quarta-feira, janeiro 03, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Lula em férias no Guarujá (SP).
Cláudio Humberto
.
O presidente viaja nesta sexta ao litoral paulista, para os dez dias de descanso que se deu após a posse. Deve ficar na mansão de praia do (ainda) ministro Thomaz Bastos (Justiça), no condomínio Iporanga. A casa tem uma cascata natural e é vizinha da casa da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Poderá cruzar com o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, que desembarca no Guarujá nas próximas horas, também em férias.
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Vale lembrar que, depois de sua reeleição, este é o segundo período de férias que Lula desfruta. Lembram ? Na Bahia ? Pois bem, e agora Lula desfrutará de 10 dias no Guarujá. Ora, com "tanto" trabalho, sem ainda ter definido seu ministério, e sem ter apresentado um plano de governo decente e consistente, apesar de já estar há quatro anos no poder, portanto teve tempo o bastante para saber o deve ser feito (ou não, será que ainda não sabe nada ?), perceberam qual é a trava que impede o Brasil de crescer nos mesmos patamares que o restante do mundo ? Pois é... É isto aí, enquanto o "homi vadeia", o país afunda ...
.
****************
.
Brasil investe menos do necessário em infra-estrutura
.
O setor de infra-estrutura recebeu 75% do que precisava em 2006. Segundo levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e da Indústria de Base), foram cerca de R$ 65,7 bilhões no ano passado, quando o valor teria que ter sido de R$ 87,7 bilhões.
.
Entre as áreas mais prejudicadas estão a de transporte (38%) e de saneamento (37%), que receberam menos da metade do necessário. O estudo divulgado ainda é preliminar, e revela ainda que petróleo, gás e telecomunicações são os setores que receberam os maiores volumes de recursos.
.
“Cada ano que aquilo que precisa ser feito não é feito, os prejuízos são exponenciais. Não basta deixar de fazer em dois anos e fazer no terceiro porque os prejuízos são irrecuperáveis, tanto ao bem-social e à produtividade são irrecuperáveis”, afirma o presidente da Abdib, Paulo Godoy.
.
***************
.
Juristas discordam de Lula sobre mudar legislação criminal
.
O ministro do STF Marco Aurélio de Mello discorda do presidente Lula, que defendeu mudanças na legislação penal para combater o crime. “O que se precisa buscar é o funcionamento das instituições de repressão e fazer valer a lei que já existe e é severa. Simplesmente endurecer a legislação é uma visão míope quanto aos problemas enfrentados na atualidade”, dispara.
.
A opinião é compartilhada pelo o presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Flávio Pansieri. “O endurecimento da legislação não resolve nada. Temos o RDD, a Lei de Crimes Hediondos e os crimes continuam acontecendo”, lembrou.
.
Já o conselheiro federal da OAB/RS Cézar Roberto Bitencourt ironiza o fato de autoridades dizerem que é necessário combater o crime organizado: “O crime organizado está hoje nos palácios, já não está mais nem nos porões dos palácios como antes, e o que está aí nas ruas é o crime desorganizado comandando a sociedade organizada”.
.
**************
.
OAB: crime organizado está nos palácios
.
“O aumento de penas e o endurecimento de regimes prisionais do Brasil não representam a solução para a conter o avanço da criminalidade”. A afirmação é do conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil pelo Rio Grande do Sul, Cézar Roberto Bitencourt, criminalista respeitado em todo o País. Para ele, o problema da segurança está basicamente na falta de investimentos e de prioridade dessa área na agenda política do País. "O crime organizado está hoje nos palácios - já não está mais nem nos porões dos palácios como antes - e o que está aí nas ruas é o crime desorganizado comandando a sociedade organizada", afirmou. Para combater a criminalidade, ele sugere a participação ativa da mídia e de toda a sociedade civil brasileira, além dos poderes constituídos.
.
***************
.
Estudo indica que tentar desintoxicar organismo é inútil
.
As últimas semanas foram vorazes para muita gente. Festas, chocolates e tortas de frutas secas. Uma dieta de desintoxicação em janeiro seria algo sensato, certo? Esta seria a oportunidade para eliminar toxinas, queimar calorias e dar às nossas artérias saturadas uma bem merecida pausa? Milhões de pessoas acham isso.
.
Mas se você está pensando em se juntar ao grupo, prepare-se para sofrer em vão. Depois de patrocinar um dos maiores programas de pesquisa nutricional do gênero, a BBC deverá colocar em descrédito a idéia da desintoxicação, juntamente com uma lista de outros mitos alimentares.
.
“A idéia da desintoxicação não tem sentido”, disse Nigel Denby, especialista em dietética no hospital de Queen Charlotte, em Londres, que trabalhou no experimento da BBC. “Nossa pesquisa confirmou o que os médicos suspeitavam há muito tempo, ou seja, que nosso corpo é uma máquina extremamente eficiente para fazer tudo o que é necessário para uma desintoxicação e não precisa de muita ajuda extra.”
.
SérieO trabalho, que se transformou numa série da própria BBC em seis capítulos, com o título "The Truth about Food", vai expor os resultados de dezenas de experimentos científicos encomendados para testar crenças populares sobre alimentação, além do mito da desintoxicação.
.
Pode haver realmente alimentos afrodisíacos, por exemplo? Alguns sim, mas não aqueles que pensamos (esqueça as ostras, o chocolate, e pense, preferivelmente, no alho).
.
A nova série não é o único programa que deixará os alimentos em destaque em janeiro. A Food Standards Agency (agência britânica de controle de alimentos) também chegará à rádio e à televisão com anúncios promovendo o seu sistema de rotulagem dos alimentos embalados qualificados como “light”.
.
O sistema, pelo qual vem inserido um alerta vermelho nos alimentos com alto índice de gordura, sal ou açúcar, está deixando os supermercados e fabricantes da chamada junk food malucos. Neville Rigby, diretor de políticas junto à International Obesity Task Force (Força-Tarefa Internacional contra a Obesidade), disse que “a rotulagem dos alimentos vem confundindo os consumidores há muito tempo.”
.
****************
.
Ministra Marina Silva é "fritada" por colega
.
A ministra do Meio Ambiente e senadora licenciada, Marina Silva (PT-AC), vem sentindo na pele o "calor da frigideira" comandada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e pelo senador José Sarney. Dilma teria se alinhado aos interesses de empreiteiros, barrageiros e do capital internacional, setores que têm Sarney como representante. Quem diz isso é o diretor executivo e coordenador da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Temístocles Marcelo Neto, que é também secretário executivo do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento Sustentável (FBOMS).

Agora, falta o homem trabalhar

por Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo
.
Recomeçou o lero-lero das reformas. Nosso Guia assumiu o segundo mandato no ano em que se celebra o 43º aniversário do Comício das Reformas de João Goulart e prometeu reformar as instituições nacionais. Um garoto que foi ao comício de 1964 com 18 anos, completará 61 em algum dia de 2007, tendo vivido sob sete moedas e quatro constituições. Passou seis anos sem direito a habeas corpus e outros 28 sem votar para presidente. Pode-se dizer que penou cinco reformas tributárias e outras cinco da Previdência. Reformas, teve-as todas.
.
O maior êxito do governo de Lula foi o programa Bolsa Família. Não decorreu de reforma alguma. O mesmo se deu com o Prouni. A expansão do mercado de computadores para o andar de baixo resultou de uma medida provisória. Foram iniciativas que demandaram vontade, trabalho, caneta e tinta.
.
Olhando-se a questão no sentido inverso, nenhum fracasso do comissariado decorreu da falta de reformas. Pelo contrário. O apagão aéreo foi antecedido pela criação da Agência Nacional de Aviação Civil, transformada em porta-malas de petistas pedestres. As estradas esburacadas foram precedidas pela voracidade tucana, que mudou a Constituição para impor um imposto adicional sobre o consumo de combustíveis. Em 2005, esse tributo custou aos contribuintes R$ 7,7 bilhões. Não foi por falta de reformas, mas por falta de princípios, que o comissariado petista encheu as arcas delúbias em 2002. Tendo havido uma reforma da lei eleitoral, os aloprados do PT paulista mercadejaram dossiês com malas de dinheiro.
.
O que falta ao governo de Lula não é vontade de reformar o país. É disposição e competência para pegar no batente, a sério, de oito da manhã às cinco da tarde..A parolagem de Nosso Guia em relação à segurança pública, por exemplo, é cópia do lero-lero tucano. Pode-se dar o nome que se queira às ações da bandidagem no Rio de Janeiro e em São Paulo. Tanto faz chamá-las de "terrorismo" como de "Maria Deocleciana". Não é nas palavras que estão o problema ou sua solução. No Rio, por exemplo, achou-se o ex-chefe da Polícia Civil no subúrbio da criminalidade. Ele foi eleito deputado estadual na bancada governista. Em São Paulo, a Polícia Federal, depois de uns poucos dias, apaga as fitas com as imagens do que ocorre nos corredores de sua carceragem.
.
Falar em "terrorismo", como fez Lula no improviso da praça dos Três Poderes, pode afagar almas indignadas, mas nada além disso. Em 2000, quando o bandido Chuvisco barbarizou no Morro da Congonha, o general Alberto Cardoso, ministro da Segurança Institucional, classificou o episódio de "terrorismo". Mais: quando o MST invadiu a fazenda de FFHH, o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, disse que se praticara um "ato de terrorismo".
.
Subir o tom da parolagem não assusta bandido. A defesa da lei e da ordem depende de dois fatores que estão na alçada dos poderes Executivo e Judiciário estaduais. A saber:
.
1) O encarceramento de todos aqueles que violam artigos do Código Penal que determinam a prisão dos infratores.
.
2) A manutenção, na cadeia, de todos aqueles que a ela foram remetidos por violar a lei.
.
Fora daí, há espaço para conversa fiada, mas não há resultado para quem paga impostos.
.
Lula pediu que se votasse nele com um slogan simples: "Deixa o homem trabalhar".
.
Tudo bem: agora falta só trabalhar, depois das férias.

