sexta-feira, agosto 23, 2013

Dilma torna a Lei Áurea sem efeito

Adelson Elias Vasconcellos

Ao comentar ontem sobre a importação de médicos cubanos, escapou-me duas observações importantes, mas que devem  ser ressaltadas. Por isso, mesmo que rapidamente, retomo o tema.

Primeiro, quero lembrar que, em 1888, 13 de maio, a Princesa Izabel (Brasil era império ainda), assinou a Lei Áurea que poria fim ao secular regime de trabalho escravo no país, que vigorava desde os tempos de colônia. E, surpresa para os da época, o Brasil não quebrou.  As ameaças de bancarrota da nossa economia se deram por outras causas, não pelo fim da escravidão. Agora, passados mais de um século do  enterro do famigerado e desumano regime de trabalho, Dilma o ressuscita emprestando ao programa ares de progressismo que, como se vê, progressismo não é. 

Em julho passado, sob imensos protestos, o governo anunciou que não mais contrataria médicos cubanos para o programa “Mais Médicos”.  Parece que o governo se dera conta de que a forma de contratação contrariava a Convenção 29 firmada entre o Brasil e a OIT _ Organização Internacional do Trabalho. 

Sabemos como funciona o regime de contratação dos médicos de Cuba. O dinheiro vai todo para o governo, o contratado é impedido de levar consigo sua família para os países onde exercerão seu ofício, seu passaporte é especialíssimo para evitar a deserção do contratado,   e a remuneração é o quanto basta apenas para a sua subsistência. Ou seja, trata-se de um regime que pouco difere da escravidão.

Pois bem, paralelamente, o governo Dilma afirmou que priorizaria médicos de Espanha, Portugal e até da Argentina.  Neste caso, a contratação não seria de país a país, mas sim entre o governo brasileiro e o profissional interessado. 

Só que se encerrou há duas semanas, em São Paulo,  a Assembleia do Foro de São Paulo aquele clubinho de canalhas de esquerda, mais protoditadores latinos e representantes dos narcoguerrilheiros do continente.  Tudo gente da melhor espécie.  

E a turma parece ter se aborrecido com a desistência do governo quanto à contratação de cubanos. Como são eles que mandam e ditam ordens para os governos petistas, estes precisaram recuar do recuo, e dando o dito pelo não dito, anunciaram que o governo brasileiro iria mesmo contratar médicos de Cuba.  O custo? Em torno de R$ 500 milhões anuais, grana que alimentará o regime dos irmãos Castro para oprimirem um pouco mais o seu povo.

Exibimos ontem dois vídeos em espanhol do que representa a vinda dos médicos da ilha.  A medicina é apenas uma das missões a cumprir. Na verdade, este escambo, de forma muito velada, estará atraindo olheiros em favor do governo petista,  uma espécie de milícia do estetoscópio. 

E, mesmo que a medida provisória ainda não tenha sido aprovada pelo Congresso, vai se empurrar para a atendimento da população mais pobre do país, profissionais sem credenciamento algum, sem nenhuma revalidação de seus diplomas, sem a avaliação indispensável de seu conhecimento e formação acadêmica.  E que se note: qualquer profissional formado no Brasil, ao se transferir para o exterior, somente poderá exercer seu ofício se avaliado. Isto é obrigatório. Por aqui, o governo petista dispensa estas mesuras e exigências, já que precisa obedecer às ordens  do seu espectro de comando, que é o Foro de São Paulo.  
   
Incrível é um governo que se indispõe contra a detenção provisória pela polícia britânica de um brasileiro, que se passava por mula de informações e dados secretos roubados da  inteligência americana,  e se põe de joelhos, arrastando a bunda na lama de uma ditadura como é a cubana.  Convenhamos, é ser muito canalha e jogar o nome do Brasil na mesma imundície em que chafurdam de forma tão dócil e subserviente.

Agora imaginem o seguinte quadro: e se a MP não for aprovada, como ficará esta contratação? Vamos devolver os cubanos para penarem nas mãos dos irmãos Castro?  Ou vamos passar por cima das leis brasileiras, e mantê-los, sem qualificação, em território brasileiro, atendendo nossa população? 

É claro que tal possibilidade, a não aprovação da MP Mais Médicos,  não tem a menor chance de acontecer. O governo Dilma venderá a alma ao diabo, se preciso, para impedir que a MP seja vetada pelo Congresso brasileiro. Por detrás desta aberração, está o projeto de Lula (e do Foro de São Paulo),  de impor no governo do estado de São Paulo o poste Alexandre Padilha. 

No processo de contratação de estrangeiros, a Folha informa que 231 profissionais foram excluídos na primeira etapa de seleção, por problemas com a sua documentação.  Alguém imagina que, com documentação em desordem, algum cubano será excluído? De jeito nenhum. Aliás, sobre eles não se fará nenhuma avaliação, seleção  ou verificação. O governo Dilma está proibido de fazê-lo. Terá que engolir o pacote fechado enviado por Cuba, goste ou não.

E, como afirmou recentemente a própria Dilma, em tempos de campanha eleitoral, o partido faz o diabo para vencer.  Como afirmei ontem, a cada nova ação do governo petista,  mais o Brasil se parece com uma replubiqueta bolivariana, e mais distante fica do clube dos países livres e desenvolvidos. 

Talvez o leitor fique a imaginar que estamos exagerando, que a classe médica protesta em nome de um corporativismo condenável. Pois bem, segue abaixo, texto do Diário do Poder para acrescentar um pouco mais de luz a esta patifaria que está sendo cometida contra o país pelo governo petista e que deixa bem claro  o espírito escravagista que o escambo de médicos cubanos representa. 

***

EXPLORADO PELA DITADURA, MÉDICO CUBANO SÓ VAI RECEBER 7% DO SEU SALÁRIO


CUBA FICA COM A MAIOR PARTE DO SALÁRIO E RETÉM A FAMÍLIA PARA IMPEDIR ASILO 

Cubanos se revoltaram contra a prisão do médico Darsi Ferrer, hoje exilado.

A “importação” de quatro mil médicos cubanos é parte dos gastos gigantescos do Brasil na ilha comunista em diversas obras de infraestrutura e na própria medicina cubana: dados de 2011 do ONE, o IBGE local, mostram quase quatro mil clínicas foram fechadas e que houve queda de 10% no número de médicos.


O médico Ferrer foi preso e torturado 
por denunciar  o precário sistema de saúde cubano

“É dramático”, segundo afirmou o médico cubano negro Darsi Ferrer à jornalista Teresa Barros, da equipe da coluna do jornalista Claudio Humberto. Ferrer está exilado nos Estados Unidos desde 2012, depois de ter sido preso e torturado por denunciar o precário sistema de saúde em Cuba.

