quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Em Cancún, Lula e a CLADE - Comunidade Latina de Assassinos e Ditadores de Esquerda

Adelson Elias Vasconcellos
Nesta semana, Lula embarcou para uma última viagem, como presidente brasileiro, ao Caribe e América Central, onde entre outras preciosidades, participou ontem de uma reunião que serviu, para dentre tantas asneiras, criar uma tal de Comunidade da América Latina e Caribe. Entre os objetivos, a tal comunidade, segundo discurso proferido pelo presidente do México, está a busca de maior integração continental.

Bem, que países compõem a tal comunidade? Melhor citar quem não compõem: os Estados Unidos e Canadá, e somente será admitida Honduras se anistiar o golpista chapeludo Zelaya. Bem se era para integração continental, convenhamos, a tal associação começou mal: simplesmente desintegrou o continente americano ao excluir Canadá e Estados Unidos, e, claro, Honduras que só será admitida como “sócia” se “perdoar” um golpista de estado.

Agora, eles podem, finalmente, atingirem o seu tão almejado ponto “G”, e bradar entre suspiros de prazer e gozo eterno: enfim, sós. Lula deve estar feliz bem mais do que pinto no lixo. Ele buscou este ponto “G”, mas parece que a relação esfriou. Agora, entre os seus, ele pode comemorar.

Impressionante a capacidade do governo Lula de aabraçar o que há de mais retrógrado em termos de associação. Não bastasse Chavez, Moralez & Cia, e mais recentemente o tresloucado iraniano Ahmadinejad, agora se presta a fundir num único clube o que existe de mais tétrico em termos de ideologia política latino-americana.

Destaque-se, por outro lado, que, ao mesmo tempo que exige a anistia para Zelaya como condição lateral para admissão dos hondurenhos, não exige dos assassinos ditadores cubanos, os irmãos Castro, a anistia ao seus presos políticos, cujo único crime apontado para serem encarcerados foi o de discordarem do regime ditatorial vigente na ilha.

Não, esta gente não tem moral para exigir coisa alguma de ninguém, são todos amantes de regimes ditatoriais, são todos paridos pela ideologia do atraso, são todos despóticos em suas concepções de poder político.

Fosse governante de Honduras e recusaria em participar de qualquer clube fundado sob a égide da cretinice e vigarice, ou, que tentasse intrometer-se em assuntos internos de meu país. Honduras realizou eleições limpas e democráticas, seu presidente foi empossado legitimamente, e nada deve aos tiranetes bolivarianos e seus aliados canalhas.

Todos eles, sem exceção, são países membros da OEA – Organização dos Estados Americanos, este sim, o fórum legítimo de representatividade para a integração continental.

Há não muito tempo atrás, Chavez tentou criar uma Comunidade de países bolivarianos, com Equador, Bolívia e Cuba. Mais tarde, com o apoio explícito do Brasil, tentou criar uma tal de UNASUL, da qual a tal comunidade fundada ontem nada mais é do que uma clonagem ampliada. Em todas estas tais organizações, o espírito é o mesmo: institucionalização do Foro de São Paulo, agora sobre o manto de países membros. Ali estão, sentados à mesma mesa, o que há de mais repugnante em termos políticos: ali se vê, claramente, as tintas do atraso, da megalomania, do sentimento antiamericano debiloide, do caudilhismo na sua mais expressiva representação. Seus mentores, e principais líderes e articuladores, trazem em si mesmos o mais característico ódio à democracia e às conquistas e direitos que ela exige para existir e subsistir. E, a exemplo de Cuba e Venezuela, cujos povos estão sendo levados à miséria perene, todos os governantes abraçaram a tal causa de “integração continental” alimentando o mesmo desejo de guiarem os países que representam pelo mesmo roteiro de sandice e atraso.

Lula desembarca em Cuba para reverenciar seu guru, Fidel Castro. E leva na bagagem dinheiro para obras naquele país. Em relação ao regime ditatorial, aos assassinatos e prisões políticos, nenhuma palavra. Ou seja, Lula obriga o povo brasileiro a trabalhar para sustentar um ditador assassino e, de forma cínica, ainda quer impor uma revisão na nossa lei de anistia. E, de quebra,, obriga o país a ter como parceiros gente da laia de Ahmadinejad, Zelaya, Chavez, e Morales, dentre outros bandoleiros.

Sem dúvida, se é liderança dos facínoras da humanidade que Lula pretende conquistar, poderia ao menos ter poupado o restante do país de suas escolhas aventureiras e cretinas e de tamanha irresponsabilidade.

Conforme tantas vezes aqui se avisou, dia mais, dia menos, Lula haveria de arrancar a máscara que, hipocritamente, carregou mundo afora, e mostraria toda a sua essência. E, o que é pior, carregaria  o nome do Brasil para a vala dos cafajestes que, tendo nas mãos o poder de seus povos, os condena à miséria moral ad eternum. O mundo, o dos civilizados, talvez se sinta surpreso com o Lula que eles agora podem ver em toda a sua baixeza. Não este espaço, não este comentarista.

Podendo encerrar seu ciclo de forma engrandecida, no apagar das luzes de seu período, ele não suportou a falsidade com que se vestiu durante sete anos e resolveu mostrar aquilo que sempre foi. Podendo escolher ser estadista, optou por ser delinquente.

Só espero que os países civilizados do planeta não julguem os brasileiros por seu atual presidente: nem todos são tão imbecis, ignorantes e imorais. Há muita gente que presta neste país, apesar do seu atual governante.

Vai, Lula, sentir o cheiro fresco do cadáver!

Reinaldo Azevedo

Cuba. Muere asesinado Orlando Zapata Tamayo. Preso de Conciencia
Lula viajou a Cuba. No dia da morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, que estava em greve de fome desde 3 de dezembro. O presidente brasileiro pode sentir o cheiro fresco do cadáver.

A Anistia Internacional conseguiu comprovar a existência de 67 prisioneiros de consciência em Cuba — isto é, gente que está na cadeia só por discordar do regime. Os que combatem a tirania dos irmãos Castro dizem que passam de 200.

Tamayo, que lutava por direitos humanos, foi detido em março de 2003, durante a chamada Primavera Negra, quando Fidel Castro ordenou a prisão de 75 dissidentes — 27 jornalistas entre eles. As condenações variavam de 14 a 27 anos. Tamayo foi tendo ampliada a sua pena, que já passava de 30 anos.

Seu crime? Nenhum! Em outubro de 2009, ele foi espancado por policiais na prisão de Holguín. Teve de se submeter a uma cirurgia na cabeça em decorrência dos ferimentos. No dia 3 de dezembro, deu início à greve de fome e foi transferido para uma prisão ainda mais rigorosa.

Os dissidentes cubanos afirmam que o major Filiberto Hernández Luis lhe negou mesmo a água durante dias seguidos, o que levou seus rins ao colapso. Só foi enviado ao hospital em meados de janeiro, e dali para outro hospital, só que este no presídio Combinado del Este, em Havana, sem a menor condição técnica de tratamento. Morreu. Não! Foi assassinado.

Dissidentes cubanos chegaram a enviar mensagens a Lula, pedindo que intercedesse em favor de Tamayo. Tudo em vão. No Congresso do PT, Dilma Rousseff fez uma conferencia fechada a esquerdistas de varias ditaduras — cubanos entre eles. No mesmo congresso, fez uma homenagem a pessoas que, a exemplo dela, participaram de movimentos terroristas no Brasil. Disse que lutavam pela… democracia!!!

Tamayo, sim, lutava pela democracia! Está morto. Lula e Marco Aurélio Top Top Garcia abraçam seus assassinos.

Não parece. Mas Lula garante que há uma universidade nesta foto

Augusto Nunes, Veja online


“E pasmem para uma coisa que é importante”, gabou-se Lula de novo. “Eu, torneiro mecânico, já sou o presidente da República que mais fez universidades neste país”. Jura que construiu 13. Para chegar a esse número, inclui, por exemplo, o campus de São Bernardo do Campo da Universidade Federal do ABC, inaugurado em 25 de agosto de 2009. A imagem que ilustra este post registra o momento da inauguração. Não parece, mas Lula garante que há uma universidade na fotografia.

No dia da festa, o maior governante desde Tomé de Sousa irrompeu no berço político ao lado da primeira-dama e escoltado pela procissão de ministros. Na discurseira para a plateia reunida num auditório, contou que construíra aquele templo do conhecimento por temer a ciumeira de Marisa Letícia, que exigiu para a cidade natal uma universidade igualzinha à de Garanhuns. Atribuiu o ligeiro atraso das obras ao Tribunal de Contas da União. Avisou que o campus começaria com 500 alunos, chegaria a 15 mil até o fim do governo e logo se tornaria mundialmente conhecido como um viveiro de gênios da engenharia.

Encerrada a discurseira, foi visitar a maravilha — sem plateias por perto. A foto congela o instante histórico. Aplaudido pela companheira primeira-dama, pelo companheiro prefeito Luiz Marinho e pelo companheiro vice-prefeito Frank Aguiar, o Primeiro Companheiro não descerra nenhuma placa. Apenas movimenta uma pá. Como o monumento ao saber só existia no palavrório de palanque, o JK de chanchada inaugurou uma pedra fundamental. E deu por inaugurada outra universidade federal.

Um texto primoroso que desnuda a falsidade dos debiloides de esquerda...

Comentando a Notícia

Excelente o artigo de Alfredo Motta Menezes, para a Gazeta, jornal de Cuiabá, Mato Grosso. De forma clara e até bastante simples, , demonstra aquilo que a maioria já sabe, mas que alguns poucos ainda recalcitram em aceitar: que não passa de falácia o tal “outro mundo possível” que as esquerdas reverberam e insistem em querer vender aos incautos.

