domingo, agosto 26, 2007

A cumplicidade da oposição

por Thomas Korontai, site Diego Casagrande
.
É estarrecedor observar a oposição ao governo federal. Oposição de fachada, sem princípios, que parece mesmo propensa a criar algumas dificuldades para negociar facilidades. Ignoram, solenemente, as mais de 800 mil assinaturas colhidas pela Fiesp exigindo o fim da CPMF. Acordam com a continuidade de uma contribuição tida como provisória, já há mais de dez anos, sabe-se lá sob qual tipo de negociação.

Dinheiro, para emendas de deputados e senadores, parece ser uma dessas moedas. Qualquer um fica estarrecido ao ler a declaração do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de que o PSDB e o PT têm mais convergências do que divergências. Oposição?

O líder do partido na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio, disse que José Serra teme o fim da CPMF por conta da "perspectiva de poder na República". Faltando mais de 75% para o término do governo Lula, a pseudo-oposição só tem olhos para as eleições em 2010. A composição para a próxima campanha presidencial já está na mesa de negociações, que, pelo jeito, estão indo muito bem para os partidos envolvidos.

A CPMF rende mais de R$ 35 bilhões aos cofres públicos por ano. Dinheiro retirado da produção e do consumo que serve apenas para alimentar a inchada máquina estatal, o fisiologismo e todas as duvidosas ações governamentais. O governo federal insiste em fazer tudo que não é de sua competência, abrindo caminho para as obras superfaturadas e todos os modelos possíveis de corrupção. De 1997 a 2006 – período que compreende os mandatos de Fernando Henrique Cardoso e Lula – a carga tributária subiu de 26,9% do PIB para 37,2%. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), já chegou a ultrapassar os 40%. Estudos realizados na Fiesp revelam que a carga tributária gira em torno de 27% nos países em desenvolvimento. No México, é de 18%.

Entre os motivos apresentados para a prorrogação da CPMF está o fato de ser um "imposto" fácil de cobrar, impossível de ser sonegado. Novamente, o jogo de palavras confunde os eleitores. A CPMF não é imposto, mas contribuição. Isso implica em não haver qualquer tipo de repasse aos estados e municípios.

Além de prejudicial à economia, a única beneficiada é a União. Aliás, uma invenção do governo anterior, junto com as demais "contribuições", como CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) e Cofins (Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social). Até as taxas administrativas das autarquias são centralizadas no Caixa Único do Tesouro.

Neste momento, uma oposição séria deveria discutir ampla reforma tributária, que desonere empresas e trabalhadores. Mas, está comprometida com o funcionalismo público, com o jogo corporativo, e não há como falar em reforma tributária sem reforma administrativa e corte de gastos.

A redenção do Brasil passa pela eliminação de todos os impostos incidentes na cadeia produtiva e pelo fim dos impostos declaratórios, inclusive o Imposto de Renda. Tudo isso seria substituído por um imposto, cobrado sobre o consumo final. Fácil de controlar, incidindo sobre o consumo e desonerando a poupança e o investimento produtivo.

O grande entrave é que isso só pode ser obtido abrindo mão do poder em prol da sociedade brasileira. Uma oposição que só existe pela disputa do poder, sem nada mudar programaticamente, não merece esse nome. Isso não é oposição. É ciúme.

O mensalão, o ovo e a serpente

por Aluízio Amorim, site Diego Casagrande
.
Uma das principais manifestações públicas que se ouve nas ruas em função do processo do mensalão em exame pelo Supremo, é um fantástico descrédito nas instituições. O próprio Poder Judiciário é olhado com desconfiança. Aposta-se mais no sucesso da chicana e, no mínimo, na proclamação de um veredicto que se aproxime da justiça.

Mas isto não acontece apenas naquilo que é respeitante ao Judiciário, mas também ao Legislativo, exatamente os dois pilares fundamentais do estado de direito democrático, enquanto esgueira-se entre eles um Executivo intocável, encastelado, reivindicando soberbo que está fora do contexto da corrupção que levou o Ministério Público à ação.

Ora, se o mensalão compunha um esquema de corrupção cuja finalidade seria beneficiar o Executivo com a compra dos votos capazes de garantir a maioria para a aprovação de seus projetos, o primeiro da lista dos quarenta indiciados teria de ser o Chefe do Executivo.

Entretanto, a peça processual cinge-se à área parlamentar e sua adjacência, que são os partidos políticos, bancos e empresas estatais.

Tal fato encerra, de forma sutil, um estratagema cuidadosamente formulado pelo Poder Central petista no sentido de amesquinhar e desqualificar, fundamentalmente, o parlamento e, de quebra, o Judiciário, olhado ele, também, com o olhar do descrédito e do escárnio.

Ainda que o Supremo acolha a denúncia, desfecho mais provável, as delongas processuais do volumoso e infindável processo têm tudo para adiar sine die uma eventual sentença como resultado da apreciação do mérito, o que soa de forma sonora como impunidade.

Moral da história: o Poder Executivo da forma como é estruturado no Estado brasileiro revela-se uma aberração e, sobretudo, um atentado perene ao regime democrático.

Se o detentor do poder reflete a inclinação democrática as instituições tendem a funcionar mais ou menos bem. Se o chefe do executivo tiver intenções discricionárias, o modelo imperial do presidencialismo brasileiro tende a aniquilar os dois pilares do regime democrático: o Judiciário e o Legislativo.

Tal fato se constatou com a instalação da ditadura advinda do golpe civil-militar de 1964. O presidencialismo imperial permaneceu intocado e serviu como uma luva para o exercício da tirania.

Com a redemocratização sucederam-se no poder, como primeiros mandatários, políticos liberais. Por isso mesmo, nesse interregno, as instituições democráticas tiveram um funcionamento razoável e, portanto, muito diferente do que se observa depois que o PT chegou ao poder.

Como os ditadores de 64, o PT e sua absurda e extemporânea idéia de socialismo botocudo está a fazer uso do poder imperial do modelo presidencial brasileiro para por em marcha sua ditadura. E, a primeira tarefa à qual se tem dedicado com afinco para alcançar tal desiderato é fragilizar o Judiciário e o Legislativo. Ora, se o País tivesse uma estrutura jurídico-institucional que obrigasse a um mínimo equilíbrio entre os três poderes jamais a Nação estaria assistindo a essa escalada de escândalos, a pilhagem do erário e a impunidade. Da mesma forma o imaginário da Nação não comportaria o deboche e o descrédito no que tange ao Judiciário e ao Legislativo.

Com o mensalão, Lula e seus sequazes drenaram a lama do Palácio do Planalto para o Supremo Tribunal Federal, não sem antes irrigar com o lodo fétido a sede do Poder Legislativo sobre a qual o baderneiro Bruno Maranhão e seus asseclas cuspiram, desdenharam, assacaram e continuam livres e soltos. É bom que atentem para o fato de que me refiro às instituições e não aos homens que a integram.

Os cidadãos democratas, honestos e decentes depositam suas derradeiras esperanças no Poder Judiciário. A sua falência significará a falência da democracia no Brasil. Destrua-se o ovo antes que de dentro dele saia a serpente.
Por que não se intima o Apedeuta?

Denise é só a primeira da fila

Editorial Jornal do Brasil

Não surpreendeu tanto o pedido de demissão da diretora da Anac Denise Abreu quanto os termos de seu lacônico comunicado à nação. Há dias até as paredes do Congresso Nacional sabiam que o destino dessa estranha e incomum personagem da crise aérea estava selado. Apenas ela, do alto de um comportamento que foi a tônica do mandato, insistia em dizer que ficaria até o fim. Como este veio bem antes do que previa, saiu-se com a pérola definitiva, reservando as explicações que sonega à sociedade desde o desastre com o Boeing da Gol para serem dadas "pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

É pouco provável que o presidente queira comprometer-se novamente em um lamaçal de onde parece estar saindo desde a nomeação de Nelson Jobim para o Ministério da Defesa. Só o faria se quisesse, como milhões de brasileiros, descobrir o que levou a funcionária da agência reguladora a voar 35 vezes às custas das empresas que deveria fiscalizar. E, pior, a considerar tal comportamento absolutamente normal.

Denise Abreu tem realmente muito a explicar. Deixou a Anac justamente por não ter o que dizer para justificar decisões agora tornadas públicas. Teria de fazê-lo no inquérito administrativo aberto por determinação de Jobim, com prazo de conclusão de 30 dias, quando o normal é o dobro. Para tanta confusão, não haveria tempo hábil capaz de permitir a formação de provas de defesa.

A raiz da demissão, vale lembrar, é o retrato da gestão à frente da Anac do grupo de apadrinhados políticos sem expressão, do qual Denise sempre foi o maior símbolo. Poucas vezes na História recente do país se viu uma trapalhada maior do que o uso de um documento sem valor legal para induzir uma desembargadora a decidir a favor das empresas, evitando o fechamento da pista de Congonhas em condições críticas de pouso sob chuva.

Flagrada na irregularidade, Denise Abreu culpou a área de informática da Anac e, em segunda instância, os procuradores da agência. Não recuou nem ao ser desmentida pelo autor do texto, em depoimento à CPI do Apagão, nem diante da irritação da magistrada, que vetou a proibição pedida pelo Ministério Público e sentiu-se "iludida". Mas não teve como resistir à revelação de que a documentação fora discutida e emendada por representantes da companhia aérea e estava longe de ser apenas um rascunho.

