domingo, outubro 28, 2012

As lições de 2012


Adelson Elias Vasconcellos


Sabe-se que urna não é, nunca foi e jamais poderá se transformar em lavanderia. Fosse assim, e muitos eleitos não acabariam atrás das grades pelos crimes que cometem empossados ou como governadores, prefeitos e parlamentares. 

Ora, o PT aguarda o resultado das urnas, São Paulo principalmente, para se considerar “inocente” pelos crimes pelos quais sua cúpula foi julgada e condenada no STF, no processo do mensalão. 

Se o PT não considera a palavra final de um Tribunal Superior como uma sentença condenatória definitiva, é porque não fez a menor ideia do que vem a ser um estado de direito. E aqui não seremos nós a tentar demovê-los desta atitude anti-democrática. Deveriam é fazer uma profunda reflexão sobre sua maneira de fazer política e tentar enquadrar-se aos limites legais previstos no código de leis vigentes no país.

Achar que  a urna vai inocentá-los é insistir nas mesmas práticas vis e delinquentes com que sempre atuou. Pior do que isso; imaginam que o “povão” é estúpido demais para saber separar o joio do trigo.

Primeiro, é preciso entender que o caso do mensalão não é um fato de domínio público.  Começo pelo fato de que mais de 2/3 da população é semi alfabetizada. Mal assistem noticiários de televisão que não chegam a informar a profundidade do que foi e do que resultaria caso o esquema se mantivesse em pé, para as instituições democráticas, o projeto petista. Já provamos aqui que apenas 15% dos brasileiros podem ser considerados como cidadãos informados, bem informados. O resto segue pela tradição oral, de ouvido, de ouvir falar, do que lhe contaram. Não chegam a ter domínio pleno dos fatos para traçarem um juízo de calor.

Sigo dizendo o seguinte:  aqueles mais de 2/3 acima, passam a maior parte de seu dia trabalhando e correndo atrás de seus sonhos e de suas dívidas. Não têm tempo sobrando para perderem tardes e tardes assistindo as longas, e por vezes cansativas, sessões do Supremo Tribunal em que o caso mensalão está sendo julgado. E até posso concluir dizendo que os personagens envolvidos  não são protagonistas da cena política atual. Pertencem ao tempo passado.

Juntando-se todos estes ingredientes o resultado que se tem é que, de fato, muito pouca influência junto às massas o mensalão poderia resultar nas eleições atuais. Se estrategicamente para os petistas elas se somam ao jogo de xadrez visando 2014, para as demais forças políticas, incluam aqui os partidos e agentes de oposição, há a busca de espaços perdidos e questiúnculas regionais do que uma estratégia bem elaborada de alianças visando as eleições de 2014. Os espaços que a oposição ocupou em 2010 e sobre o qual não soube trabalhar, vão sendo ocupados não apenas pelo PT, mas também por partidos menores, mas também o PSB de Eduardo Campos e até o PSD de Gilberto Kassab que, acrescente-se, foi a junção de inúmeros dissidentes do DEM, do PSDB e do PPS. 

Logo após o término das eleições de 2010, afirmei aqui que as oposições deveriam ter-se reunido imediatamente e traçado (tentado, ao menos) uma ação estratégica não apenas visando as eleições de 2012, mas, sobretudo, para manter o espaço conquistado nas urnas recém computadas, bem como para ampliar sua presença no cenário político. Mas qual, como reunir visando o bem comum um conjunto de atores que se digladiam entre si? 

Vimos recentemente a dificuldade enfrentada por Hugo Chavez diante de uma oposição que se uniu e lutou bravamente contra todas as adversidades impostas pela máquina estatal! E tal ponto que vai obrigar o venezuelano a rever sua atuação nos próximos anos. 

Por aqui,  não se consegue reunir as oposições nem para tomarem cafezinho, quanto mais para discutirem política. E este vazio que a sua briga interna proporcionou que o PT invadisse São Paulo com ações de desconstrução do governo Kassab, para impor qualquer nome à sua sucessão. Claro que o projeto maior é o governo do Estado que é o sonho dos sonhos dos petistas, que jamais o alcançaram. Não faltará ainda o jogo bruto (e sujo) do próprio governo federal para que o PT possa dar importantes passos rumo ao Palácio dos Bandeirantes, agora via prefeitura da capital.

Já disse em outras vezes que não há eternidade na política. Cedo ou tarde o PT descerá a mesma escada pela qual subiu. O que deve preocupar não é o tempo em que o petismo permanecerá na cena política, mas a enorme herança maldita que deixará para quem o suceder. Por isso, quanto mais tempo demorarem as oposições para entender seu real papel e a importância indissociável ao regime democrático e sua plenitude, maior se tornará a herança maldita a ser   desfeita depois. 

E creio que chegamos ao ponto central: não me preocupa o tamanho do PT, a preocupação é quanto o tamanho e a relevância da oposição. Talvez a derrota de José Serra, dada a sua biografia, e para um ilustre poste desconhecido, seja um divisor de águas a acender um sinal de alerta: se continuarem agindo de maneira tão omissa e ridícula,  se persistirem em não valorarem o real significado de sua presença na cena política, se continuarem ignorando que o petismo é um partido de profissionais da política em todas as suas dimensões, boas e más, vão continuar contribuindo para o esvaziamento da própria política junto à população. O resultado de 2010 já foi um senhor incentivo para que se conscientizassem deste papel. Não souberam fazer a leitura. Em 2012, o elevado número de votos brancos e nulos,  somado ao número de abstenções, chegou a 25%. Não é pouco não. Um em cada quatro eleitores resolveu ou não votar ou simplesmente anular o voto. Creio que se trata de um recorde histórico, e negativo. Se somados estes votos aos que não votaram no PT,  simplesmente, isto forma uma imensa maioria que não se deve desprezar, além de indicar a total apatia de grande parte da população em relação à política nacional. É desencanto de um lado, e falta de vozes alternativas de outro, vozes alternativas que a oposição deveria representar. 

Considerado apenas tal cenário, já se vê que a vitória do PT, dado sua presença, seus esquemas e estratégias, não é tão vitoriosa assim como tentam apregoar seus principais líderes e dirigentes. Ousaria dizer que pelo menos metade dos eleitores brasileiros esperam por um projeto de país que seja contrário ao que o PT vem implementando e  ao ele representa como agente político. Reparem que até o próprio Bolsa Família, muito embora no Nordeste carreie significativa predominância de votos para os candidatos petistas, ainda assim , até pelos resultados colhidos no primeiro turno, já demonstram certo esvaziamento, é menos apelativo, entusiasma e incentiva menos.  Tanto é que, apesar de ter tido, em 2012,  menor presença do que em 2008, em termos quantitativos, o partido mais votado continua sendo o PMDB, não o PT, apesar do crescimento deste. 

Portanto, está na hora das oposições sentarem e discutirem seu próprio destino. Devem começar por colocar de lado as vaidades pessoais em nome de um projeto de país que seja bom para todos os figurantes, independente de quem venha a ser o líder da manada. Se um ganhar, todos ganham.  Além disto, se observarem bem, o que existe de deficiências no governo petista é um espanto. Ali, o que não falta é incompetência,  mau gerenciamento, falta de planejamento e até diria total ausência de metas a serem alcançadas. Há muito discurso, muita solenidade, muitos programas e projetos, mas todos vazios em comprometimento para sua completa execução. Qualquer avaliação que se faça sobre os serviços públicos, nenhum alcançará sequer o conceito de bom, ou de mais ou menos. É de regular para baixo. São deprimentes, caóticos, patéticos, abaixo da crítica. Apenas neste campo, serviços públicos, já se teria uma ampla avenida a ser explorada para se depreciar qualquer governo.  

Mas não se fique apenas nisto. O movimento repentino no aumento de violência em São Paulo é um escândalo que poucos  exploram. Por que neste ano de eleição tamanho elevação de crimes dos mais diversos tipos? Lembra, sem dúvida, o ocorrido em 2006. Mas não se vê ninguém da oposição não apenas a explorar este fato, mas a denunciar as manobras contra a própria população no terreno da segurança, tudo feito em nome de um projeto de poder perseguido pelos petistas. Serra, lamentavelmente, repetiu a sequência de campanhas ruins que promoveu para si nos últimos anos. Tornou seu discurso agressivo, quando deveria ter insistido em demonstrar os bons e ótimos resultados obtidos na Prefeitura, tanto por ele quanto pelo próprio Kassab, deveria ter mostrado os erros e as correções, deveria ter sido mais propositivo do que crítico. Foi assim em 2002, foi assim em 2010 e agora, em 2012. Não pode culpar terceiros por seus fracassos. E, entendo, mesmo à distância, que ele deve, doravante, ser mais colaborador do que protagonista das ações de seu partido. Deve dar espaço para o surgimento de novas lideranças.  Arriscaria dizer que Serra, insistindo em se manter na dianteira, estaria sufocando o próprio partido, além de comprometer sua própria biografia.   

