sexta-feira, abril 13, 2007

Quem precisa de uma TV chapa-branca?

Por J. R. Guzzo, Revista EXAME

A idéia do governo de criar a Rede Nacional de Televisão Pública tem todos os vícios necessários para fazer um grande sucesso em Brasília -- dentro do próprio governo, na "base aliada", na burocracia sindical, nos "movimentos sociais" e, de um jeito ou de outro, no grande arco dos interesses que vivem e prosperam sob a proteção oficial. É um prato para ninguém botar defeito. Quem vai se beneficiar diretamente do projeto não terá de tirar um tostão do bolso, pois o Erário, mais uma vez, é que estará pagando. Com uma televisão que o governo controla e opera, todo cidadão que manda em alguma coisa, num dos quase 40 ministérios que estão aí, vai ter seus 15 minutos de fama -- ou até bem mais que isso, conforme o caso. Governo, amigos e protegidos poderão falar bem de si próprios pelo tempo que quiserem. Ainda não há um desenho mais claro para a nova rede, mas, considerando-se o passado recente, está na cara que ela tem tudo para tornar-se um espetacular cabide de empregos. Já dá para antever, também, os métodos que serão utilizados no preenchimento dos cargos, no trato das verbas publicitárias que virão de empresas estatais, no espaço a ser dedicado a este ou àquele grupo de interesses e por aí afora. A TV do governo tem ainda a vantagem de não resolver um único problema concreto do país, sempre um grande atrativo para quem não quer se meter na busca de soluções reais, que dão trabalho e são cansativas. É, em resumo, o tipo da idéia vencedora nos dias de hoje -- daquelas que vão para a frente não por serem boas, mas justamente por serem muito ruins.

O mais difícil, nesse projeto, é encontrar alguma coisa que não esteja errada. A complicação já começa com os recursos que a idéia irá consumir. O governo, pelo que ele próprio garante todos os dias, não tem dinheiro. Não tem dinheiro (nem competência nem autoridade) para fazer funcionar com um mínimo de ordem os aeroportos, a ponto de levar um mês para colocar de novo em funcionamento em Cumbica, o maior do país, um equipamento básico de auxílio aos pousos de aviões que estava danificado. Não tem dinheiro para pagar mais do que salários de fome para professores do Ensino Básico. O Ministério do Meio Ambiente, sempre forte para não deixar os outros fazerem o que quer que seja, é fraco nas horas em que tem, ele próprio, de fazer alguma coisa: no ano de 2006, segundo informação do jornal O Estado de S.Paulo, gastou 58 milhões de reais nos nove estados que compõem a Amazônia Legal, o equivalente ao que a cidade de Nova York gasta por ano com a conservação do Central Park. O governo, em suma, nunca tem dinheiro para nada, embora deva arrecadar, só na área federal, mais de 600 bilhões de reais em 2007. Mas tem 250 milhões para a TV do Executivo -- 100 milhões já no primeiro ano e outros 150 nos próximos três. Todo mundo é livre, claro, para acreditar que a despesa fique só por aí. Mas quem apostaria nisso?

Mesmo que houvesse dinheiro, não se vê como uma rede de TV para o Poder Executivo poderia ser prioritária numa hora dessas. Por qualquer critério que se escolha, a televisão brasileira, da maneira como funciona hoje, com certeza não está entre os 100 maiores problemas do Brasil; ou, por outro ângulo, ninguém conseguirá demonstrar que a ausência de uma TV do governo esteja entre as 100 maiores carências atuais do país. O poder público já tem a seu dispor, hoje, a TV Nacional de Brasília, a NBR (que se apresenta como "a TV do governo federal"), a TV Senado, a TV Câmara, o canal da Justiça, as TVs das Assembléias Legislativas nos estados, as TVs Educativas do Maranhão e do Rio de Janeiro e, além disso tudo, a Radiobrás. Acresce que o público tem ainda de suportar, compulsoriamente, os programas dos partidos políticos que as emissoras são obrigadas a transmitir em cadeia, na mesma hora, para o país inteiro -- e, a cada dois anos, nas campanhas eleitorais, há o horário reservado aos candidatos. Além disso, o presidente da República pode convocar todas as estações de rádio e TV do país a transmitir em rede nacional, e também obrigatoriamente, qualquer pronunciamento que lhe dê na cabeça fazer. Enfim, não há lugar aonde o presidente vá, da Festa do Marreco a um campo de futebol para bater uma série de pênaltis, sem que a televisão privada vá junto -- com o resultado de que é raro o dia, se é que existe algum, em que ele não apareça em todos os noticiários do horário nobre. Onde, então, estaria faltando espaço para o presidente da República, ou qualquer dos três poderes, se manifestar?

Também não faz sentido argumentar que é o povo brasileiro quem estaria precisando de uma nova rede de TV oficial -- supostamente, por não estar sendo bem informado por meio do atual sistema. Os defensores da idéia dizem que as redes particulares, pelo fato de operar em bases comerciais, não atendem às necessidades do público. O problema é que ninguém é capaz de definir que necessidades seriam essas. O que, precisamente, estaria faltando? Que tipo de informação estaria sendo subtraída do público? A quais programas o brasileiro deveria assistir e não está assistindo? Não há respostas convincentes para nada disso -- e, mesmo que houvesse, é certo que o governo não tem a capacidade, nem o direito, de escolher o que é melhor para as pessoas verem na TV. Alega-se, ainda, dentro do governo, que a Itália tem uma TV estatal, a RAI. Tem. E daí? O fato de existir alguma coisa na Itália não a transforma em virtude ou em exemplo a ser seguido pelo resto do mundo. Ou, então, é citada a rede pública de TV da Grã-Bretanha, a BBC -- mas omite-se que o governo britânico não controla sua programação nem pode utilizá-la em proveito próprio.

A TV do governo brasileiro será inevitavelmente operada por gente do governo ou da "base aliada". Como pode sair alguma coisa boa disso? Basta ver um pouco o que está acontecendo com a atual briga de sarjeta pelos cargos na área federal, em que posições que exigem indiscutível capacitação técnica estão sendo vendidas e compradas no sistema de "porteira fechada", para ter uma idéia do que vem por aí. O horizonte não parece melhorar em nada com a criação, recém-anunciada, de mais uma secretaria presidencial com crachá de ministério para cuidar juntamente das áreas de comunicação e publicidade do governo -- e onde deverá se encaixar, quando for criada, a Rede Nacional de Televisão Pública. Seu ocupante, o jornalista Franklin Martins, promete que a nova emissora oficial não fará jornalismo "chapa-branca". Assegura, também, que a secretaria sob seu comando não vai "misturar os guichês" utilizando a distribuição das verbas publicitárias do governo como arma para influenciar órgãos de imprensa. Tomara que Franklin esteja certo. O novo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social é uma figura pouco comum no meio ambiente governamental de hoje. Tem capacitação profissional plena para exercer suas funções, não deve o cargo à companheirada e entende o que é liberdade de imprensa. Além disso, vem de um mundo onde as pessoas têm de trabalhar todos os dias. Mas a experiência mostra que boas intenções raramente são a arma mais eficaz para regenerar o que está errado dentro dos governos -- o que funciona, mesmo, é a eliminação dos focos onde os problemas são produzidos.

A Secretaria de Comunicação Social teria muito mais chance de fazer bem seu trabalho se não houvesse em seu organograma um projeto tão torto como o da Rede Nacional de Televisão Pública -- e se não estivesse condenada a se meter na administração de todos os problemas que vão aparecer ali. Da mesma forma, exerceria com muito mais tranqüilidade sua tarefa de cuidar da comunicação do governo se não tivesse de gerir, ao mesmo tempo, informação e verbas publicitárias. Quando se juntam as duas coisas, o que se tem é uma banana de dinamite à espera de um fósforo. Franklin não quer misturar uma coisa com outra, mas o que não falta, tanto no lado do governo como no lado dos órgãos de comunicação, é gente que quer exatamente o contrário. Como no caso da TV oficial, a única solução garantida é o governo não ter verba alguma para publicidade -- salvo as das empresas estatais, que podem muito bem ser gerenciadas por seus departamentos de marketing, de acordo com os objetivos que tenham junto ao mercado, e não têm nada a fazer numa repartição instalada dentro do Palácio do Planalto e cujo trabalho é fornecer informações ao público.

É a atitude mais simples. Por isso mesmo, é tão difícil de ser aceita.

TOQUEDEPRIMA...

Vila Pan-Americana vira motivo de piada
Frederico Zartore, Agência JB

RIO - Os atrasos nas obras das instalações dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro parece ter deixado de ser motivo de preocupação para ter virado motivo de piada. Nesta quarta-feira, faltam exatamente 100 dias para o início do maior evento esportivo já realizado no Brasil e cada vez mais fica a certeza de que as obras podem não ser entregues a tempo.

Na semana passada representantes da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) estiveram no Rio para avaliar o andamento das obras e, ao visitar a Vila Pan-Americana, o presidente da entidade, Mario Vázquez Rama, chegou a brincar com a situação.

- Disse ao prefeito do Rio (César Maia) que faltava verde na Vila. Ele me falou que se a urbanização não ficar pronta, mandará pintar o chão de verde – ironiza.

Toda a parte estrutural da Vila está pronta e os prédios já estão recebendo a mobília. São 17 prédios que alojarão cerca de 5.500 atletas de 42 países. Mas o motivo da brincadeira é a urbanização do local que corre grande risco de não ficar pronta antes do início dos Jogos, no dia 13 de julho.

O atraso colocaria os atletas em situação desconfortável, sujeitos a conviver com o mau cheiro do canal do Arroio Fundo, que contorna o local. Essa é a parte mais crítica segundo o secretário de obras do município, Eider Dantas, que admite a possibilidade da Unidade de Tratamento de Rio (UTR) não ficar pronta até o Pan.

- No dia 3 de julho a Vila estará plenamente habitável. Apenas uma obra pode se estender além do prazo da chegada dos atletas, que é a da construção da estação de tratamento do canal do Rio Arroio Fundo. De resto, tudo estará concluído – completa.

Caso a estação de tratamento não fique pronta a tempo, serão utilizados produtos químicos para amenizar o mau cheiro do esgoto.

COMENTANDO A NOTICIA: Aliás, para um projeto que custou sete vezes mais que o orçamento inicial, piada é pouco para definir esta incompetência geral. E os caras ainda sonham com Copa do Mundo no Brasil. Deus nos livre !

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Para passar por cima da oposição
O Globo

A briga entre deputados governistas e de oposição pela criação da CPI do Apagão Aéreo levou de volta aos holofotes da Câmara o regimento interno da Casa, que contém regras legislativas a serem seguidas na apresentação, na discussão e na votação dos projetos. Dessa vez, as divergências sobre as regras regimentais foram parar até no Supremo Tribunal Federal (STF). Como principal partido do governo, o PT se irritou com as manobras da oposição, sobretudo do PFL, para obstruir as votações, e agora se mobiliza para apresentar propostas de mudanças no regimento.