O cerne desse problema passa ao largo da má-fé que permeia a utilização da norma. Está no fato de que, por diligência de Denise Abreu, a Anac impediu a suspensão das operações em um aeroporto em situação mortal. A medida judicial teria salvo todas as 199 vidas incineradas na explosão do Airbus da TAM. Ao horror imposto à família dessas pessoas agora se soma a repulsa diante de um comportamento que escapa da irresponsabilidade para o âmbito da negligência criminosa.

O país não acredita, como afirma Jobim, que a saída da diretora "elimine um ponto de atrito da Anac com a sociedade". Ela é apenas parte de uma engrenagem que ganhou vida própria pelas distorções e interferências políticas no modelo original do qual nasceu. Outras cabeças precisam ser cortadas, nem que por força de ações criminais movidas pelo Ministério Público.

Mas é ilusão achar também que será fácil realizar tal depuração. Afinal, Denise Abreu e os outros diretores são figuras condecoradas com a Medalha Santos Dumont, da Aeronáutica, "por seus relevantes serviços prestados à aviação". E esses interesses não aceitam ser contrariados.

O ataque da corrupção 2

Na mesma reportagem sob o título acima, a Editora Abril deu sua resposta à truculência troglodita de Renan Calheiros. Aliás, nem poderia ser diferente. Não há porque submeter-se a este tipo de ação em represália, pelo simples fato de a Revista VEJA nada mais fez do que desempenhar o papel que lhe cabe, isto é, jornalismo. Não aquele tipo de jornalismo capenga, submisso, que se põe de cócoras e joelhos diante do aparelho repressor do Estado.

Tivesse o senador um pouco de apego à verdade – e parece a cada dia estar mais distante disso – encontraria no próprio arquivo da Veja inúmeras reportagens em que a mesma severidade crítica foi empregado nos oitos anos de governo de FHC. Por que então abandonaria sua postura, apenas por que o presidente é Lula, apenas por que se trata de um ex-metalúrgico, ex-sindicalista ou ex-pobre retirante nordestino? O que o faz melhor, o currículo pessoal, o currículo político ? Isto seria a admissibilidade de um preconceito às avessas. E olhe que ele existe e é mais danoso.

Como afirmamos em post anterior: partir para a vendeta contra a Editora Abril, não tornará Renan nem mais culpado nem menos inocente. Apenas mostrará mais claramente que, além de todas as razões sob investigação no Conselho de Ética, sua postura está deixando patente que o senador de fato não reúne a mínima condição moral para estar no cargo em que se encontra. Muito menos, que o estado de Alagoas, como representante parlamentar, merecia coisa melhor.

Segue a resposta da Editora Abril.

NADA A ESCONDER

A tentativa de Renan Calheiros de atingir o Grupo Abril assenta-se sobre uma falsidade com a qual ele procura transformar em escândalo uma operação comercial absolutamente legal, analisada e aprovada pelo governo depois de nove meses de estudos. De acordo com o pedido de instalação da CPI, a operação entre a TVA – empresa do Grupo Abril – e a espanhola Telefônica "fere o interesse nacional, restringe a concorrência e agride o mercado nacional". São afirmações mentirosas. A transação entre a TVA e a Telefônica respeita o interesse nacional, aumenta a concorrência e fortalece o mercado. A lei exige que, para se associarem a uma companhia estrangeira, as empresas de TV a cabo conservem, no mínimo, 51% do seu capital votante sob controle nacional. No caso de São Paulo, onde a Telefônica é concessionária, esse porcentual sobe para 80,1%.

Foi exatamente o que fez o Grupo Abril ao vender parte da TVA à Telefônica. E, ao fazê-lo, não inaugurou nenhum procedimento. A recente convergência das tecnologias de voz, dados e imagem estimulou parcerias entre empresas de diversos países e, no Brasil, foi o pano de fundo não só do acordo entre o Grupo Abril e a Telefônica, mas de outros envolvendo empresas estrangeiras que o precederam. Em 2005, a Portugal Telecom adquiriu participação no Grupo Folha, dono do jornal Folha de S.Paulo e do provedor de acesso à internet UOL.

Em 2004, a Globopar – controladora da Net – associou-se à mexicana Telmex (proprietária da Embratel e da Claro), passando a ela parte do controle da Net. A associação da TVA com a Telefônica é análoga àquela entre NET e Telmex. Ambas foram autorizadas pela Anatel. Todos os trâmites da operação não só foram respeitados como têm sido acompanhados pelos órgãos competentes – em contraste com os negócios subterrâneos de Renan Calheiros.

TOQUEDEPRIMA...

***** Relatores de caso Calheiros se irritam com trancrição de secretária

Dois dos relatores da primeira denúncia contra o presidente do Senado, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), se irritaram nesta sexta-feira com a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra, uma das pessoas responsáveis pelo serviço de taquigrafia das fitas do depoimento reservado dado por Calheiros. Lyra é suspeita de alterar o conteúdo das transcrições em benefício do senador.

Os relatores esperavam que a transcrição ficasse pronta às 8h de sexta-feira. No entanto, Marisa Serrano só teve acesso ao material por volta das 20h, após procurar pessoalmente o serviço de taquigrafia. Diante das páginas rabiscadas e com várias correções, Lyra justificou que havia erros, trucagens e senadores não identificados. A tucana vai requisitar a cópia das fitas para se certificar que não foram feitas alterações no conteúdo do depoimento.

"Quer dizer que além de sessão secreta no Conselho agora também notas taquigráficas secretas? A Marisa Serrano esteve lá em nosso nome para resolver a liberação. Nós temos as fitas e nos lembramos do depoimento. Se tiver alterações, vamos perceber. Isso é uma besteira, é tentar cercar água com a mão. Isso só cria especulação negativa para o Renan" disse Renato Casagrande.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois ora, esperavam o que de um desclassificado? Que ele honrasse as calças que veste? Este é o do tipo de mandaria prender a própria no lugar dele próprio se pudesse. E que todos fiquem de alerta: até seu julgamento, o senador será capaz de aprontazr muitas outras barbaridades e absurdos para continuar ilegal e imerecidamente preso à cadeira de presidente do senado. Não esperem atitudes dignas de quem não tem caráter.

***** Gabinete paulista de Lula?
.
Lula publicou o decreto n. 6.188 em 17 de agosto de 200, no qual aprova a gigantesca estrutura regimental e o quadro demonstrativo dos cargos em comissão do Gabinete Pessoal do Presidente da República.

Lula acaba de inventar, no artigo nono, o Gabinete Regional de São Paulo.

O prefeito do Rio, Cesar Maia, reclama que nenhuma outra Cidade ou Estado tem esta deferência!

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Com tamanho desperdício, não há como reduzir-se carga tributária no Brasil. Claro que o tal “gabinete” servirá de trampolim para ações visando as eleições municipais de 2008 e, mais adiante, para 2010.

É impressionante como Lula insiste em aumentar desnecessariamente a estrutura da Estado, para depois empregar esta estrutura de poder em ações político-partidárias, e sem que se veja um esboço de reação das oposições. Depois o PSDB não sabe porque aparecem dossiês contra seus candidatos às vésperas de eleições !!!

Está visto que o gabinete irá ser empregado contra o governo Serra muito mais do que em favor do governo federal. Aguardem.

***** "Ninguém é dono da verdade", diz Lula

Na abertura de um seminário promovido pela Abdib (Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base), o presidente Lula disse a empresários nesta quarta-feira que "ninguém é dono da verdade". Lula afirmou que quer aumentar a cooperação entre empresariado e governo.
"Nesses quatro anos e meio, todos nós aprendemos alguma coisa. Ninguém é dono da verdade. Nem o governo e nem os empresários. [A verdade] aparece quando [os atores] se sentam em uma mesa e pode ser consensuada. Muitas das coisas que mandamos para o Congresso são resultado de reuniões com empresários. A iniciativa privada não é o absolutismo. A complementação do governo com a atividade empresarial pode resultar nisso que estamos colhendo agora", afirmou Lula.

O presidente ainda disse que os empresários não precisam mentir para o governo e vice-versa. "Nós temos que pensar no país que queremos daqui a 15 ou 20 anos e colocar a coisa para funcionar. O nosso compromisso histórico é conduzir esse país a um grande desenvolvimento e que a gente possa ter uma grande política social. É isso que nos interessa no fundo. Não adianta alguém ganhando muito e ter um bando de miseráveis. Temos que ter todos ganhando. Do mais rico ao mais pobre do país", declarou.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Eis aí Lula e seu discurso de ocasião. Reparem que o discurso sempre procura se sintonizar com o tipo de platéia que o está ouvindo. Se são pobres, a malhação desce a ripa nas elites. Se são da elite, aparenta este fingido ar de estadista preocupado com a “união nacional”, quando são estudantes, promove a luta de classes com seu apartheid” socialista, se são trabalhadores regra geral aparecerá um Getúlio Vargas ou um JK, se são políticos descerá o sarrafo nas elites e nos governos anteriores de preferência em FHC, cuja obsessão demonstram a inveja, o ciúme, o despeito, o recalque, se são sindicalistas, descerá o sarrafo nos empresários preocupados em apenas ganhar dinheiro, que querem um governo voltado só para os ricos, e que seu governo dará prioridade sempre para os pobres.

Ou seja, no fundo da mente deste psicopata, esconde-se uma arrogante preocupado apenas em si mesmo e que não admite não ser obedecido feito vaquinha de presépio. Sua oposição foi xiita, violenta, truculenta, fundamentalista. Para ele, qualquer oposição é vista como golpe, como terceiro turno, como se a eleição o tivesse autorizado a delinqüir na cadeira presidencial. Ele não apenas não está acima, como também, e até para usar suas próprias palavras, “ninguém é dono da verdade?”. Nem tampouco Lula.

