sexta-feira, outubro 20, 2006

TOQUEDEPRIMA...

A jornalista Christina Fontenelle denuncia:
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Os servidores do 1º, 2º e 3º escalões do Governo Federal serão obrigados a votar no candidato Lula no segundo turno.
Para isso, serão TODOS transportados por aviões da Força Aérea Brasileira para seus estados de origem
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Entendo que este é um crime eleitoral da maior gravidade, não apenas para imposição do comparecimento ao segundo turno com a determinação de que votem num determinado candidato, mas, sobretudo, pela evidência de que será amplamente utilizada a máquina administrativa, no caso equipamento da FAB, para o transporte de eleitores”.
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A culpa é da mídia?
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A Central Única dos Trabalhadores (CUT), bem como os movimentos sociais organizados no Brasil, denunciam que os meios de comunicação têm direcionado o foco para outros interesses, minimizando a prática ilegal de um delegado da Polícia Federal, que teria agido junto com os principais órgãos de comunicação, numa ação conspiratória para impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse reeleito no primeiro turno.
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Eles lançaram, no final de semana, um manifesto em que denunciaram a ação da "direita golpista, representada pelo PSDB-PFL e os meios de comunicação".
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O manifesto foi assinado pela CUT, União Nacional dos Estudantes, Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Teto (MST), entre outros.
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COMENTANDO A NOTICIA: Depois de receberem do Governo Lula a bagatela de 800,0 milhões de reais em "doações", de alguma forma eles devem retribuir o gesto caridoso. O meio que encontraram é lutarem para manter no poder a quadrilha do crime organizado, privatizando todo o Estado Brasileiro para o PT, porque deste modo, os vagabundos continuarão a receber doações de dinheiro público, para continuarem a não fazer coisa. Eta gente ordinária esta ! Haja Brasil para sustentar tanto canalha e mau caráter !!!! É por isto que o chefe da "Cosa Nostra" jura que não vai cortar gastos. E você leitor, vai continuar a votar nesta patifaria e concordar em bancar o babaca para sustentar a vadiagem deste monte de lixo ? Pense nisto, pense no Brasil no dia 29 e mande esta tropa de patifes procurar emprego a partir de 2007!!!!!
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A mídia que eles elogiam
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A CUT respalda a reportagem exclusiva sobre o assunto, divulgada na última edição da revista Carta Capital, do dia 13 de outubro.
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O texto, assinado pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, revela as tramas por trás da suposta conspiração.
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"Quando a situação caminhava para uma vitória de Lula já no primeiro turno, o delegado Edmilson Pereira Bruno fechou um acordo anti-Lula com veículos como a TV Globo e os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo".
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A culpa agora é do delegado?
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Conforme salienta a CUT, foi o delegado quem, de forma ilícita, entregou para jornalistas fotos do dinheiro apreendido com duas pessoas ligadas ao PT num hotel de São Paulo.
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O delegado reconheceu seu objetivo ardiloso, mas a mídia não revelou uma linha sequer desse pronunciamento.
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No dia 15 de setembro, integrantes do PT foram apanhados com R$ 1,7 milhão (entre reais e dólares).
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Dá para brigar contra esse fato?
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Dois Brasis
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Lula resolveu mesmo dividir o Brasil não apenas entre os que suam a camisa para pagar impostos e juros e os que ganham a esmolinha sua de cada dia, mas também geograficamente - os nordestinos contra o resto. Só falta agora ele dizer que após sua vitória vai amarrar o jegue no mastro da bandeira nacional, na Praça dos Três Poderes...
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COMENTANDO A NOTICIA: De todas as falcatruas que Lula cometeu, a pior e mais devastadora é a divisão da sociedade brasileira em feudos preconceituos e odiendos entre si. Ao cometer este crime, Lula tornou-sae o maior traidor que o Brasail já conheceu em toda a sua história. E a integração destes "brasis" não será trabalho para alguns poucos anos, não ! Ao jogar no lixo mais de 500 anos de história, Lula enterrou a grande jornada de construção de uma nação soberana e livre. Precisaremos refazer um longo e penoso caminho para transformar os milhões de habitantes deste país em uma legítima nação brasileira, construída sobre os basilares princípios da honra, da decência, da moral. O cisma provocado por Lula condenou de vez as futuras gerações a andarem sem rumo e sem prumo. E o que é pior: fez isso com plena consciência de seu ato leviano e imundo. Como ele mesmo diz que ainda tem muita saúde para viver os próximos, ele precisará assistir horrorizado o "crime" que praticado, e na própria pele.
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Auditor ameaçado
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A diretoria do Sindilegis registra apoio ao servidor do TCU Wagner César Vieira e sua família, que tem sido ameaçada desde que o auditor rejeitou uma oferta de suborno doze dias atrás.
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Wagner está cedido à CPI das Sanguessugas, há seis meses e auxilia o sub-relator de sistematização, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).
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Segundo denunciou o auditor Wagner, um servidor do Banco Central teria insinuado que ele poderia ganhar R$ 1 milhão se concordasse em atrapalhar a investigação.A conversa aconteceu em meio a técnicos da CPI e desde então, o servidor tem recebido seguidas ameaças por telefone.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: É isto aí, no Brasil estamos aprendendo a enterrar e condenar pessoas sérias e decentes. E querem chamar a isto de país do futuro ? Prefiro entendê-lo como país sem futuro !!!!
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Papai Noel Delfim
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Papai Noel é vermelho, gordinho e pensa igual ao petista novo Delfim Netto..
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O ministro Guido Mantega, da Fazenda, disse ser perfeitamente possível alcançar o déficit nominal zero nas contas públicas, ao longo dos próximos quatro anos.
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O ministro disse que é possível compatibilizar reduções discricionárias de tributos, especialmente de setores da produção, com o equilíbrio nas contas públicas, de modo a não consolidar carga tributária excessivamente alta.
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A idéia do déficit nominal zero foi levada ao governo pelo deputado Delfim Netto (PMDB-SP), que tem tudo para ser ministro de um eventual segundo governo Lula, já que os eleitores o deixaram desempregado, a partir de janeiro.
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COMENTANDO A NOTICIA: Para zerar o déficit como prescreve o Delfim Neto, o caminho por ele indicado, e conforme já denunciamos, é o corte nas rubricas da saúde e educação. Ou seja, ao invés de cortar as gorduras e o desperdício, o governo prepara uma tunga para o povo outra vez. Aliás, seria bom Delfim esclarecer melhor esta história. Lula nãoa está sabendo o que afinal será ou deverá ser feito. Leiam: “LULA NO RODA VIVA: NÃO HÁ GASTO PÚBLICO A SER CORTADO COMENTÁRIO DO MINUTO: LULA ONTEM DISSE QUE IRIA CORTAR SOMENTE OS SUPÉRFLUOS, HOJE, NO RODAVIVA (GRAVAÇÃO QUE SERÁ EXIBIDA ÀS 22h30), DISSE QUE NÃO HÁ GASTOS PÚBLICOS A SEREM CORTADOS E DESAFIA A OPOSIÇÃO A ENCONTRAR O QUE CORTAR.”
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Neste caso, tenho algumas sugestões: que tal começarem pelos cartões corporativos ? Seriam 20,0 milhões por ano ! E quem sabe também se faz uma redução nas “verbas de gabinete legislativo” ? e que sabe o Governo Federal começa a comprar com menos superfaturamento e reduz o exagerado montante de recursos gastos no Palácio Planalto ? E o que acham de acabarem com as doações despropositadas para as entidades já apontadas em relatórios do TCE como irregulares, tipo CUT, MST e UNE ? Acreditem, seria um excelente caminho. Mas o melhor mesmo seria o PT parar de roubar e desviar dinheiro público.
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Quanto ao Delfim, ele pertence ao clube que vende a alma e o cérebro ao diabo para não largar o poder. Filhote da ditadura, gerador de concentração de renda do período militar, que condenou milhões à miséria, agora é embalado por Lula como novo rebento da quadrilha do crime organizado estatal ! De fato, ambos se merecem. E o povo que se f...!!!!!

Entrando de gaiato no navio.

Por Pedro Porfírio
Publicado na Tribuna de Imprensa

"Quando um tolo pratica um ato de que se envergonha,
declara sempre que fez o seu dever".
(Bernard Shaw, teatrólogo irlandês - 1856/1950)



Eu nem ia escrever hoje sobre a sucessão presidencial. Juro. Pode parecer meio sem sentido, mas estou cansado desse falso confronto. Não sou porta-voz de ninguém. Portanto, não me obrigo a ficar respondendo a isso ou aquilo. Mas me sinto igualmente incomodado com essa doença que se espalha inclusive entre profissionais respeitáveis.

De repente, com essas pesquisas apontando para o continuísmo, pessoas que pareciam apaixonadas pela contestação de Heloísa Helena assinam documentos dizendo, na maior sem cerimônia, que Lula e Alckmin representam propostas antagônicas de governo.

Antagônicas em que, cara-pálida? Pra cima deste escriba de 44 anos de jornal, do tempo da máquina plana, no Ceará, e das linotipos na "Utima Hora" da Praça da Bandeira?
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Vamos fazer um acordo: você quer arranjar um pretexto para votar naquele que aparece como o vencedor de véspera, onde você tem amigos e até mesmo de onde você saiu envergonhado, dizendo-se traído, não precisa dourar a pílula.

Curioso, você agora deu para criticar as privatizações do FHC, negócios que, um dia, quando houver alguém da têmpera do Brizola, vamos rever com coragem e patriotismo, visando tão-somente o interesse do Brasil.

Mas por que essa turma que esteve esses quatro anos com a faca e o queijo na mão não moveu uma palha para, pelo menos, passar a limpo privatizações escandalosas, como a da Vale do Rio Doce?

Isso não é futebol não, meu caro. No futebol, a gente tem sempre uma desculpa e uma expectativa para o time do nosso coração. Na pior das hipóteses, aplaude a demissão do técnico, hoje uma profissão de risco.

Nada de mistificações

Mas se você quer influir com dignidade, sem embarcar nas mesmas mistificações, então me poupe e aos brasileiros. Não venha com essa ridícula pretensão de tapar o sol com a peneira. Isso não cola. É mais fácil o mar secar.
A primeira potoca que precisa ser esclarecida de uma vez por todas é sobre a roubalheira. Você pode até dizer que a turma da pesada que escancarou geral não é pioneira no ramo. Isso pode.

Mas dizer que pela primeira vez estão investigando, aí, não dá para engolir calado. Lembra do Waldomiro, o parceirão do José Dirceu? Quando estourou sua primeira trapaça esse governo aí tratou de abafar. E conseguiu, porque ainda estava em lua-de-mel com a massa. Só um ano depois, quando o bicheiro goiano abriu o bico, ele foi demitido "a pedido". Já então havia montado a mais audaciosa rede de cooptação de deputados mediante polpudas propinas: a companheirada do mensalão.

