quarta-feira, março 21, 2007

A droga do Estado

Por Ipojuca Pontes, Blog Diego Casagrande
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Sérgio Cabral, o novo governador do Rio de Janeiro, quer a descriminalização da droga no Estado e faz do tema cavalo de batalha. Para ele - e muitos outros – a atual repressão ao narcotráfico, mais do que prática dispendiosa, representa uma involução no combate ao vício. Talvez influenciado pela experiência da Holanda, que vende maconha nos coffee shops de Amsterdã e controla salas de “injeções consentidas” para viciados em substâncias químicas, o governador carioca pretende revolucionar os métodos de convivência (e conivência) do Estado com a droga.
Desde já, se pode antever quais serão os cenários da descriminalização da droga no Rio de Janeiro. Tal como na Holanda - país menor do que a Paraíba, com população estimada em 16 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 1 trilhão -, o governo terá de investir alguns bilhões de reais para aquisição da “cannabis”, cocaína, ecstasy, crack, heroína, morfina, ópio, etc., e o posterior transporte, segurança e distribuição da erva e drogas injetáveis.
De início, a pergunta obrigatória é a seguinte: irá o permissivo governo de Cabral, como se faz em Amsterdã, liberar a venda da droga nos bares, pés-sujos e restaurantes da moda? Ou instalará postos de atendimentos controlados pela secretaria da Saúde? O atendimento será feito dia e noite ou será limitado ao horário das repartições públicas?
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Outra pergunta pertinente será saber se o Estado pretende se encarregar do plantio e da instalação de laboratórios de processamento da droga. Nesta hipótese, será decisiva a importação de know-how do Afeganistão (papoulas), da Bolívia, Peru e Colômbia (Cocaína), México (Marijuana/maconha) e, para as modernas metanfetaminas, tipo ecstasy e congêneres, a imprescindível tecnologia dos russos e países do Primeiro Mundo. Dependendo da boa diplomacia, Cabral poderá estabelecer ótimas Parcerias Público-Privadas, contando com os serviços inestimáveis das diversas máfias: a russa, chinesa, Iacusa japonesa, Camorra napolitana, bicheiros cariocas ou as amistosas Farc. Caso contrário, o governo terá de enfrentar o poder do avassalador conglomerado mafioso que de modo algum vai permitir a quebra de monopólio do negócio.
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Outro problema grave será o da burocracia em torno da distribuição e aplicação da droga liberada. Calcula-se que no Brasil de hoje cerca de seis milhões de pessoas estejam envolvidas com o consumo, tráfico e processamento de drogas leves e pesadas. Parece muito, e é, mas a tendência é aumentar em proporções geométricas. (De passagem, lembro que na invejada Holanda, quando foi decretada em 1976 a liberação da droga, cresceu em 400% o seu consumo para “fins medicinais”).
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O que também não poderá ser desprezada é a possibilidade dos postos estaduais de distribuição da maconha e das “aplicações consentidas” se verem, pela ineficiência burocrática, sem o abastecimento das trouxinhas, papelotes e seringas suficientes para atender a grande demanda dos dependentes. A utilização de seringas não-descartáveis, como é natural, ampliará ainda mais o número de portadores de HIV - o que, como se sabe, representa uma fábula para o bolso do contribuinte.
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O problema da corrupção será inevitável: funcionários mal remunerados aceitarão propinas pagas em dólar para repassar aos dependentes mais necessitados uma quantidade maior e mais pura da erva ou do pico. Como o negócio é extraordinariamente rendoso, a corrupção logo contaminará parte da hierarquia pública, atingindo os altos escalões do governo.
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Para conter a demanda das escolas, colégios e universidades - espaços onde expressivo número de dependentes vive em acelerado processo de expansão - logo será detectada a obrigação de se instalar em cada escola, colégio e campus universitário um serviço de distribuição e aplicação de drogas leves e pesadas, pois as autoridades competentes não irão mais permitir a ação de “mulas” e repassadores, uma gente insensível, ambiciosa e irresponsável – para dizer o mínimo.
Por sua vez, sendo o Rio de Janeiro um Estado universalmente conhecido pela festa do carnaval, do futebol e a beleza de suas praias, será inevitável que sejam instalados postos de atendimento in loco para servir aos novos e velhos dependentes, ao som das baterias, do clamor das torcidas e dos pagodes da pesada - o que não significará nenhuma extravagância, pois em tais espaços a droga já é consumida de modo amplo e irrestrito.
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Sempre se correrá o risco da coisa extrapolar, como no caso da experiência de Zurique, na Suíça, cidade que foi obrigada a revogar a lei que liberava a droga depois que milhares de viciados tomaram as praças e espaços públicos destinados ao uso indiscriminado da droga, injustamente condenada pelo Órgão Internacional do Controle de Estupefacientes (OICE), da ONU, que considerou a maconha como agente psicoativo, cujas folhas possuem mais de 400 substâncias, algumas daninhas, outras incertas e não sabidas. Mas, e daí? Se o propósito de Sérgio Cabral vingar, a liberação da droga, controlada pelo governo, tomará conta do País. Por que não? O negócio é bom, em teoria marginalizará as centenas de quadrilhas que atuam com violência no narcotráfico, atenderá legalmente usuários de todos os matizes. Ademais, como previsível, depois de bem dosada propaganda externa, a liberação logo se constituirá numa excelente atração turística e bilionária fonte de dólares.
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A experiência poderá ser tão rendosa que o próprio Governo Federal poderá incluí-la no tímido Programa de Crescimento Acelerado (PAC) e se voltar para a produção e o comércio internacional da droga, como faz a comunista Coréia do Norte, que tornou o negócio oficial, sem os danos da repercussão negativa do seu ameaçador programa nuclear.

TOQUEDEPRIMA...

Presidente do Equador consegue maioria através de cassações

O presidente do Congresso equatoriano, Jorge Cevallos, ratificou nesta terça-feira a decisão da Justiça eleitoral de cassar 57 deputados opositores ao governo. Eles foram afastados por terem se oposto à realização de uma consulta popular sobre a instalação de uma assembléia constituinte com plenos poderes para reformar o sistema político e o aparato estatal.
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O Congresso também empossou 21 novos deputados. A entrada dos suplentes garante maioria no Poder Legislativo ao governo. A oposição acusa o presidente de "comprar" novos parlamentares para instaurar um regime "totalitário e socialista".
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Cevallos, que era contrário as cassações, acabou cedendo para conseguir retomar as atividades no Congresso, que estavam paralisadas desde a decisão da Justiça eleitoral, no dia 9 de março.

COMENTANDO A NOTÍCIA: E tem gente por aqui batendo palminha, dizendo que isto sim é que é democracia.

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Pefelistas em guerra contra Maggi

Os senadores Jonas Cruz e Jaime Campos (MT) deflagraram uma guerra aos militantes do PFL que seguem orientação do governador Blairo Maggi, filiado ao PR. Cruz quer que "os X-9" (traidores) deixem o PFL e anunciou que Campos é candidato a governador em 2010.

