sábado, novembro 25, 2006

Só falta dizer que era miragem

Victor Martino para a revista Veja
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As declarações feitas no Congresso na semana passada pelo "aloprado" Jorge Lorenzetti deixaram estarrecidos parlamentares da CPI dos Sanguessugas, que investiga o dossiêgate. A perplexidade dos deputados se deu menos pelo que revelou o depoente e mais por aquilo que ele escondeu, com a naturalidade de quem faz essas coisas sempre. Lorenzetti foi chefe da equipe de – é assim que eles chamam seus porões – "inteligência do PT". Também atua como churrasqueiro do presidente Lula nas horas vagas. Ele afirmou, entre outras coisas, não ter "a menor idéia" de onde veio o 1,7 milhão de reais que seria usado para comprar o dossiê antitucano. Embora parte do dinheiro tenha sido flagrada em poder de um subordinado seu, Gedimar Passos, o churrasqueiro disse que nunca perguntou sobre a origem das notas. "Esse assunto é um trauma para mim", declarou. Outros dois petistas envolvidos no escândalo, Expedito Veloso e Osvaldo Bargas, repetiram o discurso cínico de Lorenzetti à CPI. Além de declararem desconhecer a origem do dinheiro, insinuaram a existência de um suposto pagamento de dívidas de campanha de José Serra pela Planam, a empresa de Darci e Luiz Antonio Vedoin. Tentar envolver o governador eleito de São Paulo no caso é a mais nova tática adotada pelos petistas para desviar o foco das investigações – cada vez mais próximas da Petrobras.
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A CPI já havia detectado episódios estranhos envolvendo a estatal e os "meninos". Ao longo das sete semanas que antecederam a publicação, pela revista IstoÉ, da entrevista em que os Vedoin acusavam Serra de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, Hamilton Lacerda – ex-assessor do senador Aloizio Mercadante e apontado como o homem que levou o 1,7 milhão de reais até Gedimar – conversou por telefone 36 vezes com Wilson Santarosa, responsável pela publicidade da Petrobras. Para justificar as ligações, a Petrobras, inicialmente, informou que Lacerda queria ingressos para o Grande Prêmio de Fórmula 1, que tem patrocínio da estatal. Como a desculpa automobilística derrapou logo na saída, Santarosa disse depois que Lacerda ligou porque queria o seu auxílio na campanha de Mercadante ao governo. A CPI tem outra desconfiança. Diz o deputado Carlos Sampaio, do PSDB: "Os telefonemas levantam a suspeita de que a Petrobras tenha oferecido anúncios à revista IstoÉ como pagamento pela publicação da entrevista contra Serra".
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O que a CPI acaba de saber é que o contato de Lacerda com a Petrobras não se limitou a Santarosa (veja coluna de Diogo Mainardi). Às vésperas de negociar a entrevista dos Vedoin com a IstoÉ, o assessor de Mercadante conversou com Eduardo Godoy, presidente da agência de publicidade que tem a conta da Petrobras e íntimo do petismo (coordenou campanhas de Lula e da ex-prefeita Marta Suplicy). VEJA perguntou a Dudu Godoy, como ele é conhecido, se ele havia de fato ligado para Lacerda. Godoy disse não saber. Inquirido pela segunda vez, desligou o telefone. Horas depois, sua assessoria procurou a revista para confirmar os telefonemas e informar o motivo – coincidentemente, o mesmo apresentado por Santarosa: Lacerda estaria buscando ajuda para a campanha de Mercadante. A julgar pelos argumentos dos envolvidos no dossiêgate, eles são vítimas de uma série de coincidências incríveis e nenhum dos episódios é o que parece ser. Mais um pouco, e negariam a própria existência do dinheiro usado para comprar o tal dossiê. Só não o fazem porque o delegado Edmilson Bruno divulgou as fotos da dinheirama, contrariando a orientação do governo. Você pode até escapar, Lorenzetti, mas esse trauma é incancelável.

Tristes trópicos

Por João Mellão Neto em O Estado de São Paulo
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A América Latina já era.
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A revista Veja desta semana traz uma oportuna matéria sobre a crescente desimportância de nosso subcontinente no contexto mundial. Não soubemos, como a maioria dos países asiáticos, aproveitar a onda globalizante e, assim, nos valer da abundância de capital internacional para alavancar as nossas economias.
.Mais uma vez fica provada a tese de que não sãos as riquezas naturais que garantem a prosperidade e o desenvolvimento das nações. O alemão Max Weber foi o primeiro pensador a ter a coragem de afirmar que fatores culturais (e religiosos) são muito mais importantes para determinar o sucesso ou o fracasso de uma sociedade.
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E fez isso em 1904, após visitar os Estados Unidos e publicar um livro, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, eleito pela crítica internacional, na virada do milênio, a obra mais importante de todo o século 20. Trata-se de um trabalho de fácil leitura e assimilação para os leigos, e ainda permanece atual.
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Em vez de amaldiçoar nossos irmãos do Norte, deveríamos tornar a leitura de Weber obrigatória em todas as nossas escolas. Quem sabe, assim, pouparíamos muito tempo e esforço na vã tentativa de entender por que os gringos são tão ricos, enquanto nós somos tão pobres.
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A culpa não é dos “malvados ianques que nos exploram”. Quando muito, é de nós mesmos e do péssimo hábito que cultuamos de terceirizar a responsabilidade por nossas mazelas. O nosso próprio cancioneiro - seja o tango, a guarânia, o bolero, o sertanejo ou o samba-canção - é o mais eloqüente indício de que, para nós, a culpa de nossa infelicidade é sempre dos outros. Sejam eles as mulheres ingratas, os patrões prepotentes ou os garotos ricos que nos tomaram nossas namoradas. Tema recorrente é o do “hombre macho” que costuma encher a mulher de pancada e depois não entende por que ela o deixou. Não importam as situações e as circunstâncias: o fato é que, para nós, a culpa é, e será, sempre dos outros.
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Eu bem me recordo de que, no início da década de 70, ainda jovem, visitei a Ásia e saí de lá horrorizado com a miséria que encontrei.
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Havia pessoas em Hong Kong, por exemplo, que, esqueléticas, desnutridas, passavam a vida sentadas nas calçadas. Durante a noite se deitavam ali mesmo e, no dia seguinte, voltavam a sentar-se. Seu único bem era a tanga esfarrapada que usavam e, se permaneciam vivas, era por que o governo, no meio do dia, distribuía um punhado de macarrão, que era devorado com as mãos. Lembro-me de ter ficado horrorizado com uma gigantesca favela flutuante que era composta por milhares de pequenos barcos, atracados uns aos outros, que formavam uma cidade de porte médio, com mais de 100 mil habitantes. As pessoas que lá moravam nasciam, cresciam e morriam sem nunca ter pisado em terra firme. Os poucos que se aventuravam a fazê-lo andavam como macacos. Simplesmente não sabiam andar eretos. Em Macau, então colônia portuguesa, não havia ninguém que falasse o nosso idioma e a miséria era ainda mais gritante. A situação na Coréia do Sul, na Malásia e na Indonésia, pelo que diziam, era muitas vezes pior. Isso para não falar na Indochina, na qual os Vietnãs e o Camboja estavam em plena guerra civil. O Sudeste da Ásia, sem dúvida, era a região mais pobre do mundo naquela época.
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Eis que, hoje, aquela é a zona do planeta que mais cresce e se desenvolve. Enquanto isso, aqui, na América Latina, a impressão é de que o tempo não passou. A renda per capita, pelo menos, está praticamente estagnada há mais de duas décadas. Em termos de política - que, no final das contas, está por de trás de tudo -, quase nada evoluímos. Os argentinos continuam reverenciando Perón, os venezuelanos e bolivianos estão nas mãos de caudilhos populistas e ultranacionalistas, o Peru voltou para as mãos de Alan García, o sandinismo retornou ao poder na Nicarágua, Fidel continua mandando em Cuba e os jovens universitários de todo o continente, inclusive os brasileiros, ainda se deixam mesmerizar ante a esfinge “libertadora” de Ernesto Guevara. Ironia histórica esta. Ao menos nos tempos do Che, no auge da guerra fria, o resto do mundo, em especial os países ricos, ainda se preocupava com o que acontecia por estas plagas. A caçada ao líder revolucionário, nas selvas da Bolívia, foi acompanhada pela imprensa do mundo inteiro. Hoje em dia, nem sequer as enormidades de Chávez e Morales rendem uma manchete secundária de jornal. O mundo desenvolvido está com os olhos voltados para os países islâmicos. Economicamente, quem chama a atenção é a Ásia. Quando o tema é miséria e solidariedade humana, quem monopoliza as conversas é a África.
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E quanto a nós, os briosos latino-americanos? Bem, o fato é que nós não existimos mais. Quando nossos embaixadores sobem à tribuna no plenário da ONU, o bocejo dos demais é geral. Somos inflamados, belicosos, verborrágicos e é só. Como entreouviu certa vez Roberto Campos, quando trabalhava na Organização, de diplomatas europeus: “Os latino-americanos são únicos. Eles despendem uma tonelada de palavras para alinhavar cem gramas de argumentos.”
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Talvez seja esse, mesmo, o nosso maior defeito. A cultura bacharelesca, o floreio retórico, o cultivo da forma em detrimento do conteúdo, o discurso das intenções prevalecendo sobre a prática das ações: tudo isso é próprio do populismo na sua vertente latino-americana.
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Ainda pranteamos a morte precoce de Evita, o suicídio dramático de Vargas e o coronel Chávez ainda arenga às massas cultuando Bolívar em pleno século 21!
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Enquanto isso, o tempo passa. Enquanto prevalecer a nossa cultura fatalista, este será o nosso destino. “Não perguntes por quem os sinos dobram”, escreveu John Donne. “Eles sempre dobram por ti...”

