Adelson Elias Vasconcellos
No Brasil há juízes e juízes. Uns se guiam pelo respeito às leis, enquanto outros distorcem as leis a seu bel prazer, muitas vezes por razões estranhas, exóticas, mesmo que tais distorções afrontem ao bom senso, à constituição, ao regime democrático. Nesta segunda categoria se incluem uma penca de juízes e magistrados que parecem sentir saudades da ditadura militar e sua ferrenha paixão pela censura. Não são apenas jornalistas e órgãos de imprensa que se tornam vítimas desta agressão. Até um Conselho Federal de Medicina, por exemplo, pode ser alvo da estupidez e da ilegalidade, quando foi proibido de falar mal de Dilma Rousseff, como se a nossa soberana fosse uma deusa de virtudes, que não estivesse numa posição delegada pela própria sociedade que inclusive a tem sustentado nos últimos anos. Para dizer a verdade, Dilma parece que, além das organizações terroristas de que participou além da ditadura, só foi sustentada pelos contribuintes já que sempre encontrou bocas livres no serviço público. Na única vez que se aventurou pela atividade privada, faliu com uma lojinha de R$ 1,99.
Voltando ao caso dos juízes amantes da censura, a bola da vez é o governador Cid Gomes que parece conhecer as entranhas do judiciário de seu estado para encontrar alguém disposto a protegê-lo e censurar reportagem sobre seu envolvimento com Paulo Roberto Costa, com quem, segundo ele, jamais teve contato. Mas o jornalista Josias Souza, em seu blog, traz à tona uma verdade inconveniente para o governador cearense: texto e foto comprovando que Cid Gomes conhece e já manteve reuniões de negócios com o ex-diretor da Petrobrás.
http://www.comentandoanoticia.blogspot.com.br/2014/09/no-rastro-do-dinheiro-da-propinobras.html
Além disto, a reportagem da Revista ISTOÉ (reveja íntegra aqui) não acusa em nada o senhor Cid Gomes. Apenas o relaciona entre aqueles a quem Paulo Roberto dedurou na sua delação à Justiça. A revista APENAS INFORMA, sem imputar acusação nenhuma. Aliás, Cid Gomes, há pouco dias, fez uma afirmação prá lá de cretina, na linha canastrão que Lula adora representar: disse que se Marina ganhar, não terminará o mandato. O que isto quer dizer, senhor Cid Gomes, que você ou algum partido de oposição pretendem dar um golpe de estado? Tome vergonha, governador!!! Lula, naquele tal ato em favor da Petrobrás arre!), também afirmou, sem nenhuma vergonha ou decência, que os técnicos da campanha de Marina deveriam ser proibidos de falar. Eis a “democracia” desta malta!
É lamentável que membros do Judiciário que deem às costas para a Constituição e, dentre aquele segundo grupo de juízes citados acima, o interesse público seja jogado na lata do lixo. Aliás, seria conveniente que a imprensa verificasse as reais ligações do governador Cid Gomes com a juíza que o premiou e protegeu, impedindo com um ato inconstitucional que o povo do Ceará conhecesse melhor este político que tem mania que fazer farra para seus familiares custeados com dinheiro público. Aliás, nem a sogra escapou destes agradinhos com o chapéu alheio...
Há dias que o site do jornalista Franklin Martins e a própria campanha de Dilma Rousseff praticam um terrorismo estúpido contra Marina Silva. Depois de muito se criticar a baixaria parece que o TSE “acordou” de sua letargia e negligência e resolveu agir. Já no caso do pastor Everaldo o TSE se mostrou bem mais rápido no gatilho. O pastor parece não poder falar da corrupção existente na Petrobrás. O TSE não gosta que adversários do governo o critiquem. Até aqui, ao que parece, somente Dilma Rousseff tinha a exclusividade da crítica e mais, tinha o salvo conduto para difamar e caluniar a oposição à vontade, sobre o patrocínio e silêncio cúmplice do TSE. Ou seja, temos diante de nós o característico caso de dois pesos, duas medidas.
Ontem, sem truques, o IBOPE divulgou nova pesquisa sobre a eleição presidencial. Pelos números divulgados, e diante da patética atuação na semana passada, parece que o IBOPE resolveu ser menos desonesto. Assim, Dilma não apenas parou de subir, mas acabou caindo, mesmo que dentro da margem de erro. E Marina ainda trava duelo ferrenho num empate técnico num provável segundo turno entre as duas. Como o universo de entrevistados me parece muito pequeno, pouco mais de 3.000 (no Datafolha foram mais de 10.000), é melhor esperar por uma pesquisa mais séria e mais abrangente. De qualquer forma, ficou claro o truquezinho sujo que o IBOPE (que é contratado pelo Planalto) tentou aplicar. Quem cai é Dilma, não Marina. Quem sobe é Marina, não Dilma.
