Adelson Elias Vasconcellos
A carga de tributos do Brasil, de acordo com o governo, também é superior à do México, que somou 19,8% do PIB no ano retrasado. A Receita Federal não fornece números para outros países emergentes, mas especialistas notam a carga brasileira está acima de outras economias com os quais o Brasil concorre no mercado externo, como China, Índia e Rússia (carga entre 20% e 22% do PIB).
Segundo os números divulgados pelo governo, entretanto, está um pouco abaixo da média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que somou 36,1% do PIB em 2007. A carga brasileira também está abaixo de outros países, como Alemanha (36,2% do PIB) em 2007, Reino Unido (36,6% do PIB), Espanha (37,2% do PIB), Itália (43,3% do PIB), Bélgica (44,4% do PIB) e Dinamarca (48,9% do PIB), entre outros. A diferenças destes países com carga tributária superior a nossa está na qualidade dos serviços que o governo dos países retornam à população.
A carga tributária no Brasil é algo tão surreal que os executivos estrangeiros, quando se defrontam com os nossos números, não conseguem esconder o assombro. Recentemente, a GSM Association, entidade que representa fabricantes de telefones celulares e infra-estrutura de rede, elaborou um documento tentando resumir a situação fiscal no Brasil e quanto isso pode impactar negativamente a indústria.
Constatou-se aquilo que todo mundo já sabe: 1) o brasileiro paga imposto demais; 2) os impostos acabam levando quase a metade do valor não só do aparelho quanto das tarifas e dos serviços.
Em telefonia, a carga tributária no Brasil chega a 44% no bolso do consumidor. O Brasil é o terceiro país com o maior número de impostos em serviços de telefonia móvel no mundo. Aqui, a incidência de impostos como ICMS, PIS, FUST, FUNTTEL e Cofins chega a representar mais de 30% da receita das operadoras de telefonia. É muito, ainda mais se comparado aos 5% cobrados no Japão.
Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, é importante comparar, quando se fala em carga tributária, os serviços públicos ofertados pelos países em análise. "Há uma percepção que, no Brasil, a carga é alta para os serviços prestados. Na Inglaterra e França, por exemplo, a carga é maior, mas o serviço de saúde é razoável, o que não acontece no Brasil. Aqui se paga mais por um serviço que deveria ser ofertado pelo Estado, como Educação, Saúde e segurança pública", disse ele.
Pelo exposto, fica claro que:
1.- A carga tributária brasileira incidindo sobre produção e salários, acaba retirando do trabalhador importante faixa de renda, onerando toda a cadeia produtiva tirando capacidade de competir com os produtos similares de outros países; e acaba pesando mais sobre as camadas mais pobres da população que, percentualmente, consome basicamente a totalidade de sua renda.
2.- Pela má qualidade dos serviços que oferece, e sob a alegação de que não é possível para o governo reduzir a carga tributária, fica claro que o governo gasta demais e mal, e não justifica com a sua desenfreada gastança tudo aquilo que cobra da sociedade.
3.- A depender da classe política, o povo brasileiro não poderá sonhar com uma reforma tributária que lhe devolva rentabilidade ao salário que recebe, porque isso implicaria na redução de privilégios. Da mesma forma, o governo federal não tem interesse pois com o montante que arrecada, pode usá-lo sem nenhuma responsabilidade.
4.- O resumo final, lamentavelmente, nos leva a concluir que o Estado brasileiro, em todas as suas esferas, age contra a sociedade. O que dela tira representa não mais UMA CARGA TRIBUTÁRIA, e sim, trata-se de uma VERDADEIRA EXTORSÃO contra a sociedade que trabalha e produz, para em contrapartida, deixar livres o capital e a renda que, hipoteticamente, é quem deveriam arcar com o peso maior. Porém, é aí que a encrenca aparece, isto obrigaria o governo a gastar não apenas com equilíbrio, mas com racionalidade e eficiência. E, neste caso, não seria possível festas, solenidades, ostentação e luxúria.
E é esta coorte faustosa que torna a carga tributária brasileira em níveis de países milionários de primeiríssimo mundo, enquanto devolve serviços de quinta categoria ao povo que a sustenta. Enquanto assim for, será inevitável que um quarto da população brasileira seja sustentada pela esmola dos bolsas famílias e assemelhados. É a famosa regra do populismo que favorece as oligarquias e as sustentam e mantém-nas donas do poder. Para o povo, é o famoso pão e circo do império romano da antiguidade. A diferença é que nossos césares são substituídos por eleições. Só isso.
Portanto, quando Lula vier a público afirmar que não é possível baixar a carga tributária, ele está mentindo. Mente , porque se o governo gastasse menos, com eficiência, racionalidade e sem os desperdícios das ostentações, solenidades, corte faraônica nos palácios do poder, haveria espaço para reduzir esta carga sim. Se tantos outros países conseguem, e até com menos condições e riquezas do que o Brasil, nada nos impede de fazê-lo também.
Lula ainda mente, porque se justifica com os programas assistencialistas bancados pelo governo. Agora reparem: a soma de todos os impostos pagos em 2009, já ultrapassou a barreira de 1 TRILHÃO de reais. Quanto custa ao governo, anualmente, a soma do conjunto de programas ditos sociais? Já pegando o valor previsto no orçamento de 2010, a dotação não chega a 20 bilhões, dentro de um total de receita prevista de mais de 1 TRILHÃO E OITOCENTOS BILHÕES. Só a rolagem da dívida pública consumirá R$ 596,2 bilhões.
O governo vai dispor, ainda, de R$ 151,9 bilhões para realizar investimentos. Porém, Quase metade dos recursos reservados para investir sairá das arcas das empresas estatais: R$ 94,4 bilhões. O PAC, uma das molas propulsoras da candidatura Dilma Rousseff, foi o programa mais bem aquinhoado: R$ 29,9 bilhões. Mas não se enganem: o fato do valor ter sido lançado no orçamento, não significa que ele tenha se concretizado em obras. Isto é uma previsão, que, sinceramente, esperamos que, pelo menos em 2010, se realizze plenamente. Porque, em 2009, do total previsto, o governo sequer realizou 60%.
Há, sim, muita gordura para queimar, bastando que o dinheiro público seja tratado com maior respeito do que tem sido. E que as peças orçamentárias parem de se tornar pura ficção.
E a grande mentira fica clara quando se percebe nas costas de quem pesa a carga maior de impostos: adotássemos critérios diferentes e, certamente, talvez pudéssemos até dispensar metade dos programas sociais, por serem desnecessários à melhoria da qualidade de vida da população. O peso que representam e o universo da população que acaba abrangendo, é a prova concreta da perversidade de um sistema que penaliza aqueles que trabalham e produzem. Eliminaria grande parte da informalidade presente na vida econômica do país.
Fica mais ainda claro a grande mentira contada por Lula nesta semana sobre comparar o que se cobra de impostos no Brasil ser igual a Estados Unidos e Japão. Vimos, e os números são incontestáveis, que não apenas naquelas nações, ela é bem menor. E, mesmo sendo menor, a população destes países tem o retorno que o governo brasileiro não consegue produzir por absoluta incompetência e irresponsabilidade..
Por todas estas razões é que percebemos o desinteresse do governo em abandonar o crime de extorsão que comete sobre a sociedade brasileira, e a inclinação permanente para continuar mentindo para o país, para trapacear e manipular estatísticas ao seu bel prazer. E aqueles que até poderiam se levantar para protestarem, são pagos com recursos do próprio tesouro para não fazê-lo. Azar o nosso, que insistimos em ser trabalhadores honestos num país cujo Estado é governado por malandros, larápios e picaretas...