Contudo, no restante do país, onde há petista governando, o grau de violência exacerbou-se não apenas em um ano específico de eleição, como vemos em São Paulo, é uma elevação constante, que cresce ano após ano, tendo a Bahia, apenas como exemplo, triplicado seus índices ao longo deste tempo. O Nordeste, de modo geral, aliás, esta é a triste realidade. 

Portanto, que PSDB, DEM e PPS, e se o PSB não quiser se tornar mero capacho do PT, também este,  juntem as lições que a eleição municipal de 2012 está a oferecer. Saibam planejar-se para cumprirem o papel que lhes cabe, que saibam olhar com carinho para o elevado número de eleitores insatisfeitos. É imenso o campo a ser cultivado e semeado. Claro que não será um trabalho fácil, mas quem disse que seria? O PT é um partido previsível em suas ações, mas tem um passado pouco ou nada recomendável.  O telhado al,em de ser de vidro, já apresenta fissuras em enorme quantidade. É um partido em que o rótulo com a palavra “corrupção” já vem agregado. Além disto, em termos de programas, onde tentou inovar, fracassou. Onde tentou copiar, de forma vigarista, roubou para si a criação. É um partido de trambiqueiros, mas tremendamente profissional na sua arte de convencimento, mesmo que empregue os métodos mais inescrupulosos. Para eles, TODOS os fins justificam a conquista do Poder.  

Portanto, e ao contrário do que pensam alguns analistas, não entendo a hegemonia petista no cenário político nacional como fruto de suas virtudes, e sim muito mais pelas omissões  e falta de estratégia das oposições. E a demonstrar esta tese eis aí o resultado das eleições de 2012, com partidos sem expressão crescendo, e a incrível marca de abstenções. O PT cresceu sim, mas não o suficiente para liderar o total nacional de votos,  que ainda continua tendo o PMDB à frente. 

Baseado em fatos reais...


Comentando a Notícia

No post acima, tentamos fazer uma leitura sobre o cenário em que as eleições municipais estão se desenrolando. Não temos bola de cristal para saber o resultado final, mas seja ele qual for, não mudará a essência do que descrevemos.

Há, contudo, muita matéria para refletir sobre a fraqueza e até tibieza como as oposições se defrontam com o governo central. Muito embora tenham certa clareza quanto aos temas que devem tratar junto ao eleitorado, ainda não conseguiram, por exemplo,  medir o tempo correto tampouco a linguagem mais adequada como tais temas devem ser tratados. Ás vezes, até usam uma linguagem um pouco mais objetiva no campo da política, mas completamente fora do tempo. Neste caso, o discurso acaba caindo no vazio.  

José Serra, a exemplo do que já ocorrera em 2002 e em 2010,  tinha amplo domínio dos fatos mas escolheu a estratégia inadequada para enfrentar Lula e mais tarde Dilma Rousseff. Voltou a cometer os mesmos erros. Agora, tentou ligar Haddad  ao mensalão. Que o fizesse nada contra, mas que tornasse este o tema central da campanha? Ora, o eleitor não é burro e, por mais desinformado que o seja, não era Haddad quem estava sentado no banco dos réus,  portanto, a insistência no tema, e de forma central, só lhe tirou pontos. Até porque, sendo o paulistano de outro nível, o que ele desejava saber de Serra eram propostas próprias, por exemplo. 

Se a disputa era com Haddad por que não exibir ao eleitor o currículo do moço? Ora, o discurso do PT para a capital paulista era apostar no novo. Só que o “novo” escolhido era um poço de incompetências cometidas ao tempo em que ocupou o Ministério da Educação. Ali estava o Haddad que São Paulo deveria analisar e avaliar, e que Serra deixou de apresentar. 

Além disto, muitas foram as derrapadas de Haddad sobre seu conhecimento dos acertos e desacertos da administração Kassab. E neste campo, Serra poderia ter dado uma surra em Haddad. Se a gente for olhar a fundo o programa de governo do petista, verificará que o exemplo do PT em cada um dos campos ali tratados é péssimo. Não há um único serviço público de responsabilidade do governo federal merecedor de algum elogio. TODOS estão em estado lastimável. 

Assim, Serra uma vez mais fez a aposta errada, a exemplo do que os partidos de oposição tem feito. Claro, e o texto acima deixa isto muito claro, que há um terreno bastante fértil para a oposição se fortalecer e recuperar os espaços que deixou ser ocupado pelo petismo. Mas tal conquista deverá ser fruto de um movimento, do conjunto de pensamentos e ideais, e não de uma única cabeça pensante, de personalismos, de movimentos desencontrados. Se a meta é a conquista do poder, ou reconquista,  os passos devem ser medidos em conjunto, e não cada um puxando para um lado. Tal desacerto apenas torna mais difícil a missão e quase impossível a obtenção do resultado final. 

Mas falava de Fernando Haddad e o currículo dele quando pretendeu comandar o Ministério da Educação. É só isto que ele tinha, e convenhamos, era muito mais indicação para ser repelido do que a de ser aceito pelos eleitores.  Segue uma amostra, mesmo que pequena, de fatos reais da experiência administrativa na vida pública de Fernando Haddad que, logo se verá, se tornará prefeito muito mais pela campanha ruim de Serra do que pelos próprios feitos. A produção é do blog “Implicante”.



A hidra petista


Rodrigo Sias 
Mídia Sem Máscara

Como PT nasceu com o "DNA gramsciano" e seu o objetivo final sempre foi estar acima do Estado, seus membros pensam estar além das leis. Por isso, não se sentem na obrigação de defendê-las.

A mitologia grega era riquíssima em personagens. O monstro chamado Hidra possui um corpo de dragão e cabeças de serpente. Os guerreiros que o enfrentavam deparavam-se com uma grande dificuldade: a cada cabeça cortada, logo surgiam duas no lugar.

O guerreiro Hércules foi aquele que venceu a Hidra. Ao invés de tentar decepar as inúmeras cabeças que sempre se multiplicavam, desferiu um ataque fulminante na cabeça principal do monstro, liquidando com um golpe certeiro também as outras cabeças.

A lição da história é clara: certos impasses só são resolvidos atacando diretamente no centro de geração dos problemas. Ataques em zonas periféricas não resolvem: no lugar de uma cabeça cortada, logo nascerá outra tão mortífera como a anterior. 

O julgamento da Ação Penal 470, o Mensalão, vem sendo comemorado como uma grande vitória na luta contra a corrupção. De fato, o STF, em sua maioria, vem se posicionando de forma resoluta contra o terrível esquema de compra de votos e eternização no poder por meios ilícitos. 

Entretanto, de nada adiantará condenar figuras proeminentes se a "cabeça principal" for mantida intacta. O Judiciário, duro com os atos de corrupção, não ataca o centro do partido que nos governa, corroborando a impressão que o PT quer passar de que tais atos seriam meros desvios dos belos ideais proclamados. Essa tática de se limpar na própria sujeira é antiga. 

Leiam o livro ‘New lies for old’ do ex-agente da KGB Anatoliy Golitsyn, sobre os planos de desinformação soviéticos, e entenderão o que se passa no Brasil de hoje.

A verdade é que a origem do Mensalão está na gestação do PT. Ao invés de criar um partido para defender,como alegavam, direitos dos trabalhadores e fazer a necessária pressão sobre os lucros para dividir a prosperidade capitalista, o PT foi criado com a ideia gramsciana de organização.

Um "Partido Príncipe" - que incorporaria a virtu imoral de Maquiavel - deveria crescer, se infiltrar no Estado e dominá-lo até que não haveria diferença entre o que seria o Estado e o que seria o partido. Ou melhor, haveria sim uma grande diferença: o partido estaria acima do Estado. 

Uma vez que o Estado decodifica as leis e regulamentos, quem se coloca acima do Estado, por definição, se posiciona acima das leis. Como PT nasceu com o "DNA gramsciano" e seu o objetivo final sempre foi estar acima do Estado, seus membros pensam estar além das leis. Por isso, não se sentem na obrigação de defendê-las. 

Ao contrário, o grande impulso é o de justamente transgredi-las até que o partido seja a própria lei. Não é preciso ser gênio para entender que um partido assim não tem a intenção de respeitar a democracia, a alternância de poder ou a separação entre governo e Estado. 

Se as lideranças do partido não forem investigadas de nada vai adiantar o julgamento do Mensalão. Não se pode permitir a entrega dos anéis para preservar os dedos.

