quarta-feira, setembro 05, 2007

Bons de discurso, ruins de serviço...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Dois detalhes na área de economia chamam a atenção neste início, e dizem respeito ao Brasil: a primeira, um estudo feito pelo Organização Internacional do Trabalho, dando conta de que o trabalhador brasileiro, nos últimos 25 anos, perdem capacidade de produção. A outra, a de que a capacidade industrial instalada no País aproxima-se de 86,0% de ocupação.

O primeiro detalhe está relacionado diretamente à qualidade de ensino. Não são apenas nossas universidades que perderam o bonde da história, mas especialmente, o ensino médio e fundamental.

Até hoje, quando se fala com qualquer empresário do ramo de telefonia ou de qualquer ramo de alta tecnologia, a reclamação é uma só: os salários, são bons, o mercado de aberto está aberto, mas faltam profissionais qualificados.

Num primeiro momento até se poderia imaginar que as faculdades brasileiros não estão formando estes “profissionais” de alta performance. Não é verdade. Na linha da engenharia todo aquele que se destaca medianamente ainda nos bancos acadêmicos, automaticamente já é tragado pelas grandes empresas. O que falta é chegar mais gente à estas faculdades. E isto tem a haver com o péssimo ensino nos ciclos fundamental e médio.

Nossas escolas estão perdendo a capacidade de ensinar matemática e português. Isto é notório. Por um lado, está a má qualificação de professores pessimamente pagos e sem possibilidades de se reciclarem. De outro lado, está as péssimas condições das escolas sendo raras as que têm uma biblioteca. Isto do lado do idioma.

De outro lado, o ensino de matemática regrediu muito. E não se venha alegar que a tecnologia das calculadoras e da computação forçaram esta barra. Aí estão China, Japão, Estados Unidos e Índia para mostrar-nos que alta tecnologia não afasta ninguém da qualidade de ensino.

E é isto que faz a diferença entre um país sólido, moderno, progressista e de primeira linha. E uma vez mais estamos ficando para trás.

De outro lado, as más condições existentes no país para investimentos e ampliações, estão zerando nossa capacidade industrial instalada. Isto é muito ruim. Vamos ver as razões.

Primeiro, estamos insistindo nesta equação há muito tempo: o Brasil não oferece ainda condições adequadas para investimentos produtivos. Carga tributária, juros internos, excesso de burocracia, insegurança jurídica e infra-estrutura deteriorada, forma um cenário que inibe e afasta o investimento.

Mais: de acordo com os números oficiais, as importações do país cresceram de um ano para cá cerca de 29,0 % ao passo que as exportações apenas 10,0%, e ainda assim, aqui se nota a presença maciça das comoditties, fruto do mercado chinês comprador. Com o câmbio ajustado na forma em que se encontra, o investimento que aportar para o país terá que se contentar com o mercado interno.

Sabemos que o salário médio do trabalhador brasileiro é um dos mais baixos do mundo. O atual crescimento do consumo interno se dá muito mais em vista do crédito subsidiado do que pro crescimento da massa salarial. Ora, dívida gera consumo, não riqueza. Dívida, cedo ou tarde, terá que ser paga. Muitos estão apelando para novas dívidas para quitar as antigas. Isto não é crescimento. É bolha de crescimento que acabará estourando.

Assim, mesmo que esta “bolha” ainda demore a estourar, a rápida diminuição da capacidade ociosa de nossas indústrias, caso não se tome providências urgentes, nos conduzirá para uma encruzilhada: ou inflação, e aí todos perdem, ou atender a demanda interna com importações, e isto zeraria nosso saldo comercial, podendo até inverter-se. Claro, temos gorduras para queimar. Mas isto deve ser usado em momentos de instabilidade, de crises de liquidez, ou graves crises, e não em situação de certa calmaria.

Mas vamos supor que, de repente, se criem algumas brechas e se possam criar novas empresas ou ampliar as existentes em um ritmo mais intenso. Pois bem, cadê os profissionais qualificados ? Não temos, teremos que importar.

Mas, pelo andar da carruagem, nossas autoridades só sabem agir diante da crise instalado. São autoridades das políticas de tapa-buracos, não sabem agir com lucidez, com olho posto no futuro. E nem se precisa falar de um futuro muito distante, só coisa para além de 5 anos.

E depois do mal feito e instalado não adianta caçarem bruxas para responsabilizar governos passados, ou elites, ou imprensa, ou sei lá que baboseiras mais se possam inventar. Tem o governo atual uma grande oportunidade de inserir o país num futuro maravilhoso. Porém, para tanto, se requer ação muito mais do que discursos, se exige muito mais que se assuma responsabilidades do que transferi-las para o passado, e é indispensável trabalharmos com competências do que com retóricas.

E apenas uma última observação: já jogamos fora cinco anos de estabilidade e não avançamos nos principais pontos e reformas prioritários para atingirmos o nível necessário de um grande país. Permanecemos estacionados, discutindo muito mais sobre perfumaria do que sobre projetos, programas e ações públicas. Ou seja, somos até bom de debates e discussões, mas ruins de serviço quando se trata de FAZER.

O governo atual, por exemplo, ainda discute planos, projetos e programas, após estar há quatro anos e meio no poder. Quanto tempo ainda levará para agir ? Preocupante mais ainda é ele não se dar conta de que está gastando demais em coisas que não constam do cardápio das “grandes reformas”.

Querem um exemplo de atraso daqueles que não deixam dúvidas ? É o apoio do PT e, por conseguinte, do governo Lula, para uma votação em nível nacional de um “plebiscito” boca murcha pela reestatização da Vale do Rio Doce. Para os valentes que adoram perder tempo com inutilidades, aqui vai um desafio: mostrem-me, à luz da legislação vigente no país, qual a ilegalidade cometida na privatização da Cia Vale do Rio Doce? Qual? Ou então da Embraer? Ou então da Telebrás? Saibam os “patriotas” do atraso de que, se uma vírgula de ilegalidade tivesse sido cometido, nem Lula nem seus amestrados teriam ficado quietos este tempo todo. Tratariam de garantir novas bocas ricas para os companheiros em milhares de novos empregos que acabariam gerando.

Assim, enquanto discutimos, os demais países emergente continuando avançando e progredindo, avançando e progredindo. Nós discutimos, mas eles fazem.

Produtividade caiu no Brasil em 25 anos, diz OIT

BBC Brasil

A produtividade dos trabalhadores brasileiros caiu nos últimos 25 anos, e ficou ainda mais distante da registrada nos países desenvolvidos, atesta um relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta segunda-feira.

