domingo, julho 08, 2007

CORCOVADO MARAVILHA

CRISTO ESTÁ ENTRE AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO
Jair Rattner, de Lisboa, BBC Brasil

O Cristo Redentor, um dos símbolos do Rio de Janeiro, é oficialmente uma das novas sete maravilhas do mundo, de acordo com o anúncio feito diante de mais de 40 mil pessoas em uma cerimônia no Estádio da Luz, em Lisboa, neste sábado.

Numa votação, realizada pela internet e por mensagens de celular, a estátua do Corcovado ficou junto com alguns dos mais importantes monumentos do mundo, como a Muralha da China e Petra, na Jordânia.

A lista representa os votos de mais de 100 milhões de pessoas. Inicialmente, qualquer local podia ser indicado como um das novas sete maravilhas.

As novas maravilhas

Cristo Redentor, Rio, Brasil
Grande Muralha da China
Petra, na Jordânia
Machu Picchu, no Peru
Pirâmide Chichén Itzá, no México
Coliseu, de Roma, na Itália
Taj Mahal, na Índia

No fim de 2005, a lista que contava com 200 monumentos foi reduzida aos 77 mais votados.

A partir daí, um grupo de arquitetos, sob a coordenação do ex-diretor geral da Unesco Federico Mayor, escolheu os 19 finalistas, com base nos critérios de beleza, complexidade, valor histórico, relevância cultural e significado arquitetônico.

Os votos definitivos passaram a ser computados a partir de janeiro deste ano. Na última contagem, divulgada há três semanas, o Cristo Redentor estava entre os dez mais votados – mas o número de votos de cada monumento não foi divulgado.

Os dois países que mais se envolveram na campanha foram o Brasil e a Índia. No Brasil, a campanha foi bancada pelo grupo Bradesco e incluiu mensagens de várias personalidades da política, do futebol e dos espetáculos, incluindo o presidente.

'Vote Cristo'
Tudo sob o lema "Vote Cristo". Na avaliação do Ministério do Turismo, a eleição para as sete maravilhas pode gerar até 250 mil empregos no setor do turismo, para atender um possível aumento no fluxo de visitantes ao Brasil.

Na Índia, a votação pelo Taj Mahal movimentou a indústria cinematográfica do país, conhecida como Bollywood. A Índia é o país que mais produz filmes anualmente no mundo, com mais de 650 produções.

Um dos países em que foi registrada menor participação foram os Estados Unidos. Acredita-se que por isso mesmo, a Estátua da Liberdade tenha ficado entre os menos votados.

A votação das sete maravilhas foi uma idéia do milionário suíço Bernard Weber. Segundo a assessoria dele, em 1999 uma amiga professora dava aulas sobre as sete maravilhas da Antigüidade e comentou o fato com ele.

No entanto, das sete maravilhas antigas, apenas as pirâmides de Gizé ainda existem.

Antigüidade
As sete maravilhas da Antigüidade, uma lista elaborada por Filon de Bizâncio em 200 antes de Cristo, incluíam os Jardins Suspensos da Babilônia, a Estátua de Zeus, o Templo de Ártemis, o Mausoléu de Helicarnassus, o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria, além das Pirâmides de Gizé.

As sete maravilhas antigas
Pirâmides de Gizé
Jardins Suspensos da Babilônia
Estátua de Zeus
Templo de Ártemis
Mausoléu de Helicarnassus
Colosso de Rodes
Farol de Alexandria

Do valor total arrecadado, metade deverá ser utilizada na recuperação de monumentos. O primeiro monumento a ser reconstruído será o Buda de Bamian, no Afganistão, destruído em 1999 por partidários do governo Talebã.


O resto da verba deverá ser utilizado pela fundação New7Wonders, dirigida por Weber.

A votação das sete maravilhas esteve envolvida em várias polêmicas. A primeira foi com as autoridades egípcias, que se recusaram a autorizar a inlcusão das pirâmides de Gizé na votação – já que sempre foram uma das maravilhas da humanidade. Até então, as pirâmides eram as mais votadas.

A Unesco também se recusou apoiar o projeto, apesar de ter sido convidada várias vezes.

Critérios científicos
A explicação da Unesco é que o seu programa proteção do patrimônio mundial baseia-se em critérios históricos e científicos, incluindo o estabelecimento de um quadro legal para a preservação dos monumentos, o que inclui um trabalho permanente sobre o seu estado de conservação.

A Unesco considera ainda que a votação não tem um critério científico e apenas reflete a opinião das pessoas que têm acesso a um computador.

O anúncio do resultado da votação das sete maravilhas foi numa cerimônia gigantesca. Realizada no Estádio da Luz, sede do Benfica, teve 40 mil bilhetes vendido, e até o Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, esteve presente.

As sete maravilhas de Portugal
Mosteiro dos Jerônimos
Torre de Belém
Palácio da Pena
Mosteiro da Batalha
Castelo de Óbidos
Mosteiro de Alcobaça
Castelo de Guimarães

A superprodução teve mais de 2 mil participantes e custou 12 milhões de euros. Os monumentos escolhidos foram anunciados entre apresentações do soprano José Carreras e da cantora Jennifer Lopez – que teria cobrado US$ 1,5 milhão para cantar duas canções, segundo o semanário português Sol.

A cerimônia contou também com a presença do ex-secretário-geral das Nações Unidas Koffi Annan e dos atores Ben Kingsley e Hillary Swank.

Na mesma cerimônia, foram apresentadas as sete maravilhas de Portugal, uma promoção local, que incluiu a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerônimos.

TRAPOS & FARRAPOS...

TUDO COMO DANTES...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Foram sete dias de parada. Como informei em post anterior, parada obrigatória por questão técnica. E neste curtíssimo espaço de tempo, a gente olha para o Brasil e tudo continua a mesma zorra política de sempre, os mesmos personagens repetindo velhas velhas mentiras e contando novas, num descaramento sem igual. É impressionante como os políticos do Brasil agem cada vez mais sem escrúpulos sem vergonha na cara e sem um pingo de decência. Um total desrespeito à opinião pública brasileira, que, como se sabe, compõem-se de uma pequena parcela de 15% (se tanto !) de bem informados e informados medianos, e uma imensa maioria de sem jornal, sem informação, baseadas apenas na informação boca-a-boca. Nada mais.

