quinta-feira, agosto 02, 2007

As diferenças entre protestos e greves...

Leiam a notícia a seguir do Estadão online. Retornamos em seguida para comentar:

Metroviários têm de pagar R$ 100 mil por dia de greve
Decisão é de procurador do trabalho, que decidiu contra a paralisação que afeta milhões de paulistanos
SÃO PAULO - O procurador do trabalho Idinei Alves Teixeira deu, nesta quinta-feira, 2, parecer contra a greve dos metroviários e estabeleceu multa de R$ 100 mil por dia de paralisação. Esse dinheiro será revertido para a Santa Casa e ao Hospital das Clínicas.
Segundo a assessoria de imprensa do Metrô, a audiência realizada na tarde desta quinta entre o Sindicato dos Metroviários, Ministério Público e representantes do Metrô, terminou sem acordo. Já o julgamento da greve será realizado na sexta-feira. O horário não fora divulgado até as 17h30 desta quinta.

Interessante uma greve em São Paulo, dos metroviários, em cima da crise aérea existente, e nos calcanhares da comoção que atingiu principalmente São Paulo e Rio Grande do Sul, com 199 vítimas fatais na queda do Airbus da TAM.

É um daqueles casos que se cria um fato novo para mudar o foco de atenção da opinião pública. Serra, além de governador é o principal concorrente à vaga de Lula, em 2010.

Claro que uma greve de metrô, numa cidade como São Paulo atazana a vida de milhões. Mas esta greve além de política, tem o cheiro e as digitais do Planalto.

No mês passado, publicamos uma notícia sobre projeto do governo Lula que irá, se aprovada, abarrotar os cofres das centrais sindicais. É claro que com esta melodia, bem sonante, transforma os bravos sindicalistas em soldadinhos de chumbo do exército de Brancaleone.

Quando leio e ouço críticas ao movimento de protesto CANSEI, e vejo as declarações infames de que isto é golpismo, é uma tentativa de se fazer um terceiro turno, sentimento de derrotados nas eleições de 2006, confesso que chego a rir da piada.

Vejam quanta diferença: Lula, ainda na oposição, reuniu seu bando de asseclas para gritar FORA FHC. Aliás, Tarso Genro sequer esperou completar o primeiro mes do segundo mandato e fez esta proclamação pública sem nenhum pejo. Ah, mas diziam os mercenários “estamos fazendo oposição”, “protestar faz parte de um país democrático”. Pois bem, agora que Lula está no poder, protestar não pode mais, criticar é reacionarismo, e vaiar é movimento das elites. Elites ? Sem essa, cara pálida. Quem está vaiando nada tem de elite. São servidores públicos, militantes até do MST lá pelo Nordeste, professores, agricultores, dentre outras categorias. Elite quer mais é que Lula continue onde está: nunca nenhum governo da história os favoreceu tanto ! E por favor, o próprio Lula reconheceu isto em Cuiabá, no início da semana. Portanto...

Mas observem que curioso: o pessoal do CANSEI não é ligado a sindicato, partido político, ONGs ou qualquer coisa semelhante. São cidadãos comuns cansados de serem esquecidos pelo governo que privilegia os ricos. Também não são patrocinados por nenhuma forma de verbas públicas. E seu protesto de modo algum interfere na vida dos demais cidadãos, não os priva de serviços públicos e não infernizam seus afazeres e compromissos profissionais.

Já os metroviários, bem... aí já é um bocadinho diferente. Primeiro, estão sendo movidos pelo braço sindical do petismo, a CUT. Segundo, que estão tratando de bagatelas, já que “reivindicam” gratificações de um ano que ainda está pela metade. Terceiro, porque sua parada é política, para mudar o foco de atenção da crise aérea, e atordoar o inimigo Serra. Quarto, porque são sustentados justamente por aqueles que eles agora jogam contra, o contribuinte. Quinto, porque estão pagando o pedágio das generosas doações do Tesouro. Ou seja, Lula recruta seus soldadinhos financiando-os com a verba que provém do bolso do contribuinte, o mesmo que agora está privado de se locomover para o trabalho.

Interessante como eles conjugam seus interesses, não é mesmo ? E ainda querem chamar a turma do CANSEI de golpistas ? Ora, façam o favor: tomem vergonha na cara !

E não venham discutir que seu movimento é democrático: não é! É golpismo mesmo. Tanto é que, mesmo a Justiça declarando a greve ilegal, mesmo a Justiça mandando que cumprissem a lei em vigor quanto a manter um mínimo de trens em operação sob pena de multa diária de R$ 100,0 mil, eles desafiam a Justiça e se negam em cumprir uma ordem judicial ! A “isto” eles querem chamar de quê ? E quanto a multa, o que são R$ 100,0 mil para quem é abastecido pelo milhões que o governo Lula repassa graciosamente ? Claro que o preço a pagar é serrar fileiras no exército dos soldadinhos quando o comandante poderoso os convoca à militância, baderna e anarquia.

E sabe quem pagará no final a conta pela desfaçatez ? O próprio contribuinte, pela simples razão de que um punhado de cidadãos resolveu desafiar a excelsa figura do mistificador sentado no Planalto com vaias e protestos. Para ele, este comportamento é brincar de democracia. E o que ele e seus asseclas cometem, com tamanha truculência, chamamos de que, brincar de tirania ?

Estão atendendo os interesses de quem ?

Falando sobre o novo mapa de conexões aéreas proposto pelo governo, o ministro da Defesa Nelson Jobim informou que os passageiros deverão “enfrentar desconforto” nos aeroportos do país. Completou dizendo ser necessário o fortalecimento das companhias regionais.

Este é um resumo das informações no noticiário do Terra. Leiam a íntegra e em seguida comentaremos.

Jobim: passageiros vão enfrentar desconforto
Ernani Alves, Redação Terra
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, admitiu nesta quinta-feira que os passageiros deverão enfrentar "desconforto nos aeroportos brasileiros" com o novo mapa de conexões proposto pelo governo. Entre as medidas que seriam adotadas pelo plano, estão a concentração de vôos para o Norte e Nordeste, no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, e de saídas e chegadas internacionais no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro.
Jobim participou na manhã de hoje da abertura do Fórum Nacional sobre a crise aérea, na sede do BNDES, no centro do Rio, onde fez uma exposição sobre o plano do governo para a reorganização do tráfego aéreo do País. O ministro da Defesa disse que é necessário fortalecer as companhias regionais no mercado dominado por apenas duas empresas, TAM e Gol.
O ministro da Defesa visita nesta tarde o Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio, onde encontra o comandante da Marinha, almirante Moura Neto. Na parte da noite, ele janta com o governador Sérgio Cabral para discutir a possibilidade das Forças Armadas ajudarem no combate a violência no Rio.

Mas peraí: para que tipo de interesses estão desenhando este novo mapa de conexões ? Em qualquer país civilizado do mundo, quando se fala em mudanças em serviços que atendam enorme quantidade de pessoas, o mínimo que se tem é justamente o contrário. Não basta apenas dizer que se tratam de medidas visando a segurança. Isto é insuficiente. As medidas devem justamente atender ao mandamento maior de qualquer mercado ou atividade: a oferta de serviços mais qualificados para os usuários. Um novo desenho, qualquer que seja ele, não pode ficar restrito apenas ao desconforto dos passageiros. Isto não é serviço, isto não é solução, isto não é atendimento com qualidade, além de ser um desrespeito.

Toda e qualquer solução que se tenha em mente para ser adotada, deve contemplar não apenas um lado da questão. Os aeroportos não podem virar pocilgas com má qualidade de atendimento e desconforto. Se é tudo isto que o ministro Jobim tem para oferecer, então ou não ofereça nada, declare-se incompetente para enfrentar o problema do caos aéreo, pegue o boné e solenemente volte pra casa.

Não é assim que as coisas devem ser resolvidas. O caos aéreo teve seu começo justamente aí, no desconforto para os passageiros frutos da omissão, negligência, incompetência, irresponsabilidade e falta de investimentos em segurança tanto nos terminais aeroportuários quanto nos sistemas de controle de tráfego aéreo. Se é para melhorar, então que se ofereça aos passageiros alternativas ou compensações que amenizem os “desconfortos” que as medidas propostas pelo governo irão lhe causar. E não simplesmente atirar no colo dos usuários de transporte aéreo os problemas e achar que está tudo bem.

Nossos governantes e autoridades já deveriam saber que foram colocados em postos que lhes garante uma série de privilégios inacessíveis para a grande maioria da população que paga impostos e os sustentam, justamente para encontrar soluções para qualificação dos serviços, e não simplesmente achar que os usuários destes serviços devem aceitar qualquer porcaria ou droga de medida que ditas autoridades entendam ser “convenientes”.

Reparem que nos fundo das medidas, o governo irá atender a todas as reivindicações das empresas aéreas, como linhas de crédito em condições especiais para aquisição de novas aeronaves, reajuste de tarifas, etc. Ou seja, o custo deve recair sobre os passageiros que no final pagarão a conta. E o conforto, o atendimento, a segurança, não se dará nenhum tratamento específico? Ou seja, o caos deverá permanecer até quando ? Se assim é, então pra que governo ?

O ministro Nelson Jobim deveria saber que o exercício de qualquer cargo público implica em dar o melhor de si em favor daqueles que sustentam o Estado para que este lhes ofereça melhor qualidade de vida, e não unicamente transtornos, dores de cabeça, caos. É para isto que lá estão, e não para engolirem como prato pronto e servido qualquer aberração e absurdos que o poder queira oferecer. Em suma, o que as pessoas esperam, no mínimo ao menos, de governantes e autoridades de governo, é RESPEITO, coisa da qual o governo de que agora faz parte o senhor Nelson Jobim, anda distante há muito tempo. Aliás, respeito nunca foi prioridade desta gente. Não é por outra coisa que o país vive eterna anarquia e esculhambação. Não há país que se desenvolva desgovernado ladeira abaixo como tem feito o senhor Luuiz Inácio e sua quadrilha desde que assaltaram o poder!!!

