terça-feira, julho 17, 2007

TOQUEDEPRIMA...

***** Seis mexicanos são pegos em antidoping prévio
Portal Terra

Seis atletas mexicanos, que iam participar dos XV Jogos Pan-Americanos Rio-2007, foram flagrados nos exames prévios de controle antidoping, confirmou nesta segunda-feira a Comissão Nacional dos Desportes (Conade).

Os atletas faziam parte das equipes de beisebol, (dois), tênis, atletismo, pentatlo e halterofilismo.

Todos tiveram suas identidades divulgadas pela Conade, exceto a do tenista.

Segundo as respectivas federações, os flagrados são Jorge Vázquez e Carlos Alberto Gastélum (beisebol), o halterofilista Francisco Rizo, as atletas Adriana Fernández e Karina Morales.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Fosse um ou dois atletas apenas, ou mesmo em uma única modalidade, até se poderia dizer que os atletas se doparam por conta própria. Porém, tantos, em provas tão variadas, impossível aceitar que não fosse do conhecimento dos dirigentes esportivos mexicanos. Parece ser algo “previamente” combinado.

***** Vaiado no Maracanã, Lula se diz "triste"

Foi tristeza o sentimento que perturbou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as vaias estrondosas que recebeu na abertura dos Jogos Pan-americanos na última sexta-feira (13.07), no estádio Maracanã. "A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá", lamentou o petista em seu programa de rádio "Café com o presidente".

Depois, Lula tentou mudar o foco do problema ao falar da organização do evento. "O que nós precisamos torcer é para que as pessoas saiam daqui com uma imagem altamente positiva da capacidade de organização que o Brasil tem para fazer eventos internacionais dessa magnitude. Quando há disputa política a coisa fica mais encrencada".

Já a oposição comemorou as vaias. "É bom para ele não se achar dono da opinião pública e saber que há súditos que vaiam", disparou o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB. "Ficou claro que uma parcela da população o rejeita", emendou o deputado federal ACM Neto (DEM-BA).

***** Fortuna de milionários brasileiros chega a US$ 573 bilhões

O Brasil chegou ao número de 130 mil milionários - que possuem pelo menos US$ 1 milhão cada em investimentos no Brasil e no exterior -, em 2007. É o que apontam levantamentos ainda não tabulados da Receita Federal e do BCG (The Boston Consulting Group), divulgados na Folha de S.Paulo deste domingo. Os brasileiros são os mais ricos da América Latina e, somados, possuem fortuna estimada em US$ 573 bilhões, o que representa mais da metade do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.

No último levantamento realizado pelo BCG, em 2005, a fortuna dos brasileiros mais ricos atingia US$ 540,5 bilhões. O Brasil ocupava a 14ª no ranking de nações com o maior número de milionários – o índice de 2007 ainda não foi divulgado. Os pesquisadores ouviram 150 gestores de fortunas em 62 países.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, o governo que dizia que governava para os pobres, acaba é favorecendo os mais ricos. Enquanto o pobre recebe o Bolsa-Família, os ricos, o Bolsa BNDES. Aliás, bem mais robusta que do que a outra bolsa...

***** PAC estimulou investimento... estatal

Coincidência ou não, o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) parece ter acendido o sinal verde de investimentos dos órgãos públicos e principalmente das empresas estatais. Pelo menos é o que indicam os R$ 17,6 bilhões investidos pelos setores no primeiro semestre de 2007.

A marca é o recorde dos últimos sete anos, mesmo excluindo os investimentos das estatais nos meses de maio e junho, pois os dados do período só serão divulgados no fim deste mês. No entanto, da parcela orçamentária prevista para o PAC este ano (cerca de R$ 7,5 bilhões), apenas R$ 1 bilhão foi efetivamente pago para contribuir com as obras do programa.

Mesmo com os dados das estatais contabilizados somente até abril, é possível verificar que o total investido pela administração federal no primeiro semestre de 2007 supera significativamente os valores do mesmo período, desde 2001. De lá para cá, os investimentos das estatais vêm crescendo. Naquele ano, elas investiram R$ 4,8 bilhões. Em 2006, cujo primeiro semestre era até então o recordista, foram R$ 8,4 bilhões em investimentos, quantia 34,8% menor que o valor de 2007, R$ 11,3 bilhões.

A Petrobras é a principal responsável pela marca. A empresa investiu R$ 10 bilhões, ou seja, 88,3% de todo o valor aplicado pelas estatais neste primeiro semestre. Os investimentos da companhia petrolífera ainda representam 57% de todo o valor global investido pela administração federal em 2007. Já os órgãos públicos investiram R$ 6,3 bilhões nos primeiros seis meses de 2007, o equivalente a cerca de 35% do total. As pastas que mais aplicaram recursos no primeiro semestre foram o Ministério dos Transportes, com R$ 1,8 bilhão, Saúde e Defesa, R$ 700 milhões cada, e Educação, com R$ 500 milhões.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, este “aumento” nos investimentos das estatais tem muito de planejamento estratégico e plano de investimentos de cada uma, existentes bem antes do PAC. Claro, fica mais robusta a versão de que o PAC é responsável pelo aumento dos volumes de investimentos. Porém, não vá ninguém se enganar: apesar de querer enaltecer seu PAC, no fundo o que temos é um plano ainda empacado e enredado em si mesmo, com dificuldades operacionais para levantar vôo. Além disto, é bom não esquecer que o PAC tem 50% de investimentos derivados da iniciativa privada. E esta, até agora, não abriu seus cofres. Não há ainda definição de regras, e sem isto, ninguém é maluco de rasgar dinheiro à toa.