Lula e a opinião pública

Kennedy Alencar, Folha Online
.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a maioria dos dirigentes petistas gostam de dizer que venceram as eleições contra a opinião pública. Puro erro de avaliação. Presidente e partido confundem opinião pública com "opinião publicada": os artigos e reportagens da mídia impressa que atingem público muito pequeno para um país com mais de 187 milhões de habitantes.
.
O Brasil possui uma opinião pública complexa. Além das camadas médias e ricas, ela também é formada pelas parcelas mais pobres da população graças à presença da TV em praticamente 100% do território nacional. Há ainda o tremendo peso da Rede Globo (leia-se "Jornal Nacional") na formação de uma opinião pública do Oiapoque ao Chuí. A reta final do primeiro turno deu prova disso.
.
Duas obviedades, portanto. Os mais pobres se informam por meio da TV. E o povo faz parte da nossa opinião pública.
.
Lula e o PT, porém, acham que apenas uma elite intelectual e econômica, a grande consumidora da mídia impressa, forma a opinião pública. Misturam as bolas e passam a fazer análises equivocadas e conspiratórias.
.
Apesar do mensalão, a maioria da opinião pública reelegeu o presidente porque viu qualidades reais em seu governo. A inflação baixa, cesta básica mais barata, reajustes significativos do salário mínimo, crédito consignado e o programa social Bolsa-Família foram alguns dos benefícios que a maioria da população enxergou e aprovou.
.
A pesquisa Datafolha que mostrou Lula como o melhor presidente de nossa história retrata um encantamento da opinião pública com o atual governo porque ele é bom. É uma administração com méritos na economia e na área social e que cometeu erros graves na política.
.
Agora, o presidente parte para uma segunda etapa. Seria inteligente entender que a aprovação da opinião pública se deveu sobretudo a uma política econômica que, apesar das imperfeições, assegurou margem de manobra para que o governo melhorasse a vida dos mais pobres. Tivesse ficado na pura ideologia esquerdista em suas ações administrativas, Lula estaria agora terminando muito mal o primeiro governo de um operário na Presidência. Que resista a essa freqüente e "sedutora" tentação no segundo mandato.
.
Vivíssima
A forte rejeição popular ao reajuste de 91% dos salários dos parlamentares federais é prova da existência de uma forte opinião pública no Brasil..
.
Segundo mandato
Na imprensa e no PT, lamenta-se muito que Lula tenha mudado quando assumiu o poder. Muita queixa de não ter aplicado o receituário econômico "alternativo-de esquerda-salvador do mundo". É um equívoco esse tipo de crítica. Não tivesse amadurecido, Lula teria cumprido a profecia de fracasso feita pela cúpula tucana no segundo semestre de 2002. A economia estava em crise naquele momento, e não era apenas temor do PT no poder, não. Ou 60% de relação entre PIB e dívida pública foram invenção do Lula oposicionista?
.
Havia uma dura realidade a enfrentar. E ainda bem que Lula soube lidar com ela na economia e na área social. Errou feio na política, como já comentado à exaustão neste espaço.
.
A política social foi possível graças à política econômica, não apesar dela. Mas é difícil isso entrar na cabeça de alguns ministros do presidente, que pedem que ele reviva o figurino pré-2002. Se topar, Lula fará um mal ao país.

Empregão em país de ricos

Suplentes podem ganhar até R$ 43 mil sem trabalhar
.
Solange Spigliatti
.
SÃO PAULO - Cerca de 25 suplentes de deputados federais podem assumir as cadeiras na assembléia até o fim de janeiro. Apesar de o Congresso Nacional estar em recesso em janeiro (último mês da atual legislatura), 21 suplentes de deputados podem receber até R$ 43 mil, já que os titulares dos cargos pediram afastamento para assumir governos estaduais (governador e vice) e secretarias de estado, segundo reportagem exibida na edição do Jornal Hoje desta quarta-feira, dia 3, na TV Globo.
.
Segundo a matéria, receberão o valor os suplentes que assumirem nos primeiros dias deste mês o mandato e ficarem no cargo até o final da legislatura em 31 de janeiro.
.
Na terça-feira, dia 2, foram empossados Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), que substituiu Luiz Alberto (PT-BA), que será secretário de Promoção da Igualdade da Bahia; Pedro Pedrossian Filho (PP-MS), que entrou no lugar de Murilo Zauith (PFL-MS), vice-governador de Mato Grosso do Sul; Clóvis Correa de Oliveira Andrade (PSB-PE), que ocupou a vaga deixada por Jorge Gomes (PSB-PE), secretário de Saúde de Pernambuco; e José Roberto Oliveira Faro (PT-BA), que assumiu no lugar de Socorro Gomes (PCdoB-PA), que será secretário de Direitos Humanos e Justiça do Pará.
.
Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, esse valor poderá ser menor do que os 43 mil, porque algumas das verbas são proporcionais aos dias que estiverem no mandato como é o caso do salário (R$ 12.800) e do auxílio-moradia (R$ 3 mil).
.
Ajuda de custo
Além desses valores, o novo parlamentar terá direito a uma ajuda de custo para despesas ao assumir o cargo de um salário (R$ 12.800) e a verba indenizatória de R$ 15 mil. Outros recursos extras que podem ser somados aos R$ 43 mil são as passagens aéreas para seus estados (quatro ida e volta), cota de telefone e de correios.
.
Terão direito a receber esse dinheiro extra: cinco novos deputados de São Paulo, três do Rio de Janeiro, três do Rio Grande do Sul, três de Pernambuco, dois do Distrito Federal, um do Pará, um de Minas Gerais, um do Rio Grande do Norte, um de Mato Grosso do Sul e um da Bahia.
.
Três dos suplentes assumem nas vagas dos governadores eleitos do Distrito Federal (José Roberto Arruda-PFL), de Pernambuco (Eduardo Campos-PSB) e do Rio Grande do Sul (Yeda Crusius-PSDB). E três entram no lugar dos vice-governadores de São Paulo (Alberto Goldman-PSDB), do Rio Grande do Norte (Iberê Ferreira-PSB) e de Mato Grosso do Sul (Murilo Zauith-PFL).
.
Os outros 15 suplentes que vão exercer o curto mandato na Câmara ficarão com as vagas deixadas por parlamentares que assumiram secretarias de governo dos seus respectivos estados. Os 513 deputados eleitos em 2006 assumem o cargo em 1º de fevereiro.

Sherlock Holmes Explica

por Ralph J. Hofmann, Blog do Diego Casagrande
.
Corria o ano de 1899, estávamos eu e Sherlock em Viena, onde inicialmente eu levara o mesmo para tratar-se com o Dr. Freud para descobrirmos a origem de seu crescente vício de injetar-se com cocaína em solução de dez por cento.
.
Eis que aparece , Mycroft, o irmão mais velho de Sherlock, acompanhado de um jovem estranhamente trajado, meio como garimpeiro californiano, usando calças de lona azul-índigo, meio como marinheiro russo ou francês, com uma camisa listada de cores horrorosas.
.
Sherlock encarou o sujeito e imediatamente disse: “Você vem do futuro, mora no Brasil e veio me consultar sobre um assunto mais psicológico do que criminal. Só decidiu me consultar porque o Dr. Freud não está disponível”.
.
O sujeito deteve-se atônito e perguntou: “ Como sabe?”
.
“Bem, os pontos de sua roupa são costurados com uma máquina cuja precisão é tal que não pertence a este século, sobre os pés o Sr usa estranhas botinas de tecido e de algo que parece couro mas não é, e de uma borracha que não é borracha, cuja tecnologia não estará disponível por, no mínimo 40 anos, aliás seus pés fedem quase tanto quanto um gambá.
.
O Sr. está usando uma cruz católica, uma figa e um conjunto feito de penas e contas típicas, fitinhas vermelhas amarradas nos pulsos donde deduzo que como todo brasileiro você vai à missa no domingo e noutro dia da semana vai a uma seção afro-brasileira. Ou é brasileiro ou é um semiologista Italiano nascido em Alessandria no norte da Itália. Como você não tem cara de semiologista italiano você deve ser brasileiro”.
.
“Bom Dotor Sherloque” – “Sherlock se me faz favor, dispenso o doutor, no seu país este título com demasiada freqüência denota um vigarista bem sucedido.” – “Pois é, Shehloque, eu queria que o senhor lesse este curto resumo do ambiente político do Brasil nestes últimos 48 meses, e me explicasse por que nesta altura do campeonato essa Dona Dilma Roussef decidiu emburrecer”. E entregou um cartapácio de 856 páginas A-4 espaço 1 ao investigador.
.
O investigador sopesou o calhamaço, resmungou: “Bom ao menos algo eu devo aquele estafermo do Jô Soares. Graças ao pasticho mal feito dele eu entendo brasiliês. Tomara que o Dr. Moriarty esfole aquele gordo sem vergonha e bobo alegre”, e avisou que o jovem voltasse dentro de 48 horas.
.
Na volta, dois dias depois encontraram o detetive fumando sua mescla de tabaco turco de Latákia com maconha sem-semente mexicana e tocando seu violino Guarneri-del-Jesú com extrema incompetência (Quem diz que o Holmes tinha de ser perfeito?).
.
“E daí Dotô Shehloque, tem alguma resposta”.
.
“Tenho, mas primeiro pegue esta enciclopédia do século XX. Mandei o Watson roubar na biblioteca do Jô Soares. Pode doar para uma escola de meninos carentes no Brasil. Nas mãos do Jô ele pode usar para cometer mais alguma insensatez contra outro vulto literário do Século XIX. Mas a resposta é muito fácil, se consideramos o que foi a Revolução Francesa, o destino de vultos competentes como Trotsky na Rússia, Camilo Cienfuegos em Cuba, Robespierre na França e muitos outros. Talleyrand foi dentre todos os vultos do início da Revolução Francesa que continuou no poder após 1915. Mas não ficava acintosamente lembrando aos outros como era inteligente e poderoso.
.
Essa dona Dilma andou se passando. Ironizou sobre quem devia e não devia. Agora, não sendo burra, sentiu que tinha de se unir à massa estulta de seu partido, antes que seus inimigos se unissem com seus amigos para defenestrá-la. Afinal, 2010 ainda vai longe.
.
Bom dia, passe muito bem, e Watson lhe dará a fatura de meus serviços..E antes que eu esqueça. Watson está indo para o futuro entrevistar o sexteto, o garçom e mais pessoas para depois escrever um pasticho chamado O Ator Gordo que se mete a escritor e desperdiça o material pesquisado.”

