quarta-feira, setembro 25, 2013

O mundo fora daqui

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, voltou a defender a tese favorita (e derrotada no Supremo) do alto comando petista: a de que o Mensalão foi "apenas a prática de Caixa Dois, e não desvio de dinheiro público, como restou provado no julgamento". O ministro se engana: o STF apurou o desvio de R$ 170 milhões, em valor não atualizado, e o suborno de parlamentares para que votassem com o Governo. Mas este é só um equívoco; o importante é que Gilberto Carvalho, alto dirigente do partido, influente integrante do Governo, acha que Caixa Dois é crime menor, ou nem crime é.

Nos Estados Unidos, o ex-deputado democrata Jesse Louis Jackson Jr., filho de um herói da luta pelos Direitos Civis, o pastor Jesse Jackson, foi condenado em agosto último a 30 meses de prisão, em regime fechado (já está preso), por ter abastecido o Caixa Dois de sua campanha com US$ 750 mil - pouco menos de dois milhões de reais. Seus bens estão sendo leiloados para que o dinheiro irregular seja devolvido aos cofres públicos.

O deputado israelense Omri Sharon, filho de um herói nacional, o general e ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, comandou o Caixa Dois de uma campanha de seu pai. Foi julgado e condenado a nove meses de prisão, com perda de mandato e multa equivalente a US$ 64 mil - cerca de R$ 150 mil. O pai, inconsciente desde que sofreu um derrame cerebral, não pôde ser julgado. 

Convenhamos: que falta faz o ministro Gilberto Carvalho em outros países!

Todos os enrolados...
A ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, Gleisi Hoffmann, provável candidata do PT ao Governo do Paraná, vê outro de seus assessores envolvido em escândalo: depois de Eduardo Gaievski, preso em Curitiba sob a acusação de pedofilia, agora é Idaílson Macedo, acusado pela Polícia Federal de corromper prefeitos para atrair investimentos dos fundos de pensão municipais, algo como R$ 300 milhões. 

Chamam a atenção as jovens encarregadas de atrair os prefeitos, muitas integrantes do elenco de Jeanny Mary Corner, empresária brasiliense do ramo de entretenimento sexual. Idaílson, do PT de Goiás, é funcionário do Ministério de Relações Institucionais, de Ideli Salvatti, mas foi indicado por Gleisi. 

...de Gleisi Hoffmann
Além dos acusados de pedofilia e de corrupção, há mais gente ligada a Gleisi Hoffmann enfrentando problemas. Luiz Antônio Tauffer, subchefe de Monitoramento da Casa Civil, furou um bloqueio policial em Brasília e teve a carteira de motorista cassada (por que furou o bloqueio? Ah, deixa pra lá). 

E há Carlos Carboni, antigo chefe de Gabinete de Gleisi, hoje coordenador de sua campanha ao Governo do Paraná. Carboni é casado com Lucimar Carboni, cuja empresa assessora prefeituras paranaenses que buscam verbas em Brasília. Era uma situação esquisita, o marido de um lado do balcão, a esposa do outro. Ele então trocou de cargo. Mas a Consultoria e Assessoria Empresarial Carboni continua funcionando no mesmo setor. E o marido da dona, embora fora do Ministério, ficou até mais forte junto da ministra, como seu chefe de campanha.

Voa, dinheiro, voa! 
Para que serve um helicóptero? Depende: o Bell 412 azul e amarelo comprado novinho em setembro de 2010, por R$ 14 milhões, serve para ficar em terra, paradinho. As equipes da Polícia Federal, que ele deveria transportar, que se virem para chegar ao destino. Voltemos ao começo: o helicóptero voou entre março e outubro de 2012. Então, por falta de contrato de manutenção, parou, e está em terra até hoje. Só isso? Não, que aí seria barato demais: o Governo pagou o treinamento de quatro pilotos, durante dois meses, nos Estados Unidos. Como o helicóptero estava parado, não puderam renovar a licença de pilotagem no Brasil.

O helicóptero ultrapassou, em janeiro último, o prazo de inspeção, e a ANAC, Agência Nacional de Aviação Civil, suspendeu seu Certificado de Aeronavegabilidade. 

Resumindo: o helicóptero não voa porque não tem contrato de manutenção, a inspeção está vencida e não conta com piloto habilitado. Os pilotos não estão habilitados porque o helicóptero não voa. E você, caro leitor, paga a conta sem ter o serviço, porque o Governo não consegue desmanchar este nó.

Compra, dinheiro, compra! 
O vereador Nabil Bonduki, do PT paulistano, é o autor do projeto da Bolsa Blog, que tramita na Câmara Municipal. Por ele, a Prefeitura dará R$ 70 mil do seu, do meu, do nosso dinheiro a "projetos de mídia independente". Tudo a fundo perdido: R$ 70 mil para cada projeto, que com dinheiro alheio a Prefeitura não vai regular micharia. Os projetos, claro, serão aprovados por uma comissão. Quem forma a comissão? Quatro pessoas indicadas pela Administração petista e quatro indicados por "movimentos sociais" - talvez até haja algum que não seja petista. Os projetos aprovados não poderão ter finalidade lucrativa. 

Traduzindo, de alguma forma vão ter de arrumar mais dinheiro público para sobreviver.

Mexe-mexe
Paulinho da Força (Solidariedade) deu um pula-pula de presente ao deputado Arlindo Chinaglia (PT). Será convite para pular o muro e buscar nova legenda?

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Devagar demais

Celso Ming  
O Estado de S.Paulo

Não dá para dizer que o governo Dilma não esteja aprendendo a conduzir as concessões de serviços públicos. Aprendendo está, mas devagar demais e com alguma repetência.

Já se vão 13 meses após o anúncio do programa bilionário de concessões e, no entanto, as falhas de modelagem e de regulação vão se sucedendo. E os adiamentos dos leilões, também. Como se o processo fosse conduzido por amadores.

Por temer mais um episódio de baixo nível de competição das operadoras, o governo acaba de reduzir as exigências para o leilão do aeroporto de Confins, em Minas Gerais. Antes, os concorrentes tinham de ter experiência com a administração de aeroportos de pelo menos 35 milhões de passageiros por ano. Esse número baixou agora para 20 milhões. E, para que mais empresas possam se preparar para a concorrência, o leilão foi adiado de 31 de outubro para 22 de novembro, prazo adicional aparentemente curto.

O governo demorou para entender que o crescimento econômico depende de investimentos maciços em infraestrutura. Como não há recursos públicos nem para 10% do programa, não há saída senão atrair o setor privado, daqui e do exterior. Mas, enrolado em preconceitos ideológicos, partiu travado para as concessões, como se fizesse favor para as futuras concessionárias se topassem contratos sem remuneração satisfatória, sem regras claras e sem eliminar previamente os buracos negros jurídicos. Os fiascos se sucedem, as correções começam a ser feitas, é verdade, mas a baixa velocidade.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu em Nova York a existência de problemas e prometeu correções. Mas há razões para acreditar em que o governo continua com a intenção de atrelar o setor privado ao emperramento das instituições públicas. Nas licitações rodoviárias, até agora pretendeu que as futuras concessionárias ficassem excessivamente dependentes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Essa foi a principal razão do fracasso do leilão da BR-262, que liga Minas ao Espírito Santo. As atuais licitações dos trechos ferroviários preveem que os concessionários fiquem na mão da Valec - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa tão encrencada que deverá ser fechada e substituída, supostamente, por uma instituição mais moderna.

O governo não para de convocar para a ação, com discursos e alguma conversa, o espírito animal dos empresários. Mas o fator desconfiança continua obstruindo o entendimento.

O ex-ministro Delfim Netto resumiu ontem a situação a empresários reunidos em São Paulo para um fórum organizado pela Eurocâmaras: "O governo acha que os senhores são um bando de ladrões e egoístas. E os senhores acham que o governo só pensa em capitalismo com lucro zero. Os dois estão errados".

Independentemente de quem cuspiu no outro primeiro, o fato é que o País não pode se arrastar. Há muito crescimento e muito emprego em jogo. As coisas ficariam bem mais fáceis se o governo olhasse para o interesse nacional, deixasse de lado dogmas gerados no tempo da guerra fria e se entregasse de uma vez a um choque capitalista, como tem feito, ao menos pragmaticamente, o governo comunista da China.