***** Zé Dirceu negocia seu talk show na TV

O ex-ministro José Dirceu está negociando um programa de televisão do tipo talk show, de entrevistas e debates, bem ao estilo europeu, "para discutir o Brasil". A idéia não é dele, mas de uma grande rede de televisão aberta mantida sob sigilo, que lhe fez uma sondagem inicial. Não é a Globo, claro, que ele tem criticado intensamente em seu blog. José Dirceu também recebeu convite e estuda a proposta de um canal de notícias a cabo.

COMENTANDO A NOTICIA: É, de fato, praticar tráfico de influência, ou melhor, lobby em favor de multinacionais, pelo que se vê, rende muito bem...

***** Presença no encerramento não está confirmada

O ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., disse ontem que não sabe ainda se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai participar da cerimônia de encerramento do Pan-Americano do Rio, marcada para o próximo dia 29. Lula foi vaiado na abertura do evento, realizada na sexta-feira passada, no Maracanã.

O ministro negou, segundo seus assessores, que a falta de confirmação de Lula nos próximos eventos do Pan tenha relação com as vaias da cerimônia de abertura. Orlando Silva afirmou, segundo seus assessores, que é difícil montar a agenda do presidente e que por isso Lula ainda não confirmou participação na cerimônia de encerramento.

Lula usou seu programa semanal de rádio para afirmar que ficou muito "triste" com o episódio. "A vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá", desabafou Lula.

Esperto ou corrupto, qual a diferença?

Fritz Utzeri, jornalista, Jornal do Brasil

Nas pequenas coisas, aparentemente insignificantes, as maneiras de pensar e agir de um povo se revelam. De que serve indignar-se com Renan & Roriz e no dia-a-dia trafegar pelo acostamento da estrada se houver engarrafamento; desrespeitar o sinal se não houver guarda ou ignorar a placa e estacionar na vaga do paralítico? Vejo isso todos os dias no estacionamento onde deixo o meu carro, no Centro.

Parece que procuramos sempre a vantagem à custa de pequenos expedientes. Corrupção é outra coisa, pensamos. É roubar grande! Quantos de nós, brasileiros, só não somos corruptos simplesmente porque jamais tivemos a oportunidade de sê-lo? Ou será que, como dizia o imortal Barão de Itararé, corrupção é "aquele grande negócio para o qual não fomos convidados?"

Li no domingo passado, numa das colunas mais prestigiadas da imprensa carioca uma nota sobre a inauguração do Engenhão. O ingresso seria trocado por uma lata de leite em pó, destinada a instituições de caridade. Leia a nota transcrita, ipsis literis do jornal:

"Em tempo: uns torcedores espertos trocaram o leite em pó das latas por areia na inauguração do Engenhão. No ato da troca pelo ingresso, poucos bilheteiros perceberam o golpe".

Percebeu? Não? Leia novamente. Será que é adequado qualificar como "esperto" o torcedor que dá esse golpe para entrar no estádio? Vamos verificar, no Aurélio, o que significa "esperto".

Esperto. [Do lat. vulgo expertu (v. espertar).] Adj. 1. Acordado, desperto. 2. Inteligente, fino, arguto: "Nada lhe escapa, é muito esperto". 3. Enérgico, vigoroso: movimentos espertos. 4. Espertalhão (1). 5. Forte, vivo: fogo esperto. 6. Quase quente: Estranhou a água do banho que estava esperta. 7. Bras. Gir. V. bacana (1). S.m. 8. Espertalhão (2): O mundo é dos espertos. [Cf. experto.]

Vamos a espertalhão:

Espertalhão. [De esperto + alhão.] Adj. 1. Diz-se de homem esperto, finório. Velhaco, astuto, malicioso, esperto.

Veja como o comportamento e a percepção se refletem na língua, tornando-a imprecisa e demonstrando como o criminoso pode ser admirado pela sociedade, a ponto de ser confundido com "inteligente, fino e arguto", sem citar que "esperto" dá origem a "experto" que significa alguém que tem experiência, um perito.

Ou seja, segundo o dicionário, "esperto" para os brasileiros quer dizer: "inteligente, fino, arguto", mas também: "finório, velhaco, astuto e malicioso"... Entenderam?
Ora, o que esses espertalhões do Engenhão (aí a palavra seria aplicada corretamente) fizeram, a lei tipifica como estelionato, fraude, que é crime definido assim pelo Código Penal:

"Estelionato é o fato de o sujeito obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento".

A pena para crime de estelionato é de dois a seis anos de detenção com multa. Não há razão alguma para a admiração mal disfarçada que freqüentemente demonstramos por essas pequenas "espertezas" criminosas. Vamos usar as palavras certas. E não adianta reclamar do Renan e do Roriz & Cia. Se você anda pelo acostamento, paga uma cervejinha para o guarda ou acha idiota perder seu precioso tempo numa fila, podendo furá-la, você, meu amigo, não é esperto. Você é um delinqüente.

PS - A nota não informa o que aconteceu com os "espertos" que foram pegos. Foram presos? Sentenciados a quantos anos? Por mim, mandava preparar um copão do leite em pó que trouxeram e mandava beber até o último gole...

Burocracia tem 5.754 MW na gaveta

Renée Pereira , Estadão

Enquanto o governo comemora a liberação da licença prévia das hidrelétricas do Rio Madeira, que terão capacidade de geração de 6.450 megawatts (MW), uma série de outras usinas de pequeno e médio portes está empacada há anos por causa de problemas ambientais e jurídicos. Juntas, essas unidades representam quase um Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira espalhado pelos quatro cantos do País, segundo relatório de Fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) referente ao mês de junho.