A consequência da pesquisa foi a euforia com que os investidores atuaram na Bolsa, comprando grandes lotes de ações de estatais, principalmente Petrobrás. Fica nítido que o PT continua sendo um entrave aos negócios e ao crescimento do país.
De qualquer forma, a certeza que se tem é que teremos um segundo turno e, neste caso, com os tempos de televisão igualados, Marina poderá explicitar melhor suas propostas, e não apenas responder aos ataques bucéfalos e preconceituosos que Dilma lhe dirige.
Seja como for, e para aqueles que torcem por Marina, é bom prepararem seus espíritos. Caso Marina vença, o país assistirá um dos maiores atos de sabotagem a um governo democrático que se tem notícia. Aliás, já noticiamos isto aqui. De um lado, haverá o PT que, não apenas se sentirá cheio de ódio por perder o poder, mas também partirá para uma vingança contra quem o derrotou tendo saído de seus quadros. De outro, teremos o PMDB que tentará se aproximar de Marina para cooptá-la e se manter aliado ao poder, não importando quem o exerça. Porém, Marina guarda reservas em relação a alguns de seus líderes, e é bem provável que parte do PMDB, pela primeira vez desde a redemocratização, caminhe para oposição.
Além disto, Lula buscará sedimentar o caminho para a sua volta em 2018. No ato cretino que proporcionou nesta segunda feira, diante da Petrobrás, com apoio de sindicatos, centrais e até o chefão do MST, ficou claro que os dias de um provável governo Marina Silva serão tumultuados com arruaças e vandalismo promovidos bandidos e canastrões da política nacional. A ameaça de Stedile foi direta para não deixar dúvidas.
Também o PSDB prometeu oposição a Marina. Porém, desta vez seria conveniente os tucanos pensarem melhor. As propostas de Marina, no campo da economia por exemplo, se ajustam ao pensamento do PSDB. Uma união PSB e PSDB, com mais alguns pequenos partidos de linha liberal , poderiam contrabalançar a oposição xiita prometida pelo PT. E talvez o país pudesse, finalmente, ter um governo com um projeto de país, com respeito às instituições, livre do aparelhamento criminoso praticado pelo PT desde que assumiu, e com condições de levar adiante as reformas estruturais tão necessárias para o desenvolvimento , claro, com uma política fiscal responsável e honesta.
O ano de 2015, e creio que boa parte de 2016, já estão contaminados pela mediocridade imposta por Dilma Rousseff. É necessário uma correção de rota e ela não será feita sem sacrifícios. Mas me agrada especialmente a liberdade para o BC atuar com mais campo na política monetária que, se for seguida por uma política fiscal séria, ajudará a trazer a inflação para ao centro da meta. Como também agrada o desejo de se reduzir os atuais 4,5% para algo próxima a 3,00%. Ouvi de gente do governo que se Dilma for reeleita, haverá o desejo de se elevar os atuais 4,5% para 6,5%, o que seria uma atitude estúpida e burra. Seria o mesmo que apagar incêndio com gasolina.
Seja como for, é necessário afastar o PT do governo federal. Ato contínuo à posse, convém que se faça um auditoria completa das contas públicas, reduzir o número de cargos comissionados e de ministérios em busca de eficiência de gastos e de gestão. A ordem para a Corregedoria é: onde houver repasse de dinheiro público que a fiscalização seja rigorosa, sem tolerância de nenhuma espécie. Não se pode aceitar que a corrupção não pode ser combatida tampouco que o dinheiro público não possa ser fiscalizado. Isto é piada de mau gosto, quando não de pura vigarice.
Com pesquisas sujas ou não, com juízes amigos ou simpáticos ao governo tentando no grito, na marra ou na virulência calar a voz dos críticos, sejam eles empresas, instituições ou jornalistas e analistas de mercado, o fato é que o país está dizendo um “não” para Dona Dilma Rousseff. Sua rejeição é, de longe, a maior entre todos os candidatos e a avaliação sobre seu governo já viveu dias melhores. A pouco mais de duas semanas da eleição, o que se tem é um país que parece ter esgotado sua paciência com os métodos de governança e de fazer política dos petistas. Pode-se dizer que os brasileiros querem ter uma vida normal, com trabalho, renda, serviços públicos decentes, com saúde e segurança acima dos demais.
