domingo, fevereiro 05, 2012

Experimentando do próprio veneno

Adelson Elias Vasconcellos

Governador Jacques Wagner com o Min. da Justiça Eduardo Cardozo:
em 2012, o governador experimenta do mesmo veneno 
que usou em 2001, quando era oposição.

Detesto greve de servidor público. E por uma única razão: quem realmente sofre com as paralisações é a população, principalmente os mais pobres, com poucos recursos para se defender. E sofre duplamente: por ter de pagar uma conta alta por um mau serviço mesmo que em funcionamento, e ainda ser ver privada deste mesmo mau serviço público, quando eles resolvem decretar suas greves.

Quando estas greves são promovidas por agentes da segurança pública, médicos e professores, os dirigentes sindicais que as decretam, regra geral, com incitação à  bagunça e violência, deveriam ser presos. Os prejuízos que causam à população são irreversíveis justamente porque ela nada pode fazer: nem decidir sobre os pleitos das categorias em greve, competência das autoridades constituídas, tampouco recuperar-se dos prejuízos que as paralisações provocam.

Com este preâmbulo, já estou mostrando o meu lado no caso da greve de policiais na Bahia, como de resto, para qualquer greve de servidor público. É, em si mesmo, um ato covarde contra a sociedade que os sustenta. 

A Bahia que já sofre, no governo do  petista Jacques Wagner, com um aumento descomunal da violência, virou campo de batalha nestes últimos dias. E, nestes momentos de bagunça e descontrole, sempre haverá bandidos comuns para se aproveitarem da situação e deflagrar ainda mais terror, vandalismo e violência. Num período de 30 horas, foram 29 assassinatos, totalizando 80 homicídios desde o início da greve, na terça-feira. A capital registrou, no ano passado, média de 4,2 homicídios por dia, segundo dados da SSP. Na região metropolitana, a média foi de 6,1. Além de ser injustificável a greve, é inadmissível que policiais civis ou militares apontem armas em direção à população, inocente e indefesa. É uma covardia e um crime. Ali, não se tem mais um policial, estamos é diante de um bandido mesmo.

A situação, até o fim da tarde de sexta-feira, era um pouco menos grave que a paralisação de 13 dias deflagrada pela tropa em 2001, quando governava a Bahia César Borges, do extinto PFL. Naquela greve, deputados do PT e do PCdoB, além da Central Única os Trabalhadores (CUT), deram apoio político e logístico aos grevistas. Agora, os mesmos atores que apoiaram o movimento contra o governo pefelista vêm condenando a greve feita contra o petista Jaques Wagner. Mas vejam que coisa interessante, hein, como greve no governo alheio é refresco!!! 

O PCdoB chegou a emitir nota para condenar um tipo de movimento que apoiava em passado recente: “O PCdoB condena veementemente todos esses atos de vandalismo registrado na capital e em algumas cidades do interior. Reafirmamos nossa solidariedade, apoio e compromisso com o governador Jaques Wagner e todo o seu Governo com as ações tomadas para a manutenção da ordem e garantia da tranquilidade e dos direitos dos cidadãos baianos”, destacou o presidente estadual do partido o deputado federal Daniel Almeida. Sujeito que se comporta desta forma incoerente, além de cretino é canalha.

Curiosamente, os comandos da Secretaria de Segurança Pública e da Polícia Militar estão negociando com três associações de militares que não aderiram à greve, deixando de fora as lideranças de duas outras: a Associação dos Policiais, Bombeiros e seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra-BA) - que iniciou a paralisação - e a Associação dos Policiais da Bahia (Aspol), que apoia o movimento. Tanto o secretário de segurança quanto o comandante da PM Alfredo Castro têm tratado os grevistas de “vândalos, terroristas e baderneiros”. A greve foi considerada ilegal pela Justiça.

As críticas se devem a uma série de atentados supostamente perpetrados pelos grevistas, como o que ocorreu na quinta-feira na Avenida Paralela, via expressa que liga o aeroporto ao centro de Salvador. Comandos ligados ao movimento entraram em dois ônibus, mandaram os motoristas e passageiros saírem e atravessaram os veículos na pista causando grande engarrafamento. Dezenas de radiopatrulhas também tiveram os pneus furados e quatro agências bancárias foram atacadas com tiros que estilhaçaram suas vidraças.

