quarta-feira, outubro 07, 2009

Ciro Gomes precisa reler Ciro Gomes

Elio Gaspari, O Globo


Tudo indica que, se o deputado Ciro Gomes for candidato à presidência da República, formará com Dilma Rousseff a velha dupla dos filmes policiais. O mau meganha azucrinará o tucano José Serra, enquanto a boa candidata, Dilminha, percorrerá o país com Nosso Guia, falando do Brasil de um novo tempo. É um ardil velho, mas legítimo, desde que Ciro Gomes respeite a inteligência alheia.

Assim como Lula, o tucano precisa de um adversário. Sete anos de pastor serviu Serra a Nosso Guia fazendo tudo, menos oposição, pois não serve a ele, mas à própria candidatura. Se em 2010 alguém exigir contas ao tucanato, todo mundo ganha. Ciro Gomes pretende esse papel, mas deve respeitar os fatos.

Ele disse o seguinte ao repórter Raymundo Costa: "O que o Serra fez quando o câmbio estava apreciado?"

Ótima pergunta. Entre 1994, quando foi lançado o Plano Real, e 1999, quando a economia brasileira foi à breca, o tucanato segurou o dólar numa faixa entre R$ 0,80 e R$ 1,20. Quando o governo capitulou, ele chegou a R$ 2. O câmbio valorizado importou a crise externa que começou na Ásia.

A pergunta de Ciro procede: "O que o Serra fez quando o câmbio estava apreciado?" Ele foi ministro do Planejamento de 1994 a 1995 e, publicamente, fez quase nada. Mesmo assim, não há no Brasil uma só alma honesta capaz de dizer que Serra defendeu o câmbio valorizado.

Em 1997, quando o economista Gustavo Franco, pai dessa política, foi para a presidência do Banco Central, Serra respondeu a uma pergunta do senador Pedro Simon, que buscava sua opinião a respeito da escolha dizendo o seguinte: "Peço a Vossa Excelência que ouça o meu silêncio."

O que o Serra fez quando o câmbio estava apreciado? Manteve a navalha na manga. Falou com o silêncio público e com uma gritaria de bastidores que, infelizmente, conta pouco.

Mas há outra pergunta: o que fez Ciro Gomes quando o câmbio estava apreciado?

Passados quinze anos, a informação parece nova: nada. É pior. Entre setembro de 1994 e janeiro de 1995, ele foi ministro da Fazenda.

Assumiu com o câmbio apreciado e o dólar a R$ 0,80. Deixou o ministério com a moeda americana a R$ 0,84. Fazendo-se justiça ao deputado, no Ministério da Fazenda ele foi mais um animador do que um titular. Quem mandava no país era o grupo de sábios da ekipekonômica.

Eles deixaram o governo e foram felizes para sempre aninhando-se na banca.

Ciro Gomes poderia ter ficado quieto, mas cavalgou a ficção do dólar barato: diante de uma ameaça de aumento dos preços dos veículos por conta de um acordo entre trabalhadores e montadoras, baixou a alíquota dos carros importados de 35% para 25%.

Um Renault Twingo ficou mais barato que um Corsa GL e o Omega CD mais caro que um BMW 318i. Mais: diante de um surto de alta nos preços, amparado no câmbio maluco, reduziu as restrições às importações pelo Correio. As mercadorias com valor inferior a US$ 100 ficaram livres de imposto de importação.

Acima de US$ 500 a alíquota baixou para 10%. Ficava mais barato comprar boas roupas no Brooks Brothers do que nas lojas Marisa.

Em novembro de 1994, quando um grupo de empresários foi ao Ministério da Fazenda para se queixar da apreciação do real, Ciro Gomes disse o seguinte: "Esqueçam o câmbio. Não falem mais disso."

Bom conselho para Ciro-2010.

O Caribe não é mesmo nossa praia

Paulo Rabello de Castro, Revista Época


Imagine uma pacata cidade do interior do Brasil. A capital hondurenha – Tegucigalpa – não será muito diferente. Honduras é um país pequeno, com 8 milhões de habitantes, incrustado na verde cordilheira da América Central. Pode parecer um cenário convidativo para aqueles filmes americanos com mestres da valentia de mentirinha, como Sylvester Stallone. Pois é lá que o governo brasileiro resolveu exercitar, de maneira desajeitada, sua musculatura diplomática.