Ferrer viu de perto o sistema da ditadura comunista que explora mão de obra: a “exportação” de médicos para 70 países, resultando num faturamento anual de US$8 bilhões.

A “importação” dos médicos cubanos é o único caso em que a remuneração de R$ 10 mil não será paga diretamente ao profissional, mas à ditadura, com a intermediação da Organização Panamericana de Saúde. O médico cubano só receberá uma pequena parcela do salário, cerca de 7%. Outra parte, também mínima, é entregue à sua família, obrigada a permanecer em Cuba como refém, para impedir que o médico peça asilo político. A maior parte do salário do médico, cerca de 70%, fica com a ditadura.

Ex-presioneiro de consciência da Anistia Internacional, o médico cubano Darsi Ferrer lembra que os colegas não têm internet e acesso à literatura atualizada.

Dona Dilma, escravagista, “contrata” médicos sem pagar salário, quem recebe é Raul Castro.

Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa

Dona Dilma imita Chávez, escraviza médicos de Cuba. O bolivariano “contratou” 15 mil médicos da ilha de Fidel. Não pagava nada a eles, que viviam miseravelmente na bela Caracas. O pagamento era feito diretamente ao governo de Cuba, no caso em petróleo subfaturado ou sem faturamento, eram “amigos”.

Quando Chávez teve que fazer a primeira das várias cirurgias, podia ter feito sem sair do país, os hospitais da Venezuela 10 vezes melhores que os de Cuba, desaparelhados e caindo aos pedaços.

Só que Chávez não queria ser operado pelos médicos cubanos, que ajudara a escravizar. Acabou morrendo em Havana, tiveram que fazer uma volta “misteriosa” do presidente, para fingir que morrera no próprio país.

DONA DILMA ACEITA EXIGÊNCIAS
Na obsessão eleitoral e eleitoreira de mandar para o interior médicos sem hospitais, sem o mínimo de condições até de “amarrar um ferimento com gaze”, Dona Dilma falou com Raul Castro, que lhe disse: 

“Temos milhares de médicos que gostariam de trabalhar no Brasil, mas o contrato tem que ser feito de país para país. Ela perguntou como era, Raul respondeu: “Como fizemos com a Venezuela”.

A presidente foi se informar, recusou os “milhares” de médicos cubanos, que “gostariam” de trabalhar no Brasil. Três meses depois, aceitou as exigências de Raul Castro, abandonou as convicções (?), concordou em assinar contrato com Cuba e não com os médicos.

CONDIÇÕES. 1 – O Brasil receberá INICIALMENTE 4 mil médicos. 2 – O pagamento será de 10 mil reais por cada um. 3 – O dinheiro será entregue em Cuba, diretamente ao governo. 4 – Os médicos virão imediatamente, sem REVALIDAÇÃO, “eles falam castelhano, fácil de ser entendido pelos brasileiros” (textual de Dona Dilma, para os que, fora do governo, protestavam contra o “negócio”). 5 – Os médicos viajam para cá, o dinheiro viaja para lá. O pagamento será feito aos médicos diretamente pelo governo de Cuba.

Dona Dilma nem quer saber como Cuba encontrará seus médicos no interior deste país continente. No caso da Venezuela, como a troca era em petróleo, os médicos se sacrificavam pelo país. E o contrato com o Brasil, como justificar?

O governo de Dona Dilma, incompetente, é agora também escravagista. E ainda existem outras palavras para identificá-la, resolvi usar menos espaço.

(Nos tempos de folga, quase sem interrupção, Dona Dilma podia “descobrir” Gilberto Freyre).

O governo do PT fomenta trabalho escravo!

Rodrigo Constantino
Veja online


Não dá para aliviar com o uso de eufemismo: é exatamente isso que o acordo firmado com Cuba significa. Trata-se de uma ditadura que controla esses “médicos”, e o governo vai pagar meio bilhão de reais por ano para tê-los aqui, diretamente ao ditador! Do Portal G1:

De acordo com [o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas] Barbosa, o governo brasileiro não tem informação sobre o valor exato que os médicos cubanos devem receber pela atuação no Mais Médicos. Segundo o secretário, eles deverão ter o mesmo salário que recebem trabalhando em Cuba ou em outras missões no exterior.

Pelo acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a Organização Panamericana de Saúde (Opas) para contratar 4 mil médicos cubanos, o governo brasileiro pagará à Opas o valor equivalente à remuneração dos demais profissionais do Mais Médicos (R$ 10 mil), e a organização repassará esse dinheiro para o governo cubano.

O governo não sabe quanto dos R$ 10 mil ficará com os médicos e quanto irá para o governo cubano. A declaração foi feita em uma reunião nesta quinta-feira (22) com representantes dos municípios de São Paulo sobre o programa federal.

“Não podemos pagar diretamente ao médico cubano. O governo cubano só aceita enviar médicos sob a forma de um acordo bilateral, e é isso o que está sendo feito”, disse Barbosa. Questionado sobre as declarações de entidades médicas brasileiras, que mostraram preocupação com as condições de trabalho dos profissionais cubanos, ele enfatizou que os médicos estão vindo para o Brasil voluntariamente.

Segundo Barbosa, o Brasil já recebeu médicos cubanos em situação parecida na década de 1990.

“Cuba já faz esse tipo de cooperação há muito tempo. Já teve inclusive com o Brasil na década ade 1990 e em vários outros países do mundo. Eu desconheço qualquer caso em que os médicos cubanos se insubordinaram ou não trabalharam de maneira adequada. Pelo contrário. Quando trabalharam no Brasil, tendo a formação específica em atenção básica, eles prestaram um excelente trabalho”, disse”.

Barbosa afirmou que os profissionais cubanos têm pleno domínio da língua portuguesa e que o idioma não deve ser uma barreira para a atuação dos médicos. Quando chegarem ao país, farão nova avaliação e aqueles que não atenderem a todos os critérios serão automaticamente desligados do programa.

“O programa não prevê ter um tradutor junto do médico na hora de prestar atendimento”, afirmou.

*
Apertando a tecla SAP, isso quer dizer o seguinte: nosso governo vai usar o seu dinheiro, estimado leitor, para mandar uma fortuna para a pior e mais cruel ditadura do continente, que, em contrapartida, vai exportar 4 mil “médicos” para cá, para doutrinar pessoas no interior, sobre como o socialismo é fantástico.