TRAPOS & FARRAPOS...

AFINAL, LULA AO MENOS SABE QUE É PRESIDENTE ?
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Alguém pode dizer que droga de papel ridículo Lula exerce na presidência da república ? Ou será que este cidadão acha que todo mundo é idiota e acredita cegamente no seu cinismo e hipocrisia ?

Lembram-se do mensalão? Pois então, primeiro ele negou veementemente, disse que acreditava que até fosse folclore. Há filme no Youtube mostrando Lula, em carne, osso e voz afirmando a história do folclore em relação ao mensalão. Depois, lá longe, na França, admitiu que seu partido nada mais fez do que os outros já faziam. Ou seja, caixa 2, o que convenhamos, é crime até que a lei diga o contrário.

Depois, em todos os escândalos produzidos em seu governo, sempre negou saber ou conhecer qualquer enrosco, e por mais que os envolvidos estivesse na sala ao lado da sua, parcerias firmadas por anos a fio de relações.

Pois bem, hoje, dia 02 de agosto de 2007, 11 meses depois da queda do Boing da Gol, depois da quebra da VARIG para a qual a contribuição do governo Lula foi fundamental, e já carregando o peso de mais 199 cadáveres da tragédia do Airbus da TAM, Lula se saiu com as seguintes pérolas:

· O governo não sabia da gravidade dos problemas no setor aéreo.
· Excesso de órgãos públicos no setor da aviação civil dificulta a superação da crise aérea, segundo relato de um outro participante da reunião. "Cachorro que tem muitos donos morre de fome, e ninguém cuida",
· O presidente observou que em cinco eleições para a Presidência da República de que participou, a questão aérea nunca foi debatida.
· Lula afirmou ainda que má gestão nos governos anteriores resultou na atual crise no setor aéreo
· "O problema de gestão vem de muito tempo", disse. "É preciso resolver esse problema." Na conversa com os dirigentes dos partidos aliados, Lula disse que só foi saber dos problemas aos poucos, com o desenrolar da crise, que começou em setembro do ano passado, a partir da queda de um Boeing da Gol em que morreram 154 pessoas.
· Lula fez ainda um desafio à oposição que, segundo ele, está por trás do movimento "Cansei", criado em São Paulo. "Oposição é oposição. Mas se eu tiver de ir para o palanque eu vou", afirmou, referindo-se a um possível ataque da oposição ao seu governo
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De fato, Lula é um presidente sui generis: nunca sabe de nada do que passa à sua volta, e tem um dom para corno pelos amigos sem paralelo na história. Mas vamos analisar as novas tolices presidenciais. Em tempo: tendo tantos assessores a volta, não haverá algum que diga ao presidente que é feio um presidente mentir ? Que certas mentiras, além do desrespeito contra as pessoas, também acabam soando como escárnio, e que a conjugação de mentira com cinismo revelam uma pessoa sem caráter, e que neste caso, as pessoas tendem a sentir repulsa às figuras com tamanha descompustura ?

Mas vamos lá: primeiro, dizer que não sabia, é uma mentira deslavada, mais uma. Em 2003, o ministério da Aeronáutica entregou a Lula um relatório contendo todos os alertas e advertências para um possível futuro colapso no sistema de controle de tráfego aéreo. Lula nesta época já não embarcava mais em aviões comerciais, não precisava mais fazer check-in em balcões abarrotados de gente e com longas filas de espera e irritação.

Deu de ombros e nada fez. Mais tarde, em 2005, novamente foi advertido. O máximo que sua excelsa figura patética fez foi encaminhar uma reunião com o ministério da Fazenda, na época ainda sob o comando de Antonio bisbilhoteiro de contas de caseiro Palocci, e com a Casa Civil, já sob o comando da ex-assaltante de banco e terrorista, Dilma Rousseff. Prevaleceu o tom de que não se poderia abrir exceções. As verbas exigidas para os investimentos urgentes e indispensáveis, continuariam a ser contingenciadas. Mais adiante, tivemos a crise da VARIG, e Lula chegou a receber no Palácio representantes dos funcionários e do Sindicato dos Aeroviários. Neste tempo, o governo entendeu que deveria criar uma Agência para fiscalizar a aviação comercial. Porém, ao criar a tal ANAC, Lula deveria ter primeiro aprendido qual deve ser o real papel das agências. Isto ele nunca entendeu direito, e do pouco que sua tacanha mentalidade conseguiu aprender, ele não gostou. Não gostou por exemplo da indepedndência destas agências em relação ao governo. É óbvio, são produtos do Estado, e não do governo. Como Lula jamais conseguiu separar uma coisa da outra, para ele partido, governo e estado devem compor um bolo só, o que fez Lula com as demais agências, criadas na gestão de FHC, e que funcionavam, por serem ocupadas por técnicos, e não por sindicalistas e mitantes vagabundos e irresponsáveis? Lula depredou as agências com a partidarização através de nomeações exdrúxulas, políticas e de compadrio. Resultado, poucas são as agências que ainda conseguem cumprir seu real papel. Mas a ANAC, esta é marca exclusiva do governo Lula, tanto sua criação, quanto sua ocupação.

Foram portanto tres momentos: os relatórios da Aeronáutica, a crise da VARIG e a criação da ANAC. Nada disso foi herança de outros governos, tudo foi devidamente cumprido e regido no governo de Lula. Então, o que se conclui é que ele sempre foi avisado e alertado sobre tudo o que se passava no governo e dissesse respeito a crise aérea. Não teve foi responsabilidade e competência para evitá-la. O que é pior: a crise aérea acabou sendo da inteira lavra do governo Lula. É sua marca. Portanto, dizer que participou de cinco eleições, e que nelas nunca se discutiu crise aérea é pilantragem, jogo de cena. Não se poderia discutir algo que somente seria criado no governo Lula, ou seja, a crise aérea nunca existiu antes, é fruto do desgoverno atual. E mais: ele reclamar do excesso de órgãos no setor acaba atrapalhando, é assumir sua própria culpa. Ele mesmo disse “(...)Cachorro que tem muitos donos morre de fome, e ninguém cuida(..)”. É mesmo, Lula ? E a quem competia ter racionalizado o setor? E de quem foi a genial idéia, de criação e ocupação da ANAC? Ou será que você também ainda não sabe que o presidente do Brasil, desde janeiro de 2003, é você mesmo ? A má gestão foi sua, não transfira responsabilidades. Assuma seus próprios erros. A crise energética ocorrida no governo FHC não foi transferida a responsabilidade para ninguém. Compôs-se um conselho que acabou resolvendo o problema. Os consumidores foram prejudicados, mas por conta dela não morreu ninguém. A sua crise aérea já matou 400 pessoas. Precisará quantas mais ainda ?

Quanto a crítica ao movimento CANSEI, primeiro deve-se dizer que ele é feito pela sociedade, nele não participam partidos políticos, nem ele é patrocinado e financiado com verbas públicas, nem de empresas estatais. É parte da sociedade indignada com o desgoverno atual. E isto faz parte do estado democrático de direito, ou será que somente o PT pode protestar, fazer oposição e gritar FORA FHC? Isto me lembra música de Caetano Velloso, nos tempos da ditadura militar em seu período de maior repressão, sob o título, “É proibido proibir”. Que Lula ponha de lado este seu espírito truculento e tirano, e saiba respeitar as críticas, as vaias, os contrários e os protestos. Protestar é um direito dos cidadãos que sustentam a camarilha instalada no poder. Afinal o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido, ou Lula tem outro pensamento e definição ?

Mas da fala imbecil de Lula feita hoje, e a ela se juntando mais as suas reações nos momentos de crise ocorridos em seu governo, ressalta uma enorme preocupação: quantos apagões em gestação , e prestes a atazanarem a vida dos brasileiros, que Lula desconhece ? Porque é preocupante termos alguém na presidência que sempre parece desconhecer os problemas mais graves, que afligem a nação. Que sempre reage tardiamente diante dos problemas, que aparelhou o Estado de forma vexatória e irresponsável, e depois, diante das múmias incompetentes, se sentiu e se sente constrangido em dispensar o afilhado. E que reage diante da crítica com truculência e ameaças de colocar o seu bloco de bandoleiros na rua, ao melhor estilo caudilhesco, ou até mesmo nazi-fascista. Sinceramente, querem saber de uma coisa: jamais imaginei que Lula pudesse ser mau caráter. Ignorante, incompetente, despreparado, irresponsável e omisso, vá lá, a gente até supera, mesmo porque um dia ele sai de lá. Mas mau caráter, na forma como ele tem demonstrado ser, neste segundo mandato? Começo a rever meus conceitos...

TRAPOS & FARRAPOS...

SE ACHAM FRACO, ENTÃO, FAÇAM MELHOR...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Desde que foi lançado, aqui e ali lê e se ouve críticas e críticos ao movimento CANSEI, que é um movimento de protesto e de indignação de uma parte da sociedade contrária ao estado de imundície explícita instalado por Lula e sua quadrilha no Estado brasileiro.

Apenas por ser um movimento originada na e pela sociedade, sem apoio cultural e financeiras de entidades públicas, ao contrário da ação predatória, infame e repulsiva empregada pelos xiitas petistas, já lhe empresta seriedade e respeito.