Dialética da empulhação

Por Reinaldo Azevedo
.
Abaixo a pasmaceira! Também na política. Não é só a economia que vive assaltada (às vezes, literalmente) pela falta de imaginação. O debate de idéias também está de pé descalço. As duas realidades se conjugam. Os nossos “conservadores”, como escrevi ontem, acreditam ser possível um lulismo sem Lula. Por isso boa parte das oposições faz um discurso que gira em falso. Ora, se você acredita que Lula está certo nos fundamentos, trocar por quê? Se é assim, deixe o homem trabalhar... Essa conversa de evitar a crítica para “colaborar com o Brasil” é má-fé, cálculo político ou ausência do que dizer.
.
O que Lula e o PT pretendem? Naturalizar, por assim dizer, as suas escolhas econômicas e políticas, como se tivessem caído, a exemplo do que observou Serra em um de seus discursos, da árvore dos acontecimentos, da árvore da vida. De sorte que se opor a eles corresponderia a atuar contra o Brasil e contra o bom senso. É o que também desejam muitos “especialistas” em economia, descontentes, eventualmente, apenas com o manejo pouco sustentado que Lula faz da gramática. Ou com seu desassombro nas políticas assistencialistas. Ou com a pouca qualidade dos gastos públicos.Corrigidas essas distorções, tudo estaria bem.
.
Pois é. Não estaria. E por isso saudei e saúdo a fala de Serra: quando menos, pode romper o represamento do debate. É claro que não dá para ficar esperando um discurso por dia contra a política econômica ou em defesa de um outro padrão ético na vida pública. Mas já deu para perceber, até pela reação dos petistas (ver abaixo), que está criado um outro pólo que pode aglutinar idéias. Para 2010? É evidente que sim. Afinal, o Brasil não acaba até lá. Mas a questão do crescimento econômico, ou da virtude da estabilidade com o vício da estagnação, é pra já.
.
Os petistas reagiram com a prepotência habitual. Tarso Genro resolveu pescar em águas turvas e fazer futrica no ninho tucano. Segundo ele, Serra está se posicionando para um embate com Aécio Neves. Trata-se de uma simplificação um tanto rasteira para quem ambiciona vôos teóricos, mas ainda, vá lá, está fora do campo da delinqüência intelectual. Esta ficou mesmo por conta de Marco Aurélio Garcia, que jamais deixa de cavalgar o corcel da tolice. Segundo ele, o discurso do governador demonstra que o PSDB se tornou o partido da direita.
.
Não satanizo palavras, como vocês sabem. Segundo os meus valores, “direitista” pode ser um adjetivo muito menos ofensivo do que “esquerdistas”. No mínimo, você tem menos cadáveres a arrastar história afora. Mas o ponto não é este. MAG está é fazendo chicana. Ao se referir à “direita”, busca desqualificar a crítica com uma palavra-caixa, posta em circulação para assustar. Por oposição, então, Lula representaria uma esquerda que, na versão petista, é a encarnação do bem, da virtude, da justiça social, tudo devidamente monopolizado pelo petismo.
.
O segredo deste discurso, então, “esquerdista”, “progressista” ou o que seja é o conservadorismo bocó de Lula na economia, o que tem pacificado, silenciado e, sobretudo, remunerado aquelas que seriam as bases sociais naturalmente opostas a um governo de esquerda. MAG está fazendo uma piada, e ele sabe disso. Os setores que, em qualquer país do mundo, têm afinidades com a direita econômica estão com Lula e apoiaram vivamente a sua reeleição. E não dão a mínima para o viés autoritário do governo ou para o seu lixão ético. Fingem acreditar, a exemplo do Babalorixá, que ética mesmo é “promover a igualdade”...
.
Ora, quando surge um discurso que rompe com essa dialética da empulhação, o petismo fica nervoso. A pasmaceira econômica e política é hoje o maior ativo de Lula.

A economia cordial de Lula

por Vinicius Torres Freire, na Folha de S. Paulo
.
Um clichê da formação política de Lula é a descrição de suas entradas no estádio em que se decidiam as greves metalúrgicas. Antes de ir ao palanque, o líder sindical gostava de entrar em campo, de ser envolvido pela multidão.
.
Lula queria escutar o rumorejo da peãozada, impregnar-se da voz da massa e assim temperar o que muito ouvia de outros líderes, de políticos e, relutantemente, de intelectuais. Lula encarnava mais a resultante desse vozerio do que ditava princípios. Lula continua o mesmo.
.
Agora, porém, Lula assumiu a liderança do pensamento econômico de seu governo, por assim dizer. Nunca esteve tão só, e talvez por isso nunca antes tão angustiado e desorientado sobre os contínuos e, para ele, incompreensíveis reveses das promessas de crescimento espetacular. Seu "pensamento desejante" e sua estratégia de encarnar a voz do povo não bastam para elaborar planos e liderar equipes articuladas. Resta-lhe a ansiedade.
.
Preconceito? Perceba-se a desorientação neste balanço do que Lula disse em 2006 sobre economia.
.
"O Lula é uma parte do povo deste país que adquiriu consciência política. É por isso que eu não caio. Porque não sou sozinho. A hora que tirarem minhas pernas, vou andar pelas pernas de vocês; a hora que tirarem meus braços, vou gesticular pelos braços de vocês; a hora que tirarem meu coração, vou amar pelo coração de vocês. E, a hora que tirarem minha cabeça, vou pensar pela cabeça de vocês", dizia o presidente em comício, no dia 26 de setembro.
.
"O governo não precisa saber tudo, não precisa compreender tudo. Tem apenas de ter sensibilidade para deixar que as pessoas digam ao país o que é melhor para o próprio país": Lula, 3 de março.
.
"Não é possível governar o país só com a racionalidade das pesquisas e dos números. O Brasil já foi governado assim durante um século, e os resultados não foram os melhores. É preciso que a gente governe com a racionalidade, com a verdade dos números, com a realidade do país, mas é preciso que a gente tenha sensibilidade", 21 de dezembro, sobre o novo aumento do salário mínimo.
.
"Vocês percebem que precisa mais do que um economista, precisa de um bando de mágicos para que a gente tente encontrar uma saída para fazer esse país voltar a crescer. E, sem mágica, nós vamos fazê-lo voltar a crescer", 28 de novembro.
.
"E não me pergunte o que é ainda, que eu não sei, e não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar, porque o país precisa crescer", 21 de novembro, ao dizer que até o final do ano anunciaria um plano para destravar a economia.
.
"Sou contra a política de voluntarismo, oba-oba. Prefiro as políticas estruturantes, que são mais demoradas, porque têm de ser mais cautelosas, então são mais responsáveis", início de dezembro.
.
"Você depara com as leis, com as questões ambientais, com o Congresso, com a oposição (...) e com a burocracia", 25 de agosto, sobre os "entraves ao desenvolvimento".
.
"O crescimento que nós queremos não vai se dar em um mandato presidencial. É preciso que a gente pense numa geração ou quem sabe até um pouco mais se nós quisermos fazer uma coisa sólida, madura, que não tenha retorno", 6 de novembro.

TOQUEDEPRIMA...

PT reage a discurso de Serra
Carlos Marchi, Denise Madueño e Vera Rosa em O Estado de S. Paulo
.
"Um dia depois de o governador de São Paulo, José Serra, ter atacado a “estagnação econômica” do País e pedido a volta da ética na política, numa clara tentativa de fazer um contraponto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas não perderam a oportunidade para reagir. À saída do almoço organizado ontem para marcar o retorno do deputado Ricardo Berzoini (SP) à presidência do PT, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, classificou o discurso de posse de Serra como um gesto de “demarcação” sobre o governador de Minas, Aécio Neves (MG), para as eleições presidenciais de 2010.
.
“Serra está querendo se cacifar em cima de uma reação política nova para enfrentar uma disputa com Aécio. Não se trata de disputa com o presidente Lula, que já está eleito e não vai mais concorrer”, afirmou Tarso, numa referência a um eventual embate entre Serra e Aécio para escolher o candidato tucano à sucessão de Lula, daqui a quatro anos".
.
******
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Duas coisas: uma, se o PT não gostou, é bom sinal. Faz falta, muita falta ao Brasil termos uma oposição atuante, mas inteligente e que ofereça alternativas mais sérias, melhores, e mais competentes do que a vagabundagem medíocre existente hoje. Aliás, isto que está aí não é alternativa: é atraso de vida. E outra: bem que Tarso Genro podia preocupar-se mais em ajudar seu comandante em chefe na montagem do ministério e do programa de governo para os próximos quatro anos, do que ficar se intrometendo no quintal do vizinho. Até porque quem escolhe “adversário” é a oposição. E a crítica de Serra, se Tarso fosse menos afoito teria entendido, é direta para a ineficiência de um governo que promete muito, que fala muito, que mente muito, que faz muita propaganda, mas que realiza pouco, muito pouco mesmo. Tarso, pare de fazer fruticas e vá se ocupar em fazer coisa mais útil e mais séria, tá bem ? !
.
***************
.
Seguro-corrupção
.
O deputado Semy Ferraz (PT-MS) já merece o troféu Óleo de Peroba de 2007: ele disse que a pensão vitalícia de R$ 22 mil para Zeca do PT evitará que o ex-governador procure formas “menos lícitas” de sobrevivência.
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Alguém precisa ensinar ao cretino que existe uma coisa chamada “trabalho” que nunca fez mal prá ninguém ! Ou será que o nobre deputado não aprendeu nada além de roubar do povo, com ou sem mandato ? Um cara destes devia ser cassado, ser preso e condenado a 10 anos de trabalhos forçados ! Cretino e cafajeste !!!
.
*************
.
Planalto contrata sem licitação empresa para alimentação
Tânia Monteiro
.
O Palácio do Planalto contratou, sem licitação, a empresa Comissaria Aérea de Brasília (CAB) para realizar o serviço de bordo nos aviões presidenciais. Ao longo de 2007, o Planalto está autorizado a gastar até R$ 1,5 milhão com refeições e lanches a serem servidos não só no Aerolula, como nas demais aeronaves envolvidas nas viagens presidenciais, incluídas as transportam servidores de apoio.
.
Segundo a Casa Civil, responsável pelas compras do Planalto, a dispensa de licitação foi necessária porque a CAB é a única empresa de Brasília em condições de prestar o serviço.
.
O valor de R$ 1,5 milhão representa um teto de gastos, mas as despesas podem ficar abaixo desse limite caso Lula faça poucas viagens em 2007. Se o ano for de muitos deslocamentos e as despesas com refeição ultrapassarem a cifra fixada, será necessário fazer um novo contrato aditivo com a CAB.
.
Em encontro com jornalistas antes da virada do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou um dos pratos que costumam ser servidos no avião do Planalto. "Gosto muito da pizza", disse. Ele contou que o responsável pelo sucesso do quitute é um taifeiro que dá o toque final nas refeições servidas no Aerolula.
.
Esse servidor incrementa a pizza, acrescentando ingredientes na hora de servir. "É um segredo de Estado", disse Lula, sem explicar direito o sabor da pizza. Mas ele contou que dois molhos diferentes já foram consagrados: um deles foi batizado de "Rumo à vitória" e outro, de "Fuerza del pueblo".
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Enquanto o Planalto se preocupa em garantir (sem licitação) a comida do homem, o país continua com um governo “provisório”: sem ministério e sem plano de vôo. Mas a bóia tá garantida, mesmo que de forma absolutamente irregular. Ele ainda quer destravar o país!!! Fala sério, gente !!!
.
**********
.
Relatório do Coaf
Aumenta número de operações suspeitas, apontam dados
Revista Consultor Jurídico
.
O Coaf — Controle de Atividades Financeiras divulgou relatório da entidade com os resultados operacionais e os principais dados estatísticos da entidade. O órgão recebeu mais de 29 mil comunicações operacionais suspeitas, em 2005. Houve um crescimento de mais de 221% em relação ao ano anterior.
.
As comunicações de natureza automática cresceram mais 86%. Mereceram destaque o crescimento no número de comunicações dos setores de factoring (mais de 47.000%), bolsas (mais de 1.380%), fundos de pensão (mais de 270%), seguros (mais de 114%) e do sistema financeiro (mais de 77%).
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: É claro que todos nós acreditamos se tratarem de operação legítimas, honestas e feitas por homens absolutamente probos. Como também acreditamos que todas as operações estão declaradas e oficializadas à Receita Federal, que juntamente com a Polícia Federal, e após investigação minuciosa, concluiu não haver nenhum crime em ditas operações! Certo ??? Ou não ???