E segue o baile. De um lado, não tendo mais como defender o indefensável, um senador, Roriz, renunciar para preservar-se, mas o crime continua em aberto, e o bom seria que fosse punido exemplarmente. Mas a renúncia, às vezes, tem o dom de inflar a impunidade já tão inflacionada por todos os poros. De outro, agarrado à cadeira, mas esquecendo-se do mandato, ou da responsabilidade que o mesmo lhe impõem, outro senador, Renam, abraçado ao rebanho miragem, tenta culpar a imprensa por seus próprios erros. Esquece o senador de que não a imprensa que usou lobista de empreiteira para pagar pensão a uma ex-jornalista com quem tivera um caso e uma filha. Esquece o senador de que não foi a imprensa que ele contratou para fazer uma defesa surrealista. Esquece que não foi a imprensa que arrumou seus documentos e os esfregou na cara do país com o intuito de esquivar-se do primeiro erro, mas que teve o dom de escavar um imenso poço de falcatruas que foram cometidas pelo senador. E contra si mesmo.

Se na terra a coisa continua tosca e aleijada, no ar parece que tudo se consome na mesma inépcia e incompetência de sempre. Um presidente que não consegue admitir seus próprios erros, que joga a culpa nos outros, outros que ele próprio escolheu, e que não tem a necessária coragem de um estadista (que ele quer ser e imagina já ser mas que falta a necessária grandeza para consegui-lo!), para demitir os incompetentes de que se cercou. Vemos no episódio do apagão aéreo repetirem-se momentos de José Dirceu, Roberto Jefferson e Antonio Palocci – o fura-fila, para só citar alguns.

Ou seja, enquanto as pesquisas pontificarem o reinado Lula de aprovações maciças, o país continuará desgovernado e desmantelado. Uma máquina estatal devidamente aparelhada, mas que não anda, que não serve, que se serve, e que não presta a responsabilidade para a qual foi designada. Portanto, máquina gigantesca, cara, permissiva, promíscua, ineficaz, e totalmente inútil para o povo para quem deveria trabalhar e servir. Enquanto isto, o personagem patético de um presidente inútil, navega mansamente numa popularidade que faz um mal danado para o país, porque assentado num programa assistencialista que pode até mitigar a fome do coitado, mas não lhe dá oportunidades de ser cidadão.

Assim, de mazelas em mazelas, vamos desconstruindo um país do futuro para subjugá-lo num canto medíocre e selvagem, sem lei e sem ordem, alienado por completo do que seja civilização, enterrando sonhos e ilusões, país que mata seus velhos sem o serviço decente de um estado canalha, e que vê, dia a dia, centenas, milhares de jovens arrumando passaportes para fugirem do inferno de uma pátria que lhes nega um presente e um futuro mais humano e mais decente. E quando não conseguem passaportes, vai no berro e na clandestinidade mesmo. O que querem é fugir para o mais longe que puderem deste país cada dia mais sem alma, comandado por um personagem e uma tropa cada dia mais imorais e inconseqüentes.

Pode até não parecer, mas as notícias de hoje são praticamente iguais no conteúdo com as de ontem. Ás vezes, sequer mudam as moscas quanto mais o cheiro do que as atrai. Isto é, continua tudo como dantes...

Aqui, perdido no tempo, o futuro está no presente... Isto é, o futuro que nos sorri está com um atraso de 50 anos, ao menos, em relação à civilização.

Romão, o do Chicabom, entrega o jogo sem querer

Reinaldo Azevedo

A Ilustrada da Folha traz hoje matéria e entrevista com o apresentador Fausto Silva. Ele faz uma crítica moderada à classificação indicativa, que, de fato, estava caracterizada como censura prévia. A Folha decidiu ouvir José Eduardo Romão, aquele a quem não pagarei mais um Chicabom. Vejam abaixo o que diz o rapaz. Volto depois:

O Ministério da Justiça rebate o argumento, endossado por Fausto Silva, de que a classificação indicativa leve à censura. Segundo o diretor do departamento de Justiça e Classificação, José Eduardo Romão, "inventaram um novo significado para censura, mais conveniente aos interesses que esses "críticos" representam".

"Será que, agora, devemos encarar como censura toda ação legítima do Estado que possa causar prejuízos à audiência do negócio, ou melhor, à lucratividade do programa?", pergunta, em texto enviado à Folha. "As pessoas que trabalham na TV facilmente enxergarão a classificação indicativa tão somente como uma garantia fundamental contra a baixaria quando conseguirem olhar para as câmeras e ver, do outro lado, as necessidades e os direitos dos telespectadores que são crianças e adolescentes."

As emissoras são contrárias ao projeto apresentado. A Globo se diz favorável à indicação, mas sua central de comunicação ressalva que "a portaria do Ministério da Justiça é impositiva. Constitucionalistas renomados reconhecem que foram criados mecanismos de proibição. Proibir é censurar. Censura é inconstitucional".A Abert (associação de emissoras de rádio e TV) também se diz favorável à classificação, mas defende que ela não esteja vinculada a horários e se manifesta contra a análise prévia do conteúdo dos programas.

Voltei
Sabem o que acho mais curioso neste rapaz? Esta, vamos dizer assim, “transparência”, que ainda não decidi se é burrice ou arrogância. Pode ser um misto das duas coisas. A pergunta que faz, se “devemos considerar censura toda ação legítima do Estado que possa causar prejuízos à audiência do negócio” tem de estúpida o que tem de agressiva. Por que digo isso? Por uma questão lógica. Acompanhem.

Os críticos da portaria têm, até agora, falado em nome da liberdade de expressão. Se Romão acha que esse argumento é falso e esconde o real interesse, que é preservar o lucro, deve-se concluir, por analogia, que a alegada intenção de Romão de proteger as nossas crianças é, então, falsa também: o que ele quer mesmo é atingir o cofre das emissoras. Há algum erro de raciocínio aqui? A menos que, claro, Romão diga que suas motivações são naturalmente benéficas, e as dos outros, naturalmente maléficas.

Esse cara é diretor do Departamento de Justiça? Com esse grau de argumentação? Estudou direito. É da turma do “Direito Achado na Rua”. Bem se vê que fez carreira entre seus iguais de academia e de fé. Nunca enfrentou um tribunal. Seria esmagado de saída. Entrega o jogo logo de cara.

Sim, sabemos. O objetivo do governo é mesmo estrangular as emissoras financeiramente. “As” é modo de dizer. Ele está de olho é “NA” emissora: só a Globo interessa. A classificação indicativa nos moldes originalmente pretendidos pelo governo – teve de recuar - não tem como trazer grande prejuízo. Isso é só um delírio de potência do Romãozinho. Muito mais importantes, aí, sim, são os esforços de um outro candidato a censor no Brasil: José Gome Temporão, ministro da Saúde. Sua Anvisa está querendo censurar até propaganda de biscoito recheado. Não custa lembrar: água mineral pode matar se usada de modo estupidamente errado.

