sábado, abril 28, 2012

Apesar de encolher a área plantada, o volume produção continua aumentando


Comentando a Notícia

Agricultura brasileira encolheu 5,6% em uma década, segundo FGV


Enquanto a atividade agropecuária reduzia sua área plantada, o volume de produção continuou aumentando. E, apesar disto, a mentira sobre a agropecuária desmatar o país, continua na cena seja em parte da imprensa, ou pelo ecoterrorismo, financiado por ONGs estrangeiras, que não se conformam com o sucesso desta atividade no Brasil.

Como contra fatos não há terrorismo que se imponha, seguem alguns números oficiais que demonstram que, ao contrário dos ambientalistas canalhas proclamam, nossa produção continuam com produção cada ano maior,  ao passo que a área tem diminuído.

Não, não culpem a agropecuária pelo desmatamento indiscriminado e feito sem critério nenhum.  Até por que, é de se perguntar como se pretende alimento 7 bilhões de seres humanos vivendo no planeta, sem que utilize a terra para plantar? Vamos alimentá-los com o que, com brisa, com vento, com pedra?  

Mais abaixo, logo após os números concretos e contra os quais ninguém pode se rebelar, por serem fato e não opinião,  apresentamos dois vídeos para que o leitor aprenda um pouco sobre a excelência da agropecuária brasileira que destroem a imunda e mentirosa campanha movida por pessoas, entidades e parte da imprensa incapazes de perceberem primeiro, a importância da atividade para o desenvolvimento e bem estar do povo brasileiro, e segundo, por inconfessadas razões de pura má fé,  se dispõe a atender interesses de produtores estrangeiros incomodados por perderem mercado para uma agricultura moderna e autossustentável.
Reparem nestes números: a agropecuária brasileira, em matéria de área total dos estabelecimentos, encolheu 5,6% em todas as regiões, com base na comparação dos censos de 1995/1996 e 2006.

A principal queda foi no Sudeste, que apresentou uma redução de 14,3%, um percentual considerado surpreendente, já que na região estão importantes estados produtores.

A pesquisa foi feita por Mauro de Rezende Lopes, do IBRE da FGV, a partir da revisão feita pelo IBGE dos dados do mais recentes do Censo Agropecuário.

Os médios produtores foram os que apresentaram o maior encolhimento, com uma queda de 8,7%; já no caso dos grandes, o encolhimento foi de 7,5%.

Em seu trabalho, o economista não registra aumento na área total dos estabelecimentos dos pequenos produtores, o que o leva a por em dúvida sobre a contribuição dos programas de reforma agrária. A região Norte foi a que cresceu mais rápido, com um aumento de áreas de lavouras de 95,3%; acima do Centro Oeste, que ficou com 78,9%.

De acordo com a pesquisa, há 10,7 milhões de hectares de terras degradadas que podem ser utilizadas sem se desmatar a Amazônia. O trabalho mostra também um encolhimento de 26,2% da pecuária bovina.
Outra conclusão foi a de que as classes A/B respondem pela grande maioria da produção agropecuária.

As classes A/B produzem 57,5% do feijão; 81,5%do arroz; 74,6% do milho; 80,1% do trigo; 66,5% da mandioca; e 83,9% da batata.

As classes D/E produzem 19,6% do feijão; 6,3%do arroz; 9,6% do milho; 4,8 do trigo; 14,7% da mandioca; e 5,4% da batata.

As classes A/B produzem 57,5% do feijão; 81,5%do arroz; 74,6% do milho; 80,1% do trigo; 66,5% da mandioca; e 83,9% da batata.

UM PLANETA FAMINTO E A AGRICULTURA BRASILEIRA



Agricultura brasileira cresceu com sustentabilidade


 Pecuária Sustentável

A agricultura brasileira cresceu 247,13%, nos últimos 35 anos, mas preservou 73,3 milhões de hectares de mata nativa. Este foi um dos dados apresentados pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD/TO), no seminário na Universidade de Harvard (EUA), realizado nesta quinta-feira (09). O evento faz parte do roteiro cumprido esta semana pela equipe da CNA - composta também pelo vice-presidente diretor da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Eduardo Riedel - com objetivo de apresentar a agropecuária brasileira.

No seminário, Kátia Abreu deixou claro que o Brasil tem solução para garantir a demanda mundial por alimentação sem destruir o meio ambiente. “Isso acontece graças ao investimento em tecnologia. O resultado foi o aumento de 151% da produtividade, enquanto a área do campo ocupada por atividades rurais cresceu apenas 31%”, afirmou a presidente da CNA. “O Brasil tem uma das maiores e mais sustentáveis produções agrícolas do planeta, mas a atividade neste setor ocupa apenas 27,7% do território brasileiro, sendo que 61% estão cobertos por vegetação nativa”, completou.

Os números da produção agrícola brasileira impressionam e classificam o país como o terceiro produtor mundial de alimentos, incluindo biocombustíveis. Em 2010, o Brasil liderou o mercado de produção e exportação de açúcar, café, suco de laranja e etanol. Só os Estados Unidos importaram US$3,1 bilhões em produtos agrícolas brasileiros, em 2010, um aumento de 16,3% em comparação a 2009. No entanto, a senadora Kátia Abreu acredita que a expansão da produção se dá devido ao crescimento do poder aquisitivo do brasileiro. “Hoje, 70% da nossa produção é para consumo interno”, comentou.

Já a criação de gado de corte expandiu 39% nos últimos 11 anos, atingindo 11,4 milhões de toneladas no ano passado. “Ainda podemos aumentar esse número se investirmos em adubos para acelerar o tempo de crescimento do gado, que é criado em pasto livre”, disse.

Atualmente, o agronegócio brasileiro responde por 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB), somando US$467,9 bilhões para os cofres do país e responsável por 36% dos empregos. O setor também responde por 37,9% das exportações, que rendem US$76,44 bilhões ao Brasil. “Esse sucesso nos permitiu superar a crise mundial que abalou os Estados Unidos e a Europa”, destacou.

Segundo a senadora, o Brasil também expandiu os seus parceiros comerciais. “O mercado de aves, por exemplo, concentrava as vendas para a Europa e, hoje, tem a China e os países do NAFTA como grandes consumidores”, cita.

No entanto, a presidente da CNA garante que os números podem ser ainda melhores “se houver mais investimento em pesquisa, incentivo à adoção de novas tecnologias e, especialmente, a reforma do Código Florestal Brasileiro”. A atualização do Código Florestal vai regular a atividade rural no país e oferecer garantias legais para quem investir no setor. “Os representantes dos produtores rurais, que são a maioria no Congresso e no Senado, concordaram em reduzir em 30% a área de cultivo para recuperar a mata. Somos o único país a abrir mão de desmatar para plantar”, afirmou.