***** Jobim quer mais renúncias na Anac

Após o pedido de renúncia da diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, trabalha para que mais diretores deixem o cargo. Segundo informações da Agência Folha, Jobim deseja uma reestruturação completa no órgão. Os próximos alvos dele seriam Milton Zuanazzi, Leur Lomanto, Jorge Velozo e Josef Barat.

Jobim teria pedido ao presidente Lula apóio para lançar sua ofensiva contra os cinco diretores da agência. O caso da "falsa norma" entregue à Justiça para liberar a pista principal do aeroporto de Congonhas foi o ponto encontrado pelo ministro para derrubar Denise Abreu.

No entanto, integrantes do governo, como os ministros Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil), defendem a permanência de Zuanazzi no cargo. Eles acreditam que o presidente da Anac "não é e nunca foi o problema" do órgão.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Claro que Dilma sairia em defesa do afilhado. O “nunca foi problema”, esquece dona Dilma, com sua ineficiência, incompetência e irresponsabilidade moleque, já causou mais de 353 cadáveres. Está esperando o quê, esta tal de dona Dilma, outra tragédia para convencer-se do fato de que Zuanazzi não é digno de ocupar um cargo desta envergadura ! E não apenas Zuanazzi, e sim todos eles, que se tivessem um pingo de vergonha na cara, já teriam pedido demissão há muito tempo.

Processar a Abril não inocentará Renan...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Bem o que se pode dizer de um camarada destes? Que se trata de um homem honrado, decente, íntegro ? Que é um cidadão que respeita o mandato parlamentar que lhe foi confiado ? Que no exercício deste mandato age com elevados princípios morais e em defesa da comunidade que o elegeu ? No caso do senhor Renan, estamos muito aquém disto tudo. Sua truculência é capaz de até de admitir sua culpabilidade, porém, a vingança de buscar represálias contra aqueles que o desmascararam vai além dos limites éticos e honrados do próprio mandato.

Diante de uma perícia feita pela Polícia Federal que lhe colocam no precipício, ao invés de dignamente afastar-se do cargo para permitir uma investigação isenta, de começo, partiu para as ameaças contra seus próprios parceiros de senado. Depois, iniciou um movimento contra a Abril Cultura, editora da Revista VEJA que desnudou sua face de hipocrisia e exibiu para todo o país o lobo que estava vestido de cordeirinho.

Renan, como já afirmei aqui repetidas vezes, pode casar-se quantas vezes entender, pode ter quantos filhos desejar dentro e fora do casamento, pode até ter uma vida desregrada tanto quanto sua astúcia lhe permitir. Ninguém terá nada com isso. São opções pessoais, de seu foro íntimo. Contudo, no momento em que usa um mandato parlamentar, pago e sustentado pela sociedade, toda e qualquer ação individual que se misturar à sua atividade pública, passa sim a ser do interesse coletivo. A partir do momento em que usou os serviços de um lobista de uma empreiteira que mantém e se interessa em manter contratos com o Estado, o senhor Renan pisou em falso e cometeu um ato fora do decoro que lhe é exigido.

Todas as tentativas de defender-se resultaram inúteis, ora porque contava versões diferentes e contraditórias para um mesmo conjunto de fatos, ora porque apresentava documentos cuja veracidade e exatidão não ficaram comprovados. Teve repetidas oportunidades para uma ampla defesa que resultou, como se viu até aqui, inúteis até ao ponto de colocar em risco tanto o cargo de presidente da casa do Senado Federal, quanto o próprio mandato parlamentar.

Agora, tenta salvar-se jogando no desespero, na truculência, na canalhice e na sordidez. Primeiro, tentando forçar que a votação do relatório final seja secreta, pois conta com o anonimato dos membros do Conselho de Ética para evadir-se dos crimes praticados. E, de outro lado, solta um pelotão de brucutus para colher assinaturas para a instalação de uma CPI contra a Editora Abril., tentando melar o contrato com a Telefonica e TVA, e de outro, retaliar a própria Editora Abril numa patética demonstração de força.

Mesmo que a negociação da TVA e Telefônica não atendesse a legislação brasileira a respeito, muito embora a ANATEL tenha dado parecer favorável à transação, em que esta CPI e a retaliação tornará o senador mais inocente ou menos culpado ? A obtusidade do senador, neste caso, chega a ser deprimente. É como se estivesse concordando com todas as acusações que foram imputadas e agora estivesse partindo para uma vendeta canalha.

Qualquer bom senso aqui não faria outra leitura. Sentindo-se ameaçado, quer forçar que alguém mais caia junto com ele.

Pois é, dignidade e caráter não é para qualquer um. O país desde a redemocratização já teve no poder o PMDB com José Sarney, depois Fernando Collor com o inexpressivo PRN, Itamar Franco que nunca sabe de que lado está, Fernando Henrique e o PSDB, e agora já dois mandatos consecutivos com Lula e o PT. Em todos estes governos, o senhor Renan fez parte da base aliada. Coerência política? Não, apenas jogo de interesses pessoais. Para ele não importa para que lado o vento sopra, sendo o poder, ele vai da direita para esquerda, passando pelo centro, com muito desenvoltura, feito um bailarino político, a desafiar seu equilíbrio mental com tanta dança na corda bamba desta orgia de conveniências pessoais.

É bom o senador saber que talvez ele até possa se safar do perigo que ronda a sua vida pública. Mas com certeza, sua vida moral estará irremediavelmente jogada na lama, no lixo, e isto a história registrará com muita tranqüilidade. Independentemente das ameaças, da truculência e do mau caráter. Se não tem como defender-se, pelo menos não aumentasse a lambança contra si.

E somente um estado policialesco é capaz de permitir uma ação de tão baixo teor. Somente um estado mancomunado com prática da violência, das arbitrariedades, o assalto aos mais elementares direitos de seus cidadãos, pode ainda sustentar alguém com tão baixa estatura moral. Somente outros anões do mesmo naipe são capazes de compor uma tropa de choque para agredir o estado de direito com tanta desenvoltura e desfaçatez. Somente um governo já tão solapado na sua condição moral, consegue manter-se aliado a figuras tão bizarras quanto ridículas e patéticas. Neste caso, fica comprovado o princípio de que os iguais se atraem.

O ataque da corrupção

Revista VEJA

Renan usa asseclas para urdir CPI contra a Abril numa vingança pelo fato de VEJA ter revelado suas falcatruas

O senador Renan Calheiros é um político desesperado que faz coisas desesperadas. Acuado pelas revelações de VEJA sobre suas condutas impróprias, que devem tirá-lo da presidência do Senado, partiu para a vendeta ao melhor estilo mafioso. Renan e seus sequazes patrocinam a abertura de uma CPI na Câmara dos Deputados para "investigar" a associação entre a TVA, empresa de televisão por assinatura do Grupo Abril, que edita VEJA, e o Grupo Telefônica, de origem espanhola. A alegação é absurda. O negócio, aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) depois de minuciosa análise, não fere a lei e é igual a outros fechados recentemente no país. Para tentar forçar a abertura da CPI, Renan arregimentou uma tropa de choque especializada em surrar a ética. Abrilhantam-na Jader Barbalho e Orestes Quércia, que dispensam apresentações, os mensaleiros José Genoíno, João Paulo Cunha, Paulo Rocha e Valdemar Costa Neto e os sanguessugas Wellington Fagundes e Wellington Roberto. Todos eles denunciados por VEJA em algum momento de suas tristes biografias.

Ao todo, Renan e sua turma recolheram 181 assinaturas. Entre os deputados que firmaram o requerimento, além dos mal-intencionados, há ingênuos e enganados. Cinqüenta e nove parlamentares do PT apuseram seu jamegão. Boa parte desses petistas obedeceu às ordens de José Dirceu. Além da vingança contra VEJA, que noticiou os seus malfeitos como chefe da quadrilha do mensalão, o ex-ministro Dirceu tem interesses bem mais sólidos para embaraçar a associação entre a Abril e a Telefônica. Seu patrocinador atual é o bilionário mexicano Carlos Slim, o homem mais rico do mundo, que trava uma guerra comercial com o grupo espanhol.

A tentativa de criação da CPI da TVA, além de espúria na origem, tem a clara intenção de intimidar não apenas a Abril mas toda a imprensa independente do país. Ela tem as cores da vendeta, as formas da chantagem e, se seguir adiante, será um desperdício de tempo e dinheiro públicos, ademais de aprofundar o fosso que separa a sociedade brasileira de seus políticos no distante planeta Brasília. O plano de Renan e asseclas começou a ser articulado há um mês no gabinete do senador. A intenção explícita – dita entre meias-palavras – era retaliar VEJA, pelo fato de a revista ter publicado as reportagens que resultaram nas investigações contra o senador. Participaram da primeira reunião, além de Calheiros, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, o senador Valdir Raupp (RO), líder do PMDB, e o deputado Jader Barbalho, do PMDB do Pará. Inicialmente, Renan pensava em defender a abertura da CPI no Senado. Foi desaconselhado por Jader. Ele considerou que não haveria apoio suficiente, pois a iniciativa configuraria claramente a tentativa de vingança de Renan. Tentou-se uma chicana e Jader encarregou-se de fazer o serviço sujo na Câmara.

Jader desviou as atenções – sim, dessa vez foram só as atenções – ao entregar um requerimento para que o líder do PT, Luiz Sérgio (RJ), coletasse assinaturas. Enquanto os opositores da CPI pressionavam Luiz Sérgio a desistir, Jader encarregou o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), que lhe presta fidelidade canina, a dar início à circulação de outro requerimento, então completamente clandestino. Antes de entrar na política, Costa ganhava a vida como apresentador de programas populares de rádio e cantor de carimbó, ritmo popular paraense.