E quando estourou o escândalo dos Correios? Foi só o Roberto Jefferson assinar a CPI que abria a guarda do esquemão operado pelo Marcos Valério (lembra do careca?), o Palácio do Planalto, devidamente sintonizado com o seu presidente, montou uma verdadeira operação abafa. Esqueceu, companheiro? José Dirceu, então todo-poderoso, e Aldo Rabelo foram à casa do deputado petebista implorar que ajudasse a detonar a CPI dos Correios. Foi um vexame. Já em 2005, que não era ano eleitoral, o governo do sr. Luiz Inácio fez o diabo para impedir investigações. Tou mentindo, irmão?

A partir daí, foi um escândalo atrás do outro. O Lula, sempre "inocente, enganado", fazia o mesmo que os times de futebol: ia sacrificando alguns dos seus "técnicos", um a um. E conseguiu um prodígio: hoje a massa está reagindo como a mulher ameaçada de estupro. É bonito isso?

E esse último escândalo do dinheiro usado para a compra de um dossiê fajuto, montado pelos delinqüentes das ambulâncias, não lhe causa espécie. E se fosse "coisa da direita", você engoliria a seco, como está fazendo agora com seus manifestos e seus discursos empolados?

Num documento que um jovem jornalista me mandou, com assinaturas respeitáveis, falam até da mulher do Alckmin. Não morro de amores por essa família, mas o que contrapõem? O que a dona Marisa Letícia fez de útil nesses anos em que custou uma fortuna ao País? Nos meus 63 anos, não me lembro de nenhuma "primeira-dama" tão deslumbrada e tão omissa, preocupada tão-somente em aparecer na foto.

É uma pena. Você já procurou ver o quanto suas mordomias burguesas custaram ao erário, isto é, ao nosso bolso? Veja com seus próprios olhos:

A manutenção da Presidência da República custou, de 2002 até agora, R$ 9,4 bilhões, mas foi no ano de 2004 que a Era Lula bateu o recorde em gastos: R$ 2,6 bilhões. No início de setembro de 2006, a conta da presidência já chegava a R$ 1,4 bilhão, despesa superior ao total desembolsado, este ano, pelos ministérios da Cultura, do Esporte, do Turismo e do Meio Ambiente juntos (R$ 1,2 bilhão). A informação é da ONG Contas Abertas (www.contasabertas.uol.com.br).

E a reforma agrária?

Está lá, com todos os números, e você faz de conta que esse esbanjamento não quer dizer nada. O que quer dizer? Vamos falar de reforma agrária? Taí uma bandeira histórica da esquerda. Curioso, garoto, no manifesto que você me mandou não há uma linha sobre esse desafio social. Por quê? A companheirada já está na folha do agronegócio?

Um dos seus signatários, profissional sério, colabora com um jornal - o solitário "Brasil de Fato" - que vive denunciando o descaso do governo, o desrespeito às suas promessas em relação aos assentamentos rurais. Você quer o quê? Que os sem-terra, abandonados, partam para a ignorância, enquanto os altos companheiros negociam valores superfaturados das áreas?

Assim não dá, parceiro. Você caiu nesse jargão de ficar com o certo e fugir do duvidoso. Isso convence, sabe? Quem não está sofrendo as conseqüências da política de dois pesos e duas medidas do BNDES, que abandou a Varig e deu empréstimo de mão beijada à Brasil Telecon (leia-se Itália), pode ficar voando sobre a realidade.

Quem não sofreu a "reforma" da Previdência que detonou direitos adquiridos pode falar de governo progressista com essa turma braba. E por falar em previdência, já sabe que os amigos do Gushiken já estão alinhavando outro massacre? Prepare-se, meu filho, você que aplaude o "prouni", que desvia verbas públicas para salvar faculdades privadas, ainda vai experimentar o que é bom para tosse.

E aí o nosso querido Augusto Boal não poderá dizer, com sua aura messiânica, que "errar faz muito bem à saúde... desde que se aprenda". Não vai dizer por que em seu lugar todos falarão em uníssono: entramos de gaiato no navio.

Denúncia de Ex-Petista.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Recebi via e-mail do amigo Francisco Marcos Junior o e–email abaixo, e dada sua relevância o transcrevo para reflexão, informando ainda que não se trata de um caso isolado: vários ex-petistas tem escrito nos blogs de norte a sul do País, sempre no tom de arrependimento, e como que suplicando para que os brasileiros não cometam a loucura de votarem em Lula dia 29 próximo.
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O Último Apelo aos Brasileiros Honestos e de Bom Senso

Se vocês, como eu, se consideram cidadãos brasileiros honestos, são trabalhadores e ainda acreditam que o Brasil pode dar certo, peço um minuto de sua atenção para a leitura destas linhas, pois eleição é coisa muito séria!
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Sou jornalista há 31 anos, fui militante do PT por 15 anos consecutivos e atuei junto ao Diretório Nacional do PT com sede na cidade de São Paulo. Por esses motivos conheci e convivi pessoalmente com o Presidente Lula. Votei no Lula em todas as eleições das quais ele participou.
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O Lula era tido por mim como um grande amigo e camarada, até o dia em que ele saiu da oposição e começou a governar.
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Todos os princípios e idéias que compartilhávamos pelos quais lutávamos foram traídos e abandonados pelo meu "EX - GRANDE AMIGO"LULA.
Então aí vão minhas justificativas:
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O Prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, que também era meu amigo, foi morto a mando do Lula, da cúpula do PT (Zé Dirceu e Genoino) e da "Máfia de Ribeirão Preto" (comandada pelo Antonio Palocci).
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Celso Daniel era muito teimoso e gostava de fazer as coisas do jeito dele, o que desagradava aos dirigentes do nosso partido (PT).
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Quando o Celso Daniel interviu no funcionamento da "Máfia dos Transportes de Santo André", que era controlada pela cúpula Petista, minguou o dinheiro que era desviado para o PT e que era uma das maiores fontes utilizadas para financiar as campanhas; esse dinheiro ia para as mãos do grande coordenador de campanhas do PT, o ex-Ministro Antonio Palocci junto com Ze Dirceu.
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Celso Daniel atrapalhou os planos do PT e pagou com a própria vida por esse "erro". O Toninho do PT, de Campinas, também pagou com a vida por se insubordinar ao Lula e ao Zé Dirceu.
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Quando estava à frente da Prefeitura de São Paulo, a Marta Suplicy armou o esquema de contratações de empreiteiras para fazer coleta de lixo sem realizar licitação. Os donos das empreiteiras beneficiadas eram todos amigos da família da Marta e foram todos doadores da campanha dela.
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Além disso, cada empreiteira tinha que pagar uma quantia mensal para poder continuar trabalhando, sendo que os valores arrecadados eram desviados para "financiar campanhas" e, como o Lula sempre dizia com certo sarcasmo: ..."a Marta é rica e não precisa desse dinheiro, vamos usar essas (notas) aqui para outros fins mais agradáveis ao nosso bolso"...
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Os juros são um assunto que dá arrepios. NOSSA TAXA DE JUROS REAIS É A MAIS ALTA DO MUNDO! Até o FMI e as Agências de Classificação de Risco Internacionais sinalizaram que o governo brasileiro poderia abaixar os juros mais drasticamente e diminuir o superávit primário (o dinheiro reservado para pagar a Divida Externa).
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Mas meu ex-amigo Lula preferiu manter os juros altos e aumentar o superávit primário, estrangulando a economia brasileira, que por isso praticamente não cresceu durante todo o governo (enquanto os outros países em desenvolvimento cresceram 6% ao ano, em média, o Brasil cresceu 2%).
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Assim, as indústrias não cresceram e tiveram que demitir empregados, a agricultura que vinha bem ao longo dos últimos 12 anos ajudando o país a fechar as contas "no azul", também entrou em colapso, e hoje o setor está amplamente endividado, desde os pequenos até os grandes produtores. O custo de vida aumentou.
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Os impostos aumentaram. As tarifas públicas aumentaram. Com a estagnação e o desemprego, a marginalidade explodiu em todos os grandes centros urbanos. E os bancos? Bem, os bancos brasileiros tiveram os maiores lucros da história do Brasil por quatro anos seguidos (durante todo o governo do Lula), e as ações dos três maiores bancos privados do Brasil (Bradesco, Itaú e Unibanco) valorizaram-se mais do que as do CitiGroup, que é a maior instituição financeira do mundo, com sede em Nova York, nos E.U.A., e mais do que as ações do Banco Santander, que é o maior banco da Europa da "Zona do Euro".
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COM O LULA NO GOVERNO, O BRASIL SE TORNOU O PARAÍSO Nº1 DO CAPITAL FINANCEIRO ESPECULATIVO INTERNACIONAL!
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Enquanto milhares de brasileiros passam fome e não têm emprego, e a frota de ônibus dos nossos grandes centros urbanos está sucateada, o Lula mandou o BNDES dar dinheiro ao ditador cubano Fidel Castro para a compra de milhares de ônibus novos produzidos na China para eles !
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Todos sabemos que nunca mais veremos a cor desse dinheiro e que ele poderia ter sido muito melhor utilizado no financiamento de onibus para as cidades daqui no Brasil ( afinal o dinheiro é NOSSO ), comprando veículos produzidos aqui mesmo, ativando a indústria automobilística nacional (talvez assim não haveria aqui milhares de metalúrgicos sendo demitidos todos os dias), gerando crescimento, emprego e renda, que é o que o povo precisa!
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Mas Lula está enganando o povo com uma esmola chamada Bolsa Família, que não chega a maior parte dos brasileiros necessitados, ficando nas mãos de
intermediários corruptos!
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Lula fez também o BNDES dar dinheiro ao Hugo Chávez da Venezuela, que por sua vez está nadando em dólares que ele obtém vendendo petróleo aos Estados Unidos. Nós também nunca mais veremos esse dinheiro...
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E Lula mandou o BNDES dar dinheiro ao Evo Morales da Bolívia, que todos sabem que é um narcotraficante, e que por sua vez roubou a nossa Petrobras (que havia investido mais de 1 bilhão de dólares do dinheiro dos brasileiros naquele país).
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Evo Morales deu a nossa Petrobras que está na Bolívia de presente ao Hugo Chávez e ainda subiu o preço do gás vendido a nós brasileiros.
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Ele fez isso em uma reunião a portas fechadas que os dois tiveram com o cubano Fidel Castro. Evo Morales, Hugo Chávez e Fidel Castro colocaram a nação brasileira de joelhos, e o Lula mais o Chanceler Celso Amorim, PANACAS ainda disseram que eles tem o direito de fazer isso!
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Esta é liderança de Lula na América do Sul: Lula dá o dinheiro e o patrimônio do povo brasileiro a esses três ladrões, e os três riem e chutam o traseiro do LULA e do povo brasileiro!
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O que mais me decepcionou foi descobrir que o meu ex-partido, o PT - TEM LIGAÇÕES íntimas COM as "GUERRILHAS e os TRAFICANTES de DROGAS" da Colômbia, do Peru e da Bolívia, e que o PT TEM LIGAÇÕES COM o TRÁFICO de ARMAS e com o CRIME ORGANIZADO do Brasil !
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Lula e o PT têm vínculos íntimos com os atentados violentos perpetrados pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estado de São Paulo.
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Eu sei porque fui informado por ex companheiros de partido e também porque as táticas utilizadas pelo PCC são típicas de guerrilha, exatamente iguais às táticas que o Zé Dirceu e o Zé Genoíno aprenderam em Cuba, e que eles nos ensinavam nos idos dos anos 80 em algumas fazendas de "amigos do PT", época essa em que ainda acreditávamos que devíamos fazer guerrilha.
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Agora meu ex-amigo Lula e meu ex-partido PT estão às voltas com um dossiê falsificado encomendado de última hora a algumas facções criminosas que tem ligação com o partido!
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Quando eu estava lá no PT com Lula, Zé Dirceu, Genoino, Aloísio Mercadante, Marta Suplicy, Eduardo Suplicy, Erundina, Mentor, Antonio Palocci, Delúbio Soares, Ricardo Berzoini e tantos outros, eu ouvia que devíamos fazer tudo para conquistar e manter o poder, mas eu não imaginava que esse "tudo" incluía roubo, seqüestro, assassinato, dilapidação do patrimônio público, enriquecimento ilícito, envio de dólares para o Caribe e para a Suíça, formação de quadrilha, tráfico de armas e de drogas e tudo o mais que Lula e o PT vem fazendo nos últimos quatro anos!
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Por isso tudo (e por muitas outras coisas que nao posso aqui mencionar) e por que OS CONHEÇO MUITO BEM..... volto a pedir:
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NÃO VOTEM NO LULA ! NÃO VOTEM NO PT ! O PT SE TRANFORMOU NUMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ! LULA SE TRANSFORMOU NUM CRIMINOSO SEM LIMITES... !
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SALVEM O NOSSO BRASIL !!!
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J osé Guimarães dos Santos Silva
Jornalista
Ex - Petista