Resumo da história: toda esta baderna que eles agora condenam, quando foram oposição na Bahia, e até em São Paulo se acontecesse hoje como também vem acontecendo desde sempre com os tucanos no poder, acreditem, seriam eles quem estariam à frente liderando o movimento paredista e até cometendo os mesmo atos de vandalismo que agora reprovam.  Provavelmente, Suplicy ao lado de seus capangas delinquentes, ocuparia a tribuna do Senado para discursar com veemência contra a repressão ao legítimo direito de greve (mesmo que a greve fosse vazia de motivações).  O mesmo Suplicy e outros cúmplices de patifaria procurariam a mídia para espalhar a mentira, a discórdia, para caluniar  e, ainda se todo este comportamento estúpido fosse pouco, incitar o movimento de greve a resistir, exigindo das “autoridades” que se acovardassem e aceitassem a chantagem. Citei Suplicy como exemplo, porque este tem seu sido seu comportamento habitual, como poderia citar outros petistas, ou aquilo que vem lá do PSTU, PC do B, e outras tantas esquisitices e canalhices que se dizem de “esquerda”. Porque, inapelavelmente, todos se comportam pelo mesmo perfil, e o que se tem na Bahia em 2012 quando comparada com a mesma Bahia nos tempos em que eles todos foram oposição, em 2001, aconteceu e acontece em São Paulo, Rio Grande do Sul ou qualquer outro estado não alinhado politicamente à esta corja de bandidos, salafrários e mentecaptos. Não é apenas vergonha que lhes falta, não são apenas doentes mentais e da alma. São desequilibrados já no DNA pervertido que compõem  sua genética. Tanto que com eles, qualquer um deles, é impossível dialogar, quanto mais manter um diálogo minimamente racional e civilizado.  

O caso dos petistas, em especial Jacques Wagner, até de Lula, em 2001, é a prova provada de que, nada como um dia depois. O agora líder do movimento de greve, o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi perseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges.

- O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do sindicato, Nelson Souto. Na capital, foi recebido pelo então senador petista Cristóvam Buarque - disse.

Prisco disse que, além de Jacques Wagnes, teriam apoiado e contribuído para a greve de 2001 os parlamentares Nelson Pellegrino (PT), Moema Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alceu Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC). Segundo ele, a ajuda garantiu a estrutura necessária ao movimento, incluindo o fornecimento de alimentação para os grevistas.

Perguntinha: tem moral o senhor Jacques Wagner e o resto da cambada, estando agora no governo, para condenarem a mesma greve que um dia eles, em companhia de seus parceiros de vandalismo, incentivaram, patrocinaram e ajudaram a manter? Já nem me ocupo em analisar as declarações feitas, de modo irresponsável,  pelo senhor Lula em 2001. O espírito dele é o que impregnou o PT com esta moral vigarista em que o poder é tudo, e para atingi-lo todos os meios se justificam, sejam eles legais ou ilegais. O povo que se dane! 

O povo baiano merece respeito e solidariedade, assim como, de resto,  todos os brasileiros. Mas enquanto os petistas e seus parceiros de anarquia, continuarem impondo ao país sua moral porca, com um peso – o poder - e duas medidas – nós contra eles -, acreditem, cenas de violência como as vistas em Salvador nos últimos dias, tendem a se repetir. 

Em nenhuma hipótese, seja no governo de qualquer um, a greve, principalmente a de policiais, se justifica. Existem fóruns civilizados para se discutir as relações e se barganhar pleitos para os trabalhadores. Como também não se admite que policiais apontem suas armas para população indefesa. Mas, do caso presente, talvez o petismo tire uma dura e necessária lição, a de que a conquista do poder não pode servir de  pano de fundo para a prática de banditismo e anarquia, nem todos os meios são admitidos, sob pena e risco de um dia, no poder, precisar experimentar do próprio veneno.  

Que a Bahia sirva de lição para todo o país. Aliás, são muitas as lições a serem extraídas do que ali está acontecendo.   

Mudança em ministérios é 'natural', afirma Gilberto Carvalho. O que não é natural é serem tantas por corrupção

Comentando a Notícia

O senhor Gilberto de Carvalho, Secretário da Presidente da República, deve achar que a opinião pública, prelo menos grande parte dela, deve ser formada por arrematados imbecis, que acreditam na palavra oficial de uma autoridade, como se fosse a única e exclusiva expressão da verdade.

Aprendemos estes anos todos, principalmente com o petismo no governo federal, que  o oficialismo vai se tornando sinônimo de cinismo, quando não de coisa muito pior.

