenvolver, não pode ser covardemente desrespeitado ao ser igualado e rebaixado à uma reles tirania. 

Temos questões de direitos humanos a resolver em nossa terra, sim, mas são questões pontuais sem correlação de nenhum tipo com ideologia política, ao contrário de Cuba. Aqui ninguém precisa entrar em greve de fome para protestar contra a a falta de liberdade de ir e vir, ou até mesmo de livre pensar. Nossas cadeias estão entupidas de presos, às vezes em condições miseráveis e lastimáveis, mas nelas (por enquanto), se alojam apenas bandidos praticantes de crimes comuns (os mesmos cometidos por Cezare Battisti a quem o governo petista deu proteção), mas não aloja ninguém por questões políticas, por divergência de pensamento. 

Portanto, dona Dilma, se já é um desrespeito ao povo brasileiro investir dinheiro dele numa tirania, em obras que fazem falta ao nosso próprio país, maior desrespeito é igualar a democracia e o pleno estado de direito brasileiro a um regime tirânico e sem liberdades, sem direitos humanos, sem que se seu governante respeite, minimamente, a vontade soberana de seu povo.  

Assim, faça amizade com o tirano que quiser, paparique o ditador que bem entender, mas, por favor, tenha mais respeito para com a democracia brasileira! É bom não esquecer nunca, Dona Dilma, por mais óbvio que possa parecer: a senhora foi eleita para governar o Brasil para os brasileiros, e não para afiançar tiranias irmãs siamesas da ideologia petista.

*(Postada originalmente em 01.02.2012 -  00.41 horas)

A hipocrisia da Secretária

Adelson Elias Vasconcellos.

Publicamos três casos horripilantes, todos ocorridos onde o PT é governo, de verdadeiros crimes contra os cidadãos. Em dois deles, a polícia militar petista bateu tanto em dois cidadão brasileiros, que ambos ficaram cegos. Um caso foi na Bahia, de Jacques Wagner, que acompanhou a presidente na viagem à Cuba. Outro aconteceu em Teresina.

Já o terceiro foi a desocupação de uma área ilegalmente ocupada no Distrito Federal onde o governo é petista, Agnelo Queiros, que não se deu ao trabalho de negociar a saída dos posseiros chamando a polícia.
O caso da Bahia aconteceu num show do Olodum, dia 22 passado.

O caso de Teresina aconteceu com um estudante que protestava pela elevação da tarifa de ônibus.

No DF, o governo mobilizou um grupo de 450 homens, formado por policiais militares, civis e federais, fiscais da Agência de Fiscalização do DF (Agefis) e da SPU e bombeiros foi destacado para a retirada, que derrubaram os 450 barracos e tiveram o auxílio de três tratores. Apenas uma mulher grávida passou mal, mas foi socorrida pelos bombeiros e levada para o Hospital Regional do Paranoá. Ela e o bebê passam bem.

Durante a desocupação, a Delegacia do Meio Ambiente (Dema) prendeu 29 pessoas.

Não houve ação de reintegração de posse. Não foi dado oportunidade para negociações. O governo decidiu desocupar a área e pronto.

No Pinheirinho, em São Paulo, a posição do governo federal corre em direção contrária. Como a área desocupada localiza-se num estado governado pelo PSDB, os critérios do governo federal já são outros quinhentos.  Dilma e Gilberto Carvalho se manifestaram criticando a ação da Polícia Militar, que apenas cumpriu uma ordem judicial de desocupação.

Hoje, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência República emitiu uma nota oficial condenando a desocupação e acusando a PM e o governo do Estado de violarem os direitos humanos.

Vejamos o caso mais a fundo.  A área foi ocupada em 2004, portanto, sob o primeiro mandato do governo Lula. Durante todo este tempo, foi impressionante o jogo de empurrar entre justiça estadual e federal para definir a quem caberia julgar o processo de reintegração de posse.

Como o caso sempre este presente na mídia, era do conhecimento do Planalto o que ali se passava. Até porque, conforme vídeos que varreram a internet, o PSTU cobrava dos moradores “uma mensalidade” para garantir sua permanência e proteção.

Desde junho de 2011, o caso já estava decidido pela reintegração de posse. Portanto, houve tempo hábil tanto para o governo federal buscar alternativas para as famílias que ali se encontravam, como para o PSTU negociasse com a Justiça que a remoção se desse com o menor prejuízo para as famílias. Conforme já demonstramos aqui, o interesse do PSTU foi partir para o confronto de onde pudesse tirar proveito e exploração política.

Nem a PM tampouco ao governo do Estado, uma expedido o mandado de desocupação poderia desafiar a Justiça e não cumprir a ordem judicial.

A desocupação, graças a Deus, sem derramamento de sangue. Se abusos houve, eles são fruto da resistência oferecida pelos moradores, alguns poucos, em saírem do local. Mas não derramamento tampouco violação de direitos.

Mas isto, para a Secretaria de Direitos Humanos não interessa. Era importante dali tirar algum proveito eleitoreiro e sua nota oficial não passa de um panfleto político eleitoreiro.

Quanto a moça cegada na Bahia? A Secretária se calou, nada disse.

Quanto ao estudante cegado em Teresina? A Secretária também se calou, nada disse.

Quanto a desocupação no Distrito Federal? A Secretária se manteve cega, muda, surda. Não disse nada, calada estava, calada ficou.

Dentro da ótica que a secretária usou para o Pinheirinho, também no Distrito Federal houve violação de direitos, e muito mais violação, ainda, são os casos de Teresina e Salvador.

Nenhum deles mereceu uma nota oficial, uma crítica veemente, ou abertura de inquérito para apurar responsabilidades.

Para se dizer o mínimo, o comportamento da Secretária, em relação a São Paulo quando confrontado com os três casos citados, representa, ao menos, enorme hipocrisia. Dois pesos, duas medidas.   Tivesse real preocupação com os direitos humanos, a Secretária não poderia omitir de, ao menos, criticar as ações no Piauí, Bahia e Distrito Federal. Ao calar-se, comprovou que a sua nota oficial em relação ao Pinheirinho tem a evidência clara e indiscutível de uma ação eleitoreira, onde o povo mais uma vez é usado pelo PT como bucha de canhão. A aparente preocupação de direitos humanos, é apenas dispersiva, uma máscara falsa e cínica para ocultar o verdadeiro sentido e objetivo de sua atitude.

No vídeo abaixo, com a juíza que emitiu a ordem para a desocupação, fica claro que não restava à PM e ao governo estadual nenhuma outra alternativa a não ser cumpri-la.

Este papo furado de que o governo teria planos para a construção de conjuntos habitacionais, é pura cascata. Mentira da Secretária e demais próceres governistas, porque houve demasiado tempo para que a Justiça fosse notificada. E vejam que coisa: ainda assim, a Justiça ainda aguardou mais de seis meses para expedir o mandado de desocupação. Nem assim, o governo federal tomou alguma providência. Alegar depois do fato ocorrido que “tinha projetos” é lorota. Não tinha coisa nenhuma, apostava no confronto, apostava no quanto pior, melhor. Tanto é assim, que sequer tomou providências para a desapropriação da área e, em NENHUM MOMENTO, o governo se manifestou no processo de reintegração como parte interessada. Esta é a verdade. Não houve torturas, não houve mortes, não houve nada daquilo que o petismo contava tivesse acontecido. A nota oficial, além de ser de total desprezo à verdade, representa o desencanto dos “companheiros” pelo que de pior DEIXOU DE ACONTECER.

Assim, esta propalada preocupação, manifestada depois da desocupação, só representa o descaso das autoridades públicas federais  com o bem estar dos mais pobres que só são lembrados e paparicados em tempos de eleições.

Portanto, onde se lê esta alegada violação de direitos humanos contido na nota da Secretária, leia-se “somos hipócritas por natureza, para os parceiros nem o rigor da lei nos move, já para os adversários, mentiras  e imposturas   compensam o preço para conquistar o poder”.

 Nos vídeos a seguir, vejam como a ação política (e trágica) colaborou para que tudo desaguasse num confronto de violência. Eles só não esperavam que não tivesse acontecido o banho de sangue pretendido.

Já no vídeo mais abaixo, vejam como a juíza é objetiva ao deixar claro que a ORDEM JUDICIAL deveria ser cumprida, porque esta é a regra num estado de direito democrático.Como também ela deixa claro todas as providências que foram tomadas para a desocupação, com um recado que deveria servir de escopo para a bandidagem incrustada no poder. “Eu não poderia dizer que o particular tem de fazer as vezes do poder público e providenciar moradia pra diminuir o déficit habitacional”.

Perfeito!