O argumento é de que é preciso atualizar e racionalizar o conjunto de normas. Mas, na prática, será uma tentativa de impedir as ações da oposição, pelo menos na intensidade em que elas vêm sendo utilizadas atualmente. No passado, quando estava na oposição, o PT era conhecido pelo domínio do regimento e das táticas de obstrução das votações. Os petistas passaram os oito anos dos governos Fernando Henrique usando de todas as possibilidades previstas no regimento para atrapalhar a aprovação de projetos de interesse do governo.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É a velha história da pimenta no dos outros é refresco, mas no seu próprio arde prá danar... Eta partideco de canalhas este...

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TCU suspende contrato de implantação da TV Funasa
Agência Brasil
Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu ontem o contrato de implantação da TV Funasa, da Fundação Nacional de Saúde. O tribunal entendeu que existiam irregularidades nos pagamentos e contratos entre a TV e a empresa Digilab S/A.
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Segundo nota divulgada à imprensa, o tribunal calcula um total de R$ 49 milhões os prejuízos causados pela contratação da empresa. O TCU questiona ainda a prioridade, a conveniência e a necessidade da contratação, "tendo em vista as precárias condições das ações finalísticas da Funasa, que não são plenamente atendidas por falta de recursos".
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Ainda de acordo com o TCU, a suspensão do contrato se deveu também à falta de detalhamento dos itens no projeto. Isso teria afetado "o julgamento da licitação e impossibilitado comparações com os preços do mercado".
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O contrato de implantação da TV Funasa foi suspenso por meio de medida cautelar.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Agora vocês imaginam no que vai dar a tal rede pública que Lula pretende implantar ? Alguém tem dúvidas das patifarias que o tal projeto irá gerar, nas falcatruas que se cometerão, e nos desvios que se praticarão ? Nem é bom pensar !!! E outra coisa: prá que mesmo esta tal tevê FUNASA ?

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O que mete medo em pilotos estrangeiros
Revista VEJA

Um boletim recente emitido pela Federação Internacional dos Pilotos a seus associados alerta: voar nos céus brasileiros é um perigo. Algumas das advertências do documento com relação ao controle de tráfego aéreo brasileiro:

• Há áreas no espaço aéreo brasileiro que não são cobertas por radar. Às vezes o controlador de vôo comunica ao piloto que seu vôo está sendo acompanhado pelo radar, mas na verdade o avião está num desses buracos negros;

• As mudanças no plano de vôo nem sempre são transmitidas para todo o sistema de controle de tráfego aéreo. Isso pode resultar em setores com partes de dois planos de vôo, o original e o reformulado;

• Alguns controladores falam com boa pronúncia certas palavras em inglês, o que dá a impressão de que dominam o idioma. Isso nem sempre é verdade. Esse engano pode causar confusão quando o plano de vôo muda;

• Ao trocar de altitude durante um vôo sobre o Brasil, o piloto deve prevenir-se acendendo todas as luzes externas do avião;

• O piloto deve manter-se atualizado, através da companhia aérea em que trabalha, dos riscos de voar sobre o Brasil.

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Nossa grana

O Ministério da Justiça comprou R$ 5,2 milhões em motos Harley Davidson para "escolta e patrulhamento".

COMENTANDO A NOTÍCIA: Este governo para bancar desperdício com o dinheiro público é mesmo uma fábula. Se gasta com incrível facilidade, sem nenhum critério, apenas para bancar pose. E depois eles tratam de cortar investimentos nas áreas de segurança (um crime!), na saúde (um acinte!), na educação (um absurdo!), no saneamento básico (uma irresponsabilidade!), na infra-estrutura (uma imoralidade!). Ou seja: este governo é um escândalo imenso de incompetência e desatino !

A lógica de Kafka

por Gustavo Franco, Revista Época

Aos olhos da opinião pública informada, aqui e no exterior, a decisão mais importante desta temporada de recomposição do ministério já estaria tomada: é a confirmação do Doutor Henrique Meirelles, agora ministro, e de sua diretoria, à frente do Banco Central. Qualquer surpresa nesse terreno seria apenas para alimentar teorias sobre as supostas semelhanças entre Lula e diversos outros presidentes sul-americanos de vezo populista.

O mercado sabe que Lula não é propriamente um convertido quando se trata de ortodoxia e neoliberalismo, mas já aprendeu que o Presidente não confia nos seus economistas “históricos”, pois foi a partir dos diagnósticos errados destes que Lula perdeu três eleições, e mais: foi ao seguir políticas contrárias às recomendações de seus assessores econômicos da vida inteira que seu primeiro mandato como presidente foi bem sucedido e lhe garantiu a reeleição. Diante deste retrospecto, seria um desatino político completo se, depois de errar praticamente tudo, o Presidente resolvesse elevar a influência dos economistas do PT no governo. Como ninguém acredita nisso, o mercado segue tranqüilo, indiferente ao que se passa no Congresso e à divisão do ministério entre os partidos.

Desde tempos imemoriais prevalece uma curiosa lógica na definição dos cargos-chave na área econômica, segundo a qual sempre há um “ortodoxo” e outro “heterodoxo” dividindo o comando da economia. Roberto Campos identificou o fenômeno, que, inclusive, caracterizou como a primeira das chamadas “Leis do Kafka”, sua homenagem a Alexandre Kafka, um magnífico funcionário público, um sábio e conhecedor, talvez único, de todos os mecanismos ocultos das burocracias públicas. Campos formulou uma dúzia dessas leis, atribuídas a Kafka, que regulariam a gestão das políticas públicas no Brasil, a primeira delas, a “Lei do Comportamento Discrepante”, diz o seguinte: Independentemente dos homens e suas intenções, sempre que o Ministério da Fazenda se entrega à austeridade financeira, o Banco do Brasil escancara os cofres, e vice versa.

O Ministro da Fazenda geralmente faz o papel do guardião do Caixa, o favorito da Viúva, enquanto que no papel do gastador há certo rodízio: o presidente do Banco do Brasil (e os dos outros bancos públicos) está, quase sempre, do lado do gasto, onde freqüentemente estão o Ministro do Planejamento, o da Agricultura, e o da Indústria e Comércio (hoje, pasta do Desenvolvimento). O leitor há de lembrar-se de embates como o que opôs Simonsen e Delfim, ou mais recentemente Malan e Serra, e de se perguntar sobre a razão de tantos Presidentes em tantas circunstâncias tão diferentes, sempre obedecerem à máxima kafkiana de nomear os opostos.

A explicação é simples: o Presidente tem que ter opções, e por isso, mesmo que uma corrente de pensamento tenha predomínio total sobre a política econômica, a corrente rival deve sempre estar presente, em ministério diverso, sempre à espreita, vigiando e criticando, não a ponto de gerar crises, mas também não tão discretamente que dê descanso ao adversário. O Presidente sempre preserva o poder de desempatar, mas preferencialmente não quer ser chamado a arbitrar conflitos, que sempre são dores de cabeça. E assim, nos últimos anos, o ministro “heterodoxo” funciona mais ou menos como a consciência crítica do “ortodoxo”, e deve ter clareza que sua função é apenas ornamental, pois nos dias de hoje é para isso que servem os “heterodoxos”. Nenhum Presidente vai ser doido de colocar um marxista heterodoxo praticante para tocar a economia, isto nunca deu certo em lugar nenhum, a começar pelos países socialistas.

O governo Lula deixou evidente esta lógica ao nomear para a Fazenda e o Planejamento economistas que poderíamos, sem ofensa, designar como “não ortodoxos”, e, tal como por força da lógica kafkiana, tornou ministro o Presidente do BC, que faz o papel do “ortodoxo” com grande eficiência e discrição.

Este equilíbrio funcionou bem no primeiro mandato do Presidente Lula, e por isso mesmo ninguém espera que seja alterado. É claro, todavia, que o Presidente tem o poder de errar, ou arriscar, ao mexer onde as coisas estão funcionando.

ENQUANTO ISSO...

Sono da impunidade

A empresária de Jaú (SP) que bateu sua Pajero em um fusca, fugiu, atropelou cinco, matou dois e só parou após bater em mais dois carros e um muro, pagou R$ 4,5 mil de fiança e foi dormir em casa. Longe do xilindró.


ENQUANTO ISSO...



Temporada americana

Os brasileiros Jeferson Silveira Jr, 21 e Sandra da Silva Reis, 25, podem pegar até dez anos de prisão e multa de US$ 250 mil por falsificar passaportes americanos em New Hampshire. Eles confessaram no tribunal, terça. Sérgio Souza Campos, 40, pode ser condenado a três anos com multa. Eles tentaram se passar por cidadãos de Porto Rico.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Para meterem o pau no imperialismo americano os caras do petê e seu bando de quadrúpedes amestrados sindicalistas que circulam à sua volta, não perdem tempo. Deveriam era copiar o mesmo modelo de justiça que se pratica naquele país aqui por estas bandas. Garanto que a criminalidade se reduziria rapidamente !

Ministra, ninguém entendeu

Por Roberta Paduan, EXAME
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Num campo em que o governo tem uma imagem ruim perante o investidor -- o ambiente regulatório --, um decreto assinado pela Presidência em 19 de março contribuiu para criar mais desconfiança. A medida institui o Pro-reg, programa de fortalecimento das agências reguladoras, órgãos encarregados de zelar pelo bom funcionamento de setores como os de transporte, água e energia. Fortalecer as agências é medida extremamente recomendável e desejável. Somente com um bom ambiente regulatório os investidores têm confiança para colocar recursos em grandes negócios e obras, como rodovias ou hidrelétricas, cujo retorno depende de tarifas que podem ser alteradas pelos reguladores. O decreto, porém, gerou o temor de que, na verdade, as agências fiquem ainda mais fracas. O trecho do decreto que suscitou mais dúvida é o que define, entre os objetivos do Pro-reg, "o desenvolvimento e aperfeiçoamento de mecanismos para o exercício do controle social e transparência no âmbito do processo regulatório". Ninguém soube traduzir esse enunciado. "Não entendi nada, mas fico preocupado com o que isso possa significar", afirma Claudio Sales, do Instituto Acende Brasil, que representa investidores do setor de energia. O medo é que o "controle social" se traduza, no futuro, em intervenções no trabalho dos reguladores. Diante da má repercussão, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e coordenadora do Pro-reg, negou que haja intenção intervencionista por trás do programa. "É tolice supor que, sem eles [órgãos reguladores] ou com agências fracas, é possível conseguir estabilidade de investimentos ou regular a concorrência", afirmou Dilma.

