domingo, abril 06, 2008

A irresponsabilidade do governo Lula mata

Adelson Elias Vasconcellos.

Este governo está entregando parte do território nacional, num ato de traição e covardia.

A afirmação que vai acima no título nada tem de exagerada. Assumo o que digo em qualquer lugar, em qualquer tribunal, em qualquer instância. Prendam-me se quiserem, mas nada fará eu mudar uma convicção que é fruto de uma realidade.

E nem tampouco ela é nova. Já a empreguei aqui em diferentes vezes. Já a usei, por exemplo, quando do caos dos hospitais do Rio de Janeiro, na primeira vez, nos hospitais do Nordeste, nas várias etapas do apagão aéreo, e agora no auge da epidemia de dengue no Rio de Janeiro, em que novamente, as pessoas morrem por falta de atendimento médico na rede publica, e não apenas pela picada do mosquito.

Há pouco dias atrás, fizemos uma série de artigos e publicamos outros de vários autores e jornalistas, sobre a questão da Reserva Raposa do Sol no Estado de Roraima. Falamos aqui que era uma aberração destinar-se apenas 12% da aérea daquele estado para a população civil, denúncia que fizemos já em 2006 pela primeira vez. Ainda comentamos do absurdo que era o tratamento que o governo Lula vem dando quanto à ordem de desocupação. Tentou com o Exército, mas este se negou pela fragrante injustiça e verdadeira traição ao país e aos brasileiros que se estava querendo cometer.

De nada adiantaram a mobilização que se fez para o governo assassino do senhor Lula rever sua posição. Misto de arrogância e canalhice explícita, simplesmente ignorou todos os argumentos de vários segmentos, e agora convocou a Polícia Federal para providenciar no despejo de brasileiros trabalhadores e suas famílias, pessoas honestas, residente na região há mais de 50 anos.

Não há nenhuma justificativa para a cretinice que se está cometendo. Nenhuma, a não ser aquelas sórdidas que Lula e seus lacaios são capazes de inventar nos porões do submundo criminoso em que se lambuzam no assalto ao bolso daqueles que, de fato, trabalham para sustentar esta corja de criminosos.

Até pelo contrário. Já provei aqui que existem muita terra para pouco índio, e o projeto desta camarilha acabará arrastando a região Amazônica Brasileira, no esfacelamento de sua integridade. Os números do descaso fruto de uma política de puro entreguismo, aí estão a comprovar a continua devastação da floresta em escala contínua e sem limites. As áreas produtivas sendo assaltadas na marra pelo guerrilheiros do MST. Sabe-se de há muito das ações das FARCs naquela região, afora uma liga terrorista que provocou dezenas de mortes, sem que houvesse uma droga de iniciativa de parte do sindicato crime chamado Presidência da República. Enquanto os rolando-leros com suas petulâncias, incompetências e ostentação deprimentes e patéticas, como o são Nelsom Jobim e Tarso Genro, um que deveria cuidar da Defesa e o outro que deveria responder pela Justiça, não passam de dois bufões imbecis e ignorantes que sequer são capazes de responder pelo acontece bem debaixo de seus narizes. Enquanto isso, IBAMA, FUNAI e INCRA seguem ocupadas, melhor seria dizer ASSALTADAS por gente sem moral, sem escrúpulos, maus brasileiros, gente bisonha, de estatura moral abaixo da crítica, na maioria sindicalistas vagabundos e ordinários, que passaram a vida a bancar gigolôs dos trabalhadores.

Impressionante, o contraste que os cretinos governistas dispensam aos guerrilheiros do MST. Abre-se a bolsa generosa do Estado para que criminosos vagabundos tomarem de assalto o próprio Estado. A situação no estado de Roraima segue cada dia um calvário doloroso e que se deteriora visivelmente. A situação é tão crítica que, a menos que o governo reveja seu ato de traição, poderá acontecer o pior, que seria o derramamento de sangue em solo pátrio, para impedir que parte do território brasileiro, que é propriedade do povo, e não de Lula e seus lacaios e pilantras, lhes seja tirada e entregue ao terrorismo internacional. A região vive uma situação em que a guerra civil se torna iminente a cada que passo.

Insensível, nefasto e entreguista, o governo Lula simplesmente faz ignorar a situação de conflito, seguindo na sua trajetória de esfacelar a nação que recebeu íntegra, e que agora vive as ameaças de um poder abjeto. Adoraria saber a que preço os cafajestes cometem esta traição contra sua própria gente...

Nos posts abaixo, leiam reportagens do Jornal do Brasil e do Estadão. Elas contam um pouco os horrores que o povo daquele estado está passando. E que se registre: toda e qualquer vítima, fatal ou não, que a situação lá presente venha provocar, será da única e exclusiva culpa do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, o entreguista mais mentiroso do Brasil.

Governador volta para Boa Vista desiludido

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

O governador de Roraima, Anchieta Filho, deixou Brasília na última sexta-feira certo de que não há mais o que fazer para impedir a operação organizada pela Polícia Federal na Reserva Raposa/Serra do Sol.

– O governo federal está assumindo o ônus da operação – disse ele, depois de uma conversa definitiva com o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto.

