sábado, fevereiro 10, 2007

A economia brasileira em 2007

por José Roberto Mendonça de Barros, no Valor Econômico
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A construção de um cenário para a economia brasileira em 2007 deve partir, como sempre, de uma análise da economia mundial e, em particular, da economia americana. Desde o ano passado trava-se um debate sobre a natureza da desaceleração dos EUA, em torno de três alternativas: recessão, desaceleração suave (nossa hipótese desde o ano passado) ou uma rápida desaceleração seguida de um novo surto de forte crescimento. As informações desde o início do ano praticamente enterraram a chance de uma recessão, de sorte que o debate se dá em torno de duas alternativas apenas. Os dados da semana passada, especialmente o da criação de novos empregos, sugerem a prevalência da idéia do pouso suave (PIB no primeiro trimestre crescendo entre 1% e 2%). A inflação converge firme para a área de conforto, próxima a 2% no núcleo, de sorte que o último comunicado do FED deu grande ânimo aos mercados, inclusive o nosso, pois sugere estabilidade e talvez lá na frente, nova baixa nos juros.
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Por outro lado, o ajuste no mercado automotivo e no setor residencial inequivocamente avançou. Os otimistas vêem aí a chave de uma forte recuperação na atividade, pois o consumo poderia voltar a crescer, associado ao bom desempenho de exportações e investimentos. Eventualmente, o reaquecimento da economia poderia pressionar o mercado de trabalho e levar, lá na frente, a um aperto na política monetária. Para os mercados financeiros, acertar nesta questão determina boa parte dos resultados do ano.
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De qualquer forma estamos falando de mais um ano de bom crescimento mundial, embora menor que o do ano passado. Conseqüentemente, o comércio internacional também crescerá a taxas saudáveis. No caso de commodities, continuamos com a hipótese de um preço do petróleo oscilando em torno de 60 dólares, condizente com uma demanda ainda alta, mas algo mais moderada. Alguns metais industriais, como o cobre e o alumínio, terão ofertas normalizadas, mas a demanda de matérias-primas como um todo seguirá bem. Na área agrícola é possível que os grãos subam ainda mais, devido à corrida para a produção de biocombustíveis, especialmente nos Estados Unidos. Entretanto, o índice de preços de commodities não deverá recuperar o terreno perdido desde agosto passado, quando o mercado virou. Medido pelo CRB (um dos mais populares índices de preços de commodities), o mercado veio de 355 pontos em agosto para 300 hoje.
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Somando tudo, o cenário internacional segue muito bom para o Brasil, especialmente na área de comércio exterior, onde se desenha um excelente saldo comercial. De fato, como os resultados do começo do ano sugerem que tanto importações como exportações seguem crescendo de forma rápida, projetamos agora um saldo comercial de 41 bilhões de dólares, apenas um pouco menor que o do ano passado. Com isto, o fluxo cambial segue elevado e o dólar perdendo valor, apesar das elevadas compras feitas pelo Banco Central. No que tange às exportações, o impulso continua sendo dado essencialmente pelas commodities, como mostram os resultados do mês de janeiro: a soma da receita dos produtos básicos, semimanufaturados e de alguns manufaturados tipo suco de laranja, álcool e açúcar mostra uma elevação de 26% contra 10% dos demais manufaturados. Não tenho nenhum preconceito quanto a isto, mas é importante registrar a perda de gás das vendas de manufaturados não commodities, que seguirá ocorrendo neste ano.
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A questão dos investimentos de infra-estrutura está há quilômetros de ser resolvida porque remanescem lacunas regulatórias e ambientais.
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No campo inflacionário, a tranqüilidade é total e, como todo mundo, esperamos que o IPCA fique abaixo da meta por mais um ano, o que é excelente e permite reduções adicionais na taxa de juros, que imaginamos chegar a 11,75% ou 12% no final do ano. Entretanto, não esperamos que os preços de gasolina e diesel sejam reduzidos para um nível mais próximo das paridades atuais, como está ocorrendo com a nafta e o querosene de aviação, porque acreditamos que as autoridades darão preferência ao reforço do caixa da Petrobras.
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Finalmente, vem a questão do crescimento. Sabemos que a forte redução na Selic ocorrida ao longo do ano passado abre em 2007 um espaço fiscal importante, pois o gasto com juros será, em princípio, menor. Esta "folga" poderia ser usada para reduzir endividamento público, tributos ou elevar gastos públicos, de custeio e investimento. A redução de dívida ou tributos permitiria quedas maiores nas taxas de juros e crescimento do investimento privado, com efeitos positivos a curto e longo prazo. Entretanto, é óbvio que o governo preferiu o caminho de continuar elevando os gastos públicos. Ademais, decidiu que as reformas, especialmente a da previdência, não são necessárias, um grave equívoco, como discutiu neste espaço Gustavo Loyola.
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Aliás, a demonstração que o déficit da previdência não existe, quando se desconsideram as renúncias fiscais, aposentadorias rurais, e outros itens, lembra muito antigas análises de inflação: ante um número alto descontavam-se as altas do chuchu, mensalidades escolares e outras, para dizer que sem estes itens a inflação era até razoável.
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Considerando o que o PAC não tem, as elevações de gastos já decididas, e que grande parte dos investimentos ali previstos ou já estavam programados ou são muito vagos, sobra muito pouco para alterar a trajetória de longo prazo da economia brasileira. A questão dos investimentos de infra-estrutura está há quilômetros de ser resolvida, porque remanescem lacunas regulatórias, ambientais e outras, como a idéia de criar uma estatal para cuidar das estradas que vierem a ser concedidas. Mesmo que tenha sido apenas um balão de ensaio, esta idéia não auxilia na solução dos problemas de transporte rodoviário. Sua maior utilidade é política, a de dar um discurso para o presidente da República.
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Continuaremos a crescer lentamente, apesar das excelentes condições internacionais. Neste ano, em particular, o crescimento será marginalmente maior que o do ano passado, muito por conta da construção civil, que passa por excelente momento.

Sidney Sheldon: mestre culto da pretensão barata

The New York Times

Na estranha ficção de Sidney Sheldon “O Outro Lado da Meia Noite”, a heroína é uma ambiciosa atriz francesa chamada de Noelle Page. Ela está destinada a se tornar uma mundialmente famosa estrela de cinema, mas no começo da história ela permanece humilde. Bem, humildezinha. Em época de guerra em Paris como uma pequena coisa ambiciosa, ela vai em uma performance de Jean-Paul Sartre, “Sem Saída”.

Simplesmente sentando maravilhosamente na audiência, depois demonstrando suas bem conhecidas habilidades à tarde da noite, Noelle está preparada para impressionar e depois conquistar “um dos maiores ídolos da Europa”, a estrela da peça. Pouco sabe que ele será um pequeno degrau na escada para o topo.

Sartre e a febre da estrela: isso era Sheldon em seu risível, mas amável melhor. Ele era literato e assustador, e ele fez essa combinação difícil de resistir. Ele conquistou seus efeitos usando uma arma secreta: sua apreciação nostálgica de Thomas Wolfe, Sinclair Lewis, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, e suas habilidades de contar histórias. Embora equipado, e eternamente interessado no rico, poderoso, e trágico, ele trouxe a classe para acabar com ela. E ele fez isso com profissionalismo consistente, se tornando em um nome de marca legítima. Se isso soa como nenhuma grande conquista, pense em como quão raramente um autor faz isso certo.

Sheldon uniu dois mundos diferentes. Sua carreira inicial em filmes e televisão (trabalhando em roteiros para “O solteiro e a pequena” e “Bonita e valente”, e as séries para televisão como “The Patty Duke Show”, “Jeannie é um Gênio” e “Hart to Hart”) era popular quando o popular era inocente, ou ao menos conseguia parecer assim.

Depois seus livros, visivelmente mais generosos e benignos do que os de outros, autores de best-sellers mais estranhos, levaram ele para um mundo mais competitivo e mais cruel. Mesmo assim, ele teve sucesso. Uma razão foi que os autores podiam confiar nele. Compre um livro do Sidney Sheldon no aeroporto, e seu avião parecia voar mais rápido. Era realmente simples assim.

O estilo barato era amigo de Sheldon. “O outro lado da meia noite se tornou um dos melhores filmes lado b , ainda querido pelas suas besteiras. E se seu diretor, Charles Jarrot, também tornou seus talentos adaptáveis para televisão de livros de Danielle Steel, Jackie Collins, e Judith Krantz, ele tornou muito claro porque o material de Sheldon era o que melhor funcionava. Seus personagens eram simples, mas impressionantemente atrativos. Eles podiam escalar sem ter que se agarrar.

Sheldon sempre os inventava. Dentro do gênero que agora domina sua categoria de ficção, a habilidade de fazer isso se tornou crescentemente rara. Claro, ele tinha uma família real de calamidades de política americana em “O Céu está Caindo”. E havia um magnata todo poderoso grego com sua própria ilha em “O Outro Lado da Meia Noite”. Mas ele rodeava esses personagens com aqueles legitimamente fictícios. Ele investigava suas lutas com emoção real e atraente. Leitores eram hipnotizados pelas histórias de Sheldon para personagens sem ligação, não para caricaturas de mau gosto de celebridades reconhecíveis. Ele era capaz de sonhar com vidas mais interessantes do que a de Paris Hilton, e ele fez.

O fato de que ele era raramente levado a sério não manchava seu impacto. Ele tinha grande influência (e vendas de 300 milhões de livros) como um prazer culposo. Uma vez que os leitores começavam, os livros imploravam para serem terminados, e eles não tinham que ser bobos para chamar atenção. Somente duas histórias de Sidney Sheldon (incluindo “Linha de Sangue”, com um elenco brilhante incluindo Audrey Hepburn, Romy Schneider e Omar Sharif) funcionaram como filmes de longa-metragem. O resto, incluindo “Mestre do Jogo”, “Capricho dos Deuses”, “A Ira dos Anjos” e “As Areias dos Tempos”, eram perfeitamente adaptáveis ao formato das mini séries de televisão: eles eram muito prazerosamente tramados para serem comprimidos em um tempo de 2 horas. Até as subtramas menores eram muito divertidas para serem desperdiçadas.

Eventualmente o mundo começou a passar Sheldon. Como ambição crua, violência, sexo e voyeurismo se tornaram essenciais na ficção, seus antes desafiadores livros começaram a parecer positivamente gentis. Eles não tinham a malícia necessária para o mercado atual.

Eles também não tinham muitos que gostavam de ver o sofrimento dos outros também. Fora de moda, Sheldon conquistou um raro respeito pelo trabalho duro, acordos decentes, e conquistas reais – as mesmas qualidades que admiráveis em sua própria carreira.

Ele tinha um personagem público que enfatizava sucesso. Em seu web site, sidneysheldon.com, o leitor pede por informações internas (“Quer saber ainda mais sobre Sidney Sheldon? O que ele comeu no jantar?) necessárias para responder somente questões rudimentares sobre a criação de Sheldon (“Nomeie o primeiro romance escrito por Sidney Sheldon”) para olhar dentro do olho mágico. Se você passar por um teste de duas questões, você aprende exatamente o que estava no cardápio no dia 23 de abril de 2002, quando Sheldon e seu chefe tiveram um jantar para 8 convidados. Clique de novo, e você pode achar inúmeras receitas especiais, como um bife Wellington de Paul Burrel, mais conhecido como mordomo de Diana, princesa de Gales.

Com a morte de Sheldon na terça-feira, há duas maneiras de olhar para trás em tal auto-promoção. A primeira, uma visão inevitável é que Sheldon se tornou um exibido inveterado, seduzido pelas armadilhas da riqueza e do poder. A segunda e mais gentil: que ele tinha o entusiasmo de um de seus próprios personagens. A festa era fascinante, e ele queria que seus fãs soubessem disso. Ele não queria seus narizes pressionados contra o vidro. Ele queria convidá-los.

Janet Maslin

Anúncios geram lucros na Google

The New York Times

SÃO FRANCISCO – Continuando com o crescimento blockbuster de seu negócio de busca gerado pela propaganda, Google relatou um grande aumento quarta-feira, em vendas e lucros na quarta parte.