Em 1980, um trabalhador no Brasil produzia em valor agregado o equivalente a US$ 15,1 mil por ano para a economia. Em 2005, esse valor caiu para US$ 14,7 mil.

Segundo os dados da OIT, a produtividade do país em 2005 ficou atrás da registrada em vizinhos sul-americanos, como o Chile (US$ 30,7 mil), a Venezuela (US$ 26,1 mil), o Uruguai (US$ 25,4 mil) e a Argentina (US$ 24,7 mil).

Além disso, distância entre a produtividade no Brasil e nos países desenvolvidos aumentou, especialmente na indústria: em 1980, a produtividade industrial equivalia a 19% da americana, tida como base para comparações.

Em 2005, essa relação havia caído para 5%, diz a OIT, dado que a produtividade do trabalhador brasileiro no setor industrial era de US$ 5,7 mil, contra US$ 104,6 mil do trabalhador americano.

Se considerados todos os setores da economia, a produtividade do trabalhador brasileiro (US$ 14,7 mil) também fica atrás da do trabalhador americano (US$ 63,9 mil, em 2006).

EUA
Os americanos são referência para a OIT justamente porque lideram o ranking das economias mais produtivas. Ficaram bem à frente do segundo lugar, a Irlanda (US$ 55,9 mil), e do terceiro, Luxemburgo (US$ 55,6 mil).

A organização explicou que esta vantagem dos EUA em relação aos outros países se deve às longas jornadas trabalhadas no país.

Entretanto, a duração da jornada não é o principal fator a determinar a produtividade de uma economia, e sim uma combinação eficiente de capital, trabalho e tecnologia.

Se a medição da produtividade for por hora, a Noruega fica em primeiro lugar no ranking. Um trabalhador norueguês produz US$ 37,99 a cada hora trabalhada, à frente dos seus colegas americanos (US$ 35,63) e franceses (US$ 35,08).

Nos países em desenvolvimento, destacou a OIT, a falta de investimentos em formação e capacitação de pessoal, equipamentos e tecnologia acaba levando a uma "subutilização do potencial da mão-de-obra no mundo".

"Centenas de milhões de mulheres e homens trabalham duro por longas horas, mas sem as condições que permitiriam a eles e a suas famílias superar a pobreza ou o risco de tornar-se cada vez mais pobres", explicou o diretor da OIT, Juan Somavia.

"Uma agenda internacional de desenvolvimento precisa considerar como uma prioridade o aumento do potencial produtivo dessas pessoas, para liberar capacidades que hoje são subutilizadas."

Ásia
Outro ponto destacado no documento foi o avanço dos países do Leste Asiático, que produzem hoje o dobro do que produziam há dez anos. A região foi a que registrou mais aumentos no mundo.

Na China, a produtividade da indústria em 1980 equivalia a 5% do nível americano. Em 2005, essa relação passou a 12%.

Há dois anos, um trabalhador chinês produzia por ano o equivalente a US$ 9,8 mil.

A Coréia do Sul, que vem elevando sua produtividade a uma taxa de 4,8% ao ano há 25 anos, viu este indicador em relação ao dos Estados Unidos passar de 28% para 68% entre 1980 e 2005.

Excelência, defina 'elite'

Por Marcelo Otávio Dantas, Folha de S. Paulo

Quando alguém me pergunta qual o principal problema do Brasil atual, não hesito em responder: a falta de precisão vocabular.

Vivemos sob o império dos sofismas, em que toda ilegalidade tem direito a um eufemismo, todo impostor, livre acesso à honradez, e toda bravata, o status de argumento. Num ambiente semelhante, o debate público, sério e fundamentado, se torna inviável.

Exemplos existem aos montes, mas talvez nenhum deles seja tão grave quanto a utilização que se vem fazendo do termo "elite".

Toda vez que um de nossos dirigentes precisa livrar-se de acusações, desqualificar opositores ou simplesmente neutralizar qualquer crítica, a palavra "elite" surge como o pecado feito verbo. Ela encarna tudo o que há de ruim e malvado, o dolo em essência, o egoísmo mais nocivo, a traição sempre à espreita.

Curiosamente, essa "elite" não tem rosto. Ela é sempre o outro -o inimigo, o desafeto, o adversário, o opositor. Em suma: o dissenso.

Diz-se pertencer à "elite" o indivíduo ou instituição que ouse questionar os atos do poder.

Em qualquer língua do planeta, esse substantivo afrancesado -"elite"- inclui o estamento dirigente da nação. Salvo no idioma falado pelos próceres de nossa República.

Aqui, ministros de Estado, secretários de governo, parlamentares, magistrados, diretores de bancos e empresas estatais, nenhum se julga parte da "elite". Tampouco são vistos como integrantes da "elite" usineiros heróicos, empreiteiros amigos, marqueteiros audazes ou banqueiros satisfeitos.

Já o cidadão de classe média que manifesta publicamente o seu desagrado com o Estado de anomia do país é, de imediato, acusado de tramar o eterno retorno das desigualdades sociais e da concentração de renda. A ofensa é absurda, mas poucos se dão conta disso.

Ora, quem paga os elevadíssimos impostos que, já de algum tempo, são cobrados no Brasil não pode ser acusado de responsável pelo atraso da nação. Os verdadeiros culpados são aqueles que tomam esses impostos sem investir corretamente na educação do povo e no desenvolvimento de nossas forças produtivas.

As "bandas podres" existem, disso não resta a menor dúvida. Mas hoje, tal como ontem, elas vivem em conúbio com o Estado. O atual governo não moveu uma palha para mudar tal quadro. Pelo contrário, especializou-se em lotear cargos e apadrinhar o fisiologismo. Além disso, encampou a ortodoxia monetária tucana, continuando a desperdiçar o arrocho fiscal no enriquecimento dos grandes investidores nacionais e estrangeiros.

Como pode então que os dirigentes continuem a ver nas vaias de alguns ou nas críticas da imprensa a mão conspiratória da "elite"? Dá vontade de dizer: "Excelência, defina elite!".

O uso sofístico do conceito de "elite" teve sua origem em nossa intelectualidade. Foi ela quem ensinou aos atuais homens de poder a conveniente manipulação da antinomia elite-povo e quem primeiro se auto-excluiu da tão odiosa "elite brasileira".

Ao passar décadas tratando a "elite" como um bloco monolítico e, sobretudo, ao fazer de conta que um país justo se possa estruturar sem elites técnicas, científicas, intelectuais, políticas, burocráticas, artísticas e econômicas, nossa intelectualidade transformou o conceito em um mero clichê ao dispor das lideranças populistas de viés autoritário.

