Comentando a Notícia
(Atenção: antes, leiam os dois posts anteriores)
Ah! esta velha sabedoria popular, quanto tens para me ensinar!!!
Pois é, o macaco esconde seu próprio rabo, porque imagina que, assim, ninguém vendo o seu, nada irá reparar, não é mesmo? Mas existe outro provérbio bastante popular que aprendi com meu avô que dizia que”... o macaco tantas faz, que um dia esquece o próprio rabo”. Ou seja, os “espertos” tanto aprontam que, um dia, acabam esquecendo da própria esperteza e deixam o rabo à mostra, ou, as marcas de sua cupidez.
Quando Lula começou a fazer sucesso no exterior, sempre se disse aqui que o mundo se iludia com seu “carisma”, porque, por detrás do sorriso maroto e das frases de efeito, se escondia a verdadeira alma de um tirano que, algum tempo depois, o mundo foi descobrindo e se desencantando. Dois momentos acenderam a luz de alerta, o caso Honduras e a aproximação afetuosa com Ahmadinejad. Claro que se a turma tivesse prestado melhor atenção aos sinais deixados pela política externa desastrada praticada por Lula, perceberia logo de quem o “cara” se tratava. Hoje, a turma lá fora ficou esperta e está mais ligada!
Lula está no poder há quase oito anos. Vira e mexe, e lá temos escândalos e mais escândalos envolvendo gente de sua proximidade, gente, aliás, de seu próprio partido. Até hoje, se diz que o presidente é o verdadeiro teflon, nele nada gruda. Na verdade não é bem assim: muito de sua enorme popularidade se deve pela omissão das oposições em cumprirem, adequadamente, seu papel, ou seja, e por incrível que pareça, elas deveriam ter feito ...oposição. Houve momento em que, principalmente a turma do PSDB, chegou a ser mais governista do que a própria base de apoio de Lula. E, convenhamos, Collor caiu por muito menos do que os crimes que, até aqui, a gente já conheceu...
Um pouco mais tarde, vamos mostrar em que pé está a questão dos sigilos. Ao contrário do discurso, os sinais de que o governo vai tentar o mais que puder abafar o assunto, se possível arquivá-lo e enterrá-lo estão bem à mostra. Mas falarei disto mais tarde. Quero focar a questão do tráfico de influência montado dentro da Casa Civil que, conforme ficou claro no post das 10:09 horas, ele se deu não quando Erenice já era ministra chefe do gabinete, mas quando ainda era comandado por Dilma Roussef.
Ontem, vimos todo o teatro ensaiado pelo governo, para tentar tirar o assunto do foco do noticiário. Sempre tem sido assim, quando gente graúda do PT se acha enredada em safadezas nada republicanas. Mas, como a própria Revista Veja deixou claro, há documentos, portanto, informações e fatos, que ainda não foram divulgados. Isto significa de que ainda teremos novas e grandes emoções pela frente.
Mas o macaco, por esperto, senta no rabo para falar mal dos outros. Porém, cedo ou tarde, ele terminará levantando e, em consequência, acabará deixando à mostra sua própria anatomia, vamos dizer assim... E de tanto aplicar o golpe nos outros, dia mais, dia menos, acaba deixando rastros que comprovam ter sido ele próprio quem praticou a malvadeza.
Na Folha de São Paulo, duas notícias (os dois posts anteriores) chamam a atenção para a gente analisar o que já é fato público e notório e, inclusive, confirmado pelos próprios envolvidos com as versões que cada um conta.
Os textos já não deixam mais dúvidas quanto:
a.- O filho da Erenice formalizou contrato de prestação de serviços para intermediar renovação de contratos da MTA junto aos Correios, descrevendo, inclusive, a forma de remuneração:
b.- O chefe dos Correios confirmou que houve a intermediação;
c.- O empresário Fábio Baracat teve encontro com Erenice durante o período em que tentava obter a renovação dos contratos em favor da MTA;
d.- Foi firmado um contrato de intermediação (item a) por Israel Guerra em que, além do pagamento mensal, havia uma “taxa de sucesso” de 6% caso a intermediação obtivesse êxito.
Claro, claro, tudo foi desmentido pelo governo que se mobilizou intensamente para afastar o episódio de Dilma Roussef, muito embora, ATENÇÃO IMPRENSA, tudo tenha acontecido exatamente enquanto Dilma era ministra da Casa Civil. Erenice diz que vai processar a Revista Veja, há muita indignação, se reputa a reportagem a “manobras” político-eleitoreiras, etc., etc., e todas as baboseiras de costume. Mas, fato real mesmo, é que todas as notas oficiais até aqui emitidas, partidas fosse de Erenice, de Dilma, de Israel Guerra, do próprio empresário Fábio Baracat, não tiveram o dom de desmentir os fatos. Até pelo contrário, confirmam. É que quando esta turma é surpreendida com a mão na massa, além de primeiramente negarem de pés juntos, adoram fazer muito barulho porque pensam que, com truculência, conseguirão defender-se.