O governo diz que não sabe quanto cada um vai receber, que será o mesmo que recebe em Cuba. Mas na ilha-presídio o salário não chega a US$ 50 dólares mensais! É um regime de feudalismo, onde a família Castro representa o senhor feudal, e os cubanos são seus escravos.

O PT encontrou um jeito de financiar a ditadura cubana com nossos impostos. Em troca, teremos “médicos” que seriam incapazes de passar no teste do Revalida, pois simplesmente não são médicos de verdade, como os nossos, e a saúde cubana decente não passa de um mito da esquerda.

No mais, como eles falam português? De onde veio esse conhecimento? Alguém pode explicar? Por que nossa grande imprensa não questiona tais coisas, não confronta dessa maneira esses políticos? Tudo isso é muito surreal, parece uma cena de Saramandaia. É um absurdo! Muito revoltante! O governo petista está fomentando o trabalho escravo. Simples assim.

O governo brasileiro ainda tem muito a esclarecer sobre a importação dos 4 mil médicos cubanos

Antônio Vieira
Veja online

As intenções do governo brasileiro com relação ao programa Mais Médicos suscitam algumas perguntas específicas. Os médicos cubanos poderão clinicar, em caráter privado, fora do horário regular a que estarão obrigados? Caso a resposta seja negativa, estariam eles, então, trabalhando em regime de dedicação exclusiva? Se sim, qual a base legal trabalhista dos seus contratos? Quanto é a taxa de administração que a mais nova entidade devotada à terceirização de mão de obra ─ a Organização Panamericana de Saúde ─ vai receber do governo brasileiro? Haverá, por acaso, mais alguma triangulação envolvendo, por exemplo, as fundações universitárias, sempre disponíveis para notórios arranjos visando ultrapassar barreiras legais em benefício de apaniguados?

Do ponto de vista fiscal, aliás, as “bolsas” são isentas de imposto de renda. Não são dúvidas preconceituosas. Médicos de países democráticos admitem o exercício liberal da profissão. Não é, definitivamente, a situação de Cuba. O enrosco com relação a eles tem mais o jeitão de acordo bolivariano, para não dizer coisa do Foro de São Paulo. Ah! meu caro, certamente vai sobrar um troco (das centenas de milhões previstos) para as turmas do PT e PCdoB que vivem agarradas como cracas nas burocracias acadêmicas e sindicais. Vão pipocar convênios e acordos onerosos para financiar eventos e atividades vinculadas ao empreendimento. O mais provável é a grana sair dos ministérios da Saúde e da Educação, cujas cornucópias são inesgotáveis.

Temos que reconhecer: esse pessoal é artista, sabe como tirar leite das pedras. Os procedimentos que o regime cubano parece seguir fazem lembrar tempos negros da escravidão. Ainda nos séculos XVI e XVII havia na África estados que se sustentavam no tráfico (principalmente na região do Sahel, fronteiriça ao Saara). Cuba, a propósito, já forneceu mercenários para guerras em Angola e outros lugares. No presente caso, os irmãos Castro ─ negreiros contemporâneos ─ alugam mão de obra (segundo a necessidade do freguês), num surpreendente processo internacional de terceirização do trabalho humano. São eles piores que os tradicionais coiotes que contrabandeiam gente nas fronteiras americanas.

Vejamos como se portam outras entidades internacionais, como a OIT, bem como instituições devotadas à proteção trabalhista no Brasil, como o Ministério Público e os teóricos da legislação do trabalho. Este assunto, não nos enganemos, vai render panos pra manga. O primeiro lote das peças caribenhas está a caminho. Breve ouviremos: “As galinhas chegaram”, conforme o jargão do passado anunciando escravos novos disponíveis.

Desconfio, no entanto, que um traço inerente à humanidade será a fonte de futuras confusões: o amor, este subversivo incontrolável! Homens, principalmente, logo ficarão sujeitos ao assanhamento irresistível junto aos moradores locais. A menos que só mandem casais estabelecidos ou eunucos ou bruacas indigestas (sem discriminar os gays), para os miseráveis grotões da pátria. Não há pecado do lado de baixo do equador!

Ministério Público vai questionar importação de médicos cubanos

Claudia Rolli
Folha de São Paulo

A importação de 4.000 médicos cubanos para atuar no interior do país pelo programa Mais Médicos, do governo Dilma Rousseff (PT), será questionada pelo Ministério Público do Trabalho.

O procurador José de Lima Ramos Pereira, que comanda no órgão a Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho, disse que a forma de contratação fere a legislação trabalhista e a Constituição.

"O MPT vai ter que interferir, abrir inquérito e chamar o governo para negociar."

O acerto também foi questionado por auditores fiscais do Ministério do Trabalho em São Paulo e pelo presidente da comissão da OAB-SP que trata de assistência médica.

A vinda dos cubanos foi anunciada após a primeira etapa de seleção ter atendido apenas 10,5% das vagas.

Os profissionais de Cuba terão condições diferentes das dos demais estrangeiros --a bolsa de R$ 10 mil por mês paga pelo Brasil não será repassada aos médicos, mas ao governo de Cuba, que fará a distribuição a seu critério.

Editoria de arte/Folhapress


O governo diz não saber quanto eles vão ganhar, mas que os pagamentos devem ser como os da ilha comunista ou de missões deles ao exterior.

A gestão Dilma diz que, em parcerias entre Cuba e outros países, costuma haver um repasse de 25% a 40% do total --que, no Brasil, significaria de R$ 2.500 a R$ 4.000.

O ministro Alexandre Padilha (Saúde) disse à TV Globo que eles devem receber mais do que os enfermeiros.

O procurador Ramos Pereira afirmou que a contratação é "totalmente irregular", sob pretexto de resolver uma questão relevante (a falta de médicos), "mas que não está caracterizada com a urgência que exige uma situação de calamidade", como epidemia e terremoto. Ele disse que seria preciso concurso público.

"A relação de emprego tem de ser travada diretamente entre empregador e empregado. O governo será empregador na hora de contratar e dirigir esses médicos, mas, na hora de assalariar, a remuneração é feita por Cuba ou por meio de acordos. Isso fere a legislação trabalhista."

Sobre a questão salarial, ele disse ser necessário respeito ao salário mínimo.

O auditor fiscal do trabalho Renato Bignami, coordenador do programa de erradicação do trabalho escravo em São Paulo, disse temer a "precariedade". "Essa situação criará uma assimetria no mercado de trabalho se os médicos cubanos receberem salários inferiores aos pagos aqui."

Para Bignami, é prematuro, porém, comparar com escravidão, como criticaram integrantes da classe médica. "Não são só os salários aviltantes que são considerados para essa situação. Há fatores como jornadas exaustivas e condições degradantes."