A Crise Engoliu O Ministro

Policarpo Junior para a Revista Veja
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Colocado na linha de frente de uma das mais graves crises gerenciais do governo, o ministro da Defesa, o baiano Waldir Pires, está confirmando sua fama de ser sempre o último a saber das coisas – ou o penúltimo, para não fazer sombra a seu chefe. Ele já disse que não sabia que os controladores de tráfego aéreo no país eram mal pagos e trabalhavam em excesso. Também já disse que não sabia que a greve branca dos controladores era um subproduto da tragédia com o avião da Gol. Na semana passada, em depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, o ministro disse que o governo não contingenciou recursos para o setor, mas não soube informar quanto custaria para implementar as medidas de modernização necessárias para que o controle aéreo funcione com segurança. Diante de tanta desinformação e desconhecimento, é altamente provável que o ministro Waldir Pires não saiba também que o presidente Lula já consulta assessores próximos em busca de um nome para substituí-lo.
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Aos 80 anos, dono de uma biografia respeitada, Waldir Pires mostrou-se menor do que a crise. Não se entende com seus subordinados e, dentro do governo, tem sido apontado como responsável pelo prolongamento da crise por ter assumido a defesa dos interesses dos controladores, que estão no epicentro da confusão nos aeroportos. "O presidente gosta muito de Waldir Pires e é grato pela ajuda política que recebeu dele na Bahia quando brigou com Antonio Carlos Magalhães", afirma um interlocutor graduado do presidente Lula. "Mas, ainda assim, o presidente já foi convencido de que Waldir Pires não pode ficar no governo." Para driblar sua dificuldade atávica de demitir quem quer que seja, Lula deve fazer a troca no Ministério da Defesa apenas quando sair a reforma ministerial do segundo mandato.
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O passo que mais desgastou Pires foi seu apoio aos controladores – e esse gesto também decorreu de desinformação. O comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Luiz Carlos Bueno, soube por intermédio do serviço de inteligência que os controladores de vôo estavam certos de que seriam apontados como responsáveis pelo acidente da Gol e, por isso, resolveram fazer a greve branca denunciando as condições precárias de trabalho. Como os controladores são militares, a Aeronáutica tentou resolver o caso pela cartilha da caserna: convocou gente da reserva e aquartelou todo mundo. Mas o ministro, sem saber da motivação oportunista da greve branca, reuniu-se com os líderes da categoria, apoiou integralmente suas reivindicações e, com isso, deu nova força à paralisação. Os militares não perdoaram a ingenuidade política do ministro.

O Inferno de Verissimo

por Rodrigo Constantino
Publicado no Diego Casagrande
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Que o Verissimo, eterno defensor do fracasso, só escreve besteira quando tenta falar de política e economia, todos já sabem – ou deveriam saber. Sei de muitos que simplesmente ignoram a coluna do escritor, que deveria focar nas comédias do cotidiano. Mas eu não. Talvez por masoquismo, não sei ao certo, dou-me ao trabalho de ler as porcarias que ele escreve. Preciso sempre de um Engov, é verdade. Mas na sua última coluna, Céu ou Inferno, onde o gaúcho faz um julgamento sobre o possível destino da “alma” de Milton Friedman, não teve remédio que segurou o forte enjôo. Fosse apenas muita ignorância, vai lá! Mas Verissimo não é do tipo ignorante. Logo, fica restando apenas uma alternativa: a perfídia. A ideologia faz canalhas, quando sua defesa passa a ser mais importante que a verdade dos fatos.
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Verissimo questiona no artigo se a contribuição do Nobel de economia da Escola de Chicago fez um mundo melhor ou pior, reconhecendo que impacto teve. Ele começa a destilar seu veneno quando chama o comunismo soviético de “capitalismo de estado”, comparado ao “capitalismo de consumo” que teria vencido a Guerra Fria. Ora, vamos chamar boi de boi, não de jacaré. Os que repetem que o comunismo nunca existiu ignoram que ele jamais existirá, pois não passa de uma utopia idiota, impossível na prática – ainda bem, já que homens não são formigas. Mas é a tentativa de chegar lá, os meios usados para tal fim, que levam inexoravelmente ao terror, escravidão, miséria e genocídio. Por isso, inclusive, que socialistas detestam debater meios, tentando monopolizar os nobres fins. Tentar associar o comunismo soviético a algo perto de capitalismo é, portanto, falta de caráter ou de inteligência.
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O artigo segue afirmando que Thatcher, com a frase “não há alternativa”, inaugurou “a fé fundamentalista da qual Friedman é o Deus, e a Universidade de Chicago é o templo maior, que ainda domina o pensamento econômico do mundo”. Será que Verissimo não sabe que o Liberalismo não guarda similaridade alguma com uma religião fundamentalista, pois está calcado na lógica econômica, no conhecimento da natureza humana, na vasta experiência empírica? Crentes fanáticos são justamente os socialistas, que fogem de um debate focado apenas em argumentos lógicos, apelando constantemente para a retórica, inúmeras falácias conhecidas, sensacionalismo barato e emoções instintivas. Mas isso não impede que Verissimo minta na maior cara-de-pau, afirmando que a crença nos dogmas liberais independe de verificação e sobrevive a todos os desmentidos. Qual verificação? Quais desmentidos? Os países mais prósperos do mundo são os que mais se aproximaram do ideal liberal, enquanto os mais miseráveis são justamente os socialistas. Isso sem falar da questão da liberdade individual, inexistente nos países socialistas.
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Mas eis onde Verissimo “pensa” ter achado a prova para refutar o Liberalismo: “A América Latina, submetida há anos à ortodoxia monetarista do Consenso de Washington sem proveito, é um desmentido continental da infalibilidade de Friedman”. Nada como o uso do chavão mais patético de todos, a culpa no bode expiatório predileto da esquerda, o tal Consenso de Washington. Suas recomendações são bem óbvias, respaldadas pelo bom senso de qualquer um que saiba que gastar mais do que tem gera problemas. Mas socialistas querem desafiar até a lei da gravidade! Será que Verissimo arriscaria se jogar do alto de um prédio confiando na heterodoxa “lei” que faria ele subir, em vez de cair? Acho que não. Mas quando o assunto é a vida dos outros, suas economias, Verissimo prefere ignorar a lógica e pregar a magia. Na verdade, as idéias liberais de Friedman nunca foram adotadas pela região, com a exceção do Chile, não por acaso o país com maior estabilidade tanto política como econômica da vizinhança. Mas Verissimo jamais irá entrar nos detalhes do assunto. Isso não é interessante para ele.
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Usar a América Latina como ícone do Liberalismo para desqualificá-lo beira a insanidade. O Liberalismo jamais deu o ar de sua graça por essas terras. No Brasil, por exemplo, a carga tributária está em 40% do PIB, o Estado intervém nos mínimos detalhes econômicos, a burocracia é asfixiante, falta império da lei, enfim, não há praticamente nada aqui que se assemelhe ao Liberalismo. Tanto que estamos na rabeira do ranking de liberdade econômica tanto do Heritage como do Fraser Institute. A região passou mais longe do Liberalismo pregado por Friedman que Plutão da Terra! Mas nada disso importa para Verissimo, que diz que “razões para mandar a alma do Friedman para a grelha não faltam”. Para Verissimo, o Estado “desenvolvimentista”, cheio de estatais, é a “única esperança de os países miseráveis saírem da miséria”. Com certeza ele ignora os casos de reformas liberais, na contramão dessa estupidez, adotadas por países como o Chile, Irlanda, Nova Zelândia, Espanha, Islândia, Austrália etc. Ou os próprios casos dos Estados Unidos de Reagan e da Inglaterra de Thatcher, ambos salvos pelas medidas defendidas por Friedman. Em contrapartida, seria o caso de perguntar qual país deu certo com essa receita “desenvolvimentista”. Não haverá resposta. Isso porque Verissimo diz que é o Liberalismo que não suporta a verificação! É muita inversão mesmo...
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Por fim, Verissimo conclui que, ao menos, Milton Friedman foi um pensador original, e isso – somente isso e seu prêmio Nobel – faria um contrapeso ao claro viés de mandá-lo para o inferno. Entre o Céu e o Inferno, portanto, Verissimo ficaria, quem sabe, com o Purgatório. Considerando que há um abismo moral intransponível entre ambos, para não falar da inteligência, creio que as pessoas que respeitam a integridade e a lógica não deveriam ficar espantadas. Afinal, vindo de quem vem, tais agressões são elogios. O céu do Verissimo deve ser algo como Zimbábue, ou Cuba. Melhor ir para o que ele considera um inferno mesmo. Poderemos acabar num lugar livre e próspero.

