terça-feira, fevereiro 21, 2012

A falta que faz uma política industrial com cara de Brasil.

Adelson Elias Vasconcellos

Talvez fosse mais adequado um título do tipo “Que falta faz um governo para o Brasil!”. Por diferentes ângulos, passamos nesta última semana analisando a perda de competitividade das indústrias brasileiras.  Se por um lado parte do empresariado pode ser responsabilizado pelas agruras do momento – sobre isso falaremos um pouco mais  - de outra parte, contudo, a grande parcela de culpa seja pela estagnação seja perda de espaço no mercado e externo, se deve a fatores provocados pelo Poder Público. E este, pro sua vez, a partir de 2003, com a chegada do PT ao Planalto.

Mesmo nesta edição, ainda temos lá a barbaridade que a burocracia é capaz de cometer contra a indústria nacional, quanto a exigências absurdas para que as empresas possam ser autorizadas a exportar.  E, mesmo que tenhamos demonstrado aqui a injustificada tarifa de energia elétrica que se cobra no Brasil, ainda voltaremos a este tema a partir de um estudo muito sério feito para comprovar os equívocos que se cometem na área de energia elétrica. Neste ponto, precisamos fazer um parêntese. Não foi a privatização culpada pelos equívocos.  Seria natural que desvios de rota se cometessem mas, para a correção, o governo FHC criou as agências reguladoras que poderiam agir para as adaptações necessários no modelo adotado.

Contudo, o governo petista do senhor Lula simplesmente destruiu a autoridade das agências, pulverizou-os com incompetentes, pelegos que apenas se apropriam dos cargos para o gozo dos privilégios, mas sem guardar a menor responsabilidade quanto aos resultados de sua gestão, pobre e inconsequente. O resultado é o que se vê por aí:  as agências perderam completamente a finalidade para as quais foram criadas, tornando-se meros cabides de empregos inúteis dos companheiros mais inúteis ainda. Mas o tema merece análise mais profunda e a ele retornaremos na primeira oportunidade.

Voltemos ao tema da perda de competitividade das indústrias brasileiras. Se o leitor se interessar encontrará no arquivo do blog inúmeras notícias de empresas nacionais que fecharam suas portas e foram instalar-se em outros países. Um absurdo. E isto continua acontecendo com maior frequência. As que não tiveram condições de levantar acampamento e ir embora, para sobreviverem estão, simplesmente, parando suas linhas de produção, e tornando-se meros importadores até de similares estrangeiros. Ou seja, o país adotou com o PT a tática de exportar indústrias e empregos. Como a tributação pesa, ao contrário de outros países com governos decentes, em maior incidência sobre o consumo e não sobre a renda, e ainda assim, sobre as maiores rendas porque se tributa imposto até sobre 2,63 salários mínimos – UM ACINTE VERGONHOSO! – enquanto o consumo se mantiver aquecido, a arrecadação  federal tende a se manter nos atuais níveis. Deste modo, não vê o governo nenhuma vontade de mudar a situação. Não liga à mínima para a injustiça social que ele próprio pratica.

Alguém alegará que os empregos da indústria estão sendo substituídos pelo comércio e serviços. Beleza, só que são empregos de menor gabarito, com menor qualificação e menor rendimento. Quem perde? Com certeza não é o governo. 

Há coisa de dez, doze anos, uma das grandes queixas dos consumidores eram que os produtos brasileiros eram muito caros. Cobrados, os empresários culpavam o câmbio, já que muitos componentes eram importados e o câmbio pesava sobre os prelos finais da produção. No caso da agropecuária se dizia que muitas culturas tinham seus preços fixados em dólar e, de novo, o câmbio era apontado como o vilão da história. Só que naqueles tempos com o dólar na casa de R$ 4,00 até fazia sentido. Mas como explicar hoje, com o dólar na faixa de R$ 1,70, os produtos tenham se encarecido mais? Ora, é simples, somente agora é que nos damos conta de que o peso maior sobre os preços é mesmo a alta tributação imposta a todos os produtos, indistintamente, desde o básico até o mais luxuoso.  Aliás, se procurarem bem perceberão que há muitos artigos de luxo com tributação menor que alguns itens básicos de consumo popular.

E esta é precisamente a notícia a seguir. Num país em que a leitura é hábito de muitos poucos, em que a escolaridade da grande maioria é de baixíssima qualificação, uma das razões da inúmeras distorções das práticas petistas de governar (ou desgovernar) já atinge a indústria do livro didático. Nos bancos escolares, os estudantes brasileiros estão estudando em livros impressos na China, Índia, Coreia, Colômbia e Chile. Por mais absurdo que possa parecer, mas esta, infelizmente, é a realidade, a dolorosa realidade brasileira. 

Assim, quando se acusa o governo de praticamente incentivar a desindustrialização e desnacionalização da indústria nacional, ainda tem ache exagero. 

Não há exagero na realidade que estende à nossa frente, a olhos vistos.  Senhores, não fosse a enorme competência da agropecuária brasileira, tão demonizada pelas Marinas da Silva e esquerdistas  empedernidos  em sua cegueira ideológica, e acreditem: estaríamos vivendo no vermelho já há muitos anos em nosso comércio exterior. Não só isso: é graças as divisas careadas por nossas commodities que o país formou este verdadeiro colchão de segurança que são nossas reservas internacionais, mantenedora de nossa estabilidade e capaz de resistir às crises que vem se acumulando pelo mundo, Estados Unidos e Europa, principalmente. 

Quando noticiamos aqui que os brasileiros que viajam para o exterior têm comprado de tudo, até sabão em pó, dado a brutal diferença de preços praticados entre o mercado brasileiro e o de outros países de primeiro mundo,  alguns podem até ficarem céticos diante do noticiário.  Já comprovou-se que o Brasil se tornou um país caro até os padrões de renda de países de primeiro mundo e este fato dia a dia mais fica claro.  Por aqui, vimos em reportagem da Folha de São Paulo que produtos tradicionalmente produzidos aqui dentro, para consumo interno, passaram, vergonhosamente a ser importados. São os casos, por exemplo, das importações de óleo de dendê que avançaram 414%, das compras de coco seco que subiram 172% e as de álcool, 1.058%, segundo o Ministério do Desenvolvimento. Sem falar nas cargas de feijão chinês e na evolução das importações de alumínio do país que possui a terceira maior jazida mundial de bauxita (minério de alumínio).  Relembre a reportagem clicando aqui.

Sobre a parcela de culpa dos empresários, não todos é claro, é  fato o apoio  a um governo que, além de incompetente e corrupto, por suas políticas equivocadas estão praticamente destruindo com a indústria brasileira. Enquanto este apoio se mantiver sem mudanças, não haverá com o que o PT se preocupar. A contrapartida é o caos que estamos assistindo. Como veremos, nem os livros didáticos usados em nossas escolas escapam da tragédia. Até quando?   

O diagnóstico é claro em apontar a real doença que afeta nossas indústrias. E elas são praticamente todas de responsabilidade do governo federal. Desculpas não faltam aos canalhas, as justificativas com que se desculpam são cretinas demais para serem aceitas. Está passando da hora dos empresários colocarem o governo sob pressão e exigirem maior compromisso com o que se construiu ao longo de décadas de muito trabalho, esforços e sacrifícios. O governo petista DEVE O GOVERNAR O BRASIL, e não seus vizinhos ou as ditaduras amigas das esquerdas. Porque, convenhamos, ter que importar livro didático para as escolas brasileiras, vai muito além da falta de vergonha. Representa a falta que faz o Brasil ter um governo para chamar de seu.

O texto a seguir Marcelo Rehder, para O Estado de São Paulo. 

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Brasil já importa até livro didático
Custo de produção local leva o País a ampliar compras de países como China e Índia, com prejuízos para o emprego no setor gráfico



SÃO PAULO - O avanço das importações chegou ao mercado de livros didáticos. Nos bancos escolares, os estudantes brasileiros estão estudando em livros impressos na China, Índia, Coreia, Colômbia e Chile.

Em 2011, editoras que fornecem material para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do governo federal, ampliaram em quase 70% as encomendas no exterior, estimam empresários da indústria gráfica. Os motivos são o câmbio e o custo Brasil.

Principal cliente para as gráficas do segmento editorial, o governo responde por 24,4% das compras de livros no País, que somam cerca de R$ 4,5 bilhões. No ano passado, o governo fez uma compra recorde de 170 milhões de livros didáticos para o ano letivo de 2012.

Segundo Fabio Arruda Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), as editoras foram às compras no exterior, com base no argumento de que as gráficas editoriais brasileiras não teriam condições de entregar todas as encomendas dentro dos prazos estabelecidos nos editais.

A consequência disso foi que boa parte das gráficas trabalhou com alguma ociosidade a partir do segundo semestre de 2011, período em que elas costumam rodar livros didáticos. Em dezembro, representantes dos empresários e dos trabalhadores foram ao Ministério da Educação expor a preocupação com o crescimento nas importações.

"Já estamos perdendo empregos", diz o presidente da Abigraf. A indústria gráfica investiu US$ 5 bilhões no Brasil nos últimos quatro anos. Um empresário paulista, que pediu para não ser identificado, conta que demitiu 300 empregados nos últimos dois meses, o equivalente a 25% no quadro de pessoal. Além disso, engavetou um projeto de investimento US$ 20 milhões previsto para este ano. "Eu estava comprando uma máquina de 64 páginas e agora não tenho mais condições", diz o empresário.

O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Wanderley Dias de Freitas, que participou de uma das reuniões com empresários e trabalhadores do setor, disse ao Estado que o órgão não tem informações diretas sobre aumento nas importações de livros didáticos.

Custo. 
"A relação de contrato do CNDL é com as editoras e a impressão do livro didático não é uma questão nossa", argumentou Freitas. "Se a editora vai fazer a impressão no Brasil, na China, na Europa ou na América do Sul, é um problema dela."

O avanço das importações não aparece nas estatísticas oficiais porque não existe posição aduaneira específica para o livro didático. Mas a indústria gráfica tem algumas sinalizações sobre o tamanho da encrenca. Uma delas é que, até 2010, as importações de livros medidas em dólares e em toneladas caminhavam praticamente juntas. No ano passado, porém, a quantidade de títulos do exterior saltou 62%, para 31,1 mil toneladas, enquanto o crescimento em valor foi de apenas 27%, para R$ 175,8 milhões.

