Carina Bacelar, Alexandre Rodigues, Cleide Carvalho e Germano Oliveira
O Globo
Medidas, executadas no Rio, foram autorizadas pela 13ª Vara Federal de Curitiba
Custódio Coimbra / O Globo
Agentes da PF colocam no carro três sacolas de documentos
recolhidos em sala ligada a parentes de Paulo Roberto da Costa
RIO, SÃO PAULO e CURITIBA — A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira, no Rio, 12 mandados na sexta fase de diligências da Operação Lava-Jato, sendo 11 deles de busca e apreensão e um de condução coercitiva - quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento - em empresas vinculadas ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, e seus familiares. No início da tarde, três carros da operação chegaram à Superintendência da Polícia Federal com os malotes de documentos apreendidos nas empresas suspeitas de ligação com o ex-diretor da estatal.
As medidas foram requeridas ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba pelos integrantes da Força Tarefa do Ministério Público Federal, em trabalho conjunto com a Polícia Federal. Um sócio do genro de Costa seria ouvido pelo suposto empréstimo de dinheiro a ele, o qual foi apreendido posteriormente com o executivo em casa.
Um dos locais visitados pelos agentes da PF foi uma sala comercial do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, onde funciona o Grupo Pragmática, uma empresa de consultoria. O site da empresa apresenta uma lista de mais de trinta clientes da consultoria, na qual consta a Petrobras. O grupo, criado em 1990, presta serviços de consultoria em gestão empresarial, recursos humanos, formação de executivos, profissionalização de empresas familiares e eventos corporativos.
O presidente da empresa e genro de Costa, Marcelo Barboza, que deveria ser levado à PF, foi localizado nos EUA e teria se prontificado a prestar esclarecimentos na sua volta ao Brasil. Perguntada sobre os responsáveis da empresa, uma funcionária deu os contatos do advogado de Paulo Roberto Costa, Nélio Machado. O GLOBO ligou para o escritório de Machado, mas a secretária informou que ele está fora do Rio.
A Polícia Federal dará coletiva de imprensa às 14h desta sexta-feira na sede do Ministério Público Federal de Curitiba para dar mais detalhes da operação.
Segundo as primeiras informações do Ministério Público Federal do Paraná, os mandados foram cumpridos no Rio para levantar documentos para a investigação da relação entre o ex-diretor da Petrobras e empresas relacionadas a seu genro, Humberto Sampaio de Mesquita, e um sócio dele, Marcelo Barbosa Daniel. As investigações da Lava-Jato identificaram que Costa contraiu um empréstimo de R$ 1,9 milhão de Daniel em 2013. Um ano antes, Daniel teria feito uma doação de R$ 1 milhão para Mesquita, o genro de Costa. A defesa do ex-diretor da Petrobras alega que as transações foram declaradas à Receita Federal.
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi preso em 20 de março, sob a suspeita de destruir provas de seu envolvimento no esquema bilionário de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef. Ficou preso no Paraná até 19 de maio, quando ganhou a liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de 23 dias, voltou à cadeia no dia 11 de junho, após o MPF obter provas, com o auxílio do Ministério Público da Suiça, de que Costa tem milhões de dólares em contas no exterior.
ENTENDA A OPERAÇÃO
A Polícia Federal indiciou 46 pessoas por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, entre elas o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor da Petrobras e o doleiro atuaram juntos na área de consultoria a empresas que têm negócios com a Petrobras. Dono da empresa Costa Global, Paulo Roberto Costa havia se associado a Youssef para a compra da Ecoglobal, empresa que obteve um contrato de R$ 443,8 milhões com a estatal, segundo a investigação. Esse contrato foi apreendido na sede da Petrobras.
Pelas investigações da PF, Youssef e outros três doleiros movimentaram aproximadamente R$ 10 bilhões de forma atípica. Alguns indiciados foram apontados também por corrupção, formação de quadrilha e tráfico de drogas.