Não há mais tempo para erros em licitações

Editorial
O Globo

É salutar que ministros admitam rever parâmetros em leilões de projetos de infraestrutura. Pois, apesar de preconceitos, não há alternativa fora do setor privado

Pior seria se o governo resolvesse insistir nos equívocos e mantivesse as licitações nas condições originais, consideradas irrealistas ou pouco atrativas para os potenciais investidores em áreas de infraestrutura fundamentais para que a economia brasileira consiga, em seu conjunto, assegurar mais eficiência.

Vencer preconceitos ideológicos enraizados e obstáculos corporativistas é um dos desafios que o país tem de transpor para que as concessões na infraestrutura se tornem um sucesso. Há, de fato, uma demanda reprimida considerável que torna crucial a realização de investimentos vultosos em infraestrutura, mesmo com os baixos índices de crescimento econômicos dos últimos anos.

O país já tem uma altíssima carga tributária, absorvida em sua maior parte por gastos de custeio de difícil compressão (benefícios da previdência social, folha de pagamentos do funcionalismo, manutenção da máquina e outras despesas). O que sobra para investimento é pouco dos recursos públicos disponíveis. Não há alternativa, portanto, a não ser recorrer ao setor privado.

Isto Lula e Dilma perceberam. A questão é como fazer. As concessões autorizadas a partir da década de 1990 impediram que a infraestrutura entrasse em colapso total. Se hoje já existem muitos problemas, sem as concessões haveria completo caos. Com essa experiência se aprendeu muito, mas tanto o governo Lula como a administração Dilma prefeririam inicialmente reinventar a roda, e perdeu-se um tempo precioso ao não se prosseguir com um programa de concessões, por causa do preconceito ideológico contra o lucro, a iniciativa privada, e do receio político de serem rotulados como “privatistas”. No governo Lula, tentaram a "modicidade tarifária", em que pedágios muito baixos serviram apenas para tema de palanque eleitoral, pois a contrapartida foram ínfimo ou nenhum investimento nas estradas leiloadas. Esta lição parece ter sido aprendida.

É salutar que os ministros Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e César Borges, dos Transportes, admitam rever editais de estradas e ferrovias. Espremer lucros das concessionárias e compensar com subsídio do Tesouro embutido em generosos empréstimos baratos do BNDES também não é a melhor saída, pelo artificialismo e por questões fiscais.

O país precisa multiplicar investimentos na infraestrutura e só conseguirá atingir este objetivo mobilizando o próprio mercado. No dia 22 de novembro, data ainda a ser confirmada, dois grandes aeroportos , o do Galeão, no Rio, e o de Confins, da região metropolitana de Belo Horizonte, serão um teste que pode servir de exemplo para as concessões em outros segmentos na área de transportes.

Não se pode mais perder tempo insistindo em uma visão restritiva. Politicamente, até para o bem do própria candidata Dilma, é melhor que todas essas licitações sejam um sucesso. Já se perdeu tempo demais.

O novo cenário de Tombini

O Estado de S.Paulo

A economia global está em recuperação e a brasileira pode melhorar, se os investimentos crescerem e houver ganhos de produtividade. Isto resume, com diferença de ênfase, os últimos comentários do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, sobre os cenários econômicos externo e interno. Segundo ele, a reativação americana ganha força, a Europa se estabiliza e a China conduz seu modelo de forma positiva e construtiva. As mudanças no panorama internacional, segundo ele, são positivas para os emergentes, incluído o Brasil. No País, acrescentou, houve alguma melhora no setor industrial e os investimentos estão aumentando. Mas ele só se declarou "cautelosamente otimista" quanto às perspectivas econômicas nacionais. A diferença de tom no tratamento dos dois cenários pode ter sido involuntária, mas é significativa e facilmente justificável.

"O Brasil está próximo do pleno emprego e agora o País tem de focar em investimento e produtividade", afirmou o presidente do BC, ontem, em teleconferência com a imprensa internacional. O comentário inicial é quase um eufemismo. A explicação do quase pleno emprego, no País, passa longe de qualquer referência a um período de crescimento excepcional. A produção de fato aumentou durante a maior parte do período entre 2003 e 2008, voltou a crescer em 2010 e em seguida entrou em estagnação.

O crescimento nem foi, nos melhores anos, comparável ao das economias mais dinâmicas da área do Pacífico ou mesmo da América Latina. O problema foi mesmo o baixo nível de investimentos, principalmente do governo, combinado com a insuficiente formação de mão de obra razoavelmente educada ou até com potencial de treinamento no trabalho.

O presidente do BC nunca se alongou na discussão pública desses assuntos nem criticou as políticas de investimento e as prioridades eleitas pelo Executivo nos últimos dez anos. Mas bate nos pontos certos, ao mencionar a necessidade de investimentos e de mais produtividade. Também foi realista, retomando a linguagem usada em documentos do BC, ao citar a redução da confiança dos consumidores.

O aperto monetário iniciado em maio, com a alta de juros, tem sido, segundo ele, "muito construtivo", porque tem servido para conter a alta de preços e para restabelecer a confiança perdida pelos consumidores na fase de inflação mais alta. Em documentos recentes tem havido referência, em passagens sobre a retomada do crescimento econômico nacional, à necessidade de restabelecer a confiança tanto dos consumidores quanto dos empresários.

A justificativa do aumento de juros aparece, é claro, em todas as notas e em todos os demais documentos técnicos do BC. Mas o assunto é raramente discutido de forma extensa e explícita nas manifestações de dirigentes da instituição, como se a linguagem clara a respeito dos juros fosse feia ou inconveniente. Nessa entrevista, a defesa do aperto monetário foi clara e ainda reforçada com uma referência às pressões inflacionárias associadas à valorização do dólar.

A relação entre a questão cambial e a política do BC foi explorada extensamente. O mercado mundial, segundo ele, está em transição para "condições monetárias e financeiras normais", depois de uma fase de políticas muito frouxas. De fato, a mudança, por enquanto, só foi anunciada nos Estados Unidos. Tombini manifestou confiança em uma transição ordenada, com instabilidade menor que a observada a partir de maio, quando o banco central americano anunciou planos de reduzir a emissão de dólares.

Mas, por enquanto, o BC brasileiro manterá, segundo ele, o programa de intervenções no mercado para limitar as oscilações do câmbio. Desmentiu, portanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na semana passada o Federal Reserve, o BC americano, havia prometido manter por mais algum tempo a ampla oferta de dólares. Segundo Mantega, isso permitiria uma redução das intervenções no mercado nacional. Mais uma vez o ministro se precipitou. Tombini preferiu a mensagem tranquilizadora. É cedo para apresentar ao mercado uma nova mudança de regras.

Máquinas industriais no Brasil são até 3 vezes mais antigas que em países ricos

O Globo

Segundo Abimaq, idade média dos equipamentos brasileiros é de 17 anos, enquanto a dos americanos é de sete anos e dos alemães, de apenas cinco

Eliária Andrade 
Pedro Lúcio, presidente da RTS, ao lado do torno mecânico 
que já tem mais de 30 anos: “Não vejo incentivo para investir em produtividade” 

RIO - Por trás do desempenho da indústria brasileira, suas máquinas escondem uma marca nada invejável: a idade média é de 17 anos de uso, enquanto na Alemanha é de cinco anos e, nos Estados Unidos, de sete. A estimativa para média brasileira e alemã é da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), enquanto para a americana é da editora Gardner Business Media. Especialistas apontam que, quanto mais antigo é um maquinário, pior é seu desempenho, o que tende a comprometer a produtividade da indústria.

— O parque industrial no Brasil é muito antigo, isso tira competitividade e significa subinvestimento em maquinário — afirma o diretor-secretário da Abimaq, Carlos Pastoriza.

Professor de Economia da Unicamp e doutor em Economia Industrial, Edgard Antonio Pereira explica que o tempo de vida útil de uma máquina para fins contábeis é de dez anos. Isso porque a empresa pode depreciar 10% do valor do equipamento a cada ano, o que permite reduzir a base para o pagamento do Imposto de Renda.