Na avaliação dos empresários do setor gráfico editorial, o descolamento se deve a um forte aumento na compra de livros didáticos, que custam bem menos que a grande maioria dos livros importados pelo País.

A presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, prefere não tomar partido no debate. Ela fez questão de ressaltar que a entidade defende os valores éticos do mercado, mas não interfere nas questões comerciais das editoras.

"Gostaríamos que houvesse menos importações em todos os segmentos, não só o livreiro, para o bem do desenvolvimento do Brasil". E acrescenta: "Sabemos que os editores estão buscando a possibilidade de impressão em outros países porque o custo Brasil é prejudicial nesse momento à produção nacional".

Depois dos benefícios desfrutados, chegou a hora de pagarem a conta.

Adelson Elias Vasconcellos

Ninguém, com um mínimo de sensibilidade, fica imune ao que se passa em alguns países europeus. Ninguém de sã consciência fica satisfeita em perder empregos, em ver suas aposentadorias reduzidas, seus direitos e benefícios sociais sendo cortados à metade ou até extintos.

Contudo, com um pouco de reflexão a gente vê que muitos europeus viverem as últimas décadas à sombra de uma capacidade fictícia de bem estar. Muitas conquistas foram alcançadas mercê ao chapéu alheio, isto é, mediante a um crescente e irresponsável endividamento de seus países.  Poucos procuram corrigir a rota que se mostra à sua frente. Fecharam os olhos e trataram de aproveitar, caso dos políticos que imaginam que a farra jamais teria um limite. 

A crise financeira de 2008 se foi dolorosa por um lado, pelas consequências de quebradeira de bancos em série, e consequente desemprego, por outro, serviu para mostrar que a aparência de bem estar de muitas nações não passava de fantasia aventureira, sem guardar nenhuma ligação com a realidade. O bem estar que desfrutavam não era fruto da geração de riquezas de e sim dinheiro tomado no mercado dos “tais derivativos” que afundou em 2008. 

Alguns países como Alemanha, por exemplo, ao lado do bem estar de seu povo, há um compromisso sério de que os benefícios são produto direto do trabalho. É comum a gente ver sindicatos pleiteando redução de jornada de trabalho ao lado de conquistas com salários indiretos e benefícios variados, sem guardarem nenhuma relação com a geração da riqueza produzida.  

Não se enganem: se no Brasil não aproveitarmos a calmaria atual para realizarmos reformas urgentes tais como a previdenciária, a trabalhista, a tributária e política, os dias de hoje são o espelho do que viveremos amargamente mais adiante. É nesta aparente estabilidade e tranquilidade que vivemos, ainda distantes das crises que afligem europeus, que devemos aproveitar para promover verdadeiras revoluções internas capazes de dar rumo e sustentabilidade ao nosso desenvolvimento. Não há outro caminho.  Por mais difíceis que sejam as negociações em torno destas mudanças, e por muito impopulares que elas possam parecer, e são, não se duvida disto, contudo, é preciso que atual geração de governantes e políticos pensam no Brasil do futuro e não apenas olharem para seus próprios umbigos ou, a exemplo do PT, só tratarem de se perpetuarem no poder mesmo que o preço a pagar seja condenar as futuras gerações a sofrerem com a nossa omissão e desídia, tendo que enfrentar as mesmas aflições que os europeus padecem nos dias atuais. 

E atenção: não pensem que já não existam indicadores acesos de sinal de alerta. Portanto, há tempo suficiente para o país se preparar e se prevenir. 

Para que vocês tenham uma pálida ideia do que poderá ser o nosso futuro caso não façamos como devemos o dever de casa, segue reportagem do Jornal O Globo com informações da Agência Reuters sobre a situação calamitosa que vivem os espanhóis.  Que não tenhamos que administrar crises futuras, é melhor trabalharmos no presente. 

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Milhares de espanhóis protestam contra reforma trabalhista
Manifestantes temem que mudanças prejudiquem direitos dos trabalhadores

MADRI — Milhares de pessoas participaram de protestos em várias cidades da Espanha neste domingo contra uma reforma no mercado de trabalho que temem acabar com direitos dos trabalhadores e contra cortes de gastos que acusam de estar destruindo benefícios sociais.

Organizadores, incluindo as duas maiores entidades sindicais, a Comisiones Obreras e a UGT, afirmam que até 500 mil pessoas aderiram ao protesto em 57 cidades espanholas. Autoridades do país não forneceram a estimativa oficial de participantes.

Várias ruas de Madri ficaram lotadas de manifestantes de todas as idades, em um dos maiores protestos desde que a crise econômica começou, quase cinco anos atrás.

— Os contratos estão ficando piores a cada ano. Eles dizem que querem investir no futuro, mas estão cortando orçamento de pesquisa. Eles não estão olhando para o futuro, mas para próxima eleição, com os cortes sendo ditados por Bruxelas — disse o pesquisador universitário Nacho Foche, de 27 anos.

O novo governo conservador espanhol começou o mandato de quatro anos em dezembro com aumento de impostos e cortes de gastos avaliados em cerca de 15 bilhões de euros (US$ 19,74 bilhões) e precisa cortar mais cerca de 40 bilhões para cumprir com duras metas de déficit definidas pela União Europeia.

O governo também aprovou reformas no setor financeiro, que forçam bancos a reconhecerem perdas no setor imobiliário, e no mercado de trabalho, que garantem mais poderes para companhias contratarem e demitirem funcionários.

A quarta maior economia da zona do euro tem se mantido no olho do furacão da crise de dívida desde que o governo socialista registrou um dos maiores déficits orçamentários do bloco de países, deixando investidores preocupados com o risco de que governo tenha perdido controle sobre as finanças.

Os socialistas, derrotados na eleição de dezembro em meio à visão de falhas na condução da crise, promoveram grandes cortes de gastos e reformas enquanto a economia enfrentava problemas com o estouro da bolha do setor imobiliário e demanda doméstica em colapso.

O partido conservador, enquanto isso, afirma que sua reforma trabalhista, aprovada em 10 de fevereiro, dará a empresas em dificuldades maior espaço para se recuperarem da crise e para criarem empregos em um país onde quase a metade dos jovens está desempregada.

A Espanha tem a maior taxa de desemprego entre os países desenvolvidos (23%) e muitos espanhóis temem que o aumento de poder das empresas para decidir sobre a demissão dos trabalhadores, que agora custa menos às companhias, cause uma onda de demissões e contratos sem direitos trabalhistas.

— Se quisermos que a Espanha cresça e quisermos criar empregos, nós temos o que fazer o que temos feito — disse o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, durante o congresso anual do Partido Popular, neste domingo.

No mês passado, Rajoy foi flagrado dizendo, durante um evento Bruxelas, que a reforma trabalhista do país pode causar uma greve geral.

— Tem que haver uma greve geral. Eles disseram que cortariam os direitos dos trabalhadores para criar mais empregos. Eles cortaram os direitos, mas não disseram como planejam criar mais vagas — ressaltou o professor Alberto Carrillo, de 48 anos.

Democratizando o extremismo

Olavo De Carvalho, Mídia Sem Máscara 

Se você compra um Smith & Wesson calibre 22 e é contra o governo, você é um extremista. Mas se compra um fuzil-metralhadora, e é obamista devoto, está fora de suspeita.

O relatório do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos  (Homeland Securty) sobre o "extremismo de direita" – leiam em http://www.fas.org/irp/eprint/rightwing.pdf – é exemplo claríssimo de uma velha tática ditatorial: alertar contra um perigo hipotético, improvável ou inexistente para justificar a adoção de controles repressivos reais e imediatos.

 Desde logo, um movimento, um partido, um grupo, não pode ser definido como "extremista" ou "moderado" somente com base no diagnóstico que ele faz da realidade. O extremismo, assim como a moderação, só começa quando do diagnóstico se passa a alguma proposta de ação, a alguma estratégia pelo menos genérica e abstrata.

Por exemplo, se alguém diz que o capitalismo se baseia na exploração dos pobres pelos ricos, não se pode deduzir daí que ele pregue a destruição violenta do regime, ou muito menos que a esteja planejando. Uma mesma descrição de um estado de coisas é compatível com muitas propostas de ação diferentes, ou até com a recusa de oferecer propostas.

O crítico do capitalismo pode achar que o regime deve ser mudado pacificamente e por via democrática. Ou pode achar que o capitalismo, por pior que seja, é ainda preferível às outras alternativas. Pode até achar que não há nada a fazer, que a exploração dos pobres é um destino inelutável da humanidade.

O Homeland Security ignora essas distinções elementares e começa a carimbar os cidadãos com o qualificativo infamante de "extremistas" simplesmente com base na visão que eles têm da realidade, no modo como eles enxergam o que está acontecendo.

Ao longo de todo o relatório, não se vê uma menção sequer a alguma proposta de ação política radical ou violenta dos "extremistas de direita". Estes são assim nomeados porque não gostam da administração Obama, porque acham que a imigração ilegal é um perigo para o país, porque são contra algum programa de "proteção às minorias" ou contra as legislações de controle de armas e, last not least, porque acreditam que há um governo mundial em formação, arriscando debilitar a soberania americana.

São puros delitos de opinião, dissociados de qualquer plano, veleidade ou sonho de ação concreta, seja "extremista", seja mesmo "moderada". Por esse critério, nenhum americano conservador escapa da classificação de "extremista". Quais, então, devem ser vigiados e, eventualmente, presos? Onde toda uma faixa da população está criminalizada a priori, o governo está livre para selecionar os suspeitos conforme as conveniências políticas do momento.

A política anti-extremista do Homeland Security começa a se parecer com a legislação fiscal e trabalhista do Brasil, calculada para colocar na ilegalidade todos os empresários, sem distinção, de modo que, nas diversas contingências da política, o governo se sinta à vontade para escolher quais lhe convém prender ou deixar à solta.

A única ação a que o relatório alude por alto não é política: consiste em comprar armas e munições. O próprio governo federal estimula o povo a fazer isso, na medida em que se recusa a agir decisivamente contra a imigração ilegal e, por outro lado, anuncia a cada momento novas medidas restritivas contra a posse de armas pelos cidadãos.

