sexta-feira, maio 09, 2008

Quando foi que Dilma mentiu? Sempre !!!

Juntem todas as versões que dona Dilma contou desde que a armação do dossiê veio a público. E podem pesquisar a vontade. Vocês notarão que, em algumas delas, ao menos, a ministra mentiu. Acintosamente.
Em cada uma das vezes, esta senhora apresentou versões que jamais se sustentaram nos fatos por mais de 72 horas, sendo que a última, a que ela contou no Senado, sequer atingiu a marca de 24 horas para ser desmentida.
Ou seja: dona Dilma, ao que parece, após haver mentido na Ditadura, parece que apreciou o estilo, e mesmo na Democracia, continua mentindo escandalosamente. A verdade de um esquerdista é ser ele sempre um desprezível terrorista que adora regimes de exceção à esquerda, mas que sempre falará com a boca cheia de democracia, e outros apelos infames. A dissimulação é sua ferramenta de trabalho, e nela a hipocrisia tem lugar cativo. A ministra, a partir do momento em que passou a ser mais assediada pela imprensa, a partir do instante em que começou a se apresentar com a cara limpa, tem demonstrado este seu lado bandido com uma frequência cada vez maior.
A começar por suas apresentações e aparições em que tenta convencer a platéia do pac que continua uma bela carta de intenções, mas que não passa de uma peça de ficção, e com autoria de diversos agentes, e não apenas deste governo.
Assim, encerro de vez a avaliação mais natural que se possa fazer a respeito desta senhora: sua fala vale tanto quanto qualquer nota de R$ 3,00. Mente em tempo integral. E, apesar de viver numa aparente democracia, continua falsa, ardilosa e extremamente dissimulada. Afora a arrogância imbecil de tentar ser mais do que é, no grito. As histórias que tem contado sobre o dossiê são a prova cabal de todas estas "virtudes" inatas de sua personalidade. Engane-se quem quiser, ou quem tem algum outro tipo de interesse muito pouco honesto, por sinal.

Negócios suspeitos na República dos Sindicalistas

Adelson Elias Vasconcellos

A Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, dentre outros, apontou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, como suspeito de pertencer a quadrilha que agia dentro do BNDES, em financiamentos para amigos do esquema e que, depois, desviava para si as devidas comissões. Foi preso na operação, um ex-assessor do deputado.

Ele, na tentativa de defender-se, ocupou a tribuna da Câmara para atacar. E não deixou por menos, foi logo acusando as “elites” de quererem desestabilizá-lo. Interessante que, quem o acusa, não é a elite, e sim a Polícia Federal, e justamente por agir em favorecimento às elites e, claro, a si mesmo.

Mas, aos poucos, a gente vai conhecendo alguns pormenores que envolvem o deputado numa ação cada dia mais difícil de ser contestada.

A mulher do deputado, Elza de Fátima Costa Pereira, tem uma ONG, a Meu Guri Centro de Atendimento Biopsicossocial, que recebeu do próprio BNDES a bagatela de R$ 1,199, numa “operação não reembolsável” segundo informa a própria instituição. Na conta particular de Elza encontrou-se um depósito feito pelo ex-assessor do Paulinho, João Pedro de Moura, o que está preso, uma doação carinhosa de R$ 36,6 mil. Eis um lobista bem generoso, não é mesmo ?

Com registro no CNPJ, a ONG, Meu Guri, foi aberta em 20 de agosto de 1997, para promover "atividades de associações de defesa de direitos sociais". O endereço declarado é Rua Galvão Bueno, 782, Liberdade, em São Paulo, mas o local é, na verdade, conhecido como Palácio do Trabalhador - sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, do qual Elza é tesoureira.

João Pedro de Moura é apontado pela Procuradoria da República e pela PF como mentor e principal articulador do esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que há três semanas caiu na malha da Operação Santa Tereza.

Ex-conselheiro do BNDES, Moura foi apanhado pela interceptação telefônica da PF negociando partilha de recursos liberados para prefeituras. A Procuradoria da República considera ter "provas cabais" de irregularidades em três contratos de financiamento do banco que somam R$ 400 milhões.

O depósito na conta da Meu Guri foi realizado no dia 1º de abril, segundo registro bancário número 202.020. Para a PF, o documento reforça suspeita de que parte do dinheiro do BNDES que transitou pela organização pode ter sido repassada a um núcleo de ONGs.

