Adelson Elias Vasconcellos
Há algum tempo, comentando coisas nossas, tento demonstrar a enorme distância que nos separa dos países de primeiro mundo. E o faço não por querer desmoralizar o Brasil e os brasileiros, mas por absoluto respeito aos fatos. Afinal, é um direito que me cabe, pretender um país melhor.
O PT, por chegar e estar no poder, entendeu que apenas tal aspecto serviria para colocar o país ao lado do mundo civilizado. Que países como Estados Unidos, por exemplo, deveriam se curvar às nossas fantasias e falta de seriedade.
Tanto é assim que o partido, comandado por Lula, jamais se furtou em considerar janeiro de 2013 como o ano da descoberta do Brasil. Antes, eram trevas. Mas com a chegada do PT ao Planalto, fez-se a luz.
Vários foram os discursos, mas principalmente o tom da publicidade oficial, que nos elevava ao Olimpo das nações do planeta. E, no entanto, e sem que se acrescentasse um milímetro a mais de riqueza, o povo brasileiro foi promovido a país de classe média. Até parece que, de repente, num passe de mágica, pudéssemos afortunar a vida das milhares de pessoas cujas casas se erguem ao lado de esgotos a céu aberto... é preciso, antes de tudo, governar, e governar com seriedade, priorizando o que ao país, e não ao partido.
Uma destas megalomanias, intentadas por Lula para elevar o Brasil ao paraíso, foram as candidaturas brasileiras para sediar grandes eventos internacionais, tais como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.
Fui contra ambos, não por que o país não merecesse, mas porque nas datas em que se realizarão nossas prioridades são muito outras. A fábula de dinheiro público que será gasto fazia e faz falta em áreas muito mais carentes e emergentes. Além de que os dois eventos servirão para mascarar um país tão pobre, atrasado e com serviços públicos essenciais deteriorados.
Pois bem, se a gente fosse comparar a qualidade de vida de brasileiros e suecos, por exemplo, perderíamos de goleada. O povo sueco tem, quiçá, o melhor padrão de vida do planeta. Se não for o melhor, certamente, estará entre os três melhores. Os serviços públicos são, em grande dose, os grandes responsáveis por este padrão excepcional. Lá, dinheiro público é tratado como tal, e não, como aqui, como coisa privada da elite política.
Mesmo assim, convidada a sediar uma das edições dos Jogos Olímpicos de Inverno, os políticos suecos negaram participar desta corrida ou desta aventura. E por que o fizeram? Porque se negaram em investir dinheiro público para sediar um evento de natureza privada. Entendem que o país tem outras prioridades mais urgentes para investir o dinheiro de seus contribuintes, como a construção de novas moradias.
Quanta diferença em relação ao Brasil, não é mesmo? Em 2007, logo após o anúncio da escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo em 2014, Lula e sua gangue prometeram a todos os anjos do universo que não seriam investidos recursos públicos na construção de estádio. E, vale lembrar, o orçamento destes novos estádios, era pouca coisa superior a R$ 2,0 bilhões. O que se vê é que, passados seis anos, os orçamentos já ultrapassaram a casa dos R$ 8,0 bilhões, com participação majoritária de ... recursos públicos. Sem considerar que boa parte destas “novas arenas” , terminada a Copa, estão destinadas a se tornarem elefantes brancos.
Naquilo que seria o verdadeiro legado para o país, fruto do evento, que seriam as obras de mobilidade urbana e infraestrutura, muito coisa saiu do papel. O que se encontra em obras, grande parte não será concluída a tempo .
Havia, ainda, a promessa de que a transparência na aplicação do dinheiro do contribuinte seria de 100%. Contudo, faltando apenas 5 meses para o início da competição, muito pouco se sabe sobre os custos, onde está aplicado, qual será o total gasto, e o que vai ficar pelo caminho.
Ou seja, todas as críticas feitas em 2007 o tempo se encarregou de mostrá-las consistentes. O Brasil, mais uma vez, vai mascarar sua miserabilidade, vai jogar pó aos olhos do povo, que continuará padecendo pela imensa falta de qualidade nos serviços públicos essenciais, falta de segurança, falta de saneamento, qualidade de ensino degradada, rede pública de saúde caindo aos pedaços, e muitos outros etecéteras a mais.
Enquanto na Suécia seus políticos respeitam o dinheiro público e só aprovam gastos que beneficiem diretamente os seus contribuintes, por aqui nossos políticos só se preocupam em se valer do dinheiro público para benefício próprio, para fazer patifarias e enriquecimento ilícito. O último a ser beneficiado, esquecido lá no final da fila, é justamente o contribuinte.
