Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
O Brasil tem um histórico de estagnação econômica de no mínimo 25 anos. É um ciclo muito longo, em que a conseqüência mais nefasta deste quadro é a expansão da miséria e da pobreza, e todas as variáveis degradantes de malefícios sociais que esta estagnação pode gerar.
Por certo, um dos indicadores que precisamos imediatamente reduzir de forma drástica é o nível de desemprego, que se mantém em torno de 10% já há muitos anos, como também, reduzir o mais que se possa a informalidade que atinge cerca de 50% da mão de obra ativa do país. Para que isto seja possível é indispensável que se leve a cabo reformas sem as quais será praticamente impossível sairmos do atoleiro.
Várias vezes desenhamos aqui o caminho para tornar isto possível: carga tributária, segurança jurídica, burocracia, juros básicos e infra-estrutura. Quem quer que seja o presidente do país, terá obrigação de mirar nestes pontos. Somente a partir deles é que construiremos as bases indispensáveis e favoráveis para alavancarmos um processo virtuoso de crescimento sustentável. Sem favorecer o capital privado, e para tanto é preciso tocar nos pontos acima, não será o gigantismo crescente do Estado que nos conduzirá pelos caminhos do país do futuro. Pelo contrário, continuaremos na rabeira das nações emergentes, perdendo competitividade, perdendo oportunidades, e dependendo da ação dos mercados globais para nos beneficiarmos. Diga-se que foi o gigantismo do Estado que nos trouxe a situação vexatória de agora em que o mundo dos emergentes cresce o dobro do que conseguimos crescer.
Pois bem, nesta semana, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o maior desafio da economia brasileira é a falta de projetos privados. Segundo ele, as companhias brasileiras não estavam inteiramente preparadas para um cenário de estabilidade econômica e de redução da imprevisibilidade. Apesar de existirem recursos disponíveis, Meirelles destacou a carência de projetos de investimentos.
Só que Meirelles falou nas conseqüências como se elas fossem as razões. Errado o diagnóstico na conclusão do presidente do BC. Projetos até que existem de sobra. O que faltava não era o costume à estabilidade econômica, como apregoa Meirelles. Ela já foi conquistada desde a implantação do Real e o ordenamento ajuizado das contas públicas, da qual a Lei de Responsabilidade Fiscal é sua maior marca e conquista. Consolidar esta estabilidade como é o movimento que o atual governo tem feito desde 2003, sequer necessitaria esforço, por conta da própria bonança vivida pela economia mundial. Para avançar sobre as virtudes que já temos, precisaríamos ter feito as reformas que não fizemos, e quer nos parecer, o governo atual ou por ideologia, ou por incompetência, se recusa a levar adiante.
Quando ainda se falava nos endemonizados juros altos, várias vezes lançamos aqui o desafio: mesmo que se reduzissem a zero os tais juros básicos, ainda assim o país não sairia do lugar. Hoje, depois de tantas quedas consecutivas, é justamente isto que se constata.
Agora, diz e promete o governo que irá concentrar o máximo de esforços na questão da infra-estrutura. E ainda assim, continuaremos empacados. E por quê?
Ora, senhores, é impossível atrair investimentos para um país em que a segurança jurídica inexiste por completo, como também impossível alguém sonhar em investir num país que pratica um carga tributária nos níveis atuais que praticamos. Não é falta de projetos, é falta de incentivos para que os projetos aconteçam e saiam das gavetas dos investidores e empresários. Reparem: hoje ainda, o ministro Mantega repetiu com todas as letras o mantra do terrorismo que atualmente se pratica no Planalto, a de que, se a CPMF não for aprovada, o governo não cumprirá o PAC, e ainda de quebra precisará elevar impostos. Mais ainda ? Ora, como se pode levar a sério um governo que não consegue controlar seus próprios gastos, que gasta irresponsavelmente em inutilidades e desperdiça a mãos cheias, e depois com a maior falta de vergonha na cara empurra a conta para o contribuinte e ainda quer lhe pedir mais sacrifícios, sem os quais o ameaça de forma cretina com mais aumentos de impostos ? Como ? Os jornais estão cheios de notícias demonstrando a forma criminosa como o governo gasta, não bastassem ainda os desvios praticados dentro do próprio governo !
