terça-feira, dezembro 26, 2006

Quem acredita em mudanças?

Por Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa
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Mal fez o presidente Lula em dizer que o ano de 2006 estava acabado, que para ele não valeria mais nada. Disse isso ainda em novembro, numa espécie de desperdício inconseqüente. Porque vá falar assim para ver que resposta terá, para velhinhos de 80 ou 90. Eles aceitarão que o seu ano acabou antes de 31 de dezembro? Soa como praga, esse desprezo pelos dias em que o sol ainda vai brilhar, as crianças continuarão sorrindo e até os especuladores ganharão com a exploração do tesouro público. De qualquer forma, terminado ou não o ano de 2006, a perspectiva que se abre é a respeito de 2007. Será melhor ou pior do que o ano anterior?
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Coluna do meio
Do jeito que as coisas vão, melhor seria marcar coluna do meio, lembrando os tempos em que só funcionava a Loteria Esportiva. Porque correndo as coisas como vão, o segundo mandato do presidente Lula será igualzinho ao primeiro. Começa que o endividamento do governo continua aumentando.
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Os cofres públicos devem R$ 1,2 trilhão aos compradores de títulos da dívida pública, entre bancos, multinacionais e governos estrangeiros. Eles detêm a chave da débâcle nacional, se decidirem resgatar esses papéis à medida que forem vencendo. Claro que não farão isso. Preferem ir sangrando a economia nacional aos poucos e recolhendo seus dividendos aos poucos, assim como fazem os credores das dívidas externas. Quantas vezes já pagamos essas dívidas, externa e pública, somados os juros já pagos?
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Teria o presidente coragem bastante para dar um basta a essa desmedida exploração? Pareceu ter, na primeira vez em que se elegeu. Até na campanha pela reeleição ensaiou passos no sentido de mudar os ventos. Conquistada a vitória, porém, esqueceu o que prometera.
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O pacote do crescimento econômico escafedeu-se, depois de seguidas declarações de estar a um milímetro de sua divulgação. Idéias, até que podem ter circulado por aí, como a redução de impostos, a facilitação da atividade produtiva diante da atividade especulativa, os investimentos em infra-estrutura e até a interferência do poder público em setores onde o setor privado revela-se lamentável.
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Nem é preciso começar com o caos que assola o tráfego aéreo, onde se discute apenas se mais lambanças fizeram os responsáveis pelos controles de vôo ou se as frágeis empresas que dominam o setor. "Quem não tem competência não se estabelece", diz o velho refrão luso que tanto progresso trouxe ao País em séculos anteriores. O diabo é que agora a competência foi substituída pela velhacaria. Só progride a empresa privada que souber lesar o fisco, superfaturar seus produtos e enganar o consumidor.
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2007 diferente ou precipício
Está o presidente Lula diante de uma encruzilhada que recusou atravessar, durante quatro anos. Para ficar no caso do tráfego aéreo: ou intervém nas empresas e reformula totalmente a questão dos controladores, ou continuaremos, como neste período de Natal e Ano Novo, a sofrer as mesmas conseqüências da imprevidência da velhacaria.
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Deveria S. Exa. prestar atenção no que vem por aí. Nem as classes desfavorecidas agüentarão mais ser sustentadas pelo bolsa-família, nem a classe média suportará inerte à roubalheira praticada em seu nome. Mesmo as elites convivendo com a sombra da falência empresarial suportarão por muito mais tempo a evidência de que a produção dá prejuízo.
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Imaginou-se, senão uma revolução, ao menos uma reforma ampla do modelo que nos assola há décadas. Nada aconteceu. O primeiro governo Lula seguiu o neoliberalismo. O resultado: ricos mais ricos e pobres mais pobres.
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O genial Eduardo Bueno, em mais um de seus livros sobre os alvores da nacionalidade, lembrou que François I, rei de França, insurgiu-se contra o Tratado de Tordesilhas dividindo o Novo Mundo entre espanhóis e portugueses indagando: em que cláusula do testamento de Adão estava escrito que para os lados de cá do Atlântico só poderiam dominar as casas reais de Madri e Lisboa?
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No testamento do governo Lula, onde está escrito que devemos submeter-nos aos ditames do mundo rico? Que devemos fazer superávit primário para pagar dívidas e que estamos proibidos de abrir estradas?
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Ou 2007 começa diferente ou iremos para o precipício. Não havia opção, em outubro. Era votar em Lula, em branco, ou pior, escolher Alckmin. Optou-se pelo torneiro-mecânico, mas, aqui para nós, alguém acredita em mudanças?

Para o Ministério Público ler

Por Fábio Grecchi, na Tribuna da Imprensa
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Se a humilhação imposta aos idosos fosse punida como a China faz com as prostitutas - apresenta-as em praça pública para execração -, o prefeito César Maia e seus pares do Rioprevidência estariam em exibição na Cinelândia. Os aposentados e pensionistas estão descobrindo que não podem mais ter conta conjunta para receber os vencimentos. Quando ligam para a central de atendimento do banco Santander, que hoje concentra os recebimentos do funcionalismo municipal ativo e inativo, é que se descobre a novidade.
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A medida está prevista no contrato firmado entre a instituição e a Prefeitura do Rio. E obriga que os idosos abram novas contas individuais, pois, do contrário, aquilo que têm a receber fica bloqueado até a solução do problema. Justamente na Terceira Idade, momento da vida das pessoas em que devem ser multiplicados os esforços em favor do conforto, surge esta estapafúrdia exigência, que não se aplica aos funcionários públicos da ativa. Quem mais precisa é mais prejudicado.
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Poderia se acreditar que é um gesto atrabiliário do Santander, uma vez que os bancos no Brasil acham que não podem se submeter ao Código de Defesa do Consumidor - veja se existe alguma agência que cumpre a determinação de atender os clientes na fila em, no máximo, 20 minutos? Mas, não. A idéia brilhante partiu do Rioprevidência.
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Motivo: vários foram aqueles que fraudaram os cofres públicos através das contas conjuntas, uma vez que o titular morria e a outra pessoa continuava retirando ilegalmente o benefício. Daí que para evitar o roubo obrigou-se o servidor aposentado ou a pensionista, independentemente de sua idade ou estado de saúde, à movimentação individual.
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Aqueles que agem honestamente estão sendo punidos por uma minoria simplesmente porque a prefeitura não arranjou um jeito mais inteligente - ou menos cruel? - de controlar os pagamentos que faz. Naturalmente que a Defesa do Consumidor já se manifestou afirmado que tal dispositivo é ilegal, mas respeitá-lo, quem há de? Inclusive passa atestado de incapacidade ao recomendar que os titulares que tiveram suas contas conjuntas bloqueadas tentem um acordo com o banco para o recebimento do benefício antes de mover ação na Justiça.
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Ou seja: para restaurar o estado de direito é necessário recorrer ao Judiciário, numa ação que, individualmente, pode levar algum tempo. A menos que o Ministério Público impetre um pedido de liminar exigindo a suspensão de algo tão estapafúrdio. A inconstitucionalidade desta proibição é tamanha que não haveria juiz incapaz de revogá-la.
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Eis aí, então, o clamor desta coluna em favor dos aposentados e pensionistas. E os burocratas do Rioprevidência que arranjem maneira mais eficiente para lidar com os ladrões de benefícios.