Alguns destes poucos, inclusive, são padres católicos o que chega a ser um assombro. Aliás, graças ao apoio da CNBB é que o PT acabou se popularizando, e o movimento MST ganhou a projeção nacional que tem. E digo que chega a ser um assombro dado que, antes de católico ou evangélico, batista ou qualquer outro segmento da mesma linha, é preciso ser cristão. E ser cristão, nada mais é, do que, primeiro conhecer a palavra de Jesus Cristo e, segundo, tanto quanto possível, adotar como seu o estilo de vida apregoado por ele.

Dentre outras tantas verdades, Cristo revelou: a cada um segundo suas obras. Isto não é nem opinião nem tampouco interpretação. É o que consta do Evangelho. O que se de4preende de tal conceito é que, cada um colherá o que houver semeado, isto é, fruto do esforço ou não, cada pessoa receberá, para o bem ou para o mal, o produto de suas escolhas e ações.

Com efeito, isto condiz com a natureza humana. Cada um de nós, tem talentos variados, sentimentos diversos, e age de acordo com seus princípios e valores. Cada personalidade é única em sua essência. Deste modo, cada um age impulsionado por um conjunto de fatores psicofísicos que formam um indivíduo. Daí a razão de ser singular, único, particular, ou, indivíduo.

Portanto, na essência das doutrinas de esquerda, a base com que tentam se sustentar já é falsa, não se sustenta na realidade do somos. Tenta-se “esmagar” em nome do coletivo, como se pudesse haver duas personalidades absolutamente iguais.

Claro que se deve oferecer oportunidades iguais, claro que os códigos das leis que regem e disciplinam a vida em, sociedade devem ser igualitárias, ou seja, não favorecem a ninguém em particular. Claro que as condições de vida devem ser as melhores possíveis para todos em geral, contudo, até porque estamos sujeitos às leis naturais, sempre o mais apto há de prevalecer. Sempre o que melhor souber se adaptar ao meio em que vive, e se dispuser à comunhão de seus talentos próprios com as oportunidades que o meio lhe oferecer, imprimindo esforço pessoal, há de merecer maiores conquistas.

Tentar mudar esta realidade é querer cegar-se à realidade. A Terra gira em torno do sol e em torno de si mesma. Mas, apesar desta verdade inquestionável, tem gente que ainda acha que somos o centro do universo...

Em tempos de conflitos de ideias, de que a esquerda isto, a direita aquilo, é saudável encontrar textos simples e que de forma simples, põe ordem no pensamento e desmontam as mentiras e mistificações que os “pensadores da esquerda” ainda tentam emplacar. Aliás, no Brasil, estes jumentos são muitos e, por vezes, conseguem confundir e até se transformarem em celebridades pela suas ideias absurdas. Pena que sempre há aqueles que teimam em não se transformar em débeis mentais convertidos...

Segue o texto do Mota Menezes, para A Gazeta.

Conversa sobre o socialismo

Parece heresia falar do socialismo num domingo de carnaval. O motivo é aproveitar o gancho dum e-mail que corre pela internet. Conta um suposto caso ocorrido numa universidade norte-americana. Um resumo dele.

Alunos em curso universitário no Texas defendiam o socialismo como um sistema mais justo, distribui melhor os benefícios para a maioria das pessoas. O professor discordava e propôs o seguinte desafio: naquele semestre as notas dos alunos seriam pela média geral da classe. A maioria dos alunos concordou.

Depois das provas, a média, ou a soma de todas as notas, deu nota B para a classe toda. Quem estudara mais e tirara nota A não gostou. Aqueles que estudavam menos, aproveitando a nota alta de outros, gostou da justiça feita.

Na próxima prova, os que estudavam muito resolveram estudar menos, pois a nota seria a média de todos. Os que sempre estudavam pouco estudaram menos ainda. A média das notas foi um D. Começaram as broncas e apontar de dedos para culpados.

Na última prova a nota dividida de todos foi um F, que nos EUA é reprovação. Acontecera que ninguém queria mais estudar por causa da divisão da nota pela média que na opinião de alguns estudantes seria a justa.

A tese é que no socialismo aconteceria a mesma coisa e que foi isso que ajudou a minar o sistema por dentro.

Espichemos o exemplo. Alguém que trabalhava num setor de saúde na ex-União Soviética, por índole pessoal, trabalhava muito. Outro colega ao lado trabalhava pouco. Os dois ganhavam a mesma coisa. E, além disso, tinham os mesmos benefícios, como educação e saúde gratuita, cultura e esporte também e ainda transporte e casa subsidiada.

O que trabalhava muito, aos poucos, foi diminuindo seu ritmo. Não havia incentivo ao seu maior dinamismo. Isso se espalhando de serviço em serviço, de fábrica em fábrica pode ter sido um dos micróbios que teriam matado o sistema por dentro.

Não teria amolecido somente o indivíduo, as fábricas também não progrediam. Se todos ganham e compram quase as mesmas coisas, as fábricas não competiam entre si e produziam uma geladeira comum a quase todo mundo. Sem competição a qualidade dos bens produzidos caiu.

A Rússia até hoje não consegue competir com produtos com quase ninguém no mundo. Perde até do Brasil. O Brasil, aproveitando o gancho do caso, quando tinha o mercado fechado, sem competição, não produzia bens de qualidade. Quando o abriu, houve, como exemplo, um salto na qualidade de eletrodomésticos.

Mikhail Gorbachev, aquele que comandou a Perestróica e a Glasnost, dizia que a ex-União soviética era capaz de colocar um homem no espaço e não fabricava um liquidificador que funcionasse direito. Faltava competição, sem essa, no trabalho individual e nas indústrias, o sistema foi sendo minado por dentro.

A ex-União Soviética até hoje é líder em armas nucleares e na corrida espacial no mundo. Disputa cabeça a cabeça com os EUA nessa área. A dedução é que, ao enfrentar a competição com os EUA, ela criou bens e produtos de qualidade indiscutível. Nas outras áreas que não havia competição, com mercado fechado e cativo, sem competidores à altura, a coisa se complicou e chegou onde chegou.

TOQUEDEPRIMA...

***** CNJ afasta 10 magistrados de MT por tráfico de influência
Da TVCA e O Globo:

O Conselho Nacional de Justiça aposentou compulsoriamente 10 magistrados de Mato Grosso acusados de envolvimento em um suposto esquema de desvio de recursos públicos para socorrer financeiramente uma loja maçônica em Cuiabá. O julgamento é em instância final e não cabe recursos. A votação foi por unanimidade, com todos os conselheiros seguindo o voto do relator Ives Gandra da Silva Martins Filho, que pediu a aposentadoria dos acusados.

Foram condenados os desembargadores José Ferreira Leite, ex-presidente do TJ do Mato Grosso e grã-mestre da Ordem Maçônica do estado, José Tadeu Cury e Mariano Travassos. Também foram condenados os juízes Marcelo Souza de Barros e Marcos Aurélio dos Reis Ferreira (filho de José Ferreira Leite), Antônio Horácio da Silva Neto, Juanita Clait Duarte, Graciema Caravellas, Maria Cristina Simões e Irênio Lima Fernandes.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Espera aí: abriram a porta do circo ou do hospício e liberou geral? Ora, se todos foram “condenados” por desvio de dinheiro público deveriam:

a.- Estarem presos, que é o lugar para quem assalta cofre público;
b.- Deveriam ter seus bens bloqueados e serem condenados a ressarcirem o Erário pelo montante que desviaram;
c.- Deveriam ser expulsos da vida pública sem direito a coisa alguma, para servirem de exemplo para quem pensa em agir pelo mesmo figurino.

Aposentadoria compulsória? Ora, isto é um prêmio por mau comportamento. É o pior exemplo de que, para os governantes, o crime compensa MUUUUIIIITTTOOO!!!! Roubar dinheiro público, seja pelo barnabé ou pelo juiz, é crime igual. Aliás, o do juiz, pelo muito que ganha, e pelo nível de conhecimento profissional que possui swobre o respeito às leis, é até mais grave.

***** Envolvimento do PT ajuda a sepultar CPI no Sul
Cláudio Humberto

O suposto envolvimento de um deputado federal do PT no escândalo pode ajudar a transformar em pizza, nesta quarta-feira, a CPI criada na Assembleia gaúcha para investigar denúncias contra a governadora Yeda Crusius (PSDB). Nas escutas com autorização judicial da Operação Solidária, da PF, há vários diálogos de empreiteiras tratando de licitações para obras federais do DNIT no Rio Grande do Sul.

Nas gravações, empreiteiros fixam propina de “dois litros e meio” a um destinatário. Segundo a investigação, seria o valor de R$ 2,5 milhões.

Gravações apontam um “Vermelho que Arde nos Olhos”, fazendo supor que seria o deputado Paulo Pimenta (PT), que não é citado nos autos.

O chefe do DNIT-RS, Hideraldo Caron, figura central das investigações, é homem de confiança de Paulo Pimenta, daí a ilação dos políticos

***** Há oposição
Cláudio Humberto

O líder do PSDB, João Almeida (BA), surpreendeu na Câmara, ontem: atacou o governo. Disse que a ameaça de fiscalizar grandes empresas em ano eleitoral é para coagi-las a generosas doações ao PT

***** Sem água
Servidores do Ministério do Meio Ambiente não têm água para beber desde quinta-feira passada: faliu a fornecedora potiguar, situada a 3 mil km de distância. A droga de ministro Carlos Minc não comentou.