Privatizados, graça a Deus!

por Ralph J. Hofmann
Publicado no Diego Casagrande

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Quando se quer jogar tomates podres virtuais nos governos de FHC as privatizações são a principal arma usada.
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Somos confrontados com alegados mistérios quanto ao que foi pago ou não foi pago, onde foi parar o dinheiro, etc.
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Não sou auditor nem atuário e não pisarei nessa seara. Mas gostaria de colocar algumas considerações.
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Ao longo de toda a década de 80, nós que trabalhávamos no setor privado sabíamos que se o país ocupasse sua capacidade ociosa na indústria teríamos um apagão. Não se estavam construindo usinas. O governo alertado dizia que não tinha recursos para construir novas usinas. E não tinha mesmo. Mas os burocratas rangiam os dentes até para iniciativas (poucas) da indústria privada em que certas empresas ou operariam usinas ou as comprariam e expandiriam. Micro-usinas em pequenas quedas de água? Nem pensar! De fato, houve um apagão. E haverá outros, pois se crescermos 5% a.a., ou melhor, ao dia (2010, 2012, 2014) em que crescermos nessas taxas esgotaremos todas as reservas.
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O aço produzido no Brasil era barato ao exportarmos, caro para a produção interna de produtos a exportar. Os produtos de aço consumidos internamente eram caros.
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As empresas do governo regularmente recebiam ajuda do tesouro. Mesmo as que não buscavam ajuda do tesouro pouco contribuíam em impostos.
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As empresas do governo não tratavam seus funcionários como empregados da indústria. Tratavam-nos, em termos de estabilidade e aposentadoria, como funcionários públicos, ou seja, difícil despedir alguém e seus fundos de pensão eram fortemente socorridas pelo tesouro.
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As empresas do governo possuíam em seus quadros pessoas cujas funções nada tinham a ver com os objetivos da empresas. Eram fontes convenientes de salários de não-concursados para os apadrinhados. E eram centenas de pessoas nessa condição.
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Calculemos tudo isto, e veremos que essas empresas, mesmo deixando rombos no BNDES quando de sua privatização aliviaram os contribuintes de uma carga onerosa. Pena que essa carga tenha sido substituída por outros ônus, que agora são pagos pelos impostos sobre os lucros dessas ex-estatais.
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Essas empresas nunca representaram ativos. Com honrosas e raríssimas exceções representaram passivos passados e futuros.
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Sugiro a alguém mais competente que eu que faça essas contas. Dadas de presente sairiam barato para a nação.

Obstáculos ao desenvolvimento, por Lula

Democracia traz obstáculos ao desenvolvimento, diz Lula
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Publicado na Folha de S. Paulo
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Num discurso em que disse trabalhar para conseguir desobstruir "os canais de desenvolvimento do país", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou o Ministério Público e as "questões ambientais" na lista dos "obstáculos" ao governo..Lula falava a um grupo de prefeitos que o acompanhou na visita a Guarulhos (Grande São Paulo), onde inaugurou parte de um hospital. No evento, o presidente explicou as diferenças de fazer oposição e governar. "Vocês, quando ganharam as eleições, imaginavam que era fácil governar a cidade. Quando a gente é oposição está na ponta da língua, mas quando a gente é governo, a gente tem que fazer as coisas e, ao tentar fazer as coisas a gente se depara com uma série de obstáculos que são naturais de um regime democrático", disse.
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E passou a citar esses obstáculos: "Você se depara com as leis, você se depara com as questões ambientais, você se depara com a burocracia, você se depara com a oposição, você se depara com o Congresso, você se depara com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas da União, e com a burocracia que é pertinente à máquina pública do Brasil."
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Logo em seguida, o presidente falou da sua agenda para "destravar" e "desobstruir" os canais que "estão impedindo este país de ter os investimentos". "Estamos fazendo isso há dez dias e eu quero anunciar esse processo de desobstrução do Estado brasileiro, ainda nesse primeiro mandato, porque eu quero começar o segundo mandato agindo de forma mais ousada e mais forte para que a economia brasileira tenha o desenvolvimento que todo mundo sonha", afirmou.
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Na terça-feira, em Barra do Bugres (MT), Lula disse não saber como "destravar" a economia. Ontem, no discurso, também não apontou caminhos, só os "obstáculos". "Eu vou me dedicar até o dia 31 de dezembro para destravar o país. Ou seja, tem algo -e não me pergunte o que é ainda, que eu não sei, e não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar- porque o país precisa crescer", disse ele na terça.
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Nesse mesmo dia, Lula já havia culpado a legislação ambiental como uma das causas para o entrave do país, o que gerou protesto dos órgãos ligados ao setor.

Sou um revanchista

Por Reinaldo Azevedo
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O ministro Tarso Genro já tem um culpado caso a economia não cresça 5% de forma sustentada: as oposições. Ele defendeu, com aquela humildade característica, que elas aceitem a mão estendida de Lula apesar do “ressentimento” pela “derrota acachapante”. Supondo que os interlocutores são idiotas — e não chega a ser uma aposta despropositada —, afirmou que é do interesse dos adversários um país galopante: porque, disse ele, fica mais fácil governar caso o petismo venha a ser derrotado em 2010. É mais um conselho que o PT dá aos inimigos e que ele próprio não segue. E nem é preciso tomar como medida o comportamento do partido no passado na esfera federal (governos Sarney, Collor, Itamar e FHC). Basta verificar como atuou em São Paulo, durante o governo Alckmin — mesmo estando já na Presidência.
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Defendeu, por exemplo, a contribuição à Previdência dos inativos da União, mas votou contra a medida no Estado. Acusava a politização de CPIs no Congresso, mas propôs nada menos de 70 em São Paulo. Coerência, como se sabe, é uma obrigação alheia. Tarso, aliás, é, ele próprio, um monumento quando o tema é a coincidência entre discurso e gesto.
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Ele é o pai original da tese de que um eventual processo de impeachment contra Lula é, em si mesmo, golpe de Estado. No dia 19 de janeiro de 1999 (FHC havia sido empossado, portando, havia 19 dias no segundo mandato), escreveu um artigo, na condição de dirigente petista, propondo a renúncia do presidente e a convocação de eleições gerais. Alguma ilegalidade cometida? Não. Tarso acusava estelionato eleitoral por causa da desvalorização do Real. A tese subjacente era a de que FHC deveria ter avisado, durante a campanha, que desvalorizaria a moeda... Imaginem só!
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Jornalismo, sei bem, é uma espécie de presente eterno. O PT percebeu isso claramente e explora essa quase incompatibilidade entre a imprensa e a memória. Já que o blog é um meio que ainda testa as suas possibilidades, anuncio: não esqueço nada. Sou um revanchista.

Educação: inclusão x competição

por Timothy Halem Nery, economista
Publicado no Diego Casagrande

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A “novela das oito”, tradicionalmente campeã de audiência, sempre apresentou temas polêmicos para seus telespectadores. Aliás, a polêmica é combustível poderoso para turbinar o “ibope” dos programas de televisão e rádio, assim como o das colunas de jornais e revistas.
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Confesso que, embora não faça parte do grupo de telespectadores fiéis às novelas, algumas vezes me surpreendo acompanhando tais produções. Na maior parte do pequeno tempo que me permito assistir televisão, tenho o hábito de assistir debates, entrevistas, programas esportivos e musicais., mas isso não vem ao caso.
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Atualmente um dos temas polêmicos abordados na “novela das oito” é a educação. Utilizando como referência o caso das crianças portadoras da Síndrome de Down, apresenta para a sociedade alguns dos conceitos que estão sendo defendidos e colocados em prática pelos teóricos educadores no Brasil. Sobre o caso específico, prefiro não me manifestar. No entanto, sobre o que vem acontecendo com a educação fundamental e o nível médio no nosso país, tenho a obrigação de expor minhas impressões.
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Trabalhei, durante o ano de 2005, como orientador de programas educacionais que têm como objetivo despertar o espírito empreendedor nos jovens. Foram nove meses vivenciando o ambiente escolar, tendo passado em mais de setenta turmas de 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries do ensino fundamental e de 1º ano do ensino médio, da rede pública.
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O quadro é realmente preocupante. Conceitos como inclusão, cooperação e socialização estão presentes em praticamente todas as escolas, e vão ditando o ritmo e definindo o rumo das políticas educacionais. Existe uma guerra declarada à competição. Os teóricos educadores partem da idéia de que competição exclui automaticamente a inclusão, a cooperação e a socialização. Absurdo! Essa idéia carrega um viés ideológico esquerdista extremado.
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A meu ver, enquanto falam em teorias de inclusão, a prática demonstra claramente a exclusão. Por exemplo: uma escola tem quatro turmas de 7ª série, com 25 alunos cada uma. Do total de cem alunos, os professores e a direção chegam ao consenso de que 25 alunos são realmente interessados e se destacam positivamente entre os demais. Todos os educandos continuarão na mesma escola no próximo ano, então na 8ª série. Com base nessas informações, o que você espera para o ano seguinte? O quê? Você espera que uma turma seja formada com os 25 alunos citados, possibilitando que se desenvolvam ainda mais? Não pense assim. Você está excluindo os demais!
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Pode parecer piada. Mas não é. Essa é a realidade do sistema educacional brasileiro. É como condenar um cidadão que sempre pagou seus impostos em dia por sonegação. Ou condenar alguém à morte por estar vivo. Quanto exagero? Pode ser, mas a injustiça existe.
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Talvez a maior parte dos teóricos não tenha o costume de entrar nas salas de aula, acompanhar a rotina de uma escola e conversar com os estudantes. Eu já fiz isso. Quando questionei estudantes de 7ª e 8ª séries, individualmente, sobre a questão aqui abordada, não tive surpresa com as respostas. Os alunos dedicados aos estudos entendem que realmente são prejudicados em muitas situações durante o ano letivo, e têm clara noção sobre a relevância da educação. Os alunos que não levam os estudos tão a sério acreditam que “tanto faz”, e obviamente não percebem a importância da educação para suas vidas..O Estado deve criar uma série de incentivos, proporcionando aos que estudam de verdade oportunidades de esportes, lazer, cultura e outros benefícios. Esses incentivos devem gerar um ambiente de competição saudável, estimulando os jovens a refletir e entender a importância da educação. Passar a mão por cima da cabeça dos que “não querem nada com nada” é incentivar a ignorância.
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Prefiro ainda não acreditar na possibilidade de que tudo o que está acontecendo com a educação brasileira nas últimas duas décadas seja algo planejado. Mas devo confessar que os indícios existem. As políticas sociais adotados pelo Governo Federal são todas baseadas na dependência, sem nenhum tipo de contra-prestação por parte do indivíduo. É a perpetuação da pobreza e do analfabetismo funcional. Ah, isso também é inclusão!
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O sistema educacional que aí está condena todos à mediocridade, cabendo a cada aluno, individualmente, lutar com todas as suas forças para vencer na vida. Acredito que a competição, quando bem trabalhada, com critérios objetivos e acesso irrestrito, pode gerar resultados expressivos e animadores.