As desconfianças em relação ao Pro-reg não são infundadas. No primeiro mandato do governo Lula, as agências reguladoras sofreram com cortes de verbas (veja quadro) e um tremendo descaso em relação à nomeação de seus quadros de diretores, os responsáveis por decidir questões cruciais para os setores regulados. Das cinco diretorias da Agência de Vigilância Sanitária, a Anvisa, que regula o setor de saúde, duas estão vagas há quatro meses. Como o quorum mínimo para a tomada de qualquer decisão é de três votos, não há reuniões quando um diretor viaja. Basta, também, que um dirigente discorde dos demais em uma votação para que a decisão não seja aprovada. Recentemente, o governo demonstrou mais uma vez que não aceita a tese de regulação independente. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, declarou-se preocupado com a aprovação no Senado da proposta de emenda constitucional que define condições de autonomia financeira e funcional das agências. Segundo ele, a emenda daria muitos poderes às agências, que não teriam de prestar contas a ninguém.

O próprio governo tem um projeto, em tramitação no Congresso, que vai na contramão da idéia de autonomia. Por ele, os ministérios definiriam metas de atuação para as agências, que poderiam ser punidas em caso de descumprimento. Seria uma forma de subordiná-las ao Executivo. "Não faz sentido um órgão regulador, que administra interesses conflitantes, ter de prestar contas a uma das partes interessadas, nesse caso, um ministério", afirma Virgínia Parente, professora de regulação da Universidade de São Paulo. "O ideal seria que cada agência prestasse contas ao Congresso." Outras medidas necessárias a um real avanço no terreno da regulação seriam limitar a retenção de verbas das agências, considerada uma maneira indireta de controle, e antecipar a indicação de substitutos para diretores em final de mandato para que não haja vacância -- hoje, os diretores são indicados pelo Executivo somente depois que há um cargo vago

Dinheiro escasso
Entre os problemas que mais afetam as agências reguladoras está o corte de verbas. Veja quanto do orçamento de algumas delas foi retido em 2006:
ANEEL - (regula o setor de energia elétrica) - 62%
ANTT - (regula os transportes terrestres) - 36%
ANATEL - (regula o setor de telecomunicações) - 18%
Fontes: Anatel, Aneel, ANTT

O açaí na trilha do kiwi

Julia Duailibi, Revista VEJA

O açaí é uma pequena fruta roxa de gosto amargo com mais caroço do que polpa. Com essas credenciais, parecia natural que seu consumo se limitasse às populações ribeirinhas da Amazônia. Ou, no máximo, fosse servida com granola, em tigelas, em praias, quiosques e academias. No entanto, reembalada em um esforço de marketing, essa fruta de origem amazônica está se tornando a nova sensação de consumo nos Estados Unidos, onde foi eleita um dos principais sabores de 2007, de acordo com a consultoria Mintel, uma empresa multinacional de pesquisa de mercado. A Anheuser-Busch, a segunda maior fabricante de bebidas do mundo, acaba de lançar um energético de açaí, o 180 Blue – até então os sabores eram convencionais, como limão e laranja. Em setembro passado, a Bolthouse Farms, empresa americana que fabrica sucos de fruta, inaugurou nos arredores da cidade de Belém sua primeira instalação fora dos Estados Unidos, num investimento de mais de 10 milhões de dólares. Objetivo: assegurar a produção diária de 60 toneladas de polpa de açaí para abastecer a sua fábrica de sucos tropicais na Califórnia. A febre do açaí não se restringe às bebidas. Com base nas propriedades antioxidantes da fruta, a gigante americana Procter & Gamble e a fabricante de cosméticos Borba, também dos Estados Unidos, criaram xampus, sabonetes e cremes, todos à base de açaí.

Todo esse esforço empresarial visa a mimetizar a incrível trajetória comercial de outra fruta exótica de aparência e gosto discutíveis – o kiwi, fruto de forma ovalada, gosto ácido, coberto de pêlos e de difícil conservação. Não fosse por uma estrondosa operação de marketing, é provável que o kiwi nunca tivesse saído da China e de Taiwan, países onde há setenta anos era usado como comida para porcos. Nos anos 80 do século passado, o kiwi foi reinventado numa campanha mundial de valorização financiada por produtores asiáticos e liderada pelo governo da Nova Zelândia. Chefs famosos nos Estados Unidos e na Europa receberam remessas regulares da fruta, cujo gosto "exótico" e propriedades terapêuticas eram trombeteados aos quatro ventos. A campanha teve enorme sucesso e o consumo de kiwi espalhou-se pelo mundo.

Ainda que o açaí siga o mesmo caminho do kiwi, existe uma enorme diferença entre as campanhas de marketing empregadas para reinventar as duas frutas. O kiwi foi catapultado por empresas e governos dos próprios países produtores. Já o açaí, tratado como produto alternativo no Brasil, ganha cada vez mais valor agregado graças ao talento de empresas estrangeiras, em sua maioria americanas. O açaí desembarcou nos Estados Unidos em 2000 pela iniciativa de um grupo de jovens empresários do país que, hoje donos de empresas especializadas em sucos da fruta, disputam a primazia do feito. Uma dessas empresas é a Sambazon, formada por surfistas californianos que provaram o açaí numa viagem ao Nordeste brasileiro há sete anos. Em 2006, eles faturaram 12 milhões de dólares. Outra empresa é a Bossa Nova Beverage, fundada pelo americano Alton Johnson após uma viagem de negócios a São Paulo, em 1999. A empresa tem hoje dez funcionários e faturou no ano passado 4 milhões de dólares com a venda de suco. Neste ano, Johnson já conseguiu levantar quase 7,5 milhões de dólares entre investidores privados e depositou nove pedidos de patentes relacionados ao processo de fabricação do suco de açaí.

Assim como ocorreu com outras frutas exóticas introduzidas com sucesso no mercado americano, os rótulos de "orgânico" e "saudável" dão um empurrão nessas iniciativas. "Durante incontáveis séculos, os povos do Amazonas consumiram o açaí como fonte de longevidade", diz a propaganda da MonaVie, empresa que vende um suco contendo dezenove frutas, entre elas o açaí, a "jóia da coroa" do produto. As peças de marketing da empresa definem o açaí como o alimento com mais substâncias antioxidantes "da Terra", deixando para trás outras frutas e o vinho tinto, famoso por suas propriedades no combate ao envelhecimento. Embora o carro-chefe seja o açaí, a bebida também tem guaraná e uva, para tornar o sabor mais palatável para os estrangeiros. A Fruta Vida, uma empresa texana, também vende um suco eclético, chamado de "mistura única de sabores brasileiros" e composto de mate, açaí e cupuaçu. A maior parte dessas empresas se propõe a reverter uma fatia da receita angariada com a venda de produtos de açaí em ações ambientais de proteção da Amazônia. "Cada garrafa que você compra salva uma árvore da Floresta Amazônica", dizem os fundadores da Bossa Nova. Eles não são os únicos. "Uma porcentagem do dinheiro recebido com a venda de cada garrafa volta para as pessoas e plantas da selva amazônica", promete a Fruta Vida. As empresas juram ajudar, com o dinheiro da venda de produtos à base de açaí, famílias indígenas brasileiras que vivem da coleta da fruta.

O kiwi é a última fruta exótica a ganhar escala de produção comparável à de frutas tradicionais. Atualmente, além do açaí, outras também abrem um mercado cada vez mais lucrativo nos Estados Unidos – entre elas lichia, da China, rambotã, da Malásia, noni, do Taiti, e goji, do Tibete. Entre 2001 e 2004, as frutas exóticas contribuíram para o aumento de 26% nas vendas da indústria européia de alimentos orgânicos, de acordo com o Datamonitor. Mas elas ainda ocupam menos de 5% do comércio mundial de frutas, que movimenta 53 milhões de toneladas por ano e, desde 1998, cresce a taxas médias de 17,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Frutas. Somente a banana é responsável por 30% desse movimento. No Brasil, o país com a maior biodiversidade do planeta, o carro-chefe das exportações é a uva. Frutas não convencionais, como açaí e cupuaçu, não chegam a 1% das vendas externas. Segundo o engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, autor do livro Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas, empresários brasileiros conseguiram viabilizar o comércio em grande escala de apenas quatro de 320 espécies nativas brasileiras: caju, goiaba, maracujá e abacaxi. A desculpa usada para desprezar as outras é sempre a mesma: frutas não convencionais são muito pouco produtivas. Talvez por causa dessa mentalidade o Brasil poderá em breve perder até a exclusividade da mais nativa de suas frutas: a jabuticaba, que tem um poder antioxidante superior ao do açaí. Ela já está na mira dos mesmos empresários que, com criatividade de marketing, reinventaram a fruta amazônica.
A relevância do comércio de frutas transcende o mundo do marketing e mistura-se à história política de alguns países. Ao menos dois presidentes foram depostos na América Central em golpes promovidos por produtores e exportadores de frutas. O primeiro foi o presidente de Honduras Miguel Dávila, deposto em 1911 num golpe abertamente patrocinado pela companhia americana Cuyamel Fruit. Em 1954 foi a vez do presidente da Guatemala Jacobo Arbenz, deposto após expropriar terras da United Fruit Company. Conhecida como "O Polvo", por seus tentáculos políticos e financeiros, a companhia controlou o comércio internacional de bananas por décadas. Teve na sua presidência, nos anos 60, um dos grandes visionários do comércio mundial de frutas, o empresário Herbert Cormelle. Episódios como esses motivaram o humorista americano William Sydney Porter a cunhar a expressão "República de Bananas" para designar, pejorativamente, países governados por regimes militares corruptos e cuja economia, atrasada, se baseava nas exportações de um único produto básico. No cinema, esse arquétipo foi retratado por Woody Allen em Bananas, filme de 1971 em que um testador de produtos de uma grande empresa se transforma, acidentalmente, em presidente da republiqueta fictícia de San Marcos.

Ninguém imagina que o Brasil irá se tornar uma "República de Açaís". A economia do país é muito mais diversificada do que a de nações caribenhas ainda dependentes exclusivamente do mercado dos Estados Unidos. Mas, no comércio mundial, ganha mais dinheiro quem cria novos e exclusivos produtos. Um açaí pode ser apenas um açaí, como concluíram os ribeirinhos da Amazônia. Mas pode ser algo mais.

Cuba revê economia socialista para solucionar problemas

Havana. Economistas e especialistas cubanos discutem pela primeira vez desde a revolução de 1959 alternativas para combater a "ineficiência, o roubo e a má qualidade" dos serviços socialistas, informou ontem a imprensa oficial. A iniciativa é do presidente interino Raúl Castro, irmão de Fidel, que estimula debates sobre os problemas da ilha desde que assumiu o governo há oito meses.