Basta-lhes agora dizer "eu sou o povo" e todo questionamento passa a estar identificado com a insatisfação da "elite reacionária". Basta-lhes repetir "o povo chegou ao poder" e o papel histórico da democracia se cumpre, tornando-se ela um instrumento obsoleto. Para que alternância de partidos se quem está de fora é a "elite"?

O atual debate sobre a crise aérea espelha à perfeição os efeitos nefastos desse pântano conceitual. Todas as críticas são ditas "provenientes da elite". O próprio tema dos aeroportos em pane e do caos regulatório do setor é tratado como um assunto menor, de exclusivo interesse da "elite".

Dois aviões já caíram. Quantos mortos a mais serão necessários para que os governistas de plantão acordem de seu transe?

Nenhum povo jamais foi redimido pelo sucateamento dos setores de ponta da economia. Em um debate público sério, estaríamos agora discutindo a crônica incapacidade de nossos governos em assegurar a modernização da infra-estrutura do país. Ao insistirmos na utilização oportunista de conceitos, continuaremos enfrentando crise após crise. O Brasil ficará para trás. A pobreza se eternizará. E a democracia descerá pelo ralo.

Deputados da UE pedem embargo à carne brasileira

Márcia Bizzotto, BBC Brasil

O Brasil é o maior exportador de carne mundial

Um grupo de deputados europeus entregou nesta terça-feira ao plenário do Parlamento da União Européia, em Estrasburgo, uma declaração exigindo o embargo “imediato” de toda a carne exportada pelo Brasil à União Européia (UE).

“O tamanho do país e o fraco sistema de inspeção representam um grande obstáculo ao controle efetivo (da febre aftosa)”, diz a declaração dos deputados.

Fazendo eco de afirmações repetidas ao longo de dois anos pelos produtores do bloco, os deputados ressaltaram que “não faz sentido ser tão rigoroso na luta para salvar o gado europeu da febre aftosa se a doença pode chegar aqui pela porta dos fundos”, em referência à carne brasileira.

O parlamentar europeu Neil Parish, da Grã-Bretanha, foi um dos que assinou a declaração. Segundo ele, "a UE exige que seus próprios fazendeiros sigam padrões rigorosos, particularmente depois dos recentes surtos de febre aftosa."

"É um erro tanto para consumidores como para produtores forçar nossos fazendeiros a cumprir essas exigências ao mesmo tempo em que fecham os olhos a produtos de qualidade inferior vindos do Brasil”, disse.

Contestação
Os deputados, membros do Partido Popular e do Partido Verde europeus, respaldam um estudo, realizado por associações de produtores irlandeses e britânicos, que acusa os brasileiros de usar medicamentos e hormônios de crescimento proibidos na UE e aponta deficiências no sistema de rastreamento do gado brasileiro.

Como conseqüência, seria “impossível garantir que toda a carne exportada não proceda de zonas restringidas” desde 2005 devido a um surto de febre aftosa, diz o documento, enviado ao Executivo europeu em junho.

O estudo foi contestado em julho pela Comissão Européia e pelo Departamento de Alimentação e Veterinária da UE (FVO, na sigla em inglês), órgão responsável pelo controle sanitário no bloco.

Em uma carta enviada às associações de produtores e ao Parlamento Europeu o comissário de Saúde da UE, Markus Kyprianou, alegou que “as afirmações (do estudo) estão baseadas em interpretações incorretas das normas européias para importação de carne e cobrem dois Estados (Paraná e Mato Grosso do Sul) que estão proibidos de exportar para a UE”.

Para diplomatas brasileiros, o motivo por trás da campanha liderada pelos produtores europeus é “puramente comercial”.

“Eles estão preocupados com a concorrência brasileira, que vêm ganhando cada vez mais mercado. Mesmo se o controle da aftosa no Brasil fosse deficiente, o que nós negamos com firmeza, a carne brasileira não representaria nenhum risco para a UE, porque é desossada e maturada. Tudo isso impede que o vírus se manifeste”, disse um diplomata.

TOQUEDEPRIMA...

***** Lula fala à Nação no dia 7...
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Lula resolveu falar em cadeia nacional de rádio e tevê na sexta-feira. Será uma fala rápida, de cinco minutos. Fará um balanço do Brasil em 2007. O tom naturalmente será otimista. "O momento do país é muito bom", segundo um ministro do governo.
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...como antídoto ao julgamento

Até a semana passada, não havia definição sobre esse pronunciamento. O mais provável era passar batido novamente (em alguns anos, Lula não falou no dia 7 de setembro). Mas o Planalto chegou à conclusão de que o julgamento do STF reavivou os podres do primeiro mandato. A fala de Lula no Dia da Independência serviria como antídoto. Evidentemente, em seu discurso não terá nada a declarar sobre o mensalão.

***** Cesta básica fica mais cara em todas as capitais, diz Dieese

Levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos), divulgado nesta terça-feira, aponta que a cesta básica ficou mais cara em todas as 16 capitais analisadas em agosto. Natal (9,62%), Fortaleza (8,18%), Belo Horizonte (8,14%) e Salvador (6,56%) foram as cidades que apresentaram as maiores elevações na comparação com julho.

No entanto, Porto Alegre continua sendo a capital com a cesta básica mais cara (R$ 206,39), embora tenha registrado alta de apenas 2,70%. São Paulo (R$ 193,04), Rio de Janeiro (R$ 182,14) e Florianópolis (R$ 180,63) estão na seqüência. Por outro lado, em Fortaleza (R$ 141,53), Salvador (R$ 146,93) e Recife (R$ 149,26) foram verificados os preços mais baixos.

No acumulado de dos oito primeiros meses de 2007, as maiores altas foram registradas em Natal (15,52%), João Pessoa (12,97%), Recife (12,96%) e Porto Alegre (10,83%).

***** Terrorismo: Mantega diz que fim da CPMF afeta Saúde e Bolsa-Família

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar que o fim da CPMF geraria desequilíbrio nas contas públicas. Ele disse que a não prorrogação do tributo também afetaria a Saúde e teria que fazer cortes no Bolsa-Família.

"Iríamos ter que tirar recursos de outras áreas porque a Saúde não pode ficar sem. Haveria um corte profundo de recursos com sérios problemas para a população. Seria trágico para o país", declarou Mantega. Ele ainda alertou que seria perigoso uma redução de superávit primário para pagar a dívida pública e isso causaria menor investimento estrangeiro.