Nacionalistas deviam agradecer Hollywood

Igor Gielow, Folha de São Paulo
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O aspecto mais curioso do nacionalismo brasileiro é que ele se manifesta por conta dos motivos mais risíveis. Como uma dermatite dormente, só explode em comichão de tempos em tempos, reagindo a "ameaças". Os defensores da nação brasileira agora miram alvo fácil, um filmeco B. "Turistas" mostra uma terra de ninguém em que você pode se dar mal na mão dos locais e acabar sem um rim, talvez coisa pior.
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Estereótipos? Bravo nacionalista, passe a noite numa "no-go area" de qualquer cidade brasileira e me conte depois. O filme fantasia sobre eventos que estão no noticiário. A realidade não o incomoda? Ah, mas você usou a camisa do "Eu sou da paz" quando foi moda, ou quando a realidade tocou alguém próximo. Mas sem sair do shopping, ou do jipão blindado, não é? No máximo, deu um trocado para o projeto que um amigo do amigo seu toca naquela favela -qual mesmo?.
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"Turistas" deve ser tolo, trash. Não sei, só li a respeito. Mas absurdo é acreditar que isso, e não a indecência do nosso cotidiano, irá manchar a imagem pátria. É como se o ótimo "Massacre da Serra Elétrica" (1974) o levasse a crer que o Texas é uma terra de canibais. Há vários motivos para não ir à terra dos Bush, mas medo de virar almoço não é um deles.
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O nacionalismo local é burlesco, o que acaba sendo algo bom. Nacionalismo é perigoso. A lista de "ismos" associados a ele fala por si só: fascismo, nazismo, jacobinismo, imperialismo, comunismo e afins.
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Nossa variante é tão fajuta que apareceu só depois da formação do Estado nacional, com certeza por ser bom negócio. De tempos em tempos, volta: Estado Novo, ditadura militar e, agora, no governo Lula. Dificilmente haveria um presidente mais adequado para o clima de boicote xenofóbico.Afinal de contas, Lula não gosta de jornalista gringo que não fale bem do governo (na verdade, não gosta de nenhum que não fale bem), estimula empresa amiga a dizer que "sou brasileira, com muito orgulho", diz que "brasileiro não desiste nunca", exalta a trinca cachaça-feijoada-pagodinho e até torrou US$ 10 milhões para levar um brazuca de carona ao espaço. Na terra dos mensalões, a jequice desfila livre.
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Espera-se que Lula não repita FHC e perca seu tempo passando recibo, como o tucano fez com quando os "Simpsons" avacalharam o Rio. Alguém pode perceber, e verá que a matéria-prima para a crítica abunda. Os nacionalistas deviam é agradecer o fato de que Hollywood não nos leva a sério.

Pacote é tiro no pé

Kennedy Alencar, Folha Online
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Depois de descer ao inferno político do mensalão e do dossiegate, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu no segundo turno com votação esmagadora --60,83% dos votos válidos. Pesquisa Datafolha o apontou como o presidente mais bem avaliado da história do país. E o levantamento CNI-Ibope revelou que Lula chegou ao final do primeiro mandato com o melhor índice de avaliação do seu governo.
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Ora, estava bom demais. Era preciso criar algum fato negativo, tropeçar nas próprias pernas. E Lula não hesitou. Com ajuda do voluntarismo dos defensores do "fim da era Palocci", caiu em duas armadilhas: prometer meta de crescimento de 5% ao ano e elaborar um pacote para "destravar" a economia.
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Na semana passada, Lula desembarcou dos 5%. Passou a cogitar taxa menor em 2007 para o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas no país em um ano).
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Na manhã de terça-feira (19/12), Lula manifestou dúvida em relação ao anúncio do pacote na quinta. Achava que algumas coisas não estavam amarradas. Sabia que seria politicamente desgastante o adiamento. Mas, na quarta, adiou mais uma vez o prometido pacote. Avaliou que pior seria vê-lo destruído pela mídia, transformando-se num fato negativo ainda maior neste final de ano.
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De acordo com ministros, Lula não está convencido de que as medidas destravarão a economia. Acha que poderia sinalizar afrouxamento fiscal em excesso. E julgou que algumas medidas eram apenas idéias (simplesmente não existiam).
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Menos mal que tenha adiado. Melhor do que anunciar um pacote inconsistente. Intuitivo, Lula bancou um salário mínimo de R$ 380, desautorizando o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Com isso, fica bem com o povão. Reforça seu capital político e ganha tempo para tentar sair da enrascada em que se meteu.
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Após a recaída voluntarista, Lula redescobriu que foi a sua política econômica, com seus acertos e erros, que lhe permitiu atender aos pobres nos últimos quatro anos e obter a aprovação que obteve nas urnas e nas pesquisas.
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Perguntar não ofende
Uma indagação: se a política econômica de Antonio Palocci Filho era tão ruim assim, por que Lula se reelegeu contra tantas dificuldades?
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Sem susto
Uma das melhores heranças econômicas do governo FHC foi o fim das mudanças repentinas na economia. O sucesso do Plano Real acabou com os pacotes que apareciam de repente para infernizar a vida dos cidadãos. Essa idéia de pacote para destravar o crescimento no segundo mandato gerou um grau de incerteza econômica que parecia coisa do passado.
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Também foi um erro político. Bondades devem ser anunciadas aos poucos. E maldades de uma vez. Esse pacote parecia trabalhar com lógica inversa.
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Nunca antes neste país
De acordo com um ensinamento político, não existe ministro da Fazenda fraco. No entanto, o governo Lula inovou mais uma vez. Nunca antes neste país houve um ministro da Fazenda tão fraco como Guido Mantega. Lula decidiu mantê-lo. Talvez justamente por isso.
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O presidente diz que Mantega lhe foi fiel a vida inteira. Nunca o abandonou, especialmente no tempo das vacas magras. E, mais importante, o obedece cegamente, mesmo que tenha de ser fuzilado politicamente. Ok. São pontos "favoráveis" à sua manutenção.
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Mais uma perguntinha: ele está à altura da tarefa?

A oposição caiu do caminhão de mudanças

Murillo de Aragão (*)
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Um dos temas do momento é a fragilidade das oposições. Divididas e sem discurso, só lhes restam a questão moral para atacar o governo. Como ninguém se importa e nunca houve uma prova cabal de envolvimento direto do presidente, as coisas foram sendo assimiladas pelo sistema “hepatológico” do eleitor.
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Vencida a etapa eleitoral, o acirramento do discurso depende do surgimento de fato novo. Assim mesmo, tem que ser um fato novo de proporções cataclísmicas.
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O governo, vendo o desespero da oposição age com prudência e vai sufocando-a com maestria. Tomou-lhe a verba. Toma-lhe o verbo. Ainda assim, acena seletivamente para algum diálogo. Para ser completa a tragédia oposicionista, Lula teria que ter um candidato a altura do seu tamanho para sucedê-lo. Ele mesmo ou outro.
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Dada às implicações constitucionais e à pobreza de nomes no PT, Lula não tem candidato. É uma bóia para a oposição flutuando em meio às procelas da política nacional.
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Além de ter candidato – ou melhor, candidatos, até agora a oposição somente conta com o acaso. Aquele que sempre dá as caras. Afinal, mesmo considerando que a cota de trapalhadas promovidas pelos aliados aloprados do presidente parece esgotada, nunca se sabe.

Na eleição, o acaso apareceu de forma aguda nas crises das sanguessugas e da operação Cuiabá. Lula derrotou Alckmin e o acaso também. Será que o candidato de Lula teria tal capacidade?
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No entanto, depender do acaso e do erro do adversário é muito pouco. A oposição tem que construir um discurso. Não é fácil, como veremos a seguir. Sem discurso, a oposição está como o cachorro que caiu do caminhão de mudanças. Ninguém mora mais na casa antiga e ele não sabe o endereço da casa nova. Está sem rumo.
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Os partidos de oposição, em meio à crise de discurso e de identidade, vagamente, apontam para uma “refundação” de suas respectivas estruturas partidárias.

