Adelson Elias Vasconcellos
Lula acha bonito arrotar que nunca leu um livro na vida. E que não lê jornais por que lhe “causam azia”. Azia, meu caro cidadão, causa mesmo um governo eivado e construído na mentira e empulhação. Vimos na edição de hoje, e nas da semana passada, mês passado, anos passados, e desde 2003, um governo que não sabe o que é ser “social”, não em termos de relações, mas de prioridade de governo. Saúde, presídios, educação, portos, aeroportos, o que não estiver caindo de podre, está sufocado pela corrupção de toda natureza. Nem morto descansa em paz: o INSS insiste em pagar benefícios ao que se foram, e a negar os mesmos benefícios aos que estão vivos, no caso, os aposentados.
Semana passada em “bate-papo” com as cloacas da vida da blogosfera, Lula afirmou que seu pior momento foi o desastre com o Airbus da TAM. E que, depois, com o relatório da Polícia Federal, se sentiu aliviado. A queda não fora culpa do governo. Deveria ter lido melhor, não os relatórios da PF que, no seu caso, são previamente manipulados como sabemos, mas os relatórios dos peritos da Aeronáutica. Se as condições da pista fossem outras, com as obras que “deveriam” ter sido feitas e não foram, provavelmente, o acidente não teria ocorrido.
Talvez Lula esteja esperando um outro grave acidente para resolver a questão dos aeroportos brasileiros. E digo isto com a tranquilidade de ler livros, revistas e jornais, e as azias que sinto, confesso, são pelas omissões criminosas de um desgoverno em todas as áreas de sua atuação. Preocupado mais com as perfumarias tipo trem bala, frota nuclear, jatos caríssimos que o restante do mundo não quer comprar – só Lula, e sabe-se lá por que razões, já que as “razões técnicas” não são, como os relatórios da FAB indicam - e agora o aerodilma, sem a menor necessidade. Serviço público que é bom e que é o que realmente interessa aos mais de 190 milhões de brasileiros, não são prioridade deste governo, conforme o próprio noticiário, que Lula não lê, está demonstrando diariamente.
Semana passada, a turma (ir) responsável pelo tráfego aéreo fez uma reunião e se tomou uma série de medidas para evitar o apagão no final do ano. Para esta gente parece que, não fossem os festejos de natal e ano novo, tudo estaria sob controle e em total tranquilidade nos aeroportos do país. Dissemos aqui que não estavam. E, muito antes do que a tropa imaginava, o inferno recomeçou já neste final de semana, a tal ponto que as vendas da TAM estão suspensas até sexta-feira, 03, quando se espera que a situação volte ao “normal”.
Pois bem, sabem vocês por que o aeroportos do país continuam infernizando a vida dos passageiros? Por culpa exclusiva do governo Lula. Ou seja, e conforme você verão a seguir, este governo gosta de torrar desnecessariamente dinheiro público em perfumarias, em obras que não precisamos agora, que são dispensáveis, que servem apenas como ostentação, e deixa de fazer o que é prioritário e com benefícios diretos e imediatos para a população.
O relatório do Contas Abertas mostra-nos que APENAS 1% das obras previstas para os aeroportos foram executadas. Assim, se vê que Lula deveria falar menos com as cloacas da vida e ler um pouco mais os relatórios do que se passa em seu governo. Talvez não precisasse torrar tanta grana em propaganda para mentir, descaradamente, de que sua atuação é um pouco melhor do que a realidade exibe todos os dias.
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Copa 2014: menos de 1% das obras em aeroportos foram executadas
José Cruz, Especial para o Contas Abertas
Enquanto passageiros encontram dificuldades para embarcar na manhã de hoje por conta de atrasos e cancelamentos, sobretudo em voos da companhia aérea TAM, dados do Portal da Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União, indicam a execução de apenas 0,9% dos valores disponíveis para os contratos em aeroportos das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, até setembro. Significa que nove meses depois de estados e municípios terem firmado com o governo federal a Matriz de Responsabilidades paras as obras públicas visando à realização da Copa, a execução dos projetos nos aeroportos é mínima diante do gigantismo da proposta global.
Em resumo, dos quase R$ 5,6 bilhões que o governo federal colocou à disposição da Infraero para a melhoria ou ampliação dos aeroportos, apenas R$ 193 milhões estão comprometidos com contratos e, destes, somente R$ 49,3 milhões foram gastos efetivamente.
O melhor desempenho é do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, com duas frentes de trabalho iniciadas em setembro de 2009: reforma do Terminal de Passageiros e conclusão e reforma do terminal de passageiros 2. Para estas obras estão previstos R$ 687,3 milhões, sendo que R$ 108,1 milhões já estão contratados e R$ 42,3 milhões foram executados.
No segundo lugar no ranking das execuções está o Terminal Afonso Pena, em Curitiba, com R$ 72,8 milhões reservados para ampliar o pátio de estacionamento de aeronaves e espaço de circulação dos passageiros. Os dados da CGU mostram que nessa frente já foram contratados R$ 1,4 milhão (1,9% sobre o disponível) e executado R$ 740 mil, isto é, 1% do recurso alocado.
As obras nesse terminal começaram em julho de 2009, com término previsto para junho de 2013. Isso demonstra a necessidade de aceleração dos trabalhos nos próximos anos, assim como nas demais frentes, a fim de que a execução total dos projetos esteja concluída entre abril de 2012 (Aeroporto de Recife) e dezembro de 2013 (Manaus), conforme a Matriz de Responsabilidade prevê.
A pior situação concentra-se justamente em um dos aeroportos mais movimentados do país, o de Guarulhos, na capital paulista. Com cinco projetos previstos, sendo um deles a construção do Terminal de Passageiros 3, e obras também no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, os investimentos previstos estão na casa de R$ 1,9 bilhão.
O desempenho é assustador diante da premência de tempo, a menos de três anos da realização da Copa das Confederações, com São Paulo devendo ser uma das quatro sedes do evento. O projeto geral dos dois aeroportos começou em março de 2008. Porém, até agora, apenas R$ 57 milhões foram contratados, isto é, irrisórios 2,9% sobre o valor global. Já a execução chegou a R$ 750 mil, ou 0,04% do previsto.
A situação na capital paulista se torna mais grave porque para a ampliação do sistema de pistas e pátios são necessárias algumas desapropriações que, segundo a CGU, “não estão definidas”.
Das 12 cidades sedes com projetos da Infraero, três ainda não tiveram qualquer tipo de execução, pois nenhuma contratação para os serviços foi realizada: Porto Alegre, com investimentos previstos de R$ 345,8 milhões, Cuiabá, R$ 87,5 milhões e Salvador, R$ 45,1 milhões.
Avaliação
“Estamos com as obras atrasadas um ano e meio e isso é motivo de preocupação”, resumiu Antônio Othon Pires Rolim, secretário executivo do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), que congrega 21 mil empresas do setor em todo o país. Segundo o dirigente, a cidade de Londres estará com suas instalações para as Olimpíadas de 2012 concluídas oito meses antes da abertura do evento, em julho. “Eles terão tempo para testar todos os setores e realizar o treinamento do pessoal no próprio local dos jogos”.
Para 2011, a direção da Sinaenco está planejando visitar as cidades-sedes da Copa de 2014 para uma avaliação do estágio das obras. “Vamos ao local, de cidade em cidade, para conversar com os governantes e vermos como poderemos contribuir com nossa futura presidente Dilma, a fim de que tenhamos tudo pronto a tempo”, disse Antônio Rolim.




