sexta-feira, setembro 24, 2010

A estupidez dos que defendem a censura

Adelson Elias Vasconcellos


Sinceramente, não iria dar a menor pelota para o evento promovido para defesa do tal controle social da mídia. Todavia, sendo a reivindicação, em si, algo pavoroso e estúpido, impossível não exercer o direito que eles ainda me permitem ter, para expressar a minha inconformidade, por ser este meu direito de cidadão. Por não ser jornalista, nem empregado de nenhum dos grupos, alvo da ira das esquerdas, nem estar vinculado a nenhum partido político, sinto-me tranquilo para opinar, pois creio que comungo das mesmas ideias defendidas pela maior parte da sociedade brasileira.

O movimento parte do pressuposto absurdo de que Estadão, Folha, Globo e Abril, leia-se Revista Veja, estariam mancomunados na tentativa de evitar a eleição de uma presidente, no caso Dilma Rousseff, e só por esta razão estariam noticiando fatos negativos do governo Lula, o que caracteriza para eles, um golpismo midiático.

Imaginar que houvesse uma possibilidade espúria de aliança destes quatro grupos, para deflagrarem uma ação conjunta com o objetivo de impedir a eleição de Dilma, já seria um flagrante delírio, quando não extrema má fé. Digam se é liberdade de informação a tentativa de se impedir que notícias ruins do governo Lula possam ser veiculados, apenas por conta do calendário eleitoral? Se esse é propósito do movimento, aí, sim, poderíamos falar em golpismo midiático, já que a imprensa estaria induzindo o eleitor ao erro, por sonegar-lhe informações indispensáveis para seu processo de escolha. Depois, no caso da violação dos sigilos fiscais, a Polícia Federal já indiciou, ATENÇÃO, 6 pessoas, sendo a primeira delas ré confessa, e isto porque o crime que se denunciou não passava de “um factoide” como assim definiu a própria Dilma. Já no caso do lobby montado dentro da Casa Civil, já não caíram a própria ministra Erenice Guerra e mais três assessores? Fossem todos inocentes, nem Lula se prestaria a imolar em praça pública gente de sua equipe. Por fim, os próprios empresários que o noticiário apontou como tendo sido extorquidos pelo lobby praticado pelo filho da ex-ministra, já confirmaram as denúncias noticiadas. Então, se as notícias se confirmaram em testemunhos, documentos e até pelas investigações até aqui feitas pela Polícia Federal, onde se caracterizaria o tal golpismo midiático que apontam?

É preciso ser um total ignorante do verdadeiro papel da imprensa e do significado do que seja liberdade de expressão, para negar-lhe o seu direito de fiscalizar e noticiar atos do governo federal. Não se pode confundir a origem operária de Lula e a origem acadêmica de Fernando Henrique, por exemplo, para conceder salvo conduto e tolerância para um, Lula, e despencar o máximo de críticas e condenações a outro, FHC.

Lula, não faz muito, em mais um daqueles momentos de descontrole emocional de palanque eleitoral, disse que o papel da imprensa é apenas informar, e não fiscalizar. Ora, acaso a imprensa não é uma das muitas entidades representativas da sociedade? E, sendo assim, não é um direito que assiste a sociedade fiscalizar os atos do governo de plantão, que ela própria escolheu pelo voto direito? Os arquivos da imprensa estão aí para desmentir e desarmar o tal golpismo com que se tenta mascarar ações inescrupulosas de governo, porque os fatos noticiados acabaram se confirmando. Então, onde se situa o tal golpismo? .

Mas a tolice toda não se resume apenas a esta visão distorcida da realidade, e que os principais grupos patrocinadores e idealizadores do movimento se agitam em torno da bandeira do “golpismo midiático”.

Uma das reivindicações da turma é o tal controle social da mídia. Pois bem, pergunto, quem executará o tal controle, e em que campos da mídia o mesmo será exercido? Porque falar em mídia não representa absolutamente nada, já que os veículos de comunicação se utilizam de diferentes linguagens. E aí você vai olhar a notícia e encontra coisas do tipo “... Luiza Erundina afirmou que "o controle social terá que acontecer". "É o estado que faz a outorga, a sociedade vai ter o controle". Pergunto a dona Erundina: a que tipo de outorga a senhora está se referindo? Rádio? Televisão? Imprensa escrita? Internet? Todas as alternativas anteriores? Qual, cara pálida?

Então vejamos: rádio e televisão são concessões dadas pelo Estado, certo? Neste caso, pergunto, por que é o Estado quem dá concessão, estes canais de comunicação ficam impedidos de veicular matérias que denunciam mal feitos pelo governo? É isto? E se mudar o governo, e ele for de oposição ao governo anterior, o outorgante, aí tá liberado, pode “matar a pau”? Dê a senhora Erundina e todos os que comungam desta ideia bestial o apelido que quiserem, mas isto é CENSURA. A mídia utilize-se de qualquer canal, com ou sem concessão, pratica o que na constituição é definido como liberdade de expressão, e querer aplicar-lhe um tapa-olho, para que ela só enxergue e noticie coisas favoráveis ao governo plantão, em qualquer lugar do mundo decente e democrático, é chamado de CENSURA, ou, se preferirem, imprensa chapa branca, o que dá no mesmo.

Sigamos: e quanto à imprensa escrita, pergunto, ela existe por concessão ou se trata de uma atividade privada como outra qualquer? Também aqui, apesar de ser exercida por entes privados, se praticará o tal controle social que, como vimos acima, não passa de CENSURA disfarçada, porque cerceia a liberdade de expressão?

Ora, convenhamos, no caso da imprensa escrita a coisa ainda fica pior quando não se encontra um único impedimento legal para a atividade jornalística. Qualquer empresa ou cidadão está livre para fundar seu próprio jornal ou revista. Ou não? Quantos e quantos jornais de bairro – ou comunidades como se pretendem chamar os bairros onde morem os mais pobres da população – circulam livremente, uns simpatizando com o governante de plantão, e outros de linha editorial totalmente contrária? Aqui também se pretende implantar o tal controle social? E os jornais das cidades do interior? E também não interessa que a empresas sejam familiares ou não, onde está escrito que não podem?

Ora, senhores, em qualquer sociedade livre e democrática, a liberdade de pensamento e de expressão, contra ou favor de governos, é a extensão suprema da cidadania. Querer colocar a atividade no cabresto, definindo-lhe que notícias devem ou não veicular, além de ferir frontalmente dispositivos constitucionais e consagrados mundialmente, chega a ser patético. Apontem quais países, livres e democráticos, se pratica o tal “controle social” sobre a imprensa livre? Quais? Inversamente, tal procedimento é facilmente encontrado e identificado em países totalitários, onde a mídia, regra geral, é praticada pelo próprio governo e só divulga o que lhe convém, os fatos que lhe são positivos, escondendo da sua população as maracutaias, os compadrios, o fisiologismo, a corrupção, o desvio de dinheiro público sempre canalizado para benefício exclusivo e sórdido de seus atores inescrupulosos.

Tais entidades se arvoram em juízes da sociedade sem que tal função lhes tenha sido outorgada. Tais entidades podem até serem representativas de parcelas da sociedade, e são, mas jamais podem se adjudicar como sendo eles a voz única da própria sociedade, que é livre para se expressar, contra ou favor. E por ser ela, a sociedade, a única e verdadeira dona do país onde tem existência, també, lhe assiste o direito de escolher seu próprio destino. Quantos e quantos atos criminosos só vieram à tona pelo simples fato de se ter liberdade de imprensa? E aí é que começa a contradição deprimente desta gente: quando tais atos criminosos diziam respeito a seus adversários políticos, tais “representantes” viam a imprensa como entidade de utilidade pública. Bastou, contudo, noticiar a ação desonesta praticada por gente de seu clube, para então encararem a verdade que se noticia como fruto de golpismo midiático.

Não, senhores, não resistem em pé nenhuma das aberrações com que se tentam implantar o controle editorial dos veículos de comunicação! Isto é cercear a liberdade de expressão para rendê-la e submetê-la ao servilismo, ao oficialismo de conveniências. É chapa branca sim, é censura sim, gostem ou não, dê-se outro nome qualquer para mascarar a agressão ao direito natural e universal de todo cidadão em ter acesso à informação, seja ela boa ou ruim.

E, se tudo quanto se disse até aqui, ainda não bastasse para por abaixo estes entendimentos e conceitos retrógrados, com que tentam justificar o que no fundo não passa de censura, há um outro aspecto ainda muito mais grave e que desmorona inclusive o próprio movimento: quais entidades, que ora se perfilam para agitar a bandeira do controle social, são financiadas com dinheiro público? Quais não são? Quantas têm exclusivamente filiados de partidos de uma única ideologia, a de esquerda, dentre seus integrantes? E por que, quando o governo era outro, e também se noticiavam atos de corrupção, tais movimentos ficaram absolutamente dóceis e passivos ao noticiário? Porque, a desqualificação e a desmoralização de adversários políticos, lhes era conveniente? Façam o favor, ponham sua hipocrisia no saco e vão cantar em outra freguesia a sua estupidez totalitária.