Para a senadora, o acordo torna o investimento em tecnologia ainda mais urgente. “A demanda mundial exige que o Brasil produza 2,8 bilhões de toneladas até 2050. Nós vamos chegar lá, mas temos que continuar a traçar o caminho da tecnologia”. A sugestão vai ao encontro aos projetos lançados pelo governador de Massachusetts, Deval Patrick, no início do ano, que inclui um contrato de colaboração entre a Universidade de Massachusetts Amherst e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

A presidente da CNA também falou sobre o Projeto Biomas, parceria entre a CNA e a Embrapa, que desenvolve técnicas para a produção rural sustentável a partir da intensificação do uso da árvore nas propriedades rurais. “Os pequenos produtores não podem investir em tecnologia e, por isso, desenvolvemos modelos de uso sustentável da área rural para que eles possam adotá-los”, descreve.

Agricultura brasileira, do bonde ao trem-bala


José Sidnei Gonçalves
O Estado de S. Paulo  

A queda da importância das sementes selecionadas de materiais genéticos produzidos pelas instituições públicas de pesquisa avança na agropecuária brasileira. Nos anos 1970, exceto o milho híbrido - privado nos anos 60 -, as sementes selecionadas eram oriundas da genética pública. Hoje, nas lavouras de cana para indústria, soja, milho e algodão, quase todo o material vem da genética privada.

O tema não era tratado pela grande mídia até a publicação da coluna de Celso Ming A Embrapa perdeu o bonde (1.º/4, B2), para ser lida e refletida, pois toca na ferida ao abordar a redução da participação das variedades públicas de soja. Na linha desse texto, há que compreender como a grande mudança no padrão de financiamento do custeio da agropecuária brasileira condena à insignificância a participação das sementes de variedades públicas não só da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas também de todas as estruturas públicas de pesquisa.

Pois bem, essa liderança da genética pública está sendo corroída e desapareceu em lavouras relevantes que não apenas a soja. O mesmo ocorreu na pesquisa estadual paulista, que criou a agricultura tropical brasileira com o café IAC Mundo Novo (1952), o qual libertou esse produto da terra roxa, permitindo seu cultivo nos solos arenosos e nos cerrados. Em 1972 a mesma pesquisa lançou a IAC 12 para baixa latitude (a soja tropical). O algodão, até 1989, vinha da genética pública paulista (IAC). Nos cerrados, no pós-1995, mais que a mecanização da colheita e a enorme escala, houve troca do material genético público (IAC) do algodão meridional (SP e PR) pelas variedades importadas. Lembre-se que a construção da cotonicultura brasileira em terras paulistas e, depois, paranaenses foi resultado da genética pública paulista, que ganhou reconhecimento mundial.

Essa mudança não ocorreu pela transgenia usando variedades da genética tradicional, o que mostra ser o caso da soja apenas uma etapa de um processo mais longo, basta não voltar as costas à História. Isso se acelerou com a lógica de tomada de decisão dos lavradores diante do novo padrão de financiamento do custeio agropecuário. Nos anos 70 o lavrador ia ao banco tomar crédito rural subsidiado e, com dinheiro na conta, escolhia o material genético assistido pela ampla rede de extensão rural estatal que disseminava a genética pública.

O crédito subsidiado foi desmontado com a crise da dívida pública no começo dos anos 80. E as empresas de insumos com plantas construídas no II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) criaram mecanismos privados para financiar o custeio das safras, cuja forma pioneira foi o contrato de soja verde. Em 1995 foi criada a Cédula de Produto Rural, tornada com liquidação financeira em 2000. E no mesmo quinquênio surgiram as novas legislações sobre sementes e direitos de propriedade intelectual.

Nos anos seguintes as empresas de agroquímicos compraram as de sementes privadas e a reforma do setor público reduziu a capacidade local da extensão rural estatal. Como exemplo, a antiga rede estadual paulista de Casas da Lavoura hoje praticamente inexiste. Quem agora fornece assistência técnica são as poderosas redes das empresas privadas de sementes, que multiplicam ensaios de demonstração em todo o espaço das principais lavouras.

As diferenças de produtividade e de qualidade entre as sementes disponíveis para as principais lavouras são pouco relevantes (em torno de 5% a 7%). Sem a assistência técnica e extensão rural pública irradiar seus resultados - material genético, para manter padrão de alta resposta nas culturas anuais, exige troca quase todo ano - e sem acesso ao novo padrão de financiamento, a genética pública ficou de mãos amarradas. E os instrumentos privados foram ampliados, em 2004, com os novos títulos financeiros dos agronegócios (CDCA, CRCA, LCA e WA). Os planos de safra das grandes lavouras, pelas suas regras, cobrem cerca de um terço do custeio da safra. E semente é custeio. Trata-se de um novo padrão de financiamento com base na venda antecipada. Os lavradores que plantavam para vender passaram a vender para plantar, numa inversão da lógica da tomada de decisão de produzir.

As empresas de sementes privadas (na maioria, de agroquímicos) utilizaram-se desses mecanismos para ocupar o mercado de sementes. E as estruturas públicas, mesmo a Embrapa, não têm mecanismos para emitir títulos financeiros. Daí as sementes públicas foram alijadas do mercado. Novos desdobramentos estão por vir em outras lavouras. Uma grande multinacional comprou empresa de ponta da genética canavieira e, recentemente, lançou novos materiais genéticos num mercado que há décadas já era totalmente dominado pela genética privada de capital nacional.

Em síntese, há que ser comemorado o artigo de Celso Ming, pela coragem de trazer a evidência da perda de espaço da genética pública para a agricultura. Os aspectos ideológicos são maléficos, mas constitui célere equivoco a afirmação de que a Embrapa perdeu o bonde. Na verdade, o trem-bala do capital financeiro não parou na estação da genética pública. Ela está condenada à insignificância no modelo institucional atual em face do padrão de financiamento do custeio da safra via venda antecipada lastreada em títulos financeiros emitidos pelo setor privado.

Para as grandes lavouras, o trem-bala do capital financeiro no custeio da safra fechou as portas na cara da pesquisa pública. E se assiste à internacionalização da base genética da agropecuária brasileira. Há, ainda, que discutir a enorme regressividade desse modelo de financiamento do custeio de safras via títulos financeiros. As próprias regras, além da falta de traquejo para operar nesse mercado, põem à margem do processo massas expressivas de lavradores. Em suma, há que reinventar a ação pública para a agricultura brasileira, que não mais viaja no bonde do crédito subsidiado, mas no trem-bala do capital financeiro.

