Por Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa
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Mal fez o presidente Lula em dizer que o ano de 2006 estava acabado, que para ele não valeria mais nada. Disse isso ainda em novembro, numa espécie de desperdício inconseqüente. Porque vá falar assim para ver que resposta terá, para velhinhos de 80 ou 90. Eles aceitarão que o seu ano acabou antes de 31 de dezembro? Soa como praga, esse desprezo pelos dias em que o sol ainda vai brilhar, as crianças continuarão sorrindo e até os especuladores ganharão com a exploração do tesouro público. De qualquer forma, terminado ou não o ano de 2006, a perspectiva que se abre é a respeito de 2007. Será melhor ou pior do que o ano anterior?
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Coluna do meio
Do jeito que as coisas vão, melhor seria marcar coluna do meio, lembrando os tempos em que só funcionava a Loteria Esportiva. Porque correndo as coisas como vão, o segundo mandato do presidente Lula será igualzinho ao primeiro. Começa que o endividamento do governo continua aumentando.
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Os cofres públicos devem R$ 1,2 trilhão aos compradores de títulos da dívida pública, entre bancos, multinacionais e governos estrangeiros. Eles detêm a chave da débâcle nacional, se decidirem resgatar esses papéis à medida que forem vencendo. Claro que não farão isso. Preferem ir sangrando a economia nacional aos poucos e recolhendo seus dividendos aos poucos, assim como fazem os credores das dívidas externas. Quantas vezes já pagamos essas dívidas, externa e pública, somados os juros já pagos?
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Teria o presidente coragem bastante para dar um basta a essa desmedida exploração? Pareceu ter, na primeira vez em que se elegeu. Até na campanha pela reeleição ensaiou passos no sentido de mudar os ventos. Conquistada a vitória, porém, esqueceu o que prometera.
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O pacote do crescimento econômico escafedeu-se, depois de seguidas declarações de estar a um milímetro de sua divulgação. Idéias, até que podem ter circulado por aí, como a redução de impostos, a facilitação da atividade produtiva diante da atividade especulativa, os investimentos em infra-estrutura e até a interferência do poder público em setores onde o setor privado revela-se lamentável.
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Nem é preciso começar com o caos que assola o tráfego aéreo, onde se discute apenas se mais lambanças fizeram os responsáveis pelos controles de vôo ou se as frágeis empresas que dominam o setor. "Quem não tem competência não se estabelece", diz o velho refrão luso que tanto progresso trouxe ao País em séculos anteriores. O diabo é que agora a competência foi substituída pela velhacaria. Só progride a empresa privada que souber lesar o fisco, superfaturar seus produtos e enganar o consumidor.
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2007 diferente ou precipício
Está o presidente Lula diante de uma encruzilhada que recusou atravessar, durante quatro anos. Para ficar no caso do tráfego aéreo: ou intervém nas empresas e reformula totalmente a questão dos controladores, ou continuaremos, como neste período de Natal e Ano Novo, a sofrer as mesmas conseqüências da imprevidência da velhacaria.
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Deveria S. Exa. prestar atenção no que vem por aí. Nem as classes desfavorecidas agüentarão mais ser sustentadas pelo bolsa-família, nem a classe média suportará inerte à roubalheira praticada em seu nome. Mesmo as elites convivendo com a sombra da falência empresarial suportarão por muito mais tempo a evidência de que a produção dá prejuízo.
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Imaginou-se, senão uma revolução, ao menos uma reforma ampla do modelo que nos assola há décadas. Nada aconteceu. O primeiro governo Lula seguiu o neoliberalismo. O resultado: ricos mais ricos e pobres mais pobres.
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O genial Eduardo Bueno, em mais um de seus livros sobre os alvores da nacionalidade, lembrou que François I, rei de França, insurgiu-se contra o Tratado de Tordesilhas dividindo o Novo Mundo entre espanhóis e portugueses indagando: em que cláusula do testamento de Adão estava escrito que para os lados de cá do Atlântico só poderiam dominar as casas reais de Madri e Lisboa?
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No testamento do governo Lula, onde está escrito que devemos submeter-nos aos ditames do mundo rico? Que devemos fazer superávit primário para pagar dívidas e que estamos proibidos de abrir estradas?
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Ou 2007 começa diferente ou iremos para o precipício. Não havia opção, em outubro. Era votar em Lula, em branco, ou pior, escolher Alckmin. Optou-se pelo torneiro-mecânico, mas, aqui para nós, alguém acredita em mudanças?
