Comentando a Notícia
Jamais imaginei um dia viver para assistir o Brasil levar Monteiro Lobato para o banco dos réus por conta de sua obra. A estupidez não tem conta. E não tem conta justamente porque os imbecis de tal ação que, sob qualquer ângulo, é burra racialista, em nome de uma pretensão luta por igualdade, adotada a pratica da discriminação. Não nenhum embasamento ou estudo científico a comprovar qualquer malefício ou dano à formação das leituras que tiveram acesso à obra de Monteiro Lobato. Pelo contrário. Não se justifica, portanto, a pretensa interdição da obra, até porque a ignorância de seus autores está alimentando justamente um movimento contrário ao que pretensamente desejam seus autores.
Não saber distinguir o contexto histórico em que a obra foi escrita e editada, é transmitir de si mesmo para o resto mundo uma total idiotia.
Não podemos ignorar que o preconceito existe, seja contra negros, baixos, gordos, loiras, argentinos, paraguaios, etc. O preconceito, contudo, não pode ser combatido por decreto ou por censura. Trata-se de um sentimento inerente à própria condição humana. É interior, difícil de ser notado. E, por isso mesmo, não há como combatê-lo. Porém, atitudes racistas e preconceituosas, estas sim podem e devem ser condenadas, mas jamais através de censura à obras escritas em um contexto que não pode ser apagado. Qual é, vai dizer agora que não houve escravidão no Brasil? Ou negar, de forma grotesca, que mesmo que o regime de escravidão tenha sido extinto, que não há na sociedade brasileiro preconceito? É ser hipócrita demais. Infelizmente, os caminhos que certas entidades escolheram perseguir vai sedimentando no país um sentimento que nunca houve entre nós, justamente por criar o conceito de raças, por desejarem conceder a cor da privilégio o valor de avaliação para a concessão de privilégios. Trata-se de uma estupidez a criação de conceitos raciais. Raça, senhores, existe uma só, a humana, e nela incorporam-se inúmeras características de individualização, sejam elas físicas ou psíquicas.
Portanto, na medida em que estes movimentos lutam por pretensos direitos e igualdade, vamos percebendo que os caminhos e os meios escolhidos para se atingir tal igualdade, consagram mais desigualdade ainda. É o preconceito às avessas, que vai se convertendo no caminho da imbecilização social, criando uma odiosa cisão social, em que os pretensos oprimidos advogam para si direitos de exclusividade, demonstrando que, no fundo, tais movimentos não desejam a igualdade que externam como bandeira de lutas, e sim querem criar grupos apartados da sociedade, do coletivo, aos quais serão concedidos privilégios exclusivos não concedidos aos demais indivíduos. Em suma, em nome da igualdade, de modo insano reivindicam e pregam mais desigualdade.
Lerei Monteiro Lobato por toda a vida. Recomendarei a filhos ,netos, amigos, colegas e vizinhos que façam o mesmo. E desafio a estes imbecis me processarem como racista. Sei a diferença entre viver no século 20 e no século 21, coisa da qual este povo se mantém muito distante.
A barbárie em um país, não é erguida da noite para o dia. É fruto de um longo processo de imbecilização a que se relega todo um povo. O tema, acreditem, é apaixonante e serve para intermináveis horas de bom debate. Não é de hoje que o Brasil caminha a passos largos envolto neste processo. Não fosse a fortaleza institucional que construímos fruto dos movimentos de resistência à ditadura militar, e muito provavelmente estaríamos mergulhados no fundo do poço em que se encontra, por exemplo, a Venezuela. Dentro deste processo, movimentos como estes que estão colocando Monteiro Lobato no banco dos réus, se repetem e se multiplicam, até a resistência tornar-se irrelevante.
Portanto, diante de um julgamento como o do Mensalão, não há como não nos enchermos de esperanças de que este processo possa ser interrompido.
Todavia, é preciso que as forças de resistência levantem sua voz para que o STF dê um recado duro a esta tropa que se quer acima da própria sociedade. O Brasil não pode se fragmentar em castas, a deterem direitos e privilégios exclusivos em nome de uma pretensa e falsa moral de igualdade, que nada mais é do que a constituição de fidalgos colocados acima dos demais cidadãos.