Construindo bases para a sustentabilidade da agricultura brasileira


Gerhard Bohne

No rumo da liderança na produção global de alimentos, o Brasil cria uma base sólida, que se fundamenta na quebra de paradigmas

O desenvolvimento econômico do Brasil sempre esteve atrelado à agricultura. Desde o século XVI, com o início do cultivo da cana-de-açúcar e posteriormente o auge do café, o País demonstra seu protagonismo agrícola. Clima favorável, que possibilita duas ou mais safras por ano; solo fértil; disponibilidade de recursos hídricos; demanda mundial por alimentos em contínuo crescimento; alto potencial para consumo interno, com o aumento de renda da população; além de avanços consideráveis em pesquisa e desenvolvimento ao longo das últimas décadas. Fatores que não só impulsionam o Brasil a novos patamares, mas impõem desafios cada vez maiores à cadeia produtiva, grande força propulsora deste cenário.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou projeções do agronegócio brasileiro para 2020. Segundo o estudo, a produção de grãos (soja, milho, trigo, arroz e feijão) deverá passar de 142,9 milhões de toneladas em 2010/2011 para 175,8 milhões em 2020/2021. Um acréscimo de 33 milhões de toneladas à produção nacional, e, em valores relativos, 23%. Panorama extremamente favorável, mas que requer sustentabilidade a uma das agriculturas mais competitivas do mundo.

No rumo da liderança na produção global de alimentos e de uma participação cada vez mais expressiva na estabilidade econômica, com significativa contribuição ao PIB e à balança comercial, a agricultura brasileira ainda necessita avançar em pontos fundamentais para garantir sua sustentação. Uma base que, para ser sólida, não só passa por questões de infraestrutura e incentivos, mas se fundamenta na quebra de paradigmas, quando todos os elos da cadeia de valor se comprometem efetivamente com as boas práticas agrícolas. Em resumo, incentivar o desenvolvimento da agricultura, com maior e melhor produtividade das terras agricultáveis somada à responsabilidade ambiental e à compreensão das necessidades sociais.

De acordo com essa filosofia de trabalho, o produtor aperfeiçoa o processo produtivo, aumentando a qualidade e a rentabilidade, assim como ampliando as oportunidades de acesso aos mercados domésticos e internacionais. O processador mantém qualidade requerida por meio da rastreabilidade de origem e armazenamento do produto. Por sua vez, os importadores e exportadores garantem o padrão exigido em cada país; o varejista apresenta maior oferta de alimentos com valor agregado; e o consumidor recebe um leque de produtos seguros, de alta qualidade e a preços acessíveis durante o ano todo.

Com isso voltamos ao ponto inicial – a história da agricultura brasileira está intimamente associada ao ciclo de desenvolvimento do próprio País. Para assumir e sustentar o seu verdadeiro papel, o Brasil necessita de uma parceria forte e duradoura entre os elos que compõem a cadeia produtiva. Segundo dados do IBGE, apenas entre 2010 e 2011, a população brasileira ganhou mais de 1,6 milhão de pessoas. O que nos exige foco na tomada de decisões.

Código Florestal - As esquerdas e ambientalistas de joelhos para os… imperialistas!!!


Reinaldo Azevedo

A gritaria de setores da imprensa e dos parlamentares de esquerda — muito especialmente os petistas — com a aprovação do novo Código Florestal é patética! Preveem o armagedom ambiental, o que é uma grossa bobagem. Mas já estamos acostumados a essas escatologias. O que me deixa mais intrigado — e, em certa medida, escandalizado — são os argumentos.

“O Brasil vai perder a liderança ambiental!”
Pergunto e considero - Perder para quem? Quem vai assumir o nosso lugar? Os EUA? A China? Algum país europeu? A Indonésia? O Japão? A Rússia? A Índia? Digam-me um só país no mundo que tenha uma legislação ao menos parecida com o que está no relatório do deputado Paulo Piau.

“As entidades ambientalistas ficarão decepcionadas com o Brasil e dirão que Dilma não cumpre a sua promessa”
Pergunto e considero - Dilma governa para as ONGs ou para o conjunto dos brasileiros? Por que as entidades ambientais acham que podem impor ao Brasil o que não sonhariam em impor à China, já que não podem nem mesmo entrar naquele país? Por lá não há ONG ou qualquer coisa parecida com Ministério Público. A bala de prata resolve as contendas. Não admiro o modelo, não! Só estou afirmando que o governo do Brasil tem de ter uma gestão que atenda, antes de mais nada, às necessidades dos brasileiros. Com efeito, não estamos sozinhos no mundo. Mas transformar uma legislação que nos põe na vanguarda do conservacionismo num retrocesso é pilantragem intelectual.

“O Brasil sofrerá prejuízos efetivos com o novo código”.
Pergunto e considero - Quais? Quem deixará de investir no país porque o código não pune os pequenos agricultores — que é o que, de fato, querem os críticos do texto? Quem poderá cobrar do país, como se fosse seu chefe ou metrópole, que aja dessa ou daquela maneira?

Vocês notaram? O Brasil não pode fazer Belo Monte porque, afinal, as ditas entidades internacionais ficarão agastadas… O Brasil não pode votar seu código florestal, protegendo o meio ambiente, mas preservando a produção agropecuária, porque esses patrulheiros planetários vão se zangar. Ontem, até uma representante da WWF — aquela que tem como presidente de honra um caçador de elefantes — resolveu atacar o texto.

É a velha história: desafio qualquer um a provar que o texto de Piau protege, como querem alguns tontos, os latifundiários, os grandes proprietários, o agronegócio — palavra pela qual eles são tarados. Deixa-se de punir o pequeno. E, mesmo assim, de forma imperfeita. Se todos os agricultores de Santa Catarina, por exemplo, tiverem de reflorestar áreas de 15 metros às margens dos rios, terão de abandonar o campo. Os que estão reclamando queriam uma área ainda maior. Não custa lembrar que uma das propostas defendidas por Marina Silva e sua turma liquidava com a produção leiteira de Minas Gerais.

As esquerdas de antigamente gostavam de acusar os conservadores de servilismo aos interesses imperialistas… Hoje, quem vive de joelhos para as Fundações Ford, Greenpeaces e WWFs da vida são eles. Entendo! O meio ambiente, afinal de contas, virou um grande negócio.

Código Florestal 'não pode ter rótulo de lei ruralista', diz Kátia Abreu


Márcio Falcão
Folha de São Paulo

A presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária ), senadora Kátia Abreu (PSD-TO), disse à Folha que a reforma do Código Florestal aprovada na noite desta quarta-feira (25) pela Câmara não pode ganhar o rótulo de lei ruralista.

Para a senadora, o texto mostra que o Congresso escolheu o caminho da produção agropecuária sustentável. "Não houve vencedores nem vencidos."

Questionada sobre a expectativa de veto da presidente Dilma Rousseff, Katia disse que ainda precisa avaliar melhor o resultado da votação, mas defendeu a manutenção da matéria.

