terça-feira, setembro 14, 2010

Macaco senta no próprio rabo para falar do rabo dos outros.

Comentando a Notícia

(Atenção: antes, leiam os dois posts anteriores)

Ah! esta velha sabedoria popular, quanto tens para me ensinar!!!

Pois é, o macaco esconde seu próprio rabo, porque imagina que, assim, ninguém vendo o seu, nada irá reparar, não é mesmo? Mas existe outro provérbio bastante popular que aprendi com meu avô que dizia que”... o macaco tantas faz, que um dia esquece o próprio rabo”. Ou seja, os “espertos” tanto aprontam que, um dia, acabam esquecendo da própria esperteza e deixam o rabo à mostra, ou, as marcas de sua cupidez.

Quando Lula começou a fazer sucesso no exterior, sempre se disse aqui que o mundo se iludia com seu “carisma”, porque, por detrás do sorriso maroto e das frases de efeito, se escondia a verdadeira alma de um tirano que, algum tempo depois, o mundo foi descobrindo e se desencantando. Dois momentos acenderam a luz de alerta, o caso Honduras e a aproximação afetuosa com Ahmadinejad. Claro que se a turma tivesse prestado melhor atenção aos sinais deixados pela política externa desastrada praticada por Lula, perceberia logo de quem o “cara” se tratava. Hoje, a turma lá fora ficou esperta e está mais ligada!

Lula está no poder há quase oito anos. Vira e mexe, e lá temos escândalos e mais escândalos envolvendo gente de sua proximidade, gente, aliás, de seu próprio partido. Até hoje, se diz que o presidente é o verdadeiro teflon, nele nada gruda. Na verdade não é bem assim: muito de sua enorme popularidade se deve pela omissão das oposições em cumprirem, adequadamente, seu papel, ou seja, e por incrível que pareça, elas deveriam ter feito ...oposição. Houve momento em que, principalmente a turma do PSDB, chegou a ser mais governista do que a própria base de apoio de Lula. E, convenhamos, Collor caiu por muito menos do que os crimes que, até aqui, a gente já conheceu...

Um pouco mais tarde, vamos mostrar em que pé está a questão dos sigilos. Ao contrário do discurso, os sinais de que o governo vai tentar o mais que puder abafar o assunto, se possível arquivá-lo e enterrá-lo estão bem à mostra. Mas falarei disto mais tarde. Quero focar a questão do tráfico de influência montado dentro da Casa Civil que, conforme ficou claro no post das 10:09 horas, ele se deu não quando Erenice já era ministra chefe do gabinete, mas quando ainda era comandado por Dilma Roussef.

Ontem, vimos todo o teatro ensaiado pelo governo, para tentar tirar o assunto do foco do noticiário. Sempre tem sido assim, quando gente graúda do PT se acha enredada em safadezas nada republicanas. Mas, como a própria Revista Veja deixou claro, há documentos, portanto, informações e fatos, que ainda não foram divulgados. Isto significa de que ainda teremos novas e grandes emoções pela frente.

Mas o macaco, por esperto, senta no rabo para falar mal dos outros. Porém, cedo ou tarde, ele terminará levantando e, em consequência, acabará deixando à mostra sua própria anatomia, vamos dizer assim... E de tanto aplicar o golpe nos outros, dia mais, dia menos, acaba deixando rastros que comprovam ter sido ele próprio quem praticou a malvadeza.

Na Folha de São Paulo, duas notícias (os dois posts anteriores) chamam a atenção para a gente analisar o que já é fato público e notório e, inclusive, confirmado pelos próprios envolvidos com as versões que cada um conta.

Os textos já não deixam mais dúvidas quanto:

a.- O filho da Erenice formalizou contrato de prestação de serviços para intermediar renovação de contratos da MTA junto aos Correios, descrevendo, inclusive, a forma de remuneração:

b.- O chefe dos Correios confirmou que houve a intermediação;

c.- O empresário Fábio Baracat teve encontro com Erenice durante o período em que tentava obter a renovação dos contratos em favor da MTA;

d.- Foi firmado um contrato de intermediação (item a) por Israel Guerra em que, além do pagamento mensal, havia uma “taxa de sucesso” de 6% caso a intermediação obtivesse êxito.

Claro, claro, tudo foi desmentido pelo governo que se mobilizou intensamente para afastar o episódio de Dilma Roussef, muito embora, ATENÇÃO IMPRENSA, tudo tenha acontecido exatamente enquanto Dilma era ministra da Casa Civil. Erenice diz que vai processar a Revista Veja, há muita indignação, se reputa a reportagem a “manobras” político-eleitoreiras, etc., etc., e todas as baboseiras de costume. Mas, fato real mesmo, é que todas as notas oficiais até aqui emitidas, partidas fosse de Erenice, de Dilma, de Israel Guerra, do próprio empresário Fábio Baracat,  não tiveram o dom de desmentir os fatos. Até pelo contrário, confirmam. É que quando esta turma é surpreendida com a mão na massa, além de primeiramente negarem de pés juntos, adoram fazer muito barulho porque pensam que, com truculência, conseguirão defender-se.

Nos episódios noticiados pela Folha, vimos que, apesar das contestações de ontem, em e-mail enviado à revista Veja por Israel Guerra, ele confirma todos os fatos narrados e acaba por se dizer traído pelo empresário. Muito bem, mas é de se perguntar: se os fatos descritos pela Veja são verdadeiros, a traição teria acontecido por que Baracat resolveu divulgá-los à imprensa? É isto?

Por outro lado, e é aqui que o rabo do macaco ficou à mostra, vocês sabem que computador é bicho danado. Por mais que você tente apagar alguns registros, eles, invariavelmente, ficam meio que escondidos, mas estão lá, num cantinho especial. Se uma perícia técnica quiser, poderá reconstruir muita coisa que se imaginava digamos... perdida, ou apagada.

A edição da Veja, que noticiou a tramoia, só veio à tona no sábado, porém, Israel Guerra, na sexta feira, em resposta à revista que lhe ofereceu oportunidade de contestar as acusações de Baracat, no que agiu de forma correta, enviou um e-mail sabem de onde? Vejam que coisa: do... Palácio do Planalto. E, antes de chegar à Veja, o seu primeiro texto foi enviado para ser revisado por Vinicius Castro, que até ontem era assessor jurídico da Casa Civil. Mas vem cá, meu chapa, do Planalto, é?

Será que não dava para ter tido um pouco mais de zelo, já que sua atividade, segundo tenta alegar, se tratava de uma relação comercial privada, não podendo, desta forma, ter nenhum elo de ligação, por mínimo que fosse, com dependências e órgãos do governo? E, se como informa em sua resposta, já se utilizara das dependências do escritório de advocacia de seu tio, não lhe ocorreu conseguir sei lá, a cessão de um computador no mesmo escritório e de lá enviar a resposta para revisão e, mais tarde, para a própria revista? E, reparem, de novo, com o conhecimento de sua mãe, que ela própria informa, ter apenas lido sua resposta.

Isto demonstra que, de fato, a Casa Civil serviu de intermediária e de que está caracterizado um tráfico de influência, formalizado por contrato, entre o filho da que viria tornar-se ministra da própria Casa Civil, e uma empresa privada, com interesse em manter ou prestar serviços aos Correios.

E não venham com este discurso estúpido de se tentar qualificar a Revista Veja como “inimiga” do governo Lula, de tentar golpear a candidatura de Dilma, porque a revista não seria tão imbecil a ponto de forjar uma reportagem mentirosa com tal propósito, porém, tão rica em detalhes, documentos e testemunhos os quais, por suas declarações, os fatos narrados pela reportagem foram e estão sendo confirmados pelos envolvidos. Que o governo Lula tente dar ao episódio outro nome que não tráfico de influência, isto a gente até já está acostumado. Tem sido uma prática costumeira do governo Lula tal comportamento. Ao mensalão, que se tratava de compra de apoio político para aprovação de projetos de interesse do Executivo no Congresso, deu-se o carinhoso nome de “verbas não contabilizadas” para caracterizar como um mero crime eleitoral de caixa 2 que, aliás, não deixa de ser crime, porém de menor expressão. Já para a montagem do dossiê contra FHC e dona Ruth, coincidentemente, bem na época da CPI, Dilma e Erenice batizaram de “banco de dados”. Vamos ver que outro apelido arranjarão para este novo crime feito dentro da Casa Civil. Mas, independente do nome que venham forjar, não apagará aquilo que realmente é, um crime de tráfico de influência.

E a velha sabedoria popular entra em cena novamente, aquela do vendendo facilidades... Vocês sabem!

Interessante a reação de Israel Guerra no dia seguinte: agora, o rapaz já diz que “fui enganado pelo consultor”. Que bonitinho, né, não dá dó? E ainda acusa a Veja de agir de forma aética. Acho que ele quis dizer “anti-ética”, não?, que vem a ser falta de ética. “Aética”? De que dicionário ele tirou isto? Existe um tal dicionário “inFormal”, onde se diz que o português é feito por você (santo Deus!!!!). Nem lá o termo é encontrado.

Encerro lembrando um pensamento bem apropriado de Paul-Jean Toulet :

"A mesquinharia do socialismo é correr atrás não do maior bem, mas do menor mal. "

Tudo a ver!!!

Filho de Erenice diz que foi enganado por consultor

Da Folha de São Paulo. Comentarei em outro post.

O filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, Israel Dourado Guerra, 32, disse ontem à Folha que foi "enganado" pelo consultor de empresas Fábio Baracat.

"Eu fui enganado por aquele rapaz. Ele se dizia dono da empresa, se dizia ser sócio. Ele se mostrava como um empresário bem sucedido, bem intencionado", afirmou o filho de Erenice.

"É triste fazer parte de um joguete. A gente está vendo aí essa onda de denuncismo, essa coisa baixa, essa campanha sem propostas, só com acusações, com ilações, com documentos falsos. Enfim, é uma coisa muito triste o que a gente está vivendo hoje no Brasil, com o país se desenvolvendo na forma que vai. Mas a política, alguns veículos [de comunicação] se comportando da forma mais aética possível."