O caminho de retorno desses partidos ao poder é longo e cheio de armadilhas. Sem um reconhecimento de suas identidades, ambos vão terminar sendo o que é o PP (ex-PDS, ex-Arena): partido sem identidade e sem propósito.
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Além da questão programática de que deve ser valorizada, existem temas que estão abandonados e podem ajudar a construção de um novo discurso: as reformas constitucionais. Não há quem defenda, por exemplo, a reforma da legislação trabalhista, um monstrengo que impede a formalização de mais da metade dos trabalhadores ativos do Brasil.
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O medo da punição das corporações sindicais apequena os políticos. Ninguém quer ser tachado de “traidor” dos trabalhadores em cartazes afixados pela CUT. Resta saber quem trai, de verdade, os interesses dos que trabalham. O fato é que os partidos de oposição não têm coragem de rever suas atitudes nem de atacar os privilégios.
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Outro ponto crítico da realidade nacional e que está abandonado no debate político é a questão do papel central do Estado no Brasil e o caráter subalterno da sociedade. Como também se beneficiam dessa situação quando no poder, silenciam.
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Ao invés de combater o privilégio das corporações e a predominância do Estado, tanto o PFL quanto o PSDB, como os demais partidos, adoram uma “boquinha” nos cofres públicos. Adoram “poços do DNOCS”. Verbas partidárias. Emendas orçamentárias. Jetons. Gostam de intervenção na economia, de carga tributária elevada, de tabelamento de preços de verbas públicas e de “pudê” (poder). Em doses variadas e dependendo da região. Mas gostam. Por medo e/ou por conveniência, encurtam e empobrecem seus discursos.
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Lula tomou a prática política e o o discurso do PSDB-PFL. Aprofundou o ciclo social-democrata instalado com Sarney (Plano Cruzado, Programa do Leite, Mutirão de Casas) e intensificado por Itamar e FHC. Manteve as conquistas do Plano Real de FHC protegidas e aprofundou as iniciativas sociais conhecidas como a Rede de Proteção Social.
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Foi fácil para Lula. Fácil como tirar prulito de criança. Sem os escândalos e trapalhadas de seus aliados aloprados, Lula teria vencido no primeiro turno com mais de 80% de aprovação. Brasileiro é, além de bonzinho, baratinho: se contenta com um benefício agora do que uma mudança estrutural e qualitativa adiante.
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A falta de uma oposição ideológica empobrece o Brasil e permite que o estado de coisas – centralidade do estado, corporativismo, gasto público excessivo e ineficiente, carga tributária, etc. – se perpetue. E, ainda, cause um outro fenômeno: o super povoamento do centro na política nacional. Para o bem e para o mal. Porém, isso é tema para um artigo futuro.
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* Murillo de Aragão é mestre em Ciência Política e doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília, é analista sênior da Arko Advice – Conjuntura e Política.

TOQUEDEPRIMA...

BNDES aprova financiamento de US$ 100 mi para IBM
Fonte: Reuters
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta quinta-feira financiamento de US$ 100 milhões para a gigante da informática IBM. O dinheiro será usado pela companhia norte-americana em programas de exportação de serviços de tecnologia.
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O Brasil foi escolhido pela IBM para ser um de seus fornecedores globais e o BNDES financiará a venda externa de serviços de Tecnologia da Informação da subsidiária brasileira, principalmente, para a matriz nos Estados Unidos. O financiamento do banco à IBM será repassado pelo Santander, por se tratar de operação indireta, informou o BNDES.
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O financiamento foi aprovado por meio do Programa para o Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e Serviços Correlatos (Prosoft), criado em 1997. O programa já financiou R$ 670 milhões, até novembro, gerando investimentos de R$ 912 milhões na indústria nacional de software, segundo o BNDES.
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A IBM tem um centro em Hortolândia, interior de São Paulo, onde desenvolve e gerencia sistemas para atender a empresas que estão localizadas fora do País. O centro tem cerca de 4 mil funcionários e para 2007 a previsão é de um quadro de 5 mil colaboradores. Segundo o BNDES, a previsão da IBM é de que em 2008 sejam mais de 8 mil, a maior parte de empregos especializados.
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O BNDES também aprovou R$ 20,7 milhões para a nacional Padtec, fabricante de equipamentos e produtora de soluções para redes ópticas de comunicação, oriunda da empresa de pesquisa CPqD.
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O dinheiro será aplicado no desenvolvimento de novos produtos para redes de transporte, como software e aplicativos. Os investimentos também prevêem a expansão da capacidade de pesquisa, desenvolvimento e fabricação.
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"Outro mérito do projeto é a criação de tecnologia nacional em uma área e elevada demanda e nenhuma oferta nacional", informou o BNDES.
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Repetência ainda preocupa
Jornal do Brasil
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Mesmo com a queda no analfabetismo e a melhora na freqüência escolar nos últimos dez anos, o percentual de estudantes com idade acima da recomendada em relação ao ano letivo ainda é alto no país. A pesquisa do IBGE mostra que a defasagem escolar sofreu uma redução nos últimos dez anos, mas ainda é considerado um problema grave na educação brasileira.
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A defasagem ocorre quando um estudante tem idade incompatível com a série que cursa. Por exemplo, quando um aluno de 18 anos ainda está cursando a sétima série.
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A defasagem é maior para estudantes da oitava série. Em 2005, 36,4% dos alunos nesta série estavam defasados em mais de dois anos em relação à idade. A evasão escolar também foi outro problema apontado pelo instituto. Só 53% dos estudantes concluem a oitava série.
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O analfabetismo caiu nestes 10 anos. Mas a freqüência em creches ainda é pequena. Em 95, apenas 7,6% das crianças de 0 a 3 anos estavam na creche. Em 2005, chegou a 13,3%.
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Entre os adolescentes de 15 a 17 anos a taxa de freqüência escolar chegou a 81,7% em 2005. Para os jovens entre 18 e 24 anos, só 31,6% tinham acesso à universidade.
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Na faixa etária dos 10 aos 15 anos, 85,5% estudam e não trabalham. Entre 16 e 17 anos, 54,4% só estudam. Entre 18 e 19 anos, são 27,6%. De 20 a 24 anos, o percentual cai para 10,5%.
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Os dados do IBGE mostram que o Brasil ainda está longe de erradicar o trabalho infantil, embora tenha havido uma significativa melhora nos últimos dez anos. Em 1995, a participação de crianças de 10 a 14 no mercado de trabalho era de 20,4%. Dez anos depois, o percentual baixou para 11,5%.
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Proposta leva a nova crise aérea
Lorenna Rodrigues, Jornal do Brasil
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O grupo de trabalho criado pelo governo para resolver a crise no setor aéreo entregará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um novo problema. A solução encontrada pelo grupo é a mesma que já vinha sendo defendida por controladores de vôo e empresas aéreas: a criação de um órgão civil para cuidar do controle de tráfego aéreo. A medida é criticada pela Aeronáutica no próprio documento que será entregue ao presidente com sugestões para o setor.
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A lista, apresentada ontem ao ministro da Defesa, Waldir Pires, abre caminho para nova crise entre civis e militares, nos moldes da que acompanhou a criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no lugar do Departamento de Aviação Civil (DAC).
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- O grupo já esperava ressalvas dos militares. Se eles aceitassem mudanças, estariam admitindo que não estavam no caminho correto - disse o assessor de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Célio Eugênio Abreu, integrante do grupo.
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A comissão concluiu ontem, com quase um mês de antecedência, documento com 13 pontos para enfrentar o apagão aéreo e prevenir novas crises. O principal deles é a criação de um órgão civil, subordinado ao Ministro da Defesa, para controlar os vôos civis no espaço aéreo brasileiro. Apesar de o documento trazer a assinatura do brigadeiro Álvaro Pinheiro da Costa, chefe da área técnica do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), os militares conseguiram incluir uma ressalva se posicionando contra as principais sugestões do grupo.
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"A adequação dos recursos, salários e estruturas das organizações existentes é solução para as deficiências conjunturais no Sistema de Controle do Espaço Aéreo, portanto, o Comando da Aeronáutica não concorda com a criação de uma nova organização", afirma o documento. "É importante que esta ressalva seja mantida, sob pena de sermos imputados a pecha de omissos".
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O grupo sugere ainda que o sistema de controle do espaço aéreo continue integrado, ou seja, que a defesa do espaço aéreo seja feita em conjunto com o controle da aviação civil, como é feito hoje. Apenas a parte de controle seria repassada ao novo órgão, ficando a defesa ainda sob a alçada militar.
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Deverá ainda haver planejamento permanente para o setor, feito pelo governo junto às companhias aéreas. O grupo pediu também a reformulação das carreiras ligadas ao controle de tráfego, o aumento dos salários, a melhoria da formação dos profissionais e mais contrataões. Outro ponto é o redesenho do espaço aéreo: 75% do setor é controlado pelo Cindacta-1, em Brasília.
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Aumento ‘é uma merda’, diz Patriota
Cláudio Humberto
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A caminho do sétimo mandato consecutivo, o deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), disse ontem que “esse aumento de mais de 90% de uma vez é uma merda mesmo”. E desafiou a coluna: “Pode escrever assim". Então tá.
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Novo choque entre BC e Fazenda
Daniel Pereira e Fernando Exman, Jornal do Brasil
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Se depender da harmonia entre integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá dificuldade para destravar a economia. Ontem, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse que a atual política monetária tem gerado resultados positivos, sobretudo no controle da inflação. E deu a entender, em audiência na Câmara, que não haverá mudança de rota.
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Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi enfático no plenário do Senado, onde participou de uma audiência.
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- Há espaço para flexibilizar a política monetária - declarou.
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O embate não é novo e tende a continuar no segundo mandato. Tem os ditos desenvolvimentistas no ataque, responsabilizando as taxas de juros fixadas pelos monetaristas pelo crescimento médio de cerca de 2,5% ao ano no primeiro mandato de Lula.
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- Como a inflação está sob controle, há espaço para que a taxa de juros continue caindo e o crédito, aumentando - disse Mantega.
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Segundo o ministro, não haverá mudança no controle da inflação até 2008. Mas, como a inflação está próxima de 3%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem condições de continuar - e até mesmo acelerar - o processo de redução da taxa básica de juros (Selic), hoje em 13,25% ao ano. O ritmo atual de corte da Selic é de 0,5 ponto. Na última reunião, no entanto, houve integrantes do colegiado que defenderam baixa mais moderada, de 0,25 ponto percentual.
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Para Mantega, a Selic cada vez menor e o aumento das reservas internacionais do Brasil - hoje de cerca de US$ 85 bilhões - terão efeito positivo também sobre o real, reduzindo a valorização sobre o dólar. A desvalorização da moeda nacional é reclamada por exportadores e setores como têxtil e calçados.
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- Não pretendemos afrouxar a política monetária, mas flexibilizá-la. A meta de inflação é adequada para conciliar uma taxa de juro não tão severa e um crescimento maior - declarou Mantega à tarde.
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De manhã, Meirelles elogiou a política monetária que conduz. Além disso, afirmou que só o controle da inflação garantirá a estabilidade da economia e a redução da taxa de juros.
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- A ousadia tem que se dar no controle da inflação - disse o presidente do Banco Central. - Há certo engano em pensar que se pode crescer inflacionando.
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Parlamentares da bancada governista não atearam o tradi cional fogo-amigo em Meirelles. Demonstraram, entretanto, preocupação com as perspectivas econômicas do país. Citando trechos da ata da última reunião do Copom, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) declarou estar apreensivo com a possibilidade de o colegiado reduzir o ritmo da queda da taxa de juros no próximo ano. Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), minimizou a importância da discussão.
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O senador afirmou que os juros não são o principal nó a ser desatado na área econômica, mas os gastos públicos. A oposição na Câmara foi mais agressiva a Meirelles. O deputado Luiz Carlos Hauly (PR), por exemplo, acusou a política econômica do governo Lula de aumentar a concentração de renda no país.
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Corrupção trava país
Correio Braziliense
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A WWF-Brasil, organização não-governamental ambientalista, divulgou ontem pesquisa sobre a percepção e a atitude dos brasileiros em relação à água e sua utilização. A consulta incluiu perguntas sobre a relação entre o desenvolvimento e a conservação do meio ambiente.
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Os técnicos do WWF-Brasil queriam saber a opinião dos brasileiros sobre as recentes declarações de representantes do governo de que o crescimento econômico do país estaria sendo “travado” pelas restrições ambientais aos projetos de infra-estrutura.
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O Ibope, empresa contratada pela WWF para fazer o levantamento, apurou que apenas 7% dos brasileiros atribuem à questão ambiental a atual estagnação da economia do Brasil. Enquanto isto, 62% dos entrevistados pelo Ibope apontaram a corrupção como a causa principal do baixo desempenho da economia do país, seguida da carga tributária e dos juros altos.