O senhor Altamiro Borges, presidente de uma das entidades organizadoras do tal movimento, chega ao cúmulo de afirmar que não está sendo proposto um "controle de mídia, termo já estigmatizado", mas sim "que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista."

Torno a perguntar: onde está escrito que ninguém pode inaugurar seu próprio jornal neste país?Onde? Quantas empresas jornalísticas existem espalhadas Brasil afora, independente de seu porte? Não há nada mais plural do que isto: TODOS ESTÃO LIVRES PARA FUNDAR SEU PRÓPRIO JORNAL, em qualquer estado e em qualquer cidade. Todos estão livres para exercitarem a linha editorial que bem entenderem, e tratar dos assuntos ou temas que melhor lhes convier, sejam políticos, esportivos, culturais, de filosofia, de psicologia, de moda, de religiões, ou até de cunho profissional, como medicina, direito, economia, administração, etc. Basta que se chegue em qualquer banca de revistas e jornais, para se saber que a comunicação no Brasil é pluralista e, por enquanto, democrática. E digo “por enquanto”, porque os controles sociais da mídia de que falam as entidades que defendem a ideia, ainda não vigoram. E não vingaram não por concessão de seus defensores, é porque a própria sociedade brasileira repudia tais movimentos e tem sido suficientemente forte para resistir e repelir as tentativas de cercearem um direito que é seu.

E, mesmo as empresas cuja existência dependa de concessão ou outorga do Estado, basta que atendam sua função social de informar e entreter, sem cunhos ideológicos partidários de espécie alguma, sem cabresto, porque a partir do momento em que o Estado – e não a sociedade como se tenta impor para mascarar a patifaria do argumento em favor da censura – tenta “guiar” as linhas de informações sobre esta ou aquela régua, gostem ou não, isto na prática e em linguajar popular se chama CENSURA.

Não reconheço em nenhuma destas entidades que, relembro, todas bancadas com dinheiro público, moral e em quantidade suficientes para se arvorarem em representantes da sociedade brasileira. O que se tem é um seleto grupo de militantes políticos disfarçados em “entidades sociais”, pregando o viés ideológico partidário de uma só bandeira, posando de democráticos, quando não passam de verdadeiros lacaios e capachos de um regime que se quer totalitário, defendendo a ideia de que, do governo comandado pelo seu partido, não se pode noticiar nada de ruim. Querem escolher as noticias que serão entregues para a sociedade conhecer, exatamente dentro do mesmo roteiro e com as mesmas justificativas tortas e porcas com que a repressão da ditadura Vargas e, anos mais tarde, os censores da ditadura militar, praticaram contra o direito à informação, e que nos custaram o atraso intelectual em que foi mergulhado mais de 80% da população brasileira.

Comunicação social, marcantemente democrática e plural, é a que se pratica presentemente em nosso país. Portanto, fica claro que o propósito que, cinicamente, não se confessa no seio deste movimento retrógrado e está explicitamente definido e pretendido, é o de retroagir no tempo para implementar políticas de escuridão e mentiras. Em nome de uma pretensa modernidade, o que se quer e o que se defende é a prática mais descarada de lavagem cerebral.

Tais entidades representam aquilo que são, entidades específicas de uma parcela diminuta da sociedade, mas nunca são ou serão a própria sociedade em si. Ao atacarem grandes veículos de imprensa, demonstram muito mais seus ressentimentos e inveja do que um fiel desejo de se ampliar as liberdades já existentes. Nenhum dos órgãos visados nasceu pronto e acabado. Tornaram-se importantes e influentes por seus próprios méritos e pelo esforço e competência do conjunto de seus profissionais. Pelos mesmos caminhos que trilharam apesar da repressão e tirania que enfrentaram, a exemplo do jornal O Estado de São Paulo, invadido e tomado por censores, tendo enfrentado dois períodos ditatoriais, é dado e permitido seguir quem assim o desejar. Se tiverem méritos, a sociedade os acolhe e lhes permitirá crescer.

Portanto, o melhor é que tratem de não invejar o sucesso alheio, basta trabalharem com competência e honestidades de propósitos, e acabarão tão ou mais reconhecidos e respeitados, como atualmente são os grupos do Estadão, da Folha, de O Globo e da Abril. E se desejarem como imprensa livre terem tanto sucesso e influência quanto aos grupos que hoje são alvos de vosso ódio, não lhes neguem o direito que lhes assiste de informar com liberdade com que atualmente cumprem sua missão, porque no fundo, o mote condutor de movimentos como os que são defendidos pelo senhor Altamiro Lopes, é um só: castrar da sociedade o direito à verdade sobre si mesma. E isto tem nome, e não é democracia.

Um passo além do peleguismo

O Estado de S.Paulo

Estejam todos avisados: o governo tem pressa, decidiu instalar até novembro o Conselho de Relações do Trabalho (CRT) e não vai admitir atrasos. A advertência é do ministro Carlos Lupi. Se até o começo de novembro alguma confederação patronal ou central sindical não tiver indicado os nomes de sua representação, ele cuidará do assunto, consultando, segundo seu critério, "entidades sindicais de grande projeção e representatividade". O alerta está no parágrafo primeiro do artigo 11 da Portaria n.º 2.092, assinada pelo ministro do Trabalho em 2 de setembro.

Dificilmente alguma central ou confederação deixará de indicar os nomes no prazo fixado - até o começo de outubro - para a instalação do conselho no mês seguinte. Seus dirigentes podem até achar boa a ideia da criação de mais esse órgão, mas a advertência, ou ameaça, não deixa margem para dúvida. Sugerida ou não por entidades sindicais, derivada ou não do Fórum Nacional do Trabalho instalado em 2003, a criação do CRT é agora uma decisão de governo e constitui, claramente, parte de um projeto de poder.

O Fórum foi constituído em 2003, no início da primeira gestão do presidente Lula, para esboçar um projeto de reforma sindical e trabalhista. Representantes de empregados e empregadores foram chamados para discutir o assunto com dirigentes e burocratas do Ministério do Trabalho. Desse esforço resultou a Proposta de Emenda à Constituição n.º 369, de 2005, concebida, segundo seus autores, para modernizar a atividade sindical e o tratamento das questões trabalhistas. A proposta chegou à Câmara dos Deputados em março de 2005 e a tramitação foi interrompida em março de 2008. O assunto foi abandonado há dois anos e meio. O governo, seu partido e seus aliados parecem haver perdido o interesse em qualquer aspecto modernizador daquele projeto.

Mas houve mudanças na relação entre governo e sindicatos nos anos seguintes. A administração petista conseguiu estender às centrais sindicais as benesses do imposto sindical. A partir daí, as centrais passaram a lutar pelo domínio do maior número possível de sindicatos, no esforço para conseguir parcelas maiores do imposto.

Sindicatos chegaram a mudar de central mais de uma vez, nos últimos tempos, leiloando sua adesão em troca de vantagens. Nunca antes na história deste país o peleguismo foi tão descaradamente guiado pelo fisiologismo.

Que as centrais sindicais defendam a criação do CRT é compreensível. Algumas dessas organizações não são, hoje, mais que extensões do governo, tal como concebido e moldado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os principais colaboradores de seu projeto de poder.

Mas as confederações patronais, ao que se informa, também apoiam o projeto e estão dispostas a participar do empreendimento. O CRT deverá, segundo a portaria, apresentar estudos e subsídios para a formulação de anteprojetos de lei, de outros atos normativos e de programas e ações governamentais. Na prática, não podem rejeitar o chamado, porque o governo já decidiu constituir o conselho e, como esclareceu o ministro no texto da portaria, tomará providências para nomear representantes de cada lado, se as confederações e centrais não o fizerem.

A própria ideia de um organismo tripartite já desperta justificadas apreensões. Em princípio, empregadores e empregados deveriam ser capazes de cuidar de seus interesses, dentro dos limites da lei e com recurso à Justiça ou a outro canal de mediação, quando o acordo é difícil.

Quando se fala de um conselho "tripartite", o dado importante não é a referência a trabalhadores e empregadores, porque são os participantes originais do jogo. O dado politicamente importante é a inclusão oficial do governo - a terceira parte - na mesa das conversações. A portaria também se refere a câmaras bipartites, mas um dos participantes dessas câmaras será sempre o governo, por meio do Ministério do Trabalho.

A preocupação do governo obviamente não é com a modernização das relações do trabalho, mas com a consolidação de sua presença e de sua dominação nesse jogo.

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Manchete 1 da edição do jornal carioca Extra desta sexta-feira: "Bonito, hein, Lula... - Essa é a manchete para os que acham que o dever da imprensa é fiscalizar o governo..."

Manchete 2: "Lula é bonito - Essa é a manchete para os que acham que o papel da imprensa é bajular os donos do poder..."

