Adelson Elias Vasconcellos
Talvez fosse mais adequado um título do tipo “Que falta faz um governo para o Brasil!”. Por diferentes ângulos, passamos nesta última semana analisando a perda de competitividade das indústrias brasileiras. Se por um lado parte do empresariado pode ser responsabilizado pelas agruras do momento – sobre isso falaremos um pouco mais - de outra parte, contudo, a grande parcela de culpa seja pela estagnação seja perda de espaço no mercado e externo, se deve a fatores provocados pelo Poder Público. E este, pro sua vez, a partir de 2003, com a chegada do PT ao Planalto.
Mesmo nesta edição, ainda temos lá a barbaridade que a burocracia é capaz de cometer contra a indústria nacional, quanto a exigências absurdas para que as empresas possam ser autorizadas a exportar. E, mesmo que tenhamos demonstrado aqui a injustificada tarifa de energia elétrica que se cobra no Brasil, ainda voltaremos a este tema a partir de um estudo muito sério feito para comprovar os equívocos que se cometem na área de energia elétrica. Neste ponto, precisamos fazer um parêntese. Não foi a privatização culpada pelos equívocos. Seria natural que desvios de rota se cometessem mas, para a correção, o governo FHC criou as agências reguladoras que poderiam agir para as adaptações necessários no modelo adotado.
Contudo, o governo petista do senhor Lula simplesmente destruiu a autoridade das agências, pulverizou-os com incompetentes, pelegos que apenas se apropriam dos cargos para o gozo dos privilégios, mas sem guardar a menor responsabilidade quanto aos resultados de sua gestão, pobre e inconsequente. O resultado é o que se vê por aí: as agências perderam completamente a finalidade para as quais foram criadas, tornando-se meros cabides de empregos inúteis dos companheiros mais inúteis ainda. Mas o tema merece análise mais profunda e a ele retornaremos na primeira oportunidade.
Voltemos ao tema da perda de competitividade das indústrias brasileiras. Se o leitor se interessar encontrará no arquivo do blog inúmeras notícias de empresas nacionais que fecharam suas portas e foram instalar-se em outros países. Um absurdo. E isto continua acontecendo com maior frequência. As que não tiveram condições de levantar acampamento e ir embora, para sobreviverem estão, simplesmente, parando suas linhas de produção, e tornando-se meros importadores até de similares estrangeiros. Ou seja, o país adotou com o PT a tática de exportar indústrias e empregos. Como a tributação pesa, ao contrário de outros países com governos decentes, em maior incidência sobre o consumo e não sobre a renda, e ainda assim, sobre as maiores rendas porque se tributa imposto até sobre 2,63 salários mínimos – UM ACINTE VERGONHOSO! – enquanto o consumo se mantiver aquecido, a arrecadação federal tende a se manter nos atuais níveis. Deste modo, não vê o governo nenhuma vontade de mudar a situação. Não liga à mínima para a injustiça social que ele próprio pratica.
Alguém alegará que os empregos da indústria estão sendo substituídos pelo comércio e serviços. Beleza, só que são empregos de menor gabarito, com menor qualificação e menor rendimento. Quem perde? Com certeza não é o governo.
Há coisa de dez, doze anos, uma das grandes queixas dos consumidores eram que os produtos brasileiros eram muito caros. Cobrados, os empresários culpavam o câmbio, já que muitos componentes eram importados e o câmbio pesava sobre os prelos finais da produção. No caso da agropecuária se dizia que muitas culturas tinham seus preços fixados em dólar e, de novo, o câmbio era apontado como o vilão da história. Só que naqueles tempos com o dólar na casa de R$ 4,00 até fazia sentido. Mas como explicar hoje, com o dólar na faixa de R$ 1,70, os produtos tenham se encarecido mais? Ora, é simples, somente agora é que nos damos conta de que o peso maior sobre os preços é mesmo a alta tributação imposta a todos os produtos, indistintamente, desde o básico até o mais luxuoso. Aliás, se procurarem bem perceberão que há muitos artigos de luxo com tributação menor que alguns itens básicos de consumo popular.
E esta é precisamente a notícia a seguir. Num país em que a leitura é hábito de muitos poucos, em que a escolaridade da grande maioria é de baixíssima qualificação, uma das razões da inúmeras distorções das práticas petistas de governar (ou desgovernar) já atinge a indústria do livro didático. Nos bancos escolares, os estudantes brasileiros estão estudando em livros impressos na China, Índia, Coreia, Colômbia e Chile. Por mais absurdo que possa parecer, mas esta, infelizmente, é a realidade, a dolorosa realidade brasileira.
Assim, quando se acusa o governo de praticamente incentivar a desindustrialização e desnacionalização da indústria nacional, ainda tem ache exagero.
Não há exagero na realidade que estende à nossa frente, a olhos vistos. Senhores, não fosse a enorme competência da agropecuária brasileira, tão demonizada pelas Marinas da Silva e esquerdistas empedernidos em sua cegueira ideológica, e acreditem: estaríamos vivendo no vermelho já há muitos anos em nosso comércio exterior. Não só isso: é graças as divisas careadas por nossas commodities que o país formou este verdadeiro colchão de segurança que são nossas reservas internacionais, mantenedora de nossa estabilidade e capaz de resistir às crises que vem se acumulando pelo mundo, Estados Unidos e Europa, principalmente.