Ele também negou ter recebido recursos da empresa de transporte aéreo de cargas MTA. Já em e-mail que ele próprio enviou à revista "Veja" na sexta, Guerra admite a emissão de notas fiscais.

Procurado pela revista para falar sobre os negócios mantidos com Baracat e a empresa MTA, Israel Guerra confirmou ter trabalhado para a empresa MTA. Disse que a autorização da empresa para voar estava vencida, e que Baracat pediu sua ajuda para resolver o problema.

Guerra explicou ter apresentado a Baracat a possibilidade de fazer um pedido direto à presidência da Anac, desde que a empresa MTA estivesse em situação regular na Receita Federal.

Para ser remunerado pelo serviço, Guerra diz no e-mail ter emitido notas em nome da empresa de seu irmão, Saulo, a Capital Consultoria.

Guerra escreveu na mensagem à revista: "Eu construí a argumentação e o embasamento legal da referida peça e a encaminhei ao representante legal da empresa aqui na cidade de Brasília, que a protocolou no órgão competente. Por razão deste serviço prestado, solicitei a gentileza de meu irmão, que a Capital emitisse nota fiscal contra a pessoa jurídica indicada pelo senhor Fábio Baracat para cobrança do pagamento".

Ontem, numa curta entrevista à Folha, Guerra apresentou nova versão. Ele contestou as informações, divulgadas por "Veja", de que a MTA repassou dinheiro à sua empresa. "Elas não procedem. E o meu sigilo vai comprovar. Não só o sigilo meu, como o da própria empresa." Guerra fez críticas a Baracat.

E-mail de defesa de filho de Erenice foi revisado no Planalto

Por Andreza Matais, para a Folha de São Paulo. Veja comentário sobre esta e a notícia anterior, no post seguinte.

O e-mail encaminhado por Israel Guerra, filho de Erenice, para a revista "Veja" na última sexta foi revisado em um computador do Palácio do Planalto.

Antes de ser encaminhado à revista, a mensagem foi enviada por Israel para Vinícius Castro, que era até ontem assessor jurídico da Casa Civil. Vinícius, segundo a revista "Veja", era parceiro de Israel nas atividades de lobby.

No arquivo do computador em que o texto foi digitado consta como autor a sigla "PR". A assessoria da Casa Civil confirmou à Folha que se trata da Presidência da República e que o texto foi revisado por Vinícius porque ele também estava envolvido na história.

A ministra Erenice Guerra (Casa Civil), mãe de Israel, também avalizou a resposta encaminhada à revista, mas segundo a assessoria ela apenas leu a resposta.

No e-mail, Israel Guerra responde aos questionamentos da revista sobre sua atividade.

Abaixo, texto do e-mail enviado por Israel Guerra à revista "Veja".

No final do mês de dezembro do ano de 2009, o sr. Fábio Baracat, me procurou com o problema de que a empresa ao qual se dizia sócio, e que inclusive, apregoava que estava assumindo o controle total, a MTA Linhas Aéreas, estava quase expirada sua autorização para voar e solicitando ajuda no sentido de trabalhar e resolver tal situação. Informei ao senhor Fábio que, estando cumpridas todas as regras e requisitos de segurança operacional, havia a possibilidade legal prevista na legislação vigente, da concessão de outorga pelo Diretor Presidente da ANAC, pelo expediente AD REFERENDUM, conquanto a empresa também estivesse regular quanto suas obrigações jurídico fiscais. Eu construí a argumentação e o embasamento legal da referida peça e a encaminhei ao representante legal da empresa aqui na cidade de Bsb, que a protocolou no órgão competente. Por razão deste serviço prestado, solicitei a gentileza de meu irmão, que a CAPITAL emitisse nota fiscal contra a pessoa jurídica indicada pelo senhor Fabio Baracat para cobrança do pagamento. Os documentos fiscais e contábeis, encontram-se a disposição para eventuais esclarecimentos.

Cumpre informar que conheci o sr. Fabio em meados de 2008, apresentado a mim pelo meu amigo e compadre Vinicius e que durante certo período, foi de meu círculo de amigos, tendo inclusive, sido apresentado em momento social, a minha mãe, que a época, era Secretária Executiva da Casa Civil, na condição de amigo meu, nada mais do que isto.

Ressalto que não houve a busca por clientes, mas sim, um suposto empresário, que a época se dizia um amigo, que na verdade era um agenciador de cargas para a mencionada empresa aérea, solicitando a produção de um trabalho, junto a área do direito aeronáutico que eu detenho relativo conhecimento, e este trabalho foi produzido e apresentado de maneira satisfatória ao órgão regulador pelo procurador constituído a época dos fatos. Me foi perguntado, se já havia recebido "empresários" e feito negociatas no escritório Trajano e Silva. Informo que isto nunca ocorreu, já fui lá inúmeras vezes, visto que meu tio trabalha no referido escritório e sou bacharelando em Direito, sendo que constantemente, vou ao escritório para a complementação de minha graduação e que, inclusive, a época em que fiz o trabalho acima mencionado para o senhor Fábio, solicitei a permissão de recebê-lo na sala de reuniões do escritório, visto que não dispunha de espaço razoável para expor o trabalho feito ao referido "empresário" Fábio Baracat.

Por último esclareço, que a época da constituição da CAPITAL, meu irmão me solicitou que esta fosse registrada no meu endereço residencial, em razão da impossibilidade financeira de estabelecer o escritório numa sala comercial, ademais, meu irmão me informou que deu entrada no encerramento da empresa já no início deste ano corrente.

Espero ter respondido aos questionamentos.

Atenciosamente,

Israel Guerra

Caso Erenice e o detalhe ignorado

Certamente, a turma da imprensa que está fuçando sobre o mais novo escândalo na praça, e prá variar, envolvendo a turma do PT,  parece que ou leram parte da reportagem da revista Veja sobre as armações de dona Erenice Guerra & Cia Familiar, ou, se leram a reportagem, passou lotada num aspecto de significativa importância. E a gente percebe isto seja pelo que está sendo escrito ou, pelas perguntas que têm sido feitas à dona Dilma Rousseff.

Assim, convido o leitor a rever a matéria da Veja. Está lá tudo perfeitamente descrito, localizando no tempo cada evento deste episódio lamentável. Desde o contato inicial do representante (ou sócio?) da MTA,  Fábio Baracat com a turma do lobby até o pagamento inicial, feito em 17 de dezembro de 2009, dona Erenice não era ministra da Casa Civil. Quem chefiava a Casa Civil, neste período em que os fatos narrados aconteceram era justamente ... DILMA ROUSSEF. Ou seja, quem deveria responder pelos atos de dona Erenice Guerra era a atual candidata governista à sucessão de Lula. Se como a própria Dilma sempre afirmou, Erenice foi seu braço direito desde os tempos em que atuaram no Ministério das Minas e Energia e, mais do que isso, sua amiga, ou Dilma foi traída (o que seria inacreditável!), ou, se sabia, foi conivente com o tráfico de influência, tonarndo-se ela própria, tão ou mais culpada do que a própria  Erenice.

No debate realizado pela Rede TV/Folha de São Paulo, domingo à noite, as perguntas foram como se Erenice, na época dos fatos narrados por Fábio Baracat, já fosse ministra da Casa Civil, o que não é verdade, já que Dilma se desligou da função somente em abril deste ano, de acordo com o que determina a lei eleitoral, para concorrer como candidata da coligação governista. 

Dada a proximidade de ambas, é crível acreditar que Erenice tenha feito toda esta tramóia, com participação do próprio filho, sem que Dilma, em tempo algum, tenha sequer desconfiado de alguma coisa, ou sequer tenha conhecido mesmo todas as ações de sua assessora e amiga? Mesmo que tal hipótese pudesse ser admitida, e dado a ação traíra de Erenice, não há mesmo como ser mantida no cargo.

Mas seria interessante que a imprensa pressionasse um pouco seus questionamentos junto à Dilma Rousseff, uma vez que, e isto opróprio texto da reportagem de Veja deixa evidente,  tudo se deu enquanto Dilma ainda era ministra-chefe da Casa Civil, o que faz com que o episódio assuma outra conotação, muito mais grave ainda. 

E ainda tem gente que prefere o capim do atraso

Adelson Elias Vasconcellos

Há um comercial rodando nas tevês abertas do país, em que a turma do PSOL tenta, de forma bastante infeliz, associar os plantadores de soja e algodão aos crimes contra a natureza.

Como em toda a atividade profissional e empresarial, há bons e maus. Na política, então, a regra a gente até sabe bem qual é.

O comercial é de um mau gosto absurdo, e entendo que deveria até ser retirado do ar, por praticar uma calúnia infame contra a atividade responsável não apenas pelo baixo custo de vida no país, apesar do governo achar que não, tanto que incentiva a violência rural financiando o MST, como ainda por ser protagonista principal pelo que ainda nos resta de saldo positivo na balança comercial, cuja consequência maior, como comprovado, tem permitido ao país amealhar mais de 200 bilhões de dólares de reservas internacionais, permitindo-nos usufruir a atual estabilidade econômica que faz a alegria dos mais pobres do país.

Na mensagem final, os cretinos e ignorantes – e não há outra forma educada para defini-los – apresentam como mensagem a necessidade de se praticar uma reforma agrária no país. E nada mais. Ora, pergunto: reforma agrária prá quê? Ou será que estes jumentos imaginam que a reforma agrária será a distribuição de terras e que estas permanecerão intocáveis, improdutivas? Será que a reforma agrária não é justamente para se plantar mais? E que os agricultores beneficiados por esta “reforma” não desejarão se beneficiar do fruto de seu trabalho para terem lucro? E no que a reforma ou não reforma impede o país de ser atualmente um dos maiores produtores de grãos do mundo, com geração de divisas e inflação baixa? E os “beneficiados” pela tal reforma agrária, vão deixar de plantar, ou farão, a exemplo de muitos assentamentos, agredirem com maior furor a própria natureza? Acaso o PSOL sabe do que se passa no Mato Grosso, Pará e Amazonas? E as madeireiras, são menos agressivas?