Dilma em dia de Lula

Marcos Guterman, O Estadão de São Paulo

Enfim, a criatura emulou seu criador. Dilma, que até então marcara importantes diferenças em relação a Lula no que diz respeito à defesa dos direitos humanos, decidiu repetir os piores momentos do cinismo lulista em sua visita a Havana. A presidente disse que criticar a repressão tirânica à oposição em Cuba seria equivalente a usar a questão de direitos humanos como “arma política”.

Como vítima de uma ditadura, Dilma sabe muito bem o quanto dói o silêncio do mundo diante da brutalidade de um regime de exceção. Jimmy Carter é tratado como herói pela resistência ao regime militar brasileiro justamente por ter atuado com vigor contra a tortura no Brasil, no momento em que era presidente dos EUA. Carter não se importou em melindrar os generais daqui e não renunciou à sua tarefa como estadista de uma democracia.

Já Dilma preferiu a mediocridade do discurso segundo o qual não se pode “atirar a primeira pedra” quando se trata de discutir direitos humanos. É medíocre porque, como representante de uma democracia supostamente saudável, Dilma deveria considerar inaceitável que cubanos sejam presos por delito de opinião. Mas ela não só passou ao largo do tema como aproveitou a oportunidade para dar uma cotovelada ideológica nos EUA, citando especificamente o caso de Guantánamo. Ou seja: o Brasil se diz olímpico sobre a questão dos direitos humanos, mas, quando decide tocar no assunto, poupa Cuba, que é uma ditadura, e não os EUA, que são uma democracia.

Ademais, quando ainda era diferente de Lula, Dilma criticou valentemente a situação dos direitos humanos no Irã. Ou seja, atirou a pedra no telhado de Teerã sem se preocupar nem um pouco com o “telhado de vidro” brasileiro. Mas a equação, aqui, é muito fácil de entender: enquanto os aiatolás são elementos exóticos do distante Oriente Médio, a ilha dos irmãos Castro é a utopia assassina da qual a presidente e outros militantes esquerdistas brasileiros se sentem românticos tributários.

Cuba, Dilma, direitos humanos e boas intenções

Josias de Souza

Deu-se o inevitável. No primeiro contato de Dilma Rousseff com os microfones em Cuba pipocaram as perguntas sobre direitos humanos. Ou sobre a falta que eles fazem na ditadura dos irmãos Castro.

Da boca pra fora, Dilma falou muito. Pra dentro, lá bem no íntimo, ela sabe que não disse nada. Serviu-se da generalização, uma ferramenta retórica que possibilita ao entrevistado dizer sem falar.

“Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro”, escondeu-se Dilma. “Nós, no Brasil, temos os nossos. Então, eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral.”

Da generalização, a ex-guerrilheira deslizou para o terreno das boas intenções. “É um compromisso de todos os povos civilizados. É algo que nós temos de melhorar no mundo de uma maneira geral.”

A certa altura, ela jogou pedras contra dois alvos específicos. “Nos vamos começar a falar de direitos humanos no Brasil, nos Estados Unidos, a respeito de uma base aqui chamada Guantânamo…”

Quando se imaginou que engataria uma terceira marcha rumo a Havana, Dilma puxou o freio de mão. “Vamos falar de direitos humanos em todos os lugares.”

O compromisso com o tema, disse ela, deve ser geral, mundial. “Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de combate político-ideológico”.

E tome generalização: “O mundo precisa se convencer de que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar. Inclusive o nosso. Quem atira a primeira pedra, blá, blá, blá…”

No mundo, como se sabe, ninguém é contra o respeito aos direitos humanos. Todos os governantes são genericamente a favor. Sobretudo os facínoras.

Em Cuba, não é preciso ler os panfletos dos dissidentes para farejar denúncias sobre violações. Basta respirar. E os mandachuvas da Ilha são, também eles, contra qualquer modalidade de injustiça.

Se o planeta dependesse das intenções, sempre muito boas, o ser humano viveria num paraíso. Os fatos é que atrapalham o empreendimento. A realidade estraga tudo.

O ideal retórico de Dilma a redime. Protegida sob o manto diáfano da unanimidade, a ex-torturada faz média com os velhinhos de Cuba. Não atua sobre o problema. Mas tenta salvar a biografia.

Ninguém ignora que as cadeias brasileiras são máquinas de moer gente. Ninguém desconhece que Guantânamo é usina de violações. Mas Dilma está em Cuba.

Esperava-se que dissesse uma palavra sobre os direitos humanos no país que decidiu visitar. E Dilma não pronunciou nem meia palavra. Para os seus padrões, isso talvez soasse muito reacionário.

O mundo de Dilma, da boca pra fora, é mágico. Nele, convive-se com a ideia de que a intenção modificará o fato. No mundo real, quebram-se dentes e ossos. Mutilam-se sonhos. Multilateralmente.

A linguagem dos bons sentimentos pode render belos poemas, lindas canções. Porém, manter a defesa dos direitos humanos nesse campo lírico, não é senão uma boa maneira de negar o flagelo, praticando-o.

Socorro! Neste governo, nem quem fabrica dinheiro escapa de suspeita. Outra herança maldita do lulalato

Ricardo Setti, Veja online
O ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci Martins (à esq.), 
em foto com o ministro da Fazenda, Guido Mantega: 
suspeita de corrupção até lá (Foto: Casa da Moeda do Brasil)

Salve-se quem puder!

Enquanto o ministro das Cidades, Mário Negromonte, agarra-se, para não afogar, aos escolhos das suspeitas de irregularidades — se cair, será o sétimo ministro a ir embora por esse tipo de, digamos, problema em 13 meses de governo — o presidente da Casa da Moeda do Brasil, a “fábrica” do dinheiro do país e de várias nações estrangeiras, Luiz Felipe Denucci Martins, desaba no chão por suspeitas de que recebeu 25 milhões de dólares em propinas depositados por fornecedores da estatal em empresas off-shore de sua propriedade.

O presidente da Casa da Moeda!

Denucci Martins, demitido no fim de semana por ordens da presidente Dilma, ocupava o cargo desde 2008 e seria, então, mais uma indicação podre do ínclito e patriótico PTB que veio de contrapeso do lulalato para o atual governo.

Uma herança maldita a mais, pois.

O Radar On-line já havia anunciado ontem o esborrachamento de Denucci Martins.

Sabe ler? Pode entrar na política...

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

O coronel Miguel Sátiro, de Patos, na Paraíba, deputado na República Velha, pai do governador Ernani Sátiro, nunca falou mal de ninguém. E sempre arranjava um jeito de falar bem. Um dia da padroeira, apareceu o compadre, coronel Manuel, sozinho. Miguel Sátiro estranhou:

- Bom dia, compadre Manuel. Cadê o afilhado João?

- Não trouxe não, compadre Sátiro. O menino já está homem, mas não deu para nada. É um caso perdido.

- Não, não é assim não. Vamos ver para o que é que o menino dá.

- Não dá para coisa alguma. Tudo que faz é errado, sem jeito.

- Compadre Manuel, o menino não sabe ler e escrever?

- Sabe, compadre Sátiro.

- Vêm eleições, ele podia entrar na política, ser candidato a vereador.

- Então é para o que dá. Sem vergonha e mentiroso, foi só o que ficou

CORONÉIS
Em 2003 Lula já tinha dado uma de coronel Manuel quando organizou o primeiro ministério. Nomeou os que tinham perdido a eleição e não sabiam fazer outra coisa. O PT loteou o governo de “aspones”, de gente que não sabia fazer coisa nenhuma. Desde então, foi sempre essa arrogância, o delírio de arranjar logo lugar para abrigar os capitães do mato do partido.

Essa gente trata o país como se fosse a chácara do Sombra em Santo André ou o apartamento do compadre Teixeira em São Bernardo. Dividem os cargos como urubus uma carniça. Falta perguntar, como Garrincha, em Moscou, diante dos russos: – Já combinaram com o país, com o povo?

CEMITÉRIO
No centro de Corumbá, no Pantanal, um cemitério tem o nome escrito em largo muro branco e negras letras garrafais: Cemitério Nelson Chamma. Parece o governo de Dilma. Cada dia chama um novo escândalo.

Polícia do PT de Agnelo e Dilma expulsa 70 famílias de área da União, derruba 450 barracos dos miseráveis e prende 29 excluídos

Reinaldo Azevedo

O que vocês acham do texto acima? E como analisam este pobre homem escoltado pela “força bruta”? O que pensam desta linguagem, incluindo a do título? Vejam a foto. Volto em seguida.