Liberdade até para os estúpidos

Ronald de Carvalho – Blog do Noblat

A liberdade de imprensa se aprimora pela liberdade de errar. Jornalista não é policial, alcagüete, meganha de quartel nem delator. Sua função na sociedade é a de vigilante dos princípios éticos que sustentam as instituições.

É possível que algumas vezes, do alto da gávea, se possa bradar um “terra à vista” sem que haja terra ou se a vista estiver embaçada. Entretanto, com certeza há gaivotas no céu.

Em 40 anos de profissão, já cometi muitos erros e vi muitas imprecisões serem cometidas por jornalistas da minha geração. Apesar disso, jamais se cometeu uma infâmia. A imprensa pode ser imprecisa, mas jamais, cega, surda ou idiota. Quando comete um erro, corra, porque atrás da meia verdade dorme a verdade inteira.

O jornalismo é um vigilante de seu tempo. Cabe a ele escarafunchar o ilícito para que a Polícia, o Ministério Público e a Justiça cheguem à verdade da transgressão. Não exijam que uma reportagem seja perfeita. Ela foi feita para cometer erros.

Aos poderes públicos, pertence a função de corretor de ortografia da verdade. Todos os grandes escândalos comprovados nos últimos tempos, quando denunciados, continham erros que quase desmereciam a denúncia.

Entretanto, a partir da imprecisão, a Justiça lavou a roupa e encontrou as nódoas que envergonhavam a sociedade. Assim foi com Collor: a cascata da Casa da Dinda era uma cascatinha de jardim e, portanto, a capa da revista era cascata. Desse erro chegou-se à quadrilha de extorsão.

Da mesma forma foram as denúncias de Carlos Lacerda contra o bando liderado por Getúlio. O fato inicial não era verdade, mas chegou-se a Gregório Fortunato e a história mudou de rumo.

Aparentemente, os aloprados de São Paulo que pretendiam comprar um dossiê que incriminava seus adversários, era uma malvada invenção da imprensa. Entretanto, uma foto retratando um morrote de dinheiro ilustrou a primeira página dos jornais e jogou uma eleição presidencial para o segundo turno.

Assim é a imprensa: se nutre do erro, para cevar a verdade. Aos tiranos ocorre o pavor à liberdade de errar para que, pelo silêncio, manipulem a verdade. Nesta penúltima semana de setembro, a revista Veja publica um artigo do sociólogo Demétrio Magnoli que é aula a quem pretende exercer, eleger, entender ou criticar o poder.

O título A Liberdade Enriquece mostra a conservadores, revolucionários, mentes lúcidas ou idiotas em particular que a liberdade de expressão transita por qualquer regime que realmente procure a justiça das sociedades.

Rosa de Luxemburgo, a Passionária polonesa que tanto inspirou as esquerdas do século vinte, é citada para reproduzir um mantra que define a liberdade. ” Liberdade somente para os partidários do governo não é liberdade. Liberdade é sempre a liberdade daquele que pensa de modo diferente”.

Como se não bastasse tamanho soco que nos faz acordar para a responsabilidade social, o artigo nos premia com a pérola de uma frase, que se bem pensada, nos leva à emoção: “Liberdade não é um artigo de luxo, um bem etéreo, desconectado da economia. Liberdade funciona, pois a criatividade é filha da crítica”.

Enquanto isso, nos porões da estupidez e na catacumba da inteligência há quem continue a afirmar que há excesso de liberdade de expressão no Brasil e que aqueles que estão no poder são a opinião pública.

Leiam, estudem, pois ainda há tempo.

A liberdade também foi feita para os estúpidos.

Entidades e partidos criticam 'golpismo midiático' e defendem controle social da mídia

Jair Stangler - Estadão.com

Para jornalista, imprensa é parcial ao cobrir as eleições; ex-prefeita Luiza Erundina vê 'marcatismo' na ação da mídia

Em ato realizado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 23, partidos e entidades criticaram o que chamam de 'golpismo midiático' e defenderam o 'controle social' da mídia. Estiveram presentes ao ato representantes da coligação que apoia a candidata Dilma Rousseff (PT) e de centrais sindicais, além de outras entidades.

Representando o PSB, a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que foi ovacionada pelos presentes, acusou Macartismo na imprensa e afirmou que "o controle social terá que acontecer". "É o estado que faz a outorga, a sociedade vai ter o controle", afirmou.

Para ela, o 'golpismo midiático' se explica porque "deu certo o governo do primeiro presidente operário e porque vamos eleger a primeira mulher presidente do Brasil". E acrescenta "vamos ficar vigilantes, eles vão tentar tudo."

Cobertura 'enviesada'
Altamiro Borges, que preside Centro de Estudos de Mídia Independente Barão de Itararé, entidade que organizou o ato, esclareceu confusão que teria ocorrido na divulgação do evento. Segundo ele, o ato não foi contra a mídia. Segundo ele, parte da imprensa (os debatedores, em geral, citavam o Estado, a Globo, a Folha e a Abril), faz uma cobertura 'enviesada' "Claro que tem que apurar o caso da Erenice Guerra, mas não falam dos problemas da filha do Serra. Porque isso não dá manchete?", diz referindo-se à denúncia feita pela revista Carta Capital, que acusa Verônica Serra de ter violado o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.

Ele afirma que não está sendo proposto um "controle de mídia, termo já estigmatizado", mas sim "que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista."

Para ele, quem é contra a imprensa "são os donos das empresas, como já foram no passado ao defenderem o golpe, ao defenderem a ditadura. Continuam sendo ao defenderem golpe na Venezuela, em Honduras." Além disso, "eles fazem uma confusão grotesca, ao confundir liberdade de expressão com liberdade de imprensa e liberdade de imprensa com liberdade de empresa. Então o monopólio tem liberdade para mentir, para dissimular, para caluniar e nós não podemos fazer nem uma manifestaçãozinha?", questiona.

Ele teme que as denúncias surtam efeito no processo eleitoral. "A eleição não está decidida, quem colocar salto alto pode se arrebentar. Acaba surtindo efeito no setor médio da sociedade, que é muito influenciada pelo noticiário. Em 2006, esse setor médio, naquela onda de denúncias dos aloprados, conseguiu reverter quase 5% dos votos. Foi o que forçou o segundo turno".

Para ele, há dois fatores para que essa influência não seja maior. Primeiro, a comparação com o governo FHC e a constatação de que o governo Lula seria melhor. E além disso, a disseminação de outros blogs e outras fontes de informação que acabam fazendo um contraponto. Altamiro classifica setembro de 2010 como um dos períodos 'mais tristes da imprensa brasileira' e qualifica sua ação como 'nojenta'. Altamiro vê quatro objetivos centrais nessa ação: garantir o segundo turno; estancar a 'onda vermelha' nos Estados, que mudaria a composição do Congresso; deslegitimar um eventual governo Dilma; e tornar o eventual governo Dilma refém da agenda da mídia.

"Local para o debate é o sindicato"
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e secretário geral da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Augusto Camargo, também teceu críticas à atuação da mídia, que segundo ele, "distorce e divulga opiniões como fatos." Ele também defendeu a realização do evento na sede do Sindicato. "A sociedade sabe que o local para o debate é o sindicato", afirmou.

Já Gilmar Mauro, do MST, foi mais irônico. 'O dia que Folha, Estadão, Abril e Globo falarem bem, nós estamos errados", afirmou. Ele também afirmou que o comportamento da mídia é um aviso para que o governo promova a "democratização da mídia".

A fraude vergonhosa do Ministério da Cultura

Comentando a Notícia

Encarregada pela escolha do filme brasileiro a ser indicado para concorrer ao Oscar 2011, o Ministério da Cultura, demonstrando todo o espírito “democrático” de que é tomado, resolveu abrir uma enquete ao público brasileiro, para que ele indicasse qual filme de sua preferência deveria ser o indicado a ser nosso representante.

Recentemente, o Ministério publicou em seu site o resultado da enquete. Leiam a nota, volto depois.

Filme “Nosso Lar” é o vencedor de enquete

Por meio de uma enquete que ficou disponível no site do Ministério da Cultura entre os dias 8 e 20 de setembro, o público elegeu “Nosso Lar” como o filme brasileiro que gostaria de ver concorrendo ao Oscar 2011. No total, a enquete recebeu quase 130 mil votos. O filme preferido pelo público obteve quase 89 mil votos, o equivalente a 70% da votação.

O resultado será uma indicação para auxiliar a Comissão de Seleção (composta por membros indicados pelo MinC, pela SAv, Ancine e Academia Brasileira de Cinema) na decisão de qual filme brasileiro recomendar para concorrer ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira, no Oscar 2011.

O objetivo desta enquete foi o de estimular as pessoas a assistirem a produção nacional de cinema, apontando seus filmes favoritos.