— Se consideramos os 17 anos, a vida útil no Brasil é quase o dobro do nível de obsolescência física, isso para não falar na obsolescência tecnológica. Numa época em que o progresso técnico é tanto, os equipamentos ficam obsoletos mais rapidamente. É um nível preocupante — diz Pereira.

As máquinas não morrem, explica o brasileiro Mario Winterstein, diretor de desenvolvimento de negócios da Associação dos Fabricantes de Manufatura dos Estados Unidos (AMT, na sigla em inglês), que é a equivalente à Abimaq nos EUA. A questão é que o desempenho vai se reduzindo e acabam sendo usadas para operações mais simples, afirma:

— O uso das máquinas indica o nível de desenvolvimento no país. O pique de performance de um equipamento é em torno dos seis, sete anos, até que uma tecnologia nova apareça. Com uma máquina nova, é possível produzir mais, com mais qualidade e menor custo. Uma máquina obsoleta, por exemplo, pode perder uma parte da produção porque as peças têm algum problema.

O impacto na produtividade é o principal problema de um maquinário antigo. E o Brasil deixa a dever neste quesito. Dados do Conference Board citados em estudo de Regis Bonelli e Julia Fontes, pesquisadores do Ibre/FGV, mostram que a produtividade do trabalho no Brasil correspondia a 18% da registrada nos Estados Unidos — país usado como parâmetro — em 2012, a menor taxa entre Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. A Argentina, com 36%, é o país mais produtivo, neste grupo selecionado de seis países da América Latina. No caso do Brasil, foi um aumento de apenas 1% entre 2000 e 2012.

A comparação com outros emergentes também não é animadora: a produtividade do trabalho na China correspondia à 17% da americana em 2012, mas isso representava um avanço de 10,4% desde 2000.

— Sem dúvida o Brasil tem investido pouco na renovação de máquinas e equipamentos, como investe pouco em geral. Quanto mais se dá capital (investimento) para o trabalhador, mais aumenta a produtividade dele — diz Bonelli, negando, no entanto, que a média de 17 anos de uso do maquinário seja alta.

O pesquisador explica que o crescimento da produtividade do trabalho depende da soma entre a produtividade total dos fatores mais o aprofundamento do capital, que é o aumento da dotação de capital por trabalhador.

— A produtividade de uma empresa é inversamente proporcional à idade de suas máquinas — preconiza Mario Winterstein.

Winterstein acredita que países como México, Rússia e Índia tenham idade média de uso dos equipamentos semelhante ao do Brasil. Já na China a média é inferior a dez anos. É um caso específico, no entanto, porque parque industrial do país cresceu muito nos últimos anos, então é natural que seja novo.

Obstáculos para investimentos no Brasil
A RTS Indústria e Comércio de Válvulas, que produz válvulas industriais, é um dos exemplos de indústria com maquinário mais antigo, com a idade dos equipamentos variando entre cinco e mais de 30 anos. O torno mecânico já tem mais de 30 anos, mas ainda é usado quando não são necessárias medidas exatas nas peças.

— Hoje é mais barato fabricar na Alemanha que no Brasil. Nossa cadeia de impostos é absurda. Não vejo incentivo para investir em produtividade, com essa invasão de produtos importados — diz o presidente da RTS, Pedro Lucio.

A baixa lucratividade, a falta de confiança no crescimento sustentado da economia e a ausência de políticas para conter a competição dos importados são apontados como razões para os investimentos fracos.

— A baixa lucratividade dificulta a manutenção do parque fabril atualizado. É um ciclo vicioso: a baixa competitividade sistêmica do Custo Brasil não estimula investimento. E sem investimentos não melhoramos a competitividade — diz o diretor-secretário da Abimaq.

Pastoriza afirma uma linha de financiamento de longo prazo e com o juro baixo como é o BNDES PSI - Bens de Capital é excelente e tem ajudado o empresário a investir, mas “não é suficiente”.

— As linhas do BNDES ajudam, mas não resolvem o problema que custa o dobro comprar bens de capital no Brasil que no exterior — defende Mario Winterstein.

Brasil tem a maior saída de dólares para meses de agosto em 15 anos

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

De acordo com o BC, o fluxo cambial ficou negativo em 5,850 bilhões de dólares no mês passado

(Jessica Rinaldi/Reuters) 
No comércio exterior, o saldo foi negativo em 1,858 bilhão de dólares, 
com importações de 19,697 bilhões de dólares e exportações de 17,839 bilhões de dólares 

O Brasil registrou em agosto a maior saída de dólares líquida desde dezembro de 2012. No mês passado, o fluxo cambial ficou negativo em 5,850 bilhões de dólares, pior registro para meses de agosto em 15 anos. As operações financeiras responderam por uma saída líquida de 3,992 bilhões de dólares, que é a diferença entre entradas de 36,621 bilhões de dólares e saídas de 40,613 bilhões de dólares.

No comércio exterior, o saldo foi negativo em 1,858 bilhão de dólares, com importações de 19,697 bilhões de dólares e exportações de 17,839 bilhões de dólares, de acordo com dados do Banco Central.

No acumulado do ano até agosto, o fluxo está no azul em 2,238 bilhões de dólares, sendo positivo em 14,890 bilhões de dólares no comercial e negativo em 12,652 bilhões de dólares no financeiro. Em igual período de 2012, o fluxo total estava positivo em 22,989 bilhões de dólares.

Brasileiro ‘ignora’ dólar alto e tem gasto recorde em viagens internacionais

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues
Agência Estado

Em agosto, as despesas do brasileiro lá fora somaram US$ 2,2 bi, cifra recorde para o mês, o que fez o BC elevar sua projeção para esse tipo de gasto

BRASÍLIA - A alta do dólar não conteve os gastos do brasileiro no exterior. Em agosto, o valor desembolsado lá fora somou US$ 2,227 bilhões, valor recorde para o mês, segundo divulgou o Banco Central. Com isso, o saldo da conta de viagens internacionais - a diferença entre o que os brasileiros gastam lá fora e os estrangeiros deixam aqui - ficou negativo em US$ 1,710 bilhão.

Em setembro, a tendência continua. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, adiantou nesta terça-feira, 24, que os gastos com viagens internacionais estão em US$ 1,207 bilhão até o dia 20 deste mês. "Não temos observado até o momento desaceleração em viagens. Os indicadores de renda e emprego continuam evoluindo positivamente", afirmou. Segundo Maciel, como as pessoas costumam planejar suas viagens com antecedência, existiria certa defasagem entre a variação do câmbio e seus impactos na conta de turismo.

Ao contrário do que o BC dizia esperar em notas e comunicados anteriores, a previsão de gastos com viagens internacionais em 2013 aumentou. Embora a autoridade monetária previsse um arrefecimento desses gastos no segundo semestre, a estimativa para o ano subiu de US$ 16,7 bilhões para US$ 17,2 bilhões. Isso ocorreu porque, até agosto, o gasto no exterior já bateu em R$ 16,7 bilhões.

Da mesma maneira, o déficit da conta de viagens soma US$ 12,233 bilhões no acumulado de 2013, ante US$ 10,076 bilhões negativos no mesmo período do ano passado. O saldo negativo de agosto foi maior do que o visto no mesmo mês de 2012, quando ficou em -US$ 1,381 bilhão. Maciel confirmou que o déficit em viagens de agosto (US$ 1,710 bilhão) foi recorde para o mês, assim como também é inédito o saldo negativo acumulado nos oito meses do ano (US$ 12,233 bilhões).

Transporte. 
Os gastos com transportes também foram recordes, tanto para o mês (US$ 911 milhões) como para o acumulado do ano (US$ 6,679 bilhões). "A corrente de comércio continua crescendo e esse fluxo impacta nos transportes. Pesam também as passagens aéreas adquiridas em companhias estrangeiras", explicou.

Déficit em conta corrente até agosto já ultrapassa total de 2012, o pior em 66 anos

Veja online

Resultado das contas externas ficou negativo em agosto em 5,05 bilhões de dólares; no acumulado do ano, soma 57,9 bilhões de dólares

(Divulgação) 
Setor externo: déficit em conta corrente já é maior que o total de 2012 

Além do recorde de gastos de brasileiros no exterior em agosto, o Banco Central mostrou ainda que o déficit em conta corrente do Brasil continua se ampliando. Ficou negativo em 5,05 bilhões de dólares em agosto, impactado, sobretudo, pela conta de serviços, que ficou 4,235 bilhões de dólares no vermelho. A balança comercial, que vinha impactando negativamente as transações correntes ao longo de 2013, teve saldo positivo em agosto, de 1,226 bilhão de dólares.
 