Admirável mundo lulista

Eliane Cantanhede, na FSP
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Viu o discurso de Lula ontem, pedindo para a oposição não fazer oposição?
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Disse ele aos governadores aliados, já se preparando para uma reunião com todos os governadores, aliados e adversários: "Se alguém quiser fazer oposição a mim, que faça na eleição de 2010, quando não serei candidato".
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Quer dizer que, enquanto o Lula "fortão" e o Lula "fraquinho" presidirem o Brasil, suspenda-se a oposição. Afinal, oposição é coisa para o PT fazer contra os outros, não para os outros fazerem contra o presidente do PT -ops!, que era do PT e agora tem outras, digamos, prioridades partidárias.
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E já se lê que a ministra Dilma Rousseff vai centralizar a comunicação, o jornalismo, essas chatices que só existem para incomodar os governos (quando era dos outros, eram ótimas; agora, viraram parte do "complô das elites"). O anúncio, extra-oficial, é de que Dilma pretende "democratizar" a área, mas, como só gosta da notícia oficial, do release, da versão do jeitinho que quer, imagine você o que ela entende por "democratizar"...
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Eis que chegamos ao admirável mundo novo lulista: os repórteres não devem reportar, os colunistas não devem opinar, os movimentos sociais não devem se mover, os legisladores só devem legislar o que o Executivo quiser, os procuradores não devem procurar nada que contrarie o Planalto, os governadores não devem reivindicar e a oposição não deve fazer oposição.
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O pior é que a oposição, principalmente uma boa parcela do PSDB, parece ser a primeira a aceitar. E quem não está gostando nada dessa história é o PFL.
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E é para gostar?
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Inscreva-se na Constituição, mas nas disposições transitórias, válidas única e exclusivamente para a era Lula: está proibido reivindicar, cobrar e criticar. Só pode concordar e dizer amém. Amém.

A normalidade da anomalia

Clovis Rossi, na FSP
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O Brasil é um país tão estranho, mas tão estranho, que as maiores anomalias podem ser expostas de público sem causar o menor choque.
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A mais recente saiu da boca do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao falar sobre as medidas para "destravar" a economia. "Não me pergunte o que é ainda, que eu não sei, e não me pergunte a solução, que eu não a tenho, mas vou encontrar, porque o país precisa crescer", disse Lula.
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É fantástico: Lula passou praticamente toda a sua vida adulta sendo candidato a presidente; quando, enfim, passa quatro anos governando, se candidata de novo a presidente, mas não tem a mais remota idéia do que é necessário fazer para o país crescer.
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O pior é que ninguém se espantou com a confissão de quem, antes da eleição ou pouco depois dela, vivia dizendo que as fundações estavam prontas, que as paredes já estavam praticamente erguidas, faltavam apenas detalhes de acabamento para que, por fim, ocorresse o tal "espetáculo do crescimento".
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Na hora de o espetáculo começar, o diretor da peça avisa que não tem as falas. Era tudo blablablá, promessas ocas de campanha. Aliás, vê-se agora, tardiamente, que já em 2003, quando fez o primeiro anúncio do "espetáculo do crescimento" (que não houve), Lula estava "chutando", aliás uma de suas grandes características. Se não tem agora a solução, se não tem agora as respostas para "destravar" o país, muito menos ainda poderia tê-las há quatro anos.
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Aí, convida o PMDB para um governo de "coalizão", que giraria em torno do crescimento econômico, entre outros itens igualmente vagos. Ora, que projeto de crescimento Lula pode oferecer ao PMDB se ele próprio não tem a mais remota idéia do que fazer?
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No entanto, tudo é dito com a maior naturalidade e engolido como se fosse verdade. Patético.

Arquivamento suspeito

Publicado no Estadão
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Pela forma e pelo conteúdo, o relatório da delegada Elizabete Sato, do 78º Distrito Policial, encerrando o inquérito policial definido como “a continuação do caso Celso Daniel” - prefeito petista de Santo André, assassinado em janeiro de 2002 -, por si constitui um bom argumento para que as investigações não sejam encerradas e para que a insistência da polícia em concluir que se tratou de crime comum e não político seja posta em dúvida, para não dizer suspeição.
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Disse a delegada que os testemunhos trazidos a depoimento nessa segunda fase ratificaram as participações dos indivíduos indiciados no primeiro inquérito policial, esclarecendo que “alguns deles até trouxeram uma suspeita aqui e acolá sobre eventual crime político, todavia, suspeita sem a devida prova equivale a quase nada”. Considere-se, desde já, que “quase nada” significa alguma coisa e às vezes grandes crimes são descobertos por pequenos e até ínfimos detalhes. A delegada se esqueceu de que o “aqui” ou o “acolá” e o “eventual crime político” são aspectos importantes demais, no caso, para serem tratados superficialmente, com simples generalizações, provenientes de juízos meramente subjetivos de autoridades.
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Disse mais a delegada, no relatório: que “optou esta signatária pela não oitiva das figuras conhecidas em Santo André neste segundo Inquérito Policial, Srs. Klinger de Oliveira e Sérgio Gomes da Silva, inicialmente porque é óbvio que eles ratificariam suas declarações anteriores e, por conseguinte, para não transformar a investigação em um acontecimento político”. Ora, por que seria “óbvio” que as testemunhas ratificariam declarações anteriores? A vista de novos fatos, informações, novos depoimentos de terceiros ou, simplesmente, de perguntas melhor formuladas por interrogadores, é freqüente testemunhas voltarem atrás, se desmentirem ou darem versão diferente - e às vezes mais verossímil - dos acontecimentos. Como a delegada pôde antever “ratificações” de depoentes e, assim, dispensá-los? E, ao pretender que a investigação não se transformasse em “acontecimento político” - o que, certamente, não dependeria de sua vontade -, a delegada não estaria, justamente, agindo com um viés político?
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A delegada concluiu que depois da “efervescência investigativa que suspeitava de crime político, tese defendida pelo Ministério Público de Santo André e pelos irmãos da vítima, certo é que estes dois últimos não apresentaram (...) qualquer indício que redundasse em provas”. Concluiu também que a “voracidade” dos promotores sucumbiu, “diante da não demonstração de outras provas”. Acontece, no entanto, que a delegada Sato encerrou o inquérito sem ter cumprido nem a metade da pauta de investigação, sem ter realizado a maior parte das diligências solicitadas pelo Ministério Público e por seu próprio pessoal, visto que de um total de 16 diligências solicitadas só atendeu a 5. Ela recusou até a solicitação de um investigador de sua equipe, o policial Marcos Antonio Badan Fonseca, sobre a urgente necessidade de quebra de sigilo telefônico de 33 linhas - que poderiam levar à identificação do grupo que manteve o prefeito em cativeiro e dos autores dos disparos - pois o crime completará 5 anos em 18 de janeiro e as operadoras mantém arquivo dos históricos de chamadas por, no máximo, 5 anos.
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Como era de se esperar, o relatório da delegada Sato provocou forte e indignada reação dos promotores de Justiça que apuram o caso. E estes já decidiram seguir adiante - independentemente das conclusões da polícia, pois têm autoridade para isso - tomando depoimentos de testemunhas que, acreditam, poderão levar à identificação de outros mandantes e executores. Nisso, sem dúvida alguma, os membros do Ministério Público paulista estão dando uma satisfação à opinião pública, paulista e brasileira. É inadmissível que um caso como esse seja encerrado com um tamanho acúmulo de suspeições, a refletirem, de maneira notória, a degradação ética do espaço público-político ante a qual as pessoas de bem deste país jamais deverão (usando a palavra escolhida pela delegada) “sucumbir”. Para dizer o menos, o arquivamento pretendido pela delegada significa uma suspeita a mais.