Essa conduta oficial induz cada americano a imaginar o que será da sua família quando sua casa for invadida por ilegais armados e ele não tiver sequer um 38 para se defender. O resultado é uma corrida às lojas de armas, que o mesmo governo, então, aponta como sinal de extremismo galopante. Como, porém, o relatório admite que o impulso de se armar é crescente não só entre os "extremistas" mas também entre os "cidadãos honestos", resta a pergunta: como distinguir estes daqueles?

O próprio relatório fornece a resposta, ao menos implicitamente: é preciso cruzar os critérios, articulando a compra de armas ao perfil de opinião.

Se você compra um Smith & Wesson calibre 22 e é contra o governo, você é um extremista. Mas se compra um fuzil-metralhadora, e é obamista devoto, está fora de suspeita.

Qualquer semelhança com a política nazista, que reprimia a posse de armas pelos cidadãos comuns, mas favorecia a emissão de licenças para os membros e simpatizantes do partido, é mera coincidência, não é mesmo?

Ou vocês são por acaso "teóricos da conspiração", portanto suspeitos de extremismo?

Para tornar as coisas um pouco mais sombrias, o presidente aprovou em 31 de dezembro passado, aproveitando a distração geral de fim de ano, um decreto que permite ao governo prender e manter preso indefinidamente, sem processo nem habeas corpus, qualquer suspeito de terrorismo (v. http://thinkprogress.org/security/2011/12/31/396018/ breaking-obama-signs-defense-authorization-bill/?mobile=nc).

Com aquele seu típico ar de candura,  no qual só mentes demoníacas enxergariam uma ponta de malícia, Obama assinou o decreto ao mesmo tempo que prometia não permitir sua aplicação. As mentes demoníacas começaram a perguntar: "Então por que aprovou, em vez de vetar?". Mas ainda não obtiveram resposta.

Como o Homeland Security inclui na lista de suspeitos virtuais de terrorismo quem quer que estoque alimentos para mais de uma semana (o que no temor geral de uma crise já virou epidemia), está claro que, uma vez carimbado como extremista, basta o sujeito fazer uma compra mais fornida no Walmart para sofrer um upgrade no catálogo, passando à categoria de terrorista.

Para metade da população americana, vai ser difícil escapar dessa. É claro que o governo não vai prender todo mundo. Vai prender, e manter na cadeia indefinidamente, quem bem lhe interesse.

Intromissão canalha dos agentes da morte internacionais

Comentando a Notícia

No texto a seguir, do Jamil Chade, para O Estado de São Paulo, há um número assustador. Nele se informa que a ONU, através de alguns ditos “peritos”, pressiona o governo brasileiro sobre a política sobre o aborto, dizendo não ser admissível conviver com 200 mil mortes/ano de mulheres vítimas de abortos clandestinos.

De onde é que saem estes números, meu Deus? Há limite para tudo, até para a chutometria. Qual levantamento, ou pesquisa, com um mínimo de seriedade, aponta esta estatística macabra? 

É evidente que se trata de uma mentira descarada, para apoiar a ideia de parte minúscula da sociedade que quer, por que quer, liberar o aborto, ou melhor, o assassinato em massa.

Querem ver? Então vamos lá: o Governo trabalha com a estimativa de 200 mil mortes de mulheres/ano, número sobre o qual se baseia a crítica da ONU contra o Brasil. Contudo a mentira não prospera. Segundo a tábua da vida do IBGE, entre 1998 e 2008 morreram em média 87 mulheres/dia na faixa etária de 15-39 anos. Ou seja, morreram 31.755 mulheres/ano, na faixa etária em que, provavelmente, os abortos seriam mais comuns. Além disso, 78% das mortes nessa faixa etária são contabilizadas pelo IBGE como sendo resultado de causas naturais. Pergunta: eu entendi errado ou Governo está inventando mortes para justificar sua política em favor do aborto?

Assim, quem repassou para os “especialistas” da ONU aquela montanha de abortos inventados? 

Por outro lado, creio que a turma da ONU favorável à legalização indiscriminada do aborto, imagina que o Brasil seja um país de quinta categoria. Em certos aspectos, até somos e parecemos. Mas nunca do ponto de vista institucional. Primeiro, o Estado não manda na sociedade. Quem não quer o aborto é a maioria da população brasileira. Ponto. 

Ora, nesta terra não prosperam leis feitas de forma arbitrária. Elas precisam ser aprovadas no Congresso que até pode não aceitar iniciativas do Executivo, quando tais iniciativas são repelidas pela sociedade. Assim, mesmo que o Executivo “quisesse” impor sua vontade, a reação adversa seria enorme e, duvido, que o Congresso se posicionasse contra a vontade da maioria. Nem nos Estados Unidos especialistas da ONU, agentes da matança, conseguem impor suas ideias, quanto cobrar do governo americano de forma tão agressiva uma tomada de posição quanto ao aborto. Alguns estados liberam outros não. 

Aqui, o próprio Estado já se posicionou, e o fez por vontade da maioria de seu povo. A lei sobre aborto se mantém como está. Ponto de novo.

Contudo, considerando a questão sob o ponto de vista de saúde pública, a recomendação expressa é de que nenhuma mulher deixará de ser atendida adequadamente por consequência de aborto. O ato em si, será de pura consciência individual de cada mulher, mas o atendimento aos problemas derivados deste ato estarão e são cobertos pela rede pública de saúde.

Além do mais, a mulher brasileira, por mais que seja sensual, não é uma prostituta que se entregue ao sexo de forma promíscua. Sendo assim, cabe ao Estado implementar políticas de orientação tanto para que se evite esta promiscuidade, quanto a mulher, tanto quanto seu parceiro, pratiquem sexo de maneira segura, seja para evitar a transmissão das DST’s quanto para evitar gravidez indesejada. 

Deveria a senhora Eleonora defender de maneira firme a posição tanto do Estado quanto da própria sociedade. E desmentir de maneira categórica as estatísticas falsificadas das “especialistas” da ONU. Por que esta gente não vai se meter nos confins do continente africano, onde tantas regiões vivem verdadeiros dramas sociais, por conta da violência a que a mulher é submetida? Por que não vão ao mundo muçulmano defender abertamente o aborto e a mulher é submetida a um regime de semiescravidão? Isto sim elogiável, e não vire se imiscuir em assuntos internos de um país como o Brasil. Gente ridícula!!!!  

Menos mal que o Ministro da Saúde se apressou em contestar os números sobre os quais os “especialistas” da ONU se apressaram em criticar o Brasil. Mas, convenham, dada a crítica que se lê no texto abaixo, é pouco, muito pouco diante da mentira e da intromissão indevida e cretina de quem, ao que parece, não tem coisa mais útil para fazer. 

Está na hora do Brasil dar uma resposta dura a estes agentes da morte. Mas como esperar que, com uma Secretaria que apoia abertamente o assassinato de bebês, o país conseguirá mandar os “tais peritos” macabros da ONU às favas? Eis a hora para o governo começar a falar grosso com esta gentalha!

O texto sobre a importação de livros didáticos é de Rodrigo Burgarelli, para o jornal  O Estado de São Paulo.

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ONU critica legislação brasileira e cobra país por mortes em abortos de risco
Entidade destacou o fato de 200 mil mulheres morrerem em cirurgias clandestinas anualmente

GENEBRA - O governo de Dilma Rousseff foi colocado nesta sexta-feira, 17, contra a parede pelos peritos da ONU, que acusam o Executivo de falta de ação sobre a morte de 200 mil mulheres por ano por conta de abortos inseguros e pedem que o País supere suas diferenças políticas e de opinião para salvar essas vítimas.
A entidade realizou seu exame sobre a situação das mulheres no Brasil e não poupou críticas ao governo. "O que é que vocês vão fazer com esse problema político enorme que tem?", cobrou durante a plenária a perita suíça Patricia Schulz.

Para os especialistas da ONU, a criminalização do aborto está ligada à alta taxa de mortes por ano.

Pressionada domesticamente pela CNBB e parte do Congresso, a ministra da Secretaria de Políticas para a Mulher, Eleonora Menicucci, em suas cinco horas de debates em Genebra, não concedeu mais de dois minutos para tratar do assunto. Um dia antes da reunião, a nova ministra disse que não abria mão de suas convicções pessoais em relação ao aborto. Mas garantiu que apresentaria à ONU as "diretrizes do governo".
Nesta sexta-feira, ao ser pressionada pelos peritos, limitou-se a dizer que o tema não era do Palácio do Planalto. "Essa é uma questão que não diz respeito ao Executivo, mas sim ao Congresso. Há um projeto de lei em tramitação e sabemos da responsabilidade de prevenir mortes femininas e maternas ", se limitou a dizer. No início de março, a entidade publicará suas recomendações ao Brasil, a partir do que escutou.

A ministra admitiu que o aborto estava entre as cinco principais causas de mortes de mulheres no Brasil, enquanto uma representante do Ministério da Saúde indicou que existem em funcionamento 60 serviços credenciados para realizar abortos dentro da lei e que essa rede será ampliada.

A resposta não convenceu os especialistas, que apontam que a divisão na sociedade brasileira sobre como tratar do aborto não pode ser motivo para permitir que as mortes continuem ocorrendo.

Os peritos da ONU insistem que não são a favor ou contra o aborto. Mas alertam que, seja qual for a lei em vigor no Brasil, a realidade é que milhares de mulheres estão morrendo a cada ano por conta dessas práticas e o estado precisa fazer algo. "As mulheres vão abortar. Essa é a realidade", disse Magaly Arocha, uma das peritas. "O comitê da ONU não pode defender o aborto. Mas queremos que o estado garanta que mulheres possam velar por suas vidas", disse.

A tentativa de Eleonora de jogar a responsabilidade para o Congresso não foi bem recebida. "Perdão. Mas não estou entendendo. Não está claro para mim qual a posição do governo. Não está claro se o Executivo e o Congresso vão na mesma direção. O que queremos saber é a posição do estado brasileiro, que é quem está sendo avaliado ", cobrou Arocha.

Schulz foi ainda mais enfática. Ela lembrou que, em 2007, a ONU já cobrou do Brasil que a criminalização do aborto fosse revisada pelo governo. "Mas lamentavelmente não vimos progressos e os esforços fracassaram", declarou. "Essa é uma questão muito preocupante. São 200 mil mortes por ano e essa alta taxa tem uma relação direta com a criminalização do aborto", disse.