"Encontrar novos métodos que possibilitem incrementar a eficiência econômica e acabar com a corrupção são os principais objetivos que um grupo de profissionais quer alcançar e que pela primeira vez inicia um projeto para analisar a propriedade no país", informou o Juventude Rebelde, jornal da União de Jovens Comunistas. O Partido Comunista cubano encarregou economistas para preparar estudos com propostas para as deficiências em vários setores.

"A propriedade socialista em Cuba enfrenta ameaças externas e internas. Para combatê-las com êxito é necessário que a ciência busque as causas dos problemas", disse o economista Ernesto Molina, do Instituto Superior de Relações Internacionais, durante o encontro.

A criação de uma Comissão sobre as Relações da Propriedade Socialista foi anunciada em outubro do ano passado pelo governo. Depois do anúncio, os jornais publicaram uma série de reportagens sobre o desvio de recursos e os maus serviços nas lojas do Estado.

O Juventude Rebelde diz que as irregularidades impediram o desenvolvimento dos serviços. Há anos os cubanos reclamam da qualidade de serviços estatais. Alguns economistas propuseram a criação de cooperativas como saída ou mesmo uma pequena abertura para a propriedade privada, como na China. Mas representantes do governo cubano se opõem à fórmula chinesa.

O jornal pediu paciência aos cubanos. "Os primeiros resultados do estudo amplo e complexo sobre a propriedade em Cuba serão conhecidos em três anos", informou. A economia do país, inspirada no modelo comunista da União Soviética, é fortemente controlada pelo Estado, que proporciona os insumos e estabelece os preços dos produtos.

Afastado do poder desde julho do ano passado, Fidel, 80 anos, publicou dois artigos nas últimas semanas. Um deles sobre aquecimento global e outro sobre os riscos dos biocombustíveis. No segundo texto, o líder socialista criticou a parceria dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George Bush para a produção de etanol, classificada de "internacionalização do genocídio".

TOQUEDEPRIMA...

Câmbio incentiva aumento de importações em 19 setores

Dezenove segmentos industriais brasileiros, de um grupo de 21 pesquisados pela Rosemberg & Associados, registraram expressivos crescimentos nas quantidades importadas entre 2003 e 2006, na comparação com os quatro anos imediatamente anteriores. O resultado é de um levantamento feito pela consultoria, que mostrou avanços nos volumes importados de até 170% no período.

O câmbio fraco foi o principal responsável por estes crescimentos. Os dados mostraram que nos quatro anos entre 1999 e 2002 havia ocorrido exatamente o inverso. Em apenas quatro segmentos houve crescimento das importações. Não à toa, o período envolve, por exemplo, as desvalorizações do real em janeiro de 1999 e as taxas elevadas do ano da disputa das eleições presidenciais. No segundo semestre de 2002, o dólar chegou perto dos R$ 4.

O autor do estudo, o economista Fernando Fenolio, explicou que o forte crescimento decorreu da valorização cambial nos últimos quatro anos, além do próprio crescimento da economia, que foi mais forte do que no período anterior analisado.

Os novos dados do Produto Interno Bruto (PIB) mostraram que o crescimento econômico entre 2003 e 2006 foi de 3,3%, superior aos 2,1% do período entre 1999 e 2002. O maior crescimento da economia exige a importação de mais produtos intermediários (usados na fabricação de outros produtos), além de bens de consumo prontos, para atender a demanda.

Os dados mostraram que os maiores crescimentos de importação em quantidades nos últimos quatro anos foram dos seguintes segmentos: artigos do vestuário (170%), equipamentos eletrônicos (132%), veículos automotores (103,9%), têxtil (107%), outros produtos metalúrgicos (79,7%), calçados (78,8%) e minerais não metálicos (76,5%).

BC
As compras de dólares do Banco Central (BC) atingiram pouco mais de US$ 7 bilhões em março e terminaram o primeiro trimestre do ano em US$ 21.842 bilhões. O valor adquirido até agora já corresponde a cerca de 64% dos US$ 34,3 bilhões comprados pelo BC em todo o ano passado. Mesmo assim, o real apresentou nos primeiros três meses do ano uma valorização frente ao dólar de 3,51%.

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Brasil deve 8 milhões de dólares à ONU
Agência Estado

Dívida está pendente desde o ano passado.
Estados Unidos pressionam Brasil a aumentar valor pago à entidade.


O Brasil acumula dívida de US$ 8 milhões (cerca de R$ 16,2 milhões) com a Organização das Nações Unidas (ONU), saldo pendente desde o ano passado. O valor agora terá de ser pago junto com a contribuição anual de 2007, que será de US$ 26 milhões

Enquanto busca recursos para quitar o débito, o Brasil é pressionado pelos Estados Unidos a aumentar o valor pago ao orçamento da ONU.

Em 2006, o pagamento brasileiro à entidade deveria ter sido de US$ 37 milhões. Mas apenas US$ 29 milhões foram depositados até o prazo final, que era 31 de dezembro.

O Brasil acumulou a dívida mesmo tendo conseguido reduzir o valor de seus pagamentos à ONU em mais de 42%. O país foi beneficiado por nova fórmula de cálculo das contribuições, que agora considera não apenas o tamanho da economia, mas também o poder de compra dos cidadãos.

Com isso, o Itamaraty passou a pagar por apenas 0,8% do orçamento regular da ONU. Até 2005, era 1,52%. Nas operações de paz, que contam com orçamento separado, o Brasil reduziu suas contribuições de 0,3% para 0,17% do total. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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De volta à TV

O ex-presidente Fernando Collor (AL), senador pelo PTB, volta às propagandas partidárias nacionais nos próximos dias 21 e 22 de abril.

Vai falar no horário reservado à propaganda eleitoral grauita do PTB. Além dele, falarão o presidente da legenda, Roberto Jefferson, e o líder do partido na Câmara, Jovair Arantes (GO).

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Prefeito cassado foge com carro oficial

BELO HORIZONTE - Depois de ser cassado pela Câmara Municipal, em pleno feriado de carnaval, por desvio de verbas públicas, o ex-prefeito de Turmalina (MG), Soelson Barbosa de Araújo (PTB), é alvo de nova acusação. O atual prefeito, Zailson João Macedo Godinho (PMDB), ajuizou uma ação de reintegração de posse, acusando Araújo de deixar a cidade levando um carro oficial do gabinete da prefeitura.

O juiz da comarca de Turmalina, Adriano Leopold Busse, concedeu liminar determinando a devolução do veículo, um Santana.

Ao jornal Estado de Minas, o ex-prefeito negou intenção de se apropriar do veículo e disse que ele está guardado numa garagem, no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte, onde possui um escritório de consultoria.

Ele afirmou também que recorreu ao Tribunal de Justiça e espera ser reconduzido ao cargo. Mas não soube explicar porque levou o Santana para a capital mineira e o motivo de o veículo oficial não estar a serviço da prefeitura.

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Só fechando

Enquanto os Estados Unidos e a União Européia firmaram um acordo que dá mais liberdade às suas empresas aéreas, no Brasil a solução é outra.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade a política que Lula tem usada para o mercado de aviação comercial no Brasil é, sim, nebulosa. Ela atende a interesses não confessos até aqui, onde a discriminação para com as companhias líderes de mercado estão sendo jogadas no lixo, em detrimento das empresas menores, porém ligadas à amigos do reino. Além, inegavelmente, de privilegiar aquelas onde um certo lobista consultor de empresas “amigas” mantém clientela.

Como este é um mercado onde não se admite improvisação e incompetência, parte da confusão e do caos que o transporte aéreo vive presentemente, deriva deste jogo bandido e canalha. O que vem de certa forma como que demonstrar que os passageiros e usuários do transporte aéreo brasileiro nunca foram a preocupação central do governo Lula. E como a crise já se arrasta por penosos 6 meses sem que este desgoverno nada tenha feito a não ser empurrar a culpa para os outros, fica evidenciada esta verdade: o governo Lula não ta nem aí para os passageiros.

TV americana demite locutor de rádio por racismo

Na Folha online, lemos que um famoso locutor de basquete, da rede CBS, foi demitido por conta de comentário que fez no ar, e considerado ofensivo e racista.

Os americanos podem até ser um tanto exagerados nestas coisas de “politicamente correto”. Mas uma ofensa é uma ofensa e ponto final. Seja proferida por quem quer que seja, a sociedade americana trata a todos sob o mesmo chicote. Lá, diferentemente do Brasil, ninguém está acima da lei. O estado de direito é a defesa da própria sociedade contra aqueles que a agridem, transgridem ou desejam perturbar a vida, a ordem e harmonia social. Como vimos na semana passada, uma senhora pertencente a Secretaria da Igualdade Racial, do governo Lula, não considera racismo aquele feito ao contrário, do negro em relação ao branco. Lá, tal declaração seria motivo de demissão sumária da secretária. No Brasil, provavelmente será convidada para participar de muitas solenidades pelo seu chefe. Ganhará afagos e elogios, e provavelmente, em um destes deprimentes discursos de improviso, seja abençoada com o carinho presidencial. Afinal, ela nada mais fez do cumprir a risca um certo método petista de fazer política.

É bom que as oposições, PSDB e DEM, deixem os encantos de seguirem a procissão, e comecem a pensar em alternativas para o país deixar de ser menos medíocre. Não existe um único caminho para o bem. Existem vários. E o petista não se enquadra em nenhum deles. Ou tucanos e democratas retomam urgente um discurso alternativo, voltado ao interesse do que é melhor para o país, ou vão comer muita poeira. Reparem nos índices divulgados pelos institutos de pesquisa nesta semana: basicamente Lula se mantém no topo com os mesmos percentuais do segundo turno da eleição de 2006. E isto apesar do apagão, apesar da preguiça, apesar dos cem dias jogados no lixo, dos 130 mil casos de dengue, das inúmeras mortes estúpidas, da violência crescente. Em todos estes casos, é inequívoca a falta de governo. E onde você ouve a oposição debater-se? Onde andam os caciques do PSDB por exemplo, ocupados com o quê? Se ninguém opõem-se ao Lula o recado fica dado: não precisa ele fazer absolutamente nada para manter-se no topo. E aí, meus amigos, para ele sonhar com um terceiro mandato, acreditem, é um abraço.

A seguir o texto da Folha Online:
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A rede americana CBS demitiu nesta quinta-feira o locutor de rádio Don Imus, acusado de fazer comentários racistas contra uma equipe universitária de basquete de maioria negra nos Estados Unidos. Imus é um dos locutores mais famosos dos EUA.