A Comissão de Seleção se reunirá na próxima quinta-feira, dia 23 de setembro, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Às 12h00, fará o anúncio do longa escolhido, seguido por uma coletiva de imprensa.

Confira a votação:

1. Nosso Lar - (70,0%, 88.894 Votos)
2. Chico Xavier - (12,0%, 14.881 Votos)
3. Os Famosos e os Duendes da Morte - (8,0%, 10.437 Votos)
4. O Grão - (2,0%, 2.431 Votos)
5. Antes que o mundo acabe - (2,0%, 2.035 Votos)
6. Lula, o Filho do Brasil - (1,0%, 1.646 Votos)
7. Cinco Vezes Favela, Agora Por Nós Mesmos - (1,0%, 1.227 Votos)
8. As Melhores Coisas do Mundo - (1,0%, 1.147 Votos)
9. Utopia e Barbárie - (1,0%, 843 Votos)
10. Carregadoras de Sonhos - (1,0%, 659 Votos)
11. O Bem Amado – (0,0%, 582 Votos)
12. Reflexões de um Liquidificador - (0,0%, 520 Votos)
13. Em Teu Nome – (0,0%, 448 Votos)
14. É Proibido Fumar – (0,0%, 423 Votos)
15. Bróder - (0,0%, 375 Votos)
16. Quincas Berro D’água - (0,0%, 350 Votos)
17. A Suprema Felicidade - (0,0%, 202 Votos)
18. Olhos Azuis - (0,0%, 182 Votos)
19. Sonhos Roubados - (0,0%, 163 Votos)
20. Hotel Atlântico - (0,0%, 70 Votos)
21. Os Inquilinos - (0,0%, 62 Votos)
22. Cabeça a Prêmio - (0,0%, 56 Votos)
23. Ouro Negro - (0,0%, 54 Votos)

(Assessoria de Comunicação SAv/MinC)

VOLTEI:
Pois bem, vejam lá: a enquete recebeu quase 130 mil votos, o que não é pouco, e o filme “Nosso Lar” foi o preferido do público recebendo 70,0% de preferência. Filme com retumbante sucesso de crítica e bilheteria, “Nosso Lar” seja pela abordagem do tema, quanto pela qualidade de sua produção, teria, portanto, amplo apoio do público brasileiro se fosse o indicado.

Porém, contrariando a expectativa do público, e traindo completamente sua própria enquete, adivinhem qual filme foi o escolhido? Adivinhou: “Lula, o filho do Brasil”, que aparece na enquete em modestíssimo 6º lugar, com inexpressivos 1,0% de votos e que, na bilheteria, sequer atingiu 50% de público que o filme “Nosso Lar” recebeu em tão pouco tempo, e com muito menos “apoio oficial”.

Não só isso: o filme, “Lula, o filho do Brasil”, foi duramente criticado pela abordagem pasteurizada com que narra a biografia do “Cara”. E para que não se diga que estamos sendo preconceituosos, leiam a crítica que o filme recebeu na vizinha Argentina:

"A incrível história de vida de Lula da Silva merecia um filme melhor, mais interessante e mais profundo que 'Lula, el hijo del Brasil'".

Esta é a avaliação da crítica Natalia Trzenko, publicada nesta quinta-feira no jornal argentino "La Nacion", sobre o filme "Lula, o filho do Brasil", de Fábio Barreto, que está estreando em Buenos Aires.

"Cada episódio da vida do presidente do Brasil é mostrado como se fosse um manual de História escrito por seu biógrafo oficial", continua a crítica, que deu ao filme a cotação "regular". O roteiro é considerado "limitado e superficial" pela crítica, que só livrou a cara de Gloria Pires, que, na avaliação do jornal, interpreta "com maestria" o papel de dona Lindu.

Na nota do Ministério da Cultura disponível em seu site que informou ao público o indicado a representar o Brasil no Oscar, na categoria Melhor Filme Estrangeiro, também se pode ler os comentários que não pouparam de críticas a escolha, como também alguns ficaram indignados em razão de que o resultado enquete, promovida pelo próprio Ministério, acusara uma preferência diferente pelo público. Se, na hora da escolha, a opinião de público e crítica é solenemente ignorada, se no resultado da enquete popular o escolhido aparece em modestíssima 6ª colocação, para que a enquete, então?

Quando se noticiava sobre qual filme brasileiro seria indicado para nos representar, em um grupo de amigos, afirmei categoricamente que se tratava de um joguinho de cartas marcadas, tipo aquelas licitações viciadas que neste governo são costumeiras, e que servem apenas para enganar bobo, porque duvidava que alguém do Ministério da Cultura fosse escolher outro filme que não o do Lula.

Repito: se o critério de escolha como o próprio Ministério informou foi o “...que nos pareceu mais bem feito...”, que não quer dizer absolutamente nada, o próprio Roberto Farias acabou não deixando dúvidas quanto ao verdadeiro motivo pela escolha feita, ao afirmar que “...Nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida...”. E daí, isto torna o filme melhor?

Abaixo leiam a nota do Ministério da Cultura informando a escolha do nosso representante no Oscar, frustrando de forma absoluta uma preferência de público, tanto na enquete realizada pelo próprio ministério, quanto ao que se vê nas bilheterias. Até pode acontecer doo filme do Barreto ser premiado, o que não invalida o fato de que se trata de uma produção fraca, com enredo fraco e superficial, assim também entendido pela crítica.

Fica claro que o Ministério da Cultura se orientou em sua escolha pela politicagem rasteira, aquilo que popularmente chamamos de “babação de ovo”, e não por critérios técnicos. E, mesmo contando com amplos incentivos, divulgação e publicidade, um filme que narrava a vida de um presidente popular, não conseguiu sequer atrair a atenção dos próprios correligionários de Lula. E olha que só faltou distribuírem ingressos de graça.

Não faz nem se pratica cultura, senhor Ministro, mediante bajulação servil ao poder. Até pelo contrário.

Segue a nota do Ministério do Culto ao Poder.

"Lula, o Filho do Brasil" concorrerá à indicação de Melhor Filme em Língua Estrangeira

O presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias, anunciou que, por opinião unânime da Comissão de Seleção, o longa-metragem “Lula, o Filho do Brasil” (dir. Fábio Barreto; Brasil, 2009) vai concorrer a uma indicação à categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, na 83ª Premiação Anual, promovida pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences - Oscar 2011. A decisão foi divulgada no final da manhã desta quinta-feira (23), na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

“Votamos no filme que nos pareceu mais bem feito, que honra a cinematografia brasileira e tem como atriz Glória Pires, que se torna uma excelente candidata ao prêmio de Melhor Atriz”, explicou Roberto Farias. “Nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida”, completou.

Agora o filme concorrerá com produções de mais de 95 países à indicação final. Os cinco longas selecionados para concorrer ao Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira serão anunciados em 25 de janeiro de 2011. A cerimônia de premiação será realizada no dia 27 de fevereiro de 2011.

Ao todo, 23 filmes brasileiros disputaram a chance para tentar uma vaga em um dos prêmios mais cobiçados da sétima arte foram: “A Suprema Felicidade”, “Antes que o Mundo Acabe”, “As Melhores Coisas do Mundo”, “Bróder”, “Carregadoras de Sonhos”, “Cabeça a Prêmio”, “Cinco Vezes Favela - Agora Por Nós Mesmos”, “Chico Xavier”, “É Proibido Fumar”, “Em Teu Nome”, “Hotel Atlântico”, “Lula, o Filho do Brasil”, “Nosso Lar”, “O Bem Amado”, “O Grão”, “Olhos Azuis”, “Os Inquilinos”, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, “Ouro Negro”, “Quincas Berro D’água”, “Reflexões de um Liquidificador”, “Sonhos Roubados” e “Utopia e Barbárie”.

Comissão de Seleção
Este ano, pela primeira vez, a Comissão de Seleção foi ampliada e o Ministério da Cultura não foi a única instituição a indicar os membros dessa comissão que escolheu o concorrente brasileiro. O grupo é composto por nove representantes, indicados pela Academia Brasileira de Cinema (ABC), Agência Nacional de Cinema (Ancine) e pelo Ministério da Cultura (MinC). Veja a lista:

• Roberto Farias - Cineasta, presidente da Academia Brasileira de Cinema
• Clélia Bessa - Produtora de cinema e professora da PUC-RJ
• Elisa Tolomelli - Produtora, diretora e roteirista de cinema
• Mariza Leão Salles de Rezende - Produtora de cinema e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual do Rio de Janeiro (SICAV)
• Leon Cakoff - Crítico de cinema, criador e diretor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
• Márcia Lellis de Souza Amaral (Tata Amaral) - Cineasta
• Cássio Henrique Starling Carlos - Jornalista e crítico de cinema
• Frederico Hermann Barbosa Maia - Assessor do Ministério da Cultura
• Jean Claude Bernardet - Cineasta, crítico cinematográfico, escritor, teórico e professor da UnB e da USP

O filme
Lançado oficialmente no dia 1º de janeiro de 2010, “Lula, o Filho do Brasil” conta a trajetória pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (interpretado por Rui Ricardo Diaz) desde seu nascimento, em 1945, quando, no sertão pernambucano, Dona Lindu (Glória Pires), uma mulher simples e de fortes valores morais, dá à luz o seu sétimo filho, Luiz Inácio da Silva, e enfrenta o abandono do marido e as dificuldades de criar seus filhos sozinha na “cidade grande”. Em 1980, Lula se torna o maior líder sindical do país e emerge como uma força política renovadora. Uma vida marcada por dificuldades, perdas e uma notável capacidade de superação.