"Vamos aguardar um pouco mais para avaliar o resultado. Mas ninguém poderá afrontar a vontade do Congresso. Não foi um debate de surpresa, precipitado. Se fizemos uma reflexão, o novo código é a única reforma que o Brasil conseguiu fazer", afirmou.

E completou: "Não foi uma lei debatida por um segmento. Foi uma discussão de 100% do Congresso".
Para ela, o novo texto credencia o Brasil para direcionar os debates da Rio +20, em junho, conferência de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.

"O Brasil é o único país do mundo que tem autoridade moral para discutir questões ambientais, pois além de ser um dos maiores produtores de comida, preserva 61% de seus biomas", completou.

O texto aprovado ontem atende uma série de reivindicações da bancada ruralista e não agrada ao Palácio do Planalto nem aos ambientalistas. O governo defendia a manutenção do projeto aprovado em dezembro pelo Senado, que considerava menor prejudicial ao meio ambiente e por colocar uma trava na chamada anistia, ao estabelecer faixas de recomposição de 15 m a 100 m dependendo da largura do rio. O projeto final determinou, no entanto, recomposição apenas de 15 m nas margens dos rios.

A expectativa é que a presidente Dilma Rousseff vete boa parte do texto da Câmara, em particular os dispositivos que cedem demais ao agronegócio e reduzem a proteção às águas brasileiras.

Hoje, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara realiza audiência com especialistas para debater o impacto das novas regras. O deputado Sarney Filho (PV-MA) disse que, diante dos pontos, só resta esperar o veto de Dilma.

Presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, o senador Rodrigo Rollember (PSB-DF), disse que a Câmara descumpriu um acordo fechado em torno da matéria aprovada pelo Senado no ano passado e que o resultado representa um retrocesso na legislação ambiental. "Esse texto não atende as necessidades do Brasil."

5 minutos para entender (quase) 80 anos de Código Florestal


Vanessa Barbosa, 
Exame.com

Linha do tempo mostra algumas das mudanças mais importantes na legislação florestal brasileira ao longo de quase um século de polêmicas e reviravoltas

A proposta de reformulação do Código Florestal tramita no Congresso
 há quase uma década, mas a história da legislação florestal brasileira é bem mais antiga

São Paulo – Sem acordo entre os líderes partidários na noite de ontem, a votação do novo Código Florestal foi aprovado nesta semana. Um dos principais pontos de divergência girava em torno da decisão do relator Paulo Piau (PMDB-MG) de retirar do projeto as regras de recuperação de áreas de preservação permanente (APPs) próximas aos rios. A proposta de reformulação do Código Florestal tramita no Congresso há quase uma década, mas a história da legislação florestal brasileira é bem mais antiga.

1934 Primeiro Código Florestal
Aprovada por Getúlio Vargas, a primeira legislação florestal normatizou a ocupação das áreas de matas para proteger os solos, as águas e os mercados de madeira e carvão. Donos de terra poderiam cortar no máximo 75% da vegetação, sem a obrigatoriedade de recompor a região desmatada.

O primeiro Código também reconheceu a existência das chamadas florestas protetoras, que ajudam a conservar o regime de águas, evitar erosões, fixar dunas, entre outras atribuições semelhantes às atuais Áreas de Preservação Permanentes (APPs). Mas faltavam limites mínimos para a proteção dessas áreas.

1965 “Novo” Código Florestal (até hoje em vigor)

Diante da dificuldade de implementação da primeira legislação florestal, que veio sem medidas ou políticas que a fizessem sair do papel, o governo sancionou a Lei n° 4.771, que criava um novo Código, em vigor até hoje. Essa lei estabeleceu limites de uso e ocupação das regiões vegetadas e definiu as florestas protetoras como Áreas de Preservação Permanente (APPs), que são as margens de rios, encostas, topos e morros e vegetação litorânea, como mangues e restingas.

Também se instituiu a Reserva Florestal como uma parcela de cobertura vegetal da propriedade rural que varia de 20% a 50% por região geográfica. Se suprimida, essas áreas deveriam ter suas matas nativas recompostas ou substituídas por plantio de espécies exóticas.

1986 Nova lei modifica Reserva Florestal e APPs

Em 1986, a Lei Federal 7.511 modificou o regime da Reserva Florestal, que até então podia ser totalmente desmatada desde que substituída por novos plantios. O desmatamento das áreas de mata nativa passou a ser proibido pela nova lei, que também modificou os limites mínimos das APP’s, originariamente de 5 metros, para uma faixa de 30 a 150 metros em propriedades próximas a rios com largura entre 10 m e 200 m. Nos rios com mais de 200 metros de largura a APP passou a ser equivalente à largura do rio.
1989 Reserva Legal e alterações nas APPs
Naquele ano, a Lei 7.803 criou a obrigatoriedade dos proprietários rurais averbarem a Reserva Legal nos Registros de Imóveis, uma alteração fundamental, já que não existia até então nenhum mecanismo formal que comprovasse a manutenção das áreas protegidas dentro dos limites estabelecidos por lei (de 20% a 50%).A legislação de 89 também exigiu a manutenção de Reservas Legais na proporção de 20% em propriedades na região do Cerrado, antes não contemplada.

1998 Lei de Crimes Ambientais
A aprovação da Lei de Crimes Ambientais (lei 9.605/1998) transformou diversas infrações administrativas em crime ambiental, algo que não estava previsto na lei de 1965.
Pesadas multas aos agricultores irregulares e novas infrações, inexistentes até então, passaram a vigorar, sendo aplicadas pelos órgãos de fiscalização ambiental, como o Ibama.
2001 Novos limites de Reserva Legal e APPs
Entre 1996 e 2001, ao menos sete medidas provisórias entraram em jogo. Uma das mais importantes foi a MP 2166-67, de 2001. Válida até hoje, ela substitui os limites da Reserva Legal de 50% para 80% nas propriedades localizadas na Amazônia Legal e de 20% para 35% no Cerrado amazônico. Para as demais regiões e biomas, 20%. Já as APPs passaram a designar também as faixas marginais dos cursos d´água cobertas ou não por vegetação – antes eram consideradas APPs apenas as áreas que tivessem mata ciliar próximas aos rios.
2008  Decretos estabelecem sanções rígidas
A pressão pela reformulação do Código Florestal começou a ganhar força em 2008, com a assinatura, pelo então ministro do Meio Ambiente Carlos Minc e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Decreto 6.514/2008, que estabelecia penas rígidas ao crimes de descumprimento de Reserva Legal e APPs. A não averbação da Reserva Legal passou a ser crime ambiental, passível de multas diárias que começariam a ser executadas ano passado. No entanto,enquanto o impasse não se resolve no Congresso, a presidente Dilma Rousseff prorrogou um decreto que impede a aplicação de multas e sanções a desmatadores e a produtores que não aderiram a programas de regularização ambiental.
2010  Aprovação da proposta de um novo Código Florestal
No dia 6 de junho de 2010, uma nova proposta de reformulação do Código Florestal redigida pelo então deputado Aldo Rebelo foi aprovada por comissão especial na Câmara dos Deputados. Entre os pontos mais polêmicos, o novo projeto previa que quem desmatou ilegalmente até junho de 2008 não será mais obrigado a recuperar as áreas devastadas até a data, seja em topos de morros, margens de rios ou até mesmo em áreas protegidas. Multas recebidas até o período também seriam suspensas. Com treze votos a favor, a proposta foi acatada pela comissão e seguiu para apreciação no plenário da Câmara.
2011 Votação no Plenário da Câmara e no Senado
Em maio de 2011, o novo Código, que previa também a flexibilização da proteção das Áreas de Preservação Permanente (APPs), foi aprovado no Plenário da Câmara. O texto agradou bastante aos ruralistas, mas incomodou o governo e os grupos ambientalistas. Em dezembro, o projeto seguiu para apreciação no Senado, de onde saiu com sugestões de mudanças – dessa vez agradando à presidência, mas nem tanto à bancada ruralista - agora retorna para aprovação da Câmara e se aprovado seguirá para a sanção da presidente Dilma Rousseff. Ao retornar à Câmara, a proposta sofreu novas alterações, nas mãos do relator do texto, deputado Paulo Piau (PMDB-MG).