A sessão do STF que julgaria ser admissível expulsar Monteiro Lobato da cultura nacional, acabou adiada, sem acordo. Monteiro Lobato não pode sofrer um exílio pos mortem. E os racialistas não podem ver triunfar sua extrema intolerância. Num país de pouca leitura, nenhuma cultura, com uma educação pedindo licença para ingressar na Idade Medieval, é impressionante e, ao mesmo tempo vergonhoso, tratar-se um clássico da literatura com tamanho despropósito. O B rasil não apenas está fazendo uma força danada para ser mais bananeiro do que já é: está se transformando uma esculhambação total, fruto da ignorância doentia, da intolerância imbecil e do analfabetismo debiloide.
A seguir texto de Tai Nalon, para a Veja online, sobre a audiência no STF, que sequer, entendo, deveria perder tempo com gente tacanha e com ideias mentecaptas.
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Termina sem acordo audiência sobre racismo em livro de Monteiro Lobato
Encontro de conciliação proposto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux durou três horas. Nova reunião foi marcada para o dia 25
Monteiro Lobato
A audiência de conciliação proposta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux para decidir se libera o uso do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, na rede pública de ensino terminou nesta terça-feira sem acordo. Com a participação de representantes do Ministério da Educação, da Advocacia Geral da União e do Ministério Público Federal, a audiência, que durou cerca de três horas, foi convocada depois do Supremo receber mandado de segurança impetrado pelo Instituto de Advocacia Racial (Iara) e pelo técnico em gestão educacional Antônio Gomes Neto. A alegação é que a obra possui elementos racistas.
Embora juridicamente o assunto não tenha se resolvido, o Iara sinalizou que pode desistir do pedido de nulidade de um parecer do Ministério da Educação que revoga a proibição do livro na rede pública de ensino. Em 2010, depois de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que a obra fosse banida das escolas. A repercussão do infeliz episódio fez com que o Ministério da Educação (MEC) pedisse ao CNE para reconsiderar a questão. O veto, então, foi anulado. O mandado de segurança pretende agora derrubar a anulação do parecer.
O instituto afirma que “não há como se alegar liberdade de expressão em relação ao tema quando da leitura se faz referências ao negro com estereótipos fortemente carregados de elementos racistas”. Diz ainda que o livro é utilizado como “paradigma” e, por isso, as regras adotadas para ele devem nortear a aquisição também, pela rede pública, de qualquer obra literária ou didática que tenha “qualquer forma de expressão de racismo cultural, institucional e individual”.
Publicado em 1933, o livro faz parte do acervo do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). "Vou fazer 60 anos. Já fui criança. Estudei no Colégio Pedro II, fiz primário e maternal. Me lembro desse e de todos os livros", afirmou o ministro Fux.
Uma nova reunião será realizada no próximo dia 25 no Ministério da Educação para discutir a adoção medidas concretas. O Iara condiciona a retirada do mandado de segurança à implantação de medidas como a capacitação de professores e a veiculação de uma nota técnica com o livro que explique o contexto das expressões contestadas pelo instituto.
A ideia de incluira a explicação, segundo Humberto Adami, diretor e advogado do Iara, é apelar para o mesmo procedimento adotado em relação a crimes ambientais na obra de Lobato. Segundo ele, editoras embutiram no mesmo livro nota que explica que caçar onças, embora costume da época em que o livro foi escrito, hoje em dia não se faz. "Por que se faz na questão de crimes ambientais e não se faz em relação ao negro? Por que a onça é mais importante do que o negro que sofre com esse tipo de assunto na escola?", questionou.
Os representantes do Iara querem também capacitação docente para questões raciais em sala de aula. Negam censura. "Não quer dizer que [as obras] sejam tiradas, é ter alguém dizendo é errado fazer isso, não pode fazer isso com colega, isso vai ferir outra pessoa. É o que se pretende. Até pouco tempo as pessoas achavam que podiam brincar à vontade com respeito e dignidade de outros seres humanos."