TOQUEDEPERIMA...

Expectativa de crescimento cai novamente
Revista Veja Online
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Pela sexta semana consecutiva, o mercado reduziu sua estimativa de crescimento da economia brasileira em 2006. Segundo a pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, espera-se agora um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,76% - e não mais de 2,8%, como na última avaliação. Já para 2007, os analistas mantiveram a expectativa de crescer 3,5%.
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Os dados coletados pelo BC apontam ainda estabilidade nas projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação. O mercado aposta em 3,11% de inflação em 2006. Para 2007, houve pequena melhora nas expectativas, com queda 4,09% para 4,06%. Nos dois casos, as projeções estão abaixo da meta de inflação fixada pelo governo para os dois anos: 4,5%.
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A previsão para a taxa básica de juros em janeiro permaneceu estável também, em 13%. Atualmente, a taxa Selic está em 13,25% ao ano. Olhando para o fim de 2007, os economistas esperam que a cifra chegue a 12% ao ano – o que mostra uma redução mais lenta dos juros em comparação a 2006.
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Brasil – Um começo?
Radar – Revista Veja Online
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Um grupo de 50 estudantes de São Paulo promoveu hoje de manhã o primeiro ato público contra o aumento dos vencimentos dos deputados e senadores. Eles foram até o Terminal Princesa Isabel, munidos de faixas e cartazes, e entraram em um ônibus circular. A idéia era passar o dia rodando no ônibus exibindo frases contrárias ao aumento. A PM interceptou-os na Avenida Paulista e mandou a turma toda descer. O grupo dispersou-se em seguida.
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Interessante
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"O Ibama proíbe fazer bolsas com couro de jacaré, mas nenhum órgão proíbe a confecção do bolsa-família com o couro da classe média".
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Para pensar na cama
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No Brasil, 54% dos eleitores são contrários ao voto obrigatório e 45% são favoráveis.
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Por outro lado, 56% afirmaram que teriam votado nas últimas eleições mesmo que o voto não fosse obrigatório, enquanto 43% disseram que não teriam comparecido às urnas no último pleito.
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Por outro lado, 52% aprovam a fidelidade partidária e 37% são contra.
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77% são contrários ao financiamento público de campanhas eleitorais e apenas 16% são favoráveis.
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58% são favoráveis à reeleição, enquanto 38% desaprovam.
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Eis os resultados da pesquisa CNI/Ibope, realizada entre os dias 7 e 10 deste mês, ouvindo 2002 pessoas, em 140 municípios.
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Participação política nula
O levantamento mostrou que é baixa a participação política da sociedade.
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Oitenta e três por cento dos entrevistados disseram que nunca trabalharam para um partido político ou candidato e 71% revelaram que nunca trabalharam pela defesa de propostas ou idéias que afetam a sua vida ou a de sua comunidade.
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A CNI/Ibope constatou ainda que 48% dos entrevistados acompanham as questões políticas por meio de conversas com amigos, enquanto 29% nunca conversam sobre política com amigos e 24% quase nunca falam do assunto com amigos.
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A pesquisa ainda constatou que 51% das pessoas ouvidas acreditam que o voto pode melhorar a vida das pessoas, mas 47% consideram que, independentemente do voto, a vida das pessoas continua do mesmo jeito ou muda por outras razões.
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Governo adia para abril entrada em vigor da conta-salário
Fonte: Reuters
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O Conselho Monetário Nacional (CMN) adiou para abril o prazo para entrar em vigor a conta-salário, prevista inicialmente para 1º de janeiro, e anunciou na quinta-feira regras de transição para as contas do funcionalismo público e para convênios já firmados entre bancos e empresas ou prefeituras.
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O conselho também esclareceu que a conta-salário, instituída em setembro, não valerá para o pagamento de benefícios do INSS.
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Para o funcionalismo, a conta-salário poderá ser instituída apenas a partir de janeiro de 2012, se o poder público quiser leiloar a folha de pagamento. Apesar do prazo dilatado, as contas terão de atender já a partir do próximo ano a algumas exigências - como proibição da cobrança de tarifas para saques e para transferência de recursos a outras contas -, mas não terão todas as facilidades da conta-salário.
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"É para que Estados e municípios tenham um caixa adicional. Estamos permitindo que haja um acréscimo dos recursos disponíveis", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista. A excepcionalidade, segundo ele, foi instituída a pedido de governadores como José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG) e Jaques Wagner (PT-BA), interessados em leiloar suas folhas.
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Anunciada pelo CMN como uma medida para estimular a concorrência bancária, as contas-salário são específicas para receber pagamentos de salários sem cobrança de algumas tarifas e com possibilidade de transferência automática dos créditos.
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A regulamentação aprovada nesta quinta-feira fixou a proibição da cobrança de tarifas para manutenção da conta, fornecimento de cartão magnético, cinco saques por crédito recebido, duas consultas mensais de saldo e dois extratos.
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O CMN também definiu que, para correntistas sujeitos a convênios fechados entre bancos e setores público ou privado para a administração de folhas de pagamento até 5 de setembro, a data-limite para abertura da conta salário será janeiro de 2009, mesmo que os respectivos convênios terminem depois desse prazo.
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Questionado, Mantega negou que o governo estaria quebrando contratos ao delimitar a data. "Nós não estamos quebrando, apenas estamos impondo uma norma. Ao impor a criação da conta-salário, evidentemente a gente está diminuindo o valor desses contratos, mas eles continuam vigorando. O que nós estamos é dando um prazo médio. Porque, se fôssemos obedecer a todos os prazos, nunca a gente ia conseguir implementer a conta-salário."