Sem infraestrutura, o país pára !

Uma característica comum a todos os países em crescimento acelerado é o ritmo intenso de investimentos em obras de infra-estrutura. Nações como China e Índia vivem atualmente uma febre de construções de novas usinas hidrelétricas, portos, estradas, ferrovias e saneamento básico, num gritante contraste com o marasmo do setor no Brasil. Chineses e indianos têm motivos para comemorar -- e nós para ficar preocupados. Os serviços e produtos gerados pelos setores de infra-estrutura -- energia, petróleo e gás, transportes, telecomunicações e saneamento básico -- funcionam como órgãos vitais em qualquer sistema econômico. "Sem infra-estrutura, o Brasil literalmente pára", diz Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). É aí que reside um dos pontos mais débeis da economia brasileira. De acordo com extenso estudo da consultoria McKinsey sobre os principais problemas que afligem a economia brasileira, a precariedade da infra-estrutura, fruto de décadas de descaso e pouco investimento, tornou-se uma das maiores barreiras ao crescimento do país. (Outros obstáculos à prosperidade -- a informalidade, as deficiências macroeconômicas e a insegurança jurídica -- foram temas de reportagens anteriores da série Caminhos para o Crescimento, que termina nesta edição.)

Não faltam indicadores para justificar o diagnóstico (veja quadro ao lado). Nos transportes, 70% da malha rodoviária brasileira está em condições ruins ou péssimas de rodagem. Esse é um dos principais motivos das perdas da produção de grãos, que chegam a 12% da safra de arroz e a 7% da de soja. No setor de saneamento, o retrato é igualmente desolador -- 27% das residências brasileiras não têm acesso a rede de tratamento de esgoto e 11% não têm água tratada, o que faz com que mais de 1 000 crianças sejam internadas diariamente pelo fato de viver sem boas condições sanitárias. Na área de energia, o alerta é máximo. Especialistas do setor e o próprio governo estimam que, para o país crescer 4,5% ao ano, será preciso adicionar desde já 4 100 megawatts de eletricidade ao ano -- sem isso, o risco de um novo apagão nos próximos anos é enorme. Um levantamento do Instituto Acende Brasil, que reúne investidores do setor energético, mostra que as usinas licitadas no ano passado somaram apenas 740 megawatts. "A incerteza sobre o fornecimento de uma coisa tão básica como energia diminui a competitividade do Brasil e afasta novos investimentos", afirma Heinz-Peter Elstrodt, sócio-diretor da McKinsey no Brasil. "Isso se traduz em menos crescimento e, conseqüentemente, menos bem- estar para a população."

Segundo o estudo da McKinsey, ainda é possível evitar os dois apagões que rondam a economia -- o de energia e o de transportes. O primeiro passo é fazer o diagnóstico correto do problema. "É fundamental que o governo entenda que é impossível resolver a infra-estrutura sem investimentos do setor privado", diz Paulo Fleury, diretor do Centro de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), o Brasil precisa investir 88 bilhões de reais a cada ano para equacionar os problemas. Estima-se que o governo investirá apenas 24 bilhões de reais neste ano -- e nada indica que esse montante crescerá significativamente nos próximos anos.

Compare a infra-estrutura brasileira com a de outros países. O instituto suíço IMD deu notas a vários setores tendo os Estados Unidos como referência (nota 100)

Infra-estrutura geral (Inclui todos os setores)

EUA: 100
Coréia:78
China:63
Índia:56
Brasil:50

Transporte de carga:

EUA: 100
Coréia:68
China:61
Índia:63
Brasil:46

Energia:

EUA: 100
Coréia:92
China:63
Índia:58
Brasil:56

Saneamento:

EUA: 100
Coréia:73
China:66
Índia:49
Brasil:47


Investimento:

Saiba quanto o país investe em infra-estrutura em relação ao mínimo que deveria ser investido anualmente.

Petróleo e gás natural: 84,0%
Telecomunicações: 65,0%
Energia elétrica: 60,0%
Transportes: 45,0%
Saneamento básico: 33,0%

Diante da falta de dinheiro público, a retomada das privatizações aparece como uma das principais medidas propostas pela McKinsey. Especialistas afirmam que há pelo menos 3 000 quilômetros de rodovias em condições de ser privatizadas imediatamente. O mesmo vale para 80% do setor de geração de energia e toda a administração portuária. No caso dos portos, a privatização parou no meio do caminho. Desde 1997, apenas os terminais de carga passaram para mãos privadas. Por falta de investimentos, a maioria dos portos -- incluindo Santos, o mais importante do país -- não tem condições de receber navios de última geração. Importadores e exportadores poderiam economizar 1,2 bilhão de dólares em fretes transoceânicos caso os portos operassem embarcações modernas.

Outra forma de atrair investimentos privados é por meio das parcerias público-privadas (PPPs). Esse tipo de contrato permite que uma empresa invista junto com o governo, por exemplo, na construção de uma estrada e possa cobrar o pedágio no futuro. "Uma das vantagens das parcerias é que as obras sofrem menos atrasos e têm mais qualidade", afirma Maurício Endo, diretor de estruturação de PPPs da consultoria KPMG. "Como o investidor privado vai operar o serviço no futuro, ele tende a ser bastante rigoroso com o projeto para evitar gastos adicionais com manutenção." O país com mais experiência nesse tipo de contrato é a Inglaterra. De 1995 para cá, o governo britânico assinou mais de 600 PPPs em áreas como transportes, segurança e saúde. No Chile, as PPPs foram utilizadas para modernizar e ampliar seu sistema de transportes, considerado um dos melhores do mundo pelo instituto de pesquisas do IMD, a prestigiada escola de administração suíça. As PPPs começaram a ser discutidas no Brasil no início do atual governo, mas nenhum contrato foi assinado até agora.

Embora quase inexistam grandes obras em andamento no Brasil, a ironia é que sobram interessados em investir. "Os setores de infra-estrutura são ótimo negócio, pois dão retorno garantido", afirma Pires, do CBIE. Mas trata-se de um tipo de investimento que tende a dar resultado apenas a longo prazo -- e portanto é vital que haja confiança nas regras do jogo e nos contratos, sem o que ninguém se dispõe a aplicar o dinheiro. A experiência internacional sugere que as agências reguladoras têm papel fundamental na garantia dessa estabilidade. Elas são órgãos com independência dos governos e com poder para tomar decisões. Nos Estados Unidos, a primeira agência surgiu em 1978, com a privatização da aviação. Desde então, elas se consolidaram como órgãos verdadeiramente reguladores, intermediando os interesses dos consumidores, dos investidores e do governo. Sua existência é uma das condições fundamentais para que o governo americano atraia investimentos de longo prazo. É o caso, por exemplo, da ponte Chicago Skyway, que conecta estradas dos estados de Illinois e Indiana -- a empresa que ganhou a concessão investirá quase 2 bilhões de dólares e poderá cobrar pedágio pelos próximos 99 anos.

Enquanto isso acontece lá fora, o Brasil trilha o caminho inverso. Criadas na década de 90, as agências brasileiras vêm sofrendo constantes ataques por membros do governo Lula. Uma das formas encontradas para enfraquecê-las é retirar sua independência financeira, sem a qual é impossível contratar gente qualificada para fiscalizar as empresas e realizar os estudos necessários. Apesar de os recursos serem garantidos pelas concessionárias de serviços -- cada conta de luz ou telefone tem embutida no preço a fatia que vai para a agência --, o dinheiro acaba retido pelo governo. Só em 2005, as seis principais agências deixaram de receber 4,5 bilhões de reais que lhes pertenciam. Um sinal eloqüente do esvaziamento das agências é o número de vagas não preenchidas. Dos cinco diretores da Agência Nacional de Petróleo, por exemplo, só dois ocupam o cargo -- três cadeiras estão vagas. Um dos dois ocupantes é o ex-deputado Haroldo Lima, do PCdoB, um político sem carreira prévia no setor de petróleo. "É óbvio que num ambiente desse tipo a confiança do empresário diminui", afirma Paulo Godoy, presidente da Abdib.

Fortalecer as agências reguladoras

Como é no Brasil: Criadas nos anos 90 para regular os serviços privatizados, as agências vêm sendo enfraquecidas. Desde 2003, a União reteve 7 bilhões de reais destinados a esses órgãos. Muitos dirigentes indicados não são especialistas nos setores de regulação. Esse cenário diminui a confiança do investidor privado.