A conta corrente, ou conta de transações correntes, reúne o saldo da balança comercial (exportações e importações) e o resultado da balança de serviços (transportes, seguros, remessas e recebimento de juros e lucros, rendas e transações unilaterais). Quando está deficitária, significa que o Brasil está tomando mais crédito externo do que recebendo investimentos.

No acumulado do ano, o déficit em conta corrente atinge 57,952 bilhões de dólares, o que representa 4,01% do Produto Interno Bruto (PIB). É o pior resultado para a série histórica do Banco Central nos oito primeiros meses do ano desde 1947.

O déficit acumulado em 2013 já é maior do que o resultado negativo total de 2012 (54,230 bilhões de dólares). No acumulado dos últimos 12 meses até agosto, o saldo negativo está em 80,642 bilhões de dólares, ou 3,60% do PIB.

Dívida externa - 
O BC informou ainda que a estimativa para a dívida externa brasileira em agosto de 2013 ficou em 311,474 bilhões de dólares. Em junho, último dado verificado, a dívida estava em 318,043 bilhões de dólares. No fim de 2012, estava em 312,898 bilhões de dólares. A dívida externa de longo prazo atingiu 276,774 bilhões de dólares em agosto.

Estrangeiros - 
De acordo com o BC, o investimento estrangeiro direto somou 3,775 bilhões de dólares no mês passado, ante 5 bilhões de dólares em agosto do ano passado. Já o investimento estrangeiro em ações de empresas brasileiras ficou positivo em 882 milhões de dólares em agosto, ante superávit de 1,226 bilhão de dólares em agosto do ano passado. No acumulado do ano até agosto, o saldo está em 7,429 bilhões de dólares, acima do total de 4,125 bilhões de dólares vistos em igual período de 2012. 

Fluxo cambial é negativo em mais de US$ 1 bi neste ano

Exame.com
Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, Estadão Conteúdo

Segundo informações do BC, Brasil viu evaporar nada menos do que US$ 3,26 bilhões neste mês até a última sexta-feira

Marcos Santos/USP Imagens 
Dólar: nos oito primeiros meses do ano, 
o resultado era positivo em US$ 2,238 bilhões

Brasília - O saldo cambial acumulado em 2013 ficou negativo em US$ 1,022 bilhão até o dia 20 de setembro. Conforme informações do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, o País viu evaporar nada menos do que US$ 3,26 bilhões neste mês até a última sexta-feira. Nos oito primeiros meses do ano, o resultado era positivo em US$ 2,238 bilhões.

Segundo Maciel, o resultado no vermelho não deve assustar o mercado financeiro, porque é fruto do segmento comercial, que no período apresentou uma saída de recursos de US$ 4,561 bilhões. No mês, até o dia 20, o fluxo financeiro ficou positivo em US$ 1,301 bilhão. A informação mais recente disponível até então, o valor acumulado no ano até o dia 13, era a de que o fluxo cambial estava negativo em US$ 702 milhões.

Se o saldo fechado deste mês seguir no vermelho, será a quarta baixa mensal consecutiva da quantidade de dólares que circulam no País. Em junho, o resultado ficou negativo em US$ 2,636 bilhões; em julho, em US$ 1,447 bilhão; e em agosto em US$ 5,850 bilhões. Em agosto, o resultado ruim foi atribuído pelo governo a um reflexo de vencimento de dívidas de bancos no exterior que tinham sido feitas em 2011 e que não se tratava, portanto, de uma fuga de capitais.

Nesta terça-feira, 24, ao comentar o volume de ingresso de investimento em ações e renda fixa, Maciel voltou a reforçar a teoria de que não há fuga de capitais do País. No encerramento do ano passado, o saldo ficou positivo em US$ 16,7 bilhões. Em 2011, a quantia de US$ 65,3 bilhões tinha sido a melhor desde 2007 e, em 2010, o resultado havia sido de US$ 24,3 bilhões. No ano anterior, o saldo voltou a ser positivo (US$ 28,7 bilhões), depois de registrar saídas de US$ 938 milhões em 2008.

“Brasil? Tô fora!” - Jim Rogers dá conselhos e teme colapso

Beatriz Olivon  e  Marcelo Poli
Exame.com

Enquanto curte sua aposentadoria em Cingapura, megainvestidor cita os setores que lhe atraem e faz críticas ao governo brasileiro

Wikimedia Commons 
Jim Rogers: “Gostaria que o governo começasse a fazer coisas melhores
 para que eu pudesse investir no Brasil”, afirma

São Paulo – É numa confortável casa em Singapura que o americano Jim Rogers colhe os frutos de uma carreira brilhante como grande investidor e  gestor de um fundo de investimentos notável.

Ao lado de George Soros, Rogers criou um dos fundos de investimentos mais rentáveis da história, o Quantum Fund – com uma valorização de 4.200% ao longo de dez anos, enquanto o índice S&P 500 avançou 50% no mesmo período.

O sucesso financeiro proporcionou a Rogers dois privilégios: se aposentar antes dos 40 e se tornar um prodigioso observador profissional do mercado. Rogers também é autor de diversos livros sobre economia e finanças.

Em entrevista exclusiva a EXAME.com, Jim Rogers revelou quais são seus investimentos preferidos atualmente, fez críticas ao governo brasileiro e alertou sobre um possível colapso financeiro com a iminente retirada de estímulos econômicos na economia americana.

Confira a entrevista a seguir:

EXAME.com – Na última semana, o Fed não anunciou o fim do programa de estímulos econômicos, como era esperado por muita gente. Como o mercado deve reagir quando o Fed começar a tirar essas “muletas” do mercado?
Jim Rogers – Isso já aconteceu. Falaram que não vão encerrar os estímulos e os mercados subiram. Estão colocando mais dinheiro no mercado financeiro, mas isso vai acabar, eventualmente, e quando terminar vai ser muito ruim para todo mundo, no mundo todo, porque pela primeira vez na história os principais bancos centrais (Japão, Europa, Inglaterra, EUA) estão imprimindo dinheiro tentando desvalorizar suas moedas. Há um grande lago artificial de liquidez e estamos todos flutuando neste lago artificial, mas vai acabar. E quando acabar, todos vamos sofrer.

EXAME.com - E quando isso deve acontecer? 
Jim Rogers - Nunca deveria ter começado, foi um erro, mas seguem insistindo no erro. Eu diria que não vai terminar neste ano porque o Bernanke sairá em janeiro e ele não quer ter problemas, deve deixar para a próxima pessoa. Deve terminar no próximo ano ou em 2015. Mas vai terminar, não pode seguir por tanto tempo, porque o mundo não pode mais continuar tomando essa impressão artificial de dinheiro. Eventualmente, o mercado vai parar, vai dizer “não vamos mais aceitar seu dinheiro” ou pela atuação do Banco Central. Eu acho mais provável os mercados dizerem “não queremos mais seu dinheiro”, mas certamente vai acontecer nos próximos anos. Não neste.

EXAME.com - O Brasil ainda é um bom lugar para investir?
Jim Rogers - Não. O governo brasileiro está cometendo erros. Deveria ser um lugar maravilhoso para investir, mas seu governo segue cometendo erros, colocando tarifas especiais contra alguns de seus melhores parceiros, controle cambial e por aí vai. O Brasil segue fazendo coisas que restringem a economia. Por isso, não estou investindo e não quero investir no Brasil, enquanto tiverem um governo anti-capitalismo ou anti-eficiência. Enquanto tiverem um governo que não entenda a economia eu não quero investir aí.

EXAME.com – Então quais países atrativos para investir?
Jim Rogers - Estou comprando algumas ações na China. Também estou procurando ações na Rússia. Mianmar não tem bolsa de valores, mas eu gostaria de encontrar investimentos lá. Rússia e China são únicos lugares onde estou encontrando investimentos neste momento.