O governo, desde o começo, se opôs à CPI. José Múcio Monteiro (PTB-PE), líder do governo, alertava para o fato de que a investigação poderia se voltar contra a Anatel, prejudicando o ambiente de negócios do país. Sensibilizado pelo argumento, o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), mandou uma carta a todos os parlamentares da sigla aconselhando-os a não assinar o requerimento nas mãos de Luiz Sérgio. Deputados do PT, como Walter Pinheiro (BA), passaram a trabalhar para retirar assinaturas que já haviam sido dadas.

Enquanto isso, Wladimir Costa perpetrava o seu trabalho silencioso com o segundo requerimento. Ao verem que o plano estava funcionando, Renan e Jader procuraram o apoio de deputados que também tinham interesse na vingança, por terem sido retratados em reportagens de VEJA cujo conteúdo lhes desagradou. A maioria deles responde a processos. Alguns são réus no inquérito do mensalão, que está sendo julgado pelo STF. No PT, Jader conversou com João Paulo Cunha, Paulo Rocha e José Genoíno, presidente do PT na eclosão do escândalo do mensalão. Na última semana, o trio petista se empenhou mais em angariar assinaturas do que em ajudar a construir suas defesas no Supremo.

A essa altura, o requerimento de Wladimir Costa já era de conhecimento de muitos parlamentares. Mas faltava cooptar uma parte do PMDB. Acompanhado de Olavo Calheiros, irmão de Renan, Jader recorreu a Anthony Garotinho, Orestes Quércia e Roberto Requião – outra trinca que não consegue conviver com uma imprensa independente. Eles obtiveram 29 assinaturas de peemedebistas. O PCdoB, partido pelo qual Renildo Calheiros, o irmão mais novo de Renan, é deputado, compareceu com os seus treze deputados. Para superar o número de 171 assinaturas, mínimo necessário para que o pedido de uma CPI seja apresentado na Câmara, o vale-tudo ganhou impulso. A palavra de ordem passou a ser "enganar".

O deputado Eliseu Padilha foi um dos ludibriados. Ele conta que estava no plenário, na quarta-feira passada, quando foi abordado pelo deputado Aníbal Gomes, do PMDB do Ceará e cupincha de Renan. Padilha coletava assinaturas para a criação de uma Frente Parlamentar dos Terrenos da Marinha. "Se você assinar o meu, eu assino o seu", propôs Gomes, com um papel na mão. "O que é o seu?", questionou Padilha. "Um pedido de explicações para o Hélio Costa", mentiu Gomes, referindo-se ao ministro das Comunicações. Quando leu na sexta-feira que a CPI da TVA poderia ser instalada, Padilha consultou a secretaria-geral da Câmara e descobriu que seu nome estava entre os apoiadores. Imediatamente, pediu a retirada. "Não sabia o que era. Se soubesse, não teria assinado", diz. O partido Democratas vai questionar formalmente a mesa da Câmara dos Deputados. O presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), e o líder da bancada, Onyx Lorenzoni (RS), consideram o pedido de CPI uma "tentativa inaceitável de atingir a liberdade de imprensa em vigor no país". Segundo eles, a iniciativa tem um só objetivo: "Usar o poder institucional do Legislativo contra o direito de acesso à informação do povo brasileiro". Maia lembra: "Não há fato determinado. O que há é um desserviço ao Brasil e à democracia".

A utilização de uma CPI como instrumento de vingança pessoal é um desvirtuamento institucional e um insulto à democracia. Personalidades da República ouvidas por VEJA mostram-se perplexas e indignadas com a malandragem de Renan e seus seguidores (veja galeria nestas páginas e nas anteriores). O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, tem poderes para deter essa marcha da insensatez, e se o fizer estará prestando um serviço à imagem da instituição que preside. O Grupo Abril reafirma sua crença no depurativo da imprensa e conclui que a CPI é "uma tentativa espúria de alguns poucos, dentro e fora do Parlamento, de manipular a Câmara dos Deputados de modo a atingir a Abril pelos fatos que VEJA tem revelado sobre o senador Renan Calheiros".

Mentiras podem matar

Augusto Nunes, Coluna Sete Dias, Jornal do Brasil

Durou menos de 15 minutos a sabatina no Senado, previsivelmente amistosa na forma e rasa no conteúdo, que aprovou a indicação daquela afilhada do ex-ministro José Dirceu para uma das diretorias da Agência Nacional de Aviação Civil. Num parecer bem mais magro que o redator, Delcídio Amaral declarou a advogada Denise Maria Ayres de Abreu plenamente apta para assumir o novo emprego. Bastava conferir o currículo da indicada, sublinhou o senador.

Um dos itens informava que o pai de Denise, Olten Ayres de Abreu, foi juiz de futebol nos anos 60. Filha de juiz aprende a decidir desde criancinha, deve ter deduzido Delcídio. Talvez apitasse o impedimento de Denise se tivesse visto em ação o velho Olten.

O currículo também registrava que a protegida de Dirceu se formou em direito pela PUC de São Paulo. Advogados conhecem leis, deve ter deduzido Delcídio. Ansioso pelo descanso de fim de semana, não ouviu a alma murmurando que leis são dribladas mais facilmente por quem as conhece. Assim começou a tragédia consumada em 17 de julho.

Há poucos dias, muitos meses depois da sabatina, Denise voltou ao Senado para depor na CPI do Apagão. "Essa mulher mente o tempo todo", espantou-se o relator Demóstenes Torres no fim da sessão. A única verdade que contou acabou escancarando a mais terrível entre tantas mentiras.

Durante o depoimento, a advogada revelou que não tinha valor legal um texto, incorporado com cara de norma ao site da Anac, segundo o qual aviões de grande porte só poderiam pousar na pista molhada com o reverso em pleno funcionamento. Era só uma medida em estudo, informou.

Por que incluir a esperteza na documentação, entregue pela própria Denise no dia 22 de fevereiro, que induziu a desembargadora Cecília Marcondes a revogar a interdição da pista assassina? A diretora da Anac fez de conta que nem havia notado. "Eram dezenas de papéis", desconversou.

"Ela tinha ciência absoluta da existência daquele documento que estava sendo apresentado a mim", replicou a desembargadora enganada. "Aliás, todos falavam a respeito dele". Todos os diretores e técnicos da Anac. Todos os principais executivos das empresas aéreas. Sobretudo os da TAM, a companhia favorita da família Abreu.

Um irmão de Denise, contratado pela empresa, cobra caro pelos serviços prestados. A diretora da Anac, paga pelo Estado, cuida com muita dedicação dos interesses da empresa que deveria fiscalizar.

Não recebeu um só centavo pelo balaio de favores. "Nunca fiz nada de errado e não vou pedir demissão", reiterou ao saber do inquérito instaurado para investigar o que fez e o que deixou de fazer. Por amor à aviação civil, queria continuar na Anac. Agora vai descobrir que estará no lucro se continuar em liberdade.

O país ainda não sabe por que o Airbus da TAM ultrapassou a pista, explodiu ao bater num prédio e matou 199 inocentes. Mas já sabe que só houve o pouso porque existiu uma Denise Abreu na Anac.

Cabôco Perguntadô
O Cabôco ficou intrigado ao localizar o presidente da OAB paulista, Luiz Flávio Borges D'Urso, entre os integrantes da comissão de frente do Cansei. Advogado de Estevam e Sônia Hernandez, casal que pastoreia a seita evangélica Renascer, D'Urso continua a defender valentemente o apóstolo e a bispa engaiolados em Miami. O Cabôco quer saber quanto cobra o doutor para não se cansar de gente que junta fortunas assombrosas com a venda de terrenos nos campos do Senhor.

Raposa no galinheiro
Por decisão do Planalto, prontamente endossada pelo bloco governista, o deputado federal Antonio Palocci será o relator do projeto que eterniza a cobrança da CPMF. Faz sentido. Ministro da Fazenda no primeiro mandato do presidente Lula, Palocci dirigiu com esmero o espetáculo do crescimento da carga tributária. E tem tanto apreço por movimentações financeiras que faz qualquer negócio para destrinchá-las.

Palocci topa até estuprar o sigilo de contas bancárias, como fez no caso do caseiro Francenildo Costa.

O elogio da ignorância
O Brasil constatou que Lula não sabia ler nem escrever quando o presidente ainda era dirigente sindical. A partir de 1980, ficou claro que tampouco queria saber: apesar de sobrar-lhe tempo, o político subsidiado pelo PT não comprou nem pediu emprestado um único livro. E nunca teve caneta própria.

A declaração de guerra às bolsas concedidas a brasileiros que fazem cursos de doutorado no exterior avisou que Lula, além de não saber nem querer saber, tem raiva de quem sabe. E completou o elogio da ignorância.

A má qualidade está garantida
Alguns espancam o português com a crueldade de um Silvinho Pereira. Outros conseguem ser mais enfadonhos que um Delúbio Soares. Os veteranos assassinam verdades com a desenvoltura de um serial killer americano. Os noviços aprendem com os mestres como se contam mentiras sem gaguejar.

As estrelas do elenco estão fora dos capítulos recentes da novela do mensalão, exibidos desde quarta-feira pela TV Justiça. Mas o desempenho dos advogados mantém intocada a má qualidade do espetáculo.

Yolhesman Crisbelles
A taça da semana vai para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pela entrevista publicada na Gazeta Mercantilde quinta-feira em que anuncia, entre outras novidades, a completa erradicação da miséria no Brasil. Trecho:

“Ontem mesmo, alguém me disse que um instituto foi fazer uma pesquisa com a classe E e não encontrou a classe E. A classe E se extinguiu.