A não ser que o mal - o "DNA gramsciano" - seja cortado pela raiz, escândalos atrás de escândalos continuaram a ocorrer. E ao lado de cada cabeça petista condenada, duas novas vão surgir, tal como a hidra da mitologia grega. 

A corrupção simbolizada pelo Mensalão é apenas o meio para o alcance dos objetivos. Punir os meios e deixar os fins intactos. Essa é a tática para a manutenção da corrupção endêmica. E para destruir a democracia.

 (*) Rodrigo Sias é economista do Instituto de Economia da UFRJ.

 Publicado no jornal Brasil Econômico.

PT aposta em nomes novos. Mas a cartilha é a mesma


Otávio Cabral
Revista Veja

O partido é o único que cresce sem parar desde a sua fundação - mais por seus vícios do que pelas virtudes, como mostra reportagem de VEJA desta semana

(Wert Her Santana/AE) 
Que Mudança? O cenário e o candidato são novos, 
mas os métodos do PT são os mesmos eternizados por Lula 

O PT foi protagonista dos dois principais eventos políticos deste ano, o julgamento do mensalão e as eleições municipais. O fato de ter se saído mal no primeiro e bem no segundo levou alguns de seus próceres a uma conclusão equivocada. No Supremo Tribunal Federal, o partido criado por Luiz Inácio Lula da Silva foi flagrantemente derrotado. Líderes históricos, como José Dirceu e José Genoino, e nomes estratégicos, como o ex-tesoureiro Delúbio Soares - todos condenados por corrupção e formação de quadrilha -, agora preparam o enxoval com que seguirão para a cadeia. Já nas urnas, o resultado foi outro. O PT elegeu 626 prefeitos no primeiro turno - 14% a mais do que em 2008. E, neste domingo, pode coroar seu desempenho caso as pesquisas se confirmem e Fernando Haddad vença a disputa em São Paulo. Com os dois dados nas mãos, Lula apressou-se em concluir que o julgamento do mensalão não atrapalhou o PT. “O povo sabe discernir, sabe o que é um julgamento e o que é uma votação”, declarou. Trata-se de uma meia verdade.

Para conseguir manter seu crescimento e reduzir os danos do mensalão, o PT investiu em candidatos novos, sem relação com o escândalo - como em São Paulo. Já nos lugares em que insistiu em apostar em velhos nomes ligados aos mensaleiros, o desastre foi inevitável - caso do Recife e de Belo Horizonte. Dos dezessete candidatos próprios que lançou nas capitais, nove nunca haviam disputado uma eleição para o Executivo. Essa “renovação”, no entanto, tem o frescor de um pãozinho amanhecido. Se os nomes que o PT apresenta ao público são novos, os métodos que ele segue permanecem os mesmos. Nestas eleições, a face pública do modus operandi da sigla incluiu a contratação de marqueteiros estrelados - como João Santana, responsável pelas últimas campanhas presidenciais -, o uso intensivo da imagem de Lula e Dilma Rousseff (ela bem mais comedida do que ele) e a utilização explícita da máquina do governo para a conquista de apoio. Em São Paulo, a ex-prefeita Marta Suplicy só se dispôs a apoiar seu colega de partido depois de receber o Ministério da Cultura. O mesmo se deu com Gabriel Chalita (PMDB). Quarto colocado no primeiro turno, exigiu (e levou) o compromisso de indicar o futuro secretário da Educação na cidade como condição para apoiar Haddad.

Antonio Milena/Milenar
Repetição - Serra, o candidato tucano pela quinta vez
 neste século: a oposição insiste nos mesmos

Mas só isso não explica o fato de o PT ser o único partido que cresce sem parar desde a sua criação. “O PT é o partido político mais bem organizado do Brasil. Está em todas as cidades, investe na formação de novos quadros e tem uma proposta clara de poder”, diz o historiador Marco Antonio Villa. Além disso, ele avança porque:

• Tem estratégia: embora abrigue disputas internas, seu centralismo leninista impõe uma ação externa unitária.

• Recorre sem pudor ao aparelhamento: o uso de cargos e programas do governo federal para beneficiar petistas e aliados garante poder aos seus mandatários e votos aos seus candidatos.

• Conta com apoios setoriais: o governo Lula tentou agradar a todos os públicos. Bancos e empreiteiras foram agraciados com benefícios e se tornaram os maiores doadores de recursos ao partido. Movimentos sociais e ONGs passaram a dominar setores do governo. E os mais pobres ganharam com os programas sociais. Resultado: Dilma herdou um governo em que as principais classes organizadas estão com o PT.

• Seus adversários ajudam: a oposição, em termos de estratégia, segue na direção contrária do PT - é mal estruturada, desunida e desorganizada. Desde o início do julgamento do mensalão, parlamentares oposicionistas praticamente ignoraram a tribuna do Congresso como trincheira de ataque ao PT.

O sucesso de Haddad - que mesmo em uma improvável derrota se tornará uma nova liderança petista -- inspirou o PT a seguir o modelo da renovação de nomes nas próximas eleições. Políticos jovens como Alexandre Padilha e Lindbergh Farias estão sendo preparados para a disputa a governador (veja o quadro). Já na oposição, José Serra, por exemplo, vencendo ou perdendo em São Paulo, dificilmente disputará mais uma eleição - foram cinco neste século. E não há nomes no horizonte para carregar a bandeira dos tucanos, com exceções como o senador mineiro Aécio Neves, o provável candidato do PSDB à Presidência. As urnas não mostraram, como gostaria Lula, que o eleitor perdoou o mensalão. Mostraram que uma boa estratégia pode mitigar o desgaste de um escândalo - e garantir a sobrevivência de um partido que hoje se sustenta mais por seus vícios do que pelas virtudes. 





Apagões estão mais frequentes e devem aumentar


Adriano Pires (*)
Folha de São Paulo

Um novo apagão atingiu o país. Nove Estados do Nordeste e parte do Norte tiveram interrompido o fornecimento de energia a partir da 0h14 de sexta-feira (27). Trata-se da terceira interrupção em menos de 30 dias, sendo o Nordeste atingido pela segunda vez no período.

Os apagões estão se tornando frequentes e, considerando a sazonalidade, a quantidade e a frequência das ocorrências, tendem a aumentar.

Na contabilidade de desligamentos de outubro estão duas ocorrências em Brasília e uma interrupção que atingiu cidades do Sul, do Sudeste, do Centro-Oeste e do Norte, devido a um incêndio em transformador da subestação de Furnas, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Ainda, em 22 de setembro, 11 Estados das regiões Norte e Nordeste ficaram por 30 minutos sem energia.

Os recentes apagões, em diferentes localidades, evidenciam problemas na transmissão e na distribuição.

Os leilões de energia, ao comercializar empreendimentos de geração em regiões distantes dos grandes centros, contribuem para a construção de linhas de transmissão longas e, consequentemente, difíceis de serem gerenciadas e mantidas.

Tal fato, associado a uma fiscalização insuficiente do setor, levou à inadequação dos investimentos em manutenção, motivada pela dúvida sobre o destino das concessões do setor elétrico.

Agora, com a nova MP do setor, que usa a renovação das concessões como instrumento para a modicidade tarifária, receia-se que a tarifa, cujo cálculo está a cargo da Aneel, não assegure remuneração adequada às empresas, prejudicando os investimentos em expansão, modernização e manutenção das redes de transmissão e distribuição.

Para garantir a confiabilidade do sistema, o governo deveria incentivar o aumento da cogeração, além de maiores estímulos à inserção do smart grid (transformação da rede elétrica em rede inteligente) na distribuição.

Apesar de tais eventos terem sido inicialmente tratados como fatos pontuais, o ministro interino de Minas e Energia admitiu que "eventos como esses não são normais e a coincidência então é que é mais anormal ainda". Dessa forma, a robustez e segurança do sistema elétrico brasileiro entram em xeque.

(*) Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura.

Apaguinhos e apagões


Celso Ming 
O Estado de S.Paulo

A principal credencial eleitoral pela qual a presidente Dilma foi lançada como candidata à Presidência da República em 2010 foi a de ser então a "Mãe do PAC". Ou seja, foi estar comprometida com o investimento.

No entanto, nestes primeiros dois anos de mandato, a presidente Dilma pareceu mais preocupada em garantir novas vendas de veículos e de geladeiras do que em assegurar o investimento em infraestrutura e logística. A inacreditável série de apagões no sistema nacional de energia elétrica - justamente uma área que se supõe que a antiga ministra de Minas e Energia conhece a fundo, é apenas uma entre muitas indicações dos enormes problemas de investimento na economia.