No total, são 5.754 MW de potência, entre hidrelétricas e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs, que produzem até 30 MW por unidade). A construção dessas usinas significaria injetar R$ 13,2 bilhões na economia, sem considerar os investimentos indiretos que as obras exigem.

Boa parte das hidrelétricas acompanhadas pela Aneel foi licitada entre 2001 e 2002, nas antigas regras do setor elétrico. Ao contrário do modelo atual, naquela época os projetos eram concedidos aos investidores sem a liberação da licença prévia e sem a preocupação se o empreendimento tinha ou não viabilidade ambiental.

Hoje, das 36 hidrelétricas acompanhadas pela agência reguladora, 13 têm graves problemas para a entrada em operação e 9 têm algum tipo de impedimento. Ou seja, apenas 14 estão liberadas. Mesmo assim, boa parte das unidades está com o cronograma atrasado para o início de funcionamento. São essas usinas que estão sendo consideradas pelo governo para aumentar a oferta de energia até 2011.

'O atraso das hidrelétricas significa um aumento no risco de o País decretar um racionamento em 2010 e 2011', afirma o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Salles, que tem acompanhado de perto o andamento das usinas incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Entre essas unidades, o atraso no cronograma elevou de 8% para 8,5% o risco de desabastecimento em 2010 e de 14% para 16,5%, em 2011. 'O índice razoável é 5%', diz.
O quadro das PCHs é ainda pior. São 201 usinas, sendo 109 com licença de instalação e 92 sem essa licença. Mas, independentemente do estágio, a maioria, que soma 2.681 MW, está com selo amarelo e vermelho no relatório da Aneel. Apenas 14 PCHs estão sem impedimentos para a entrada em operação. Nesse caso, as usinas não são licitadas, apenas autorizadas pela agência reguladora.

Apesar de produzir até 30 MW, as pequenas centrais têm de cumprir exigências semelhantes às das grandes, afirma o presidente da Associação dos Pequenos e Médios Produtores de Energia Elétrica (APMPE), Ricardo Pigatto. Nas usinas abaixo de 10 MW, não é necessário fazer o EIA-Rima, mas só um relatório simplificado. Segundo Pigatto, os projetos levam de 2 a 3 anos para conseguir a licença de instalação e a obra demora de 20 a 24 meses para ser concluída.

Senado, para que te quero?

por Percival Puggina, site Diego Casagrande
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Nos últimos dias, setores da opinião pública dão sinais de haverem encontrado a solução para o Caso Renan: feche-se o Senado! Se essa fosse uma boa saída então teríamos perdido a chance de resolver outro problema durante o curto mandato de Severino Cavalcanti na presidência da Câmara dos Deputados: feche-se a Câmara! Lula, por sua vez, agradeça aos anjos e santos pelos ouvidos roucos e olhos complacentes da sociedade perante o que acontece à sua volta. Não fosse assim – feche-se o Planalto e jogue-se fora a chave! E não nos faltariam motivos semelhantes para fazer o mesmo com o Judiciário.
Tais posições têm viés anarquista ou totalitário e em nada contribuem para qualificar nossa democracia e as instituições que a servem. Compreender as relações de causa e efeito que se estabelecem entre as enfermidades que atacam os poderes da República em todos os níveis, perceber a natureza das reformas que se fazem necessárias e urgentes, e operar os mecanismos de pressão sem os quais nada mudará, é tarefa quase exclusiva das elites nacionais. Verdades nuas e cruas: 1ª) não se espere do cidadão comum, mourejando pelo almoço da família e preocupado com o nível do rio que ameaça alagar sua casa, que proceda às reflexões sobre os problemas institucionais do país; 2ª) não se espere que próprios detentores de poder tomem a iniciativa de modificar o que muito lhes convém.

Nas sociedades democráticas, tais reformas só ocorrem mediante movimentos de opinião e de pressão, com efeito político e eleitoral, sob responsabilidade original de uma determinada parcela de sua elite. Refiro-me àqueles cujas condições de vida, formação intelectual, capacidade de influência, acesso à mídia, liderança moral e espiritual, recursos materiais e disponibilidade de tempo, desencadeiam, nas próprias consciências, o sentimento de que têm deveres significativos em relação ao bem comum. Um de nossos problemas está em que essa específica parcela da elite nacional se encolhe perante a outra, certamente majoritária, cujos interesses vicejam à sombra das nossas anomalias institucionais.

O bicameralismo, voltemos à pauta, é um modelo indispensável à forma federal de Estado. Em Estados federais, há uma casa legislativa onde a representação é proporcional à população, e outra onde todas as unidades têm o mesmo número de representantes. É um segundo plenário, com a função de assegurar a igualdade política dos Estados-Membros. Na Câmara dos Deputados, a representação de São Paulo é 10 vezes maior do que a de Roraima, mas no Senado ambos têm o mesmo peso político.

Acabar com ele é debilitar ainda mais a Federação, com imenso ganho à voracidade de poder e de recursos fiscais que caracteriza a União. O que precisamos é robustecer as funções do Senado na Federação; suprimir-lhe atribuições redundantes com as da Câmara dos Deputados; conectar os senadores aos governos estaduais; simplificar-lhe a estrutura da Casa e reduzir seus escandalosos custos operacionais.

TRAPOS & FARRAPOS...

EXPLICAÇÕES CHULAS DOS ARISTOCRATAS DO PODER...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

As vaias endereçadas à Lula na festa de abertura dos Jogos Panamericanos parecem ainda renderem alguns “caldos”. E há duas correntes, ambas totalmente equivocadas, que “apresentam” suas teorias esquizofrênicas para explicar um acontecimento que nada teve de especial, muito menos de horroroso. Uma corrente, a dos puxa-sacos, e aí se inclua o ministro dos Esportes, Orlando Silva, e também o governador Sérgio Cabral, partiram para ao ataque: as vaias foram orquestradas, foi uma manipulação dirigida contra a sua “excelência”, o presidente Lula, uma espécie de ato conspiratório contra sei lá o quê, mas eles querem mais é se fazerem de vítimas, do que fazer a adequada leitura dos fatos.