José Cláudio Ribeiro Oliveira, que preside a comissão sobre assistência médica da OAB-SP, disse que foi criada a figura do "intercambista", mas que isso serviria para estudo ou troca de informações. "Se a moda pegar, vamos ter intercambista na lavoura."

Os cubanos atuarão em 701 cidades (que não tiveram interessados na primeira fase), com população de 11 milhões --45% em áreas rurais, a maioria no Norte e Nordeste.

O acordo teve aval da Opas (braço da OMS para as Américas). O governo disse não ter sido notificado pelo MPT, mas que a remuneração é referente a uma bolsa.

Editoria de arte/Folhapress


Governo não se entende sobre salário de cubanos

O Globo 

Ministro e secretário dão declarações divergentes
Verba será repassada ao governo de Cuba, que fará os pagamentos

José Cruz/Agência Brasil 
Ministro Padilha (de óculos) e Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde  

SÃO PAULO e BRASÍLIA - O governo deu nesta quinta-feira informações divergentes sobre o salário que os médicos cubanos vão receber para trabalhar no Brasil pelo programa Mais Médicos. Pela manhã, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, disse que os médicos cubanos deverão ganhar o mesmo valor que recebem em Cuba. Médicos cubanos ouvidos pelo GLOBO disseram receber o equivalente a US$ 27 (R$ 60) na ilha.

Mas à noite, em entrevista ao “Jornal Nacional”, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que os cubanos terão um padrão de remuneração superior ao que têm no próprio país.

— Posso te afirmar, ele (o cubano) terá um padrão de remuneração aqui no Brasil, para além do que pode receber na sua família, que é superior aos enfermeiros, aos técnicos de enfermagem, a agentes comunitários de saúde com quem esses médicos vão trabalhar — disse Padilha.

O salário de um profissional de enfermagem na rede pública do SUS pode chegar a R$ 3 mil. Embora o Mais Médicos vá pagar uma bolsa de R$ 10 mil mensais aos profissionais, no caso dos cubanos o salário é repassado ao governo da ilha, que se encarrega de pagar seus médicos.

Segundo Barbosa, 74% dos cubanos deverão trabalhar nas regiões Norte e Nordeste, em locais que não foram escolhidos nem pelos médicos do Mais Médicos.

— Em relação aos cubanos, é um acordo bilateral que o Brasil está procurando fazer com outros ministérios da Saúde, intermediado pela Organização Pan-Americana de Saúde. O governo brasileiro repassa o recurso para a Organização Pan-Americana, que destina ao Ministério da Saúde (de Cuba), que é quem paga os cubanos. Eles vão receber o mesmo valor que recebem em Cuba — disse o secretário, acrescentando não saber o salário pago.

Barbosa negou que os médicos estrangeiros venham trabalhar em regime de semiescravidão.

— Esses médicos estão vindo voluntariamente e receberão R$ 10 mil livres de qualquer imposto, terão a previdência paga pelo ministério e alimentação e moradia paga pelo município. Dificilmente isso se assemelha à escravidão — disse Barbosa, alegando que há 30 mil cubanos trabalhando em outros países.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, teve que rebater críticas da oposição. Na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) acusou o governo de, a exemplo da Venezuela, promover um escambo de médicos cubanos por investimentos brasileiros no Porto de Mariel, em Cuba.

— Não existe escambo, nem jamais passou pela cabeça de qualquer membro do governo a ideia de escambo por acesso a investimentos. São iniciativas que obedecem a lógicas distintas. A atração de médicos para o Brasil tem a ver com uma carência de médicos para regiões carentes, e alias é uma prática a que muitos países recorrem — disse Patriota, ressaltando que não há viés ideológico na escolha.

Os primeiros 400 médicos podem vir de Cuba em aviões da FAB. A chegada está prevista para este fim de semana.

A guerra das togas

Sandro Vaia
Blog Noblat

O Brasil é um país pitoresco. Quando parece que o apocalipse se aproxima, tudo vira pizza.

Foi mais ou menos o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal durante o julgamento dos recursos dos mensaleiros condenados a vários anos de prisão.

Na primeira semana de julgamento dos recursos, dois dos principais juízes - o áspero presidente Joaquim Barbosa e o sibilino Lewandowski - trocaram alguns insultos que pareciam irreparáveis.

O mais grave deles foi proferido por Joaquim Barbosa em relação a Lewandowski.

O presidente do STF acusou o ministro blandicioso e maneiroso de querer fazer “chicana”, o que em juridiquês equivale mais ou menos a gritar “juiz ladrão” na arquibancada.

Barbosa foi acusado de prepotente e autoritário, o que não escapa muito do senso comum sobre o comportamento dele desde que assumiu sua cadeira no Supremo, e mais ainda quando assumiu a presidência, por uma regra que obriga a rotatividade entre eles no cargo máximo.

Sim, Barbosa não é propriamente um gentleman.

Chegaram a escrever aqui mesmo, neste blog (e o dono do blog pode muito bem escrever o que lhe dê na telha) que a destemperança do ministro tem alguma coisa a ver com a questão racial.

Discussão ociosa , excelente para ganhar tempo e para provocar polêmica. Acusar alguém de racista hoje em dia é um esporte mais popular que o críquete na Índia.

O que acontece na verdade é o seguinte: Barbosa não é propriamente um moço de fino trato e se há alguma coisa que ele não tem de admirável são os bons modos.

É grosso, mal educado, boquirroto, e já demonstrou isso muitas vezes, principalmente quando mandou um juiz calar a boca e dizer que ele só poderia falar com sua expressa autorização durante um encontro com entidades classistas de juízes para debater a aprovação de uma lei que criava novos tribunais federais - ao custo, segundo ele, de 8 bilhões de reais.

O que vamos fazer? Jogá-lo na fogueira com a sua toga esvoaçante? Condená-lo por ser um Pai Tomás que foi nomeado ministro do Supremo por isso e mandar que fique no seu lugar?

O fato é que o que ele denunciou - que o ministro Lewandowski estava tentando fazer “chicana” e diminuir a pena dos mensaleiros através de recursos jurídicos protelatórios - era uma absoluta verdade, e o grito de Barbosa acordou os espíritos adormecidos.

Jamais alguém deveria pensar em Barbosa presidente. Jamais alguém deveria sonhar com salvadores da Pátria e homens providenciais. A História ensina que homens providenciais sempre resultaram em tragédias.

Mas o fato é que o Barbosa casca grossa, mal educado, impertinente, petulante e autoritário matou o ovo da serpente ainda no ninho. Jogou luz sobre a chicana que se articulava e a matou no nascedouro.