EXAME.com - O senhor prefere investir na Rússia a investir no Brasil?
Jim Rogers - Eu prefiro investir na Rússia. A Rússia não está tomando medidas para desencorajar a eficiência e os investimentos e o Brasil está. A Rússia tem uma moeda flutuante, o Brasil faz controle cambial.

EXAME.com - Quais setores o senhor está olhando mais?
Jim Rogers - Estou olhando para agricultura, controle de poluição e água na China - a China tem um problema sério de água – turismo na Ásia, porque durante muitas décadas os chineses não puderam viajar, agora podem. Essas são as indústrias que estou olhando na Ásia e Rússia, especialmente agricultura na Rússia. Também estou olhando companhias aéreas, asiáticas em particular. Essas são algumas das áreas em que estou procurando investimentos.

EXAME.com - Nada na América Latina?
Jim Rogers - Não. A Argentina é um desastre, como tem sido por muitos anos. Se eu encontrasse algo na Colômbia ou Peru ou outro país mais bem administrado eu investiria, mas não achei nada. O Brasil é um pais muito empolgante para se estar, gostaria que o governo começasse a fazer coisas melhores para que eu pudesse investir aí de novo. No momento não tenho nenhum investimento na América Latina.

EXAME.com – O México tem chamado a atenção de alguns investidores. O senhor não se interessou?
Jim Rogers - No México, a maior parte das receitas do governo vem do petróleo e o petróleo está caindo. Sei que o governo coloca muito dinheiro na economia, mas o petróleo está secando, então eles terão um grande problema pela frente.

EXAME.com - Por mais de dez anos o ouro mostrou apreciação. O senhor ainda está otimista quanto ao futuro do ouro?
Jim Rogers - Não estou comprando ouro agora. Quando chegar a 1.000 dólares (por onça) eu espero comprar mais ouro, porque espero que suba bem mais nos próximos 10 anos. Mas não sei, pode não ir a 1.000, mas se for, nos próximos dois anos, eu espero comprar mais.

EXAME.com - E o futuro do dólar?
Jim Rogers - Muitas moedas estão mal hoje, então penso no dólar porque as outras também estão mal. Se as coisas piorarem no mundo, e isso pode acontecer, as pessoas recorrerão ao dólar.

EXAME.com - Nos últimos anos, vimos grandes fluxos de investimentos para os mercados emergentes, muito em decorrência da crise nos países ricos. Esse movimento acabou?
Jim Rogers - Eu invisto baseado nos fundamento de cada mercado. Tento investir em mercados que são bons. A ideia de as pessoas investirem em qualquer mercado emergente sem olhar os fundamentos é bem tola.

EXAME.com - Qual o seu conselho para os investidores?
Jim Rogers - Meu principal conselho para qualquer investidor é: investir apenas no que você conhece bem. Se você não conhece, não invista. Não escute o que uma pessoa falou na televisão, no jornal ou na internet. Só invista no que você conhece. Não escute dicas, não escute outras pessoas. Não faça nada na maior parte do tempo e, se você encontrar algo que você conhece e sabe que é bom, invista, caso contrário, fique quieto.

A inflação empurra para cima a receita tributária

O Estado de S.Paulo

A arrecadação tributária de R$ 83,9 bilhões, em agosto, foi recorde para o mês. Ainda que o crescimento real tenha sido modesto em relação a agosto de 2012 (+2,68%), o montante significa que a Receita Federal continua extraindo recursos vultosos das empresas e das famílias contribuintes, num ano de atividade econômica insatisfatória. A questão é avaliar de que forma consegue obter esses resultados.

As fontes de receita que mais cresceram tiveram como origem as empresas: Imposto de Importação (II), Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Entre os primeiros oito meses de 2012 e 2013, a soma dos aumentos da participação desses quatro tributos na arrecadação federal atingiu 1,35 ponto porcentual. Isso significa que, sem o crescimento da arrecadação das empresas, teria havido diminuição da arrecadação total.

Porém mais arrecadação sugere que as empresas elevaram o preço dos seus produtos, recuperando margens de lucro. Sem a presença de um ambiente inflacionário, isso não teria sido possível.

Na esfera dos trabalhadores, a situação foi pior, pois estes recolheram menos tributos diretos: o Imposto de Renda na Fonte sobre os rendimentos do trabalho perdeu 0,18 ponto porcentual de participação, o equivalente a R$ 0,95 bilhão, entre janeiro e agosto do ano passado e deste ano. Ainda mais caiu o Imposto sobre Rendimentos de Capital (-0,35 ponto porcentual ou R$ 2,3 bilhões), influenciado por prejuízos nas operações com ações e títulos de renda fixa de longo prazo.

A capacidade de extração do Fisco é mais notável quando se leva em conta que as desonerações tributárias alcançaram R$ 7 bilhões, em agosto (+48,6% em relação a agosto de 2012), e R$ 51 bilhões, entre janeiro e agosto (+71,8% em relação a igual período de 2012).

Os técnicos da Receita se declaram mais otimistas com os resultados da arrecadação neste ano, embora nada digam acerca da continuidade das desonerações tributárias. A rigor, isso depende de decisões políticas, que não são tomadas no âmbito do Fisco, mas do Palácio do Planalto.

Num ano de aperto, seria normal se a arrecadação apenas se estabilizasse, em termos reais. Nessa hipótese, um aumento da lucratividade das empresas poderia fortalecer a poupança nacional, já que o governo federal pende mais para a gastança do que para o investimento.

TIM precisará ser vendida no Brasil, mas há comprador?

Exame.com
Luciana Bruno, Agência Reuters

Expectativa de venda da operadora ganhou força após a espanhola Telefónica aumentar sua fatia na Telecom Italia

Alessia Pierdomenico/Bloomberg 
Loja da TIM: possibilidade de ser vendida levou a ação da empresa
 a disparar quase 10 por cento na Bovespa

Rio de Janeiro - Grandes grupos internacionais de telecomunicações sem presença no Brasil poderão ter a chance de desembarcar no país em grande estilo, já na vice-liderança no segmento de telefonia móvel, com a aquisição da TIM Participações. Mas eles estão interessados? A expectativa de venda da TIM ganhou força após a espanhola Telefónica aumentar nesta terça-feira sua fatia na Telecom Italia. A Telefónica poderá, no ano que vem, chegar a uma participação de 100 por cento na holding Telco, que controla a Telecom Italia.

A Telefónica já é dona no Brasil da operadora móvel Vivo, líder de mercado, enquanto a Telecom Italia é acionista majoritária da TIM Participações, segunda maior em número de linhas móveis no país.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que a TIM terá que ser vendida se a Telefónica de fato assumir o controle da Telecom Italia, pois o grupo espanhol não poderá ter o controle de duas operadoras concorrentes no Brasil.

Bernardo disse ainda que a alienação não poderá ser para outros grupos que operam no país --Oi, Claro ou Nextel.

A possibilidade de a TIM ser vendida levou a ação da empresa a disparar quase 10 por cento no pregão desta terça-feira na bolsa paulista, contra queda de 0,31 por cento do Ibovespa.

Além de resolver o embate antitruste e regulatório no Brasil, a venda da TIM no Brasil é vista como uma solução para o alto endividamento da Telecom Italia, segundo analistas.

"O cenário é de venda da TIM para uma quarta operadora, que não seja Oi, Vivo e Claro", disse a equipe de análise da corretora Ativa. "O maior problema nessa venda é que, no cenário atual das empresas de telecomunicações, não encontramos muitos 'players' dispostos a entrar no mercado brasileiro", acrescentou.
O analista Allan Nichols, da MorningStar Equity Research, avalia que uma solução seria a venda da TIM para uma empresa como Vodafone ou DirectTV, mas ele também faz ressalvas sobre o potencial interesse no ativo brasileiro.

"Apesar de a Vodafone ter dinheiro suficiente, após vender sua fatia na Verizon Wireless, a empresa nunca operou na América Latina e não achamos que queiram entrar nesse mercado", escreveu Nichols, em relatório. "Já a DirectTV tem algumas operações no Brasil que iriam se complementar com as da TIM, mas também não achamos que a empresa gostaria de se comprometer dessa forma." 

Na opinião do presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, a Telefónica irá primeiramente tentar convencer a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de que, apesar de ter aumentado a participação na Telco e, consequentemente, na Telecom Italia, continuará não influenciando a gestão da TIM Participações.