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) rebateu as afirmações do ministro. Ele disse que há uma "volúpia do governo" em "meter a mão do bolso do brasileiro. "Teriam que apertar o cinto e cortar supérfluos, igual fazem todas as famílias do país quando falta dinheiro. Todos os países que disputam produtividade e emprego com a gente têm carga tributária em torno de 26% do PIB", concluiu o parlamentar.

Para o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), a CPMF é um crime contra "a economia popular".

***** Palhaçada: Processos Gautama contra envolvidos foram arquivados
Veja online

O Ministério de Minas e Energia arquivou processo administrativo que investigou o envolvimento de Ivo Almeida Costa, antigo assessor do ex-ministro Silas Rondeau, e de José Ribamar Santana, ex-diretor do programa Luz Para Todos, no esquema de fraudes em licitações comandado pela construtora Gautama. Despacho publicada nesta terça-feira no Diário Oficial diz que não foi "comprovada a culpabilidade dos ex-servidores". Os dois também são investigados pela Polícia Federal.

A denúncia surgiu quando o assessor de Rondeau apareceu em um vídeo ao lado de Maria de Fátima Palmeira, diretora executiva da Gautama. No encontro, segundo a polícia, o ex-ministro teria recebido 100.000 reais em propina através de Costa, que foi preso e depois liberado.

A construtora ainda é acusada de pagar propina para realizar obras superfaturados do Luz Para Todos. Santana, que na época era diretor do programa, é acusado de se reunir com o presidente da Gautama, Zuleido Veras, que teria cobrado o repasse dos recursos prometidos pelo ministério.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Está mais do que provado: neste governo, corrupção é coisa que ninguém vê. Ela pode acontecer, como acontece, na sala ao lado, para todos fecham os olhos e tocam em frente. E depois não sabem por que a criminalidade é tão alta no país inteiro ?

***** Ineficiência: Infraero não tinha controle sobre contratos de publicidade

O ex-superintendente de planejamento e gestão e ex-diretor comercial da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), Fernando Brendaglia, afirmou nesta terça-feira que a estatal não tinha controle dos contratos de publicidades em aeroportos. "No meu ponto de vista, a Infraero não tinha controle dos contratos. Qualquer empresa poderia concorrer. Os espaços nunca foram licitados", disse Brendaglia, em depoimento na CPI do Apagão Aéreo do Senado.

Segundo ele, o contrato entre a Infraero e a FS3 Comunicação e Sistemas pretendia criar um "padrão" para os contratos. A CPI investiga a existência de irregularidades no acordo. "Cada aeroporto usava uma nomenclatura diferente. Não havia padrão", declarou o ex-superintendente, que ocupava a diretoria comercial da estatal quando foi firmado o negócio com a FS3.

A empresa foi contratada em 2003 por R$ 26 milhões para fornecer um software de gerenciamento de publicidade a 65 aeroportos administrados pela Infraero. O contrato foi suspenso em dezembro de 2005. Brendaglia afirmou que, se fossem contratados funcionários para fiscalizar os contratos de publicidade nos aeroportos, o valor gasto seria muito maior do que com o uso do software.

***** Incompetência: Rodrigo Maia diz que caos na Saúde é culpa só de Lula

O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que a culpa pelo caos na Saúde é só do presidente Lula. Ele rebateu a afirmação do petista, que atribuiu aos governadores os problemas no setor.

"O governo Lula está faltando com a verdade porque a verdade é que o governo Lula não cumpre a emenda 29", disse o deputado. Segundo Maia, um estudo técnico do Orçamento da União comprova que "o presidente Lula não cumpre o disposto na Emenda Constitucional nº 29/2000 no que se refere à aplicação mínima de recursos em ações e serviços públicos de Saúde".

O Democrata pediu que o presidente cumpra a constituição. "O presidente é obrigado a cumprir o que determina a Constituição. No caso da Saúde, milhares de pessoas estão morrendo sem atendimento. E dezenas de hospitais estão sem condições de prestar a assistência mínima aos brasileiros que dependem da saúde pública", constatou o parlamentar.

***** Irresponsabilidade: Muita etiqueta...
Lauro Jardim, Radar, Veja online

A presidência da República vai gastar 151 334 reais em bottons para identificação de convidados em viagens e em eventos aqui e no exterior.

...e muito avião

E mais 9 000 reais em adesivos de identificação de bagagens para serem usados em viagens de avião.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Enquanto o Poder Público brasileiro, e não apenas Executivo Federal, todos os demais níveis, não entenderem que dinheiro público tem que ser decentemente APLICADO EM favor da população, e continuarem usando para perfumaria, futilidades e porcarias, vai difícil de sairmos do atraso.

7 de setembro: festa vai custar R$ 2,2 milhões este ano

Leandro Kleber, Do Contas Abertas

As festividades da semana da pátria este mês irão continuar no mesmo ritmo dos anos anteriores, pelo menos em se tratando de gastos. O tradicional desfile do 7 de Setembro, promovido pelo governo na Esplanada dos Ministérios em Brasília, vai consumir este ano R$ 2,2 milhões dos cofres públicos. A Presidência da República (PR) já contratou, por meio de pregão, a empresa João Palestino Eventos para organizar toda a logística da festa (planejamento, coordenação, supervisão e execução). A firma, que costuma promover rodeios e vaquejadas, é a mesma do ano passado. No entanto, o preço da festa ficou mais salgado. Em 2006, a empresa recebeu R$ 1,5 milhão.

A João Palestino Eventos, ganhadora da licitação, é antiga conhecida da administração pública. No Tribunal de Contas do Estado do Goiás (TCE-GO) estão em aberto seis processos que analisam supostas irregularidades em contratos e convênios firmados entre a empresa de eventos e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do estado. Os documentos são relacionados à contratação de músicos para shows e convênios de prestação de serviços de estrutura para festas de rodeio.

Outros dois processos envolvendo a empresa já foram julgados no tribunal. O órgão considerou legal o contrato celebrado em 2004 entre a firma de eventos e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás. Na ocasião, a João Palestino prestou serviços de instalação, montagem e manutenção de estrutura para um rodeio. No outro caso, o tribunal julgou legal, porém com inexigibilidade na licitação que se tratava de promoção de shows na “Temporada Araguaia 2000”, envolvendo a empresa e a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, no valor de R$ 15 mil.