Conclusão: mais vale um Barbosa estúpido na mão que um Lewandowski faceiro, elegante e sibilino voando na construção de sua sutil chicana cheia de mesuras.


Jabuticaba no banco dos réus

Eliane Cantanhêde
Folha de São Paulo 

BRASÍLIA - Se já há um grande condenado na segunda fase do julgamento do mensalão é o festival de recursos no Brasil. Atenção: a condenação não é ao princípio, que é questão de justiça, mas ao abuso.

Ao se manifestar contra os embargos infringentes, que podem recomeçar partes importantes do julgamento praticamente do zero, o ministro Gilmar Mendes lembrou que não há precedentes desse tipo de embargo nem no próprio STF, nem no STJ nem nos outros tribunais, o que tornaria esse recurso "mais uma jabuticaba" --ou seja, algo tipicamente brasileiro.

Na avaliação dos contrários a esses embargos, eles são cabíveis como recurso a instâncias superiores, não à mesma instância, com os mesmos ministros, o mesmo número de votos. Só estão sendo aventados por uma brecha burocrática: o regimento do Supremo prevê, mas a lei que rege julgamentos de ações penais em tribunais superiores, não.

Na véspera, o novato Luís Roberto Barroso já tinha dado uma aula ao vivo para milhões de telespectadores, condenando, em tese, "o uso de recursos de maneira manifestamente protelatória" e chamando a atenção para o descompasso do sistema brasileiro de recursos "com as demandas da sociedade".

Sua descrição é estonteante: há o recurso extraordinário, o tribunal nega; vem o agravo de instrumento, o relator desprovê; saca-se o agravo contra o desprovimento, depois entra-se com o embargo de declaração e, não raro, com um segundo embargo de declaração, que é, mais ou menos, o embargo do embargo.

"Essa praxe recorrente não é boa para a advocacia, não é boa para a sociedade nem para as partes", disse o novo ministro, defendendo dar um basta: "Verificado o caráter protelatório, declara-se o trâmite em julgado". E ponto final.

É assim, ou mudando a lei, que se pode tentar evitar a já rotineira eternização dos processos. Bem... quando o réu é rico e famoso.

Cadeia neles

Carlos Chagas
Tribuna da Imprensa

Define-se a sorte dos 25 condenados no processo do mensalão: só por milagre terão suas penas reduzidas. Assim, os condenados à prisão fechada ficarão atrás das grades, outros   precisarão  dormir na cadeia, uns mais felizes cumprirão prisão domiciliar. O Supremo Tribunal Federal terá cumprido suas obrigações, numa demonstração de que suas sentenças  acoplam-se à voz rouca das ruas. Imaginar-se um ente à margem da opinião pública costuma não dar certo. Apesar da presunção de alguns ministros em proclamar-se completamente independentes, na realidade todos  devem respeito a Sua Excelência o Cidadão Comum.

Encerrado o julgamento dos embargos declaratórios, é possível que nem venham a ser apreciados os embargos infringentes, mas, se vierem, não haverá Ricardo Lewandowski capaz de protelar o encerramento do processo. Nem parece viável a  redução das penas  por decisão da maioria dos ministros da mais alta corte nacional de justiça. Afinal, para que serviram meses e meses de exaustivas análises, debates e votações?

Como disse o mais novo ministro, Luis Roberto Barroso, não seria correto mudar os resultados, tornando-se necessário acabar com os recursos usados apenas para protelar julgamentos.

OS VICES
Chapa pronta e arrumada, só uma: Dilma para presidente, Temer para vice. Os demais candidatos patinam.Quem será o vice de Aécio? E de Serra, caso ele venha a ser o preferido dos tucanos? Marina Silva já pensou em escolher seu substituto? E Eduardo Campos? Na hipótese de Joaquim Barbosa apresentar-se, quem o acompanhará?

Na crônica recente os vices tem revelado apoio político aos titulares, depois das trapalhadas que cercaram os presidentes militares. Sarney ocupou o lugar que era de Tancredo. Itamar surpreendeu ao superar Collor. 

Marco Maciel fez o dever de  casa com Fernando Henrique enquanto o Lula não se queixou do  José que o acompanhou por dois mandatos. Temer tem ajudado Dilma a superar obstáculos. A ideia é continuarem a parceria,  mantendo o PMDB alinhado.

Passou o tempo em que os vices criavam problemas. 

BATENDO CABEÇA
Ficará tenso o clima no Congresso, caso confirmado o comentário do senador Renan Calheiros, sobre ter o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, atuado como “líder da oposição” nas votações de interesse do palácio do Planalto.  Mesmo mantidos os vetos da presidente Dilma, exprimindo a vitória do governo, pela lei das probabilidades  logo sobrevirá uma derrota. Atribuí-la ao deputado equivalerá ao reconhecimento de sensível fratura na base parlamentar oficial.

Bons de bico

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

Quando o PSDB elegeu o senador Aécio Neves presidente do partido, em maio último, automaticamente consolidou seu nome para concorrer à Presidência da República em 2014. Os tucanos não queriam dar mais espaço às tergiversações e aos vaivéns que marcam suas decisões sobre candidaturas presidenciais há mais de dez anos.

O próprio Aécio já havia dado ao assunto atestado de questão vencida, ao declarar que sua eleição significava a virada da página das divisões e disputas internas no partido. Portanto, não há que se falar em prévias para escolha da candidatura presidencial sem se atentar para a evidência de que se trata de uma fabulação em torno de um fato consumado.

O partido abre um debate a respeito de algo decidido; de onde, não há remota possibilidade de ocorrer uma disputa na acepção do termo. Então, qual a utilidade de tudo isso? Pelo jeito, só para ganhar tempo e espaço no noticiário, conquanto tal atitude não preste as devidas homenagens ao discernimento do respeitável público de um filme visto e revisto.

Essa história de prévias surgiu a partir da disposição cada vez mais clara do ex-governador José Serra de se candidatar em 2014._ preferencialmente à Presidência. Seus aliados resistem a deixar o PSDB e ele, por sua vez, mede o efeito da saída sobre esse grupo.

Diante do falatório, o senador Aécio resolveu rebater dizendo que aceita as prévias e Serra devolveu a bola afirmando que tudo bem, mas quer conhecer as regras sobre a abrangência de participação, prazos, condições de igualdade na competição e saber qual a "taxa democrática" da disputa.

O jogo de cena agride a lógica. Primeiro, não existe a hipótese de resultado que não a vitória de Aécio. E depois Serra fala de exigências que sabe muito bem que não vão e não podem ser cumpridas. Exemplo: como se mede a "taxa democrática"?