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Mega fusão bancária
Alerta Total

A compra do maior banco da Holanda, o ABN AMRO, pelo Barclays, terceira maior instituição financeira do Reino Unido, dará origem ao quinto maior grupo bancário do mundo.
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No ranking europeu, a instituição que resultar da integração dos dois bancos terá um valor de mercado superior a 117 milhões de euros. O novo banco ocupará o segundo lugar do ranking, logo depois do britânico HSBC.
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No Brasil, o banco inglês Barclays, que é presidido por Alceu Amoroso Lima Neto, tem apenas uma agência em São Paulo e 68 funcionários. Com a fusão, no Brasil, se juntará ao Banco Real.
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O grupo britânico Barclays pagará 31,3 euros por cada acção do ABN, num investimento total de 60 mil milhões de euros. Meses atrás, o banco holandês ING, o espanhol BBVA e o francês BNP Paribas tenraram adquirir o ABN.

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Lula quer reestruturar indústria bélica com Sarney

O presidente Lula planeja reestruturar o ministério da Defesa. Ele considera que a pasta atualmente não tem função. Com isso, planeja estimular a indústria bélica e reordenar a estrutura de comando das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), segundo fontes do governo.
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Lula pretende substituir o atual ministro, Waldir Pires, pelo ex-presidente José Sarney (PMDB). No entanto, fontes ligadas ao maranhense afirmam que ele pretende recusar o convite se for feito em tom de “homenagem”.
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Atualmente, o ministério tem previsão de verba na ordem de R$ 38 bilhões para 2007, empregada quase inteiramente com despesas de pessoal e registra apenas R$ 1,9 bilhões em investimentos. O Exército controla a estatal Indústria de Material Bélico (Imbel).
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O programa de governo da campanha da reeleição de Lula, em 2006, assume o compromisso de "reconstruir a indústria bélica nacional, de forma articulada com os países da América do Sul".

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Começa censo de capitais brasileiros no exterior

BRASÍLIA - O Banco Central iniciou ontem o censo de capitais brasileiros no exterior relativo ao ano de 2006. Terão de participar do levantamento todas as empresas e pessoas físicas que detinham no final do ano passado bens ou valores iguais ou superiores a US$ 100 mil fora do País. O prazo final das declarações ao BC vencerá às 20 horas do dia 31 de maio.

Os formulários de declaração, de acordo com texto da Circular 3345, podem ser obtidos diretamente na página do BC na internet. A sexta edição do censo de capitais brasileiros no exterior tem uma novidade neste ano. O declarante, de acordo com nota divulgada nesta segunda pelo BC, será obrigado a informar o destino final dos investimentos feitos fora do País durante 2006.

"Por exemplo, se uma empresa investe em uma fábrica do ramo metalúrgico num país A, mas, antes, os recursos são direcionados para uma empresa holding num país B, o declarante informará ao BC o inicial e o final da inversão realizada", explica a nota do BC. Pelo modelo anterior, era exigida apenas a apresentação da declaração do destino inicial da operação.

Em 2005, o estoque total de capitais brasileiros no exterior estava em US$ 111,7 bilhões. Do total, US$ 87,4 bilhões eram de empresas e US$ 24,3 bilhões de pessoas físicas. De acordo com o BC, mais de 140 países foram citados no levantamento concluído no ano passado. No censo feito no ano passado, o BC recebeu declarações de 12.366 empresas e pessoas físicas do Brasil que tinham bens e recursos no exterior.

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Coroa falsa?
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O Ministério Público Federal de Petrópolis apura denúncia sobre uma suposta troca de pedras preciosas da Coroa Imperial, avaliada em um milhão de dólares (R$ 2,1 milhões), exposta no Museu Imperial de Petrópolis.
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Segundo denúncia ao MPF, a substituição teria ocorrido na confecção de réplica feita pela joalheria Amsterdam Sauer em 2004. O procurador Fabiano de Moraes enviou ofício ao Museu e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitando informações sobre a réplica.
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A coroa reserva (feita maior do que a original, para não ser confundida) demorou 18 meses para ficar pronta e custou R$ 1,3 milhão. Foram utilizados 2,77 kg de metal precioso, 596 pedras, totalizando 911,84 quilates, e 80 pérolas de 8 mm.
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A diretora do Museu Imperial, Maria de Lourdes Parreiras Horta, assegura que a denúncia não tem fundamento. A dirigente atribui o factóide à tentativa de retirá-la do cargo, que ocupa há 16 anos.
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Mas o Ministério Público insiste que ouvirá funcionários do Museu Imperial e da joalheria que produziu a cópia da coroa de D Pedro II.

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Tô fora
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Convidado pelo presidente Lula a reassumir a pasta do Desenvolvimento Agrário, o ex-ministro Miguel Rossetto tirou o corpo fora. Prefere disputar a eleição, em 2008, para a prefeitura de Porto Alegre. O plano dele é retomar a hegemonia na cidade que o PT governou durante 16 anos.

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Súmula da lentidão

O Supremo Tribunal Federal indeferiu liminar de um preso no Rio pedindo mais agilidade no julgamento de habeas corpus, há um ano no Superior Tribunal de Justiça. Para o STF, "não redundará na obtenção da liberdade".

Momento mágico

por Paulo Guedes, O Globo (*)

Está em curso uma importante mudança no ambiente econômico mundial. As torneiras da liquidez global estão sendo fechadas pelos mais importantes bancos centrais do mundo. Após anos de juros excepcionalmente baixos e liquidez extraordinariamente frouxa, há um esforço sincronizado de esfriamento da economia global, em seu quinto ano consecutivo de crescimento acima dos 4% anuais, seqüência inédita no pós-guerra.

A maré de liquidez global está baixando, e seus efeitos sobre a economia mundial estão apenas começando. Os preços das ações nas bolsas internacionais caíram com a velocidade da luz, antecipando o som do desaquecimento econômico já encomendado. O primeiro choque na economia americana ocorreu ainda no ano passado, quando foi atingido o setor de construção residencial. O segundo choque, agora visível, alcançou o mercado financeiro, pelo aumento da inadimplência no pagamento das hipotecas.

Por enquanto, os danos estão restritos a compartimentos estanques, sem transbordar para a massa de consumidores americanos. O receio é de que se inicie uma espiral de realimentação para baixo, em que as perdas de riqueza causadas pela queda de preços de casas e ações nos Estados Unidos derrubem o consumo e deflagrem uma recessão que reforce novamente a queda das bolsas e do valor das casas. George Soros descreve, como “reflexividade”, em “A alquimia das finanças” (1988), essa dinâmica perversa de realimentação entre as expectativas (os preços dos ativos) e os fundamentos (a economia).

Destacam-se em meio à turbulência os alertas do ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, para os sintomas de sua própria criação: a “complacência irracional” dos investidores (designação de Paul Krugman para uma versão anêmica da “exuberância irracional” de Robert Shiller), a quase completa desatenção aos riscos, a duração excessiva do atual ciclo expansionista (com “boa chance” de uma recessão já no fim de 2007), a conveniência de comprar ouro e a dissolução gradual do valor do dólar nos mercados de moedas.