PM acompanha invasor durante a retirada: 
Agefis derrubou moradias com a ajuda de três tratores

Esse é mais um exercício que faço para evidenciar como é fácil distorcer a realidade com dados extraídos da realidade. É claro que carrego nas tintas. Imito o procedimento empregado pelos petistas e por certo subjornalismo a soldo. Abaixo, reproduzo uma reportagem do Correio Braziliense de ontem. Como vocês vão notar, tratava-se de uma invasão ilegal. E não existe estado democrático e de direito sem o cumprimento da lei. Leiam o texto do Correio. Volto em seguida.

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Por Antonio Temóteo:
Uma megaoperação do Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo do Governo do Distrito Federal removeu 70 famílias e destruiu 450 barracos de uma invasão na Fazenda Sálvia, de propriedade da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério do Planejamento e Gestão. O latifúndio de 306 hectares, localizado na DF-330, entre Sobradinho e Paranoá, estava ocupado desde a última sexta-feira por invasores que se diziam interessados em participar de um programa de reforma agrária.

Na última quarta-feira, a SPU pediu ao Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo que interviesse na área para remover a invasão. Os trabalhos, coordenados pela Secretaria de Ordem Pública e Social (Seops), começaram às 9h50. Um grupo de 450 homens, formado por policiais militares, civis e federais, fiscais da Agência de Fiscalização do DF (Agefis) e da SPU e bombeiros foi destacado para a retirada.

Os servidores da Agefis derrubaram os 450 barracos e tiveram o auxílio de três tratores. Caminhões do Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU) retiraram o lixo do local. Apenas uma mulher grávida passou mal, mas foi socorrida pelos bombeiros e levada para o Hospital Regional do Paranoá. Ela e o bebê passam bem.

Prisões
Durante a desocupação, a Delegacia do Meio Ambiente (Dema) prendeu 29 pessoas acusadas de invadir com intenção de ocupar terras da União, crime descrito no artigo 20 da Lei nº 4.947, de 1966. As penas para quem comete o delito são de seis meses a três anos de prisão. Cada um dos acusados poderá responder em liberdade, caso uma fiança de R$ 1 mil seja paga. Três pessoas também responderão pelo crime de desacato a autoridade, descrito no artigo 331 do Código Penal. As penas são de seis meses a dois anos.

O agricultor José Pereira Gonçalves, 48 anos, estava em um assentamento em Brazlândia com a mulher e dois filhos e, desde a última sexta-feira, fez um barraco na Fazenda Sálvia. Natural do Maranhão, José diz que gostaria de dar uma vida melhor para os filhos por meio do trabalho na lavoura. “Não quero nada de ninguém. Queria só um pedaço de chão para plantar, mas, como não deu certo, vou esperar uma oportunidade. O governo tinha de ajudar quem precisa. Essa terra está parada”, lamentou.

A agricultora Maria Silva, 39 anos, estava acampada na Fazenda Sálvia com a irmã, Rita Silva, 45. As duas são paraibanas e vieram para Brasília na esperança de conseguirem ser incluídas em um programa de reforma agrária. “A situação é precária no nosso estado. Viemos para cá em busca de um lugar para viver bem. Essa fazenda podia ser dividida entre o povo, mas ninguém consegue nada de graça”, disse.

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Voltei
“Ah, mas não houve violência!” Não porque não houve resistência. A reportagem não diz. Não está claro se a Justiça foi acionada. Parece que não! As forças policiais se encarregaram do assunto. E se note que é terra da União. Foi o Ministério do Planejamento quem pediu que os invasores fossem retirados. Invasão em terra do governo, não! Gilberto Carvalho só apóia invasão de propriedade privada!

Ora, troquem-se as personagens. Estivesse no poder um governo do PSDB ou do DEM, e os petistas estariam lá, “mobilizando” os invasores e indagando: “Mas para onde serão levadas essas pessoas? É justo impedir que tenham as suas casas?” Cadê os deputados petistas? Cadê aquele “secretário” de Gilberto Carvalho???

O que é asqueroso na maioria dos petistas, obviamente, não é o que eles dizem ser apreço pelos “direitos humanos”; asqueroso é seu apreço seletivo. Até agora, nem Maria do Rosário nem Carvalho não se interessaram pelo estudante do Piauí que ficou cego de um olho no choque com a Polícia Militar do Estado, comandada pelos companheiros petistas e pelo PSB.

O amigo das ONGs no Planalto

Murilo Ramos, Revista Época

Instituto de petista, apadrinhado pelo ministro Gilberto Carvalho, entra na mira do Ministério da Ciência e Tecnologia por falta de prestação de contas de R$ 1,5 milhão

AÇÃO ENTRE COMPADRES
O ministro Gilberto Carvalho (no alto, sentado, de terno) 
compareceu à posse de Joe Valle (de pé, de terno) em 
cargo do governo José Roberto Arruda (no centro, de caneta na mão). 
A ONG de Irma Passoni (acima, no canto esquerdo) recebeu 
recursos liberados por Valle. Ambos são amigos de Carvalho 
 (Foto: F. Gualberto/Agência Brasília e Marcia Yamamoto)

Em meio à reforma ministerial iniciada na semana passada, o governo da presidente Dilma Rousseff anunciou a criação da Secretaria de Gestão Pública, vinculada ao Ministério do Planejamento. O objetivo da nova secretaria é tornar a administração pública federal mais eficiente e combater o desperdício de recursos. Os focos da nova secretaria ainda não estão bem delineados, mas, para cumprir sua incumbência, ela bem que poderia se dedicar a aprimorar os convênios entre governo e ONGs – um ralo de dinheiro público.

Na constelação de milhares de ONGs que prestam serviço ao governo, uma tem brilhado com intensidade: o Instituto de Tecnologia Social (ITS), criado em 2001 pela ex-deputada federal Irma Passoni, do PT de São Paulo, com a vaga missão de “promover a geração, o desenvolvimento e o aproveitamento de tecnologias voltadas para o interesse social e reunir as condições de mobilização do conhecimento, a fim de que se atendam às demandas da população”. Desde que o PT chegou ao Palácio do Planalto, o ITS obteve mais de R$ 14 milhões em verbas de convênios, o que o tornou uma das ONGs com melhor trânsito na Esplanada dos Ministérios. Uma das razões do sucesso do ITS é que ele conta com as bênçãos de um padrinho forte: Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência e ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Carvalho, ex-seminarista da Igreja Católica, é amigo de Irma Passoni, ex-freira, desde a fundação do PT, em 1980.

Uma das especialidades do ITS é a área de ciência e tecnologia. A ONG celebrou nove convênios com o Ministério da Ciência e Tecnologia, com valores superiores a R$ 6 milhões. ÉPOCA apurou que Carvalho exerceu uma influência decisiva para o ministério abrir as portas para a ONG de Passoni. Quem fez as honras da casa foi outro amigo do ministro, Joe Valle, ex-secretário de Inclusão Social do ministério, atualmente deputado distrital pelo PSB em Brasília. Como secretário, Valle era o responsável por aprovar os projetos do ITS. Dono de uma chácara de 3 hectares próxima ao Distrito Federal, Carvalho se aproximou de Valle por causa do interesse de ambos pela agricultura orgânica (engenheiro florestal, Valle é dono de uma propriedade especializada em produtos orgânicos). No final de 2009, quando Valle deixou o Ministério da Ciência e Tecnologia para assumir, por um breve período, a presidência da Emater, órgão de apoio a produtores rurais do governo do Distrito Federal, Carvalho fez questão de prestigiar a posse do amigo. Na ocasião, o petista Carvalho sentou-se ao lado de personagens do barulho da política brasiliense, como o ex-governador José Roberto Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octavio, ambos então filiados ao DEM. Dois dias depois da posse, foi deflagrada a Operação Caixa de Pandora, que implodiu o governo Arruda. Após o escândalo, Valle voltou a seu cargo na Ciência e Tecnologia graças ao apoio de Carvalho.

Um dos convênios do ITS patrocinados pela dupla Carvalho-Valle entrou agora na mira dos órgãos de controle interno do governo. Na semana passada, o ordenador de despesas do Ministério da Ciência e Tecnologia, Humberto Schloegl, encaminhou um ofício a Irma Passoni em que cobra a relação de pagamentos, notas fiscais, extratos bancários e regulamento para a realização das contratações do ITS num convênio de R$ 1,5 milhão. A parceria foi feita a propósito do desenvolvimento de projetos em comunidades carentes no Distrito Federal. Apesar de o convênio ter sido finalizado em agosto de 2009, nenhum desses documentos fora apresentado até a semana passada. Se não encaminhar os documentos exigidos em dez dias, Irma Passoni poderá ser inscrita num cadastro de devedores do governo federal. O ministério só tomou essa iniciativa dois dias depois de ÉPOCA ter solicitado acesso à prestação de contas do convênio.