Além de prestar serviços ao governo, a empresa costuma financiar campanhas políticas em Goiás. Na eleição de 2006, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a João Palestino doou R$ 79 mil a candidatos de partidos que compõem a base aliada do governo federal. Foram R$ 60 mil para Valdir Ferreira Bastos (PPB), eleito vereador pelo município de Aparecida do Norte. Bastos já foi julgado pelos crimes de peculato e falsidade ideológica, mas foi absolvido pelo Tribunal de Justiça de Goiás.

Outros R$ 18,9 mil foram destinados à candidatura de Marlúcio Pereira da Silva (PTB), deputado estadual reeleito que responde a representação eleitoral movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por capacitação e gastos ilícitos, mais conhecido como caixa dois. O funcionário da João Palestino Eventos Mario José Sales confirmou as doações aos dois candidatos nas eleições de 2006. Segundo ele, tudo ocorreu dentro da legalidade. “Nós ajudamos os candidatos da nossa cidade, de acordo com as leis do TSE”, disse.

A empresa também já se envolveu em um episódio polêmico em 2001. Naquele ano, a Agência Goiânia de Turismo (Agetur) pagou R$ 120 mil a João Palestino por um show do cantor sertanejo Daniel na cidade de Aparecida de Goiânia. No entanto, na época, o músico costumava cobrar R$ 70 mil de cachê. Sales explica que o caso repercutiu porque houve confusão na diferenciação do preço do cachê cobrado pelo artista e do preço total do show. “Falou-se muito na época sem o devido conhecimento. Na verdade, o cachê cobrado pelos músicos não equivale ao mesmo preço do show. O valor do show inclui toda a infra-estrutura do evento, incluindo pagamento de transporte, etc. Por isso, o valor do contrato foi maior do que o valor médio do cachê cobrado pelo Daniel”, explicou.

Em relação aos processos que tramitam no Tribunal de Contas de Goiás, o funcionário afirma que nada mais são do que prestação de contas das secretarias e das prefeituras, que estão sendo analisadas no órgão. “Isso é um procedimento normal. Os contratos que envolvem a nossa empresa com os órgãos do governo estão sendo analisados. Isso não quer dizer que haja irregularidade”, explica.

Detalhes que custam caro
O evento na Esplanada dos Ministérios realmente mobiliza uma grande estrutura e movimenta grandes quantias. Somente as cinco tribunas (do Presidente, das autoridades, do Ministério das Relações Exteriores, das Forças Armadas e do Governo do Distrito Federal), por exemplo, estão orçadas em R$ 565,6 mil. Isso sem contar as 1.200 cadeiras estofadas para servir de assento aos convidados das tribunas de honra, que vão consumir R$ 46,5 mil dos cofres públicos. Os R$ 612,1 mil gastos, que representam 24,5% dos gastos globais da festa, dariam para arcar com a construção de 37 casas populares.

O espaço reservado para o presidente, políticos, membros do governo e outras autoridades será forrado com carpete, terá rampa com piso antiderrapante e guarda-copos, banheiros e serviço de copa. Enquanto isso, para as arquibancadas cobertas, que têm capacidade para 20 mil pessoas, o governo vai gastar R$ 6 mil a menos do que a quantia paga somente com a estrutura das cinco tribunas oficiais.

Ainda haverá lugar para 100 pessoas com necessidades especiais e 60 assentos para jornalistas. As estruturas de imprensa e de transmissão, que englobam palanque, arquibancada, torre de controle e de equipamentos e cabine de locução, custam R$ 123 mil. Outros gastos, como com tendas de diversos tamanhos, geradores de energia, sistema de sonorização, telões digitais, 105 banheiros químicos, 9.500 metros de grades de isolamento, etc, estão orçados em R$ 934 mil.

Festa já consumiu R$ 8,7 milhões desde 2003
Desde o começo da gestão Lula, em 2003, já foram gastos pelo menos R$ 8,7 milhões para promover as festividades da semana da pátria em Brasília. A quantia gasta é bem maior, por exemplo, que o total aplicado pelo governo no programa de Erradicação do Trabalho Escravo este ano (R$ 5,7 milhões, sem considerar o pagamento de dívidas de anos anteriores).

No primeiro ano do governo petista, o evento custou R$ 1,9 milhão. Em 2004, a quantia desembolsada pelo governo federal com a comemoração da independência caiu para R$ 1,1 milhão, já que parte da infra-estrutura foi patrocinada por empresas estatais. No ano seguinte, as despesas voltaram a crescer, atingindo os R$ 2 milhões. Em 2006, a Presidência estimou gastos na ordem de R$ 2 milhões, mas a festa acabou custando R$ 1,5 milhão. A previsão de gastos com a comemoração cívica deste ano era de R$ 2,5 milhões, mas foram reservados em orçamento R$ 2,2 milhões para custear a comemoração. A primeira parcela, no valor de R$ 293,5 mil, já foi paga a João Palestino Eventos.

O dinheiro gasto com o evento na Esplanada em 2007 é quase o equivalente a toda verba aplicada pelo Ministério da Cultura, de janeiro para cá, no programa de preservação e revitalização Brasil Patrimônio Cultural (2,9 milhões, desconsiderando dívidas de anos anteriores). Segundo a Presidência, desde 2005 o projeto segue o mesmo padrão de exigências e detalhes técnicos. Para a concorrência pública de 2007, o órgão informou que foram consultadas cinco empresas, de diversos locais do país, para a realização da estimativa de preços que compõe o edital. A PR afirma ainda que o objetivo do governo federal é incentivar os valores relacionados ao sentimento patriótico e a maior participação do cidadão e da sociedade.

O efeito das 'escolas erradas' no Brasil

Carlos Sardenberg
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Uma palavra sobre a pesquisa da organização Internacional do Trabalho mostrando que a produtividade do trabalhador brasileiro caiu no período de 1980 a 2005. Produtividade do trabalhador tem a ver com escola. Quanto mais educada a pessoa, maior a sua produtividade.

Ora, no mesmo período da pesquisa da OIT, aconteceram dois fatos importantes no Brasil nessa área:

1. o Brasil, finalmente, conseguiu colocar todas as crianças na escola;

2. houve uma verdadeira de explosão de alunos em cursos superiores.

Ora, como a produtividade pode ter caído?

Só pode ser porque estamos com as escolas erradas. As crianças vão à escola, mas não aprendem – pelo menos não aprendem aquilo que as tornaria mais aptas a conseguir bons empregos na economia moderna.