A polícia passou a suspeitar que o esquema BNDES ia bater de frente com entidades assistenciais quando pegaram no grampo o coronel da PM Wilson Consani. Na véspera da Santa Tereza, noite de 23 de abril, o oficial tentou avisar a cúpula do PDT e da Força Sindical sobre a operação. Numa ligação, ele soltou: "É o negócio das ONGs."

Mas a fedentina na fica “apenas” nestes detalhes: a Santa Tereza, operação federal que desmontou esquema de desvio de recursos do BNDES, descobriu que a organização criminosa repassou R$ 82 mil para a ONG Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Pesquisa Política, Social e Cultural do Trabalhador - Luta e Solidariedade. Os investigadores estão convencidos de que esse dinheiro fazia parte do montante que o grupo se apoderou a partir de contratos fraudulentos para obras de prefeituras.

Do cadastro da Rede Infoseg, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, consta que a ONG iniciou atividade em abril de 2002 e seu principal dirigente é Eleno José Bezerra, vice-presidente da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, do qual é tesoureira Elza Pereira, mulher do deputado Paulo Pereira da Silva. Registro oficial indica também a Rua Galvão Bueno, 747, como endereço da ONG - nesse local funciona um restaurante popular da Força, que é presidida por Paulinho.

A pista para chegar a essa ONG é um canhoto de cheque recolhido na casa do empresário Marcos Vieira Mantovani, apontado pelo Ministério Público Federal como consultor da quadrilha. A apreensão ocorreu na manhã de 24 de abril, quando a Polícia Federal prendeu 10 suspeitos de integrarem o esquema BNDES.

Mantovani é dono da Progus Consultoria. Transitava bem em administrações municipais e no BNDES, onde tinha como parceiro João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho. Cabia a ele indicar a prefeitos que agiam em parceira com o grupo o caminho mais rápido para aprovar projetos no BNDES.

Em sua defesa, Paulinho acusa a elite porém, a suspeita sobre ele não provém de nenhuma acusação ou prova envolvendo “elites”. O trecho a seguir está publicado no Estado:

Nosso chefe maior" é Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, declarou o coronel da Polícia Militar Wilson de Barros Consani Júnior, que a Santa Tereza capturou sob acusação de envolvimento no desvio de verbas do BNDES.No dia em que foi preso, 24 de abril, o oficial foi interrogado pela Polícia Federal. Sobre o esquema BNDES ele se esquivou, alegou não saber de nada. Mas admitiu que na véspera, noite de 23, ficou sabendo da ação policial e tentou avisar a cúpula do PDT e da Força Sindical.

O grampo da PF pegou o coronel falando com um cunhado de Paulinho. "É bom avisar o nosso chefe maior", sugeriu o militar. À PF, ele declarou que se referia a Paulinho. Em outra ligação, Consani alertou José Gaspar, vice-presidente do PDT. Gaspar perguntou se a operação tinha a ver com "nosso amigo". À PF, o coronel disse que "nosso amigo" é Paulinho.

O coronel tinha importante participação no esquema do BNDES, segundo a denúncia. "Acompanhava as ações da quadrilha e tinha plena ciência dos crimes praticados", afirma a procuradora Adriana Scordamaglia. "Colaborava com a obtenção de futuros financiamentos junto ao BNDES."

A PF quis saber do coronel o motivo do alerta ao deputado pedetista. "Porque uma pessoa ligada ao Paulinho, que exerce um cargo dentro do partido, estava sendo alvo da operação."

Uma vez, Consani conversou com Brito de França, então assessor do deputado Roberto Santiago (PV-SP). O coronel disse a França que João Moura, o amigo de Paulinho, "com aquele caminho, libera rápido". À PF, declarou: "Eu quis dizer que João estava em Brasília, essa liberação rápida diz respeito à liberação de dinheiro do PAC ou do Ministério das Cidades." Em outro grampo, ele chama o ministério de "pequena mina".

Esta é uma da tanta e tantas tramóias que se desenrolam nos porões do governo que está aí. Fosse a CPI das ONGs algo mais sério, e esta seria uma das centenas de histórias de patifarias que se realizaram entre o governo e as ONGs picaretas que fervilham pelo país, e que engoliram bilhões de recursos públicos em nome de coisa alguma, a não ser para favorecer seus “dirigentes”. O manto de “entidade social” é apenas para encobrir a pilantragem de suas sórdidas existências e poderem, deste modo, meter a mão na grana que é arrancada do contribuinte brasileiro, que continua sem segurança, sem hospitais e sem educação decentes, porque os impostos que esfolam seu lombo são desviados para estes energúmenos que habitam as crateras da imundície reinante no Poder Público.