Google, o maior mecanismo de busca da internet, também continua tomando a dianteira de rivais como o Yahoo e a Microsoft, que relatou semana passada crescimento muito menor em suas ofertas on line.

“Negócios continuam muito, muito bom aqui na Google”, segundo o chefe da empresa, Eric E. Schmidt, em uma conferência ao telefone com investidores e repórteres.

Em uma entrevista, Schimdt disse que os negócios da Google, que ganha a maior parte de seus rendimentos quando usuários clicam em anúncios que aparecem perto dos resultados de busca, era forte em termos de tráfego e crescimento publicitário tanto domestica quanto internacionalmente.

Google também está mostrando menos anúncios em cada busca, mas esses anúncios são mais relevantes para o usuário, clicados mais freqüentemente, e portanto, gera um retorno melhor para o Google e para os anunciantes, ele disse.

Derek Brown, um analista da Cantor Fitzgerald, disse “a performance é extraordinariamente igual em termos absolutos, mas particularmente em comparação com empresas que eles estão competindo”.

A Google disse que a renda da rede pelo quarto triplicou de US$372.2 milhões, ou US$1.22 a ação, no final de 2005, para US$1.03 bilhões, ou US$3.29 a ação. Excluindo cobranças relacionadas a compensação baseada na bolsa e outros ajustamentos, a empresa lucrou US$997 milhões, ou US$3.18 a ação.

Analistas da Wall Street esperaram que a Google lucrasse US$2.92 a ação, excluindo itens únicos, de acordo com a Thomson Financial.

O rendimento da Google aumentou 67% em um ano, para US$3.21 bilhões. Google vende anúncios que estão expostos em outros sites, e passa a maioria dos lucros para os donos dos sites. Tirando esses pagamentos, os lucros da Google foram US$2.23 bilhões.

Alguns analistas dizem que o crescimento do Google poderia até acelerar mais esse ano.

“Eu ainda vejo muitas coisas no caminho”, Safa Raschtchy, um analista da Piper Jaffray & Co.

Ações da Google fecharam quarta-feira a US$501.50, subiu US$7.18. Depois do relatório dos lucros, a bolsa estava um pouco abaixo de US$500, aparentemente refletindo as esperanças de alguns investidores que os resultados seriam ainda mais impressionantes.

Os resultados da Google vêm em uma época onde a empresa está rapidamente expandindo suas ofertas de produtos, desenvolvendo parcerias com AOL e MySpace, integrando sua aquisição do serviço de busca em vídeo do YouTube e experimentando novas formas de propaganda, incluindo vídeo, áudio, imagens e em telefones celulares. A empresa e os analistas enxergam muito dessa iniciativas dando resultados financeiramente nos próximos dois anos.

Schimdt disse que enquanto os anúncios de textos ligados aos resultados de busca continuam a ir muito bem, a diversificação da Google foi essencial para seu futuro crescimento. E ele dispensou críticas que a empresa introduziu muitos produtos, incluindo alguns que não foram sucesso com os usuários, e arrisca em perder o foco.

“Nós concluímos que estamos expandindo nossa missão, pelo menos, não rápido o suficiente”, ele disse.

Schimidt também disse que a busca em celulares e outros aparelhos portáveis iria crescer substancialmente em 2007, mas que o impacto financeiro não seria percebido até 2008.

Miguel Helft

Claro contraria setor e mantém celular de graça e bônus

Agência Estado

A Claro está repetindo a fórmula da promoção de Natal e, na contramão do setor, oferecerá celular de graça para novas linhas com planos pré e pós-pagos, mais minutos em dobro e ainda bônus de R$ 3,0 mil até 15 de março. A companhia está tentando sustentar o ritmo de crescimento registrado em dezembro.

Dos cerca de 2,8 milhões de assinantes captados por todo o setor com as campanhas natalinas, a empresa ficou com 1,0 milhão. Essa performance permitiu que encostasse na TIM em termos de market share das adições líquidas.Na promoção, intitulada Celular Sai de Graça, a Claro devolverá ao cliente que optar pelo Plano Estilo o valor pago pelo aparelho escolhido, por meio de desconto em sua fatura. O valor será reembolsado a partir da segunda fatura, em 10 parcelas. Os clientes que já estão na base e quiserem trocar de celular poderão participar desta promoção a partir de 07/02 "O sucesso da promoção celular sai de graça é tanto que já virou marca registrada da Claro e, como tal, está sendo usado por nós na campanha de divulgação que estamos lançando", diz Roberto Guenzburger, diretor de marketing, em nota sobre a nova campanha, divulgada há pouco. Todos os aparelhos do portfólio atual da operadora sairão gratuitamente, enquanto durar a promoção.
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Há ainda uma outra promoção: aqueles que optarem pelos pacotes Claro Conta, dos Planos Estilo, receberão bônus para falar em dobro. O bônus tem a mesma quantidade de minutos da franquia mensal contratada pelo cliente e são válidos para chamadas locais entre os usuários da empresa. Novamente, a companhia vincula os maiores benefícios da promoção ao cadastramento da conta em débito automático - até 15 de abril de 2007. A validade do bônus é de 30 dias e estará disponível após o consumo de sua franquia mensal de minutos. Além disso, os clientes Claro Conta ganham um pacote promocional com 100 torpedos, válido por 30 dias.
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Para os consumidores que optarem pela modalidade SuperControle, a operadora oferece bônus no mesmo valor da franquia contratada para falar com outro clientes da companhia, em ligações locais. A promoção é válida por três meses, também desde que a conta seja cadastrada no débito automático até 15 de abril de 2007.
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Para os terminais da versão pré-paga, há a promoção Bônus R$ 3 mil. Nela, todo cliente que adquirir uma nova linha ou trocar o aparelho no período da promoção receberá bônus progressivos de R$ 3 mil, divididos em dois anos. Esse extra poderá ser usado em ligações locais dentro da base da operadora.
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Os créditos extras serão parcelados mês a mês, com o acréscimo de R$ 10,00 a cada nova parcela. A mecânica é simples: no primeiro mês, o cliente recebe R$ 10,00, no segundo, R$20,00, no terceiro R$ 30,00, até que, no 24º mês, o bônus chega a R$ 240,00. Somados, os valores extras chegam a R$ 3.000,00. Os bônus são válidos por 30 dias e serão consumidos antes dos créditos do cartão nas ligações para outro Claro de mesmo DDD. O cliente entra na promoção em até 72 horas após realizar sua primeira chamada tarifada. Para que permaneça nesta oferta especial e receba o bônus, é preciso que o cliente realize recarga mínima mensal de R$ 20 (inclusive no mês de ativação), durante o primeiro ano, e de R$ 30,00 no segundo ano. As ofertas também são válidas para quem já é cliente da companhia. A participação depende apenas da troca do terminal ou do pagamento de R$ 4,90.

A PALAVRA É...

Sérgio Rodrigues, NoMínimo

Mussarela
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O leitor D. Mancini, de Umuarama, no Paraná, traz à mesa uma palavra que sempre evitei abordar aqui na coluna. E evitei por motivos pouco nobres, reconheço: uma mistura de tédio, impaciência, cansaço. Quando se trata de ortografia, esse verniz da língua, talvez a única dimensão dela que é regulada a canetadas pelos legisladores, há “crimes” que, de tão consagrados, é melhor nem comentar. Mas, paciência, vamos à mensagem:
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Sempre li e escrevi ‘mussarela’, importante componente de pizzas e outros quitutes. Na TV, a professora de língua portuguesa ensina que o correto é muçarela – com ç. Meu Aurélio não traz nenhuma das formas. Fico grato pelo esclarecimento. Obrigado.
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Bom, Mancini, não é só você: todo mundo – mas todo mundo mesmo – escreve “mussarela”. E nenhum dicionário importante reconhece essa grafia. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, também não. Recomenda-se, em geral, “muçarela” ou “mozarela” como forma aportuguesada do italiano mozzarella.
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O Google é um instrumento precioso para nos dar uma idéia do descompasso entre “lei” e uso neste caso. O descompasso é descomunal. Quando a busca é feita em páginas do Brasil, “mozarela” traz 925 ocorrências; “muçarela”, 587; e “mussarela”, 197.000!
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Nas buscas de páginas em português em geral, mudam um pouco as proporções, mas não a substância: “mozarela”, 11.600; “muçarela”, 1.080; “mussarela”, 228.000.
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Como se vê, a preferência dos falantes de português – cultos, incultos, altos, baixos, gordos, magros – por “mussarela” é acachapante. Desobediência civil é isso aí. Sem qualquer traço de populismo, recomendo a todo mundo comer e escrever sua “mussarela” em paz, com a maior calma, esperando que os lexicógrafos caiam em si. É o que eu faço.
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Enquanto isso, como ortografia é lei, convém ser hipócrita em casos de vestibular e concursos em geral. Ano passado, um concurso público da prefeitura de Jundiaí (SP) provocou revolta ao lançar numa prova de português a pegadinha da mussarela, derrubando quase todo mundo. É ridículo, claro, mas nunca falta quem acredite que dessa forma avalia o domínio lingüístico dos candidatos.

Governo rendido?

por Antônio Machado, no Correio Braziliense
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Meio de passagem, como quem conta algo velho, e dando ênfase ao recado aos governadores de que não haverá divisão da CPMF com os estados, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, revelou três decisões, supostamente de governo, mais sérias que tudo o que já se falou sobre o pacote pró-crescimento e as eleições na Câmara e Senado. Em síntese, segundo Bernardo, petista da cota pessoal do presidente Lula e articulador discretíssimo junto ao empresariado na última campanha presidencial, depois do PAC não há muito mais a esperar do governo no campo das grandes reformas. Aos fatos:
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1º — “as pessoas não percebem que a sociedade está pedindo outra agenda”, depois de o governo ter cumprido “todas as metas fiscais nos últimos quatro anos.” Qual a agenda? “A de que o país precisa crescer mais”, disse a Cristiano Romero, do Valor. Mas ressaltou que isso será feito “sem abandonar o rigor fiscal”.
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2º — redução da carga tributária — afora as pontuais, como do PAC e da chamada “MP do bem” do ano passado —, nem pensar. A conta não fecha, segundo Bernardo, se a redução de impostos não vier junto com o corte de gastos do governo. E aí? “Quando falamos em fazer reforma tributária, as primeiras reações nos indicam que, em vez de reduzir, precisaríamos aumentar a carga. O que mais é demandado é o aumento do gasto”, descartou o ministro.
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3º — Mas o momento não seria propicio para as reformas, insistiu o repórter. E ele: “É preciso ter condições políticas para isso”. O governo, revelou, ficou ressabiado com o Congresso votar por duas vezes, no ano passado, o aumento de 16,7%, em vez da proposta de 5%, para as aposentadorias acima de um salário mínimo. Lula vetou as duas decisões. “Isso que aconteceu em 2006 soou como alarme”.
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4º — quanto à reforma da Previdência, que ele diz apoiar, tal qual a tributária, o entusiasmo também seria nenhum. Por isso o governo virá com o tal Fórum Nacional da Previdência, na esperança de que dele saia alguma proposta. “Uma reforma proposta pelo governo não tem chance de dar certo”, disse, jogando a toalha. Candidamente, alegou que isso é “porque terá a oposição do PFL e PSDB” — que em 2003, no entanto, apoiaram todas as reformas de Lula. “Mas duvido que o façam agora”, arrematou, sem aventar nenhum acordo.Tudo aos pouquinhos
Se as diretrizes do segundo mandato forem estas, o Lula 2 vai ser uma versão requentada do Lula 1, com o governo mais retrancado que nunca, desconfiado dos aliados políticos e evitando as incertezas. Bate com o que ele mesmo revelou antes do Natal: a sua preferência pelo “crescimento aos poucos” e “distribuindo renda aos poucos”.
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Em suma: que ninguém espere do governo nem reformas tributária e previdenciária, nem cortes de gastos nem nada mais ousado. Não se duvida da sinceridade do ministro. Experiente e disciplinado, ele não se destacou por ser porta-voz das próprias idéias nem quando tocava de ouvido com o colega Antonio Palocci, e muito menos agora em que forma um dueto meio desafinado com Guido Mantega. Deve ter dito o que Lula pensa. O que não implica que Lula não possa mudar. Se não por desejo próprio, premido pela oposição, pois a política não tolera vacâncias. Além disso, há controvérsias sobre a tese de que faltam “condições políticas” para aprovar qualquer coisa.
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Estadista ou não ser
O senador Aloizio Mercadante, futuro presidente da influente CAE, Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, e ex-líder do governo, questiona a tibieza das medidas econômicas do PAC, entendido por ele como um bom programa para viabilizar obras de infra-estrutura e dar ao governo os meios para fazê-las acontecer. Mas não indica, segundo ele, a solução para o que diz ser o estorvo do crescimento acelerado: a contradição da expansão fiscal com aperto monetário.Mercadante prepara-se para voltar ao debate, independentemente da saia justa que o fogo amigo governista o enfiou no caso do dossiê fajuto antitucano – a lambança dos “aloprados” do PT nacional, que a Polícia Federal teve a gentileza de atribuir ao PT paulista.
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Para ele, há clima político para discutir as reformas, que apóia, e para Lula governar como estadista. Se a bancada governista conta com 321 deputados (63% da Câmara) e 45 senadores (55% do Senado), Lula aprova o que quiser. A não ser que estejam mais interessados em benesses do poder que em desafiar os interesses do parasitismo oficial. Tanta esperteza é o que deve explicar a cautela de Lula.
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A composição heterogênea dessa coligação tipo coração de mãe não prenuncia coisa boa. Tem de tudo: do ex-presidente Collor, eleito senador, ao deputado Paulo Maluf. De pastores da Igreja Universal a comunistas, mensaleiros e sanguessugas. Mas, se não é confiável, cabe indagar por que o governo a quer e vai retribuí-la com cargos e o carinho que só o poder sabe dispensar. É uma contradição.
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Outra, não menos esquisita, é o ministro do Planejamento dizer que a sociedade está cansada de reformas e ajuste fiscal. Isso não confere. O ajuste foi só pelo aumento de carga tributária, porque as despesas nunca cessaram de crescer. As receitas no governo Lula avançaram 9,4% acima da inflação, mas as despesas aumentaram muito mais, 11,2%. Em dinheiro de hoje, o governo gastou, em 2006, R$ 40 bilhões mais que no último ano da gestão FHC. Se há algo que já cansou é tanto imposto, não aperto fiscal, que nunca existiu.O governo gasta o aumento de receita, e não é com investimento, e arrecada todo aumento de PIB. Isso não dá certo em lugar nenhum.