O adiamento do prazo para abril ocorreu, segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para que os bancos tivessem tempo de fazer os "ajustes técnicos" necessários.

A grande trava é o governo

Editorial do Estadão
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A economia brasileira só será destravada quando o governo conseguir destravar o investimento - e isso não será feito com discursos presidenciais, mas com ações concretas para encorajar o investidor privado e para mudar a qualidade do gasto público. Os últimos números divulgados pelo IBGE não justificam muito otimismo. No terceiro trimestre, o investimento em máquinas, equipamentos e construções não passou de 20,8% do PIB, praticamente a mesma taxa de igual trimestre de 2004 (20,9%). Os números foram inferiores em todos os demais terceiros trimestres a partir de 1995, ponto inicial da atual série das contas nacionais.
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O Brasil só poderá escapar do crescimento medíocre, marca dos últimos 20 anos, quando houver investimentos, ano após ano, da ordem de pelo menos uns 24% do PIB. A China investe cerca de 40% e outras economias dinâmicas têm mantido, por longo tempo, taxas de investimento iguais ou superiores a 30% do valor de sua produção. O dinamismo econômico depende, nesses países, principalmente do entusiasmo dos investidores privados, nacionais e estrangeiros, mas o otimismo dos empresários não é gratuito.
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Para despertá-lo, é preciso criar um ambiente propício aos negócios, com tributação razoável, boas condições de financiamento e um mínimo de segurança para planos de longo prazo. No Brasil, falta a maior parte desses estímulos. O País tem uma indústria razoavelmente moderna e diversificada, agropecuária competitiva e mercado interno de grande potencial. Mas a carga tributária é próxima de 40% do PIB, os tributos entravam a atividade produtiva e o governo carrega uma dívida custosa, de vencimento curto e sem perspectiva de grande alívio em poucos anos. Sem essa perspectiva, não há como prever nem juros compatíveis com o mercado internacional nem folga orçamentária para redução de impostos e elevação do investimento público.
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Num mundo cada vez mais integrado, o investidor procura aplicar seu dinheiro em ambientes onde possa produzir de forma competitiva. A eficiência produtiva não depende apenas de máquinas modernas e boas instalações. A produtividade geral da economia depende, em primeiro lugar, de infra-estrutura, isto é, de bons sistemas de transporte, energia abundante, telecomunicações eficientes e um ambiente institucional adequado aos negócios. Nos estudos internacionais de competitividade, o Brasil faz feio em todos esses quesitos. Ano após ano, o País se destaca pelo peso de sua burocracia, pelo funcionamento precário de seu sistema judicial e pelo custo administrativo - e não só financeiro - associado ao sistema tributário.
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Se desse um mínimo de atenção a essas comparações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia formular sem muita dificuldade uma agenda para destravar a economia, ou seja, para destravar o investimento privado. Teria de começar, naturalmente, por um esforço para destravar o governo, amarrado a um excesso de gastos de custeio.
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Gastaria menos tempo e menos dinheiro com bondades não só custosas, mas também de retorno duvidoso, e mandaria seus auxiliares cuidar do que realmente importa. Em vez de recorrer a truques contábeis - como um novo cálculo do resultado primário - para aumentar o investimento público, trataria de avançar, por exemplo, no programa de Parcerias Público-Privadas. Nenhuma dessas parcerias foi estabelecida até hoje pelo Executivo federal. A primeira só deverá ser formalizada em 2007 - se os ministros deixarem de trombar uns com os outros e de tropeçar nos próprios pés.
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O governo desperdiçou quatro anos de prosperidade internacional. As exportações cresceram, nesse período, graças à agilidade do setor privado, mas o dinamismo do comércio exterior não foi transmitido ao conjunto da economia nacional. Em 2007, segundo as previsões correntes, o ambiente global ainda será propício ao crescimento. O governo não deveria arriscar-se a perder mais essa oportunidade. Nos anos seguintes, o cenário global poderá ser menos benigno. Com sensatez e firmeza, será mais fácil enfrentar qualquer piora no cenário externo.