Egrégio soprador de bolhas, Greenspan foi arquiteto de uma sincronização cíclica global, colocando enormes economias regionais no mesmo passo. Ele sabe, decerto, que a recuperação econômica de 2002 a 2006 foi estimulada artificialmente pelos juros baixos nos Estados Unidos, produzindo o superaquecimento imobiliário, a recuperação das bolsas e a excitação do consumo, à base de hipotecas e endividamento excessivo, acima da geração de emprego e renda — ao contrário da expansão de 1995 a 2000, impulsionada por ondas de investimentos das empresas em inovações tecnológicas.

Enquanto o mundo mergulha no esforço de desaceleração, o Brasil colhe os frutos do trabalho de estabilização promovido pela antiga equipe econômica (Antonio Palocci, Marcos Lisboa, Joaquim Levy, Affonso Bevilacqua), hoje reduzida ao bunker do Banco Central, onde resiste isolado o presidente Henrique Meirelles. Mas, para que a recuperação tenha fôlego, com base na dinâmica própria do mercado interno, teremos de escapar da armadilha socialdemocrata que impede as reformas. Neste momento mágico, mais do que um novo ministério, falta uma nova agenda.

(*) Transcrito no site do Instituto Millenium

Consultor alerta que gás pode faltar nos próximos anos

Adriana Chiarini, Estadão online

RIO - Pode faltar gás nos próximos anos e o governo deveria desde já negociar com a indústria a redução do consumo. A opinião é do sócio-diretor da consultoria Gás Energy Marco Aurélio Tavares. "Defendemos que se faça isso a partir de agora, com urgência", disse ele, ao participar do 3º Seminário Petróleo e Gás no Brasil. "Nosso equilíbrio mais sensível está até meados de 2010."

De acordo com ele, a oferta de gás no ano que vem será de menos da metade do previsto pelo governo.

O diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Carlos Alberto Lopes, disse no mesmo evento que o gás é matéria-prima para a indústria petroquímica e que faltar gás, nesse caso, é ter que parar a produção.
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Depois, à Agência Estado, explicou que o setor está "fazendo um levantamento para ver quais são as indústrias que poderiam ter um consumo de gás que possa ser interrompido". E completou: "temos muito receio de sermos preteridos em um eventual plano de contingenciamento a favor das térmicas".

Preços
Lopes também declarou preocupação com o preço do gás. "O preço do gás para a indústria não pode estar vinculado aos combustíveis porque o ciclo de negócios é muito diferente", disse. "Não fazemos investimentos em projetos de menos de 20 anos."

De acordo com Tavares, "muito do que se fala do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não vai se conseguir na velocidade que se está desejando". "Talvez o volume de investimentos vá ocorrer, não estou falando disso, mas o tempo de maturação dos projetos não é o que eles estão falando. Estão falando em botar terminal de GNL (gás natural liquefeito) em 2008, mas 2008 já é o ano que vem e um terminal de GNL tem um tempo de maturação maior que isso", disse.

Tavares também afirmou que a Bolívia não terá gás suficiente para cumprir os contratos de fornecimento com Brasil e Argentina. "Vamos ter falta de gás da Bolívia porque os investimentos na Bolívia estão estanques há quatro anos e ela não vai ter gás para atender tudo", disse, acrescentando que "nossos vizinhos mostram o que não se deve fazer", disse. "É populismo energético. Uma coisa é o que os governos assinam e outra é o que a indústria consegue cumprir", afirmou.

Tavares também defendeu a utilização de energia nuclear no Nordeste e a instalação de dois terminais de GNL na região, em vez de apenas um. "Não tem mais hídrica no Nordeste e falta gás lá", explicou.

De acordo com ele, a demanda atual de gás no Nordeste é de cerca de oito milhões de metros cúbicos (m3) superior à produção, que tende a cair porque há campos chegando à maturidade. "A entrada em operação do campo de Manati vai compensar um pouco a queda da produção de gás em outros campos, mas não totalmente", afirmou.

Brasil: um deserto de idéias?

por José Silva Lisboa, site do Instituto Millenium

Em quase todos os países, sobretudo nos de forte tradição intelectual, são comuns os debates de idéias, seja em eventos acadêmicos, como seminários e colóquios temáticos, seja nas páginas de publicações especializadas, como as revistas de cunho científico, seja ainda por meio da grande imprensa. É nessas disputas, querelas, controvérsias ou polêmicas que o público, tanto o perito quanto o leigo, fica informado do conteúdo das idéias em debate bem como sobre a posição dos respectivos contendores ou participantes do exercício.

No Brasil, esse tipo de atividade intelectual parece ser raro, senão inexistente. Não me consta que as revistas acadêmicas mantenham seções de “disputas intelectuais” ou de confrontação de opiniões divergentes. Apenas um dos jornais diários, da capital paulista, mantém uma seção regular de “debate e opinião”, mas ele o faz de uma forma desnecessariamente maniqueista. O objetivo é sempre o de responder a uma determinada questão, colocada pelo próprio jornal, que então procura algum político ou acadêmico que responda pelo “sim” e um outro pelo “não”. Parece claro, entretanto, que o amplo leque de aspectos envolvidos em determinados problemas, geralmente complexos, nem sempre permite responder de modo afirmativo, positiva ou negativamente, à pergunta colocada.

O método é discutível porque o único objetivo é confrontar duas posições, organizadas de forma dicotômica, sem que haja, depois, tentativa de síntese ou a conjugação das propostas apresentadas com vistas a solucionar o problema. Ora, em toda questão de interesse relevante, para a qual se busca uma solução equilibrada, sempre existem aspectos contraditórios que devem ser ponderados em função de um cálculo do menor custo e da maximização de resultados sociais, não em função de uma separação estrita, tipo contra ou a favor, de “soluções” alternativas.

O Brasil carece de bons debates de idéias. Infelizmente, já não se encontra mais entre nós, figuras como as de Eugênio Gudin ou de Roberto Campos, este último um exímio debatedor, que escolhia um tema relevante para examiná-lo com sua lupa impiedosa e até mesmo para “esquartejá-lo” com seu bisturi afiado. Existem polemistas regulares, nas seções de “ponto de vista” de um semanário de sucesso, mas a opinião é ali servida de maneira unilateral, e não há espaço para o verdadeiro debate de idéias, a não ser de forma rápida na seção de Cartas. De resto, nem sempre, no Brasil, o debate de idéias é percebido de maneira positiva, nem seu formato preserva o equilíbrio entre a exposição objetiva dos fatos e a discussão realista de soluções, não raro descambando para ataques pessoais ou a simples desqualificação política do adversário (“neoliberal”, entre nós, ainda serve de argumento).