O convênio com a ONG de Passoni terminou em 2009, mas o uso do dinheiro ainda não foi comprovado 
Várias particularidades chamaram a atenção para o convênio, como o repentino interesse do ITS, normalmente concentrado em São Paulo, pela periferia de Brasília. Algumas atividades que teriam sido promovidas pela ONG também causam estranheza. Numa delas, o ITS teria promovido a leitura e discussão da célebre “Carta de Achamento do Brasil”, de Pero Vaz de Caminha, o escrivão do navegador Pedro Álvares Cabral na viagem do Descobrimento do Brasil. Outra iniciativa do ITS teria sido estimular o debate sobre a “arqueologia dos movimentos sociais”. A conclusão do ITS sobre o assunto foi: “Os problemas atuais estão referenciais (sic) em processos históricos não resolvidos na formação socioeconômica brasileira”. Em nota, o ITS disse ter enviado todos os documentos previstos na prestação de contas e que está à disposição para esclarecimentos.

As ligações de Carvalho com Valle são parte de uma denúncia protocolada na Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2010. Outro implicado na denúncia é o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), acusado de favorecer amigos e parentes com emendas parlamentares. A PGR investiga o caso. Rollemberg nega as acusações. Diz que são decorrentes de briga interna do PSB. “O procurador-geral vai concluir que as denúncias não procedem.” Rollemberg foi o antecessor de Valle na Secretaria de Inclusão Social.

O documento, a que ÉPOCA teve acesso, acusa Valle de ter atuado no Ministério da Ciência e Tecnologia como um agente teleguiado de Carvalho. Tanto Valle quanto o ministro negam tal interferência. Carvalho diz que a decisão sobre convênios com ONGs “é responsabilidade dos ministros e autoridades de cada órgão”. Questionado por ÉPOCA, Carvalho reconheceu, porém, que tomou a iniciativa de apresentar a Valle outra ONG: a Harpia Harpyia, dirigida pelo bispo emérito de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, dom Mauro Morelli.Segundo Carvalho, para “solicitar-lhe que dom Mauro fosse atendido dentro das normas e critérios daquela secretaria”. A Harpia, dedicada ao combate à fome, recebe recursos de convênios do Ministério da Ciência e Tecnologia com prefeituras e universidades públicas. O melhor seria se as ONGs dos amigos de Carvalho conseguissem dinheiro apenas por sua competência e eficiência, sem a necessidade dos pistolões do Planalto.

Não, o BC não cumpriu a meta

Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de São Paulo

Inflação de 6,5% no ano é estouro da meta

A gente não gosta de economês, mas um banco central precisa falar numa linguagem rigorosamente técnica. Não importa que seja de difícil compreensão para os leigos. Jornalistas e analistas estão aí para decifrar a coisa, embora seja verdade que às vezes complicam ainda mais. Mas o BC deve ser exato ao dizer como cumpre sua missão de manter a estabilidade da moeda. 

Pois o BC brasileiro falhou nesse quesito na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom). E falhou num ponto essencial: qual é a meta de inflação perseguida pelo banco? No primeiro parágrafo da Ata, divulgada na última quinta, o Copom diz: “pelo oitavo ano consecutivo, a inflação (medida pelo IPCA) situou-se dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)”. 

É verdade. A meta de inflação no Brasil é de 4,5%, mas se admite uma margem de tolerância de dois pontos para baixo e para cima, em situações excepcionais e fora do controle do BC. Portanto, qualquer coisa de 6,5% para baixo cabe dentro do intervalo de tolerância, abaixo do teto. No ano passado, deu 6,5% cravados. Passou raspando, mas passou. 

Já no parágrafo 33 da mesma Ata, ao falar de mudanças estruturais positivas ocorridas na economia brasileira, o Copom diz que isso resultou, entre outros fatores, “do cumprimento da meta de inflação pelo oitavo ano consecutivo”. 

É falso. Cumprir a meta é bater nos 4,5% (ou, vá lá, pertinho disso), como, aliás, o presidente do BC, Alexandre Tombini, repetiu tantas vezes nos últimos tempos. “A meta é 4,5%, não 6,5%”, dizia. 

O leitor que perdoe tanto detalhe, mas o BC não pode dizer coisas diferentes sobre uma questão chave. Reparem: nos últimos oito anos (2004/11), a inflação acertou a meta (4,5%) em apenas dois anos. Em um, ficou abaixo. Nos outros cinco, ficou acima. Na média do período, a inflação anual foi de 5,43%, quase um ponto acima da meta. 

Há uma outra interpretação. Também se diz que 4,5% é o “centro da meta”, de modo que a meta ampliada seria qualquer coisa entre 2,5% e 6,5%. Tudo bem, mas a missão do BC continua sendo a de atingir o centro da meta, como está bem definido nas normas que regulam a política monetária do Banco Central. 

Assim, quando o Copom (que nada mais que é a diretoria do BC) fala em oito anos de “cumprimento da meta”, temos duas possibilidades: ou foi um erro de redação, improvável, ou o BC passou a considerar que, de 6,5% para baixo, está na meta. 

Não é apenas uma especulação. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já disse isso algumas vezes, no que era uma posição diferente do BC. A presidente Dilma não disse tão explicitamente quanto Mantega, mas diversos comentários seus sugerem que ela não se inquieta com os 6,5%. Aliás, quando saiu o resultado do ano passado, o governo comemorou como uma vitória. 

Dirá o leitor que a presidente faz muito bem, que não tem muita diferença entre 4,5% e 6,5%. Mas tem. Sobretudo porque o Brasil tem combinado inflação elevada, acima da meta ou do centro, com crescimento baixo. Nos últimos oito anos, a média de expansão do PIB foi de 4,3%. 

Observação: ao citar os últimos anos como referência, o Copom considera sete do governo Lula e um de Dilma. Deixa de fora o primeiro ano de Lula, 2003, certamente por considerar que foi um período excepcional, em que a economia sofria os efeitos de uma crise de confiança (o medo do PT). Naquele ano, o desempenho foi péssimo, com a economia crescendo apenas 1,1% e inflação de 9,3%. 

Tudo bem, olhando os últimos oito anos, começa que 4,5% de inflação já é elevado. Nos países emergentes, a meta costuma ficar nos 3%. Nos desenvolvidos e maduros, 2%. Claro que há situações excepcionais, como os momentos de crise em que vivemos. Nos últimos tempos, muitos países ficaram acima da meta. 

Comparem, porém. Com os Brics: o Brasil cresce menos que todos os demais (China, Índia, Rússia e África do Sul). E tem inflação menor que Rússia e Índia, países que têm problemas crônicos nesse quesito. Na América Latina, todos os países mais importantes crescem mais que o Brasil. E só a Argentina tem inflação maior - que também é um caso excepcional, não servindo de exemplo para nada. 

Ou seja, o desempenho brasileiro está abaixo da média dos emergentes. Dirão: então por que todo mundo fala do Brasil, por que os investimentos estrangeiros vêm para o Brasil e não, digamos, para o Chile, considerado o mais avançado em política econômica, ou para o Peru, o que mais cresceu nos últimos anos?

Ora, porque o Brasil é grandão – sete vezes maior que esses dois países somados. Quer dizer, oferece enormes oportunidades de negócio. Além disso, o Brasil, de fato, conquistou a estabilidade macroeconômica, como nota o BC na última Ata, graças às bases fincadas no Plano Real: superávit primário, regime de metas de inflação, acerto das dívidas dos Estados e municípios e câmbio mais ou menos flutuante. E o Brasil estável é um paísão, rentável. 

Ora, qual o problema, então? É que o governo Lula e o de Dilma estão apenas se aproveitando de situações – do crescimento mundial até 2008 e, especialmente, da China, até agora – e da estabilidade herdada. Apenas vão administrando a coisa do dia – e nessa gestão andam arriscando em pontos essenciais. 

O governo Dilma, especialmente depois da última Ata do Copom, já topa inflação de 6,5%. Tem elevado gastos públicos de custeio e pessoal e reduzido o de investimentos, fazendo superávit à custa de enorme carga tributária. Tem liberado endividamento dos Estados. 

Em resumo, está abusando das bases econômicas, das tais mudanças estruturais apontadas pelo BC. Estas trouxeram o país até aqui, mas para crescer mais, com inflação menor, seria preciso um novo salto. Não há sinais disso. 

STF e Congresso trazem risco de R$ 320 bi à União

Juliano Basile , Valor Econômico

A volta dos trabalhos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso, amanhã, traz um risco de pelo menos R$ 320 bilhões aos cofres públicos. Esse é o valor que vai ser discutido em ações em tramitação no principal tribunal do país e em projetos no Congresso.