Nos episódios noticiados pela Folha, vimos que, apesar das contestações de ontem, em e-mail enviado à revista Veja por Israel Guerra, ele confirma todos os fatos narrados e acaba por se dizer traído pelo empresário. Muito bem, mas é de se perguntar: se os fatos descritos pela Veja são verdadeiros, a traição teria acontecido por que Baracat resolveu divulgá-los à imprensa? É isto?
Por outro lado, e é aqui que o rabo do macaco ficou à mostra, vocês sabem que computador é bicho danado. Por mais que você tente apagar alguns registros, eles, invariavelmente, ficam meio que escondidos, mas estão lá, num cantinho especial. Se uma perícia técnica quiser, poderá reconstruir muita coisa que se imaginava digamos... perdida, ou apagada.
A edição da Veja, que noticiou a tramoia, só veio à tona no sábado, porém, Israel Guerra, na sexta feira, em resposta à revista que lhe ofereceu oportunidade de contestar as acusações de Baracat, no que agiu de forma correta, enviou um e-mail sabem de onde? Vejam que coisa: do... Palácio do Planalto. E, antes de chegar à Veja, o seu primeiro texto foi enviado para ser revisado por Vinicius Castro, que até ontem era assessor jurídico da Casa Civil. Mas vem cá, meu chapa, do Planalto, é?
Será que não dava para ter tido um pouco mais de zelo, já que sua atividade, segundo tenta alegar, se tratava de uma relação comercial privada, não podendo, desta forma, ter nenhum elo de ligação, por mínimo que fosse, com dependências e órgãos do governo? E, se como informa em sua resposta, já se utilizara das dependências do escritório de advocacia de seu tio, não lhe ocorreu conseguir sei lá, a cessão de um computador no mesmo escritório e de lá enviar a resposta para revisão e, mais tarde, para a própria revista? E, reparem, de novo, com o conhecimento de sua mãe, que ela própria informa, ter apenas lido sua resposta.
Isto demonstra que, de fato, a Casa Civil serviu de intermediária e de que está caracterizado um tráfico de influência, formalizado por contrato, entre o filho da que viria tornar-se ministra da própria Casa Civil, e uma empresa privada, com interesse em manter ou prestar serviços aos Correios.
E não venham com este discurso estúpido de se tentar qualificar a Revista Veja como “inimiga” do governo Lula, de tentar golpear a candidatura de Dilma, porque a revista não seria tão imbecil a ponto de forjar uma reportagem mentirosa com tal propósito, porém, tão rica em detalhes, documentos e testemunhos os quais, por suas declarações, os fatos narrados pela reportagem foram e estão sendo confirmados pelos envolvidos. Que o governo Lula tente dar ao episódio outro nome que não tráfico de influência, isto a gente até já está acostumado. Tem sido uma prática costumeira do governo Lula tal comportamento. Ao mensalão, que se tratava de compra de apoio político para aprovação de projetos de interesse do Executivo no Congresso, deu-se o carinhoso nome de “verbas não contabilizadas” para caracterizar como um mero crime eleitoral de caixa 2 que, aliás, não deixa de ser crime, porém de menor expressão. Já para a montagem do dossiê contra FHC e dona Ruth, coincidentemente, bem na época da CPI, Dilma e Erenice batizaram de “banco de dados”. Vamos ver que outro apelido arranjarão para este novo crime feito dentro da Casa Civil. Mas, independente do nome que venham forjar, não apagará aquilo que realmente é, um crime de tráfico de influência.
E a velha sabedoria popular entra em cena novamente, aquela do vendendo facilidades... Vocês sabem!
Interessante a reação de Israel Guerra no dia seguinte: agora, o rapaz já diz que “fui enganado pelo consultor”. Que bonitinho, né, não dá dó? E ainda acusa a Veja de agir de forma aética. Acho que ele quis dizer “anti-ética”, não?, que vem a ser falta de ética. “Aética”? De que dicionário ele tirou isto? Existe um tal dicionário “inFormal”, onde se diz que o português é feito por você (santo Deus!!!!). Nem lá o termo é encontrado.
Encerro lembrando um pensamento bem apropriado de Paul-Jean Toulet :
"A mesquinharia do socialismo é correr atrás não do maior bem, mas do menor mal. "
Tudo a ver!!!