Por que motivos os intelectuais brasileiros, que são, no bom sentido da palavra, profissionais da manipulação de bens simbólicos, preferem a exposição solitária de suas posições, em lugar de aceitarem e promoverem os debates de idéias? Talvez porque o objetivo de suas manifestações públicas não seja, de fato, a verdade e o conhecimento, mas a simples manifestação de “poder acadêmico”, a dominação sobre os leitores, a eliminação simbólica do “adversário”? Alguns “combates” verbais seriam, na verdade, necessários para impulsionar o esclarecimento público e a busca de soluções adequadas aos muitos problemas brasileiros. A mais freqüente acusação feita nesses meios contra os chamados “neoliberais” é a de que eles estariam supostamente defendendo um “pensamento único”, quando não se tem nenhuma evidência de que as várias correntes que defendem idéias relativamente ortodoxas em economia – por oposição ao que seria o pensamento supostamente heterodoxo ou dito “desenvolvimentista” – sejam todas concordes nas suas propostas ou coincidentes nas suas inclinações filosóficas.

O que, ao contrário, ocorre de maneira mais freqüente é que a esquerda acadêmica defende, de maneira muitas vezes simplista, um pensamento único caracterizado pela antiglobalização e por uma rejeição incompreensível da economia de mercado. Onde estão os intelectuais e os meios de comunicação que se encarregarão de promover alguns bons debates de idéias no Brasil?

A grande mentira continental

por Percival Puggina, na revista Voto (*)
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Muito se fala sobre os resultados sociais que teriam sido alcançados pelo regime comunista em Cuba, onde essa específica propaganda é a inteira alma do negócio. No entanto, quando submetemos a realidade local a qualquer modalidade de diagnóstico, as evidências apontam em sentido contrário. Quem for à Ilha, mesmo se desatento à opressora realidade política, identificará uma face social deprimente. Se ouvir a população, escutará narrativas constrangedoras sobre seu cotidiano. Por fim, se analisar os indicadores sociais informados, verá que as coisas não são bem assim. E note-se: tais indicadores são relatados à ONU pelas próprias autoridades dos países membros, sendo de escassa confiabilidade os números fornecidos por regimes que exercem total controle sobre a comunicação e vivem da propaganda, seja para efeitos internos quanto externos. Esse é, de alto a baixo, o caso cubano, como era o da extinta União Soviética. Todos a lembrarão, por certo: enaltecida como potência mundial, elogiada em prosa e verso, no mundo inteiro, por uma legião de "intelectuais" a serviço da agitprop comunista, desabou de pobre e podre, levando junto sua tirania.
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O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o indicador aceito para aferir as condições sociais de um país. Ele foi desenvolvido por um economista paquistanês e utiliza para sua composição, entre outros, os níveis alcançados em educação, saúde, esperança de vida e natalidade. Esse índice foi adotado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que passou a listar os vários países, periodicamente, segundo a ordem decrescente dos respectivos IDHs.
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Pois bem. Como estão as coisas no relatório de 2006? No topo a Noruega, com IDH 0,965. Em seqüência, Islândia, Austrália, Irlanda, Suécia e Canadá, todos acima de 0,950. A relação completa conta 171 países. Cuba, com IDH 0,826, ocupa a 50ª posição. Isso é bom? Ora, na nossa América do Sul de tantos problemas sociais, a Argentina, o neoliberal Chile e o Uruguai estão em posição superior. Na América Central e no Caribe, Barbados e Costa Rica, também antecedem Cuba na lista de 2006. E o Brasil? Nosso país, cuja realidade bem conhecemos, está em posição 69ª, a apenas 34 milésimos dos números que o regime de Fidel declara sobre si próprio.
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Suponhamos, apenas para argumentar, que os dados cubanos sejam verdadeiros, embora a observação os contradiga. A comparação com o Brasil é mais do que suficiente para evidenciar que as tais "admiráveis conquistas da revolução" são, na verdade, indigentes. E mais indigentes se tornam se os situarmos num país cujos cidadãos convivem com o sacrifício de todas as liberdades, submetidos ao tacão de um governo que se apropria da quase totalidade da renda nacional para distribuir migalhas ao povo. Se ninguém, em sã consciência, pode enaltecer o desenvolvimento social brasileiro, quem se pode vangloriar de um IDH apenas 34 milésimos melhor do que o nosso?
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De outra parte, toda essa grande mentira se desmonta pelo simples fato de não haver pessoa, em todo este populoso planeta, que sonhe com ir viver como cubano em Cuba, ao passo que todo cubano sonha com fugir de lá.
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Por que escrevo sobre isso? Porque uma avalanche de seguidores de Fidel Castro vem chegando ao poder na América Latina, através do voto, com um discurso apoiado na propaganda que a esquerda faz das tais "conquistas". Será preciso meio século de ditadura para atingir tão pífios resultados? Há países na região que evidenciam o contrário. "Socialismo o muerte!" sempre significou tirania e miséria. Os novos governantes de esquerda eleitos no continente, que se acotovelam em sorridentes fotos, têm em comum o desejo de estatização da economia, centralização do poder, controle dos meios de comunicação, subordinação dos parlamentos e do Judiciário e construção de uma férrea hegemonia política. Todos enchem suas velas com os ventos da grande mentira que vem do Caribe.

(*) Transcrita do Blog Diego Casagrande

TOQUEDEPRIMA...

Sabotadores
Reinaldo Azevedo,

O líder do PT na Câmara, Luiz Sèrgio (RJ) sugeriu ontem que o caos aéreo pode ser sabotagem. É verdade. Há seis meses o governo sabota os passageiros. E nada acontece.

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Reinhold Stephanes vai para a Agricultura
Cláudio Humberto

Os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo confirmaram hoje a informação conhecida pelos leitores desta coluna desde sexta (16): a indicação pelo PMDB do deputado Reinhold Stephanes (PR) para o Ministério da Agricultura. O nome de Reinhold surgiu na quinta, à noite, em substituição ao de Odílio Balbinotti, por suas ligações ao setor, por ter bom currículo e ser do PMDB do Paraná. O anúncio oficial da escolha de Reinhold Stephanes para a Agricultura é esperado para hoje.

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Moka revela que foi vetado por petistas

O deputado Waldemir Moka (PMDB-MS) revelou nesta terça os motivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para não indicar seu nome ao ministério da Agricultura. Moka, que durante o primeiro mandato de Lula fez oposição ao governo, afirmou que é natural a escolha por um deputado que seja da situação há mais tempo, no caso, Reinhold Stephanes (PMDB-PR), outro nome especulado para a pasta. "É claro que, se o presidente puder escolher entre um nome que esteve com ele desde o início e outro que lhe fez oposição, o presidente ficará com a primeira opção", declarou.
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O deputado, que era preferido pelos ruralistas, tem como principal inimigo político o ex-governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, a quem acusou de irregularidades no governo. No entanto, ele afirmou que se manterá aliado ao governo mesmo que não seja escolhido para o cargo.
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O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), disse que a escolha do novo ministro ainda não foi feita. "O presidente Lula ainda não decidiu. Hoje ele vai ter algumas conversas para tomar sua decisão. Vamos aguardar". O nome de Moka ainda não foi oficialmente descartado.