Ah, sim: se Romãozinho acha que o estado tem direito de fazer censura prévia – que ele pretende tratar por outro nome -, por que, então, não seguiu adiante com sua proposta? Eu respondo: porque perderia no Supremo, que lhe diria: “Amiguinho, não há censura prévia no Brasil. A Constituição proíbe".

Negócios milionários

Revista VEJA

O senador Renan Calheiros já presidiu mais de dez sessões do Senado desde que veio a público a revelação de suas relações promíscuas com um lobista de empreiteira. Nenhuma delas, porém, foi tão devastadora quanto a sessão de terça-feira passada. Durante duas horas e cinqüenta minutos, dezessete senadores pediram a palavra – e quinze exortaram Renan Calheiros a se afastar da presidência do Senado. Os pedidos em série começaram depois que o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, informou que seu partido decidira pedir o afastamento de Calheiros, tornando-se assim o quarto partido no Senado a fazê-lo.

"A posição decidida pelo PSDB é sugerir, e desta vez olhando nos seus olhos, que se afaste da presidência do Senado até o momento final das investigações", disse Arthur Virgílio, dirigindo-se a Renan Calheiros. Daí em diante, outros senadores, de sete partidos diferentes, engrossaram o coro. Sentado à cadeira de presidente, com o semblante constrangido mas simulando frieza, Calheiros falou duas vezes na sessão. Em ambas, disse que não arredaria pé do cargo e chegou a afirmar que não sabia nem do que era acusado.

"É de quebra de decoro", gritou, do plenário, o senador Demostenes Torres, do DEM de Goiás. Rememorando: Calheiros é suspeito de pedir a Cláudio Gontijo, lobista da Mendes Júnior, para pagar a pensão e o aluguel da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de 3 anos. Para defender-se da suspeita, o senador apresentou um calhamaço de documentos dizendo que lucrara 1,9 milhão de reais nos últimos quatros anos. Com isso, queria provar que tinha dinheiro para pagar à jornalista. Os documentos, porém, eram inconsistentes e acabaram mostrando a excepcional evolução do seu patrimônio – estimado hoje em 10 milhões de reais.

A papelada revelou que o senador não tinha fazenda nem gado até 2002 e, nos últimos quatro anos, subitamente se mostrou um notável sucesso como pecuarista. Na semana passada, VEJA encontrou outro negócio no qual os Calheiros merecem medalha de ouro. Trata-se de uma fábrica de tubaína, construída em 2003, que, nas avaliações mais otimistas, vale menos de 10 milhões de reais. Em maio do ano passado, porém, os Calheiros conseguiram vendê-la à Schincariol, a segunda maior cervejaria do país, por 27 milhões de reais. Um negócio estupendo.

Em 2003, o deputado Olavo Calheiros, irmão do senador, resolveu abrir a Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes, em Murici, no interior de Alagoas, terra natal dos Calheiros. Ganhou, de graça, um terreno de 45.000 metros quadrados, avaliado em 750.000 reais. O doador foi a prefeitura de Murici, na época comandada por Remi Calheiros, irmão de Olavo e Renan. A prefeitura também deu à fábrica isenção por três anos no pagamento de água, insumo essencial para uma fábrica de refrigerantes.

Com terreno e água de graça, Olavo bateu à porta do Banco do Nordeste, o BNB, e conversou com o gerente José Expedito Neiva Santos, que fez gestões junto ao BNDES para conceder ao deputado um empréstimo de 6 milhões de reais, com vencimento em vinte anos. O gerente Expedito Santos aceitou, como garantia do empréstimo, a escritura de uma fazenda que o Ministério Público suspeita ser falsificada. Concluído o empréstimo, o gerente, por indicação de Renan Calheiros, foi promovido a superintendente estadual do BNB em Alagoas.

Com fábrica instalada, água e terreno de graça e dinheiro para pagar em duas décadas, a Conny, ainda assim, foi um completo fracasso. Três anos depois, só vendia refrigerantes na região de Murici. Tinha apenas 0,1% do mercado nordestino. Devia 150.000 reais em contas de luz, não pagava o empréstimo e já devia 9,9 milhões de reais ao BNDES. A situação era tão lamentável que a fábrica recorria contra dívidas irrisórias. Entrou com ação judicial para não pagar a anuidade de 1.600 reais ao Conselho Regional de Química.

Também foi à Justiça para não pagar 3.600 reais por ano de taxa de fiscalização ao Ibama, o órgão que cuida do meio ambiente. Sofria até ação de cobrança do Inmetro, que fiscaliza o padrão e a qualidade dos produtos no país. O Inmetro cobrava 900 reais da fábrica dos Calheiros. Com as contas no vermelho e prestes a fechar as portas, a fábrica conseguiu ser negociada por 27 milhões de reais. Olavo pagou as dívidas – e embolsou 17 milhões de reais, limpinhos, conforme a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, que autorizou o negócio.

Na época, a Schincariol explicou que comprara a fábrica para expandir sua presença no mercado nordestino. Pagou um preço exorbitante. Um especialista no setor ouvido por VEJA diz que se constrói uma fábrica semelhante à da Conny com 10 milhões de reais – menos da metade do que a Schincariol desembolsou. Em junho passado, a mesma Schincariol comprou a Indústria de Bebidas de Igarassu, no interior de Pernambuco, que fabrica a cerveja Nobel. A Igarassu é maior do que a fábrica dos Calheiros, tem 10% do mercado de Pernambuco e capacidade para produzir 5 milhões de litros por mês, contra 4,5 milhões da fábrica dos Calheiros.

Ainda assim, mesmo sendo maior e mais importante, a Igarassu saiu por 10 milhões de reais. Em janeiro passado, a cervejaria Baden Baden, de Campos do Jordão, no interior paulista, famosa por fabricar cerveja artesanal, também foi adquirida pela Schincariol. A Baden Baden faturava 5,5 milhões por ano e vinha aumentando sua participação no mercado de produtos sofisticados. Saiu por 30 milhões de reais, apenas um pouco a mais do que a Conny dos Calheiros. A pergunta que fica é: por que a Schincariol pagou tanto à família Calheiros?

As atividades do senador Renan Calheiros em Brasília podem ser uma pista. Depois que a fábrica em Murici foi vendida, o senador interessou-se pelas dificuldades da Schincariol em Brasília, já que, um ano antes, seus cinco dirigentes haviam sido presos pela Polícia Federal sob acusação de sonegação de 1 bilhão de reais. O senador esteve pelo menos três vezes no Ministério da Justiça para saber dos desdobramentos da Operação Cevada, que prendeu os donos da cervejaria. Também andou visitando a cúpula do INSS, que planejava executar dívidas previdenciárias de cerca de 100 milhões de reais da Schincariol.