TOQUEDEPRIMA...

CNI: Vendas industriais aumentam e emprego recua em dezembro

A atividade industrial brasileira fechou o ano de 2006 em alta. As vendas reais da indústria cresceram 2,92% em dezembro em comparação a novembro, na série livre de influências sazonais. Foi a maior expansão mensal desde agosto de 2006, informa a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada nesta segunda-feira, 5 de fevereiro, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em comparação com o terceiro trimestre de 2006 as vendas da indústria aumentaram 3,92% e comparando com dezembro de 2005, a expansão foi de 1,93%. As vendas na indústria também cresceram 2,92% em dezembro, na série em que é descontado o efeito sazonal. Na comparação com dezembro de 2005 o crescimento foi de 1,72%. Segundo a pesquisa, o aumento se deve ao crescimento da renda domiciliar, expansão do crédito e estabilidade da taxa de câmbio. As horas trabalhadas na produção em dezembro recuaram 0,69% em comparação a novembro. Historicamente o indicador apresenta queda expressiva em dezembro, de acordo com a pesquisa.
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O índice de emprego também sofreu um leve recuo de 0,04%, após cinco meses de crescimento. Segundo a pesquisa, em 2006 o emprego industrial cresceu 2,21%, menos da metade do observado no ano anterior, quando o índice expandiu 5,23%. As indústrias brasileiras operaram com 80,3% da capacidade instalada, descontado o efeito sazonal. Na média do ano, o indicador de utilização da capacidade instalada foi de 81,8%. A pesquisa mensal é feita com cerca de 3 mil empresas de médio e grande porte em 12 estados.

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Ex-embaixadora dos EUA: 'Mercosul acabou'

A ex-embaixadora dos Estados Unidos em Brasília Donna Hrinak (foto) avalia em sua coluna na edição de fevereiro da revista Update, editada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), que em Washington “a reação dominante aos acontecimentos do Rio de Janeiro foi a de que, como instituição econômica séria, o Mercosul acabou”. A matéria de capa da Update, de Jorge Pontual (TV Globo), avalia que a produção americana do combustível não será suficiente para cumprir a meta estipulada pelo presidente Bush de substituição da gasolina por combustíveis alternativos até 2017, fazendo com que os americanos recorram novamente ao Exterior – nesse caso, o forte candidato é o Brasil – para suprir o mercado interno.

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Duda Mendonça não receberá R$ 700 mil


A ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal, arquivou o mandado de segurança protocolado pelo publicitário Duda Mendonça para garantir pagamento de R$ 700 mil devido pela Petrobrás e bloqueado por decisão do Tribunal de Contas da União. O entendimento do TCU é que essa dívida seria indevida pois a Petrobrás estaria pagando por serviços desnecessários, uma vez que o serviço de distribuição de propaganda dispensa o trabalho de agência de publicidade.

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Americano que desrespeitou Brasil pede desculpas
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O lutador amador e apresentador de TV americano Christopher Antal perdeu o programa que mantinha em um canal comunitário dos Estados Unidos após rasgar, jogar no chão e urinar em uma bandeira brasileira há uma semana.

Em reportagem veiculada neste domingo pelo programa Fantástico, Antal, ou "Gambá", como é conhecido, aparece pedindo desculpas, naquela que, diz, é a última edição do seu programa. O desrespeito à bandeira brasileira causou uma repercussão negativa grande, especialmente entre integrantes da comunidade de brasileiros que reside nos Estados Unidos.

A atitude de "Gambá" tinha sido exibida semana passada pelo Fantástico e gerou protestos no Brasil e nos Estados Unidos . Além de rasgar a bandeira, ele chamou os imigrantes brasileiros de preguiçosos "de traseiros gordos".

"Gambá" exibia seu programa na TV pública a cabo da cidade de Marlboro, próxima a Boston, onde vivem muitos brasileiros. A reportagem do Fantástico não esclareceu se o desrespeito à bandeira do Brasil foi o motivo do encerramento do programa, que começou a ir ao ar há sete anos.

O Dia

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Queima de arquivo
Da Folha de S.Paulo:

"O arquivo do extinto Serviço Nacional de Informações (1964-90), sob guarda da União, sofreu uma "limpeza" na qual foram suprimidos documentos que deveriam constar de acervos federais. É o que revela investigação da Folha feita por um mês e meio em órgãos públicos.
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O Arquivo Nacional emitiu certidão de "nada consta" em resposta ao pedido de papéis do SNI de 1975. A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) afirma que não os tem.
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A descoberta do sumiço comprova, de maneira inédita, relatos de antigos funcionários da chamada "comunidade de informações" do regime militar (1964-85).
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Em conversas reservadas em anos recentes, eles disseram ter havido um "banho" no material produzido pelo SNI."

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Mais do mesmo
Por Dora Kramer em O Estado de S.Paulo:

"Troca-troca de partidos, submissão do Legislativo à força material do Executivo, bate-cabeça e fragilidade na oposição, formação da equipe ministerial mediante loteamento partidário, presidente da República governando a poder de discursos que gravitam em torno de um eixo só: no início do primeiro mandato era o Fome Zero, agora é o PAC.

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Posto estratégico e água fria
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo:

"Tido como comissão de segunda categoria até o escândalo do mensalão, o Conselho de Ética virou prioridade no loteamento dos cargos na Câmara. Um acordo com o PMDB deverá dar ao PT a presidência do órgão que, na legislatura passada, despachou petistas em série para julgamento no plenário da Casa.

Fica sepultada, assim, a pretensão de Ricardo Izar (PTB-SP) de se manter à frente do Conselho. Maurício Rands (PE) foi convidado, mas recusou. Já José Eduardo Cardozo (SP) quer muito, mas o núcleo que comanda a bancada petista não vai deixar. O mais cotado para assumir o posto, agora, é Jorge Bittar (RJ), de um grupo próximo a José Dirceu."

"José Dirceu encomendou uma pesquisa de opinião para medir o apoio popular a seu pedido de anistia. Os resultados não foram nada animadores para o ex-ministro. A idéia, agora, é deixar o assunto dormir."

Para OAB, proposta de plebiscitos tem "viés autoritário"

SÃO PAULO - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considerou ontem que a proposta feita por um grupo de parlamentares petistas de que o presidente da República possa convocar plebiscitos e referendos sem a autorização do Congresso "tem um viés autoritário".

"Os instrumentos de democracia direta e participativa são meios de controle da ação dos governantes pelo próprio povo; eles não podem se tornar formas de legitimação populista para instauração de governos autoritários", afirmou o presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB, Fábio Konder Comparato, em nota.

A proposta consta de um documento de 30 páginas, denominado "Um Novo Rumo para o PT", que será apresentado pelo grupo neste fim de semana no 3º Congresso do partido. Entre os signatários, estão os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Devanir Ribeiro (PT-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP).
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Num dos 90 itens do documento, está escrito: "Se o presidente da República pode editar medidas provisórias (MPs) - cada vez mais sob o crivo das críticas por seu vezo autoritário -, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional?"

Os autores do texto asseguram que a proposta visa a "ampliar a democracia no País" e cita exemplos de países de primeiro mundo que usam o plebiscito e o referendo com maior freqüência. No Brasil republicano, há registro de apenas dois plebiscitos (em 1963 e 1993).

De acordo com Comparato, a OAB apresentou ao Congresso dois projetos de lei sobre plebiscito e referendo que "incentivam a democracia direta e participativa, diferentemente da proposta do grupo de deputados petistas paulistas, que tende ao autoritarismo".

"Os projetos nº 4.718/04 e 0001/06 atribuem a iniciativa de convocação de plebiscito e referendo ao próprio povo ou a uma minoria qualificada de cada Casa do Congresso Nacional", afirma.
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Pela legislação atual, nas questões de relevância nacional, o plebiscito e o referendo são convocados por meio de decreto legislativo, por proposta de no mínimo um terço dos membros da Câmara ou do Senado (artigo 3º, da Lei 9.709/98 - que regulamentou o artigo 14 da Constituição Federal).

Comparato diz que a proposta dos petistas "mostra a urgência de serem aprovados os projetos de lei apresentados pela OAB ao Congresso".

Congresso
Especialistas em direito constitucional atacaram o caráter autoritário da proposta e disseram que ela desqualifica o Congresso. "Através dos plebiscitos que se fazem os césares", atacou o jurista Célio Borja, ex-ministro da Justiça. "O plebiscito sem aprovação do Congresso restringe a democracia porque coloca nas mãos do chefe do Executivo esse poder."

Carlos Ari Sundfeld classifica a proposta como um retrocesso democrático. "O Brasil tem uma democracia em construção. Por isso, precisa privilegiar o Parlamento e não fazer o contrário, dando plenos poderes ao presidente", afirmou.
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Para Belizário dos Santos Júnior, seria o começo de um governo ainda mais autoritário. "O presidente já tem um poder quase imperial com as medidas provisórias. Essa proposta soa muito chavista. É um absurdo os próprios deputados dizerem que não têm competência."