A audiência encerrou três anos de de negociação e, se por um lado afastou o poder local, por outro, transferiu ao presidente Lula e ao ministro da Justiça, Tarso Genro, a responsabilidade pelo resultado da operação. O presidente da Funai, Márcio Meira, repassou o recado aos grupos que prometem resistir à retirada.

– O ônus será daqueles que estão se armando para combater o estado de direito – afirmou Meira.

Tempo de incertezas
A guerra de palavras entre as autoridades reflete a certeza de que na região da Reserva Raposa/Serra do Sol o clima beligerante projeta um cenário incerto, mas preocupante para os próximos dias.

O grupo liderado empresário rural e prefeito de Pacaraima, Paulo Cesar Quartiero, adotou como estratégia um misto de desobediência civil com táticas de guerrilha para enfrentar a Polícia Federal. Não há em Brasília autoridade que garanta uma operação sem a necessidade do uso da força e uma boa dose de violência.

Os arrozeiros construíram bombas de fabricação caseira, prepararam armadilhas e, conforme suspeita a polícia, organizaram grupos – armados ou não – para agir em vários pontos do interior da reserva onde se concentram os índios contrários à reserva em área contínua: as aldeias de Flechal e Contão e em estradas próximas a Uiramutã, na fronteira com a Guiana Inglesa, e Pacaraima, próxima a Venezuela, controladas por Quartiero.

A Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança tentarão controlar as resistências logo no primeiro dia, dominando e ocupando as cinco fazendas onde, teoricamente, se concentram os maiores focos de resistência e o suposto poderio bélico de Quartiero.

A primeira hipótese de violência é uma reação dos arrozeiros e índios macuxi contra a ação da Polícia Federal em estradas que cortam a reserva. A segunda, é um conflito entre os próprios índios: pelo menos um terço dos cerca de 15 mil que ocupam a reserva é contra a homologação em área contínua, apoiam Quartiero e estariam dispostos a defender a permanência dos não índios, parte deles já miscigenada e outra formada por produtores que entraram na área nos últimos 20 anos.
Na avaliação da Polícia Federal, uma vez deflagrada, a operação não pode sofrer recuo, pois pode estimular um confronto sangrento entre os próprios índios. Eles se dividem entre duas entidades, o Conselho Indigenista de Roraima (Cir), ligado à Igreja Católica e ONGs, e a Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), respectivamente a favor e contra a homologação. (V.Q.)

Roraima em pé de guerra

Estadão

O risco de que haja um violento confronto entre forças da Polícia Federal (PF), fazendeiros e índios na reserva indígena Raposa Serra do Sol é real e iminente. É preciso, portanto, que as autoridades que determinaram a remoção de quem não é índio da reserva, com o uso de força policial, revejam essa decisão e negociem a retirada pacífica dos fazendeiros da região - já que não parece haver possibilidade alguma de se revogar o ato que transformou em reserva indígena uma área de 1,747 milhão de hectares onde há anos se instalaram rizicultores.

Na quinta-feira, o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, e os deputados estaduais assinaram uma carta pedindo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que suspenda a operação de retirada até que o Supremo Tribunal Federal julgue todos os recursos impetrados pelos fazendeiros, a respeito da legalidade da demarcação da reserva e de sua expulsão da área. As autoridades estaduais sabem que a tensão na Raposa Serra do Sol é crescente e pode degenerar em grave conflito. O deputado federal Márcio Junqueira (DEM-RR), que está em Boa Vista, dá uma indicação do ponto a que chegou a crise, ao dizer que haverá sangue em Roraima se o governo Lula não suspender a operação da Polícia Federal.

Mas as autoridades, em Brasília, não parecem dispostas a negociar ou contemporizar. No Ministério da Justiça, o governador José de Anchieta Júnior só chegou até o secretário-executivo, Luiz Paulo Barreto, a quem entregou a carta assinada por ele e pelos deputados estaduais. E obteve uma pronta resposta: o governo federal não recuará, ou seja, não cancelará nem adiará a operação de retirada. E o argumento para não esperar que se esgotem os recursos judiciais é que, desde 2005, quando o presidente Lula homologou a reserva, que havia sido criada pelo governo FHC, os fazendeiros foram derrotados em todas as ações que impetraram na Justiça.

O fato é que a Polícia Federal está, aos poucos, reunindo no local 500 agentes e membros da Força Nacional de Segurança para retirar quem não for índio da Reserva Raposa Serra do Sol. Os fazendeiros preparam-se para resistir à retirada forçada. Queimaram várias pontes, para dificultar o acesso dos policiais a suas propriedades, e já tiveram pelo menos uma escaramuça contra 30 policiais, felizmente equipados apenas com sprays de pimenta, gás lacrimogêneo e armas com balas de borracha. E os próprios índios estão divididos. Uma parte quer a expulsão dos "brancos". Mas um grupo de 40 macuxis se uniu aos fazendeiros, e espera ser engrossado por mais 300 índios, que preferem conviver com os "brancos" a depender exclusivamente da Funai.