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CPI voando
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Quatro relatórios preliminares do Tribunal de Contas da União apontam irregularidades na Infraero.
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Direcionamento de licitação, contratos turbinados com aditivos sucessivos de 25%, e o pagamento por serviços não concluídos - como R$ 8 milhões para que uma empreiteira realizasse obras nos aeroportos de Congonhas e Viracopos. Também é relatado o pagamento de R$ 150 mil para custear a Conferência Nacional Terra e Água, promovida pelo MST em 2004.

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Passa fora, cachorro
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Em tempos de crise até cachorro atrapalha. Um problema animal fez o Aeroporto de Congonhas parar ontem. Um cachorro que invadiu a pista que teve de ser fechada para pousos e decolagens.
Lula convocou reunião de emergência e cobrou providências do Ministro da Defesa, Waldir Pires.
Em sua defesa a Infraero alegou estar cumprindo “função social”...

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Trevisan é o novo cotado para Desenvolvimento
De O Estado de S.Paulo:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não conseguiu arranjar um nome para substituir o ministro Luiz Fernando Furlan no Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Lula já sondou sem sucesso o maior acionista da siderúrgica Gerdau, Jorge Gerdau, e o presidente da Embraer, Maurício Botelho. Na bolsa de apostas, agora, surgiu o nome do empresário e consultor de empresas Antoninho Marmo Trevisan, amigo pessoal do presidente."

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Lula não quer oposição, diz jornal espanhol

O jornal espanhol El País, de Madri, revelou nesta terça-feira que o presidente Lula sonha com um governo sem oposição. O jornal fala das polêmicas propostas do presidente, que surpreendem a cada dia, e diz que Lula está disposto a pedir uma trégua de dois anos da oposição para ajudar o país a crescer.O diário El País também critica encontros de Lula com o ex-presidente Fernando Henrique, o governador José Serra e Aécio Neves, todos possíveis presidenciáveis em 2010. Ressalta que um governo sem oposição pode ser muito nocivo à democracia.
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Segundo o jornal, o deputado federal Júlio Redecker (PSDB-RS), líder da minoria no congresso, declarou que o PSDB não aceitou e nem vai aceitar qualquer proposta de trégua ao governo petista porque é um governo de escândalos de corrupção.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, o que talvez o El País não saiba é que o Brasil já sem oposição ao governo Lula há muito tempo. Além de vergonhosa omissão em todos os escândalos do primeiro mandato, sem nunca cobrar devidamente a punição aos larápios, as oposições se afastaram de sua própria linguagem, e adotaram um discurso insosso e muito distante da opinião pública. Nas fogueiras das vaidades ardem e queimam todas as possibilidades do partido encontrar-se consigo mesmo. Portanto, nada mais natural do que Lula acenar com suas cretinices e pretender governar sem oposição. E a trégua não só por dois anos. Será por muito mais tempo, em razão do PT não admitir contra si aquilo que ele mesmo praticou por mais de 20 anos.

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Haja álcool
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O ministro das Relações Exteriores da Itália, Massimo D'Alema, proclamou aos quatro ventos, em Roma, que acredita na possibilidade de uma joint venture entre a italiana ENI e a Petrobras, para a produção de etanol na África.
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O primeiro-ministro Romano Prodi vem ao Brasil na próxima semana para negociar a parceria com o governo petista.
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Como é bom negociar com um presidente que entende de álcool como o nosso...

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Chinaglia pede uma semana para responder ao STF

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), em reunião com os líderes partidários nesta terça disse que deve responder ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Celso Mello, somente na semana que vem. Mello pediu informações sobre a decisão de suspender a criação da CPI do Apagão Aéreo.
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O ministro precisa da resposta para dar seu parecer sobre o recurso apresentado pela oposição defendendo a instalação da comissão. Chinaglia teria dez dias para se pronunciar, mas declarou na reunião que dentro de uma semana enviará as informações.
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Ainda nesta terça, o governo conseguiu uma vitória importante na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara na sua caminhada para barrar a CPI. Os requerimentos da oposição que pediam a o adiamento da discussão foram derrubados. O próximo item da pauta é o recurso do PT pedindo o arquivamento da Comissão.

TCU aponta ilegalidades em obras de 8 aeroportos

Estadão
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Direcionamento de licitação, contratos turbinados com aditivos sucessivos de 25% e pagamento de serviços não concluídos são as principais irregularidades praticadas pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), de acordo com quatro relatórios preliminares do Tribunal de Contas da União (TCU) obtidos pelo Estado. As denúncias vêm à tona em meio a mais uma crise no setor aéreo.
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Os relatórios são de 2005 e abordam denúncias encaminhadas ao tribunal apontando ilegalidades em obras realizadas em pelo menos oito aeroportos, entre eles os principais de São Paulo: Congonhas, Guarulhos e Viracopos. As acusações foram avaliadas pelos técnicos da Secretaria de Controle Externo (Secex), repartição ligada ao TCU e encarregada de vistorias.
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Num dos relatórios, os técnicos da Secex recomendam por escrito: “Tendo em vista terem sido encontrados indícios de irregularidades nas obras de Viracopos, Guarulhos e Macapá (...) entendemos que deve ser proposto à Secretaria Adjunta de Fiscalização que verifique a conveniência/oportunidade de incluir nos próximos planos de fiscalização (...) auditoria nas obras realizadas nos aeroportos de Congonhas, Campo Grande e Corumbá.”
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Todas as denúncias estão sendo apuradas, em caráter sigiloso, sob o comando do ministro do TCU Lincoln Magalhães da Rocha, encarregado de relatar o processo. O tribunal informa ter recebido denúncias anônimas por via eletrônica e considerado fundamental a apuração delas depois que alguns indícios de irregularidades foram confirmados. Um dos casos que mais chamaram a atenção dos técnicos foi o pagamento de R$ 8 milhões por obras em Congonhas e Viracopos antes mesmo da conclusão dos trabalhos.
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Apesar de todos os problemas nos aeroportos, a Infraero não se furtou a direcionar R$ 150 mil para a Conferência Nacional Terra e Água, promovida pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) em 2004. Com um detalhe que impressionou os técnicos: o pagamento do patrocínio ocorreu dois meses após o evento, mas o recibo, emitido pela Cáritas Brasileira, é anterior à quitação da dívida.Em sua defesa nesse caso, a Infraero afirma não ter contrariado a lei. O objetivo do encontro era debater a distribuição de recursos agrários e a conferência não foi formulada para se posicionar contra o governo. Nesse contexto, a erradicação da pobreza e a reforma agrária seriam promessas constitucionais de interesse de todos, e também da Infraero.
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Na denúncia encaminhada ao TCU, afirma-se que, em alguns casos, as obras são realizadas com “material inadequado”, o que acaba não sendo registrado graças ao suborno de fiscais, e que os responsáveis pelas empreiteiras mantêm “relação promíscua” com diretores da Infraero.
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Sempre segundo os relatórios preliminares, a empresa Serveng Civilsan S.A, participante do consórcio contratado para as obras de Cumbica, “encontrava-se inabilitada à época da licitação, com débito não suspenso inscrito na dívida ativa da União desde 21 de maio de 1992”. O TCU constatou outro débito da empresa, de 30 de junho de 2004. Os dois processos encontram-se na situação ativa ajuizada, o que, segundo o TCU, impede a empresa de prestar serviço a órgãos públicos.
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Também chegaram ao TCU denúncias de que a Planoway e a Planorcon são sempre as companhias subcontratas pelas empresas que ganham licitações da Infraero. Diante disso, o TCU proibiu uso de artifícios técnicos para beneficiar a contratação de serviços de determinadas empresas. Recomendou que a Infraero evite incluir exigências que comprometam, restrinjam ou frustrem o caráter competitivo das licitações. Para o líder do PFL, Onyx Lorenzoni (RS), as denúncias demonstram a necessidade de instalação de CPI e de investigação pelo Ministério Público. O PFL ingressa hoje com queixa-crime contra a Infraero.