Outra corrente, esta sequer mereceria crédito, quanto mais que se perdesse tempo com ela. Ela diz que a vaia no Maracanã só foi possível porque não havia povo, só classe média e os ricos. E desde quando para ser povo se precisa ser obrigatoriamente pobre ? Pura sandice, falta do que dizer ou escrever. Lá havia povo sim, e tanto, que vários canais entrevistaram as pessoas que se dirigiam ao estádio, e muitas vinham do nordeste, do sul, do norte, do centro-oeste, do sudeste. Ou seja, eram noventa mil brasileiros vindos de várias partes do país, e na sua maioria pareciam gente simples, pessoas comuns. Assim, tanto num caso, o da teoria conspiratória, quanto no outro, a falta de “povo” no Maracanã, caem por terra diante dos fatos, diante da impossibilidade de se combinar com 90 mil pessoas vindas de vários estados brasileiros que se produzisse uma vaia colossal a cada menção do nome ou a simples presença no telão do estádio, do cidadão de nome Lula.

Dizer que a maioria era de classe média até pode ser. O preço dos ingressos talvez ficasse inacessível para a grande maioria da população. E daí ? Teria aquela classe que sustenta um governo e um Estado perdulários, motivos para comemoração ? Ela que arca com 40% do que ganha, precisa depois de anos de estudo e formação intensa na sua atividade profissional, se contentar em ver reduzidos seus ganhos que estão sendo achatados cada vez mais para baixo, para abrigar pessoas de muito menor qualificação e formação, ocupando as mesmas funções com salários cada vez mais inferiores ? Que motivos teria esta classe de pessoas, parte importante do povo, para aplaudir um governante que nunca lhe dispensou a menor atenção e até faz questão de fazer pouco caso de seu trabalho e do pouco patrimônio adquirido que o trabalho lhe permitiu adquirir, e ainda nutre um preconceito inexplicável com forte cheiro de despeito, recalque e inveja ?

A classe média de hoje, foi a classe pobre de ontem. A maioria de médicos, engenheiros, advogados, dentistas, economistas, são formados por gente filhos de pessoas pobres que se sacrificaram um bocado para formar seus filhos e lhes permitir uma vida melhor e mais digna. E é contra estes que Lula, e eu diria todos os petistas, dirigem seus torpedos de ressentimento que, como disse, demonstram apenas sua inveja e despeito. E é sobre esta atual classe média que pesa o ônus de sustentar uma classe política e sindical formada de vagabundos e canalhas. Ou agora, apenas por que Lula foi reeleito com, vá lá, 60 milhões de votos, o restante do eleitorado e da população do país não têm o direito de vaiá-lo ? Apenas para lembrar: aqueles quase 60 milhões de votos representam apenas um terço da população do país, que fique claro. Onde está escrito que ele deva ser reverenciado como um Deus, quando tudo que tem feito é destilar um ódio incontido contra quem estudou e trabalhou a vida toda para, de forma absolutamente meritória, ter hoje melhor qualidade de vida, enquanto grande número foi pra política, por absoluta inapetência com estudo e o trabalho ? Ora, façam-me o favor: inventem outra lorota, esta, definitivamente, não cola de jeito algum.

Lula foi vaiado sim, por ter chegado atrasado, e muito atrasado, para uma festa em que grande parte dos presentes pagara ingressos para entrar, ao passo que ele e sua comitiva de apanigüados entrou de graça. E não venham com esta balela de se dizer que o governo federal liberou R$ 1,8 bilhão de reais. Primeiro, que liberou um dinheiro que não era dele, é do povo que paga impostos, e que não precisa mamar aposentadorias fraudulentas de “anistiado político” para ganhar a vida. Segundo, que o volume de recursos que realmente foi liberado é bem menos do que a metade do tal R$ 1,8 bilhão. E só foi liberado porque o governador era seu aliado político, porque se não o fosse dificilmente a verba seria entregue para a conclusão das obras. E não se pode esquecer de um detalhe importante: quando se assina um protocolo para a realização dos jogos, o governo federal também se compromete com as obras , ele não fica feito um alienado no processo de organização. Se fez o que fez para que o resultado final pudesse ser alcançado, nada mais fez do que sua obrigação, e porque o que estava em jogo era o nome do Brasil, e não apenas do Rio de Janeiro. Mas fazer sua obrigação no caso, não será motivo para que as pessoas que se sentem prejudicadas pelo governo Lula se valham de uma oportunidade pública para vaiar sua excelência. Deveria ter tido uma atitude mais digna e cumprido seu papel até o fim, e não fugir e ficar com medo de sofrer nova vaia. A vaidade, a arrogância e a presunção, no final, para o senhor Luiz Inácio, acabaram falando mais alto do que cumprir com dignidade seu papel de governante de uma país livre, numa cerimônia festiva de um evento internacional.

Portanto, o público presente ao Maracanã foi duplamente alvo da deselegância do senhor Lula: primeiro, ao atrasar excessivamente a cerimônia de início da festa, por não saber cumprir como deveria com o horário marcado. Isto é irritante até em circo mambembe, quanto mais ali, numa cerimônia pública, em que as pessoas se deslocaram para assistir uma festa que pagaram para nela ingressar. E segunda deselegância, ao recuar da proclamação de abertura dos jogos. Portanto, nada de querer bancar o vítima, ou alegar alguma “conspiração” contra a sua pessoa. Que faça uma reflexão bem sincera, e peça desculpas ao povo do Rio de Janeiro e até brasileiro, porque governante ser vaiado nunca foi novidade em lugar algum do mundo. Novidade é a baixa freqüência de grandeza do governante vaiado renunciar seu papel.