Quando Lula ameaça por seu bloco na rua para defender este estropício em que virou o seu desgoverno, é preciso destacar que este exército de “voluntários” estão defendendo não o governo Lula propriamente dito, mas sim o leitinho que escorre das gordas tetas do Tesouro Nacional, e que sustenta um bando de vagabundos e larápios. Assim, devidamente cooptados e com a renda garantida às custas do restante da população que paga impostos, impostos convertidos em generosas doações cala-boca, é evidente que qualquer barnabé das arábias que tenha o poder de levar consigo a chave do cofre, se torna poderoso, e colocará nas ruas quantos bem entender.

Porém, é preciso destacar que o movimento CANSEI, apesar das restrições que lhe possamos endereçar quanto ao nome, de fato não muito sugestivo, o resto todo representa a parcela da população que antes se indignava mas se mantinha quieta e passiva diante dos atropelos do governo atual sobre suas cabeças. É fácil para Lula arrotar que dá dinheiro para os banqueiros. Com efeito,m eles nunca ganharam tanto dinheiro na vida como agora, sob as luzes de Lula. Mas não se vê banqueiro nas ruas portando cartazes de protestos. Como também não vê a elite econômica que tem bastante beneficiada e agraciada pela Bolsa-BNDES. Ou seja, a elite econômica, que explora este país há mais de quinhentos e tantos anos, continua sendo elite, continua sendo privilegiada, continua exploradora às custas da miséria do povo trabalhador em regime de semi-escravidão. Nisto, o governo Lula, há de se reconhecer, tem sido insuperável: nunca a elite econômica foi tão bem tratada. Mas não são eles que cansaram, até pelo contrário, por eles, que tudo continue como está.

Quem sustenta o país ? Quem sustenta o paraíso das elites econômica e política, que formam o contingente indigente de gigolôs da nação ? A classe média. É ela que padece nos aeroportos, é ela quem cobra infraestrutura decente, é ela quem reclama das pocilgas que o Estado entrega para prestar o mais indigno dos serviços públicos. É ela que não tem defesas, n~~ao tem nenhuma bolsa vagabunda, não tem nenhuma linha de crédito especial em juros subsidiados. Mas sempre foi a classe que mais se preocupou de fato com o destino do país, com a eficiência de um Estado moderno e útil ao povo deste país, é ela quem se preocupa com o nível de ensino civilizado e decente, é ela quem primeiro se preocupa com as condições de trabalho, com salários decentes. É ela quem movimenta a economia, quem alavanca o progresso tanto intelectual quanto material. Mas é sobretudo sobre ela que recai o peso maior do ressentimento, do ódio, da inveja, do recalque dos petistas, pela simples razão de que sendo o que é e representar a importância que sempre teve para o país, e não apenas o Brasil, mas em todos os países de primeiro mundo, a classe média não coloca de joelhos diante do Estado e seus senhores, não lhe é servil, mas antes, sim, independente, até porque o Estado é quem deve servir à Nação, ele é que está empregado em favor daquela, e o ocupantes dos cargos existentes no Nação são meros servidores da Nação, com mandatos específicos, em prazos fixos e determinados.

Como não andam à reboque do Estado glutão, a classe média age com total independência, coisa a que os fidalgos senhores não nutrem a menor simpatia. Para estes pilantras, todos devem postar-se de joelhos, lambendo as botas destes ordinários que se colocam acima do bem e do mal. O Estado para esta laia é mera extenção de domínios: quem ali habitar, deve render tributos e obediência cega. Não é nenhum exagero dizer-se isto do governo Lula, basta ver por quais razões eles esculhambou com as agências reguladoras. Lula tem horror a qualquer coisa à sua volta que revele independência. Em sua delinqüência mental, em sua boçalidade psicótica, ele entende que estado, governo e partido único são e devem ser uma só instituição. O direito concedido aos súditos é o de não ter direitos sobre coisa alguma. Sempre que ele, ignorante e vigarista, entender necessário tomará qualquer coisa de quem quer que seja para transferir a quem sua boçalidade determinar seja entregue.

Portanto, amigos da liberdade, vamos olhar com mais carinho para movimentos do tipo CANSEI. Eles representam a voz indignada da parte trabalhadora, honesta e independente da sociedade. Não se deixem levar pelo canto canalha de que o movimento é composto pela elite, porque a elite aqui, neste específico caso, é a elite do trabalho, da decência e da honestidade, coisa que petista algum é capaz de entender e concordar. Tanto a elite dos gigolôs quanto o exército de servos comprados à custa do bolsa-esmola estão devidamente assistido pela política da compra de consciências. Os gigolôs se servem ao máximo em benefício próprio: os beneficiados pelo bolsa-esmola, sem eira nem beira, sem futuro e com um presente totalmente comprometido estão manietados pela subserviência que lhes é imposta em nome da sobrevivência, da necessidade de salvarem a própria pele. Estes sim não sabem o que fazem, portanto, estão sem ânimo e sem força para esboçar reação.

Porém, a parte não subserviente, livre pensadora, consciente do significado real do que seja o exercício decente da cidadania, esta tem o sagrado dever de resistir e lutar para livrar a nação dos seus predadores e gigolôs. Se não for possível livrar-se da elite econômica, pelo menos temos o poder de chutar para esgoto de onde saíram, a escória política apodrecida e canalha.

O que não podemos é permanecermos mudos e passivos esperando que os governantes do Planalto criem vergonha na cara, aprendam a respeitar os limites de seu mandato, e contribuam efetivamente para o progresso moral e cultural da nação adormecida. Do que jeito que está, já lhes basta para perpetuarem no gozo dos imorais privilégios com que se cercam. Depende de nós, pensamento livre e não corrompido, independente de condição social ou econômica crescermos na resistência para desinfestar a nação dos vírus nelas instalados a corrompê-la e seviciá-la.

Lula e seus quadrilheiros assaltaram o Estado que não lhes pertencia por ser propriedade do povo, para torná-lo um apêndice de sua ideologia capenga, fedorenta retrógrada. Sendo assim, o movimento CANSEI se ainda for pequeno para enfrentar o dragão deprimente do petê, deverá alimentar outros movimentos criados para os mesmos objetivos e causas. Se é pequeno, insípido, não importa: que outros criem movimentos melhores, mais capazes e melhor estruturados. Mas que não nos deixemos mais sufocar pelo grito estridente das aberrações esquerdopatas: alguém precisa avisa-los que a era da pedra lascada não pode ser ressuscitada. E que o primitivismo de suas ideologias decadentes, a própria história se encarregou de provar sua nulidade. Se 2010 ainda é um ano distante demais para varrer da vida pública brasileira a peste que a consome de forma corrupta, por outro lado, é tempo suficiente para despertar o grande contingente de homens honestos e trabalhadores deste país para não reincidirmos no erro.

Aliás, é muito bom e oportuno que se observe um detalhe significativo: Lula, com apenas algumas poucas vaias aqui e ali, e mais estrondosa a do Maracanã está acuado. A leitura que tem feito do se passa à sua volta não pode ser mais delirante por falta de espaço. Seria saudável que as oposições se dessem conta de que a direção dos ventos favoráveis estão começando a mudar seu curso. Esta mudança tem nome, sim senhor: chama-se desencanto. O povo está sentindo que um governo não pode ser feito apenas de propaganda e marketing mentiroso. E de que personalidades públicas precisam fazer mais do que o nada que Lula tem produzido, circunscrito até aqui apenas na galhofa e na mentira. O povo cansou, literalmente, cansou de ser enrolado: ele quer algo muito melhor do que um decadente e ignorante vagabundo guiando o seu destino. Talvez o próprio PAN tenha mostrado de que matéria prima um ídolo pode ser forjado, e isto inclui ser trabalhador e honesto. Pode até parecer um perfil simples demais, mas o fato é que desde janeiro de 2003, não se vê ninguém com este escopo lá pelas bandas do Planalto... O pobre brasileiro, aquele batalhador incansável, simples até nas formas de expressar-se, sabe perfeitamente bem distinguir um honesto e trabalhador, de um vagabundo e mentiroso.

TOQUEDEPRIMA...

***** 'Cansei', o vídeo que a TV não exibe
Cláudio Humberto

O site do movimento liderado pela OAB-SP (www.cansei.com.br), acusado pelos governistas de representar "as elites", mostra o vídeo que as redes comerciais não exibirão gratuitamente por "perda de foco cívico". O "Cansei", organizado por um grupo de empresários e artistas, pede que o Brasil faça um minuto de silêncio dia 17, às 13h - um mês após o acidente do Airbus da TAM em São Paulo. Na peça publicitária, além de bala perdida e outras tragédia nacionais, o movimento diz que "cansei" de empresários corruptores. Tomara.

***** Caso Renan: Sujou de novo!
De Leonardo Souza na Folha de S. Paulo

"O frigorífico Mafrial não tem autorização para comprar e vender carne, o que contraria a última versão apresentada pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para explicar a venda de gado a empresas fantasmas. Ele disse que nunca negociou diretamente com as empresas de fachada Carnal Carnes e GF da Silva Costa, mas sim por meio do Mafrial.

Segundo os comprovantes de inscrição e situação cadastral do Mafrial na Receita Federal e na Secretaria Estadual de Fazenda de Alagoas, o frigorífico só está autorizado a abater, armazenar e entregar carnes, não negociar. O frigorífico não pode emitir nota fiscal de venda de carne, portanto não poderia comprar gado".

***** Oposição acusa governistas de comemorarem falhas de pilotos

Após o término da sessão secreta da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Apagão Aéreo realizada nesta quarta-feira, deputados da oposição acusaram a bancada governista de comemorar o fato de as investigações apontarem para um possível erro dos pilotos no acidente com o Airbus da TAM. "Tem um jogo muito pesado por trás de tudo isso. A gente não pode cair na armadilha de condenar ou inocentar o governo. Isso tudo pode ser uma grande cortina de fumaça para eximir o governo de responsabilidade na crise aérea. Eles saíram comemorando", disse o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).