Plebiscito sem Congresso é Ditalulla

Ditalula: Senado e OAB condenam ampliação do poder institucional do presidente da República para legislar
Por Jorge Serrão, Alerta Total
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O presidente Lula da Silva já sofre duras reações a sua proposta de ampliar ainda mais o poder inconstitucional do Presidente da República em legislar, invadindo o papel do Congresso Nacional. Os primeiros gritos contra o chamado “golpe branco” de Lula vieram do Senado e da Ordem dos Advogados do Brasil. Lula já corre o risco de tal assunto também ser tratado em sua conversa, regada a whisky, nos dias 8 e 9 de março, com o presidente dos EUA, George W. Bush. Os EUA temem que Lula imite Hugo Chávez, que ampliou seus poderes para legislar.
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O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) condenou a idéia de que o governo convoque plebiscito sem a autorização do Congresso Nacional, que tem competência privativa para isso, segundo a Constituição. A OAB avalia que a proposta do presidente da República convocar plebiscitos e referendos, sem a autorização do Congresso, "tem um viés autoritário". O presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB, Fábio Konder Comparato, critica: "Os instrumentos de democracia direta e participativa são meios de controle da ação dos governantes pelo próprio povo; eles não podem se tornar formas de legitimação populista para instauração de governos autoritários".A proposta de aumentar o poder do presidente da República consta de um documento de 30 páginas, denominado "Um Novo Rumo para o PT". O texto será apresentado pelo PT, neste fim de semana no 3º Congresso do partido. Entre os signatários, estão os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Devanir Ribeiro (PT-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP). Num dos 90 itens do documento, está escrito: "Se o presidente da República pode editar medidas provisórias (MPs) - cada vez mais sob o crivo das críticas por seu vezo autoritário -, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional?"Os autores do texto asseguram que a proposta visa a "ampliar a democracia no País" e cita exemplos de países de primeiro mundo que usam o plebiscito e o referendo com maior freqüência. No Brasil republicano, há registro de apenas dois plebiscitos (em 1963 e 1993). Pela legislação atual, nas questões de relevância nacional, o plebiscito e o referendo são convocados por meio de decreto legislativo, por proposta de no mínimo um terço dos membros da Câmara ou do Senado (artigo 3º, da Lei 9.709/98 - que regulamentou o artigo 14 da Constituição Federal).
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O senador ACM bota a boca no trombone: “Nós não queremos chavismo no Brasil. Se o presidente considera importante para o país conhecer a vontade popular sobre determinado tema, solicite ao Congresso Nacional autorização. É melhor fazer assim do que se deixar levar pelo canto das falsas sereias, pois os que as seguem nunca costumam encontrar um bom final. Não bastassem as sucessivas medidas provisórias, a maioria delas desnecessárias, vemos agora que as ameaças ao poder Legislativo e à própria democracia brasileira são ainda maiores e mais graves no governo do presidente Lula”.
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A realização mais freqüente de consultas populares, por meio de plebiscitos e referendos, tem sido reivindicada há algum tempo pelas pastorais sociais da Igreja Católica no Brasil. Foram estas pastorais que encabeçaram em 2002 a realização de um plebiscito nacional, com intuito pedagógico, sobre a filiação do Brasil à Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
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As pastorais católicas estão à frente de outro plebiscito não oficial, programado para setembro, sobre a anulação da privatização da Vale do Rio Doce. Na opinião de bispos ligados à área social, como d. Demétrio Valentini, de Jales (SP), plebiscitos e referendos ampliam a democracia. As pastorais contam com o apoio de movimentos sociais e centrais sindicais, entre as quais a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Sem Terra (MST).

Estatísticas no pau-de-arara

Por Demétrio Magnoli, O Globo (*)

“A pobreza tem cor e raça”. O adágio revela uma concepção sobre o Brasil, difundida pela Seppir (Secretaria da Igualdade Racial) e pelo cortejo de ONGs defensoras das leis raciais. O Brasil não seria uma sociedade de classes atravessada por profundas desigualdades de renda mas uma sociedade estamental dividida rigidamente por fronteiras “raciais”. Até há pouco, a demonstração “científica” dessa concepção dependia de perversas interpretações seletivas de informações disseminadas pelo IBGE. A dificuldade foi solucionada pela pesquisa “Retratos da Desigualdade”, publicada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

A manipulação de estatísticas com fins ideológicos é uma velha arte. O IBGE quase sempre conseguiu passar incólume pela tentação de torturar os números até fazê-los confessar aquilo que interessa ao poder de turno. O IPEA aceitou se converter em câmara de tortura: a pesquisa suplicia informações do banco de dados do IBGE até “provar” os seus próprios pressupostos.

O ponto de partida é um choque de alta voltagem: a fusão das categorias censitárias “pretos” e “pardos” na categoria ideológica “negros”. Para o IBGE, “pardos” são 42% dos brasileiros, um número que surge da soma de todos que não se declaram “brancos” (51%), “pretos” (6%), “amarelos” ou “indígenas” (1%). Na vida real, os “pardos” são os quase-brancos, quase-índios, quase-pretos da geléia geral brasileira. Os fanáticos das raças, embaraçados pela “impureza”, simplesmente decidiram eliminá-los das estatísticas, sob o argumento arbitrário de que são “afrodescendentes”. Na Amazônia, por exemplo, eles refletem mais um substrato indígena e podem não ter ascendência africana significativa.

Mas a pesquisa quer chegar a um fim definido e não se detém diante de obstáculos éticos, como o princípio da autodeclaração, ou científicos, como a genética. A supressão dos “pardos” produz magicamente um Brasil dividido ao meio em “brancos” e “negros” (48%), o modelo ideal para os engenheiros de leis raciais. Essa operação é o pilar estrutural da pesquisa, sem o qual suas conclusões desmoronariam: os indicadores do IBGE mostram que, em média, os “pardos” têm menor rendimento médio e menos anos de estudo do que os “pretos”, um forte indício de que as desigualdades sociais não decorrem do preconceito racial.

Depois do choque elétrico, é tempo de uma sessão de afogamento: a opção preferencial pelas médias gerais. A abordagem metodológica rudimentar não decorre de incompetência técnica mas da paixão ideológica, permitindo extrair as “confissões” paralelas de que os pobres são pobres por serem “negros” e de que a pobreza não “gruda” em pessoas de pele menos escura.

No Brasil, o 1% mais rico da população, constituído essencialmente por “brancos”, detém renda quase igual à dos 50% mais pobres. Essa disparidade extrema puxa para cima todas as médias referentes aos “brancos”, escondendo as massas de pobres com pele clara que habitam as periferias das metrópoles, o sertão nordestino e as várzeas amazônicas. É o cenário estatístico dos sonhos, num país onde o governo federal já patrocina cursos de alfabetização em favelas exclusivos para “negros”.

Finalmente, utiliza-se a palmatória para dissuadir a vítima de falar sobre as desigualdades regionais. Cerca de 75% dos “brancos” vivem no Sudeste e no Sul, as regiões mais ricas do país, enquanto 53% dos “negros” vivem no Nordeste e no Norte, as regiões mais pobres. Segundo dados do IBGE, os “negros” do Sudeste e do Sul apresentam indicadores sociais melhores que aqueles dos “brancos” do Nordeste e do Norte. Esses cruzamentos de informações brilham pela ausência na pesquisa dos fanáticos das raças. Mas quem não é fanático sabe o que eles revelam: a “questão regional” é muito mais relevante que a “questão racial” para explicar as desigualdades sociais no Brasil.

Os “Retratos da Desigualdade” do IPEA são qualificados, no texto de apresentação, como “poderoso instrumento na luta” pela igualdade de raça. Eis, para variar, uma afirmação incontestável: a pesquisa é um discurso puramente ideológico, veiculado por órgão de Estado como se fosse investigação sociológica. A sua meta não é iludir as pessoas familiarizadas com estatísticas mas subsidiar a propaganda política oficial.

No Brasil, a pobreza não tem cor – ou, melhor, tem todas as cores. Essa evidência, que traz implicações políticas óbvias, não interessa aos promotores das leis raciais e deve ser calada no momento em que o Congresso se prepara para votar o Estatuto Racial. Assim se faz “política social” sem custo financeiro, mas com elevados dividendos eleitorais.

(*) Republicado no site do Instituto Millenium

O ônus da prova

por Rodrigo Constantino, Blog Diego Casagrande

“A ignorância traz muito mais certezas que o conhecimento.” (Charles Darwin)
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Os ateus e agnósticos costumam ser injustamente acusados de prepotentes. Os crentes afirmam que os ateus se acham os donos da verdade. Não poderia haver maior inversão! O ponto de partida de um ateu é justamente o reconhecimento da nossa ignorância, dos limites do nosso conhecimento. Há muito que o homem pode aprender sobre o mundo, principalmente utilizando sua principal ferramenta epistemológica, que é a razão. Foi raciocinando, e não rezando, que chegamos a tantos avanços tecnológicos e medicinais, ou mesmo às conquistas da liberdade. Mas há um limite onde nossos sentidos conseguem chegar. Além disso, resta um mar de desconhecimento.
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O ateu consegue conviver com essa ignorância, com muitas dúvidas sobre o mundo, sobre as questões básicas que sempre mexeram com os homens. Como tudo começou, de onde viemos, para onde vamos, tais questões não têm resposta ainda, e o reconhecimento disso é que possibilita a eterna busca por mais conhecimento. Como disse Epíteto, “é impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe”. Mas o crente religioso não suporta a dúvida. Ele não consegue apenas não saber. “A dúvida é tortura apenas para o crente, mas não para o homem que segue os resultados de sua própria investigação”, disse Humboldt. E então surgiram muitas religiões, oferecendo as respostas prontas, garantindo já saber sobre essas questões complexas. A prepotência, portanto, está justamente do outro lado, do lado dos que juram saber as respostas, pois estas teriam sido “reveladas”.
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Muitos entendem que deus é uma palavra apenas para designar esse desconhecido, essa vastidão acima da nossa capacidade intelectual. Mas nesse caso, eu pegaria emprestada a frase de Frank Lloyd Wright, e diria que acredito em deus, mas soletro natureza. Não vejo porque dar outro nome então. Pois o outro nome, deus, vem carregado de outros conceitos, e gera muito mais confusão. Cada um terá sua idéia subjetiva do que venha a ser esse deus. O deus de Einstein, por exemplo, é muito parecido com o dos ateus, já que ele declarava não crer na imortalidade do indivíduo e considerava a ética uma preocupação exclusivamente humana, sem nenhuma autoridade super-humana acima. Não vejo mal algum nisso. Mas vejo riscos no deus antropomórfico que muitos homens criam e passam a acreditar. Um deus que observa os homens, que pune, que salva, enfim, no deus cristão ou no Alá dos muçulmanos. Essa crença em deus pode ser prepotente por afirmar saber as respostas, e ainda costuma ser intolerante, pois não admite competição e repudia qualquer outro deus.
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Algumas perguntas delicadas são feitas pelos ateus, mas costumam ficar sem respostas objetivas por parte dos crentes. Se esse deus meio humanizado é onisciente, sabe de tudo, então ele tem que conhecer a dor e o sofrimento, para ter criado tais sentimentos. Mas como pode um ser perfeito conhecer a dor e o sofrimento? A perfeição pressupõe ainda a inércia, pois qualquer mudança, qualquer ação, irá levar inexoravelmente para uma situação pior. Como deus agiu então para criar o mundo? A ação é fruto do desconforto e da busca pela melhoria, e seres perfeitos não agem. Se o teísmo é vagamente definido como uma força superior, um ser misterioso cuja essência não podemos sequer entender, então deus seria um ateu. Ele não acredita numa força superior a ele mesmo, e seus próprios poderes, apesar de acima dos homens, seria natural para ele, e compreensíveis. Tudo seria “natural” pela sua perspectiva. É justamente o que defendem os ateus.
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Muitos crentes ficam incomodados com isso tudo, e partem para a fuga mais conhecida: exigem que se prove então que deus não existe. Mas como se pode provar uma não existência? Se for uma fantasia, como seria possível provar que ela é mesmo uma fantasia? A ciência busca refutar teorias, testando-as. As que suportam os testes, são consideradas válidas até que provem o contrário. Mas é impossível partir da necessidade de provar que algo não existe. Eu poderia afirmar que existe um gnomo vivendo em minha casa, e que ele é invisível e indetectável. Nenhum método que os homens conhecem seria capaz de provar a sua existência. Se eu pedisse para provarem que ele não existe, isso seria impossível. E creio que se eu insistisse muito em sua existência, era mais provável chamarem os homens de branco e me levarem para um hospício, depois de realizado um teste com o bafômetro. O ônus da prova deve estar com aqueles que afirmam sua existência, não o contrário.
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Os ateus apenas não reconhecem as crenças subjetivas dos crentes como prova da existência de um deus. Se alguém deseja que suas crenças sejam levadas a sério pelos demais, deve mostrá-las como algo mais que conceitos pessoais, que um estado da mente. Uma crença torna-se objetiva quando é justificada com razões que podem ser examinadas e avaliadas por outros. Caso contrário, não é nada mais do que uma visão pessoal das coisas, uma emoção do indivíduo que nada prova sobre o mundo externo.
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Espero ter deixado mais claro que os ateus costumam ser mais humildes por aceitar a ignorância humana, enquanto os crentes assumem uma postura de prepotência e intolerância porque consideram que já sabem as respostas.