As dívidas, como que por mistério, não foram executadas até hoje. Ou melhor: o INSS executou, sim, mas apenas uma dívida de 49.700 reais. Renan Calheiros andou, também, pela Receita Federal, onde chegou a falar sobre uma multa milionária que o órgão aplicaria à Schincariol. Sabe-se lá por quê, até hoje a empresa não sofreu multa milionária nem a cobrança do 1 bilhão de reais sob suspeita de sonegação. Melhor que isso: a Receita, em vez de manter a contabilidade da dívida centralizada, pulverizou-a pelos seis estados onde a Schincariol tinha fábrica na época. Isso complica e retarda uma cobrança de dívida.

Na semana passada, depois da sessão do Senado em que os parlamentares pediram o afastamento de Renan Calheiros, o Conselho de Ética voltou a trabalhar, escolhendo três relatores para o caso. Decidiram completar a perícia da Polícia Federal sobre a papelada dos negócios do senador e analisar a evolução do seu patrimônio. A venda da fábrica em Murici, formalmente, está fora da investigação porque foi um negócio do deputado Olavo Calheiros, e não do senador. No entanto, os negócios de ambos se entrecruzam o tempo todo. Um compra fazenda do outro. Um arrenda terras para o outro. O gado de um anda na fazenda do outro, e vice-versa.

Os dois também se revezam no Congresso quando se trata de despejar dinheiro na obra do Porto de Maceió, tocada pela empreiteira Mendes Júnior. Em 2001, 2002 e 2003, o deputado fez emendas para a Mendes Júnior. Nos anos seguintes, 2004 e 2005, foi a vez do senador. Sob esse aspecto, a modesta fábrica de tubaína em Murici que conseguiu ser negociada por 27 milhões de reais poderia despertar a atenção dos membros do Conselho de Ética. A suspeita que o negócio desperta é a seguinte: será que, além de usar o lobista da Mendes Júnior, o próprio senador Renan Calheiros se converteu num lobista da cervejaria Schincariol?

Ninguém sabe, mas há duas certezas na história. Uma delas é que a cervejaria tem apreço pela família Calheiros, tanto que foi a principal financiadora da campanha do deputado Olavo Calheiros e do seu outro irmão, o deputado Renildo Calheiros. Ambos receberam 200.000 reais da empresa. A outra certeza é que os irmãos atuam como líderes da bancada da cerveja, composta de 41 parlamentares que defendem os interesses do setor. A Schincariol diz que vai começar em breve a fabricar o suco Skinka em Murici, mas prefere não fazer nenhum comentário sobre sua relação com o senador Renan Calheiros e seus irmãos deputados.

O PT casou com a República de Alagoas

Elio Gaspari, Jornal O Povo (Fortaleza/CE)

Nosso Guia decidiu transformar a agenda horizontal de Renan Calheiros num processo de desmoralização do Senado e do PT. Na crise de 2005, o comissariado foi apanhado com dólares na cueca e com as arcas de Marcos Valério na contabilidade do partido. Era uma crise que, bem ou mal, nascia no PT e se irradiava para o governo. Escorregaram numa casca de banana que estava no caminho que haviam escolhido.

Desta vez, decidiram atravessar a rua para escorregar na casca escolhida por Calheiros. Ele não é do PT, nem se pode dizer que faça parte do poder Executivo. A “gestante” não ocupa cargo público. O lobista da Mendes Júnior, muito menos. A crise, portanto, foi estranha ao Executivo e ao partido. Apesar disso, Nosso Guia recauchutou a teoria da “ameaça à governabilidade” e filiou sua bancada no Senado à velha e boa República de Alagoas, com suas alcovas, chantagens e, sobretudo, esqueletos de armários alheios.

Lula atravessou a Praça dos Três Poderes para proteger o que há de pior na promiscuidade política do andar de cima alagoano. A bem da justiça, registre-se que o grão-tucano Teotonio Vilela Filho, ex-presidente do PSDB, sentou praça na volante de Renan logo nos primeiros dias da crise. Num quadro político decente, um senador que paga mesada a uma senhora valendo-se da intermediação de um lobista amigo deixa o Parlamento que humilha. Quando isso não acontece, o Parlamento humilha o país.

A “governabilidade” tornou-se uma gazua para justificar qualquer aliança e cambalacho destinado a subverter a discussão. Quando o senador Joaquim Roriz vai à tribuna e anuncia que sempre apoiou o governo e continuará votando com ele, está fazendo uma profissão de fé ou propondo um troca-troca? Até a semana passada, o comissariado acreditava que a “governabilidade” seria aperfeiçoada se o Congresso cassasse o voto uninominal dos eleitores. Felizmente, pela vontade da Câmara dos Deputados, o projeto foi ao lixo.

O presidente que começou seu governo encantando com sua biografia a plutocracia reunida em Davos é hoje um governante internacionalmente tisnado. Seu desembaraço moral não chega a mudar a opinião dos admiradores, apenas inibe suas manifestações.

Um gol contra num caso de sucesso
Gol tornou-se a segunda maior companhia de transporte aéreo do país com simpatia, preços camaradas e obsessão pela competitividade. Quando a Varig ia às portas do BNDES pedir dinheiro para cobrir o buraco dos maganos que a saquearam, era um alívio pensar que ela poderia ser substituída por outra empresa, jovem, gentil e barata.

Em menos de dois anos, Nenê Constantino, o patriarca da família que controla a empresa, levou a urucubaca de Wagner Canhedo para perto de seu desempenho. Canhedo, que como Constantino tinha frotas de ônibus, comprou a Vasp em 1990. Aquilo que pareceu uma história de eficiência no amanhecer da privataria acabou num lamaçal de amigos do Palácio do Planalto. A Vasp quebrou, e Canhedo é visto hoje no noticiário policial.

Depois de ter feito o milagre da Gol em apenas seis anos de gestão, Constantino comprou a Varig por US$ 320 milhões, tendo como advogado um compadre de Nosso Guia, que o acompanhou numa visita ao palácio. Agora, a condição de amigo do senador Joaquim Roriz apensou-o à sua contabilidade bovina.Se os Constantino não tomarem cuidado, transformam-se num estudo de caso de uma empresa que, tendo chegado a valer US$ 6 bilhões, decidiu arriscar a sorte investindo no veneno dos bons amigos de Brasília.