"O código penal brasileiro é muito restritivo e, mesmo em casos legais, médicos temem conduzir os procedimentos", afirmou, acusando a polícia de também maltratar vítimas de abusos sexuais,Schulz, uma das especialistas europeias de maior renome no campo dos direitos das mulheres, também destacou que, apesar de haver a possibilidade de abortos legais no Brasil por risco de vida da mãe e por estupro, o número de casos registrado chega a apenas 3 mil por ano. "Enquanto isso, existem 1 milhão de casos ilegais e 250 mil mulheres sendo internada por complicações", alertou. "O que é que o governo está fazendo para humanizar essa situação ?", cobrou, lembrando que a camada mais pobre das mulheres é a que mais sofre. "A classe média e rica sempre vai encontrar boas soluções", disse.

Projeto. Outra critica levantada pela ONU foi em relação ao Estatuto do Nascituro, que tramita na Câmara. "Uma mulher não pode ser apenas o barco onde o feto cresce", disse Shulz. "Não se pode dar total prioridade ao bebê e deixar de lado a saúde da mulher", declarou.

"Se o Congresso aprovar isso, lamentavelmente estaremos fazendo um tremendo retrocesso nos direitos reprodutivos", declarou Arocha.

Mais uma vez, Eleonora optou por uma resposta vaga. "O projeto do Estatuto não saiu da secretaria. Saiu do Parlamento", disse, passando a palavra para a representante do Ministério da Saúde. Para o órgão, o governo já deu sete pareceres contra o projeto de lei. Mas admite que ainda assim o Estatuto tramita no Congresso.

A estupidez do Senado

Comentando a Notícia

A ideia não é nova. Há muito tempo que alguns “especialistas” e “estudiosos” tentam impor uma estupidez ao país, entendendo eles que se teimosia vingar, nossos problemas com drogas sumirá num passe mágica. Na verdade, ao contrário do que esta gente imagina acontecer, o que veremos é a disseminação de drogas feito epidemia.

O mundo todo sofre com o problema das drogas. Houve na Holanda a tentativa de liberar áreas confinadas para o consumo de drogas. Pouco a pouco, contudo, os holandeses estão revendo esta liberalidade, justamente porque ela provocou o oposto do que se imagina quando de sua adoção. O Brasil, ao invés de aprender com a experiência dos outros, tenta seguir o caminho inverso: tenta colar sua tese estúpida por achar que somos melhores que os outros.

Precisamos, de uma vez por todas, achar que, para grandes e graves problemas, bastam soluções simplistas. Combate ao tráfico e ao consumo de drogas, não é um trabalho fácil e de curto prazo. E isto o mundo todo tá redondo de saber. Por que por aqui seria diferente?

O Senado, sempre distante da realidade do país, acaba de inventar uma estupidez que só na cabeça de seus estúpidos criadores seriam capazes de acreditarem que dará certo.  Doravante,  os chamados “pequenos traficantes” não serão presos. E por que se comete tamanha sandice? 

Vejam só: em 2006, o próprio Senado aprovou uma lei que tinha por objetivo tornar mais rigorosa a pena para os traficantes.  A lei de entorpecentes ficou famosa por endurecer as punições a traficantes – a pena mínima para o tráfico subiu de 3 para 5 anos, por exemplo – enquanto abrandava as penas voltadas aos usuários de drogas. Até aí, tudo bem.  Ocorre que havia no texto um dispositivo que convertia a pena de prisão para os pequenos traficantes em penas alternativas que o STF entendeu ser inconstitucional. E aí o que faz o Senado? Se a pena não pode ser mais branda, então não se emprega penalidade alguma. COMO É QUE É?!?!?!

Só um arrematado imbecil para achar que o tráfico de drogas direto ao consumidor é feito por grandes traficantes. A droga chega aos usuários justamente pelo comércio pequeno de pequenos traficantes. Tanto é assim que muitos cuidam de andar de posse de pequeníssimas quantidades justamente para, enquanto de ser flagrado pela polícia, alegarem que se tratam de drogas para consumo próprio, já que para o usuário não há penalidade alguma na legislação. 

Ou seja, o Senado acaba decretando, por vias tortas e imbecis, a liberação de drogas no território nacional. Chegará o dia em que o mesmo se fará em relação a assassinos. Se matar pouco, uns dois ou três, liberdade. Só haverá prisão para assassinos contumazes, reincidentes. É um absurdo!!!!!

Ou acaso os estúpidos senadores que aprovaram esta idiotice entendem que pequenos traficantes sejam formados por meia dúzia de marginais! Santo Deus, quando é que esta politicalha acordará para a realidade do país, e se dedicará a legislar não para liberar o crime, como agora, e sim, para torná-lo menor, coibindo-o de maneira drástica e objetiva. Já chega que pena de prisão só pode durar 30 anos! 

Acredito que os grandes traficantes e produtores de drogas estejam doidos para irem ao Senado para agradecerem pessoalmente os idiotas pela “medida”. Talvez só não o façam para manter a pureza de suas drogas, e não misturá-las com outras, de péssima qualidade, capazes de depreciarem seus produtos...

Por outro lado, está se criando um perigoso clima de liberou geral, dada a negligência do Poder Público em relação ao sistema carcerário, em situação de total indigência. Houvesse um sistema penitenciário em condições menos humanas como o nosso, e por certo este clima de se trocar penas alternativas em lugar de prisão para crimes pequenos, por certo não vingaria com tamanha e perigosa facilidade. Tudo bem que se releve o roubo de um pote de margarina ou de um pedaço para mitigar a fome de quem vive uma situação desesperadora, mas não se pode relativizar outros delitos. Assassino de um, ou de muitos, não sendo em legítima defesa, não deixa de ser crime contra à vida. Assaltar o mercado da esquina, ou a luxuosa loja de joias de um centro comercial, não deixa de ser crime que provoca além dos prejuízos materiais, dano moral e traumas que, muitas vezes, acompanharão as vítimas por toda a vida. 

Mas será que já não nos bastam os atuais e alarmantes índices de violência? Violência que, diga-se a bem da verdade, é crescente e com graus de brutalidade cada dia mais animalesco. Não há mais paz em lugar algum do país. No Nordeste, que vem experimentando um crescimento cada vez maior da renda da população, com programas de inclusão e distribuição de renda é prova insofismável de que a criminalidade é fruto não da condição social de pobreza como se quis fazer crer durante muitos anos. 

A criminalidade se sente, a cada dia, mais audaciosa ao encontrar com o terreno fértil da impunidade. Quanto mais condescendentes formos para com o pequeno criminoso, mais criminoso ele tende a ser, justamente pelo incentivo extra que a legislação lhe oferece. O sujeito pode viver tranquilamente a vida inteira deliciando-se no crime, cometer mais de 100 infrações, sem nunca sequer ser perturbado dado que somente cometerá “pequenos crimes”. 

Assim, o pequeno traficante poderá viver tranquilamente vendendo drogas, sempre em pequenas quantidades, sem se preocupar em ser incomodado. Senhores, o que caracteriza um criminoso, não é  o tamanho do delito, mas a sua reincidência. É a quantidade de infrações que o tornará um ser perigoso para a sociedade. 

É de esperar que a sociedade dê seu grito de indignação à medida adotada pelo Senado. Não é a liberalização que reduzirá o tráfico, pelo contrário.  Em relação ao crime não existe condescendência que dê jeito, isto está mais do que provado. A repressão deve ser contínua, e a punição exemplar. Ou será que os estúpidos que aprovaram  a medida, legislaram em causa própria?

Mau exemplo – 
Mas não é somente o Senado que precisa ser enquadrado. O Judiciário não escapa de suas mancadas. Aqui, o bandido de toga, ao invés de ser punido, é muito bem premiado, como lembra o Elio Gaspari em sua coluna no jornal O Globo.

Mestre Tourinho
O desembargador Tourinho Neto, membro do Conselho Nacional de Justiça, acha que os juízes estão sendo encurralados pela exibição da contabilidade de alguns tribunais: “O juiz desonesto deve ser punido, mas não é assim que a imprensa está fazendo. Precisamos de associações para lutarmos contra essa imprensa marrom”.

Numa trapaça do destino, na mesma sessão, por 12 a 2, o Conselho aposentou compulsoriamente o desembargador Roberto Wider, do Tribunal de Justiça do Rio. Em 2009, os repórteres Chico Otavio e Cássio Bruno informaram que o doutor facilitava a vida de amigos em nomeações para cartórios e litígios imobiliários. No ano seguinte, Tourinho Neto relatou o processo de Wider e defendeu sua absolvição.

Sem imprensa e sem o CNJ, nada disso teria acontecido.

A seguir o texto do Estadão sobre a mais nova estupidez do Senado.

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Pequeno traficante não vai mais para prisão
Nova resolução suspende trecho da lei que proibia trocar cadeia por pena alternativa

Uma resolução do Senado publicada nesta semana abriu brecha para que pequenos traficantes possam cumprir penas alternativas, em vez de ficar na prisão. O ato suspendeu um trecho da legislação de entorpecentes que proibia a conversão do cumprimento de pena na cadeia nos casos de tráfico de drogas em punições mais leves, como a prestação de serviços comunitários. A decisão foi tomada a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu que essa proibição da troca de penas era inconstitucional.

Aprovada em 2006 pelo Congresso e envolta em polêmicas discussões, a lei de entorpecentes ficou famosa por endurecer as punições a traficantes – a pena mínima para o tráfico subiu de 3 para 5 anos, por exemplo – enquanto abrandava as penas voltadas aos usuários de drogas.

O objetivo era combater o tráfico e, ao mesmo tempo, focar na recuperação do usuário. A nova resolução, porém, relativiza essas diferenças, permitindo que pequenos traficantes que sejam réus primários com bons antecedentes e não tenham vínculos comprovados com organizações criminosas também possam prestar serviços comunitários, de acordo com o julgamento de cada caso.