Os meios de produção

por Rodrigo Constantino, no site do Instituto Millenium
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“The mind is like a parachute - it´s only good when it´s open.” (Richard Driehaus)
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Viver em um país sui generis como o Brasil, onde idéias marxistas ainda encontram forte eco, é um teste de paciência e tanto. Explicar, através da razão, os absurdos presentes nas principais idéias de Marx, ainda mais nos tempos modernos, é praticamente inútil, já que o marxismo é como uma religião dogmática. Para os marxistas, existem fundamentalmente apenas duas classes: os proprietários dos meios de produção, como fábricas, máquinas e matéria-prima, que são os capitalistas; e a classe que não dispõe dos meios de produção, compelidos então a vender sua força de trabalho, que são os proletários. Os capitalistas, na busca pelo acúmulo de capital, seriam exploradores dos proletários, segundo esta ótica.
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Podemos dar algum desconto a Marx pelo contexto histórico em que ele pariu suas idéias, ainda que isso não seja totalmente justificável, já que vários outros autores, mesmo vivendo na mesma época, enxergaram muito melhor a realidade. Mas para os marxistas da atualidade, simplesmente não há atenuante algum. O mundo moderno deixa bastante evidente que essa divisão simplista feita por Marx não faz o menor sentido. A figura do capitalista dono dos meios físicos de produção é cada vez mais ultrapassada, cedendo lugar para um mundo de trabalhadores donos dos seus próprios negócios, acionistas pulverizados controlando as empresas, e a mente como principal meio de produção numa sociedade pós-industrial, focada em serviços. Quem é o dono da Coca-Cola? São milhões de investidores do mundo todo, sendo que o maior deles não chega a ter 5% do capital da empresa. Eis a realidade para a maciça maioria das empresas americanas. Através dos fundos de pensão, os próprios trabalhadores são os principais acionistas das empresas. O proletariado tomou conta do capital, pelas vias capitalistas.
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Se o patrão sempre explora o trabalhador, com qual critério devemos julgar os salários dos diretores das empresas americanas, alguns milionários? Um CEO de uma importante empresa não deixa de ser um assalariado que responde aos interesses dos seus acionistas. Pela ótica marxista, ele seria um explorado. Por outro lado, um sujeito que tivesse uma birosca usando um único assistente como funcionário seria um capitalista explorador. Afinal de contas, não é o valor do salário que define a exploração segundo Marx, mas sim o seu conceito bizarro de “mais-valia”. Logo de cara, fica claro que esse conceito é completamente furado.
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Fora isso, o que seriam os meios de produção no mundo atual? As idéias têm mais valor que quaisquer máquinas facilmente replicáveis. Vivemos na era do capital intelectual, onde uma dupla de nerds em uma garagem pode ameaçar a posição de liderança de uma empresa gigante e estabelecida. O financiamento não falta, pois o mercado financeiro avançado gera infinitas possibilidades para os novos empreendedores, na eterna busca por maiores retornos. Com uma boa idéia, praticamente qualquer um pode correr atrás do sucesso, assumindo que estamos num ambiente capitalista de livre competição. E não faltam exemplos para comprovar isso, como o caso da Google, do YouTube ou mesmo da Microsoft. Esta tem um valor de mercado de quase US$ 300 bilhões, abaixo apenas da General Electric e Exxon Mobil. Mas nem sempre foi assim, e a gigante da informática começou bem pequena. Tinha a seu favor boas idéias e um excelente capital humano. Não foi necessário o controle sobre a pá e a enxada.
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A soma do ativo imobilizado das 20 maiores empresas americanas não-financeiras está em torno dos US$ 700 bilhões. O valor de mercado delas soma algo como US$ 3,5 trilhões. Logo, essas empresas valem no mercado umas cinco vezes o valor que possuem em ativo imobilizado, como máquinas, prédios e fábricas. Mas quando analisamos o caso das empresas mais recentes, normalmente de tecnologia, a proporção é totalmente diferente. A Microsoft vale 90 vezes o que possui de ativo imobilizado. A Cisco vale quase 50 vezes o que tem de imobilizado. E a Google, que tem um valor de mercado próximo dos US$ 150 bilhões, possui pouco mais de US$ 2 bilhões em ativos imobilizados, levando a uma proporção de quase 70 vezes. Será que importa tanto assim quem detém os meios de produção como máquinas e fábricas? Num mundo onde o verdadeiro meio de produção é a mente, as máquinas não desfrutam de tanto valor assim. Para isso ficar bem claro, basta imaginar o que iria ocorrer com essas empresas caso mentecaptos assumissem o controle. A bancarrota seria questões de meses, quiçá dias.
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Os marxistas, os políticos, os sindicalistas, todos esses gostam de abusar da retórica e dos chavões sensacionalistas. Vendem a falsa idéia de que os empresários são ricos porque controlam os meios físicos de produção e com isso exploram os trabalhadores. No entanto, fossem os meios de produção, como máquinas e fábricas, realmente passados para o poder deles, atuando como “representantes” do proletariado, a miséria seria o único resultado possível. A União Soviética é um bom exemplo disso, já que mesmo com tantos recursos naturais não conseguiu produzir nada além de terror e miséria. Afinal, essa turma pode entender do uso de apelo emocional para incitar revoluções destrutivas, mas não sabe como gerar riqueza. E a riqueza não é gerada automaticamente pelos meios físicos de produção. Ela é criada pela ferramenta mais poderosa que os homens possuem: a mente. Como disse F. Scott Fitzgerald, “genialidade é a habilidade de colocar em prática aquilo que está em sua mente”. Não são muitos que conseguem chegar lá. Felizmente, alguns conseguem. São os empresários que, munidos do meio de produção intangível chamado “mente”, geram tanta riqueza para a humanidade.

O bom selvagem

por Denis Rosenfield, na Folha de S. Paulo
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O princípio da precaução, utilizado tanto pelos ecofundamentalistas quanto pela ministra Marina, do Meio Ambiente, deveria ser mais propriamente denominado de princípio do imobilismo. Uma outra versão sua seria: "Quanto menos se fizer, melhor!".
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As votações na CTNBio são uma clara demonstração disso. Os ecofundamentalistas conseguiram fazer passar a regra de que toda aprovação de transgênicos tem como condição a sua validação por dois terços dos membros desse conselho. Logo, basta não haver quórum para que nada se decida. E, se alguma decisão intervir, ela será sempre favorável aos defensores do princípio do imobilismo. Em recente votação, uma vacina transgênica foi derrotada por 4 a 17. Ou seja, quatro votos valem mais do que 17, contando entre os últimos renomados cientistas. Literalmente, a pesquisa nacional sobre transgênicos vai para o espaço, junto com a independência da ciência em nosso país.
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Há toda uma ideologia que sustenta essa atitude, num curioso amálgama de marxismo e rousseauísmo. O Ibama se tornou um refúgio do politicamente correto, como se uma causa universal estivesse em jogo. Evidentemente, excessos foram cometidos em nosso país e no mundo todo contra a natureza. Um balanço justo deve ser claramente estabelecido, e medidas, tomadas. Querer, no entanto, atribuir ao capitalismo e à propriedade privada a responsabilidade exclusiva por esses fatos é um contra-senso histórico.
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Se ao capitalismo pode ser atribuída a responsabilidade por devastações ambientais, o mesmo se pode dizer do socialismo. Nos países que o implantaram, houve devastações ambientais enormes. Os casos da ex-União Soviética, da China e dos países do Leste Europeu são exemplares. Porém, os fiscais do Ibama e seu corpo técnico, tendo à frente a ministra, revelam posições anticapitalistas e antiempresas. Travar uma usina hidrelétrica, por exemplo, é considerado um ato que segue posições revolucionárias, como se a luta socialista continuasse por esses meios ditos ambientais. Na verdade, eles defendem uma atitude anticapitalista que apregoa uma volta ao pré-capitalismo a partir de uma luta pelo socialismo.
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Esse aparente paradoxo não é, porém, novo -já surgiu em outros momentos históricos. No movimento socialista ludista, no século 19, na Inglaterra, os operários destruíam as máquinas, numa luta contra o advento da nova tecnologia que mudava as relações sociais existentes. Mais especificamente, é como se Rousseau reaparecesse como guia dessas ações. Não nos faltam nem os bons selvagens. Indígenas, que já ocupam uma franja mais do que significativa do território nacional, maior do que vários Estados europeus juntos, mas para uma população infinitamente menor, se tornam uma espécie de exemplo que deve ser seguido.
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A tolerância governamental, ou melhor, o apoio explícito da Funai, termina autorizando que um grupo de índios invada um porto da Aracruz no Espírito Santo sem que nada seja feito. Há um esboço de conflito entre trabalhadores e indígenas. Está se tornando moda reivindicar por simples declaração uma determinada propriedade que foi comprada e negociada livremente.
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A Companhia Vale do Rio Doce tem problemas semelhantes com índios que usam automóveis, celulares e outros objetos da civilização. O bom selvagem já não é tão bom, mas isso não importa na defesa de uma causa que se volta, hoje, contra grandes empresas e o agronegócio; amanhã, contra os empreendedores rurais em geral.
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É cada vez mais evidente que o país enfrenta um problema de gargalo do crescimento econômico que passa pela questão central da energia. O país não voltará a crescer a altos índices se nada for feito no que diz respeito à construção de novas usinas. O que se desenha no horizonte, se o imobilismo for triunfante, será um novo apagão. O país se coloca diante de uma escolha: aumentar a oferta de energia pela construção de novas usinas, hidrelétricas ou nucleares, ou viver o romantismo de que nada deve ser feito. O Brasil deverá optar entre avançar ou voltar para uma espécie de passado idílico, anterior à propriedade privada, à economia de mercado e à civilização em geral.
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A escolha é válida, só que ela deve ser proposta à sociedade em seu conjunto, e não ficar restrita às mãos dos iluminados do imobilismo. É romântico um jantar à luz de velas. Cabe, no entanto, saber se a sociedade brasileira está disposta a jantar à luz de velas 365 dias por ano. Um referendo poderia colocar essa questão ao conjunto dos cidadãos.