A “Colizão” Do Presidente Luiz Inácio

por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga,
Publicado no Blog Diego Casagrande

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O presidente Luiz Inácio parece estar entusiasmadíssimo com sua “colizão”, algo nunca dantes feito no país com a envergadura que ele está conseguindo. O PMDB, partido mais importante em termos numéricos, apresentou-se em peso ao balcão de negócios do governo, se bem que a natureza cambiante da política de modo geral, e do PMDB em particular, não permite certezas ou inclui lealdades.
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Outros partidos como o PSB, o PC do B, o PL, o PP, naturalmente o próprio PT e mais alguns também desejam participar da “colizão” como meio de alcançar cobiçados ministérios ou altos cargos. Estão todos sedentos de poder e o presidente, sem medo de se feliz, vai adiando a distribuição dos prêmios. Como animador de auditório ele diz: “quem quer ministérios?” Mas tarda a remeter o “aviãozinho”, enquanto mãos frenéticas se levantam na esperança de alcançar a desejada recompensa.
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O termo coalizão tem vários significados. No sentido político, segundo o Dicionário Aurélio, quer dizer: “acordo entre partidos para um fim comum” (seria interessante saber qual o fim comum da imensa colcha de ganâncias que o presidente Luiz Inácio se propôs a costurar). Contudo, dada a afoiteza com que os partidos disputam regalias, o sentido econômico que o Aurélio dá ao vocábulo talvez sirva melhor para explicar o tipo de coalizão que está em curso: “consórcio, convênio, ajuste, aliança ou fusão de capitais, de caráter criminoso, para impedir ou dificultar a concorrência, visando o aumento de lucros arbitrários”.
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Com a “concorrência”, ou seja, o PSDB e o PFL, Sua Excelência não tem com o que se preocupar. Estes partidos durante seu primeiro mandato foram os mais leais a ele, os que o defenderam do próprio PT autofágico, treinado para disseminar a discórdia, habituado a tática de dividir para governar. Qualquer problema é só Luiz Inácio chamar as “oposições responsáveis”, aquelas que não farão “oposição negativa”, as que estão propensas ao diálogo e elas o protegerão. Qualquer resistência de membro oposicionista basta chamá-lo para uma voltinha no Aerolula. De volta das alturas do poder ele cairá de joelhos, rendido diante da majestade que lhe segreda coisas que o comum dos ouvidos jamais perceberão.
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O presidente reeleito sentou-se com Michel Temer (que foi oposição durante todo o primeiro mandato e até outro dia apoiava Geraldo Alckmin), com Orestes Quércia (que já foi denominado por Luiz Inácio de “ladrão de carrinho de pipoca”) e com outras lideranças do gigantesco PMDB que, diga-se em nome da justiça, nunca usou o subterfúgio da ética para esconder seus desígnios de poder pelo poder. Da reunião nasceu a “colizão” ou adesão e todos saíram do Palácio do Planalto com sorrisos de miss para figurar nas fotos.
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Michel Temer, que comandou o espetáculo da coalizão, provavelmente no intuito de se manter na presidência do PMDB, poderá ser substituído pelo prestigiado ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, se este não ganhar um ministério. É que petistas costumam pagar com a destruição moral ou profissional a quem os ajuda. Recorde-se nesse sentido que o próprio presidente da República, o mais autêntico representante do PT, andou sacrificando até seus mais chegados companheiros para salvar seu precioso cargo. Se assim é com os amigos, o que poderá ele fazer com os que não são tão próximos?
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Temer também pouco poderá fazer em termos partidários, na medida em que a chamada Santíssima Trindade do PMDB, integrada por José Sarney, Renan Calheiros e Jader Barbalho, é que diz o que pode ou não podem fazer os peemedebistas.
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Entretanto, apesar de tudo aparentar um cenário róseo de entregas e salamaleques, no fundo ressoa a voz do PT, o verdadeiro partido dirigente que se encaminha para ser partido dominante. Assim, advertiu o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, “que só irão participar do governo de coalizão os partidos aliados que comprometerem ao menos 80% de seus votos no Congresso em favor do governo federal” (O Estado de S. Paulo, 23/11/06). Isto na prática significa a perda de autonomia do Legislativo que subserviente votará o que o Executivo mandar. Fica evidente o desequilíbrio dos Poderes e, com ele, o retrocesso democrático. Ao mesmo tempo, Sua Excelência pede aos governadores que só lhe façam oposição daqui a quatro anos.
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Enquanto partidos discutem sobre seu lugar na corte, Luiz Inácio confessa que não sabe o que fazer para, segundo sua expressão, “destravar o Brasil”. Um atestado de que durante quatro anos ele não foi capaz de proporcionar o prometido espetáculo do crescimento nem o será agora. Mas como está reeleito fará o que bem entender. Se a situação piorar a “colizão” será responsabilizada. O presidente não erra, de nada sabe, nada vê e continuará a ser aplaudido por seus quase 60 milhões de eleitores.

A Petrobras foi privatizada

Por Guilherme Fiúza / Política & Cia / Do site No Mínimo
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A brincadeira já perdeu a graça. Tudo bem que os brasileiros tenham achado legal viver algumas décadas desse ufanismo bobo em torno do petróleo nacional.
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Funcionou razoavelmente bem a idéia de que as chances do Brasil-potência seriam proporcionais à quantidade de cargos, rubricas e favores pendurados nos cofres públicos. Agora já está de bom tamanho.
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Os brasileiros pagam uma taxa de condomínio cara. Aí o síndico constrói uma casa de cinema na praia, e grita para os condôminos: “A mansão é nossa!” É claro que só quem freqüenta a casa de praia é a família e os amigos do síndico. Mas os condôminos, tomados por um orgulho bêbado, repetem em coro: “A mansão é nossa!”
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Nunca esteve tão claro. Quem pode bradar “o petróleo é nosso” são os amigos do PT e de Lula. O petróleo é deles. E das ONGs deles, dos amigos deles, dos afilhados deles, como mostra a reportagem de “O Globo”.
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Quanto custou aos brasileiros esse devaneio megalômano da Petrobras? Bilhões e bilhões de reais, cruzeiros, cruzados novos e velhos, um eterno almoço grátis lançado na conta de um povo orgulhoso e distraído.
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Desde a maravilhosa mágica da conta petróleo (depois PPE), que conseguiu transformar uma empresa em credora cativa de um país, até a manobra da “competitividade internacional”, que alinhou os preços internos aos dos petrodólares. Crise no Oriente Médio é hoje um grande negócio para a petroburocracia – aquela que tem suas aposentadorias milionárias garantidas por transfusão direta do Tesouro nacional.
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O escândalo das ONGs do PT não aumentou significativamente essa conta. Apenas acrescentou a ela o escárnio. Depois dos históricos rombos bilionários, agora são só alguns milhõezinhos para os panfletos, os broches e os charutos da companheirada.
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Falar em privatização da Petrobras é tabu no Brasil. Pois aqui vai a notícia: ela já foi privatizada. A diferença é que os drenos que a ligam aos cofres públicos continuam lá.
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A única solução razoável para essa estatal privada é vendê-la o quanto antes. Agora, depois do escândalo das ONGs, não se trata mais de uma urgência administrativa. Trata-se de uma urgência moral.

Relato sete: Reinaldo Azevedo e suas lembranças

Pra não dizer que não falei das flores - 3 - Um roteiro
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Por Reinaldo Azevedo
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Na Folha deste sábado, lê-se o seguinte:
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Na tentativa de desvendar a origem do R$ 1,7 milhão usado para a compra do dossiê antitucano, a Polícia Federal investiga 15 ligações telefônicas travadas entre Hamilton Lacerda, ex-petista envolvido na trama, e o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, Wilson Santarosa.”
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Pois bem. Leiam trechos da coluna de Diogo Mainardi no dia 27 de setembro, intitulada “IstoÉ, a mais vendida”:
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Fim de agosto. Base aérea de Congonhas. Lula se encontra com Domingo Alzugaray, dono da IstoÉ. (...) Alzugaray se lamenta dos problemas financeiros da revista. (...) Lula pergunta como pode ajudá-lo. Alzugaray sugere o pagamento imediato de uma série de encartes encomendados pela Petrobras. Valor total: 13 milhões de reais. Lula promete se interessar pelo assunto. Duas semanas depois, a IstoÉ publica a matéria de capa com os Vedoin, incriminando os opositores de Lula. (...) A IstoÉ foi acusada por seu próprio editor de ter vendido a matéria de capa com os Vedoin. Quem forneceu o dinheiro? Meu conselho é perguntar ao diretor de marketing da Petrobras, Wilson Santa Rosa. Ele é homem da CUT, como muitos dos que foram pegos em flagrante nessa trama golpista. (...) Um dos principais petistas implicados na compra de matéria da IstoÉ foi Hamilton Lacerda. (...) O repórter Ricardo Brandt descobriu que Lacerda ‘atuou como intermediador de contratos da Petrobras com órgãos de imprensa’".
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Como se vê, a PF quebra o sigilo de todo mundo e não indicia ninguém. Diogo só precisou fazer alguns telefonemas — em setembro! Estamos em novembro. Márcio Thomaz Bastos diz não estar certo nem mesmo da gravidade do caso.Publicidade da Petrobras
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E só para não dizer que não falamos das flores, segue (veja lá no arquivo) íntegra de post publicado aqui no dia 22 de setembro, há três longuíssimos (menos para a PF) meses. O título: "IstoÉ: 89 páginas de publicidade federal em 10 edições"
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"A revista IstoÉ, que vem com uma edição, nesta semana, que tenta, a todo custo, incriminar o tucano José Serra, andou bem aquinhoada em verba publicitária do governo federal. Em 10 edições, foram nada menos de espetaculares 89 páginas. Sem dúvida, é o caso de dar os parabéns à competência da área comercial e, por que não dizer, também à área editorial. Como nenhuma outra publicação, o material jornalístico da IstoÉ consegue seduzir o cliente... Como sabem, tive de fechar Primeira Leitura por falta de anúncio. Nunca soube ter esse tipo de competência da IstoÉ. Pô, leitor: perdoe-me estar cometendo o pecado da inveja...
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Edição de 24 de maio
18 páginas – Especial Petrobras/IstoÉ – Petróleo 100% brasileiro
02 páginas – Sebrae (aquele órgão presidido por Paulo Okamotto
01 Banco do Brasil – aquele de que é diretor Expedito Veloso, que assistiu à entrevista dos Vedoin à revista;
Total: 21 páginas
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Edição de 7 de junho:
18 páginas – Especial Petrobras/IstoÉ – Petróleo 100% brasileiro
02 páginas – Petrobras (Biodiesel)
02 páginas - Banco do Brasil
02 páginas – Furnas-Eletrobras
Total: 24 páginas
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Edição de 28 de junho
18 páginas – Especial Petrobras/IstoÉ – Petróleo 100% brasileiro
01 página – Mais Petrobras
02 páginas – Banco do Brasil
02 páginas – CEF
02 páginas – Governo Federal
Total: 25 páginas
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Aí começou o período com restrições a propagandas oficiais
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Edição de 12 de julho
02 páginas – Gestão Empresarial
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Edição de 26 de julho
01 página – Coleção BB/IstoÉ Gestão EmPresarial
02 páginas – mais BB
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Edição de 23 de Agosto
02 páginas – Coleção BB/IstoÉ Gestão EmPresarial
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Edição de 30 de agosto:
01 página – Coleção BB/IstoÉ Gestão Empresarial
02 páginas – Banco do Brasil
01 página – Sesi
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Edição de 6 de Setembro
01 página – Coleção BB/IstoÉ Gestão Empresarial
01 páginas – Petrobras
02 páginas – Caixa Econômica Federal
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Edição de 13 de setembro
01 página – Coleção BB/IstoÉ Gestão Empresarial
01 página – Sebrae
01 página – Banco do Brasil
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Edição de 20 de setembro
01 página – Coleção BB/IstoÉ Gestão Empresarial"