Novo contexto político

por Aluízio Amorim, Blog Diego Casagrande
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As últimas eleições parlamentares realizadas na Venezuela sem a participação da oposição, que decidiu se retirar da disputa, encerraram um episódio político raro em sistemas formalmente democráticos. Posteriormente, com o domínio do parlamento, Chávez vem obtendo poderes absolutos capazes de lhe conferir mandato vitalício.

Afinal, que leitura se pode fazer sobre tudo isso e o que tem a ver com o Brasil e com toda a América Latina? É isto que tentaremos responder neste artigo. Historicamente, o Brasil e os demais países que compõem o continente vêm sendo espoliados desde a época colonial. Todos foram colonizados pelo que havia de mais retrógrado na Europa, os povos ibéricos. Criou-se por aqui uma elite escravocrata, tanto é que o Brasil foi retardatário na abolição da escravidão.
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Todos esses países latino-americanos têm uma cultura senhorial que permitiu aos endinheirados acumularem por vários séculos, mantendo uma horda de miseráveis e remediados ao seu dispor. Os salários sempre foram baixíssimos e, ao longo do tempo, criou-se, evidentemente, mais pobreza do que classe média. Esse problema tornou-se mais agudo no final da primeira metade do século XX. O resultado imediato disso foram os sucessivos golpes de Estado na região, os quais representaram a derradeira tentativa das classes dominantes tradicionais de continuar no poder.
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Ocorre que o índice de pobreza teve um aumento assustador, fato que, por várias circunstâncias internas e externas, inviabilizou a hegemonia das elites. Quanto ao conceito de elite, devo acrescentar que me refiro àquela "tradicional", pois na atualidade observa-se o aparecimento de uma "nova elite" que inclui em sua agenda a responsabilidade social, participação dos trabalhadores nos lucros das empresas e ações assemelhadas, tudo isso ainda que de forma tímida.
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A velha máxima segundo qual "se não posso derrotar meu inimigo devo me aliar a ele", cai como uma luva no Brasil da atualidade no que respeita às elites tradicionais. Estas, que odiavam o PT, não tiveram outra alternativa senão compor com esse partido, apoiando Lula à Presidência. Foi uma estratégia para descompressão social sem risco de ruptura. E tanto é verdade que representantes dos setores empresariais de corte oligárquico estão lá ao lado do PT nos ministérios e no Banco Central. Furlan, mega-empresário da Sadia, por exemplo, foi comandado pelo ex-operário Lula, como também o ex-Presidente do Bank Boston, Henrique Meirelles. Na vice-presidência está o maior empresário têxtil da América Latina, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, José Alencar.
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Para essas elites, isto é conveniente porque o PT, domesticado pelo grupo de Lula e José Dirceu foi fiador dessa estratégia de acalmar os pobres, que constituem a maioria dos brasileiros, dando-lhes ajuda paternalista. Esse mecanismo, acordado já na campanha de 2002, garantiu ao sistema financeiro que a política econômica seria mantida com seu viés monetarista ortodoxo. Esta foi a única opção para as elites tradicionais continuarem dominando, com a vantagem de não se exporem à crítica de setores radicais, coisa que lhes imporia o risco de perder os dedos e os anéis.
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Na Venezuela não houve este "pacto", daí a razão do afastamento dos oposicionistas do pleito parlamentar. Lá tentaram, em vão, esvaziar o poder de Chávez dando a impressão de que houve uma eleição fraudada. Mas depois retrocederam e a oposição armou um grande arco de partidos para combater, ainda que sem êxito, o ditador nas últimas eleições presidenciais.
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O esmagamento da classe média na América Latina começa, portanto, a desenhar uma correlação de forças políticas completamente nova. De um lado, os ricos. De outro, uma maioria de pobres. Esta maioria é que decidirá as futuras eleições. Talvez ainda seja muito cedo para prognósticos, mas o que se nota é que os grupos tradicionais de poder não têm mais a influência de outrora, muito menos condições de impor a sua política.
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A costura dessa aliança teve um perdedor: a classe média. É ela, e apenas ela, a real oposição ao governo petista, só que não mais contando com representação parlamentar. Perdeu a sua influência política e foi abandonada à própria sorte. Se a classe média sempre foi, em qualquer lugar do mundo, o lócus da geração da inteligência, é de supor-se que seu aniquilamento resultará em prejuízos no que se refere ao avanço do conhecimento e da modernização das instituições políticas, bem como na evolução e refinamento dos padrões culturais. É por isso que os setores mais bem informados da população brasileira se sentem covardemente traídos por Lula e o PT.
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A única coisa que não estava prevista no concerto desse pacto era que o PT fosse com tanta sede ao pote, promovendo um esquema de corrupção avassalador. Mas, às elites, ainda é mais vantajoso dar prosseguimento à "operação abafa" montada nos tempos do mensalão e que implodiu a possibilidade do impeachment de Lula. As elites cedem os anéis para não perder os dedos. Temos, portanto, uma oposição apenas de fachada. E é por tudo isso que Lula continua sendo o favorito para as eleições de 2010.
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Por enquanto, Lula é seu próprio sucessor, correndo livre e solto por conta da ausência completa de oposição, como se viu na eleição para a presidência da Câmara, onde o PT conseguiu montar uma contenda da qual a oposição ficou fora! A terceira via foi uma trágica pantomima, como nos tempos da ditadura militar, onde a Arena dava as cartas e o MDB entrava no jogo apenas para viabilizá-lo. Guardadas as devidas diferenças, porque a história não se repete, o quadro político é muito parecido, mas o contexto político é outro, e muito mais insidioso.

Moralização com abatimento

por Villas-Bôas Corrêa, no Jornal do Brasil
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Como quem pisa em folhas secas caídas de uma mangueira, a Câmara e, mais cauto, o Senado não entoam o samba eterno de Nelson Cavaquinho na exaltação da sua Estação Primeira, mas, sassaricam na marchinha de pés quebrados dos primeiros atos de resistência da campanha de moralização do Congresso.
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Com as sabidas espertezas, o novo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) empurra as medidas iniciais na faxina para restaurar a respeitabilidade do Congresso, manchada pelos desatinos e escândalos da legislatura finda, com os inevitáveis abatimentos impostos pela resistência da imensa maioria que se abriga à sombra do acampamento do baixo clero nas últimas bancadas do plenário.
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Espremido entre as cobranças da opinião pública e o corporativismo parlamentar, a dedetização em regra encolheu para a varredura que esconde o lixo debaixo do tapete.
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No número preparado para atrair a atenção da sociedade, a Câmara aprovou a extinção de 1.050 cargos de natureza especial de confiança (CNEs), com o bimbalhar dos sinos comemorando a economia de R$ 40 milhões dos R$ 117 milhões dissipados no festival da gastança.
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Limpas as lentes da miopia, a burla em cadência de farsa expõe a manobra para enganar o distinto público. Para começo de conversa, a extinção foi um ato simbólico, o enterro de defunto mumificado, esquecido num canto do porão desde outubro do ano passado, na presidência do deputado Aldo Rebelo (PCdoB- SP).
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O patusco da promoção provocou reações curiosas, como do deputado João Almeida (PSDB-BA), que protestou contra a timidez da simples extinção de cargos já sacrificados na meia-sola da moralização com descontos. Sobraram, intactos e saudáveis, 1.317 CNEs para a distribuição entre os donatários de cargos na Mesa Diretora, suplentes e líderes de partidos. E vamos tropicando em absurdos indecorosos: os integrantes da Mesa são aquinhoados com 33 CNEs, a papoula das mordomias, para a distribuição com os cabos eleitorais, cupinchas e a gulosa e insaciável parentela.
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Os suplentes não têm razões de queixa. Para a única atribuição de substituir o título dispõem de 11 sinecuras de ordenha permanente.
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A remuneração dos CNEs, cargos de confiança preenchidos sem a impertinente exigência de concurso e borrifados com os agrados mensais que pendulam entre R$ 1,5 mil, para os atendimentos da caridade da rotina política, aos R$ 8,2 mil, que não são de jogar fora. Obrigação mesmo, só a de assinar ponto. Mesmo porque se todos comparecerem, não cabem em pé na maioria dos gabinetes privativos dos benévolos chefes.
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As mais de mil, exatamente 1.315 CNEs poupadas pelo corte moralizante têm dono. Além dos integrantes da Mesa Diretora, a fatia dos partidos é sedutora: o PMDB e o PT, com 81 deputados cada um, dispõem de 134 vagas; o PSDB de 115; partidos nanicos, de 24. E por aí vai a feira livre das mordomias.
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Ora, a Câmara e o Senado dispõem de quadros de servidores efetivos, de alta qualidade e dedicação, aprovados em severos concursos públicos e que atendem as exigências da rotina parlamentar reduzida a dois a três dias úteis. E se ainda falta gente para adornar os 81 gabinetes de senadores e os dos 513 deputados, a única saída decente é a realização de concurso.
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Certamente não é o caso. E é só esperar para conferir. Queimada a palha do entusiasmo da estréia da nova sessão legislativa, as duas Casas retomarão a normalidade dos plenários vazios, dos corredores fantasmas com a carga pesada nos ombros da escassa minoria que carrega o fardo.
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Depois, o governo não tem pressa nenhuma. Pois se o presidente Lula sequer inaugurou o segundo mandato com a montagem do ministério para o bis, por que o Congresso deve mudar os seus hábitos de quem sabe gozar a vida?
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O Congresso segue à risca a sabedoria baiana: roga que o poupem, que ninguém é de ferro.

Lula terá de fingir que não é aliado de Chávez

Por Jorge Serrão, Alerta Total
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Depois de um documento reservado do setor Sul do Departamento de Estado norte-americano ao Itamaraty, cujo teor foi divulgado pelo Alerta Total, cobrando do governo petista uma posição clara sobre sua relação com Hugo Chávez, agora os Estados Unidos vão exigir uma postura cara-a-cara, clara e objetiva. Para tentar atenuar a influência Chávez no continente, o presidente George W. Bush, vai se encontrar com Lula, dia 9 de março, em São Paulo.
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A conversa, certamente regada a whisky Cowboy muito envelhecido, terá diferentes perspectivas para os interlocutores. Lula terá dificuldades em sua tentativa de demonstrar a Bush que não é, como parece, tão aliado de Chávez (seu companheiro no Foro de São Paulo - entidade que reúne as esquerdas latino-americanas, sob a liderança de Fidel Castro). Bush sabe que Lula mentirá, para variar. Por isso, o cowboy texano vem para jogar na pressão. Será mais uma guerra psicológica – mesmo que movida à álcool nos bastidores.O Departamento de Estado norte-americano sabe que a segurança das Américas depende de uma aliança soberana entre o Brasil e os Estados Unidos contra o Terrorismo Internacional, que cumpre o papel de fragilizar as instituições políticas, econômicas e sociais norte-americanas. Os EUA sabem que o governo petista no poder não serve a estes objetivos. Por isso, a vinda de Bush será teatral, apenas para pressionar. Bush esteve no Brasil em novembro de 2005, numa visita de menos de 24 horas. A confirmação da vinda dele ao País é do site da presidência do Uruguai, para onde Bush também deve ir.
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Faz parta da preparação à pressão psicológica de Bush a publicação, pela revista Veja, de uma contraditória entrevista do diplomata Roberto Abdenur. O ex-embiaxador do Brasil nos EUA alega que a política externa do governo Lula é contaminada pelo antiamericanismo e pela orientação ideológica. Só que na mesma entrevista, contradizento seu aparente ataque ao governo petista, o diplomata afirma que “Lula sabe que uma relação melhor com os Estados Unidos é de interesse do Brasil”. Quando fui assumir a embaixada nos EUA, o diplomata revelou que Lula lhe dissera: "Roberto, quero deixar como legado para o futuro bases ainda mais sólidas e mais amplas na relação entre os dois países".Ontem, a visita do subsecretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, a Brasília, foi o primeiro passo de um esforço para intensificar a relação diplomática entre os dois países. Nos próximos dias, será confirmada a data da chegada da secretária de Estado, Condoleeza Rice. Também será confirmada a vinda de Bush ou a ida do presidente Lula a Washington para um encontro com o presidente George W. Bush.