O Brasil interferiu numa delicada questão interna de Honduras oferecendo um palanque privilegiado ao ex-presidente Manuel Zelaya, cujo afastamento fora decretado pelo Supremo Tribunal local. Nessa “bola dividida” em que resolveu enfiar a perna, o governo Lula corre o risco de fraturar a canela. Por trás do impasse diplomático, há uma velada denúncia de abandono econômico não só de Honduras, mas também de toda a região centro-americana, palco de sucessivas escaramuças entre grupos políticos que se opõem apenas para manter a estagnação e dependência. Isso é a cara de nossa Latinoamérica, que – com escassas e honrosas exceções – não conseguiu ainda se livrar de quarteladas sucessivas de direita e esquerda, embora cada vez mais distanciada do interesse de seu vizinho rico, os Estados Unidos. No caso Zelaya, o padrão pastelão não foi diferente: os EUA deram de ombros à iniciativa escoteira de Lula, de esconder no prédio de nossa embaixada o presidente protogolpista.

Infelizmente, o Brasil ainda não lidera a região como deveria, puxando o exemplo de um crescimento acentuado de sua economia. Com uma taxa de investimento sofrível, nosso país não gera poupança suficiente para bancar o script de líder regional, apesar do abalo financeiro dos americanos. Surfamos, no momento, uma fase positiva. Mas isso é apenas uma promessa de liderança futura, não um cheque à vista, como Lula parece querer sacar de seu caixa político externo. Ações de influência estratégica são perfeitamente concebíveis para um país que senta no G20, como o Brasil. No âmbito centro-americano, porém, o espaço de influência do Brasil se restringe ao bom exemplo. Países da América Central estão completamente fora de nosso arco de persuasão. Além disso, a ofensiva brasileira em Honduras empareda a posição de outro aliado nosso, o México, também participante do G20, que teria muito mais a dizer nesse episódio.

O mundo pós-crise se organizará em torno de poucos e poderosos blocos de aliança política e comercial. Os EUA lideram um desses blocos, do qual fazem parte a América Central e o Caribe. A China é outro bloco, espalhado pela Ásia, mas com tentáculos avançando pela África e na vizinhança sul-americana. A Eurolândia, um terceiro enorme bloco. E qual seria o bloco do Brasil? (Por favor, não vale a piada rápida de que é o bloco de Carnaval!)

Este mundo de blocos e relacionamentos delicados entre nações está pegando o solteirão desajeitado chamado Brasil meio despreparado para a construção de um espaço em que tenha liderança e destaque. O Brasil busca organizar o tal bloco, mas sua presença, por enquanto, só se faz ouvir pelo alinhamento com contestadores da democracia no mundo.

Esse modelo de atuação precisa mudar, sob pena de nos prejudicar o avanço na implementação de um bloco de efetivas afinidades econômicas, culturais e geográficas. O Brasil perde ao não se concentrar em seu próprio jogo, que depende de desenvolver primeiro a infraestrutura em seu território, estendendo-a, em seguida, aos vizinhos mais próximos. E nisso tampouco vamos bem, com o PAC empacado. Lula sabe fazer barulho e criar situações de barganha política desde seus tempos de sindicato. A cena internacional pode parecer, numa avaliação ligeira, uma assembleia de sindicato ampliada, mas os resultados adversos podem ser bem mais perigosos. Convém, por isso, manter o foco em nossas próprias “honduras” (no vernáculo, funduras). Como Colombo uma vez dissera, esperamos que Lula possa em breve dizer: “Gracias a Dios que hemos salido de esas Honduras”.

Tribunal anula imunidade penal de Berlusconi

Estadão online


Processos judiciais contra o premiê serão reabertos; pressão pode culminar na renúncia do chefe de Estado


ROMA - O Tribunal Constitucional da Itália invalidou nesta quarta-feira, 7, a lei que outorga a imunidade penal dos quatro cargos mais altos do governo, o que significa que serão retomados os processos judiciais abertos contra o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, segundo a agência de notícias Ansa. O porta-voz do premiê disse que o veredicto foi politicamente influenciado e que ele não renunciará.

"Eu prosseguirei", afirmou o próprio Berlusconi, em Roma, rechaçando que pode deixar o posto. O líder qualificou qualquer julgamento contra ele como "uma farsa".