“Lula, o Filho do Brasil” conta a saga da família Silva, semelhante a de tantas outras famílias Silva do Brasil. Ainda no elenco: Cléo Pires (no papel de Lurdes), Juliana Baroni (Marisa Letícia), Milhem Cortaz (Aristides), Lucélia Santos (Professora) e Antônio Pitanga (Seu Cristóvão), entre outros.
(Comunicação Social/MinC)

Sinais trocados

Villas-Bôas Corrêa, publicado no blog do jornalista

Este Blog nasceu de um presente do meu filho Marcos de Sá Corrêa, com a generosa intenção de estimular o pai octogenário a usar a Internet. Com sessenta anos de profissão, sempre batucando com os indicadores que entortaram, resisti à rendição a Internet. E hoje não quero outra ida. O Blog veio depois, boiando em água mansa. E foi uma extraordinária experiência.

Os colaboradores foram chegando um a um. E com eles o saudável hábito do diálogo, sempre cordial e respeitoso. Para a mais estimulante das surpresas, em poucos meses chegamos a mais de 60 mil acessos (acessos, não necessariamente leitores). Cultivei o que virou mania de entrar na conversa e fui criando amigos que não conheço pessoalmente, nem de retrato.

Não sei quantos somos. Mas, até a campanha eleitoral mergulhar na cloaca da baixaria, com o presidente Lula desatinado, não se sabe porquê, se a sua candidata Dilma Rousseff, depois da passagem pela chefia da Casa Civil, na gerência da ex-ministra Erenice Guerra, com licitações viciadas e outras proezas notórias, continua liderando as pesquisas, mesmo perdendo alguns pontinhos, mas com o José Serra a léguas de distância.

Se não é o caso de um distúrbio mental, por estafa da campanha, não encontro explicação para a virada pelo avesso. A ardorosa defesa da censura a imprensa, carimbo da ditadura, pegou como moléstia contagiosa até em amplos setores da mídia impressa e televisiva. Passeatas, manifestos, declarações, a praga corre o país e ensandeceu o PT.

É claro que depois de passar por duas ditaduras, a do Estado Novo e a ditadura militar dos cinco generais-presidente, não me daria ao ridículo de apoiar este ensaio de um governo forte. E que sempre se emporcalha na roubalheira. Como as últimas que detonaram a sucessora de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra e pipocam nas denúncias em cascata.

E até neste modesto Blog, visitantes entraram pelos fundos e sem a menor cerimônia. Passaram do deboche à grosseria, na defesa do iluminado guru Lula da Silva e da sua candidata, imposta de cima para baixo, sem nunca ter recebido um voto.

Não vou me expor ao ridículo de expulsar os intrusos. Cada um reagirá como quiser.

No que me toca, terei o cuidado de não ler provocações nem me irritar com bestialógicos. E continuarei a defender a liberdade de imprensa, sem a qual não há democracia e a exercer o dever da análise crítica, uma marca da minha geração que é a do Carlos Castello Branco, do Heráclio Salles, do Odylo Costa, filho; do Benedito Coutinho, do Murilo Mello Filho, do Wilson Figueiredo, do Prudente de Morais Neto; da Dora Kramer, do Ricardo Noblat, do Ferreira Gullar, um dos maiores poetas do mundo e uma centena de jornalistas que honram a profissão.

Esta onda golpista vem e passa. Desta vez, os militares não repetem o erro e o desgaste do Estado Novo e da ditadura militar.

Suspensa a decisão sobre a validade da Ficha Limpa



Depois de uma acalorada discussão sobre como deveria ser feito o desempate no julgamento da validade da Lei da Ficha Limpa, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram na madrugada desta sexta-feira (24) suspender o julgamento.

O debate entorno da aplicação das novas regras de inelegibilidade teve início nessa quarta-feira (22).

Ainda não foi estabelecido nenhuma nova data para o retorno do julgamento. Dessa forma, a aplicação da Lei da Ficha Limpa para esse ano ainda é uma incógnita.

"Vamos nos reunir para decidir o que vamos fazer", disse o presidente do Supremo, Cezar Peluso, após a sessão.

Antes da suspensão, os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie se pronunciaram a favor de manter o entendimento feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ou seja de que as novas regras valem para esse ano.

Já os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes defenderam a tese de esperar a indicação do 11° ministro. Essa idéia também chegou a ser considerada por Peluso. Mas no fim ficou decidido pela suspensão.

Dessa forma, o candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC) autor do recurso que contesta a Lei permanece com registro “indeferido com recurso”. Ou seja apto para disputar as eleições de outubro.

A divisão entre os ministros que gerou o empate em 5 a 5 ficou da seguinte forma:

De um lado, os ministros Ayres Britto, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie avaliaram que as novas regras não alteram o processo eleitoral e por isso valem para este ano.

Do outro, os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Cezar Peluso (presidente) consideram que a lei interfere no processo eleitoral e por isso não valem para esse ano.

As dúvidas acerca do uso do FSB se acumulam

O Estado de S.Paulo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou muito sobre a decisão de permitir ao Fundo Soberano do Brasil (FSB) intervir no mercado cambial para conter a valorização do real ante o dólar. No entanto, parece ter esquecido as regras que criaram o FSB e aumentou as dúvidas sobre o alcance da medida.

Inicialmente, há que lembrar que o Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE) se baseou num equívoco, ao estabelecer que seus recursos viriam da poupança pública decorrente do superávit primário. Esse superávit é uma figura contábil (muito manipulada pelo governo). O que vale é o déficit nominal, que nos sete primeiros meses foi de R$ 65 bilhões. Os recursos do FFIE nascem de um déficit importante e, quando forem usados, aumentarão o déficit.

Parecem estar na casa dos R$ 17 bilhões, ou seja, um valor muito pequeno para conter a valorização do real, levando em conta que a intervenção do Banco Central (BC) nos dez primeiros dias de setembro, por exemplo, ficou acima de R$ 5 bilhões. Assim, o FFIE terá um poder de fogo muito limitado.

E, embora uma das suas funções seja a de "absorver flutuações dos ciclos econômicos", o ministro esclarece que, se faltarem recursos ao FFIE, poderá recorrer à ajuda do Tesouro, que, ao que tudo indica, teria de emitir títulos da dívida mobiliária.

O ministro explicou que a compra de dólares não terá nenhum efeito sobre os gastos públicos, pois se trata de uma troca de reais por dólar. Se a operação for feita com recursos existentes, enfrentará o risco de uma desvalorização do dólar (que se verifica atualmente), o que representará uma perda para o Brasil, ao passo que o FSB foi criado justamente para permitir ao País aplicar seus recursos com maior rentabilidade do que a que o BC obtém em títulos do Tesouro americano, com rendimento apenas simbólico. Se os recursos suplementares se originarem no Tesouro, a perda se torna substancial.

Até agora só se falou da intervenção que não se realizou, o que parece explicável pela opinião do ministro, segundo a qual o rombo externo não é grave.

O único fato positivo é que houve, finalmente, um acordo entre a Fazenda e o Banco Central para que esta instituição realize as compras em nome do FSB, para evitar uma desordem na atuação no mercado cambial, que deve ser fiscalizado pelo BC. De fato, a ideia original era encarregar o Banco do Brasil dessas compras, cujo efeito sobre a taxa cambial continua duvidoso.

Lobista confirma encontro 'social' com Erenice


Da Folha de São Paulo. Volto no final para comentar.

O advogado do lobista Fábio Baracat confirmou hoje que houve um encontro entre o consultor e Erenice Guerra e a contratação dos serviços do filho da ex-ministra da Casa Civil Israel Guerra.

Segundo Douglas Silva Telles, houve apenas um encontro "social" com a ex-ministra, braço direito da presidenciável Dilma Rousseff (PT).

"Não existe nenhuma atuação do Fábio aqui em Brasília do ponto de vista de influência. De fato, ele conheceu a ministra socialmente, e de fato ele utilizou os serviços do Israel aqui em Brasília por meio da Capital Assessoria. Isso efetivamente aconteceu", disse o advogado.

Segundo a revista "Veja", o filho da ex-ministra cobrou R$ 5 milhões para viabilizar contratos entre a empresa aérea MTA e os Correios, além de conseguir a licença da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para realizar o serviço. Baracat atuou como representante da companhia.