O STF já havia decidido em alguns casos que penas alternativas poderiam ser aplicadas aos traficantes – o entendimento é de que a Convenção Contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e de Substâncias Psicotrópicas, ratificada pelo Brasil em 1991, é de hierarquia superior à lei e permite a adoção de sanções mais brandas. Agora que a resolução do Senado foi editada, todos os juízes estão obrigados a seguir esse entendimento – o que causou polêmica entre juristas, advogados e magistrados. "Isso é um desserviço ao combate ao tráfico. Estamos vivendo uma situação muito difícil, porque as penas restritivas de direitos são extremamente benevolentes", afirma o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo José Damião Cogan.

Segundo ele, a possibilidade de reduzir a pena de traficantes não é necessariamente ruim, mas deve ser usada com "parcimônia". "Conheço dois ou três juízes que aplicam penas mínimas sempre, não só em casos excepcionais. Vedar as penas restritivas foi longe demais. Acho que, do jeito que as coisas estão crescendo no Brasil, com droga a gente não pode brincar."

Liberais. 
Advogados e juristas que defendem a diminuição das prisões por causa de crimes mais leves, por outro lado, são favoráveis à mudança. "Defendo plenamente a conversão da pena em casos específicos. Quando são pequenas quantidades de drogas e não se trata de um traficante conhecido ou que tenha tido condenações reiteradas, a pena alternativa de prestar serviços à comunidade acaba sendo mais útil tanto ao próprio condenado quanto à sociedade", rebate o advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.

Para ele, a pena de prisão deve ser exclusiva para quem causa graves riscos à sociedade. "A prisão pode ser uma escola do crime para pequenos traficantes sem antecedentes."

Haddad se surpreende com as críticas ao seu kit heterofobia! Mas ele bem que merece.

Comentando a Noticia

A presidente Dilma, no discurso de posse da sua nova Secretária de Políticas para as Mulheres, disse que a escolha se dera pelo conjunto da obra da escolhida, muito embora esta obra contrarie frontalmente ao que a então candidata anunciara como programa de seu futuro governo, isto é, que não mexeria na legislação que regula o aborto no Brasil. 

Quando qualquer cidadão se candidata a um cargo eletivo, na vitrine de sua exposição de campanha, o que pode oferecer é justamente a sua obra, seu passado, suas ideias e projetos que pretende levar adiante caso seja eleito.

Fernando Haddad, virtual candidato petista à Prefeitura de São Paulo, antes um desconhecido da população, só passou a luzir no horizonte da vida pública a partir de sua condução ao Ministério da Educação no Governo Lula. Assim, nada mais natural que sua atuação à frente do MEC sirva de vitrine para aquilo que o candidato pode ou não fazer à frente da maior cidade brasileira. Neste sentido, foi sua a iniciativa de criar um kit anti-homofobia como foi chamado, que seria distribuído nas escolas públicas pelo país. 

Ora, se o kit era ou não conveniente, isto nem vem ao caso, muito embora seja importante avaliar seu conteúdo e qualidade. Mas,  no momento, o que interessa mesmo é que o kit, assim como o ENEM, são obras das quais o ex-ministro não pode fugir nem sequer negar a autoria. 

Ele esperava o que, que os eleitores ignorassem o conjunto de sua obra, e apenas se atentassem às promessas de campanha? É do jogo, senhor Haddad, que o passado dos candidatos sejam explorados à exaustão pelos demais concorrentes. Assim, tanto o ministro fará uso de críticas às administrações anteriores da Prefeitura apresentando, em contrapartida, propostas que venham solucionar os problemas atuais. É bom o ministro preparar-se: para quem tem telhado de vidro,   não se aconselha que atire a primeira pedra.

Impressionante, por outro lado, é a incapacidade desta para dialogar e receber críticas. Melindram-se facilmente quando contrariados. Debater, para esta gente, é eles falarem, falarem, e os outros comportarem-se como frenética claque. Logo partem para desqualificação de seus opositores, quando não para a intimidação. É precisamente o que faz e fez o senhor Haddad. Contudo, obscurantismo é querer esconder da sociedade aquilo que o ex-ministro  fez e que a sociedade repudiou. Pessoas perturbadas talvez seja o caso do próprio Haddad, com as críticas corretas ao seu kit que, claramente, se tratava de verdadeira apologia ao homossexualismo quando dirigido a uma maioria composta de crianças e jovens que se compõem de heterossexuais em quase sua totalidade. Saia do armário, e se assuma, cara pálida!!!  Assuma sua própria obra e não se esconda, e pare de agredir o bom senso das pessoas. Não somos imbecis, pelo menos a imensa maioria do povo brasileiro. 

O texto é Adauri Antunes Barbosa, para O Globo.

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Fernando Haddad critica uso eleitoral de kit anti-homofobia

Para ex-ministro, debate deve abordar direitos humanos e não estimular a violência

SÃO PAULO - Pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad reagiu nesta quarta-feira a ameaças políticas da chamada bancada evangélica no Congresso Nacional e aos ataques ao kit anti-homofobia encomendado pelo Ministério da Educação quando era titular da pasta. Haddad alertou para as consequências da polêmica, como a liberação da violência - “forças obscurantistas” em “alguns indivíduos perturbados”.- Muitas vezes as pessoas não se dão conta de como esse tipo de abordagem libera, não que elas queiram promover a violência. Mas não se dão conta de quanto isso libera em alguns indivíduos perturbados forças obscurantistas que acabam comprometendo a integridade física de cidadãos. O que lamento desse debate é a não percepção de que, muitas vezes, ao não abordar adequadamente a questão dos direitos humanos, você acaba, sem querer, promovendo uma violência que é crescente no país contra as pessoas com outra orientação sexual. É a única ressalva que faço, a única preocupação que tenho - afirmou o ex-ministro da Educação, depois de participar de um encontro com trabalhadores no Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

Sobre o risco de essas críticas atrapalharem sua campanha pela prefeitura de São Paulo, o petista afirmou que a verdade vai prevalecer.

- Ninguém tem compromisso com a mentira. A verdade prevalecendo, não tem o que se temer - afirmou.

Para a família da vítima só críticas, mas para o assassino nem um pio

Adelson Elias Vasconcellos

Para a Secretária de Direitos (?) Humanos, Maria do Rosário, só faltou acusar a vítima de corromper o assassino. No mais, se meteu a deitar uma falação estúpida contra a família da vítima, isto para se dizer pouco. 

Alias, no governo petista, apologias para crimes variados é fato corriqueiro. Então vamos por partes. No país em que se tenta condenar os pais, criminalizando a palmada corretiva, em que o governo quer até dar pitaco em comercial de biscoito, seria  de se esperar que os direitos humanos fosse, de fato, uma das prioridades na sua arte de governar. Será?

Ora, os mesmos protagonistas e seus coadjuvantes que querem se intrometer em querer impor o Estado em substituição da sociedade, fica impossível levar fé nos mesmos atores que logo defendem governos ditatoriais, como tem se feito desde 2003. Desfilam na galeria dos “muy” amigos destes pobres de espírito personagens como Hugo Chavez, Rafael Correa, Evo Morales, Fidel e Raul Castro, Ahmadinejad, dentre outros ilustres tiranos. Então, digam lá, que autoridade moral tem esta gente para criticar a família da menina Eloá feita refém e assassinada de forma premeditada, fria e brutalmente, por um desmiolado que não aceitava o final do namoro.

Acaso a dona Maria do Rosário gozou, em algum momento da intimidade daquela casa, para sair de maneira afoita e infeliz a julgá-los de modo tão cretino? Claro que não, só que é raro encontrarmos petistas criticando a bandidagem. A senhora Secretária que se diz de Direitos Humanos não pronunciou uma única palavra contra o assassino, nenhumazinha que fosse. Arvorou-se de uma falsa moral para atacar a família da vítima por ter permitido o namoro com aquele que se transformaria em seu algoz. 

Contudo, foi reconhecido pelo próprio Lindenberg que a família não concordava com o namoro. Ora, para quem tem filhos na idade em que Eloá começou a namorar (e não fazer sexo como afirmou Maria do Rosário) sabe o quanto é difícil impedir que adolescentes acatem as restrições que os pais tentam impor-lhes, justamente para evitar que mal maior aconteça. Por mais argumentos lógicos que se apresentem, há filhos que se cegam e ensurdecem contra as recomendações que visam a segurança e bem estar deles próprios. Quantos, de maneira furtiva,  se comportam na contramão destas recomendações?! E quantas tragédias se repetem justamente por conta destas  desobediências! 

Não, dona Maria Rosário, cuide de criticar, por exemplo, o governo do qual participa pela permissividade mais do que abusiva quanto aos crimes de corrupção e desvios de recursos públicos, que seu próprio partido evita serem investigados no Congresso, recusando qualquer tentativa de instalação de CPI para apuração de delitos variados, quando os alvos são companheiros do partido da ministra. É esta permissividade envolta em impunidade que contamina a sociedade como um todo, e só faz aumentar a bandidagem em seus diferentes níveis de violência.

São críticas estúpidas contra as vítimas, muito comum em personagens petistas, que incentivam os criminosos na reincidência de seus delitos com a certeza de que não serão punidos, porque para o governo petista, invariavelmente, se houver crime, tal como nos romances policiais em que o culpado é sempre o mordomo,  o culpado por aqui será sempre a vítima. Num país em que o detento recebe auxílio reclusão superior ao salário mínimo que é fixado para o trabalhador honesto, em que tantos se preocupam com os direitos dos criminosos e bandidos, condenando-se suas vítimas a completo esquecimento, exceção feita às vítimas travestidas de autoridades, como vimos semana passada em Brasília quando se abriu investigação especial pela morte do filho do presidente EMBRATUR. Nos hospitais públicos morrem centenas de brasileiros sem que mereçam destas mesmas autoridades sequer a menor atenção pelo descaso, pela omissão de socorro, pelo abandono, e até pelo erro médico!