Aprovada pelo Parlamento no ano passado, a Lei Laudo Alfano imediatamente suspendeu procedimentos legais em andamento contra o premiê. A entrada em vigor da lei fez com que promotores apresentassem uma apelação no Tribunal Constitucional, alegando que as medidas violavam os princípios da Constituição.

Na época, o premiê defendeu-se, dizendo ser vítima de perseguição política desde que entrou para a vida pública, há 15 anos. Segundo ele, a nova lei permitiria que ele governasse "sem distrações". Na apresentação do caso no tribunal, o advogado representando o gabinete de Berlusconi afirmou que a revogação do texto causaria "danos irreparáveis", podendo culminar na renúncia do chefe de governo italiano.

Um empresário bilionário que virou político, Berlusconi tem um longo histórico de problemas legais originados em interesses pessoais. Nesta semana, ele declarou que "nada vai nos fazer trair o mandato que os italianos nos deram". Anteriormente, a oposição afirmou que o fim da imunidade poderia significar o fim do governo Berlusconi, já que ele deve ficar mais pressionado a renunciar e antecipar as eleições. Não pode haver apelação da decisão do tribunal tomada nesta quarta-feira. Com isso, os processos que Berlusconi enfrenta em Milão devem seguir seu curso.

Um dos principais casos contra o premiê suspensos pela lei é o processo no qual Berlusconi é acusado de ter pago US$ 600 mil para o advogado britânico David Mills, em 1997, para não revelar em julgamento detalhes comprometedores de suas transações comerciais. Mills foi condenado em 17 de fevereiro por ter mentido em um julgamento contra Berlusconi.

Um juiz de Milão afirmou que Berlusconi é "corresponsável de corrupção" na compra, em 1990, da editora Mondadori. O grupo Fininvest, cujo dono é o premiê, foi condenado a pagar quase US$ 1,09 bilhão de indenização à holding CIR, do empresário Carlo De Benedetti, em compensação por um julgamento sobre o controle da empresa.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Vocês lembram da defesa que Tarso Genro fez de Cesare Battisti e a sua cretina posição crítica em relação à democracia italiana e seu pder judiciário? Pois é, esta decisão deveria valer aqui também e, muito provavelmente, a política brasileira além de mais competente, teria uma boa chance de se livrar da ilegalidade e desonestidade de muito bandido solto no Congresso e no Executivo vivem a infestar! Que inveja!!! E ainda tem gente contrária à probição de candidatos ficha-suja !!!

O supercartola ganhou um habeas corpus do novo amigo de infância

Augusto Nunes, Veja online


Até o fim de setembro, o presidente da República e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro foram cordiais companheiros de campanha eleitoral. Em Copenhague, Lula e Carlos Nuzman souberam que são amigos de infância desde o começo de outubro. O maior governante de todos os tempos descobriu que nasceram na mesma rua e berraram no mesmo berçário. O supercartola descobriu que nadaram na mesma enxurrada. Uma revelação desse calibre, ainda mais na terceira idade, decididamente não tem preço.

Ou tem, desconfiaram os ouvintes do programa radiofônico semanal estrelado por Lula. Primeiro, Nuzman foi presenteado com o mapa que mostra todos os caminhos, trilhas e picadas que conduzem aos pódios. ”Nós vamos ter que trabalhar muito as escolas e vamos ter que envolver os empresários para que comecem a adotar e preparar atletas”, começou a lição do professor que ignora se taekwondo é um esporte ou o nome do presidente da Coreia do Sul. ”Nós temos que aprender com outros países que já fizeram Olimpíadas, para que a gente chegue ao ano da Olimpíada muito mais preparados, com muito mais atletas inscritos e muito mais atletas com possibilidade para ganhar medalha de ouro”, terminou a aula.

O pajé do COB fingiu enxergar uma revolucionária política esportiva no que foi só outro fruto do cruzamento da ignorância com a soberba. Gostou mesmo foi da parte que tratou de dinheiro. ”Nós temos que nos perguntar não quanto o Brasil vai gastar, mas quanto o Brasil vai ganhar com a realização das Olimpíadas”, repetiu-se o avalista da gatunagem companheira e dos recordistas do desperdício. ”Não considero gasto, considero investimento”. Se o perdão vale para 2016, vale para 2007, compreendeu Nuzman.