"A empresa já fez isso no passado, ofereceu garantias em 2007", disse o especialista, lembrando da entrada da Telefónica na holding Telco como sócia minoritária alguns anos atrás.

Para ele, as discussões sobre os impactos da operação no Brasil serão longas com as autoridades. "Até ser aprovado e discutido pela Anatel, é coisa de um ano", estimou Tude.

A Telefónica anunciou pela manhã um acordo de cerca de 860 milhões de euros (1,2 bilhão de dólares) envolvendo ações e dinheiro para aumentar sua fatia na Telco. Através de uma complexa série de transações, a Telefónica só assumirá o controle total da Telco --e, portanto, da Telecom Italia-- se receber a aprovação de reguladores antitruste.

A Vivo tinha em julho quase 29 por cento da base de assinantes de linhas móveis no Brasil, segundo dados mais recentes da Anatel. A TIM, em seguida, aparecia com pouco mais de 27 por cento. Juntas, elas teriam 149,3 milhões de usuários, ou 56 por cento de market share.

Procurada pela Reuters sobre as implicações dos eventos societários em sua controladora italiana, a TIM Participações não quis comentar o assunto.

Acordo entre Telefónica e Telecom Italia cria conflito concorrencial

Ronaldo D'ercole 
O Globo

Contenda precisará ser decidida pelo Cade no Brasil. Conselho afirmou, por meio da assessoria, que ainda não foi notificado sobre a operação

SÃO PAULO - O aumento da participação da Telefónica no capital da Telecom Italia, que deve dar ao grupo espanhol o controle da empresa italiana, cria um conflito concorrencial que precisará ser decidido pelo Conselho Administrativo de Defesa econômica (Cade) no Brasil. Dona da Vivo, a Telefonica não poderia ter também o controle da TIM, que pertence à Telecom Italia.

Nesta terça-feira, os espanhóis da Telefónica informaram que vão adquirir o controle da holding Telco, principal acionista da Telecom Italia. A empresa espanhola concordou em capitalizar e aumentar sua participação em € 441 milhões (US$ 596 milhões) na holding, expandindo sua influência sobre a endividada empresa italiana e pavimentando o caminho para potenciais vendas de ativos.

O acordo prevê o pagamento inicial de € 324 milhões para aumentar a fatia dos ibéricos na Telco, veículo de investimento que detém 22,4% da Telecom Italia. A participação da Telefónica subirá de 46% para 66%. Os sócios da Telco Assicurazioni Generali, Intesa Sanpaolo e Mediobanca vão gradualmente reduzir suas fatias.

O professor de concorrência e regulação da FGV de São Paulo, Arthur Barrionuevo, lembra que no momento em que a Telefónica fez a primeira aquisição minoritária de capital da Telecom Italia, as duas empresas firmaram um acordo no âmbito do Cade pelo qual a Telefónica se comprometia a não participar em decisões da Telecom Italia relacionadas à TIM no Brasil.

— Fizeram esse acordo para que o Cade não impusesse novas restrições às empresa — diz Barrionuevo.

Agora, porém, há duas questões que podem alterar essa situação, continua ele. Primeira, a Telefónica avança para deter o controle da Telecom Italia, e também porque os conselheiros do Cade têm hoje uma postura muito mais rígida em questões envolvendo trocas de controle de companhias.

— Agora vamos ter uma situação esquisita, porque quando o acordo foi aceito o Cade era mais permissivo, e agora está mais exigente. E com a troca de controle, o grande problema concorrencial envolvendo Telefonica e Telecom Italia está aqui no Brasil. O nó está aqui.

Procurada, a Telefónica no Brasil informou que não iria se posicionar sobre a questão por enquanto. A TIM informou que não fala sobre o assunto e que quem deve se pronunciar é a Telecom Italia.

O Cade ainda não foi notificado sobre a operação de aumento da participação da Telefónica na Telco, holding de controle da Telecom Italia, informou a assessoria de imprensa do órgão antitruste brasileiro nesta terça-feira.

Anatel exigirá venda da TIM se Telefónica comprar Telco

Exame.com
Com informações Agência Reuters

Agência deve exigir a venda em 2014 se a Telefónica, dona da Vivo, assumir o controle da Telco, holding que controla a dona da TIM

LIA LUBAMBO 
Loja de telefones celulares da TIM: Telefónica está aumentando 
a sua participação na Telecom Italia, dona da TIM

Brasília - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve exigir a venda da TIM Participações em 2014, se a Telefónica assumir o controle da Telco, holding de controle da Telecom Italia, disse à Reuters uma fonte da agência nesta terça-feira.

A fonte frisou que a regulação do setor impede que uma mesma empresa tenha duas outorgas ao mesmo tempo.

Assim, se a Telefónica tiver 100 por cento da Telco, holding que controla a Telecom Italia, dona da TIM, a companhia espanhola, dona da Vivo, teria que devolver as faixas de frequencia da TIM.

Em outro cenário, se houvesse a transferência da base de clientes da TIM para a Vivo antes da devolução das faixas, isso também seria barrado pela a agência, por entender que a qualidade do serviço ficaria comprometida.

"Pelo lado regulatório, é praticamente impossível manter a TIM nestes termos", disse a fonte, sob condição de anonimato.

O grupo espanhol Telefónica está aumentando a participação na Telecom Italia num negócio em que poderá assumir o controle da empresa, sem precisar fazer uma oferta pública de aquisição integral. 

Reportagem de Leonardo Goy
Edição de Aluísio Alves

Como a união de Telefônica e Telecom Itália afeta o Brasil?

Saulo Pereira Guimarães
Exame.com

Além de controlador único para Vivo e Tim, analistas apostam que negócio pode terminar com uma operadora a menos (ou a mais) para o Brasil

Divulgação 
Blue Man Group, que divulga a TIM: operadora pode ser diluída 
entre concorrentes ou terminar nas mãos da Vodafone

São Paulo – Após a Telefônica aumentar sua participação na Telecom Italia na última semana, o mercado se pergunta se o governo vai (ou não) aprovar o negócio. As companhias europeias são donas da Vivo e da Tim, respectivamente – operadoras que, juntas, respondem por 55,8% do mercado brasileiro de celulares.
"É grande a possibilidade da Anatel impor restrições a existência de um controlador único para as duas empresas no Brasil", afirma Luis Gustavo, estrategista da Futura Corretora. Segundo ele, a agência reguladora não permitiria a sobreposição de frequências pelas operadoras.

Telefônica: multinacional estaria disposta
 a não intervir nas decisões da Tim no Brasil

"A Telefônica está tomando precauções para facilitar a aprovação do negócio no Brasil", defende Ari Lopes, analista da consultoria de telecomunicações Informa. De acordo com Lopes, o acordo prevê que a multinacional espanhola não interfira nas decisões da Tim no país.

"O mercado brasileiro de telefonia móvel é um dos mais competitivos do mundo e isso é um ponto positivo", afirma o analista. Para Lopes, um possível efeito do negócio é a venda da Tim Brasil pela Telecom Itália.

O destino da Tim

Vivo: marca da Telefônica no Brasil
 é líder de mercado, com 28,6% das linhas

Em caso de venda da Tim, Claro, Vivo e Oi poderiam formam um consórcio para compra da empresa. Segundo Lopes, uma operação como essa teria mais chance de ser aprovada pelo governo e não mudaria o tamanho das fatias de mercado das companhias. Outra possibilidade seria a entrada de uma nova companhia no Brasil – como a Vodafone.

"Seria a última chanca da empresa entrar no nosso mercado", explica Lopes. Hoje, ele está dividido entre Vivo (28,6%), Tim (27,2%), Claro (24,9%) e Oi (18,6%) – segundo dados de julho fornecidos pela Anatel. Empresas de menor porte operam a porcentagem restante. Ao todo, são 266,9 milhões de linhas no país.

Desde que a Telefônica anunciou o acordo que permite o aumento gradual de sua participação na Telco (conglomerado que controla a Telecom Italia) de 46% para até 66%, muitos boatos já circularam. De acordo com Reuters, o negócio deve ser aprovado no Brasil. Ainda segundo a agência, o acordo poderia gerar queda de qualidade no já precário serviço de telefonia móvel do país.