A deputada Luciana Genro (PSOL-RS) afirmou que os governistas estavam todos faceiros. "O mais nojento era ver os governistas comemorando. Eles estavam todos faceiros", afirmou. Já para Vanderlei Macris (PSDB-SP), a reunião lembrou o gesto do assessor especial do presidente Lula. "Parece o top top do Marco Aurélio Garcia. Vão repetir hoje o Marco Aurélio Garcia. A turma do PT estava feliz da vida" declarou Macris.

***** Oposição vê autoritarismo na fala de Lula contra vaias. PT conclama filiados a defender presidente
Folha de S. Paulo

Líderes do PSDB e do DEM reagiram à insinuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a oposição estaria por trás das vaias e de movimentos de protesto ao governo e afirmaram que o petista demonstrou "autoritarismo" de quem não sabe lidar com críticas.

"É sinal de que as vaias estão tirando o presidente do sério. Ele perdeu a serenidade que olimpicamente vinha se comportando", disse José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado. "Ele que não venha com a esperteza de dizer que há um confronto nas ruas dos prós e contra Lula", completou.

O líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), afirmou que Lula teve uma "crise de "chavite" aguda", em referência ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Onyx reclamou da frase do presidente de que "estão brincando com a democracia". "O que estamos vendo com o senhor Marco Aurélio Garcia, com Renan Calheiros, e que vimos com José Dirceu, é a prova de que esse governo é que não gosta de democracia."

O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), coordenador da campanha de Geraldo Alckmin na eleição, afirmou: "É uma mentira que haja vaia organizada pela oposição. E o presidente Lula é quem continua em campanha, quando o que ele deveria fazer é governar o país."

Líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse que Lula reagiu com "frases cretinas" a manifestações populares e apartidárias.

"Ele não pode impedir que o povo conheça a realidade mesmo com toda sua capacidade de iludir as pessoas", afirmou.

***** Calheiros e irmão são acusados de grilar terras

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e seu irmão, o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL), foram acusados de grilagem de terras e de estarem por trás de ameaças a Antonio Gomes de Vasconcelos, autor da denúncia ao Ministério Público Federal.

O técnico agrícola Genival Mendes de Melo acusou Olavo de Calheiros de ter se apropriado ilegalmente de terras que não lhe pertenciam, de acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo.

A Corregedoria da Justiça de Alagoas decretou intervenção no cartório de registro de imóveis de Murici (AL), terra natal de Calheiros, por suspeita de participação em grilagem de terras. A tabeliã Maria de Lourdes Ferreira Moura, que tem a concessão desde 1973, é investigada em dois processos: em um deles é suspeita de beneficiar Olavo Calheiros. Ela está afastada do cartório há 90 dias.

Dimário Calheiros, primo de Renan e Olavo, denunciou ambos por supostamente tê-lo usado como laranja, negando ser dono da propriedade que Antonio diz ser da sua mulher, a fazenda Cocal.

***** Trocou de partido depois de eleito, perde o mandato

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta quarta-feira (1), que deputados federais, estaduais e vereadores que mudaram de partido após as eleições de 2006 estão sujeitos à perda de mandato mesmo que a troca tenha sido feita por uma legenda da mesma coligação.

***** Convidado, Gaudenzi vai presidir a Infraero

O engenheiro Sérgio Gaudenzi (foto), atual presidente da Agência Espacial Brasileira, aceitou convite do ministro Nelson Jobim (Defesa) para presidir a estatal Infraero. Baiano, com longo histórico na militância de esquerda, ele é amigo pessoal do ex-ministro da Defesa Waldir Pires, com quem trabalhou no Ministério da Previdência. Foi destacado secretário do ex-prefeito de Salvador Jorge Hage, atual ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, e colega de Jobim na Câmara dos Deputados. Gaudenzi tem reputação de administrador austero, eficiente e honesto, por isso o ministro fez questão de conversar com ele ao encontrá-lo nas despedidas de Waldir, mas não chegou a formular o convite. Somente na noite desta quarta-feira Gaudenzi foi chamado a conversar com Jobim para ouvir o convite formal. Às 21h30 deixou o gabinete do ministro já como futuro presidente da Infraero.

***** Tadinho do Zeca. Perdeu a pensão

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem suspender, por liminar, o pagamento de pensão vitalícia de R$ 22.100 ao ex-governador de Mato Grosso do Sul Zeca do PT. A relatora do caso, ministra Carmen Lúcia, entendeu que o benefício contraria os princípios da moralidade e da isonomia entre os contribuintes. A pensão foi aprovada pela Assembléia Legislativa em dezembro do ano passado, dois dias antes de o petista deixar o cargo.

***** Das prioridades desse governo...

Finalmente, o governo anunciou que comprará o ILS 3, sistema que permite pousos e decolagens em qualquer condição metereológica. Haverá um sistema desses em aeroportos de São Paulo, Rio, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

Sabe quanto custa cada sistema? A merreca de dois milhões de dólares. Total: 10 milhões. O governo gastou essa mesma quantia para pôr no espaço o primeiro astronauta brasileiro - aquele que experimentou plantar brotos de feijão e que, na volta, abandonou a carreira militar para ganhar dinheiro na iniciativa privada.

Uma nau que perdeu o rumo

Editorial do Jornal do Brasil

O longo apagão aéreo, que não se encerrou com a troca no comando do Ministério da Defesa, levou os brasileiros a constatarem, aflitos, que a administração Luiz Inácio Lula da Silva está sem rumo. A aflição da sociedade com a falta de comando se generaliza e preocupa. A crise nos céus permitiu contemplar a desorganização generalizada. O Brasil não tem gestor e os responsáveis pela definição do futuro ou não se entendem ou não sabem controlar cofres e investimentos.

A infra-estrutura brasileira está deteriorada e, a cada dia, amplia o balanço das mortes e perdas econômicas. Como revelou o Jornal do Brasil na edição de domingo, as malhas rodoviária e ferroviária são opções perigosas para quem se aventura a fugir dos aeroportos congestionados e de vôos cancelados para cumprir compromissos, tirar férias ou encontrar a família. Quase 46 mil quilômetros de estradas se apresentam em condições ruins ou péssimas, com pavimentações desgastadas ou inexistentes, sinalizações danificadas, afundamentos de pista, ondulações e buracos. As vias federais matam mais do que as privatizadas.

O Programa de Aceleração do Crescimento, em votação no Congresso, é o desenho do governo para pagar a dívida com a ineficiência. É modesto, contudo, para o tamanho do desafio a vencer. A Confederação Nacional do Transporte estima a necessidade de investimento anual de R$ 20 bilhões para colocar as rodovias federais em condições de segurança. O PAC prevê R$ 36 bilhões de investimentos em logística até 2010, a ser dividido entre estradas, aeroportos, portos e hidrovias.

Estes são alguns sintomas da grave doença que afeta o governo. Se a economia vai bem, graças aos ventos favoráveis que sopram no planeta inteiro, poderia avançar mais se o país tivesse agilidade. As reformas do Estado, política e tributária ainda são peças de ficção. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não se afina com o do Planejamento, Paulo Bernardo, nem com a chefia do Banco Central.

A adoção de duas metas de inflação - uma de 4,5% para dar folga à Fazenda e outra de 4%, para manter a disciplina do Banco Central - elevou os juros futuros, agravando a dívida nacional, minou a credibilidade externa do país e levantou apreensões entre os agentes econômicos sobre quais outros malabarismos poderão ser inventados pelo governo na ânsia de consolidar as próprias contas por mágica, já que não há austeridade fiscal.

No esforço para agradar partidos e formar maioria no Congresso, o presidente Lula inchou a máquina administrativa. Criou pastas desnecessárias e ungiu ministros com inapetência crônica. A propalada falta de vontade presidencial para demitir, com a mesma fartura com que nomeia, deixou brasileiros mortos no Mato Grosso e em São Paulo e famílias enlutadas. Em qualquer país democrático do planeta, o assessor sem pasta Marco Aurélio Garcia teria sido dispensado depois da grosseria do gesto com o qual saudou a hipótese de falha mecânica para a tragédia com o avião da TAM. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, estaria fora da equipe depois do infeliz conselho aos que dormem nos chãos de granitos dos aeroportos. Os brigadeiros da Aeronáutica e da Infraero não comandariam mais nada. A diretoria da inexistente Agência Nacional de Aviação Civil já teria ido para o espaço. A ministra da Casa Civil e suas demonstrações de arrogância há muito teriam desaparecido do Planalto. O presidente do Senado, Renan Calheiros, não seria agraciado com apoios explícitos, mas cobrado a se afastar do cargo.

De desculpa em desculpa, o presidente que há sete meses iniciou o segundo mandato, começa a se exaurir. E a levar o país de roldão. É hora de mudar. Antes de um apagão geral que ninguém quer e o país não suportará.

A sagração da mentira

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

"O avião decolou de Porto Alegre em perfeitas condições", jurou já na noite da tragédia o presidente da TAM, Marco Antônio Bologna. Mentia: logo se descobriu que o reversor direito fora desativado depois de descoberto um defeito na peça. "O Airbus-330 pode voar 10 dias sem um dos reversores", não perdeu a pose Bologna. Mentia: dias mais tarde, tanto a empresa fabricante quanto a TAM determinaram a todos os pilotos que só decolassem se ambos os reversores estivessem funcionando normalmente.

Bologna é um ator aplicado. Na véspera da missa em memória dos 200 brasileiros massacrados em Congonhas, recorreu aos serviços de um especialista em primeiros socorros a empresários lanhados por escoriações generalizadas. Cenas explícitas de desconsolo ajudam muito, reiterou o conselheiro. Disciplinado, o presidente da TAM chorou durante a cerimônia. "Lágrimas de esguicho", diria Nelson Rodrigues.