O coordenador da força policial assegura que "a PF não está aqui para fazer qualquer tipo de violência. Estamos em operação de paz, para evitar qualquer problema na retirada dos não-índios da terra indígena". Mas os arrozeiros não querem sair e pretendem resistir a qualquer tentativa de expulsão. E os índios que não querem compartilhar as terras, por sua vez, deram às autoridades prazo até o fim de abril para retirar os "brancos" da reserva. "Cansamos de esperar e, se o governo não agir agora, nós vamos lutar. Sabemos morrer, mas também sabemos matar", ameaça o coordenador do Conselho Indígena de Roraima, Dionito José de Souza.

Esse conflito é o resultado de uma malsinada política de demarcação de terras indígenas, conduzida sem critérios mínimos de objetividade e realismo. Aos ianomâmis, por exemplo, atribuiu-se uma vasta reserva que abrange a faixa de fronteira - o que cria um evidente problema de segurança nacional, agravado pelas manifestações de ONGs nacionais e estrangeiras que, de tempos em tempos, defendem a tese da "autonomia das nações indígenas". Existem hoje 600 terras indígenas, que abrigam 227 tribos, com um total de aproximadamente 480 mil pessoas. Esse latifúndio equivale a nada menos do que 13% de todo o território nacional. No caso de Roraima, 44 mil índios, em 32 reservas, ocupam 46% do território estadual.

Essa imensidão de terras, muitas delas confundindo-se com as fronteiras nacionais, foi concedida aos índios sem muita reflexão e, freqüentemente, sob pressão de entidades internacionais. Os índios e sua cultura precisam ser protegidos, sem dúvida. Mas não por uma política de demarcação que é potencialmente desagregadora da unidade nacional.

Roraima, arroz e banho de sangue

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

PF pronta para desocupar reserva indígena. Exército só deverá intervir no último caso

Responsável pela formação do pensamento militar sobre as questões relacionadas à Amazônia, o Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), integrado por militares da reserva, é contra a retirada de não índios da Reserva Raposa/Serra do Sol, em Rondônia. E alerta para a probabilidade de um conflito sangrento de conseqüências imprevisíveis na região, caso o governo mantenha a decisão de executar a Operação Upatakon III, já anunciada pela Polícia Federal para esta semana.

– O risco de um confronto é concreto – afirmou o coronel Amerino Raposo Filho, vice-presidente do Cebres.

Ele frisa que o impasse parece insuperável e resulta de duas posições aparentemente sem recuo: a decisão de governo e a resistência dos arrozeiros – apoiados por parte dos índios e da população contrária a reserva em área contínua. O militar diz que, se houver mortes e o confronto escapar ao controle das forças de segurança do governo, o Exército deve intervir como força de paz e interromper a operação, mesmo sem ordens superiores.

Missão constitucional
– Se houver derramamento de sangue, o Exército deve entrar no conflito. É uma faixa de fronteira e essa é sua missão constitucional. Se ocorrer a quebra do equilíbrio social na área, a ordem independe do governo. Se trataria de uma questão de Estado de responsabilidade das Forças Armadas – diz o coronel.

A assessoria de comunicação do Exército, em Brasília, informou que a operação é uma atribuição do Ministério da Justiça e, por essa razão, as Forças Armadas deixaram de participar dos preparativos e se recusaram a emprestar o apoio logístico. Nos bastidores, militares que acompanham o conflito no Rio e em Brasília, dizem que o comandante do Exército, Enzo Peri, teria informado pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a retirada de não índios da área desagrada à área militar. Ao contrário de outros momentos – em que normalmente exerce papel ativo de apoio à outras instituições ou prestando serviços sociais –, o Exército assumiu agora uma postura de neutralidade relativa.

– É necessário observar com cautela. Se o Exército não quer participar é porque o problema é muito grave – diz o economista Marcos Coimbra, conselheiro do Cebres, professor e estudioso do assunto.

Entrar e ocupar
Segundo ele, é provável que o setor de inteligência da força avalie a hipótese de conflito e a possibilidade de a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança não conseguirem controlá-lo.

– Nesse caso, o Exército se preserva para poder entrar, ocupar o território desarmar as partes envolvidas no conflito e ficar na área, afastando quem não for da região –, afirma Coimbra.

Na avaliação do Cebres, o que acontecer na próxima semana em Roraima será o emblema de um conflito mais amplo, onde estarão em jogo dois pensamentos sobre o controle da região amazônica e suas riquezas. Esses militares acham que a demarcação em área contínua quebra a linha de controle que as Forças Armadas exercem na região por abrir um vazio demográfico de mais de 10 milhões de hectares – unindo a Raposa/Serra do Sol à Reserva Ianomâmi numa extensão de 100 mil quilômetros quadrados – e abre caminho para a decretação de uma nação indígena independente, com interferência de Organizações Não Governamentais (ONGs) estrangeiras de orientação americana.

– De um lado estarão os nacionalistas que defendem a soberania e a integridade do território e, do outro, as elites porcas, que se corrompem em troca de dólares – ataca o coronel Raposo Filho.
Outro militar do Cebres, o coronel Gélio Fregapani, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na região e autor de vários estudos sobre o conflito, lembra que o Brasil é o único signatário de resolução recente da ONU prevendo a formação de uma nação indígena independente na região, o que abriria caminho para a perda de um significativo pedaço da Amazônia brasileira e de suas riquezas minerais.

