Adelson Elias Vasconcellos
Sem dúvida, a presidência da república é ocupada pela política do “não”. São vários “não” para justificar o fracasso de um governo comandado pela estultice, improvisação, falta de visão estratégica, falta de planejamento: em suma, falta de competência. Claro que este conjunto enorme de “valores” forma o variado cardápio de uma condução anacrônica, devotada ao atraso, como se apenas dizer que um governo funciona bastasse para fazê-lo andar para frente.
Nem precisaríamos traçar aqui uma retrospectiva a partir de janeiro de 2011, para entender as razões que mantém o Brasil marcando passo. Basta-nos a última semana para carimbar o governo de dona Rousseff como medíocre.
Comecemos pelo baixo crescimento do país. Muito embora haja unanimidade dentre analistas e economistas quanto as razões para o baixo crescimento do país, deve-se muito mais a questões domésticas do que por culpa de “crises internacionais”, e o governo de dona Rousseff insiste em se justificar com um “não somos culpados”. A crise financeira internacional de 2008/2009 tem servido de tábua de salvação para justificar todas as porcarias engendradas pelo governo da senhora Rousseff.
Dentre as razões está, por certo, a do baixo investimento. E por que o investimento é baixo? De um lado, o governo gasta demais em coisas inúteis, em aparelhar a máquina pública, em detrimento, por exemplo, ao urgente e indispensável investimento público em infraestrutura. Ora, se o governo não tem bala na agulha para cumprir este seu papel, por conta do que não incentiva o investimento privado?
Foram oito anos em que Lula teimou em não se curvar à esta realidade. Por pura teimosia e preconceito contra o capital privado. Foram oito os anos em que o país deixou de investir os bilhões tão necessários para dar novo rumo ao seu desenvolvimento.
Dilma acenou com mudanças. Anunciou a redação de inúmeros marcos regulatórios, a partir de um certo plano nacional de concessões, buscando recuperar o enorme tempo perdido. Porém, não se livrou do preconceito contra o capital privado.
Além da excessiva demora em apresentar estes marcos regulatórios, ou em outras palavras, as regras do jogo, quando eles finalmente nasceram, traziam em seu ventre o mesmo preconceito. Impunham uma série de compromissos quanto a investimentos e metas, porém, reduziam sensivelmente a rentabilidade para concessionários. Como já afirmei, ninguém está disposto a colocar dinheiro bom em negócio ruim.
Diante das inúmeras críticas, os leilões foram sendo adiados, dando tempo para que o governo fosse desenhando os textos das licitações, buscando torná-los mais atrativos. A tal ponto se chegou que, em determinado momento, afirmei aqui que dona Rousseff estava à beira do patético, do desespero em ver suas propostas rejeitadas pelos investidores.
E, apesar de se apontar quais pontos mereciam revisão, o governo teimou em se manter distante da realidade. Resultado: nesta semana, na expectativa de um leilão de rodovias que sinalizariam a vitória da teimosia, o governo levou uma sapatada. Num dos trechos sobre o qual se tinha por certo a participação de investidores, não apareceu ninguém.
Três fatos são recorrentes aqui no blog, dentre outros, claro: o primeiro, o Brasil só crescerá de forma virtuosa e sustentável a partir do momento que elevar seus investimentos. Segundo, os investimentos não se elevam por culpa de marcos regulatórios mal redigidos e por conta da insegurança jurídica, fruto da compulsão deste governo em intervir e mudar regras do jogo a todo instante.
E, diante do fracasso, como o governo reagiu? “Razões de ordem política, não sei bem”, respondeu um Mantega atônito e surpreso. Ou seja, o governo “NÃO” conseguiu enxergar no malogro sua inépcia. Assim, a permanecerem as regras do modo como o governo propõe, novos fracassos acontecerão.
Um segundo momento pode-se perceber no programa “Mais Médicos”. Tirando-se alguns estúpidos corporativistas, o programa em si tem boas e más propostas. A boa, é a importação de médicos. Se o mercado interno se mostra insuficiente para atender a demanda, que se importe profissionais que possam dar conta do recado. E para por aí. A tentativa de mudança nos cursos de medicina, apenas o ministro Padilha e dona Rousseff veem algum mérito.