Irado com um repórter que quis saber se algo será feito para evitar a reprise em escala amazônica das bandalheiras dos Jogos Pan-americanos, o anfitrião da festa bancada pelos pagadores de impostos sacou do coldre o habeas corpus emitido pelo Primeiro Magistrado. ”O Pan foi feito numa transparência absoluta”, viajou. ”O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, a comissão de avaliação da entidade e os eleitores votaram por escrito que o Pan foi a razão maior, junto com os três níveis de governo, da vitória olímpica”.

Para azar de Nuzman, Jacques Rogge não usa toga e o COI não é o Supremo Tribunal Federal. Se é verdade que os estrangeiros não enxergam monumentos à gastança irresponsável erguidos em outras paragens, o Tribunal de Contas da União continua intrigado com o que houve no Pan-2007. E cobra explicações plausíveis para a assombrosa procissão de despesas sem destino conhecido, notas superfaturadas em até 1.000% e transações claramente criminosas. O preço combinado não chegava a R$ 400 milhões. A conta ficou em mais de R$ 4 bilhões. Que fim levou a montanha de dinheiro?

Só se interessam por essas miudezas os que sonham com o sumiço do Rio e os inimigos da pátria vitoriosa na Batalha da Dinamarca, desdenhou Nuzman. ”Se alguém no Brasil não está satisfeito com isso, ficou triste ou torceu contra, vai ter de chorar por sete anos como testemunha do maior sucesso da vida pública esportiva do país, vai ter de se amargurar pela eternidade”, caprichou no tom sarcástico. “Àqueles que não gostaram, um abraço”.

O abraço pôs um ponto final na conversa, mas não encerra o caso de polícia. Ninguém está insatisfeito nem deprimido com a escolha do Rio. Meio mundo está descontente é com a cartolagem, além de aflito com tantos bilhões ao alcance da mão dos reincidentes. O Brasil que pensa não vai torcer contra os atletas brasileiros. Só torce pelo fim da impunidade. Espera que a polícia aja antes que se completem mais sete anos. E exige que a Justiça faça o que deveria ter feito há muito tempo.

Os Jogos Olímpicos de 2016, vistos com lucidez

Giulio Sanmartini, site Prosa & Política



Lula está abusando das falácias, pensando que governa (?) um bando de imbecis. Para justificar os astronômicos gastos dos Jogos Olímpicos ele se valeu de uma frase de efeito: “Nós temos que perguntar não quanto o Brasil vai gastar, mas quanto o Brasil vai ganhar com a realização das Olimpíadas. É acreditando assim que a gente vai fazer uma grande Olimpíada. Ao invés de a gente utilizar a palavra gasto, nós precisamos utilizar a palavra investimento”. Mas se a banda não toca assim, é má fé dizer que gastar e investir são as mesmas coisas.

Quanto maior o gasto, menor o investimento. Gasto em propaganda, em consultoria, em missões desnecessárias, em diárias absurdas, fora as famosas comissões embutidas em todas as obras. O Brasil só vai ganhar com as Olimpíadas se fizer exatamente o contrário do que Lula está pregando, não confundindo gasto com investimento.

Quase todos os jornalistas brasileiros escreveram opinando sobre os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, mas penso que o artigo mais lúcido e sem patriotadas é o de Clovis Rossi que segue abaixo:

”Não deixa de ser pedagógico o fato de as Nações Unidas terem divulgado o seu IDH apenas 48 horas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter decretado que o Brasil passara a ser um país de “primeira classe”, porque o Rio fora escolhido para sede da Olimpíada de 2016.

Não, presidente, o Brasil é de 75ª classe, a sua classificação no IDH, vexatória como sempre.

Aliás, toda vez que sai um ranking internacional que mede algum aspecto do desenvolvimento humano, o Brasil passa vergonha.

Ficou, desta vez, quase empatado com a Bósnia-Herzegovina. Ajuda-memória: a Bósnia-Herzegovina é aquele pedaço da antiga Iugoslávia que passou faz pouco menos de 20 anos por um genocídio –e nada é mais devastador para o desenvolvimento humano que uma guerra como aquela.

O Brasil, ao contrário, não tem uma guerra desse tipo desde a do Paraguai, no remoto século 19. Não obstante, empaca no desenvolvimento humano desde sempre.