Cinema Do Estado

por Ipojuca Pontes, no Blog do Diego Casagrande
.
“O cinema está no ramo da prostituição” – Ingmar Bergman
.
Um dos atos que mais prezo na minha breve vida de homem público foi ter ajudado o presidente Collor de Mello, eleito com 35 milhões de votos, liquidar a Embrafilme, antro de corrupção criado em 12/10/1969, em pleno vigor do AI-5, pela Junta Militar que tomou conta do País. Assumi o cargo de Secretário Nacional da Cultura em 1990, mas já tinha acompanhado por tempo considerável a ação da Embrafilme no meio cinematográfico, quando, então, como observador atento, tomei consciência da corrosiva deformação que o Estado representa, com o seu intervencionismo coercitivo, em qualquer atividade humana.
.
No caso do cinema brasileiro, a intervenção estatal significou a emergência do mais deslavado clientelismo, viciado no dinheiro fácil dos subsídios oficiais, socialmente irresponsável e economicamente doente, centrado, invariavelmente, na apropriação, pelo privado, do bom resultado, e na socialização, pelo contribuinte, do prejuízo. De fato, para se espargir à sombra da Embrafilme, o chamado “cinema de autor”, precisava mais e mais das benesses dos cofres públicos, deixando de ser uma atividade de mercado e lazer, para se firmar, de forma punitiva para o contribuinte, como oneroso fato político. Ocasionalmente, um ou outro filme poderia obter boa renda de bilheteria, mas tal coisa nunca significou que o cinema se tornasse auto-sustentável ou prescindisse do dinheiro público (A Embrafilme, sempre deficitária, foi extinta por Collor ao lado de vários penduricalhos tipo IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool) e IBC (Instituto Brasileiro do Café) depois da divulgação de inúmeros escândalos e de pesquisa de opinião feita pela Agência Razões & Motivos, de São Paulo, em que a estatal do cinema foi tida pela opinião pública como uma “empresa corrupta, antro de politicalha, funcionando para uma panelinha de cineastas”).
.
Ademais, ao levantar a história do cinema nacional - desde a primeira exibição do “omniographo” no Brasil, em 1896, até a emergência do admirável “boom” do cinema de mercado (comédia erótica), no início dos anos 70, percebi que todas as conquistas importantes da atividade, passando pelos filmes da Cinédia, Atlântida, Vera Cruz, Cinedistri, Herbert Richers, os ciclos da chanchada, Comédia Erótica (“pornochanchada”), parte do Cinema Novo, sindicatos, laboratórios, cadeias de exibição, a Palma de Ouro – tudo, enfim, levava a marca de empresários que corriam riscos e que conquistaram o público para o cinema brasileiro livre das pesadas correntes da grana fácil do Estado predador e sua burocracia parasitária.
.
No histórico, a Embrafilme torrava com “filmes de autor” e a burocracia estatal cerca de US$ 30 milhões anuais. Havia sempre um quebra-pau entre “tubarões” (Luiz Carlos Barreto e aliados) e “golfinhos” (tipo Luiz Paulino dos Santos e outros) na disputa pelos recursos sempre escassos em face das ambições dos “tubarões”, pois eles embolsavam o grosso da grana sob a retórica da “conquista do mercado externo”, um sumidouro sem fim. Na prática perdulária, o cinema embrafílmico inflacionou com o dinheiro fácil os custos da produção de forma inabordável pelas bilheterias. Nem o que era tido como um “sucesso” realmente se pagava. Na mídia, no entanto, e nos festivais de feição antiamericana, os filmes ganhavam distinções sem valor mercadológico.
.
Depois de quase quarenta anos de “mamação” dos dinheiros oficiais a questão da sustentabilidade do cinema não avançou um dedo. Pelo contrário: antes, se os orçamentos dos filmes estatais custavam em média US$ 300 mil, hoje eles atingem a casa de US$ 1 ou 2 milhões, podendo chegar aos US$ 3 ou 4 milhões, sem nenhum retorno econômico para o erário nacional. É fato: passados quinze anos do breve interregno do “furacão Collor/Ipojuca Pontes”, usado até hoje como álibi para se arrombar os cofres da Viúva, a eterna criança ainda vive agarrada à confortável “mater”, no prazeroso ato de sugar as tetas dos cofres públicos.
.
Basta ler os jornais: de Itamar passando pelos períodos de FHC até o corrupto governo Lula, sob qualquer pretexto, sempre reaparecem membros da fauna (“tubarões” ou “golfinhos”) do cinema, bem organizados, articulando o permanente discurso de que a “continuidade” do projeto cinematográfico nacional está sob ameaça”. No Globo de 18/12/06, por exemplo, o esperto Hector Babenco, argentino do Pixote vitimizado, utiliza o espaço amigo para “alertar” o Senado de que, se não for aprovado projeto de lei cujo objetivo é permitir que a Petrobras (e outras estatais) enfie R$ 40 milhões na produção de filmes, “estaria comprometido o processo de desenvolvimento e consolidação de nossa indústria audiovisual”, o que é uma balela, pois mesmo embolsando os bilhões das estatais, os príncipes da casta jamais virão a abrir mão dos recursos a fundo perdido. (E como o Congresso é formado por gente ignorante e igualmente esperta, na certa promulgará a lei permissiva).
.
O fato é que durante o interregno do governo Collor, ao contrário do que propala falsamente Arnaldo Jabor, “o hábil”, o cinema de mercado no Brasil produziu à época 105 filmes de longa-metragem, conforme registra, entre outras fontes, o Dicionário de Filmes Brasileiros (ALSN, SP, 2002), de Antonio Leão Neto, única pesquisa de mercado confiável lançada nos últimos anos. Na verdade, o que acabou na era Collor foi a produção do cinema insolvente da Embrafilme, que só logrou dar prejuízo à Nação, durante mais de 20 anos, em cima da miséria física e moral do povo brasileiro.
.
De minha parte, continuo a pensar que o cinema nacional só atingirá a maioridade quando voltar às mãos de produtores que corram riscos e repudiem o vicioso dinheiro do governo, coisa que pode demorar muito, mas que, se encarada conscientemente pelo cidadão-contribuinte, poderá ocorrer mais cedo do que se pensa.

Mais um ano morno

Editorial da Folha de S. Paulo
.
Mais um ano de crescimento tímido, inflação sob controle, juros em queda e cotação do dólar quase estagnada. É o que esperam para a economia brasileira em 2007 os analistas de bancos e consultorias cujas projeções são compiladas pelo Banco Central.
.
Sabe-se que a maioria dos especialistas trabalha com a hipótese de que 2007 será mais um ano benigno na economia global. Deverão prevalecer a forte expansão do comércio, a manutenção do preço das commodities em patamares elevados e a farta disponibilidade de capitais para as economias ditas emergentes.
.
Supõe-se que a desaceleração da atividade ora em curso nos EUA -liderada pelo arrefecimento no mercado de construções residenciais- não evoluirá para uma recessão, o que tenderia a abalar o ciclo de bonança iniciado em 2003. No quadriênio que se encerrou no domingo, o PIB mundial cresceu a um ritmo médio muito próximo aos 4,9% que o FMI projeta para 2007.
.
Os ralos 3,5% de crescimento esperados para a economia brasileira neste ano, se não forem mais uma vez desmentidos pela realidade, não estarão relacionados a dificuldades externas. Caso as estimativas se confirmem, 2007 terá sido o 12º ano seguido em que a produção no Brasil terá crescido menos que a média mundial. Desde 1996 a expansão do PIB brasileiro nem sequer consegue superar a metade do ritmo global.
.
O grau de conformismo que se percebe em relação a um desempenho tão pífio preocupa. É sintoma de um marcante rebaixamento de expectativas em relação ao país -em particular da sua capacidade de gerar empregos, propiciar elevação do padrão de vida da população e evoluir para uma distribuição menos iníqua de sua renda.
.
Diversas análises têm convergido, por caminhos variados, à constatação de que parcela das dificuldades para a aceleração do crescimento brasileiro decorre da evolução do câmbio. Em 2006, em particular, estima-se que a aceleração das importações e a perda de ímpeto das exportações tenham reduzido a taxa de crescimento do PIB em mais de um ponto percentual.
.
Outro gargalo diz respeito à renitente fragilidade financeira do setor público. A despeito de impor uma carga tributária muito alta às empresas e aos consumidores, o Estado ainda se mostra incapaz de investir e de fornecer estímulos ao investimento privado de modo suficiente.
.
É exasperante observar que o segundo mandato de Lula começa agora sem nenhuma proposta capaz de tirar o país da rota do crescimento medíocre.