E que fique claro: todo o governo federal esta infestado pela mesma cultura. O tal PAC é apenas a embalagem para efeito externo. O que vai por dentro dá até medo de se investigar mais a fundo. E é por isso que Lula briga para fazer seu sucessor, se não for ele próprio. Imaginem esta gente toda precisar sair às ruas para pedir emprego e terem que trabalhar para sustentarem sua vida de luxúria desenfreada!!! E Lula ainda reclama a não prorrogação da CPMF? Santo Deus, imaginem mais R$ 40 bilhões por ano nas mãos destes malucos, quanto patifaria a mais não iria alimentar !!! Nem é bom pensar !!!

A comemoração de coisa alguma

Adelson Elias Vasconcellos.

Pode ser que, passada a ressaca que sofre a oposição e expressiva parte da mídia brasileira, pós-depoimento de Dilma Rousseff no Senado, as pessoas comecem a refletir com maior clareza do que resultou de prático daquele depoimento.

A motivação era para falar sobre o PAC e, de contrapeso, do famoso dossiê anti-FHC. E nisso, convenhamos,Dilma enrolou e não acrescentou de positivo coisa alguma. Então se comemora o quê? A incompetência e o despreparo da oposição? Só se for isto, porque, do contrário, nos assuntos que levaram a ministra ao Senado, ela absolutamente, não se saiu tão bem como se propaga. Do PAC, conforme várias vezes aqui já falamos, a ministra não conseguiu provar o contrário de que se trata de um pactóide. Um programa rotineiro de governo, recheado de emendas parlamentares que o governo surrupiou a autoria, e que joga ao povão com intensa propaganda de tratar-se de um programa de desenvolvimento como nuncadantez. De fato, o nuncadantez no caso, se deve à propaganda intensiva como instrumento político para vender a imagem de “desenvolvimentista” para um governo que apenas cumpre parte de seu papel. Porque não me venha com a conversa mole de que “construção de pontes”, ou de “obras de saneamento” seja a enormidade do programa. Isto sempre foi fruto de emendas dos parlamentares, que se engalfinham nos ministérios e na Comissão de Orçamento, para empurrarem seus “projetos”. Mas sempre existiram projetos de”construção de pontes” e execução de “obras de saneamento”. E neste quesito, dona Dilma não conseguiu provar a consistência do PAC, cantado em verso e prosa por Lula.

O segundo assunto foi ainda mais melancólico: a ministra deixou muito claro que o dossiê de fato existiu, foi montado pela Casa Civil, e que o banco de dados “apenas” trata de despesas do governo anterior, o de FHC. Sobre os gastos deste governo, o silêncio é total. Nada se diz, nada se publica, nada se divulga. Mas a lambança continua solta e custando milhões de reais aos cofres públicos, e em porcarias inúteis de ostentação puramente. E, conforme também já havíamos afirmado inúmeras vezes, o dossiê foi montado de fato, e somente com os gastos feitos no governo anterior, e foi divulgado. E, sobre este ponto, a ministra deixou muita mais afirmação do que negativas.

Mas por que então tanta empolgação por parte do governo? Primeiro, os governistas receavam que os oposicionistas colocariam a ministra contra a parede. E isto não aconteceu. Deram-lhe uma avenida para desfilar, e ela soube fazê-lo muito bem. Segundo, porque os “rendidos” trataram de “vender” a imagem de vitória com muito maior ênfase, para encobrir o vazio que transpassou o depoimento nos seus pontos mais importantes. Assim, em cima da empolgação dos ”rendidos” restou uma certa desesperança pelo papel quase ridículo da oposição.

E é bom que fique claro que, para nós, a oposição continua ridícula na sua ação política, e sem projeto alternativo para o país, pós-Lula. Claro que o atual presidente se vale dos louros das políticas implementadas pela atual oposição quando esta esteve no governo. A questão da economia por exemplo, é justamente a obediência às regras da ortodoxia que mantém o país equilibrado e estável, regras por sinal que o atual governo, quando oposição, criticava à solta, regras que fazem as maravilhas do neoliberalismo econômico. Até na ação social o governo Lula não é inovador. No que tem que novo este governo é justamente vender à opinião pública como sua uma obra alheia que dá certo, apesar de que, na oposição, Lula e seus seguidores foram ferrenhos críticos e opositores. Querem exemplo mais grotesco do que o discurso da CPMF ?
Pois é, então não venham agora querer enganar àqueles que tem um pingo de respeito pela História, e sabem perfeitamente bem o que eles fizeram na oposição até 2002...