No Brasil de Mantega, os pobres de antigamente comem três vezes por dia. E vivem viajando de avião.

Alerta para a América Latina

Editorial do Estado de S. Paulo
.
Enquanto se esforçam para adivinhar os desdobramentos da crise financeira, os analistas econômicos estão de acordo pelo menos sobre um ponto quanto aos emergentes: com algumas exceções, estão muito mais preparados que nos anos 90 para resistir a choques externos. Essa avaliação positiva inclui o Brasil. Mas seria ingênuo falar de imunidade, ressalvou o vice-diretor-gerente do FMI, John Lipsky. No caso de problemas sérios nas principais economias, nenhum país ficará livre de algum prejuízo.

A declaração mais pessimista a respeito do Brasil partiu do economista alemão Heiner Flassbeck, ex-vice-ministro de Finanças de seu país e hoje funcionário da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Segundo ele, Brasil e Turquia são os mais expostos a problemas, no caso de uma crise prolongada. Não dá para entender por que nos coloca nessa companhia. A economia turca deve crescer 6% neste ano, mas a inflação está projetada em 9,4%, o déficit fiscal é estimado em 2,8% do PIB e sua conta corrente deve ter um rombo, neste ano, superior a 6% do PIB. Os fundamentos da economia brasileira, neste momento, são bem melhores, apesar de alguma fragilidade fiscal.

Segundo Flassbeck, uma crise prolongada nos mercados financeiros pode estimular a saída de capitais, especialmente especulativos, mas ele mesmo reconheceu que isso não causará grande incômodo ao Brasil, pois o real, apesar da instabilidade recente, continua supervalorizado. O País será afetado mais seriamente no caso de uma redução sensível do crédito internacional. Essa mudança será acompanhada, quase certamente, de condições mais difíceis no comércio global, pois o consumo tenderá a esfriar em alguns grandes mercados, a começar pelos EUA. Em relação a esse ponto, o comentário de Flassbeck parece bastante ponderado.

Já Osvaldo Kasef, da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), preferiu enfatizar o que há de positivo no cenário latino-americano. A maior parte dos países da região tem fundamentos bem melhores que nos anos 90, lembrou o economista, repetindo uma opinião ouvida muitas vezes nas últimas duas semanas. Todos poderão ter alguma perda, no caso de um enfraquecimento do comércio internacional, mas aqueles com mercados mais diversificados - caso do Brasil - serão menos afetados. O impacto maior será observado nas economias mais dependentes dos EUA. O caso mais evidente é o do México. Países da América Central e alguns do Caribe possivelmente caberão nessa lista.

Kasef, no entanto, reconheceu alguns importantes pontos fracos na maior parte das economias latino-americanas e nenhum governante deveria menosprezar esse aspecto. Os gastos públicos têm aumentado em quase toda a região, mas continua insuficiente o investimento produtivo. A média regional fica próxima de 20% do PIB e é muito baixa para sustentar um crescimento prolongado. O risco fiscal é particularmente preocupante, segundo o economista, no caso dos países mais dependentes de impostos sobre a exportação de petróleo. Além disso, há pressões inflacionárias em alguns países da região e as moedas permanecem valorizadas.

Algumas dessas advertências têm sido feitas, há alguns anos, por economistas do FMI. Os governos da região, segundo esses economistas, pouco aproveitaram os anos de prosperidade para avançar nos programas de reformas, eliminar distorções e preparar seus países para crescer com segurança. Todos esses comentários aplicam-se perfeitamente ao Brasil. O discurso triunfalista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, "viola" a prudência necessária neste momento. O Brasil dispõe, agora, de boas condições para resistir aos primeiros impactos de uma crise financeira internacional. Não será forçado, de imediato, a um forte aperto de cinto para ajustar as contas externas e para deter um surto inflacionário devastador. Mas não está preparado para manter um crescimento razoável, por vários anos, em condições internacionais menos favoráveis que as dos últimos cinco anos. Fora do governo, e até do País, muita gente sabe disso. Falta Brasília reconhecer esse fato e cuidar, sem maior atraso, de promover as mudanças necessárias.

Afinal, que "elites" são essas?

Fritz Utzeri, jornalista, Jornal do Brasil

Pois é, e o Brasil está quase virando um país para se investir, segundo as agências de risco. Quinta-feira foi a vez da Moody's elevar a nossa (deles) cotação de BA-2 para BA-1, última nota abaixo do grau de investimento, um selo dado a países com baixo risco de calote. Outras duas agências, a Fitch e a Standard & Poor's já haviam feito o mesmo e, pelo jeito, estamos com a bola toda. Ou não?

Essas agências de risco estão sob ataque de economistas, como o Nobel de Economia de 2006, Edmond Phelps, que considera que elas não foram capazes de antecipar a crise causada pelos empréstimos de alto risco (subprime) do mercado hipotecário dos EUA. Segundo Phelps, a metodologia das agências está errada e elas deverão ser substituídas por outras, capazes de errar menos. Que tal Mãe Estela e seus búzios?

Curioso país é o Brasil em que o governo jura que faz tudo pelos pobres e vive a denunciar as "elites", ao mesmo tempo em que ganha sucessivos atestados de bom comportamento dessas agências e do FMI (cujo presidente, por coincidência, se chama Rato) e que certamente representam o "povo".

Uma dessas agências de classificação, a Standard & Poor's, pelo menos garante que é "dos pobres", em inglês. Taí, pobre nem imagina que tem agência em Wall Street (mais escracho, impossível). Desse jeito, essas organizações da "internacional capitalista" vão acabar classificando o Brasil como país apto a receber investimentos até o final de 2008. Então vamos entrar no paraíso. Ou não?

É provável que não cheguemos nem perto. Os representantes do "povo" gostariam que a CPMF fosse mantida, e defendem a reforma da Previdência (essa instituição inexistente para a maioria dos brasileiros - perguntem a mim, que sou aposentado e não quis pedir "bolsa ditadura", fui processado em IPM e perdi emprego). Se algo pode complicar nossa entrada no "paraíso" é a quase total falência da infra-estrutura que, segundo a agência, "impõe sérias limitações ao potencial de crescimento do Brasil e apresenta-se como fator que poderá limitar as perspectivas de médio prazo". Enfim o "céu" está perto, mas não há avião, estrada ou trem para chegar lá.

Qual seria a "elite" que, segundo o Molusco, quer tanto derrubar o "governo popular" que faz tudo pelos pobres? Além dos porta-vozes de certa "esquerda" e de certo "pensamento acadêmico" (?), os políticos da chamada "base aliada" também vivem denunciando as "elites".

Cláudio Lembo (Democrata, ex-PFL, que tem "horror" à elite) e Sérgio Cabral (PMDB), do alto de sua condição de "povo" bem instalado em Angra, enchem a boca para desqualificar a "elite" e chegam a referir-se a uma "elite branca", em mais uma tentativa, nunca antes vista neste país, de gerar animosidade social e racial. Quem são esses brancos safados?

O próprio Molusco acusou essa "elite" de ser contra o Bolsa Família e apoiar as bolsas a estudantes de pós-graduação, "privilégio" para formar doutores - investimento que a China e a Índia priorizaram, e responsável por um prodigioso desenvolvimento científico e tecnológico desses países.

Ao mesmo tempo vejo os números do Bolsa Família e me convenço de que o governo comprará cada vez mais votos para manter a mediocridade, a pobreza, a impunidade e a corrupção. O discurso "anti-elite" chega a afirmar, como o fez Renan Calheiros, que seu processo é manobra dessas "elites" para atingir o Molusco, argumento usado por muitos neopetistas envolvidos em corrupção.

Em nome da decência é preciso que se revele quem são essas "elites". Será que os banqueiros, Olavão Sertubal, Milu Vilella (Itaú), Marcio Cipriano (Bradesco) e os demais, fazem parte dessa "elite"? Quem são esses "conspiradores"? Visam o quê? O socialismo? Talvez o "companheiro" Delfim Netto, que sempre foi "povo" e que já comandou a economia quando o Brasil era bom para investir, crescia e a pobreza aumentava, saiba de quem o Molusco e seus "companheiros" andam falando. Juro que estou curioso.

CPMF: as mentiras de Mantega e de Lula

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

E a ladainha sobre a CPMF continua produzindo pérolas e mais pérolas. Se a gente fosse um total desmemoriado, poderíamos até dar algum crédito para as personalidades do governo, abrindo a gamela para a produção de frases de efeito.

Para a tristeza desta gente, o tempo não apenas tem seus fatos registrados no papel, mas nos sons que se gravam, ou no arquivo de nossas lembranças para serem despertadas de tempos em tempos e, assim, confrontar com a realidade presente.

O ministro da Fazenda do governo Lula, Guido Mantega, ironizou a reclamação geral contra a CPMF, afirmando que o Estado não pode abrir mão de R$ 36 bilhões. "É fácil de ser pago. Não precisa de muito esforço. A gente vai lá e pega", disse o ministro.

Mantega reconheceu que carga tributária do país é elevada, no entanto, afirmou que as desonerações de impostos devem ser feitas de forma muito gradual para o país poder avançar. Ele disse que a aprovação da prorrogação da CPMF é um dos grandes desafios da política econômica do governo Lula.

O petista declarou que orientação é para que a alíquota da CPMF não tenha redução, pelo menos nos próximos quatro anos.