Os maiores riscos estão no STF, onde apenas cinco causas podem custar R$ 151,6 bilhões à União. A principal disputa é a cobrança de ICMS na base de cálculo da Cofins. Se perder essa disputa, a União fica sem R$ 12 bilhões de arrecadação anual, além de assumir um passivo de R$ 76 bilhões.

Apenas seis projetos em discussão na Câmara trazem risco de R$ 61,7 bilhões. O mais importante é a Proposta de Emenda nº 300, de 2006, que estabelece nova forma de remuneração para policiais militares e bombeiros, com um custo adicional de R$ 43 bilhões para a União, Estados e municípios.

Por causa de propostas como essa, a Advocacia Geral da União (AGU) criou um posto na Câmara para monitorar projetos de lei. É o caso do projeto que cria vagas de juízes trabalhistas - com impacto de R$ 3,5 bilhões - e o reajuste do Judiciário, que se aprovado vai custar R$ 7 bilhões por ano à União.

Os ministros do STF vão ter dificuldades para julgar todas as questões de magnitude bilionária neste ano. As causas tributárias concorrem com outras polêmicas, como o julgamento do mensalão, a definição sobre a Lei da Ficha Limpa para as eleições de outubro e a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para investigar juízes antes do início da apuração pelos tribunais locais.

Basta o STF julgar um desses processos para afetar diretamente os cofres do governo. Isso deve acontecer em pelo menos uma grande questão que será levada ao plenário: a definição sobre as perdas decorrentes de planos econômicos. O ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo, disse ao Valor que pretende emitir seu voto para o julgamento ainda neste começo de ano.

A importância do nada

Carlos Brickmann, Brickmann & Comunicação Associados

Brasília está discutindo Elias Fernandes, a permanência de Mário Montenegro, se é que este é o nome dele, as atitudes do deputado potiguar Henrique Alves, do PMDB, o relacionamento entre o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff, a presença de Césare Battisti num forum internacional em Porto Alegre, com o objetivo de mudar o mundo, e pago naturalmente com dinheiro público, que o deles não muda nada, nem de bolso. 

O país está tão parado que não há assunto nem para as discussões. Se o Ministério ficar com Montenegro, Negromonte ou qualquer outro monte dos que vêm sendo citados, tanto faz; se Henrique Alves será ou não o próximo presidente da Câmara, um cargo tão importante que o presidente atual sumiu por vários dias e só se soube que estava fora do país (e ilegalmente) porque a imprensa descobriu seu paradeiro, não faz a menor diferença. Se Severino Cavalcanti já foi presidente da Casa, qual o problema de Henrique Alves chegar lá? Ulysses Guimarães e Adauto Lúcio Cardoso também foram presidentes da Câmara, e levaram ao cargo dignidade e coragem. 

Mas isso faz tanto tempo!

Veja os candidatos a prefeito de São Paulo, maior cidade do país: a credencial de um é o sobrenome tradicional, a de outro é ser neto de um político importante, a de outro é ter escrito mais livros ruins do que tem de anos de vida, a de outro é pentear os cabelos a cada instante, olhando-se ao espelho com ternura. 

Enchentes, habitação, trânsito? Quem sabe um dia isso se resolve sozinho?

Fim de férias
As autoridades têm uma chance ótima de tentar ajudar a resolver estes problemas: neste 1º de fevereiro, acabam-se os recessos e, oficialmente, Suas Excelências voltam de férias. Este colunista tem um palpite: ainda é cedo e todo mundo precisa descansar do descanso. Talvez, digamos, depois do Carnaval?

Promessas sem fatos
O candidato do Governo Federal à Prefeitura paulistana é Fernando Haddad. Ele ocupou o Ministério da Educação durante seis anos e meio, nos Governos Lula e Dilma. Além de organizar o Enem, com os resultados que se conhecem, cabia a ele comandar o Proinfância, órgão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação responsável pela construção de creches. A candidata Dilma Rousseff prometeu entregar 6.427 creches. 

Em mais de um ano de Governo Dilma, e conhecendo a máquina do Ministério da Educação, onde já estava faz tempo, Haddad não conseguiu completar nenhuma creche - ou, para usar a línguagem publicitária oficial, ficou no Creche Zero. 

O nome e a coisa
A região de Pinheirinho, em São José dos Campos, SP, começou a ser ocupada em 2004 (há quem fale em 2002, mas se houve algo mais cedo foi pequeno). Quem estava na Presidência? O PT, que continua lá. Quem estava no Governo? O PSDB, que continua lá. Quem estava na Prefeitura? O PSDB, que continua lá. Então, toda a discussão a respeito de "barbárie", de "império da lei", essas coisas, tudo não passa de conversa mole: todos tiveram tempo suficiente para cuidar do caso antes que se transformasse em emergência. Mas um prefere jogar a culpa no outro em vez de resolver o problema. Trabalhar cansa.

E ter a idéia de marcar as crianças desalojadas com faixas amarelas, como em campos de concentração, é repulsivo.

Frase notável
Da Internet, acompanhando um desenho que não vamos reproduzir neste jornal familiar, uma grande definição política: "O PSDB leva no bolso; o DEM leva na meia; o PT leva na cueca; e o povo leva no mesmo lugar de sempre".

Onde está o dinheiro
Faz mais de um ano que a região serrana do Rio foi atingida por chuvas e enchentes, que provocaram desbarrancamentos e tiraram de seus lares alguns milhares de pessoas. Neste ano, nada havia sido feito; as chuvas e enchentes já atingem uma área devastada e desprotegida. Nada foi feito, explicam-nos as autoridades fluminenses, por falta de dinheiro (e aquele que havia ficou pelo caminho, gerando até processos contra prefeitos e um ou outro afastamento). 

Mas dinheiro para propaganda, isso há: o Governo fluminense, dirigido pelo peemedebista Sérgio Cabral Filho, colocou duas caríssimas páginas de publicidade na revista americanaForeign Affairs, especializada em Relações Internacionais. E não ficou nisso, que Estado rico de país rico não regula micharia: colocou também um anúncio do Governo do Rio na edição de Internet da revista. 

Veja a publicidade que você pagou em http://www.foreignaffairs.com/

Boa notícia
Uma molécula nova, que acaba de ser homologada na Itália, é a nova esperança na luta contra o Mal de Alzheimer. A molécula será a base de uma vacina capaz de provocar, espera-se, uma reação do organismo contra a doença. Não é nada para já, claro: são necessárias outras homologações (como a da FDA americana) e, cumprido esse processo, começam os testes, para só mais tarde se pensar em oferecer a vacina no mercado. 

Mas já é uma esperança. 

Poder de fogo reduzido

João Bosco Rabello - O Estado de S.Paulo

O PMDB é um pote só de mágoas, mas a extensa base governista e a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff reduzem o seu histórico poder de retaliação no Legislativo neste momento. Afora malcriações de perfis mais intempestivos, como o do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), o partido, por ora, pouco pode fazer para causar prejuízo concreto à presidente.

Frustrada a proposta do empresário e conselheiro Jorge Gerdau de reduzir o número de ministérios, Dilma busca na reforma de setores estratégicos do segundo e terceiro escalões a eficiência de gestão que considera (com razão) urgente e indispensável para manter o índice de aprovação de seu governo.

Movida pela necessidade, mexe num vespeiro, pois é nessas instâncias que a partidarização da estrutura do Estado se dá de forma avassaladora. Casos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) ou a Transpetro são apenas dois entre centenas de feudos partidários de ineficiência.

Há muitos outros - e diga-se, a favor do PMDB -, distribuídos por todos os partidos da base, principalmente o PT. E é nesse ponto que a mágoa peemedebista aumenta: com razão, o partido avalia que seu maior concorrente na disputa por cargos está mais blindado pelo governo.

Com o governo politicamente forte, contexto que cala também a oposição, a expectativa de alguma reação é guardada pelo PMDB para 2013, decisivo para Dilma, já que 2014 será ano de campanha presidencial. É nessa hora que o governo recorrerá ao PSD de Gilberto Kassab, que hoje afaga ostensivamente.

Presidências,estresse maior
Mais do que a perda de cargos, a convicção de que há estímulo do Palácio do Planalto para que o PT descumpra o acordo para as presidência das Câmara e Senado estressa o PMDB. O governo já foi aconselhado a se manter distante do processo deixando que eventuais tentativas de disputa ocorram dentro do ambiente legislativo. Do contrário, une o PMDB. No Senado, o partido identifica um estímulo ao senador Humberto Costa (PT-PE) e, na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ele próprio candidato, não esconde que é contra o acordo que garante o posto ao atual líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), desgastado ao limite com os revezes junto ao governo.