“O quadro” de Sarney
Sai em agosto o novo romance de José Sarney. Revela o remédio que o ex-presidente toma para fugir da pauta horizontal do Senado. “O quadro” não tem política. Conta a história da paixão de um homem pela mulher nua de uma tela.
É Gabrielle d’Estreés, namorada de Henrique IV (1553-1610), rei da França. O quadro iluminou a infância do filho de um engenheiro carioca que financiava o Partido Comunista nos anos 30. Pintado no século XVI, o retrato de Gabrielle saíra dos tesouros dos museus soviéticos, na época em que os comunistas vendiam madonas de Rafael para fazer caixa. No romance, Sarney mistura a obsessão de Leonardo, já adulto, com uma partilha de bens e as encrencas de um cidadão de poucas luzes e muita vontade de ficar com o quadro.
Ele descobriu que no Louvre havia outro retrato de Gabrielle, pintado na mesma época.Sarney trabalhou vários anos na trama, e ela já estava pronta quando o Senado desceu aos infernos. Algum poder sobrenatural fez com que ele incluísse um episódio de investigação de paternidade na vida do enamorado de Gabrielle d’Estreés. É preferível ler “O quadro” a acompanhar a vida real.

Esperança
É possível que o comissariado da Brasil Telecom não consiga matar de vez o sítio de notícias NoMínimo. Apenas possível. O NoMínimo tem muitas utilidades, entre elas a de informar que um cidadão, contratado para a função de cozinheiro na Vila do Pan, viu a instalação de um macaco hidráulico num buraco de 40 metros. Soube que se destina a recolocar no prumo o prédio onde está o refeitório.

Quem quiser pode conferir: http://ponteaerearj.nominimo.com.br/
Flores do recesso
Os coronéis do Senado podem ter cometido um erro ao jogar o caso Renan Calheiros para as calendas do recesso parlamentar. Esperam que o assunto esfrie, mas a experiência mostra que o recesso é um fogo brando. Queima demoradamente. As flores do recesso só murcham em agosto. Plebiscito O PT prendeu-se numa armadilha. Passou os últimos anos defendendo uma trapaça que chamava de “reforma política” para conseguir o falecido voto de lista. Agora, perceberam que há na Câmara um projeto do deputado Miro Teixeira, prevendo que a reforma eleitoral seja decidida num plebiscito. No ano que vem, junto com a eleição municipal, os eleitores diriam o que acham melhor:

a) Deixar tudo como está;
b) Adotar o voto distrital simples ou misto;
c) Permitir a escolha por listas rígidas ou flexíveis.

Se os companheiros acreditam em plebiscitos, como dizem acreditar, e se querem a reforma, como dizem querer, apóiam a transferência da decisão para a patuléia.

Frio
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, deu sinais de que gostaria de fazer contraponto ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. É difícil que consiga. Desde 2003, Paulo Bernardo teve duas ações dignas de nota. A primeira, em 2005, quando se juntou ao ministro Antonio Palocci propondo um arrocho fiscal. Tomou um “rudimentar” de Dilma Rousseff e submergiu. Voltou ao palco representando Nosso Guia na fatídica rodada de negociações com os controladores de vôo amotinados, em março.

É político, estúpido!

Por André Petry, Revivsta VEJA

"O presidente Lula escorou-se nesse raciocínio dias atrás, quando discursou numa solenidade no Palácio do Planalto, com Renan Calheiros sentado ao seu lado. "O que me inquieta é muitas vezes não termos o cuidado de evitar que pessoas sejam execradas publicamente antes de ser julgadas", disse ele, deixando escorrer o equívoco de que condenados podem, aí sim, ser alvo da execração pública.

Na estrondosa sessão da semana passada, durante a qual mais de uma dúzia de senadores pediu que Renan desça da cadeira de presidente, Valdir Raupp, estafeta da tropa renazista, disse a mesma coisa. Com uma sintaxe acrobática, ele declarou: "Ninguém que não tem processo transitado em julgado pode ser considerado culpado".

É, claro, mais um embuste. Renan Calheiros não é inocente até que seja prolatada uma sentença em contrário porque Renan Calheiros não está sendo submetido a um processo jurídico. O processo é político. E, em um processo político, as coisas são diferentes.

Tão diferentes que Lula parece ter esquecido que demitiu José Dirceu sem sentença condenatória. Demitiu-o porque Dirceu, como czar do mensalão, estava politicamente condenado. Tão diferentes que Lula demitiu Antonio Palocci sem sentença que o condenasse. Demitiu-o porque Palocci, como algoz de caseiro, estava politicamente morto. Até hoje, nem um nem outro sofreu punição na Justiça.

O processo jurídico é tão diferente do processo político que Renan Calheiros é acusado de pedir favores financeiros a um lobista de empreiteira. E qual é o crime? Nenhum. Pedir favores a lobista não é crime. Para um senador, é apenas antiético. Ferir a ética também não é crime. Para um senador, é falta de decoro parlamentar. Falta de decoro parlamentar, não sendo um crime, não produz nenhuma punição jurídica. Mas, no Parlamento, no processo político, é falta grave, tão grave que dá cassação.

Quando alguém voltar com a catilinária de que não há sentença contra Renan, diga: "O processo é político, estúpido".

TRAPOS & FARRAPOS

A COERÊNCIA COM A IDEOLOGIA ANALFABETA
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Lula joga fora mais uma oportunidade para o Brasil ingressar no seleto grupo do Primeiro Mundo.

Não preciso recorrer a nenhuma bola de cristal para constatar que estamos sendo empurrados para trás. Sob aplausos e aprovação de 70% da população. Claro que esta população mal sabe o que está acontecendo além do seu salário mínimo, de sua cesta básica ou de sua bolsa família.

Logo que Lula assumiu, em 2003, tivemos a primeira oportunidade de colocarmos um pé no primeiro mundo. Jogamos fora por besteira, por ideologismo capenga, ignorância mórbida de acharmos que a ALCA destruiria nossa economia. Ah, é ? Perguntem ao México. Ou melhor, nem precisam perguntar, bastante é que constatar que os mexicanos estão nos deixando pra trás. No continente, já havíamos sido suplantados pelo Chile. O México agora faz a festa, que jogamos fora. Correndo por fora, vem aí a Costa Rica.

Este ranço de atraso com ignorância tem provocado incontáveis prejuízos ao longo do tempo. Mas antes o país não tinha a economia que tem hoje, e o mundo vivia outro clima. Mas hoje não, não justifica permanecermos atirando no lixo as oportunidades que batem à nossa porta e teimamos em desperdiçar.