Quem já fez: Nos Estados Unidos, as agências se consolidaram há décadas. Elas têm independência financeira total e seus dirigentes têm de ter carreira nos setores regulados. Essas condições aumentam a confiança do setor privado, que se dispõe a entrar em contratos de até 99 anos, como é o caso da ponte Chicago Skyway
Retomar as privatizações
Como é no Brasil: Pelo menos 3 000 quilômetros de rodovias, 80% da geração de energia e toda a gestão portuária poderiam ser privatizados. No caso dos portos, só os terminais são privados. As estatais cobram pela entrada dos navios, mas não fazem as melhorias necessárias. Afalta de dragagem no porto de Santos faz com que navios de grande porte saiam carregados parcialmente para não bater no fundo.
Quem já fez: Na Holanda, o porto de Roterdã foi integralmente privatizado em 2004. A dragagem dos canais de acesso é feita quase diariamente, permitindo o acesso a navios de qualquer porte. Recursos privados garantem investimentos em tecnologias de ponta, como satélites que ajudam a evitar filas de navios e obras como a futura ampliação do porto, que custará 2,6 bilhões de euros.
Realizar parcerias público privadas (PPPs)
Como é no Brasil: A Lei das PPPs (contratos em que governos e empresas dividem a construção e a operação de obras e serviços públicos) foi aprovada há mais de um ano e meio, mas apenas uma licitação foi realizada até agora — a que viabilizará a operação privada de uma linha de metrô na cidade de São Paulo. Estima-se que o setor privado possa investir 35 bilhões de reais em cinco anos só em PPPs federais
Quem já fez : Desde 1994, o Chile realizou 45 PPPs, que injetaram 6 bilhões de dólares na infra-estrutura do país.A maior parte desse valor veio da iniciativa privada. As PPPs foram um dos principais meios de o Chile melhorar seu sistema de transporte de cargas.Atualmente, a infra-estrutura chilena é considerada uma das melhores do mundo pelo IMD
Reduzir impostos dos serviços básicos
Como é no Brasil: O Brasil é um dos países que mais cobram impostos dos serviços básicos.A tributação representa 48% do preço final da eletricidade, 47% da telefonia e 39% dos transportes. A alta taxação encarece os serviços, estimula a inadimplência e as ligações clandestinas. Esse cenário dificulta o aumento da escala de consumidores, fundamental para baratear qualquer produto e serviço de infra-estrutura
Quem já fez : O Chile e a Coréia do Sul têm níveis de taxação bem mais baixos. No Chile, a tributação sobre a eletricidade e as telecomunicações é de 27% e sobre os transportes de 25%. Na Coréia do Sul, a eletricidade é taxada em 31%, a telefonia em 32% e os transportes em 27%. Os dois têm, de longe, a melhor infra-estrutura quando comparados com outros países emergentes

Outro fator que tem minado a confiança empresarial é a falta de clareza existente no governo sobre o papel das agências ambientais. No mundo todo, a equação que tenta combinar necessidade de desenvolvimento com preservação ambiental é instável -- geralmente os investidores reclamam dos ambientalistas e vice-versa. Mas lá fora os debates têm hora para começar e terminar -- uma vez batido o martelo sobre o que pode ser feito, as obras são levadas a cabo. No Brasil tem ocorrido o in verso. As leis ambientais não são claras e os processos de licenciamento permitem uma infinidade de novas exigências aos investidores. A conseqüência é que nunca dá para saber quando -- e com que custo -- uma obra será liberada. Com isso, os embargos ambientais viraram um dos maiores entraves aos novos projetos de infra-estrutura. A saída, dizem os especialistas, passa por duas frentes distintas. De um lado, pela melhora da legislação. Hoje, os agente públicos respondem pessoalmente no caso de um desastre ambiental. Tamanha responsabilidade acaba levando a uma paralisia -- o melhor é não aprovar nada para não correr risco no futuro. Por outro lado, é preciso coordenar melhor o trabalho dos diferentes órgãos do governo. "Não adianta o Ministério de Minas e Energia planejar sozinho os projetos do setor elétrico, pois eles acabam vetados em outras pastas", afirma Sérgio Abranches, cientista político. "O mundo todo enfrenta a mesma dificuldade, e o melhor caminho encontrado até agora foi aumentar a interação entre as áreas que tratam do assunto."

Os efeitos da privatização

Compare o desempenho dos setores de telecomunicação e portuário após a privatização:

Telecomunicações:

Número de linhas fixas por 100 habitantes:
Antes : 12
Depois: 27

Celulares por 100 habitantes:
Antes: 3
Depois: 47

Pessoas com acesso à internet:
Antes: 480 mil
Depois: 35 milhões

Nos portos

Tempo diário de operação dos terminais:
Antes: 16 horas
Depois: 24 horas

Espera para atracar um navio:
Antes: Até 96 horas
Depois: Atracação imediata

N° de containers embarcados e desembarcados:
Antes: de 8 a 15 por hora
Depois: de 35 a 40 por hora

Destravar a infra-estrutura é um desafio para todos os países. Não é trivial convencer investidores a empenhar bilhões de dólares em obras que demoram anos para começar a dar retorno. O fato é que o Brasil tem demorado demais para começar a encarar esse desafio. Na maioria dos setores, uma decisão tomada hoje pode levar anos para tornar-se realidade -- e o tempo começa a ficar escasso. Uma boa notícia é a percepção de que, se o país acertar com competência o ambiente para os investidores, dinheiro não faltará. Vários fundos de pensão começam a demonstrar apetite pelo setor. Ao todo, estão saindo do papel cinco fundos de investimento em participação (FIP), com condições de injetar 3,5 bilhões de reais nas áreas de energia, saneamento, concessões rodoviárias, portos e ferrovias. "Estamos buscando negócios", diz Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, que administra um patrimônio de 23 bilhões de reais e participa dos cinco FIPs . Ao que tudo indica, só falta o governo fazer sua parte.

Privatizar beneficia a todos.

COMENTANDO A NOTICIA vai tratar neste artigo de assunto que tem andado meio na moda, em razão da campanha eleitoral, e que acreditamos não esteja recebendo o devido enfoque que o assunto merece, bem como têm sido dito muita besteira sem um pingo de respeito à realidade. Tem gente falando do que não sabe e não entende, e outros, menos informados, tem como que comprado gato por lebre.
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A primeira desmistificação que se deve fazer é, para quê o governo quer manter como estatal um hotel ? Ou uma siderúrgica ? Ou mesmo uma companhia telefônica ? Há atividades que precisam mesmo que o estado atue e faça o papel de empresário. São estratégicas ao desenvolvimento das nações. No Brasil, por exemplo, não se imagina o grande avanço na área petrolífera e petroquímica sem a participação da Petrobrás. Bem como não se imagina programas sociais e financiamento de habitação popular sem um suporte da Caixa Econômica. Mas menos verdade, é mantê-las, após um tempo de maturação, como caixas pretas para privilegiar uma casta, e sustentar monopólios que mais fazem do que provocar atrasos e prejuízos ao próprio estado. O exemplo mais claro disso que temos bem próximo no tempo, foi a antiga União Soviética.
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No Brasil, a EMBRAER, por exemplo, foi estatal desde o seu nascimento, no tempo da ditadura militar. Enquanto esteve nas mãos do governo, a empresa quase foi à bancarrota. Bastou, no entanto, ser privatizada, tornou-se uma das mais importantes indústrias de aeronáutica do mundo. Vejam outro caso: a telefonia. Enquanto estatal, não sofreu nenhuma evolução tecnológica. Ao contrário. O telefone era considerado um ativo passível de ser informado na Declaração de Bens à Receita Federal. Uma linha valia tres mil dólares, fora claro o mercado negro que deitou e rolou por anos a fio. Depois de privatizada, hoje virou uma necessidade básica de consumo, e tão disponível a qualquer cidadão do país. Já são mais de 90,0 milhões de celulares em mãos de brasileiros. Hoje, para um simples motoboy nas grandes cidades, seria impensável trabalhar sem seu celular, mesmo que seja a cartão. Assim, o mecânico de automóveis, a pizzaria mais próxima, a farmácia da emergência, a costureira, a doceira, serviços de entrega rápida. Ou seja, após privatizada, a telefonia não apenas universalizou-se. Mas gerou emprego, renda, tornou as comunicações muito mais instantâneas, ágeis, dinamizando toda a vida moderna das pessoas. E ainda assim, com todo este impacto, tem gente que se diz contra. Ou, neste caso, se trata de enorme ignorância, ou de enorme má fé.
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Mas não falaremos apenas de telefonia. Vamos abordar o assunto com uma amplitude que nos parece muito mais importante do que a discussão vagabunda dos "estatizantes" de plantão. Afinal, a vida moderna é para proporcionar melhores condições e qualidade de vida para todos, não apenas para gerar empregos para meia dúzia de amigos do poder.
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Deste modo, entendemos ser oportuno ao falar de privatizações, abordar o tema inserido no contexto da infra-estrutura. Este o lado. Por quê ? Porque este é um fator decisivo, juntamente com outros quatro temas – educação, judiciário ágil, tributação e desburocratização - não apenas para atrair investimentos, mas, também, para proporcionar bem estar para toda a sociedade, e um bem estar de longo prazo.
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Muito embora o presidente Lula em seu programa de tevê aborde esta questão como tendo realizado "maravilhas" nos últimos quatro anos, a bem da verdade o presidente continua na sua rotina de mentir. Mentir que fez o que longe está de se começar a fazer. Há obras inauguradas por ele uma quatro ou cinco vezes. Apenas, que o nome certo não é inauguração de obra feita, e sim a declaração da intenção de fazê-la. Um dia. Quem sabe ?
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Vamos iniciar esta série reproduzindo matéria publicada pela Revista Veja,e a partir daí, passando por telefonia, estradas, portos, ferrovias, energia, etc, vamos demonstrar que primeiro este governo não criou um único programa neste sentido. Ou inaugurou o que havia começado antes de sua posse, ou, tiveram sua concepção no mandato de seu antecessor.
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Por fim, vamos comparar o que realmente Lula "fez" com o que estava sendo feito tanto no Brasil, quanto no exterior, para que o leitor possa, mediante informações e não mentiras, antever o que seriam mais quatro anos de desastre e retrocesso.
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A seguir, a reportagem da Revista Veja.
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Vivam as privatizações!

Lula as abomina. Alckmin as defende com timidez,
mas a venda de estatais é a melhor maneira de
combater a corrupção, o aparelhamento e a ineficiência.