Tão verdadeiras quanto uma cédula de 3 reais. Tão verossímeis como a hemorragia no coração presidencial. Tão convincentes quanto a discurseira federal que precedeu a explosão no aeroporto paulista e a ela sobreveio. Iluminada por labaredas que resistiam aos bombeiros e ao temporal, a procissão dos mentirosos seguiu seu curso.

"Não existe crise aérea", disse em junho Milton Zuanazzi, presidente da Agência Nacional da Aviação Civil. Mentia: o colapso da aviação civil escancarou-se em outubro passado. Assustado com as dimensões do acidente, eximiu-se de culpas. "A Anac até ajudou a reduzir a movimentação de aeronaves em Congonhas", recitou. Mentia: reduzido a despachante da TAM e da Gol, Zuanazzi transformou o aeroporto numa terra sem lei explorada pelo duopólio dos ares.

"A pista principal voltou a ser utilizada depois de concluídos todos os reparos indispensáveis", garantiu o brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero. Mentia: faltava o grooving, o asfalto carecia de ranhuras que apressam o escoamento da água da chuva. "E a pista não estava escorregadia", reincidiu. Mentia: conversas gravadas atestaram o desconforto de pilotos e controladores com os riscos do pouso no solo molhado.

"Nunca me contaram isso", fingiu espantar-se Lula ao ouvir de Nelson Jobim, substituto de Waldir Pires no ministério-fantasma, informações que denunciavam uma aviação civil em frangalhos. O presidente mentia: desde 2003, minuciosos relatórios da Aeronáutica o alertaram para a acelerada decomposição do transporte aéreo. Só depois de quase 10 meses Lula conseguiu enxergar o apagão. O governo começou a mover-se. Sem parar de mentir.

"Vamos construir um terceiro aeroporto em São Paulo", anunciou a ministra Dilma Rousseff. "Só não digo onde porque o governo não é agente de especulação imobiliária". Mentia: 10 dias depois de concebido, o sonho de Dilma foi pulverizado por Nelson Jobim. Faltam locais adequados nas cercanias de São Paulo. Sobretudo, falta dinheiro.

"Em vez disso, vamos providenciar uma área de escape em Congonhas, ampliar Viracopos e construir a terceira pista em Cumbica", comunicou Jobim. Mentiu. Ele sabe que já não há espaço para tais requintes em Congonhas, ilhado por avenidas e prédios. Sabe que a modernização de Viracopos está condicionada à existência de um trem-bala ligando São Paulo a Campinas. Sabe que quase 25 mil famílias - uma multidão de eleitores - ocupam o local reservado pelo projeto original à terceira pista de Cumbica. Um ministro íntimo de Lula já avisou que o governo não vai tirar essa gente de lá.

Isso é verdade.

Esculhambação assumida

por Ipojuca Pontes, site Diego Casagrande
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"Vamos deixar como está para ver como é que fica" – Lula da Silva, repetindo o ditador Vargas.
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Por mais incrível que pareça, o governo Lula, nestes sete meses do seu segundo mandato consegue ser mais daninho do que em todo período anterior. Quando a nação estarrecida pensava, depois dos 307 escândalos ocorridos nos quatro anos passados, que o colossal repertório de crimes, falcatruas, extorsões, malversação, negligência, empreguismo e mentiras tinha se esgotado, ou pelo menos diminuído, eis que o mar de lama retorna em ondas revoltas – ou, se assim o quiserem, tempestuosas.

Os heróis oficiais do dia já não são os dirceus, waldomiros, delúbios, okamottos, valérios, dudas, beneditas, genoinos, severinos, gushikens, lulinhas, paloccis e os escroques da República de Ribeirão Preto (embora a maioria deles continue atuando a todo vapor sob o amparo do governo). Hoje, os guerreiros da temporada são os renans, ortizes, vavás, servos, zuanazzis, garcias, amorins, franklins, para não mencionar tantos outros que atuam nos bastidores, mas que, cedo ou tarde, quem sabe pelo clamor da opinião pública, ganharão os holofotes.

Por sua vez, dado curioso, os escândalos agora já não atendem pelos nomes funcionais (e, até certo ponto, ecológicos) de "mensalão", "sanguessugas" ou "anaconda", todos rigorosamente impunes. Eles foram substituídos pelas apropriadas alcunhas de "operação furacão" ou "navalha" ou "xeque-mate" – nomes bem mais definidores deste segundo reinado de Lula, o Sindicalista que tudo renega saber.

Na atual temporada, o escândalo que abala a sociedade brasileira, o mais doloroso, é o do "apagão aéreo" de Congonhas, do qual o governo, querendo fugir à culpa, pode ser apontado como o responsável total e absoluto. Duvidam? Pois basta examinar, como dizem os comunistas, a "conjuntura": por uma vasta conjugação de erros que vão desde a manipulação sindical dos controladores aéreos, passando pela inação criminosa de ministros e funcionários incompetentes, todos nomeados a partir de critérios político-partidários, até a desastrosa atuação da Infraero - a empresa pública responsável pela administração dos principais aeroportos do país - tudo leva à ingerência obtusa do Planalto.

Em meio à crise geral, que se avalia como uma assumida esculhambação, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cara-de-pau, diz que a tragédia aérea é a conseqüência natural do "espetáculo do crescimento". A ministra e sexóloga Suplicy, por sua vez, de forma leviana, afirma que a saída para as vítimas do apagão é "relaxar e gozar". Já o Brigadeiro-presidente da Infraero, José Carlos Pereira, como se fosse um observador alienígena, informa que a "malha aérea nacional foi para o espaço". E o Sr. Milton Zuanazzi, diretor-presidente da Agência Nacional da Aviação Civil, ANAC, ligado à ministra Roussef, a despeito das duas centenas de corpos carbonizados, ganha, talvez pelo feito sinistro, a medalha de Honra ao Mérito concedida pela Força Aérea Brasileira (FAB). Por fim, diante do maior e mais trágico acidente da aviação brasileira, aparece o fugidio ocupante do Palácio do Planalto para advertir a nação indignada, em discurso tão inútil quanto demagógico, que reconhece as "dificuldades" do sistema aéreo, mas que não se pode "tomar atitudes precipitadas".
O desvario do segundo mandato, no entanto, não fica por aí. Num país sufocado por CPMFs, PIS/Confins, ISS, Imposto de Renda e dezenas de outros tributos que asfixiam a sociedade produtiva, o governo a cada 60 dias anuncia sucessivas contratações de milhares de novos servidores, aparelhando o Estado por força de espúrios conchavos políticos. No mesmo diapasão, ciente e consciente da impunidade, o esquema lulo-petista, além de prodigalizar permissivos cartões de crédito sem controle ou fiscalização, para o uso da privilegiada nomenclatura palaciana, torra o dinheiro público em projetos mirabolantes, tipo transposição das águas do São Francisco, considerado por muitos como um "hidro-negócio" circunscrito aos interesses da politiquice, na linha das falimentares Parcerias público-privadas (PPPs) e dos fantasiosos programas de "aceleração do crescimento".

Para culminar a performance da avacalhação total, Marco Aurélio Garcia, o "quadro" palaciano de efetiva ligação entre Lula, Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales, ao tomar conhecimento da existência de anunciado problema mecânico no fatídico avião da TAM, partiu para a obscenidade pura e simples, mandando figurativamente todos os discordantes se "f ....em". Consciente da sua importância no esquema petista, o mentor palaciano, pressionada pela opinião pública, esboçou arrogante "pedido de desculpas", emenda que saiu pior do que o soneto e só fez reafirmar a típica insensibilidade do dirigente totalitário quando no exercício do poder.

No resumo da ópera a pergunta que se faz é a seguinte: o que é que essa gente "aloprada" do governo pensa? Que somos todos uns imbecis? Que somos todos uns magotes de cabras vadias? Que não temos capacidade de discernimento para enxergar o óbvio? Ora, o poder político, tal como ele se exerce no governo Lula, não pode ser considerado um privilégio, uma fonte de mando irresponsável para usufruto dos seus integrantes. Muito pelo contrário: o governo, qualquer governo, antes de mais nada, sobretudo numa democracia representativa, é instituído em nome do povo e a ele deve respeito. Ninguém, de nenhum modo, tem o arbítrio de estar acima ou por cima do cidadão.

Em tempo: o mais lamentável de tudo será a opinião pública - por pressão da propaganda enganosa e das promessas impossíveis - cair no esquecimento ou seguir a recomendação da ministra Suplicy. Aí, sim, estaremos todos urdidos e mal pagos.

Pouso forçado nos negócios ...

Regiane de Oliveira, José Pacheco Maia Filho e Adriana Thomasi

As seqüelas da tragédia em Congonhas no mundo dos negócios e no turismo mal começaram. Agências de viagens já contabilizam significativas perdas nas vendas, mas alertam que, se nada for feito, o pior virá nas próximas semanas, com o fim das férias de julho - época em que tradicionalmente a realização de eventos e feiras corporativas diminui.

- Se persistir essa crise por mais 30 dias, teremos uma quebradeira histórica no setor de turismo do Brasil - alerta Mauro Schwartzmann, presidente do Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Corporativas (Favecc). O representante do setor afirma que o país perdeu cerca de 30% a 40% dos executivos estrangeiros que viriam para eventos. Mas diz que o governo deverá contornar a situação.

O mesmo espera a maior operadora de viagens do País, a Carlson Wagonlit Travel, apesar das perdas.