Disputa no PDT
O PDT continua dividido sobre a sucessão no Ministério do Trabalho. O ex-ministro Carlos Lupi defende os nomes do secretário-geral, Manoel Dias, e do vice-presidente, deputado André Figueiredo (RJ). De outro lado, o deputado Brizola Neto (RJ), seu rival. A presidente Dilma só vai decidir quando voltar do exterior.

"Paulistização"
É a perspectiva de ser cortejado pelo governo em 2013 que produz em alguns setores do PSD a sensação de que a guinada do prefeito Gilberto Kassab em direção ao PT foi precipitada e determinada por fatores restritos à sua sucessão e ao contexto das eleições paulistas. Há uma preocupação com a prevalência do interesse regional sobre o projeto estratégico de consolidar a legenda nacionalmente. Ainda sem os recursos do Fundo Partidário, o PSD não tem sede em Brasília e funciona exclusivamente em São Paulo, girando hoje basicamente em torno do prefeito e seu fundador.

Sem lugar ao sol
Pelo menos uma parte da bancada do PT, na Câmara, está insatisfeita com o presidente da legenda, Rui Falcão, por achar que ele não luta por um lugar no ministério para um dos 97 deputados que a integram.

A omissão da oposição na entrega do gás da Petrobras a uma multinacional

João Vinhosa, Tribuna da Imprensa

Continuam a serem denunciadas, sem que ninguém do governo se manifeste, as várias facetas da Gemini – espúria sociedade por meio da qual o cartório nacional de produção e comercialização de Gás Natural Liquefeito (GNL) foi entregue a uma empresa privada pertencente a um grupo norte-americano.

Esse silêncio do governo é normal, pois fingir-se de morto é a melhor estratégia para quem não tem como explicar aquilo que é inexplicável.

O que não é normal é a impressionante omissão da oposição, fato destacado em artigo publicado em 27 de janeiro de 2012 no blog do jornal Tribuna da Imprensa sob o título “Privilégio concedido pela Petrobras à multinacional (…) precisa ser investigado. A acusação é grave demais.”.

Em tal artigo, o jornalista Carlos Newton – depois de esclarecer que o caso já havia sido infrutiferamente denunciado “à então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que na condição de ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, avalizou a criação de tal sociedade” – foi no âmago da questão: “Não dá para compreender é porque a oposição não se interessa em apurar nem cobra uma manifestação de Dilma a respeito das graves denúncias”.

Cumpre informar que inúmeras vezes denunciei – de maneira clara, precisa e enérgica – às mais diversas autoridades e a políticos da oposição, atos lesivos ao interesse nacional envolvendo a Gemini.

A CURIOSIDADE DE SERRA
Depois de já estar denunciando há anos o autêntico crime de lesa-pátria representado pela Gemini, levei o assunto ao pessoal da campanha do candidato Serra para que ele questionasse a candidata Dilma logo nos primeiros debates para as eleições presidenciais.

Enquanto Serra era atacado sob a alegação que, se eleito fosse, iria privatizar a Petrobras, Dilma – que não teria como se explicar diante das maracutaias que beneficiaram enormemente uma empresa privada em detrimento da Petrobras – navegava tranqüila na imensa incapacidade do pessoal da campanha de Serra.

A situação se tornou ridícula no último debate, realizado na TV Record em 25 de outubro de 2010. Pelas regras de tal debate, um candidato perguntava, o outro candidato replicava; porém, não havia possibilidade de tréplica, como nos debates anteriores.

Só nessa última precária oportunidade, Serra tentou imprensar Dilma com o caso Gemini, afirmando: “O atual governo cedeu para a (…), uma multinacional, a sociedade do fornecimento de gás liquefeito. A Petrobrás ficou com a menor parte, 40%. Ela favoreceu uma multinacional em relação à ação da Petrobras, que tinha toda a condição para fazer esse trabalho”.

Embora Serra tenha citado duas vezes tal espúria sociedade, Dilma, que sempre se recusou a falar do caso Gemini, não se manifestou sobre o assunto.

Só restou a Serra, em entrevista concedida ao final do debate, afirmar pateticamente que havia ficado “curioso” para saber o pensamento de Dilma sobre “essa associação estranha da Petrobras com a (…), que entregou a essa multinacional o controle do gás liquefeito no Brasil”.

Interessante é que Serra fez um papel ridículo, e deve continuar, até hoje, curioso para saber o pensamento de Dilma a respeito da Gemini; porém, tem medo de perguntar, pois não é do feitio de nossa oposição contestar quem tem alto índice de aprovação popular, por mais suspeita que sejam as pesquisas.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
Entre minhas denúncias, uma das mais recentes encontra-se no artigo “Escândalo Gemini: Dilma questionará Graça Foster – sua preferida para presidir a Petrobras?”, publicado no Alerta Total (http://www.alertatotal.net/) em 28 de novembro de 2011.

Em tal artigo – que é, na realidade, uma carta-aberta à presidente Dilma – acusei, entre outras coisas, o fato de a Diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, ter se mantido em silêncio diante da denúncia por mim formulada ao Procurador-Geral da República em 19 de outubro de 2010.

A referida denúncia – que se encontra anexada a uma carta não respondida pela citada Diretora – trata de evidências sobre uma rede de cumplicidade para praticar tráfico de influência com o objetivo de blindar a Gemini.

Para piorar a situação, tal denúncia foi considerada altamente ofensiva à honra da presidente Dilma pelo Ministério Público Federal (MPF). A seguir, são reproduzidos alguns trechos do documento em que o Procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho decidiu pelo arquivamento da denúncia.

1 – “O objeto destas peças informativas é, exclusivamente, o suposto tráfico de influência imputado à Presidenta da República”;

2 – “A alegação de tráfico de influência praticado pela então Ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, foi mera ilação”;

3 –“Aprovação da formação da sociedade pelo CADE, ilícito este que teria sido praticado pela Presidenta da República Dilma Rousseff”;

4 –“Quanto ao suposto tráfico de influência, deve-se dizer que não há um mínimo de lastro probatório para dar suporte a tese de que a Presidenta da República Dilma Rousseff, então Ministra das Minas e Energia e Presidenta do Conselho de Administração da Petrobras tenha praticado atos ilícitos”;

5 –“A mera correlação feita pelo representante entre os cargos ocupados à época e a fusão das empresas não permite a presunção de que tenha ocorrido intermediação ilícita entre a então Ministra de Minas e Energia e os Conselheiros do CADE, a ensejar a irregular aprovação da criação da empresa. Trata-se, assim, de mera ilação”.

Cabe informar que, para confrontar com o acima transcrito entendimento do MPF, escrevi o artigo “Dilma foi caluniada no escândalo Gemini?”, no qual afirmei que as interpretações do MPF seriam por mim pulverizadas em outra oportunidade – caso a presidente Dilma se julgasse por mim caluniada e, em defesa de sua honra, me processasse judicialmente.

Finalizando, deixo no ar a pergunta: onde anda a oposição?

João Vinhosa é engenheiro – 

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NOTA DE REDAÇÃO – Não sabemos por que motivo o autor do artigo não cita a multinacional. Talvez esteja sendo processado por ela e a Justiça, liminarmente, o tenha proibido de fazê-lo. Mas o Blog, por sua conta, tem o dever de informar que se trata da empresa norte-americana White Martins, que ficou com 60% da Gemini, e a Petrobras estranhamente se contentou com 40%.

Vítimas da tragédia no Rio não têm a quem recorrer

Agência Brasil

Indenizações só poderão ser pedidas depois que foram identificados os responsáveis pelo desabamento de três prédios no centro da cidade

 Foto: RICARDO MORAES/REUTERS

O procurador-geral da Ordem dos Advogados Brasil, seção Rio de Janeiro (OAB-RJ), Ronaldo Cramer disse hoje (29) que enquanto não for levantada pelo poder público a responsabilidade pelo desabamento de três prédios na região central da cidade, as vítimas não têm condições jurídicas de pleitear indenizações na Justiça.

"Parentes de pessoas que morreram podem exigir indenizações por danos morais. E quem perdeu patrimônio tem direito a entrar com uma ação pedindo reparação material. Mas, naturalmente, essas ações só podem existir a partir do momento em que houver um réu", explicou Cramer.

Segundo Ronaldo Cramer, no caso da perda de parentes, as indenizações costumam ser de R$ 200 mil, aproximadamente. Se houver perda patrimonial, o valor pago depende de quanto o autor da ação consegue documentar os investimentos feitos.

Ele destacou que o fato de a apuração dos culpados ser de responsabilidade do poder público pode facilitar a vida de quem for buscar seu direito na Justiça. "Pelo menos, essas pessoas não vão precisar produzir as provas que garantam o pagamento das indenizações, como ocorre em outros casos. As provas virão de laudos independentes, que não foram contratados por nenhuma das partes".