Depois da Alca, Lula teve outra chance, a de liderar países emergentes rumo às conquistas maiores do modernismo, da tecnologia e das aberturas das economias menores em razão do processo de globalização. Assim, o sudeste asiático, agitado que foi por inúmeras e seguidas guerras, vivia uma miséria colossal no início dos anos 60. E o Brasil já era candidato a país do futuro. Pois então, sabem o que aconteceu ? Pois o sudeste asiático cresceu, virou tigre asiático, enriqueceu, prosperou, virou tigre, deixou-nos para trás em educação, prosperidade e tecnologia. E nós ? Continuamos com o discurso do atraso, preocupados em firmar parcerias com Venezuela, Equador e Argentina e dando às costas para o mundo civilizado! E isto se dá porque continuamos a pensar com foco nos anos 60. Não saímos de lá. Sequer se percebe um movimento revitalizador que possa arejar e oxigenar o pensamento nacional, mesmo que não no curto prazo, mas para daqui cinco, seis, dez anos. Nada.

Pois, mais recente, tivemos a oportunidade de liderar as negociações com o G-8 (países mais ricos do mundo mais a Rússia), tentando buscar uma convergência que satisfizesse a todas as partes, onde todos pudessem sair ganhando, tornando as relações comerciais entre os países ainda mais prósperas do que já são no presente. E aí? Novamente cuspimos em cima da oportunidade, chutamos o balde e nosso representante abandonou a reunião e ainda saiu cantando marra.

Nesta semana, Lula resolveu endossar a ignorância e a mediocridade do camarada Amorim e, muito macho, afirmou que se os ricos não cederem no que o Brasil entende por condição básica, não haverá negociação. Ótimo, só que o mundo não precisa do Brasil e vai nos dar às costas para que nos deleitemos com o nosso atraso.

Assim como aconteceu quando Lula deu uma banana para Alca, os americanos colocarão em prática seu plano “B”. Naquela ocasião, começaram a afirmar acordos bilaterais de livre comércio com os países latinos, sempre em separado do bloco continental. Ficamos sozinhos, tanto na parceria quanto no discurso. Agora, de novo, os EUA se voltam para o seu plano “B”, e vão negociar sozinhos com os países asiáticos. Moral da história: vamos ficar isolados, mais uma vez.

Quem perde ? O Brasil, sem dúvida. Podendo avançar, vamos perdendo a rota, morrendo abraçados com parceiros como Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, Argentina. Podendo crescer, nossa opção é viver com o atraso. Abaixo do que já somos. Perdemos o foco e o trem da história.

Nossa opção de nivelar por baixo, aliando-nos com quem nada acrescenta ao que já temos, é sem dúvida de uma colossal burrice. Assim, serão milhões de dólares que deixarão de entrar em investimentos diretos, investimentos capazes de gerar os empregos que não temos e que nos fazem falta. Serão milhões de dólares que deixarão de entrar fruto de exportações, em razão de que nossos produtos cada vez mais perderão competitividade, perderão em conseqüência mercados importantes. Ou seja, no fundo, estamos dizendo que ficaremos orgulhosos e felizes em continuar sendo o país do futuro. Que o presente se dane. Quem estiver na miséria que espere. Lula e seus asseclas precisam manter-se amarrados na sua ideologia, mesmo que isto nos custe mais anos de pobreza e miséria. Não importa: eles precisam ser coerentes com seu analfabetismo.

A seguir, em reportagem da Reuters conheçam como os EUA estão “preocupados” com as exigências de Lula para negociar. Se não queremos a parceria, tem quem quer, e claro, saberá lucrar com ela. Afinal, governante responsável se preocupa com o bem estar de seu povo, e não com a coerência de sua ignorância.

EUA trocam Brasil por países da Ásia-Pacífico
Da Reuters

Países podem aderir a acordo com EUA, Canadá, México e Chile. Brasil desistiu de negociar com EUA no último encontro.

Os Estados Unidos darão mais atenção a acordos comerciais regionais e bilaterais, incluindo um possível pacto com a região Ásia-Pacífico, se as negociações de comércio mundial fracassarem, disse a representante comercial norte-americana, Susan Schwab, a um jornal australiano.

Os comentários, uma semana depois do colapso das reuniões entre Estados Unidos, Índia, Brasil e a União Européia, na Alemanha, elevam a perspectiva de nações da Ásia-Pacífico aderirem ao pacto comercial da América do Norte, entre EUA, Canadá, México e Chile.

"Acho que vocês verão uma aceleração real de acordos bilaterais e regionais, incluindo algo como um acordo de livre comércio com a Ásia-Pacífico, se a rodada de Doha desaparecer realmente do cenário", disse Schwab, segundo a edição do jornal The Australian desta sexta-feira.

Schwab visitará a Austrália na próxima semana, para participar de um encontro de ministros da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), formada por 21 países. A rodada de Doha, lançada há quase seis anos para tentar incentivar o comércio global e tirar milhões de pessoas da pobreza, parou devido a debates sobre subsídios agrícolas e tarifas na Europa e nos EUA.

Brasil e Índia também relutam em abrir seus mercados a mais produtos agrícolas e industrializados sem cortes maiores no apoio agrícola na Europa e nos EUA. A Austrália, que apóia o livre comércio e maior abertura de mercados, principalmente para a agricultura, espera que o encontro da Apec estabeleça novas metas para a redução de barreiras comerciais internas.

Ah, para encerrar: diante desta “geniais” escolhas, Roberto Campos se vivo fosse, por certo, repetiria seu pensamento diante da possibilidade de Lula presidente:

"O Brasil tem duas saídas: Galeão e Cumbica".

O raio que até nisso o governo Lula adora andar para trás: cada dia está mais difícil de aviões levantarem vôo. Naquilo que mais nos parecíamos com o mundo civilizado, Lula está conseguindo reduzirmos ao tempo do teco-teco. Mas sem perder a coerência do discurso imbecil que defende.

Lula pensa: ‘eu justifico os meios!’

por Arnaldo Jabor, no Globo

No presidencialismo de coalizão, em geral, o presidente fica na mão do Congresso; agora, o Senado ficou na mão de Lula e contou com seu apoio. Lula acaba de fortalecer o pior lado do Congresso, no apoio que deu a Renan Calheiros, que ameaçava não votar nada do governo. O PMDB está cobrando agora o apoio que deu ao PT na época do esgoto do 'mensalão'. Ou seja: escrotidão com escrotidão se paga.

E o fascinante nisso tudo é que Lula se 'beneficia' dessa lama do Congresso.