Imus inicialmente recebeu uma suspensão de duas semanas por chamar as jogadoras do time de "prostitutas de cabelo pixaim" ("nappy-headed hos'") durante um programa na última semana. Enquanto a controvérsia crescia, anunciantes boicotaram os programas do locutor na rádio CBS.
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"Há muita discussão sobre o efeito que esse tipo de linguagem tem nos jovens, especialmente em jovens negras tentando encontrar seu espaço na sociedade", disse o presidente da CBS, Leslie Moonves, ao anunciar a decisão de demitir Imus. "Isso foi o que mais pesou para nós quando tomamos nossa decisão."Uma porta-voz do time de basquete da Universidade Rutgers não comentou imediatamente a demissão do locutor. Imus deverá se reunir com o time na noite de hoje, de acordo com informações do pastor que aconselha a treinadora Vivan Stringer.
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InfluenteA revista "Time" já nomeou o locutor como uma das 25 pessoas mais influentes dos EUA, e ele era membro do Hall da Fama das emissoras americanas (National Broadcaster Hall of Fame).
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Imus se viu no centro de uma tempestade com o crescimento dos protestos após o comentário sobre o time. Sua demissão será uma perda financeira considerável para a CBS. Seu programa de rádio rendia cerca de US$ 15 milhões por ano em lucros para a empresa.

Os líderes dos direitos civis americanos Al Sharpton e Jesse Jackson se reuniram com o presidente da CBS hoje para exigir a renúncia de Imus. Eles ameaçaram organizar um protesto em frente à sede da empresa no próximo sábado (14) em um esforço para persuadir mais anunciantes a abandonarem seu programa.
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Jackson chamou a demissão "uma vitória da decência pública". "Ninguém deve usar ondas públicas para transmitir degradação racial ou sexual", afirmou. Imus admitiu novamente que seus comentários foram "realmente estúpidos". Após saber da demissão, ele disse que já havia pedido desculpas o suficiente e que não reclamaria de seu destino.
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Os problemas do locutor também afetaram sua mulher, a escritora Deirdre Imus, cujo livro sobre limpeza doméstica foi lançado nesta semana. O tour promocional do livro foi cancelado. A editora do livro informou que o motivo do cancelamento foi "a enorme pressão que recaiu sobre Deirdre e sua família".

O método petista

Secretária de Lula acha legítima invasão de supostos sem-teto. Tal PT, quais oposições?
Reinaldo Azevedo

Por Eduardo Scolese, na Folha. Volto em seguida:
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A secretária nacional de Habitação, Inês da Silva Magalhães, 44, afirmou ontem que são "legítimas" as diferentes ações dos movimentos de sem-teto pelo país. Filiada ao PT, ela compara as manifestações, como acampamentos e invasões a prédios, às promovidas por militantes do Greenpeace.A afirmação foi feita ontem, quando movimentos de todo o país promoveram invasões, bloqueios de vias e atos em pelo menos 11 Estados -MG, SP, BA, AL, PE, MA, CE, RJ, SE, PR e SC- e no Distrito Federal.
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"São manifestações que são legítimas no sentido de chamar a atenção da sociedade para esse tema, assim como o Greenpeace se amarra no casco de um navio. Cada movimento da sociedade e cada organização tem a sua estratégia de manifestação", disse a secretária nacional do Ministério das Cidades.(...)
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As invasões promovidas ontem em todo o país foram convocadas pela União Nacional por Moradia Popular (UNMP). O objetivo, segundo o movimento, é cobrar dos governos municipais, estadual e federal programas de moradia popular.
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As invasões foram pacíficas e, em sua maioria, duraram só algumas horas. Em São Paulo, foram três invasões e uma tentativa frustrada, além de duas manifestações. As ações conjuntas foram decididas em assembléia nacional, com as mais de 270 entidades que compõem a União, há cinco meses.O movimento diz não ter ligações com partidos políticos e se mantém com recursos de ONGs ligadas à Igreja Católica, principalmente fora do Brasil, e com a contribuição de militantes. Uma parte substancial das lideranças é filiada ao PT.
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Volto
Entendam bem. Temos um Ministério do Desenvolvimento Agrário que estimula a invasão de terra e entrega o Incra ao MST; um ministro da Defesa que, junto com o presidente, incentiva a quebra da disciplina e da hierarquia militares; uma secretária da Igualdade Racial que acha legítimo certo racismo; uma secretária nacional de Habitação que, na prática, incentiva a invasão de prédios urbanos. Isso é loucura, maluquice, burrice, estupidez? Não! Isso é método. Trata-se de um modo racional e calculado de fazer política. Não! Não acuso uma conspiração, uma decisão tomada nas sombras, nada disso. O PT assume a sua condição de partido dos “movimentos sociais”. E um partido dos “movimentos” tem a sua face de ação direta, que não pode esperar pela mediação institucional.
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Censuro, posts abaixo, a decisão do governador José Serra de criar um grupo executivo para ampliar medidas de reparação racial — ou supostamente racial, já que cor de pele não é raça — em São Paulo. Como digo lá, censuro no mérito (não creio em discriminação positiva; ela sempre é negativa) e também na oportunidade. Ao fazê-lo, o PSDB se alinha com certa militância ligada aos tais “movimentos sociais” que sempre terão uma direção: o PT. Ainda que o PSDB, o DEM ou qualquer outro partido se esforçassem para ter o seu, vá lá, “braço popular”, isso jamais aconteceria porque se trata, felizmente, de entendimentos distintos do que vêm a ser a sociedade e a política. Serra pode impor aquelas cotas se quiser. À frente de querer “justiça”, o movimento é fração de um projeto de poder. E é o do PT.
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Vejam lá o que diz a secretária: “Cada movimento da sociedade e cada organização tem a sua estratégia de manifestação". Entenderam? Para dona Inês, a sociedade é o quê? Ora, é um conjunto de “movimentos”, que vão impondo a sua agenda e a sua pauta no grito, no berro. Quem não grita e não berra não é “movimento” e, portanto, não é nada; não merece nem mesmo ser ouvido. A forma mais acabada que o petismo tem de exercer essa sua “democracia” são os seus tais “orçamentos participativos”. Como eles funcionam? Uma parcela mínima do orçamento é debatido com a “comunidade”. Qual comunidade? A comunidade dos petistas dos vários bairros e núcleos que se organizam. Se você quer ser “participativo”, tem de ser um deles.
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Inexiste para o petista a democracia do cidadão comum, não-mobilizado, que cuida da sua própria vida e da de sua família, ciente de que suas garantias e seus direitos estão consubstanciados num conjunto de leis. Nada! Isso pra eles é bobagem. O indivíduo só passa a existir à medida que ganha uma identidade reivindicadora, que assume um ethos coletivista, que se põe a serviço de uma causa — a causa, evidentemente, do partido.
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É claro que essa mística a que me refiro vale para essa massa de manobra, geralmente gente, com efeito, pobre e ignorante, que ganha, no entanto, a sensação de pertencer a alguma coisa. Já comparei aqui e volto a fazê-lo: o PT tem uma estrutura muito parecida com a dessas igrejas neopentecostais que brotam por aí aos montes (mais novas do que o meu uísque). Da mesma sorte, os dirigentes da Igreja Petista não têm a mesma ingenuidade dos fiéis. Seus “pastores”, “bispos”, “reverendos” e “apóstolos”, se preciso, conseguem ser muito pragmáticos. Mas têm de manter nos fiéis a esperança. Por isso, estimulam esse “tome o que lhe faz falta; é um direito”.
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Onde as oposições erram? Ainda não aprenderam a falar ao “cidadão-ninguém”, àquele não mobilizado, ao que não sai gritando por aí “fogo na floresta” — ou, o que é pior, botando fogo na floresta. Querem um exemplo? Os 3,4 milhões de pessoas jurídicas que estão na bica de serem achacadas ou humilhadas por fiscais da Receita não vão para as ruas ocupar prédios públicos, não tomam dos outros o que não lhes pertence, não praticam o assalto social. E, por isso, ninguém dá bola para elas. Mais do que isso: as lideranças de oposição deixam que sejam sacrificadas no altar do petismo, como carneiros.
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Enquanto isso, a tigrada sai por aí botando fogo no circo. Todos eles têm uma profissão: são “discriminados”. E, é claro, são petistas. E impõem a sua agenda tanto a “seus” governos como aos governos dos “adversários”.

Controladores de vôo da França em greve. E daí ?

A Folha de São Paulo noticia que os controladores de vôo na França entraram em greve. Quinhentos atrasos. E a greve foi convocada por quem ? Pelos sindicatos CGT e CFDT. É isso, leitor amigo: a conseqüência da desmilitarização do setor causa estes “transtornos”. Em sendo no Brasil onde os sindicalistas privatizaram o Estado, você pode imaginar o quanto passageiros brasileiros sofreriam nas mãos destes abnegados, caso a CUT conseguisse por seu alçapão nos controladores. No mínimo, uma greve por ano, claro, depois que Lula não fosse mais presidente. Seria uma chantagem só, paralisando os aeroportos de norte a sul. Isto é o poder do PT. Estar no governo apenas dá um acabamento final de sua ideologia infestando o cotidiano nacional. Onde ele efetivamente exerce seu poder é nos sindicatos, capazes de infernizar a vida de qualquer governante não petista, e tornar a vida do cidadão um tormento só. Não por outra razão por detrás do movimento sindical pela manutenção do veto à Emenda 3 da Super-Receita está o desejo cafajeste destes gigolôs de amealharem mais alguns milhões de contribuintes que, cansados da exploração tributária de um estado corrupto e perdulário, resolveram organizar-se em pessoas jurídicas. Ação absolutamente legal, prevista e respeitada arcabouço jurídico nacional. Mal qual, onde já se viu estes “elitistas” de “crasse média” querer ser independentes ? Portanto, que a França seja a alavanca capaz de mover todos os prestadores a montarem guarda no Congresso para a derrubada do veto presidencial. Vale dizer ainda que, uma das muitas razões para o país permanecer com desemprego historicamente na marca de 10%, é o excesso de tributo sobre o trabalho e a produção. Enquanto no mundo capital e trabalho são facilitados para uma convivência harmoniosa, aqui são colocados em lados opostos e feitos uns inimigos dos outros. Não é a toa que crescemos a metade do que os demais emergentes.