Ontem, ele prestou depoimento na Polícia Federal por mais de 6 horas e saiu sem falar com a imprensa. Segundo o advogado, não há acusações contra Erenice Guerra.

"Não houve nenhuma acusação em relação à ministra. Ele [Baracat] teve relacionamento com o Israel pela Capital Assessoria. Foi emitido nota e foi paga essa nota pela prestação de serviço aqui em Brasília", disse Telles.

O advogado afirmou ainda que a contratação dos serviços do filho da ex-ministra era "comercial", sem influência política. "A questão do Fábio era comercial, de aquisição de uma empresa, que acabou tomando um viés político muito forte. Uma questão comercial acabou se tornando um grande episódio político", disse Telles.

De acordo com o advogado, o filho da ex-ministra foi contratado para prestar assessoria jurídica no setor aéreo.

"No primeiro momento, ele [Baracat] tinha que fazer a renovação da empresa aqui em Brasília. Assim como existia uma assessoria jurídica em São Paulo, tinha que existir uma assessoria aqui, por conta das normas administrativas perante a Anac e a Infraero", disse o advogado.

Ontem, a Polícia Federal também ouviu o coronel Arthur Rodrigues. Ele era sócio da MTA e se tornou diretor dos Correios após a companhia fechar contratos com a estatal. O coronel pediu exoneração nesta semana.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Deixa ver se entendi: o senhor Baract, que representava, em Brasília, os interesses da MTA para renovação de seu contrato com os Correios, empresa estatal, contratou Israel Guerra para serviços de assessoria. Por pura coincidência, Israel Guerra é filho de Erenice Guerra, na época, secretária executiva da Casa Civil. E por mais uma destas coincidências terríveis, Baracat teve encontros apenas “de cunho social” com Erenice. Então, tá!!!

Duas perguntinhas simples e bobas:

1.- Em que livro de ficção o doutor Silva Telles leu esta versão estúpida?

2.- Quem o doutor Silva Telles conhece que tenha imaginação tão “criativa” para crer neste papo furado?

Renan perde na Justiça ação contra blog. Viva a Democracia!

Do site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal

O ex-presidente do Senado Federal, José Renan Vasconcelos Calheiros, perdeu a ação de reparação de danos ajuizada contra o jornalista Ricardo Noblat, na qual pedia 350 mil reais de indenização a título de danos morais.

A 4ª Turma Cível do TJDFT negou o recurso interposto pelo senador contra a sentença da juíza da 14ª Vara Cível de Brasília, que indeferiu o pedido em 1ª Instância. A decisão colegiada foi unânime e não cabe mais recurso ao TJDFT.

Renan Calheiros alegou no processo que Ricardo Noblat, por meio do seu blog na internet, maculou injustamente sua honra, com matérias sarcásticas, incorrendo nos crimes de calúnia, injúria e difamação.

No blog, além de chamar o então presidente do senado de "corrupto, patife e covarde", o jornalista escreveu que Renan mentiu em discurso proferido no Senado, omitiu bens à Receita Federal, usou um laranja para compra de veículos de comunicação, simulou tomada de empréstimos, beneficiou empresa de lobista.

Por estar o referido blog hospedado no portal O Globo on-line, segundo o senador o conteúdo nele constante tem caráter jornalístico e por esse motivo estaria sujeito à Lei de Imprensa.

Ao contestar a ação, Noblat afirmou que o verdadeiro intuito do requerente era perseguir a imprensa e conseguir uma sentença judicial para exibir à sociedade como prova de que a opinião pública se equivocara em relação aos seus atos.

Segundo ele, todos os fatos narrados foram amplamente divulgados por toda imprensa nacional e constam do relatório da Polícia Federal, cuja cópia foi juntada aos presentes autos na fase de produção de provas.

Na 1ª Instância, a juíza julgou improcedente o pedido do senador e o condenou a pagar as custas processuais e honorários advocatícios, arbitrados em R$1.500,00. A 4ª Turma Cível, ao analisar os recursos das partes, manteve a sentença quanto ao pedido de indenização do autor, mas julgou procedente o recurso do jornalista, aumentando os honorários advocatícios para R$3.000,00.

De acordo com o relator, o caso trata dos direitos fundamentais à honra, à intimidade e à dignidade e do direito, também fundamental, à informação.

"É imperioso reconhecer que o Homem Público, de projeção nacional de um Senador da República, mormente presidente do Senado Federal, é foco da atenção da imprensa e seus atos estão sujeitos ao controle da sociedade. O que se deu no presente caso foram comentários e publicações fiéis ao momento político que atravessava a nação, no qual o apelante era alvo dos noticiários e de duras criticas por parte da imprensa como um todo, não havendo qualquer abuso ou má-fé por parte do jornalista que apenas informou acontecimentos de interesse coletivo, tecendo críticas prudentes acerca dos fatos de domínio público que, mesmo em tom sarcástico e agressivo, não extrapolaram o regular exercício do jornalismo" , conclui.

Na ONU, presidente do Irã diz que 11/9 foi farsa; americanos deixam sala em protesto

Folha Online

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, causou polêmica nesta quinta-feira durante seu discurso em Nova York, na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) após relembrar teorias conspiratórias sobre os ataques terroristas de 11 de Setembro. Em seu pronunciamento, ele disse que "muitas pessoas" dizem acreditar que o governo americano esteve por trás dos atentados, fazendo com que parte da delegação americana deixasse o local em protesto.
Falando sobre três eventos que modelam o cenário mundial atual --os ataques de 11/9, a ocupação dos territórios palestinos e a questão nuclear--, Ahmadinejad reafirmou sua polêmica teoria de que os atentados terroristas contra as torres gêmeas de Nova York em 2001 podem ter sido arquitetados por "alguns homens" dentro do próprio governo americano para desviar a atenção da situação econômica.

Após as polêmicas declarações, imagens da rede de TV CNN --que exibiu o discurso ao vivo-- mostraram vários representantes da delegação americana deixando o local. As cadeiras da delegação israelense também foram mostradas vazias.

Ahmadinejad disse ainda que "lamenta os mortos" na queda das torres gêmeas, mas que, depois disso, "muitos milhares de pessoas foram mortas no Afeganistão e no Iraque, invadidos pelos EUA".
Em seu discurso, ele criticou ainda o sistema capitalista, defendeu o direito dos palestinos "exercerem sua soberania e escolherem seus líderes" e comentou a questão nuclear.

"Foi dito que as potências querem pressionar o Irã para o diálogo, mas o Irã sempre esteve pronto para o diálogo", disse o iraniano, que citou ainda a iniciativa de Brasil e Turquia para se chegar a um acordo de troca de combustíveis nucleares, que "recebeu uma reação inapropriada das potências".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Vejam que coisa: o discurso inaugural foi feito por Celso Amorin, representando o Brasil, porque Lula, o presidente, preferiu não cumprir com a responsabilidade de governar e representar o país, para se tornar em cabo eleitoral de quinta.

Pois bem, em seu discurso, dentre outras pérolas que comentaremos mais adiante, em outros posts, Amorin disse isto:

O Brasil tem procurado corresponder ao que se espera de um membro do Conselho de Segurança, mesmo não-permanente, que é contribuir para a paz. Por essa razão, nos empenhamos em encontrar um instrumento que pudesse representar avanço para a solução do dossiê nuclear iraniano.

Ao fazê-lo, nos baseamos em propostas apresentadas como 'oportunidade ímpar' para criar confiança entre as partes. A Declaração de Teerã de 17 de maio, firmada por Brasil, Turquia e Irã, removeu obstáculos que, segundo os próprios autores daquelas propostas, impediam que se chegasse a um acordo.

A Declaração de Teerã não esgota a matéria. Nem foi essa a intenção. Estamos convictos de que, uma vez de volta à mesa de negociações, as partes encontrarão formas de resolver outras questões, como o enriquecimento a 20% e o estoque de urânio enriquecido acumulado desde outubro de 2009.

A despeito das sanções, ainda temos esperança de que a lógica do diálogo e do entendimento prevaleça.

O mundo não pode se permitir o risco de um novo conflito como o do Iraque. Por isso temos insistido junto ao Governo do Irã que mantenha uma atitude flexível e de abertura às negociações. Mas é preciso que todos os envolvidos revelem essa disposição.

COMENTO:
Perguntinhas básicas: como é possível manter diálogo aberto com quem nega o holocausto? Como é possível sentar à mesa, com espírito desarmado, quando do outro lado uma das partes prega a destruição de Israel? Como é possível manter entendimento razoável com alguém que financia, descaradamente, a ação terrorista na região? Como é possível conceder crédito de confiança para com uma nação que, deliberadamente firma um compromisso na área nuclear, para vender uma versão mascarada de sua reais intenções, e firmado o acordo, solertemente afirma que cumprirá apenas parte do acordo que acaba de firmar? E, por fim, como é possível acreditar em diálogo quando alguém acusa como farsa a ação terrorista comprovada em 11 de setembro de 2001, que vitimou mais de 3.000 inocentes, e foi efusivamente comemorada pelos inimigos declarados dos americanos no próprio Irã e Oriente Médio?

