Comentando a Notícia
No post acima, tentamos fazer uma leitura sobre o cenário em que as eleições municipais estão se desenrolando. Não temos bola de cristal para saber o resultado final, mas seja ele qual for, não mudará a essência do que descrevemos.
Há, contudo, muita matéria para refletir sobre a fraqueza e até tibieza como as oposições se defrontam com o governo central. Muito embora tenham certa clareza quanto aos temas que devem tratar junto ao eleitorado, ainda não conseguiram, por exemplo, medir o tempo correto tampouco a linguagem mais adequada como tais temas devem ser tratados. Ás vezes, até usam uma linguagem um pouco mais objetiva no campo da política, mas completamente fora do tempo. Neste caso, o discurso acaba caindo no vazio.
José Serra, a exemplo do que já ocorrera em 2002 e em 2010, tinha amplo domínio dos fatos mas escolheu a estratégia inadequada para enfrentar Lula e mais tarde Dilma Rousseff. Voltou a cometer os mesmos erros. Agora, tentou ligar Haddad ao mensalão. Que o fizesse nada contra, mas que tornasse este o tema central da campanha? Ora, o eleitor não é burro e, por mais desinformado que o seja, não era Haddad quem estava sentado no banco dos réus, portanto, a insistência no tema, e de forma central, só lhe tirou pontos. Até porque, sendo o paulistano de outro nível, o que ele desejava saber de Serra eram propostas próprias, por exemplo.
Se a disputa era com Haddad por que não exibir ao eleitor o currículo do moço? Ora, o discurso do PT para a capital paulista era apostar no novo. Só que o “novo” escolhido era um poço de incompetências cometidas ao tempo em que ocupou o Ministério da Educação. Ali estava o Haddad que São Paulo deveria analisar e avaliar, e que Serra deixou de apresentar.
Além disto, muitas foram as derrapadas de Haddad sobre seu conhecimento dos acertos e desacertos da administração Kassab. E neste campo, Serra poderia ter dado uma surra em Haddad. Se a gente for olhar a fundo o programa de governo do petista, verificará que o exemplo do PT em cada um dos campos ali tratados é péssimo. Não há um único serviço público de responsabilidade do governo federal merecedor de algum elogio. TODOS estão em estado lastimável.
Assim, Serra uma vez mais fez a aposta errada, a exemplo do que os partidos de oposição tem feito. Claro, e o texto acima deixa isto muito claro, que há um terreno bastante fértil para a oposição se fortalecer e recuperar os espaços que deixou ser ocupado pelo petismo. Mas tal conquista deverá ser fruto de um movimento, do conjunto de pensamentos e ideais, e não de uma única cabeça pensante, de personalismos, de movimentos desencontrados. Se a meta é a conquista do poder, ou reconquista, os passos devem ser medidos em conjunto, e não cada um puxando para um lado. Tal desacerto apenas torna mais difícil a missão e quase impossível a obtenção do resultado final.
Mas falava de Fernando Haddad e o currículo dele quando pretendeu comandar o Ministério da Educação. É só isto que ele tinha, e convenhamos, era muito mais indicação para ser repelido do que a de ser aceito pelos eleitores. Segue uma amostra, mesmo que pequena, de fatos reais da experiência administrativa na vida pública de Fernando Haddad que, logo se verá, se tornará prefeito muito mais pela campanha ruim de Serra do que pelos próprios feitos. A produção é do blog “Implicante”.