O avanço da pré-história

por Ives Gandra Martins, no Jornal do Brasil
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A reeleição do histriônico presidente da Venezuela, para o que ele espera seja seu mandato perpétuo, as manifestações caudilhescas do iletrado presidente da Bolívia e as demonstrações de apreço ao maior genocídio das Américas - que, em Cuba, matou, sem julgamento, mais pessoas do que seu êmulo chileno - estão a demonstrar que o continente sul-americano não corre nenhum risco de melhorar. Estamos condenados, como diz o escritor Vargas Llosa, a viver na pré-história, com líderes como Chávez, Morales ou Fidel.
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Impressiona-me, todavia, que o presidente Lula, que governa mais de metade da América do Sul, de líder inconteste do mundo emergente, em 2003, tenha tido seu papel reduzido a ator coadjuvante, nesse cenário menor, onde vicejam a demagogia, as esmolas ditas sociais e a ignorância, para gáudio dos minúsculos líderes de palanque, de pendores verborrágicos.
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Debatendo, recentemente, com o professor Delfim Netto, em evento patrocinado pelo Instituto ETCO, analisamos as perspectivas do governo Lula para seu segundo mandato. Defendia eu, com certo ceticismo, que o presidente precisaria substituir as amarras ideológicas e sentimentais, pelas alavancas da eficiência e do progresso, sabendo escolher os melhores, e não os mais amigos, para governar bem e fazer o país crescer de novo. Precisaria ter o descortino que o governo comunista da China tem demonstrado, no campo econômico, não tendo receio de adotar, abertamente, uma economia de mercado, sem desnecessários entraves burocráticos, excessivos encargos trabalhistas e confiscatória carga tributária.
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Estamos, gradativamente, perdendo o trem da história. O crescimento pífio - sem chances de se reverter enquanto a esclerosada máquina administrativa, as benesses presidenciais oficiais, o incorrigível hábito dos detentores dos três poderes de se auto-outorgarem benefícios remuneratórios, os preconceitos das autoridades em relação aos empresários e a todos aqueles que geram riqueza e desenvolvimento - parece ser, segundo os principais analistas, o destino do país.
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Parcela ponderável de brasileiros gostaria que o presidente Lula percebesse que o Brasil é maior, em tamanho e possibilidades, do que todos os seus vizinhos; que não deve se submeter a esta visão retrógrada, do século 19, de que a tecnologia é perniciosa à agricultura e que o progresso da ciência só vale a pena para os filmes de efeitos especiais.
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E parcela ponderável de brasileiros sentir-se-ia mais confortável se o presidente passasse a ser líder - não segundo a cartilha imposta por Chávez, Kirchner, Morales e Fidel - mas de um país, que, entre as quatro maiores economias das nações emergentes (Rússia, China, Índia e Brasil), é aquele que oferece melhores condições naturais, econômicas, sociais e culturais que qualquer dos outros três. O Brasil tem tudo, se o presidente quiser, para superá-los em breve no tempo, mas poderá ser superado pela mediocridade de seus não-confiáveis aliados, que ainda acreditam na ressurreição da economia do período de neanderthal.
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No debate com Delfim Netto, mostrou-se ele confiante de que o presidente Lula saberá fazer as escolhas certas e levar o país a um patamar melhor do que o atual.
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Para o bem do Brasil, que ele esteja certo!

TOQUEDEPRIMA...

Sindicância da PF apura briga
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Ainda não se conhecem os resultados de uma sindicância que apura uma suposta briga, com direito a cadeiradas, de dois delegados na superintendência da Polícia Federal em São Paulo, antes da divulgação da foto da dinheirama apreendida com a gangue do dossiê.
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Pra não dizer que não falei das flores
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A sempre atenta ONG Contas Abertas ironiza que a primavera contagiou a Câmara dos Deputados este ano.
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No dia 18 de outubro, foram empenhados R$ 2.652,62 em arranjos florais.
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Esse valor é para atender as despesas no período de 20 de outubro a 30 de dezembro de 2006.
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Família Maluf é denunciada por formar quadrilha
Revista Veja Online
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O Ministério Público Federal de São Paulo denunciou nesta segunda-feira à 2ª Vara Criminal Federal o deputado federal eleito Paulo Maluf e mais dez pessoas pela formação de quadrilha internacional com o objetivo de lavar dinheiro proveniente de corrupção. A denúncia do procurador da República Rodrigo de Grandis atinge ainda a mulher de Maluf, Sylvia Lutfalla, os quatro filhos do casal – Flávio, Ligia, Lina e Otávio –, a mulher de Flávio, Jacqueline Coutinho, e o marido de Ligia, Maurílio Miguel Maurílio Curi.
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Segundo a denúncia, o dinheiro que passou pelo esquema é proveniente de obras para a construção da avenida Águas Espraiadas, na zona sul de São Paulo, realizada durante a gestão de Maluf na Prefeitura (1993-1996). O dinheiro teria ido para uma conta em Nova Iorque e, de lá, para quatro contas no paraíso fiscal de Jersey, ilha britânica localizada no Canal da Mancha. Da ilha, o montante seguiu para fundos de investimento. Por fim, o dinheiro foi investido na Eucatex, empresa da família Maluf.
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A nova denúncia é resultado de cooperação jurídica internacional estabelecida entre o Ministério Público Federal e autoridades da Suíça e Grã-Bretanha. Em resposta à denúncia, a assessoria de Maluf declarou que o ex-prefeito nunca teve conta bancária fora do país. Disse ainda que o dinheiro aplicado na Eucatex no período é proveniente de investidores estrangeiros, em operações aprovadas pelo Banco Central.
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Grana espraiada
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O MPF denuncia que parte do dinheiro proveniente das obras da avenida Águas Espraiadas (atual Roberto Marinho) na última gestão de Maluf na Prefeitura de São Paulo (1993-1996), foi para a conta Chanani, em Nova Iorque, e de lá para quatro contas no paraíso fiscal de Jersey, no Reino Unido, de onde migraram para sete fundos de investimento na mesma ilha.
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O dinheiro depois foi investido na Eucatex, empresa da família do ex-prefeito.
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A denúncia também atinge um preposto de Maluf no Líbano, Hani B. Kalouti, acusado de ser um dos responsáveis pela montagem do esquema e o casal de doleiros Roger Clement Haber e Myrian Haber, acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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O casal é apontado pelo MPF como autor das transferências de valores do Brasil para os EUA e a Europa.
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PIB - 542 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2006
Revista Veja Online
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O Produto Interno Bruto (PIB) somou 542,074 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2006, alta de aproximadamente 9% em relação ao mesmo período do ano passado, informou nesta terça-feira o IBGE. A soma de todas as riquezas produzidas no país entre janeiro e setembro deste ano chega assim a 1,529 trilhão de reais – equivalente a 709,5 bilhões de dólares.
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No período, a participação da agropecuária ficou em 34,4 bilhões de reais, a da indústria somou 200,5 bilhões de reais e a contribuição do setor de serviços alcançou 275,2 bilhões de reais. Desmembrando o PIB, o IBGE indicou ainda que o consumo das famílias somou 290,5 bilhões de reais e o do governo, 105,6 bilhões de reais.
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O total de investimentos no país no trimestre somou 112,5 bilhões de reais, 20,8% do PIB do período, ante 20,4% há um ano. A taxa de poupança correspondeu ainda a 25,2% do PIB no terceiro trimestre, a segunda maior da série histórica e superior aos 24,3% do mesmo período de 2005.
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A balança de bens e serviços trocados com o exterior segue com saldo positivo: 24,8 bilhões de reais no trimestre. O resultado é fruto de exportações de 96,9 bilhões de reais e importações de 72,1 bilhões de reais.
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Volta para o MP
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Por sete votos a seis, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu que promotores de Justiça estão proibidos de exercer qualquer função no Poder Executivo, de acordo com a resolução nº 5 de 20 de março.
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Diante disso, o promotor e também atual secretário de Administração Penitenciária do RJ, Astério Pereira dos Santos, deixa o cargo dia 31 de dezembro..Com a decisão, o governador eleito, Sérgio Cabral, poderá integrar a Secretária de Administração Penitenciária (Seap) à Secretaria de Segurança Pública, que será comandada pelo delegado federal José Mariano Beltrame.
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Não podemos deixar de perder
Radar Online – Revista Veja
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Você, que não gosta de samba e detesta funk, terá motivos dobrados para manifestar seu ódio durante o carnaval. A Som Livre vai lançar o CD Bonde das Marchinhas, no qual alguns dos mais famosos astros dos bailes reinterpretam algumas das mais conhecidas marchinhas carnavalescas. Latino, por exemplo, escolheu o "Coelhinho (se eu fosse como tu)". O polêmico Mr Catra (de "Mercenária"), regravou "Saca rolha" e "Índio quer apito" e MC Marcinho (de "Glamourosa") vai de "Trem das onze" e "Linda Morena", entre outros. Na praça a partir de janeiro.
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Vale passa Petrobrás em ativos fora do País
Fonte: INVERTIA
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A Vale do Rio Doce passou a ser a maior empresa brasileira com ativos no exterior, desbancando a Petrobrás e a Gerdau, conforme levantamento da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet).
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De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, os ativos das companhias no exterior, hoje avaliados em US$ 104 bilhões, devem subir para US$ 106 bilhões neste mês.
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A Vale passou a ter US$ 20,7 bilhões de atuvis fixos no esterior após a compra da canadense Inço, ante US$ 6,2 bilhões da Petrobrás e US$ 3,3 bilhões da Gerdau.