Mas, claro, para os petistas os bons exemplos a serem copiados moram apenas aqui perto, como Venezuela, Argentina e na amada Cuba, onde estão seus mentores políticos assentados numa ditadura assassina de todas as liberdades.
Mau exemplo 1 – Cadê as desculpas, Maria do Rosário?
Do mesmo modo que não fez um mea culpa e não desculpou-se pelas tolices ditas contra a oposição, quando houve aquele rebuliço todo nas agências da Caixa Econômica, com milhares de beneficiários do Bolsa Família correndo para retirar seus benefícios, por conta de boataria sobre o fim do programa, Maria do Rosário não o fará agora em relação à sua leviandade em relação à morte do jovem Kaique, em São Paulo.
A impoluta senhora foi ao absurdo de emitir uma oficial, condenando o que classificou de “brutalmente assassinado”, chegando ao impropério de afirmar que ficaria atenta às investigações para não ocorrer “impunidade”.
Bem que a senhora Rousseff poderia aproveitar sua reforma ministerial para expurgar a senhora Maria do Rosário. Não faria falta, pelo contrário, livraria do país de precisar conviver com uma autoridade irresponsável, que transforma direitos humanos em ideologia política cretina.
Maria do Rosário tem o sagrado e democrático direito de dizer as tolices que bem entender. Porém, se investida em cargo público, lhe cabe o dever de agir com o rigor que o cargo lhe confere. Não pode usurpar desta prerrogativa para manipular ou coagir quem quer que seja. Como, ainda, não lhe cabe, por ser o tal cargo pertencente à estrutura do Estado, praticar política partidária. Aí, senhores, não dá mesmo.
Mau exemplo 2 – A poluição do Paranoá
Sabe-se que o óleo que encharcou e poluiu o lago Paranoá, em Brasília, foi proveniente de caldeiras do Palácio do Planalto. Que mau exemplo, hein Dilma Rousseff! É fácil em fóruns internacionais deitar falação em nome da preservação do meio ambiente. Mas como é difícil colocar em prática, em casa, o próprio discurso ! Coisa feia !!!
Mau exemplo 3 –
Também vem do governo da senhora Rousseff outros maus exemplos. Como o expressivo gasto com os tais cartões de crédito corporativos, onde 90% são considerados “confidenciais e secretos, em nome da segurança nacional”. Na verdade, a única segurança aqui em perigo é a falta de vergonha dos governantes petistas e seu desrespeito para com aqueles que bancam a farra.
Além dos cartões corporativos, que bateram recorde no governo Dilma, em 2013, gastos com passagens e diárias do Executivo, Legislativo e Judiciário não ficaram atrás, atingindo os R$ 2,4 bilhões. A União torrou R$ 1,3 bilhão em passagens. Já a conta das diárias, que garantem bons sonhos em luxuosos hotéis (como o St. Regis de Nova Iorque, onde Dilma pagou R$ 25 mil por noite), foram gastos R$1,1 bilhão.
Ministro Guido Mantega (Fazenda) havia prometido reduzir gastos com diárias para viabilizar corte de R$ 10 bilhões no orçamento federal.
A União torrou com diárias, de 2001 a 2013, a cifra de R$ 26,2 bilhões, considerados os valores constantes atualizados pela inflação. Quantas casas populares, ou unidades de saúde, ou melhorias em aeroportos, ou melhor salário para os professores poderiam ter sido bancados com este desperdício feito em nome da luxúria e ostentação!
Mau exemplo 4 – O discurso surrado de Mantega
Num debate realizado em Davos, durante o Fórum Econômico, em que estavam presentes autoridades econômicas dos países que compõem o bloco dos BRIC’s, o ministro Guido Mantega teve a cara de pau de culpar a crise econômica internacional pelo mau desempenho da economia brasileira, esquecendo- se de explicar porque países com menor riqueza do que a nossa conseguem crescer mais. Ou, ainda, poderia tentar explicar que, mesmo dentre os países mergulhados na tal crise, estão se saindo melhor do que nós.
De contrapeso, afirmou que o caos da infraestrutura brasileira se deve a falta de investimentos durante 40 anos. Poderia ter levado a mão à própria consciência, uma vez que seu partido está no poder há 12 anos e praticamente nada fez. Só acrescentou mais caos e descaso.
Mantega deveria saber que, num mundo onde todos sabem sobre todos, este tipo de mentira só faz aumentar as incertezas e conduz o país ao descrédito. Acrescente-se que a desconfiança atual em relação ao Brasil, não se dá apenas pelo mau desempenho da economia, mas, sobretudo, pela insistência do governo do qual Mantega faz parte, em mentir e mascarar a própria realidade, além de não reconhecer os próprios erros.
Faz tempo que este discurso surrado teve seu prazo de validade vencido.
Como se dizia antigamente, humildade e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.