É hora de trabalhar

Editorial Jornal do Brasil
.
Apesar de alguns chavões e das vagas mensagens que habitualmente integram seu arsenal retórico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exibiu, no discurso de posse, sinais relevantes de que tem condições de aplacar as inquietações sobre os próximos quatro anos. Suspensas, por ora, as manifestações de ceticismo em relação ao governo e com a torcida de que seja correspondida a confiança nele depositada pela população, é possível iniciar o quadriênio com alguma dose de esperança. Lula terá menos tempo para cumprir o que de mais substancioso prometeu - o desenvolvimento com inclusão social.
.
Numa das passagens mais importantes do discurso, o presidente disse que "o Brasil não pode continuar como uma fera presa numa rede de ação invisível - debatendo-se, exaurindo-se, sem enxergar a teia que o aprisiona". Sublinhou que "acelerar, crescer e incluir" vão reger o país nos próximos quatro anos. Pregou "pressa, ousadia, coragem e criatividade". Assegurou que o desenvolvimento com inclusão social demarcará as mudanças da nova fase de seu governo.
.
São diagnósticos corretos. Entre o desejo, a ação e as conquistas, no entanto, ainda há um vasto hiato a preencher. Terá o Palácio do Planalto condições de enxergar de fato a teia que continua aprisionando o país? O presidente repetiu a convicção demonstrada antes, durante e depois da reeleição sobre os fins a atingir. Promete perseguir um crescimento mais acelerado, com acentuada redução das desigualdades sociais e regionais. Mas os meios dependerão da eliminação das zonas cinzentas que ensombrecem o futuro.
.
Há dúvida se o presidente terá coragem para fazer o que tem de ser feito: retirar da gaveta a agenda de reformas institucionais que abandonou no primeiro mandato. Reforma da Previdência, da legislação trabalhista e do sistema tributário é condição essencial para assegurar competitividade da economia.
.
O momento é mais do que propício. O presidente inicia o segundo mandato com uma enorme popularidade, prova de que o desprestígio do PT e aliados não reduziu as expectativas da população. Lula lembrou que é preciso avançar em padrões éticos e em práticas políticas. Assim desejam os brasileiros de bem. Também esperam que o presidente abandone o palanque. Em nada contribui, por exemplo, a cansativa repetição do discurso em torno de uma fantasiosa cisão entre povo e elite.
.
A popularidade se deve à virtuosa combinação entre responsabilidade na economia e consolidação de uma bem-sucedida política social. Lula celebra também circunstâncias bem mais favoráveis do que há quatro anos. A inflação está controlada, o Risco Brasil chegou ao nível mais baixo e há saudáveis indicadores de que eles se conjugam em um positivo ambiente econômico internacional. Enquanto tomava posse, por exemplo, veio a notícia de que o país fechou 2006 com um superávit primário recorde nas contas públicas.
.
O crescimento não veio porque mantemos um modelo de Estado que caducou diante da competitividade global. A despeito das mudanças realizadas no país nos anos 90, o Estado brasileiro entrou no século 21 com feições concebidas cinco décadas atrás. Remodelá-lo aos padrões contemporâneos significa alterar um setor público assentado em privilégios - tão caro e ineficiente que, para sustentá-lo, é preciso drenar quase 40% da riqueza produzida no país.
.
À parte a certeza de que o presidente necessitará de montar uma base consistente de apoio no Congresso, Lula tem uma oportunidade histórica para promover essas mudanças. Não pode desperdiçá-la. Ao trabalho, portanto.

TOQUEDEPRIMA...

Petistas agridem manifestantes durante posse de Lula
Correio Braziliense
.
A esteticista Cristina Couto e a pediatra Maria Luiza Meyer, ambas de Brasília, protagonizaram ontem uma cena de protesto que quase acabou em linchamento. As duas estenderam uma faixa em frente ao Palácio do Planalto e bateram boca com militantes petistas pouco antes do presidente Lula discursar no Congresso. A faixa, que trazia a frase “Seria cômico se não fosse trágico”, foi rasgada por um grupo que vestia camisetas do PT e, por pouco, o empurra-empurra não virou pancadaria. A confusão durou cinco minutos.
.
Uma pequena multidão empurrou as duas do alambrado de proteção instalado próximo à pista em frente ao Palácio do Planalto para o meio da Praça dos Três Poderes. Segundo uma delas, houve agressão física. A polícia acompanhou o tumulto à distância. “Sou médica de periferia e sei que essa área está sucateada, apesar de o presidente ter dito que a saúde no Brasil está próxima da perfeição”, disse Maria Luiza. Reclamando de dores na perna, Cristina completou: “Muitos milhões de brasileiros votaram nele (Lula), mas outros milhões não estão comemorando nada”.
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Eis aí uma notícia que é triste, mas não me surpreende. Infelizmente grande número de militantes petistas ainda não aprendeu a viver a plenitude de um regime democrático. Não aceitam críticas. Não aceitam ninguém que se oponha a sua ideologia, o pensamento contrário para eles é uma ofensa imperdoável. Sua intolerância cega aos contrários é, talvez, o motivo maior de se tornarem seres retrógrados, reacionários ao extremo. Negam a lei do progresso, da evolução, negam a conquista das liberdades, dos direitos à livre manifestação do pensamento. Negam um mundo diferente do que imaginam como paraíso. Provavelmente, se pudessem concretizar o seu mundo imaginário, talvez se dessem conta do quanto é nefasta esta defesa intolerante de sua ideologia. A essência do ser humano é a busca constante da felicidade, e esta não se consuma sem liberdade. Seria bom que estes deliqüentes amadurecessem um pouco. Para o seu próprio bem. Nenhuma ideologia, prestem atenção, nenhuma ideologia é justificada pela violência, intransigência e agressissividade. Como também ninguém está acima do bem e do mal.
.
**********
.
Governo Lula pauta votações da Câmara
.
Dados referentes à última legislatura da Câmara dos Deputados apontam que as medidas provisórias predominaram na pauta de aprovações. Entre 2003 e 2006, 218 MPs foram votadas, contra 147 projetos de lei e 13 propostas de emenda constitucional.
.
A gestão do petista João Paulo Cunha na presidência da Casa, durante o biênio 2003/2004, registrou o maior número de medidas provisórias aprovadas: 145. Sob o comando do ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), foram 27 MPs, contra 71 no mandato do atual presidente, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Lembram-se de quando o PT estava na oposição, a sua aversão às tais medidas provisórias ? Pois é, no governo, Lula já bateu todos os recordes de seus antecessores no uso das MPs, e na maioria das vezes, de formas abusiva e desnecessária. Neste caso, prá quê Legislativo? Democracia ? República ? Que república !!!
.
**********
.
Transporte aéreo particular é a bola da vez no apagão aéreo
.
Apareceu um novo bode expiatório para o governo Lula jogar as culpas pelo apagão aéreo. O próspero comércio de jatos executivos e helicópteros particulares é a bola da vez. Segundo estimativa de empresas do setor, dobraram em 2006 as vendas de aeronaves, sobretudo em função do dólar mais barato e da internacionalização das empresas brasileiras.
.
A Abag (Associação Brasileira da Aviação Geral), por sua vez, alerta que as encomendas realizadas nos últimos dois anos, período de recuperação, serão entregues de 2007 a 2008, o que exigirá ainda mais da estrutura dos órgãos reguladores.
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: É incrível como este governo não se assume! Vejam só, um governo que prega o destravamento do país se tiver arrojo, vai destravar como mantendo-se nesta pamaceira irritante ? Querem um exemplo ? Dez em cada dez especialistas afirmam que, sem reformar a previdência, o País não avança além do minguado e sofrível percentual que tem obtido nos últimos 25 anos. É isto aí mesmo: estamos estagnados há 25 anos, por pura falta de ousadia e coragem de nossos governantes. A partir do Plano Real o país como desenhou um horizonte mais dinâmico para seu crescimento. Contudo, desde 2002 não fizemos uma mísera reforma e correção de rota capazes de encaminhar e acelerar um crescimento sustentável ao nível dos demais países emergentes. Ficamos nos discursos vazios e sem conteúdo. Moral da história: tem país com muito menos riqueza do que o Brasil se posicionando melhor do que nós, proporcionando melhor qualidade de vida para seu povo do que os “grandes sábios”, parados no meio do caminho, por pura preguiça ! Haja bolsa família para sustentar tanta miséria!!!
.
**********
.
Justiça custa mais
.
O Poder Judiciário custará ao contribuinte, este ano, quase quatro vezes mais que o Legislativo: Senado (R$ 620,6 milhões) e Câmara dos Deputados (R$ 744,1 milhões) somam R$ 1,3 bilhão, bem menos que os R$ 4,4 bilhões previstos para o Judiciário. Curiosamente, o orçamento do Superior Tribunal de Justiça, de R$ 128,1 milhões, é inferior ao da Justiça do Distrito Federal, que terá R$ 188,3 milhões do Tesouro Nacional.
.
******
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Ah, sim, para gastar dinheiro dos outros é beleza. Difícil é cumprirem com sua função primordial. A justiça é lenta ? Claro que é mas nunca que poderão dizer que é por falta de dinheiro. Assim posto, é de se perguntar se tanto dinheiro é investido para oferecerem uma justiça melhor para o cidadão, ou o dinheiro é para ser repartido apenas entre eles ?