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Mal fez o presidente Lula em dizer que o ano de 2006 estava acabado, que para ele não valeria mais nada. Disse isso ainda em novembro, numa espécie de desperdício inconseqüente. Porque vá falar assim para ver que resposta terá, para velhinhos de 80 ou 90. Eles aceitarão que o seu ano acabou antes de 31 de dezembro? Soa como praga, esse desprezo pelos dias em que o sol ainda vai brilhar, as crianças continuarão sorrindo e até os especuladores ganharão com a exploração do tesouro público. De qualquer forma, terminado ou não o ano de 2006, a perspectiva que se abre é a respeito de 2007. Será melhor ou pior do que o ano anterior?
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Coluna do meio
Do jeito que as coisas vão, melhor seria marcar coluna do meio, lembrando os tempos em que só funcionava a Loteria Esportiva. Porque correndo as coisas como vão, o segundo mandato do presidente Lula será igualzinho ao primeiro. Começa que o endividamento do governo continua aumentando.
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Os cofres públicos devem R$ 1,2 trilhão aos compradores de títulos da dívida pública, entre bancos, multinacionais e governos estrangeiros. Eles detêm a chave da débâcle nacional, se decidirem resgatar esses papéis à medida que forem vencendo. Claro que não farão isso. Preferem ir sangrando a economia nacional aos poucos e recolhendo seus dividendos aos poucos, assim como fazem os credores das dívidas externas. Quantas vezes já pagamos essas dívidas, externa e pública, somados os juros já pagos?
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Teria o presidente coragem bastante para dar um basta a essa desmedida exploração? Pareceu ter, na primeira vez em que se elegeu. Até na campanha pela reeleição ensaiou passos no sentido de mudar os ventos. Conquistada a vitória, porém, esqueceu o que prometera.
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O pacote do crescimento econômico escafedeu-se, depois de seguidas declarações de estar a um milímetro de sua divulgação. Idéias, até que podem ter circulado por aí, como a redução de impostos, a facilitação da atividade produtiva diante da atividade especulativa, os investimentos em infra-estrutura e até a interferência do poder público em setores onde o setor privado revela-se lamentável.
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Nem é preciso começar com o caos que assola o tráfego aéreo, onde se discute apenas se mais lambanças fizeram os responsáveis pelos controles de vôo ou se as frágeis empresas que dominam o setor. "Quem não tem competência não se estabelece", diz o velho refrão luso que tanto progresso trouxe ao País em séculos anteriores. O diabo é que agora a competência foi substituída pela velhacaria. Só progride a empresa privada que souber lesar o fisco, superfaturar seus produtos e enganar o consumidor.
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2007 diferente ou precipício
Está o presidente Lula diante de uma encruzilhada que recusou atravessar, durante quatro anos. Para ficar no caso do tráfego aéreo: ou intervém nas empresas e reformula totalmente a questão dos controladores, ou continuaremos, como neste período de Natal e Ano Novo, a sofrer as mesmas conseqüências da imprevidência da velhacaria.
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Deveria S. Exa. prestar atenção no que vem por aí. Nem as classes desfavorecidas agüentarão mais ser sustentadas pelo bolsa-família, nem a classe média suportará inerte à roubalheira praticada em seu nome. Mesmo as elites convivendo com a sombra da falência empresarial suportarão por muito mais tempo a evidência de que a produção dá prejuízo.
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Imaginou-se, senão uma revolução, ao menos uma reforma ampla do modelo que nos assola há décadas. Nada aconteceu. O primeiro governo Lula seguiu o neoliberalismo. O resultado: ricos mais ricos e pobres mais pobres.
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O genial Eduardo Bueno, em mais um de seus livros sobre os alvores da nacionalidade, lembrou que François I, rei de França, insurgiu-se contra o Tratado de Tordesilhas dividindo o Novo Mundo entre espanhóis e portugueses indagando: em que cláusula do testamento de Adão estava escrito que para os lados de cá do Atlântico só poderiam dominar as casas reais de Madri e Lisboa?
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No testamento do governo Lula, onde está escrito que devemos submeter-nos aos ditames do mundo rico? Que devemos fazer superávit primário para pagar dívidas e que estamos proibidos de abrir estradas?
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Ou 2007 começa diferente ou iremos para o precipício. Não havia opção, em outubro. Era votar em Lula, em branco, ou pior, escolher Alckmin. Optou-se pelo torneiro-mecânico, mas, aqui para nós, alguém acredita em mudanças?