– As gerações de amanhã vão perder 56% do território nacional, o coração da terra no século 21 – alerta Raposo Filho.

Uma vez consumada a operação, o governo de Roraima terá controle sobre pouco mais de metade de seu território. As reservas indígenas na região alcançarão cerca de 10,6 milhões de hectares ou o equivalente a 46% de sua área geográfica. No subsolo da área indígena, conforme estudos geológicos, estará localizada uma das maiores e mais valiosas reservas minerais do mundo em ouro, pedras preciosas e minério estratégico.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) já gastou cerca de R$ 12 milhões em indenizações para retirar da área os moradores que concordaram em sair e diz que tem um plano para gerir a economia indígena, recuperar o meio ambiente e desenvolver as comunidades que ficarão na área.

A banalização da safadeza

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Sucinto como os telegramas de antigamente, o currículo oficial do ministro Jorge Hage Sobrinho, divulgado pelos sites governistas, limita-se a informar que o atual comandante da Controladoria-Geral da União nasceu na Bahia há 70 anos, foi juiz de direito, prefeito de Salvador, deputado estadual e deputado federal. Quem pouco sabe de Hage talvez imagine que enfim apareceu alguém que, inibido pela modéstia, prefere não se estender sobre os serviços prestados à pátria. Engano, sabe quem conhece a figura. O tamanho e o teor do texto apenas demonstram que, se assim recomendam as circunstâncias, o verboso baiano é capaz até de ser conciso.

Se incorporasse ao resumo da própria trajetória bemóis e sustenidos alojados em antigas partituras, se contasse cada caso como o caso foi, se iluminasse os curtos registros com detalhes essenciais, o currículo ficaria com cara de prontuário. Foi o manual da esperteza, não a cartilha da objetividade, que lhe sugeriu esquecer que o leal ministro da era Lula foi um aplicado servidor da ditadura militar. O currículo oficial só trata com letras graúdas da fase mais recente da carreira de Hage. As etapas anteriores viraram coisa do século passado.

Uma omissão aqui, um retoque ali e pronto: o pecador que perde o sono quando pensa no Juízo Final vira candidato à canonização. O bisturi do redator da biografia tornou mais vistosa a fantasia de Primeiro Fiscal do Primeiro Governo Popular do Brasil. E removeu o Jorge Hage que não dava maior importância ao que achava a gente comum.

"Foi prefeito de Salvador entre 1975 e 1977", telegrafa o texto. Sem um único voto popular, acrescenta a coluna. Enquanto a ditadura durou, milhões de eleitores foram proibidos de escolher o presidente da República, os governadores e os prefeitos das capitais. Disso cuidavam a onisciência fardada e a pusilanimidade de terno.

No caso de Hage, bastou-lhe a simpatia do governador Roberto Santos, que o indicou para o cargo, e a ausência de antipatias entre os chefes militares. Nos dois anos seguintes, o prefeito pouco fez e quase nada falou, como convinha aos aliados paisanos do regime. Não seria melhor a performance do deputado estadual e do deputado federal.

Hage jazia na vala comum onde se amontoam prefeitos e governadores biônicos que caíram no esquecimento eterno ao perderem a notoriedade efêmera quando foi ressuscitado pelo bom baiano Waldir Pires. Promovido a nº 2 da Controladoria, é o titular desde junho de 2006. Ex-inquilino da Arena, do PDT e do PSDB, está no momento sem partido. Mas em marcha acelerada para o PT, que acaba de presentear com uma frase destinada a figurar na faixa que anuncia uma passeata ou um comício do partido de Lula.

"Isto é a escandalização do nada", caprichou o controlador ao decidir que não havia motivo nenhum para a barulheira da imprensa em torno da gastança com cartões corporativos. A frase pegou feito fogo na floresta. "Isso é a escandalização do nada", repetiu a ministra Dilma Rousseff, aplicando a invenção de Hage ao dossiê montado no Gabinete Civil para prejudicar FHC.

Não existe pecado do lado de baixo do Equador, vem reiterando há cinco anos o tratamento de cúmplice concedido por Lula à bandidagem companheira. Mas faltava a frase que resumisse a grande ópera da safadeza.

Graças a Jorge Hage, agora não falta mais nada.

Pajelança perigosa
Não convidem para a mesma pajelança militares em postos de chefia na Amazônia e a companheirada reunida no alto comando do Incra, do Ibama e da Funai. As Forças Armadas e as siglas sempre tiveram divergências sobre a política indígena – se é que merece esse nome um mosaico de peças que não se encaixam. Mas agora já nem falam a mesma língua. Onde os paisanos enxergam "nações", "reservas indígenas" e "povos da floresta", os fardados vêem "tribos" (ou "etnias"), "terras indígenas" (inseparáveis do mapa do país) e ramificações do povo brasileiro, todas atadas para sempre pelos laços da unidade nacional.

Os militares começaram a usar esse dialeto fora dos quartéis.

A coisa é grave, mas tem cura
Concentrado na busca de soluções para os problemas que afligem o DEM, partido que preside, o deputado federal Rodrigo Maia ainda não descobriu que o maior deles está literalmente em casa. Alguém precisa avisar ao filho de Cesar Maia que nada é tão urgente quanto escolher a terapia mais adequada para a enfermidade do pai, um tanto incomum entre gente madura. O prefeito abandonou o emprego por ter-se juntado à multidão dos viciados em internet.