O que torna ainda mais desagradável o resultado é o fato de que, nos 15 anos mais recentes, o país teve dois governos de eficiência acima do padrão usual e de proclamadas intenções sociais –algumas realizadas, outras nem tanto ou nada.

O Brasil de fato passou a ter, nos últimos anos, um peso internacional inédito na sua história, mas o IDH só dá total razão ao que escrevi domingo, para a Folha: “Nada de perder a perspectiva: os que fizeram a viagem [rumo à primeira classe] são poucos, pouquíssimos políticos, um bom número de diplomatas e funcionários públicos graduados, um número crescente, mas ainda pequeno de empresários. É uma vanguarda que, se olhar para trás, verá que a grande massa ainda come poeira”.

A ONU assinou embaixo. E de quebra desmontou a falácia dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) como as grandes potências de um futuro próximo. A Rússia ficou pouco acima do Brasil, no 71º lugar; a China, bem abaixo, no 92º. A Índia, então, é de terceira classe no capítulo desenvolvimento humano (134º posto)”..

TOQUEDEPRIMA...

***** E o crucifixo nos tribunais?

Renato Pacca, O Globo online
A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo ajuizou uma ação civil pública para obrigar a União a retirar todos os símbolos religiosos ostentados em locais de ampla visibilidade e de atendimento ao público em repartições públicas federais no Estado de São Paulo.

O MPF pediu liminar para que a medida seja adotada imediatamente, antes do julgamento da ação. Segundo a inicial, "inúmeras pessoas se dirigem aos prédios da União diariamente para as mais variadas atividades, de caráter administrativa ou judiciária, e tem a sua liberdade de crença ofendida diante da ostentação pública de símbolos religiosos não relacionados com a fé que professam".

O quê? A liberdade de crença é "ofendida" pela simples visão de outros simbolos religiosos? Isso significa uma evidente intolerância à crença alheia.

A Juíza Maria Lúcia Lencastre Ursala, da 3ª Vara Cível Federal de São Paulo, indeferiu o pedido do Ministério Público Federal, escrevendo que é natural a presença de símbolos religiosos cristãos num país de formação cristã; que “sem qualquer ofensa à liberdade de crença, garantia constitucional, eis que, para os agnósticos, ou que professam crença diferenciada, aquele símbolo nada representa, assemelhando-se a um quadro ou escultura, adereços decorativos” e que estado laico não quer dizer estado anti-religioso: “O Estado laico foi a primeira organização política que garantiu a liberdade religiosa. A liberdade de crença, de culto, e a tolerância religiosa foram aceitas graças ao Estado laico, e não como oposição a ele. Assim sendo, a laicidade não pode se expressar na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos.”

Perfeito. Uma verdadeira aula sobre o significado da liberdade e contra a intolerância.

***** Senado aprova acordo internacional que institui ensino público religioso
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quarta (7) o acordo entre o Brasil e o Vaticano, que atribui estatuto jurídico à Igreja Católica no Brasil. O acordo trata do casamento, da assistência religiosa em hospitais e presídios, de questões fiscais, da manutenção, com recursos dos brasileiros, de bens culturais da Igreja Católica, como prédios, acervos e bibliotecas e da inserção do ensino religioso em escolas públicas. O acordo determina: “o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação”. O acordo foi assinado pelo Papa Bento XVI e o presidente Lula, no final de 2008.

***** Farc: governo ignora brasileiro seqüestrado
O governo Lula não cogita pedir ao venezuelano Hugo Chávez, nem a seus aliados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para intercederem pela libertação do empresário brasileiro Vicente Aguiar Vieira, há dois meses sequestrado na Venezuela pelos narcoterroristas. Os ministros Tarso Genro (Justiça), Dilma Rousseff e Celso Amorim (Relações Exteriores) ignoram até pedidos para que se pronunciem sobre o caso.

Aliás, o governo Lula não solicitou ao ex-padre Oliverio Medina, espécie de “embaixador” das Farc no Brasil, para interceder pela vida do brasileiro.

Já Eduardo Suplicy (PT-SP) , defensor do terrorista Cesare Battisti, diz que nada faz pelo brasileiro seqüestrado porque “ninguém pediu” a ele.

