Adelson Elias Vasconcellos
O governador do Rio de Janeiro, a exemplo de seu tutor e guru político Lula, tem o péssimo hábito de, diante de tragédias, primeiro esconder-se da opinião pública. E, depois, quando cobrado, atribuir as causas do desastre aos governantes que o antecederam, acusá-los de populismo, omissão e incompetência, achando que o ataque seria sua melhor defesa.
Esquecem-se tais figuras que sua histeria não resiste a um pouco de análise e uma refrescante recapitulação dos fatos. No caso da tragédia em Angra dos Reis, Cabral não apenas errou ao se esconder, mas, pateticamente, acabou acusando a si mesmo.
Mas antes de Cabral, quem também estava muito perto e continua escondido é ninguém menos do que Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente. E, um pouco distante dos fatos, porém, muito bem informado por assessores, Lula na Bahia curte suas férias, enquanto o país chora mortos, lamenta feridos e fica, mais uma vez, desassistido e entregue à própria sorte.
As construções de moradia moro acima, qualquer moro, em qualquer cidade brasileira, demonstra o inequívoco desacerto das políticas públicas no que diz respeito a programas habitacionais. Lula precisou de um mandato e meio para lançar um programa ambicioso demais para o tempo previsto, mas esqueceu que um programa precisa de projetos, e projetos demandam tempo para serem costurados corretamente para que os objetivos sejam de fato alcançados.
Está visto que nas grandes metrópoles, áreas para construções de moradias estão distantes dos centros financeiros e comerciais. Precisam ser pensados a partir da dotação de infraestrutura necessária tais como energia elétrica, água, sistemas de saneamento básico, transporte público, escolas, postos de atendimento médico, dentre outras necessidades indispensáveis. Ninguém ergue uma casa no meio do nada e leva sua família junto. Além disto, tais áreas precisam ser preparadas e também se exige os devidos licenciamentos tanto ambientais quanto construtivos. Desde que Lula vem lançado programas e mais programas, insistimos na crítica de que se tratam apenas de cartas de boas intenções. Programas sem projetos são discursos no vazio.
As pessoas que se dispõem em morar em áreas de risco, morro acima ou áreas ribeirinhas, assumem os riscos de, diante das forças da natureza, terem a perda de tudo inclusive da própria vida. Mas se expõem ao perigo diante da total falta de perspectiva melhor para viverem. O tal Minha Casa Minha Vida, como tantos outros programas são ações de puro marketing eleitoreiro. E, a exemplo dos tantos pacs lançados a esmo pelo governo federal, tem a existência exata de um pleito eleitoral, nada além disto.
No caso de Angra dos Reis, onde esteve as fiscalizações do governo estadual este tempo todo? Sim, porque em todos os verões, a temporada de chuvas carrega morro abaixo a irresponsabilidade do poder público que, na repetição das tragédias, se renova sempre no discurso infame e omisso. Há um ano atrás, só que em outros morros cariocas, as mesmas cenas aconteceram, as mesmas promessas foram ditas, e o mesmo descaso, passadas as águas de março que fecharam o verão, se repetiu.
Cabral, tão perto e tão distante ao mesmo tempo, esqueceu que o decreto 41.921, de junho último, assinado por ele próprio, afrouxou as regras de construção em áreas de preservação ambiental de Angra e de várias ilhas, ignorando protestos dos ambientalistas (onde estava Minc?), e do próprio Ministério Público. Chutar a responsabilidade para os que o antecederam no cargo, não esconderá sua responsabilidade direta nas tragédias do presente. E disto, Cabral não conseguirá se esconder. Todos já sabem, como ninguém ignora que seu guru político curte o mesmo mau hábito.
No artigo de Noblat, postado ontem em seu blog, ele destaca bem esta semelhança, lembrando que Lula fugiu de São Paulo por muito tempo, logo após a queda do avião da TAM, pelo qual morreram 199 pessoas.
Ainda em dezembro passado, diante das pesadas chuvas que desabaram sobre São Paulo, os petistas tanto os da militância quanto os da imprensa, descambaram pesadas críticas à Kassab e Serra. Ambos, ao invés de se esconderem, foram à luta e não se omitiram, tampouco empurraram a culpa para as administrações anteriores às suas. O que seus críticos esqueceram foi terem lido as estatísticas e verificado que, no período, o volume de água que caiu em São Paulo foi 80% superior em volume, à média histórica. Não há administração pública capaz de prever tanta água e dar jeito de evitar suas consequências. Compete-lhe é depois do fato, agirem para que as populações em áreas de risco, tenham condições de lá saírem para não serem mais afetadas. E foi o que fizeram e estão fazendo.
Todos estes fatos ilustram e comprovam a certeza das críticas que temos feito ao governo Lula: é um governo cheio de cartas de intenções, mas vazio de realizações. É um governo carregado nas cores da propaganda mentirosa que não condiz com a realidade do país. E é um governo devotado apenas ao palanque e ao cerimonial, pois na hora que a população de fato é atingida e sofre, Lula dá as costas para o problema achando que, por ignorá-lo, não será afetado e tudo será esquecido.
Como já disse aqui diversas vezes: Lula jamais será considerado um estadista, porque estes se consagram não são nos palanques ou nas festas, mas na hora da dor e da necessidade, lá estão eles presentes levando solidariedade e soluções. A mania de se esconder demonstra que se está não diante do estadista, mas do governante débil, covarde, fraco.
Por mais que Lula, Cabral, Minc e tantos outros da mesma laia, tentem se esconder nas máscaras que a propaganda cria e o discurso maquia, suas fantasias mistificadoras, cedo ou tarde, são arrancadas deixando à vista a realidade do caráter de cada um. E, diante do espelho, se horrorizam e berram estabanados, por se confrontarem com o que são de verdade: maus governantes, porque se tratam de maus cidadãos.
E antes de Angra dos Reis no apagar das luzes de 2009, uma semana antes, às vésperas do Natal, Lula, Amorin e Marco Aurélio Garcia, já haviam se escondido dos ataques feito a mais de 70 brasileiros no Suriname. Deles não se ouviu um pio de repúdio aos agressores, ou de solidariedade às vítimas brasileiras, principalmente as vinte mulheres que sofreram abusos sexuais.
Vou repetir o que venho afirmando faz algum tempo: cedo ou tarde, toda esta santificação que gira em torno de Lula virá abaixo. Não há mentiras que o tempo não desabriga e deixa exposta aos olhos da grande massa. Algumas pessoas até podem querer ignorar, mas porque se desejam cegas, surdas e mudas. Mas nem todas são idiotas a ponto de se deixarem iludir pela mágica da idolatria dos falsos mitos da história. Os grandes nomes da história da civilização humana, jamais foram consagrados em seu tempo. E Cabral, por seguir os passos de seu tutor, não conseguirá se esconder nem de si mesmo tampouco da história que um dia será contada sobre o que ele de fato foi, e o que de concreto realizou. Caráter é uma coisa que marqueteiro político nenhum consegue impor a alguém: ou você tem ou você não tem. Não é um produto que esteja a venda no mercado de pulgas.
Até porque os governantes são eleitos para resolverem os problemas presentes, que afetam a vida das pessoas no dia a dia, e não para se debruçarem em retrospectivas do passado. Sobre isto, melhor deixar que os meios de comunicação e os historiadores cuidem, eles tem maior competência e maior isenção.