***** STF retoma julgamento para acabar com imposto sindical para centrais.
Será esta semana a conclusão da votação sobre o pedido do DEM para que acabe o imposto sindical que beneficia as centrais sindicais.A votação foi iniciada há 15 dias no STF.

Cada central sindical recebe 10% do imposto sindical arrecadado dos trabalhadores uma vez por ano.

Cavalgando a malfeitoria, surgiram seis centrais sindicais de trabalhadores.

As centrais sindicais patronais, tipo CNI, CNA e CNC, também recebem o dinheiro fácil.

***** Repercute entrevista não autorizada de Brossard.
Políbio Braga

A opção do editor pela publicação de uma "entrevista não autorizada" do ex-ministro Paulo Brossard, chamou atenção redobrada sobre o artigo que ele assinou no jornal Zero Hora.

Hoje, o bom jornalismo não está mais nos poucos jornais que se dedicam a informar, mas sobretudo na internet.

Para refletir sobre um tópico do artigo do dr. Brossard:

" Vazar" para o público matéria que está sob sigilo judicial é um ilícito.

Quantos "vazamentos" foram feitos ao tempo do ministro Tarso no Ministério da Justiça ? Quantos inquéritos ou procedimentos administrativos foram instaurados para apurar quem foram os responsáveis pelo ilícito? Juridicamente, quem não apura, pratica ato omissivo e isto é prevaricação.

A arbitrariedade é uma espécie de sogra maldita, que se manifesta pela ação perversa do genro.

***** Nervos de aço
O Brasil vai doar 1,5 milhão de vacinas contra raiva à República Dominicana, onde vive o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Não se sabe se a ele servirá, mas a nós fará falta aqui. Argh.

***** AGU: sem licitação para ajudar o Haiti
Relatório da Advocacia-Geral da União conclui que não é necessário abrir licitação para a compra de produtos e serviços destinados à ajuda humanitária ao Haiti. Segundo o advogado da União Rafael Figueiredo Fulgêncio o risco a que se expõe a população justifica a urgência nas aquisições, sendo inviável o processo de licitação, pela demora no procedimento. Em janeiro deste ano, a população haitiana foi atingida por um terremoto. Mais R$ 375 milhões já foram destinados para as despesas das Forças Armadas e dos Ministérios. A Medida Provisória assinada pelo presidente Lula libera R$ 1,3 bilhão em recursos.

***** No banco dos réus, o vereador do PSOL foge com o rabo no meio das pernas.
Políbio Braga

No início do ano passado, o vereador Pedro Ruas e a deputada Luciana Genro, ambos do PSOL, surpreenderam e alarmaram a sociedade gaúcha com denúncias gravíssimas contra Yeda Crusius, secretários estaduais, dirigentes partidários, empresários e familiares de Yeda Crusius.

Quem não se lembra de uma frase emblemática de Ruas e Luciana, ao falar sobre as provas: “Vimos gravações em vídeo, com a clareza de um filme de altíssima definição”.

O vereador Pedro Ruas foi particularmente agressivo com o professor Carlos Crusius, a quem chamou repetidas vezes de corrupto.

Ruas e Luciana prometeram mostrar as provas.

Nunca mostraram nada.

Yeda e Carlos Crusius sequer respondem a processos.

Acontece que o professor Carlos Crusius resolveu bater às portas do 3º Juizado Especial Criminal para buscar duas respostas:

1) As provas que Pedro Ruas disse existirem.
2) Caso o vereador do PSOL não fizesse isto, Crusius queria metê-lo na cadeia e numa camisa de força.

Alguém pode supor que o Sr. Pedro Ruas se defendeu, apresentando as provas que disse ter, e reagindo ao ataque ?

Nem de longe. Ele apenas invocou uma suposta inviolabilidade parlamentar, que o isentaria de prestar contas por qualquer calúnia, injúria e difamação que cometesse. O juiz aceitou a defesa. Neste momento, o advogado Cesar Bitencourt, com quem o editor conversou nesta quina, resolveu apelar. “A imunidade parlamentar não existe para o vereador, porque ela é apenas relativa e restringe-se aos temas municipais”, avisou o dr. Bitencourt.

- O mais curioso em todo o imbróglio é a covardia política dos caluniadores que não assumem as patifarias que praticam, escondendo-se atrás do manto da imunidade parlamentar.

***** Vannuchi duvida de crise militar
Roldão Arruda, O Estado De S. Paulo

Em palestra proferida em São Paulo, o ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) criticou o titular da pasta da Defesa, Nelson Jobim, e pôs em dúvida a crise militar ocorrida em dezembro, com a ameaça de demissão dos chefes das Forças Armadas, que teriam manifestado descontentamento com o Programa Nacional de Direitos Humanos.

"Tenho dúvida se as cartas de demissão existiram ou não", afirmou. "Foram os militares que pressionaram Jobim? Ou foi ele que pressionou os militares para se solidarizarem com ele?"

A crise militar levou o presidente Lula a rever itens do programa que havia aprovado dias antes. Na ocasião, Vannuchi, abatido e sem contar com nenhuma manifestação de apoio oficial do Palácio do Planalto, chegou a acenar com um pedido de demissão.

Na segunda-feira, porém, se mostrou animado e comemorou o fato de o 4º Congresso do PT, realizado no fim de semana, ter aprovado por unanimidade uma moção de apoio às suas ações à frente da Secretaria de Direitos Humanos.

***** Lula privilegia em reajuste a elite do funcionalismo público
Desde o primeiro ano do governo Lula, as categorias da elite do funcionalismo estão entre as principais beneficiadas com grande s aumentos salariais. Funcionários das áreas jurídica e financeira, como procuradores do Banco Central, analistas de finanças e planejamento e auditores fiscais, além dos servidores do Itamaraty, da Polícia Federal e da Abin, receberam reajustes que variaram de 157% a 281%.

O governo também tornou mais cara a máquina pública. Ao mesmo tempo em que o Executivo elevou em 13% o número de servidores nos últimos sete anos, a despesa com cada funcionário federal da ativa subiu em média 60%.

Mas, enquanto na Presidência da República o efetivo mais que dobrou, na Saúde o aumento de pessoal foi um dos menores, apenas 0,5%. Na Educação, o número de servidores subiu 19,2%.

***** Vigarices e pilantragens...

Vigarice 1: MPF questiona ‘trem da alegria’ na Anatel
A conversão de cargos exclusivos para servidores concursados em cargos de confiança na Agência Nacional de Telecomunicações virou foco de ação do Ministério Público Federal, no DF. Entre 2001 e 2006, segundo a investigação, 62 vagas exclusivas para concursados, foram transformados em cargos de “livre nomeação e exoneração”, em geral usados para nomear amigos, amantes e afilhados através de portarias.

Segundo a Constituição, a alteração de vagas exclusiva para servidores para cargos de confiança só pode ser feita através de Lei.

Na ação contra a Anatel, o MP pede a exoneração dos comissionados e a anulação das portarias que alteraram a estrutura da agência.

Também tem vídeos de propina um próximo escândalo de corrupção sob investigação do Ministério Público e da policia, no Rio.

Vigarice 2: outros trenzinhos da alegria dos petistas
Os “cumpanhero” só esperam o ok do “maquinista-chefe” para a partida do trem da alegria geral: vários órgãos, como o Banco Central, querem transformar técnicos de nível médio em auditor, sem concurso.

Vigarice 3: no Ministério da Justiça
Em 2009, o Tribunal de Contas da União apontou irregularidades nos contratos do Ministério da Justiça com a Aplauso em 2006, 2007 e 2008. Segundo o TCU empresa usou “jogo de planilha”, com preços abaixo e acima do valor de mercado como referência nas contratações.

***** Em defesa da Argentina, Lula faz ataque à ONU
Estadão

Paparicado por presidentes latino-americanos, chamado de "líder indiscutível" da região, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou ontem a Organizações das Nações Unidas (ONU) e o seu Conselho de Segurança por não se posicionarem em favor da soberania das Ilhas Malvinas pela Argentina.

A declaração foi feita durante o discurso de Lula na Reunião de Cúpula de Países da América Latina e do Caribe (Calc), que se encerrou ontem, no balneário mexicano de Cancún. "A nossa atitude é de solidariedade à Argentina", disse Lula, que indagou: "Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar na Malvinas?"

E emendou: "Qual é a explicação de as Nações Unidas nunca terem tomado essa decisão? Não é possível que a Argentina não seja dona (das Malvinas), mas que seja a Inglaterra, a 14 mil quilômetros de distância."

Lula insinuou que a ONU age dessa forma porque a Grã-Bretanha é membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e voltou a defender uma reformulação do organismo, ampliando sua representatividade.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Só pode ser amor mal resolvido! A Argentina não cansa de chutar o traseiro do Brasil na relação comercial, apesar de sócia no Mercosul, e Lula ainda vai se meter a defendê-la numa questão histórica que não tem a ver com o Brasil ? Será falta do que fazer, ou todos os problemas do Brasil já foram resolçvidos?

***** Lula silencia há 3 meses sobre mensalão
Flávio Ferreira, da Folha de S.Paulo

Há mais de três meses o STF (Supremo Tribunal Federal) aguarda respostas do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva a perguntas sobre o conhecimento dele dos fatos apontados na ação penal do mensalão e sua relação com os réus no processo.

As questões foram elaboradas pelo Ministério Público Federal, que é o autor do processo em andamento no STF sobre a suposta compra de apoio de partidos e políticos pelo PT entre 2002 e 2005.