E aqui fica um recado: quando os militantes petistas, teleguiados por gente da CUT, comparece em cerimônias de outros governantes para vaiar, apupar, agir com truculência, estendendo cartazes de protestos, os mesmos que agora dizem que não havia povo no Maracanã nada comentam. Agora, quando seus bandoleiros prediletos sofrem na pele o mesmo tratamento com que tratam os outros, aí querem ver chifres em cabeça de cavalo.

Portanto, classe média, senhores, é povo também, muito embora seja um parte do povo que não precisa da esmola oficial para viverem. Por serem trabalhadores, exercem suas profissões com independência, sem precisarem escorregar na bajulação remelenta e disforme dos indignos. E, por ser independente, tem todo o direito de vaiar a Lula como a qualquer político safado deste país. Eles bancam a corte faraônica dos privilégios imorais com que se deliciam os faraós e seus aristocratas e fidalgos. Portanto, ao vaiar Lula e Cabral, apenas exerciam o direito independente de lhes dizer: estamos de saco cheio de sustentar vossa vagabundagem. Apenas isso.

Nesta história, portanto, há um enorme baú de obviedades, como lembra bem o Reinaldo Azevedo:

Obviedades
Reinaldo Azevedo
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Ah, sim. E há uma coisa óbvia nesta história da vaia: os mesmos que vaiaram Lula vaiaram também a delegação americana e aplaudiram a cubana, o que registrei aqui, enquanto estava acontecendo. Teria sido orientação de Cesar Maia?
Por que esse fato tem alguma relevância? Porque, como se vê, não foram vaias, vá lá, ideologicamente coerentes. Os brasileiros presentes ao Maracanã estão, a exemplo da população de todo o mundo, expostos à militância antiamericana.
Mas Lula... Ninguém ali o conhecia só de ouvir falar. Todos o conhecem na pele. Sabem por que aquelas pessoas vaiaram Lula? Porque estão descontentes com Lula. Um petista pode achar que isso não existe. Na democracia, quem tem a maioria leva — mas não leva a unanimidade. O Brasil tem 180 milhões de pessoas e 124 milhões de eleitores. Lula foi eleito com 58 milhões de votos.

Outra empresa de Efromovich doou ao PT

Estadão
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O deputado Carlos Santana (PT-RJ) recebeu em sua campanha eleitoral em 2006 uma doação de R$ 25 mil do Eisa - Estaleiro Ilha S.A. A empresa pertence a German Efromovich, dono do estaleiro Mauá Jurong, um dos três grupos acusados de integrar o esquema de fraudes em licitações e contratos da Petrobrás. A doação foi feita no dia 21 de setembro, segundo registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O nome do parlamentar já havia aparecido como beneficiário de uma doação eleitoral de R$ 50 mil feita por Ruy Castanheira de Souza, preso pela Polícia Federal como um dos cabeças do esquema desmantelado pela Operação Águas Profundas, conforme revelou o Estado no dia 11.
Procurado ontem, o deputado não foi encontrado. Em outras ocasiões, Santana afirmou não conhecer os envolvidos no esquema de fraudes e disse que a doação de Castanheira foi feita de forma legal.

O nome do estaleiro Eisa não havia aparecido até o momento e não figura entre os investigados pelo Ministério Público - nem mesmo seu dono, Efromovich. O estaleiro é apenas um dos tantos negócios do empresário, um colombiano naturalizado brasileiro. Entre a lista de empreendimentos, ele tem também outra empresa do setor naval: a Marítima Petróleo e Engenharia.

A Marítima, que trava uma briga judicial com a Petrobrás no valor de US$ 2 bilhões, também ajudou campanhas eleitorais em 2006. Foram doados R$ 180 mil. É a mesma quantia que foi doada pela Mauá Jurong na campanha.O dinheiro da Marítima foi para as campanhas de deputado de Edmilson Valentim (PC do B-RJ) - R$ 30 mil - e de João Caldas (PL-AL) - R$ 100 mil -, e para a de senador de Omar Resende Peres Filho (PDT-MG) - R$ 50 mil. Os dois últimos não foram eleitos.

Por meio da Mauá Jurong, Eframovich ajudou exclusivamente campanhas de petistas cariocas. Os beneficiados com os R$ 180 mil foram os deputados eleitos Luiz Sérgio (líder do PT na Câmara), Francisco D'Angelo e Jorge Bittar e o deputado estadual Rodrigo Neves. Os parlamentares alegaram que as contribuições foram registradas regularmente e que atuam em prol da indústria naval e petrolífera.

A denúncia do Ministério Público afirma que Mauá Jurong, em parceria com a Iesa Óleo e Gás e a Angraporto, manipulava os resultados das licitações.

A Iesa também tem ajudado petistas nas eleições. No ano passado ela deu R$ 1,5 milhão para o PT em ajuda para a campanha de reeleição de Lula. Ela deu ainda R$ 50 mil para a campanha do senador Delcídio Amaral a governador de Mato Grosso do Sul.

Regra da ONU exclui empresas brasileiras

Norberto Staviski

Novas exigências da Organização das Nações Unidas (ONU) para projetos de captura de gases de efeito estufa afetaram em cheio as empresas brasileiras. A tecnologia adotada até então, dominada pela indústria nacional, está sendo trocada pela de empresas alemãs, conforme relata a Sadia. A produtora de alimentos está revendo todo o seu projeto de captação de gases, aprovado pela ONU para Mudanças Climáticas no início do ano passado.