A seguir o texto da Folha:

Greve de controladores causa suspensão de 500 vôos na França
da Efe, em Paris
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Uma greve de controladores aéreos na região de Paris causou nesta quinta-feira a suspensão de mais de 500 vôos, a maioria deles no Aeroporto de Orly, informou hoje a Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) da França.
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A paralisação foi convocada pelos sindicatos CGT e CFDT. Como os afiliados dessas centrais são maioria no Aeroporto de Orly, este terminal aéreo teve suspensa mais da metade dos 700 vôos programados para esta quinta-feira.
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Já no Aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, no qual os afiliados à CGT e à CFDT são minoria e a adesão à greve foi de apenas 9%, aproximadamente 15% dos 1.500 vôos programados foram cancelados.
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Por sua vez, no Aeroporto de Athis-Mons (arredores de Paris), 35% dos controladores aderiram ao movimento, segundo a DGAC.
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Por causa da paralisação, entre os vôos que não foram suspensos, os atrasos têm sido, em média, de duas horas de meia.
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Com a greve, os sindicatos protestam contra a primeira fase do projeto de centralização do controle aéreo, que prevê a transferência de todos os controladores que trabalham no Orly e no Roissy para o centro do Athis-Mons até 2011.
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O projeto, considerado estratégico pelos administradores dos aeroportos parisienses, foi acordado com os sindicatos em 2006, mas previa que a mudança para o novo centro unificado fosse acontecer entre 2015 e 2017.
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A paralisação dos controladores na região de Paris terminará amanhã, às 6h (1h de Brasília), por isso o tráfego aéreo só deverá "voltar ao normal" no fim de semana, segundo a DGCA.

Segurança pública, a mentira

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

Policiais, preparem-se para continuar morrendo como moscas.

Sempre que mais um de vocês for exterminado sem dó pela bandidagem e vocês ouvirem as autoridades falarem em força-tarefa, força nacional ou Exército nas ruas, podem ter certeza que o que vai ser feito para melhorar a segurança é mais ou menos o que vinha sendo feito antes: nada.

O secretário nacional de segurança, Antonio Carlos Biscaia, não tem o menor constrangimento em se pendurar nesse factóide de Força Nacional de Segurança Pública. Alguém minimamente sério pode acreditar que o Estado brasileiro, que não tem onde cair morto, vai criar um esquadrão formidável para fazer o que as polícias militares, civis e federal não estão fazendo?

Aí vem esse governador fanfarrão, Sérgio Cabral Filho, dizer que não quer passar quatro anos enterrando vítimas da violência. É curioso como essas figuras acreditam que a vida é um palanque. Uma frase de efeito, e está tudo resolvido.

Prezado Sérgio Cabral Filho, talvez não tenham lhe avisado: o governador é você. E o que ninguém agüenta mais é esse truque de dizer que vai chamar o Exército, meu caro. A população do Rio e de todos os estados brasileiros está esperando o dia em que os governantes parem de pedir ajuda aos marcianos e resolvam cuidar para valer das polícias aqui do planeta Terra.

Deve ser muito estimulante para os bons policiais do Rio de Janeiro, ansiosos por uma reforma institucional, por um enfrentamento da banda podre, por um salário digno do risco que correm, pela seleção e qualificação dos comandos, ouvir o governador dizendo que vai chamar o Exército.

Seria uma piada, se não fosse uma tragédia. A quem essas autoridades querem enganar? Até as baratas do Palácio Guanabara sabem que o Exército não pode, não sabe e não fará segurança pública nos grandes centros urbanos. Por sua vez, as moscas do Planalto (e elas estão em alta por lá) estão cansadas de saber que segurança pública no Brasil é Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal. Reformá-las, se for possível. Ou apenas dar a elas mínimas condições de trabalho. Decência.

Se os senhores Cabral, Biscaia, Genro e companhia não tiverem vontade (ou coragem) de fazer o óbvio, tudo bem. Não façam. Mas parem de insultar o cidadão com esse teatrinho da autoridade ultrajada.

O sindicalista senta praça

Villas-Bôas Correa, Jornal do Brasil

O jogo de empurra dos irresponsáveis pela crise de autoridade na novela do apagão aéreo não deixou em posição confortável nenhum dos personagens, com exceção do brigadeiro Juniti Saito, desde fevereiro no comando da Aeronáutica.

O papelão do governo, do presidente-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, que sentou praça para driblar o ridículo do seu recuo, deixando os controladores de vôo a ver aviões, passa pela ministra Dilma Rousseff, soterra o omisso ministro da Defesa, Waldir Pires, o último a saber das coisas, e expõe o caipora ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o único encontrado, em Brasília, na tarde de sexta-feira, 30 de março, laçado por Lula em telefonema do Estados Unidos para apagar o incêndio, e usado como cortina para disfarçar os malabarismos presidenciais.

O que todo mundo está cansado de saber bateu recorde de leviandade: o governo inchado expôs-se na nudez da sua desorganização, da falência do comando e da desarticulação administrativa.

A crise vem de 2006 e comemorou a passagem do ano com a bagunça dos aeroportos, o cancelamento e o atraso de dezenas de vôos, com os passageiros abandonados como gado em currais de abate, sem informações, sem assistência.

O governo tratou a desordem instalada em todo o país com desculpas e confiou que o tempo encontraria a saída. Esforçou-se para impedir a instalação da CPI do Apagão.

A lerdeza presidencial consumiu seis meses para as mudanças no monstrengo ministerial, com o desperdício do tempo precioso para a arrancada para o segundo mandato. E tratou o episódio de transparente gravidade, com todas as advertências do risco de degenerar em crise institucional e fardada, como mais um aborrecimento que se contornaria com agrados, promessas e discursos recheados das metáforas ousadas que chegaram ao ponto depois do efe.

Negligência repassada pela herança abençoada do quatriênio inaugural. Gastou com largueza para construir, reformar, ampliar, embelezar aeroportos em todo o país. Claro: aeroporto tem visibilidade. Obra dá voto e despeja propinas pelos ralos da corrupção.

Quem se interessa pelo sofisticado sistema de controle aéreo? Os incautos usuários de aviões confiam nos que zelam pela sua segurança. Os técnicos esgoelaram-se nas advertências sobre o excesso de trabalho dos controladores e nos pedidos de recursos para a modernização da enfartada rede de radares.

O estopim da crise acordou os dorminhocos. E exibiu o estofo dos astros do elenco. Muitos erraram, foram enganados e pagarão a conta. Outros, como o ministro Paulo Bernardo, merecem a indulgência do esquecimento. A reação do comando da Aeronáutica era previsível e esperou a hora de assumir a responsabilidade de restabelecer a hierarquia e a disciplina.

O presidente Lula representou vários personagens no enredo. No primeiro ato vestiu o macacão de líder sindicalista e prometeu tudo aos controladores em greve. Alertado pela reação da Aeronáutica, deu meia-volta, volver, entregou a batata quente ao brigadeiro Juniti Saito, declarou-se traído pelos grevistas e prometeu "mais dinheiro para modernizar a Marinha, o Exército e a Aeronáutica".

E o sindicalista, no embalo da emoção, distinguiu as greves justas das que estigmatizou com palavras de fogo: "Acho grave e uma irresponsabilidade de pessoas que têm funções consideradas essenciais e delicadas, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional".

Ora, toda a greve paralisa setores importantes e perturba a vida da população. Pelo visto, daqui por diante, greve só de camelôs, baleiros e engraxates.

TOQUEDEPRIMA...

População brasileira cresce acima da média

O Brasil continua com uma taxa de crescimento demográfico bem acima da média dos países ricos, que começam a rever suas políticas para evitar que, em 25 anos, um quarto da população tenha mais de 65 anos de idade. Os dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que a taxa de fertilidade nos países ricos já está abaixo do índice de reposição da população e que apenas a imigração pode compensar agora a falta de mão-de-obra.

Segundo a OCDE, o crescimento da população brasileira em 2005 foi de 1,4% contra 0,69% em média nas economias desenvolvidas. Entre 1992 e 2005, o Brasil ainda apresentou o quinto maior crescimento entre os 35 países avaliados pela entidade. O aumento no Brasil foi de pouco mais de 1,5% por ano. A taxa, porém, vem caindo. Em 1992, o crescimento demográfico era de 1,66%.

O maior crescimento entre as 35 principais economias do mundo foi registrada na Índia, que em breve terá a maior população do mundo e superando a chinesa. A média de crescimento desde 1992 foi acima de 1,8% por ano. Já a Rússia vem enfrentando um crescimento negativo na última década que tem assustado as autoridades. Nos países ricos, o crescimento médio desde 1992 foi de apenas 0,7%.

A taxa de fertilidade passou de 2,7 crianças por mulher em 1970 para apenas 1,6 em 2004. A taxa mínima para que haja uma reposição da população é de 2,1 crianças por mulher. No Brasil, a taxa de fertilidade hoje é de 2,3, contra 2,69 em 1991. Diante desse cenário, países como Hungria, Polônia e Alemanha tiveram crescimento negativo de suas populações em 2005. A tendência promete criar grandes problemas para países ricos. Segundo as estimativas da OCDE, 35% da população espanhola e 40% da japonesa terão mais de 65 anos em 2050.

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Na Inglaterra, Brasília é bordel
Josie Jerônimo, Jornal do Brasil

Com saudade da terra natal, a cafetina Michelle Nailde Alves Tasker, 42 anos, resolveu dar um ar tupiniquim ao empreendimento que mantinha em Preston, cidadezinha localizada ao Norte da Inglaterra, no condado de Lancashire. Michelle batizou de Brasília o bordel situado à Rua Cannon, local de concentração de bares e restaurantes.

Disfarçado como uma casa de relaxamento e estética, o Brazilia Health Studio escondia atrás de sua fachada verde-amarela o maior prostíbulo da região. Michelle e o namorado, David Finch, são acusados de atuar no tráfico de brasileiras. A cafetina foi presa em flagrante e as fotos do bordel foram parar na primeira página da edição de ontem do jornal Lancashire Evening Post.

A filha de Michelle, Danielle Tasker, 19 anos, comandava a casa de prostituição. De acordo com a Justiça inglesa, o negócio rendeu quase meio milhão de reais em um ano.

Há algum tempo, a polícia desconfiava da movimentação do lugar. Flagraram, muitas vezes, garotas circulando na entrada do Brazilia vestidas, numa versão mais insinuante, como auxiliares de dentista. Mas os agentes precisaram de 11 meses de investigação para comprovar o ramo de atividade da brasileira.

Em depoimento, uma das prostitutas disse que chegou a atender 27 clientes em um dia. Sabrina de Brito, 31 anos, contou que ficava com 40% do que ganhasse.

A polícia encontrou uma tabela de preços. Entre as promoções estava a oferta de 30 minutos com duas garotas por 100 euros. Dois executivos do banco Lloyds TSB também são investigados como cúmplices por lavar dinheiro do tráfico humano. O namorado da cafetina e os dois banqueiros negam as acusações e respondem a inquérito em liberdade.

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Para Chávez, capitalismo é 'caminho para o inferno'

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse durante sua visita à Bolívia, neste sábado, que o capitalismo seria o "caminho para o inferno".

"Os que querem ir direto para o inferno podem seguir o capitalismo", disse ele em um comício na cidade de Trinidad.