A disfunção tem cura. Em São Paulo, a USP, a PUC e o Hospital das Clínicas tratam gratuitamente portadores de pelo menos cinco dos oito sintomas básicos. O primeiro é preocupar-se exageradamente com a internet. O segundo é tentar aumentar o tempo de convívio com a telinha.

Os seis restantes: fracassar invariavelmente nas tentativas de livrar-se do vício, ceder a acessos de irritabilidade ou depressão quando a atividade de internauta sofre restrições, tornar-se emocionalmente instável, prolongar o período reservado formalmente ao terminal, ignorar os efeitos negativos sobre o trabalho e a vida social, ocultar com mentiras o volume de horas dedicadas à internet.

Como Cesar Maia preenche com folga todos os quesitos, vale a pena examinar o modelo chinês, um tanto radical. A terapia consiste, essencialmente, em leves choques elétricos. No caso do prefeito, cada vez que apertasse a tecla enter, sofreria um choque no dedo. Como castigo adicional, ouviria a voz do filho reiterar a advertência: "Vai trabalhar, pai".

Lula é candidato a uma faculdade
O presidente Lula revelou que, nas cinco ocasiões em que resolveu cursar uma faculdade, a mão do destino interditou o caminho. Seguem-se os cinco momentos históricos (e, entre parênteses, ligeiros comentários da coluna):

1. "Na primeira vez, não tive condição". (Financeira, supõe-se. Milhões de brasileiros pobres superaram o problema com uma fórmula singela: vararam madrugadas estudando e entraram numa universidade pública).

2. "No segundo momento, eu estava casado". (O maior presidente de todos os tempos acaba de conceder-se mais dois títulos: os de "Marido mais amantíssimo" e "Pai mais extremoso" do Brasil).

3. "No terceiro momento, eu era dirigente sindical". (O argumento coloca sob suspeição os diplomas orgulhosamente exibidos por companheiros como o advogado Vicentinho da CUT. Podem ter sido falsificados).

4. "No quarto momento, virei presidente do PT". (Poderia ter-se matriculado num curso noturno. No resto do dia, continuaria dando aulas à companheirada).

5. "No quinto momento, não pude fazer faculdade porque virei presidente da República. Quem sabe no sexto momento, quando eu não for mais nada, eu possa conseguir, através da universidade aberta, o meu diploma".

Vai nessa, presidente. Escolha o curso com que sempre sonhou, não acredite no que diz a turma que acha leitura pior que exercício em esteira, providencie professores particulares para todas as disciplinas e evite improvisos nos dias de exame. A temporada em Harvard é para mais tarde.

Leitura recomendada para Lula e seu Ministro da Doença

Brasil registrou 489 surtos de doenças nos últimos dois anos
Fabiane Leite, Estadão

Sistema monitora nos Estados situações inusitadas, que incluem desde casos de beribéri até mal de Chagas

O Brasil registrou nos últimos dois anos 489 surtos e emergências em saúde pública, que incluem casos de doenças transmitidas por insetos, como dengue, febre amarela e mal de Chagas, além de enfermidades transmitidas por alimentos contaminados, como registros recentes de beribéri. É o que mostram dados inéditos do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), órgão do governo federal.

A unidade, criada em 2006 e que funciona 24 horas em uma sala do Ministério da Saúde, em Brasília, monitora todas as situações inusitadas de saúde. São incluídas aquelas que fogem aos padrões de comportamento das doenças de notificação compulsória ou males dos quais não se sabe a origem e que têm potencial para crescer e comprometer a saúde de um grande número de pessoas. Atualmente, por exemplo, o Cievs acompanha a epidemia de dengue no Rio em razão do seu alto grau de letalidade. "No ano passado, apesar de o País também ter registrado epidemias, com estimativa de mais de 500 mil casos de dengue, não houve a letalidade da atual explosão de casos no Rio nem a necessidade de atuação direta do órgão nas investigações em Mato Grosso do Sul, por exemplo (que teve epidemia em 2007)", diz o secretário-adjunto de Vigilância em Saúde da pasta, Fabiano Pimenta.

Mas o Cievs foi obrigado a agir em 2007 para entender como a dengue chegou pela primeira vez ao Rio Grande do Sul, apesar das temperaturas amenas, além de ter atuado nos recentes casos de mortes por beribéri. A doença, registrada desde a escravidão por déficit alimentar e ligada à carência de vitamina B, voltou de outra forma, por meio de uma toxina que contamina o arroz e dificulta a absorção do nutriente. Foi a causa de 38 mortes no País desde 2006. No caso da malária, doença endêmica que ocorre principalmente na Amazônia Legal e também responsável por um grande número de vítimas todos os anos (cerca de 500 mil), o Cievs entra em ação quando há mudanças nos padrões epidemiológicos.

O centro calcula que nestes dois anos de atuação mais de 40 mil pessoas possam ter sido afetadas diretamente pelos surtos e emergências acompanhados, mas não forneceu dados dos desfechos de todos os casos "inusitados". Disse apenas que todos foram controlados.