Ora, é de imensurável estupidez se praticar este discurso imbecil e totalmente superado no mundo de hoje. Que se puna quem, em sua atividade, não respeita a natureza – e aqui poderia enumerar uma série de crimes que maus produtores cometem – é uma coisa. Agora, associar uma atividade totalmente honesta, de imensos e ricos benefícios para o país, onde os mais pobres é que são os mais contemplados, com a depredação da natureza, é pura vigarice.

Não sei se a senadora Kátia Abreu, da Confederação Nacional da Agricultura, já teve o desprazer de assistir a este comercial. Até acredito que não. Porém, alguém próximo a ela deveria alertá-la para que, imediatamente, ingressasse na Justiça pleiteando a concessão de liminar com a suspensão e retirada do ar imediata desta mensagem mentirosa sob qualquer ângulo que se possa analisar.

Acredito que gente que defende tais “pensamentos” deva, sei lá, comer capim natural, e até seria interessante se pesquisar a respeito, porque só de vento e de ideologias absurdas é que não pode ser. Se é em defesa da natureza que esta gente pretende levantar bandeira, por que, por exemplo, não protestam contra as atividades de garimpo, dez mil vezes mais destrutivas e sem retorno positivo de nenhuma espécie para a sociedade? Sem falar do contrabando de minérios e pedras preciosas que praticam.

Para que se tenha ideia da grandeza e da importância do agronegócio para o país, confiram os seguintes dados abaixo, fornecidos pelo próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As exportações do agronegócio brasileiro registraram no mês passado o melhor resultado já conseguido em meses de agosto. Com US$ 7,305 bilhões em vendas, superou em 8% o antigo recorde alcançado em 2008. Em relação ao mesmo mês de 2009 (sob o impacto da crise financeira internacional), o crescimento foi de 23,3%. As importações tiveram aumento de 40% e totalizaram US$ 1,095 bilhão, deixando a balança comercial de agosto com um superávit de US$ 6,210 bilhões.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), compilados pelo Ministério da Agricultura (Mapa), apontam os setores que elevaram as exportações: sucroalcooleiro (73,8%); de carnes (23,7%); de produtos florestais (37,7%); de café (41,9%); e de cereais, farinhas e preparações (136,3%).

Segundo o Mapa, o destaque foi a quantidade de açúcar embarcada para o exterior, que saltou de 2,1 milhões de toneladas em agosto de 2009 para 3,2 milhões no mês passado.

No acumulado dos primeiros oito meses do ano, as exportações do agronegócio aumentaram 13,6% em relação ao período de janeiro a agosto de 2009, atingindo US$ 49,628 bilhões. As importações cresceram 37,5%, totalizando US$ 8,375 bilhões. O saldo da balança até o final de agosto foi de US$ 41,252 bilhões.

Agora, atenção para este dado: vocês sabem qual é o saldo total em 2010? O superávit da balança comercial no ano chegou a US$ 11,981 bilhões, ou seja, se descontássemos os US$ 41,252 bilhões do saldo provocado pelo agronegócio, a balança comercial brasileira seria deficitária. Aliás, seria deficitária há pelos 5 ou 6 anos, e pode-se imaginar os imensos prejuízos para a economia do país e sua estabilidade, com graves consequências para os mais pobres da população.

A insanidade desta gente parece não ter limites. O grande ranço das esquerdas sempre foi a imensa inveja e preconceito para os que, com trabalho honesto e competência, conseguem ganhar dinheiro, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento do país.

O diabo é que o tempo passa, deixa infindáveis lições para aprenderem e tomarem juízo, mas não adianta: continuam professando suas cantilenas de atraso, que o mundo já sepultou faz tempo. Em vez de progresso e qualidade de vida, fazem opção pelo capim natural, de preferência light, que é para não ficarem empanturrados e obesos com tanta ignorância.

Uma meta para o próximo presidente: todo aluno sai da escola alfabetizado

Gustavo Ioschpe, Revista Veja

Esta eleição para presidente trouxe de volta algo que não se via desde o tempo da República do Café com Leite. Pela primeira vez depois da redemocratização, não há uma questão candente que divida os candidatos. Essa modorra dá a impressão de que as questões estruturais do Brasil já estão resolvidas, ou pelo menos encaminhadas, e transforma o debate sobre os rumos da nação em uma conversa que se assemelha a uma escolha de gerente de banco. Cada um quer mostrar que administra melhor ou que é o mais adequado para manter o que está dando certo.

A percepção de que agora basta gerenciar é ilusória. A maioria dos brasileiros ainda não se deu conta, mas estamos em guerra, e uma guerra total em pelo menos uma frente, a da deseducação. Mesmo que mantenhamos a inflação sob controle e o superávit primário: mesmo que resolvamos todos os gargalos de infraestutura e que tomemos a tributação mais racional; mesmo que acabemos com a corrupção, os problemas na saúde pública e a violência urbana; ainda assim não nos tornaremos um país de Primeiro Mundo se continuarmos formando tão poucos jovens e com qualificação tão baixa.

Grosso modo, só há duas maneiras de fazer uma economia crescer. A primeira é aumentar os fatores de produção (trabalho e capital). A segunda é aumentar a produtividade. A longo prazo, só a segunda é sustentável. Sempre é possível colocar mais gente no mercado, trabalhando mais horas, e mobilizar mais capital, mas essas alternativas têm um limite, que é a finitude dos fatores. Para superá-lo, é preciso ser mais produtivo, alcançar um resultado maior com os mesmos insumos. O caminho para o aumento sustentado de produtividade é um só, a educação.

Nesse quesito, estamos falhando barbaramente. Os dados são ruins em todos os níveis. Na pós-graduação, área responsável pela geração da pesquisa que leva à produção de bens de alto valor agregado, temos apenas 58.000 pessoas fazendo doutorado em todo o país _ e 31.000 destas concentradas em apenas dois estados (SP e RJ). Segundo os últimos dados da Unesco, no Brasil há 213.000 pessoas envolvidas em pesquisa. A China tem 1,5 milhão, no Japão são 935.000 e na Rússia, 916.000. Para piorar, ainda que o volume de pesquisa venha crescendo, ela tem na maioria das vezes um interesse meramente acadêmico, com pouca ou nenhuma relevância para o mundo real, o nível de graduação, a taxa de matrícula no Brasil anda em tomo dos 20%, enquanto mesmo países subdesenvolvidos como Peru, Chile e Venezuela têm o dobro disso. Os países desenvolvidos estão na casa do 60%, 70%, superados apenas por Coreia do Sul e Finlândia, ambos próximos dos 100%.

O setor universitário brasileiro é tão mirrado. em parte, porque formamos muito pouca gente no ensino médio. É um nível de ensino arcaico, academicista, que entope o aluno com um currículo muito extenso e ensina pouco. E o faz dentro de um único modelo, sem dar ao estudante a opção de um curso de viés técnico ou profissionalizante.

Hoje o ensino médio nos países desenvolvidos prepara para a vida, não apenas para a universidade. No Brasil, não se faz uma coisa nem outra. A qualidade do ensino é sofrível. No teste Pisa, que analisa o aprendizado de alunos de 15 anos de idade em 57 países, o Brasil ficou em 54° em matemática, 52° em ciências e 49° em linguagem.

O ensino médio é limitado porque, além da sua rigidez e arcaísmo conceituais, poucos estudantes chegam até ele, oriundos do ensino fundamental. A baixa qualidade do nosso ensino faz com que os alunos repitam o ano múltiplas vezes, até que desistam e abandonem a escola. Já nos últimos quatro anos do fundamental, em que os alunos deveriam ter entre 11 e 14 anos de idade, um em cada quatro tem 15 anos ou mais. Esse é um contingente de incríveis 3,6 milhões de pessoas.

Esse problema não começa nos anos derradeiros da escolarização, mas vem desde o seu início. Temos aí o dado que é o mais cabal indiciamento das nossas possibilidades de sonhar com a construção de uma Roma tropical: as pesquisas que medem o grau de alfabetização da população mostram que só um em cada quatro brasileiros é plenamente alfabetizado. Setenta e cinco por cento da nossa população não conseguiria entender uma matéria desta revista. Não pense que isso é apenas rescaldo de tempos passados, que se trata de gente idosa que não foi à escola. Não. Até hoje a maioria das escolas brasileiras não consegue ter êxito na tarefa de alfabetizar seus alunos nos dois primeiros anos de estudo. Os dados do Saeb do ano passado mostram que quase sete em cada dez alunos não alcançam o nível de conhecimento de português considerado ideal pelo Compromisso Todos pela Educação. É um susto, não? Pois, agora, sente-se. O mesmo estudo revela que 25% dos alunos da 4ª série são basicamente analfabetos (depois de quatro anos de escola!).

O insucesso na alfabetização de crianças, em pleno ano de 2010, não é apenas um dificultador do desenvolvimento. É uma verdadeira chaga coletiva, uma vergonha nacional. A “tecnologia” da alfabetização em massa para crianças já foi dominada por alguns países em desenvolvimento. Há 100 anos esse passo foi dado na Argentina e no Uruguai _ e, em muitos países desenvolvidos, há 200 anos. Se a medicina brasileira estivesse no mesmo nível de desenvolvimento da educação, ainda operaríamos sem anestesia e usaríamos sanguessugas. Se fosse na nossa indústria automotiva, estaríamos na etapa do motor a vapor. É uma situação incompreensível, e totalmente inaceitável. O que mais desafia a compreensão é que já existem, no Brasil, dezenas de escolas e professores, mesmo em regiões paupérrimas, que alfabetizam 100% de seus alunos na 1ª série. Há ONGs que atacam o problema com altas taxas de sucesso. Portanto, existem soluções aqui mesmo. Elas são perfeitamente replicáveis, a baixo custo.