Quanto aos jovens/adultos, eles já perceberam a necessidade de ter faculdade. Mas quando vão à procura, o que encontram? Cursos (fracos) de Administração, Direito, Relações Internacionais (?), Propaganda e Marketing (sobrando!), Jornalismo (formando mais pessoas do que o tamanho do mercado), Educação, Letras, Pedagogia, humanas.

Nada contra, mas onde estão as boas escolas de engenharia, todas as engenharias, civil, mecânica, elétrica, eletrônica, naval, de minas e petróleo, de computação? Onde estão as boas escolas da área de Tecnologia da Informação, incluindo telecomunicações? Onde estão as boas escolas desse setor essencial para a economia moderna que é a biotecnologia?Do mesmo modo, faltam as boas escolas técnicas de nível médio.

Claramente, estamos com as escolas erradas.

Os alunos se formam e não encontram emprego, pois o mercado precisa de outros profissionais. Uma pesquisa feito pelo pessoal do Gilberto Dimenstein, na área de Pinheiros/Vila Madalena, em São Paulo, encontrou um monte de jovens com diploma de segundo grau e sem emprego e um monte de empresas que não conseguem preencher vagas de nível médio.

Que vagas? Hostess de restaurante, maitre, cozinheiros e chapeiros, vendedores de livros, somelier, atendente em lojas de CDs e vídeos, vendedores nas grandes livrarias, dessas que vão de eletrônicos e livros propriamente ditos. Não há escolas suficientes formando esse pessoal.

De outro lado, a Petrobrás e outras grandes empresas vivem lutando para encontrar bons engenheiros.

Outro dado significativo: dos universitários brasileiros que fazem doutorado no exterior, com bolsa do governo, quase 60% estão na área de Humanas. Nada contra as Humanas, mas é evidente que está errada essa concentração. Há menos de 30% na área de engenharia e computação reunidas e menos ainda em biomédicas. É evidente que está errado.

Pegue a Coréia do Sul e a China: 80% dos que estudam fora estão nas engenharias e quase todos nos EUA.

TOQUEDEPRIMA...

***** Ex-mulher complica mais a vida do mensaleiro Valdemar
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Maria Christina Mendes Caldeira acabou agora há pouco de prestar mais um depoimento ao promotor de Justiça Silvio Marques contra seu ex-marido, o ex-deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto. Entre outras informações e acusações, pode se pinçar estas:

1) Christina diz que o doleiro Lucio Funaro, em 2004, enviou uma quantia (não especificada) de Valdemar para o banco American Express através da conta Asteca, do MTB Bank de Nova York. Do American Express, agência NY, o dinheiro foi transferido para o UBS, em Genebra.

2) Sem entrar em detalhes, Christina declara que o ex-marido teria movimentado 180 milhões de dólares "apenas nos EUA".

3) No depoimento, ela diz ainda que o braço-direito de Funaro era o próprio filho de Valdemar, Valdemar Augusto, o Guga.

4) Uma viagem de Valdemar para uma temporada de jogatina em Las Vegas teria sido "viabilizada" pela representante do Hotel Conrad, de Punta del Este, Dayse Camasmie, que transferiu 100 000 dólares para a conta do ex-deputado.

5) Na Páscoa em 2004, Valdemar teria perdido 500 000 dólares jogando bacarat no cassino do Hotel Conrad. Em junho do mesmo ano, novo prejuízo de igual valor.

***** Atacar ou ser atacado?
Carlos Sardenberg, Portal G1

O Ministério das Relações Exteriores anuncia com estardalhaço que 2008 será o ano da Ásia e convoca os empresários brasileiros para que “ataquem os países asiáticos”.

Pois os chineses já estão nos atacando. A China acaba de tornar-se o segundo maior fornecedor de produtos para o Brasil. O maior exportador para o Brasil continua sendo os EUA. O segundo era o Mercosul, que, segundo o Itamaraty, vai muito bem.

Até agosto deste ano, o Brasil importou produtos chineses no valor de US$ 7,6 bilhões. Trata-se de um crescimento de 54,4% sobre o mesmo período de 2006. Isso representou 10,1% das importações brasileiras.

O governo Lula faz diplomacia ideológica. Os chineses fazem negócios.

***** O inglês tá vendo...

Comentário de Roberto Jefferson em seu blog sobre a próxima sucessão presidencial:“Diz o Globo que, ´pela primeira vez em sua história, o PT admite abrir mão de ter candidato próprio à Presidência da República, em benefício de uma coligação´. Não acredito; o PT adiou a crise, que seria iminente, caso anunciasse que não admite abrir mão da cabeça de chapa em 2010. Correria o risco de erodir a base, afastando, entre outros, parceiros como PDT, PC do B e PSB, que apostam no nome de Ciro Gomes. Mas quando chegar a hora, vai impor um nome puro sangue petista. A não ser que condições políticas especialíssimas impeçam”.

Nos bastidores, Jefferson é um dos que aposta no lançamento precipitado de Ciro Gomes, só para deixar os petistas nervosos e acuados para negociar.

***** CPMF: Palocci não quer dividir com estados

O relator da comissão especial que analisa a proposta de prorrogação da CPMF e da DRU até 2011, deputado Antonio Palocci (PT-SP), disse que não é recomendável a sugestão de parte da oposição de dividir os recursos da CPMF com estados e municípios, uma vez que isso acarretaria "aumento da carga tributária". Ele ressaltou que a alíquota atual de 0,38% teria que ser elevada para poder manter os serviços financiados com a contribuição. Entre eles, destacou o xodó de Lula, o Bolsa Família. O deputado participou de audiência pública com uma tropa de choque do governo integrada pelos ministros Guido Mantega (Fazenda), José Gomes Temporão (Saúde), Luiz Marinho (Previdência Social) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome).

***** Anac censurou relatório na internet

A ouvidora da Agência Nacional de Aviação, Alayde Sant'Anna, disse há pouco na audiência pública da CPI Aérea na Câmara, que seu relatório do primeiro semestre de 2007 foi retirado do site da agência por ordem da direção. Ficou só alguns dias no ar, revelou Alayde.

***** Novo diretor da Abin pede aprovação de escutas ao Congresso

O novo diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, pediu nesta terça-feira para que o Congresso autorize a agência a instalar escutas telefônicas em caso de suspeita de sabotagem ou terrorismo. Segundo ele, esta seria uma medida preventiva para eventuais ocorrências futuras. No entanto, Lacerda defendeu que as escutas necessitem de aprovação judicial.