Veja-se na questão do PAC que este governo está conseguindo, com todos os ventos a favor e com recordes sucessivos na arrecadação, investir menos do que se investia há oito anos atrás. O alardeado grande “volume de investimentos” pertencem a alçada de empresas estatais, como a Petrobrás, por exemplo, e que aconteceriam com PAC ou sem ele. Voltem no tempo e vocês verão que, em termos de segurança, saneamento, educação, saúde, estradas, portos, hidrovias, aeroportos, dentre outros, não apenas os investimentos são menores do que já foram, mas que este governo sequer consegue gastar ou investir ao menos o programado em orçamento.

Recente pesquisa mostra que, de tudo o que o governo arrecadou em 2007, mais da metade foram destinados ao pagamento de dívida pública. Mas na propaganda, o governo “milagreiro” criou uma fantasia que só existe no papel. A triste realidade do país é demonstrar-se cada vez pior na deterioração dos serviços públicos. Não é surpresa portanto, saber-se que, no caso da Petrobras, as obras incluídas na rubrica do PAC, como lembrou Kátia Abreu, estavam previstas no planejamento da estatal. Assim como observou o senador Valter Pereira (PMDB-MS), que emendas parlamentares foram vetadas e depois clonadas pelo próprio governo para entrar na rubrica do... PAC. No ano passado, dos R$ 16 bilhões previstos para investimentos, executaram-se apenas 28%. E, para isso, Dilma não teve resposta.

Assim, a comemoração é muito mais para encobrir estes dois vazios que saltaram do depoimento da Dilma, do que propriamente por ele ter sido vitorioso no plano dos pontos que realmente importavam.

Talvez, curada a ressaca, os “pensadores” da vida nacional, debruçando-se mais detidamente nas coisas práticas, se dêem conta de que a comemoração é fruto muito mais da estratégia de embromação desferida pelo Planalto para consagrar Dilma. E, fruto da reavaliação, se possa observar melhor que Dilma é muito mais fruto de uma máquina de propaganda que manipula informações e fatos e, de quebra, lava reputações de canalhas empedernidos, do que propriamente alguém com o preparo e o equilíbrio necessários para ser uma aspirante ao Planalto. E se, de fato, se puder apontar “perdedores”, estes não seriam os oposicionistas que continuam sem rumo: quem na verdade perdeu foi o país, que assistiu um espetáculo que, do ponto de vista da moral pública, acenou com a farsa e consagrou a mentira como instrumento de se fazer política. Mais do que grotesco, o depoimento constrange por ter sido deprimente encenação, em que a verdade, mais uma vez, foi colocada em segundo plano.

Fundo soberano, brinquedo perigoso

por Rolf Kuntz, do Estadão

O governo terá de se endividar para formar o fundo soberano, o novo brinquedo encomendado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Será o único meio de se arranjar o dinheiro, enquanto o Tesouro for deficitário. Se quiser usar receita de impostos para essa finalidade, o Executivo terá de cortar outros gastos - de custeio, naturalmente, para não comprometer o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e outros investimentos. Por enquanto, o custeio continua crescendo e mais despesas permanentes serão incluídas no próximo orçamento, porque novos aumentos salariais estão inflando a folha de pessoal. Além disso, o Tesouro continua a assumir novos e pesados compromissos impostos por seus aliados, como o refinanciamento - mais um - dos agricultores endividados. Como dinheiro não cai do céu nem nasce nos jardins do Palácio da Alvorada, recursos terão de vir de mais endividamento. O presidente ainda lamenta a perda dos R$ 40 bilhões da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas insiste na formação de um fundo estimado, para começar, em cerca de US$ 20 bilhões.