Uma das tragédias do subdesenvolvimento, ainda mais em um país democrático. é que as demandas populares são sempre maiores do que a capacidade do país de atender a elas. Isso gera uma tentação para que as lideranças políticas abdiquem de uma de suas funções cardinais, que é escolher prioridades. O excesso de problemas da nossa educação é um convite ao populismo: qualquer líder que não ataque simultaneamente todos os problemas educacionais corre o risco de ser tachado de desalmado ou elitista. E aí seguimos em uma rotina em que se faz de tudo um pouco, menos o essencial. Porque o essencial, que é fazer com que os alunos aprendam e assim saiam da escola preparados para o mundo, requer alterações radicais, que provocam protestos das corporações do ensino. Podemos tocar o barco assim por certo tempo, mas algum dia, mais cedo do que tarde, o crescimento do Brasil será interrompido pela falta de gente qualificada. Quando notarmos, será tarde. Teremos perdido mais uma geração. Ou podemos reconhecer que a educação é uma área prioritária para qualquer país, e que nela o Brasil vai muito mal.

O presidente americano John Kennedy (1917-1963) prometeu colocar um homem na Lua e trazê-lo de volta a salvo. O estadista inglês Winston Churchill (1874-1965) urrou como um leão que seu país nunca se renderia aos agressores nazistas. Nelson Mandela traçou como objetivo de vida de ter uma África do Sul sem a odiosa mancha do racismo. As visões grandiosas desses líderes tornaram-se também as de seus povos. Que não seja apenas um sonho termos um dia um líder brasileiro que assuma o seguinte compromisso: “Ao fim do meu mandato, nenhuma criança sairá do 2° ano da escola sem saber ler e escrever”. Tenho confiança de que essa é uma visão capaz de mobilizar a sociedade brasileira. A alfabetização não é condição suficiente para o nosso desenvolvimento, mas é necessária. Indispensável. E, com ela, boa parte dos demais problemas – não só da educação, mas da infraestrutura, da saúde e de quase todas as áreas – já começaria a se resolver. Depois da primeira vitória militar inglesa contra tropas nazistas na batalha de EI Alamein, no norte da África, em 1942, Churchill resumiu brilhantemente o estágio da luta contra Hitler: “Não é o fim. Não é nem o começo do fim. Mas talvez seja o fim do começo”.

No Brasil do século XXI, a alfabetização pode ser o primeiro e decisivo passo na construção de um país que encontra o futuro e se reconcilia com a história.

A marcha da insensatez e a estupidez protetora

Sandra Cavalcanti (*)

No ano de 1984, Barbara W.Tuchman premiou o mundo com um livro que, além de surpreendente, é admiravelmente bem escrito: “A marcha da insensatez”. Obra para ser lida e relida, dedicada aos que se interessam pelos caminhos da humanidade e procuram explicações para a insensata adoção, por muitos governantes, de políticas contrárias aos seus próprios interesses.

A autora oferece quatro episódios da história mundial como exemplo de momentos muito emblemáticos. (1) Os troianos puxam o misterioso cavalo de madeira para dentro dos muros de Troia. (2) Os Papas da Renascença não captam a importancia das vozes reformistas e não impedem a cisão protestante. (3) A arrogância dos lordes ingleses detona o processo de libertação da América do Norte. (4) Os americanos se atolam no Vietnã.

Como entender que, com poder de decisão política, alguns ajam tão frequentemente de forma contrária àquela apontada pela razão e pelos próprios interesses em jogo? Por que o processo mental dessas inteligências, também tão frequentemente, parece não funcionar ?

O último capítulo do livro – Uma lanterna de popa – oferece ao leitor conclusões bastante melancólicas sobre os relatos e feitos analisados. Uma dessas conclusões sustenta a tese de que, entre as causas que mais contribuem para a insensatez política, a principal é a ambição do poder.

A ambição do poder é definida por Tácito como sendo a “mais flagrante de todas as paixões”. Ela só se satisfaz quando exerce o poder sobre os demais seres humanos. Governar acaba sendo a melhor forma de exercer o poder sobre as pessoas.

Ganhar muito dinheiro, ou conseguir muita fama, também oferece satisfação de poder. Mas isso só se forem muito bem-sucedidos. Nos casos comuns, embora o dinheiro lhes propicie alta posição social e luzes de fama, fica faltando o domínio sobre os demais. O real domínio, que só o ato de governar lhes oferece!. O domínio sobre os outros significa, para os governantes, o verdadeiro poder que ambicionavam. Por isso desejam-no ardentemente e conquistam-no a duras penas. Depois, lamentavelmente, se revelam incapazes de exercê-lo sobre si mesmos.

Nenhuma alma, segundo Platão, consegue resistir ao excesso de poder. Para livrá-la da insensatez, só a garantia das leis. Sem essas garantias, o excesso de poder conduz à desordem e à injustiça. Toda insensatez começa assim...

Maquiavel, que sabia das coisas, dizia que todo governante “deve ser um grande perguntador, escutar pacientemente a resposta sobre o que perguntou e manifestar sua ira ao verificar que lhe ocultaram a verdade”.

No mundo de hoje, qualquer titular de governo enfrenta muitíssimos problemas. Às vezes, fica difícil a compreensão clara e sólida de muitos deles. Não sobra tempo para pensar e refletir. Além disso, o grupo que cerca o chefe só age em função de decisões que possam lhe garantir prestígio político e força eleitoral. E, dizia Maquiavel, “se ele fica à mercê do grupo que o cerca, ele abre caminho para uma situação que alguns estudiosos definem como ESTUPIDEZ PROTETORA".

A estupidez protetora é a responsável pelo fato de o Presidente não fazer muitas perguntas, não escutar pacientemente as respostas e não ficar irado quando verifica que lhe ocultaram a verdade .

A nossa Marcha da Insensatez vem sendo liderada, lá do Planalto, por um grupo assim, todos movidos exclusivamente pelo objetivo de permanecer no poder. Põem em prática, como nunca antes, todos os famosos Princípios de Dominação pela Propaganda, seguidos por Goebbels, Stalin, Mao, Fidel e tantos outros.

Não se pode negar que, às custas de bilhões de reais, os efeitos dessa propaganda estão sendo alcançados. Lula nunca sabe de nada. E, quando sabe, passa a mão pela cabeça dos culpados e, irado, até se atreve a querer calar o Estadão, o mais corajoso e livre órgão de imprensa do Brasil!

O mais triste, ainda, é que apesar de todos os escândalos, da mais deslavada corrupção, da mais desavergonhada compra de consciências, da mais cínica postura em relação às leis, o brasileiro continua calado e anestesiado. A voz do país ainda não se fez ouvir. Misteriosas e oportunas pesquisas de opinião dão a entender que o povo está feliz, achando que tudo vai bem. Mesmo com os problemas da assistência à Saúde. Mesmo com os níveis desastrosos da Educação. Mesmo com a vergonha da infraestrutura dos transportes. Mesmo com o aumento apavorante da violência. Mesmo com os portos ainda travados. Mesmo com as dívidas públicas não pagas. De onde vem, então, essa apregoada visão positiva de um governo tão vulnerável?

Vem da força terrível da propaganda. Da prática imoral da dominação de um povo pelas artimanhas, armadilhas e artifícios da mais poderosa e cara máquina estatal de propaganda governamental jamais montada antes no Brasil! Nem na ditadura de Vargas, nem no período militar. O grupo de Lula só tem um objetivo: continuar no poder. Como? Essa ambição é que leva à insensatez.

Sabendo que seria perigoso prorrogar o seu mandato, trilhando, desde logo, o mesmo caminho de Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa e outros do mesmo time, o Presidente não hesitou, ditatorialmente, em afrontar a sua própria gente! Impôs uma candidatura ao PT. Derrubou os procedimentos democráticos usados pelo partido. Quem xingava tanto as oligarquias conservadoras, cometeu a insensatez de imitar os troianos, os Papas da Renascença, os lordes ingleses e o atoleiro do Vietnã! Mas a História é implacável. Sempre há um cavalo de pau. Um Lutero. Um Washington. Um drama em Saigon. Sempre há!

(*) Sandra Cavalcanti é professora, foi deputada federal constituinte, secretária de Serviços Sociais no governo Lacerda, fundadora e presidente do BNH.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Excelente artigo de Sandra Cavalcanti. Vem de encontro a tudo tem se dito neste espaço em relação ao projeto de poder que Lula tem comandado desde 2003. Aliás, a bem da verdade, o trabalho já começou bem antes disso. É um processo que segue um método, aquele que o comunista Gramsci difundiu, e o anestesiamento da consciência da sociedade, estamos vendo, vai solapando a capacidade de reação desta mesma sociedade.

Claro que não se levou em conta a natureza mesma do ser humano que sempre irá aspirar por liberdade.  A difusão deste sentimento, que nos é inerente, pode até ser contido, por um certo tempo. Quem com a liberdade pode um dia viver, pode até aceitar ser dela privado, mas de forma temporária. O Brasíl é rico em exemplos.

Assim, repetindo o que afirmei aqui, o resultado destas eleições é o que menos importa, muito embora ele abra as portas para aceleração do processo de tomada do poder pelas esquerdas. O que deve ficar bem claro é que as instituições e parte da sociedade, não aceitarão tão passivamente que a nossa democracia seja solapada,  e se tal desastre vier acontecer,  haverá pesado movimento de resistência visando sua restauração.

Um mundo difícil à frente

Armando Castelar Pinheiro, Valor econômico

O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre surpreendeu para cima, crescendo à taxa anualizada de 4,9%, acima dos 2,8% esperados pelo mercado. A surpresa positiva não elimina, porém, o fato de que houve uma desaceleração considerável no ritmo de expansão da atividade econômica, que fica mais evidente quando se considera que quase todo o crescimento no trimestre, pelas estimativas do Banco Central (BC), resultou de um carrego estatístico. Também importante, parcela relevante da variação do PIB adveio do acúmulo de estoques, parte do qual pode ter sido involuntário.

O Brasil não foi o único país a experimentar essa desaceleração: os EUA, o Japão, o Canadá e a China, por exemplo, também passaram pelo mesmo processo. A história por trás disso varia entre os países, mas no todo é um sinal de que a economia mundial deve perder dinamismo na segunda metade do ano e, possivelmente, em 2011, quando o fim do ciclo de estoques e uma política fiscal mais restritiva devem funcionar como um freio adicional à expansão do PIB. Isso ocorre em um momento em que o hiato do produto, uma forma sintética de medir o grau de ociosidade de uma economia, é elevado nas economias do G-3, acendendo o temor de que essas mergulhem num demorado processo de desinflação, que complique ainda mais a digestão do elevado endividamento de famílias, sistema financeiro e governo.