Código Florestal: o que mudou (até agora) e o que vem por aí


Vanessa Barbosa
Exame.com ]

Texto que modifica a legislação vigente foi aprovado pelos deputados em maio de 2011, alterado no Senado no fim do ano passado e agora retorna para aprovação da Câmara

Getty Images

São Paulo – Em tramitação há mais de uma década no Congresso Nacional, a proposta de reforma do Código Florestal deve ir à votação na noite desta terça-feira. O texto que modifica a legislação vigente foi aprovado pelos deputados em maio de 2011, alterado no fim do ano passado e agora retorna para a aprovação da Câmara, de onde seguirá para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

Entre idas e vindas, sempre marcadas por polêmicas – entre elas a de isenção de multa e punição aos produtores que desmataram ilegalmente até junho de 2008, um dos pontos de maior atrito entre ambientalistas e ruralistas – a proposta de reforma sofreu alterações importantes.

Entenda a seguir as principais mudanças ocorridas na proposta que reformula o Código e o que vem por aí.

APP e Reserva Legal
Os senadores modificaram o texto em relação às Áreas de Preservação Permanente (APPs) e à Reserva Legal. A proposta diz que a ocupação irregular nessas áreas só poderá ser regularizada se for anterior a 22 de julho de 2008. Ocupações recentes deverão ainda ser interrompidas e a vegetação recuperada.

No projeto inicial do então deputado Aldo Rebelo (atual ministro do Esporte), a data-limite para ocupação de APPs era a mesma - 22 de julho de 2008. No entanto, o texto não mencionava data-limite sobre a ocupação de reservas legais e nem definia ações sobre ocupações mais recentes, o que deixava brechas para regularização de ocupações posteriores.

Margens de rio

Para todas as propriedades com rios de até 10 metros de largura, deverá ser obrigatória a recuperação de 15 metros de mata nas margens. Já para rios com mais de 10 metros de largura, será necessária a recomposição de uma faixa de mata entre 30 e 100 metros.

Para imóveis que detinham, na mesma data, propriedades com área maiores, entre quatro e quinze módulos fiscais, os critérios de recuperação obrigatória serão definidos pelos conselhos estaduais do meio ambiente, através dos Programas de Regularização Ambiental (PRA).

O texto aprovado anteriormente pela Câmara, no entanto, tinha critérios menos claros. Ele definia faixas de recuperação de APPs apenas para rios de 10 metros de largura – no caso, a propriedade também deveria recuperar 15 metros de mata. Sendo que nos rios maiores, os critérios e limites seriam definidos pela União e pelos Estados.

Encostas e manguezais

Os parlamentares do Senado também incluíram novas regras específicas para ocupação de encostas com inclinação entre 25º e 45º, que admitem atividades nas chamadas áreas consolidadas - áreas produtivas em locais que deveriam ser de preservação ambiental -, em que há atividades agrossilvopastoris. É necessário porém que o produtor registre sua propriedade no Cadastro Ambiental Rural (CAR), cujos dados serão disponibilizados na internet e servirão para a elaboração dos Programas de Regularização Ambiental.

Essas atividades consolidadas também serão admitidas em apicuns e salgados, biomas que integram os manguezais nos quais são produzidos camarão e sal. A medida incomodou e muito os ambientalistas, que defendem que a devastação dos apicuns vai afetar a estrutura que dá suporte à vegetação de mangue. O texto inicial aprovado pela Câmara Federal incluía as áreas de apicuns e salgados como áreas de proteção permanente, assim como o mangue.

Incentivos econômicos

O projeto aprovado pelos senadores cria um capítulo que prevê que o poder público, entre outras medidas, crie incentivos financeiros e apoio técnico para ajudar o pequeno proprietário a preservar e recuperar áreas desmatadas. É sugerido, por exemplo, um sistema de remuneração por serviço ambiental (PSA), que paga ao produtor que preserva o meio ambiente, medida considera por especialistas como uma forma positiva e eficiente de conciliar preservação e geração de renda para o agricultor, que muitas vezes têm sua área produtiva diminuída pelas áreas de reserva legal e de preservação permanente.







O Código Florestal: hora de desmitificar os falsos moralistas


Adelson Elias Vasconcellos


Está na hora da gente falar um pouco sobre o tão controvertido Código Florestal. Afora o tempo das privatizações, nunca um tema foi tão demonizado, e falsamente distribuído como mensagem à opinião pública. Parte destas mistificações se deve, sobretudo, a total falta de informação. Sobre o que realmente está disposto no texto do novo Código. E aí não é possível desculpar boa parte da imprensa brasileira. Simplesmente, compraram uma falsa ideia que foi contada por ambientalistas e ecos-terroristas, e sem investigarem o que falsas ideias como verdadeiras e acabaram espalhando a mentira. Resultado: hoje, tudo o que eles dizem sobre o código é exatamente o oposto do que ele propõe. 