Aponte-me o senhor Gilberto Carvalho quando e com qual presidente, foi preciso remover em um ano, tantos ministros por corrupção. É claro que os tempos são outros, que a velocidade com que a informação chega à sociedade sobre atos praticados pelas autoridades é infinitamente mais rápida do que 50 anos atrás. Mas também os valores são outros, o grau de tolerância da sociedade ou de boa parte dela também é menor com a roubalheira, mas é certo que nunca tantos foram removidos de seus cargos acusados de corrupção e ações criminosas. Prefiro este adjetivo “criminoso” do que aquele com que o petismo  tenta disfarçar seu banditismo, usando crime como sinônimo de "mal feito". Mal feito? Uma ova, só se for pela má qualidade do crime praticado que, de tão ruim ou mal conduzido, deixou rastros e acabou descoberto. Mas, gostem ou não, queiram ou não, o ato de corrupção e outras safadezas hoje tão comuns no seio político, são crimes tipificados no códigos de leis do país, e não simples "mal feitos". SÃO CRIMES, SIM SENHORES!

Assim, quando o senhor Gilberto Carvalho, em entrevista ao programa "Bom Dia Ministro", afirma que as mudanças realizadas pela presidente na Esplanada seguem um "padrão normal, em que ela procura sempre buscar o melhor em cada uma das áreas do governo", não passa de pura lorota. Dilma bem que tenta resistir às denúncias. E mesmo quando as evidências são inquestionáveis, tentando fazer um jogo de resistência contra o que chamam de denuncismo da imprensa, acaba gerando uma crise política que tem paralisado a ação de seu governo. 

Com a saída de Negromonte do Ministério das Cidades, e às exceções de Haddad da Educação para concorrer à Prefeitura de São Paulo, e Nelson Jobim da Defesa, que pediu demissão após tecer duras críticas a auxiliares próximas de Dilma, são sete ministros que caíram não por extrema competência, mas por corrupção mesmo. E há que se registrar, também, que grande parte das acusações foram levantadas pela Imprensa, não pelos mecanismos de controle e fiscalização que, somente após as primeiras denúncias, é que acabaram se interessando pelo assunto e, fruto das investigações, corroboraram com tudo o que a imprensa já havia apurado.  

Disse ainda o senhor Gilberto Carvalho: "Nós entendemos que é natural que haja mudanças no ministério", citando o exemplo da saída de Fernando Haddad do ministério da Educação --ele deixou a pasta para se dedicar à campanha pela Prefeitura de São Paulo. Poderia o secretário ter acrescentado Nelson Jobim.  

A situação de Negromonte agravou-se na semana passada após a Folha revelar a participação dele e do secretário-executivo, Roberto Muniz, em reuniões privadas com um empresário e um lobista interessados num projeto do ministério.

O ministro ainda elogiou o PDT, cujo presidente, Carlos Lupi, deixou recentemente o Ministério do Trabalho após suspeitas de irregularidades na pasta. "A indicação será da presidenta sempre em consulta ao partido", afirmou Carvalho sobre o substituto de Lupi --desde sua saída, o cargo é ocupado por Paulo Roberto Pinto, antes secretário executivo.

Ora, o senhor Gilberto Carvalho pode elogiar quantos partidos quiser, afinal é do próprio jogo político a tentativa de prestigiar os partidos que compõem a base de apoio do governo. Contudo, o que não consegue explicar é a quantidade de ministros derrubados, em tão pouco tempo, com acusações variadas de corrupção e tráfico de influência, algo inédito na história republicana do país, e ainda apelar cinicamente para tentar nos fazer crer como algo “natural”. 

Natural seria se as saídas de suas excelências se dessem por outras razões como a de Haddad, e isto sim, em anos eleitorais, é muito comum e natural. 

Além disto, cai por terra a propalada capacidade gerencial da presidente, afinal, o ministério é dela, ela pode até não ter indicado alguns de seus ministros, mas aprovou e empossou os indicados, assumindo sobre eles a responsabilidade. Além disto, vai por água abaixo o espírito ético, porque os que caíram só foram demitidos diante da pressão da sociedade e com a paralisia governamental diante da crise política instalada mercê a resistência em mandar embora seus colaboradores suspeitos. 

E a fila dos desempregados não aumentou ainda mais, e mesmas razões, em razão da presidente resistir em demitir gente do próprio partido, caso de Pimentel da Indústria e Comércio, e Fernando Bezerra da Integração, diante da crise que se instalaria com o Eduardo Campo do PSB. 

Espera-se que, com ministério renovado, o governo Dilma comece de fato. Porque, como se viu até aqui, estes treze meses serviram apenas para administrar crises palacianas. 

Posso estar enganado, mas creio que dona Dilma tenha sido escolhida não apenas para isto. Acho que o país merece, precisa e espera que ela faça algo mais.

Aliás, como bem lembrou o Noblat em seu blog, “...Por que elogiar uma presidente que em 13 meses demitiu sete ministros suspeitos de corrupção? Deveria ser criticada por não saber escolher seus auxiliares”. 

Na mosca!!!