Batendo cabeça

Sérgio Nogueira Lopes, na Tribuna da Imprensa
.
No início do governo, o deputado petista João Paulo Cunha criou a expressão "PT batendo cabeça". Quatro anos depois, nada se modificou. Pelo contrário, as divergências internas do partido chegaram a tal ponto que motivaram um protesto do senador oposicionista José Jorge: "O PT não deixou nem espaço para a oposição exercer seu papel e criticar o governo. Os próprios petistas se encarregam dessa função", desabafou, cheio de razão.
.
Quase preso
Um documentário que vai ao ar no início de 2007 revela que forças especiais francesas encontraram Osama bin Laden em duas ocasiões há cerca de três anos, mas não receberam ordem para disparar e ele escapou. Traduzindo: Laden quase foi preso. Mas, como dizia Roberto Carlos, quase é só mais um detalhe, não vale nada.
.
Lixarada
Cerca de 80% dos municípios brasileiros lançam esgotos diretamente em cursos de água ou a céu aberto, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manaus, por exemplo, lança 95% dos esgotos no Rio Amazonas. As autoridades federais, estaduais e municipais não têm política de saneamento nem se interessam pelo tratamento de resíduos sólidos. Não estão nem aí. A inércia política polui mais do que os esgotos.
.
Feminismo
Não causou surpresa a notícia de que duas fêmeas de dragão de komodo, a maior espécie de lagarto do mundo (3 metros de comprimento) mostraram capacidade de procriar sem fecundação por machos. Na verdade, do jeito que as mulheres avançam sobre as atividades outrora exclusivas dos homens, não tardam a dispensá-los integralmente.
.
Celulares
Entra ano, sai ano, e os detentos continuam a utilizar celulares nas penitenciárias, de lá comandando suas quadrilhas. Os pseudo-especialistas alegam que o problema é uma falha da Lei de Execuções Penais, que não inclui o uso do celular como falta grave. Se é assim, vamos logo mudar a lei. O que não se pode é permitir que o crime se organize a tal ponto que possa ser comandado de dentro dos presídios.
.
Algo no ar
A companhia chinesa Mandarin Airlines substituirá os aviões Fokker 100 e Fokker 50 pelas aeronaves Emb190 e Emb195, fabricadas pela Embraer. A compra, no valor médio de US$ 274 milhões, foi feita por meio de um contrato de leasing, assinado com a GE Commercial Aviation Services. Como se vê, os aviões da Embraer fazem sucesso no mundo todo, menos no Brasil.
.
Sem barato
O cientista brasileiro Yehoshua Maor, da Universidade de Jerusalém, desenvolveu uma substância sintética semelhante ao THC, o princípio ativo da maconha, que se mostrou promissora contra a hipertensão. O mais importante é que a nova droga obteve êxito sem o efeito psicotrópico da maconha. Descendente de judeus portugueses, Maor é maranhense da cidade de Imperatriz. Seu trabalho com o canabigerol foi feito entre 2003 e 2005, mas só agora foi revelado, porque a universidade queria patentear a molécula.
.
Camaleão
O PMDB é o camaleão da política. Muda de cor com a maior facilidade. Não importa quem vença, o partido estará sempre junto ao poder. Na eleição, o PMDB conseguiu apoiar, ao mesmo tempo, o presidente petista Lula e o candidato tucano Geraldo. Agora, cobra a conta ao vitorioso, sem a menor cerimônia ou pudor.
.
Decepção
Não foi surpresa o resultado da pesquisa CNI/Ibope mostrando que 54% dos eleitores são contrários ao voto obrigatório. Com as maracutaias e trapalhadas que caracterizam nosso dia-a-dia na política, era mesmo de se esperar que a maioria dos brasileiros estivesse decepcionada com o desempenho de seus representantes e com o próprio processo eleitoral. Por isso, votar tornou-se um sacrifício.
.
Férias trágicas
Durante o período de férias escolares, a entrada de crianças e jovens em emergências de hospitais aumenta consideravelmente. São vítimas de acidentes de trânsito, atropelamentos, acidentes com bicicletas, afogamentos em piscinas, quedas, queimaduras, ingestão de produtos tóxicos e choques elétricos. Com férias assim, melhor ir à aula.

Serra e Aécio marcam oposição a Lula

Veja Online
.
Os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) assumiram os governos de seus Estados nesta segunda-feira destacando as críticas e a oposição ao segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serra, em São Paulo, e Aécio, em Minas, são os principais nomes do PSDB e da própria oposição à sucessão de Lula em 2010.
.
Em discurso na Assembléia Legislativa, Serra garantiu que tentará manter as "melhores relações institucionais" com o presidente, mantendo-se, porém, sempre na oposição. "Não fomos, não somos nem seremos adeptos do quanto pior, melhor. Seremos oposição no plano federal justamente porque não somos iguais", disse o governador empossado.
.
Serra ironizou ainda a sugestão feita por Lula de um pacto entre governo e oposição para garantir governabilidade: "A governabilidade é tarefa de quem obteve nas urnas o mandato para governar", disse. "Não me passa pela cabeça, por exemplo, transferir para a oposição o dever de assegurar a governabilidade do Estado que me elegeu."
.
O novo governador paulista atacou ainda a "estagnação econômica" do país e pediu a volta da ética na política. "Vivemos no Brasil um período de crise de valores", defendeu. "Crise política que se alimenta da teimosa incoerência entre os discursos e as ações na vida pública." Por fim, ele fez seu diagnóstico da economia nacional. "Os resultados ruins [da economia] não são colhidos da fatalidade, mas da fragilidade da política macroeconômica, hostil à produção e aos investimentos", disse.
.
Minas – Iniciando seu segundo mandato, Aécio Neves alfinetou Lula ao afirmar que, para um "crescimento econômico verdadeiro" e a "almejada justiça social", será necessária a "refundação do pacto federativo" com maior distribuição de recursos aos Estados. Segundo ele, as demais unidades da federação devem ter mais autonomia política, financeira e administrativa.
.
"Não haverá crescimento verdadeiro, não haverá desenvolvimento consolidado, não haverá democracia plena enquanto não refundarmos a federação e os princípios norteadores da República brasileira", disse Aécio, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. E acrescentou: "Não alcançaremos a justiça social que todos almejamos enquanto não tivermos a coragem de desconcentrar recursos, enquanto não houver autonomia administrativa para Estados e municípios e justiça tributária."

Hipocrisia, não

Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa
.
Ser humano é ser, principalmente, contraditório. Vários foram os países que se manifestaram contrários à execução de Saddam Hussein, apesar de todos os males que ele causou. Não que a Lei de Talião seja a solução para os conflitos morais e filosóficos dos homens, mas fica difícil acreditar que haja outra maneira de punir tamanha reencarnação do mal. Quantos anos o ex-ditador ficaria preso caso fosse condenado à pena perpétua? Difícil prever, mas os curdos e os xiitas que matou com requintes de sadismo - além de milhares de outros civis ou adversários políticos - não tiveram a mesma chance. Não cometeram crime algum, a não ser pertencer a outra etnia ou uma facção islâmica que não a sunita.
.
As manchetes dos jornais alardearam, quando Augusto Pinochet morreu depois de viver protegido por leis que fez em favor próprio e por um Estado que ainda teme seus seguidores, que o ex-ditador não pagou por seus crimes. Ficou a impressão de que devemos sempre confiar na Justiça divina - ainda que isto seja verdadeiro -, pois a dos homens é, por vezes, incapaz. Então, para que serve? Acaba se tornando uma instituição vazia, sem sentido, se os criminosos, os facínoras deixam de enfrentar o tribunal composto por seus iguais.
.
Dos chefes nazistas, Adolf Hitler, Josef Goebbels, Heinrich Himmler e Hermann Goering escaparam colocando fim à própria vida. Jamais se saberá o que teriam a dizer num tribunal, provavelmente o de Nuremberg. Pode ser que se acovardassem e negassem as monstruosidades que cometeram, como Hans Frank, Wilhelm Keitel ou Robert Ley, mas pode ser que desafiassem, rejeitassem a autoridade do julgamento. Como Saddam fez.
.
A Justiça é sempre a dos vencedores, em qualquer processo político ou pós-guerra. Daí que seria ingenuidade acreditar que o ex-ditador teria um julgamento justo. Jamais, como os nazistas não tiveram, como Nicolae Ceausescu não teve, como Slobodan Milosevic não tem. Mas, pelo menos, não ficaram incólumes como Pinochet, Stalin, Pol Pot, Mobutu, Idi Amin, Francisco Franco, Stroessner, Papa e Baby Doc. A lista de criminosos que escaparam, numa gargalhada final e estridente na cara da humanidade, é vasta.
.
Se Saddam vai se tornar um ícone, um mártir, é muito mais por causa do envolvimento dos Estados Unidos na questão e por puro oportunismo político de alguns chefetes religiosos islâmicos, que vão se aproveitar da situação para galvanizar o apoio de massas de ignorantes em favor da causa antiamericana e antiocidental. No Irã, muçulmano e xiita, dificilmente o ex-ditador iraquiano passará à condição de símbolo.
.
E alguém tem dúvidas sobre a ascendência de Teerã sobre o Hamas, o Hizbollah e a Jihad Islâmica? Os ditos líderes muçulmanos que protestaram contra a morte de Saddam o fizeram porque temem, um dia, estar na mesma condição. O que esperar dos talibãs a não ser que se movimentassem no sentido contrário ao da Justiça? Ou será que a memória de todos é tão seletiva assim a ponto de esquecer o que havia no Afeganistão, com mulheres, meninas, crianças, tratadas de maneira pior que a um animal?
.
Saddam já foi tarde. Quero, sim, que os genocidas respondam pelos seus crimes e paguem a pena a que forem condenados. Deixo para Deus a grandeza de uma Justiça que os facínoras jamais tiveram.
.
Mudou o Natal
O prefeito de Niterói, Godofredo Pinto, não se reelege mais, porém está perdendo preciosos votos em favor do candidato que lançar à sua sucessão. Ele e mais uma turma de gente endinheirada levam suas fabulosas motocicletas, todos os sábados, para um estabelecimento chamado Empório Icaraí, bem no coração do bairro do mesmo nome. Ali, entre goles da melhor Paraty ou de cervejas importadas, tiram a paciência dos moradores vizinhos com conversa alta e demonstração de potência das máquinas que pilotam. Sem contar que com elas tomam toda a calçada.
.
E pensar que Godofredo foi um simples professor, proprietário de um pouco vistoso Lada vermelho.
.
Passado a limpo
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) promove a partir deste ano o primeiro censo para avaliar benefícios por invalidez. O objetivo é que 2,8 milhões de segurados passem por nova perícia médica. Será feita uma reavaliação das condições de trabalho dos beneficiados com aposentadorias deste gênero. Aqueles que podem se locomover, receberão em casa convocação do INSS marcando hora e local da consulta. Além disso, técnicos do Instituto visitarão cada residência quando o aposentado tiver dificuldade de se locomover ou não possa andar.
.
Segundo o diretor de benefícios do Ministério da Previdência Social, Benedito Brunca, o censo possibilitará a redução dos gastos previdenciários. A medida evita que não ocorra aquele caos da gestão de Ricardo Berzoini, que obrigou os idosos a comparecer aos postos do INSS para confirmar que não eram fantasmas.