E o doloroso não fica concentrado apenas na imoral carga tributária: é também na insegurança jurídica. Informa o site Contas Abertas que, cerca de 50 normas são criadas por dia no Brasil para regulamentar impostos, segundo o IBPT. E se tudo isso não é suficiente para afugentar qualquer investidor, a Folha de São Paulo nos traz a prova de que tem sido o próprio governo, a razão maior para que o crescimento do país se mantenha vegetativo tão somente. Na notícia que a seguir reproduzimos, fica claro que, incentivando ações do tipo das praticadas pelo MST e abençoadas pelo INCRA, estamos longe de oferecer as garantias necessárias para que qualquer investidor, seja nacional ou estrangeiro, se sinta minimamente tentado a aplicar aqui seu capital. Vamos repetir, então: o casamento de alta carga tributária, com burocracia asfixiante, embaladas na insegurança jurídica, torna o Brasil o último lugar do mundo a se pensar em colocar capital produtivo. Assim, continuaremos alimentados apenas pelo chamado “capital motel”, aquele que sai do Japão pagando 2% de juros ao ano, desfila por aqui ganhando 11,25 % com total desoneração, e vai embora gordo e faceiro, sem gerar um miserável emprego.
A reportagem na Folha de São Paulo é Fábio Guibu.
O Incra vai abrir um processo de vistoria para eventual desapropriação da usina Salgado, uma das maiores empresas de produção e exportação de álcool e açúcar de Pernambuco.
O anúncio foi feito ontem, em Ipojuca (a 70 km de Recife), dentro da usina, invadida anteontem por centenas de sem-terra ligados a MLST, CPT, Fetraf e Fetape. Os invasores comemoraram o anúncio e, no final da tarde, deixaram o local.
O Brasil tem um histórico de estagnação econômica de no mínimo 25 anos. É um ciclo muito longo, em que a conseqüência mais nefasta deste quadro é a expansão da miséria e da pobreza, e todas as variáveis degradantes de malefícios sociais que esta estagnação pode gerar.
Por certo, um dos indicadores que precisamos imediatamente reduzir de forma drástica é o nível de desemprego, que se mantém em torno de 10% já há muitos anos, como também, reduzir o mais que se possa a informalidade que atinge cerca de 50% da mão de obra ativa do país. Para que isto seja possível é indispensável que se leve a cabo reformas sem as quais será praticamente impossível sairmos do atoleiro.
Várias vezes desenhamos aqui o caminho para tornar isto possível: carga tributária, segurança jurídica, burocracia, juros básicos e infra-estrutura. Quem quer que seja o presidente do país, terá obrigação de mirar nestes pontos. Somente a partir deles é que construiremos as bases indispensáveis e favoráveis para alavancarmos um processo virtuoso de crescimento sustentável. Sem favorecer o capital privado, e para tanto é preciso tocar nos pontos acima, não será o gigantismo crescente do Estado que nos conduzirá pelos caminhos do país do futuro. Pelo contrário, continuaremos na rabeira das nações emergentes, perdendo competitividade, perdendo oportunidades, e dependendo da ação dos mercados globais para nos beneficiarmos. Diga-se que foi o gigantismo do Estado que nos trouxe a situação vexatória de agora em que o mundo dos emergentes cresce o dobro do que conseguimos crescer.
Pois bem, nesta semana, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o maior desafio da economia brasileira é a falta de projetos privados. Segundo ele, as companhias brasileiras não estavam inteiramente preparadas para um cenário de estabilidade econômica e de redução da imprevisibilidade. Apesar de existirem recursos disponíveis, Meirelles destacou a carência de projetos de investimentos.
Só que Meirelles falou nas conseqüências como se elas fossem as razões. Errado o diagnóstico na conclusão do presidente do BC. Projetos até que existem de sobra. O que faltava não era o costume à estabilidade econômica, como apregoa Meirelles. Ela já foi conquistada desde a implantação do Real e o ordenamento ajuizado das contas públicas, da qual a Lei de Responsabilidade Fiscal é sua maior marca e conquista. Consolidar esta estabilidade como é o movimento que o atual governo tem feito desde 2003, sequer necessitaria esforço, por conta da própria bonança vivida pela economia mundial. Para avançar sobre as virtudes que já temos, precisaríamos ter feito as reformas que não fizemos, e quer nos parecer, o governo atual ou por ideologia, ou por incompetência, se recusa a levar adiante.
Quando ainda se falava nos endemonizados juros altos, várias vezes lançamos aqui o desafio: mesmo que se reduzissem a zero os tais juros básicos, ainda assim o país não sairia do lugar. Hoje, depois de tantas quedas consecutivas, é justamente isto que se constata.