O reflexo disso será um quadro econômico e político volátil e incerto. Mesmo que o mundo desenvolvido não vire o Japão desta década, o crescimento mundial deve ser baixo por muitos anos. Isso manterá as taxas de desemprego elevadas por um período longo, levando à perda de capital humano e grande insatisfação de parcela significativa dos eleitores. A demanda por protecionismo e novas formas de “política industrial” vai se intensificar, especialmente nos EUA, onde o elevado déficit em conta corrente é visto como um ralo pelo qual escoam os empregos que faltam internamente. Isso vai ocorrer em um ambiente em que as empresas se defrontarão com um quadro regulatório em transformação, com o aumento da carga tributária, para fazer frente à dívida pública crescente, e novas normas para o setor financeiro, que podem restringir a oferta e aumentar o custo do crédito.

A taxa básica de juros no G-3 vai continuar baixa e, provavelmente, os bancos centrais, em especial o Federal Reserve (Fed, banco central americano), vão tentar novas formas de afrouxamento quantitativo, possivelmente envolvendo papéis privados, quiçá ações. Em um segundo momento, combinado com a queda do crescimento potencial, esse pode ser o combustível de uma aceleração inflacionária, que até certo ponto pode interessar a governos endividados. Mas esse é um capítulo à frente.

Quando os historiadores olharem para esses anos, possivelmente o resumirão com uma baixa taxa média de crescimento. Para quem os viver, porém, a experiência será predominantemente bipolar, oscilando entre a frustração com indicadores negativos e a euforia com novas iniciativas governamentais de combate à crise. No mercado financeiro, que vive de dados de alta frequência, essa sensação de bipolaridade pode se tornar especialmente acentuada.

Nesse quadro, o polo dinâmico da economia mundial vai migrar para a Ásia emergente, liderada por China e Índia. Pelas projeções do FMI, essa região deve crescer a uma taxa média de 8,6% em 2010-15, contra apenas 2,4% nos países ricos. Para a China, em especial, o Fundo prevê uma expansão médiade 9,6% ao ano. Esse bom desempenho chinês, e asiático em geral, deve funcionar como uma das âncoras das economias latino- americanas, mantendo seus termos de troca em patamar relativamente alto e puxando suas exportações. Para Chile, Peru e Brasil, em que a China responde por entre 20% a 37%do total das exportações, a Ásia vai se tornando mais importante para determinar o comportamento do comércio exterior do que parceiros tradicionais como os EUA e a Europa.

A América Latina também deve se beneficiar do grande influxo de capital externo, em busca de rendimentos elevados, em uma região em que os juros e o crescimento devem ficar bem acima dos países ricos. Isso vai estimular o crédito e o investimento, elevar a renda real e tornar a demanda doméstica a principal fonte de dinamismo da economia , mas também vai fortalecer as moedas locais e ampliar os déficits em conta corrente. Por aqui também vai haver uma intensa demanda por protecionismo e políticas industriais, voltadas para compensar a perdade competitividade dos setores mais afetados pelo câmbio, assim como a reconhecida falta de mão de obra qualificada e de infraestrutura de boa qualidade.

A questão que se coloca nesse cenário é em que grau as países em desenvolvimento serão capazes de sustentar esse bom desempenho, e um intenso comércio Sul-Sul, enquanto as economias do G-3 ficam estagnadas e com fundamentos fiscais cada vez piores. Para a América Latina, em adição, há o problema perene da baixa taxa de poupança, que pode levar a uma dependência insustentável da poupança externa, como em outros momentos no passado.

Para diminuir os efeitos do espetáculo do cinismo, tome um pouco de Duda Mendonça

Augusto Nunes, Revista Veja

Sempre longe do local do emprego, disputando o terceiro mandato com o patrocínio do governo e o codinome Dilma Rousseff, o presidente Lula protagonizou nesta segunda-feira, em Criciúma, outro capítulo surreal do espetáculo do cinismo: “Quando tem roubo a gente pega”, fez de conta. “Vocês viram o que aconteceu agora no Amapá. Houve um tempo em que era mais fácil levantar o tapete e jogar tudo para baixo. Agora não”.

É muito atrevimento. Se no Brasil se pegasse quem rouba, cairia dramaticamente a densidade demográfica do palanque de Dilma Rousseff. Quem vê as coisas como as coisas são enxergou no Amapá a prisão de aliados do orador. Foram capturados pela Polícia Federal, não pelo Poder Executivo. Se dependesse do presidente, iriam todos para baixo do tapete que há quase oito anos não para de acolher bandidos de estimação.

A bravata em Criciúma foi desmoralizada no mesmo dia por outro pontapé na verdade. Alheio à montanha de provas, evidências e indícios veementes, Lula decidiu que Erenice Guerra nada fez de errado e não existem, portanto, motivos para afastá-la da Casa Civil. Em países menos primitivos, uma Erenice jamais seria ministra. Se por acaso fosse, não escaparia da exoneração caso desse um único telefonema para favorecer parentes. Como estamos no Brasil, vai continuar acumulando a chefia da Casa Civil e a presidência interina.

No comício em Santa Catarina, o orador embutiu na imaginária herança maldita até a impunidade dos delinquentes aliados, institucionalizada pela Era Lula. Se os partidos oposicionistas fizessem oposição, teriam reapresentado no horário eleitoral, na mesma noite, alguns dos piores momentos da CPI do Mensalão. Entre eles figura o depoimento do publicitário Duda Mendonça, que apareceu espontamente no Congresso, no dia 11 de agosto de 2005, para contar como foi sua participação no Pai de Todos os Escândalos.

“Quando tem roubo a gente pega”? Pega nada, berram os vídeos. O marqueteiro do rei revela que, para receber os milhões de dólares que cobrou para inventar o Lulinha Paz e Amor na campanha de 2002, foi forçado a abrir contas em paraísos fiscais pelo vigarista Marcos Valério e pelo companheiro Delúbio Soares, tesoureiro do PT. O dinheiro continua em lugar incerto e não sabido. Os vilões nunca foram punidos. O principal beneficiário da maracutaia segue espancando a verdade. Na versão original e definitiva, está no meio dos bandidos. Na remontagem mambembe, aparece fantasiado de xerife.

DUDA MENDONÇA NA CPI




DUDA MENDONÇA NA CPI 2

Escritório do irmão foi contratado por 'emergência', diz irmã de Erenice

Leandro Colon, Estadão

Maria Euriza autorizou contratação de banca sem licitação

A advogada Maria Euriza Alves Carvalho, irmã da ministra Erenice Guerra (Casa Civil), informou nesta segunda-feira, 13, que autorizou o governo a contratar sem licitação o escritório de advocacia do irmão delas por questões de "emergência". "Dada a emergência, foram consultados escritórios que pudessem, com a urgência que o caso requeria, realizar a tarefa", disse em nota divulgada nesta segunda.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou nesta segunda-feira que, no dia 1.º de setembro de 2009, Maria Euriza autorizou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a contratar, sem licitação, o escritório Trajano e Silva Advogados, com sede em Brasília, por um valor de R$ 80 mil. Entre os advogados do escritório está Antônio Alves Carvalho, irmão de Maria Euriza e da ministra Erenice Guerra. Na época, Maria Euriza era consultora jurídica da EPE.

A contratação sem licitação do escritório do irmão de Erenice e Maria Euriza foi publicada em setembro de 2009 no Diário Oficial da União. Está lá escrito: "Aprovada por Maria Euriza Carvalho - Consultora Jurídica." O escritório foi contratado para representar a EPE numa ação judicial movida por uma empresa que brigava para participar de um leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) naquela época. Segundo o edital de contratação do escritório do irmão de Erenice, o contrato era de seis meses e por um valor global de R$ 80 mil.

Maria Euriza justifica a contratação do escritório do irmão. "A dispensa de licitação para a contratação aludida era uma condição, uma vez que se buscava desconstituir uma tutela liminar deferida pelo juiz da 24ª Vara Federal de Brasília, em face do leilão que ocorreria no dia seguinte, portanto, a contratação só podia ocorrer por emergência, condição capitulada na Lei", disse. "Repudio veementemente a chamada da matéria, escrita de forma a dar a entender que contratação foi ilegal em face de dispensa da licitação", afirmou.

O Estado entrevistou o advogado Márcio Silva, um dos donos do Trajano e Silva Advogados e amigo dos irmãos Erenice, Maria Euriza e Antônio Carvalho. Márcio Silva, que também representa a campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) na Justiça Eleitoral, alegou que a EPE teve que recorrer a um escritório às pressas em Brasília para resolver uma pendência judicial em 24 horas.

"Foi feito um convite direto porque era o único contato que tinham em Brasília e a EPE tem sede no Rio de Janeiro", explicou. "Você até pode achar que há algo antiético, mas não houve nenhuma ilegalidade", ressaltou. Segundo Márcio Silva, o valor de R$ 80 mil era uma previsão se o processo chegasse ao Supremo Tribunal Federal. Mas, de acordo com ele, o serviço ficou em R$ 25 mil.

Em nota, a EPE deu a mesma justificativa. "A EPE não possuía representação jurídica na Capital Federal e, dada a urgência em tomar as medidas judiciais antes da realização do leilão, fez-se necessária a contratação, que se ultimou através de processo de inexigibilidade de licitação em razão da notória especialização demonstrada pelo prestador de serviços".

Só afastar rato pequeno não resolve.

Comentando a Notícia

No Estadão.com, conforme se vê abaixo, decidiu afastar a servidora Ana Maria Rodrigues Caroto Cano, da agência da Receita Federal de Mauá,SP, devolvendo-a ao SERPRO.

É bom lembrar que esta servidora é que informou à Delegacia de Polícia Judiciária da Macro São Paulo, que o acesso – ilegal – era para atender ao pedido de “amigos e parentes” – quais amigos e quais parentes também não disse . No depoimento, Ana Maria contou ter sido orientada pela corregedoria da Receita a procurar os donos das declarações violadas e conseguir procurações autorizando as consultas, num procedimento que serviria para "maquiar" os acessos ilegais.