Por Giuliano Guandalini
Publicado na Revista Veja



Surgiu finalmente na campanha eleitoral o debate sobre dois temas essenciais, as privatizações e os gastos públicos. O candidato Lula da Silva e o desafiante Geraldo Alckmin evitavam o máximo possível tocar nesses assuntos, considerados sensíveis pela opinião pública. Mas Lula, desde que foi acuado no debate do domingo, partiu para o ataque e acusou o tucano de ter como plataforma a redução dos gastos públicos e a venda de estatais. "As únicas coisas que eles sabem fazer é privatizar e cortar gastos", afirmou Lula, como se isso fosse uma mácula, e não uma virtude. O PT disseminou a boataria segundo a qual Alckmin venderia a Petrobras, o Banco do Brasil e outras companhias públicas. Essas privatizações, defendidas com bons argumentos, são corretas em princípio, mas impraticáveis por inapetência do mercado para absorver esses gigantes. Alckmin foi falsamente acusado de querer vendê-los .
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Lula afirmou na semana passada, em entrevista ao jornal O Globo, que não teria privatizado a Telebrás nem a mineradora Vale do Rio Doce. Miopia ideológica do presidente-candidato. Foi a privatização da Telebrás que levou o telefone às camadas mais pobres da população, dando aos marceneiros, encanadores, mecânicos, costureiras, cozinheiras e outros profissionais um imprescindível instrumento de trabalho. O Brasil caminha para ter 100 milhões de telefones celulares, vendidos a preço de banana e com tarifas ao alcance do bolso dos trabalhadores. A Telebrás que Lula endeusa vendia um telefone por 5.000 dólares e, pior, não o entregava. Só os amigos do rei conseguiam ver suas linhas instaladas. Vivessem as telecomunicações ainda sob o jugo da Telebrás hoje, só os petistas teriam direito a um telefone. Será que é isso que atrai Lula no modelo estatal de telefonia? A Vale era uma empresa funcional mesmo sob o comando estatal. Porém não pagava impostos e não tinha capital próprio para se modernizar, crescer, nem podia atrair investidores privados. Estava condenada ao sucateamento. Privatizada, tornou-se uma das maiores empresas do setor. Suas ações valorizaram-se 500% nos últimos cinco anos. O estatismo ruiu em todo o mundo, por sua ineficiência e estímulo à corrupção. Sua reencarnação tropical sob os auspícios do PT é anacrônica e altamente suspeita.
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Outro tema vital, a contenção dos gastos públicos, também entrou no debate pela porta dos fundos e de maneira enviesada. O assunto só ganhou destaque depois que um dos formuladores do programa de Alckmin, o economista Yoshiaki Nakano, defendeu o corte de gastos e o fim do déficit público. O petista Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Lula, foi rápido no gatilho e acusou os tucanos de ter a intenção de enxugar programas sociais. Nakano muitas vezes é criticado por suas propostas heterodoxas sobre câmbio e juros, mas quem o conhece sabe que as críticas de Garcia não fazem sentido. Para o tucano, que foi secretário da Fazenda paulista, o ajuste deve ocorrer por meio da melhora na gestão pública, e não pela redução do investimento social. Ainda assim, temendo o desgaste político, Alckmin desautorizou Nakano. Quando o tema é a Previdência, os tucanos são ainda mais escorregadios. Já o programa de Lula não tem meias palavras: a gastança vai continuar e não haverá reforma da Previdência. A confusão é que petistas que trabalham nos ministérios da Fazenda e do Planejamento sabem do drama nas contas públicas e defendem uma redução dos gastos. Eles chegaram a articular, antes de Antonio Palocci ter caído em desgraça, um projeto para zerar o déficit público. Afinal, quem fala pelo presidente Lula, os integrantes de seu governo ou os companheiros que escreveram o seu programa de campanha?
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Se aumento de gasto público significasse progresso, o Brasil seria hoje um dos países mais avançados do planeta. Em 1995, as despesas da máquina federal consumiam 208 bilhões de reais. Em 2005, os gastos chegaram a 364 bilhões de reais, um inchaço de 75% nesses dez anos. A despeito de alguns tímidos avanços nos indicadores sociais, esse aumento não se reverteu em benefícios para a população como se apregoa. Além disso, o país cresce menos que todos os demais emergentes, e os trabalhadores ganham hoje, em média, menos do que recebiam há dez anos. O governo sugou recursos da economia e achatou o salário dos brasileiros.
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Mas, se o governo gasta tanto e os serviços públicos continuam péssimos, o que explica esse abrupto avanço nas despesas federais? "A Previdência", responde o economista Fabio Giambiagi, um dos maiores especialistas em contas públicas do país. Giambiagi, que trabalha no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acaba de concluir um livro no qual mostra como as contas previdenciárias representam o mais sério desequilíbrio fiscal do país. Em 1988, quando foi promulgada a nova Constituição, os benefícios e aposentadorias pagos pelo INSS (sistema previdenciário dos trabalhadores do setor privado) somavam o equivalente a 2,5% do PIB do país. No ano que vem, essas despesas custarão 8% do PIB. O déficit entre as despesas e a arrecadação supera 40 bilhões de reais ao ano. Sem conter o avanço desses gastos não há como reduzir a carga tributária nem ampliar o investimento público em infra-estrutura, dois requisitos vitais para dar novo ânimo à economia. Afirma o economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central: "O Brasil avançou em vários aspectos, mas não fez nenhuma reforma estrutural nos últimos anos. Sem isso não há a menor possibilidade de crescer aceleradamente. Estamos ficando para trás. Enquanto todos os países estão correndo, o Brasil está andando. Quase todos os países emergentes têm fragilidades e problemas regulatórios. A diferença em relação ao Brasil é que eles têm um Estado muito menor". E como diminuir o Estado? Privatizando e cortando gastos.

A educação brasileira vai mal - Final

COMENTANDO A NOTÍCIA: Já se disse muitas vezes que o problema brasileiro não é falta de resursos. Estes existem em volume suficiente para livrar o país do atraso em que se encontra. O que falta é primeiro, e antes de tudo, vontade política de se promover uma revolução no gerenciamento de recursos. Segundo, estabelecer um grande plano de desenvolvimento que passará pelas instalações, disponibilidades de meios, capacitação de professores e educadores, incentivos especiais às famílias para a manutenção das crianças nas escolas o máximo de tempo possível, tal qual o Bolsa Escola de Cristovam Buarque e Fernando Henrique, priorizar os primeiros anos de ensino que serão o sustentáculo do cidadão, dentre outros. O que não se pode é politizar e partidarizar a questão. O projeto tem que merecer continuidade dos governantes, independentemente de sua origem partidária. O projeto é para o país, e como tal, não pode ser visto como projeto para atendimento às vaidadades pessoais e ambições políticas de seus executores.
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O benefício será para todos. Contudo, o que vemos é o velho chavão de trocar o presidente, trocar os programas. Fernando Henrique além da rede de proteção social criou as provas de avaliação dos diferentes níveis de ensino. E os recursos disponibilizados fizeram parte do FUNDEF. Todas as ações foram torpeadas pelo PT e, particularmente, pela UNE na questão das avaliações, tendo inclusive procurado incentivar que os alunos não comparecessem. Bastou mudar o governo, e os programas receberam novos nomes, e o fundo de financiamento, um novo projeto, inclusive parado no Congresso Nacional aguardando votação, sem que haja uma pressão maior do governo pela sua aprovação em regime de urgência.
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Apenas para que os leitores deste espaço não tirem conclusões apressadas pelas críticas que dirigimos ao governo Lula no aspecto da educação, vamos transcrever trechos do Atlas de Desenvolvimento Humano, publicado em 2003, mas com dados abrangendo o período de 1991 a 2000. Por ele, é possível perceber-se claramente que a educação foi a maior responsável pelo desenvolvimento brasileiro na última década, como afirmou a ONU. O Novo Atlas do Desenvolvimento Humano permitiu traçar comparações e acompanhar a evolução do nível de vida em todos os municípios, de 1991 a 2000. O que queremos enfatisar é que o presidente Lula jamais poderá reclamar do governo que recebeu de Fernando Henrique. Até pelo contrário. Graças ao seu antecessor, Lula poderia ter navegado tranquilamente para consolidar a estabilidade já conquistada, avançado nas reformas básicas para eliminar os gargalos que travam o pleno desenvolvimento do país. Governou num período inigualável da economia mundial dos últimos trintas anos, sem nenhuma crise de liquidez, com enorme expansão do comércio internacional, pelo qual nossos superávits comerciais batem sucessivos recordes, nunca e apenas por políticas governamentais. E neste tópico até pelo contrário. Com um pleno programa de proteção e assistência social, consolidado e em funcionamento, com as finanças equilibradas, e com políticas educacionais plenamente satisfatórias e produzindo resultados com reconhecimento internacional. Foram muitos os avanços. Tivesse Lula se valido e dado apenas continuidade ao que já existia e funcionava, e não ficado em gabinetes estudando meios de desconstruir o mandato de FHC, o país teria avançado e muito em questões essenciais, principalmente na educação. É lamentável a falta de brasilidade e até de humildade do petista. Sua ambição pessoal e sede de poder fez o Brasil andar para atrás, com um custo muito alto para toda a sociedade. Queira Deus que o mundo nos dê uma segunda chance. Do contrário, dentre os emergentes listados em 27 países, ficaremos no último lugar ainda por muito tempo. Esta é, definitivamente, uma herança que Lula não tinha o direito de nos deixar.
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Leiam os trechos mais destacados do estudo e percebam os avanços conquistados na década de 90 (e que um dia não fiquemos lamentando a oportunidade jogada fora): :
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"Por esses critérios, o Brasil vai bem: foi o país que mais avançou no IDH entre 1975 e 2001, passando de 0,643 para 0,777 (o índice vai de 0 a 1).
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Análise geral
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O salto no IDH brasileiro foi em grande parte movido pela educação. Em 83% dos municípios, educação foi a dimensão que mais se desenvolveu na década de 90. Na média de todas as 5 507 cidades, o subíndice educação cresceu 25%, a expectativa de vida aumentou 12% e a renda, 11%. O que mais puxou a evolução educacional, no entanto, não foi a taxa de alfabetização, e sim a taxa bruta de freqüência à escola (a divisão do número de alunos pela população de 7 a 22 anos do município), um indicador que consta do IDH-M, mas não do IDH, e mede o acesso das pessoas à escola, mas não a qualidade do ensino. Isso não significa que não tenha havido avanço na alfabetização, apenas que esse avanço não é tão rápido como o do acesso à escola.
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É nos pequenos municípios, onde vive 36% da população (62,2 milhões de pessoas), que está o maior avanço. É natural que seja assim: as cidades menores têm um índice menor que as maiores, e os avanços tendem a fazer maior diferença. As 159 cidades com maiores ganhos proporcionais no IDH-M têm menos de 50 000 habitantes. Na média, os pequenos municípios tiveram evolução de 15,9% no índice. As cidades com mais de 50 000 e menos de 500 000 habitantes tiveram aumento de 11,2%, as de mais de 500 000 e menos de 1 milhão, de 6,7% e as que têm mais de 1 milhão de habitantes tiveram aumento no IDH-M de 6,1
%.
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Das 33 regiões metropolitanas brasileiras, as três mais bem colocadas no ranking de IDH-M ficam em Santa Catarina. A Grande Florianópolis é a campeão, com índice 0,86, seguida da RM Norte/Nordeste Catarinense (Joinville) e da RM do Vale do Itajaí (Blumenau), ambas com 0,85. Entre as dez primeiras, apenas quatro regiões metropolitanas ficam fora de Santa Catarina: Campinas (4º lugar), Porto Alegre (7º), São Paulo (8º) e Curitiba (10º).
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No subitem expectativa de vida, nada menos que dez entre as dez primeiras colocadas no ranking de regiões metropolitanas ficam em Santa Catarina. A campeã é Joinville, com expectativa de 76,2 anos.
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No ranking de cidades médias, com entre 500 000 e 1 milhão de habitantes, o estado que lidera é São Paulo. Ribeirão Preto, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo mantiveram sua hegemonia no IDH-M ao longo da década de 90. Mas a distância em relação às demais cidades diminuiu, já que elas tiveram os menores percentuais de crescimento do índice no período, em grande parte por causa da dimensão renda per capita, que cresceu muito menos que a média do país..."
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Aspectos positivos
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Evolução - O número de municípios com IDH-M baixo (menos de 0,5) caiu de 1 001, em 1991, para apenas 22, em 2000. As cidades com IDH-M entre 0,501 e 0,600 passaram de 1 373 para 838. Há hoje 2 422 cidades com índice entre 0,701 e 0,800, quase o dobro das 1 226 de 1991. E as de IDH-M alto (mais de 0,8), que eram apenas 18 em 1991, hoje são 558. Sobre este item, veja quadros abaixo.
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Disseminação - Em várias regiões, pode-se notar que o avanço no desenvolvimento humano de grandes centros está se espalhando para as cidades periféricas. Em Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, por exemplo, a velocidade de crescimento do IDH-M dos municípios da periferia das regiões metropolitanas foi maior que a dos núcleos. Em grande medida, isso se deve ao aumento da expectativa de vida, conseqüência da diminuição da mortalidade infantil.
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Ensino - Mais de 16 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão atualmente na escola. No ensino médio, houve na década passada um aumento de 3 milhões de matrículas. Na faixa etária dos 15 aos 17 anos, correspondente ao final do ensino fundamental, a taxa de jovens matriculados nas escolas pulou de pouco mais de 55%, no começo da década de 90, para 77%, em 2000. As disparidades, no entanto, são enormes: em municípios como Adamantina (SP), Salvador das Missões (RS) e Salinas da Margarida (BA), mais de 90% dos adolescentes estão na escola, enquanto em Quixelã (CE), Brejetuba (ES) e Buritis (RO), os matriculados são menos de 35%.
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O número de analfabetos funcionais (pessoas com menos de quatro anos de estudo) entre os jovens de 15 a 17 anos caiu de mais de 30%, em 1991, para pouco mais de 16%, em 2000. Mesmo assim, há municípios, como Jordão, no Acre, ou Anajás, no Pará, com mais de 75% de analfabetos funcionais nessa faixa etária.
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No ensino superior também houve enorme avanço, com aumento de quase 90% no número de matrículas. O grande responsável por isso foi o setor privado, que hoje responde por mais de 80% das vagas no ensino superior.