É incrível não é? Vimos aqui há poucos dias uma entrevista concedida pelo médico Adib Jatene, criador da tal CPMF. A certa altura, o ex-ministro Saúde riu em presença do repórter. Ele lembrava bem da oposição ferrenha desencadeada à época em que propôs a criação da contribuição como forma de financiar a área da saúde e, assim, não precisar ficar de joelhos perante a área econômica implorando liberação de verbas. Lembrou que, em duas oportunidades, encontrou-se com José Dirceu e Lula e, mesmo com toda a sua argumentação, o PT fechou questão e se colocou contra a contribuição. Hoje, é seu mais ferrenho defensor. E da forma mais cretina possível: admitem acabar com o imposto e até com a redução da alíquota, porém, depois que de 2010, ou seja, empurram o abacaxi de faltar esta montanha de recursos para o próximo governo.

Na defesa da renovação do amaldiçoado imposto, não faltou nem justificar a necessidade de renovar a CPMF por conta da ... crise financeira internacional. Agora, além de Mantega, chega-nos o ministro atual da Saúde, José Gomes Temporão, a insinuar que para resolver o atual colapso da saúde pública por todo o país, não se pode abrir mão da arrecadação da CPMF. Beleza, não fosse por um detalhe: desde que Lula assumiu quanto foi o total arrecadado com a CPMF ? Vamos arredondar a conta em 30 bilhões anuais. Em quatro anos, isto representa 120 bilhões de reais. Com esta arrecadação não daria para evitar a crise atual? Não dava para ter reajustado a tabela, por exemplo, das cirurgias cardíacas, onde o médico recebe irrisórios 70 reais por cirurgia ? Não dava para ter reequipado as principais unidades hospitalares? Ou para por em funcionamento unidades inteiramente equipadas e que não estão atendendo a população por falta de equipes médicas e de enfermagem? Convenhamos, esta desculpa não cola de jeito nenhum. Dizer que os recursos são indispensáveis só se admitiria se, com a arrecadação anterior, tivessem se justificado pela melhoria do quadro geral, mas o que temos é justo o contrário: é visível a deterioração, o descaso, o abandono e até o desinteresse do governo federal em oferecer um serviço ao menos digno para a população. E registre-se: para a população mais pobre, por ser ela quem usa integralmente os serviços (?) do SUS.

Claro que a “facilidade” do achaque torna o imposto um atrativo do qual o governo não se sente disposto a abrir mão, a não ser, claro, e aí o truque, quando se trata de jogar o abacaxi para o governo que o suceder. A perversidade fiscal de um governo que não consegue sequer imprimir um controle de gastos correntes, fica justificado pela ação nefasta de se sugar a sociedade com um imposto perverso, injusto, em cascata e que colabora para a elevação do custo Brasil.

E este papo furado de reconhecer que a carga é alta (e o governo tem aumentado ano após ano), mas que as desonerações precisam ser feitas de forma gradual é pura conversa mole. Não há nenhum, mas nenhum miserável indício de que este governo vá criar condições para “desonerações graduais”. E pela simples razão de que continua gastando muito, e mal. E nem venham com a fanfarronice de que estamos contrários a investir nos pobres. Isto é cretinice, porque o “gasto” a que nos referimos não são os investimentos sociais, são os gastos com a máquina pública ineficiente, inchada em excesso e que continua criando cargos e mais cargos “de confiança” como moeda de troca eleitoral, o famoso “é dando que se recebe”, alimentando-se assim os veios da corrupção e degradação dos costumes políticos. Se o montante que se escoa por este ralo imundo revertesse em favor do país, e não apenas de uma classe de fidalgos privilegiados assentados em funções inúteis e totalmente dispensáveis do ponto de vista de gestão pública decente e competente, não apenas o governo teria espaço para dispensar a CPMF, como também para produzir uma redução nas alíquotas dos demais impostos.

Na verdade, o governo se vale da desinformação e da pouca instrução da maioria da população para plantar este monte de desculpa que nem para estrume serve. Em se tratando de CPMF então, sabemos que pelo excedente de arrecadação tributária, este custo poderia ser eliminado do cardápio com folga. Com muita folga. Imaginem se o governo se preocupasse em reduzir o custo de sua corte de irresponsáveis alojados num doloroso ócio.

De fato, quando o assunto se trata de CPMF o PT é de uma descomunal incoerência. Como esta: em 21.07.1999, quando a coluna Radar da Revista Veja era escrita por Ancelmo Góis, a gente recolhe a seguinte nota:

"O PT optou pelos ricos
Como se sabe, o PT entrou na Justiça contra a CPMF. Diz que o imposto fere o "princípio constitucional da isonomia e igualdade, já que só é cobrado de quem tem conta bancária". Quer dizer que o imposto é ruim porque há mais de 100 milhões de brasileiros (pobres, quase todos) que não têm conta? Ah, bom! "

Ou seja, eles queriam que a tunga atingisse também os pobres, e não apenas os ricos. Isto é que é governar para os pobres. Santo Deus !!!

Apesar do discurso, a gente conclui que Lula e sua preferência pelos ricos já vem de longe, e que o discurso é só para os pobres se iludirem, e poder mascarar a hipocrisia.

Um doente que não quer curar-se...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Há cerca de oito anos atrás, o respeitado cientista político Bolívar Lamounier, concedeu um entrevista que entendo ser oportuno reproduzir alguns trechos. São duas questões sobre a questão da pobreza e duas sobre o PT e as esquerdas, ainda quando eram oposições. Na respostas, estampa-se duas questões que merecem reflexão: de um lado, os programas como emergenciais para minorar dificuldades presentes, e de outro, o pensamento das esquerdas e no aquela ideologia se assemelha ao presente, quando agora a esquerda chegou ao poder.

"Veja – O Estado não tem poder para erradicar a miséria?
Lamounier
– As pessoas não podem se iludir. Só há três formas de erradicar a miséria: crescimento econômico, crescimento econômico e crescimento econômico. O Estado pode fomentar esse crescimento econômico, mas primeiro precisa ultrapassar o gargalo das reformas. Por enquanto, o país está numa camisa-de-força porque acha que já não mais precisa fazer as reformas necessárias. Precisa, sim. Depois de fazê-las é possível trabalhar para aumentar o nível de renda das pessoas e fazer outras intervenções sociais na Saúde, na Educação e nos Transportes. Esse é o método certo de combater a pobreza. O resto é tapeação.

Veja – Mas, enquanto isso não acontece, o que fazer por aquelas pessoas que estão com fome e que não se sentiriam tapeadas se recebessem um prato de comida?
Lamounier –
Em casos urgentes, é claro que a única solução é dar comida e assistência. Mas isso não tira o pobre da condição miserável em que se encontra. Ao lado de medidas emergenciais, é necessário adotar uma política de investimentos séria para que o miserável ou seu filho tenha condição de ascender socialmente. Em vez de um imposto contra a pobreza, o Brasil necessita crescer e gerar empregos. Precisa atrair capital produtivo. Precisa controlar seus gastos para aplicar naquilo que pode mudar a condição social dos mais pobres. Vamos semear para colher daqui a 20 anos. "

Em que a visão de Lamounier está errada ? Em nada, certo ? De fato, o caminho mais curto de minorar a pobreza é crescimento econômico, acompanhado, claro, de um leque de programas sociais dos quais, pouco a pouco. as pessoas vão se libertando na medida em que são reinseridas no mercado de trabalho e passam inclusive a receber melhor qualificação de sua mão de obra. Pergunta-se: onde estão as portas de saída do Bolsa-Família? Simplesmente, não tem. E o que é pior. Apesar dos beneficiados estarem comprando e consumindo pelo menos o mínimo, no que estão colaborando para o aumento da riqueza que lhes está sendo distribuída?

Da mesma forma se deve dizer em relação ao crédito subsidiado que o governo tem promovido com grande insistência. Nada contra, mas que tal também se cuidar de aumentar a massa salarial? Em um determinado momento esta massa sofreu ligeira expansão, depois estagnou-se e, de alguns meses para cá vem perdendo musculatura. Ora, nem se precisa ir muito longe para se perceber o que de fato se passa: quem ganhava mais ou menos,, uma classe média remediada, vem ganhando menos a cada dia para uma transferência absurda de renda para as classes mais pobres da população. Ou seja, estamos praticando a mais perversa e absurda “distribuição de renda” ou “transferência de renda”, quando o sensato seria transferir-se das classes mais abastadas da sociedade que nada estão perdendo, até pelo contrário: ganham cada vez mais. Isto é empobrecimento explícito. É nivelamento por baixo, numa gandaia que o país já sente seus efeitos.

Explico: a classe média baixa ou dos remediados é justamente aquela que, provindo da classe pobre, foi à luta para trabalhar, estudar, formar-se em uma especialização e conseguiu libertar-se da pobreza marginal, mal consegue formar uma pequena, quase toda aplicada numa aperfeiçoamento necessário para a elevação de ganhos e salários. Gente simples que consegue a muito custo compra seu primeiro carro, uma casa ou apartamento pequeno e usado, tudo com muito sacrifício e privação. Gente que até bem pouco tempo atrás, sequer conta bancária possuía. E que agora, como prêmio por seu mérito de trabalhar e estudar e não encostar-se em programas assistencialistas, estão perdendo renda por conta desta estapafúrdia transferência de renda para os mais pobres.

