Mariana Sallowicz
Folha de São Paulo
Com a inflação em patamar elevado, a renda média dos trabalhadores teve a quinta queda consecutiva em julho, informou nesta quinta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O rendimento em julho ficou em R$ 1.848,40, 0,9% abaixo do registrado em junho.
"Há uma influência da inflação e da perda no poder de compra [dos trabalhadores] por outros motivos, como correções [menores] e reduções de salários", afirma Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial da inflação, acumula alta de 6,27% nos 12 meses encerrados em julho, próximo do teto da meta do governo (6,5%).
Já no confronto entre julho e o mesmo mês de 2012 houve elevação de 1,5%. Apesar de haver crescimento nesse caso, ainda assim o resultado foi considerado modesto por analistas.
"Este evidente enfraquecimento dos ganhos reais vem sendo observado desde dezembro de 2012", afirmaram em relatórios os especialistas da consultoria LCA.
VEJA O RENDIMENTO MÉDIO POR CATEGORIA
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Categorias de posição na ocupação
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jul.2012
(em R$)
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jun.2013
(em R$)
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jul.2013
(em R$)
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variação mensal (em %)
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variação anual (em %)
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Empregados com carteira de
trabalho assinada no setor privado
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1.682,17
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1.717,97
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1.718,90
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0,1
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2,2
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Empregados sem carteira de
trabalho assinada no setor privado
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1.322,48
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1.363,88
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1.370,50
|
0,5
|
3,6
|
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Militares e Funcionários
Públicos
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3.105,99
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3.144,29
|
3.144,00
|
0
|
1,2
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Pessoas que trabalharam por
conta própria
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1.572,87
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1.591,40
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1.561,70
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-1,9
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-0,7
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SINAL DE MODERAÇÃO
Além de um rendimento menor, outra demonstração da perda de força do mercado de trabalho foi a mudança na taxa de desemprego na comparação anual.
Pela segunda vez consecutiva, a taxa ficou menor nesse tipo de confronto: em junho de 2013 foi de 5,6%, enquanto no mesmo mês de 2012 estava em 5,4%. Estatisticamente, o IBGE considera que, apesar da queda numérica, o resultado é estável.
Para a LCA, é "mais um sinal de moderação no mercado de trabalho".
O aumento ante o mesmo mês do ano anterior ocorreu em maio pela primeira vez desde outubro de 2009, interrompendo uma sequência de quase quatro anos de redução contínua do desemprego.
COMPARE A TAXA DE DESOCUPAÇÃO POR REGIÃO
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Região metropolitana
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Taxa de desocupação (em %)
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Rendimento médio real da população (em R$)
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Recife
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7,6
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1.350,70
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Salvador
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9,3
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1.432,60
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B. Horizonte
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4,3
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1.821
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Rio de Janeiro
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4,72
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1.949,50
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São Paulo
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5,8
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1.954,70
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Porto Alegre
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3,72
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1.856,70
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FONTE: IBGE
CAGED
Já na passagem de junho para julho, a taxa de desemprego caiu de 6% para 5,6%. A queda foi puxada especialmente pelo resultado de São Paulo --a taxa passou de 6,6% para 5,8%. Nessa região metropolitana, a população desocupada caiu 12,2% entre junho e julho.
Essa queda da taxa na comparação mensal mostra um descolamento entre a pesquisa do IBGE e a do Ministério do Trabalho. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mede quantos trabalhadores assalariados foram admitidos e quantos foram desligados, sendo que o saldo é o resultado de admissões menos demissões.
Ontem, o ministério divulgou que pela primeira vez desde 2003, o mês de julho registrou fechamento de vagas com carteira assinada nas regiões metropolitanas. O saldo ficou negativo em 11.058 postos nas nove regiões metropolitanas avaliadas.
Sobre as diferenças no resultado, o coordenador afirmou que "teoricamente as pesquisas tendem a se aproximar", mas isso não ocorre em todos os meses porque há diferenças nas metodologias e nas regiões pesquisadas.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
O levantamento do IBGE é feito por meio de um levantamento amostral, por meio de entrevistas com a população, o que inclui trabalhadores formais e informais. Já o ministério utiliza dados informados pelas empresas apenas de registros formais.