Assim, até pelo cargo que ocupa, deveria a senhora Maria do Rosário preocupar-se com as vítimas da violência que o governo da qual participa tem se mostrado incompetente para combater. Aliás, saliente-se que, a exceção de Rio de Janeiro e São Paulo, desde 2003 quando o PT assumiu o poder federal, a criminalidade só tem feito aumentar em todas as regiões do país. Cumprisse o governo do qual participa, minimamente, com seus deveres para com a sociedade e da qual extorque bilhões em impostos todos os anos, e muito provavelmente tragédias como a que vitimou a jovem Eloá seriam raridade no Brasil, e até evitadas; houvesse  preocupação le3gítima do governo com uma política decente em favor da segurança e da proteção à vida, e menos em praticar apologia ao aborto e às drogas e proteção aos criminosos, o país não estaria infestado de  bandidos praticando violência por atacado, andando e agindo tão livremente como se vê! Fosse direitos humanos, de fato, uma preocupação maior deste seu governozinho irresponsável, e teria   mandado de volta para Itália para cumprir a pena a que foi condenado, o senhor Cesare Battisti responsável por quatro homicídios. Direitos humanos num governo que negou asilo  e se apressou em devolver dois pugilistas cubanos que buscaram fugir da ditadura cubana, em 2007, sem que contra eles pesassem um delito de pequeno que fosse. Conta outra, minha senhora!

Então, dona Maria Rosário, com que moral você se apresenta agora, na qualidade de responsável por direitos humanos do governo petista, cujo passado o condena justamente pelo reincidente desrespeito aos direitos das pessoas honestas, e abrigo e proteção à bandidagem na qual poderíamos incluir   a cumplicidade de seu partido com os vigaristas e bandoleiros dos MSTs da vida?

Deste modo, que a Secretária recolha-se à sua insignificância e limpe a boca antes de criticar vítimas da violência no país, violência que seu governo não combate, e mais, que se abstenha de criticar pessoas honestas e trabalhadoras.  

Segue o texto sobre as declarações estúpidas e inoportunas de quem deveria cuidar das vítimas da criminalidade, mas que tem atenção concentrada em atacar suas famílias, não menos vítimas pela dor e sofrimento que a perda de um ente querido lhes impõe. É muita falta de consciência, de respeito e sensibilidade! É muita falta, em suma, de DIREITOS HUMANOS.

O texto é de Demétrio Weber, para jornal O Globo.

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Ministra Maria do Rosário faz criticas à família de Eloá
Ela aproveitou a ocasião para fazer um alerta sobre sexualidade precoce

BRASÍLIA - A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, criticou neste sábado a família da estudante Eloá Pimentel, assassinada em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves. O alvo da ministra foi o consentimento dos pais de Eloá para que a filha iniciasse o namoro quando tinha apenas 12 anos e o rapaz, 19. Lindemberg assassinou Eloá três anos mais tarde, em 2008, num crime que chocou o país, e foi condenado a 98 anos de prisão na última quinta-feira. Para Maria do Rosário, as famílias precisam proteger suas crianças, o que passa por maior zelo para em relação à sexualidade precoce.

- Vejam, por exemplo, o que é a morte da menina Eloá. Uma situação absurda, que revolta o povo brasileiro. Mas, em todos os noticiários, nós vimos que aquele que matou a Eloá entrou na sua casa e pediu a autorização para a sua família quando ela tinha 12 anos. Será que é possível que os pais e mães não estejam atentos, que com 12 anos, enfim, não é possível que as meninas, que os meninos estejam sexualizados precocemente? - disse Maria do Rosário.

Ela visitou a central de atendimento telefônico do Disque Direitos Humanos (Dique 100), que recebe denúncias de todo tipo de violência contra crianças, adolescentes, idosos e homossexuais. Segundo ela, o carnaval é uma época do ano em que o público infanto-juvenil fica mais exposto à violência sexual:

- Precisamos não só de governos mais atentos, precisamos de pais e mães mais atentos. Isso é o que eu queria declarar sobre a violência e a exploração sexual: se vocês tiverem dúvida sobre se uma menina ou um menino está sofrendo um abuso, não tenham dúvida de denunciar, sigam a intuição, denunciem, busquem apoio.

A ministra lembrou que a lei brasileira classifica como estupro o ato sexual com menores de 14 anos:

- A legislação diz que, com menos de 14 anos, qualquer relação sexual é uma relação de violação e de estupro de vulnerável. Não basta a gente fazer a lei, é preciso que todo mundo cumpra.

A ministra não escondeu o assombro com a precocidade do relacionamento de Eloá com Lindemberg:

- Vocês não acham uma vergonha esse negócio? As mães de vocês deixam essas coisas? Com 12 (anos)? Tudo bem, o mundo mudou. O principal que eu disse aqui é esse meu sentimento de que criança tem que ser protegida, não basta contar que o governo vai estar fazendo a sua parte. A sociedade tem que fazer a sua parte mesmo. E a família.

Maria do Rosário afirmou que seu objetivo é fazer um alerta às famílias brasileiras:

- Estou fazendo um alerta para as famílias: "Minha filha não". Quero dizer para as outras pessoas, olha, tem tempo para tudo na vida. Tem tempo para namorar, tem tempo para viver a sexualidade de uma forma e tem tempo para estar também podendo brincar, subir em árvore, correr. E as crianças do Brasil e do mundo estão muito cedo sexualizadas. E isso não é culpa delas ou responsabilidade delas. Isso é responsabilidade da sociedade, até dos meios de comunicação e das famílias também.

A ministra negou que estivesse dando um puxão de orelha na mãe de Eloá:

- Dessa família, não. Acho que essa mãe já tem dores demais para carregar consigo. Quem sou eu para produzir novas dores. Mas isso me serviu de exemplo para pensar. E já que eu tenho oportunidade para fazer a sociedade pensar que tem que ficar mais de olho, cuidar mais - disse ela. - Não me coloque numa situação difícil de dizer que eu estou salvaguardando o assassino. A família não é responsável pelo sujeito que apertou o gatilho. A responsabilidade é totalmente dele. Eu não julgo ninguém, eu quero fazer um alerta. Uma atenção maior com uma criança de 12 anos eu acho que todos nós devemos ter no Brasil.

Durante a visita à central de atendimento telefônico do Disque 100, onde cerca de 450 pessoas trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana, a ministra chegou a conversar com um conselheiro tutelar que visitaria uma casa onde há denúncia de violência sexual contra uma menina. Por motivo de segurança, a ministra não revelou a cidade nem o teor da denúncia. Neste carnaval de 2012, o Disque 100 concentrará esforços no atendimento a dois tipos de denúncia: violência sexual contra crianças e adolescentes e homofobia.

Teatro de fevereiro

Miriam Leitão, O Globo

A maior parte da apresentação de ontem do Ministério da Fazenda se encaixa na categoria de campanha publicitária. Das mal feitas. A Fazenda tem que ter mais sobriedade, falar por números, dados e conceitos precisos sobre os temas que estão entregues à sua pasta. De concreto: mesmo com o contigenciamento o governo vai gastar mais do que no ano passado. A conta só fecha se o contribuinte pagar mais.

A arrecadação tem aumentado todos os anos muito além do crescimento do PIB e é por isso que, no ano passado, por exemplo, a carga tributária cresceu 1,1 p.p. para 35,3% do PIB, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Os números apresentados pelo Ministério da Fazenda na parte mais substantiva da apresentação indicam que a carga tributária terá que subir de novo. Eles estimam que a carga tributária federal — ou seja, apenas os impostos federais — sairá de 19,8% para 20,2% do PIB este ano.

Nos últimos anos o governo tem conseguido fechar suas contas apenas pelo aumento da arrecadação. Em 2010, precisou também dos artifícios contábeis mais grosseiros. Ainda assim, ficou abaixo do superávit primário pretendido. Em 2011, a meta foi cumprida sem truques, mas a arrecadação deu um enorme salto.

O volume de impostos pagos pelos brasileiros terá que continuar crescendo porque os gastos reais do governo, descontando-se a inflação, vão subir 5,9% sobre 2011, mesmo com as despesas que foram congeladas ontem. 

Mantega anunciou gastos de R$ 809 bilhões contra R$724 bilhões em 2011. O governo terá que gastar R$ 23 bilhões a mais com a elevação do salário mínimo e mais as desonerações para a indústria.

O economista Felipe Salto, da Tendências, acredita que o governo terá que reduzir o superávit primário ao longo do ano porque será surpreendido com uma arrecadação menor do que imaginava, por causa do esfriamento da economia.

O economista Samuel Pessoa, do Ibre, também acha que o governo não atingirá o superávit primário de 3,1%. Ficará em 2,6%.

Todo ano o governo calcula um aumento de gastos, projeta um PIB maior do que ocorrerá. No ano passado, foi projetado inicialmente 5%, reduzida a projeção para 4,5%, e os dados finais devem ficar abaixo de 3%. O Congresso estima para cima as receitas.

Ou seja, governo e Congresso criam vento. Depois vem o teatro de fevereiro em que o governo “contingencia” uma parte da receita superestimada. Eles criam e cortam vento e continuam chamando de “corte de despesas”.

No ano passado, por exemplo, houve o mesmo teatro. E qual é a conclusão final? O conomista Fábio Giambiagi contabilizou que o gasto total em 2011 aumentou 5,4% em termos reais. Tem sido assim há 20 anos. Não é peculiaridade do atual governo.

Uma parte da apresentação do Ministério da Fazenda sustenta que o governo fez “contenção de gastos de custeio”. Não é fato. Eles cresceram em 4,8%, descontando-se a inflação. Foi com aumentos a cada ano que o país saiu de 26% de carga tributária para 35% em 15 anos. E, mesmo assim, o ano terminou com 2,6% de déficit nominal. 

Na previsão da Fazenda o déficit cairá para 1,2% em 2012 e caminhará em direção ao déficit zero até 2014.
Quando chegou ao Congresso a informação de que o governo tinha cortado emenda de parlamentares, houve reação na base parlamentar, mas o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, foi sincero: “O governo sempre faz isso e depois acaba liberando uma parte.

O contingenciamento é só para fazer um ajuste no Orçamento. Vejo com naturalidade. Todo ano é assim.” O experiente deputado Eduardo Cunha também considerou normal: “Quem tem um pouquinho de experiência não se assusta com isso. Ninguém duvida que isso será reposto.”

De tanto fazer mais do mesmo teatro o governo não convence ninguém. Uma administração que tem 38 ministérios e que não tem qualquer projeto de reforma não vai fazer ajuste algum.

O quadro fiscal dos países em crise piorou tanto que o governo brasileiro gosta de proclamar que ele tem uma excelente situação. Não se deve comparar com países que enfrentam crise. O Brasil tem que ter um déficit nominal zero e fazer reformas para gastar menos e melhor porque o país não está em crise.
Em momentos de calma é que se arruma a casa.