COMENTANDO A NOTICIA: O desespero do governo para evitar a CPI do apagão aéreo está fundamentado neste ponto: no medo de se abrir a caixa preta da INFRAERO. E os relatórios do TCU (e não é de hoje que indicam irregularidades), são a prova inconteste de toda a reação negativa do governo diante da Cpi. Todo o resto que se disser é pura cascata. É argumento fajuto para esconderem mais um escândalo patrocinado por este governo imoral e inconseqüente.

Marta Suplicy aceita Turismo sem Infraero

Valor Econômico
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A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, foi convidada ontem e aceitou ser ministra do Turismo, durante audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tomará posse na sexta-feira desta semana. Ao contrário do que ela e seu grupo no PT desejavam, porém, a Infraero não será acoplada à Pasta, como uma alternativa cogitada "turbinar" um ministério de menor visibilidade política. Em um primeiro momento, Marta disse que a transferência da Infraero para o Turismo - hoje a estatal está subordinada ao Ministério da Defesa - não havia sido tratada no encontro. Em seguida, questionada sobre o caos nos aeroportos, afirmou que não poderia "falar sobre uma área que não era sua". E acrescentou: "O presidente Lula declarou que não é o momento de a Infraero mudar de lugar".
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Marta também assegurou que, durante o encontro com o presidente, não foi discutida a disputa pela Prefeitura de São Paulo, no ano que vem. Lula tem dito a interlocutores próximos que as condições para convidar a ex-prefeita para integrar sua equipe seria a permanência dela durante os quatro anos de governo. Marta acalenta o projeto de concorrer à prefeitura em 2008 ou ser a indicada para suceder Lula em 2010: "Estou entrando no ministério. Deixa eu entrar, gente, fazer o que eu tenho que fazer, sou uma fazedora".

Marta não polemizou diante do fato de estar sendo indicada para um ministério de menor expressão. Desde o fim do ano passado, seu nome vem sendo citado para as Pastas da Educação e, sua primeira opção, Cidades. "O presidente sabe o meu potencial, o que eu posso fazer. Não tinha uma demanda específica sobre nenhuma Pasta", negou ela.
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Segundo Marta, Walfrido dos Mares Guias também será empossado na sexta-feira, como articulador político do governo. A petista não poupou elogios ao seu antecessor. "Sei que ele fez um excelente trabalho. Estou me atualizando sobre o que ele fez, quero entender da área, escutar muito. O Brasil tem um potencial muito grande".
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A nova ministra do Turismo, antes da audiência com Lula, foi mais uma vítima do caos dos aeroportos. Ela esperou quase duas horas antes de conseguir embarcar em São Paulo. "Não foi um caos, pois estava organizado. Mas a espera foi desgastante. É um problema sério, que desgasta a imagem do Brasil e os brasileiros", declarou.
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No fim da noite, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP) e o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), foram ao Planalto apresentar um novo nome para o Ministério da Agricultura. A nova indicação aconteceu dois dias depois do escolhido por Lula, Odílio Balbinotti (PR), desistir da Pasta, acuado pelos processos por falsidade ideológica que respondia no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao sair da reunião, Temer informou que a decisão do presidente deve ser tomada ainda hoje.
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Assessores do Planalto culparam Temer pelo "desconhecimento" das denúncias contra o pemedebista, mas o nome foi posto na lista, a pedido dos governadores do Paraná e do Mato Grosso, por orientação do próprio presidente. Desde o início do governo Lula, é regra que pessoas indicadas para cargos de confiança serem investigadas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) divulgou nota, ontem, eximindo-se de culpa e afirmando que a Abin, de fato, realiza esses trabalhos rotineiramente, mas que "permanecem sigilosas as pessoas que já foram, estão, ou serão cogitadas, bem como a metodologia do levantamento e os prazos necessários", esclarece a nota.
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Lula também reuniu-se ontem com o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto, cotado para reassumir a Pasta. Rossetto foi derrotado na disputa para o Senado pelo PT gaúcho e acalenta a intenção de presidir a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), como uma forma de preparar terreno para concorrer à Prefeitura de Porto Alegre em 2008. Até por isso, sinalizou ao presidente que deve recusar o convite. O ex-ministro disse que a reunião com Lula não foi definitiva. "Vamos ter outras conversas ", afirmou.