Esta pantomima toda que as esquerdas, especialmente PT, adotam de brigas, corrupção, vandalismos e arruaças já não influenciam, a não ser negativamente, a sociedade brasileira. Este alvoroço todo em torno da Petrobrás é bem característico: enquanto a podridão do que se praticou na esstatal nestes últimos anos vai brotando do submundo, Lula e sua gangue abraçam a sede da companhia, tentando no gogó tapar o sol com a peneira.
De fato, e não só a Petrobrás, mas Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES, precisam voltar a ser empresas estatais. Sua privatização pelo petismo quase as leva à ruína.
Políticas sociais: hora de repensar
Recomendamos que os leitores reflitam sobre dois textos publicados nesta edição para medirem o tamanho da mentira que Dilma alardeia em sua propaganda. Uma, traz a informação de que, mais de 3 milhões, sofrem de desnutrição. E, noutro, estudo inédito encomendado pelo Ipea mostra que, entre 2006 e 2012, a fatia que os 5% mais ricos detinham na renda total do país passou de 40% para 44%. Ou seja, a miséria não “acabou” como Dilma se vangloria e a tal “distribuição de renda” via Bolsa Família é nada se comparado aos benefícios concedidos pelos governos Lula e Dilma à tal “zelite”. Banqueiros ganharam 8 vezes mais neste período do que durante o governo FHC, e a Bolsa BNDES distribuiu bilhões sem que o PIB do país tivesse sofrido um salto de qualidade, pelo contrário, está minguando a cada ano que passa.
Ainda assim, o estudo divulgado pela FAO, traz dados bem intrigantes. Por exemplo, em outro levantamento similar, feito pela mesma FAO, só que em 2013, apontava em 7% o número de brasileiros que passavam fome. Um ano depois, reduziu-se espantosamente este número para 1,7%. Mágica? Truque? Manipulação? Mais uma vez, temos o truque da “mudança de critérios estatísticos”. Parece que o PT vem se especializando nesta enrolação.
Ainda sob o governo Lula, tentando mostrar competência, e diante do PIB que se mostrava raquítico, mudou-se os critérios de cálculo do PIB e, SURPRESA!, o PIB espichou. Contudo, e aí se revela uma farsa, nãoa se deram ao trabalho de se refazer a série histórica, para permitir confrontação de resultados. Mais adiante, já no segundo mandato, Lula mandou alterar outra vez a fórmula de cálculo. E tudo se repetiu.
Dilma Rousseff não deixou de fazer seu truque malabarista dos números. Querendo acabar com a pobreza por decreto, acolheu um estudo feito por Marcelo Nery, em que não podendo aumentar o número de brasileiros de classe média, simplesmente, reduziu as faixas de renda com que o IBGE historicamente sempre trabalhou e, SURPRESA DE NOVO, nada mais do que 30 milhões de pobres e miseráveis se tornaram classe média do dia para noite, sem que lhes fossem acrescentado um centavo de renda. Assim, veja que espetáculo de vigarice, hoje no Brasil quem ganha meio salário mínimo, ou pouco mais de R$ 300,00 já é classe média.
No caso do estudo da FAO, há grandes vigarices. Uma, é que o seu filho já é um ex-faminto se puder ter merenda escolar no colégio em que estuda. O brasileiro que se alimentar de um cachorro quente, ou um mero pastel de vento, também será um ex-faminto, mesmo que não coma mais nada no resto do dia. É bom lembrar que o diretor geral da FAO é um petista de carteirinha, Jozé Graziano que foi o primeiro (e único) a dirigir o Fome Zero, que acabou substituído pelo Bolsa Família. Ninguém desconhece os resultados positivos dos programas, mas os resultados positivos em benefício da população nãoa podem deixar de levar em conta que tanto a redução da fome, quanto da pobreza, tiveram início em 1995, e não apenas durante os governos petistas. Desconhecer este fato se trata de vigarice na veia.
Como já afirmamos várias vezes: ninguém está pedindo o fim dos programas ditos sociais, e sim sua reformulação para que, de fato, produzam efeitos sociais de emancipação do cidadão até a condição de que se verifique a redução no número de beneficiários. Quando isto acontecer os tais programas poderão ser chamados de “sociais”.