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O PT e o governo ficam muito irritados com o que chamam “certo jornalismo” e “certo colunismo”. É compreensível. As três notícias que se lêem acima constituem um roteiro.

Relato seis: a Petrobrás do PT

Empreiteiras que trabalham para a Petrobras doaram R$ 2,5 milhões a petistas
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Por Rubens Valente e Leandro Beguoci na Folha desta terça: “Cinco empreiteiras associadas da Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial) e que mantêm contratos com a Petrobras doaram, juntas, R$ 2,5 milhões para políticos do PT em vários Estados. As empresas UTC, Genpro, Engevix, Potencial e Odebrecht mantêm pelo menos R$ 775,6 milhões em negócios com a petroleira, segundo levantamento feito pela Folha. Ontem, o jornal ‘O Globo’ revelou que em março último a Petrobras e a Abemi assinaram um convênio, sem licitação, no valor de outros R$ 228,7 milhões, com validade até 2008.
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Em nota divulgada ontem, a Petrobras afirmou que os recursos enviados à Abemi, para um programa de qualificação profissional, não chegam às empresas filiadas. A estatal não confirmou se mantém contrato direto com as empresas filiadas da entidade. A análise da base de dados da estatal confirmou dois contratos com a UTC, no valor de R$ 177,4 milhões, dois com a Genpro, de R$ 20 milhões, sete com a Engevix, no valor de R$ 460,5 milhões, 20 com a Potencial Engenharia, no valor de R$ 100,7 milhões, e um no valor de R$ 17 milhões com a Norberto Odebrecht. A maioria dos contratos foi feita pela modalidade de convite, que prevê uma disputa entre concorrentes.
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A Abemi, entidade sediada em São Paulo que reúne empresas de engenharia, é presidida por Ricardo Ribeiro Pessoa, proprietário da UTC Engenharia. A empreiteira doou R$ 1,3 milhão para políticos do PT -88% do total que distribuiu na campanha. A maior parte das doações da UTC, de R$ 700 mil, foi para o candidato derrotado ao governo de Mato Grosso do Sul, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Antes de entrar no partido, Delcídio foi diretor da área de gás da Petrobras, em 1999. O último repasse da UTC para Amaral, de R$ 400 mil, ocorreu no dia 26 de outubro. Um dia depois, a Genpro, outra empreiteira com negócios com a Petrobras, depositou R$ 300 mil na conta do comitê financeiro único do PT de Mato Grosso do Sul. Outra empresa integrante da Abemi, a Potencial Engenharia, fez uma única doação em seu nome. Foram R$ 60 mil para Jaques Wagner (PT), governador eleito da Bahia.
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Integrante da Abemi, a Engevix Engenharia também privilegiou políticos do PT. De um total de R$ 880 mil em doações, a empresa destinou R$ 365 mil para políticos do partido. Como nos casos da UTC e da Genpro, a Engevix destinou recursos à campanha de Delcídio Amaral (PT-MS), R$ 200 mil.”

Relato cinco: Gabrielli vai ter que se explicar

Jungmann quer que direção da Petrobras se explique
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Por Reinaldo Azevedo
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Da Folha On Line: “A oposição vai apresentar requerimento de informações à Mesa do Congresso Nacional cobrando explicações da Petrobras e do Ministério de Minas e Energia sobre o contrato firmado pela estatal com o governo da Bolívia, no mês passado. Jungmann teve acesso a um contrato-padrão firmado entre a estatal e os bolivianos --na negociação para a exploração de gás natural no país vizinho-- e acusa a empresa brasileira de trazer prejuízos ao país com o acordo. Apesar de não ter certeza se o contrato ao qual teve acesso é o definitivo, Jungmann considerou estranho a Petrobras manter os documentos sob sigilo. ‘Não sabemos se esse contrato-padrão é o definitivo. Queremos saber qual é o definitivo. Como a empresa não nos dá acesso, que ela venha a público prestar esclarecimentos a respeito’, disse. O deputado também quer convocar o ministro Silas Rondeau (Minas Energia) e o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, para esclarecerem o contrato na Comissão de Minas e Energia da Câmara. Jungmann disse que, se o contrato ao qual teve acesso for o definitivo, o Brasil terá graves prejuízos econômicos. ‘A ser esse o contrato, podemos dizer que os interesses dos acionistas e dos contribuintes foram lesados. A empresa não tem recuperação dos custos, não pode dar publicidade ao contrato’, criticou o deputado. Jungmann afirmou que uma das cláusulas do contrato fixa a Justiça boliviana como o foro adequado para qualquer questionamento sobre o contrato. ‘Nesse clima de instabilidade internacional fica claro que o recurso só cabe à Justiça boliviana, sem também ter o direito de um apelo diplomático’, afirmou.”
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CPI quer investigar se há vínculo entre aloprado e Petrobras. São 36 telefonemas
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Da Folha On Line: “A CPI dos Sanguessugas quer investigar as ligações telefônicas entre Hamilton Lacerda, ex-petista envolvido no dossiegate, e o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, Wilson Santarosa. Integrantes da comissão querem apurar se a estatal pode ter sido uma das fontes do dinheiro utilizado para a compra do dossiê. Santarosa e Lacerda trocaram telefonemas entre 2 de agosto e 14 de setembro — um dia antes da prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, envolvidos na compra do material antitucano. O vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), defendeu que a comissão investigue as ligações para evitar que os parlamentares não avancem na origem do dinheiro do dossiê. "Existem indícios, mas é preciso primeiro analisar os dados. É preciso investigar, sob pena de não concluirmos as investigações", afirmou. As quebras de sigilo em posse da CPI registram oito trocas de telefonemas entre Lacerda e um assessor de Santarosa, todas no início de agosto. Há 12 ligações do telefone fixo da Petrobras para o celular de Lacerda, que telefonou de volta uma vez, a maioria em agosto. No total, são 36 ligações trocadas entre os dois. Jungmann confirmou que a CPI ouve nesta terça-feira Gedimar, Valdebran e Expedito Veloso --ex-diretor do Banco do Brasil. É a segunda vez que a comissão tentará ouvir os três, já que na última reunião os parlamentares decidiram adiar os depoimentos. Desta vez, Jungmann garante que a comissão vai interrogar Gedimar, Valdebran e Expedito. ‘Eles estão convocados, é dever deles comparecer. Além dos depoimentos, teremos reunião administrativa para votar requerimentos’, afirmou.”
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Freire quer informações sobre contratos da Petrobras
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Na Folha On Line: "O presidente da MD (Mobilização Democrática), deputado Roberto Freire (PE), apresentou quatro requerimentos nesta terça-feira à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara com pedidos de investigação dos contratos firmados entre a Petrobras, ONGs (Organizações Não-Governamentais) e a Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial). Freire pediu que a comissão solicite ao TCU (Tribunal de Contas da União) inspeção extraordinária em todos os contratos firmados entre as entidades, assim como fiscalize por conta própria os convênios firmados entre 2003 e 2006. Freire quer apurar as denúncias de que cinco empreiteiras associadas da Abemi, que mantêm contratos com a Petrobras, teriam doado R$ 2,5 milhões para políticos do PT em vários Estados. O jornal 'O Globo' revelou que em março deste ano a Petrobras e a Abemi assinaram um convênio, sem licitação, no valor de R$ 228,7 milhões, com validade até 2008. 'Acho que essa medida é imprescindível para apurar as graves denúncias publicadas pelos jornais, porque a Petrobras é um dos maiores patrimônios do Brasil. [A empresa] não pode ser transformada em propriedade de um partido e se prestar a negócios escusos', criticou Freire."

