Adelson Elias Vasconcellos
Regra geral, campanha eleitoral no Brasil costuma entupir os ouvidos dos eleitores de besteiras, mentiras, falsas promessas e, claro, abuso do poder político e econômico com compra de votos.
Porém, o PT e, principalmente Dilma Rousseff, tem levado o costume ao teto máximo da falta de decoro. Nesta campanha mesmo, a senhora Rousseff viaja como presidente alegando “fiscalizar obras” mas, ao mesmo tempo, com a maior hipocrisia e cinismo do mundo, não se furta de exibir as imagens da “viagem” em seu horário eleitoral, e isto sob os auspícios do Tribunal Superior Eleitoral. Assim, com dinheiro público, acaba financiando sua própria campanha. Depois, um dia antes de determinada visita a uma cidade como presidente, uma ONG laranja, destas picaretas que só servem para abocanhar dinheiro do contribuinte e não prestar serviço algum, faz a doação de uma prótese dentária e um fogão a lenha novo para uma senhora que, por coincidência, foi entrevistada na campanha eleitoral da mesma presidente. Mais tarde, a gente fica sabendo o resto da história antes contada pela metade: os “presentinhos” foram dados a pedido da própria presidência. Claro, o TSE não vai perder tempo com tais pequenos desvios, afinal, trata-se de “doação” de uma petista.
Mas, dentre as pérolas máximas da senhora presidente , está o seu discurso desta sexta-feira. Dali a gente tira a exata medida de sua mediocridade, de sua falta de tirocínio, sem falar no atropelo à inteligência entre o que pensa que fala e as palavras que conseguem pronunciar. Há um choque congênito entre pensamento e fala de difícil digestão. São como duas linhas paralelas, que só se encontram no infinito. No caso de Dilma, talvez nem no infinito.
Rousseff esteve em Porto Alegre, aí sim para uma ação típica de campanha. No meio dos seus, não se furtou a falar sem pensar. Lá pelas tantas prometeu mudar o que não está bom. Esqueceu de dizer à plateia presente o que não está bom. Claro que a sociedade brasileira sabe o que não está bom e porque não está bom. Tudo está ruim e medíocre porque o país está sendo mal governado.
Seguindo, fez uma das afirmações mais absurdas de quantas iremos ouvir nesta campanha e nas próximas. Afirmou, para espanto geral, que “reduzir inflação implica cortar gastos sociais”. Como que é, madame? Desde quando? O Brasil gasta parcela ínfima com programas sociais em percentuais do PIB desde antes do PT chegar ao poder e, ao que se saiba, gastos sociais, em tempo algum e nenhum lugar do planeta, são ou foram motivos geradores de inflação. Aliás, começo a duvidar da seriedade do tal diploma de economia que dizem Dilma ter conquistado em Minas Gerais. Em que cadeira ou disciplina lhe ensinaram tamanha barbaridade?
Para a inflação existir há que se ter de duas, ao menos uma das seguintes causas: descontrole dos gastos públicos, gerando múltiplos déficits orçamentários, obrigando o poder público a gerar moeda e provocar inflação. A outra, é consumo aquecido em tempos de crise de oferta, isto é, quando não se produz o o suficiente para atender o mercado interno. E, vejam só que lindo!, no governo Dilma encontramos justamente as duas vertentes. Aliás, já que Dilma adora endeusar seu padrinho, poderia fazer uma retrospectiva do governo Lula, nos dois mandatos, e nos apontar em que momento, mesmo com elevação dos gastos sociais, a inflação fugiu ao controle, e se manteve teimosamente em alta, batendo no teto da meta? Juntar mentira com burrice demonstra a má fé de uma fala desencontrada.
Mais adiante, não satisfeita com os impropérios, era de se esperar que atacasse os governos FHC, obsessão doentia dos petistas. E aí, Rousseff se saiu com esta belezura de desqualificação; chamou os adversários de “arrochadores de salários” e de “desempregadores”.
Bem, desemprego está acontecendo agora mesmo em seu governo, não é assim, senhora Rousseff? Pergunte à CNI quantos milhares de empregos foram fechados na indústria nos últimos dois anos e meio, apesar do Bolsa BNDES e incentivos especialíssimos para os amigos do reino e franco financiadores do caixinha do partido. Foi preciso mandar a estafeta Gleisi Hoffmann ao IBGE, para criar uma profunda crise na instituição, com o intuito de suspender uma nova metodologia de pesquisa que apontaria o real desemprego do país, bem acima da fórmula antiga de medir apenas meia dúzia de capitais.