Claro, Lula em seus discursos demoniza a classe média como se ela fosse culpada por todos os males e mazelas deste país, quando na verdade a culpa encontra-se no andar, intocado por Lula que lhes garante a abastança e os rendimentos cada vez maiores. Alguma vez o senhor Luiz Inácio parou para analisar quem são e quem eram há dez ou até há quinze anos atrás esta categoria de pessoas que seu governo está se encarregando de empobrecer miserável e injustificadamente ? E o faz com um discurso cretino, preconceituoso e até maldoso ? Este alimento de ódio que Lula insiste em jogar entre classes é espantoso: não encontra paralelo no mundo. Todas as grandes nações do planeta cresceram indo justamente na direção contrária.

Assim, não é estranhável que um em cada quatro brasileiros sejam beneficiários do Bolsa Família. O doloroso é sabermos que eles alimentam o objetivo de ampliar este universo. Em outras palavras isto representa dizer que o empobrecimento continuará e o fará tornando miseráveis cidadão que um dia acreditaram que o estudo e o trabalho eram ferramentas para o seu crescimento e progresso. Pátria madrasta está Lula transformando o Brasil.

Onde isto nos levará ? Adoraria que a perspectiva fosse a melhor possível, mas sou forçado a concluir que este “programa” se constitui num método de governo que Lula não abandonará. Faz parte de seu ideário, está impregnado em sua formação, faz-se presente em seu histórico de longa data. E acabou por impregnar todos aqueles que estão ao seu lado.

Ou se inverte esta equação ou Lula ainda terá que suportar muitas vaias e protestos. Lula está longe de entender o que seja progresso pessoal, aprimoramento do indivíduo mercê seu trabalho e qualificação. Não seria nada mal um dia o senhor Luiz Inácio submeter-se a uma profunda reflexão e avaliação psicológica: quem se encontrasse uma resposta que justifique tanto ódio, rancor e ressentimento contra a classe média. Inveja não é possível, já que ele próprio está acima desta categoria. Será pelo fato de que, face à sua formação intelectual, eles não se submetem às mentiras e mistificações com que Lula tenta construir sua imagem ?

Realmente, Lula é um caso complicado para qualquer psicólogo. Simples, porém, é sabermos que se trata de deprimente caso de doente irrecuperável. Ele se nega em aceitar a doença como ainda não está disposto nenhum um pouco a tratar-se e curar-se.

Um partido avesso ao modernismo...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Modernizar-se significa atualizar-se. Assim, o conceito de moderno pressupõe progredir, evoluir, crescer. O ser humano tem na evolução a razão de haver ascendido das cavernas para estes tempos de alta tecnologia. Por conta disto, o efeito foi ter ampliado sua existência útil. Estamos mais produtivos na velhice, que se estende por muitos anos a mais de vida.

No post anterior, valemo-nos de uma entrevista que o cientista político Bolívar Lamounier deu à Revista VEJA há cerca de 8 anos atrás. Em nada aquela entrevista perdeu sua atualidade. Falamos antes sobre o caminho necessário para arrancar os indivíduos da miséria, até bem a propósito da notícia da semana sobre um quarto da população brasileira ser beneficiária do Bolsa Família.

Nas questões seguintes, Lamounier fez uma análise sobre o ideário arcaico do PT e das esquerdas de um modo geral. Reparem que a análise é o tempo em que o PT era aquela oposição fundamentalista, que jamais estendeu a mão para ajudar quem quer que fosse que estivesse no poder. É este mesmo partido que agora arrota e prega uma “união nacional”, ou na construção de um projeto para um país para daqui 15, 20 anos. E por que quando convidado, jamais se dispôs a participar?

Mas vamos ver o que cientista político Lamounier dizia sobre o PT, enquanto oposição.

Veja – O senhor esqueceu o PT.
Lamounier
– O PT é uma federação de grupelhos que finge ser um partido e que tem um candidato a presidente, que é o Lula. E o Lula finge que tem nas mãos um partido. O que me intriga é que o PT tem bons quadros intelectuais e não tem coragem de abandonar idéias antigas. Ora, ninguém sabe para onde vai a globalização. Nem Fernando Henrique Cardoso, nem Paul Krugman, nem Deus. Portanto, não sabemos o que dará certo nas opções que estamos fazendo. Mas sabemos com clareza o que deu errado no passado. O estatismo que vivemos, que é o ideal dessa esquerda, criou uma das sociedades mais deseducadas do planeta e não resolveu seu principal desafio, que é o problema da desigualdade de renda. Eles não perceberam que o discurso que adotaram não os levará a lugar nenhum. Será um caso incorrigível de superficialidade ideológica, como acham alguns pensadores? Ou falta de coragem de se livrar da pequena patrulha e dizer o que realmente pensa?


Veja – Qual é sua opinião?
Lamounier –
A oposição brasileira está entre as mais atrasadas do mundo. Ela não entendeu que o mundo e nós não podemos praticar a mesma política econômica que era razoável trinta anos atrás. A oposição continua falando as mesmas coisas. Quer reestatizar a economia e garantir vantagens para o funcionalismo público. Ela não aprende com os fatos. A esquerda insiste em proteger interesses que ela imagina serem interesses médios.

Olhem para o governo de Lula e digam: em que eles mudaram ? A única coisa que Lula–governo difere, não o Lula–oposição, é na política econômica estabilizada que recebeu do governo Fernando Henrique, apesar de cretinamente não admitir. No restante, o governo Lula tenta manter as mesmas práticas que anunciava quando na oposição. Gigantismo do estado, aparelhamento da máquina pública, vantagens para o funcionalismo público com a conseqüente manutenção e até ampliação da carga tributária, que tem roubado do país sua capacidade de investir em novos negócios na velocidade que se necessária para reduzir o histórico nível de desemprego.

Mas reduzir o desemprego estará nos planos de Lula ? Não creio, e seu governo tem dado mostras visíveis disto. Primeiro, que o desempregado crônico acaba se tornando cliente do Estado ingressando no programa do Bolsa-Família. Como o país não gera os empregos que seriam necessários para reduzir este índice, o beneficiado se torna permanente. Segundo, para aumentar o nível de emprego, corresponderia a fazer o país crescer em níveis bem superiores aos atuais. Só que isto implicaria em termos um apagão energético no curto prazo. Politicamente seria inconcebível. Este seria um dos males que somariam ao estrangulamento da incipiente e degradada infra-estrutura do país, o aparecimento da mentira da auto-suficiência no petróleo, além de inúmeros gargalos na área de serviços públicos. Ou seja, o país entraria num colapso generalizado. A conseqüência final seria o esvaziamento do discurso, e a perda da popularidade preço político cujo prejuízo é impensável para a vaidade presidencial.

Assim, na medida que Lula alimenta o gigantismo do Estado, força que não tenhamos oxigênio suficiente que permita aumentar a poupança e consumo internos. Só por este caminho teríamos uma ampliação em termos percentuais de um crescimento adicional de 3 %, na média.

Qual a foi a escolha? Sufocar o país com carga tributária, manutenção por muito tempo de uma taxa de juros proibitiva, e uma política esquisita de desonerar o ingresso de capital externo para financiamento da dívida pública. Resultado desta equação: a dívida pública que era em torno de 600 bilhões simplesmente dobrou em quatro anos. E ainda mais: isto permitiu que o país somasse muito bilhões de dólares de ingresso de capital volátil ao montante oriundo das exportações. Em conseqüência, a moeda americana perdeu peso. Assim, abriu-se o flanco do mercado interno para o ingresso de importados em condições mais favoráveis do que os similares nacionais. E não fica por aí: para a manutenção deste quadro, combinação perversa de câmbio, juros, carga tributária somou-se a insegurança jurídica oriunda da politização de agências reguladoras. Resultado: passamos a exportamos mão obra, enfraquecimento de inúmeros setores e cadeias econômicas outrora tradicionais exportadoras que não apenas deixaram de vender lá fora, mas que para sustentar-se aqui dentro precisaram encolher, claro, desempregando milhares de pessoas. Passamos ainda a ser exportadores de investimentos, como se aqui dentro neste campo estivéssemos num paraíso !

E para tornar o quadro mais desolador diante dos “insumos” básicos usados no plano econômico, a renda média do trabalhador vem caindo, mesmo que lentamente, mas a queda tem sido preocupantemente contínua.

A última ponta indispensável para a tração de investimentos é a soma de educação de qualidade e maciça com infra-estrutura otimizada e moderna. E aqui o elo desta corrente diabólica se fecha com a remessa de volume de recursos imenso para o serviço. Para garantir esta remessa, o país se obriga a manter um superávit primário astronômico para frente à remessa de R$ 140,0 bilhões por ano para a comunidade financeira internacional. Tal volume – e não há mágica neste caso - sai justamente do total que o governo nos toma dos impostos que pagamos, reduzindo substancialmente a capacidade do governo para investimentos justamente nos serviços, na educação e na infra-estrutura, fechando assim o ciclo que nos mantém amarrados. Como os demais países emergentes, da Europa e Ásia, além do México, Peru, Costa Rica e Chile, aqui na América Latina, não ficam parados no tempo, a corrente “progressista” do governo Lula está provocando uma estagnação colossal ao país.

Mas os fundamentos macro-econômicos não estão no ponto certo? E a estabilidade econômica, o risco-país, nada disso é positivo ? É sim, mas ficar deitados nisto por quanto tempo mais? Basta lembrar que metade dos jovens em idade de trabalho, de 16 a 29 anos, não encontram emprego. E, circunscrito neste nó vocês encontram as razões de um quarto da população brasileira estar no Bolsa Família: são mais de 46,5 milhões de pessoas ganhando menos de R$ 120,00 por mês, para um salário já muito mínimo de R$ 380,00. Para quem aprecia mediocridade, o governo atual é um prato cheio, sem dúvida.