Ora, afastar a servidora, sem que se dê para se saber quem pediu para vio9lasse os sigilos, e quem da corregedoria a instruiu a “esquentar” os sigilos ilegalmente violados, é apostar que o fato será esquecido, enterrado e a devida apuração de responsabilidades e punição dos envolvidos.

Sabemos que o governo Lula tem sido assim ... muito competente em “sepultar” investigações comprometedoras contra seus aliados, principalmente, se no crime, estiver presente alguém do PT. Exemplos não faltam, são muitos.

E, no caso presente, o crime não é comum coisíssima nenhuma, como tentam insinuar tanto a Receita Federal, quanto os senhores Mantega e Lula além da própria Dilma. A coleção de versões mentirosas com que tentaram abafar o caso, e até esconder o crime, é algo mais grave ainda, a demonstrar a compulsão doentia do atual governo para dar seguimento ao seu projeto de estado policial.

Vale repetir aqui, o que venho afirmando desde 2006: Lula foi eleito sob a égide do regime democrático, do estado de direito e com instituições fortes e em conjunção com os ditames da Constituição do país. Tem por obrigação, ao deixar o poder, em deixar o país no mesmo estado em que o encontrou. Sua eleição se deu por opção da maioria da sociedade pelo projeto de GOVERNO que apresentou, e não por um projeto de PODER que ocultou.

Portanto, retirar a servidora do foco não terá o condão de “sufocar” a investigação. Tirá-la do eixo dos acontecimentos, sem que nada mais se apure, é confirmar que não apenas o crime teve propósitos eleitorais, como ainda corrobora que o senhor Lula não tem o menor respeito pela lei e pelas instituições do país. Portanto, sejam os verdadeiros culpados pelos crimes de violações dos sigilos, sejam aqueles que instruíram que as violações fossem “esquentadas”, são perguntas que cabe ao governo responder. Segue a notícia:

Servidora suspeita de violar sigilo é afastada da Receita Federal
(Com informações da Agência Brasil)

Ana Maria Rodrigues Caroto Cano disse em depoimento ter sido induzida a 'maquiar' violações

A funcionária Ana Maria Rodrigues Caroto Cano, uma das suspeitas pela quebra de sigilo fiscal de políticos próximos ao presidenciável tucano José Serra, não trabalhará mais na agência da Receita Federal em Mauá (SP). A Receita pediu nesta segunda-feira, 13, o retorno dela ao Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), órgão ao qual é vinculada.

Na sexta-feira (10), Ana Maria e o marido, o contador José Carlos Cano Larios, prestaram depoimento à Polícia Civil de São Paulo. De acordo com a Delegacia de Polícia Judiciária da Macro São Paulo, a servidora admitiu ter sido responsável pela quebra de sigilo fiscal de contribuintes e afirmou que usava procurações para justificar o acesso ilegal aos dados. Ela e o marido chegaram a ser detidos, mas foram liberados em seguida.

Segundo a polícia paulista, Ana Maria disse ter acessado os dados fiscais a pedido de "amigos e parentes". No depoimento, ela contou ter sido orientada pela corregedoria da Receita a procurar os donos das declarações violadas e conseguir procurações autorizando as consultas, num procedimento que serviria para "maquiar" os acessos ilegais.

A assessoria de imprensa da Receita em São Paulo negou nesta segunda que a dispensa de Ana Maria seja uma punição pelas declarações da servidora à polícia. Ainda de acordo com a Receita, não há uma justificativa para o retorno da servidora ao seu posto inicial.

Tucanos.
A agência de Mauá da Receita foi palco da quebra de sigilo fiscal de quatro tucanos, de Verônica Serra e do genro do presidenciável tucano, José serra. Todos os acessos partiram do computador da servidora Adeildda Ferreira dos Santos, que junto com Ana Maria teria livre acesso a senha da chefe da Agência, a servidora Antonia Aparecida Neves Silva.

Ana Maria e o marido foram levados à delegacia após a polícia ter apreendido pedidos de autorização para acesso à declaração do Imposto de Renda de 23 contribuintes. Os documentos foram encontrados no escritório de contabilidade pertencente a Larios.

Republiquetização do País

Editorial, O Estado de S.Paulo

Não é por acaso que o Gabinete Civil da Presidência da República tem estado envolvido em quase todos os grandes escândalos do governo Lula. A começar pelo mensalão, operado por José Dirceu, até a recentíssima denúncia de descarado tráfico de influência por parte da ministra Erenice Guerra e seus familiares, boa parte de todo o malfeito, do ilegal, da pura e simples corrupção que eclode no governo federal tem o dedo do Palácio do Planalto. O dedo de Luiz Inácio Lula da Silva, o grande responsável pelo desenvolvimento econômico dos últimos oito anos; pela incorporação de milhões de cidadãos antes marginalizados ao mercado de consumo; pela ascensão do País à condição de, vá lá, player importante na diplomacia mundial. Se tudo de bom que se faz no governo é de responsabilidade do "cara", por que apenas o que de errado se faz no governo não tem dono?

Por muito menos do que se tem revelado ultimamente de lambanças com as instituições do Estado e com o dinheiro público um presidente da República foi forçado a renunciar há menos de 20 anos.

Mas com Lula é diferente. Embriagado por índices de popularidade sem precedentes na história republicana, inebriado pela vassalagem despudorada que lhe prestam áulicos, aderentes e aduladores das mais insuspeitadas origens e dos mais suspeitosos interesses, Sua Excelência se imagina pairando acima do bem e do mal, sem a menor preocupação de manter um mínimo de coerência com sua própria história política e um mínimo de respeito pelo decoro exigido pelo cargo para o qual foi eleito.

Sempre que os desmandos flagrados pela Imprensa ameaçam colocar em risco seus interesses políticos e eleitorais, Lula recorre sem a menor cerimônia à mesma "explicação" esfarrapada: culpa da oposição - na qual inclui a própria Imprensa. A propósito das violações de sigilo comprovadamente cometidas recentemente pela Receita Federal - não importa contra quem - não passou pela cabeça de Sua Excelência, nem que fosse apenas para tranquilizar os contribuintes, a ideia de admitir a gravidade do ocorrido e se comprometer com a correção desses desvios. Preferiu a habitual encenação palanqueira: "Nosso adversário, candidato da turma do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos, resolveu partir para ataques pessoais e para a baixaria." Não há maior baixaria do que um chefe de Estado usar o horário eleitoral de seu partido político para atacar, em termos pouco republicanos, aqueles que lhe fazem oposição. E faltou alguém lembrar ao indignado defensor dos indefesos que entre "tudo que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos" estão a Constituição de 1988, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras iniciativas fundamentais para a promoção social e o desenvolvimento econômico do País, contra as quais os então oposicionistas Lula e PT fizeram campanha e também votaram no Congresso.

Enquanto os aliados de Lula e de Sarney - a quadrilha que dilapidou o patrimônio público do Amapá - vão para a cadeia por conta das evidências contra eles levantadas pela Polícia Federal; enquanto os aliados de Lula - toda a cúpula executiva e legislativa, prefeito e vereadores, do município sul-mato-grossense de Dourados - pelo mesmo motivo vão para o mesmo lugar; enquanto na Receita Federal - não importa se por motivos políticos ou apenas (!) por corrupção - se viola o sigilo fiscal de cidadãos e as autoridades responsáveis tentam jogar a sujeira para debaixo do tapete; enquanto mais uma maracutaia petista é flagrada no Gabinete Civil da Presidência; enquanto, enfim, a mamata se generaliza e o presidente da República continua fingindo não ter nada a ver com a banda podre de seu governo, a população brasileira, pelo menos quase 80% dela, aplaude e reverencia a imagem que comprou do primeiro mandatário, o "cara" responsável, em última instância, pela republiquetização do País.

Está errado o povo? A resposta a essa pergunta será dada em algum momento, no futuro. De pronto, a explicação que ocorre é a de que, talvez, o povo de Lula seja constituído de consumidores, não de cidadãos.

Ministra da Casa Civil teve duas empresas quando já ocupava cargos no governo

Fábio Fabrini e Jailton de Carvalho, O Globo

BRASÍLIA - Acusada de escalar uma laranja para o seu lugar numa empresa que atuaria em segurança e arapongagem, a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, foi sócia direta de outras duas empresas enquanto ocupava cargos no governo Lula, a partir de 2003. Paralelamente às funções de consultora jurídica do Ministério das Minas e Energia e de secretária-executiva da Casa Civil, ela foi dona da Razão Social Confecções e da Carvalho Guerra e Representações, firmas com sede em Brasília. Segundo a revista "Veja" , Erenice teria praticado tráfico de influência pela ação do filho, Israel Guerra, na intermediação de contratos entre empresas privadas e o governo.

Erenice foi sócia das empresas a partir da fundação, em 1994, época em que deixou cargo na Eletronorte. Só se desligou delas em 14 de março de 2007, quando já era braço-direito de Dilma Rousseff na Casa Civil. A participação de altos funcionários públicos em empresas privadas, bem como alterações significativas de patrimônio, devem obrigatoriamente ser comunicadas à Comissão de Ética Pública da Presidência, o que é uma incógnita no caso de Erenice.

Procurada nesta segunda-feira, sua assessoria não disse se ela cumpriu as exigências. O objetivo é verificar se há conflito de competência na atuação do servidor. Segundo a Comissão de Ética Pública da Presidência, a declaração de informações de Erenice é sigilosa e só cabe a ela revelar o conteúdo. As duas empresas permanecem ativas na Junta Comercial do Distrito Federal. Atualmente, estão em nome de Gabriela Pazzini e Antônio Eudacy Alves Carvalho, irmão da ministra, que, indicado por ela, ocupou cargo na Infraero até 2007.

Nos registros da Junta Comercial, a Razão Social Confecções faz e comercializa peças de vestuário. Já a Carvalho Guerra atua como representante comercial de cosméticos, medicamentos, calçados, material odontológico e até animais vivos.