***** Sarney diz que não é contra CPI do MST
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), negou hoje (7) que tenha se posicionado contra a criação de uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar as atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A proposta foi inviabilizada na semana passada pela retirada de assinaturas de última hora de vários deputados. Sarney foi criticado nesta terça-feira pelo presidente da Comissão de Agricultura e colega de partido, Valter Pereira (PMDB-MS), e por outros integrantes do colegiado porque teria dito que a CPI prejudicaria os movimentos sociais.

***** Telefônica anuncia oferta para comprar GVT
A Telesp (Telefônica) anuncia uma oferta para aquisição de até 100% das ações da GVT pelo preço de R$ 48,00 por papel, com pagamento em dinheiro. Na avaliação da empresa, a conjugação das suas operações e da GVT apresenta uma lógica estratégica bastante atraente para ambas as companhias. A transação representaria um investimento total de cerca de R$ 6,5 bilhões.

"A GVT é provedora de serviços de telecomunicações com forte presença na Região II do Plano Geral de Outorgas e tem sido muito bem sucedida na sua estratégia de conquistar consumidores de serviços de alta tecnologia com produtos inovadores e especialmente desenvolvidos", afirma a Telesp no comunicado.

***** Comissão da Câmara aprova criação do voto distrital para deputados federais e vereadores
A Câmara começou a debater novas mudanças no sistema eleitoral que ficaram de fora da minirreforma aprovada neste ano. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou nesta terça-feira duas PECs (propostas de emenda à Constituição) que modificam a forma de escolha dos deputados federais e dos vereadores.

As propostas estabelecem a adoção do voto distrital. De acordo com o sistema distrital, apenas um deputado é eleito para determinada região.

Agora, as propostas serão enviadas para a comissão especial criada para analisar o assunto. Se as matérias forem aprovadas na comissão especial ainda precisam passar pelo plenário e ganhar aval do Senado.

***** Brasil doa US$ 100 mil à Guatemala
Já que está sobrando, o Brasil oferecerá uma contribuição de US$ 100 mil ao Programa Mundial de Alimentos para a Guatemala. Segundo o embaixador brasileiro Luiz Antonio Fachini, o objetivo é paliar a fome na região e beneficiar crianças de 6 a 36 meses de idade, grávidas e lactantes. O PMA utilizará os fundos doados pelo Brasil para entregar alimentos de emergência a 54.000 famílias que sofrem com a prolongada seca do país. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais da metade da população guatemalteca (13,3 milhões) vive em condições de pobreza e 16% em pobreza extrema.

***** Entrando pelo cano...
Site Cláudio Humberto

Após “tratorar” um laranjal em São Paulo, os Sem-Terra investem no lucrativo ramo de receptação de objetos roubados: venderam canos de uma fazenda produtora de mangas e uvas irrigadas em Petrolina (PE).

...com o MST
Havia mais de R$1milhão em canos na fazenda, de 7.286 ha. Custam R$500, o MST vendeu por R$100 e o atravessador revendeu por pouco mais. Os donos da fazenda, invadida há 13 anos, temem represálias.

***** Sem-terra são presos por furto em fazenda da Cutrale
Integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) são acusados de saquear a fazenda Santo Henrique, do grupo Cutrale, invadida desde o dia 28 de setembro em Borebi, na região de Bauru, em São Paulo. Nesta segunda, imagens de um trator usado por sem-terra para destruir cerca de 7 mil pés de laranjas escandalizaram o país.

Um caminhão-baú carregando 12 caixas de laranja a granel, máquinas, ferramentas e uniformes subtraídos da fazenda foi apreendido na madrugada desta terça no km 248 da rodovia Castelo Branco, em Avaré. Os dois acusados, José Alves de Lima Neto e Ivanildo Cosmo de Oliveira alegaram ao delegado José Cardoso de Oliveira que pegaram as frutas porque iam apodrecer. Eles foram presos em flagrante por furto qualificado.

***** O rastro do MST
Os integrantes do MST deixaram nesta quarta-feira, a propriedade no interior de SP após oito dias e invasão. Deixaram um saldo de 7 mil pés de laranja destruídos, 28 tratores quebrados, além de pichações e outros atos de vandalismo.

***** Te cuida, Vale. Te cuida, Eike.
Lauro Jardim, Veja online

Edison Lobão só pensa em taxar a mineração. Tem números na ponta da língua para provar por A mais B que o setor deve pagar mais impostos.

Lobão fará, assim, o milagre de juntar Roger Agnelli e Eike Batista numa mesma canoa.