No encontro do PT, Marta defende plebiscito sem Congresso

Presente no encontro que comemora os 27 anos do PT, em Salvador (BA), Marta Suplicy defendeu nesta sexta que o presidente da República possa convocar plebiscitos sem autorização do Congresso. “Não acho inadequado. Muitas vezes o plebiscito pode ajudar o Executivo a tomar decisões mais de acordo com a sociedade", defendeu a ex-prefeita de São Paulo.
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A tese foi lançada esta semana por um grupo de deputados federais do PT paulista ao qual pertence Marta, com o objetivo de ser discutida no Congresso Nacional do partido, que acontecerá em julho deste ano. “Não tem qualquer relação com terceiro mandato. Isso foi factóide criado pela imprensa”, justificou a petista ao ser questionada sobre se a proposta abriria caminho para a aprovação da reeleição indefinida para presidente da República.
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“Em grandes questões, difíceis de serem resolvidas, o presidente precisa ter respaldo mais amplo. Em outros países já acontece isso, como nos Estados Unidos, na Califórnia", citou.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Dona Marta Suplicy precisa aprender uma coisa: quando se conta as coisas que acontecem em outros países, devemos ter um mínimo de cuidado para pelo menos contar a verdade inteira, não metade dela naquilo que nossa conveniência suspeita e de má fé nos permite contar. Ocorre que em qualquer país democrático do mundo onde há plebiscito, ele parte de autorização expressa do poder legislativo. Tal qual em nosso país. Está na Constituição. Diferentemente das ditaduras, onde o plebiscito é instrumento de fachada partindo diretamente do tirano que comanda o regime. Portanto, melhor faria a dona Marta se, em primeiro lugar, tivesse um pingo de respeito pela verdade, coisa da qual a coitada anda distante há muito tempo. Em segundo lugar, melhor faria, para o fortalecimento das instituições democráticas, se sugerisse algo no sentido de aperfeiçoar o conjunto delas e sua harmonia no dia a dia do país, e não apenas entrasse de gaiata no navio do autoritarismo, e apresentasse uma meia pataca que apenas faz tornar um dos poderes, já com muito poder, ainda com maior autoridade sobre os demais. Na democracia, dona Marta existe legislativo. E nos referidos países em que você exemplificou o plebiscito, este é uma incumbência do Legislativo propor e autorizar, além do que o Executivo lá não conta com a arbitrária e esdrúxula figura da Medida Provisória, ok ? Menos cretinice, por favor, dona Marta !

TOQUEDEPRIMA...

Pressão

O senador José Sarney sugeriu e o presidente Lula concordou em anunciar seu novo ministério após o PMDB eleger Nélson Jobim presidente nacional.

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Detalhes do processo do Rei

Radar, Veja Online

Ainda vai dar muito pano para manga a briga entre os advogados de Roberto Carlos e a Planeta, que editou a biografia Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar de Araújo. O juiz paulista Tércio Pires indeferiu o pedido de apreensão imediata dos livros até que o advogado do Rei, Norberto Flach, indique até amanhã quem exatamente ele está processando na esfera criminal: o autor, o editor do livro ou a editora.

Enquanto essa situação não se resolve, outro advogado de Roberto Carlos, Álvaro Borgerth, já deu entrada em novo processo, desta vez na Justiça do Rio de Janeiro, reivindicando o recolhimento dos exemplares no país inteiro. Roberto, pelo visto, está empreendendo uma espécie de blitzkrieg no Judiciário.

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Vem aí o "XÔ CPMF"
Radar, Veja Online

O PFL vai à luta e no melhor estilo petista convoca o povo para lutar pelo fim da CPMF. A idéia é lançar uma grande campanha popular, com adesivos, cartazes e tudo mais. O começo da campanha será no início da semana, quando entrar no ar o site “XÔ CPMF”. Uma parte da bancada do partido não via com bons olhos a campanha e tentou sugerir a criação de uma Frente Parlamentar contra o imposto. Foram convencidos de que, hoje em dia, a imagem dos deputados não está propícia para tanto.

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Petrobras: Ildo recorre até a Serra
Radar, Veja Online

Ildo Sauer, veja só, recorreu até a José Serra para tentar manter-se no cargo de diretor de Gás da Petrobras. Dia desses, Ildo pediu pessoalmente a Serra uma ajuda - embora não se saiba exatamente qual influência o governador tucano de São Paulo poderia ter neste processo. Como se sabe, Dilma Rousseff tem um nome para o posto: Maria das Graças Foster, presidente da BR Distribuidora.

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Criado para extinguir

A medida provisória 353, do PAC, extingue a Rede Ferroviária Federal, e cria, na surdina, 157 cargos de comissão para nomeação do Executivo.

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Financiando a Colômbia
Alerta Total

O governo de George W. Bush pedirá ao Congresso dos Estados Unidos US$ 3 bilhões e 900 milhões de dólares, ao longo dos próximos sete anos, em ajuda à Colômbia.
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A grana é para o combate a grupos de tráfico de drogas e aumento do financiamento de programas sociais.
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Segundo o plano, confirmado pelo Departamento de Estado, US$ 626 milhões de dólares serão reservados para este ano, US$ 589 milhões de dólares para o ano fiscal de 2008.
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A estratégia do governo Bush é reduzir gradualmente o financiamento norte-americano para a erradicação das drogas nos próximos anos e aumentar a ajuda "leve" para a construção de escolas e estradas, por exemplo.

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Fim de papo

As relações de Lula com José Dirceu estão estremecidas de novo. O presidente anda irritado com os constantes recados do ex-ministro. E não está disposto a aceitar indicações de Dirceu para o ministério ou estatais.

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A filha do João

Radar, Veja Online
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Está perto de acontecer o reconhecimento formal da paternidade de Luiza, de três anos, pelo cantor João Gilberto, de 75 anos. O papa da Bossa Nova fez no final do ano passado o exame de DNA. Comprovou-se, então, que a menina era sua filha. A mãe é Claudia Faissol, 36 anos, atualmente namorada de João.

João Gilberto e Claudia já decidiram o nome da menina: Luiza Carolina Faissol Gilberto de Oliveira. Até agora, seu nome de batismo é Luiza Faissol. Claudia, embora fosse casada quando a menina nasceu, preferiu registrar a criança, sem o sobrenome do seu marido de então.

Está previsto para que a papelada chegue a um cartório carioca ainda neste mês - embora quando o assunto é João Gilberto sempre o que é previsto se torne imprevisível. Agora mesmo, João teve que adiar por mais uns dias o programado para viajar para a Bahia, por causa da morte de um irmão.

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Petrobrás em cartaz dos comunas?
Alerta Total

Um cartaz polêmico, com a logomarca da Petrobrás, e a frase “Para mim ser comunista não é militar num partido, para mim é ter uma atitude ante a vida”, que circula pela Internet, vem causando a maior polêmica.
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As duas mulheres que aparecem na foto (essa foto é uma raridade) são Haidée Santamaria e Célia Sanchez, as revolucionárias que acompanharam Fidel Castro desde o tempo do assalto ao forte da Moncada.
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O nome ao pé do cartaz, subscrevendo a frase, é o de Haidée.
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Casou com Armando Hart, que foi Ministro da Cultura . Suicidou-se no dia 26 de julho de 1980 (aniversário da frustrada investida com La Moncada, que Fidel transformou em data nacional).
A Petrobrás terá de explicar se realmente bancou o tal cartaz, ou se o nome da empresa está sendo utilizado criminosamente, em uma montagem.

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Mais respeito (?)

Familiares de Maurício Marinho pedem mais respeito ao ex-funcionário da ECT filmado recebendo propina de R$ 3 mil, fato que deflagrou o escândalo do mensalão. Afirmam que ele nem sequer foi indiciado por crime algum.

Chávez arma a Venezuela e faz soar os alarmes no continente

Willian Waack, G1

Há um jogo perigoso sendo jogado na Bolívia e no Equador, mas é um jogo que, inicialmente, só causará confusão interna. O jogo mais perigoso sendo jogado no momento é o de Hugo Chávez, e promete causar muita confusão externa. Um de seus aspectos mais preocupantes foi reiterado nesta segunda (5) numa reportagem de Roberto Godoy, de "O Estado de S. Paulo". É o acréscimo, ao já formidável arsenal militar venezuelano, de provavelmente 9 submarinos russos.

As volumosas compras de material bélico por parte de Chávez ultrapassam os 3 bilhões de dólares, mas há nessa cifra contratos de longo prazo. O respeitado Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (mais conhecido pela sigla em inglês, IISS) diz em seu último relatório que entre os latino-americanos o maior orçamento com segurança e defesa, em termos absolutos, continua sendo o da Colombia (4 bilhões de dólares) - a guerra do governo colombiano contra diversos grupos de narco-guerrilheiros já dura 40 anos.

O segundo maior gastador é...Chávez, com pouco mais de 2 bilhões de dólares. Ele superou Argentina e Chile, com orçamentos pouco inferiores (e tradições militares muito superiores), mas o que impressiona é a velocidade do aumento das despesas com material de guerra. Entre 2005 e 2006, o orçamento de defesa da Venezuela subiu 33% (o da Colombia, para comparação, subiu menos de 10%, e os de Chile e Argentina quase nada).

As compras militares de Chávez sugerem o comportamento de alguém que entrou com muito dinheiro numa loja de departamentos e se encantou com quase tudo. Ele comprou 100 mil fuzis AK-47, um tipo pouco usado nas Américas (a não ser por Cuba e os narco-guerrilheiros das Farc), incluindo uma fábrica de munição. Circulam com muita insistência informações, desmentidas no último fim de semana pelo governo boliviano, de que parte dos 100 mil fuzis automáticos leves que serão substituídos pelas AK-47 estariam indo para a Bolívia.

A shopping list do presidente com poderes de ditador da Venezuela incluiu sistemas de defesa antiaérea, navios patrulha, os tais submarinos russos mas, principalmente, os caças russos Sukhoi-35, um avião de combate sem similares nas forças aéreas latino-americanas. O que mais impressiona nessa máquina, desenhada para competir com os F-15 e F-18 americanos, é a autonomia: 3.400 quilômetros. Em termos de equipamento eletrônico a bordo, não há nada na América do Sul capaz de rivalizar.

No meio disso tudo, é claro que a Venezuela não avançou um milímetro naquilo que a une a outros países de fronteira amazônica: a falta de presença do Estado e de segurança dos próprios limites. A foz do Orinoco, por exemplo (onde Chávez está tomando de empresas estrangeiras alguns projetos importantes de exploração de petróleo pesado), é há mais de uma década o ponto preferido das grandes máfias de exportação de drogas da América do Sul para a Europa.

O comportamento do caudilho venezuelano traz consigo o tipo de insegurança militar do qual a região parecia afastada, pelo menos desde o fim das querelas entre Brasil e Argentina e, principalmente, entre Argentina e Chile. Querem ver a razão? Por motivos ideológicos, Chávez conseguiu com que Argentina e Brasil deixassem de realizar com a marinha dos Estados Unidos os exercícios conjuntos previstos para 2006 (os países da costa do Pacífico o fizeram, conforme previsto). Provavelmente este ano, num sinal de força, os americanos vão passear pelo Atlântico Sul com um "battle group" em torno de um porta-aviões.