Telefónica não poderá ficar com a TIM no Brasil, diz Paulo Bernardo

Anne Warth
O Estado de S. Paulo

Nesta terça-feira, 24, a empresa espanhola dona da Vivo aumentou sua participação na Telecom Italia, proprietária da TIM no País

BRASÍLIA - O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira, 24, que a Telefónica não poderá controlar as operações da TIM no Brasil.

"Do ponto de vista da legislação brasileira, no nosso entendimento, um grupo não pode ser controlador do outro e manter duas empresas aqui", afirmou.

Nesta terça-feira, a espanhola Telefónica, dona da Vivo, aumentou sua participação na Telecom Italia, proprietária da TIM no País. Embora não tenha adquirido papéis com poder de voto, existe a possibilidade de a nova operação ocorrer em breve.

"Como isso não aconteceu ainda, vamos analisar a operação que eles estão anunciando", disse o ministro.

De acordo com Bernardo, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) cuidarão dos desdobramentos do caso.

Na hipótese de a Telefónica exercer sua opção de comprar e assumir o controle da Telco, de acordo com Bernardo, isso afetará a atuação das empresas no Brasil.

Caso a Telefónica viesse a comandar também a TIM no Brasil, mais de 50% do mercado de telefonia celular estaria sob seu comando, diminuindo substancialmente a concorrência no setor.

Questionado se a hipótese mais provável é que o grupo coloque as operações brasileiras da TIM no País à venda, o ministro respondeu positivamente.

"A legislação prevê isso", disse. "A empresa continua funcionando, mas eles têm de vender no prazo de um ano."

Brasil pautou o acordo entre Telefónica e Telco, diz FT

Veja online

Segundo fontes do jornal britânico, todo o acordo foi desenhado para escapar de sanções do órgão antitruste brasileiro

(Luciano Amarante)  
TIM e Vivo: operadoras foram o centro
 da discussão entre Telefónica e Telecom Italia 

As operadoras de telefonia celular Vivo e TIM pautaram as discussões entre a Telefónica e a Telco nas duas últimas semanas, que culminaram com o anúncio do aumento da participaçãoda empresa espanhola na italiana que controla a Telecom Italia, maior acionista da TIM. Segundo fontes do jornal Financial Times, o acordo entre as companhias foi desenhado de forma a não disparar um problema regulatório no Brasil de imediato.

A forma encontrada de tentar burlar uma infração automática de um termo assinado com o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) foi a seguinte: apesar de a Telefónica adquirir 66% do controle da Telco (fatia que pode chegar a 70% em 2014), as novas ações só serão convertidas a ordinárias (com direito a voto) em outubro de 2014. Em 2010, quando o órgão julgou o primeiro investimento da Telefónica na Telco (a espanhola adquiriu 46,18% das ações da italiana), determinou que as empresas assinassem um Termo de Compromisso de Desenvolvimento (TCD) que previa que nenhum conselheiro indicado pela Telefónica na Telco teria acesso a dados estratégicos da TIM ou do mercado brasileiro.

Soluções -
 Ao postergar a conversão de sua participação em ações com direito a voto, a Telefónica escapa do problema — mas não consegue evitar a concentração de mercado. TIM e Vivo juntas possuem cerca de 52% do mercado de telefonia celular, por exemplo. A Telefónica espera que, ao postergar a conversão de ações para 2014, terá exatamente um ano para encontrar uma solução de mercado que não prejudique a concorrência no setor de telecomunicações no Brasil. Essa solução, segundo analistas e o próprio governo, é a venda da TIM. Segundo a lei que regulamenta o órgão antitruste brasileiro, um ano também é o prazo que o Cade terá para julgar os termos do novo acordo. 

O FT afirma, contudo, que a Telefónica não descarta outra solução para o impasse: dividir a TIM entre Vivo, Claro e Oi. A divisão da empresa em três partes, segundo analistas do Citi, é possível, porém difícil de ser executada. "Esperamos que uma consolidação de mercado traga benefícios para as empresas, mas também deve suscitar uma avaliação minuciosa dos órgãos reguladores", afirmou.

Se os leilões de rodovias não vingarem, quem paga a conta?

João Pedro Caleiro
Exame.com

Enquanto especialistas apontam falhas no modelo, governo sinaliza que pode retirar alguns trechos do programa

Humberto do Lago Muller/Wikimedia Commons 
Trecho da BR-262 (MG-ES), 
rodovia que não atraiu interessados quando foi para leilão

São Paulo – As próximas semanas serão decisivas para o sucesso ou fracasso do Programa de Investimentos em Logística (PIL) do governo.

Após um atraso de mais de seis meses, a ideia era reservar os trechos considerados “filé” para dar um pontapé inicial positivo para os leilões de estradas. Deu certo com a BR-050, concedida para o Consórcio Planalto com deságio de 42% no pedágio, mas a BR-262 acabou ignorada e sem propostas.

O fiasco lançou uma sombra sobre as concessões, consideradas estratégicas para estimular a economia, restaurar a confiança do empresariado e começar a corrigir os gargalos da nossa infraestrutura.

O governo diz que fará uma reavaliação grande das propostas e que pode marcar o leilão de cada lote para uma data diferente para facilitar a vida do investidor.

"A estrutura jurídica e contratual em si está correta, tanto que deu certo com a BR-050. O governo precisa abrir mão das pequenas coisas, como a intransigência de que 100% das duplicações devem ser feitas em 5 anos – dependendo da demanda, poderia ser em 10 ou 15”, defende Eduardo Padilha, especialista em Infraestrutura do Insper.

Para o presidente da Associação Brasileira de Logística, Pedro Francisco Moreira, o problema é mais de pressa do que de prazo: “Houve um atropelo para mostrar os planos, e quando eles caíram nas mãos dos consórcios, alguns vazios foram encontrados. O retorno de investimento está sendo questionado, mas havendo vontade política e redução da burocracia, os prazos são possíveis.”

Padilha não acha que a taxa de retorno seja um obstáculo: “O problema não é ser 7% de lucro, o problema é que a conta não fecha. É preciso fazer os estudos de forma conservadora. No lote da BR-262, o governo subestimou os investimentos e fez exigências maiores do que cabia naquela tarifa.”

Para Pedro Moreira, nosso histórico e o momento não são ideais: “Já não somos a bola da vez em investimentos. As nações bem sucedidas veem logística como uma questão de longo prazo – de estado, não de governo. O Brasil é muito bom em criar e formatar planos, mas não em executá-los.”

Obras públicas
Nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda Guido Mantega apresenta o seminário “A Oportunidade de infraestrutura do Brasil” para investidores em Nova York. Enquanto isso, o governo sinaliza que se não houver solução para o impasse, pode retomar as obras para si.

Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff disse que “de um lado, [o empresário] quer lucro alto. De outro, a população quer pedágio baixo. Quando for prático, concreto e efetivo unir as duas coisas, nós vamos unir. Quando não der, vamos fazer obra pública.“

Em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada ontem, a ministra-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann reafirmou que é possível que alguns trechos saiam do plano: “Se chegarmos à conclusão de que é impossível fazer concessão, vamos migrar para obra pública.”

Nesse caso, os recursos viriam do Tesouro: “pode acontecer, mas seria uma pena. Como o governo licita sem projeto executivo, gasta mais caro desse jeito, e ele sabe disso – tem sempre os aditivos de contrato, o grande problema da obra pública”, diz Padilha.

Estatal manipulada

Adriano Pires
O Globo

Pouco ou nada a comemorar em outubro quando a Petrobras completará 60 anos

Nos últimos anos, em particular, a partir de 2008, o mercado em geral e os acionistas da Petrobras passaram a perceber a utilização da companhia como complemento de política econômica e verificar um distanciamento das expectativas que os levaram a investir na estatal após a abertura de 1997. As causas da deterioração são conhecidas e o problema é que muito se fala e muito pouco se faz. Enquanto isso, os números da empresa vão piorando e o horizonte continua de cinza para negro.

Exemplos não faltam. O governo obriga a empresa a manter os preços domésticos defasados em relação ao mercado internacional com o objetivo de controlar a inflação e incentivar a atividade econômica. Desde 2003 a defasagem dos preços da gasolina e do disel promoveu perdas de mais de R$ 40 bilhões. Em 2013 a estatal tem perdido algo em tomo de 1 bilhão de reais mensais só com a importação de gasolina e diesel.