Onde está o dinheiro

Carlos Brickmann, Brickmann & Associados Comunicação

Para melhorar um pouco o salário da PM baiana, não havia dinheiro. A PM entrou em greve, o número de assassínios se multiplicou em Salvador, a quantidade de roubos cresceu dramaticamente.

Para anunciar na TV as inacreditáveis maravilhas do Governo Jaques Wagner, do PT, a felicidade que Sua Excelência proporciona ao povo baiano, o bem-estar que ele associou à alegria e à beleza do pessoal da Boa Terra, dinheiro houve. Um levantamento da colunista especializada Keila Jimenez, da Folha de S.Paulo, mostra que, de 16 de janeiro a 14 de fevereiro, o Governo baiano pagou 426 comerciais em três emissoras: Globo, Bandeirantes e SBT. Mas isso não é tudo: o Governo baiano patrocina também o SBT Folia, que transmite o Carnaval de Salvador, o Band Folia e o Festival de Verão da Globo. 

Custos? A tabela de preços das emissoras dá uma pista, mas dificilmente o valor de tabela é o utilizado. É difícil calcular o custo do carnaval publicitário: parece claro que as emissoras, diante de tal volume de publicidade, ofereceram algum desconto. Como parece claro, também, que a necessidade que o Governo tem de anunciar, num momento de crise, limita a barganha por descontos. 

Mas não é este o ponto: o ponto é que existe dinheiro, que a penúria financeira não é tão grande como se anuncia. Os recursos da publicidade não são suficientes, sozinhos, para pagar um salário melhor; mas em quantos nichos do Governo não haverá recursos disponíveis para remanejamento e uso mais útil?

País rico
Temos 513 deputados federais e 81 senadores, cada um custando mais de R$ 100 mil mensais. Metade dos deputados e dois terços dos senadores tornariam o país menos democrático? Com certeza, não. No entanto, temos este inchaço - e somem-se ao inchaço os custos indiretos e as mordomias. No Brasil inteiro, há cerca de 58 mil parlamentares. 

Qual a desvantagem de cortar tudo pela metade?

Caiu a ficha
É indiscutível que a opinião pública apoiou a decisão do Supremo que colocou em vigor a Lei da Ficha Limpa. Ótimo - mas quem é que elege os ficha suja, senão a mesma opinião pública? Nenhum parlamentar, de vereador a senador, nenhum ocupante de cargo executivo, de prefeito a presidente, chegou sozinho à sua cadeira. Todos foram eleitos pelo voto universal, direto, secreto. A lei pode ser ótima, mas é sempre insuficiente se o eleitor não estiver disposto a eleger gente cujo passado conheça, cujo trabalho acompanhe e em quem confie.

Mas, porém, contudo... 
O deputado federal Paulinho da Força, candidato a prefeito de São Paulo pelo PDT, convidou Joaquim Grava, médico do Corinthians, para ser seu vice. Convidou também o ex-goleiro Ronaldo, por dez anos titular corinthiano, e o ex-atacante Dinei, de quem a torcida sempre gostou, para disputar a vereança. Motivo, dito pelo próprio Paulinho da Força: quer aproximar-se mais da torcida corinthiana e de seu manancial de votos. 

Este colunista já tinha visto coisas como esta: Ademir da Guia, Biro-Biro, Zé Maria, Aurélio Miguel se elegeram. Mas nunca tinha visto a confissão de que o objetivo é despolitizar a campanha e caçar eleitores com base em seus times de coração. Isso não é sujar a ficha?

...todavia
O candidato do PTB à Prefeitura paulistana é o advogado Luís Flávio Borges d’Urso, presidente da OAB-SP. Em Brasília, entretanto, o petebista Gim Argello faz festa para o candidato do PMDB ao mesmo cargo, Gabriel Chalita. 

Dizem que seu objetivo é indicar o vice de Chalita, passando por cima do PTB paulista.

Tentando entender
O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, profissional de excelente gabarito, que já trabalhou nos principais jornais e revistas do país e há vinte anos edita o Jornal Pessoal, acusou o empreiteiro Cecílio Rego de Almeida de apropriar-se ilegalmente de 4,7 milhões de hectares de terras públicas. Almeida entrou com processo contra Lúcio Flávio Pinto. Até aí, tudo OK: faz parte do jogo. A Justiça decidiu que as terras não pertenciam a Almeida e o condenou a devolvê-las - ou seja, Lúcio Flávio Pinto tinha razão (como vem tendo razão há muitos e muitos anos). Mas, mesmo assim, foi condenado por ofensa moral ao empresário Cecílio Rego de Almeida, e condenado a pagar R$ 8 mil de indenização. 

Ué: se o jornalista disse que a terra era grilada, e era grilada, cadê a ofensa? 

Tudo paradinho
Um assíduo leitor desta coluna, conhecedor das coisas, confirma: a transposição das águas do rio São Francisco está parada. Um parente dele, engenheiro, responsável por determinado trecho das obras, já foi retirado do local, por falta de recursos para tocar o serviço. 

Milhões foram gastos e só restou a conta.

Difícil de entender
Uma ONG ligada a Galvão Bueno conseguiu aprovar projeto de R$ 2,2 milhões no Ministério do Esporte, pela Lei Rouanet. Assim que a imprensa começou a perguntar, a assessoria de Galvão disse que ele tinha abandonado a ideia. 

Dúvida: se não tinha interesse no assunto, por que pleiteou o incentivo?

Crime menor

Comentando a Notícia

O texto a seguir, de autoria de Roberto Rodrigues, médico psiquiatra, foi publicado originalmente no blog em 06 de abril de 2007. E, como se constatará, ele não perdeu sua atualidade nem um pouco. Pelo contrário. É como se tivesse sido escrito hoje, muito embora tenham se transcorrido quase cinco anos.

É justamente por sua atualidade que resolvemos republicá-lo  e, como o leitor perceberá mais adiante, ele vem bem a propósito de uma medida adotada pelo Senado sobre impunidade que se está concedendo aos pequenos traficantes. Mais adiante há um post em que comentamos esta estupidez. Até parece que o Senado resolveu acabar com o desemprego no País. Como a quase totalidade da droga que chega aos usuários provém dos pequenos traficantes, com a liberalidade concedida pelo Senado, a tendência é a sua disseminação sem medo de ser feliz. 

Segue o sempre atual texto do médico Roberto Rodrigues. Espero que, daqui a cinco anos, ele não precise ser mais reeditado. Que até lá, o Poder Público tenha ido na direção correta de não apenas minorar a criminalidade, mas para fazer cumprir determinadas metas contidas em diferentes legislações e estatutos em relação a infratores que, com medidas socioeducativas e diante da penalização severa para os criminosos contumazes, se sintam tentados em mudarem seus hábitos delituosos.  

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O “crime menor” se caracteriza por violações da lei que não atentam fisicamente contra as pessoas, mas atacam suas propriedades de médio ou pequeno valor; e causam, além de prejuízo material, dano moral às vítimas. No Brasil esse tipo de crime é imensamente mais freqüente que o chamado “crime maior”, aquele que vemos todo o dia na mídia com mortes, feridos, grandes prejuízos, etc. Adolescentes especialmente e maiores de idade praticam “crimes menores”. Não há estatísticas; e, se houvesse, de nada serviriam, pois aqui a grande maioria, desses crimes não é delatada ou comunicada à polícia.

Mesmo se a Sociedade o fizesse, não adiantaria, pois o descaso das autoridades é enorme e tão malévolo quanto o próprio crime.
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As medidas para cumprir o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente - são irrisórias. Muito se fala, muito se escreve e há uma enormidade de leis; porém, pouco se faz ou se cumpre. O ECA, já transformado em lei, existe desde 1991 e revogou o Código de Menores de 1979, passando a considerar a população infanto-juvenil como merecedora de cuidados especiais e proteção prioritária. Substituiu também a aplicação de penas por medidas de advertência e sócio-educativas: obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, internação em estabelecimento educacional; e acompanhamento do adolescente na família, na formação escolar, na comunidade. Quando o infrator é “internado” nas polêmicas instituições correcionais do Estado – “escolas de aperfeiçoamento” da criminalidade – é porque ele já cometeu muitos crimes menores; ou então homicídios, tráfico de drogas, estupros, assaltos armados. Isso nos leva compulsoriamente ao seguinte questionamento: porque esse descaso e negligência para com o crime menor? Possuímos todos os instrumentos para poder corrigir ou punir os infratores menores: a sociedade ansiosa por segurança e tranqüilidade, o ECA com poder de lei, assistência social e tutelar obrigatória; Poder Judiciário e policial; porque então não unir esforços para salvar todos esses meninos da criminalidade explícita? Digo salvar se essas medidas assistências e punitivas forem aplicadas enquanto eles ainda perpetram pequenos furtos, tentativas de roubo, mini tráfico de entorpecentes ou agressões sem arma.

Teremos assim oportunidade de recuperar uma enorme parcela dessas centenas de milhares de pequenos infratores. Os psicólogos sociais afirmam que, se nesse estágio inicial do crime forem tomadas todas essas medidas citadas, a maioria desses meninos poderá ser recuperada! E porque a sociedade ignora? Porque as autoridades judiciais e policiais fazem vista grossa? Porque essa permissividade de todos os lados?

Finalmente: porque não há investimento adequado para curar essa doença social? Parece que estamos todos pagando o preço por essa negligência e desconsideração para com nossos jovens desprivilegiados. E a tragédia social será muito maior se assim continuarmos.

As galinhas do PMDB

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Em 2002, da tribuna da convenção do PMDB, em São Paulo, o senador Pedro Simon fazia um patético apelo ao presidente do partido, Michel Temer, e a seus líderes no Senado e na Câmara, Renan Calheiros e Gedel Vieira Lima, para que “não vendam nossa casa de tantos anos, tantas lutas, tantas alegrias e tantas dores, desde a resistência à ditadura, à gloriosa legenda de Ulysses, Teotônio e Tancredo, e apoiem um candidato do partido à Presidência da República”.