A Petrobrás é outro caso. Tem um plano de investimentos de nada menos de US$ 236,5 bilhes até 2016 e, no entanto, o governo Dilma insiste em fazer política de preços com o caixa da empresa, o que não apenas enfraquece dramaticamente sua capacidade de investimento, mas desidrata um dos segmentos que eram um dos orgulhos do Brasil: o setor produtor de etanol e açúcar.

Na área de rodovias, não há notícia boa a transmitir. Quinta-feira, o jornal Valor noticiou que só 48,3% de um total de R$ 13,7 bilhões em verbas destinadas a investimentos em estradas federais neste ano haviam sido executados. É o pior desempenho desde 2008. As paralisações têm vários e distintos motivos: atrasos com liberação de certificados ambientais, paralisações impostas pela Justiça, desentendimento com empreiteiras e tal.

Na área das hidrovias, dos portos e aeroportos não é preciso insistir demais. Sabemos o drama que ocorre aí todos os dias. Nas comunicações, foi preciso que, em julho, a Agência Nacional de Telecomunicações decretasse a suspensão de vendas de aparelhos celulares para que as operadoras cuidassem melhor dos programas de expansão.

Até agora o governo Dilma se notabilizou por desconhecer problemas no sistema elétrico. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, por exemplo, vinha justificando tudo com desculpas de que qualquer país está sujeito a ocorrências assim. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, trata os brasileiros como se fossem idiotas, ao insistir que cada episódio desses não passa de um reles "apaguinho". E, no entanto, o Brasil já teve 65 cortes de fornecimento de energia somente em 2012.

Ontem, pela primeira vez no governo Dilma, o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann (foto), reconheceu a gravidade da crise no fornecimento de energia. Admitiu que o apagão de ontem "não é normal" e que "essas coincidências são menos ainda".

As falhas não são de mera ausência de manutenção da rede elétrica. São também de coisas estranhas que acontecem nos investimentos. O apagão de ontem foi em rede nova.

No caso, o apagão maior é que tanta responsabilidade importante no País, como a do fornecimento regular de energia elétrica, foi confiada a prebostes de chefões políticos regionais. E, também, que as agências reguladoras já não fazem o que têm de fazer porque seus cargos passaram a atender a prioridades políticas.

Coincidência ou não, um dos focos do apagão de ontem foi o município de Imperatriz, no Maranhão, território político comandado pelo mandachuva José Sarney.

Por que o Brasil está sofrendo tanto apagão?


Vanessa Barbosa
Exame.com

Queda de energia no Norte e Nordeste na madrugada desta sexta é a quarta registrada no país em pouco mais de um mês. Alguma coisa não está certa – e o governo sabe bem

Prakash Singh/AFP
Classificada como “anormal” pelo governo, 
série de blecautes expõe fragilidades no sistema

São Paulo – Virou rotina. O apagão que deixou na escuridão 100% do Nordeste e 77% dos estados do Tocantins, Pará e Maranhão na madrugada desta sexta é o quarto registrado no país em menos de 35 dias. No fim de setembro, sete milhões de pessoas ficaram no breu no Nordeste, no dia 22. Depois, uma pane num transformador em Furnas, de Foz do Iguaçu, interrompeu o fornecimento de energia para grande parte do país, no dia 3 deste mês. E, em menos de 24 horas, um novo apagão afetou 70% do Distrito Federal. Algo está muito errado no sistema elétrico nacional.

A série de apagões, classificada como “anormal” pelo Ministério de Minas e Energia, expõe fragilidades do sistema elétrico brasileiro e põe em risco sua confiabilidade, dizem especialistas do setor.

Eles apontam a falta de investimento na manutenção das linhas de transmissão como a causa mais notória desse período de sombras que o país atravessa. Falta de um plano B e pessoal técnico qualificado também contribuem para o pisca-pisca no fornecimento de energia para os consumidores.

Velhas senhoras
Em 70 anos, o Brasil cresceu a passou a consumir mais energia, só que a modernização do sistema de transmissão não acompanhou o mesmo ritmo. “Algumas subestações estão há mais de 50 anos em operação, e carecem de manutenção e modernização. Mas esse investimento não está sendo feito", critica Carlos Faria, presidente da Anace.

Ao anunciar a antecipação da renovação dos contratos de concessão do setor elétrico no mês passado, a própria presidente Dilma Rousseff reconheceu a situação do sistema de transmissão e das subestações, chamando-as de “velhas senhoras”, e exigindo mais investimentos das empresas.

Subestação é uma instalação elétrica de alta potência, contendo equipamentos para transmissão e distribuição de energia elétrica, além de equipamentos de proteção e controle, capazes de, por exemplo, conter um incêndio como o que deflagrou o apagão desta madrugada.

Um levantamento feito pela Ong Contas Abertas, no começo de outubro - logo após o apagão provocado por uma pane num transformador em Furnas – mostrou que a empresa, que pertence ao Grupo Eletrobras, investiu apenas 37,6% dos recursos disponíveis para 2012. Procurada por EXAME.com, a empresa não se manifestou até o fechamento desta reportagem para comentar os dados.

Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ, afasta o risco de um apagão generalizado, como o de 2001, que demandou medidas radicais como racionamento. “Atualmente, a geração de energia é uma questão bem resolvida. Temos geração robusta em hidrelétricas e termelétricas. O sistema elétrico agora sofre com um falha grave de gestão técnica na transmissão dessa energia”, avalia.

Cidade do Recife, durante apagão de 2011: 
o apagão deixou 100% do Nordeste e 77% do Norte sem luz

Falta um plano B
O professor Augusto Cesar mal sentiu o blecaute dessa madrugada, acordou no meio da noite, viu que estava escuro e voltou a dormir. Pela manhã, a situação parecia normalizada. Sorte que foi de madrugada. Chefe do departamento de Energia Elétrica, da Universidade de Pará, Cesar defende a criação de um plano B para apagões.

“Com um sistema de reserva, para deslocar o problema, você consegue manter o serviço operante [a transmissão de energia elétrica]”, explica. “Mas isso exige a replicagem de equipamentos, montar outro sistema de transmissão, o que exige investimento”, pondera.

Corpo técnico
Um problema numa subestação de transmissão pode ter um efeito pequeno, quase imperceptível para os consumidores, ou tomar proporções maiores. Em grande medida, vai depender da atuação rápida e certeira do corpo técnico que entra em ação nessa hora.

“A falta de investimento no setor também se traduz na capacitação de profissionais”, diz Faria, da Anace. Quando bem preparado, esse corpo técnico consegue isolar e evitar a propagação de um problema, garantindo que uma área menor seja atingida pela falta de luz.

Pinguelli Rosa, da Coppe, demonstra preocupação com a questão de engenharia com a renovação dos contratos de concessão. “Diante das tarifas mais baixas, pode haver uma queda de receita das empresas e eu espero que isso não leve a uma redução de quadro técnico. Nós precisamos de gente preparada”, resume.

Novo apagão atinge parte do país e governo muda o tom


Exame.com
Rodrigo Viga Gaier, Maria Carolina Marcello e Anna Flávia Rochas e Alonso Soto, da Reuters

No momento da interrupção, a perda de carga de energia no Nordeste foi de 9.500 megawatts

Ueslei Marcelino/Reuters
Apagão é tema delicado para o governo de Dilma Rousseff

O novo apagão registrado entre o fim da quinta-feira e a madrugada desta sexta-feira, que atingiu todo o Nordeste e parte da Região Norte do país, fez o governo federal mudar o tom ao afirmar que os recentes blecautes ocorridos no país "não são normais".

No momento da interrupção, a perda de carga de energia no Nordeste foi de 9.500 megawatts (MW). No Norte, onde Pará e Tocantins ficaram sem luz, a perda foi de 3.500 MW, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Há relatos de moradores de Brasília de que o corte no fornecimento também afetou parte da capital federal.

É o quarto blecaute de proporções importantes nos últimos dois meses, atestando os desafios para melhora na infraestrutura da maior economia da América Latina. O primeiro atingiu o Nordeste em setembro e outros dois sucessivos deixaram sem luz áreas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Sistema Acre-Rondônia e o Distrito Federal no início de outubro.

Até a queda no fornecimento de energia desta madrugada, representantes do governo vinham afirmando que as ocorrências não comprometiam o sistema elétrico brasileiro, e que eram falhas pontuais e isoladas.

Nesta manhã, o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que blecautes com essa frequência não são normais. "Eventos como esse não são normais e a coincidência, então, é que é mais anormal ainda. Então é isso que está sendo avaliado", disse ele a jornalistas.

Como nas ocasiões anteriores, o apagão provavelmente foi resultado de um problema em uma linha de transmissão, desta vez administrada pela Taesa, controlada da estatal mineira Cemig. Segundo Zimmermann, a falha teria acontecido na linha que liga as subestações Colinas (TO) e Imperatriz (MA).
De acordo com o ONS, um incêndio em uma peça de um capacitor da linha de transmissão teria culminado no blecaute, e a parada teria sido longa, sendo que quatro horas depois 70 por cento da carga de energia tinha sido restabelecida.