TOQUEDEPRIMA...

Barrados
Da Folha de S.Paulo
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"A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para pedir a rejeição das contas de 40 parlamentares eleitos no Estado.
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Além da prestação de contas do senador reeleito Eduardo Suplicy (PT), a lista de recursos especiais inclui 21 deputados federais, entre eles o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT).
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Os recursos especiais foram apresentados na sexta-feira, quatro dias antes da diplomação do governador eleito, José Serra (PSDB), e da bancada, programada para as 10h de hoje na Assembléia Legislativa.
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Dos 40 recursos, 16 recomendam a desaprovação das contas pela omissão de gastos com advogados na prestação. Esse é, por exemplo, o caso de Suplicy, de Palocci e do novo secretário municipal de Serviços, Dimas Ramalho (PPS).
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Nos demais, o Ministério Público Federal aponta outras irregularidades, como omissão de gastos ou doadores na prestação de contas."
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Jornal quer extradição de português
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O jornal Correio da Manhã, de Lisboa, faz campanha para extraditar com urgência o português Camilo Coelho. Ele está preso no Ary Franco, que os portugueses afirmam ser “a mais violenta cadeia do Rio”. Segundo o jornal, Coelho quase morreu esfaqueado no último motim, dia 7.
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Freada brusca
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Depois de quase dobrar o salário dos parlamentares, a Mesa da Câmara autorizou licitação para trocar os carros dos deputados.
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Mas a compra foi cancelada, por medo de piorar, ainda mais, a imagem da casa.
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Preso brasileiro suspeito de seqüestro
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Está sob custódia em Fort Myers, Flórida, o brasileiro Valter Coelho, 45, após se apresentar à polícia, que investiga no seqüestro, dia 1º, do bebê Bryan Gomes. Amigos e parentes estão revoltados com a detenção.
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Copa das FARC?
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A Federação Colombiana de Futebol informou que comunicou à Fifa sua intenção de sediar a Copa de 2014, depois de receber o apoio do governo e do comitê olímpico do país.
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Os colombianos vão disputar com o Brasil a indicação para organizar o mundial..A carta de intenção foi apresentada horas antes de terminar o prazo para a inscrição de eventuais interessados entre os países da Confederação Sul-Americana de Futebol.
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O Brasil já havia apresentado sua candidatura, e já considerava o favorito absoluto.
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Brasília - Capital (ainda) inacabada
Radar Online – Revista Veja
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No encontro que teve com Oscar Niemeyer na terça-feira passada, o governador eleito de Brasília, José Roberto Arruda, encomendou um projeto para o arquiteto. Quer que Niemeyer conclua o projeto original do Centro Cultural da capital, hoje é composto somente pelo Teatro Nacional. A idéia é construir ali cinemas e locais para exposições de artes plásticas.
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Mulheres demitidas por rezar entram com processo
Fonte: INVERTIA
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Duas americanas estão processando a Universidade do Texas de Arlington por discriminação religiosa. Elas afirmam que foram demitidas após terem sido flagradas rezando em um escritório.
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Em sua defesa, a universidade afirmou que as mulheres estavam rezando no local de trabalho de um colega, jogando óleo de oliva em seus pertences sem o conhecimento dele.
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De acordo com a universidade, a demissão foi aprovada pelas autoridades trabalhistas locais.
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O processo foi impetrado por um grupo de defesa das liberdades civis em nome de Evelyne Micky Shatkin, assistente administrativa, e Linda Shifflett, assistente de desenvolvimento. "A universidade deveria estar envergonhada de ter punido essas duas mulheres que apenas rezavam depois do trabalho", afirmou Hiram Sasser, diretor do órgão.
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Mercedes-Benz pagará US$ 1,2 milhão por poluição
Fonte: AFP
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O grupo automobilístico Mercedes-Benz USA e sua matriz DaimlerChrysler aceitaram pagar uma multa de US$ 1,2 milhão após uma queixa pela violação da lei americana contra a poluição (Clean Air Act), informou nesta quinta-feira o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
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O grupo não notificou de imediato a agência de proteção ambiental (EPA) sobre a existência de defeitos nos sistemas instalados em vários de seus modelos Mercedes-Benz fabricados entre 1998 e 2006, indicaram a agência e o Departamento em um comunicado.
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A Mercedes deve também melhorar a vigilância de seus controles antipoluentes, o que lhe custará cerca de US$ 1 milhão por ano, acrescentou o comunicado.
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Governo autoriza criação de bancos de câmbio
Fonte: Reuters
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O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou nesta quinta-feira a criação de bancos especializados em operações de câmbio.
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As instituições terão um limite de capital mínimo inferior aos bancos comerciais e de investimento e, ao contrário das corretoras de câmbio, poderão ter contas no exterior.
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O diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que, com a iniciativa, o conselho procura atender a um nicho de instituições que querem operar com câmbio, mas não têm interesse em atender pessoas físicas ou pequenas e micro-empresas.
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O capital mínimo para os bancos de câmbio será de R$ 7 milhões - contra os R$ 24 milhões exigidos de um banco comercial ou múltiplo que queira operar com câmbio.
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Tombini acrescentou que o fato de a nova modalidade de banco poder manter contas no exterior lhe permitirá "oferecer a gama de produtos vinculados ao comércio exterior de uma forma mais plena que uma corretora."