Ministra: empresa nunca operou
Nesta segunda-feira, o jornal "O Estado de S. Paulo" mostrou que a ministra teria usado uma laranja para criar uma terceira empresa. Trata-se da Conservadora Asa Imperial, aberta em 1997 em nome de Israel Guerra e da professora Geralda Amorim de Oliveira, cujo nome foi usado só para montar a empresa. A ministra teria justificado, à época, que estava se separando e não gostaria de registrar a empresa em seu nome. Nos documentos da Junta, a Asa Imperial faz segurança privada e "investigação particular". Apesar de constar como ativa, Erenice sustenta que a empresa nunca operou.

A Polícia Federal deverá, até sexta-feira, abrir inquérito para investigar o suposto envolvimento de Israel, filho da ministra, em tráfico de influência no governo . Israel é acusado de intermediar a renovação de um contrato da Master Top Airlines, empresa de transporte aéreo, com os Correios. A PF apurará ainda se há indícios contra a ministra. Mas, neste caso, a decisão de abrir inquérito caberia ao Supremo Tribunal Federal, a partir de parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Nesta segunda-feira, após reunião com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, determinou à Corregedoria Geral que analise as denúncias de "Veja". O corregedor-geral Valdinho Jacinto Caetano deverá ver se há indícios de crime contra Israel, e se o caso é competência da PF. A cúpula da polícia entende que as acusações são fortes e justificam abertura de inquérito. Numa segunda fase, a polícia verá se os indícios atingem Erenice. Então, caberia a Gurgel analisar se os dados são suficientes para propor ao STF abertura de inquérito contra a ministra.

Conversa vai, conversa vem...

Maria Helena R. R. de Souza

Leio na Folha um artigo de Fernando Rodrigues, O lobby livre, sobre o Caso Erenice.

Primeiro ele comenta sobre os lobistas que circulam pelo Congresso, sem nada que os identifique como lobistas. E diz:

"O Brasil não tem lei regulamentando a atividade. Nesse vácuo, proliferam o compadrio, o tráfico de influência e as reuniões sem registro entre agentes públicos e grupos de interesses variados".

No que ele está coberto de razão. Por não regulamentarmos o lobby no Brasil é que aqui acontecem coisas do arco da velha. O lobby é uma instituição que veio para ficar no mundo inteiro; quanto mais às claras for, menos danosa. Mesmo regulada e documentada, sabemos que um lobista e seus contactados causam muitos problemas em vários lugares do mundo.

Agora imaginem aqui onde ele oficialmente não existe!

Continuo com o texto de Fernando Rodrigues:

(...) Um filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, trabalhou na intermediação de contratos entre uma empresa privada e o governo federal. A ministra negou haver irregularidades. A oposição quer a demissão de Erenice. O caso vai longe.

Um aspecto emblemático nesse episódio é a sem-cerimônia como governistas tratam o fato de o filho de uma ministra ter celebrado um contrato de lobby com uma empresa privada. Empresa essa cujos interesses estão imbricados com as normas e as regras sob área de influência direta da mãe (a ministra) do lobista (o filho).

O destaque colorido, evidentemente, é meu. Fruto de meu espanto.

Então o filho da ministra-chefe da Casa Civil faz um contrato de lobby com um empresário que atua em área afeta ao comando e às ordens da ministra e todos comentam o caso como se fosse a coisa mais natural do mundo?

Quer dizer: o sigilo fiscal é corriqueiro ser vazado, segundo o ministro Mantega; o sigilo da filha do candidato da oposição vazou e a culpada é uma funcionária aloprada; e agora um aloprado júnior, filho de dona Erenice, faz uma baita travessura e pronto?

É isso?

Afinal, que país é este?

Corriqueiro ter os dados na guarda do Estado vazados?

Afastada a alopradinha de Mauá, tudo volta ao normal?

E o Aloprado Jr., bastará dona Erenice expulsá-lo de casa?

É isso?

Ô,Tiririca, você está certo. Pior que isso não fica!

Bem, quer dizer, só se o Tiririca... não, melhor nem pensar!

Serra diz acreditar no surgimento de novos focos de corrupção na Casa Civil

Flávio Freire, O Globo

ITAPETININGA (SP) - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse nesta segunda-feira acreditar no surgimento de novos focos de corrupção no governo federal, desde que o Ministério Público passe a investigar as denúncias de tráfico de influência no ministério da Casa Civil . Ao chegar em Itapetininga,interior de São Paulo, eo tucano enfrentou um grupo de cabos eleitorais de Dilma Rousseff que faziam xingamentos e gritavam palavras de ordem. O grupo se misturou aos militantes do PSDB e começou um pequeno tumulto.

- Coincidência ou não, essa é uma tropa de assalto. É uma violência e isso não é raro. Em geral acontece - comentou.

O tucano desdenhou do trabalho da Comissão de Ética Pública da Presidência, que vai apurar o escândalo . Para Serra, que fez corpo a corpo pelas ruas do centro de Itapetininga, no interior paulista, uma teia foi instalada em estatais como os Correios para "encher o bolso" de pessoas ligadas ao governo e ao PT. Lembrando que a Casa Civil fora chefiada por Dilma Rousseff, sua principal adversária, Serra voltou a dizer que o escândalo é gravíssimo.

- Ainda vem muito mais coisas pelo que a imprensa diz. Isso é gravíssimo. A Casa Civil virou um foco de escândalos neste governo. Começou com Waldomiro Diniz, passou por José Dirceu e agora atinge toda a equipe de Dilma - disse Serra, considerando o ministério um mau exemplo para o governo.

- Tem que acabar com o lobby. Tem que parar de usar a máquina do estado com a finalidade de um partido ou um grupo político ganhar dinheiro - emendou o candidato. Ao lembrar os escândalos nos Correios, Serra disparou:

- Dá para ver a teia que foi montada (nos Correios). É um tal de troca diretor, faz isso, faz aquilo. É todo um sistema funcionando para no fundo tirar dinheiro do público para encaminhar a partidos e ao bolso de pessoas.

Ao ser questionado sobre a desvantagem nas pesquisas, o tucano disse que o importante é fazer o gol.

- Pesquisa é a fotografia do momento. Disputa eleitoral não é como partida de futebol, que alguém vai marcando, vai marcando e vai marcando. Só tem um gol que é o dia da eleição - disse Serra, que à noite participa de encontro com correligionários em Tatuí (SP).

Expansão econômica do Brasil pode estar perdendo fôlego, diz OCDE

Daniela Fernandes, BBC Brasil

Indicadores econômicos do Brasil ficaram abaixo de patamar

O Brasil começa a dar “sinais mais fortes” de que sua expansão econômica está perdendo o fôlego e já pode ter atingido o seu pico, afirma a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em um estudo divulgado nesta segunda-feira.

No relatório sobre o Indicador Composto Avançado (ICA, LCI na sigla em inglês), a organização também afirma que a desaceleração no ritmo de crescimento nos próximos meses é observada de maneira mais forte na maioria dos países ricos.

O ICA analisa mensalmente as tendências econômicas para os próximos seis meses.

“No Canadá, na França, na Itália, na Grã-Bretanha, na China e na Índia, uma desaceleração no ritmo de crescimento para os próximos meses é verificada de maneira mais forte em relação ao último estudo”, diz a OCDE.

“Sinais mais fortes também emergiram no Japão, nos Estados Unidos e no Brasil, mostrando que a expansão pode perder o fôlego”, afirma o relatório.

Para os cálculos do ICA, a OCDE se baseia em diferentes indicadores econômicos de curto prazo ligados ao PIB, como a produção industrial.

O nível de 100 pontos é utilizado como referência para classificar a intensidade da atividade econômica dos países.

Os países que sofreram queda em relação ao último estudo e ficaram abaixo de 100 pontos recebem a classificação de “desaceleração”. Os que também tiveram diminuição do índice, mas permaneceram acima da barreira de 100 pontos, são considerados como em “leve desaceleração”.

Abaixo do patamar
Dos 31 países da OCDE e quatro grandes economias emergentes analisados no estudo, o Brasil é o único que ficou abaixo do patamar de referência de 100 pontos.

O ICA do Brasil em julho, divulgado nesta segunda-feira, foi de 99,4 pontos, registrando uma diminuição de 0,8 ponto em relação ao de junho, anunciado em agosto.

A queda do ICA brasileiro é também a maior entre os países analisados. Mas na comparação com os últimos 12 meses, o indicador do Brasil registra um aumento de 4,3 pontos, o que levou a organização a definir a expansão da atividade econômica brasileira como tendo “possivelmente atingido o pico”.

Na zona OCDE, o ICA diminuiu 0,1 ponto em julho, totalizando 103,1 pontos e a expansão da economia também atingiu possivelmente o ápice, diz o estudo.

Os Estados Unidos sofreram queda de 0,2 ponto em julho e registraram 102,5 pontos. Na comparação com os últimos 12 meses, o ICA americano teve aumento de 8 pontos.

Após o Brasil, a segunda maior queda do Indicador Composto Avançado foi da China, que perdeu 0,4 ponto, totalizando 102,1 pontos. Mas, na comparação anual, a China registra diminuição de 0,1 ponto.

Alemanha e Rússia em expansão
Os únicos países que registraram aumento do indicador em julho foram a Alemanha e a Rússia, com 0,2 e 0,1 ponto, respectivamente.

Como esses países já se situavam acima do patamar de referência de 100 pontos, foram os únicos classificados em “expansão” econômica pela OCDE.

Na última sexta-feira, a OCDE já havia anunciado previsões que indicam uma forte desaceleração do crescimento econômico do G7, que reúne os sete países mais ricos do planeta.

Segundo a organização, o crescimento das economias do G7 deve atingir 1,4% no terceiro trimestre deste ano e 1% no quarto. No primeiro trimestre o crescimento havia sido de 3,2% e, no segundo, de 2,5%.