Zimmermann disse que o setor elétrico brasileiro, que tem um dos maiores sistemas de transmissão do mundo, sempre trabalha "com nível de confiabilidade bom".

"Tivemos nesses últimos eventos uma diminuição dessa confiabilidade, que ainda não se tem as razões. Sempre começa com um equipamento falhando e a proteção primária não atuando, e aí levando para a proteção secundária, alternada, e aí provocando eventos de grande proporção", disse.

Procurada, a Cemig informou que não comentaria o assunto por enquanto.

Uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), em Brasília, foi convocada para discutir as causas do último apagão.

Em 4 de outubro, após dois blecautes seguidos, o Ministério de Minas e Energia anunciou a criação de um grupo de trabalho para avaliar o sistema de transmissão de energia do país.

Tema delicado para Dilma
A presidente Dilma Rousseff tem um carinho especial com o tema energia. No governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma foi ministra da pasta e responsável pela elaboração do novo marco regulatório do setor --ainda abalado pelo racionamento de luz em 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Coincidência ou não, a série recente de blecautes teve início dias após a presidente ter anunciado, em meados de setembro, que a conta de luz para os consumidores no Brasil cairá, em média, em 20,2 por cento em 2013.

A redução da tarifa de energia será possível graças à diminuição ou extinção de encargos e pela renovação antecipada e condicionada das concessões do setor elétrico que venceriam entre 2015 e 2017.

Para manter os ativos cujos investimentos já foram quase ou totalmente amortizados, as concessionárias terão que aceitar redução significativa de sua receita --o que alguns analistas temem que possa comprometer a capacidade de investimentos futuros.

Risco na energia: luz amarela está acesa para o verão gaúcho


Caio Cigana
Zero Hora

Especialistas alertam para ameaça de cortes de carga, o que é descartado pela CEEE

Foto: JAMES TAVARES / divulgação
Nos meses mais quentes, costuma ocorrer a queda do nível
 dos reservatórios e o Estado aumenta a dependência de envio de energia do centro do país

Após as regiões Norte e Nordeste enfrentarem um novo apagão na madrugada de sexta-feira, especialistas voltaram a alertar para o risco de o Rio Grande do Sul sofrer cortes de carga no verão, época de maior consumo. Negado pela Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), o perigo estaria relacionado à menor geração própria nos meses mais quentes, ao crescimento da demanda e à limitação para transferência de energia de outras regiões do país pelo Sistema Interligado Nacional.

– No verão de 2012, já estivemos no limite. O Rio Grande do Sul está com a luz amarela acesa. Este será o verão mais crítico dos últimos quatro ou cinco anos – diz o coordenador da área de energia da Agenda 2020, Ronaldo Lague, ressaltando que, enquanto o consumo gaúcho vem crescendo, não entraram em operação novas linhas de transmissão que reforçassem a conexão do Estado com o sistema nacional.

Para especialistas, além de mais aparelhos de ar-condicionado a cada ano, o que faz disparar o consumo em dias mais quentes, a indústria, em um ritmo de atividade superior ao verão passado, também pode puxar a demanda. Nos meses mais quentes, com a queda do nível dos reservatórios, o Estado aumenta a dependência da energia do centro do país.

– No verão passado, tivemos muita sorte e competência da CEEE e da Eletrosul. Ficamos próximos do limite, mas ninguém sentiu o problema. Este verão não sei como será – diz Paulo Milano, especialista em energia da consultoria Siclo.

Responsável pela maior parte da rede de transmissão no Estado, a CEEE refuta ameaça de corte.

– O Estado não corre risco de desabastecimento – diz o presidente da estatal, Sérgio Dias.

Além da previsão de um regime de chuvas dentro da média, ao contrário do ano passado, quando a seca forçou a parada de hidrelétricas, Dias afirma que há um planejamento para evitar transtornos e sustentar o crescimento do consumo.

No caso das hidrelétricas, o Operador Nacional do Sistema (ONS) está controlando o despacho de energia das usinas do Sul para evitar que os reservatórios baixem, caso os prognósticos não se confirmem e volte a ocorrer uma seca. Segundo Dias, há ainda a possibilidade de operação da termelétrica Sepé Tiaraju (160 MW) em Canoas e até a reativação da térmica AES Uruguaiana (639 MW).

– Está praticamente acertado com o governo argentino o fornecimento de gás para a usina de Uruguaiana entrar emergencialmente para estabilizar o sistema neste verão – afirma Dias, listando outras iniciativas, como a instalação de geradores em subestações.

A CEEE projeta que o pico de consumo no verão deva alcançar 6,3 mil MW. Dias sustenta que a capacidade de atendimento pode chegar a 6,8 mil MW.

Para Lague, da Agenda 2020, uma das saídas para diminuir a dependência seria aumentar a geração das termelétricas. Uma luz no fim do túnel pode vir do ONS, que, até janeiro, deve entregar estudo para a realização de leilão regional de energia para o Sul. A ideia, entretanto, é dar preferência ao gás como combustível.

O Brazil, bonzinho


Pedro Luiz Rodrigues*
Brickcmann & Associados Comunicação

...Felizmente para Cristina Kirchner, pode ela contar com a providencial ajuda da Venezuela. E também com a ajuda incondicional do Brasil. o grande e poderoso vizinho que está estudando destinar quatro bilhões de dólares para o financiamento de usinas hidrelétricas na Argentina...

A Argentina, nossa grande sócia e primordial parceira, marcha garbosa para um novo e previsível desastre.

Parece inexplicável esse movimento elíptico que se repete em ciclos, que eleva aos céus a política, a economia e a psique do país vizinho, para, bruscamente, jogá-las de volta ao fundo do poço.

Há cem anos, a Argentina se via com uma potência em formação. De lá para cá o país perdeu inteiramente a visão de longo prazo. Períodos de bonança econômica foram todos desaproveitados. Simplesmente serviram para alimentar lideranças políticas populistas, de cunho autoritário.

É sob essa perspectiva que se deve buscar entender o episódio da apreensão do navio-escola argentino, a fragata Libertad, pela Justiça de Gana.

A presidente Cristina Kirchner foi ontem à televisão esbravejar contra todos. Só não falou da razão que levou à apreensão do navio. O fato de, depois de uma década, a Argentina ainda não ter resolvido o problema do default de sua dívida externa.

A prosperidade argentina reconstruída a partir da gigantesca crise de 2001 tem pés de barro. Não se chegou até hoje a um acordo definitivo e completo quanto à dívida externa. A Argentina tem quase 35 bilhões de dólares de dívidas a pagar, não renegociadas. Desse total, cerca de 7 bilhões são devidos a credores oficiais (reunidos no chamado Clube de Paris).

Por falta de acordo com o Clube de Paris a Argentina não pode recorrer a créditos internacionais a custos razoáveis, que seriam necessários para indispensáveis projetos de infraestrutura.

As dificuldades do país vão aumentando, e não é por outra razão que internamente se torna cada vez mais árduo o acesso a divisas.

No comércio internacional o protecionismo é crescente, sendo que o Brasil é um dos parceiros mais afetados. A inflação crescente vai solapando o pouco que resta de estabilidade macroeconômica.

Felizmente para Cristina Kirchner, pode ela contar com a providencial ajuda da Venezuela.

E também com a ajuda incondicional do Brasil. o grande e poderoso vizinho que está estudando destinar quatro bilhões de dólares para o financiamento de usinas hidrelétricas na Argentina.

Tem gente no BNDES que está hesitando diante das ordens superiores. Acham que o risco é grande.

* Pedro Luiz Rodrigues - Jornalista e embaixador
Artigo publicado originalmente na Coluna Cláudio Humberto

Apagão afeta Estados em pelo menos 2 regiões


Josias de Souza


Cartão postal de Salvador, o elevador Lacerda ficou
 às escuras graças ao apagão da noite passada

Um apagão de grandes proporções deixou sem luz na noite passada um pedaço do Brasil. Oficialmente, o Operador Nacional do Sistema e a Chesf reconhecem que ficaram no breu Estados do Nordeste e do Norte. Porém, relatos feitos no Twitter e no Facebook indicam que o problema pode ter afetado também localidades do Sudeste e do Centro-Oeste.

A falta de suprimento de energia está virando coisa corriqueira. Esse foi o terceiro apagão registrado no país em 34 dias. Em 3 de outubro, uma pane num transformador gerido por Furnas desligara da tomada parte do Centro-Oeste e de cinco Estados: PR, RJ, MG, AC, RO. Em algumas cidades, o blecaute durou 1h20.