"Eu penso que em casos de ameaças de terrorismo e sabotagem, que podem causar danos externos ao Estado brasileiro, a inteligência governamental munida de dispositivos legais possa realizar investigação sigilosa", disse Lacerda, durante sabatina na Comissão de Relações Exteriores no Senado. A comissão aprovou por 15 votos a 2 o nome de Lacerda para dirigir a Abin. "O Brasil jamais teve ameaças, mas precisa ter uma estrutura capaz [de enfrentar esse tipo de situação]. O Congresso deve discutir isso", afirmou.

Questionado pelos parlamentares, Lacerda disse que vai investigar denúncias que vinculam a Abin a grampos e monitoramentos ilegais. "Se houver esse propalado monitoramento de escutas ilegais, saibam que vão ter problemas. Não admitirei. Sou um legalista e entendo que tudo tem de ser apurado. Na PF era assim e na Abin não será diferente", declarou.

Ele também negou que a agência atue como polícia secreta e que mantenha uma espécie de monitoramento. "Nós não queremos que a Abin seja a polícia secreta do passado. [A Abin] trabalha com informações sensíveis e a sociedade tem de saber disso", afirmou Lacerda. "Às vezes, fica a imagem de que há algo de sobrenatural", disse.

A indicação de Lacerda foi aprovada pelos senadores da Comissão de Relações Exteriores por 15 votos a 2.

***** Funcionária de Renan rebate acusações de ex-marido

A ex-mulher do advogado Bruno de Miranda Lins rebateu as acusações de que seu pai era operador de um esquema de corrupção para políticos do PMDB, o que foi denunciado pelo advogado. Flávia Garcia, que trabalha com o senador Renan Calheiros, disse nesta terça-feira disse que seu ex-marido decidiu tornar públicas as denúncias contra o presidente do Senado apenas para prejudicá-la no processo de separação litigiosa. Ela nega que Lins tivesse um contato tão íntimo com sua família para saber da existência de um suspeito esquema de desvio de dinheiro público. No ano passado, Lins concedeu depoimento a Polícia Civil do Distrito Federal em que acusou o ex-sogro, o empresário Luiz Garcia Coelho, de operar o esquema para diversos políticos do PMDB, entre os quais Renan, com recursos desviados de ministérios controlados pelo partido. O advogado disse que freqüentava as reuniões promovidas por Coelho. Ele ainda afirmou que foi pessoalmente buscar dinheiro de supostas propinas em pelo menos seis ocasiões.

Caos revolucionário

por Ipojuca Pontes, site Diego Casagrande
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"Quanto mais agitação, melhor para o processo revolucionário" Vladimir Lenin
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A semana transcorreu intensa de acontecimentos imprevistos, sublimes uns, miseráveis outros, mas todos reveladores do caos revolucionário reinante em solo pátrio. Senão, vejamos:

Em entrevista exclusiva concedida ao jornal Estado de São Paulo Lula da Silva nega, ainda uma vez, que será candidato ao terceiro mandato presidencial, em 2010. De fato, para um jornal tido como conservador, Lula apenas, como de hábito, tergiversou: "Quando um dirigente político começa a pensar que ele é imprescindível, que ele é insubstituível, começa a nascer um ditadorzinho". Bem, certo. E daí?

Daí o seguinte: em meio a histórica decisão do Tribunal Federal (STF) que abre processo contra a "organização criminosa" instalada antes no âmago do governo petista (e incide diretamente sobre a "quadrilha" do mensalão comandada pelo "capitão do time" Zé Dirceu), os órgãos de propaganda oficiais e pára-oficiais começam a anunciar, de forma subliminar, a importância política do número "3", dando a entender que ele é, para além de cabalístico, decisivo para o destino político-administrativo do país.

Trata-se aqui de adotar, subestimando boa parte da consciência da nação, com muita antecedência das próximas eleições, a técnica de indução psicossocial que o sanguinário Lenin dizia essencial para se criar no inconsciente das massas um apelo inarredável (o teórico-prático comunista chegou a convocar Pavlov, o fisiologista do reflexo condicionado, para melhor persuadir o cérebro dos russos). Numa dessas mensagens cabalísticas, veiculado em site de poderoso banco estatal, aparece uma mocinha angelical com o número "3" no busto, e logo em seguida o apelo subliminar: "O Planeta é todo seu! Tome 3 atitudes por ele todo dia!". (Para levar Lula ao 3º mandato, a "hegemonia partidária" é capaz de qualquer "travessura").

A técnica é infalível. Poucos escapam da propaganda subliminar, uma espécie de preparação (psicológica) do inconsciente coletivo para desfazer qualquer resistência à definitiva instalação do poder totalitário. Só para lembrar: quando Fidel Castro, nos seus primórdios, sem revelar ao povo cubano suas reais intenções de comunistizar a ilha, quis nela infiltrar o princípio ativo do marxismo-leninismo, fez imprimir centenas de milhares de adesivos, cartazes, anúncios em que se lia o seguinte: "Se Fidel é comunista, que me ponham na lista: eu estou de acordo com ele". (Os que não concordavam com as intenções do "Comandante" eram imediatamente levados ao "paredón" ou trancafiados nas infectas prisões de La Cabaña e Puerto Boniato).

Mas o número "3" cabalístico também abre a mensagem convocatória do III Congresso Nacional do PT, circulando na internet, cujo objetivo básico é, ou era, a mobilização partidária para a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte "exclusiva". Para além da discussão sobre a alteração de estatutos e programas internos, o encontro realizado em São Paulo pretendia objetivar uma reforma política que, por maioria simples, aprove emenda constitucional permitindo o terceiro mandado de Luiz da Silva - o que, se ocorrer, pode e deve ser encarado como puro golpe de Estado.

A julgar pela exibição do vídeo convocatório (YouTube, 05/06/07, ainda em exibição) do III Congresso, o PT, conforme é dito abertamente e pela primeira vez, segue in totum as propostas deliberadas no Foro de São Paulo, entidade comunista instituída pelo ditador Fidel Castro em 1990, cujo objetivo é recriar "na América Latina o que foi perdido no Leste europeu". Pregando a emergência do "Socialismo Petista" (que tem origem nas parolagens de Lenin e Stalin), o partido quer erguer o mais rápido possível a sua "democracia popular". Para isso, opera decidido para liquidar o capitalismo, regular o mercado, derrubar a globalização, intensificar de modo radical as reformas rural e urbana (com Stédile à frente), destruir as elites neoliberais, confrontar o imperialismo ianque e quebrar o poder das classes dominantes - o que não deixa de ser uma ironia, pois a classe dominante hoje é justamente a endinheirada elite petista.