Relato Quatro: a culpa ? É da imprensa, ora bolas!

Da série "A culpa é da imprensa": chegou a vez de presidente da Petrobras fazer a acusação
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Por Reinaldo Azevedo
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Só faltava esta. Agora chegou a vez de a Petrobras acusar um complô da mídia contra a empresa. A dar crédito aos petistas, vamos chegar à conclusão de que “Estepaiz” tem um único defeito: a imprensa livre. Ela é a culpada por Waldomiro Diniz, mensalão, cartilha fajuta, complô do dossiê e, agora, pela gastança da Petrobras. Por Pedro Soares na Folha de hoje: “O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que, em razão dos seus 70 mil fornecedores, é possível encontrar "todas as colorações políticas" e empresas que tenham financiado campanhas do "PFL, do PSDB e do PT".Também disse que alguns órgãos de imprensa fazem ‘uma campanha orquestrada contra a Petrobras’ e que alguns jornalistas fazem "ilações inaceitáveis" para atacar a empresa.Gabrielli também chamou de ‘irrealidades’ e ‘falsidades’ reportagens publicadas pela Folha e pelo jornal ‘O Globo’ sobre doações de fornecedoras da estatal a campanhas petistas. A Folha publicou ontem que a UTC Engenharia doou R$ 1,3 milhão a campanhas do PT. Na segunda-feira, o "Globo" havia noticiado que a Abemi (Associação Brasileira de Engenharia), cujo presidente, Ricardo Ribeiro Pessoa, é proprietário da UTC, tinha firmado convênio com a Petrobras no valor de R$ 228,7 milhões. ‘O que saiu em O Globo e o que saiu na ‘Folha de S.Paulo’ é uma completa ilação irresponsável tentando associar situações que não são relacionadas com a ação da Petrobras’, disse o presidente da estatal.

Relato três: a dupla agressão

Gabrielli e a inaceitável agressão ao repórter de "O Globo". E estou em campanha: "Vamos estatizar a Petrobras, que foi privatizada pelo PT"
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Por Reinaldo Azevedo
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A Petrobras já foi privatizada. Pelo PT. É a única coisa que se pode concluir do inaceitável faniquito público que o presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, teve ontem. Noticiei a coisa aqui. Mas o relato feito pelo repórter Chico Otavio, no Globo de hoje, impressiona. Destaco um trecho logo abaixo. Gabrielli foi muito além do razoável. Qualquer pessoa, na sua função, em qualquer democracia do mundo, levaria um pé no traseiro. Mas ele, certamente, ganhará os parabéns de seu chefe. Presidente de uma empresa cujo capital é majoritariamente público — portanto, as suas atribuições praticamente se igualam às de um servidor do Estado —, vamos verificar como ele entra na economia interna dos partidos, como faz proselitismo desavergonhado. Leiam trecho de reportagem do Globo. Depois volto:
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Gabrielli foi agressivo e dirigiu ataques ao repórter do Globo ao ser indagado sobre dois temas: o uso da estrutura das ONGs financiadas pela Petrobras na campanha pela reeleição do presidente Lula — como mostrou reportagem do jornal domingo — e assinatura de convênio no valor de R$ 228 milhões, sem licitação, com a AssociaÇão Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) para treinamento profissional.
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— Irresponsável! — reagiu Gabrielli assim que o repórter (um dos autores da série de reportagens) se identificou.
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Ao ser perguntado se a Petrobras mostraria pelo menos um dos contratos com ONGs, voltou a exibir sua irritação.
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— Evidentemente, você não é uma pessoa bem-vinda aqui — respondeu o presidente da maior estatal do país.
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Não satisfeito, foi adiante:

“Eu poderia, por exemplo, fazer ilação de que há coincidência muito grande entre a posição do PFL, neste momento, e o que você está fazendo. Com o que o senhor Heráclito Fortes (PFL-PI) está fazendo com a sua matéria, poderia dizer que você está trabalhando para o PFL.”
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A truculência de Gabrielli é inaceitável. Ademais, “Senhor Heráclito Fortes” vírgula, senhor Gabrielli. O PT é o partido em que ser chamado de “senhor” pode ser uma ofensa. Ele é senador da República, eleito pelo povo. E está cumprindo a sua tarefa. Está lá por vontade do eleitor. Gabrielli preside a Petrobras por vontade de Lula e do PT. O senhor deve ao parlamentar um tratamento respeitoso. Quando ao repórter... Vejam vocês: o “dono” da Petrobras diz quem é e quem não é bem-vindo à “sua” casa. Irresponsável é sua reação.
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Ademais, Gabrielli parece integrar aquele seleto grupo do petismo e do parapetismo que tem uma relação singular com o dinheiro. Lembram-se de Marcos Valério na CPI do Mensalão? Houve lá um dia em que ele se referiu a algo em torno de R$ 4 milhões como “pouco dinheiro”, “mixaria”. É... Segundo padrões petistas, nunca haverá dinheiro o bastante para o fome do gigante.
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Gabrielli seguiu ontem a mesma escala “Nosso investimento (R$ 22,6 bilhões) tem impacto enorme na economia. E as matérias falam em contratos de R$ 31 milhões”. Entenderam? A constatação corresponde a uma pergunta: “O que são R$ 31 milhões diante de R$ 22,6 bilhões?” É um escárnio.
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Se o Senado tivesse vergonha na cara, chamaria este “senhor” para prestar esclarecimentos. A partir de agora, estou em campanha: quero estatizar a Petrobras. Privatizada ela já está.
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Alô, Gabrielli: quero ver o contrato entre a Petrobras e a estatal boliviana. Por que ele não aparece?
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A propósito, “senhor” Gabrielli: na condição de acionista da Petrobras, quero ver a íntegra do contrato que a empresa celebrou com a estatal boliviana. Cadê o contrato? Onde estão as garantias da estatal brasileira? Por que o contrato, até agora, não veio a público? Qual o interesse em escondê-lo?
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Eu, Gabrielli, Heráclito e a República
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Petistas ficaram furiosos porque censurei a forma como o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, se referiu a Heráclito Fortes (PFL-PI). Numa entrevista coletiva, chamou-o, com evidente desdém, “senhor”, em vez de “senador”. Sintetizo o ataque: “Quer dizer que você, que é não é ninguém, pode chamar o presidente de Apedeuta, e Gabrielli não pode chamar Heráclito de senhor?”. Sim, quer dizer isso mesmo.
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Exatamente porque não sou ninguém, porque não exerço cargo de confiança; porque não sou capa-preta de estatal; porque não sou nomeado por nenhum padrinho político; porque não estou subordinado às regras que regem os homens públicos; porque não pertenço a nenhuma forma de hierarquia estatal ou para-estatal; porque não devo satisfações a ninguém a não ser aos códigos que regem a vida civil e a minha profissão; por tudo isso, chamar o presidente de “Apedeuta” é um direito meu. Basta consultar o dicionário: “que ou o que não tem instrução”. É Lula. E isso não quer dizer que não seja espertíssimo, mais do que a grande maioria “com instrução”. Podem ver que nunca o chamei de burro. Cabe só aos leitores julgar o “decoro” de minha linguagem. O resto é com a lei. Com Gabrielli é diferente. Se ele quer bater o pé e ter a autonomia que tenho, que se demita do cargo e vá para a vida privada. É simples.
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Até aceito a argumentação de que, chamando Lula de “apedeuta”, estou comprando briga com quem o elegeu ou reelegeu. Claro que sim. Nunca neguei isso. Afinal, sou aquele que cravou a expressão: “É Lula de novo com a culpa do povo”. Mas eu posso comprar quantas brigas eu quiser. Lula não me deve nada. Não lhe devo nada. E não preciso lhe fazer as vontades para manter meu emprego. A luta essencial, entendo, continua a ser a do indivíduo contra o Estado. Já o “senhor” Gabrielli não. Exerce um cargo político e tem de seguir as regras do decoro público. Quando, presidente de uma estatal, hostiliza um senador, seu partido, um jornalista e a imprensa, está pondo o Estado, que é de todo mundo — meu também —, a serviço de uma “parte”, de um “partido”. Sacaram a diferença?
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Sei que nem todos reconhecem o Bananão como uma República. Mas ainda não perdi as esperanças. Eu não posso ser demitido pelo presidente da República, mas Gabrielli pode. O que quer que eu faça ou diga não implica o endosso do chefe da nação; no caso do presidente da Petrobras, sim. Se eu falar mal de um senador ou tratá-lo com desdém, não significa que o Executivo está dando um pé no traseiro do Legislativo. Já Gabrielli deu um pé no traseiro do Senado. Como ficou no cargo, é sinal de que Lula aprovou o seu ato e também deu o chute.