Ouvido na ocasião, o presidente do Operador Nacional do Sistema, Hermes Chipp, chamara o problema de “apaguinho”. Dissera o seguinte: “Apagão é quando desliga todo o Estado ou toda região, isso é mais um apaguinho.”

Antes, em 22 de setembro, outro apagão afetara o suprimento de energia em oito dos nove Estados nordestinos. Ficaram sem luz pelo menos 7 milhões de consumidores. Dessa vez, atribuíra-se a encrenca a uma queda nas linhas de transmissão da Eletronorte em Imperatriz (MA).

O alarido sobre o novo blecaute ganhou a internet às 23h15 da noite passada –0h15 no relógio de Brasília, submetido ao horário de verão. Rapidamente, o assunto tornou-se o mais comentado do Twitter Brasil. Ainda de madrugada, o presidente da Chesf, João Bosco de Almeida, reconheceu que a encrenca foi graúda.

“As informações preliminares que temos indicam que é grande a extensão do apagão, mas não temos como precisar neste momento quantos Estados foram atingidos. Sabemos que o problema atinge pelo menos o Norte e o Nordeste”, disse. afirmou João Bosco de Almeida, presidente da Chesf.

E quanto à causa? João Bosco não soube informar. “Nossa prioridade é religar o sistema. Todas as nossas equipes estão trabalhando para reestabelecer o fornecimento de energia.” Quer dizer: Brasília viverá horas tensas nesta sexta (26). Após cinco horas de escuridão, a energia começou a ser restabelecida.

Por mal dos pecados, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) encontra-se, ele próprio, desligado. Com problemas de saúde, foi ao estaleiro na semana passada. Como se fosse pouco, Dilma Rousseff programou uma viagem a São Paulo. Se não mudar de ideia, vai cumprimentar Lula pela passagem do aniversário dele, a ser festejado neste sábado (27).

Desde setembro, cinco apagões já ocorreram no país


O Globo

Só no Nordeste, duas falhas deixaram moradores em luz em menos de 35 dias


RIO — O apagão que atingiu os nove estados da região Nordeste e áreas de Tocantins, Pará e Distrito Federal é o quinto de uma série de falhas no fornecimento que teve início em setembro.

Em 22 de setembro — duas semanas depois de a presidente Dilma Rousseff anunciar uma redução de até 16% na tarifa de energia elétrica residencial — um problema nas interligações Sudeste/Norte e Sudeste/Nordeste prejudicou o fornecimento de energia em parte do Nordeste.

Embora os técnicos do ONS e do Ministério de Minas e Energia (MME) tenham considerado aquele apagão de pouca gravidade, 6 milhões de consumidores ficaram sem luz por 23 minutos em seis estados da região. O blecaute retirou 30% da energia do Nordeste — três mil megawatts (MW).

No dia 3 de outubro, um curto-circuito em um transformador de Furnas em Foz do Iguaçu, deixou às escuras 2,667 milhões de clientes de 13 estados do país, inclusive no Rio. A falha gerou uma explosão e fogo no equipamento, contido pela brigada de incêndio da subestação. Segundo o ONS, o incidente causou perda de carga na usina de Itaipu.

No Rio, 575 mil consumidores ficaram no escuro por volta das 21 horas, ou 8,6% dos 6,7 milhões de clientes no estado. Na área de distribuição da Light, a Zona Oeste do Rio, Nova Iguaçu, Seropédia e Itaguaí foram alguns dos locais afetados. Na região da Ampla, ficaram sem luz clientes de Araruama, São Gonçalo, Niterói, Campos e Petrópolis.

Apenas um dia depois desse apagão nacional, um blecaute atingiu 70% do Distrito Federal por pelo menos duas horas. Segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB), um incêndio no cerrado afetou uma linha de transmissão importante da região, que entrou em curto. Por segurança, as subestações foram desligadas automaticamente.

Congresso Nacional, Esplanadas do Ministério e até o Supremo Tribunal Federal ficaram parcialmente no escuro. No total, 560 mil unidades — lojas, residências e escritórios —ficaram sem energia em Brasília e nas cidades vizinhas. A luz foi religada aos poucos e, no fim da tarde, apenas duas cidades do entorno do DF permaneciam sem luz.

Tanto no Palácio do Planalto, como no Palácio da Alvorada, onde a presidente estava reunida com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, houve um pico de energia, e os geradores entraram em ação. Nos anexos do Planalto, foi acionado o esquema de emergência, com iluminação apenas essencial.

Na sexta-feira passada — logo no dia em que seria exibido o último capítulo da novela “Avenida Brasil” — várias regiões de Brasília voltaram a sofrer com falta de luz. O fornecimento de energia foi interrompido volta das 14h30m nas cidades-satélites Águas Claras, Riacho Fundo II, Santa Maria e Recanto das Emas, sendo retomado nessas áreas às 15h20m. Já Brasília (Asa Norte, Lagos Sul e Norte) e as satélites de Sobradinho e Planaltina ficaram sem luz das 15h20m até as 15h50m, com instabilidade no fornecimento nesse período.

A CEB informou que uma falha em uma subestação causou o problema e reforçou, em nota enviada no final da tarde, que “não foi encontrado em seu sistema supervisor nenhuma falha que pudesse causar os desligamentos de suas subestações”.

Um terço do mercado de energia é preterido pelo governo


Naiara Infante Bertão
Veja online

Pacote do governo sobre mudanças no marco regulatório do setor deixou mercado livre de energia órfão de políticas estratégicas

Divulgação 
Mercado livre de energia é muito procurado 
por condomínios, empresas e shopping centers 

Junto com o pacote, anunciado em setembro, que promete reduzir os preços da eletricidade, o governo federal imbutiu regras que desestimulam uma das áreas mais dinâmicas do setor elétrico: o mercado livre. Este segmento – que é responsável por um terço da comercialização do insumo no país e reúne grandes consumidores (com demanda superior a 0,5 megawatt-hora) com liberdade para escolher fornecedor, acertando prazos, volumes e preços mais favoráveis – foi preterido em parte dos benefícios concedidos pela presidente Dilma Rousseff. Além de não ter direito aos descontos nos preços derivados da renovação das concessões, uma das frentes anunciadas pela presidente, o segmento foi “presenteado” com obstáculos que podem impedir seu crescimento. O mercado livre é muito procurado por condomínios residenciais, empresas de médio e grande porte e shopping centers. 

O diretor da Safira Energia, empresa de comercialização no mercado livre, Mikio Kawai Jr., afirmou ao site de VEJA que o pacote da presidente desprezou este ambiente em detrimento do chamado mercado cativo – o qual reúne todos os consumidores que adquirem eletricidade das distribuidoras que atuam em sua região. Ainda que ambos tenham garantido descontos em encargos, o benefício no mercado livre será menor no final das contas. “A supressão dos encargos responderá por apenas uma parte dos descontos no preço da energia. A outra – e maior parte do desconto – virá da renegociação das concessões do setor, da qual o mercado livre ficou de fora”, criticou.

O governo já deixou claro que revisará para baixo os preços dos contratos de concessão das geradoras, os quais começam a vencer em 2015. A alegação do Planalto é que os ativos dessas empresas foram pagos ao longo dos anos, ou seja, os ativos teriam sido completamente amortizados. Não faria sentido, na visão de Dilma e sua equipe, que os consumidores continuassem a pagar por uma amortização que já não se faz. 

O problema, segundo Kawai Jr., é que as comercializadoras de energia no mercado livre também pagaram essa conta nos últimos anos, mas não foram contempladas na recente Medida Provisória nº 579, que trata do tema. “O desconto da renovação das concessões só será repassado para o mercado cativo. Ficamos de fora e isso acaba por afetar nossas margens e competitividade”, diz. 

Para Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), essa falta de isonomia é injusta e precisa ser revista. Ele lembra que essa diferença de tratamento também se verifica na comercialização do excedente de eletricidade produzido pelas geradoras. É que elas só poderão vender essas sobras, segundo as novas regras, no mercado cativo. Em outras palavras, haverá menos energia disponível para o mercado livre a partir do ano que vem.

A advogada especializada em infraestrutura e sócia do escritório Machado Meyer, Ana Karina Esteves de Souza, explica que, pela lei de oferta e demanda, é natural esperar que a menor disponibilidade de energia elétrica neste ambiente implique um aumento dos preços, o que pode prejudicar a concorrência com o mercado cativo. Ela destaca, porém, que ainda é prematuro dizer quais serão os efeitos concretos das novas leis, mas pode acontecer sim de consumidores migrarem do mercado livre para o regulado. 

