Adelson Elias Vasconcellos
No Jornal da Globo, reportagem de André Luiz Azevedo, informa que doze milhões de brasileiros foram roubados em 2009. Pena que a pesquisa não abrange o ano de 2010. Por certo, o recorde seria quebrado com larga facilidade e diferença. Já conto porque, mas antes leiam a reportagem:
O número faz parte de uma pesquisa sobre a sensação de segurança com que se vive no Brasil. É como se quase toda a população da capital de São Paulo fosse assaltada nesse período.
Telefone celular, dinheiro, cartão de crédito: esta é a lista do que mais é roubado dos brasileiros. “Minha filha foi assaltada com uma faca na barriga. Até hoje não recuperou o celular”, diz a odontóloga Derci do Vale.
À noite nas ruas, vigilância e precaução. Em um ano, cerca de 12 milhões de brasileiros foram roubados ou furtados. É como se quase toda a população da capital de São Paulo fosse assaltada nesse período.
O índice faz parte de um estudo feito pelo IBGE em 2008 e 2009. Segundo a pesquisa, de 6 milhões de pessoas que foram roubadas, apenas a metade procurou um PM ou uma delegacia. Uma em cada três vítimas não acredita na polícia.
“A pessoa acha que a polícia não vai se mobilizar para resolver um delito pequeno, como furto de um cordão, uma bicicleta. E também existe a burocracia, que é um registro policial”, afirma Geraldo Tadeu Moreira, pesquisador do Centro de Criminologia.
A pesquisa do IBGE sobre a violência nas cidades não perguntou apenas se o brasileiro foi roubado ou furtado. Quis saber mais: se as pessoas se sentem seguras ou inseguras dentro de casa, nos bairros e nas cidades onde moram.
A maioria das pessoas diz que se sente segura dentro de casa, mas, à medida que o brasileiro se afasta do lugar onde vive, a sensação de segurança diminui. Quem mora na região Norte se sente ainda menos protegido nas cidades. Já o Sul é o lugar do Brasil onde as pessoas se dizem mais tranquilas para andar nas ruas.
Sentir-se protegido também tem a ver com a idade e com a renda da pessoa. Quanto mais velho e mais rico, mais inseguro. “É um desafio dos próximos governos recuperar essa confiança da população na polícia através de políticas de controle da ação policial, de melhoria da qualidade no atendimento, porque esse é um dado que aparece em todas as pesquisas”, diz Moreira.
***** COMENTO:
Vejam lá: segundo a pesquisa, apenas metade das pessoas dão queixa na polícia dos roubos e assaltos que sofrem. Contudo, em 2010, nem isso.
O que o Congresso aprontou em menos de 24 horas, assaltando o bolso de 190 milhões, acreditem, não receberá queixa ou registro policial. Mas deveria, e com todos os culpados sendo presos em flagrante, de forma incomunicável e inafiançável. Não se explica e não se justifica aumentos para eles próprios em mais de 60,0 %, e, para o executivo – presidente, vice e ministros – em mais de 100,0%, quando de 2007 – ano do último aumento – para cá, a inflação não cresceu além de 20%. Mas vocês acham o crime pequeno? Pois saibam, meus caros, que o salário mínimo, cuja discussão parece interminável, não irá além de uma merreca de 5,5%, ou R$ 540,00 por mes, afora os descontos de praxe.
É um acinte. Parlamentares, ministros, presidente e vice ganharão, numa pernada, quase cinquenta vezes mais que o maior salário regional vigente no país. Vergonhoso quando se sabe que o diferencial em países sérios, não é superior a 15 vezes.
E, no caso dos deputados e senadores, somando-se todos os privilégios que esta legião de gigolôs já recebem, e acrescentando-se aos desvios que se praticam aos bilhões dos cofres púbicos, sem a menor finalidade social em benefício da população, não há como negar que 190 milhões de brasileiros foram roubados, e cerca de 100 milhões de trabalhadores foram humilhados por quem deveria, antes de mais nada, representá-los com dignidade e decência.
Considerando-se que mais da metade do país sequer tem saneamento básico em suas casas e que milhares sequer atendimento médico de segunda classe conseguem receber, e somando-se à desgraça geral do atraso educacional a que está relegada mais de 2/3 da população, o fatídico aumento não pode ser classificado de outra forma do que a prática vergonhosa do maior roubo coletivo da história do país.
Lula, no seu discurso de ontem, prá variar palanqueiro e mentiroso, em que fez um balanço de seus oito anos, afirmou que com Dilma o país poderá tornar-se a quinta maior economia do planeta. Este milagre, infelizmente, jamais a sociedade brasileira conhecerá a curto e médio prazos. Não com esta classe de larápios que habita o Congresso Nacional, com o espírito de gigolôs que alimenta a alma podre destes cretinos. Não há jeito de nos tornarmos um país desenvolvido com uma classe política milionária às custas da miséria e da ignorância de sua população.
Tristemente, 190 milhões de vítimas assaltadas sem sequer terem o direito a miserável registro policial contra seus algozes. Parece que não há voto consciente capaz de repor a decência jogada no lixo dos ocupantes das cadeiras do Congresso encharcado de lama. Quando se vê que, apesar dos pesares, Maluf corre o risco de voltar e ser diplomado pelo TSE, a tal lei ficha limpa foi apenas uma das tantas decepções do país na sua doce ilusão de que a classe política se torne algo além de motivo de vergonha para todo o país.
Deste modo, fica justificado para todo o sempre, a razão pela qual a preocupação dos larápios em distribuir bolsas esmolas muito mais do que investimento em educação. Povo educado se indigna e protesta de forma veemnte contra a existência destes gigolôs. O povo brasileiro, ao contrário, se deixa roubar na certeza de que, em política, sempre o crime compensa.