Relato dois: como partidarizar o dinheiro público

68% dos custos da campanha de ex-presidente da Petrobras tiveram origem em empresas que têm negócios com a... Petrobras
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Por Reinaldo Azevedo
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Por Rubens Valente e Leandro Berguoci na Folha de hoje: “A campanha eleitoral do ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (PT-SE) recebeu doações financeiras de cinco empresas que mantêm contratos e parcerias com a estatal. De R$ 846,6 mil captados pelo candidato derrotado a uma vaga no Senado pelo Sergipe, R$ 577 mil (68% do total) vieram dessas empresas. Dutra presidiu a Petrobras entre 2003 e 2005 e tentava retornar ao Senado, onde exerceu mandato entre 1995 e 2003. Uma das doadoras, a FSTP Brasil, é o consórcio que administra a construção das plataformas de exploração de petróleo P-51 e P-52. As obras prevêem US$ 780 milhões apenas em financiamentos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).A FSTP escolheu ajudar três candidatos no país, todos do PT. Dutra recebeu R$ 150 mil - os outros foram Luiz Sérgio (PT-RJ), com R$ 150 mil, e Rodrigo Neves (PT-RJ), que ficou com R$ 50 mil. Duas outras empresas só fizeram doações para Dutra, entre todos os candidatos a cargos nas eleições deste ano. O nome do escritório de advocacia Tauil & Chequer, sediado no Rio, foi grafado como ‘Tavil & Chegner’ na prestação de contas enviada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). O escritório assinou três contratos com a Petrobras, no valor total de R$ 1,16 milhão somente entre 2005 e 2006 (único período tornado público pela Petrobras em seu site na internet). Todos os contratos foram feitos sem licitação, sob o argumento de que a disputa era ‘inexegível’.
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Dutra falou com a Folha sobre o caso. Vejam:
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Folha - Do arrecadado pela sua campanha, 68% vieram de empresas que têm negócios com a Petrobras.
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José Eduardo Dutra - Isso não é verdade. A maior contribuição é da Vale do Rio Doce, R$ 300 mil.
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Folha - A Vale tem várias parcerias com a Petrobras...
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Dutra - [Interrompendo] Ah, meu amigo. Eu sou empregado da Vale do Rio Doce, sou funcionário licenciado, e eu prefiro que você pergunte ao doutor Roger Agnelli [presidente da Vale] por que que contribuiu. E outra coisa: Eu prestei contas à Justiça Eleitoral. Não tenho nenhuma satisfação a dar à Folha de S.Paulo a respeito dessa prestação de contas. Ponto. Só isso.

Relato um: O petróleo é deles

Matéria da Folha mostra que fornecedores da Petrobras doaram R$ 2,5 milhões aos petistas para a campanha eleitoral. A informação confirma o que o senador ACM já havia dito: a estatal despejou dinheiro a rodo na campanha do PT ao governo da Bahia. Pudera, a Petrobras é um feudo do partido, uma espécie assim de capitania hereditária. Poderosa, a estatal possui hoje mais capacidade de investimentos do que o Estado brasileiro. E a elite do PT está toda lá. O petróleo é deles, do PT, não do Brasil. E você, o que acha disso?
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É discurso marcado: é tudo culpa da imprensa. Críticas e denúncias são o novo monstro brasileiro: o jornalismo. E na onda foi José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, respondendo às reportagens sobre doações de campanha ao PT feitas por empreiteiras ligadas à estatal. As doações não foram negadas, mas sua divulgação, de acordo com Gabrielli, é "uma campanha orquestrada contra a Petrobras". O presidente da estatal bem que poderia ter dispensado os ataques ao jornalismo, ficando apenas com a defesa da atuação da empresa.
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"Dane-se o público"

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O editorial da Folha de São Paulo de hoje, do qual transcrevo uma parte aqui no blog, vale uma leitura.
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"Seria compreensível a ira de Gabrielli caso o petista houvesse demonstrado ter sido vítima de injustiça nas reportagens contra as quais vociferou. Nas poucas vezes em que apresentou argumentos em vez de impropérios, no entanto, nada do que disse passou perto de desautorizar o trabalho jornalístico nesse caso.
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O fato é que, como mostrou esta Folha na edição de terça, políticos do PT receberam neste ano R$ 2,5 milhões em doações eleitorais de cinco empresas associadas à ONG Abemi que mantêm contratos com a estatal. A Abemi, por sua vez, assinou um convênio de R$ 228,7 milhões com a Petrobras, sem licitação, para treinar 70 mil pessoas.
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Outro fato, revelado por 'O Globo' no domingo, é que a estatal transferiu ao menos R$ 31 milhões, a títulos vários, a organizações não-governamentais que apoiaram a campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Detectou-se curiosa concentração dessas ações em Sergipe, onde o ex-presidente da estatal José Eduardo Dutra concorreu ao Senado, tendo sido derrotado (campanha 68% financiada por empresas que têm negócios com a petroleira estatal).
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Todas essas parcerias com organizações 'companheiras' -mais um episódio de aparelhamento do Estado que persiste, na gestão petista, como fruto da impunidade- dispensaram licitação pública. O critério adotado foi, nas palavras de Gabrielli, 'o trabalho que as ONGs fazem'.
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O dirigente da estatal acha que R$ 31 milhões são quantia irrelevante se comparada ao 'impacto' total dos mais de R$ 20 bilhões em investimentos da Petrobras. Também considera ser um exercício de 'mau jornalismo' recorrer à prestação de contas de campanha, identificar as empresas que fizeram doações ao partido governista e buscar suas relações com a Petrobras.
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O episódio ilustra o grau de desrespeito na cúpula do Executivo federal para com o direito do cidadão de saber o que é feito do seu patrimônio."
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"Você não é uma pessoa bem-vinda aqui"
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A frase é de Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, e foi direcionada ao repórter Chico Otavio, de "O Globo", durante uma entrevista coletiva no Rio. Não há mais triste frase e não há pior momento para sua vocalização. Contra tudo e contra todos, a saída e gritar com a imprensa. Na foto o que se vê é mais um petista com o dedo no rosto do jornalismo. O que se pode ouvir, com um pouco mais de cuidado, é que a imprensa não é bem-vinda dentro de uma estatal. E o governo do PT queria a transparência... pelo menos é o que foi dito por aí, num passado nem tão remoto assim. Haverá aquele que se levantará na defesa do presidente da Petrobras, argumentará que não é toda e qualquer imprensa que deveria se manter do lado de fora daquela entrevista coletiva. Para fora, apenas a tal da "imprensa marrom", nas palavras do próprio Gabrielli. Mas repito: se nada há de errado nas contas da Petrobras, melhor seria que seu presidente ficasse na defesa de sua atuação. E como toda regra tem sua exceção, este é, provavelmente, um dos casos no qual o ataque não é a melhor defesa.

Gabrielli: um presidente de quinta categoria

COMENTANDO A NOTICIA:
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Já há algum tempo estamos recolhendo reportagens e artigos sobre a ação verdadeiramente inconseqüente com que vem atuando o presidente da estatal brasileira, a Petrobrás, atualmente sob a presidência de José Sérgio Gabrielli. Porém, nestas duas últimas semanas, o roteiro que surgiu está quase completo.
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Nossa estranheza em relação a figura se dá a partir do chute no traseiro que nos dado pelo índio Evo Morales, aprendiz de ditador barato sul-americano, que sem mais nem porquê, simplesmente nos afanou a Petrobrás lá instalada, ao custo de 1 bilhão de dólares em investimentos, e os quais foram enterrados junto com o contrato assinado e rasgado pelo boliviano, expropriação pura e genuína, e sem que o presidente da estatal esboçasse um mínimo de reação que dele se esperava em defesa não apenas do interesse mas também do patrimônio da empresa que preside.
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Pois bem, desde então vimos observando a ação pueril deste cidadão e o mínimo que se pode dizer do mesmo é que se trata de um empregadozinho de quinta categoria, incompetente até para ser síndico de prédio de subúrbio, quanto mais estar à frente de uma estatal da grandeza e da importância de uma Petrobrás. Fosse acionista, e iniciaria um movimento já para sua deposição, por incompetência e negligência, além de cobrar-lhe pesada indenização pelos prejuízos que sua gestão tem provocado à companhia.
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É preciso que o leitor se dê conta de uma verdade irretorquível: cesteiro que faz um cesto, faz um cento, como diziam os antigos. E tal modo isto é verdadeiro no caso do empregadozinho Gabrielli, que nos últimos dias os brasileiros têm sido informados de algumas das “atrapalhadas” e derrapadas cometidas por este cidadão.
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Para que não se fique apenas no terreno da opinião que nutrimos por Gabrielli, vamos apresentar uma série de artigos publicados na imprensa e que poderão demonstrar o quanto Gabrielli precisa ser afastado da presidência da estatal pelo bem da própria companhia. E não apenas isto: que imediatamente após sua saída se faça uma auditoria verdadeira no período de sua gestão. Garantimos fortes emoções. O pouco que vaza para a imprensa é significativo do quanto o desclassificado tem cometido de tolices e provocado prejuízos que só não são mais visíveis ao grande público pela simples razão de que o petê privatizou para si mesmo a estatal de petróleo brasileira.
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E dada as tolices proferidas por Gabrielli nos últimos dias resta-nos dizer que, num país sério, este cidadão não poderia sequer ser administrador de carrinho de pipocas se o carrinho fosse um bem público. Ele daria um jeito de privatizar as pipocas para os amigos, e os sabugos os colocaria à conta do alheio. Ah, segue um trecho do companheiro que o antecedeu na presidência, José Eduardo Dutra. Observem o apreço que estes cidadãos têm pela obrigação de prestação contas por presidirem uma empresa estatal, portanto, de propriedade do povo brasileiro. Nenhuma. Se consideram donos do lugar apenas por estarem presidentes, cargo para o qual não prestaram nenhum concurso. Chegaram pela via do compadrio, do fisiologismo, simples boçais puxadores de saco. Estes senhores, de fato, se imaginam além do bem e do mal. Num país de primeiro, provavelmente, sucumbiriam pela incompetência e pela ignorância. Civilidade é coisa da qual eles querem distância. E a maior possível...