Exemplo deste descalabro é a tal anistia que insistem em ver e apontar, onde não há anistia nenhuma. Já desafiei-os a apontarem em que parte do texto a tal anistia está consagrada. Não apenas este escrevinhador já levantou este desafio: muitos outros também o fizeram em nome da verdade, e até hoje, esta tropa não veio a público dizer onde e em que parte do texto a anistia foi recepcionada pelo novo código. É claro que deste debate eles tratam de fugir, sabem que o que defendem é insustentável.
Por exemplo: sabem quantos empregos diretos a agropecuária oferece para o país? Acreditem, são cerca de 20 milhões de empregos que geram renda, progresso, estabilidade econômica e desenvolvimento. Detalhe importante: deste total, cerca de 80% são constituídos de pequenos e médios proprietários, os quais seriam os maiores penalizados caso o texto do Código Florestal seguisse as ideias preconceituosas e deturpadas da grande maioria de ambientalistas que não se cansam de mentir sobre o que está sendo aparovado.  E mais: graças à agropecuária brasileira, o Brasil foi ocupado, defendido e desenvolvido em regiões  antes totalmente inúteis, abandonadas e sem serventia alguma, fosse para o ecossistema em que se encontravam, fosse para a economia do país.  

Sob tal prisma, certa áreas do cerrado, cuja terra era tão ruim que nem capim vagabundo nascia, hoje, produzem milhões de toneladas de grãos que enriquecem os brasileiros, colocando em suas mesas comida farta e barata, e cujos excedentes  são o fruto do equilíbrio econômico de nossa balança comercial através da qual o país pode ostentar com justo orgulho sua estabilidade econômica.

Muitas vezes já critiquei a posição imbecil de dona Marina Silva em relação à agropecuária. O que queima florestas, desmata sem critério nenhum e até sem nenhuma fiscalização de parte do poder público, que destrói imensos e ricos ecossistemas não é a agropecuária como se tenta incutir junto à opinião pública. Duas são as nossas atividades assassinas e que deveriam ter controle maior. São elas o garimpo no interior da Amazônia - verdadeira lesa pátria -  e a atividade madeireira, hoje entregue às multinacionais asiáticas de mão beijada praticamente.


Poucas vezes, para não dizer em nenhuma oportunidade, pude ouvir ou ler alguma crítica de dona Marina Silva e seus miquinhos amestrados, ou contra o garimpo ou contra a atividade das madeireiras multinacionais no interior da Amazônia.  E isto é bem representativo do péssimo papel que esta senhora presta ao país e a seu povo.

Não, meus caros, não se pode demonizar uma atividade honesta, que joga no colo dos brasileiros além do alimento barato e de qualidade, um progresso e uma estabilidade que, sem ela, não alcançaríamos jamais. 

Portanto, vamos dedicar alguns post ao esclarecimento do que o Código realmente pretende e deve alcançar,  deixando claro, desde já,  não haver em seu texto anistia a quem quer que seja. Aquilo que as WWFs vagabundas tentar mentir ao país não passa de papo furado, terrorismo puro que é praticado sob subsídios de agropecuaristas americanos – Fundação Ford, principalmente -  com um único propósito: brecar a produção e os avanços da nossa produção agropecuária cuja excelência e avanço tem conquistado  mercados   sobre os quais eles antes imperavam absolutos.

Entre os post que se seguirão, há um especialmente para o qual pedimos a atenção cuidadosa do leitor. É aquele em que apresentamos um histórico sobre as regulamentações que foram implementadas no país a partir da metade da década de 80, do século passado.  Ali vai ser possível constatar que, sem ao menos respeitar direitos adquiridos, muito plantadores e criadores foram sendo jogados na ilegalidade em suas atividades econômicas, por leis, regulamentos, portarias e medidas provisórias que foram sendo criadas de forma arbitrária e sem nenhum critério técnico que as justificassem. E é sobre este ponto que se discute muito, mas pouca luz se dá ao tema. 


Está na hora do Brasil dar um basta a esta intromissão cretina e má intencionada de ONGs estrangeiras, que tentam vender ideário cafajeste em detrimento do progresso brasileiro. ONGs que, acrescente-se, que não se encorajadas, em seus países de origem, em tentar receitar as mesmas “normas” que por aqui tentam impor. Países que destruíram a quase totalidade da cobertura vegetal original, enquanto o Brasil é o único no mundo que ainda pode exibir cerca de 70% de sua cobertura vegetal original. E com mais orgulho ainda pode se dar ao luxo de apresentar ao mundo uma das legislações mais protecionistas do meio ambiente. Aponte-me – o espaço está livre no blog – um único país que tenha conjugados legislação, percentual de conservação e excelência agropecuária que ao menos se igualem ao Brasil. Podem procurar e revirar o mundo à vontade... Damos o tempo que precisarem para encontrar esta pulga na bunda do elefante...

Portanto, o Brasil pode refugar com autoridade estes eco terroristas vagabundos e suas receitar de “desenvolvimento autossustentável”. Arroz, feijão, trigo, milhões, leguminosas, carnes, etc, simplesmente não nascem em gôndolas de supermercados, tampouco  caem de árvores no meio da selva. Precisam ser plantadas em áreas preparadas e tratadas, e isto exige tecnologia, trabalho honesto e, ainda assim, por conta do clima, todo o esforço de imensas comunidades pode ser inutilizado por falta de chuvas no tempo certo, ou por geadas em demasia. 

O Brasil precisa é dar valor para o fruto do trabalho destes milhões que trabalham, de sol a sol, para nos oferecer alimento de qualidade, a preços baixos, de janeiro a janeiro, precisando além do clima às vezes adverso, ter que enfrentarem o terrorista canalha e o preconceito de quem não é capaz de contribuir com um mínimo de esforço em favor do próprio país, gente que nada tem a oferecer a não ser um discurso vazio e mentiroso, e sua rendição cafajeste ao que pretendem, a qualquer custo, destruir a grandeza da agropecuária brasileira.


E para encerrar estas considerações iniciais, perguntem ao deputado Aldo Rebello, autor do texto central do novo código, com quantas entidades eles discutiu ponto a ponto cada trecho do relatório que elaborou. Quantas foram as viagens por todo o país ele se dedicou em realizar, para buscar um consenso que atendesse todas as partes. Dizer que o novo texto é uma imposição de "ruralistas" é de uma canalhice sem conta, partindo de gente que talvez adore comer capim vagabundo, e que nunca pegou no cabo de uma enxada para cultivar um pé de feijão ao menos.  Não, senhores, os brasileiros merecem ter à mesa uma alimentação de qualidade,  capazes de sustentar a sua luta diária, inclusive contra estes pseudos ecologistas a serviço do capital internacional cujo objetivo é destruir a nossa excelente, indispensável e vitoriosa agropecuária.  

Procurando Tonico


Sebastião Nery
Tribuna da Imprensa

Cidadão romano (viveu de 340 a 397) dos começos do cristianismo, nascido na Alemanha de hoje, filho do prefeito da Galia (França), formado em Direito em Roma, Ambrosio nem batizado era. Morreu o bispo de Milão, houve muita confusão para escolher o sucessor, Ambrosio foi à igreja acalmar a briga, o povo gritou: – Ambrosio bispo!

Ambrosio topou. Muito rico, distribuiu os bens aos pobres, estudou Teologia e se tornou um dos maiores doutores da Igreja, converteu Santo Agostinho e fizeram juntos a letra do “Te Deum”, o mais sacro dos hinos.