***** Após 4 décadas de autonomia, Petrobras importa gasolina
Após quatro décadas de autonomia na produção de gasolina, a Petrobras vai voltar a importar o combustível. Cerca e milhões de barris (270 mil m³) foram embarcados na Venezuela devem chegar ao País, ainda em fevereiro. As informações são do jornal Estado de S. Paulo desta quarta-feira.

A empresa disse que vai avaliar a possibilidade de comprar mais combustível. A importação foi motivada pelas chuvas que interromperam a colheita de cana e a destinação de parte da lavoura para a produção de açúcar, o que diminuiu a oferta para a produção de etanol combustível.

***** Sem surpresas: gastos para a Copa de 2014 são maiores que os da África do Sul
A previsão de gastos para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, a quatro anos de seu início, é 120% maior do que o montante investido na África do Sul, que recebe o evento esportivo neste ano. As informações são do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira.

Segundo divulgou o governo brasileiro em fevereiro, a lista de projetos contém 59 obras (12 estádios) com custo total previsto em R$ 17,52 bilhões, incluindo recursos federais, estaduais e privados. Na África do Sul, a previsão de gasto total é de R$ 7,968 bilhões, segundo informações do Tesouro Nacional daquele país. O Brasil terá três sedes e duas arenas a mais que os africanos.

***** Cartões: governo torrou R$ 6,1 milhões já em janeiro de 2010
Os gastos do governo federal com cartões corporativos em 2010 já atingiram mais de R$ 6,15 milhões apenas durante o primeiro mês do ano. Somente as despesas da Presidência da República somaram R$ 1,3 milhão em janeiro, mas jamais serão reveladas: são classificadas de “sigilosas”. As atividades da Polícia Federal, vinculadas ao Ministério da Justiça, consumiram R$ 1,5 milhão usando os cartões.

Durante o ano de 2009, as despesas “sigilosas” da Presidência da República, incluindo gastos da família Lula, somaram R$ 13 milhões.

Os gastos com cartões corporativos este ano já correspondem às despesas do Ministério do Planejamento com cartões durante 2009.

***** Cabral e deputados articulam ‘trem da alegria’ no Rio
Há uma proposta indecorosa em gestação na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, pretendendo criar um Tribunal de Contas para analisar gastos dos municípios. Para tanto, seriam criados mais sete cargos de conselheiros, a serem indicados pelos deputados estaduais ou pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). Os autores ainda juram que é “alternativa” contra “politicagem, compadrio e irregularidades.” Anrã.

A proposta de mais um Tribunal de Contas no Rio exclui a exigência de nível superior, contrariando a Constituição estadual, e prevê demissão.

Tribunais de Contas em todo o País têm sido o destino de políticos aposentados. Raramente são nomeados técnicos e especialistas.

A política externa do governo Lula

Rubens Barbosa (*), Estadão

O documento A Política Internacional do PT, examinado no congresso do Partido dos Trabalhadores na semana passada, é uma versão mais branda e polida do trabalho A Política Externa do Governo Lula, de autoria do secretário internacional do PT, Valter Pomar. A análise de Pomar mostra a influência do PT na política externa do governo Lula, tornando evidentes as motivações ideológicas e partidárias da ação do Itamaraty nos últimos sete anos.

Pareceu-me adequado, em lugar de uma análise crítica, reproduzir literalmente algumas das principais afirmativas incluídas no trabalho, deixando ao leitor a tarefa de tirar suas próprias conclusões.

A grande novidade nas decisões sobre relações internacionais do congresso do PT foi a sugestão de criar um Conselho Nacional de Política Externa, com participação social - sindicatos, ONGs, movimentos sociais (MST).

"Na política externa, as diferenças entre o governo Lula e FHC sempre foram muito visíveis. A política externa antecipou o movimento progressista do governo Lula, estando desde o início sob a hegemonia de concepções fortemente críticas ao neoliberalismo e à hegemonia dos EUA. Contribuiu também a militância internacionalista do PT e do Presidente Lula, expressa na criação de uma assessoria especial dirigida por Marco Aurélio Garcia."

"Objetivamente, a política externa do Presidente Lula faz o Brasil competir com os EUA (sic). Comparada com outras potências, trata-se de uma competição de baixa intensidade, até porque a doutrina oficial do Brasil é de convivência pacífica e respeitosa (cooperação franca e divergência serena com os EUA)."

"Inclusive por se dar no entorno imediato da potência, a competição com o Brasil possui imensa importância geopolítica e tem potencial para, no médio prazo, constituir-se em uma ameaça aos EUA (sic). Isso é confirmado (...) pela manutenção pela Administração Obama da política de acordos bilaterais e de exibição de força bruta (IV Frota, bases na Colômbia, golpe em Honduras e reafirmação do bloqueio contra Cuba). É nesse marco que vem se travando o debate sobre a renovação do equipamento das FFAA brasileiras (sic), o submarino de propulsão nuclear e a compra de jatos de combate junto à indústria francesa."

"O Governo Lula é não apenas parte integrante, mas também forte protagonista da onda de vitórias eleitorais progressistas e de esquerda ocorrida na América Latina entre 1998 e 2009."

"Governo Lula adotou a integração regional como seu principal objetivo de política externa e busca acelerar a institucionalização da integração regional, reduzir a ingerência externa, as desigualdade e assimetrias. Foi com este espírito, de convergência de políticas de desenvolvimento, bem como de ampla integração cultural e política, que o governo Lula trabalhou para manter o Mercosul e cooperar com os outros acordos sub-regionais."

"Embora toda política progressista e de esquerda deva necessariamente envolver um componente de solidariedade e identidade ideológica, a dimensão principal da integração, na atual etapa histórica latino-americana, é a dos acordos institucionais entre Estados, acordos que não devem se limitar aos aspectos comerciais. Este é o pano de fundo da CASA, agora chamada de UNASUL."

"Com esses objetivos, o governo Lula tem implementado duas diretrizes:

a) politicamente, opera com base no eixo Argentina-Brasil-Venezuela. Sem desconhecer as distintas estratégias das forças progressistas e de esquerda atuantes em cada um desses países, é da cooperação entre eles que depende o sucesso do projeto de integração (foi apenas durante o governo Lula que a Venezuela passou a ser reconhecida com um dos principais protagonistas do processo de integração).

b) estruturalmente, busca implementar uma política de integração de largo espectro, envolvendo projetos de infraestrutura, comerciais, de coordenação macroeconômica, de políticas culturais, segurança e defesa, bem como a redução de assimetrias."

"As negociações com a Bolívia (gás), o Paraguai (Itaipu), a disposição permanente de negociar com a Argentina e com a Venezuela, entre outros, devem ser vistas como integrantes de uma política mais ampla, que já foi chamada, inadequadamente, pois remete ao projeto hegemônico norte-americano, de Plano Marshall para a América do Sul."

"O crescente protagonismo global do Brasil deve ser combinado com a reafirmação e a ampliação de seu compromisso com a integração regional, seja porque o protagonismo está fortemente vinculado aos sucessos latino e sul-americano, seja porque as características geopolíticas do país e de sua política externa conferem ao Brasil posição insubstituível no processo de integração regional."

"Frente a desafios gigantescos, a política externa implementada pelo governo Lula é uma política de Estado. Mas parcela da classe dominante brasileira rejeita os fundamentos desta política, conferindo reduzida importância à integração regional, desejando menor protagonismo multilateral e preferindo maior subordinação aos interesses dos EUA." Apesar de nesse sentido ainda não ser uma política de Estado (sic), a política externa do governo Lula tampouco é uma política de partido.

"Isso significa que, no curto prazo, a continuidade da atual política externa dependerá do resultado das eleições presidenciais. Mudará a correlação de forças regional, resultando no adiamento dos processos de integração e na interrupção do reformismo democrático-popular."

"A rigor, a atual política externa do Brasil corresponde aos interesses estratégicos de uma potência periférica, interesses que nos marcos do governo Lula e de um futuro governo Dilma comportam uma dupla dimensão: por um lado, empresarial e capitalista e, por outro, democrático-popular."

(*) Rubens Barbosa foi embaixador do Brasil em Londres e em Washington

Quem sabe comprar um comprimido?

Carlos Alberto Sardenberg, Estadão

Brasileiros e brasileiras a partir dos 16 anos têm discernimento para eleger o presidente da República - tal é o entendimento dominante na sociedade brasileira. Teriam essas pessoas a mesma capacidade para escolher um comprimido para dor de cabeça?

A pergunta parece absurda, mas é exatamente a questão colocada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao tentar impor regras novas para as farmácias. Para a Anvisa, que tem o apoio de conselhos de farmacêuticos, as pessoas comuns precisam da intermediação ou da assistência de um balconista para comprar mesmo os medicamentos que não exigem receita.

Pelo sistema vigente há tantos anos, esses medicamentos simplesmente ficavam expostos nas gôndolas, ao alcance dos consumidores. Bastava pegar, ir ao caixa e pronto. Para a Anvisa, isso é perigoso, estimula a automedicação e pode levar a um consumo exagerado. As pessoas comprariam por impulso, conduzidas pelo momento, pela propaganda, pela embalagem e sabe-se mais o quê.

Assim, a regra nova - que está suspensa em grande parte das farmácias por decisões judiciais ou legislação estadual - determina que aqueles medicamentos fiquem atrás do balcão, de tal modo que o cliente precise solicitá-los ao vendedor. Qual a diferença, além de um estorvo?

Imaginando pelo limite: o consumidor aparece com um pedido de compra enorme de analgésicos. Alguém acredita seriamente que o vendedor se recusará a fechar o negócio? Digamos que o balconista ainda pergunte: Mas por que o senhor quer tanta coisa? E o consumidor, mal-humorado, responda: Não é da sua conta.