O procurador-geral da OAB, disse que, no caso dos proprietários e locatários de salas dos prédios que vieram abaixo, a luta pela recuperação do investimento que virou pó pode ser ainda mais árdua do que a dos parentes de pessoas que morreram no desabamento.

"Para se receber uma indenização por danos materiais, é necessário comprovar o quanto foi investido naquele espaço. E isso será dramático, porque as provas de investimentos estão embaixo dos escombros. O proprietário pode até conseguir um documento no registro de imóveis comprovando que a sala era dele, mas como atestar o que havia dentro das salas? Só com provas testemunhais, que são mais frágeis”, concluiu.

Battisti in Poa

Percival Puggina, ZERO HORA

Inevitável. A sensação da semana foi a presença do italiano Cesare Battisti em Porto Alegre. Tudo estava preparado para uma palestra de José Graziano, como evento do Fórum Social Temático, quando - surpresa geral! - o italiano, com cabelo de jogador argentino e vestindo camisa vermelha, apareceu pisando firme no tapete do Palácio Piratini. A bem da verdade, diga-se que o tapete já estava lá. Não foi desenrolado para o receber. Mas celebridade é celebridade, holofotes e microfones foram atrás e Graziano ficou às escuras com suas teses. Battisti dominou o noticiário estadual nas 24 horas subsequentes. 

Alinho-me entre os que ficaram perplexos com as imagens do governador do Rio Grande do Sul cumprimentando efusivamente o italiano e acolhendo-o sorridente, entre abraço, apertos de mão e um caloroso "Bem-vindo ao Rio Grande do Sul!", como se pode ver e ouvir aqui, em short link: http://bit.ly/ACiXwt. Embora considere o episódio constrangedor para nosso Estado, não quero discutir seu significado simbólico, conforme, aliás, foi percebido por muitas manifestações de leitores na edição de quinta-feira de Zero Hora e no programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, na manhã do mesmo dia. O militante do "Proletários Armados pelo Comunismo", tendo ganho a liberdade, estava autorizado a circular livremente pelo país, vir a Porto Alegre e entrar no Palácio, mas, cá entre nós, nada justifica aquela acolhida afável. 

Há antecedentes. Durante o anterior governo petista, um representante das FARC, Hernán Ramirez, foi recebido em audiência no Palácio Piratini. Nunca se soube do que tratou com Olívio Dutra. Articula-se nas FARC um naipe completo dos maiores flagelos da humanidade: comunismo, guerrilha, terrorismo, tráfico de armas e de drogas pesadas. Das pragas modernas só ficam de fora a bomba atômica, o câncer e o funk. O resto todo é operado por essa organização que, por afinidade ideológica, ganhou audiência no governo petista em 1999. Nos primeiros eventos do FSM em Porto Alegre, entre Josés Bovés e assemelhados, por aqui foram recebidas representações do IRA, do ETA, do governo cubano e outros apologistas da violência. Os estandes instalados junto aos locais de encontro só se disponibilizam adereços com ícones revolucionários e literatura marxista da pior qualidade. Até hoje não consegui saber se existe em Porto Alegre algo que a transforme em Jerusalém dessas romarias anuais, ou se isso acontece apenas porque aqui o contribuinte paga boa parte da conta. 

A questão de fundo, no Caso Battisti é a natureza dos crimes. Políticos ou não políticos, os crimes? Se políticos, ele ficaria no Brasil, se não políticos, seria mandado para a Itália. O STF decidiu que os crimes não foram políticos e recomendou a extradição, mas atribuiu a providência ao arbítrio do presidente da República. Este seguiu a orientação do então ministro Tarso Genro e optou pela concessão do refúgio. Em certas correntes ideológicas, até mesmo crimes de sangue, se cometidos a serviço da causa, ganham proteção, indulgência e tratamento privilegiado. Isso é inaceitável! Não foram políticos todos os criminosos mais letais, todos os genocidas que a humanidade conheceu? Não são dessa natureza os crimes mais hediondos da história? Ademais, uma coisa é alguém obter refúgio por estar submetido a injustificada perseguição política. Outra, bem diferente, é tratar o criminoso comum com maior severidade do que o criminoso político. Como sociedade, será um desperdício se nada aprendermos com esse lamentável episódio.

Como se desvia dinheiro no Brasil

Marcelo Rocha, Revista Época

Com base na análise de casos recentes, ÉPOCA lista as modalidades de corrupção mais comuns no Brasil – e propõe ideias para diminuir a roubalheira

(Foto: Shutterstock)

O livro Arte de furtar foi concluído em 1656. Atribuído ao Padre Antônio Vieira (mais tarde essa autoria seria contestada), o documento era endereçado ao rei de Portugal, Dom João IV, um dos primeiros representantes da Casa de Bragança. Com o intuito de alertá-lo sobre os malfeitos de seus súditos no além-mar, a obra lista as diversas maneiras encontradas pelos representantes da coroa portuguesa para desviar dinheiro público na colônia. Uma breve passeada pelos títulos de alguns de seus 70 capítulos mostra como a “arte” já se manifestava e se aperfeiçoava no Brasil do século XVII: “Dos que furtam com unhas invisíveis”, “Dos que furtam com unhas toleradas”, “Dos que furtam com unhas vagarosas”, “Dos que furtam com unhas alugadas”, “Dos que furtam com unhas pacíficas” e até “Dos que furtam com unhas amorosas” são alguns deles.   

DENÚNCIA
Uma edição de 1926 do livro Arte de furtar, 
obra finalizada em 1652 para alertar o rei de Portugal
 sobre os malfeitos de seus súditos no Brasil Colônia 
(Foto: Sidinei Lopes )

O livro Arte de furtar é uma amostra de como a discussão sobre a corrupção é antiga no Brasil – e a leitura diária dos jornais atesta que o assunto continua presente. Na semana passada, O Globo publicou que o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o DNOCS, teve um prejuízo de R$ 312 milhões em contratações irregulares e gestão de pessoal. No dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff – que popularizou a expressão “malfeito” durante um encontro com Barack Obama, dizendo que não os toleraria em seu governo – teve de mostrar mais uma vez que dizia a verdade. A partir da reportagem, ela decidiu, em mais um lance de sua bem-vinda “limpeza”, negociar com o PMDB para retirar Elias Fernandes Neto, diretor do DNOCS, da direção do órgão. Na quinta-feira, ele saiu.

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Para os governantes
A tolerância do eleitor com os “malfeitos” é muito menor em sociedades democráticas e com imprensa livre

Para o eleitor
Saber como se rouba ajuda na fiscalização dos políticos

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Não existe sociedade cuja população seja mais ou menos propensa ao roubo. Uma pesquisa científica feita anos atrás mostrou que, diante de uma situação de dilema ético, cerca de 10% das pessoas agem de acordo com rígidos princípios morais, outros 10% agem de forma a tirar o máximo de vantagem, mas a maioria absoluta, cerca de 80%, se pauta principalmente pela possibilidade de ser apanhada. Esse resultado se repete de forma praticamente idêntica em diferentes nações. Portanto, o que faz diferença no nível de corrupção de cada sociedade não é a ideologia, a religiosidade ou a classe social de origem de seus dirigentes, mas as formas com que suas instituições vigiam e punem os responsáveis.

Quem estuda o tema corrupção sem recalque moralista ou interesse partidário costuma dizer que é impossível medir com precisão o tamanho da roubalheira em cada cidade, Estado ou nação. O que alguns rankings internacionais costumam mostrar nada mais é que a percepção da corrupção, uma ideia tão imprecisa quanto a percepção do medo, da saudade ou do amor. Quem rouba não deixa recibo. Tudo o que se conhece, portanto, não é o que foi efetivamente roubado, mas apenas a fração correspondente ao que foi denunciado, flagrado ou investigado.

Técnicos do governo encarregados do combate à corrupção dizem que, nos últimos anos, os mecanismos de controle avançaram, as investigações se tornaram mais profissionais e os órgãos de fiscalização trabalham mais em parceria. No ano passado, a Controladoria-Geral da União (CGU) apurou desvios que chegam a R$ 1,8 bilhão. A soma é resultado de investigações que envolveram licitações fraudadas, cobranças indevidas de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e verbas que seriam empregadas em atividades esportivas para crianças carentes. Desde 2002, quando a CGU passou a consolidar os números, os desvios somam R$ 7,7 bilhões. Esses valores representam o montante que deve ser cobrado dos responsáveis por essas irregularidades, mas, sabidamente, está longe de ser o montante que foi roubado no Brasil.