Apoiado por 65 por cento da população mal informada, Lula exerce uma espécie de 'despotismo não esclarecido', navegando na política econômica que herdou do FHC (e que ele não é bobo de mexer) e na sorte imensa de governar com o mercado mundial com imensa liquidez. Ele quer curtir seu mandato, com calma, luxo e volúpia. Aceita a tutela do PMDB e usa uma linguagem com resquícios de esquerda; exala tranqüilidade britânica, saboreando as delícias de seus mandatos.

Lula é responsável, sim, pelo caos do Senado. Sua forma displicente de governar, de não fazer marola, contamina a política toda. Na prática, o País está sendo governado por um 'bonapartismo' cordial, de vaselina, em que um símbolo operário mantém seu charme de marketing sobre a vida social, anulando a vida política.

Os políticos são todos uns ladrões' - pensa o povo - 'mas nosso Lula está acima da política...'

Para além do oportunismo de Lula e do PT, há também neste governo o mesmo 'rationale' que explicava a distribuição de dinheiro do mensalão. Há um gélido desprezo de homens 'superiores' do PT e Lula, em seu narcisismo sindicalista, pela 'ética burguesa', o que permite, de cara limpa, numa boa, beijar a mão do Barbalho ou dar força para Renan. 'Estamos acima disso tudo que está aí... pois miramos a uma 'coisa' maior!' Aquilo que já foi o slogan utópico dos comunas virou o sujo lema da permissividade atual, pois, como não têm utopia nenhuma, a não ser seus 100 mil cargos no Estado, usam-no para manter limpas suas 'boas consciências' irresponsáveis que estimulam a corrupção. Assim como os comunas acham que os fins justificam os meios, Lula pensa: 'Eu justifico os meios!'

Lula descobriu que não precisa governar. Basta pairar no 'Ibope'. Lula recusa qualquer reforma política ou econômica. Em quase cinco anos, ele não fez absolutamente nada, a não ser mamar na herança bendita do FHC (que está sendo dilapidada com petistas invadindo o Estado como uma porcada magra no batatal) e prometer planos de crescimento, como o PAC que, pelo jeito, não sairá do papel, dada a lentidão patológica da administração e a falta de garra.

Parafraseando Dora Kramer: quando acabar o mandato, Lula será louvado pelas coisas boas que não fez (e sim FHC) e não será criticado pelas péssimas coisas que fez (explosão de gastos, imprevisão, falta de projetos, etc...), que vão explodir no colo do sucessor.

Lula quer o êxtase da aceitação total e vale tudo para isso. Ele substituiu o atraso tradicional por um atraso travestido de novo, um ensopadinho de slogans populistas com um estatismo inchado e falido. Bela vitória do atraso nacional, apoiado por massas que não entendem nada. Lula desmoralizou os escândalos, vulgarizou as alianças.

Que fazer quando Lula apóia o Renan e põe a mão em sua cabeça, enquanto verbera contra a PF e o Ministério Público? Quando o Collor caiu, ainda existia o escândalo. Havia ainda os 'homens de bem da República', havia Barbosa Lima Sobrinho, gente assim, ainda havia o susto, a indignação. E agora? Como vamos protestar? Com as cartas dos leitores? Por um idiota solitário como eu e outros jornalistas 'fascistas', como nos apelidou o Renan? Está havendo uma espécie de 'chavismo' molenga e disfarçado de Lula que estimula essa mixórdia e lucra com ela.

Há um caos se armando por aí. Não há instrumentos que a opinião pública possa usar para pôr fim, pôr 'cobro', como se dizia, a essa espantosa desmoralização da democracia. Alguma coisa de muito grave está se gestando, uma doença, uma terrível crise no ventre do País. Um autoritarismo virá? De quem? Os militares foram na época motivados pela guerra fria, pelo medo do comunismo. Um autoritarismo civil? Com quem? Onde está esse homem? Uma onda plebiscitária irrefreável? Mas, movida por que maremoto de opiniões? O grave é que os políticos não estão mais se escudando e protegendo apenas por saberem da impunidade que o Poder Judiciário lhes garante. Não. Eles estão adorando nos anestesiar para sempre, eles estão percebendo que, além da impunidade, há o tédio, a banalização do horror, eles descobrem maravilhados a segurança suprema: a permissividade concedida pelo povo. E apoiada pelo Lula. E nós estamos aprendendo a querer pouco.

A Veja de anteontem nomeou os cinco mosqueteiros da ética: Gabeira, Simon, Jarbas Vasconcelos, Demostenes e Jefferson Peres. Deve haver mais, no Congresso. Temos de fazer a lista das pessoas que podem ajudar em um mutirão contra esse horror. Dentro e fora do Congresso. Quem?

Hoje temos um país deprimido e impotente para reagir, assistindo a um festival horrendo de mentiras (quem viu o show psicótico melodramático de Roriz na TV), em que nada de bom acontece nem consola; em suma, um país perfeito para a crise que virá, com o primeiro retrocesso que houver na economia mundial.Só Lula e o poder que 65 por cento do povo lhe dá poderiam fazer alguma coisa. Mas ele não quer aporrinhação. Os crimes do Congresso ficarão sob seu beneplácito de sua 'realpolitik', nome de guerra para sua preguiça e seu desinteresse. Lula não lutará contra nada. A reforma política não virá, reforma nenhuma virá. O fim da Comissão de Orçamento não virá. As emendas individuais ou de guarda-chuva não acabarão jamais, o Judiciário continuará como está, jamais condenando ninguém. Ele não lutará por sua mudança, razão maior de nossas roubalheiras endêmicas. Nada virá, só o imprevisível e, como sempre, tarde demais.

Um mínimo de NoMínimo

Ivan Lessa, BBC Brasil

Não é verdade. Não sou um infolouco. Infolouco.

Alguém aí na distinta platéia se lembra dos Aqualoucos? Bando de tremendos nadadores. Usavam ceroulas antigonas de banho, pulavam todos juntos do mais alto trampolim, pareciam prestes a se esborrachar na água das piscinas. Piscina do Guanabara, do Botafogo, do Copacabana Palace.

Viviam freqüentando os paupérrimos cinejornais da época. Infolouco. Com isso eu quero dizer apenas que sou chegado a dar um mergulho de barrigada na Net.

Chamam de internauta. Ou ainda, mais tupiniquim, “nerd” e “geek”. “Geek” é menos pejorativo. Em matéria de Brasil, limito-me a passar os olhos em 3 ou 4 de nossos jornais, que muito mais que isso não tem, uma ou duas (mais uma que duas) revistas, e estamos conversados.

Dá, no máximo (sem jogo de palavra), uns 10 minutos por dia. Fico mais tempo EnTubando (copiráite registrado) clipes de música ou cinema. Ou me movimentando pela jornalada globalizante. Outros 15 minutos.