Sete de setembro é feriado em Milão e não é por causa do Brasil. É o dia de Santo Ambrosio, que deu ao povo tudo que tinha

TONICO
Coronel Rodrigues era chefe político de Penedo, cidade histórica aqui de Alagoas, nas barrancas do São Francisco, perto de onde o rio mergulha no mar. Coronel dos de antigamente: bom sujeito, boa prosa, bom garfo. E tinha o filho Tonico, menino levado que passava o dia jogando sinuca no bar da praça, mas era seu orgulho.

Um dia, Tonico virou a cabeça e sumiu atrás de uma trapezista do Circo Garcia. Seu Rodrigues quase morre de desgosto. Não saía, não jogava mais biriba com os amigos, triste e amuado em casa, como um boi velho.

Três anos depois, seu Rodrigues recebeu a notícia: Tonico tinha morrido em um desastre em Goiás. Entrou no quarto, passou um dia e uma noite chorando de saudade e mágoa e deixou pra lá.

PENEDO
O tempo passou, todo mundo esqueceu, Tonico não era mais assunto em Penedo. O velho coronel de quando em vez ia buscar atrás da cômoda o retrato do menino ingrato, que ganhara o vão do mundo com a trapezista loura de pernas grossas e recebera seu castigo na curva da estrada.

De repente chega do Rio um amigo:

– Coronel Rodrigues, vi o Tonico lá. Era ele mesmo. Conversei com ele, não volta porque tem vergonha. Nem o endereço quis dar.

O coronel dormiu duas noites de olho aberto, vendo a cara envergonhada de seu menino fujão. Arrumou a mala, pegou o ônibus.

CORONEL
Passou dias e noites na estrada para o Rio. Desceu na rodoviária, aquele mundão de gente. Estava tonto e perdido. Viu um guarda:

– Seu guarda, o senhor sabe onde mora Tonico Rodrigues, de Penedo?

– Sei, sim. Na Rua Senador Pompeu, na mesma pensão em que moro.

– Leve-me lá que Tonico deve estar sem dinheiro para pagar a pensão. Já faz uns dias que ele sumiu de Penedo.

PREFEITOS
As cidades este ano estão procurando prefeitos como o coronel Rodrigues procurou seu Tonico. Já sem esperança de encontrar um decente, como Santo Ambrósio, que ajudava o povo, ao invés de explorá-lo.

A deliciosa história sobre a invenção do jogo do bicho


Luiz Antonio Simas (*)
O Globo


O jogo do bicho surgiu no Rio de Janeiro em 1893. A criação da loteria popular mais famosa do Brasil se deve ao complicado contexto político daqueles tempos. A República, recentemente proclamada, tentava sepultar os resquícios da Monarquia derrubada — e desse quiproquó entre os adeptos dos regimes surgiu o jogo. Explico.

Nos tempos da Monarquia, o Barão de Drummond, eminência política do Império e amigo da família real, era fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro — que então funcionava em Vila Isabel.

A manutenção da bicharada era feita, evidentemente, com uma generosa subvenção mensal do governo, suficiente, diziam as línguas ferinas dos inimigos do Barão, para alimentar toda a fauna amazônica por pelo menos dez anos.

Quando a República foi proclamada, o velho Barão perdeu o prestígio que tinha. Perdeu, também, a mamata que lhe permitia, segundo o peculiar humor carioca, alimentar o elefante com caviar, dar champanhe francesa ao macaco e contratar manicure para o pavão.

Sem o auxílio do governo, o nosso Barão cogitou, em protesto, soltar os bichos na Rua do Ouvidor — o que, admitamos, seria espetacular — e fechar em definitivo o zoológico do Rio.

Foi aí que um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que morava no Rio e era fã do zoológico, sugeriu a criação de uma loteria que permitisse a manutenção do estabelecimento. O Barão ficou entusiasmado com a ideia.

O frequentador que comprasse um ingresso de mil réis para o Zoo ganharia vinte mil réis se o animal desenhado no bilhete de entrada fosse o mesmo que seria exibido em um quadro horas depois. O Barão mandou pintar vinte e cinco animais e, a cada dia, um quadro subia com a imagem do bicho vitorioso.

Caríssimos, se bobear essa foi a ideia mais bem-sucedida da história do Brasil. Multidões iam ao zoológico com a única finalidade de comprar os ingressos e aguardar o sorteio do fim de tarde.

Em pouco tempo, o jogo do bicho tornou-se um hábito da cidade, como os passeios na Rua do Ouvidor, a parada no botequim, as regatas na Lagoa e o fim de semana em Paquetá. Coisa séria.

A República, que detestava o Barão, proibiu, depois de algum tempo, o jogo no zoológico. Era tarde demais.

Popularizado, o jogo espalhou-se pelas ruas, com centenas de apontadores vendendo ao povo os bilhetes com animais dadivosos. Daí para tornar-se uma mania nacional, foi um pulo. O jogo do bicho deu samba — com trocadilho.

Contei rapidamente a história da criação do jogo para constatar o seguinte: a situação atual do zoológico do Rio de Janeiro não parece ser muito diferente daqueles tempos bicudos do velho Barão de Drummond.

Dia destes, o próprio O GLOBO veio com uma reportagem chamando atenção para o desleixo a que o jardim está entregue em tempos recentes. Enquanto a loteria popular prosperou e virou uma espécie de instituição nacional, o zoológico não teve a mesma sorte.

O jogo, que a rigor foi criado apenas para tirar o zoológico da situação de abandono e com uma inocência digna das histórias de Polyana, a moça, chegou longe demais. Vejam, por exemplo, as atuais peripécias republicanas do bicheiro Carlinhos Cachoeira (curiosamente chamado por alguns da mídia de “empresário da contravenção”).

A inocente loteria popular ganhou asas e se transformou em uma complexa organização criminosa, com tentáculos inimagináveis que envolvem até mesmo cândidas vestais de ternos e togas do moralismo tupiniquim.

Deixo aqui a minha sugestão: já que o poder público aparentemente não dá pelota para a bicharada, confisquem as fortunas que o crime organizado amealhou em aparente conluio com os bacanas e poderosos da República.

Separem um pouquinho da grana tungada e, por justiça histórica, destinem o tutu ao carente Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Uma parte do dinheiro do mafioso Cachoeira deve servir ao nobre destino de alimentar cobras, leões, passarinhos e macacos que, afinal de contas, fazem a alegria da criançada carioca em fins de semana.

A César o que é de César. Ou alguém aí sugere a criação de uma loteriazinha inocente que pode salvar o zoológico carioca desse abandono? Não recomendo.