Falam por falar. Os tucanos não querem que Serra saia. Por menos chance que ele tenha devido à alta rejeição nas pesquisas e às dificuldades de alianças e financiamento numa campanha pelo PPS que negocia a filiação com ele, dividiria o eleitorado no mesmo campo e reduziria as chances do PSDB de estar no segundo turno.

A preliminar é: Serra quer mesmo ser candidato a presidente? Na interpretação de tucanos, a declaração dada por ele em Brasília na última quarta-feira admitindo a possibilidade é um sinal de que está iniciando os preparativos para sair do partido. Justamente porque tem perfeita noção da impossibilidade de ser candidato pelo PSDB.

Poderia ficar e disputar o Senado? Poderia, mas não há garantia de nada. Aliás, nada está garantido, saindo ou ficando. Trata-se agora de avaliar qual a decisão menos prejudicial.

De um lado, seus (ainda) companheiros de partido tentam convencê-lo de que é melhor ficar. A dúvida é: melhor para quem, para ele ou para eles?

De outro lado, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire, repete nas conversas com Serra que a insegurança é geral. "Não se dizia que a reeleição de Dilma Rousseff estaria assegurada? Hoje esta é uma possibilidade, mas não é uma certeza como já foi", argumenta.

Embora admita que existam muitas críticas em relação ao (ainda) tucano, Freire percebe reconhecimento aos atributos dele como gestor. "Num quadro de crise econômica, o eleitor vai levar em conta a capacidade dos candidatos de enfrentar situações difíceis e este é um ativo inegável de Serra."

As tratativas com o PPS estão avançadas, embora não concluídas. O limite para a decisão, em tese, é o dia 5 de outubro. Na prática, porém, o prazo legal não é o mesmo que o prazo político.

Se resolver mesmo trocar de partido, mas deixar para anunciar a decisão na última hora, José Serra não terá tempo para articular adesões reduzindo a densidade política de sua filiação ao PPS para ser candidato a presidente.

A situação dos jovens "nem-nem"

Naercio Menezes Filho (*) 
Valor Econômico 

As mudanças recentes no mercado de trabalho têm provocado muitas discussões e análises a respeito do comportamento dos jovens na sociedade brasileira. Afinal, será que os jovens estão trocando a escola pelo trabalho? Por que será que há tantos jovens que não trabalham nem estudam (os chamados "nem-nem"), numa época em que o mercado de trabalho anda tão aquecido? Por que esses jovens não ingressam na PEA (população economicamente ativa) diminuindo assim as restrições de oferta da economia?

A chave para entender o comportamento recente dos jovens no mercado de trabalho é segui-los ao longo do tempo, acompanhando suas trajetórias entre as diferentes situações. Numa pesquisa recente1 acompanhamos uma amostra de jovens com 17 a 22 anos de idade pelo período de um ano entre 2010 e 2011, utilizando dados da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE. No momento inicial da análise, 19% deles estudavam e ao mesmo tempo estavam na PEA, seja trabalhando ou procurando emprego. Por outro lado, 40% deles estavam na PEA sem estudar, 25% somente estudavam e 16% estavam na categoria "nem-nem", ou seja, nem estudavam, nem trabalhavam nem procuravam emprego.

A situação "nem-nem" é temporária para jovem qualificado, ainda mais nos períodos de economia aquecida.

Entretanto, a maior parte desses jovens não permaneceu nessa situação inicial por muito tempo. A tabela abaixo mostra que, entre os jovens que estudavam e também estavam na PEA, um terço tinha abandonado a escola um ano depois, 13% abandonaram o trabalho e 6% nem estudavam nem trabalhavam. Dentre aqueles que estavam só trabalhando ou procurando emprego, a maioria (76%) permaneceu na mesma situação.

Interessante notar que entre os estudantes em período integral, só metade continuava na escola (ou faculdade) sem trabalhar um ano depois, 20% já tinham ingressado no mercado de trabalho, 18% tinham abandonado os estudos para começar a trabalhar e 13% não estavam fazendo nada. Vale notar que a transição da escola para o trabalho nessa idade provavelmente significa abandono da faculdade ou conclusão do ensino médio sem posterior ingresso no superior.

Por fim, entre os jovens do grupo "nem-nem", que tanto interesse têm despertado ultimamente, somente 42% permaneceram na mesma situação um ano depois. Outros 42% ingressaram no mercado de trabalho, 10% voltaram a estudar e 6% deles começaram a trabalhar e estudar ao mesmo tempo.

Vemos assim que a situação do jovem é bastante volátil. O jovem precisa trocar de empregos para saber o que realmente gosta de fazer. A analogia com o mercado de casamentos é muito boa nesse caso. Dificilmente a jovem vai se casar com seu primeiro namorado, pois experimentar faz parte da vivência necessária para encontrar seu par ideal. Na transição entre empregos, ou no período de transição entre a escola e o emprego, ele pode ficar na situação "nem-nem", mas isso é transitório em grande parte dos casos. Nesse caso é necessário olhar o fluxo para entender o problema, pois a fotografia pode mostrar um quadro pior do que a realidade.

Porém, os casos em que a situação "nem-nem" persiste por muito tempo exigem mais atenção. A duração média dos jovens nessa situação gira em torno de 4 meses e tem aumentado lentamente ao longo do tempo. Vale notar que a maior parte dos "nem-nem" tem pouca educação, 19 ou 20 anos de idade, são negros ou pardos e mulheres. Cerca de 27% dos jovens com baixa escolaridade (ensino fundamental incompleto) estão nessa condição, comparados com apenas 16% entre aqueles com ensino médio completo. Além disso, a duração média nessa situação é maior para o grupo menos escolarizado, chegando a 5 meses em média.

Mas, porque será que esses jovens com baixa escolaridade estão abandonando a escola e permanecendo inativos? A maior parte deles desiludiu-se com a escola pública e decidiu ingressar no mercado de trabalho, atraídos pelo crescimento salarial dos menos qualificados nos últimos anos. Porém, a duração no emprego também é curta para esses jovens. Assim, eles ficam transitando entre uma situação de trabalho precário e inatividade, aumentando a probabilidade de terem problemas sérios no futuro e diminuindo a produtividade da economia.

A solução para esses casos seria aumentar a atratividade da escola pública e investir na primeira infância, para que a criança não fique cada vez mais para trás no sistema escolar. Mas, para o jovem qualificado, a situação "nem-nem" é em grande parte temporária, especialmente em períodos de economia aquecida.