- O cenário nunca foi tão difícil. Só na última semana, a CWT teve redução de 40% na venda de passagens aéreas para o mercado doméstico - diz o presidente da CWT, André Carvalhal. Uma semana após substituir o executivo Alberto Ferreira, que assumiu a presidência da SAP, Carvalhal teve que enfrentar a pior crise da aviação do Brasil, iniciada com a queda do vôo JJ3054 da TAM. A companhia opera cerca de 80% de seu volume no Aeroporto de Congonhas e praticamente parou parte de suas operações para gerenciar a crise.

- Se nada for resolvido a curto prazo, a empresa corre o risco de perder entre 10% e 15% do volume de vendas do ano - prevê.

Antes do acidente que levou à morte de mais de 200 pessoas, a empresa previa aumento de 15% em 2007, meta que levaria a operadora a vendas de US$ 350 milhões.

O turismo de negócios é o mais afetado, entre outros motivos, porque a necessidade de viajar em curto espaço de tempo não permite viagens de ônibus. E as empresas respondem por nada menos que 70% do turismo no país. A meta do setor, de atingir um crescimento de 30% no volume de vendas, é agora inatingível.

- Vamos todos torcer para terminar o ano no azul - lamenta Schwartzmann.

- Estamos atuando mais na assistência ao passageiro que na emissão de passagens - completa Carvalhal. - O trabalho agora é tentar realocar passageiros, buscar vôos alternativos em aeroportos, e principalmente, vencer a avalanche de informações truncadas vindas do governo e das empresas aéreas.

O diretor da agência baiana Pinheiro Turismo, Juvenal Correa, afirma que sua agência já contabiliza uma redução de 30% a 40% no movimento de vendas de passagens ao mercado corporativo nas últimas semanas.

- Os problemas se arrastam há seis meses, mas, depois da tragédia de Congonhas, a situação se agravou- diz. - São Paulo é o eixo dos negócios do país e hoje pegar um vôo em horário certo é praticamente como acertar na loteria.

O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens na Bahia (Abav-BA), Pedro Costa, alerta que, se há retração na venda de passagens corporativas, o segmento de eventos, convenções e grupos de incentivos está completamente parado.

- Os que já estavam programados e confirmados tudo bem, mas atrair novos eventos está muito difícil este ano - prevê.

Para atender a demanda de executivos no deslocamento da Bahia para o eixo Rio-São Paulo, as agências locais descartam o recurso do transporte rodoviário.

- Estamos reféns do transporte aéreo - enfatiza Flávia de Sá, diretora da agência baiana Tessatour.

Ela lembra que as viagens a negócios são de curta duração e, na maioria das vezes, a ida e volta ocorre no mesmo dia, "o que ficou impossível no caos atual".

Em Fortaleza, a Casablanca Turismo, que tem 70% de seus negócios no mercado corporativo, ainda não sentiu com intensidade os efeitos do caos aéreo. A gerente comercial, Natália Abreu, diz que julho costuma ser menos movimentado no segmento, pois esse período registra aumento de preço das passagens e as empresas evitam fazer convenções ou lançamento de produtos.

- Em relação à média de maio e junho, as vendas de passagens tradicionalmente registram queda da ordem de 30% - observa.

... enquanto, no mundo virtual, empresas decolam
Alessandra Belotto

Se no mundo real o caos aéreo afeta as empresas, no virtual os negócios vão de vento em popa. Os bancos descobriram o Second Life, ambiente virtual tridimensional que reproduz a vida real e já reúne mais de 8 milhões de residentes, dos quais 500 mil são "avatares" (personagens criados pelos usuários para habitar o novo universo). Unibanco, Itaú, Bradesco e Expo Money entraram neste universo.

Empresas reais têm criado filiais nesse mundo paralelo tanto para interagir com seus clientes quanto para divulgar a marca. O Bradesco foi o primeiro banco a estrear no Second Life. Em fevereiro, instalou relógios digitais pelas ruas virtuais da Ilha Brasil (principal reduto dos avatares brasileiros) com o intuito de divulgar as diversas ações de comunicação do banco e fornecer um link direto para o seu site.

Já o Unibanco abriu, em junho, a primeira agência bancária brasileira no Second Life, que funciona como um show-room para divulgar seus serviços e produtos aos avatares curiosos - o espaço equivale no mundo real a uma agência de 1.500 metros quadrados com dois andares.

- Essa é mais uma forma de nos diferenciarmos da concorrência, assim como fizemos ao optar por ter o serviço de internet banking mais rápido - afirma Fernando Malta, diretor de canais e CRM do Unibanco.

O executivo conta que a instituição começou a buscar informações sobre o novo ambiente um ano atrás e que decidiu testar o canal de comunicação por ser uma iniciativa relativamente barata. Mas se você é cliente do Unibanco e tem seu avatar no Second Life irá encontrar informações sobre o banco que poderão te ajudar a tomar decisões no mundo real. Também poderá participar de palestras sobre temas diversas como bancos e mercado financeiro. A agência do Unibanco colocou dois avatares em horário comercial à disposição dos visitantes para responder perguntas e tirar dúvidas online, como num chat só que em ambiente 3D. Obviamente, esses avatares são comandados, do lado de fora, por um funcionário do banco deslocado para atender os clientes virtuais e presenteá-los com brindes como camisetas e patinetes motorizados.

O Itaú também adquiriu uma "ilha" no Second Life. No momento, o ambiente está em desenvolvimento e, por isso, não fornece mais detalhes.

A Expo Money, que neste ano já percorreu as cidades de São Paulo, Curitiba, Macaé, Fortaleza e Brasília, inaugurou em junho um estande no ambiente virtual, a fim de levar aos avatares informação e conhecimento sobre educação financeira e investimentos.

Por enquanto, afirma o executivo, não dá para medir o retorno de um investimento como esse. Mas ele aposta no potencial de negócio que o usuário dessa nova tecnologia pode representar, ao atraí-los para as exposições realizadas na vida real.

- É um público de carne osso, usuário intensivo de internet e, portanto, com dinheiro e tempo.

No estande da Expo Money, os visitantes são recepcionados por um casal de avatares (guiados por um consultor especialmente contratado para isso), que fica à disposição para responder perguntas e informar sobre os próximos eventos no mundo real. Segundo o diretor, o estande já recebeu cerca de 380 visitas.

TOQUEDEPRIMA...

***** É incompetência mesmo...
De José Casado em O Globo

Dez meses de uma crise anunciada na aviação civil, com duas tragédias e três centenas e meia de mortos, estão expondo o tamanho da confusão administrativa em que mergulhou o governo Lula.
Essa desordem gerencial, segundo o Tribunal de Contas da União, tornou-se perceptível nas ações em outras áreas vitais da infra-estrutura do país, como transportes, energia, ciência e tecnologia, urbanismo e segurança pública.

O governo começou 2007 sem ter conseguido executar 66% dos projetos de investimentos do setor de transportes, que classificara como prioritários no Orçamento de 2006, de acordo com o TCU.

Não conseguiu, também, realizar 59% dos investimentos considerados essenciais no setor de energia; 60% em segurança pública e 64% em urbanismo.

— O contingenciamento orçamentário influi, claro, mas não é só isso. Há uma deterioração gradual da gestão pública, e está se agravando — diz Ubiratan Aguiar, ministro do TCU e responsável pela análise das contas governamentais de 2006.

***** Receita prorroga prazo de adesão ao Supersimples
Alexandro Martello Do G1, em Brasília

Prazo final passou de 31 de julho para 15 de agosto, informou a Receita.Pedido de parcelamento e pagamento da 1a. cota também fica até 15 de agosto.

A Receita Federal informou nesta segunda-feira (30) que o prazo de adesão ao Supersimples, que terminaria nesta terça-feira (31), foi prorrogado até o dia 15 de agosto. Com isso, as empresas terão mais tempo para formalizarem seu pedido de opção ao novo programa.

A Resolução nº 16 do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), que alterou as datas, será publicada no Diário Oficial desta terça-feira (31). Também foi estendido até o dia 15 de agosto o prazo fazer o pedido, e para o pagamento da primeira cota, do parcelamento especial, cujo valor é de R$ 100, para as empresas que quiserem parcelas suas dívidas com a União.

Segundo dados da Receita Federal, 1,33 milhão de empresas migraram automaticamente para o Supersimples. Entretanto, o universo das empresas que declarou Imposto de Renda em 2007, pelo antigo Simples Federal, foi de 2,56 milhões de pessoas jurídicas. Ainda de acordo com a Receita, foram recebidos até esta segunda-feira (30), 1,47 milhão de pedidos de adesão ao Supersimples. Do total de pedidos de opção ao Supersimples, 1,2 milhão das empresas têm pendências fiscais - candidatas ao parcelamento oferecido - enquanto 92,2 mil pessoas jurídicas tiveram indeferimento por problemas cadastrais. Outras 121 mil empresas tiveram deferimento imediato por não terem problemas cadastrais ou fiscais. Há ainda 14,7 mil novas empresas aguardando análise dos estados e municípios.

***** 80 processos
Informe JB

Caso o atual presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, deixe o cargo, o próximo candidato à administração do órgão terá de empenhar-se para colocar ordem na casa. Segundo levantamento da Associação Contas Abertas, de 2003 até agora a Infraero aparece citada em mais de 80 processos só no TCU, muitos dos quais ainda em tramitação. Isso sem contar outras eventuais irregularidades investigadas pela Controladoria-Geral da União (CGU).

***** Renunciar ao cargo seria ato covarde, diz Zuanazzi

Apontado como um dos vilões do caos que atinge o setor aéreo há mais de dez meses, marcado por duas tragédias que mataram mais de 350 pessoas, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, afirma, em entrevista ao jornal O Globo deste domingo, que renunciar ao cargo seria um ato de covardia.