Ora, preferível que Amorim cumprimentasse a todos e fosse embora dali sem nada mais dizer. Não se pode negociar, senhor Celso Amorin, com quem se nega ao diálogo e age de maneira tão delinquente perante o mundo todo, na intensidade e no modo como tem sido costumeiro de parte de Ahmadinejad.

Cerco à imprensa argentina

O Estado de S.Paulo

Passados 27 anos do fim da ditadura militar na Argentina, o governo da presidente Cristina Kirchner pediu abertura de processo contra os diretores dos dois mais importantes jornais do país, Clarín e La Nación, por alegada cumplicidade dos periódicos com "crimes de lesa-humanidade" cometidos pelo regime em 1976. Os diários são acusados ainda de envolvimento com atos de "homicídio, extorsão, privação ilegítima de liberdade e tortura". Os ex-proprietários de um terceiro jornal, La Razón, adquirido pelo Grupo Clarín, também foram incluídos na denúncia.

A iniciativa, anunciada pela Casa Rosada em fins de agosto, não é nada do que aparenta - o restabelecimento da verdade e a imputação de responsabilidades aos controladores de duas organizações jornalísticas pela participação em algumas das brutais violações dos direitos humanos perpetrados ao longo do ciclo ditatorial argentino. Na realidade, por um tortuoso caminho, Cristina e seu marido, Néstor, o presidente que a precedeu e deverá se candidatar à sua sucessão no pleito de 2011, pretendem amordaçar as principais vozes críticas ao kirchnerismo na mídia nacional.

A arena em que se arma o garroteamento da imprensa independente argentina não é a do exercício da censura convencional em suas diversas modalidades, mas a da apropriação do insumo essencial do setor de comunicação impressa - o papel-jornal. Para dar certo, a operação passa pelo alijamento do Clarín e do La Nación do controle acionário da companhia Papel Prensa, que fabrica 75% do produto utilizado no país e abastece 170 jornais. O primeiro daqueles diários enfeixa 49% das ações da empresa. O segundo, 22,49%. O Estado detém 27,46%. As relações entre os acionistas privados e o parceiro estatal são de confronto aberto. De março até este mês, a Papel Prensa esteve sob intervenção, a pedido do governo.

Há mais de um ano, os Kirchners vêm tramando uma ofensiva em duas frentes para estatizar a empresa. De um lado, o governo enviou ao Congresso um projeto que declara "de interesse público" a produção e distribuição de papel-jornal. De outro, como previsto, foi à Justiça para incriminar os dirigentes dos matutinos que ainda não sucumbiram às intimidações da Casa Rosada. A acusação é de que, em conluio com os militares, coagiram os então proprietários da Papel Prensa a vendê-la a preço vil. Mas a mera cronologia dos fatos desmonta a ficção urdida pelo governo. A empresa pertencia à família do banqueiro David Graiver, Morto em agosto de 1976 no México, num desastre aéreo jamais elucidado.

Graiver aplicava no exterior os recursos obtidos pelo movimento armado peronista Montoneros com os sequestros de empresários argentinos. Entre março e abril de 1977, o regime prendeu e torturou seis parentes do banqueiro, entre eles a sua viúva Lidia Papaleo, condenada a 5 anos de prisão pelas ligações da família com a organização guerrilheira. Nessas condições, ela teria concordado em passar adiante a Papel Prensa. O anacronismo é flagrante: a transação ocorrera em novembro de 1976, meio ano antes, portanto. Os Graivers precisavam de dinheiro, entre outras coisas, para devolver aos Montoneros a sua parte. O irmão de David, Isidoro, entre outros familiares, assegura que a venda foi voluntária e a valor de mercado.

Também chama a atenção que, em nenhum outro momento, desde a redemocratização do país, em 1983, e no curso das numerosas investigações sobre os horrores do regime militar, se levantaram dúvidas sobre a legitimidade do negócio. Em nota conjunta, Clarín e La Nación qualificaram o pedido de processo "uma aberração moral e jurídica", sem nenhum fundamento na realidade. "O governo", assinalaram, "insiste em mentir, reescrever a história e manipular os direitos humanos como ferramenta de perseguição e represália." O mais grave é que os Kirchners o fazem apostando na complacência de um Judiciário em boa medida domesticado. É improvável que a presidente se expusesse ao risco de ver negada a sua solicitação.

As perspectivas para a liberdade de imprensa na Argentina são sombrias. O controle da mídia faz parte da operação eleitoral peronista no próximo ano.

Dívida pública federal aumenta 1% e atinge R$ 1,62 trilhão em agosto

Mário Sérgio Lima, Folha.com


O estoque da dívida pública federal apresentou em agosto deste ano uma alta, em termos nominais, de 1,04% ante o mês anterior, atingindo R$ 1,618 trilhão no mês passado.

Entre as componentes do resultado, a dívida pública mobiliária federal interna passou de R$ 1,509 trilhão em julho para R$ 1,524 trilhão em agosto, uma alta de 1,03%. A dívida externa avançou 1,35% ante o mês anterior, ficando em R$ 93,5 bilhões em agosto.

Os títulos com remuneração prefixada tiveram a participação ampliada de 32,82% para 34,62% nesse período. De acordo com o Tesouro Nacional, o resultado deve-se principalmente à emissão líquida de R$ 29,57 bilhões desses papéis.

Já o total de títulos remunerados pela Selic passou de 32,27% para 32,36% em agosto e a participação dos indexados a índices de preços foi de 28,19% para 26,36% no mês passado

Câmbio errado

Míriam Leitão, O Globo


A taxa de câmbio está errada no Brasil, o real está supervalorizado. Quem diz isso é o economista José Alfredo Lamy, da Cenário Investimentos. Reverter a situação é muito difícil. O dólar está caindo em relação à maioria das moedas do mundo. Um dos motivos é o anúncio do Federal Reserve, que vai despejar mais dólares na economia para tentar tirá-la da estagnação.

Lamy acha que o câmbio está errado e prescreve um caminho difícil:

— É preciso cortar gasto público, trazer os juros para baixo e, assim, derrubar naturalmente o excesso de valorização da moeda brasileira. Não tem outro caminho — diz o economista.

Hoje, o Brasil está neste desconforto: a moeda se valorizando, e isso reduz competitividade das exportações, aumenta as importações e o déficit em transações correntes é cada vez maior. O desconforto vem da dificuldade de se saber como evitar a valorização sem medidas que interfiram no sistema de câmbio flutuante. O Ministério da Fazenda tem falado que tomará “medidas”, o Banco Central acha que o aumento do déficit externo vai naturalmente provocar a desvalorização da moeda brasileira, porque ele é um sistema que se corrige automaticamente. Mas hoje, há vários fatores agindo na mesma direção: a da queda do dólar, aqui, e no resto do mundo.

Países exportadores de commodities estão com uma pressão adicional, porque as compras da China estão elevando os preços desses produtos e ajudam a valorizar as moedas desses países. Segundo a Ativa Corretora, em 23 de março de 2009, a relação do dólar australiano com o dólar americano estava 1,42 para 1; agora, está em 1,05. O gráfico abaixo, feito pela Tendências, mostra a valorização de algumas moedas em 12 meses. No Brasil, há ainda a pressão da entrada de dólares pela capitalização da Petrobras, mas Lamy acha que isso é temporário e não é o mais relevante. Para ele, o importante é o que se passa na economia internacional.

— Neste momento, o mundo vive a expectativa da expansão monetária adicional nos Estados Unidos, que vai acontecer em novembro. O FED deu um recado claro de que a inflação (1,30%) está abaixo do que é o mandato (meta), ou seja, eles querem inflacionar a economia. Para isso, vão comprar títulos do Tesouro para aumentar o afrouxamento monetário. Em momentos assim, há busca por ativos de risco e o Brasil ainda é emergente, é ativo de risco — diz Lamy.

Ele acha que, enquanto o Brasil for bem visto como é agora, enquanto continuar a busca por ativos de risco, o país conseguirá financiar tranquilamente seu déficit em conta corrente, mas alerta que o desequilíbrio é crescente.

Para Lamy, o Brasil vive hoje a situação inversa da de 2002.

— Naquela época, o país tinha arrumado o lado fiscal, feito uma série de reformas, estava com a política monetária correta e câmbio flutuante, tinha tudo para ser bem avaliado, mas pelas incertezas políticas, a moeda ficou superdesvalorizada. Hoje, está muito bem avaliado, mas há uma série de sinais de que a situação fiscal está se deteriorando e a política monetária não é mais tão autônoma quanto já foi. Em economia, as coisas demoram a fazer efeito. Essas distorções podem acabar complicando a situação, quando o quadro internacional mudar.