Paralelamente, o crescimento da demanda incentivado pelo preço artificialmente baixo levou a empresa a importar grandes volumes de gasolina e diesel. Entre o 1º trimestre de 2010 e segundo trimestre de 2013, a área de abastecimento da Petrobras já acumula prejuízo de cerca de R$ 36 bilhões e as importações de gasolina cresceram 395%. Por conta disso, a empresa tem tido dificuldade para cumprir seus cronogramas de investimento, e o resultado tem sido o atraso em vários projetos e a queda na produção.

Outro caso emblemático é a construção da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, refletindo problemas relativos à gestão de projetos na Petrobras. Ao longo da construção, o custo previsto do projeto se multiplicou por dez, de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões. Isso sem falar na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, por um preço ainda não explicado de forma transparente.

Como resultado de todos esses desmandos, a lucratividade da empresa desabou, levando ao aumento de seu endividamento. Apesar de em 2010 realizar a maior capitalização da história, que gerou uma injeção de R$ 45 bilhões em seu caixa, a empresa se encontra hoje perigosamente perto dos níveis que fariam com que perdesse seu status de investimento grade. O seu endividamento cresceu 210% após a capitalização, e sua relação dívida líquida/ebtida e dívida líquida/capital líquido se encontram em 2x”,9x e 34%, respectivamente, mesmo com a empresa se utilizando de “contabilidade criativa” que reduziu 70% do impacto da desvalorização cambial sobre a sua dívida. Agora a saída encontrada é o plano de desinvestimento, onde a empresa está vendendo ativos, como metade dos campos de petróleo que possuía na África.

O próximo passo poderá ser a promoção de uma nova capitalização após as eleições de outubro de 2014, o que irá provocar uma diluição maior dos minoritários, aprofundando o movimento de estatização da empresa. Pouco ou nada a comemorar em outubro quando a Petrobras completará 60 anos.


Petrobras desiste de parceria com PDVSA em PE, diz jornal

Veja online
Com informações Agência Reuters

Com falta de investimentos da sócia venezuelana, refinaria Abreu e Lima será incorporada à estatal brasileira

(Bobby Fabisak/Exame) 
Custo da refinaria Abreu e Lima passa de US$ 17 bilhões 

A refinaria Abreu e Lima, que está sendo construída pela Petrobras em Pernambuco, não terá mais a venezuelana PDVSA como sócia, segundo informações do jornal Valor Econômico. Além disso, a partir de 1º de novembro ela será incorporada como unidade de negócio da estatal brasileira. A publicação não citou as fontes de informação do assunto. 

A unidade foi projetada, desde o início, para ter participação e investimentos das duas empresas, mas os aportes por parte da PDVSA nunca aconteceram. O custo da refinaria passa de 17 bilhões de dólares e as obras acumulam atrasos de quatro anos, segundo o jornal. 

Procurada, a Petrobras disse que não comentará o assunto.

Petrobras muda planos para duas refinarias

Danilo Fariello 
O Globo

Unidades no Ceará e no Maranhão passarão a ter foco no mercado interno

BRASÍLIA - As pressões de custos e a necessidade de investir no pré-sal levaram a Petrobras a simplificar os planos de novas refinarias no Ceará e no Maranhão. Inicialmente destinadas à produção de produtos premium (elevada qualidade e baixíssimo teor de enxofre), como combustível de aviões, para exportar, elas passam a ter foco no mercado interno, para atender à demanda que surgirá até o início de 2018.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse nesta terça-feira ao Valor PRO que encomendou projetos novos ao exterior a fim de torná-los rentáveis, “otimizando e simplificando os projetos, sem reduzir a capacidade de produção”. Segundo ela, em março ou abril de 2014 as obras deverão ser licitadas.

O alto escalão do governo avalia que, hoje, é mais importante garantir fôlego para o pré-sal que dar folga de capital à Petrobras para executar os investimentos em refino. Já em outubro a estatal desembolsará ao menos R$ 4,5 bilhões por sua parte no bônus de assinatura do leilão de Libra.

Na refinaria Premium 1, no Maranhão, maior obra do PAC em valor (R$ 41 bilhões), o governo já destinou R$ 2 bilhões com pouco mais de 10% da obra realizada no fim de 2012. Inicialmente prevista para começar a operar em 2014, a Premium 1 está com atraso de 34 meses e deve ficar pronta no fim de 2017. Em julho, a presidente Dilma Rousseff prometeu para este ano o início das obras da Premium 2, no Ceará, que tem orçamento de R$ 19,7 bilhões, o que não deve acontecer com a mudança de planos.

A estatal estima que em 2020 o Brasil terá déficit de quase um milhão de barris de petróleo por dia em derivados, 29% da demanda nacional, se não forem concluídas as obras das duas refinarias e de parte do Comperj.

Em julho de 2012, O GLOBO antecipou que Dilma dera carta branca para a Petrobras buscar parceiros internacionais para construir as refinarias, como forma de manter os projetos e desafogar o orçamento da estatal. Para a Premium 2 houve a assinatura de carta de intenções com a coreana GS Energy, mas o negócio não evoluiu, segundo declarações recentes do governador do Ceará, Cid Gomes. Para a Premium 1, Graça disse nesta terça ao Valor PRO que há um acordo com a chinesa Sinopec.

Segundo fonte do governo, é difícil trazer um estrangeiro como sócio nas refinarias. No mundo todo, as petroleiras têm se livrado desse negócio, com margens pequenas e alto risco ambiental. Além disso, é difícil convencer um estrangeiro a investir em um negócio que compra insumo (petróleo) a preço variável e vende seus produtos a preço fixo (combustíveis para o mercado interno). Uma saída seria oferecer aos sócios pagamento em barris no exterior.

Petrobras perde posto de marca mais valiosa para cervejaria

Exame.com

Petrolífera ficou em 4º lugar em ranking anual das marcas mais valiosas da América Latina, divulgado pela BrandAnalytics. Brasil tem mais três marcas no top 10


São Paulo - A cerveja mexicana Corona é amarca mais valiosa da América Latina, segundo pesquisa anual divulgada pela BrandAnalytics. empresa da Millward Brown Optimor, e publicada pela WPP.

A bebida deixou para trás a Petrobras e a também mexicana Telcel, que foram, respectivamente, primeira e segunda no ranking do ano passado. A cerveja mexicana foi avaliada em 6,6 bilhões de dólares, uma valorização de 29% ante 2012. A Petrobras, que liderou o ranking em 2012, viu seu valor de marca despencar 45%, de cerca de 11 milhões de dólares para 5,8 bilhões..

O Brasil tem o maior número de marcas entre as dez primeiras, com quatro no total: Skol, Petrobras, Bradesco e Itaú. Confira a seguir o valor de marca e a valorização ou recuo das dez primeiras colocadas.

As marcas latinas mais valiosas


1. Corona

Valor de marca: 6,620 bilhões de dólares 
Categoria: cerveja
País: México
Variação: 29%

2. Telcel

Valor de marca: 6,577 bilhões de dólares 
Categoria: telecomunicações 
País: México
Variação: -22%

3. Skol
Valor de marca: 6,520 bilhões de dólares 
Categoria: cerveja
País: Brasil
Variação: 39%

4. Petrobras


Valor de marca: 5,762 bilhões de dólares
Categoria: energia
País: Brasil
Variação: -45%

5. Falabella

Valor de marca: 5,611 bilhões de dólares
Categoria: varejo
País: Chile
Valorização: 7%

6. Bradesco



Valor de marca: 5,492 bilhões de dólares 
Categoria: bancos 
País: Brasil 
Variação: -18%

7. Ecopetrol

Valor de marca: 5,137 bilhões de dólares
Categoria: energia
País: Colômbia
Valorização: 21%

8. Claro

Valor de marca: 4,454 bilhões de dólares
Setor: telecomunicações
País: Brasil
Valorização: 3%

9. Itaú



Valor de marca: 4,006 bilhões de dólares
Categoria: bancos
País: Brasil
Valorização: -39%

10. Águila

Valor de marca: 3,903 bilhões de dólares
Setor: cerveja
País: Colômbia