O jeito lulista de nomear

Editorial do Estadão
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Desta vez, a intuição de que tanto se gaba o presidente Lula lhe falhou estrepitosamente - e não adianta ele culpar o PMDB por não ter tido “mais cuidado” antes de incluir o nome do deputado federal e grande empresário rural Odílio Balbinotti na sua lista de ministeriáveis para a Agricultura. A responsabilidade do presidente pela precipitada e desastrada escolha é intransferível, ainda mais se for verdadeira a versão segundo a qual Balbinotti não fazia parte da relação preparada pelos cardeais do PMDB, mas nela foi incluído à última hora para atender a um pedido que Lula fez chegar ao deputado Michel Temer.
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Em sentido estrito, o vexaminoso episódio terminou no sábado, 48 horas depois da escolha, quando Balbinotti desistiu da Pasta, depois de o jornal O Globo revelar que - além de ser réu em vários processos, notadamente o que corre em segredo de Justiça no Supremo, por falsidade ideológica - o segundo mais rico dos 513 integrantes da Câmara dos Deputados usou empregados seus como laranjas para garantir empréstimos bancários. Mas, expressão acabada do jeito lulista de nomear, a história continua a pairar sobre o Planalto. Começa com a intenção do presidente de ter na condução da Agricultura não só um conhecedor do setor, mas também um político que, além de tudo, fosse benquisto pelo governador do Paraná, Roberto Requião, a quem Lula queria fazer um agrado, e tivesse o aval dos governadores dos Estados ruralistas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
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Obtida a aprovação dos três, Lula achou que só faltava um ato para consumar a nomeação de Balbinotti - um tête-à-tête com o agropecuarista a quem não conhecia pessoalmente. Ao ouvir dele a trajetória que percorreu, de “pé vermelho” (bóia-fria) a principal produtor de sementes de soja do Brasil, o presidente se desmanchou por dentro: tinha à sua frente o tipo de brasileiro pelo qual sente atração irresistível - um homem que se fez por si, chegou ao topo na atividade que escolheu, sem perder o jeitão original jamais. Em suma, numa esfera inteiramente diferente, um outro Lula. Confiando no próprio faro, o presidente deve ter achado desnecessário mandar levantar a folha corrida do seu mais recente alter ego. Se chegou aonde chegou, vindo de onde veio - decerto há de ter pensado, por analogia consigo mesmo -, só pode ser um poço de atributos positivos. E bateu o martelo.
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Esse não foi o único tropeço grave do chefe do governo na formação da equipe para o segundo mandato. Mais preocupante tem sido o seu presumível pouco-caso com o foco da atividade dos Ministérios, exceção feita à Educação e à Saúde, com as quais, disse, “não se brinca” (dando margem a que se comentasse que com os outros se poderia brincar). De tudo o que se publicou das tratativas presidenciais com os partidos da coalizão, para escalar o seu time, em momento algum veio à luz qualquer indício de ter ele tratado com os seus interlocutores das metas administrativas que os indicados teriam de cumprir. (Só teria fugido à regra quando descartou a ida da ex-prefeita Marta Suplicy para a Educação, invocando o programa para o setor a cujo preparo se dedicava o ministro Fernando Haddad.)
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O próprio Lula deu a demonstração mais ostensiva desse inadmissível dar de ombros ao que espera dos seus novos auxiliares. Ao empossar os novos ministros da Justiça, Tarso Genro; da Saúde, José Gomes Temporão; e da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o seu silêncio sobre o que espera deles foi, como se diz, ensurdecedor. Festivo, fez piadas, recorreu ao futebol e lamentou os baixos salários pagos aos ocupantes do primeiro escalão - ao menos não se queixou de sua paga, comparando-a, indelicadamente, à dos torneiros mecânicos. E deu vazão à mitologia que criou sobre a excelsa, imutável qualidade de sua equipe, comparando os seus membros a astros como Didi, Garrincha e Zico. No papel de técnico, deliciou-se: “Você tira um bom e tem outro bom para entrar. Você não piora a qualidade do time, mas aperfeiçoa.” A proverbial sorte de Lula o poupou de ser lembrado disso se as denúncias contra Balbinotti só espoucassem depois que entrasse em campo.

A liberdade individual

por Rodrigo Constantino, Blog Diego Casagrande

“Quem deixa que o mundo, ou uma porção deste, escolha seu plano de vida não tem necessidade senão da faculdade de imitação dos símios.” (John Stuart Mill)
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O “povo” que exerce o poder nem sempre é o mesmo povo sobre quem o poder é exercido, e o “autogoverno” de que se fala não é o poder de cada um por si mesmo, mas o de cada um por todos os outros. Por conseqüência, o povo pode desejar oprimir uma parte de sua totalidade e contra isso não são necessárias menores precauções do que contra qualquer outro abuso de poder. Agora nas especulações políticas geralmente se inclui a “tirania da maioria” como um dos males contra os quais a sociedade exige proteção. Não basta, portanto, a proteção contra a tirania do magistrado. É necessária também a proteção contra a tirania da opinião e do sentimento dominantes, contra a tendência da sociedade a impor, por meios outros que não os das penalidades civis, as próprias idéias e práticas, como regras de conduta aos que delas dissentem.
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O efeito do costume, no sentido de prevenir qualquer receio relativamente às regras de conduta que os homens impõem uns aos outros, é tanto mais completo por se tratar de um assunto para o qual geralmente não se considera necessário fornecer razões, seja por parte de uma pessoa para outras, seja por parte de cada um, para si mesmo. As pessoas estão acostumadas a acreditar, e foram encorajadas nessa crença por alguns que aspiram a ser reputados filósofos, que seus sentimentos, em questões dessa natureza, valem mais que as razões, tornando-as desnecessárias. Ninguém com efeito, admite a si mesmo que seu padrão de julgamento seja seu próprio gosto. Porém, uma opinião a respeito de conduta que não esteja apoiada em razões pode tão-só ter importância como preferência pessoal.
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O único propósito de se exercer legitimamente o poder sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra sua vontade, é evitar dano aos demais. Seu próprio bem, físico ou moral, não é garantia suficiente. Não pode ser legitimamente compelido a fazer ou a deixar de fazer por ser melhor para ele, porque o fará feliz, porque, na opinião dos outros, fazê-lo seria sábio ou mesmo acertado. Essas são boas razões para o advertir, contestar, persuadir, instar, mas não para o compelir ou castigar quando procede de outra forma. A única parte da conduta de cada um, pela qual é responsável perante a sociedade, é a que diz respeito a outros. Na parte que diz respeito apenas a si mesmo, sua independência é, de direito, absoluta. Sobre si mesmo, sobre seu corpo e mente, o indivíduo é soberano. Cada um é o guardião adequado de sua própria saúde, seja física, mental ou espiritual. A humanidade ganha mais tolerando que cada um viva conforme o que lhe parece bom do que compelindo cada um a viver conforme pareça bom ao restante.
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A religião, o mais poderoso dos elementos que compõem o sentimento moral, quase sempre tem sido governada ou pela ambição de uma hierarquia que busca controlar todo departamento da conduta humana, ou pelo espírito do Puritanismo. E alguns dos reformadores modernos que se opuseram fortemente às religiões do passado não ficaram de modo algum atrás das igrejas ou seitas na reivindicação do direito de dominação espiritual. A disposição dos homens, seja como governantes ou como concidadãos, a impor sobre outros suas próprias opiniões e inclinações como regra de conduta encontra tão enérgico apoio por parte de alguns dos melhores e piores sentimentos inerentes à natureza humana, que talvez só seja possível restringi-la pela falta de poder.
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Se todos os homens menos um partilhassem a mesma opinião, e apenas uma única pessoa fosse de opinião contrária, a humanidade não teria mais legitimidade em silenciar esta única pessoa do que ela, se poder tivesse, em silenciar a humanidade. Se a opinião é correta, privam-nos da oportunidade de trocar o erro pela verdade; se errada, perdem, o que importa em benefício quase tão grande, a percepção mais clara da verdade, produzida por sua colisão com o erro. Todo silêncio que se impõe à discussão equivale à presunção de infalibilidade. Há uma enorme diferença entre presumir uma opinião como verdadeira porque, apesar de todas as oportunidades para contestá-la, ela não foi refutada, e pressupor sua verdade com o propósito de não permitir sua refutação.
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O único modo pelo qual é possível a um ser humano tentar aproximar-se de um conhecimento completo acerca de um assunto é ouvindo o que podem dizer sobre isso pessoas de grande variedade de opiniões, e estudando todos os aspectos em que o podem considerar os espíritos de todas as naturezas. O hábito constante de corrigir e completar a própria opinião cotejando-a com a de outros, longe de gerar dúvidas e hesitações ao pô-la em prática, constitui o único fundamento estável para que nela se tenha justa confiança. A verdade de uma opinião faz parte de sua utilidade. Se quiséssemos saber se é ou não desejável crer numa proposição, seria possível excluir a consideração sobre ser ou não verdadeira? Na opinião, não dos maus, mas dos melhores, nenhuma crença contrária à verdade pode ser realmente útil.
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A história está repleta de exemplos de verdades silenciadas pela perseguição. A perseguição sempre triunfou, salvo quando os heréticos formavam um partido demasiado forte para que os perseguissem efetivamente. É um exemplo de sentimentalidade ociosa supor que a verdade, meramente por ser verdade, possua o poder inerente, negado ao erro, de prevalecer contra o calabouço e o cadafalso. A real vantagem da verdade consiste em que, quando uma opinião é verdadeira, pode-se extingui-la uma, duas ou inúmeras vezes, mas ao longo dos anos se encontrarão pessoas que tornem a descobri-la, até que uma de suas reaparições ocorra numa época em que, graças a condições favoráveis, escapa à perseguição, avançando de modo tal que resista a todas as tentativas subseqüentes de suprimi-la.
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Quem é capaz de calcular tudo o que o mundo perde na multidão de intelectos promissores combinados aos caracteres tímidos, os quais não ousam seguir nenhuma cadeia de pensamento atrevida, vigorosa e independente, sob pena de alcançarem algo que lhes permita identificar como irreligiosos e imorais? Ninguém pode ser um grande pensador se não reconhece que, como pensador, seu primeiro dever consiste em seguir seu intelecto em todas as conclusões a que o possa conduzir. Onde houver uma convenção tácita de que não se devem contestar os princípios, onde se considerar encerrada a discussão acerca das grandes questões que podem ocupar a humanidade, não podemos esperar encontrar essa escala geralmente alta de atividade mental que tornou tão notáveis certos períodos da história.
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O exíguo reconhecimento que a moralidade moderna dispensa à idéia de obrigação para com o público deriva das fontes gregas e romanas, não das cristãs; do mesmo modo como, na moralidade da vida privada, tudo quanto existe de magnanimidade, generosidade, dignidade pessoal, até senso de honra, deriva da parte de nossa educação puramente humana, não da religiosa, e jamais poderia originar-se de um padrão ético no qual o único valor, confessadamente reconhecido, é o da obediência. O sistema cristão não constitui exceção à regra segundo a qual num estado imperfeito do espírito humano os interesses da verdade exigem uma diversidade de opiniões. Uma grande parte dos mais nobres e valorosos ensinamentos morais foi obra não apenas dos homens que não conheciam, mas também dos que conheciam e rejeitavam a fé cristã. O mal a temer não é o conflito violento entre partes da verdade, mas a supressão silenciosa de parte dela. Se fosse necessário escolher, haveria muito mais necessidade de reprovar ataques ofensivos à infidelidade religiosa do que à própria religião.
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Os trechos acima foram copiados, ipsis litteris, do livro A Liberdade, de John Stuart Mill. Estou tão de acordo com suas idéias, e reconheço minha incapacidade de melhor expressa-las, que optei por transcrevê-las aqui, tendo o trabalho apenas de selecionar as melhores passagens, em minha opinião. Deixo a conclusão com o próprio autor também:
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As pessoas de gênio, é verdade, são e provavelmente sempre serão uma pequena minoria; no entanto, para tê-las é necessário conservar o solo em que crescem. O gênio só pode respirar livremente numa atmosfera de liberdade”.