(*) Naercio Menezes Filho, professor titular - Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e professor associado da FEA-USP

Pois é, pleno emprego

Celso Ming 
 O Estado de S.Paulo

Os números sobre o desemprego de julho divulgados ontem pelo IBGE foram suficientemente surpreendentes para dar um nó górdio nas ideias do ministro do Trabalho, Manoel Dias.

Na véspera ele olhara para o relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo seu Ministério, que apontara decepcionante resultado líquido nas contratações de pessoal com carteira assinada, e chegou a entregar os pontos: "Nossa realidade é essa mesmo, de crescimento do PIB de apenas 1% ou 2%".

No entanto, o desemprego medido pelo IBGE caiu de 6,0% (em junho) para 5,4% (em julho), nível que, com os devidos ajustes, apontam para algo em torno dos 5,7%, indicador muito próximo do pleno emprego.

Para o governo Dilma, que adora comparar estatísticas do Brasil com as do resto do mundo, esse patamar de desemprego por aqui seria motivo para queima de fogos de artifício. A Espanha, por exemplo, enfrenta desocupação de 26,3%; a Grécia, de 27,6%; a África do Sul, de 25,6%; a Itália, de 12,1%; e os Estados Unidos, de 7,4%.

Embora a realidade seja a de um PIB avançando a coisinha sugerida pelo ministro, o fato é que o mercado de trabalho real continua aquecido. Seria uma fornalha se, em vez do que é, o crescimento da economia fosse o pretendido pelo governo, ou seja, alguma coisa em torno dos 3%.

A que então atribuir a disparidade entre as estatísticas do Caged, que mede o trabalho formal, e as do IBGE, que se atém ao nível geral? De um lado, não há disposição das empresas de contratar quando se reforça a percepção de que a economia vai ficando entalada nas distorções e na perplexidade do governo. Além disso, elas já vinham segurando pessoal porque temiam a escassez de mão de obra, se fosse necessário contratar. São razões que podem explicar o ritmo mais lento do emprego formal.

De outro lado, o instantâneo capturado pelas objetivas do IBGE é o de que há cada vez menos gente procurando emprego no Brasil. Isso parece acontecer porque as ocupações autônomas, os serviços por conta própria, os biscates e as chamadas virações vêm dando retorno imediato melhor para o trabalhador do que o emprego numa empresa. Quem duvida deve conferir quanto fatura hoje um flanelinha numa grande cidade, como São Paulo.

Esmerilhadora de poder aquisitivo, a inflação só reforça essa tendência porque na informalidade ou no trabalho por conta própria não há os impostos e os descontos que reduzem o salário nominal em até mais de 30%.

Não está claro se o tombo do desemprego em julho é uma tendência firme ou se é apenas um fato isolado, que não deve se repetir. Em todo o caso, apesar da crise, as condições do mercado de trabalho não estão tão precárias quanto sugerem alguns líderes sindicais e o ministro do Trabalho.

A propósito, a informação mais relevante do IBGE talvez não seja o tombo do desemprego em julho, mas o baixo crescimento da massa salarial real em 12 meses (2,1%).

Com inflação elevada, renda média dos trabalhadores tem quinta queda consecutiva

Mariana Sallowicz
Folha de São Paulo

Com a inflação em patamar elevado, a renda média dos trabalhadores teve a quinta queda consecutiva em julho, informou nesta quinta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O rendimento em julho ficou em R$ 1.848,40, 0,9% abaixo do registrado em junho.

"Há uma influência da inflação e da perda no poder de compra [dos trabalhadores] por outros motivos, como correções [menores] e reduções de salários", afirma Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial da inflação, acumula alta de 6,27% nos 12 meses encerrados em julho, próximo do teto da meta do governo (6,5%).

Já no confronto entre julho e o mesmo mês de 2012 houve elevação de 1,5%. Apesar de haver crescimento nesse caso, ainda assim o resultado foi considerado modesto por analistas.

"Este evidente enfraquecimento dos ganhos reais vem sendo observado desde dezembro de 2012", afirmaram em relatórios os especialistas da consultoria LCA.

VEJA O RENDIMENTO MÉDIO POR CATEGORIA

Categorias de posição na ocupação
jul.2012
(em R$)
jun.2013
 (em R$)
jul.2013
(em R$)
variação mensal (em %)
variação anual (em %)
Empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado
1.682,17
1.717,97
1.718,90
0,1
2,2
Empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado
1.322,48
1.363,88
1.370,50
0,5
3,6
Militares e Funcionários Públicos
3.105,99
3.144,29
3.144,00
0
1,2
Pessoas que trabalharam por conta própria
1.572,87
1.591,40
1.561,70
-1,9
-0,7

SINAL DE MODERAÇÃO
Além de um rendimento menor, outra demonstração da perda de força do mercado de trabalho foi a mudança na taxa de desemprego na comparação anual.

Pela segunda vez consecutiva, a taxa ficou menor nesse tipo de confronto: em junho de 2013 foi de 5,6%, enquanto no mesmo mês de 2012 estava em 5,4%. Estatisticamente, o IBGE considera que, apesar da queda numérica, o resultado é estável.

Para a LCA, é "mais um sinal de moderação no mercado de trabalho".

O aumento ante o mesmo mês do ano anterior ocorreu em maio pela primeira vez desde outubro de 2009, interrompendo uma sequência de quase quatro anos de redução contínua do desemprego.

COMPARE A TAXA DE DESOCUPAÇÃO POR REGIÃO

Região metropolitana
Taxa de desocupação (em %)
Rendimento médio real da população (em R$)
Recife
7,6
1.350,70
Salvador
9,3
1.432,60
B. Horizonte
4,3
1.821
Rio de Janeiro
4,72
1.949,50
São Paulo
5,8
1.954,70
Porto Alegre
3,72
1.856,70
FONTE: IBGE

CAGED
Já na passagem de junho para julho, a taxa de desemprego caiu de 6% para 5,6%. A queda foi puxada especialmente pelo resultado de São Paulo --a taxa passou de 6,6% para 5,8%. Nessa região metropolitana, a população desocupada caiu 12,2% entre junho e julho.

Essa queda da taxa na comparação mensal mostra um descolamento entre a pesquisa do IBGE e a do Ministério do Trabalho. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mede quantos trabalhadores assalariados foram admitidos e quantos foram desligados, sendo que o saldo é o resultado de admissões menos demissões.

Ontem, o ministério divulgou que pela primeira vez desde 2003, o mês de julho registrou fechamento de vagas com carteira assinada nas regiões metropolitanas. O saldo ficou negativo em 11.058 postos nas nove regiões metropolitanas avaliadas.