(*) Luiz Antonio Simas é historiador

Waldomiro Diniz e José Dirceu nasceram um para o outro


Jorge Brennand
Tribuna da Imprensa

Os fatos ocorridos nas últimas semanas testemunham que Waldomiro Diniz e José Dirceu nasceram um para o outro. Realçam a convivência mais que fraternal dos amigos que partilharam a mesma residência, o mesmo teto em Brasília, antes de se tornarem vizinhos de sala no 4° andar do Palácio do Planalto no governo Lula.

Inseparável amigo e homem de confiança do então ministro da Casa Civil José Dirceu, para quem labutou como assessor direto na Câmara dos Deputados desde o início dos anos 90, Waldomiro Diniz foi seu fiel escudeiro por quase 12 anos (1992-2004). Uma amizade pura.

Waldomiro Diniz exerceu o cargo de ultraconfiança de subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República no início do governo Lula (2002-2004), provavelmente fase de preparação do terreno e semeadura do Mensalão – pois era o homem certo para essa tarefa -, que viria a amadurecer e ser colocado no mercado em 2005 pelo mascate Roberto Jefferson, que se julgava prejudicado em seus negócios por “concorrência desleal”.

O popularíssimo “escândalo dos bingos” é a denominação de um evento criminoso que veio à tona após denúncias de que o então assessor de Dirceu praticava o santo ofício de extorquir empresários, com a patriótica finalidade de arrecadar dinheiro para o imaculado PT.

A diligente atividade arrecadatória emergiu e assumiu notoriedade após a divulgação de uma gravação feita pelo empresário do ramo zoológico Carlinhos Cachoeira. A gravação mostra Cachoeira levando uma amável e íntima “cobrantina” de Waldomiro Diniz, a pretexto de apoio à campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores, aquela agremiação onde tem de tudo, menos trabalhador.

A gravação foi produzida em 2002, quando Waldomiro Diniz presidia a Loteria Estadual do Rio de Janeiro, durante o governo de Benedita da Silva, também do tradicionalmente moralista PT. O dinheiro resultante da “cobrantina” de Waldomiro Diniz seria investido nas campanhas eleitorais dos então candidatos a governador Geraldo Magela (PT-DF), Rosinha Garotinho (na época no PSB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ). Seria um reforço da popular “Caixa 2”. Isso, antes das eleições; depois, passaria a ser “Sobras de Campanha”, segundo juristas ricos e famosos.

Waldomiro Diniz sempre bateu um bolão na sua “especialidade”, por isso foi convocado e prestigiado por Dirceu. Waldomiro também mostrou seus dotes profissionais insuperáveis na renovação de contratos entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a empresa que gerencia loterias federais GTech. Para, o PT a GTech é uma empresa idônea, acima de qualquer suspeita; porém, para a mídia está atolada nos escândalos envolvendo o ex-prefeito de Ribeirão Preto – também ex-deputado pelo PT, ex-ministro de Lula e  de Dilma e “consultor de negócios” – o médico sanitarista (ramo da medicina que, dentre outras atividades, mexe com excrementos) Antônio Pallocci (PT-SP).

“PRÁTICA DO PARTIDO”
Por todo o país a mídia publicou uma cacetada de denúncias contra o PT. No Rio Grande do Sul, o ex-petista José Vicente Brizola, que presidiu a Loteria Estadual no governo de Olívio Dutra (PT), declarou que “a cobrança de propina de bicheiros é uma prática do partido”. No calor dos acontecimentos Brizola disse que era imputada ao filho da senadora Emília Fernandes (PT-RS), Carlos Fernandes, a nobre missão de coordenar a atividade (extorsão de bicheiros) no partido. Tudo pela causa.

Na ocasião, em meio a tantas notícias de corrupção, os jornais publicaram que a Polícia Federal e uma comissão de sindicância montada pelo governo investigaram o caso e concluíram que Waldomiro Diniz também estava envolvido em trapalhadas com o ex-assessor de Antonio Palocci, Rogério Buratti.

No Congresso Nacional a oposição conseguiu assinaturas para uma CPI dos Bingos, mas o imaculado governo do PT – que quando estava na oposição adorava uma CPI – barrou e liquidou a instalação da comissão com uma manobra regimental.

Márcio Thomaz Bastos, na época ministro da Justiça (?), trabalhou árdua e fortemente para evitar que o primeiro grande escândalo do Governo Lula tomasse conta dos órgãos de divulgação, pois estava muito clara a afinidade do PT com o jogo e a contravenção.

Na Internet e na mídia, naquela ocasião, correu a notícia que Márcio Thomaz Bastos escalou rapidamente o advogado (sempre de plantão para esses eventos) Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para defender Waldomiro Diniz e cortar o desaguar (dar um cala a boca) de Cachoeira, buscando evitar que o escândalo alcançasse e derrubasse o então chefe da Casa Civil e todo poderoso do Governo Lula, o “primeiro ministro” José Dirceu.

A bosta apenas ficou coberta, pois, no ano de 2005 o prelado Roberto Jefferson denunciou o Mensalão e surgiram graves acusações do envolvimento do pároco José Dirceu no esquema, que acabou saindo “por livre vontade” da Casa Civil. E assim se foi o “primeiro-ministro”, segundo o Procurador Geral da República, o “chefe de sofisticada quadrilha”. E o caso, não investigado (abafado) em 2004, tomou conta da mídia em 2005 e se encontra no STF para julgamento.

DE NOVO, THOMAZ BASTOS
Agora, cerca de oito anos depois, mais uma vez Márcio Thomaz Bastos é convocado, em caráter de urgência, para represar a enxurrada de denúncias que Carlinhos Cachoeira está ameaçando desaguar ladeira abaixo. Pode ser um tsunami, pois já saiu na mídia que são interlocutores das campanhas presidenciais do PT de Lula e Dilma, que receberam doações de Caixa 2 do empresário zoológico que – por hábito profissional – garante que anotou tudo: só vale o que está escrito, como registram os talões das apostas.

E tem mais: o deputado federal Amauri Teixeira (PT-BA) alertou o poder demolidor que o “Caso Cachoeira” pode ter na impoluta política brasileira, pois corre à boca pequena que são em número de 126 os seus coleguinhas de ofício (deputados federais) que estão envolvidos, de variadas formas, com os negócios obscuros do empresário zoológico Carlinhos Cachoeira.

Considerando que a Câmara Federal possui 513 deputados, 126 representam cerca de 25% desse total, que podem estar de barriga cheia por terem participado dos banquetes generosos de Cachoeira. Uma senhora bancada. O dobro de deputados da bancada evangélica.

E a CPMI vem aí. Se Carlinhos Cachoeira der os nomes de todos os que foram agraciados com seus atos filantrópicos, terá prestado um grande serviço ao Brasil e, volto a afirmar, merecerá uma estátua na Praça dos Três Poderes, em frente ao Congresso Nacional.