Se é muito difícil medir com exatidão quanto se rouba, bem menos complicado é saber como se rouba, como já havia reparado o autor do livro de três séculos atrás. Furtar, de fato, é uma arte. Não no sentido de ser algo louvável, mas no sentido de envolver uma multiplicidade de técnicas. O roubo clássico é o desvio de dinheiro de obras públicas, com fraudes em licitações e superfaturamento de preços. Em tempos recentes, a “arte” se sofisticou, envolvendo operações mais imateriais, como cursos e consultorias – serviços mais difíceis de quantificar em termos monetários. Na reportagem que se segue, ÉPOCA listou sete das modalidades de desvio mais comuns no Brasil atual, exemplificando cada uma com casos recentes denunciados pela imprensa.

No ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu recuperar R$ 330 milhões para os cofres públicos em ações que tramitam na Justiça que envolvem, entre outros, casos de corrupção contra a administração pública. Só em 2011, a AGU entrou com ações que pedem a devolução de R$ 2,3 bilhões. É uma luta que vale a pena. Ao ler sobre corrupção praticamente todos os dias na imprensa, é comum que o cidadão muitas vezes se sinta perdido, confuso, desorientado. O guia a seguir visa mostrar que, de maneira geral, a corrupção não é algo tão complexo e rocambolesco como muitas vezes pode parecer. Como uma carta endereçada ao cidadão brasileiro, da mesma forma que Arte de furtar se dirigia ao rei Dom João IV, o objetivo singelo desse levantamento é mostrar como se rouba no Brasil atual. Sempre tendo em vista que, entre estes cidadãos, está a presidente Dilma Rousseff, tão preocupada com os “malfeitos”.

Rio de Janeiro desmoraliza até o aquecimento global

Carlos Newton, Tribuna da Imprensa

Quando Brigitte Bardot era a mulher mais famosa do mundo e se encantou com o Rio de Janeiro, foi aquela sensação. Ela estava namorando com o jogador de basquete e playboy Bob Saguri, um carioca de origem marroquina, que a levava a restaurantes e boates, e nos primeiros dias o casal estava sempre perseguido pela imprensa.

Uma semana depois, BB já estava incorporada à cidade (diga-se, à Zona Sul), e podia circular à vontade, ninguém mais prestava atenção nela. E havia até quem reclamasse quando ela entrava no Zepellin, no Jangadeiro ou no Mau Cheiro, os três bares preferidos de Ipanema: “Lá vem aquela chata da Brigitte..”

O Rio de Janeiro é assim, uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, que encanta os turistas e desmoraliza mitos. Agora, nesta fase da temporada do chamado Alto Verão, o Rio se diverte desmoralizando o aquecimento global. Faz frio, ninguém consegue ir à praia.

Os turistas se entreolham, estupefatos, perguntando pelo Sol e pelas garotas de Ipanema (e garotos, também, desde que parte da praia se transformou num dos mais famosos redutos gays do mundo).

A cidade está cheia de turistas, mas as praias estão desertas, em pleno Alto Verão, com aquecimento global e tudo o mais. Se aparecer quem diga que a culpa é do derretimento dos pólos, e o carioca vai responder que só se importa com a cerveja gelada. E vamos em frente.

Oposição sem rumo

Marco Antonio Villa - O Estado de S.Paulo

 Nesta semana fomos surpreendidos por uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso. Não pela entrevista, claro, mas pela análise absolutamente equivocada da conjuntura brasileira. Esse tipo de reflexão nunca foi seu forte. Basta recordar alguns fatos.

Em 1985 iniciou a campanha para a Prefeitura paulistana tendo como aliados o governador Franco Montoro e o governo central, que era controlado pelo PMDB, além da própria Prefeitura, sob o comando de Mário Covas. Enfrentava Jânio Quadros, um candidato sem estrutura partidária, sem programa e que entrou na campanha como livre atirador. Fernando Henrique achou que ganharia fácil. Perdeu.

No ano seguinte, três meses após a eleição municipal, propôs, em entrevista, que o PMDB abandonasse o governo, dias antes da implementação do Plano Cruzado, que permitiu aos candidatos da Aliança Democrática vencer as eleições em todos os Estados. Ele, aliás, só foi eleito senador graças ao Cruzado.

Passados seis anos, lutou para que o PSDB fizesse parte do governo Fernando Collor. Ele seria o ministro das Relações Exteriores (e o PSDB receberia mais duas pastas). Graças à intransigência de Covas, o partido não aderiu. Meses depois, foi aprovado o impeachment de Collor.

Em 1993, contra a sua vontade, foi nomeado ministro da Fazenda por Itamar Franco. Não queria, de forma alguma, aceitar o cargo. Só concordou quando soube que a nomeação havia sido publicada no Diário Oficial (estava no exterior quando da designação). E chegou à Presidência justamente por esse fato - e por causa do Plano Real, claro.

Em 2005, no auge da crise do mensalão, capitaneou o movimento que impediu a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Lula. Espalhou aos quatro ventos que Lula já era página virada na nossa História e que o PSDB deveria levá-lo, sangrando, às cordas, para vencê-lo facilmente no ano seguinte. Deu no que deu, como sabemos.

Agora resolveu defender a tese de que a oposição tenha um candidato presidencial, com uma antecedência de dois anos e meio do início efetivo do processo eleitoral. É caso único na nossa História. Nem sequer na República Velha alguém chegou a propor tal antecipação. É uma espécie de dedazo, como ocorria no México sob o domínio do PRI. Apontou o dedo e determinou que o candidato tem de ser Aécio Neves. Não apresentou nenhuma ideia, uma proposta de governo, nada. Disse, singelamente, que Aécio estaria mais de acordo com a tradição política brasileira. Convenhamos que é um argumento pobre. Ao menos deveria ter apresentado alguma proposta defendida por Aécio para poder justificar a escolha.

A ação intempestiva e equivocada de Fernando Henrique demonstra que o principal partido da oposição, o PSDB, está perdido, sem direção, não sabendo para onde ir. O partido está órfão de um ideário, de ao menos um conjunto de propostas sobre questões fundamentais do País. Projeto para o País? Bem, aí seria exigir demais. Em suma, o partido não é um partido, na acepção do termo.

Fernando Henrique falou da necessidade de alianças políticas. Está correto. Nenhum partido sobrevive sem elas. O PSDB é um bom exemplo. Está nacionalmente isolado. Por ser o maior partido oposicionista e não ter definido um rumo para a oposição, acabou estimulando um movimento de adesão ao governo. Para qualquer político fica sempre a pergunta: ser oposição para quê? Oposição precisa ter programa e perspectiva real de poder. Caso contrário, não passa de um ajuntamento de vozes proclamando críticas, como um agrupamento milenarista.

Sem apresentar nenhuma proposta ideológica, a "estratégia" apresentada por Fernando Henrique é de buscar alianças. Presume-se que seja ao estilo petista, tendo a máquina estatal como prêmio. Pois se não são apresentadas ideias, ainda que vagas, sobre o País, a aliança vai se dar com base em qual programa? E com quais partidos? Diz que pretende dividir a base parlamentar oficialista. Como? Quem pretende sair do governo? Não será mais uma das suas análises de conjuntura fadadas ao fracasso?

O medo de assumir uma postura oposicionista tem levado o partido à paralisia. É uma oposição medrosa, envergonhada. Como se a presidente Dilma Rousseff tivesse sido eleita com uma votação consagradora. E no primeiro turno. Ou porque a administração petista estivesse realizando um governo eficiente e moralizador. Nem uma coisa nem outra. As realizações administrativas são pífias e não passa uma semana sem uma acusação de corrupção nos altos escalões.

O silêncio, a incompetência política e a falta de combatividade estão levando à petrificação de um bloco que vai perpetuar-se no poder. É uma cruel associação do grande capital - apoiado pelo governo e dependente dele - com os setores miseráveis sustentados pelos programas assistencialistas. Ou seja, o grande capital se fortalece com o apoio financeiro do Estado, que o brinda com generosos empréstimos, concessões e obras públicas. É a privatização em larga escala dos recursos e bens públicos. Já na base da pirâmide a estratégia é manter milhões de famílias como dependentes de programas que eternizam a disparidade social. Deixam de ser miseráveis. Passam para a categoria da extrema pobreza, para gáudio de alguns pesquisadores. E tudo temperado pelo sufrágio universal sem política.

Em meio a este triste panorama, não temos o contradiscurso, que existe em qualquer democracia. Ao contrário, a omissão e a falta de rumo caracterizam o PSDB. Para romper este impasse é necessário discutir abertamente uma proposta para o País, não temer o debate, o questionamento interno, a polêmica, além de buscar alianças programáticas. É preciso saber o que pensam as principais lideranças. Numa democracia ninguém é líder por imposição superior. Tem de apresentar suas ideias.