TOQUEDEPRIMA...

Metade dos universitários não se forma
Folha de São Paulo
.
Um estudo feito a partir do Censo da Educação Superior pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia mostra que somente metade dos alunos que ingressam anualmente no sistema consegue, quatro anos depois, se formar.
.
Segundo a Folha de S.Paulo, para estimar a evasão no ensino superior brasileiro, o instituto comparou o número de concluintes com o de ingressantes quatro anos antes. Essa relação é chamada de taxa de titulação. No caso do Brasil, ela foi de 51% em 2005, já que 718 mil estudantes se formaram naquele ano, número bastante inferior ao 1,4 milhão que, em 2002, entrou no sistema. Os 49% restantes representariam, portanto, o contingente estimado que evadiu do sistema.
.
Comparações feitas pelo instituto mostram que a taxa é alta quando comparada com países desenvolvidos ou em desenvolvimento. No Japão, apenas 7% dos alunos não concluem o curso após quatro anos. No México, esse percentual chega a 31%. O patamar brasileiro é próximo do da Colômbia (51%).
.
Para Oscar Hipólito, um dos autores do estudo coordenado pelo consultor e ex-reitor da USP Roberto Lobo e realizado em parceria com Paulo Motejunas e Maria Beatriz de Carvalho Lobo, as instituições de ensino superior precisam adotar novas estratégias para evitar que o aluno deixe de estudar, em vez de apenas se preocuparem em atrair estudantes.
.
“De 2004 para 2005, o número de matrículas no ensino superior aumentou em 290 mil. O número de alunos que evadiram do sistema, no entanto, foi muito maior [750 mil]. A perda desses alunos causa prejuízos tanto para a rede pública quanto para a privada, já que você mantém toda uma estrutura para receber aquele aluno, mas ele não está mais estudando.”
.
Na avaliação dele, o principal fator a explicar a evasão não é econômico, mas sim de qualidade do ensino: “Acreditava-se muito que a questão financeira era a vilã da história, mas percebemos em vários estudos que há várias outras razões. A principal delas talvez seja o desestímulo com o curso ou a falta de conhecimento prévio sobre a carreira escolhida no vestibular. Se o ensino for de qualidade e houver bons professores, no entanto, ele fará de tudo para continuar estudando”.
.
******
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Há duas questões que se precisa levar em consideração em relação a este fenômeno: primeiro, que o ingresso se faz muitas vezes em áreas por estudantes preocupados apenas em ter um diploma, não importando sua vocação pessoal. Claro que, com o tempo, o desencanto é apenas uma conseqüência. Só que este desencanto também ocorre a partir da constatação de que o nível é tão ruim que o estudante acaba se desestimulando. A outra questão é que, depois de formado, vai trabalhar aonde ? Muitas vezes, é somente a partir de seu ingresso em uma faculdade que o estudante realmente vai se interessar em conhecer o mercado de trabalho da profissão que ele escolheu, e ele acaba descobrindo ou que o mercado é muito restrito, ou simplesmente não existe mercado para sua profissão. E esta questão é crucial quando se fala em ensino superior no Brasil. Porque rigorosamente ele está dissociado da realidade do mercado de trabalho. Ou formamos profissionais para um mercado que não existe, ou deixamos de formar profissionais para mercados com enormes carências. E este não é um problema novo, recente: já se fala disto há nuito tempo, empresários reclamam desta aberração, a imprensa publica reportagens e artigos específicos sobre a matéria, e não se vê um movimento do Ministério da Educação para resolver esta questão. Até quando ?
.
**********
.
O STF e os promotores
De O Estado de S.Paulo
.
"A o julgar um pedido de foro privilegiado formulado por uma prefeita fluminense que está sendo processada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por crime de improbidade administrativa, o relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, tomou uma iniciativa polêmica. Em vez de se limitar a acolher ou rejeitar o recurso, ele aproveitou a ocasião para acusar alguns promotores e procuradores de utilizar prerrogativas funcionais e desvirtuar o princípio da moralidade com o objetivo de fazer política partidária e defender interesses pessoais e corporativos.
.
**********
.
‘Acertei no milhar’
Cláudio Humberto
.
Causou espanto o valor do contrato do Ministério da Agricultura com a desconhecida Diamond Promoções e Eventos, de Brasília. Por cerca R$ 1,3 milhão – valor do contrato de seis meses – diz um leitor, é possível manter dez tradutores profissionais trabalhando oito horas por dia, 22 dias por mês. A preços praticados pelo mercado internacional.
.
**********
.
Lei de Tião
.
Projeto do senador Tião Viana (PT-AC) pretende alterar o fuso horário do Acre, que marca três horas a menos em relação a Brasília. Após mover o meridiano de Greenwich, Viana talvez queira revogar a Lei de Gravidade. É impressionante a capacidade criativa dos nossos parlamentares para parirem jumentices quando investidos em seus mandatos. Será que o país não tem problemas demais e mais importantes para preocupar-se o nobre senador do que perder tempo e dinheiro (do contribuinte lógico, que somos nós que pagamos estas bestas), do que ficarem querendo descobrir a pólvora !
.
**********
.
Requião discorda de Lula e diz que seu governo é de esquerda
Globo Online
.
O governador reeleito do estado do Paraná, Roberto Requião (PMDB), discordou das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou, durante discurso de posse, que seu governo é de esquerda.
.
“Não venham com esses centrismos, com esse equilibrismo. Somos sim um governo de esquerda. E que a má interpretação ou a distorção daquilo que disse o presidente Lula não sirva de pretexto para que alguns neguem o lado em que nos posicionamos”, declarou.
.
No começo de dezembro, Lula disse que a chegada dos cabelos brancos coincide com o abandono dos ideais de esquerda.
.
“Quem é mais de direita vai ficando mais de centro, e quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata. As coisas vão fluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos que você vai tendo e de acordo com a responsabilidade que você tem”, disse Lula, na ocasião.
.
**********
.
Petista cassado por desvio
.
Na véspera do réveillon, o prefeito Beberibe (CE), Marcos Queiroz (PT), foi cassado pelos vereadores por 8x0. É acusado de desviar R$ 1,5 milhão. Há um ano ele havia sido afastado do cargo pela Justiça. Na cidade, Marcos fazia dobradinha com o deputado José Nobre Guimarães, irmão de José Genoino cujo assessor foi preso com a cueca recheada de dólares.

A política do cofre aberto

Jornal da Tarde
.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia o segundo mandato com tudo preparado para uma gastança maior que a dos últimos quatro anos. Essa é a única aposta segura: as despesas crescerão em 2007 e provavelmente nos anos seguintes, mas sem a mínima garantia de um desempenho econômico melhor. Em 2007, os gastos correntes da União deverão equivaler a 18,98% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo projeção da economista Márcia Rodrigues Moura, consultora do Congresso Nacional. A proporção em 2006 está estimada em 18,54%. No começo do governo petista, em 2003, aquelas despesas corresponderam a 16,43% da produção interna de bens e serviços.
.
Os gastos serão inflados em 2007, como nos anos anteriores, principalmente pelo aumento da folha de pessoal e dos benefícios previdenciários. Estes passaram de 6,93% do Produto Interno Bruto em 2003 para 7,88% em 2006 e deverão chegar a 8,05% em 2007. Aqueles cresceram de 4,93% do PIB no primeiro ano de governo para 5,07% em 2006 e deverão alcançar 5,28% no exercício seguinte.
.
O aumento do salário mínimo para R$ 380, proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está incluído nessas projeções. A decisão presidencial, se for sacramentada pelo Congresso, apenas agravará a tendência observada há vários anos. A rápida valorização real do mínimo tem aumentado o desajuste das contas previdenciárias. Quanto mais o governo retarde a discussão de uma nova reforma da Previdência, mais difícil e mais penosa será a arrumação das contas públicas.
.
Só a contenção dos gastos previdenciários e de outras despesas correntes abrirá espaço bastante para a ampliação dos investimentos na infra-estrutura e na educação. Sem essa condição, também não será possível diminuir, de forma significativa, o peso dos impostos.
.
Com o salário mínimo elevado a R$ 380, já se fala, no Ministério da Fazenda, em redução das bondades fiscais prometidas em novembro e ainda não anunciadas oficialmente.
.
A apresentação do pacote, agora, está prevista para o fim de janeiro e seu conteúdo será provavelmente empobrecido. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, nega a redução do pacote, mas a informação da área financeira do governo é outra.
.
Mas o mais importante não é saber qual das duas previsões será confirmada. O problema objetivo é outro. Nenhuma das soluções previsíveis neste momento será boa para a economia brasileira. O governo deveria ter preparado espaço, no Orçamento, para a concessão dos benefícios fiscais. Não o fez, e a opção pelo salário mínimo de R$ 380 complicou o quadro.
.
Se o pacote de incentivos for diminuído, para acomodar os efeitos do novo mínimo, mais uma vez o inchaço do Orçamento será devido quase exclusivamente ao custeio. Se o pacote for mantido, o desajuste fiscal será maior e sua correção será mais difícil nos anos seguintes.
.
Para estimular o investimento privado e impulsionar o crescimento da economia, o governo terá de promover uma redução de impostos muito mais ambiciosa e mais organizada que o pacote prometido para 2007. Desoneração tributária, no entanto, só é sustentável com a contenção do gasto público. E investimento público, outro fator importante para o crescimento, só é exeqüível, sem desarranjo fiscal, quando se restringe a despesa corrente.
.
Reconhecer esses fatos não é uma questão de ortodoxia e sim de realismo. Mas esta virtude está em baixa no painel de cotações do governo federal. Ao concentrar no Palácio do Planalto decisões cruciais de política econômica, o presidente enfraqueceu perigosamente o Ministério da Fazenda, para buscar apoio nos velhos aliados do sindicalismo e das alas partidárias menos preparadas para a gestão pública.
.
Com a saída do secretário do Tesouro, Carlos Kawall, o governo perde um dos últimos colaboradores empenhados em manter alguma racionalidade nas finanças públicas. Disciplinado, Kawall silenciou diante das muitas bondades eleitorais de 2006, mas continuou defendendo uma respeitável pauta de ajustes para os próximos quatro anos. O presidente parece pouco interessado em manter essa pauta. Se confirmar essa tendência, cometerá no segundo mandato os erros evitados no primeiro graças à influência de Antonio Palocci.