- Houve uma mudança brusca na metodologia da ONU para a suinocultura anunciada em setembro de 2006 e agora ela exige maior sofisticação no equipamento e maior rigor na medição do carbono capturado - afirma a diretora do Instituto Sadia de Sustentabilidade, Meire Ferreira. - O problema é que estas exigências estão atreladas à aquisição de equipamentos de empresas e de tecnologia exclusivamente alemãs, o que elevou muito os custos do projeto.

As mudanças nos critérios de cálculo de emissão da ONU reduzem em 50% o potencial de produção de carbono e elevam o custo do processo. Inicialmente, o objetivo da Sadia era o de instalar biodigestores - equipamentos que capturam gases do efeito estufa - nas 3,5 mil granjas integradas de suinocultores. A meta era vender 2,4 milhões de toneladas até o final de 2012, com os quais a empresa esperava receber cerca de R$ 80 milhões.

- Só vamos poder implantar os biodigestores do projeto em um terço das granjas - diz Meire.

A Sadia obteve R$ 60,5 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar todo o programa de seqüestro do metano produzido pela sua suinocultura integrada.

- Temos de buscar novas alternativas no BNDES ou uma nova fonte de recursos para os produtores restantes - informa.

O programa, que utiliza o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto, está sendo implantado nas regiões de Três Passos (RS), Concórdia (SC), Toledo (PR) e Uberlândia (MG). Até o momento, 92,5% dos integrados da Sadia aderiram ao 3S.

- A ONU, com suas medidas mais rigorosas, atrasou em pelo menos 10 meses o nosso projeto porque não sabíamos o que fazer - aponta a diretora. - De qualquer maneira, o prazo de entrega do primeiro lote e do crédito negociado estão mantidos porque a Sadia tem capacidade e bastante folga para honrar o compromisso.

O preço da tonelada do carbono está hoje entre 10 e 12 euros, mas o valor é estabelecido no ato de entrega - pelo preço do dia ele já bateu 20 euros. Numa primeira estimativa, feita com os critérios antigos da ONU, a empresa acreditava ter disponíveis para oferecer ao mercado cerca de 10 milhões de toneladas de carbono. Hoje, o número com base nos novos critérios ainda não está calculado.

Nos planos da Sadia, além de possibilitar a comercialização do crédito de carbono, o uso do sistema de biodigestores poderia incrementar a renda do pequeno produtor, oferecendo subprodutos como estoque de biofertilizante para uso agrícola, biogás para utilização como energia elétrica ou gás de cozinha, também reduzindo nas granjas o mau cheiro característico da suinocultura.

- A produção de energia para consumo próprio, por enquanto, também é inviável pelo alto custo dos equipamentos com o que o produtor não pode arcar - ressalta Meire. - Mas é uma alternativa que não desprezamos para o futuro.

Neste projeto, a matéria orgânica usada nos biodigestores é proveniente dos resíduos gerados pelos suínos. Esses dejetos são fermentados por bactérias em tanques cobertos, evitando a emissão na atmosfera de gás metano (CH4), 21 vezes mais poluente que o dióxido de carbono (CO2) ou gás carbônico.

Berzoniev, eis o homem

Reinaldo Azevedo

"Não aceitamos linchamento público nem constrangimento para forçar o presidente Renan Calheiros a se licenciar ou renunciar". A frase é de Ricardo Berzoini, presidente do PT. Mais do que uma opinião sobre o caso Renan, trata-se de uma manifestação de caráter: do partido e de seu presidente.

Renan Calheiros está de tal sorte queimado, que a sua defesa será sempre incômoda. Oportunista como é, o PT a tanto não se dedicaria se não visse na desgraça do presidente do Senado um risco a sua própria posição. O partido é conhecido por jogar aliados na fogueira se for preciso. Só não joga quando pode se queimar também. Renan, sabemos, é um homem que já disse não “ter limites” para se defender, e o recado foi dado aos petistas. Só uma nota: Renan está queimado, como eu disse, não por conta do suposto linchamento, mas porque os documentos que apresentou como prova de seu rendimento são frios; porque não consegue se explicar. Voltemos.

Procurem nos sites noticiosos a foto do dia de Berzoini. Os leitores recentes deste blog talvez não saibam: desde o Primeira Leitura, chamo o presidente do PT de “Berzoniev”, emprestando a seu nome um sotaque que remete à antiga burocracia soviética. Ele é, no PT, o meu exemplo do perfeito (para eles) burocrata. Sindicalista — era bancário —, integra o núcleo duro do partido e da CUT.Uma digressão ligeira: um dia, algum historiador — não da USP, naturalmente — ainda vai-se interessar pela importância dessa categoria na formação do PT. Gushiken era bancário. O “aloprado” Expedito Veloso era bancário. Waldomiro Diniz era bancário. Paulo Bernardo era bancário. Olívio Dutra era bancário. Bancários, se quiserem, sabem tudo sobre todo mundo... Fim da digressão.

Entrevistei Berzoini no Roda Viva, quando ele estava às voltas com a reforma da Previdência — que eu apoiava, diga-se. No programa, limitei-me a lembrar que quem não a apoiava antes era o PT. O homem é dono de uma palidez perigosa, meio macilenta. César, o Júlio (ao menos o de Shakespeare), temia os muito magros; eu temo os que não coram nunca. Berzoini tentou demonstrar que Lula tinha a legitimidade que outros não tinham para fazer a reforma. Impassível.Ainda não era o seu grande momento. Afirmou, monocórdio, que, a depender do caso, as então novas regras da aposentadoria poderiam render aos beneficiários ganhos até superiores aos então vigentes. Eu disse que era impossível. Ele disse que era. Eu neguei. Ele insistiu. Eu o desafiei a demonstrar com números. Ele topou o desafio no ar (vale a pena ver o CD do programa). Eu pus, então, o site Primeira Leitura à disposição e afirmei que publicaria os cálculos e admitiria meu erro.

