terça-feira, fevereiro 21, 2012

Coisas do Cabral: agora o governo quer se intrometer no Carnaval.

Comentando a Notícia

O carnaval brasileiro se tornou o espetáculo festivo que se tornou graças ao povo brasileiro. Se há um algo que surpreende o mundo todo é justamente a capacidade de organização e de condução da maior festa nacional. 

Sempre que “festas populares” se tornam sucessos capazes de se converterem em polos de atração, infelizmente, há sempre um político cretino com olho gordo querendo se intrometer e meter a mão.  Ás vezes, como ocorreu em 2011, é o Ministério Público, que na falta de coisa mais  útil para fazer, acaba destruindo o brilho e desarticulando o espetáculo  para convertê-lo em festinha de quinta, como o ocorrido com Natal de Luz, em Gramado no Rio Grande do Sul.

Infelizmente, o carnaval ao longo de décadas,  tem servido para palanque de figuras escrotas da política, além, é claro, da turma da bandidagem que se valem de qualquer artifício para emplacar seu balcão de negócios escusos. O carnaval carioca, principalmente, sempre  ofereceu oportunidades preciosas para a turma do jogo do bicho. 

Contudo, nos últimos anos, com a desarticulação dos banqueiros do bicho, ninguém percebeu no afastamento qualquer queda no nível do espetáculo. Pelo contrário: as escolas tem apresentado a cada ano mais luxo, mais recursos, servindo até como fonte importante de informação cultural a partir de enredos muito bem construídos, além de divulgação internacional justamente desta cultura, hábitos e costumes do povo brasileiro ao longo da história.

Agora, sem mais nem porquê, o governador Sérgio Cabral, acreditando ter descoberta a roda,  aparece com o papo caolho e torto de que  "A gestão econômica e administrativa tem que ser profissional, para não ficar dependendo de alguém ligado a uma atividade ilegal. Que a escola seja autossuficiente o ano inteiro e possa sair do controle de quem quer que seja - bicheiros ou milicianos, qualquer agente ilegal que esteja dominando a escola". 

É de esperar que a “sugestão” seja apenas no sentido de que as escolas possam, por seus próprios meios, se autossustentarem, sem dependência ou vínculo financeiro com os banqueiros do bicho. Porém, é de se perguntar se este vínculo “descoberto pelo governador, atinge todas as escolas, ou apenas algumas? 

Ora, tem se tornado cada ano mais comum a participação financeira de governos estaduais e prefeituras de todo o país para subsidiar escolas cujo enredo faça menção às aspectos regionais e locais. Além disto, se sabe que muitas comunidades promovem de tudo, com o objetivo de arrecadar recursos para a sua escola preferida. 

Portanto, que o senhor Sérgio Cabral não queira intrometer o Poder Público na gestão interna das escolas. Muitas atravessaram períodos de dificuldade mas com trabalho, talento e esforço de seus membros souberam dar a volta sem precisarem recorrer aos cofres dos bicheiros. 

Faço o alerta porque, sempre que um político lança seus olhos gordos sobre eventos da magnitude do carnaval, seu desejo inconfesso é torná-lo palco ou palanque eleitoral, desvirtuando completamente o sentido do acontecimento. Claro que é obrigação do Poder Público ajudar no que puder, mas apenas em termos logísticos, como a segurança, por exemplo.   Mas que fiquem por aí. O sucesso de eventos como o Carnaval se deve, antes de tudo, à iniciativa popular, sua capacidade de organização e mobilização. Não compete ao Poder Público se meter a ensinar o povo como fazer suas festas, tampouco como organizá-las. Até porque o objetivo é apenas de lazer e entretenimento, ao passo que o político tem outros objetivos, e nenhum deles é para diversão...

A notícia ainda nos informa que o governador se justifica quanto a possibilidade de venda do terreno do quartel-general da Polícia Militar a Petrobras, interessada em construir ali um novo prédio, gira em torno de R$ 400 milhões. Segundo Cabral, “...os recursos o governo aplicará na área da segurança...”.

Isto, governador, é o que vamos ver. É comum que em casos semelhantes, não se gaste ou se invista nenhum centavo naquilo que se prometeu. Esperamos que, desta vez, o governador cumpra a promessa.   

Segue o texto Vladimir Platonow , Agência Brasil.

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Cabral quer profissionalizar escolas de samba 

O governador do Rio, Sergio Cabral, disse que pretende profissionalizar as escolas de samba. Para ele, é preciso, cada vez mais, tirar patronos e dar às escolas um sentido mais profissional. 

"A gestão econômica e administrativa tem que ser profissional, para não ficar dependendo de alguém ligado a uma atividade ilegal. Que a escola seja autossuficiente o ano inteiro e possa sair do controle de quem quer que seja - bicheiros ou milicianos, qualquer agente ilegal que esteja dominando a escola", acrescentou o governador.

Segundo Cabral, antigamente o jogo do bicho era visto de maneira romântica, mas provou envolvimento com outras atividades ilícitas. “É a ilegalidade em cima da ilegalidade. O romantismo acabou há muito tempo”. O governador disse ainda que o Poder Público pode ajudar as escolas na reforma das quadras para gerar eventos e receber artistas.

Sobre a venda do terreno do quartel-general da Polícia Militar, divulgada por ele no dia anterior, Cabral disse que o valor negociado com a Petrobras, interessada em construir ali um novo prédio, gira em torno de R$ 400 milhões, recursos que o governo aplicará na área da segurança. Com a concretização do negócio, o comando da PM será transferido para o quartel do Batalhão de Choque, ao lado do Sambódromo.