"Covardia com o povo brasileiro porque nós, mais do que ninguém, somos sabedores das soluções que podemos ter para o problema aéreo e também por estarmos entregando a alguém que não tenha essas soluções. É um ato de covardia com a gente mesmo. Eu não sou covarde comigo e não serei com o povo brasileiro. Não sou apegado a cargos, e o que me mantém na Anac não é esse apego, mas a responsabilidade. Seria irresponsabilidade eu simplesmente virar as costas e ir embora, na hora em que o país mais precisa de mim e do nosso trabalho", disse o presidente da Anac.

Zuanazzi admite que a agência que preside não tem força de atuação, mas afirma que a culpa não é das pessoas que estão lá. Segundo ele, todas as agências reguladoras foram criadas dentro de um marco regulatório para o setor que deveriam supervisionar. A Anac, não".

***** Chávez diz que Cristina Kirchner será sua aliada para próximos anos

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, agradeceu nesta sexta o apoio que a candidata à presidência da Argentina Cristina Fernández de Kirchner tem dado à "revolução socialista" venezuelana. "A cada dia eu admiro mais a próxima presidente argentina, Cristina Kirchner" disse o venezuelano, já contando com a eleição de Cristina.

A atual primeira-dama declarou recentemente que a América Latina precisa de Chávez para receber energia, da mesma forma que os europeus precisam da Rússia. "A equação energética latino-americana não se fecha sem a presença da Venezuela e da Bolívia. A América Latina precisa de Chávez como a Europa [do presidente da Rússia, Vladimir] Putin", declarou Cristina.

Chávez tem utilizado a venda de petróleo em condições especiais a seus aliados como forma de, segundo ele, promover a solidariedade latino-americana. Além disso, ele tem se tornado uma das principais fontes de financiamento da Argentina ao comprar títulos da dívida soberana desse país e por meio de diferentes investimentos de capital.


***** Para fugir da crise, TAP diversifica rotas no Brasil

A empresa aérea portuguesa TAP aposta na diversificação de rotas entre Brasil e Europa para se proteger da crise aérea brasileira. Luiz Mor, vice-presidente da empresa, afirmou que a companhia ainda não registrou queda no fluxo de passageiros nas operações brasileiras, mas aguarda uma resposta rápida à crise.

Atualmente, a TAP opera 60 vôos semanais entre Brasil e Portugal, ligando as cidades portuguesas de Porto e Lisboa a Salvador, Recife, Fortaleza, Natal e Brasília, além de São Paulo e Rio de Janeiro.

No primeiro semestre, a empresa embarcou 3,358 milhões passageiros - número 6,9% maior do que em 2006. No Brasil, o crescimento foi de 12,2%, maior que o registrado na Europa (7,7%), principal mercado da empresa aérea.

- Crescemos no primeiro semestre em decorrência dos seis novos vôos ligando Porto ao Rio e São Paulo, o que ocorreu na metade do ano passado - disse Mor.

Neste mês, a empresa começou a operar três vôos entre São Paulo e Lisboa, cinco entre Rio de Janeiro e Lisboa e mais cinco entre Brasília e Lisboa.

***** Suspeita de Tuma irrita polícia
Cláudio Humberto

A Polícia Civil do DF está uma arara com o senador Romeu Tuma (DEM-SP). É que o corregedor do Senado obteve material da Operação Aquarela e vem botando defeito na investigação conjunta dos policiais com o Ministério Público do DF. Tuma pediu à Polícia Federal - que não participou da operação - para degravar as fitas da Polícia Civil, como se desconfiasse da lisura dos procedimentos para proteger do ex-senador Joaquim Roriz.

O diretor de Comunicação da Polícia Civil do DF, delegado Miguel Lucena, confirmou o mal-estar com Romeu Tuma, mas preferiu não se manifestar.

A vaca da vaia

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Luís Viana, o primeiro, governador da Bahia de 1896 a 1900, que comandou politicamente o massacre de Antonio Conselheiro em Canudos, morreu viajando para a Europa, em 1920, a bordo do navio Limburgia. A Bahia lhe fez um grande funeral. No cemitério do Campo Santo, à beira do túmulo, o tribuno Cosme de Farias proclamou a última saudação, bem baiana:- Governador Luís Viana, é tal a orfandade em que a todos nos deixa a sua morte, que sentimos vontade de com V. Excia. também ser sepultados!

Atrás de Cosme de Farias, estava o professor Hermano Santana, filólogo do Colégio da Bahia, homenzarrão imenso, todo redondo, conhecido como "abacate sem caroço". Emocionado, naquele mesmo instante deu um espirro tão forte que Cosme de Farias tomou um susto, desequilibrou-se e quase caiu na cova. Sem perder o fio da meada, olhou para trás e terminou:- Mas isto é uma mera figura de retórica!

Enterro
Lula anda preocupado. Já percebeu que o segundo mandato é muito diferente do primeiro. Todo mundo lhe faz discurso bonito, mas ninguém quer ser enterrado com ele. Passou um mês procurando um ministro da Defesa. Acabou arranjando o Nelson Jobim, que é um "TTTT": topa tudo todo tempo.

Há uma semana Lula procura um presidente para a Infraero. Quem quer, não pode. Quem pode, não quer. Tem medo de enfiar a mão em cumbuca. A Infraero virou uma das muitas "infras" do governo ("Infra: abaixo, inferior"). O ministério está parecendo o Senado: lotado de provisórios, de reservas, de suplentes. Todo mundo com medo de enfiar-se no pântano dos escândalos.

E ainda faltam três anos e meio. Imaginem quando chegar 2010. Nem Ciro Gomes vai querer ser ministro. Só lhe vão sobrar Palocci, o amoroso, Marta, a relaxante, mensaleiros e aloprados. E o Marco Aurélio top-top.

PAC empacou
Lula é a vaca da vaia: aonde Lula vai, a vaia vai atrás. Até na distante e pacífica Cuiabá, bastou chegar foi vaiado. Resolveu empacar o PAC:

"Não viajará mais para lançar o PAC. A alegação oficial é que não dará tempo para lançar em todos os estados. Amanhã, pretende reunir no Planalto representantes de 12 estados que ainda não visitou e dar por encerrada a maratona de viagens para assinatura dos protocolos do PAC" (TRIBUNA DA IMPRENSA).

Finge que não sabe por que começaram a vaiá-lo em todo canto. O País afinal passou a perceber que o governo Lula é uma cansativa mentira repetida.

Bancos
1 - "O arrocho fiscal para pagar juros cresceu 13,5% no primeiro semestre. O superávit primário (economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida) aumentou no primeiro semestre, chegando a R$ 71,5 bilhões. A marca foi conseguida em razão do fraco ritmo do investimento público. Em seis meses, o PPI (Projeto Piloto de Investimento) recebeu só 10% do previsto para o ano. Inclui obras de infra-estrutura, saneamento, transportes" ("Folha").

2 - "O lucro do Santander subiu 112% no País e chegou a R$ 1 bilhão. O Santander registrou lucro líquido de R$ 1,002 bilhão no primeiro semestre deste ano, no Brasil, uma alta de 112% em relação a 2006" ("DCI").

3 - "O ABN Anro-Real apresentou o resultado do primeiro semestre de 2007 com um recuo de 2,4% em seus ganhos mundiais, comparado ao mesmo período de 2006: para US$ 2,954 bilhões. O desempenho do banco holandês no Brasil, no entanto, foi bem diferente: sua subsidiária brasileira registrou um lucro líquido de R$ 1,26 bilhão, avanço de 84% sobre 2006" ("DCI").

Classe média
4 - "O Brasil governado pelo ex-metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva é o paraíso dos ricos, afirmou o jornal francês (conservador) `Le Figaro'. Em reportagem intitulada `Política econômica de Lula faz a alegria dos ricos brasileiros', o jornal afirma que os juros elevados e a alta nos preços das matérias-primas garantiram os lucros de bancos e grandes empresas" ("O Globo").

5 - A maior parte da classe média tem renda entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do Planejamento, acaba de publicar um relatório devastador sobre trabalho e renda no Brasil, na década 1995-2005. A renda média real dos assalariados teve redução de 11,4% no período.

Em 1990, a participação do trabalho na renda nacional era de 52%. Em 2005, caiu para 40%, numa queda livre onde a força de trabalho mais qualificada passou a ser mal remunerada ante o desemprego oficial de 10%, afetando jovens e profissionais de nivel médio e superior.

Não sabe
O economista Marcio Pochman, da Universidade de Campinas, diz: "A baixa expansão social originária do ciclo da industrialização brasileira, o baixo crescimento, a maneira como o Brasil se insere na economia mundial, especializada na exportação de bens de baixo valor agregado, não têm como criar empregos de qualidade".

O Centro de Estudos de Economia do Trabalho da Unicamp, na V Carta Social e do Trabalho, recém-divulgada, completa: "Entre 2000 e 2006, 96% dos empregos criados pagavam até 2 salários mínimos". E Lula, coitadinho, não sabe por que está sendo vaiado.

Analistas questionam reação do PT e de Lula a movimento

SÃO PAULO - A reação do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, mais conhecido como Cansei, liderado pela secção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), foi questionada por cientistas políticos.

Para o professor Carlos Melo, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) de São Paulo, as respostas dadas pelo partido e por Lula ao Movimento Cívico pelo Direito mostram que os dois não sabem conviver com a crítica.

"O incrível é que sempre fizeram isso quando estavam na posição, liderando inclusive o movimento Fora FHC. É necessário olhar para o passado, observar o que fizeram, num tom muito mais forte, e aceitar as opiniões divergentes como parte da democracia", lembrou.