Como arranjar o dinheiro é apenas um dos detalhes ainda obscuros. Nem a finalidade do fundo está bem definida. Segundo o ministro da Fazenda, citado ontem pela Folha de S.Paulo, o novo instrumento servirá para financiar exportações, investimentos e operações de empresas brasileiras no exterior e também para enxugar o excesso de dólares no mercado interno. Este último objetivo, segundo informou o Estado na edição de ontem, é negado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Acho difícil", disse, "ter um instrumento único para conter a queda do dólar. Esse é um problema mundial." De acordo com o secretário do Tesouro, Arno Augustin, não está definido se a compra de dólares para o fundo será feita pelo Tesouro ou pelo Banco Central (BC). Em suma, quem quiser uma resposta clara sobre as finalidades e formas de suprimento do fundo soberano ficará malservido, se perguntar às autoridades federais. Mas poderá, com razoável segurança, fazer uma aposta: o novo brinquedo, se for mesmo construído, será um trambolho do ponto de vista fiscal.

A idéia já surgiu, no ano passado, envolta em confusão. Em outubro, o ministro da Fazenda mencionou a hipótese de usar reservas cambiais para o fundo soberano. A possibilidade foi logo desmentida pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Os dois falaram sobre o assunto em Washington, durante a última assembléia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). Aparentemente, o ministro havia esquecido a proibição legal do uso de reservas. Tudo isso tornou mais divertida a cobertura dos fatos paralelos à reunião do FMI.

O fundo soberano, segundo as últimas explicações do ministro da Fazenda, deverá servir também para uma política fiscal anticíclica. Absorverá poupança do Tesouro, nas fases de prosperidade, e criará um colchão de segurança para maiores gastos em períodos de aperto. Mas a experiência internacional é diferente da brasileira. O governo chileno tem um fundo desse tipo, mas sua situação fiscal é muito mais tranqüila.

O Tesouro brasileiro continua deficitário, embora esse fato seja ignorado por muitos ilustres políticos e economistas. O governo só tem conseguido realizar um superávit primário, gastando em suas operações menos do que arrecada. Mas esse dinheiro é insuficiente para pagar toda a conta de juros e para amortizar a dívida pública. As contas, portanto, continuam deficitárias em termos nominais. Não há sobra para a tal política anticíclica nem para o fundo soberano desejado pelo presidente.

Além do mais, a história de apoiar a internacionalização de empresas brasileiras está mal contada. Em geral, os grupos com investimentos no exterior têm sido capazes de conseguir financiamento em condições favoráveis no mercado. A idéia de financiar projetos na África, para competir com a China, também é obscura. O avanço chinês na África é parte de uma política bem definida de acesso a fontes de matérias-primas. Seria esse o objetivo brasileiro? Também esse é um detalhe misterioso.

Há meios mais eficientes e mais saudáveis, em termos macro e microeconômicos, de conter a valorização do real e impedir uma deterioração maior do balanço de pagamentos. Se o governo cortar o desperdício, reduzir o custeio, eliminar o déficit nominal e reestruturar o orçamento, sobrará dinheiro para investir e será mais fácil baixar os juros e ampliar o espaço para o crescimento econômico. O resto é fantasia.

Retrocesso institucional

Adelson Elias Vasconcellos.

Estamos de volta. Problemas técnicos nos mantiveram fora do ar por duas semanas. E, graças aos esforços e competência do pessoal da GVT, nossas conexões foram refeitas. Como este espaço não é subsidiado com o maná de “verbas oficiais” ou “oficiosas” e tampouco está atracado em portais de veículos de comunicação, nem sempre podemos resolver “questões técnicas” apenas com boa vontade. Assunto resolvido, voltemos ao nosso papel, o de escrever e comentar.

Neste período, foi possível observar a grande herança que o governo Lula deixará após seu governo, seja a partir de 2011, ou depois, caso ele continue alimentando a discussão sobre o terceiro mandato que até arrefeceu um pouco, porque a discussão serviu para encobrir mais uma crise gerada pelo Palácio do Planalto.

O caso do dossiê anti-FHC foi sim abafado pela discussão do continuísmo, e serviu para que se criasse um clima anti-discussão e anti-investigação levada a efeito pela base governista. Toda e qualquer tentativa de se investigar qualquer coisa que pudesse atingir diretamente ou indiretamente o governo, seja na CPI dos Cartões, tanto quanto na das ONGs, o governo moveu mundos e fundos para impedir que prosseguissem. Há sim muita podridão sendo encoberta, muita patifaria sendo abafada, e muita cretinice ainda será cometida com apoio explícito e imoral por parte dos governistas no Congresso.