Pode o vendedor negar a venda? Não pode. Não há lei que proíba uma pessoa de comprar 50 envelopes de analgésicos. O consumidor poderia até acusar o vendedor de discriminação.

Admitamos que o balconista consiga não fazer a venda. O que faz o consumidor? Vai a outras farmácias.

Mas o vendedor pode orientar o comprador, tal é a alegação. Pode?

Difícil. Esse funcionário do balcão não é farmacêutico. Pode ter experiência, mas raramente será um técnico treinado no assunto. Sim, ele pode chamar o farmacêutico que deveria estar ali 24 horas. Pode, talvez num estabelecimento pequeno, não certamente nas lojas maiores, dado o intenso movimento.

Além disso, sabe-se que muitas farmácias não cumprem a regra de ter sempre um farmacêutico por ali. Eis um ponto interessante: em vez de encontrar um meio de resolver esse problema, a Anvisa cria outras regras, que complicam a vida daquelas farmácias que já cumprem as atuais e mantêm o profissional de plantão.

Outro ponto: todo mundo sabe também que se compra sem receita medicamento que exige receita. Todo mundo sabe também que se compram de antigripais a Viagra nos camelódromos de contrabando. Lembram quando, por ocasião do surto de gripe suína, o Ministério da Saúde proibiu a venda de Tamiflu nas farmácias? Pois então, o remédio apareceu em diversos locais e na internet, por fora e sem receita. Não seria a prioridade o combate a esse tipo de comércio ilegal?

Nos últimos dias a Anvisa deu umas incertas em algumas dezenas de farmácias, talvez para marcar o início legal das novas normas. Mas não é o que se vê como ação permanente. Não ocorre apenas com as farmácias. Por toda a parte, há uma enorme informalidade na economia brasileira. Ao lado disso, o governo impõe um monte de regras para os formais, criando uma situação absurda de desvantagem competitiva para quem cumpre a lei.

Mas, por trás dessa história das farmácias, há uma concepção social e econômica. Na social, trata-se da ideia segundo a qual a pessoa não sabe cuidar de si e por isso precisa do cuidado ou da proteção permanente do Estado. Um pensamento perigoso, base do autoritarismo. Se o Estado sabe mais do que o indivíduo, tem todo o direito de limitar e coibir a liberdade individual.

Na vertente econômica, esse pensamento acredita que o consumidor é um bobalhão, vítima eterna das empresas e de suas manobras para empurrar qualquer porcaria. Por isso, precisa da proteção dos sábios burocratas do governo.

Muita gente pensa assim no Brasil, este país sem tradição liberal. Normalmente, as pessoas buscam soluções no governo. Parece mais fácil, mas não funciona.

Considerem, de novo, o caso dos remédios. Muitas vezes, quando o médico vai receitar um remédio contra dor, ele pergunta ao paciente com qual medicamento está mais habituado, com qual se dá melhor. E é assim mesmo. A leitora e o leitor sabem de quais medicamentos precisam - isso no dia a dia, claro - para uma dor de cabeça, uma indisposição, uma ressaca. Pelo menos, sabem melhor do que o balconista. Mas a Anvisa não pensa assim.

Temos, portanto, dois modelos que revelam concepções opostas. Nas drogarias americanas encontra-se de tudo o que não precisa de receita e com enorme variedade. A propaganda de medicamentos também é muito ampla e mais frequente na mídia. Em compensação, a venda de medicamentos controlados é extremamente rigorosa. Quase nunca a pessoa leva o remédio na hora. Tem de deixar a prescrição, que é registrada online, checada e só então liberada. Por exemplo, se aparecem muitas receitas de calmantes de um mesmo médico, dá problema. Há ampla liberdade de decisão das pessoas, assim como as empresas, os fabricantes e as farmácias têm espaço para oferecer e vender seus produtos. Mas são pesadamente responsabilizadas caso façam a coisa errada, desde produtos mal-feitos até propaganda enganosa.

Já o nosso sistema procura limitar cada vez mais a liberdade de consumidores, fabricantes e distribuidores.

A Serra o que é de Serra

Roberto Macedo (*), Estadão

Duas recentes matérias de jornais afirmaram que Serra e Lula têm desempenho fiscal semelhante (Valor, dia 10, e este jornal, dia 11). Surpreso com seu teor, vi como fonte um estudo do economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, muito crível no setor financeiro e na área acadêmica. Perguntei-me: como veio essa conclusão, a contrariar o que até aqui diziam a imprensa e, na área federal, vários estudos de autores igualmente críveis?

Em Brasília está Lula, gastador-mor por convicção e pela ocasião dada pela bonança externa que marcou seu governo até 2008, a qual trouxe mais crescimento, mais tributos e evitou crises externas mais sérias. E opera também sem limites para o endividamento federal. Mais recentemente, fez do PAC e dos seus maiores gastos o carro-chefe para ter a ministra Dilma como sucessora.

É um baita empregador, pois já admitiu perto de 110 mil servidores, e elevou fortemente os salários da ampliada elite do funcionalismo federal. Segundo estudo do economista Raul Velloso, os gastos (deflacionados) de Serra com pessoal subiram 11,3% entre 2006 e 2009 (seu mandato começou em 2007); os de Lula, no mesmo período, quase três vezes mais (29,6%). Com fortes atrativos, os concursos federais atraem milhões de interessados, e há os muitos admitidos na corte sem concurso.

Em São Paulo, Serra enfrenta a crônica carência de recursos típica dos Estados, para o muito que - mais que a União - têm a fazer em áreas como educação, segurança pública e saneamento, com limites rigorosos ao endividamento. Carência essa que o levou a aceitar a federalização do Banco Nossa Caixa. E segue segurando daqui e dali, inclusive a arrecadação de ICMS, com a tal "substituição tributária", impopular entre muitos empresários, e a Nota Fiscal Paulista, esta muito "pop" (tem 7,2 milhões de inscritos e já lhes creditou a enorme cifra de R$ 2,09 bilhões!). Buscando dinheiro aqui e acolá, toca um enorme programa de obras, algumas saltando aos olhos, como o Rodoanel e o Metrô paulistano, e muitas mais, como a recuperação e ampliação de estradas vicinais e dezenas de escolas técnicas.

Assim, procurei ver para crer o estudo do Santander, gentilmente enviado pelo próprio autor, com o título A fria realidade dos números. Da Fazenda estadual e no site www.fazenda.sp.gov.br obtive mais dados, e confirmei o que imaginava.

De início, ainda que sem enfatizar isso, o próprio estudo do Santander faz justiça a Serra como grande investidor público. Assim, na formação de capital, como estradas e outras obras, os números (que excluem as empresas estatais, mas incluem transferências a estas para tal finalidade, como ao Metrô) revelam que passou de 0,9% do PIB estadual em 2006 para 1,7% do PIB em 2009, ou seja, quase o dobro. Enquanto isso, no governo Lula subiu de 0,7% do PIB nacional para 1,1% no mesmo período.

Schwartsman, contudo, põe maior ênfase nas despesas correntes (com pessoal e outras não-financeiras) e concluiu que as estaduais passaram de 7,8% a 9,1% do PIB entre 2006 e 2009, um acréscimo de 1,3% do PIB. Isso o levou a concluir que cresceram mais que os investimentos, estes em 0,8% do PIB (1,7% menos 0,9%, já citados). Ainda assim, deixou de acrescentar que, relativamente ao ano-base, mesmo com esses números o aumento dos investimentos foi maior (89%) que o das despesas correntes (17%).

Em relação a essas despesas correntes, há a conclusão maior, e que levou às manchetes de jornais citadas. Sempre de 2006 a 2009, no governo Lula tais despesas passaram de 16,2% do PIB a 17,1% (mais 0,9% do PIB), aparentemente crescendo menos do que em São Paulo, pois aqui o aumento teria sido de 1,3% do PIB, conforme o parágrafo anterior. Ora, isso surpreende quem sabe dos apertos do governo Serra, inclusive reclamações de funcionários, exceto dos que vão para cargos federais, onde prevalece o silêncio dos muito satisfeitos.

Entretanto, essa conclusão resultou de uma tecnicalidade envolvida, mas não percebida, a qual funcionou como uma armadilha em que eu também, talvez, cairia, exceto pelo fato de que minhas convicções fariam mais perguntas aos dados para me convencer do que mostravam.

Além de gastos de pessoal, há nessas despesas correntes o item "outras", que surpreendentemente cresce 1,8% do PIB no mesmo período, sendo 1,7% do PIB apenas entre 2006 e 2008! Ora, em 2007 surgiu a São Paulo Previdência (SPPrev), mudando a forma de contabilizar os encargos previdenciários do Estado. Progressivamente, ela passou a receber as contribuições dos servidores e do Estado e a fazer os vultosos pagamentos devidos a aposentados e pensionistas, sendo fortemente deficitária. A tecnicalidade surge porque isso leva a uma dupla contagem de despesas pelas regras contábeis aplicáveis, conforme se vê no site citado. Ou seja, uma vez como obrigações patronais da administração direta, mais o déficit; outra, como outras despesas da SPPrev, da administração indireta - o que não foi percebido pelo estudo do Santander.

Feitos os ajustes, conforme calculados pela Fazenda estadual, o aumento das despesas correntes foi de 6,57% do PIB em 2006 para 6,61% em 2009 e, portanto, insignificante, o que muda radicalmente as conclusões do estudo do Santander.