Segundo a pasta, só em 2006, quando o Cievs acompanhou 189 surtos e emergências, conseguiu-se confirmar quase 10% dos problemas de saúde das 26 mil pessoas atingidas. Foram registrados 74 óbitos. Naquele ano apenas um Estado não relatou casos inusitados, Sergipe, mas isso não quer dizer que eles não tenham ocorrido. Em 2007 chegou-se ao patamar de 300 casos investigados, com 22 mil pessoas envolvidas.

Entre as emergências de saúde, o centro tem acompanhado mortes de animais que podem alertar sobre doenças em circulação - um exemplo é o caso dos macacos que podem ser reservatórios do vírus da febre amarela - e enchentes que trazem riscos de doenças, como leptospirose - transmitida pela urina de ratos na água acumulada.

Para Pimenta, os mais de 400 eventos coletados pelo centro são resultado de uma melhora na detecção. A comparação com outros países é vista com reservas por especialistas em razão de diferenças climáticas, dos perfis de problemas de saúde e dimensões de cada um.

Modelo
O Centro de Controle de Doenças dos EUA, modelo para ações do Cievs, no entanto, só em 2006 apontou cerca de 30 problemas de saúde de notificação compulsória como preocupantes, que foram investigados e acompanhados. "Este esforço do Brasil é positivo porque o País não pode ficar vulnerável a ponto de não identificar os casos", diz o brasileiro Jarbas Barbosa, gerente da Área de Vigilância em Saúde e Gestão de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Ele considera o Brasil um dos mais preparados para detectar surtos no continente.

Segundo Barbosa, a causa de o País registrar vários tipos de doença varia desde as características próprias das enfermidades, como o fato de na dengue os mosquitos transmitirem o vírus para os seus "descendentes", até as ambientais - clima, manejo inadequado de resíduos -, além de políticas de saúde inadequadas em alguns casos.

As doenças transmissíveis, que eram a principal causa de morte nas capitais brasileiras na década de 30, hoje estão atrás de problemas cardiovasculares e câncer, mas ainda são responsáveis por um número importante de adoecimentos e óbitos. Respondem por cerca de 8,4% das mortes (251,2 mil) entre 2002 e 2004. "Quando vieram as vacinas, os antibióticos, acreditava-se que essas doenças desapareceriam. É utopia. Quem garante que não há um novo vírus ?aprendendo? a se transferir dos animais para os homens? A preocupação deve ser com a detecção precoce. É a demora que torna os casos mais difíceis", diz Barbosa.

A dengue está fora do PAC

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Em justa e atrasada crítica, o ministro da Saúde, José Gomes Tinhorão, começou a botar os pingos na dengue, a começar pela corajosa carapuça com endereço certo de que "a dengue é uma lição que o Brasil já deveria ter aprendido há muito tempo". E avança com cautela para não pisar no calo do responsável direto para lembrar que, "todos os anos em que há campanha eleitoral, a guerra contra a dengue perde".

Ora, mas quem está fazendo campanha, ignorando a caduca legislação eleitoral, com a candidata-ministra Dilma Rousseff, mãe do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) a tiracolo, como usa a frágil desculpa de que acompanha obras como mestre do ofício e desfila nos palanques para os múltiplos improvisos diários?

A oposição protesta, como se constrangida por dever penoso. E pela garganta da meia dúzia de senadores e raros deputados que dão o seu recado pela tribuna parlamentar.

A bem nutrida maioria governista – que engorda a cada dia com as adesões negociadas no balcão do toma-lá-dá-cá da troca de votos por ministérios, autarquias, diretorias e demais miçangas – tem coisas mais urgentes para cuidar. O escândalo da divulgação do banco de dados, muito mais parecido com dossiê, engrossou com as novas denúncias que expõem na sua nudez a manobra política urdida no gabinete civil da ministra-candidata Dilma Rousseff para acuar a oposição com o levantamento dos gastos do ex-presidente FH e de dona Ruth com os cartões corporativos e as contas B. É munição para explodir o paiol.

Mas o desvio da rota não impede que se retome o roteiro da expansão da epidemia da dengue pelo país, com "significativo aumento no Amazonas, Rondônia, Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte e Pará". E no Rio de Janeiro chega a mais do dobro a soma dos casos nos demais Estados. Estadual ou nacional, a justa crítica ao sumiço do prefeito Cesar Maia, do Rio, não serve de tapume para disfarçar a apatia do governo nacional e a tática presidencial de limitar a sua participação na tragédia às esporádicas manifestações em entrevistas e discursos.

Não é esta a nossa tradição ao longo da História, desde os tempos do Império ao longo da República. Inclusive nos mandatos dos antecessores de Lula. A presença do presidente conforta as vítimas que não se sentem abandonadas. E a epidemia da dengue, que escapou do controle municipal e estadual, expõe o fracasso do Sistema Único de Saúde (SUS) na angústia das filas de milhares de desesperados com os sintomas da doença diante das portas semicerradas de hospitais e postos de saúde, com doentes pelos corredores, deitados em esteiras ou em bancos à espera do milagre do atendimento de enfermeiras e médicos exaustos.