Sobre as diferenças no resultado, o coordenador afirmou que "teoricamente as pesquisas tendem a se aproximar", mas isso não ocorre em todos os meses porque há diferenças nas metodologias e nas regiões pesquisadas.

A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

O levantamento do IBGE é feito por meio de um levantamento amostral, por meio de entrevistas com a população, o que inclui trabalhadores formais e informais. Já o ministério utiliza dados informados pelas empresas apenas de registros formais.

Queda do rendimento do trabalhador preocupa mais, diz ABC

Exame.com
Francisco Carlos de Assis, Estadão Conteúdo

O rendimento, que já havia caído no mês de junho, voltou a encolher 0,9% em julho, segundo o IBGE

Getty Images 
Carteira vazia: a baixa foi provocada pela alta da inflação e do dólar 

São Paulo - A preocupação relacionada ao mercado de trabalho não passa, pelo menos por enquanto, pela redução da taxa de emprego ou pelo aumento do desemprego, mas sim pela redução do rendimento médio real, que já havia caído no mês de junho e voltou a encolher 0,9% em julho, segundo números divulgados nesta quinta-feira, 22, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A avaliação é da economista Mariana Hauer, do Banco ABC Brasil, que comentou há pouco a taxa de desemprego do mês passado, divulgada nesta manhã.

De acordo com a economista, o problema maior da redução do rendimento médio real do trabalhador - provocada pela alta da inflação e do dólar - não se dará de imediato. "Ela ocorre num terceiro estágio", diz a economista, acrescentando que, quando este momento chegar, lá pelo ano que vem, o consumo cairá, a indústria produzirá ainda menos, isso afetará a atividade como um todo e os empresários acelerarão as demissões.

Antecedente
A taxa de desemprego, no entanto, ficou em 5,6% em julho, abaixo dos 6% registrados em junho, num movimento contrário ao de menor criação de vagas com carteiras assinadas segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que em julho anotou a abertura de apenas 41.463 vagas.

No mercado, segundo o AE Projeções, os analistas esperavam que o Caged fosse registrar a abertura de 70 mil a 138.800 vagas e que a taxa de desemprego do IBGE variasse de 5,60% a 6,20%. "A taxa de desemprego do IBGE veio abaixo do que quase todo mundo esperava e o Caged, pior", disse Mariana.

De acordo com a economista, quando se observa a taxa média de desemprego, a de julho, de 5,6%, não é muito diferente da do ano passado, que foi de 5,4%. Mas, apesar de não usar os dados do Caged para fazer suas previsões de desemprego, Mariana o considera um indicador antecedente da pesquisa do IBGE como sinalizador da dinâmica do mercado de trabalho.

Neste sentido, de acordo com ela, a tomar como base o menor número de abertura de vagas com carteira assinada em julho, a taxa de desemprego tende a aumentar nos próximos meses. "Se temos um saldo líquido de empregos formais e o sinal é de menos admissões e mais demissões, a taxa de desemprego vai aumentar", disse Mariana.

Os efeitos do radicalismo

O Estado de S.Paulo

Os dirigentes sindicais dos metalúrgicos de São José dos Campos estão colhendo os resultados do radicalismo político e de greves insensatas para sustentar reivindicações irrealistas. Em resposta às dificuldades que criaram, a General Motors (GM) fechou várias linhas de produção no grande complexo industrial que há mais de cinco décadas mantém na cidade, afetando com isso quase toda a economia do Vale do Paraíba.

Os problemas começaram há dois ou três anos, quando a empresa precisou renovar seus produtos, substituindo modelos defasados por outros tecnologicamente mais modernos. Enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada nos mercados interno e externo, como ocorre com outras empresas industriais instaladas no País, a GM também foi obrigada a desenvolver programas de redução de custos operacionais e de aumento de produtividade em seu complexo industrial em São José dos Campos, para defender seus mercados e, se possível, ampliá-los.

Para isso, a montadora tentou negociar com os dirigentes sindicais dos metalúrgicos a adoção de jornadas diferenciadas, novos padrões de remuneração e a redefinição dos planos de benefícios. Propôs, também, o sistema de banco de horas, por meio do qual os operários, em troca da garantia do emprego, aceitam trabalhar mais, quando a demanda do mercado aumenta, e reduzir a jornada, quando as vendas caem.

Mas, como as discussões não avançaram, por causa do radicalismo do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, que é dominado por representantes do PSTU e de seu braço sindical, a Conlutas, a GM reduziu paulatinamente suas atividades na cidade, deslocando-as para outras unidades, como as de São Caetano do Sul (SP), Joinville (SC) e Gravataí (RS). Dos R$ 5,5 bilhões investidos pela empresa nos últimos quatro anos, apenas R$ 800 milhões foram destinados ao complexo industrial de São José dos Campos. Dos 7,5 mil operários que ali trabalhavam, 1,5 mil já foram despedidos. E, com o fechamento definitivo da linha que produzia o sedã Classic, anunciado há uma semana, outros cortes são esperados.

Com a decisão da GM de transferir parte de suas atividades de São José dos Campos, os fabricantes de autopeças terão de fazer o mesmo, o que provocará algum esvaziamento econômico na cidade. No início do ano, por exemplo, a Johnson Controls desativou sua fábrica de poltronas para veículos na cidade. A GM era sua única cliente na região. A TI Automotive, que produz sistemas de ar-condicionado para automóveis, já transferiu parte de seus empregados para a unidade de Piracicaba, onde está sediada uma das fábricas da Hyundai.

Para a direção da Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos, o fechamento de linhas de produção da GM acarreta desemprego, dissemina insegurança e afeta negativamente o comércio. Já a prefeitura espera que o problema do desemprego na região seja atenuado com a expansão de outros setores econômicos, principalmente o petrolífero e o aeroespacial. A cidade abriga a principal fábrica da Embraer e uma das principais unidades da Petrobrás.

Mais uma vez arremetendo contra a lógica da economia e das relações trabalhistas modernas, os dirigentes dos metalúrgicos de São José dos Campos prometeram "reação dura" contra a GM.

Eles podem fazer barulho, mas dificilmente conseguirão reverter as decisões da montadora. O que está ocorrendo em São José dos Campos não é inédito. Em resposta às ameaças de greve, a Renault e a Opel fecharam fábricas na França e na Alemanha e as transferiram para o Leste Europeu. O que os dirigentes dos metalúrgicos de São José dos Campos não compreendem é que, ao fazerem reivindicações trabalhistas absurdas, encarecem os custos das empresas.

E quando elas são obrigadas a se transferir para onde possam produzir a custos mais baixos, a cadeia automotiva muda, trabalhadores são demitidos e a economia local entra em declínio.