Escrito em inglês e distribuído aqui e no exterior, ele também entra pelo terreno eleitoral e especula quanto à firmeza fiscal de Serra e de Dilma, o que levou as citadas reportagens a propagar que sob este aspecto não se deveria esperar mais do primeiro do que da segunda.

Contudo, com essa revisão dos dados, o que se conclui mesmo é que Serra é fiscalmente mais firme do que Lula e que Dilma é uma incógnita, na melhor das hipóteses. Na pior e mais verossímil, seguiria a cartilha de seu chefe, da qual também é redatora.

(*) Roberto Macedo, economista (UFMG, USP e Harvard), professor associado à Faap, é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo

Um sopro no braseiro

Estadão

Tomada às vésperas do início das perfurações destinadas a determinar o potencial das reservas de petróleo na área das Ilhas Malvinas - cuja soberania seu país disputa com a Grã-Bretanha desde 1833 -, a decisão da presidente Cristina Fernández de Kirchner, de exigir licença prévia para toda embarcação que transitar entre a Argentina e as ilhas, traz perigoso sopro ao braseiro da antiga crise.

Não é nada que lembre o desvario da ditadura chefiada pelo general Leopoldo Galtieri, que, em 1982, tentou tomar as Malvinas - chamadas de Falklands pelos britânicos - pela força militar, o que deu início a uma guerra que resultou em quase mil mortes e na derrota da Argentina. Mas, do ponto de vista do prestígio político interno do governo, a comparação da situação atual com a de 1982 não é despropositada.

Pouco antes do início da Guerra das Malvinas, a ditadura argentina naufragava, política e economicamente. Decompunha-se. Se vitoriosa, a aventura militar poderia dar-lhe alguma sobrevida, mas a derrota lhe foi fatal.

Cristina Kirchner também terá de enfrentar as urnas no ano que vem e as perspectivas são sombrias para ela. No terreno econômico, seu governo é acossado pela aceleração da inflação e pelo impacto da crise sobre a produção; no político, pelas denúncias de corrupção no seu governo e no de seu antecessor, seu marido Néstor Kirchner, que se expressaria no aumento não justificável do patrimônio do casal. Aliados começam a deixar o barco governista. A oposição, embora fragmentada, consegue unir-se quando se trata de criticar e acuar os Kirchners.

O casal presidencial, que fez carreira na Patagônia, de onde partiram aviões e embarcações utilizados na guerra, trata com atenção a questão das Malvinas, e tenta utilizar o tema para melhorar sua imagem. Ao anunciar a assinatura do decreto presidencial restringindo a circulação de embarcações entre o território continental da Argentina e as Ilhas Malvinas, o chefe de gabinete do governo, Aníbal Fernández, disse que seu governo agia "em defesa dos interesses dos argentinos".

O petróleo transformou-se no pretexto para Kirchner reacender a disputa com a Grã-Bretanha. Os campos petrolíferos do Mar do Norte, explorados pelos britânicos desde a década de 1970, estão em declínio. Também na Argentina as reservas provadas de petróleo estão diminuindo, o que faz prever que o país deixará de ser autossuficiente dentro de algum tempo. Quanto às reservas existentes a cerca de 150 quilômetros ao norte das Ilhas Malvinas, em 1998 elas chegaram a ser estimadas em 60 bilhões de barris pela Geological Society, de Londres. Apesar disso, as explorações foram abandonadas em 1998, por causa do alto custo da extração do petróleo, que na época estava cotado a US$ 20 o barril. Desde a alta do óleo, no entanto, as reservas das Malvinas tornaram-se economicamente interessantes.

O governo de Londres apoiou a decisão do governo das Malvinas - que, desde o início do ano passado, é regido por um estatuto próprio - de autorizar empresas britânicas a realizar perfurações para determinar a quantidade de petróleo nos poços da área. As perfurações começarão nos próximos dias.

A intenção do governo argentino é dificultar a chegada de equipamentos à região dos poços, encarecendo a operação. De acordo com a administração das Malvinas e de representantes da empresa que fará as perfurações, porém, o decreto de Kirchner não afetará as operações, pois os navios utilizam águas internacionais.

À belicosidade do governo argentino, o governo britânico tem reagido com moderação. Reafirmou a soberania da Grã-Bretanha sobre as Malvinas e reconheceu o direito da Argentina de aplicar novas leis dentro de seu território.

O governo Kirchner quer, porém, discutir a questão em diversos foros internacionais. Dentro de alguns dias, o chanceler argentino, Jorge Taiana, se reunirá com o secretário-geral da ONU, Ban-Ki Moon, a quem tentará provar que a decisão britânica contraria acordos firmados pelos dois países depois da Guerra das Malvinas. Taiana tentará também obter o apoio formal do Grupo do Rio (que reúne 20 países latino-americanos) à posição argentina. Nessa questão, o melhor que o governo brasileiro tem a fazer é manter equidistância dos dois lados.

Poste que fala

Guilherme Fiúza, Revista Época

Não mostrem a Regina Duarte o discurso de Dilma Rousseff no Congresso do PT. Para quem tinha medo de Lula, o trauma poderá ser insuperável.

Nem tanto pelas palavras proferidas pela pré-candidata a presidente. A retórica estadista de porta de assembléia já é conhecida, misturando realidade e ficção para servir a velha laranjada ideológica.

O que pode levar Regina ao pânico é a evolução cênica, a postura, enfim, a pré-candidata em si.

Durante quase uma hora de discurso, quem se imaginou num país dirigido por aquela senhora ficou, no mínimo, mareado. Sua movimentação de braços, excessiva e a esmo, parecia tentar domar o volante de um carro desgovernado.

Acompanhar a expressão corporal e facial da ministra era, de fato, um exercício estonteante. Nada combinava com nada. Tentativas de sorriso duelavam com gestos bruscos, palavras medidas para dar informalidade saíam em tom categórico, o olhar se fixava criteriosamente no nada.

A militância petista estava lá para urrar por Dilma. Não deu. Catatônica, a claque não conseguiu reagir ao poste falante.

O único fato verdadeiramente comovente do comício era o desconforto da candidata em público, talvez enfastiada da sua própria falsidade. Um bom leitor de almas diria que ela estava doida para saltar daquele carro, rasgar a fantasia e assumir o que estava escrito na sua testa: “Socorro. Não sei dirigir esse troço.”

O contraste entre o olhar perdido e o tom peremptório ficava um pouco mais agudo quando Dilma mentia – o que não deixa de ser um indicador de honestidade, mesmo que temporariamente suspensa.

Quando afirmou, por exemplo, que o Brasil se safou da crise porque os brasileiros impediram privatizações como as da Petrobras e do Banco do Brasil, o automóvel arisco de Dilma parecia que ia sair da estrada. Enquanto recitava o samba do chavista doido, seus braços pareciam tentar a manobra impossível que a salvassem do desastre verbal.

Quando teve que prometer mais cabides para a companheirada, falando em continuar a “reaparelhar” o Estado, seus olhos pareciam pedir, pelo amor de Deus (ou de Lula), um par de óculos escuros.

As cenas são fortes. Não deixem a Regina ver.

Os nomes na tela

J.R. Guzzo, Revista Veja

Os melhores planos de batalha, como muitos generais têm aprendido ao longo da vida prática, frequentemente não resistem aos dez primeiros minutos de combate. O que estava previsto nos cálculos não acontece como deveria acontecer; acabam acontecendo, em vez disso, coisas que ninguém previu. O inimigo insiste em não reagir como se esperava que reagisse. Os aliados também, sobretudo quando começam a achar que algo não está saindo do jeito que queriam, ou esperavam. Em suma, quando estoura o tiroteio de verdade, as ideias que até então pareciam ser as mais inteligentes do mundo correm o sério risco de se desmanchar; os comandantes presentes ao campo vão perdendo pouco a pouco sua feição serena, própria aos estrategistas, e assumindo o rosto do jogador que manda para o espaço seus planos de ação anteriores e sai com tudo em busca da carta que vai salvar a noite. A campanha presidencial de 2010, que na semana passada consagrou enfim a ministra Dilma Rousseff como candidata oficial do governo e do PT, promete oferecer mais uma boa oportunidade para verificar como vão conviver nos próximos meses o plano-mestre que o mundo oficial elaborou para ganhar as eleições e o que acontecerá, de fato, no mundo das realidades.

O que se pode dizer no momento é que o projeto eleitoral do governo, obra cuja autoria principal é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê um grande alicerce central – convencer o público de que as eleições presidenciais de outubro próximo estão sendo disputadas pelo próprio Lula e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. É o tal “plebiscito” de que o governo tanto tem falado nos últimos tempos. Mais do que escolher o nome do próximo presidente da República, o eleitorado teria de julgar o desempenho do presidente atual e compará-lo com o do seu antecessor; deveria dizer, em termos de “sim” ou “não”, se aprova esse desempenho ou, então, se ele é melhor que o de FHC. Caso o eleitor entenda o espírito da coisa, a fatura estaria praticamente liquidada. Lula está tão convencido de que seu governo é uma obra-prima, e de que o de seu adversário é o pior de todos os tempos, que o eleitorado não terá alternativa, em 3 de outubro, a não ser votar “sim”, ou nele. A dificuldade principal desse plano é que Lula e Fernando Henrique não são candidatos a cargo nenhum. Seus nomes e retratos não vão aparecer na tela de votação, no dia das eleições; em seu lugar o cidadão terá diante de si os candidatos reais, e só poderá escolher entre eles. E aí?