A educação brasileira vai mal – 4

Prioridades distorcidas –

Nunca tantos brasileiros tiveram acesso ao ensino superior gratuito. Desde o início do ano, mais de 1 milhão de universitários passaram a ter os estudos custeados pelos cofres do Estado, seja por cursarem uma universidade pública, seja pelo recebimento de bolsas. No final de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o privilégio do ensino superior gratuito seria ampliado, com investimentos de 600 milhões de reais na construção de 40 campi. As universidades federais também foram autorizadas a abrir concurso para preencher 4 000 vagas de professores. Dos 18 bilhões de reais que o Ministério da Educação (MEC) tem para gastar com o ensino, 70% serão destinados às universidades federais. Vistos a distância, tais números poderiam sugerir que o governo finalmente encontrou uma maneira inteligente de aplicar o dinheiro público e está investindo na qualificação profissional dos jovens, preparando o país para disputar espaço entre as nações mais competitivas do planeta. Trata-se de uma conclusão apressada.
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Para a maioria dos especialistas, o Brasil mantém há décadas uma grande distorção na forma como investe em educação. Embora tenha um volume de gastos comparável ao de países desenvolvidos, o que torna o ensino brasileiro um dos piores do mundo é justamente a decisão de colocar a maior parte do dinheiro nas universidades públicas -- enquanto o ensino fundamental e o médio, em que estão matriculados mais de 40 milhões de crianças e jovens, vivem em eterna crise por falta de recursos. "O governo gasta demais com um número pequeno de universitários que, em sua maioria, poderiam pagar pelo estudo, e gasta muito pouco com as crianças pobres das escolas da rede pública", diz Sérgio Werlang, diretor executivo do banco Itaú e ex-diretor do Banco Central, um estudioso dos efeitos da educação na economia. "O problema da educação no Brasil não é falta de dinheiro, mas a forma como ele é aplicado."
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O governo gasta, em média, 10 000 dólares por ano para manter um estudante de universidade pública e cerca de 870 dólares com uma criança matriculada no ensino fundamental. A educação superior normalmente é mais cara que a de nível básico, mas essa diferença no Brasil -- da ordem de 1 050% -- é uma das mais desproporcionais do mundo. Na Coréia, onde o ensino é referência internacional, o universitário custa apenas 75% mais que o aluno do fundamental. O pior é que o número de universitários privilegiados é mínimo: apenas um em cada quatro alunos de curso superior está em instituições públicas. Há outro agravante: o grosso dos recursos das universidades públicas não financia bibliotecas, laboratórios modernos ou pesquisas de ponta. É consumido pela folha de pagamento. Neste ano, quase 90% dos 12 bilhões de reais repassados às federais serão usados para pagar salários de professores, funcionários e aposentados.
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Estudos indicam que isso ocorre, em parte, porque há gente demais para atender os alunos. Nos países de Primeiro Mundo, as universidades têm, em média, um professor para cada 20 alunos. Na americana Harvard Business School, uma das mais conceituadas faculdades de negócios do planeta, as salas de aulas são anfiteatros com uma centena de estudantes. No Brasil, as universidades públicas têm, em média, um professor para cada dez alunos. A conta fica mais salgada se for considerado o sistema de trabalho e seus vícios. É comum professores faltarem às aulas para exercer atividades paralelas, como as de consultor ou palestrante. Isso ocorre porque, na maioria das instituições, não existe mecanismo formal de controle da freqüência. Os professores mais dedicados ganham tanto -- ou menos -- que os relapsos. A maioria tem contrato de dedicação integral, pois, de acordo com a Constituição, devem não apenas lecionar mas também se dedicar à produção de pesquisas. Muitos não fazem nem uma coisa nem outra -- apenas uma dúzia das 220 universidades públicas brasileiras faz pesquisa de fato. "Dizer que os professores universitários ganham mal é meia verdade", diz o economista Gustavo Ioschpe, autor do livro A Ignorância Custa um Mundo. "Para o tanto que a maioria trabalha, eles ganham bem."
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Ensino infantil em dólares por aluno

Comparado a outros países, o Brasil gasta muito com o ensino superior e pouco com o fundamental. Vejam os números abaixo:

Brasil – .............. 930
Coréia- .............. 2.600
México – ..............2.000
Estados Unidos – 7.700
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Ensino fundamental em dólares por aluno

Brasil – ................. 870
México – ............ 1.600
Coréia – ............ 4.000
Estados Unidos – 8.300
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Ensino médio em dólares por aluno
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Brasil -............... 1.100
México –........... 1.900
Coréia –............. 6.400
Estados Unidos - 9.600
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Ensino superior em dólares por aluno
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Brasil –.................... 10.000
México –.................... 5.700
Coréia –..................... 7.000
Estados Unidos -....... 24.000

Gasto anual por aluno na rede pública, de acordo com a paridade do poder de compra em dólar .
(Fonte: OCDE).

Enquanto isso, o dinheiro dos ensinos fundamental e médio mingua. Pela lei, essas modalidades devem ser mantidas pelos estados e municípios e receber 25% do que eles arrecadam com os impostos. Mas a realidade é de penúria. Até bem pouco tempo atrás, em São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, há crianças em escolas de lata. No Nordeste, um professor pode ganhar menos de um salário mínimo. Quase metade das escolas do ensino fundamental nem sequer tem uma biblioteca. A Revista EXAME solicitou um levantamento ao Ministério da Educação com o total de investimentos dos estados e municípios em educação. Foi informada de que seria impossível apresentar um número exato. "Na prática, não existe um consenso do que seja investimento em educação", diz Ilona Becskeházy, diretora executiva da Fundação Lemann, entidade que oferece programas de aperfeiçoamento de gestão para escolas públicas. "Para algumas prefeituras, asfaltar a rua na frente da escola conta como investimento em educação."
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Os estudantes brasileiros do ensino médio tiraram as piores notas
em um teste feito em 40 países
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Matemática:
1°. – Hong Kong – 550 pontos
40° - Brasil - 356 pontos
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Ciências
1° - Finlândia – 548 pontos
39° - Brasil - - 390 pontos
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Leitura
1° Finlândia – 543 pontos
36° - Brasil – 403 pontos

Fonte: Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa)
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A falta de transparência do sistema ficou escancarada em abril deste ano, quando o MEC realizou um cadastramento dos alunos baseado na presença em sala de aula. Descobriu-se uma diferença absurda: 13 milhões de crianças a menos do que fora informado pelo Censo Escolar, feito com dados dos estados e municípios. O fenômeno da proliferação de alunos fantasmas explica-se -- o censo serve de base para o rateio das verbas federais e a quantidade de alunos pesa na divisão do dinheiro.
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O Brasil tem apenas uma universidade entre as 200 melhores do mundo — classificação inferior à de vários outros países emergentes

País Universidades no ranking Instituição mais bem colocada
China 10 15° Índia 3 50°
Coréia 3 94°
Cingapura 2 22°
Rússia 2 79°
México 1 96°
Brasil 1 196°

Fonte: Jornal inglês The Times

Embora cruel para milhões de crianças, a opção de concentrar investimentos no ensino superior poderia ter servido para que o país tivesse universidades de primeira linha. A Índia adotou essa estratégia e criou alguns dos melhores centros de tecnologia do mundo. Definitivamente, não é o caso no Brasil. De cada 100 alunos que ingressam nas universidades federais, 65 não se formam -- a taxa de abandono nos cursos de física e química chega a 95%. Parte disso ocorre porque os currículos estão defasados, com excesso de vagas em áreas tradicionais, como direito e administração, e poucos cursos em áreas em ascensão, como engenharia de telecomunicações e biotecnologia. Em levantamentos internacionais, as universidades brasileiras mal aparecem em notas de rodapé. No ranking criado pelo suplemento de educação do jornal britânico The Times para mapear as 200 melhores instituições do mundo, a única brasileira é a Universidade de São Paulo, no 196o posto. Contam pontos no levantamento o volume de pesquisas, o número de citações em artigos e o número de prêmios Nobel de cada instituição. A Universidade Autônoma do México, que está em 96o lugar, produziu três ganhadores de Nobel. No Brasil, como se sabe, nunca ninguém foi agraciado. "A estrutura das universidades públicas se tornou ingovernável e não cumpre seu papel", diz o economista Claudio de Moura Castro, especialista em educação. "Não existe nenhum sentido em expandir esse tipo de universidade."
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Para os especialistas no tema, se o Brasil quiser universalizar o ensino de qualidade terá de inverter as prioridades -- concentrar recursos no ensino básico e acabar com a universidade gratuita. Ao contrário do que dizem os críticos a essa idéia, não se pretende privatizar as universidades públicas, apenas instituir a cobrança de mensalidade para quem pode pagar. O ensino superior gratuito foi abolido em todos os países que são referência em educação, como Inglaterra e Coréia do Sul. Na China, os universitários pagam entre 800 e 1 600 reais por mês para freqüentar instituições públicas. "Mesmo na América Latina, poucos países ainda mantêm universidades públicas a custo zero", diz Jeffrey Puryear, diretor do Programa de Promoção da Reforma Educativa da América Latina. Entre outras medidas defendidas para melhorar o ambiente universitário está o fim da estabilidade para os professores, que passariam a ser remunerados, promovidos e demitidos de acordo com a qualidade do trabalho. Mais que uma forma de usar racionalmente o dinheiro público, tais mudanças são vistas como um passo inicial para viabilizar o crescimento econômico a longo prazo. Com outra vantagem palpável: a melhoria na distribuição de renda. "Quem estuda mais, ganha mais. Como poucos estudam no Brasil, a desigualdade é enorme", diz Werlang. "Já passou da hora de enfrentar essa questão."