No canto do auditório, um senhor gordo, corado e suado, vereador no interior de São Paulo, sorriu incrédulo:

- O senador está perdendo tempo com esse discurso bonito. Conheço o Michel há muito tempo, de várias campanhas. Ele não quer saber de Ulysses, Teotônio, Tancredo, história, nada disso. Atrás daquela fachada, daquela cara morta, indefinida, de professor sem aluno, está a alma miúda de um homenzinho que só pensa em vantagens e posições, só pensa nele e para ele. Com ele não adianta discurso alto. Galinha come milho com bico no chão.

E foi beber um copo d’água.

O MILHO DE MICHEL
Quando Itamar Franco então chegou à tribuna e começou a dar nome aos bois, cobrando do bando governista sua traição ao partido, o vereador gordo, corado e suado tinha bebido sua água, voltado e ouvia Itamar atento:

- Essa gente não tem nenhum amor à Pátria nem ao partido. Um dia eles vão ter que se explicar pelo que fizeram contra o País nesses oito anos de FHC. Esta convenção majoritária, com a maioria dos convencionais do PMDB exigindo um candidato próprio, é uma resposta aos percevejos de gabinete e aos que vendem a alma. Michel Temer devia ter vergonha e renunciar à presidência de um partido em que ele é minoria e quer negociar, vender. O nosso partido ser liderado por Gedel Vieira Lima e a Fundação Ulysses Guimarães presidida por Moreira Franco, serviçal da ditadura, é uma vergonha para todos nós. Não vamos permitir que três pessoas leiloem nosso partido, que é nossa vida política! O sonho e a luta de Paes de Andrade, de sete anos, para que o PMDB tenha candidato próprio, tornou-se afinal majoritário no partido.

O vereador gordo, corado e suado ficou animado:

- É isso aí. Galinha só vai embora se tirar o milho. Michel também

E até hoje as michélicas, calhéricas e gedélicas galinhas do PMDB podem comer o milho que quiserem. Estarão sempre de bico no chão.

A crise e a desonestidade intelectual

Nivaldo Cordeiro , Mídia Sem Máscara

Culpa mesmo é de quem emitiu moeda sem lastro, quem elevou os gastos do Estado à estratosfera, quem regulou cada um dos mercados, e que tributou no limite da asfixia quem trabalha e produz.

Lendo o artigo de Rubem Ricúpero, publicado ontem (20) na Folha de São Paulo ("Perdão pela crise"), é que me dei conta do tamanho da desonestidade intelectual dos escribas engajados na causa socialista. Escritos como o de Rubem Ricúpero são cortinas de fumaça que buscam precisamente esconder a origem da presente crise, que tem na Grécia seu momento mais trágico.

Rubem Ricúpero quer fazer crer a seus leitores que a crise é resultado de um erro técnico (não precisado por ele) e da soberba dos economistas. Ele também acusa uma indefinida "liberalização financeira" como sua causa imediata e, com isso, tenta fazer crer que é uma crise do capitalismo, fundada na luta de classes: "Não foi a falha de imaginação ou inteligência a culpada da imprevisão. A causa é a ideologia, o disfarce de interesses de classe e setores sob roupagem científica".  Qual ideologia? Para o ideólogo Ricúpero, a de mercado.

Aqui temos uma dupla desonestidade, pois se há um elemento de luta de classe no processo, são as classes letradas vendidas ao socialismo que, engendrando decisões financeiras fundadas no mefistofélico Keynes, tentam desesperadamente construir uma sociedade falsamente igualitária, supondo que não existe a lei da escassez. Mas ela existe e nem toda emissão de moeda do mundo será capaz de suspendê-la. Tentar colocar o problema como sendo a luta de classes em termos marxistas, de ricos contra pobres, é um abuso teórico. São os engenheiros sociais, patronos do socialismo, os que lutam para reconstruir a realidade em outros termos, ou uma Segunda Realidade, em acesso de loucura que não passa de uma rebelião contra o mundo como ele é.

É desonesto também atribuir a crise ao capitalismo. Os teóricos socialistas que tomaram conta do Estado fizeram todas as estripulias proibidas pelos manuais de livre mercado e como a corda arrebentou tentam agora dizer que é culpa do mercado. Ora, culpa mesmo é de quem emitiu moeda sem lastro, quem elevou os gastos do Estado à estratosfera, quem regulou cada um dos mercados, que tributou no limite da asfixia quem trabalha e produz, a começar pelo mercado de trabalho. Aliás, os EUA sairão bem dessa crise precisamente porque são o país que menos regulou este mercado. A Europa, bem vemos, a pátria do socialismo fabiano, se afunda mais e mais.

Se há uma luta de classes nesse processo é dos que se fizeram donos do Estado sob promessas falsas e passaram a roubar impunemente os produtores de riquezas. Do sindicato dos charlatães socialistas contra os que labutam noite e dia.

É preciso repudiar textos como esse de Rubem Ricúpero, porque não passam de panfletos enganadores da opinião pública. A crise é do socialismo, não do capitalismo.

Coisas do Cabral: agora o governo quer se intrometer no Carnaval.

Comentando a Notícia

O carnaval brasileiro se tornou o espetáculo festivo que se tornou graças ao povo brasileiro. Se há um algo que surpreende o mundo todo é justamente a capacidade de organização e de condução da maior festa nacional. 

Sempre que “festas populares” se tornam sucessos capazes de se converterem em polos de atração, infelizmente, há sempre um político cretino com olho gordo querendo se intrometer e meter a mão.  Ás vezes, como ocorreu em 2011, é o Ministério Público, que na falta de coisa mais  útil para fazer, acaba destruindo o brilho e desarticulando o espetáculo  para convertê-lo em festinha de quinta, como o ocorrido com Natal de Luz, em Gramado no Rio Grande do Sul.

Infelizmente, o carnaval ao longo de décadas,  tem servido para palanque de figuras escrotas da política, além, é claro, da turma da bandidagem que se valem de qualquer artifício para emplacar seu balcão de negócios escusos. O carnaval carioca, principalmente, sempre  ofereceu oportunidades preciosas para a turma do jogo do bicho. 

Contudo, nos últimos anos, com a desarticulação dos banqueiros do bicho, ninguém percebeu no afastamento qualquer queda no nível do espetáculo. Pelo contrário: as escolas tem apresentado a cada ano mais luxo, mais recursos, servindo até como fonte importante de informação cultural a partir de enredos muito bem construídos, além de divulgação internacional justamente desta cultura, hábitos e costumes do povo brasileiro ao longo da história.

Agora, sem mais nem porquê, o governador Sérgio Cabral, acreditando ter descoberta a roda,  aparece com o papo caolho e torto de que  "A gestão econômica e administrativa tem que ser profissional, para não ficar dependendo de alguém ligado a uma atividade ilegal. Que a escola seja autossuficiente o ano inteiro e possa sair do controle de quem quer que seja - bicheiros ou milicianos, qualquer agente ilegal que esteja dominando a escola". 

É de esperar que a “sugestão” seja apenas no sentido de que as escolas possam, por seus próprios meios, se autossustentarem, sem dependência ou vínculo financeiro com os banqueiros do bicho. Porém, é de se perguntar se este vínculo “descoberto pelo governador, atinge todas as escolas, ou apenas algumas? 

Ora, tem se tornado cada ano mais comum a participação financeira de governos estaduais e prefeituras de todo o país para subsidiar escolas cujo enredo faça menção às aspectos regionais e locais. Além disto, se sabe que muitas comunidades promovem de tudo, com o objetivo de arrecadar recursos para a sua escola preferida. 

Portanto, que o senhor Sérgio Cabral não queira intrometer o Poder Público na gestão interna das escolas. Muitas atravessaram períodos de dificuldade mas com trabalho, talento e esforço de seus membros souberam dar a volta sem precisarem recorrer aos cofres dos bicheiros. 

Faço o alerta porque, sempre que um político lança seus olhos gordos sobre eventos da magnitude do carnaval, seu desejo inconfesso é torná-lo palco ou palanque eleitoral, desvirtuando completamente o sentido do acontecimento. Claro que é obrigação do Poder Público ajudar no que puder, mas apenas em termos logísticos, como a segurança, por exemplo.   Mas que fiquem por aí. O sucesso de eventos como o Carnaval se deve, antes de tudo, à iniciativa popular, sua capacidade de organização e mobilização. Não compete ao Poder Público se meter a ensinar o povo como fazer suas festas, tampouco como organizá-las. Até porque o objetivo é apenas de lazer e entretenimento, ao passo que o político tem outros objetivos, e nenhum deles é para diversão...

A notícia ainda nos informa que o governador se justifica quanto a possibilidade de venda do terreno do quartel-general da Polícia Militar a Petrobras, interessada em construir ali um novo prédio, gira em torno de R$ 400 milhões. Segundo Cabral, “...os recursos o governo aplicará na área da segurança...”.

Isto, governador, é o que vamos ver. É comum que em casos semelhantes, não se gaste ou se invista nenhum centavo naquilo que se prometeu. Esperamos que, desta vez, o governador cumpra a promessa.   

Segue o texto Vladimir Platonow , Agência Brasil.

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Cabral quer profissionalizar escolas de samba 

O governador do Rio, Sergio Cabral, disse que pretende profissionalizar as escolas de samba. Para ele, é preciso, cada vez mais, tirar patronos e dar às escolas um sentido mais profissional. 

"A gestão econômica e administrativa tem que ser profissional, para não ficar dependendo de alguém ligado a uma atividade ilegal. Que a escola seja autossuficiente o ano inteiro e possa sair do controle de quem quer que seja - bicheiros ou milicianos, qualquer agente ilegal que esteja dominando a escola", acrescentou o governador.

Segundo Cabral, antigamente o jogo do bicho era visto de maneira romântica, mas provou envolvimento com outras atividades ilícitas. “É a ilegalidade em cima da ilegalidade. O romantismo acabou há muito tempo”. O governador disse ainda que o Poder Público pode ajudar as escolas na reforma das quadras para gerar eventos e receber artistas.

Sobre a venda do terreno do quartel-general da Polícia Militar, divulgada por ele no dia anterior, Cabral disse que o valor negociado com a Petrobras, interessada em construir ali um novo prédio, gira em torno de R$ 400 milhões, recursos que o governo aplicará na área da segurança. Com a concretização do negócio, o comando da PM será transferido para o quartel do Batalhão de Choque, ao lado do Sambódromo.