Cunha, o 1º réu, havia arquivado a denúncia

Na última sexta-feira, o Supremo Tribunal Federal transformou o ex-presidente da Câmara deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no primeiro réu, entre os parlamentares petistas, do caso do mensalão. Responderá por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato - desvio de dinheiro público. Foi Cunha que, há quase três anos, matou no peito e chutou para o alto a denúncia do JB em manchete de primeira página - "Planalto paga mesada a deputados", do dia 24 de setembro de 2004.

Cunha foi acusado de corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por receber R$ 50 mil de Marcos Valério de Souza e seus sócios - Cristiano Paz e Ramon Hollerbach - para favorecer a agência de publicidade SMP&B em licitação realizada pela Câmara. Como Cunha mandou sua mulher sacar o dinheiro em agência do Banco Rural, também foi processado por lavagem de dinheiro.

Hoje, o réu João Paulo Cunha é um homem discreto. Pouco afeito aos holofotes, esgueira-se no plenário da Câmara como se quisesse evitar polêmicas ou sacar frases infelizes e fora de propósito. Fala pouco e só alguns poucos colegas privam de sua intimidade.

Há três anos, a sindicância aberta por João Paulo para apurar a denúncia seria uma das mais rápidas da história. Em duas horas, decidiu que a acusação era improcedente. Impávido, virou o pitbull a defender a cidadela petista. Exigiu direito de réplica. Prometeu processar o jornal e os repórteres. Dedo em riste, constrangeu os autores da matéria em plenário, sob o testemunho dos colegas. Exigiu uma indenização de boa monta. Razão: danos morais. Agora, os indícios encontrados pela mais alta Corte para processar João Paulo pelos mais diversos crimes ajudam a explicar a retrospectiva histórica eivada de tamanha fúria.

Peças da acusação revelam que o ex-presidente da Câmara patinou no caminho que o próprio escolheu para trilhar. Passos dados por João Paulo Cunha e por pessoas ligadas a ele em 2003 e 2004 foram o que o enredaram de vez no escândalo. Entre os meses de setembro de 2003 - quando foi lançado o edital para escolher a agência de publicidade da Câmara - e outubro do mesmo ano - quando a SMP&B de Marcos Valério foi declarada vencedora - João Paulo Cunha reuniu-se pelo menos três vezes com Valério. A primeira dessas reuniões aconteceu na véspera da ida da mulher de João Paulo, Márcia Regina Milanésio Cunha, à agência do Banco Rural, em Brasília, onde o mensalão, que seria financiado e operado por Valério, era sacado.

Dados fornecidos pela administração do Brasília Shopping à Polícia Federal mostraram que Márcia esteve na agência do Banco Rural, onde o suposto mensalão foi sacado, no dia 4 de setembro de 2003. Onze dias depois, em 15 de setembro, a Câmara lançou o edital para escolher uma agência de publicidade para fazer campanhas da Casa. A SMP&B, uma das participantes, era velha conhecida de João Paulo, já que tinha feito a campanha do petista para a presidência da Casa em janeiro de 2003. No dia 17 de setembro, ambos reencontram-se, de acordo com anotações que constam na agenda da ex-secretária Fernanda Karina Somaggio. Neste dia, aparecem duas anotações: um encontro de Valério com seu o consultor de comunicação na sede da empresa DNA e um "café com João".

No mês seguinte, nova reunião do grupo. As anotações de Fernanda Somaggio indicam um café da manhã, em 20 de outubro de 2003, no Hotel Gran Mercure, em São Paulo, com a participação de João Paulo, Marcos Valério, do então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e do tesoureiro do PT paulista, Antonio Santos. Onze dias depois, a SMP&B foi proclamada vitoriosa na concorrência para a publicidade da Câmara, emplacando um contrato de R$ 9 milhões, posteriormente acrescido em R$ 1,9 milhão. O contrato foi assinado em 31 de dezembro de 2003.

A SMP&B também foi intermediária do contrato da Câmara com o instituto de pesquisas Vox Populi, em 2004. O contrato, para a realização de pesquisas de opinião sobre a imagem da Câmara, custou R$ 757 milhões aos cofres da Casa

160 bilhões de dólares jogados fora.

Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

Notícias vindas do exterior dão conta de que os bancos centrais dos EUA, Europa e Japão injetaram mais de 500 bilhões de dólares em seus respectivos sistemas bancários a fim de evitar transtornos de inadimplência e falta de liquidez provenientes, segundo divulgado, de ligações com o mercado de crédito imobiliário dos Estados Unidos. Fica, assim, evidente que o problema não era e não é oriundo das bolsas de valores; estas apenas sofreram reflexos.

O perigo que ronda realmente a economia mundial provém, tudo indica, da instabilidade do sistema monetário internacional em razão da desvalorização incontida do dólar nos mercados de câmbio.

No Brasil, nossos laureados economistas e as autoridades do governo-Lula alardeiam que a economia brasileira está blindada por manter o Banco Central reserva superior a 160 bilhões de dólares. Desse modo, é transmitido ao povo brasileiro a idéia falaciosa e nociva de que a enorme massa de papel-moeda estrangeiro, em poder do BC, constitui uma garantia capaz de assegurar normalidade e sobrevivência à nossa economia, no caso de turbulência. Pura mistificação!

Infelizmente nossas autoridades ainda não conseguiram perceber que o dólar internacional está naufragando; que está nos estertores da sua função como moeda. Graças a Deus a economia brasileira tem a sua atividade estribada no real, não no dólar. É o real a moeda legal que impulsiona e da qual depende o funcionamento da economia nacional. O povo brasileiro utiliza o real para adquirir os alimentos e os utensílios que necessita.

Admitindo, para argumentar, que o dólar internacional venha a sofrer um colapso e deixe de existir. Nossa economia deixará de funcionar? Claro que não! O prejuízo que o Brasil terá que contabilizar será, justamente, o valor da "reserva", que, malgrado, foi armazenada pelo BC no suposto de que constituía uma blindagem. Na formação dessa malfadada "reserva", o Banco Central trocou, irresponsavelmente, o real (moeda lastreada na produção e na riqueza nacionais) por dólares dinheiro-papel (sem lastro e sem liquidez). Deplorável! A aquisição dessa "reserva", longe de ser uma blindagem, é um grande desastre econômico.

Jornalista Helio Fernandes:
V. Sa. e eu fomos poucos, na imprensa brasileira, alertando que a compra do dólar internacional em declínio não guardava condições de servir como reserva monetária, menos ainda como blindagem econômica.
Saudações,Ney Bassuino Dutra.
Economista


Depois da difícil operação nas duas vistas, Ney, saúdo a tua volta à claridade da vida e à clareza da análise econômica. Sem arrogância, sem prepotência, sem presunção, somos os últimos dos moicanos no esclarecimento simples e sem complicação do que é desenvolvimento, do que é prosperidade verdadeira, do que é qualidade de vida, que 180 milhões de brasileiros perdem com a visão equivocada do governo.

Exatamente há 63 anos, o mundo se contorce nessa correria de perseguir o dólar, de se "amarrar" ao dólar, de se "empaturrar" com esse dólar-papel-pintado, que fez o seu aparecimento espetacular em 1944. E o mundo se atrelou a esse dólar por intermédio da corrupção, da desilusão e da falta de convicção.

Em 1944, em Bretton Woods, houve uma reunião das potências vencedoras (a Alemanha nazista já estava derrotada) para estabelecer a "moeda do futuro". Queriam se livrar do ouro, chamado de "relíquia bárbara", porque a África do Sul tinha formidáveis estoques desse ouro, não queriam se aprisionar a eles.

E "genialmente" aprisionavam o mundo ao seu dólar que não valia nada, não tinha lastro, garantia, liquidez. Passaram a fabricá-lo ilegalmente, acumulá-lo no Fort Knox, a vendê-lo ao mundo, tão falsificado quanto as mercadorias de hoje. Começava a era da pirataria.

Tudo colocado na conta de Lord Keynes. (John Maynard Keynes, economista inglês, que já havia escolhido até o nome da nova moeda, Bancor). A partir daí o mundo descobriu ou foi forçado a descobrir que para sobreviver teria que acumular TRILHÕES de dólares, sem valor algum.

Os EUA não reconhecem mas vivem em pânico que o dólar desapareça ou pelo menos fique igual às outras moedas. Vai demorar algum tempo, mas a poderosa Ásia, os riquíssimos árabes, a Europa ressuscitada, a insubstituível América do Sul, mais o México, descobrirão que podem muito bem viver com suas próprias moedas, comendo, morando, se vestindo, se transportando e enriquecendo longe do dólar.

Com o dólar "legitimado" e desvalorizado, os americanos não morrerão de fome. Mas terão que trabalhar como todos os outros 5 bilhões e 700 milhões de habitantes da Terra, excluídos naturalmente os 300 milhões dos EUA. Só que não poderão mais viver num bordel, embriagados com a riqueza desse dólar-prostituta-pasargada na cama que escolherão.

Em 1970, Jean-François Revel escreveu livro magistral, com um título que continua até hoje insolúvel mas não ultrapassado: "Nem Marx nem Jesus". A humanidade ainda não se decidiu a favor de Marx ou de Jesus, mas na certa não despreza nenhum dos dois.

Exatamente o contrário do dólar, enriquecido à custa do mundo e desprezado por ele. É possível que a REVOLUÇÃO não venha através de Marx ou de Jesus. Mas virá certamente com o fim da subserviência, da servidão e da submissão ao dólar.

PS - O Brasil comprou 160 BILHÕES de dólares que não valem nada. Imaginem esses 320 BILHÕES, em REAIS, investidos no nosso progresso, prosperidade e desenvolvimento?