Na avaliação de Melo, é natural que haja censuras da sociedade em relação ao governo, especialmente, de setores da classe média. "Quando Lula e o PT se sentem acuados, colocam as questões no âmbito do golpismo. Não se trata disso. Ninguém falou em destituir o presidente, em impeachment, mas sim de reivindicações no âmbito de políticas públicas", afirmou.

"Não se pode transformar um conflito natural da democracia numa luta de classes. Não estamos nesse contexto. O que se fez foi uma crítica à inação do governo em relação a uma crise que dura mais de dez meses", criticou.

No entanto, ele faz uma ressalva. "O movimento cometeu um erro ao mostrar-se ligado a partidos políticos." Segundo Melo, o presidente também errou ao dizer que as vaias vêm de ingratos "Caiu numa contradição. Então, a questão não é de políticas públicas, mas de ingratidão?", questionou.

A cientista política e historiadora Lucia Hippolito ressaltou que todos os setores da sociedade têm direito a se manifestar, independente da classe social a que pertencem. "O que choca um pouco é que Lula não é um principiante nesse jogo. Não pode ficar magoado porque tomou vaia. Todos os homens públicos tomaram. Ainda passa o recibo, dá combustível ao assunto", disse, lembrando que ele tem ótimos números do mandato para apresentar em defesa.

Lucia criticou o que chamou de "visão binária" de Lula. "Ele só vê ricos e pobres. Não reconhece a existência de uma vastíssima classe média no País", afirmou. Quanto à reação da legenda, ela afirmou acreditar que a sigla cumpriu o papel.

"O PT está fazendo o papel dele, defendendo o governo e pagando o mico de defender Marco Aurélio Garcia", ironizou, referindo-se ao assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República. Já para o professor Fabio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os apupos que o presidente tomou no Estádio do Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-americanos, foram superdimensionados pela imprensa e pelo petista.

"As pesquisas mostram que a popularidade do presidente continua forte. Esse público que estava no estádio não é mais representativo que as pesquisas, e ainda assim o presidente passou recibo das vaias", disse. Entretanto, Reis considerou natural a reação da agremiação e de Lula ao Movimento Cívico.

"A reação é compreensível, mas, talvez, politicamente, a coisa mais hábil a fazer seria não registrar e deixar morrer. Não me parece que o movimento terá perspectiva de êxito, já que tem sido alvo de críticas de imprensa e de analistas. Mas o movimento traz um indicador mais sério e significativo, com traços negativos", afirmou.

Ele fez duras críticas aos líderes do Cansei. "Espanta-me que uma entidade como a OAB de São Paulo esteja liderando esse movimento e tenha escolhido esse momento para dizer que se cansou", disse. Reis destacou que o País convive há pelo menos uma geração com eventos tão trágicos quanto o acidente aéreo com o vôo JJ 3054 da TAM Linhas Aéreas, como as chacinas que ocorrem nas periferias das grandes cidades.

"Não vi a OAB de São Paulo dizer que estava cansada nesses momentos." Para o professor, o acidente foi lamentável e a administração federal tem sido passiva em relação a uma crise que dura dez meses. "Mas já tínhamos motivos para nos cansar antes. É igualmente trágica a rotina diária de violência que atinge os mais pobres, que parecem cidadãos de segunda classe aos olhos da classe média e da elite", acrescentou.

COMENTÁRIO DO RICARDO NOBLAT

Oposição dos outros é golpe

Quer dizer que quando o PT gritava "Fora, FHC" e corria atrás dele para vaiá-lo, fazia apenas oposição - dura, mas democrática?

Mas quando o Maracanã vaia Lula, o pessoal da região dos Jardins, em São Paulo, grita "Cansei", e a mídia atribui ao governo parte da responsabilidade pela tragédia de Congonhas, é golpe? Ou tentativa de golpe?

Sei.

Então me respondam: E quando Lula, assim do nada, cita o golpe militar de 64 e diz que ninguem mais do que ele é capaz de pôr gente na rua, o que isso significa?

Não respondam. Eu sei.

ENQUANTO ISSO...

Governo anuncia recordes no comércio exterior em julho

O Ministério do Desenvolvimento divulgou nesta quarta-feira que as exportações e importações brasileiras bateram recordes no mês de julho. As vendas para o exterior somaram US$ 14,120 bilhões, um crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as compras de produtos importados registraram um crescimento acentuado de 34,8% ante julho de 2006, totalizando US$ 10,773 bilhões.

Com esses valores, o saldo positivo da balança comercial (diferença entre exportações e importações) ficou em US$ 3,347 bilhões, uma queda de 40,8% na comparação com o mês de julho anterior. No acumulado do ano, o superávit está em US$ 23,985 bilhões, uma queda de 4,8% em relação aos sete primeiros meses de 2006.

O mercado financeiro estima um superávit da balança comercial de US$ 43,8 bilhões neste ano, enquanto o Banco Central projeta um saldo positivo de US$ 40 bilhões.

ENQUANTO ISSO...

Superávit da balança desacelera pelo terceiro mês seguido
Reuters

As exportações e as importações brasileiras cresceram em julho, mas o superávit comercial do País desacelerou pelo terceiro mês seguido, informou nesta quarta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O saldo foi positivo em US$ 3,347 bilhões no mês passado, ante US$ 3,815 bilhões em junho e US$ 5,659 bilhões em julho de 2006.

As exportações brasileiras somaram US$ 14,120 bilhões em julho, o equivalente a uma média por dia útil de US$ 641,8 milhões. Em junho, as vendas externas foram de US$ 13,118 bilhões.

As importações totalizaram US$ 10,773 bilhões, com média por dia útil de US$ 489,7 milhões, contra US$ 9,303 bilhões em junho.

No ano, o superávit comercial acumulado é de US$ 23,985 bilhões. Nos últimos 12 meses, o saldo é de US$ 45,250.

As exportações somam nos primeiros sete meses do ano US$ 87,334 bilhões, e as importações, US$ 63,349 bilhões.


COMENTANDO A NOTÍCIA: No Jornal do Brasil desta quinta-feira, por Alexandre Bicca, é feita uma análise mais profunda deste resultado sobre os números da balança comercial brasileira.

Há mais de um ano estamos protestando conta a política do governo Lula na área do câmbio. Ninguém está aqui, é bom que se diga, dizendo que o governo deve intervir no câmbio de forma direta. Mas que existem algumas medidas que, se tomadas a tempo, poderiam brecar um pouco a constante e já preocupante valorização da nossa moeda perante o dólar.

Não foram os recordes anteriores que provocaram esta supervalorização do real. O excesso de dólares se dá porque, além do ingresso das exportações, ocorreu uma enxurrada de moeda americana por conta dos juros internos aqui praticados. E se conjugarmos a isto a desoneração criada pelo governo Lula no início de 2006, para aqueles ingressos destinados ao financiamento da dívida pública, então pode-se perceber o quanto estávamos e ainda estamos na contramão.
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É preciso que o governo e sua equipe econômica tratem de reverter a curva acentuada de importações em alta e exportações em baixa. Estamos deixando de vender lá fora em torno de trinta por cento a mais. Imaginem o quanto de empregos estamos deixando de criar! É muito prejuízo no campo do trabalho e renda, levando-se em conta que o desemprego, historicamente, encontra-se há muitos anos girando em torno dos 10%, ou cerca de 9 milhões de trabalhadores procurando emprego sem encontrá-lo.

A seguir, a reportagem do Jornal do Brasil.


Vendas externas caem 1,3% e importações sobem 28,7% em julho
Alexandra Bicca

Brasília. Pela primeira vez no ano, o total das exportações de um mês foi menor do que o resultado do mesmo período do ano passado. Em julho, as vendas externas somaram US$ 14,1 bilhões, 1,3% a menos do que no mesmo mês de 2006. Já as importações tiveram aumento de 28,7% sobre julho do ano passado e somaram US$ 10,7 bilhões. Como o governo já esperava, no mês passado houve uma desaceleração no saldo comercial, que vinha batendo recordes contínuos. Em julho, o superávit comercial foi de US$ 3,3 bilhões, uma queda de 40,8% sobre julho de 2006.

Mesmo assim, o governo revisou a meta de exportações deste ano, de US$ 152 bilhões para US$ 155 bilhões. O motivo é que, em julho, o total das exportações no acumulado dos últimos 12 meses já ultrapassa US$ 150 bilhões. Na avaliação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, apesar do aumento das importações, as vendas externas vão bem e o efeito do câmbio e do aumento da demanda interna não são suficientes para atingir os bons resultados da balança comercial.

No ano, as exportações somam US$ 87,3 bilhões, 16,9% a mais do que de janeiro a julho de 2006. As importações no ano alcançam US$ 63,3 bilhões, aumento de 27,9%. O saldo comercial no ano está em US$ 23,9 bilhões, uma queda de 4,8% com relação ao saldo no mesmo período do ano passado.

De acordo com o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, o saldo comercial abaixo do registrado no ano passado já era esperado.

- Nossa meta sempre foi realista, desde o início do ano estamos falando que o saldo cairia - disse Meziat. - Estamos comparando o primeiro semestre e as bases comparativas do ano passado, muito altas, e não devemos ter o mesmo ritmo no segundo semestre. Caso a nossa meta de US$ 155 bilhões se confirme, o crescimento será de 12,5% contra 17,5% registrado no ano passado.

No acumulado de 12 meses, as três categorias de produtos registraram valores históricos, na comparação com o mesmo período do ano passado. As exportações de manufaturados aumentaram 14,2%; de básicos, 21,9%; e as de semimanufaturados, 26,5%. Os manufaturados deram a maior contribuição para o resultado comercial, segundo Meziat, com aumento de 44%.

Os destaques das exportações em julho foram aviões, gasolina, polímeros plásticos, automóveis de passageiros, autopeças e laminados planos.