Arrochadores de salários? Não seja cafajeste, presidente, isto pega mal. Vamos aos fatos: quem começou a aplicar aumentos reais no salário mínimo não foi Lula, foi FHC, basta que a presidente tenha decência de consultar o próprio IBGE para tomar conhecimento deste fato. Depois, quando Lula assumiu em janeiro de 2003, a isenção do imposto de renda na fonte ia até cinco salários mínimos. Hoje, esta isenção sequer chega a dois salários mínimos e meio. Então, quem arrocha mais salários no país, senhora Dilma Rousseff, tenha a decência de admitir, são os governos de Lula e o seu, porque também em seu período este arrocho via tributação na fonte continuou intenso.
É doloroso para uma pessoa, já passada dos 60 anos, sendo avó, governando um país do porte do Brasil, valer-se da mentira, da manipulação, da desinformação, da falsidade, da mistificação para tentar se manter no poder.
Aliás, ainda no capítulo arrochadores, deve-se acrescentar o seguinte: não fosse este um dos piores governos da história brasileira em termos de crescimento e, muito provavelmente, os salários médios dos trabalhadores teriam aumentado bem mais do que o nível atual em que se encontram. Isto também é arrocho, é compressão, é empobrecimento da massa trabalhadora, que ainda precisa suportam um governo nadando numa farra de gastos de pura ostentação e desperdício, base em que reside boa parte da inflação que comprime salários, rouba a capacidade de compra da população,e dos pobres principalmente. Inflação, senhora Dilma, aprenda de uma vez por todas, é o pior dos impostos.
Além disto tudo, com doze anos no poder, sinceramente, senhora presidente, termos a educação, a saúde, a segurança, o saneamento, a infraestrutura no estado miserável em que se encontram, conjugado com um crescimento vergonhoso, é prova de que, de fato,em certo ponto, sua promessa até faz sentido. É preciso mudar o que não está bom. Então, mude-se a presidência de mãos, por ser a atual a agente principal do baixo crescimento, dos maus serviços e da inflação e juros altos.
E faça um favor a si mesmo: aproveite o resto de mandato que lhe resta para voltar a falar a verdade, senhora Rousseff: não enxovalhe ainda mais sua biografia, pois já nos basta seu governo medíocre a nos roubar qualidade de vida, possibilidade crescimento e estabilidade econômica, social e institucional. Chega de tanto governo obtuso. Dilma não pode continuar transformando o Brasil numa imensa Venezuela e Argentina. É bom o povo brasileiro, principalmente aqueles que votarão em outubro, olharem para os nossos vizinhos: estamos seguindo os mesmo passos. E só não chegamos lá ainda porquanto algumas instituições ainda conseguem resistir a ruptura, parte do jornalismo, que é independente e não de oposição como apregoa Lula e seus asseclas, conseguem informar a porcalhada que está em curso e porque, também, somos infinitamente mais ricos que Venezuela e Argentina. Mas se nada for feito para impedir o retrocesso, mantendo no poder o mesmo pensamento e personagens, logo os alcançaremos. Chorar depois não vai valer de nada.
Saúde: a grande farsa que Dilma conta na campanha
Deixo ao leitor a reprodução deste trecho da reportagem da Folha de São Paulo que reproduzimos nesta edição. Aliás, esta história de que os governos petistas destinam mais verbas para isto e aquilo é pura fantasia. A diferença é que o volume de recursos em impostos que os governos petistas arrecadam agora, são bem maiores e grças a estabilidade econômica com que receberam o país. Daí... Mas sobre este tema há outras coisas sobre as quais retornaremos em outro texto.
A seguir, a prova da farsa sobre o investimento em saúde da Folha de São Paulo.
(...)
Alardeado pela propaganda eleitoral da presidente Dilma Rousseff, o aumento das verbas para a saúde nos últimos anos decorre não de uma iniciativa petista, mas de uma regra criada no governo Fernando Henrique Cardoso.
"Em 2002, o orçamento da saúde era de R$ 24 bilhões; agora, é de R$ 91 bilhões, um aumento de 97,7% acima da inflação no período", informa o programa de rádio da presidente-candidata.
Apontada nas pesquisas como maior preocupação e motivo de insatisfação dos eleitores, a saúde foi menos priorizada pela administração petista que outras áreas sociais.
A ampliação orçamentária mencionada no programa é mero efeito de uma emenda à Constituição aprovada em 2000, segundo a qual os recursos federais destinados à saúde devem ser corrigidos anualmente conforme a variação do PIB (Produto Interno Bruto), medida da renda nacional.
Os gastos federais no setor em 2002 equivaliam a 1,7% do PIB, o mesmíssimo percentual de hoje.
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