Aí, para a superior estratégia oficial dar certo, e para todos os efeitos práticos, o eleitor terá de clicar em “Dilma” e não no seu principal adversário, possivelmente o governador José Serra, ou em qualquer dos demais candidatos. Lula e os cérebros políticos que o cercam apostam que será assim. Bom mesmo, para o governo, seria se a Constituição tivesse sido mudada e o presidente pudesse estar disputando um terceiro mandato, como se sonhou durante algum tempo; mas acabou não dando certo, e o que sobrou de mais próximo a isso foi o plano ora em execução. Suas chances de sucesso começam com a utilização, como jamais se viu antes neste país, da máquina pública em favor da candidatura oficial. Continuam com a vantagem no tempo de propaganda pelo rádio e televisão. Contam, sempre, com uma arma que Lula maneja melhor que ninguém: a técnica de inventar inimigos, como Fernando Henrique apontou recentemente, para travar batalhas imaginárias. Esses inimigos não têm nome: são “eles”, apenas. Podem, portanto, ser acusados de absolutamente tudo. “Eles” vão acabar com o Bolsa Família. “Eles” vão acabar com as “obras do PAC”, que incluem, na interpretação oficial, tudo o que está sendo construído em algum lugar do Brasil por governos estaduais e municipais, empresas estatais e companhias privadas. “Eles” vão entregar as estatais ao capital estrangeiro. “Eles” querem que a oposição ganhe as eleições porque não se conformam que Lula esteja fazendo um governo “em favor dos pobres”. Há, enfim, a fé sem limites na própria superioridade. A candidata Dilma, inclusive, parece ter descoberto uma fórmula para calcular, matematicamente, quanto o governo Lula é melhor que o anterior. Segundo a conta da ministra, é “400 vezes” melhor.

O presidente, além disso, acaba de lembrar que ganhou prêmios dos jornais El País e Le Monde e que Fernando Henrique não ganhou nada de nenhum dos dois; o que mais o eleitorado poderia querer? Respostas, mesmo, só depois que a batalha começar.

Expansão da base

O Globo, Editorial

O Brasil tem uma carga tributária excessivamente elevada, equiparável à de países escandinavos. Só que aqui as justificativas para tamanha carga são o passivo social e a ainda necessária presença do Estado em serviços básicos, inclusive na infraestrutura.

Não haveria margem para redução dessa carga em face das demandas sociais que pressionam as despesas governamentais.

O problema é que a tributação excessiva acaba sufocando o contribuinte e se transformando em um dos obstáculos à expansão das atividades produtivas, que são a fonte primária de geração de renda.

O governo, como agente econômico, é fundamentalmente um forte canal de transferência de renda dentro da sociedade (em princípio, com a nobre tarefa de promover justiça social, embora na prática os resultados sejam muito modestos, considerando-se o custo-benefício dessa tarefa).

A tributação excessiva, além de inibir atividades produtivas, estimula a informalidade, a sonegação.

A melhora da economia, juntamente com o uso, pelas autoridades fazendárias, de sofisticadas ferramentas tecnológicas que possibilitam um cerco à sonegação, vem ampliando o grau de formalização no país.

Com isso, a base de contribuintes tende a se ampliar, permitindo que a arrecadação aumente mesmo com a aplicação de alíquotas mais baixas e/ou desoneração de algumas atividades.

É por esse caminho que o Brasil deveria seguir. A remoção de obstáculos à formalização e a desoneração de investimentos multiplicarão a atividade produtiva e a base de contribuintes.

A arrecadação crescerá naturalmente, e o ideal é que, em algum momento, em ritmo inferior ao da média da economia, para que a carga tributária se reduza até patamares comparáveis aos de nossos competidores no mercado internacional.

Uma reforma que simplifique mais o sistema tributário brasileiro não saiu do papel , embora tenham ocorrido também avanços nos últimos quinze anos.

Fora da lei

Demétrio Magnoli, Estadão

A Constituição diz que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza", mas a Universidade de Brasília (UnB) distingue os candidatos inscritos em seus vestibulares em função de um critério racial. A Constituição determina que o "acesso aos níveis mais elevados do ensino" se dará "segundo a capacidade de cada um", mas a UnB reserva um quinto de suas vagas a "negros". Na UnB, uma comissão constituída por docentes racialistas e lideranças do "movimento negro" prega rótulos raciais aos candidatos, cassando-lhes o direito de autodeclaração de cor/raça. A Constituição assegura que "ninguém será privado de direitos" por motivo de "convicção filosófica ou política", mas o tribunal racial da UnB promove "entrevistas identitárias" para investigar as opiniões dos candidatos sobre negritude e movimento negro. Por iniciativa do senador Demóstenes Torres, o DEM ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com ação de inconstitucionalidade contra o vestibular racializado da UnB.

A Fundação Ford é a principal exportadora das políticas de preferências raciais inventadas nos EUA a partir do governo de Richard Nixon. Há uma década ela financia simpósios jurídicos no Brasil destinados a ensinar a juízes como contornar o princípio constitucional da igualdade entre os cidadãos. O argumento formulado pela Fundação Ford baseia-se no justo paradigma de tratar desigualmente os desiguais - o mesmo que sustenta a tributação progressiva e a exigência de rampas para deficientes físicos em edifícios de uso público. Sobre tal paradigma se equilibra o raciocínio de que a desigualdade média de renda entre "brancos", de um lado, e "pretos" e "pardos", de outro, deve ser remediada por políticas raciais de discriminação reversa.

O sofisma precisa ser desmascarado em dois planos. No plano das políticas sociais, tratar desigualmente os desiguais significa expandir as vagas nas universidades públicas e investir na qualidade do sistema público de ensino. Nas palavras de Wellington Dias, o governador petista do Piauí que, corajosamente, desafia um dogma de seu partido: "Criar cotas para negros, índios, alunos do ensino público esconde o lado grave do problema. Isso mostra a incapacidade do poder público. Sou contra isso. É preciso melhorar o sistema e qualificar os professores."

No plano do Direito, o sofisma converte indivíduos singulares em representantes de "raças", ensinando a milhões de jovens a terrível lição de que seus direitos constitucionais estão subordinados a uma cláusula racial. O vestibular da UnB é capaz de negar uma vaga a um concorrente de baixa renda que obteve notas altas, mas foi rotulado como "branco", para transferi-la a um candidato de alta renda com notas inferiores, mas rotulado como "negro". A justificativa implícita inscreve-se na fantasia do pensamento racial: o candidato de alta renda da cor certa "simboliza" a "raça" de baixa renda e seus imaginários ancestrais escravos. O sofisma não resiste a um exame lógico, mas persiste pela adesão política de uma corrente significativa de juristas ao pensamento racial.

A política, no baixo sentido da palavra, contamina a apreciação da ação de inconstitucionalidade que tramita na Corte constitucional. O relator Ricardo Lewandowski, um juiz que enxerga as audiências públicas como meios para mostrar que o tribunal toma decisões "em contato com o povo", tem curiosos critérios de seleção do "povo". No caso da audiência sobre o vestibular da UnB, ele decidiu ignorar a regra elementar da isonomia, convocando 28 depoentes favoráveis às cotas raciais e apenas 12 contrários. O "povo" do relator, ao menos quando se trata da introdução da raça na lei, é constituído essencialmente por representantes do Executivo e das incontáveis ONGs que figuram como sublegendas brasileiras da Fundação Ford.

O princípio da impessoalidade na administração pública, consagrado na Constituição, serve tanto para coibir o patrimonialismo tradicional quanto para conter a tentação contemporânea de subordinar os interesses gerais difusos aos interesses ideológicos organizados. Edson Santos, chefe da mal batizada Secretaria da Igualdade Racial, não reconhece a vigência dessa parte do texto constitucional. Um ofício assinado por ele cumpre o papel de panfleto de convocação de funcionários governamentais e ONGs para "mobilizarem caravanas com destino a Brasília" a fim de pressionar o STF nos dias da audiência pública. Edson Santos monta o circo por fora, enquanto Lewandowski ergue as lonas por dentro.

Em 2 de fevereiro, dia exato em que Edson Santos divulgou o panfleto oficial, as centrais sindicais - cujo financiamento decorre de um ato governamental - firmaram uma carta conjunta de apoio ao vestibular racial da UnB. O "movimentismo" é fenômeno típico do estágio embrionário dos totalitarismos. Nesse estágio, o Estado despe-se de sua natureza pública e adquire as feições de um ente de coordenação de "movimentos sociais" que já não passam de tentáculos do governo. O ministro-militante, que faz o Estado patrocinar uma manifestação "popular" de sítio à Corte constitucional, seria alvo óbvio de processos de responsabilidade se o Ministério Público e a maioria parlamentar não estivessem envenenados pela concepção da sociedade brasileira como uma coleção de "movimentos sociais" e ONGs.

No ofício ilegal, Edson Santos assevera que o hipotético acatamento da ação de inconstitucionalidade "abrirá as portas para paralisar todas as políticas de ação afirmativa, inclusive aquelas que beneficiam as mulheres, estudantes, trabalhadores, os índios, deficientes físicos e mentais, as comunidades tradicionais, etc." A ação em curso incide exclusivamente sobre as políticas de preferências raciais, cujo pressuposto é a rotulação estatal dos cidadãos segundo o critério abominável da raça. Mas o que seria do "movimentismo" sem o clássico expediente da mentira oficial?

(*) Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

Lula, o PT e suas heranças: 2002 e 2006

Pedro S. Malan, Estadão

Este artigo foi publicado neste espaço em julho de 2006. É republicado hoje sem nenhuma alteração. Por duas razões: a primeira, porque como na letra do samba de carnavais de outrora, "recordar é viver"; a segunda, muito mais importante, porque o autor acredita que o texto talvez possa reter certo interesse, à luz da insistência do governo atual num confronto plebiscitário, com foco no passado, em vez de um olhar à frente, como, creio eu, seria melhor para o País, onde há tanto por fazer. Portanto, peço ao eventual leitor que adicione, ao título do artigo e onde mais couber, o ano de 2010.