“É difícil ainda saber se essa perda de fôlego da retomada do crescimento é temporário ou se ele é o sinal de uma fraqueza mais acentuada”, havia declarado na sexta-feira Pier Carlo Padoan, economista-chefe da OCDE.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ontem postamos um artigo sob o título "A falta de qualificação e a educação em descompasso com o desenvolvimento",  clique aqui, no qual apontamos uma série de razões que, entendemos, serão capazes de conter o ímpeto do atual impulso de crescimento do país. É preciso deixar bem claro o seguinte aspecto: ninguém está torcendo "contra" o país, como Lula tentou desqualificar a oposição há poucos dias atrás. Até pelo contrário. Mas o que não podemos fazer é fechar os olhos e achar que, apesar da situação favorável, nada mais será preciso realizar. Ledo engano. O momento atual é positivo por várias questões que, no citado artigo, fizemos questão de ressaltar. Porém, há umja enormidade de fatores externos que nos proporcionam a atual condição.
 
O que se quer, na verdade, é preservar esta fase positiva, daí porque os alertas no sentido de nossas autoridades conscientizarem-se de que é preciso tomar inúmeras medidas para a manutenção da situação presente. Não fosse assim, por quais razões teria o governo Lula retomado as elevações da taxa SELIC?  Porque ficou claro que nosso crescimento, nas taxas que vinham acontecendo, era insustentável. E o é por conta das reformas que o país deixou de lado desde 2003, reformas que hoje nos fazem falta, e que no texto do artigo, foram apontadas a partir de um estudo em que perdemos posições no ranking de competitividade. 

Enquanto a economia mundial "bombou" em ritmo frenético, no período 2002/2008, e o consumo de comodities foi elevado, conduzindo seus preços às alturas, o Brasil se beneficiou enormente. Porém, é preciso ter sensibilidade para perceber que aquele momento passou, e que a situação da economia mundial vive, agora, situação bastante adversa. Claro que nós ainda tiramos proveito porquanto os países em desenvolvimento ainda conseguem manter seus níveis de consumo interno em níveis que nos favorecem. Contudo, sabe-se, que tal ritmo não se manterá por muito mais tempo, razão pela qual devemos acelerar as reformas que nos faltam e, se possível, estimular a poupança interna, justamente para, em qualquer circunstância de dificuldade exterior, o país não ser atingido, ou se for, para que os efeitos não sejam danosos à saúde econômica do Brasil.

TOQUEDEPRIMA...

***** 'Cadê o sigilo, gente?'
José Virgolino de Alencar

O presidente de cuca oca, et pour cause, sem tutano, sr. Lula da Silva, solta a pergunta sem nexo, sem pé, nem cabeça: "Cadê o sigilo, que ninguém vê?".

Ora, senhor que comanda essa república banana, sigilo, quando se respeita, não é para ver.

O que se vê é o vazamento de dados sigilosos e esse fato ficou patente na confissão e na movimentação nervosa de todo o comando do governo, do partido e da campanha da candidata oficial.

Eles negam o vazamento, mas dizem que estão investigando.

"Não existir" e "investigar" são coisas excludentes, oh cabeças de molusco.

Nem adianta querer tapar o sol com a peneira petista, porque a peneira está rasgada e os raios estão trespassando-a com sua inescondível clareza.

Não me espanta a idiotice, patente em quem correu longe dos bancos escolares.

Espanta, mesmo, é ver gente de peso balançando a cabeça em aprovação a tamanhas sandices.

***** ONU critica trabalho escravo no Brasil
Folha de São Paulo

Documento destaca, porém, conhecimento do governo sobre o tema e elogia políticas públicas implantadas

Relatório afirma que punições previstas não intimidam e também lança suspeitas de conivência de políticos

Falta de punições, número insuficiente de policiais e assassinatos de defensores dos direitos humanos são alguns dos obstáculos para a erradicação do trabalho análogo ao escravo no Brasil.

A informação é da relatora especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão, Gulnara Shahinian, que veio ao país em maio. As críticas estão em relatório que será divulgado hoje no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

"O uso continuado do trabalho escravo, evidenciado pelo número dos libertados, sugere que as multas (pagas diretamente ao Estado) e as sanções criminais não são meios de intimidação suficientes", diz o documento.

***** Briga de sócios fez empresário delatar Erenice
Cláudio Humberto

A briga pelo controle da empresa de cargas Master Top Airlines (MTA) pode explicar por que Fabio Baracat decidiu revelar o envolvimento da ministra Erenice Guerra (Casa Civil) e do filho dela, Israel, no negócio de R$ 59,8 milhões da empresa com os Correios. Fortalecido com o êxito do contrato que negociou, Baracat adquiriu dois aviões no exterior para reforçar a frota de DC-10 da MTA, a fim de atender os Correios.

Baracat foi afastado pelo sócio Alfonso Reis, argentino que controla a MTA através da americana Centurion, o que é vedado na lei brasileira.

Desde que foi afastado da MTA, Fabio Baracat iniciou uma luta judicial para ser reintegrado à empresa e receber indenização por dano moral.

Alfonso Reis mora nos EUA. Esteve em Brasília para a posse do amigo Arthur Rodrigues Silva na diretoria de Operações dos Correios.

O coronel-aviador Arthur Rodrigues trabalhava para a MTA até ser confirmado por Erenice Guerra no cargo diretor de Operações da ECT.

As revelações do empresário Fabio Baracat sobre como conseguiu fechar um contrato de R$ 59,8 milhões, com a ajuda da ministra Erenice Guerra e do filho dela, foram prestadas – gravadas – ao repórter Diego Escosteguy, de Veja, na quinta-feira (9) pela manhã. Baracat falou à revista em São Paulo, nas imediações do aeroporto de Congonhas. No mesmo dia da entrevista, ele embarcou para a Europa.

Fabio Baracat foi afastado da MTA após obter o contrato de carga de Brasília para Salvador e Recife, e de Viracopos (SP) para Manaus.

***** Latifúndio do humor

Anistiado de 1ª classe, o cartunista Ziraldo não descola do governo federal: vai ganhar R$ 1,9 milhão da Empresa Brasil de Comunicação para produzir a série de programas infantis “ABZ do Ziraldo”.

***** 1/5 sai do colegial com matemática de 4ª série
Antônio Gois

Um quinto dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil não sabe em matemática nem o que se espera para um estudante do 5º ano (ou 4ª série) do fundamental.

Apenas 11% têm conhecimento adequado para este nível de ensino na disciplina.

No caso dos estudantes com conhecimento abaixo do 5º ano, isso significa que fazem apenas operações básicas como soma e divisão.

Ao se depararem com gráficos com mais de uma coluna ou na hora de converter medidas - como quilogramas em gramas - apresentam dificuldades

***** Promotora nega ‘atentado’

A promotora Eliana Faleiros Vendramini, que investiga o caso Celso Daniel, nega que teria sido alvo de “atentado”, em São Paulo, quando seu carro blindado capotou, após um Gol empurrá-la para fora da pista. “Foi uma fechada”, explica. E mais não comenta.

***** Cuba elimina meio milhão de empregos públicos até 2011
O Globo

Cuba vai eliminar mais de meio milhão de empregos até o primeiro trimestre de 2011, numa tentativa de elevar a produtividade e tornar sua economia mais eficiente, anunciou nesta segunda-feira o sindicato único de trabalhadores, em uma das mudanças de rumo mais importantes decidida pelo governo em décadas.

O presidente cubano, Raúl Castro, anunciou em abril um plano que prevê a demissão de mais de 1 milhão de funcionários públicos nos próximos cinco anos, como parte de suas reformas moderadas para melhorar a produtividade do trabalho e elevar a qualidade dos serviços.

"Dentro do processo de modernização do modelo econômico e das previsões da economia para o período de 2011-2015, está prevista a redução de mais de 500 mil trabalhadores do setor estatal", disse a Central de Trabalhadores de Cuba.

"O calendário para a execução do plano foi traçado pelos organismos e empresas até o primeiro trimestre de 2011", acrescentou a central, em texto publicado pela imprensa local.

O Estado é o maior empregador em Cuba, e a decisão de eliminar 20 por cento de sua força de trabalho deixa muitos trabalhadores na incerteza em relação a seu futuro.

O governo assegurou que ninguém ficará desamparado e ofereceu recolocar os funcionários excedentes em outros setores que historicamente são deficitários de mão-de-obra no país, como a agricultura, a construção, a educação e a polícia, entre outros.

***** Caso Erenice - Assessor da Casa Civil deixa o cargo
Luiza Damé, O Globo

O assessor da secretaria-executiva da Casa Civil, Vinicius de Oliveira Castro, pediu exoneração do cargo. Em nota divulgada nesta segunda-feira pela Casa Civil, o assessor declara que "repudia todas as acusações".

Também nesta segunda-feira, a Comissão de Ética Pública da Presidência, instaurou um procedimento para apurar se a ministra Erenice Guerra praticou conduta contrária ao código de ética das autoridades do poder executivo. O processo foi instaurado a pedido da ministra .

- A pedido da ministra, converteu-se num processo de investigação ética - afirmou o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence.

Reportagem da revista "Veja" publicada no sábado acusa Erenice de tráfico de influência. Já Vinícius é citado como participante do suposto esquema para beneficiar empresas em contratos do governo.

O relator do caso na Comissão de Ética será o advogado Fábio Coutinho, que terá dez dias para apresentar parecer. Ele disse que pretende concluir seu trabalho antes das eleições. Coutinho pode decidir pelo arquivamento ou pela abertura de processo de investigação ética.

Neste primeiro momento ele vai analisar documentos enviados pela própria ministra e poderá requerer mais explicações. O advogado afirmou que independentemente do pedido da ministra, a comissão deveria analisar o caso.

Na noite de domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Erenice no Palácio do Planalto e pediu rapidez nas suas explicações sobre o episódio de tráfico de influência envolvendo seu filho Israel Guerra. A ministra deve se reunir na tarde desta segunda com seus advogados para providenciar a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal.

Em nota divulgada nesta segunda, Erenice se diz disposta a "abrir os seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, se necessário, bem como os sigilos de seu filho Israel". Mais tarde, em outra nota, Erenice informou que vai processar a revista "Veja" .

Lula embarcou para Santa Catarina tranquilo, segundo fontes do Planalto. Ele quer esperar os desdobramentos do episódio, uma vez que o denunciante, o empresário Fábio Baracat, voltou atrás e negou o teor da conversa que teve com a revista "Veja".