Estou esperando os números até hoje. Depois daquilo, entre suas atitudes notáveis, contam-se ter mandado para a fila do recadastramento velhinhos de 90 anos e a admissão de que sabia que um grupo de petistas andava atrás de um dossiê. Durante um mês, no site, publiquei diariamente o pedido daquelas contas. O então ministro fez até um assessor seu escrever um texto malcriado contra mim. E nada dos números. Até o dia em que o rapaz, honesto, me disse: “Reinaldo, não há número nenhum. Você sabe disso”.

Berzoniev, eis o homem. Agora em defesa de Renan

Precisa-se de um PAC bem acelerado

Editorial do Jornal do Brasil

O governo federal enfrenta grandes dificuldades gerenciais para tirar do papel as obras de infra-estrutura previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Essa demora nos projetos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e usinas hidrelétricas pode ser verificada até pelo ritmo lento das despesas do programa. Apenas 13,8% do total reservado para o PAC foram efetivamente gastos de janeiro a junho.

Apesar da recente liberação da licença ambiental para as usinas do Rio Madeira, o panorama do setor energético não é tranqüilo. A demora nessa definição aproximou a possibilidade cada vez menos hipotética de uma crise de desabastecimento energético já em 2009. Mesmo se todos os trâmites formais forem acelerados, não se pode mais garantir que essas e outras obras previstas consigam enfrentar a crise, exceto se a matriz energética temerariamente der prioridade às termelétricas movidas a gás boliviano, o que não é o caso.

Na área portuária, o responsável pela nova Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, já chamou de "piada de brasileiro" a paralisação na dragagem dos portos nacionais com dinheiro em caixa. As obras necessárias receberam investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2010, mas ainda não foi gasto nenhum centavo ainda. A má gestão portuária e o excesso de burocracia levaram Brito a procurar novo modelo de licitação.

As concessões na infra-estrutura rodoviária ainda não aconteceram e a modelagem das licitações pode demorar. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) prudentemente não contrata novos projetos enquanto não forem esclarecidas as supostas irregularidades descobertas em certas obras, inclusive em algumas contratadas com a empreiteira Gautama.

A confusão nos céus do país não se resume à inércia do Ministério da Defesa e ao conflito entre controladores de vôo e brigadeiros da FAB.

No meio do caminho existe a Infraero, sob investigação até de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que, entre outras coisas, quer saber o que foi feito do dinheiro destinado à melhoria da estrutura aeroportuária. E o Tribunal de Contas da União (TCU) já encontrou indícios de irregularidade nas contratações da Infraero ao menos para obras nos aeroportos de Vitória, Congonhas, Brasília e Galeão.

Ao Brasil não interessa o fracasso do PAC. A oportunidade histórica de estimular o desenvolvimento nesse período de afluência da economia global não pode ser jogada fora desastradamente, a exemplo do que ocorreu no pós-guerra. A iniciativa presidencial de lançar o PAC tem o grande mérito de inverter a lógica até então vigente, pela qual caberia ao Estado apenas assistir passivamente aos investimentos do capital produtivo. O presidente Lula teve a ousadia de comprometer seu governo e os seguintes na missão de promover e estimular o crescimento nos setores fundamentais para a economia.

Não foi outra a preocupação do presidente ao pedir um esforço conjunto de empresários e de todos os níveis do Executivo em favor do programa. Não será tarefa fácil, já que este mesmo governo não preparou o modelo de concessões de obras e de serviços públicos federais, embora já contasse com o sucesso das experiências estaduais de Minas Gerais e de São Paulo. Essa imprudência talvez se deva à ingenuidade de algumas áreas oficiais no primeiro mandato presidencial, que ainda imaginavam intervenções diretas do Estado brasileiro em todas as frentes da economia, custassem quanto custassem. Agora, é urgente recuperar o tempo perdido e imprimir velocidade à lenta máquina da União, antes que seja necessário lançar um PAC para acelerar o PAC.

TOQUEDEPRIMA...

***** FHC comenta vaias: "Lula deve ser mais humilde"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda que as vaias destinadas ao presidente Lula na abertura do Pan-americano são um indicativo de que o petista precisa fazer uma auto-avaliação. Para o tucano, o chefe de governo deve ser mais uma humilde. "A gente sempre tem que estar se auto-avaliando, isso é importante em qualquer momento. Acho que o presidente Lula precisa ter, como eu, como todos nós, um olhar, talvez: 'será que eu sou tão bom quanto eu estou dizendo que sou?'", sugeriu o ex-presidente. "Talvez um pouco de humildade ajude", completou.

FHC disse não acreditar que as vaias tenham sido organizadas e que manifestações como esta fazem parte da vida pública, mas nem sempre possuem um significado "transcendente". "Vida pública é assim mesmo. Há momentos em que você tem vaia, há momentos que você tem aplauso. O que é até bom, porque quem é líder precisa perceber que sempre tem o planalto e a planície, que tem pontos de vista diferentes", declarou.

***** Ipea sugere alterações na previdência

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou nesta segunda-feira estudo sugerindo alterações que, segundo eles, serviriam para sanar o déficit da Previdência brasileira, que no ano passado superou 7% do PIB (Produto Interno Bruto).