É inexplicável a demora na mobilização do socorro do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que comprovou a notória competência e que teria salvado vidas de muitos que não encontraram socorro na ronda por hospitais superlotados. Ao voltar do seu próximo giro internacional, o presidente Lula terá tempo de colar um remendo na sua omissão e assumir o comando nacional da luta contra a epidemia da dengue. Qualquer que seja o quadro que o espere.

E não custaria tanto baixar o nível da arrogância numa autocrítica sem testemunhas dos muitos erros da safra dos últimos meses. Os 55% de aprovação popular da última pesquisa subiram à cabeça como vapores etílicos. O líder blindado com índices ascendentes de aprovação considera-se acima de críticas. E decidiu antecipar-se aos prazos da experiência. No galeio da contradição entre o que diz e o que faz, lançou a virtual candidatura à sua sucessão, a ministra Dilma Rousseff. E, não satisfeito, disparou Brasil afora em campanha eleitoral que embola a autopromoção da visita a obras do PAC, quase todas no início, com a torrencial eloqüência da sua facilidade no improviso.

Ora, é preciso muito descaro para negar a evidência que entra pelos olhos nas telas da televisão, nas fotos e nos textos da mídia, nos conchavos dos partidos que se antecipam na correria do apoio incondicional ao presidente popular e à sua candidata nos ensaios de campanha. A desmoralização programada da CPI dos Cartões Corporativos – a começar pela pescaria da maioria dos seus representantes no bloco dos anônimos que se escondem nas últimas filas do plenário e curtem o mandato milionário em mudez protetora– é como jogar a bola contra a parede.

Ela volta ao campo.

ENQUANTO ISSO...

Brasil tenta a TV digital nos EUA
Renato Cruz , Agência Estado

Área de suporte ao entretenimento quer divulgar sistema brasileiro de televisão de alta definição para nações

O Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que estreou na Grande São Paulo em dezembro, tenta se vender nos Estados Unidos. Não aos americanos, que já se encontram na fase final da transição tecnológica. Os EUA têm tecnologia digital própria, chamada ATSC, e vão encerrar as transmissões analógicas em 17 de fevereiro de 2009.

Com um pavilhão brasileiro de 22 estandes no evento NAB Show, que acontece entre os dias 11 e 17 deste mês em Las Vegas, o Fórum do SBTVD, juntamente com empresas e centros pesquisas brasileiros, espera convencer outros países da América do Sul a utilizarem a tecnologia.

"Estamos fazendo um grande esforço para a promoção internacional do SBTVD", disse Luis Olivalves, coordenador do Módulo de Promoção do fórum, que reúne radiodifusores, indústria, pesquisadores e governo. O pavilhão terá uma demonstração da tecnologia adotada no Brasil, com um transmissor e dois televisores de LCD recebendo o sinal em alta definição. Haverá também equipamentos móveis e portáteis.

O SBTVD foi criado a partir da tecnologia japonesa ISDB-T. Houve duas modificações principais: a tecnologia de compressão de vídeo foi atualizada e foi criado um software de interatividade localmente. O software, chamado Ginga, não está disponível ainda em nenhum equipamento no mercado. Segundo Olivalves, não haverá demonstração do Ginga em Las Vegas.

"Esperamos que outros países adotem o sistema", disse Moris Arditti, presidente do Instituto Genius, criado pela Gradiente. O instituto de pesquisa desenvolveu uma plataforma de conversor de TV digital, também chamado set-top box, que quer licenciar para outros fabricantes. O conversor permite receber o sinal digital para assisti-lo em televisores analógicos. O conversor mais barato hoje no mercado sai por cerca de R$ 500 (dez vezes mais que o valor desejado para o futuro). O Instituto Genius tem equipes em São Paulo e Manaus.

A Idea Sistemas Eletrônicas, de Campinas, desenvolveu dois equipamentos que serão demonstrados na NAB. Um é um transmissor no padrão europeu DVB-S2, empregado pelas emissoras para transmitir o sinal para os satélites.

Enquanto isso...

TV digital falha em 33% de São Paulo, diz estudo
Daniel Castro, Folha de São Paulo

Medições apontam que cobertura só é satisfatória em 2 mi dos 5,5 mi de domicílios

Levantamento revela necessidade de uso de antena externa em determinadas regiões e ausência de sinal em outras

Quatro meses após pomposo lançamento na Grande São Paulo, a TV digital ainda é capenga. O sistema continua sem interatividade, caro e atraindo poucos interessados. E um estudo da Philips, a ser lançado nesta semana, mostra que o sinal digital das TVs abertas falha em 33% dos 103 pontos medidos pela empresa. A cobertura só é satisfatória em 2 milhões dos 5,5 milhões dos domicílios da região metropolitana.

O levantamento revela que a cobertura digital das principais redes já é semelhante à analógica (veja mapa à pág. B18). Isso quer dizer que, se a TV analógica "pega" mal onde você mora, são grandes as chances de a TV digital também falhar. Diferentemente da TV analógica, a digital não tem fantasmas e chuviscos. A imagem é nítida. Mas, se o sinal é fraco, ou a imagem "congela" na tela do televisor ou não "pega" nada.