Luiz Antonio Ugeda Sanches, advogado do Demarest e Almeida Advogados, destaca, por sua vez, que o novo decreto do setor prevê mudança no prazo para o consumidor migrar do mercado cativo para o livre. Antes da MP, as empresas que quisessem passar a comprar a energia no mercado livre deveriam mostrar seu interesse em fazê-lo com até seis meses de antecedência. Para os grandes consumidores, a vantagem desse ambiente vem da flexibilidade. Eles podem negociar livremente a quantidade de energia que precisam e o preço que pagarão – e, com isso, conseguem realizar um melhor planejamento financeiro e de demanda. Agora, esse prazo será de cinco anos. Logo, uma indústria química que queira migrar do segmento regulado para o livre terá de avisar com cinco anos de antecedência seu interesse, o quanto precisará e o negociar o valor do contrato.

“As novas regras valorizam o mercado cativo. Não há nada expresso sobre o mercado livre”, disse Sanches. Ele espera, porém, que este ambiente continue em crescimento, ainda que não no mesmo ritmo de antes das mudanças regulatórias. Ele explica que o Brasil ainda tem um consumo per capita de energia elétrica baixo e que o próprio crescimento da população também potencializa a expansão do uso do insumo.

Copa: empresas terão dinheiro para melhorar energia


Exame.com
Pedro Peduzzi, da Agência Brasil

O governo autorizou as empresas estaduais de energia elétrica a contratarem empréstimos para melhorar o fornecimento em estados onde haverá jogos

Getty Images
Torre de transmissão de energia elétrica: 
as empresas poderão pedir até R$ 850 milhões emprestados

Brasília – O governo autorizou as empresas estaduais de energia elétrica, sediadas nos estados onde haverá jogos da Copa de 2014, a contratarem empréstimos para melhorar o fornecimento de energia. A resolução foi publicada hoje (26) no Diário Oficial da União.

O Conselho Monetário Nacional permitiu as operações de crédito na reunião de ontem (25). Segundo a resolução, as empresas poderão pedir até R$ 850 milhões emprestados para empreendimentos de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Esses créditos poderão ser obtidos por meio de financiamentos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ousadia em leilões pode ter causado falhas

Renée Pereira
O Estado de S. Paulo

Diretor executivo da Abrate destaca que com aumento da competição nas concessões, para economizar, as empresas otimizam projetos

SÃO PAULO - Não são apenas as instalações antigas que estão comprometendo a segurança do sistema nacional de transmissão de energia. O blecaute que atingiu o Norte e o Nordeste entre quinta e sexta-feira ocorreu numa subestação considerada nova. "Às vezes a gente pensa que uma instalação recente dá menos problemas que os velhos. Mas temos visto muitos casos que derrubam essa tese", destaca o diretor executivo da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Cesar de Barros Pinto.

Uma das explicações estaria na elevada competição dos leilões de transmissão. "O regime de concorrência está tão acirrado que se começa a economizar e otimizar os projetos. Reduzem os espaços nas subestações, diminuem o volume de cobre nas instalações e trabalham no limite. O serviço fica pior", argumenta o executivo.

De fato, boa parte das disputas ocorridas nos últimos anos têm revelado um apetite sem precedentes no setor de transmissão. Na década passada, os espanhóis causaram surpresa ao arrematar lotes de linhas e subestações com deságios de 40%. Depois foram as estatais do Grupo Eletrobrás que irritaram os investidores privados com lances ousados.

Para alguns especialistas, a conta está sendo paga agora com o aumento dos desligamentos. "O mote de reduzir custos às vezes chega com o sinal trocado. Não se pode reduzir custos comprometendo a qualidade. A recorrência de falhas é um sinal de alerta", avaliou o consultor Eduardo Bernini, sócio da consultoria Tempo Giusto.

Check-up
Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Sidnei Martini, ex-presidente da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), o sistema brasileiro precisa passar por um check-up geral, fazer um diagnóstico aprofundado para detectar falhas e permitir a adoção de medidas preventivas. "Além da manutenção, é preciso ir além."

Ele destaca que o consumo de energia tem crescido gradualmente no Brasil. Com isso, partes do sistema com mais fragilidade podem ter problemas. "É como um carro. Ele tem capacidade para levar cinco pessoas, mas você sempre carrega duas. O dia que você colocar mais duas pessoas, o carro vai sentir." Martini alerta que as empresas de transmissão precisam começar a antecipar os investimentos e melhorias no sistema para suportar o aumento de consumo na época da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. "A demanda será excepcional, bem maior que a verificada hoje. "

A sequência de apagões que atingiu o Brasil nas últimas semanas colocou a confiabilidade do sistema nacional, até então considerado robusto e seguro, em xeque. No período de um mês, foram 14 desligamentos (sem considerar o desta sexta-feira). No ano, o número já atinge 65 blecautes.

"O País precisa de renovação e modernização. Dizem que estão fazendo investimentos e que os sensores controlam melhor o sistema. Mas cada vez vemos apagões maiores", destaca o diretor do Departamento de Engenharia Elétrica e Teles do Instituto de Engenharia, Miracyr Assis Marcato. Ele tem razão: em volume de energia desligada, os blecautes do último mês foram 153% maiores que os de 2011.

Para o diretor da Abrate, uma falha que não deveria ocorrer com tanta frequência é o efeito cascata para todo o sistema nacional. Os equipamentos de proteção deveriam isolar o problema na linha que teve o defeito. "Mas temos percebido que em muitos casos têm havido desligamento em cascata. Se fosse passar um pente fino no sistema, faria isso no ajuste do relé."

Marcato, do Instituto de Engenharia, destaca ainda que há vários tipos desse equipamento no sistema. Alguns são mais velhos e reagem de forma mais lenta. Outros mais novos, com tecnologia diferente. "Um pode não conversar direito com o outro." 

Colaborou Fernanda Guimarães

Curto-circuito no sistema elétrico
José Paulo Kupfer


O apagão amplo e prolongado que atingiu as regiões Norte e Nordeste, depois de uma sucessão de falhas, tornou mais dramática a evidência de que o sistema elétrico precisa de uma reformulação completa

Governo avalia que coincidência de apagões não é "normal"


Exame.com
Maria Carolina Marcello, Agência Reuters

Um apagão ocorrido entre o final de quinta-feira e a madrugada desta sexta-feira atingiu todo o Nordeste e parte da região Norte, segundo o ONS

Ueslei Marcelino/Reuters
Dilma: foi convocada uma reunião do Comitê de Monitoramento
 do Setor Elétrico, em Brasília, para discutir as causas do mais recente apagão

Brasília - Os apagões que atingiram diversas regiões do país recentemente não são "normais", avaliou o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, nesta sexta-feira.

Um apagão ocorrido entre o final de quinta-feira e a madrugada desta sexta-feira atingiu todo o Nordeste e parte da região Norte, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

De acordo com Zimmermann, a causa da falta de energia teria sido um problema na linha de transmissão de Colina-Imperatriz, administrada por uma empresa controlada pela estatal mineira Cemig.
"Eventos como esse não são normais e a coincidência, então, é que é mais anormal ainda", disse o ministro a jornalistas.

No início de outubro, um apagão atingiu o Distrito Federal e um blecaute deixou sem luz áreas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Sistema Acre-Rondônia do país.

No apagão da madrugada desta sexta, a perda de carga de energia no momento da interrupção no Nordeste foi de 9.500 megawatts (MW). No Norte, onde Pará e Tocantins ficaram sem luz, a perda foi de 3.500 MW. Há relatos de moradores de Brasília que o corte também afetou parte da capital federal.

Foi convocada uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, em Brasília, para discutir as causas do mais recente apagão.

O incrível golpe da Refinaria de Manguinhos, que liga José Dirceu e Sérgio Cabral


Francisco Bendl
Tribuna da Imprensa

 Uma imagem que diz tudo…

Fico espantado em ver que pessoas que possuem discernimento, senso crítico, consciência política, postam-se em defesa do Zé Dirceu, o chefe da quadrilha que assaltava os cofres públicos!

Impressionante assistir e ler as tentativas de minimizarem a importância do julgamento que condenou o meliante e seus cúmplices e, mesmo assim, os sectários petistas não desistem de seus desserviços à Nação brasileira criando versões fantasiosas sobre o caso, agora enfatizando como “espetáculo midiático” a tarefa dos ministros do Supremo neste processo que merece o destaque que o acompanha!

Se é assim, trago à Tribuna uma notícia que circula pela Internet sobre mais um golpe do Zé Dirceu contra o País! Aos equivocados defensores do Zé Dirceu, o corrupto chefe de quadrilha, quero registrar esta informação muito importante e que vai deixá-los muito confusos, espero.