O rumo certo

por Denis Rosenfield, filósofo, Blog Diego Casagrande
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Depois de um início com tropeços, em que a governadora parecia seguir caminhos já percorridos, que, na verdade, apenas levaram à situação atual, as novas sinalizações políticas indicam uma mudança de atitude. Apresentando claramente à sociedade gaúcha os graves problemas das finanças públicas, Yeda Crusius está tornando possível que se conheça melhor os impasses vividos. Não se trata de uma briga partidária, mas de responsabilidade estatal. A partir do momento em que a verdade é apresentada, fica muito mais difícil para os diferentes interesses corporativos existentes fazerem pleitos irrealistas, que não podem ser atendidos. Não é justo, por exemplo, que os salários dos membros do Executivo estejam praticamente congelados, enquanto os do Legislativo e Judiciário não sofrem as mesmas restrições. O bolo é um só. Se a fatia de um é maior, a do outro será necessariamente menor. A realidade impõe restrições e cabe à governadora fazer face a elas, mostrando a todos a inadequação entre uma sociedade próspera e um Estado falido que não consegue enfrentar os seus encargos. Sobrecarregar ainda mais a sociedade com impostos tenderia apenas a perpetuar a atual situação, com a repetição dos mesmos erros.
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O princípio de realidade está, agora, imperando. O dever de casa começa na própria casa, para que, depois, se apresente à sociedade os ganhos auferidos. O discurso da responsabilidade fiscal, acompanhado de medidas efetivas, está pautando a conduta do atual governo, e em consonância com o programa de campanha. Pode-se, neste sentido, dizer que há coerência entre o que foi anunciado e o que está sendo feito, algo raro no mundo político atual. Se os gaúchos apostaram na mudança, é para que algo novo ocorresse e para que as fórmulas passadas não fossem meramente repetidas. Sob esta ótica, as medidas de controle do fluxo de caixa da Fazenda, adequando mensalmente a despesa à receita, é uma grande inovação. Inovação por ter sido trazida ao serviço público, pois há muito vigora nas empresas e na contabilidade familiar de cada cidadão. Não haveria porque o Estado ter uma situação privilegiada, sobretudo porque depende de recursos alheios, dos que controlam os seus respectivos gastos. A nova governadora coloca-se, assim, no mesmo diapasão de toda a sociedade. Deverá ainda melhor mostrar que a sua responsabilidade é a expressão da responsabilidade de todos.
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Dizer não a novas demandas que aumentem o déficit do Estado torna-se uma medida coerente com o que está sendo realizado. A oposição de determinados deputados em relação a medidas tomadas – e a tomar – situa-se no baixo nível da luta política, na medida em que se situa na posição daqueles que são irresponsáveis no manejo da coisa pública. De nada adianta sempre culpar o outro dos problemas que não são enfrentados em sua seara própria, a do governo enquanto tal, a da gestão responsável. Não deixa de causar surpresa que deputados de oposição, que criticam as medidas sugeridas pela governadora, são os mesmos que as apóiam em nível municipal ou federal, exibindo, apenas, uma total falta de coerência. A política só se escreverá com P maiúsculo se a coisa pública se situar acima das coisas particulares. Infelizmente, o país vive um momento de p minúsculo.
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A notícia de que ontem a governadora Yeda Crusius e o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, em nome do PGPQ, assinaram um termo de cooperação técnica visando a melhorar a qualidade da gestão pública, dá um novo sinal de que o discurso de campanha entra em uma nova etapa de concretização. A ênfase na gestão, com a diminuição das despesas e o aumento das receitas, sem mexer – para cima – nos impostos, é daquelas medidas que se voltam para o futuro, embora não sejam sempre compreendidas no presente imediato. São, no entanto, vitais para que a sociedade gaúcha possa se reencontrar com o seu Estado e os cidadãos com as suas instituições.
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