Adelson Elias Vasconcellos
Ao comentar ontem sobre a importação de médicos cubanos, escapou-me duas observações importantes, mas que devem ser ressaltadas. Por isso, mesmo que rapidamente, retomo o tema.
Primeiro, quero lembrar que, em 1888, 13 de maio, a Princesa Izabel (Brasil era império ainda), assinou a Lei Áurea que poria fim ao secular regime de trabalho escravo no país, que vigorava desde os tempos de colônia. E, surpresa para os da época, o Brasil não quebrou. As ameaças de bancarrota da nossa economia se deram por outras causas, não pelo fim da escravidão. Agora, passados mais de um século do enterro do famigerado e desumano regime de trabalho, Dilma o ressuscita emprestando ao programa ares de progressismo que, como se vê, progressismo não é.
Em julho passado, sob imensos protestos, o governo anunciou que não mais contrataria médicos cubanos para o programa “Mais Médicos”. Parece que o governo se dera conta de que a forma de contratação contrariava a Convenção 29 firmada entre o Brasil e a OIT _ Organização Internacional do Trabalho.
Sabemos como funciona o regime de contratação dos médicos de Cuba. O dinheiro vai todo para o governo, o contratado é impedido de levar consigo sua família para os países onde exercerão seu ofício, seu passaporte é especialíssimo para evitar a deserção do contratado, e a remuneração é o quanto basta apenas para a sua subsistência. Ou seja, trata-se de um regime que pouco difere da escravidão.
Pois bem, paralelamente, o governo Dilma afirmou que priorizaria médicos de Espanha, Portugal e até da Argentina. Neste caso, a contratação não seria de país a país, mas sim entre o governo brasileiro e o profissional interessado.
Só que se encerrou há duas semanas, em São Paulo, a Assembleia do Foro de São Paulo aquele clubinho de canalhas de esquerda, mais protoditadores latinos e representantes dos narcoguerrilheiros do continente. Tudo gente da melhor espécie.
E a turma parece ter se aborrecido com a desistência do governo quanto à contratação de cubanos. Como são eles que mandam e ditam ordens para os governos petistas, estes precisaram recuar do recuo, e dando o dito pelo não dito, anunciaram que o governo brasileiro iria mesmo contratar médicos de Cuba. O custo? Em torno de R$ 500 milhões anuais, grana que alimentará o regime dos irmãos Castro para oprimirem um pouco mais o seu povo.
Exibimos ontem dois vídeos em espanhol do que representa a vinda dos médicos da ilha. A medicina é apenas uma das missões a cumprir. Na verdade, este escambo, de forma muito velada, estará atraindo olheiros em favor do governo petista, uma espécie de milícia do estetoscópio.
E, mesmo que a medida provisória ainda não tenha sido aprovada pelo Congresso, vai se empurrar para a atendimento da população mais pobre do país, profissionais sem credenciamento algum, sem nenhuma revalidação de seus diplomas, sem a avaliação indispensável de seu conhecimento e formação acadêmica. E que se note: qualquer profissional formado no Brasil, ao se transferir para o exterior, somente poderá exercer seu ofício se avaliado. Isto é obrigatório. Por aqui, o governo petista dispensa estas mesuras e exigências, já que precisa obedecer às ordens do seu espectro de comando, que é o Foro de São Paulo.
Incrível é um governo que se indispõe contra a detenção provisória pela polícia britânica de um brasileiro, que se passava por mula de informações e dados secretos roubados da inteligência americana, e se põe de joelhos, arrastando a bunda na lama de uma ditadura como é a cubana. Convenhamos, é ser muito canalha e jogar o nome do Brasil na mesma imundície em que chafurdam de forma tão dócil e subserviente.
Agora imaginem o seguinte quadro: e se a MP não for aprovada, como ficará esta contratação? Vamos devolver os cubanos para penarem nas mãos dos irmãos Castro? Ou vamos passar por cima das leis brasileiras, e mantê-los, sem qualificação, em território brasileiro, atendendo nossa população?
É claro que tal possibilidade, a não aprovação da MP Mais Médicos, não tem a menor chance de acontecer. O governo Dilma venderá a alma ao diabo, se preciso, para impedir que a MP seja vetada pelo Congresso brasileiro. Por detrás desta aberração, está o projeto de Lula (e do Foro de São Paulo), de impor no governo do estado de São Paulo o poste Alexandre Padilha.
No processo de contratação de estrangeiros, a Folha informa que 231 profissionais foram excluídos na primeira etapa de seleção, por problemas com a sua documentação. Alguém imagina que, com documentação em desordem, algum cubano será excluído? De jeito nenhum. Aliás, sobre eles não se fará nenhuma avaliação, seleção ou verificação. O governo Dilma está proibido de fazê-lo. Terá que engolir o pacote fechado enviado por Cuba, goste ou não.
E, como afirmou recentemente a própria Dilma, em tempos de campanha eleitoral, o partido faz o diabo para vencer. Como afirmei ontem, a cada nova ação do governo petista, mais o Brasil se parece com uma replubiqueta bolivariana, e mais distante fica do clube dos países livres e desenvolvidos.
Talvez o leitor fique a imaginar que estamos exagerando, que a classe médica protesta em nome de um corporativismo condenável. Pois bem, segue abaixo, texto do Diário do Poder para acrescentar um pouco mais de luz a esta patifaria que está sendo cometida contra o país pelo governo petista e que deixa bem claro o espírito escravagista que o escambo de médicos cubanos representa.
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EXPLORADO PELA DITADURA, MÉDICO CUBANO SÓ VAI RECEBER 7% DO SEU SALÁRIO
CUBA FICA COM A MAIOR PARTE DO SALÁRIO E RETÉM A FAMÍLIA PARA IMPEDIR ASILO
Cubanos se revoltaram contra a prisão do médico Darsi Ferrer, hoje exilado.
A “importação” de quatro mil médicos cubanos é parte dos gastos gigantescos do Brasil na ilha comunista em diversas obras de infraestrutura e na própria medicina cubana: dados de 2011 do ONE, o IBGE local, mostram quase quatro mil clínicas foram fechadas e que houve queda de 10% no número de médicos.
O médico Ferrer foi preso e torturado
por denunciar o precário sistema de saúde cubano
“É dramático”, segundo afirmou o médico cubano negro Darsi Ferrer à jornalista Teresa Barros, da equipe da coluna do jornalista Claudio Humberto. Ferrer está exilado nos Estados Unidos desde 2012, depois de ter sido preso e torturado por denunciar o precário sistema de saúde em Cuba.
Ferrer viu de perto o sistema da ditadura comunista que explora mão de obra: a “exportação” de médicos para 70 países, resultando num faturamento anual de US$8 bilhões.
A “importação” dos médicos cubanos é o único caso em que a remuneração de R$ 10 mil não será paga diretamente ao profissional, mas à ditadura, com a intermediação da Organização Panamericana de Saúde. O médico cubano só receberá uma pequena parcela do salário, cerca de 7%. Outra parte, também mínima, é entregue à sua família, obrigada a permanecer em Cuba como refém, para impedir que o médico peça asilo político. A maior parte do salário do médico, cerca de 70%, fica com a ditadura.
Ex-presioneiro de consciência da Anistia Internacional, o médico cubano Darsi Ferrer lembra que os colegas não têm internet e acesso à literatura atualizada.
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