"Os de nós que querem construir o paraíso na Terra devem seguir o socialismo."

Chávez também prometeu destinar mais de US$ 1 bilhão para projetos petrolíferos e a construção de rádios comunitárias na Bolívia, o país mais pobre da América do Sul.

Resposta
A ajuda dada pela Venezuela à Bolívia (US$ 15 bilhões) para ajudar o país a lidar com os estragos causados recentemente por enchentes é dez vezes maior do que a destinada pelos Estados Unidos.

Chávez está visitando países latinoamericanos que não foram incluídos na agenda do presidente americano, George W. Bush durante sua visita à região.

Bush tem evitado discutir a viagem de Chávez mas, neste sábado no Uruguai, ele defendeu o capitalismo como forma de gerar riquezas para as pessoas.

O presidente americano também defendeu a diplomacia dos Estados Unidos.

"Eu chamaria nossa diplomacia de sutil e efetiva… destinada a ajudar as pessoas, elevar a condição humana, expressar a grande compaixão do povo americano", disse ele.

Bush chegou à Colômbia neste domingo, onde se encontra com o presidente Álvaro Uribe. Ele visita ainda a Guatemala e o México.

Depois de passar por Argentina e Bolívia, Chávez vai à Nicarágua.

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Incapacidade de decidir
Carlos Sardenberg, G1
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O apagão aéreo resulta de uma doença espalhada pelo governo Lula, a incapacidade para tomar decisões em temas disputados, as bolas divididas.
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Como no caso do apagão, o padrão é o mesmo: as posições estão claramente postas (manter o sistema militarizado ou transferir para um órgão civil) e simplesmente o governo não consegue tomar a decisão.
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São casos iguais:

- Concessão de rodovias federais a empresas privadas – não é um bicho de sete cabeças, mas está em estudos desde o início do primeiro mandato; um edital chegou a ser publicado e foi cancelado; o caso coloca de um lado os que querem conceder as estradas às empresas privadas e os que desconfiam dessa prática. Estes querem colocar tantas restrições que a coisa não anda.
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- Parcerias Público Privadas – as PPPs , exatamente a mesma história.
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- Lei de saneamento – a lei saiu, depois de quatro anos, mas com um tal nível de exigências para que as prefeituras façam licitações que ficou impraticável; as exigências foram sendo colocadas para acomodar as diversas posições.
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- Licença ambiental de hidrelétricas – exemplo: o Ministério de Minas, dizendo ter essa informação do Ibama, já anunciou várias vezes a data para a licença da primeira usina do rio Madeira, incluída no PAC como prioridade; o Ibama diz que não tem data.
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- Biotecnologia – o governo criou um tal sistema na Comisão Técnica Nacional de Biotecnologia que ela já se reuniu dezenas de vezes e não tomou uma decisão sequer. Na pauta, a liberação de transgênicos. Colocaram-se na comissão os favoráveis e os contrários, mas de um tal jeito que a decisão não sai. É o exemplo perfeito dessa doença.

Trabalho motiva pouco no Brasil

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa

Reportagem - aliás muito boa - de Juliana Portugal, "O Estado de S. Paulo" de 01/04, com base em pesquisa do Gallup Organization (me parece ser o Instituto americano) revela que nada menos que 79 por cento dos que trabalham no Brasil estão insatisfeitos com seu emprego. Me lembro que, em 1965, no "Correio da Manhã", sugeri à direção do jornal levantamento semelhante, junto com o Ibope, para medir o grau de satisfação e perspectivas de trabalho.

Falei com meu amigo Paulo Montenegro, pai do atual diretor-presidente, Carlos Augusto. Creio que o pensamento conservador e a inércia bloquearam a iniciativa. A idéia ressurgiu agora com êxito e fico satisfeito por isso. Importante esta pesquisa. Afinal de contas, passamos praticamente um terço de nossas vidas trabalhando. Às vezes mais. Além disso, a existência de todos nós depende se nossa atividade profissional. De uma forma ou de outra depende do que produzimos. E só há três fatores de produção: capital, tecnologia e trabalho humano. Máquinas não precisam de dinheiro, tampouco têm emoção.

Restam o capital e o trabalho, eterno conflito. Difícil administrá-lo como os fatos comprovam através da história. Em nosso país, a partir de FHC, o lema tem sido para o capital tudo, a começar pelas privatizações-doações de que fala Helio Fernandes, para o trabalho nada. Exagero? Não. Basta confrontar os índices de inflação do IBGE e as percentagens aplicadas aos reajustes dos salários. A motivação, claro, tem que cair, como tem declinado e o Gallup demonstrou. Isso porque todo ser humano tem como objetivo progredir na vida. É evidente e lógico. Mas pelo Trabalho? Coletivamente impossível.

Dentro de um quadro assim comprovado matematicamente, os 90 milhões que formam a mão-de-obra ativa brasileira, especialmente os funcionários públicos, sentem-se desprestigiados e explorados, pessoas de segunda classe. Muitos se empenham a fundo em suas tarefas. Mas, de repente, se perguntam: para quê? Afinal, vivemos em um país em que, por exemplo, a taxa inflacionária de 2006 foi de 3,1 por cento, porém os juros cobrados pelo comércio nas vendas a prazo e nos créditos bancários atingem 57 por cento ao ano.

Que providência toma o governo, por intermédio do banco Central, como seria de esperar, para conter tal absurdo, tal disparidade? O nível de emprego em fevereiro subiu de 9,3 para 9,9 por cento em relação ao mês anterior. Reemprego é uma aventura. Qual a política trabalhista do governo? Até hoje não existe. Se houvesse, pelo menos os salários empatariam com a inflação oficial. Nem isso.

Os salários no Brasil são baixíssimos. Descem de valores de ano para ano. Uma prova? Nos últimos quatro exercícios, a parcela de trabalhadores e funcionários que ganhava o salário mínimo subiu de 22 para 27 por cento. E que dizer dos demais vencimentos? Estamos num país em que 76 por cento dos que trabalham não recebem mais do que cinco pisos. E apenas 1 por cento ganha mais que 20 salários mínimos, 7 mil reais por mês. Sentindo barrada a rota do progresso, a população brasileira se desmotiva, fenômeno que o Gallup detectou. Com isso, o ato de trabalhar torna-se penosa obrigação, não um prazer.

Não há satisfação de realizar e construir alguma coisa, por menor que seja. É exatamente a partir deste ponto que se projeta o subdesenvolvimento social.

No Brasil, exceções confirmando a regra, só há incentivo para o capital, não para o trabalho. Tanto assim que as pessoas físicas terminam pagando mais Imposto de Renda do que as empresas. Além de substituírem estas no que se refere a assumir o peso dos tributos. Outro dia, nesta coluna, dei o exemplo do comércio de automóveis. O ICMS (estadual), o IPI (federal) e o ISS (municipal) são embutidos no preço final dos veículos. Portanto foram pagos pelos consumidores.

Entretanto, no ano seguinte, a montadora e o revendedor deduzem as três contribuições fiscais no Imposto de Renda a ser recolhido pela cédula. Como? Nós é que pagamos e eles, que não pagaram nada, embutiram tudo no preço, é que têm o direito de abater? Basta a simples colocação do tema para que todos tenham a mais plena certeza do absurdo e da injustiça. Num panorama assim, difícil haver motivação. Os seres humanos não são tratados dignamente no País. Com isso, o Brasil perde - e muito. Cria-se um fator a mais para o empobrecimento e para um comportamento mental negativo.

Desconfiamos de tudo e de todos. Não acreditamos em nada e em ninguém. Motivos não faltam. Os fatos estão aí. O Gallup localizou o fenômeno, nós o estamos explicando. A desmotivação entretanto não decorre apenas da falta de cursos e de treinamento profissional moderno. Trata-se de uma conseqüência da injustiça que essencialmente se pratica todos os dias.

Um reflexo da falta de perspectiva. Como o PIB, formado em um terço pela massa salarial, pode evoluir assim? Muito difícil. Mas quais os governantes que conseguem ver o óbvio? Muito poucos. E, mesmo assim, só no papel, na teoria, não na prática. Falta visão econômico-social concreta e lúcida entre nós. A insensibilidade é um desastre. O Gallup mostrou.

Um texto petralhicida no Estadão

Reinaldo Azevedo

Muitos me perguntam: “Mas o que é um petralha? O que é o petralhismo? Todo petista é petralha?” Vamos tirar algumas dúvidas.
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O neologismo “petralha” nasce, evidentemente, da fusão das palavras “petista” com “metralha”. O cara não precisa roubar dinheiro apenas (assim como os Irmãos Metralha queriam a caixa forte do Tio Patinhas) para ser um petralha. Ele (ou ela) também pode ser um ladrão de verdades. Isto mesmo: o cara rouba de você a verdade, põe uma mentira no lugar e passa a discursar como se aquela criação monstruosa, que é dele, fosse fato. Isso é ser um petralha. E o petralhismo é aquilo que ele pratica.
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O petralhismo é uma coisa perigosa porque sempre vem com a aparência de verdade. Mais ou menos como o demônio. No geral, basta a matemática para que ele comece a exalar cheiro de enxofre. Todo petista é petralha? Não! Alguns não são, coitados!, os ingênuos. Mas vejam lá. São uma minoria.
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Tudo isso porque quero lhes apresentar um texto — talvez muitos já o tenham lido — que foi publicado no Estadão no domingo. Eu também, infelizmente, o li com atraso. O jornalista Ethevaldo Siqueira contesta uma frase idiota do ministro das Comunicações, Hélio Costa. E desmonta, com uma fartura de dados e com clareza ímpar, um dos mitos criados pelo petralhismo: “A Telebrás foi vendida a preço de banana”. Leiam o artigo. Vale a pena. E procurem, com ele, se for o caso, salvar algumas almas. Segue em itálico o texto:
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Os fatos desmentem o ministro Hélio Costa