Não há, a não ser na cabeça desequilibrada de Chávez, qualquer perigo real ou ameaça militar à soberania e integridade de seu país. O que ele gasta com armas faz falta em muitos setores na Venezuela, e fará mais falta ainda com os preços do petróleo estabilizando-se em torno de 50 dólares o barril (uma queda de mais de 30% nos últimos seis meses). Mas há um outro fator, externo, que é muito preocupante.

Parte dos aviões de combate venezuelanos será modernizada pelo Irã, segundo Roberto Godoy. Seria bobagem afirmar que as forças armadas latino-americanas deveriam abster-se de comprar equipamentos e sistemas onde eles forem mais baratos, competitivos e, principalmente, onde se possa adquirir ou obter a transferência de tecnologia, apenas por deferência aos americanos. Mas ao trazer os iranianos e os vendedores russos para cá, Chávez o faz principalmente como provocação aos Estados Unidos (notoriamente restritivos no repasse de tecnologias militares ou de "dual use").

Longe de sentir admiração por Chávez, os militares brasileiros estão dizendo abertamente que ele está trazendo para nosso hemisfério conflitos que aqui não existem. E que nem nos interessam. Nesse sentido, as armas de Chávez são profundamente perturbadoras.

Ensino médio tem pior desempenho dos últimos dez anos

Fernanda Bassette, Do G1

O desempenho dos alunos de ensino médio no país piorou em duas avaliações do Governo federal: o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (7), em Brasília. No caso do Saeb, os resultados registrados em 2005 são os piores dos últimos dez anos: as notas de português caíram 32,4 pontos em 2005 comparando com as notas de 1995 e os resultados de matemática caíram 10,6 pontos no mesmo período.

Comparando os dados de 2005 com 2003, percebe-se uma queda de 9,1 pontos no desempenho dos alunos na disciplina de português (que registrou média nacional de 257,6 pontos) e queda de 7,4 pontos em matemática (que teve média nacional de 271,3 pontos).

As notas baixas do ensino médio preocuparam o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes. Eles justificam o mal desempenho dos alunos de ensino médio afirmando que houve uma queda na qualidade do ensino público na década de 90.

"Houve uma queda consistente na qualidade do ensino na década de 90 que não pode ser desconsiderada. Os alunos que estavam no ensino fundamental neste período hoje estão no ensino médio e mostram o desempenho menor. Mas o nosso alento é saber que os alunos de 1ª a 4ª série mostram uma tendência de melhora na avaliação", disse o ministro.

Médias continuam baixas
Os alunos de 1ª a 4ª série também estão com médias mais baixas do que as médias registradas em 1995 no Saeb, mas, segundo o ministro, os resultados voltaram a crescer em 2001 e continuaram crescendo em 2003 e 2005, por isso há uma "aposta" de que a educação fundamental está melhorando.

"Os dados do Saeb mostram uma melhora constante no desempenho desses alunos de 4ª série a partir de 2001, o que mostra, em tese, que o desempenho melhorou porque o ensino melhorou. E, se esses alunos continuarem mantendo esse crescimento, eles vão melhorar os índices da 8ª série e, conseqüentemente, os índices do ensino médio", avalia Haddad.

O que é o Saeb
O Saeb é um mecanismo que avalia os estudantes de escolas urbanas e rurais, tanto da rede pública quanto da rede privada. O universo da participação é amostral, com resultados em esfera nacional. Não há detalhes sobre cidades ou escolas específicas. A educação básica engloba a educação fundamental (alunos de 4ª e 8ª séries), além de alunos do ensino médio (3º ano). Em 2005, 190 mil alunos participaram do exame em todo o país.

Segundo o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, a elaboração da prova do Saeb segue critérios pedagógicos internacionais. Não há uma nota específica a ser atingida e os resultados variam de 0 a 500 pontos.

Na prática, isso significa que os resultados não significam, necessariamente, que o aluno é bom ou ruim. Por exemplo: a média em língua portuguesa para alunos de 4ª série foi de 175,52, mas não há uma nota específica que eles deveriam ter atingido para serem avaliados como bons ou mau alunos. "Os indicadores são estabelecidos por alguém, mas há muita controvérsia sobre isso. O que é bom para um, pode não ser bom para o outro", disse Fernandes. "Os dados são uma amostra", disse.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), os resultados do Saeb servem de "termômetro" para que o governo defina políticas e ações para corrigir as debilidades. Para Haddad, o Saeb é o único mecanismo efetivo de comparação de um ano para o outro porque seguem metodologia internacional. "Os resultados do Enem não podem ser comparados porque não seguem uma metodologia internacional e as provas podem mudar muito de um ano para outro."
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COMENTANDO A NOTICIA: Como vocês viram na notícia anterior, o ministro Haddaqd quis dar uma de esperto dizendo que o ENEM não serve de termômetro, que o que valia era o SAEB, questão de metodologia e por aí vai. Pois, então, diante do resultado também ruim do SARB, o ministro Haddad dentro do melhor estilo Lula, virou as baterias em direção aos anos 90, considerando-se que o governo atual já entra em seu quinto consecutivo. Mais: na comparação histórica, a verdade é que o ensino no governo Lula se deteriorou em qualidade. O ministro pode apelar para o ranço canalha e cretino que quiser que não conseguirá escapar desta verdade. Os resultados, que é o que interessa não deixam margem à dúvidas. Piorou e piorou muito durante o governo Lula e sob o comando do ministro atual.

Para Haddad, resultados no Enem não podem ser comparados

Do G1

O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que não é correto comparar os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre um ano e outro.

Segundo o ministro, as provas não podem servir como base de comparação porque não seguem critérios de avaliação como numa metodologia internacional como acontece com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e podem variar de um ano para o outro, o que não comprovaria, portanto, se o ensino médio melhorou ou piorou.

As médias nacionais obtidas na edição de 2006 do Enem foram mais baixas do que as apresentadas no ano anterior. Em 2006, o desempenho médio foi de 36,90 na parte objetiva da prova e 52,08 na redação, numa escala de 0 a 100. Em 2005, as médias ficaram em 39,41 e 55,96, respectivamente. A prova não é obrigatória, mas os pontos obtidos servem como bônus em muitos vestibulares.
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Segundo o ministro, a prova do Enem 2006 foi mais difícil que a prova do ano anterior, Haddad, e o único dado comparável seria a diferença de desempenho entre alunos de escolas públicas e privadas dentro do mesmo ano.

"Não faz sentido compararmos os resultados de um ano com o outro por vários motivos. Um deles é porque o exame não é obrigatório. O outro é que você não compara desempenhos de um ano para outro em provas de vestibular, por exemplo", disse o ministro.

A diferença de 15 pontos na avaliação objetiva dos estudantes de escolas públicas comparados com os de escolas particulares mostra que ainda há um abismo na educação pública brasileira. "Os resultados melhores nos alunos de escolas privadas já era esperado porque eles têm condições sociais e econômicas privilegiadas. Mas estamos trabalhando para que esses dados mudem", disse Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão técnico responsável pela aplicação das provas do Enem e do Saeb.
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COMENTANDO A NOTICIA: Pura embromação do ministro. Por que não se pode fazer comparativo entre um ano e outro ? Se as provas mudam de ano para outro, os alunos também mudam, ora bolas. Quer dizer que se as provas tivessem acusado uma melhoras, adivinha qual seria o sentido do comentário do ministro ? Claro, a de que o nível está melhorando, que os investimentos prioritários estão produzindo resultados, etc. e tal. Como os resultados foram ruins, agora não servem como comparativo mais ? Ora, ministro Haddad conte outra ! A verdade é que o exame dedurou que o nível que era baixo, continua se deteriorando, e de que os investimentos não estão priorizando a melhora na qualidad3e do ensino ministrado aos jovens brasileiros. Esta é que é a realidade. A melhora virá na medida em que o MC parar de querer fazer “política” com assunto tão sério. Assumir seus erros e tratar de corrigi-los ! O resto é papo furado.

Médias nacionais do Enem caíram

Luísa Brito, G1

As médias nacionais obtidas pelos participantes no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enem) na edição de 2006 foram mais baixas do que as apresentadas no ano anterior. Em 2006, o desempenho médio foi de 36,90 na parte objetiva da prova e 52,08 na redação, numa escala de 0 a 100. Em 2005, as médias ficaram em 39,41 e 55,96, respectivamente.

Embora as médias de 2006 tenham sido mais baixas, continuam com os mesmos conceitos do ano anterior. A média nacional está na faixa de insuficiente a regular na parte objetiva e de regular a bom na redação. O desempenho do estudante é avaliado da seguinte forma: insuficiente a regular, que corresponde às notas entre 0 a 40; regular a bom, para as notas entre 40 a 70; e de bom a excelente, entre 70 a 100.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nesta quarta-feira (7) o balanço geral da nona edição do exame. Ao todo, 2.784.192 pessoas fizeram a prova realizada em 27 de agosto de 2006. Os estudantes já receberam os boletins com o desempenho individual.

Para a professora Regina Vinhaes doutora em política e gestão da educação da Universidade de Brasília (UnB) a queda das médias não foi significativa estatisticamente. “Só analisando vários anos poderíamos ver se há tendência de queda, ou, se pelo menos, a nota tivesse caído muito, cerca de dez pontos percentuais”, afirmou. Para ela, é preciso analisar vários subgrupos de estudantes que fizeram a prova para investigar porque a média sofreu queda.

Já o professor da Universidade de São Paulo (USP) Nilson José Machado, pós-graduado em filosofia da educação, avalia que a semelhança do exame com provas de vestibular têm colaborado para a queda da nota. “O Enem nasceu com uma proposta de avaliar as competências e habilidades dos alunos, mas com o tempo foi se aproximando dos moldes de um exame vestibular. Isso faz com que ele fique mais difícil e as médias caiam”, disse. “Pode ver que nos vestibulares os estudantes são aprovados mesmo com notas baixas”, acrescentou.

Notas melhores nas particulares
Entre os alunos que fizeram a prova em 2006, uma pequena parcela estudou apenas em escolas particulares (12%). As médias alcançadas por esses estudantes são superiores às atingidas pelos que cursaram exclusivamente instituições públicas (82,9% dos participantes): 50,57 contra 34,94 na parte objetiva e 59,77 contra 51,23 na redação. Em todos os estados brasileiros as médias de alunos do ensino particular foram mais altas.

Para os professores, a diferença na nota da parte objetiva é significativa. “Os alunos da escola privada estão tendo mais oportunidade de aprendizagem dos conteúdos exigidos no Enem dos que os de escolas públicas”, opina Regina, da UnB. Para ela, o fato de a distância na nota da redação ser menor se deve ao fato de a prova ser mais subjetiva.
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O professor Machado acredita que a diferença ocorre devido à proximidade do teste com os vestibulares. “Os alunos das públicas, muitas vezes, não aprenderam o mesmo conteúdo específico das disciplinas. Se o exame realmente avaliasse as competências e habilidades, essa diferença seria bem menor”, afirmou.
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Segundo Machado, a distância na média da redação entre os estudantes de instituições públicas e privadas é menor do que na parte objetiva do exame nacional porque a prova exige menos conhecimentos de disciplinas e mais das habilidades e competências dos alunos.
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No universo dos alunos de escolas particulares, o Estado de São Paulo apresentou o melhor desempenho na parte objetiva (53,97) e a Bahia na redação (61,74).

Boom do etanol é a grande chance do Brasil nas Américas

Willian Waack, G1

Práticos do jeito que são, os norte-americanos colocaram diante do governo brasileiro uma proposta para repartir entre si um bolo que está crescendo depressa: o dos bio-combustíveis, principalmente álcool etanol. O que está na mesa, trazido a Brasília por um importante diplomata de Washington, não é apenas uma oportunidade comercial. É uma mudança significativa de política.