"A opinião que tens de tua importância te porá a perder", dizia uma das inscrições nas vigas da biblioteca de Montaigne, cujos Ensaios há séculos encantam seus leitores. O tema da vaidade dos homens lhe era caro. O belo ensaio a ele dedicado começa bem: "Talvez não haja vaidade maior do que sobre ela escrever de forma tão vã." Afinal, sempre vale lembrar o Eclesiastes: vaidade das vaidades, tudo é vaidade.

Não sei bem por quê, estas lembranças por vezes me vêm à mente ao ler os pronunciamentos de nosso presidente, cada vez mais encantado consigo mesmo e com o que considera não só como seu superior entendimento das coisas deste mundo, como sua autoproclamada capacidade de transformá-lo. Em arroubo recente, informou-nos que "só Deus conseguiria consertar em quatro anos o que não foi feito em 500 anos". Ele (Lula), por exemplo, precisaria de oito anos para começar a corrigir erros e omissões seculares e pôr o País no rumo certo, deixando uma extraordinária herança a seu sucessor.

Mas falemos antes sobre as heranças, já por eles construídas, com que Lula e o PT chegaram a 2002 - e chegam às eleições de 2006.

Em 2002, Lula e o PT tinham uma história de mais de 20 anos e, portanto, uma herança que consigo carregavam. Fazia parte dessa herança a ferrenha oposição ao lançamento do Real em 1994, chamado de "pesadelo", de "estelionato eleitoral" e com duração por eles prevista para poucos meses. Fazia parte dessa herança a oposição às mudanças constitucionais que permitiriam ampliar os investimentos privados em infraestrutura. Fazia parte dessa herança a oposição às privatizações, à redução do número de bancos estaduais e à abertura comercial. Fazia parte dessa herança o plebiscito pela suspensão dos pagamentos das dívidas externa e interna e pelo "rompimento" com o FMI. Fazia parte dessa herança a oposição do PT à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no Congresso, a tentativa de derrubá-la no STF e a aprovação, em dezembro de 2000, por seu Diretório Nacional, de texto em que o PT declarava sua posição: "A LRF precisa ser radicalmente modificada porque o preço da responsabilidade fiscal não pode ser a irresponsabilidade social." Fazia parte da herança com que o PT e Lula chegaram a 2002 o programa de governo aprovado em dezembro de 2001 pelo seu congresso nacional, a mais alta instância decisória do partido, e que tinha como subtítulo A ruptura necessária com tudo aquilo que ali estava.

Essa herança, como é sabido, teve consequências já em 2002. A taxa de câmbio desvalorizou-se em mais de 50% nos seis meses que antecederam a eleição de outubro (de R$ 2,4 em março/abril para R$ 3,7 por dólar em setembro/outubro), o risco País chegou a multiplicar-se por quatro no período, chegando a 2.400 pontos em outubro, e a inflação em 2002 alcançou 12,5%, tendo mais da metade deste aumento sido registrada nos últimos três meses do ano. Como bem notou Armínio Fraga em longa e excelente entrevista ao jornal Valor (23/6), "a economia estava na UTI, mas isto era a consequência de expectativas em relação ao que o próximo governo faria". E havia fundadas razões para essas expectativas.

A gradual desconstrução dessa herança foi um processo, timidamente iniciado em fins de junho de 2002 com carta-compromisso do candidato e ainda não concluído, porque há sérias divisões e ambiguidades não resolvidas no PT, no próprio governo e nas forças que o apoiam, como mostra a experiência pós-Palocci, em particular no que diz respeito à forte expansão recente do gasto público.

Passados quatro anos, é cada vez mais claro que a gradual desconstrução da herança construída pelo PT para si próprio em 2002 foi facilitada por três ordens de fatores: um contexto internacional extraordinariamente favorável no quadriênio 2003-2006 (só comparável ao quadriênio 1970-1973, afirma estudo recente do FMI); uma política macroeconômica não-petista (nenhuma das "estrelas econômicas" do PT ocupou qualquer posição relevante na área mais sensível da política macroeconômica, graças ao médico Palocci e ao apoio que este recebeu de Lula até o final de 2005); e uma herança não-maldita de inúmeros avanços institucionais e mudanças estruturais que foram de enorme serventia ao novo governo, nos mais variados setores, inclusive os sociais, e aos quais o governo Lula soube dar continuidade, ainda que pretendendo ter inventado a roda - em alguns casos, com desfaçatez e hipocrisia.

Entretanto, o contexto internacional, que permitiu que o Brasil reduzisse extraordinariamente a sua vulnerabilidade externa, não será tão favorável nos próximos quatro anos. O ministro Palocci, assim como pessoas-chave de sua equipe, não mais emprestam seu concurso ao governo. E, nos últimos quatro anos, houve poucos avanços institucionais, andamento de processos de reforma e melhoria de contextos regulatórios - pelo contrário.

O discurso sobre "herança maldita", que marcou o imaginário petista, era não só objetivamente equivocado, como trazia seu prazo de validade estampado no rótulo: afinal, em menos de quatro anos o governo Lula se apresentaria ao eleitorado com sua própria herança. E, em modernas democracias, o que se pode - e deve - esperar de um governo é que entregue a seu sucessor um país um pouco melhor do que recebeu de seu antecessor. Como fez FHC, sem achar que a "verdadeira" História do País começou com ele e sua gestão.

Qualquer governo, em qualquer país do mundo, não só tem seus próprios erros e acertos, como também constrói sobre avanços alcançados na vigência de administrações anteriores. O governo Lula não foi, não é e não será exceção a esta regra. Reconhecê-lo, difícil como possa parecer para a vaidade humana, é algo que só beneficiaria a governabilidade futura, qualquer que venha a ser o resultado das urnas de outubro.

Vem aí outro pastelão

Percival Puggina, Zero Hora

“Quem luta pelo comunismo tem que poder lutar e não lutar, dizer a verdade e não dizer a verdade, manter a palavra e não cumprir a palavra, etc.” (Berthold Brecht, comunista, em Die Massnahme).

Quando foi, então, que eles começaram a ter algum interesse na verdade? Essa súbita inquietude d’alma, expressa no desejo de criar a tal Comissão Nacional da Verdade, disputa prêmio no Festival da Mentira. Logo quem! Empilharam no planeta milhões de cadáveres, tanto para ocultar a verdade quanto porque as vítimas descriam das suas mentiras. Onde tomaram o poder acabaram com a imprensa livre, exatamente para que nenhuma verdade chegasse ao povo. Montaram o mais poderoso aparelho de mistificação que o mundo já viu. Conhecida por uma abreviatura que diz tudo, Agitprop, essa máquina, cujas atividades iam desde a produção de livros infantis até o financiamento de autores e jornalistas no mundo inteiro, conseguiu convencer metade do planeta que o inferno soviético era, “na verdade”, um paraíso terrestre. Preocupados com a verdade?

No Brasil, todas as organizações que atuaram na clandestinidade, antes e depois de 1964, seguiam variantes do mesmo totalitarismo. Compunham uma miscelânea de alas, correntes, frentes, ações, dissidências, vertentes, grupos, tendências, núcleos, coletivos, ligas, uniões e partidos. Só estes últimos eram 14! Tais organizações, coisa de duas centenas, repartiam entre si, orgulhosamente, os rótulos de comunista, revolucionário, socialista, bolchevique, maoísta, marxista, leninista, trotskista e por aí vai. Democracia? Nem pensar. Lutando por algo infinitamente pior do que o regime que diziam combater, praticaram crimes tão graves quanto os de que reclamam. Crimes que não geraram indenizações e sequer são mencionados nesse súbito interesse por “direitos humanos” e pela “verdade” a respeito de um tempo em que eram tão rejeitados que desconfiavam da própria sombra. A falta de apoio popular, aliás, constituía o autodiagnóstico mais frequente em suas reflexões.

Você acredita que a insistência em escrutinar aquele específico período da história reflita sincera paixão pela verdade? Se sim, por que pretendiam restringir os trabalhos apenas ao “contexto da repressão política”? Se sim, por que propõem meios de controlar a imprensa e a cultura no mesmo PNDH-3 que cria a tal comissão da “verdade”? Pois é. Verdade histórica? Direitos humanos? Qual o quê! É o velho Agitprop de terno Armani, aferrado a estatais e fundos de pensão. Parece que ainda não mentiram o bastante nas salas de aula, nos microfones, nos filmes e nos livros! Contudo, a imensa maioria dos sessentões brasileiros não deu e não dá força aos seus protagonistas. Por quê? Porque viveram à época desses fatos que alguns, agora, querem recontar com ares de super-heróis. Que pretendem, então? Conquistar adeptos entre os jovens, massa votante que hoje realmente conta no país, ora essa. E quanto mais ela for manipulada, quanto mais matérias gerarem, mais beneficiados serão os atuais comissários da História, posando como mártires da democracia. Mesmo que tudo seja falso. Prepare-se. Depois de O filho do Brasil, vem aí Os filhos da clandestinidade. Tão pastelão quanto o anterior. A real motivação de tudo está no mercado político. Na venda de ações de empresa falida. Na captura de corações e mentes. Na tentativa de cobrar no presente por méritos que não tiveram no passado. Perdoem-me aqueles, como eu, sinceramente interessados na verdade e com medular repugnância à tortura e ao terrorismo. Nós somos, neste caso, irrelevantes.