“A Telebrás foi vendida a preço de banana” - proclamou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao falar na quarta-feira na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicações da Câmara. Não dá para silenciar diante de uma declaração dessas. O que o ministro chama de “preço de banana” deve equivaler ao da produção de banana de toda a América Latina durante um século, pois foi de R$ 22,2 bilhões ou US$ 19 bilhões da época, com ágio superior a 63% sobre o preço mínimo.
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Na verdade, a Telebrás foi vendida pelo preço mais elevado entre todas as grandes operadoras do setor privatizadas no mundo na década dos 1990, segundo avaliou na época a revista inglesa Privatisation, de Londres.
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Ao longo da semana que passou, o ministro criticou duramente a qualidade das televisões estatais de três países e, em seguida, respondeu a um diplomata estrangeiro, que dele discordou. Depois, participou de tumultuada audiência na Câmara, em que fez a revelação de impacto sobre a venda da Telebrás por preço vil.
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Façamos um brevíssimo retrospecto dos fatos relativos ao leilão da estatal das telecomunicações em julho de 1998. As ações da Telebrás estavam pulverizadas nas mãos do público e somente um terço delas (33,3% do capital) eram ações ordinárias, com direito a voto. Como o governo detinha pouco mais da metade daqueles 33,3%, era essa a fatia que estava à venda no leilão de privatização. Embora representasse apenas 19% do capital total da Telebrás, esse bloco de ações ordinárias significava o controle da Telebrás.
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Poucas semanas após a privatização da Telebrás, viria a crise da Rússia, que afastou a maioria dos grandes investidores de leilões de privatização no mundo. E, para agravar ainda mais esse quadro, assistimos, menos de dois anos depois, ao rompimento da bolha da internet e das telecomunicações, com a desvalorização dramática de todos os ativos dessas duas áreas. Exemplo dessa desvalorização ocorreu quando a Embratel foi vendida pela MCI à Telmex, por um terço do preço pago na privatização.
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Embratel
Ao mencionar de passagem a Embratel, Hélio Costa afirmou na audiência da Câmara que “ninguém previu que em uma emergência (para formar uma rede de TV, por exemplo) será necessário pedir autorização aos mexicanos”.
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Talvez seja mera força de expressão essa acusação do ministro da eventual necessidade de “pedir autorização aos mexicanos”, pois qualquer pessoa ou empresa pode contratar serviços de transmissão de telecomunicações no Brasil, em contato direto com a Embratel. Mais do que isso: pode buscar as operadoras dos 40 satélites internacionais autorizados a prestar serviços sobre o território brasileiro. Ou ainda usar a alternativa de uma dúzia de troncos de microondas terrestres de longa distância operados por outras concessionárias nacionais.O ministro também não reconhece os reais benefícios que a privatização trouxe para o desenvolvimento e modernização das telecomunicações no Brasil. No entanto, são números que não admitem contestação, pois, além dos R$ 22,2 bilhões pagos ao governo pelo controle da Telebrás, os novos grupos privados investiram nos últimos nove anos R$ 135 bilhões - algo como US$ 66 bilhões - na infra-estrutura de telefonia fixa e celular, redes sem fio, satélites, banda larga e longa distância nacional e internacional - ampliando o número de acessos telefônicos de 24 milhões para os 145 milhões atuais. Uma expansão de 500%.
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Disparidade
Conforme declarou na audiência na Câmara, Hélio Costa se preocupa com a desproporção entre o faturamento total das empresas de telecomunicações e as de radiodifusão, da ordem de 10 para 1. Essa disparidade, no entanto, é a mesma na Europa, nos Estados Unidos e no Japão.
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O ministro critica também o faturamento anual de R$ 100 bilhões das teles, gerado pela operação de 145 milhões de telefones hoje no Brasil. É bom lembrar que dessa receita total, R$ 40 bilhões são impostos, que saem diretamente de nosso bolso e vão para os governos estaduais e para o Tesouro Nacional. Melhor seria se ele buscasse nos defender desse assalto tributário, em que o Brasil é o campeão mundial, ao cobrar tantos impostos nesse montante de 40% sobre o valor de nossas contas telefônicas.
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Uma lembrança oportuna seria ainda a do cenário em que vivíamos nos últimos dias da Telebrás, em 1998, quando a densidade de telefones fixos e celulares do País era de apenas 14 acessos por 100 habitantes, em lugar dos atuais 76%. Ou dos planos de expansão que, até 1997, nos cobravam R$ 1.117 por uma linha telefônica e ainda nos obrigavam a esperar dois anos ou mais pela instalação do aparelho. Ou pagar até 5 vezes mais no mercado paralelo. Hoje, uma linha telefônica pode ser instalada até de graça, no prazo máximo de uma semana, em todo o País.

O produto das reformas

Por Alexa Salomão, EXAME

Os brasileiros conheceram nos últimos dias uma nova fotografia da economia do país -- e o Brasil que surge nela é bem diferente do que se conhecia até então. Graças à adoção de uma metodologia mais avançada de medir o produto interno bruto (PIB), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que a economia brasileira é 11% maior do que se imaginava. A nova medida teve o mágico efeito de impulsionar o crescimento da noite para o dia. Descobriu-se que, no ano passado, o PIB avançou 3,7%, não os 2,9% indicados pelo método anterior. Mais importante foi o fato de a nova aferição captar os resultados de alguns avanços ocorridos na economia brasileira na década de 90 -- como a abertura econômica e as privatizações. "Por muitos ângulos, a economia parece estar mais forte do que imaginávamos", diz o economista Samuel Pessôa, da Fundação Getulio Vargas. "A revisão no cálculo mostra que houve uma melhoria na vida econômica brasileira."

Uma das grandes heranças desse período recente da história, agora dimensionada no PIB, é o avanço do setor de serviços na oferta de bens e na geração de riqueza. Refeitas as contas, a participação dos serviços cresceu de 54% para 64%. Boa parte desse avanço ocorreu porque agora se avalia melhor o peso que alguns setores adquiriram. Em destaque estão os serviços financeiros, contabilizados por meio de balanços de bancos, e os sistemas de informação, que incluem não apenas a tradicional telefonia mas também serviços como internet, TV por assinatura e call centers. Para os analistas, é a primeira vez que as contas nacionais estão medindo o impacto das privatizações sobre a expansão da economia. "Os dois segmentos privados que mais contribuíram para ampliar o peso do setor de serviços são informação, que inclui telecomunicações, e sistema financeiro. Ambos foram impulsionados pelas privatizações", diz Sergio Vale, da consultoria MB Associados. "Sem aqueles avanços nos anos 90, não haveria a pujança de hoje nesses segmentos."

Sob o aspecto do consumo, as mudanças são ainda mais marcantes. Na nova versão do PIB, as famílias mostram fôlego para responder por 60,4% do consumo. Antes, contribuíam com 55,5%. É fato que a população tem comprado mais de tudo -- roupas, eletrodomésticos, veículos e até imóveis. Com a nova metodologia, que inclui a Pesquisa de Orçamento Familiar, foi possível apurar que o movimento nas lojas deriva principalmente do aumento do poder de compra dos salários, que não são mais corroídos pela inflação, e da expansão do crédito bancário. À medida que a taxa de juro cai -- ainda que lentamente --, é natural que os bancos elevem o volume de financiamento. Segundo levantamento do Banco Central, só no ano passado as operações de crédito cresceram cerca de 30%. Os serviços financeiros contribuem hoje com 8% do crescimento do país, dois pontos percentuais a mais que o apontado na metodologia anterior.

Outro fator decisivo na modernização da economia foi a abertura de mercado. As empresas brasileiras tornaram-se mais eficientes para enfrentar a concorrência do mundo a partir dos anos 90, beneficiando os consumidores. À luz da nova metodologia do PIB, Pessôa, da FGV, estima que o crescimento da produtividade nacional seja de 1% ao ano. "De um lado, a abertura permitiu a importação de produtos mais baratos; de outro, incentivou a modernização de vários segmentos da indústria", diz ele. "O novo cálculo do PIB mostra que ambos os benefícios foram revertidos para o país na forma de produtos melhores e mais baratos. A população tem mais qualidade de vida."

Nem tudo é motivo de comemoração, porém. Os números do IBGE trazem um importante alerta: as reformas adiadas nos anos 90 fazem muita falta no novo milênio. A máquina pública e seus vícios permanecem intocáveis e o Estado amplia seu peso. Na nova metodologia, essa presença desmedida fica ainda mais clara. O governo consome quase 20% de toda a riqueza produzida no país -- e não 11%, como indicava a antiga metodologia. É um valor imenso. Em países em desenvolvimento, como o vizinho Chile, onde o governo investe mais e melhor em saúde, educação e infra-estrutura, o Estado responde por 12,6% do consumo. Nos Estados Unidos, 15,4%.

Parte do gigantismo do governo brasileiro é movida pelo indiscriminado aumento no número de empregados. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego, incluída no cálculo do PIB, há hoje cerca de 1,5 milhão de funcionários públicos estatutários nas seis principais capitais, 10% mais que em 2002, quando a pesquisa começou a ser realizada. Detalhe: o levantamento não inclui dados sobre Brasília, a capital do servidor público. "É nítido que o Estado se tornou grande e quer ficar maior", diz o economista Armando Castelar Pinheiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Mas há maneiras muito mais inteligentes de fazer um país crescer do que aumentando o Estado."

O crescimento estatal, mostra a pesquisa, tem sufocado o setor produtivo. A nova contabilidade revisou para cima o peso dos impostos e mostrou que ele subiu para 5,2% em 2006. O gasto maior com tributos funciona como um obstáculo às empresas na hora de investir. Não estranha que o IBGE tenha captado um patamar de investimentos totais da economia bem menor do que se imaginava -- pelo novo cálculo, a taxa de investimentos é de apenas 16%, ante 20,6% registrados anteriormente. "Governo grande é um problema, pois ele ocupa espaço do setor privado", diz Vale, da MB Associados. Para complicar, o governo continua gastando muito mal. Os gastos com educação, que constam do cálculo do PIB, têm baixa qualidade. Os indicadores de desempenho dos alunos brasileiros estão entre os piores do mundo. Isso é particularmente danoso para uma economia fortemente calcada em serviços, como parece ser, cada vez mais, o caso do Brasil. "Existem diferentes tipos de serviço: aquele prestado pelo vendedor de bala no sinal, o da máquina pública e os especializados em áreas como a jurídica, a da saúde e a de tecnologia. O país precisa definir qual deles prefere", diz Castelar. "Crescer contratando funcionários públicos e vendendo bala na esquina com certeza não é a melhor opção."

Nova contabilidade
Veja como fica o PIB com a mudança na metodologia de cálculo do IBGE(1)

Antes
Serviços 54%
Indústria 38%
Agropecuária 8%

O que melhorou
A economia cresceu quase 11% acima do que apontava o antigo cálculo, alcançando 2,3 trilhões de reais

Desde 2000 o PIB cresceu em média 3,1% ao ano.A média anterior era 2,6%
A produtividade da economia dobrou e hoje está em cerca de 1% ao ano
O consumo cresceu com a queda da inflação e o aumento do crédito.

Agora
Serviços 64%
Indústria 30,4%
Agropecuária 5,6%

O que piorou
Mesmo com o bolo do PIB maior, o governo manteve sua fatia, enquanto agropecuária e indústria diminuíram a participação.

Caiu de 1,9% para 1,6% o crescimento da indústria de transformação em 2006

A taxa de poupança nacional recuou de 22,2% para 17,1% do PIB

A taxa de investimento é de apenas 16,8%

Na antiga metodologia, era de 20,6%

Fonte: IBGE