O economista alerta que há uma enorme incerteza no mundo com o rescaldo da crise. Europa ainda não resolveu seu problema fiscal, a expansão monetária adicional dos Estados Unidos não levará à retomada da economia.

— O mundo está muito ruim, os parâmetros pioraram e, por isso, o Brasil tem sido considerado bom, relativamente aos outros, na área fiscal, mas não é bom para o Brasil a situação difícil do mundo — disse.

Por tudo isso, o economista não acredita que as compras de dólar do Fundo Soberano vão resolver o problema.

— Não vejo muito sentido nessas compras do Fundo Soberano, já que o Banco Central tem comprado naturalmente dólares. Se o Ministério da Fazenda quisesse ajudar, deveria cortar gastos e diminuir a absorção doméstica, permitindo a queda dos juros. Porque é uma contradição: o país está muito bem, mas tem uma taxa de juros de quase 11% — conclui.

Tempos petistas

Merval Pereira, O Globo

"Por ironia do destino, os militares estão organizando um evento para defender a liberdade de imprensa no mesmo dia em que os sindicatos e os movimentos sociais organizam uma manifestação para atacar a liberdade de imprensa. Os tempos mudaram". O comentário de Paulo Uebel, diretor-executivo do Instituto Milennium, é sintomático dos tempos que estamos vivendo.

O Clube Militar está realizando no Rio um painel intitulado "A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão", hoje à tarde, do qual participarei com Reinaldo Azevedo, da "Veja", e o diretor de assuntos legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado Moura.

Na outra ponta, está programada também para hoje em São Paulo uma manifestação contra a chamada "grande imprensa", com o apoio do PT, da CUT, da UNE e várias organizações não governamentais, e os que se autointitulam "blogueiros independentes", todos, sem exceção, financiados pelo dinheiro público.

Um fato inédito em uma democracia, só registrado na antiga União Soviética — quando os sindicatos tomavam a si a tarefa de controlar seus associados para que atuassem de acordo com as diretrizes governamentais —, é que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo está apoiando o movimento.

Antônio Felício, secretário sindical nacional do PT e secretário de Relações Internacionais da CUT, em artigo publicado no blog do Partido dos Trabalhadores, explicita o que seria essa conspiração, no mais puro chavismo, ou ao estilo do que o governo dos Kirchner está fazendo na Argentina.

Segundo ele, "a verdadeira ditadura do pensamento único" está sendo implantada no país pelas "oito famílias que dominam mais de 80% da mídia impressa, falada e televisionada, e seus satélites".

As ações teriam sido deliberadas "na malfadada reunião do Instituto Millenium, em São Paulo, no mês de março deste ano". E quais seriam as evidências dessa conspiração da "grande imprensa"?

As diversas reportagens publicadas recentemente denunciando tráfico de influência, corrupção e o aparelhamento do Estado com a utilização de órgãos estatais para fins políticos, como a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e ao próprio candidato da oposição à Presidência, José Serra, ou simplesmente para empregos de parentes e amigos em órgãos públicos.

A mais recente denúncia sobre tráfico de influência alcançou o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. A estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), cujo Conselho de Administração ele preside, contratou por R$ 6,2 milhões uma empresa onde seu filho trabalha como representante comercial.

Também ontem se descobriu que uma filha do presidente dos Correios havia sido contratada pelo Gabinete Civil, uma prática nepotista de contratações cruzadas, já que foi Erenice Guerra quem indicou o presidente dos Correios.

São essas denúncias, que já provocaram a demissão de uma ministra de Estado e meia dúzia de dirigentes estatais, que os sindicalistas consideram exemplares da manipulação do noticiário com o objetivo de levar a eleição para o segundo turno.

Esse ambiente de tensão política está sendo alimentado pelo próprio presidente Lula, que vem desfilando de palanque em palanque, dedicado a eleger sua candidata no primeiro turno e a tentar jogar o eleitorado petista contra os meios de comunicação, que estariam unidos em uma conspiração contra seu projeto político.

A sua atuação na campanha eleitoral, que não leva em conta a ética pública nem respeita a chamada "liturgia do cargo", está sendo denunciada por um documento que foi lido ontem pelo jurista Hélio Bicudo, um fundador do PT, assinado por personalidades como o cardeal arcebispo emérito de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso e intelectuais como Ferreira Gullar.

O manifesto fala nos riscos do autoritarismo e critica a ação de grupos que atuam contra a imprensa: "É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses".

Quebra de sigilo - 6 pessoas indiciadas até o momento

O Globo


Com Antonio Carlos Atella Ferreira e Ademir Estevam Cabral, já são seis os indiciados no inquérito.

A servidora Adeildda Ferreira dos Santos , funcionária da Serviço de Processamento de Dados (Serpro) emprestada para a Receita, foi a primeira a ser indiciada após admitir que recebia entre R$ 50 e R$ 200 de despachantes para acessar informações de contribuintes.

Em outubro passado, dados fiscais de Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, e de outros três tucanos ligados a Serra foram acessados do computador de Adeildda na agência da Receita Federal em Mauá.

Três despachantes apontados como responsáveis pela compra dos dados também foram indiciados.

A mulher de um desses contadores contou ao "Jornal Nacional", da Rede Globo, sem se identificar, que em outubro de 2009 retirou com Adeildda documentos pedidos por Atella. Os papéis teriam sido entregues ao próprio Atella e a Ademir num bar no centro de São Paulo.

- O Ademir até estava nervoso porque tinha se atrasado por causa do problema do contador. Falou que a pessoa que estava aguardando esse envelope teria vindo de Brasília e teria perdido o voo por conta desse atraso.

A mulher do despachante diz que Ademir saiu em seguida para entregar a encomenda e voltou com o pagamento.

- Ele entregou dinheiro para o Antonio Carlos (Atella) e uma para mim. Fui no banheiro, contei e tinha mais ou menos R$ 1.200. Voltei e falei para ele. Ele disse: "Então está ok."

Contou ainda que só depois que o caso estourou soube que se tratavam dos dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB.

Nesta quarta-feira, a PF também ouviu Nivaldo Tonus, dono do escritório Andradas Contábil, de Santo André, e seu sobrinho, Sandro Tonus. A perícia encontrara um email entre Sandro e Júlio Bertoldo, segundo Adeildda quem a convidou a participar do esquema.

De acordo com o advogado de Sandro, a mensagem não tratava de nada irregular.

Pânico petista: Suspeito de morte de Celso Daniel foge de prisão em SP

André Caramante, Folha De S. Paulo

Considerado peça-chave no caso do prefeito, réu escapou em 3 de agosto
Elcid Brito, que cumpria pena por outro crime, havia conseguido progressão para o regime semiaberto


 
Réu no processo pelo sequestro e morte do prefeito de Santo André (ABC) Celso Daniel (PT), Elcid Oliveira Brito, conhecido como John, fugiu de uma prisão na região oeste do Estado de São Paulo no dia 3 de agosto.

O prefeito Celso Daniel foi sequestrado em 18 de janeiro de 2002, na zona sul de São Paulo, e seu corpo foi encontrado dois dias depois.

Brito estava preso por formação de quadrilha e cumpria pena de sete anos na Penitenciária de Flórida Paulista (592 km de São Paulo).

Ele conseguiu progressão para o regime semiaberto e, em 3 de agosto, fugiu do CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de Pacaembu (603 km de São Paulo).

A fuga só foi detectada no dia seguinte.

Brito é considerado pelo Ministério Público Estadual peça fundamental no caso da morte de Daniel.

Na bica da eleição, só 46% acertam nº do candidato

Josias Souza, Folha S.Paulo

Fechado nesta quarta-feira (22), o relatório da última pesquisa Datafolha traz no seu miolo um dado que deveria preocupar os presidenciáveis.

A 11 dias da eleição, apenas 46% dos eleitores recitaram corretamente o número do presidenciável de sua preferência.

Significa dizer que, na hora de digitar os algarismos na urna eletrônica, um pedaço expressivo do eleitorado pode não conseguir converter sua intenção em voto.

Há uma semana, a encrenca era maior. Os eleitores que erravam o número dos candidatos somavam 39%. A taxa de acerto cresceu, portanto, sete pontos.

O problema é mais grave para José Serra e Marina Silva, justamente os dois candidatos que, na rabeira de Dilma Rousseff, mais precisam de votos.

Entre os 49% que declaram preferência por Dilma, 58% citam corretamente o número 13, que identifica a candidata petista na urna.

Dos 28% que manifestam a intenção de votar em José Serra, apenas 37% sabem que o número do tucano é o 45.

Quanto aos 13% que afirmam preferir Marina, escassos 26% acertaram o número da candidata verde, o 43.

No Datafolha da semana passada, a taxa de conhecimento dos números de Dilma, Serra e Marina eram, respectivamente, 51%, 30% e 16%.

Em fase de contagem regressiva, os comitês de campanha deveriam aproveitar a propaganda de rádio e de TV para ensinar o eleitor a votar.