Agora, diz e promete o governo que irá concentrar o máximo de esforços na questão da infra-estrutura. E ainda assim, continuaremos empacados. E por quê?
Ora, senhores, é impossível atrair investimentos para um país em que a segurança jurídica inexiste por completo, como também impossível alguém sonhar em investir num país que pratica um carga tributária nos níveis atuais que praticamos. Não é falta de projetos, é falta de incentivos para que os projetos aconteçam e saiam das gavetas dos investidores e empresários. Reparem: hoje ainda, o ministro Mantega repetiu com todas as letras o mantra do terrorismo que atualmente se pratica no Planalto, a de que, se a CPMF não for aprovada, o governo não cumprirá o PAC, e ainda de quebra precisará elevar impostos. Mais ainda ? Ora, como se pode levar a sério um governo que não consegue controlar seus próprios gastos, que gasta irresponsavelmente em inutilidades e desperdiça a mãos cheias, e depois com a maior falta de vergonha na cara empurra a conta para o contribuinte e ainda quer lhe pedir mais sacrifícios, sem os quais o ameaça de forma cretina com mais aumentos de impostos ? Como ? Os jornais estão cheios de notícias demonstrando a forma criminosa como o governo gasta, não bastassem ainda os desvios praticados dentro do próprio governo !
E o doloroso não fica concentrado apenas na imoral carga tributária: é também na insegurança jurídica. Informa o site Contas Abertas que, cerca de 50 normas são criadas por dia no Brasil para regulamentar impostos, segundo o IBPT. E se tudo isso não é suficiente para afugentar qualquer investidor, a Folha de São Paulo nos traz a prova de que tem sido o próprio governo, a razão maior para que o crescimento do país se mantenha vegetativo tão somente. Na notícia que a seguir reproduzimos, fica claro que, incentivando ações do tipo das praticadas pelo MST e abençoadas pelo INCRA, estamos longe de oferecer as garantias necessárias para que qualquer investidor, seja nacional ou estrangeiro, se sinta minimamente tentado a aplicar aqui seu capital. Vamos repetir, então: o casamento de alta carga tributária, com burocracia asfixiante, embaladas na insegurança jurídica, torna o Brasil o último lugar do mundo a se pensar em colocar capital produtivo. Assim, continuaremos alimentados apenas pelo chamado “capital motel”, aquele que sai do Japão pagando 2% de juros ao ano, desfila por aqui ganhando 11,25 % com total desoneração, e vai embora gordo e faceiro, sem gerar um miserável emprego.
A reportagem na Folha de São Paulo é Fábio Guibu.
O Incra vai abrir um processo de vistoria para eventual desapropriação da usina Salgado, uma das maiores empresas de produção e exportação de álcool e açúcar de Pernambuco.
O anúncio foi feito ontem, em Ipojuca (a 70 km de Recife), dentro da usina, invadida anteontem por centenas de sem-terra ligados a MLST, CPT, Fetraf e Fetape. Os invasores comemoraram o anúncio e, no final da tarde, deixaram o local.
A decisão abre a possibilidade de o governo fazer reforma agrária em áreas produtivas, desde que os empreendimentos rurais enfrentem problemas ambientais, trabalhistas ou débitos com a União.
A proposta dos invasores, aceita pelo Incra, é a utilização do conceito de "função social plena da terra" como fundamento para as desapropriações. A usina, dizem, deve cerca de R$ 85 milhões à Previdência Social e também estaria envolvida em crimes ambientais.
Para o superintendente do Incra em Recife, Abelardo Siqueira, a vistoria por supostos problemas alheios à produtividade abre um precedente para que novas ações do tipo possam ser reivindicadas. "Pela lei, se esses problemas forem encontrados, a propriedade já é passível de desapropriação."
O artigo 185 da Constituição, porém, diz que "são insuscetíveis de desapropriação para reforma agrária: a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra; e a propriedade produtiva".
O diretor de programas do Incra, Marcos Kowarick, minimizou o impacto da decisão de vistoriar a propriedade e disse que não vê a possibilidade de ocorrer uma explosão de invasões em áreas produtivas.
A usina informou que a vistoria será "muito bem vinda" porque "comprovará que a empresa atende às exigências legais". Negou crimes ambientais, disse que o cálculo dos débitos com a Previdência "está sendo questionado na Justiça" e que serão pagos ao final da ação.