A educação brasileira vai mal – 3

A falta de sintonia com a modernidade

Muitas companhias no Brasil ficam meses com vagas em aberto pela incapacidade de encontrar trabalhadores de bom nível -- um cruel contra-senso para um país com 8 milhões de desempregados. É o caso da rede francesa de livrarias Fnac. A empresa trabalha com um perfil de funcionário com nível de formação elevado. Cerca de 40% dos atendentes cursam ou concluíram uma faculdade. O RH recebe 7 000 currículos por mês. Mas, de cada 20 candidatos selecionados para entrevista, 19 não conseguem entabular uma conversa mais elaborada. A vaga mais complicada de preencher é a de atendente do setor de livros. Nesse caso, o profissional precisa entender minimamente de literatura. Na matriz francesa, uma vaga como essa é preenchida no mesmo dia. Há seis meses, Elizabeth Cerqueira Leonetti, diretora de recursos humanos da Fnac, tenta, em vão, encontrar alguém qualificado em literatura para uma das lojas em São Paulo. "É lamentável e frustrante ver universitários que não sabem escrever, falar em público e trabalhar em equipe", diz Elizabeth.
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O pífio desempenho educacional brasileiro, claro, não é um problema novo. Mas tornou-se muito mais grave com a globalização acelerada dos negócios a partir dos anos 90. Cada vez mais as empresas comparam dezenas de países antes de realizar um investimento -- e a disponibilidade de mão-de-obra qualificada é um dos itens prioritários. Uma pesquisa realizada em parceria entre o Ibmec São Paulo e a London Business School com as 500 maiores empresas brasileiras identificou que a baixa formação dos empregados afeta negativamente decisões de investimento. Cerca de 40% delas disseram que a falta de trabalhadores qualificados impede a adoção de novas tecnologias. "O Brasil sempre se preocupou em fazer política industrial, mas ignorou que o mais importante é formar pessoas", diz o economista Naércio Aquino Menezes Filho, coordenador da pesquisa pelo Ibmec. "O resultado disso é que as empresas estão perdendo produtividade."
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O caso da LG do Brasil, subsidiária de uma das maiores fabricantes de eletroeletrônicos do mundo, com sede na Coréia, é exemplar para ilustrar essa perda. As linhas de produção da LG em Taubaté, no interior de São Paulo, montam nove celulares por hora. As linhas da fábrica da cidade de Pulsan, no interior coreano, produzem 15 aparelhos por hora -- quase 70% mais. As duas unidades contam com os mesmos equipamentos e o mesmo número de funcionários, teoricamente dotados do mesmo nível de formação escolar, o ensino médio completo. Segundo Fábio Gurman, gerente de RH da LG, a diferença é que o operário coreano foi educado por um dos melhores sistemas de ensino público do mundo, e o brasileiro, por um dos piores. "O poder de concentração, a capacidade de aprendizagem e a agilidade mental dos coreanos são impressionantes", diz Gurman. "Os brasileiros até que se empenham, mas precisam de mais treinamento, mais orientação e são dispersos."
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Diante desse quadro desalentador, o que explica que empresas brasileiras continuem trabalhando, crescendo e -- algumas vezes -- até inovando? A resposta está nos esforços feitos pela própria iniciativa privada, que, por uma questão de pragmatismo, assume funções do Estado. A saída é, a um só tempo, solução e problema. Ao investir na educação da mão-de-obra, os empresários garantem o capital humano de que precisam, mas desviam atenção e in vestimentos que, num ambiente ideal, deveriam estar voltados exclusivamente para os negócios. O negócio da Vale do Rio Doce é extrair minério e transportá-lo até seus consumidores. Mas a empresa precisa formar 200 condutores de locomotiva por ano. O negócio da paulista Tecnisa é construir prédios. Mas a empresa todo ano contrata dez professores e gasta 150 000 reais para ensinar centenas de operários a ler, escrever e ter noções básicas de informática. Assim, consegue garantir a qualidade das obras e reduzir desperdícios. Toda vez que começa uma obra, instala ao lado uma sala de aula. "Dar educação é obrigação do Estado, mas ele perdeu o rumo", diz Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa. Muitas empresas, como a Gerdau, oferecem complementação dos estudos. Em 1998, 25% de seus empregados tinham ensino fundamental incompleto. Graças a incentivos oferecidos pelo grupo, a proporção caiu para menos de 1%.
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O empresário Edson Musa, presidente do conselho de administração da Caloi, viu de perto como o ensino de baixa qualidade prejudica a vida do trabalhador e da indústria. Ao comprar a empresa, em 1999, Musa decidiu implantar programas de qualidade. Foi avisado pelo RH que os operários não conseguiriam assimilar um programa sofisticado. "Achei aquilo um absurdo e mandei aplicar um teste para medir os conhecimentos", diz Musa. Resultado: 38% dos operários com ensino fundamental completo eram analfabetos funcionais -- conheciam palavras, mas não entendiam o significado das frases. Para resolver o problema, a Caloi implantou um programa de reforço escolar e passou a aplicar uma prova na seleção de novos funcionários. Agora a Caloi pedirá ensino médio completo aos operários. "Não precisaríamos desse nível de formação", diz Musa. "Mas talvez assim encontremos gente com conhecimentos de ensino fundamental." Se Musa tivesse conversado com Guilherme Leal, co-presidente do conselho de administração da Natura, ficaria preocupado quanto às chances de encontrar pessoal qualificado. A fábrica da Natura em Cajamar, a apenas 30 quilômetros de São Paulo, emprega poucos moradores da vizinhança porque eles não passam na prova de seleção. "Se ainda estivéssemos no semi-árido nordestino eu poderia entender", diz Leal. "Mas estamos a poucos quilômetros do maior centro cultural do país."
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Essa necessidade de avaliar uma multidão de candidatos para encontrar um punhado de eleitos custa caro. No ano passado, a Atento, maior empresa de atendimento telefônico do país, entrevistou 240 000 jovens de 18 a 24 anos com ensino médio completo. Metade dos candidatos foi reprovada nos testes orais por não conseguir falar o português básico corretamente. Identificar e desclassificar tantos despreparados custou 1,8 milhão de reais à empresa. "Só precisamos que o atendente tenha um bom vocabulário", diz Cleide Barani, vice-presidente de RH da Atento. "Mas a maioria dos jovens não sabe falar. Utilizam regularmente expressões como 'nóis foi'."
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Mesmo empresas que recrutam alguns dos profissionais mais preparados do país têm dificuldade para preencher as vagas. A subsidiária brasileira da Tata, maior empresa de informática da Índia, há meses não consegue preencher 300 vagas. "Simplesmente não encontramos gente com o perfil técnico necessário", diz Sérgio Rodrigues, presidente da empresa. O laboratório farmacêutico Aché depende de cientistas estrangeiros para desenvolver novos medicamentos porque o número de profissionais brasileiros aptos a trabalhar no setor é ínfimo. "Sem a ajuda de gente de fora não teríamos chance de sobreviver", diz Victor Siaulys, presidente do conselho de administração do Aché. A Embraer, por sua vez, precisou até montar seu próprio curso de especialização para garantir o suprimento de engenheiros aeronáuticos, já que os três cursos existentes no país não dão conta de atender à demanda imposta por seu crescimento. Por ano, são formados 60 profissionais desse tipo. Nos últimos cinco anos, a Embraer investiu 13 milhões de dólares para formar 573 profissionais. É custo na veia, especialmente quando se lembra que suas competidoras contam com uma multidão de jovens bem formados à procura de emprego.
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Se há tanta demanda por engenheiros aeronáuticos, por que não surgem novos cursos? A explicação é a miopia do sistema educacional. "As universidades brasileiras são burocráticas, fechadas em si mesmas e não se planejam de acordo com as necessidades do mercado", diz Carlos Monteiro, diretor da CM Consultoria, especializada em gestão para o ensino superior privado. Atualmente, 60% dos 4 milhões de universitários brasileiros estão matriculados em não mais que dez cursos, voltados para carreiras saturadas, como administração, direito e psicologia. Nos cursos técnicos, a situação não é muito diferente -- a modernização existe, mas é lenta.
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As discussões em torno do tema educação são cíclicas no Brasil -- costumam se intensificar nos períodos eleitorais e submergir no momento seguinte. Mas raramente o problema é analisado pelo prisma da economia. "O que tem de ficar claro é que, se nada mudar, vai ser impossível ter crescimento de verdade", diz o economista Edward Glaeser. O obstáculo fica evidente quando se olha para as empresas de setores em expansão. "Quanto maior é o ritmo de crescimento das empresas, mais complicado é encontrar pessoas qualificadas, e mais oneroso treiná-las", diz Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree, que enfrenta a falta de capital humano na ampliação das operações no Nordeste. A preocupação com a formação dos funcionários, antes restrita ao RH e à área de projetos sociais, virou tema recorrente na alta cúpula das empresas. "Se o Brasil engrenar um novo surto de crescimento, vai parar por falta de gente para trabalhar", diz Marcos Magalhães, presidente da Philips. Outro executivo preocupado é Manoel Amorim, presidente do conselho de administração da operadora de celulares Vivo. Amorim concilia a atribulada agenda profissional com a de conselheiro do movimento Quero Mais Brasil, em que defende reformas no ensino público. "Estudei em escolas públicas do subúrbio do Rio de Janeiro, mas consegui cursar Harvard e ter uma carreira bem-sucedida", diz ele. "A oportunidade que eu tive não existe mais." Entre os empresários cativados pelo tema está Jorge Paulo Lemann, acionista da Inbev e da Lojas Americanas. Lemann criou uma fundação que leva seu nome e atua na melhoria da gestão do ensino público. "Meus amigos podem achar que estou virando um socialista tardio, mas na verdade estou aflito com os baixos níveis educacionais do Brasil", diz Lemann. Em várias entidades, a educação passou a ter tanta importância quanto a reforma tributária e a redução da taxa de juro. "Enfrentamos a concorrência científica da China, da Índia e da Coréia, países que educam bem seus jovens", diz Luís Norberto Pascoal, presidente da rede de lojas de pneus DPaschoal e integrante do Compromisso Todos pela Educação, movimento empresarial que defende reformas na educação. "Se quisermos ter perspectiva de ocupar um lugar de destaque no mundo, temos de investir na qualidade do ensino público e manter as crianças e os jovens em escolas de qualidade."