Certamente alguns sectários que ainda possuem resquícios de decência deverão abandonar esta proteção incondicional ao meliante ex-ministro da Casa Civil, imagino, pelo menos.

O assunto é muito grave, portanto, e retrata mais uma faceta do mau caráter deste indivíduo que está riquíssimo com as negociatas que a sua função lhe propiciou, e ainda tem o caradurismo de se dizer “inocente” com relação às provas que abundam o mensalão.

O tema é a Refinaria de Manguinhos, vulgarmente conhecida como a Lavanderia de Zé Dirceu, Marcelo Sereno e deste pústula que governa o Rio, Sérgio Cabral! Há quatro anos, o braço direito de Zé Dirceu, Marcelo Sereno, adquiriu na bacia das almas a Refinaria de Manguinhos. A refinaria que pertencia ao grupo Peixoto de Castro estava falida e tentavam vendê-la a qualquer preço.

Agora, o “desgovernador” Sergio Cabral anunciou a desapropriação da refinaria entre 170 e 200 milhões de reais, na maior operação de lavagem de dinheiro nunca antes vista no Brasil!

O grupo integrado por José Dirceu e  Marcelo Sereno comprou a refinaria por R$ 7 milhões e a desapropriação custará quase TRINTA VEZES  o valor da aquisição, em menos de quatro anos!!!

Um pequeno lucro que as benesses do poder concederam ao ex-chefe da Casa Civil, que ele entendia como sua, lógico!

Com a palavra os defensores do mensalão e, especialmente, do quadrilheiro Zé Dirceu e sua mente diabólica para enganar incautos e incultos brasileiros que ele é um homem “íntegro”!

Ele “integra” bandos de criminosos e ladrões e efetivamente não é uma pessoa confiável!

SAIBA MAIS:

O ELO PARLAMENTAR DE UMA FRAUDE


Risco na gasolina: Refap pode estar atuando no limite


Nilson Mariano
Zero Hora

Especialista avalia que estoques da refinaria estava baixo, enquanto o consumo do combustível aumentou

Refinaria Alberto Pasqualini, Canoas/RS 

Não apenas os apagões no fornecimento de energia elétrica rondam o Estado. Entre os dias 16 e 23, os gaúchos padeceram com a falta de gasolina e a ausência de informações por parte da Petrobras sobre o que estava acontecendo. Um dos motivos para o desabastecimento, na avaliação de especialistas, é que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) pode estar operando no limite para atender ao aumento no consumo de combustível.

Bastou que navios não pudessem descarregar petróleo nas monoboias ancoradas no mar, em Tramandaí, devido ao vento forte, para que a Refap esgotasse os estoques de matéria-prima. Como o Litoral é fustigado por ventanias e até ciclones extratropicais de forma rotineira, pairou a dúvida não explicada pela Petrobras: por que só agora houve desabastecimento?

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, as duas monoboias podem estar sendo acessadas mais vezes por navios petroleiros, para suprir a Refap. Toda a produção de diesel e gasolina da refinaria depende do óleo que chega pelos dutos submarinos.

– O que acontece é que as refinarias não têm conseguido produzir gasolina suficiente. E as monoboias não estão dimensionadas para esse movimento todo – observa Pires.

É claro que navios petroleiros sempre tiveram de aguardar por condições climáticas adequadas para descarregar nas monoboias. Se manobrarem sob vento intenso e ondas, o mangote (cano flexível) acoplado à monoboia pode se romper, provocando vazamento de óleo – e um desastre ambiental. Na avaliação de Pires, a restrição veio à tona, agora, porque os estoques da Refap estavam baixos.

A prova de que as refinarias estão sobrecarregadas é o fato de o Brasil importar, nos últimos meses, de 12% a 14% da gasolina que queima. O CBIE prevê mais dificuldades no final de ano, quando, historicamente, aumenta o consumo.

André Trein, analista da gestora de investimentos Fundamenta, reforça que a capacidade de refino se aproxima do limite. Destaca que a falta de gasolina, durante oito dias, evidencia a insuficiência na produção.

– É possível supor que os estoques estavam baixos, pois não havia petróleo para uma situação de imprevisto – diz Trein.

As instalações da Refap estão sendo ampliadas, em Canoas, com a construção da nova unidade de hidrotratamento de diesel e da unidade de geração de hidrogênio. Elas devem ficar prontas em 2014, mas não se destinariam a aumentar a produção de combustível. Uma delas irá retirar os poluentes do diesel.

Largamente utilizadas no mundo, monoboias são imprescindíveis no Estado devido à inexistência de um porto marítimo perto da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ilson Paranhos Pasqualino, professor de Engenharia Oceânica e de Engenharia do Petróleo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que monoboias são seguras, desde que mantidas e operadas corretamente.

O mensalão dos gagos


Sebastião Nery
Tribuna da Imprensa


GUARAPARI – Francisco Lacerda, o Chiquinho Lacerda, era governador do Espirito Santo na noite de 31 de março de 1964. As notícias de Minas ainda estavam confusas. Ele se trancou no gabinete com os assessores Mário Gurgel (depois deputado do MDB, cassado em 1968) e Setembrino Pelissari (depois deputado da Arena e prefeito de Vitória).

Preparou dois manifestos. Um contra o movimento militar, para, se fosse o caso, ser lido por Gurgel. Outro, a favor, para, também se fosse o caso, ser lido por Setembrino. E ficou esperando, de ouvido no rádio e boca no telefone, falando com o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

De repente, toca o telefone no gabinete. Era o coronel comandante do 3º BC de Vila Velha, o mais graduado comando militar do Estado:

- Boa noite, governador. Como estão as coisas?

- Não sei, coronel. O senhor sabe?

- Sei, governador. Mas antes quero saber de que lado o senhor está.

Chiquinho parou, pensou, gaguejou:

- Estou do lado da Escola Normal, coronel.

O Palácio Anchieta, em Vitória, dá os fundos para a Escola Normal.

LULA
Lula, falso e enganador como sempre, garantiu a Marcos Valerio, a Delubio Soares e a toda a turma do Mensalão que o processo era “uma farsa”, uma “piada de salão” e que não ia dar em nada porque ele tinha nomeado quase todo o Supremo Tribunal e “controlava a situação”. Agora que Marcos Valerio já pegou 40 anos de cadeia e há 24 outros réus sendo julgados, Lula ficou gago.

Não atende telefone de Marcos Valerio nem ninguém do grupo. Como Chiquinho de Vitoria, Lula está “ao lado da Escola Normal”, lá em São Bernardo, no ex-triplex do compadre Teixeira.

HERON DOMINGUES
Chiquinho Lacerda, governador, conspirou com Magalhães Pinto, fez Marcha da Família com Deus pela Democracia contra o Comunismo e saudou a “Revolução Redentora”.

Os primeiros inquéritos levantaram pilhas de provas contra ele. Chiquinho foi ficando. Eurico Rezende, deputado federal e representante de Chiquinho nas jogadas nacionais, armou um esquema para salvá-lo.
Os saudosos Heron Domingues e José Ayler Rocha tinham a agência de promoções “Pró-News”. 

Eurico pediu um plano de relações públicas para evitar a cassação de Chiquinho. Oliveira Bastos, chefe da equipe de Heron, foi a Vitória conversar com ele. Trancaram-se numa sala e Bastos passou a mostrar ao governador o que era possível fazer.

OLIVEIRA BASTOS
- E quanto vai custar isso, Oliveira?

- 150 milhões. Mas sem isso o senhor será inevitavelmente cassado.

- Meu caro, eu não estou me incomodando de ser ou não cassado. O que eu não quero é que o governo toque em meu patrimônio. Isso é que me interessa e me preocupa. Por que então eu iria desfalcar meu patrimônio em 150 milhões? Se quiserem, eu saio. Contanto que não bulam no que é meu.

Chiquinho renunciou, não foi cassado e salvou todo o patrimônio. Inclusive os 150 milhões que não pagou à agência de Heron.

(A esta altura José Dirceu, que ficou muito rico de repente, está mais preocupado é com o que vai ter que devolver: -“não bulam no que é meu”).

DIRCEU
O presidente Dutra tinha um auxiliar capixaba, oficial do Exército, meio gago. Quando Dutra dava uma ordem, ele ficava mais gago ainda.

Resolveu dar um jeito de curar a gagueira. Soube que o Méier tinha uma escola para gagos, tocou para lá. O endereço que levou não coincidia. Procurou no bairro todo, nada. Foi ao português da esquina:

- O sesesenhor popopodia mememe inininformar se aaaqui temtem uma escococola para gagagago?

- Mas o senhor já fala gago tão bem, para que quer escola?

(Dirceu, Genoino, sempre falantes, calaram. Estão gagos. Querem que os amigos façam um “movimento internacional para denunciar o Supremo”.