Porém, a urgência de se buscar lá fora profissionais para o atendimento à população mais carente, não pode justificar que se escolha o pior dos caminhos e se trate com dois pesos e duas medidas os mesmos profissionais formado aqui no Brasil. Por que os formando no país são obrigados a serem avaliados, com todo o rigor, para poderem receber seu registro profissional e ao estrangeiro tal exigência é dispensada?
Mais: ninguém é contra que venham portugueses, espanhóis, argentinos, uruguaios ou mesmo cubanos. Porém, as condições de contratação devem ser iguais para todos. Ou, como justificar que os cubanos sejam contratados da forma como o foram, atropelando nosass leis trabalhistas?
E aí, a política do “não” resolve escrever mais um capítulo em sua imensa gama de estupidez. Dona Rousseff, tentando se justificar, afirmou que “não podemos olhar de onde vem o diploma”. Errado, presidente. Não só podemos como também devemos. A saúde da população brasileira não pode ser entregue à curandeiros. Ela merece o melhor serviço de saúde que podemos lhe oferecer. Deste modo, não só os profissionais contratados devem ser avaliados com rigor, mas devem ser contratados sob as mesmas regras que se dispensam aos brasileiros. É bom que Dona Rousseff não se esqueça de que, tanto ela, quanto seus ministros e parlamentares em geral obrigam que os contribuintes lhes paguem e financiem tratamentos nos melhores hospitais e com os mais conceituados profissionais.
Mas a semana nos ofereceu um momento portentoso em matéria de política do “não”. Foi quando, no discurso que proferiu em viagem “palanqueira” à Minas Gerais, dona Rousseff quis justificar o baixo crescimento do país. Afirmou a presidente que não basta PIB crescer se a vida do povo não melhorar. E não adianta dizer que foi mal compreendida, que distorceram suas palavras. O discurso está gravado.
Então, vamos ver. Para a vida do povo melhorar, além da ampliação e significativa melhora dos serviços públicos, é preciso que se criem empregos de qualidade. Pergunta: como se criam estes empregos? Com crescimento, certo? Ora, o crescimento econômico é o que permite ao governo arrecadar mais e, deste modo, ter recursos para ampliar e qualificar os serviços públicos. E o que o mede o crescimento, presidente, é o crescimento do PIB, já que ele indica o total das riquezas geradas pelo país num determinado espaço de tempo. E é sobre o PIB que incide esta maravilha de carga tributária, com a qual o seu governo “deveria” investir em educação, saúde, transporte, segurança, infraestrutura, etc., etc., etc..
Vejamos: em 2013, estando nos encaminhando para o final do terceiro trimestre, conforme reportagem do Estadão, o governo Dilma investiu menos de um terço do previsto em educação. O plano de importação de médicos cubanos vem sendo negociado com Cuba há mais de um ano, período em que o governo não apresentou um miserável programa de investimentos nas unidades de saúde, cujas condições são degradantes. No campo da segurança, o país atingiu, com os governos petistas, a impressionante cifra de 50 mil homicídios por ano, e 42 mil mortes no trânsito no mesmo período.
O tal plano de concessões, através do qual se pretende alavancar investimentos em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, como vimos, não passam de cartas de intenção. Não saem do lugar, e isto se dá pela teimosia da senhora Rousseff em maltratar os investidores.
Sempre que algum indicador negativo aponta na curva, o governo se apressa em se apresentar como o “não sou culpado”. Lula passou oito anos com a cantilena da "herança maldita". Os petistas Sempre direcionam seus dedos indicadores para terceiros, nunca se assumem,jamais reconhecem seus próprios erros e escolhas.
Claro que existem muitas outras razões que tornam este governo de Dona Rousseff na mediocridade com que ele se reveste. E estas razões estão espalhadas em todos os cantos, políticas e programas. Lança-se um programa, devidamente acompanhado de uma campanha de rico marketing, lotado de metas e bilionários investimentos. Ao fim e ao cabo, vamos constatar que o tal programa não foi além de uma bela carta de intenções e que ficou apenas no imaginário popular.
Se a gente refletir um pouco mais, vai ver o quanto a política do “não” é profunda nos governos petistas. Sempre que aparecem crimes de gente do governo, Lula ensinou que se deve dizer: “não sabia de nada”.
Com esta política do “não”, forçoso reconhecer que o país não andará para frente. Diante de tantos “não”, está na hora do povo brasileiro devolver um “não” à Dona Rousseff. Chega de incompetência. Sem que o PIB cresça, Dona Presidente, não há bruxaria que torne melhor a vida dos brasileiros.





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