Umas das propostas é estipular em 60 anos a idade mínima para a aposentadoria, e ir gradualmente aumentando até 64 anos. No entanto, o instituto recomenda que a idade fosse de 67 anos para aqueles que entrarem no mercado de trabalho. E ainda acrescentam que seria preciso adotar uma idade mínima de 70 anos para a concessão da Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) e redução de 25% no valor deste benefício.

Outro problema apontado são os "generosos aumentos" reais do salário mínimo, que é o piso previdenciário. De acordo com o Ipea, nos últimos 13 anos o aumento foi de mais de 100% no salário mínimo, o que beneficia dois em cada em três aposentados e pensionistas. A sugestão seria, a partir de 2011, apenas repor as perdas com a inflação.

O estudo ainda afirma que seria necessário modificar as regras do acesso aos benefícios previdenciário e assistencial, criando diferenciações entre eles. O objetivo seria privilegiar quem tiver contribuído por mais tempo. Os autores do estudo acreditam que se suas propostas fossem adotadas, o déficit poderia diminuir para um valor entre 1,5% e 3% por volta do ano 2050.

***** MP ainda investiga 80 mensaleiros

Ainda tramitam na Justiça processos contra envolvidos no escândalo do mensalão. Além das ações e inquéritos que correm no STF (Supremo Tribunal Federal) contra 40 pessoas, existem oito procedimentos abertos no MP (Ministério Público) do Distrito Federal para apurar eventual prática de improbidade administrativa por 80 pessoas.

Os procuradores da República investigam políticos de oito legendas – PT, PPS, PTB, PL (atual PR), PP, PSB, PSDB e PFL (atual Democratas). Entre os envolvidos, estão o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e os deputados federais do PT reeleitos João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), já denunciados pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, junto ao STF por suposta prática de crime de corrupção. Outros que estão sob investigação são o senador Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB e ex-governador de Minas Gerais, e o seu então candidato à vice, Clésio Andrade.

***** Berzoini diz que não aceita pressão para Calheiros sair

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (SP), afirmou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não pode ser pressionado para sair do comando da Casa e não pode ser cassado antes que os parlamentares terminem a investigação. "Não aceitamos linchamento público, nem constrangimento para forçar o presidente Renan Calheiros a se licenciar ou renunciar [da Presidência do Senado]", disse Berzoini.

Mesmo defendendo Renan Calheiros, o presidente do PT informou que o seu partido não vai se posicionar oficialmente a favor do presidente do Senado. "Não há razão para o partido se posicionar do ponto de vista partidário. Nunca houve nenhuma cobrança do senador Renan em relação a nosso posicionamento. Todas as vezes em que conversei com o senador nesse período foi uma conversa tranqüila", disse Berzoini.

***** "Eu não aceito ser vetado", diz Ciro Gomes sobre 2010

O deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) afirmou em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo que não aceita ser vetado como candidato à presidência pela coalizão do governo Lula em 2010. "Considero que nós temos de cimentar um projeto para o dia seguinte da saída do governo Lula", declarou Ciro.Embora queira ser o candidato do presidente, o ex-ministro criticou a administração petista. "A educação está piorando no Brasil. O que está acontecendo nos hospitais das grandes cidades não faz sentido. É incompreensível, é criminoso, é bárbaro", concluiu Ciro. Ele ainda declarou um candidato do PT não faria um bom desempenho porque os avanços do governo Lula não teriam sido suficientes. "Acho que estamos muito bem, olhando pelo retrovisor. Mas, se olharmos os problemas do Brasil e o potencial do país, estamos muito aquém", avaliou o socialista.

***** CNI quer medidas para compensar valorização do real

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) quer medidas governamentais para ajudar as empresas a compensaram a valorização do real frente ao dólar. A entidade considera que esse fenômeno é enfrentado também por outros países, porém, no Brasil não foi feita nenhuma reforma que ajude a compensar a baixa da cotação da moeda norte-americana.

"É imperioso enfrentar os desequilíbrios provocados pela questão cambial e não hesitar em adotar, de imediato, medidas que dotem as empresas de recursos para competir nesta nova realidade --como, por exemplo, medidas tributárias compensatórias ou a criação de linhas especiais de financiamento para os setores mais afetados. Também não se pode deixar de utilizar mecanismos de defesa comercial, em casos de abuso", afirmou o boletim "Informe Conjuntural", divulgado nesta segunda-feira pela Confederação.A manifestação da CNI também comentou as medidas tomadas pelo governo federal. "Nesse sentido, as medidas recentemente adotadas para combater os efeitos de valorização do real são positivas, mas ainda insuficientes em face da magnitude e amplitude dos problemas dos segmentos afetados."

***** Bolsa Família apresenta problemas em 90% das cidades auditadas

De acordo com auditoria feita pela CGU (Controladoria Geral da União), 90% dos municípios brasileiros estão com irregularidades no programa Bolsa Família do governo Lula. A fiscalização foi realizada em 120 cidades atendidas pelo programa e escolhidas por sorteio. Em 108 delas, houve problemas.

A irregularidade mais comum, constatada em 70 municípios, é o pagamento do Bolsa Família a pessoas com renda maior à determinada pelo programa. A fiscalização concluiu também que em outras cidades há beneficiados mortos ou cadastrados em outros programas como o Peti (Programa de Erradicação Infantil), o que não pode.

Outro grande problema foi a falta de verificação de freqüência de alunos na escola, cadastros desatualizados e a não formação de um conselho para administrar ações na área social. Têm direito ao benefício famílias com filhos de até 16 anos incompletos e com renda mensal de até R$ 120 por pessoa. O valor depende da renda e do número de filhos. A média é de R$ 72 por mês.