A educação brasileira vai mal – 2

Ao mudar a rota, retrocedemos
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Ao assumir seu primeiro mandato como presidente, Fernando Henrique tomou uma sábia decisão: implantar um programa social que “obrigasse” as crianças em idade escolar a freqüentarem as escolas. Para tanto, buscou num programa criado por Cristovam Buarque no Distrito Federal o pontapé inicial. Assim, nascia o Bolsa Escola cuja grande mérito foi levar 97% das crianças de 7 a 14 anos para dentro das escolas. O segundo passo, foi fortalecer a alimentação dessas crianças e o cuidado com sua saúde com o Bolsa Alimentação e o PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. O conjunto destes programas produziram um resultado positivo bastante elogiado pela UNESCO.
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Em 2003, Lula encontrou os três programas a pleno vapor. Sua missão seria primeiro ampliar os programas, segundo qualifica-los melhor e, terceiro, iniciar um processo de melhoria na qualidade de ensino. Porém, Lula vislumbrou aí a possibilidade de fazer política em cima da miséria e das dificuldades do povo. Numa meia-volta inexplicável, abandonou todas as contrapartidas que os programas exigiam das famílias beneficiadas – 8,5 milhões de famílias – mudou o nome do programa para Bolsa Família, ampliou o número de beneficiários para 11,0 milhões de famílias, elevou o valor de benefícios num único teto – 75 reais e abandonou a qualificação que deveria ter dado seqüência. Resultado, o programa passou a ser um bolsão assistencialista sem contrapartidas, o número de alunos fora das escolas aumentou – atualmente são mais de 2,0 milhões de crianças fora das escolas – as repetências regrediram e o Trabalho Infantil aumentou em 10,5 %. Ou seja, podendo e tendo condições de avançar, o Brasil, a partir do governo Lula, retrocedeu. Isto não é discurso, é realidade. Por mais que Lula exiba números e valores gastos em educação e valores repassados ao seu programa social, aqui o que conta é qual resultado que se obteve, e neste campo, não há dúvida que o governo atual errou o caminho e esqueceu das prioridades.
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Ainda que o país passe a reter os jovens por mais tempo nas salas de aula, teria pela frente um desafio que, à primeira vista, pode parecer elementar: garantir que os alunos efetivamente aprendam, e fazer com que esse aprendizado vire riqueza. Atualmente, a maioria das crianças das escolas públicas se transforma em profissionais medíocres. Em 2003, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico identificou que 55% dos alunos matriculados na 4o série do ensino fundamental eram praticamente analfabetos e mal sabiam calcular. Na 8a série, menos de 10% dos estudantes haviam adquirido competência para elaborar textos mais complexos. Como conseqüência, cerca de 75% dos adultos têm alguma deficiência para escrever, ler e fazer contas, o que acarreta um efeito devas tador sobre sua capacidade de se expressar. "O que está acontecendo nas nossas escolas é estarrecedor", diz Paulo Cunha, presidente do grupo Ultra. Para conhecer a real situação da educação brasileira, Cunha visitou escolas municipais na capital paulista. "As crianças ficam oito anos nas salas de aulas e saem tão ignorantes quanto entraram. Como elas vão disputar um lugar no mercado de trabalho?"
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Não se pode ignorar a revolução educacional pela qual o Brasil passou nos últimos anos. Até poucas décadas, vivíamos num país de analfabetos, no qual educação era luxo. Hoje há mais de 40 milhões de crianças na escola. Cerca de 5 milhões delas entram no sistema todo ano. O feito, porém, é insuficiente para sustentar o crescimento numa economia globalizada, cada vez mais dependente de conhecimento e de inovação e na qual os parâmetros de comparação ignoram fronteiras. No jogo da competitividade mundial -- um jogo que define o sucesso das empresas e do próprio país --, a má qualidade do ensino e sua incapacidade de entregar ao mercado os profissionais que ele demanda transforma-se num veneno mortal. Isso fica evidente na dificuldade que empresas de quase todos os setores vivem para recrutar em larga escala seu bem mais precioso -- capital humano de boa qualidade. Esse é exatamente um dos grandes desafios das economias que perseguem o crescimento sustentável: garantir o suprimento de massas de pessoas qualificadas.
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No próximo capítulo vamos analisar como isto acaba por prejudicar as próprias empresas, provocando perda de competitividade, além de criar entraves e dificuldades no mercado de trabalho.

A educação brasileira vai mal – 1

Indicadores negativos

COMENTANDO A NOTÍCIA inicia hoje uma série de artigos que julgamos serem indispensáveis para aqueles que realmente levam a sério o futuro do Brasil. Vamos falar de educação, infra-estrutura, crescimento econômico, questão energética, e também fazer uma viagem no tempo do Brasil do início dos anos 90, o de 2002 após oito anos de FHC e o de 2006, após quase quatro anos de Lula. Começaremos pela educação.

Faz já alguns dias que venho querendo escrever este artigo cujo tema é da maior importância para o país, mas que parece que pouquíssimos o levam. Que o diga a eleição do primeiro turno: Cristovam Buarque candidato que passou o tempo todo falando praticamente só nisso, teve pouco mais do que dois por cento de votos de universo de 126,0 milhões de eleitores. Convenhamos que, além de ser muito pouco, é um demonstrativo inconteste de que a educação no Brasil ainda não é levada a sério, ou pelo menos na seriedade que seria a ideal.

Há pouco terminou o debate entre Alckimin e Lula no SBT, e esperei por ele para identificar em qual deles há uma inequívoca vocação e preocupação para levar o ensino a sério. E neste quesito, Lula perde de goleada. Primeiro, porque seu governo não dá a mínima para a educação, apesar do que ele propala. Segundo, porque não entende uma vírgula sequer do assunto. E terceiro, porque para um caudilho canhestro como ele, quanto maior a desinformação e deseducação do povo, mais ele ganha eleições e debates.

Vamos traduzir não em números, mas em informação, que vale mais. E o mundo é a nossa porta de entrada.

Comecemos pela taxa de analfabetismo. Leiam os números abaixo:

Brasil: 13,0 %
China: 9,0 %
México: 8,0 %
Rússia: 0,5%

Estes números representam a medida que se faz na população com idade igual ou superior a 15 anos. Uma constatação: estamos considerando aqui apenas países emergentes. O melhor do mundo é o Canadá, simplesmente, 0,0 % de analfabetos.

Vejamos o tempo de permanência nas escolas, considerando os mesmos países:

Brasil – 5 anos
China – 6 anos
México – 7 anos
Rússia – 10 anos

Apenas para ilustrar, o melhor do mundo no quesito é os Estados Unidos com 12 anos.

Seguindo em frente vejamos agora a participação de mão-de-obra especializada na força de trabalho (técnicos e profissionais com curso superior):

Brasil: 9,0 %
China: Não declara
México: 14,0 %
Rússia: 31,0 %

Aqui, o melhor do mundo é a Suécia, com 38% da força de trabalho especializada.

Quanto a repetência no ensino fundamental, temos:

Brasil: 21,0 %
China: 0,3 %
México: 5,0 %
Rússia: 0,8 %

No mundo todo, destaque para a Coréia com 0,2 %. Até vimos dados sobre aspectos gerais do ensino como tempo de permanência nas escola. Vejamos dados sobre qualidade de ensino. Numa escala de 1 a 7 vejam como nossos alunos se situam quando comparado com os de outros países nas áreas de ciências e matemática:

Brasil: 2,9
China: 4,2
México: 3,0
Rússia: 5,1

Destaque mundial para Cingapura com 6,5. Os dados são provenientes do Banco Mundial, Unesco e OCDE.
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O fato é que a partir do desempenho brasileiro na área educacional, e ao longo dos últimos anos, os melhores cérebros do país têm buscado compreender as razões que levaram o Brasil, no passado apontado como uma nação fadada ao sucesso, a transformar-se numa espécie de lanterninha na corrida global pela prosperidade. Um grupo de pesquisadores do Banco Mundial acaba de fornecer uma peça-chave para decifrar parte da questão. O banco concluiu um alentado estudo, ao qual a Revista EXAME teve acesso, e nós reproduzimos, sobre as condições dos principais países emergentes para inserir-se na sociedade do conhecimento, considerada o estágio mais avançado do capitalismo. O resultado não poderia ser mais revelador. O sistema de ensino brasileiro levou uma surra -- foi o pior colocado em toda a amostra analisada, que inclui China, Índia, México e Rússia, entre outros. A constatação diz respeito diretamente às chances que o país tem de virar o jogo na competição internacional, na qual vem cedendo espaço sistematicamente. "Há muito tempo, sabemos que as deficiências do Brasil na educação afetam a distribuição de renda e o crescimento pessoal dos indivíduos", diz Alberto Rodríguez, especialista em educação do Banco Mundial e coordenador do estudo. "Com a pesquisa, ficou claro que essas deficiências também provocam a perda de competitividade do país em relação a economias com as quais disputa o mercado global." Tradução: enquanto a educação brasileira não der um salto qualitativo, o país continuará patinando -- e comendo poeira dos rivais. "Não tenho a menor dúvida de que o baixo crescimento do PIB brasileiro nos últimos anos está intimamente associado à baixa qualidade do ensino", diz o economista americano Edward Glaeser, professor da Universidade Harvard e estudioso dos efeitos da educação sobre o desenvolvimento das sociedades. "A educação é um dos motores do crescimento, e no Brasil esse motor funciona mal."
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A partir dos números acima exibidos, mostrou a pesquisa, é que o brasileiro aprende muito pouco na escola. Carrega por toda a vida uma herança pesada, materializada na forma de despreparo e ignorância -- e essa herança tende a ser repassada para a geração seguinte. Quando se analisam os dados sobre o desempenho brasileiro no terreno da educação, a primeira deficiência que salta aos olhos é o número de anos passados nos bancos escolares. O brasileiro estuda em média cinco anos, contra 11 do coreano, nove do argentino e dez da população da maioria dos países desenvolvidos. Estima-se que, se os brasileiros permanecessem na escola os 12 anos que ficam os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual. "A maioria dos brasileiros abandona a escola ainda na infância, especialmente por causa da repetência, que atinge uma taxa inacreditável de 21% dos alunos", diz Rodríguez, do Banco Mundial. Levantamentos mostram que, a cada hora, 31 estudantes brasileiros desistem de estudar. Nos anos 90, foi feito um esforço para manter as crianças na escola e ocorreram avanços, mas em ritmo aquém do necessário. Segundo estudo da Unesco, mantido o passo atual, o Brasil demorará mais de 30 anos para alcançar o nível educacional que as maiores economias têm hoje. É uma realidade assustadora no momento em que o mundo demanda gente cada vez mais capacitada e que economias como a chinesa ou a indiana -- concorrentes diretas do Brasil -- fazem um esforço hercúleo para educar e preparar parte de sua população para o mercado global. "O emprego do século 21 requer habilidades mentais", diz Célio da Cunha, representante da Unesco no Brasil para a área de educação. "Exige raciocínio rápido, capacidade de interpretação e de análise da informação. Atributos que só são adquiridos com ensino de qualidade."
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Quando Lula tanto em debates, palanques e em seu programa na tevê martela e centra como prioridade que todos tenham “diploma de ensino superior”, se esquece que o ensino superior é a última escala de uma longa jornada. Conforme veremos no capítulo seguinte, esta prioridade não passa de discurso. E nisso Alckmin está correto quando diz que precisa haver mudança no enfoque em relação à educação, com maior e melhor investimento no ensino fundamental. Esta é a receita que os países mais competitivos do que o nosso empregaram e com os quais superaram suas dificuldades.