A idéia fundamental, expressa na redundante chamada televisiva, é colocar o Estado a serviço do PT, sem o qual seria impossível se estabelecer - é assegurado - a "hegemonia da classe trabalhadora". Como meta urgente, para os próximos três anos, o partido pretende acelerar a ação da militância nos movimentos sociais, nos parlamentos, nos governos municipais e estaduais. Em resumo, o programa do PT deixa claro que só ocupando de forma plena a máquina do Estado será possível a construção do "Socialismo petista", cujo objetivo é a "redistribuição da riqueza" e a "igualdade social"

O intimorato leitor há de perguntar: - Mas, e a sociedade? E os que não estão interessados no "socialismo" do PT, na "hegemonia" do partido da classe trabalhadora e suas mentiras sistemáticas? E o Supremo Tribunal Federal que, em sua decisão, abre perspectiva de se levar os ex-dirigentes petistas para a cadeia? Bem, a resposta a essa pergunta quem dá é o líder da facção Democracia Socialista dentro do PT, deputado gaúcho Raul Pont, antes da farta rodada de pizza num jantar de desagravo ao indiciamento de outro deputado da agremiação, o paulista João Cunha, processado por lavagem de dinheiro e peculato. Diz ele:

- "Não há nenhuma novidade. O desgaste político que o partido sofreu já foi pago". Está, assim, para o petista, tudo limpo.

ENQUANTO ISSO...

Governo quer contratar 60 mil novos servidores em 2008
Do G1, com informações do Jornal Nacional

Vagas serão para os Três Poderes e para o Ministério Público da União. O aumento de gasto deve superar os R$ 3 bilhões.

O governo federal quer contratar quase 60 mil novos funcionários públicos no ano que vem. Um aumento de gasto que supera os R$ 3 bilhões.

São vagas para os Três Poderes e para o Ministério Público da União. Todas previstas para o ano que vem. São 1,4 mil para o Legislativo, 12 mil para o Judiciário e 42 mil para o Executivo. No total, 56 mil vagas. As repartições públicas vão encher.

Com estas vagas, o governo vai gastar R$ 3,4 bilhões. Mas, no total, a despesa com a folha de funcionários, vai ser de R$ 130 bilhões, 10% a mais que este ano.

O presidente Lula defendeu as contratações na semana passada. “A gente jamais poderia cumprir as metas do milênio no que diz respeito à questão ambiental se não tivéssemos coragem contra as críticas de que cada funcionário que a gente contrata, que diz que a gente está inchando a máquina. Na verdade, é preciso contratar”, disse o presidente.

E o governo tem contratado. Desde que assumiu, em 2003, foram 232 mil servidores, só no Executivo Federal - ministérios e órgãos públicos. O gasto com o aumento da máquina foi de R$ 53 bilhões em apenas cinco anos.

“Na medida que o governo gasta demais pra manter a burocracia, pra manter a máquina pública, ele gasta menos do que devia em investimentos fundamentais, que inclusive geram emprego”, afirma o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “A folha de pagamento é a materialização do serviço que o poder público quer oferecer a sua população. Ela deve ser considerada um investimento na qualidade de vida, na qualidade do serviço, do atendimento”, diz o deputado Paulo Pimenta (PT- RS).

Enquanto isso...

Governo federal descumpre regra sobre gastos com pessoal

O governo não cumpriu a regra para o aumento dos gastos com pessoal que ele mesmo se impôs ao lançar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro deste ano. Na ocasião, em solenidade no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso projeto de lei complementar que definia que as despesas com pessoal dos três Poderes da União não poderiam crescer mais do que 1,5% ao ano, acrescido da variação da inflação (medida pelo IPCA).

Na proposta orçamentária para 2008, encaminhada ao Congresso na semana passada, as despesas com pessoal no próximo ano terão aumento nominal de 10,1% e aumento real de 5,9% (ou seja, descontada a inflação prevista de 4%). Este aumento real é mais do que o triplo do que é previsto na regra do projeto de lei do próprio governo, cuja tramitação está emperrada na Câmara.

Mesmo que o projeto de lei, relatado pelo deputado petista José Pimentel (CE), seja aprovado ainda este ano, ele não poderá entrar em vigor em 2008, pois as despesas com pessoal previstas na proposta orçamentária estão muito além do limite fixado. Para que esse limite entre em vigor, os parlamentares terão que cortar os gastos programados pelo governo na proposta de lei orçamentária, o que dificilmente ocorrerá.

O aumento da despesa com pessoal dos três Poderes (5,9%, em termos reais) supera o próprio crescimento da economia, projetado para 2008 em 5% ao ano. Assim, gastos com o funcionalismo passarão de 4,69% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano para 4,74% do PIB em 2008. Em termos absolutos, a despesa com o pagamento de pessoal ativo e inativo da União subirá de R$ 118,1 bilhões para R$ 130,0 bilhões em 2008 - aumento de R$ 11,9 bilhões.

Se a regra proposta pelo governo, no âmbito do PAC, estivesse valendo, a despesa com pessoal só poderia subir para R$ 124,7 bilhões - R$ 5,3 bilhões a menos do que o previsto. O projeto de limite para gastos com pessoal é a única medida de controle das despesas correntes do governo. Como ele não é cumprido, a política fiscal passou a ser fortemente expansionista, o que pressiona a carga tributária.

A proposta orçamentária para 2008 prevê aumento da carga tributária de 0,55% do PIB. Parte dessa arrecadação adicional será usada justamente para cobrir o aumento das despesas com pessoal. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou, recentemente, que o governo poderia alterar o projeto de limite para gastos com pessoal. Segundo ele, o aumento real máximo para essas despesas seria elevado para 2% ao ano, não 1,5%. Mesmo que essa mudança ocorra, os gastos previstos na proposta orçamentária ainda serão o triplo do novo limite.
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Desde que assumiu, Lula já gerou 230.000 contratações no serviço público. Para um país que precisa investir urgentemente em saúde, educação, segurança, infra-estrutura e saúde, este inchaço da máquina pública só faz gerar despesas e reduzir investimentos. Lula justifica-se dizendo que é para melhorar o serviço público. Conversa mole: quantidade não representa qualidade, até porque mesmo com 230 mil o serviço público ao invés de melhor piorou. Colocar mais 60 mil faz provocar mais despesas além de outras tantas despesas de puro esbanjamento, não permitindo assim a indispensável redução da carga tributária, para destravar de vez os investimentos produtivos necessários ao crescimento e geração de emprego e renda.