Mas o doloroso é sabermos que, sempre que qualquer ação contrariar a mentalidade governamental, não apenas será rechaçada mas combatida ao extremo.

Um caso é o que se vê no re-julgamento do suspeito de mandar assassinar a missionária americana Dorothy Stang. Já o segundo julgamento é uma excrescência que, acredito, ser uma exclusividade absurda da legislação penal brasileira. Nossa lei manda a novo julgamento todo e qualquer condenado com pena superior a vinte anos!!! Antes do julgamento ninguém se manifestou contra o absurdo do segundo julgamento. Mas como este não confirmou a condenação, até pelo contrário, inocentou o fazendeiro, então se levantam vozes contra o processo e a sentença. Ora, deveriam era berrar contra uma legislação ridícula que prevê um segundo julgamento se, no primeiro, o condenado receber pena superior a vinte anos. O que poderiam os juízes fazer, irem contra o que manda a lei ? E quem a faz não são os juízes.

Além disso, quem, dentre as tantas vozes contrárias a segunda sentença, a da inocência, tem competência para julgar alguém sem a devida análise do processo? Por que se arvoram agora em “entendidos” a fazerem juízo legal sobre quem decidiu pela inocência? Principalmente aqueles que estão no governo, não deveriam ser os primeiros a defenderem e acatarem o cumprimento da decisão proferida? Claro que sim, mas como o “julgado” não era da sua turma, então, condene-se o coitado. Até pode ser culpado, porém, faltou aos promotores competência para mostrarem isto no segundo julgamento.

E esta é a herança danada que vai ficando e marcando o país. Julga-se por antecipação e,se não pertencer a ala das esquerdas, então já passa a ser condenado e apontado como culpado, ou em outras esferas, a não ter “méritos” para discutir posições contrárias.

Outro exemplo, podemos encontrar no caso da Reserva Raposa do Sol. Quando o STF mandou suspender a operação de desocupação, que em nível de governo federal, era considerada como verdadeira operação de guerra, lá já se encontrava forte contingente da Polícia Federal e da Força de segurança Nacional que em seguida foi reforçada para garantir a segurança na região e evitar conflitos. Contudo, os índios se colocaram acima da lei, e tentaram tomar na marra algo que juridicamente está sendo contestado. E onde ficou a tropa ? Braços cruzados. Porém, aos proprietários não restou outra alternativa senão tentar defender suas propriedades, seu patrimônio. Algo que não foi tomado a força, algo que foi construído com trabalho honesto ao longo de décadas. Mas aí então o incompetente Tarso Genro, enrolador mor da república, foi lá sobrevoar a área, mandou prender o fazendeiro e o transferiu para Brasília.

Ou seja, como a vítima não era da turma, então sofre todas as ações repressivas. Por quê quando os índios invadiram a propriedade, desobedecendo acintosamente a determinação legal, os policiais não prenderam ninguém? Por que quando os MSTs da vida invadem e depredam nossas “forças de segurança” nada fazem? Porque há no governo verdadeiro ódio contra quem trabalha. Lá, onde sindicalistas vagabundos têm assento e propina garantidos, vale a lei do mais esperto.

É triste ver a cultura que vai se solidificando na vida diária do país, a de que as instituições não devem ser respeitadas, quando tentam nos impor regras de conduta com as quais não concordamos por mero capricho ou desvio de conduta. Então, desobedeça-se a lei, agrida-se as instituições, estabeleça-se o regime da balbúrdia e da desordem: isto passa valer como impositivo ou mandamento na terra sem lei, sem ordem, sem regras. Retrocesso implacável que nos reconduz a barbárie.

Não cabe ao presidente República, no caso do julgamento sobre a morte da missioneira americana, tampouco cabe ao Tarso Genro, no caso da Reserva Raposa do Sol, assumirem a causa de um dos lados envolvidos. Eles devem é respeitar as instituições e as regras em jogo, isto é, o estado de direito. Se as regras não boas, ou são injustas, compete-lhes incentivar sua mudança. Mas nunca, em hipótese alguma, devem jogar contra a lei em vigor, ou alimentar a sua simples desobediência, como Tarso Genro fez em relação aos índios, ainda mais sendo ele um Ministro da Justiça. Agindo da forma como tem feito, presta um desserviço à Nação. O de que menos o país precisa é justamente praticar uma política de retrocesso institucional.