Enterro do modelo

José Paulo Kupfer, no Blog NoMínimo
.
Discurso é discurso, mas se discurso vale alguma coisa, o presidente da República e o governador do estado mais poderoso (e desde já natural concorrente a uma indicação para a Presidência em 2010) convergiram nos discursos ao tomar posse neste 1º. de janeiro. Desossados das obrigações institucionais e partidárias a que cada um tinha de se render, Lula e José Serra, fizeram o enterro do modelo de estabilidade estagnacionista dos últimos três governos.
.
Um, no caso Lula, reafirmou a preferência pelo desenvolvimento na base de metas e compromissos mais pragmáticos. O outro, no caso Serra, foi conceitual e até mais incisivo na defesa de uma economia que rompa com o ciclo de estabilidade e estagnação em que o País se meteu – ruptura que, segundo ele, tem de ser também intelectual.
.
Lula falou explicitamente em baixar os juros a um ponto que não fique acima da taxa média de retorno dos investimentos. Falou também em expandir o crédito, ao longo do segundo mandato, para 50% do PIB (hoje, mal passa de 30%). Voltou a prometer uma política industrial ativa, coisa que não conseguiu colocar de pé no primeiro mandato e pode não acontecer no segundo, mas serve como indicativo da intenção de fazer um governo menos amarrado aos desígnios fatalistas do mercado.
.
Quanto a esse ponto, aliás, Serra foi longe. “O livre mercado globalizado não oferece respostas para todos os nossos problemas”, declarou, defendendo um “ativismo governamental”, na procura do desenvolvimento e da maior igualdade social”.
.
Depois desse discurso, se fosse Serra o presidente, os pregões, nos mercados financeiros, abririam em queda livre nesta terça-feira, primeiro dia útil do ano.

E o ambiente, presidente?

Por Armando Mendes
.
O presidente Luis Inácio Lula da Silva ignorou o meio ambiente ao anunciar seu programa para o segundo mandato, no discurso de posse no Congresso.
.
O assunto aparece burocraticamente no parágrafo em que ele anuncia a intenção de aperfeiçoar as legislações sanitária e ambiental. E só.
.
É o mesmo parágrafo em que o presidente anuncia "vigorosas medidas de desburocratização". Tudo no contexto das iniciativas para destravar o crescimento econômico, seu mote para os próximos quatro anos.
.
Dá o que pensar. Naquele infeliz discurso sobre as travas que seguram a economia, depois de reeleito, Lula já culpava os cuidados com o meio-ambiente pela estagnação econômica, ao lado das aporrinhações do sistema democrático e de vilões menos votados.
.
Agora, no discurso de posse, a democracia salva a pele. O presidente reconhece a importância da oposição e da tolerância com as convicções alheias.
.
O meio-ambiente não teve a mesma sorte. Ficou órfão de pai e mãe. Não ganhou um parágrafo, nem umas poucas linhas, como ganharam a desigualdade, a educação, a saúde, a segurança pública.
.
O assunto merece mais cuidado. Os cientistas que o estudam ainda têm mais dúvidas do que certezas, mas uma coisa ninguém discute: o que fizermos hoje ao ambiente terá um custo no futuro.
.
Quando se fala em defesa do meio-ambiente, portanto, não se trata de impor uma “trava” externa ao crescimento econômico, mas sim de avaliar um custo social que será pago mais adiante. Um custo ainda difícil de calcular, mas que precisa ser levado em conta.
.
Os anos 70 vão longe. Não vá o governo brasileiro – e um governo que ser quer progressista – agir agora como um tecnocrata da ditadura militar (ou um planejador soviético, para lembrar os desastres do lado de lá).

TOQUEDEPRIMA...

Agronegócio traz US$ 239 bi em dez anos
Da Folha de S.Paulo
.
"A agropecuária brasileira é vítima da própria eficiência. O setor paga caro pelo excesso de dólares que traz ao país. Nos últimos dez anos -de 1997 a 2006-, a receita líquida da balança comercial do agronegócio soma US$ 239 bilhões.
.
Se por um lado o agronegócio salva as contas nacionais, por outro derruba a cotação do dólar, um dos fatores de perda de renda para os produtores.
.
Como a agropecuária brasileira é exportadora -devido à falta de crescimento interno da economia e de um mercado externo com demanda forte-, o real valorizado e o dólar fraco fazem o produtor brasileiro perder renda nas exportações.
.
Mas, mesmo com volume elevado de dólares, o agronegócio continua surpreendendo e, ao contrário do que se previa, as receitas externas do ano passado voltaram a registrar recorde."
.
******
.
COMENTANDO A NOTICIA: Na verdade a questão cambial é sim prejudicial às atividades produtivas internas. A conseqüência é fechamento de postos de trabalho num país com mais de 12,0 milhões de desempregados, sem contar aqueles que até desistiram de procurar emprego. O resultado favorável no comércio exterior se dá não por obra e graça de alguma política governamental, e sim pela conjugação de fatores favoráveis da economia mundial, e que acabam nos beneficiando. Ou seja, estamos tendo mais sorte do que juízo. Por exemplo, se por um lado a expansão da economia chinesa nos é desfavorável, pela sua pujança, por atrair investimentos produtivos que poderiam vir para cá, por entupir o mercado interno com bugigangas que prejudicam nossas indústrias de brinquedos e têxtil, por outro lado, acaba se tornando se não o maior, nas seguramente um dos maiores compradores de commodities do mundo, o que acaba favorecendo a exportação de minérios e produtos agropecuários brasileiros. Em outro cenário, as perdas seriam terríveis. Quanto a questão cambial ela se dá não por exportarmos muito como muitos defendem. Mas por desonerarmos de impostos o ingresso de dólares para financiamento da dívida pública e face aos juros estratosféricos que praticamos.
.
**********
.
OAB: sem planos, Lula só tem velhos chavões
.
O presidente nacional da OAB, Roberto Busato, criticou hoje o fato de o presidente Lula ter iniciado o segundo mandato sem sua equipe definida. "O presidente continua com promessas, com chavões e pronunciamentos panfletários, quando o que o Brasil realmente precisa é de um planejamento consistente, de um plano que o transforme efetivamente no país do presente e não mais no país do futuro, nessa coisa de gigante adormecido", salientou Busato. "Nós já estamos além do tempo de despertar esse gigante e colocar em marcha uma economia que não está aproveitando a grande bolha desenvolvimentista por que passa o mundo", afirmou.
.
**********
.
Violência: Lula e o discurso picareta
Por Reinaldo Azevedo
.
Há uma hora em que temos de dizer: “Chega de picaretas!” Lula afirmou nesta terça que gente que põe fogo em ônibus para matar fritado um grupo de pessoas inocentes não pode ser enquadrada na mesma lei que pune crimes comuns. Ah, é???? Que este senhor nos diga, então, por que seu ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, militou contra a lei dos crimes hediondos. O próprio Apedeuta assinou uma portaria criando dificuldades adicionais para a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado nos presídios. O que ele quer? Qual é a sua proposta? Lula quer sentir a indignação do cidadão comum, mas não quer sentir o peso de governar. Qual é a proposta, meu senhor?
.
**********
.
O dilema da Petrobras
Radar – Veja online
.
Nem mesmo a Petrobras acredita na longevidade do biodiesel no mercado. Para a cúpula da empresa, está claro que o H-Bio, o novo combustível que mistura diesel e óleo de soja, vai dominar o mercado a curto prazo. O caso se tornou uma saia-justa para a Petrobras, já que o biodiesel é a bandeira do presidente Lula para o setor. A justificativa de Lula é que centenas de famílias se empregam no cultivo de plantas como mamona, palma e dendê. Mas queimar esse óleo no motor é coisa caríssima. Já com a soja, o custo é menor. A produção, no entanto, depende muito menos da mão-de-obra. O dilema: gastar menos ou ser impopular?
.
**********
.
Pelo centro-direita
.
Em meados de 1979, deposto da presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo por ato do regime militar, Lula encomendou a Frei Betto uma apostilha sobre a esquerda. Pouco sabia a respeito dela. Entregue a encomenda, Betto esperou 20 dias e procurou Lula em sua casa. “E aí, leu?” – perguntou. “Claro”, respondeu Lula. Que em seguida apelou para a mulher: “Marisa, cadê a apostilha?” Páginas da apostilha foram encontradas depois forrando o chão da casinha do cachorro. “Sempre que segui os conselhos da esquerda me dei mal”, admitiu Lula em reunião do ministério em 2003.
.
**********
.
Reeleição de Morales é rejeitada pela maioria dos bolivianos
.
A rejeição a uma possível reeleição do presidente boliviano, Evo Morales, subiu de 23% para 52%, entre janeiro e dezembro deste ano. Segundo pesquisa da empresa Gallup Internacional, citada neste domingo pelo jornal El Deber, foram ouvidas 1.323 pessoas e a margem de erro é de 3,23%.
.
Conforme relata o jornal, 52% dos indagados disse não estar de acordo com a reeleição do líder, enquanto 42% a respalda. Cerca de 59% dos entrevistados acredita que depois da Assembléia Constituinte, que teoricamente concluirá seu trabalho em agosto de 2007, deveriam ser convocadas novas eleições, fato ao qual se opõem 36%.
.
Morales assumiu o governo para um mandato de cinco anos em 22 de janeiro com um respaldo nas urnas de 54%, e sua reeleição por um período consecutivo é uma proposta considerada em seu partido, o Movimento Ao Socialismo (MAS), mas que deve ser aprovada na Constituinte, já que a atual Carta Magna não o permite.
.
Segundo o matutino, a pesquisa da empresa de consultoria também reflete a baixa popularidade do líder socialista dos 77% registrado no início de seu governo para 59% agora.
.
**********
.
Arte do Brasil na Espanha
Radar – Veja Online
.
O Ministério da Cultura acaba de fechar um pavilhão de 1 000 metros quadrados para exposições de 100 artistas plásticos brasileiros no Arco 2008, a maior feira de artes plásticas de Madri, na Espanha. O investimento do governo nesse evento, considerado importante para abrir as portas da Europa para novos artistas é de cerca de 2 milhões de reais. Além da exposição, a capital espanhola assistirá a uma série de eventos relacionados à cultura brasileira. A Fundacion Juan March, por exemplo, já acertou a realização de uma mostra sobre Tarsila do Amaral e a Filmoteca Nacional prepara um festival dedicado apenas aos novos cineastas brasileiros.