Quando noticiamos aqui que os brasileiros que viajam para o exterior têm comprado de tudo, até sabão em pó, dado a brutal diferença de preços praticados entre o mercado brasileiro e o de outros países de primeiro mundo, alguns podem até ficarem céticos diante do noticiário. Já comprovou-se que o Brasil se tornou um país caro até os padrões de renda de países de primeiro mundo e este fato dia a dia mais fica claro. Por aqui, vimos em reportagem da Folha de São Paulo que produtos tradicionalmente produzidos aqui dentro, para consumo interno, passaram, vergonhosamente a ser importados. São os casos, por exemplo, das importações de óleo de dendê que avançaram 414%, das compras de coco seco que subiram 172% e as de álcool, 1.058%, segundo o Ministério do Desenvolvimento. Sem falar nas cargas de feijão chinês e na evolução das importações de alumínio do país que possui a terceira maior jazida mundial de bauxita (minério de alumínio). Relembre a reportagem clicando aqui.
Sobre a parcela de culpa dos empresários, não todos é claro, é fato o apoio a um governo que, além de incompetente e corrupto, por suas políticas equivocadas estão praticamente destruindo com a indústria brasileira. Enquanto este apoio se mantiver sem mudanças, não haverá com o que o PT se preocupar. A contrapartida é o caos que estamos assistindo. Como veremos, nem os livros didáticos usados em nossas escolas escapam da tragédia. Até quando?
O diagnóstico é claro em apontar a real doença que afeta nossas indústrias. E elas são praticamente todas de responsabilidade do governo federal. Desculpas não faltam aos canalhas, as justificativas com que se desculpam são cretinas demais para serem aceitas. Está passando da hora dos empresários colocarem o governo sob pressão e exigirem maior compromisso com o que se construiu ao longo de décadas de muito trabalho, esforços e sacrifícios. O governo petista DEVE O GOVERNAR O BRASIL, e não seus vizinhos ou as ditaduras amigas das esquerdas. Porque, convenhamos, ter que importar livro didático para as escolas brasileiras, vai muito além da falta de vergonha. Representa a falta que faz o Brasil ter um governo para chamar de seu.
O texto a seguir Marcelo Rehder, para O Estado de São Paulo.
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Brasil já importa até livro didático
Custo de produção local leva o País a ampliar compras de países como China e Índia, com prejuízos para o emprego no setor gráfico
SÃO PAULO - O avanço das importações chegou ao mercado de livros didáticos. Nos bancos escolares, os estudantes brasileiros estão estudando em livros impressos na China, Índia, Coreia, Colômbia e Chile.
Em 2011, editoras que fornecem material para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do governo federal, ampliaram em quase 70% as encomendas no exterior, estimam empresários da indústria gráfica. Os motivos são o câmbio e o custo Brasil.
Principal cliente para as gráficas do segmento editorial, o governo responde por 24,4% das compras de livros no País, que somam cerca de R$ 4,5 bilhões. No ano passado, o governo fez uma compra recorde de 170 milhões de livros didáticos para o ano letivo de 2012.
Segundo Fabio Arruda Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), as editoras foram às compras no exterior, com base no argumento de que as gráficas editoriais brasileiras não teriam condições de entregar todas as encomendas dentro dos prazos estabelecidos nos editais.
A consequência disso foi que boa parte das gráficas trabalhou com alguma ociosidade a partir do segundo semestre de 2011, período em que elas costumam rodar livros didáticos. Em dezembro, representantes dos empresários e dos trabalhadores foram ao Ministério da Educação expor a preocupação com o crescimento nas importações.
"Já estamos perdendo empregos", diz o presidente da Abigraf. A indústria gráfica investiu US$ 5 bilhões no Brasil nos últimos quatro anos. Um empresário paulista, que pediu para não ser identificado, conta que demitiu 300 empregados nos últimos dois meses, o equivalente a 25% no quadro de pessoal. Além disso, engavetou um projeto de investimento US$ 20 milhões previsto para este ano. "Eu estava comprando uma máquina de 64 páginas e agora não tenho mais condições", diz o empresário.
O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Wanderley Dias de Freitas, que participou de uma das reuniões com empresários e trabalhadores do setor, disse ao Estado que o órgão não tem informações diretas sobre aumento nas importações de livros didáticos.
Custo.
"A relação de contrato do CNDL é com as editoras e a impressão do livro didático não é uma questão nossa", argumentou Freitas. "Se a editora vai fazer a impressão no Brasil, na China, na Europa ou na América do Sul, é um problema dela."
O avanço das importações não aparece nas estatísticas oficiais porque não existe posição aduaneira específica para o livro didático. Mas a indústria gráfica tem algumas sinalizações sobre o tamanho da encrenca. Uma delas é que, até 2010, as importações de livros medidas em dólares e em toneladas caminhavam praticamente juntas. No ano passado, porém, a quantidade de títulos do exterior saltou 62%, para 31,1 mil toneladas, enquanto o crescimento em valor foi de apenas 27%, para R$ 175,8 milhões.
Na avaliação dos empresários do setor gráfico editorial, o descolamento se deve a um forte aumento na compra de livros didáticos, que custam bem menos que a grande maioria dos livros importados pelo País.
A presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, prefere não tomar partido no debate. Ela fez questão de ressaltar que a entidade defende os valores éticos do mercado, mas não interfere nas questões comerciais das editoras.
"Gostaríamos que houvesse menos importações em todos os segmentos, não só o livreiro, para o bem do desenvolvimento do Brasil". E acrescenta: "Sabemos que os editores estão buscando a possibilidade de impressão em outros países porque o custo Brasil é prejudicial nesse momento à produção nacional".