É um resultado do desastre do Iraque, se a gente quiser ver assim. Numa conversa pessoal com Nicholas Burns , o diplomata que trouxe esta semana o recado de Bush para Lula, ficou patente o esforço americano de fazer amigos numa área, a América do Sul, relegada à última das prioridades de política externa. Bush convenceu-se de que o unilateralismo não trouxe resultados -pode-se dizer que isso é conseqüência do que ele mesmo fez, mas não é essa a discussão que importa neste ponto.

A dependência americana do petróleo do Oriente Médio é tema recorrente de analistas há pelo menos vinte anos. Reduzi-la drasticamente é um dos objetivos centrais do discurso com que Bush anunciou seus planos para os últimos dois anos de governo (pode-se dizer que ele deveria ter começado isso muito antes, em vez de invadir o Iraque, mas essa é, de novo, uma outra conversa). O fato relevante é que o etanol surge não só como alternativa ao petróleo mas -que feliz coincidência- também como resposta a parte dos problemas de aquecimento global.

É curioso ver como também a megapotência age ao sabor das oportunidades, e reage de maneira sensível sobretudo à gritaria do momento -o governo Bush demonstrou ser incapaz de pensar e defender estratégias a longo prazo, sejam militares, ambientais ou de intervenção política nos principais conflitos. De novo, e quase todos os parágrafos deste texto vão terminando assim, não é esta a discussão que neste momento mais nos importa.

A que realmente conta é saber se o governo brasileiro vê essa proposta de um novo relacionamento com os Estados Unidos também como uma oportunidade de fazer valer nossos interesses ou, como tem acontecido com deprimente freqüência, apenas como mais um passo do império que é necessário combater. O perigo é o viés ideológico, que predomina em muitas das nossas formulações de política externa, prejudicar mais uma vez o que parece ser uma boa perspectiva.

Não é necessário gostar do Bush, dos americanos, do "american way of life", de Coca-Cola ou Hollywood ou qualquer bobagem desse tipo para se entender que os Estados Unidos são o país mais importante do planeta e que a afirmação dos nossos interesses passa pelo relacionamento com essa megapotência. É uma realidade objetiva e condiciona em boa parte a maneira como o Brasil trafega no cenário internacional. Isto não significa de maneira alguma subserviência ou alinhamento automático.

A "lavagem cerebral" a que o ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenour, referiu-se em sua entrevista à revista "Veja" começou muito antes de um grupo tratar de impôr na formação de diplomatas do Itamaraty uma visão grotescamente retrógrada das relações internacionais em geral, e do relacionamento com os EUA em particular. Há uma noção geral bastante perniciosa de que "eles", os americanos, seriam, de alguma maneira, culpados pelo nosso próprio atraso e miséria. Portanto, qualquer gesto ou sinal vindo de Washington tem de ser dissecado em busca de alguma possível armadilha ao nosso desenvolvimento ou cerceamento de nossa soberania.

Práticos como são, os americanos que passaram esta semana por São Paulo e Brasília tomaram uma precaução. Disseram que gente como Hugo Chávez e Evo Morales interessa pouco a Washington, mais preocupada com problemas relevantes como o Oriente Médio e menos com populistas irresponsáveis esforçando-se em promover o atraso e destruir seus próprios países. Espertos como são, criaram deliberadamente duas categorias de países sul-americanos. Numa estão os que representam a busca de prosperidade e modernidade, na qual identificam o Brasil, Chile e Argentina, e com os quais querem fazer negócios e decidir coisas. Os outros, bem, para que perder muito tempo com eles?

A não ser que um elogio vindo de Washington signifique uma ofensa -e um constrangimento- aos ouvidos desconfiados dos formuladores de política externa brasileira, está aí a questão que realmente nos importa. Não é a retórica vazia -bocó e monótona, além do mais- do eixo Sul-Sul, do "socialismo bolivariano", da frente anti-imperialista. Não custa lembrar que o objetivo final de qualquer política externa é também o de garantir paz e prosperidade para a população do próprio país, e isso se consegue melhor deixando de lado a cegueira ideológica.

Deve ser horrível para terceiro-mundistas nas instâncias de poder em Brasília, depois de tudo o que falaram do "império", ainda ouvir que os Estados Unidos estão empenhados em que o Brasil seja um dos centros de liderança regional. É que os americanos tem algo que os distingue favoravelmente (e ninguém precisa gostar deles para reconhecer esse fato): preferem agir do que ficar falando, e sabem muito bem o que querem. Mas pecam pela ingenuidade: sempre acham que os outros também sabem quais são seus próprios interesses.

É o que os leva a fazer propostas ao Brasil.

Brasil ganha política de desenvolvimento da biotecnologia

Agência Brasil

Brasília - Dono de um quinto da biodiversidade mundial, o Brasil ganhou uma ferramenta para tirar proveito econômico, social e ambiental das cerca de 200 mil espécies de plantas, animais e microorganismos registradas no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou decreto que cria o Comitê Nacional de Biotecnologia e institui uma política específica para o setor.
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Segundo o governo, a nova política permitirá investimentos de R$ 10 bilhões em biotecnologia no Brasil nos próximos dez anos. Desse total, 60% viriam de recursos públicos, tanto do Orçamento Geral da União como do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) e de fundos destinados a investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia. Os 40% restantes viriam de parceiros privados.

Quatro setores receberão investimentos: saúde, agropecuária, indústria e meio ambiente. “O que o governo fará é identificar a demanda e criar ferramentas para transformar o conhecimento acumulados nas universidades em produção industrial”, explica o secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Antonio Sergio Martins Mello.
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Com 17 membros de diversas esferas do governo federal, o Comitê Nacional de Biotecnologia vai gerenciar a política pública para a área e definir as prioridades. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, o comitê é composto por representantes da Casa Civil e de mais sete ministérios: Saúde, Ciência e Tecnologia, Agricultura, Meio Ambiente, Educação, Desenvolvimento Agrário e Justiça.

Também integram o comitê órgãos ligados ao desenvolvimento de pesquisas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Instituições que ajudarão a financiar os projetos, como o BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) também farão parte do comitê. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são os demais integrantes.

O comitê vai trabalhar em conjunto com o Fórum de Competitividade em Biotecnologia. Formado por representantes do governo, da sociedade, da comunidade acadêmica, das indústrias e dos trabalhadores, o fórum existe desde o final de 2004 e desenhou o modelo de produção biotecnológica brasileira. Nesse período, foram realizadas 54 reuniões que resultaram em dez estudos aprofundados sobre as áreas com maior potencial de desenvolvimento.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Biotecnologia (Abrabi), o faturamento anual do setor no país está estimado entre R$ 5,4 bilhões e R$ 9 bilhões. Dos 28 mil postos de trabalho gerados, 84% estão em micro e pequenas empresas. “A gente quer constituir um parque industrial competitivo e capaz de aumentar a participação brasileira no comércio internacional”, explica Mello.

TOQUEDEPRIMA...

Atentado foi vingança

Oficiais de inteligência da Aeronáutica estão convencidos de que o atentado a tiros contra o brigadeiro José Matias Matielle, no Rio de Janeiro, é obra de grupos que se sentem ameaçados pelas ações moralizadoras da vítima, que é diretor-geral de Saúde da FAB, contra licitações e compras suspeitas em unidades de saúde. O atentado ocorreu na noite de quinta. Matielle teve sorte: foi atingido de raspão no pescoço e em um dedo de sua mão direita.

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Mantega e os seus "laranjas"
Radar, Veja Online

A artilharia de Guido Mantega contra Henrique Meirelles continua. Mas agora de forma mais silenciosa. Como Lula proibiu que Mantega bata publicamente em Meirelles, o ministro da Fazenda está se utilizando de laranjas" qualificados para continuar fustigando o presidente do Banco Central. Pelo menos, esse é o sentimento dominante no BC. Anteontem, por exemplo, a estratégia funcionou assim: o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, deu uma entrevista descendo a lenha no BC. Ontem à tarde foi a vez de Ricardo Berzoini, presidente do PT, encenar um script semelhante. Encontrou-se com o ministro da Fazenda e, logo depois, criticou a taxa de câmbio.

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Mais ou menos
Carlos Alberto Sardenberg, G1

Saiu mais um indicador importante para se analisar o desempenho da economia em 2006. E como entramos em 2007, claro.

Trata-se da produção da indústria brasileira. O resultado geral é ruim: em 2006, a produção cresceu apenas 2,8% em relação a 2005. É um pouco menos do que os analistas esperavam (3%) e, sobretudo, um resultado inferior ao registrado em 2005, quando a indústria havia crescido 3,1%.

Portanto, houve uma desaceleração em relação ao um ano que já fora medíocre. Mas há também boas notícias, afirma o IBGE.

Considerando o último trimestre do ano passado, os resultados são bons: crescimento de 1,1% em relação ao terceiro trimestre e de 3,2% sobre o último trimestre de 2005.

Esse ritmo mais forte do que na média do ano indica que a indústria terminou 2006 em aceleração, o que é um bom sinal para 2007.

Também foi positiva a produção de máquinas e equipamentos. Cresceu 5,7% em relação a 2005. Isso é sinal de investimentos.

A indústria de bens consumos duráveis foi bem (o consumo aqui se beneficiou da expansão do crédito ao consumidor).

Bens intermediários foi fraco (2,1%) e também a de bens semi e não duráveis (roupas e alimentos), que cresceu apenas 2,7% em 2006.

A notar: a produção industrial é a principal força da economia.

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O ministro Marco Aurélio quer trocar
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Com as críticas duras, mas sustentadas e irrespondíveis, o ministro Marco Aurelio Mello, do Supremo, provocou o Congresso, e não evitou que se insurgissem contra ele. O ministro foi perfeito, e tudo o que disse poderia ser resumido no seguinte: "Salário é salário, o resto é exagero". E ainda foi mais longe, colocando as coisas de forma bem clara: "Troco os meus 24 mil pelos 12 mil (arredondando) do Congresso, naturalmente com os penduricalhos".

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Rasgando dinheiro
Alerta Total
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Na entrevista do diplomata Roberto Abdenur à Veja, uma prova objetiva de que o Brasil joga dinheiro fora em não ampliar suas relações comerciais com os EUA:“O Brasil está, na melhor das hipóteses, deixando de ganhar dinheiro. O mercado americano está se aproximando dos 2 trilhões de dólares. Seria vital para o Brasil ter vantagens preferenciais, de parceria, com os Estados Unidos. Não estou dizendo que deveríamos ter assinado a Alca de qualquer jeito, mas deveríamos ter seguido com a negociação. Os Estados Unidos têm assinado vários acordos de comércio bilaterais, e nós temos perdido competitividade no mercado americano. Nós estamos estacionados há dez anos em 1,4% do mercado americano. Há vinte anos, nossa participação era de 2,2%. Eu lamento que o único aspecto da relação Brasil-Estados Unidos em que não houve progresso tenha sido o comércio. Foram mínimos os recursos alocados para promoção comercial nos Estados Unidos pelo governo brasileiro”.

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Vaccarezza e BMG, tudo a ver
Cláudio Humberto

O banco BMG, muito citado no escândalo do mensalão, foi o maior doador da campanha do histriônico deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), pau mandado de José Dirceu e coordenador da campanha de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. O BMG foi o banco que arrumou uma boquinha para Maria Ângela Saragoça, ex-mulher de Dirceu.

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Os EUA querem a Índia
Radar, Veja Online

David Mulford, o embaixador dos EUA em Nova Dehli, disse ontem com todas as letras que a Índia é o "candidato favorito" para obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, numa vaga destinada a um "país em desenvolvimento". Ou seja, se depender dos EUA, bye bye Brasil. Desde o governo Itamar Franco, o Brasil está em campanha por essa cadeira.

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Burrice Brasil
Alerta Total

Três levantamentos apresentados ontem pelo Ministério da Educação, com dados dos ensinos básico e médio, mostram uma seqüência de resultados ruins.No ensino médio, o desempenho dos quase 3 milhões de estudantes é o pior desde 2002 e o número de alunos continua a cair.
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Alunos que estão terminando esse nível apresentam o conhecimento que deveriam ter na 8ª série do fundamental.
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Apenas na 4ª série do ensino básico houve uma pequena melhora. Ainda assim, o desempenho ali é pior do que o de 10 anos atrás.