Em matéria de brasilidades, assunto em que não sou autoridade, o lugar por onde mais tempo zanzava eu, todos os dias, era o sítio NoMínimo, que, ôi zumzumzum, bateu asas e avoou.

Ou jaz no grande cemitério eletrônico, além da segunda estrela à direita, juntamente com algumas outras centenas de milhares de experiências informáticas. Acabou-se. Não tem mais. Gato comeu. Para ser mais preciso, a falta de inteligência deixou padecer.

Sítio, aqualouco, duas boas palavras para levar até a presença de Sérgio Rodrigues. Ouviria uma dissertação enxuta e a propósito a respeito do uso de “site” e “sítio”. Receberia a informação adequada de quem é que cuidava, no sítio (sou teimoso), do departamento de nostalgia e ainda receberia, em dia bom, a camoniana citação de “a grande dor das coisas que passaram”. Nossa como o caôlho sabia das coisas, sô!

Tergiverso, divago, devaneio. O uso devido dessas andanças me seria explicado.

Eu fico rondando e rondando o assunto e o que eu quero dizer mesmo é que fiquei fulo da vida dentro das calças ao saber que as páginas do NoMínimo sumiram dentro de si mesmas, como um gato Cheshire, sem sequer sorriso matreiro sumindo por último.

Encerraram, sérios, seus expedientes. Deixaram de pegar às 9 e largar às 5. Não estão em obras nem nada. Pararam porque, conforme os próprios feitores e colaboradores dizem, no que, ainda na segunda, 2 de julho, estava lá, para quem quisesse clicar em cima:

“Editores, blogueiros, colunistas, funcionários, colaboradores assíduos ou ocasionais, enfim, todos os nomes abaixo relacionados que ajudaram a criar o site (humm…) de jornalistas mais querido do Brasil comunicam sua morte súbita neste 29 de junho de 2007, vítima de inanição financeira decorrente do desinteresse quase geral de patrocinadores e anunciantes em sua sobrevida na web. NoMínimo deixa órfãos cerca de 150 mil assinantes entre os mais de 3 milhões de visitantes que, em média, se habituaram a passar por aqui todo mês nos últimos 5 anos. Seus realizadores também sentem muito o triste fim desse espaço livre, democrático e criativo de trabalho, mas se despedem com a sensação de dever cumprido com o jornalismo e a camaradagem que nos une. Foi bom, foi muito bom enquanto durou. Quantos no país têm a oportunidade de tocar seus próprios projetos com prazer, independência e alegria? Aos leitores, nossas desculpas pela falta de talento empreendedor, o que talvez pudesse transformar o site (humm…) num bom negócio financeiro. Fica para a próxima. Até breve.”

É, fiz questão de transcrever na íntegra a despedida -testamento, mais eloqüente do que aquela de Gegê, ou Rebeco, o Inesquecível. Não, não é falta de assunto, nem preguiça. Raiva. Nunca se deve escrever com raiva, alguém me disse em algum lugar. Então cito-os literalmente. Os falecidos NoMinimistas que falem por mim.

NoMínimo era uma das poucas provas de que ainda havia alguma inteligência nesse troço, nesse paisão aí. Foi-se. Acabou. Não tem mais. Como “fica para a próxima”? Como “até breve”? Então acham mesmo que há a possibilidade de uma entidade patrocinadora, de um anunciante esclarecido, vir a perceber que sem inteligência não vai acontecer coisíssima alguma nesse bostoso Bananão?

Bem no meio desse merdejante mundo em que comemos e somos comidos?

Ó mecenas do Bananão, esquentai os vossos pandeiros, esquentai! Compareçais com a nota, silvuplé! O senhor mesmo aí, seu Mecenas Bezerra! Ou o cavalheiro acolá, “coronel” Mecenas Cavalcanti, que com E também serve!

Sim, sim, sem dúvida, ficarão os blogueiros, simpáticões, mas também sobre os cansativos na eterna descrição de seus umbigos e a paisagem que deles se descortina.

Como o imbecil que sou, imprimi a nota de falecimento com os dizeres acima, mais o raio daquela cruz e os 257 signatários (sim, a impaciência com a imbecilidade traz a paciência dos compulsivos: contei os nomes todos).

Deu 3 páginas em papel A4, que vou guardar, sem dobrar, dentro de um livro que, por motivos nevróticos, utilizo como arquivo: o “Rio Antigo”, de J.C. Dunlop, Vol.I Artigos e Fotos, Editora Gráfica Laemmert, Rio, 1955. Lá ficarão em meio a coisas que não citarei, mas todas comprovando o quanto eu estava coberto e enterrado de razão quando, há mais de 29 anos, deixei o Bananão para nunca mais voltar, como dizem todos os tangos.

Sim, eu sei. Ninguém me lê e estou apenas querendo sair na foto ajudando a carregar o, quero crer, caixão do pranteado. Danem-se. Problema meu e do defunto. Entendo um pouco de falecimentos.

Estamos de volta.

Neste mês, COMENTANDO A NOTÍCIA com muita satisfação estará completando seu primeiro ano de existência. Nesta primeira semana de julho, ficamos sem atualizar nosso blog por motivos técnicos apenas. Precisávamos “atualizar” nosso equipamento, além de uma indispensável arejada para pensar em novos projetos e idéias.

Agradecemos os visitantes que permaneceram acessando nossa página, e com tristeza constatavam a falta de novas matérias, artigos e comentários. Mas estamos de volta, e neste mês de aniversário estaremos iniciando um projeto um pouco maior para tornar o COMENTANDO A NOTÍCIA mais amplo na tarefa de informar e discutir os principais acontecimentos do país.

A lamentar que, neste período, vimos sair do ar o site NOMÌNIMO em cuja fonte bebemos muito conhecimento e aprendizado. Ainda restaram algumas matérias para serem publicadas e por certo o faremos. Mas o espaço do site dificilmente será ocupado por outro em que se reúna tamanha quantidade e, principalmente, qualidade tanto de opinião quanto de informação.

Ficam nosso reconhecimento e o pedido para articulistas como Guilherme Fiúza, José Paulo Kupfer com quem nem sempre concordamos mas sempre admiramos, Sá Correa, Tutty Vasques, dentre tantos outros, possam estar presentes em outros sites e blogs. Numa época em que a mediocridade campeia e parece tomar conta do pensamento brasileiro, profissionais como os que o site NOMÍNIMO reuniu são indispensáveis. Numa justa homenagem, publicamos, a seguir, um texto belíssimo do Ivan Lessa, BBC Brasil, sobre a presença e a importância que o site teve durante sua existência e, por certo, a falta que está fazendo.