Um dos argumentos centrais para a adoção pelo Brasil do sistema de TV digital japonês era o de que se tratava de tecnologia robusta, a melhor para uma cidade como São Paulo, repleta de barreiras (edifícios) ao sinal das TVs. Com o padrão japonês, seria possível ver TV em minitelevisores e em celulares. Dessa forma, televisores móveis e fixos não precisariam mais de antenas externas, no topo de casas e prédios, mas apenas de discretas antenas internas.

O trabalho da Philips mostra que não é bem assim. Dependendo da localização do televisor e do material usado no imóvel (paredes muito grossas, por exemplo), pode haver necessidade de antena externa a poucos quilômetros das torres das TVs. Em condomínios sem antenas externas, o telespectador, para ter bom sinal, continua "dependente" da TV paga.

Zona de sombra
Em trechos de bairros como Alphaville (Barueri, oeste da Grande São Paulo), Morumbi (zona sul), Chácara Santo Antônio (zona sul) e quase toda a região do ABC, a antena externa é obrigatória para a recepção de determinadas emissoras.

Na zona leste, há grande zona de sombra, sem sinal das TVs, no vale da avenida Jacu-Pêssego. Na zona norte, o sinal "morre" na serra da Cantareira. O Rodoanel (a oeste), a Cantareira e a Jacu-Pêssego funcionam como divisa: a partir dessas vias, a TV digital é temerária.

O encarregado de compras Luiz Nunes, 61, mora em Itaquera, no centro da zona de sombra da Jacu-Pêssego. Desde o lançamento da TV digital, ele tenta comprar um receptor da tecnologia. "Fui ao Extra e às Casas Bahia, mas nem tinham o aparelho, porque sabem que aqui "pega" mal. Nas Casas Pernambucanas, tem, mas só pega a Globo, e ainda com falhas."Há dez emissoras com sinais digitais no ar na Grande SP. Três delas -Cultura, RIT e Mix TV- ainda estão em fase experimental. Das outras sete, o sinal da Globo é o mais regular.

A medição não encontrou o sinal da Band e o da Record, por exemplo, a poucos metros da sede da Globo, no Brooklin (zona sul). O sinal da Record estava intermitente (com interrupções) no Sumaré (zona oeste) e ausente no Campo Belo, nas redondezas do aeroporto de Congonhas (zona sul). O da Cultura não foi localizado nas proximidades da ponte do Piqueri (zona oeste), a apenas 400 metros da sede da emissora. Os sinais do SBT e da Rede TV! estavam ausentes na Saúde (zona sul).

O levantamento da Philips foi realizado no final de março. Foram usados um monitor de TV e um set-top box (receptor) da empresa e uma antena interna, a um metro e meio do chão. Os rastreamentos foram feitos dentro de carros parados.

Dos 103 pontos medidos, 16 não detectaram nenhum sinal e 18 só sintonizaram até três emissoras -a soma dá 33% do total. Em 40 locais, foram detectados no mínimo sete emissoras; em 29, de quatro a seis.

Responsável pelos testes, Ricardo Teixeira, gerente de laboratório da Philips, enfatiza que o estudo simula uma situação real, mas serve apenas para orientação. Além de antenas externas e antenas amplificadas, o usuário pode obter um bom sinal com um simples deslocamento de dois metros.É a terceira vez, desde dezembro, que a Philips divulga suas medições -o resultado estará amanhã no site www.simplificandotvdigital.com.br. A empresa, que defendeu a adoção do padrão de TV digital europeu, diz que seu único objetivo, com o mapa, é orientar o consumidor de seus produtos.

"Treinamos distribuidores para orientarem o consumidor. Seria um desastre o consumidor devolver suas caixas [conversoras]", diz Walter Duran, diretor de tecnologia da Philips. Apesar dos problemas e da baixa penetração (estima-se em apenas 20 mil os conversores vendidos), o que levou emissoras e fabricantes a planejarem um "relançamento" da TV digital para maio, Duran elogia a introdução da tecnologia no Brasil.

"Ouso dizer que foi a melhor do mundo do ponto de vista do consumidor."Duran diz que os transmissores das emissoras já estão na potência máxima. Para melhorar a cobertura, na periferia, serão necessários repetidores de sinais. "A TV digital melhorou muito, mas pode ser 100%."

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Não é por nada não, mas quem sabe, primeiro, o governo tenta fazer a TV Digital funcionar direito no Brasil, para depois se “aventurar” em querer vender sua tecnologia lá fora. Se é para pagar mico, que o façamos apenas por aqui. Não precisamos nos desmoralizar ainda mais lá fora.

Parece que este pessoal não aprendeu ainda a ter senso do ridículo!!!

Gasto de FHC chega a Portal da Transparência

Marcelo de Moraes, Estadão

CGU disponibiliza despesas com cartões do ex-presidente em 2002, que somaram R$ 3 mi

Em meio à turbulência política provocada pelo vazamento de informações sigilosas referentes a gastos do governo de Fernando Henrique Cardoso, a Controladoria-Geral da União (CGU) disponibilizou nesta semana, no Portal da Transparência, os gastos com cartões de crédito corporativo do governo tucano em 2002. Ao todo, o governo FHC gastou R$ 3.004.180,40 com o cartão corporativo, sendo que quase todas as despesas foram produzidas pela própria Presidência da República ou por órgãos vinculados diretamente a ela (cerca de R$ 2,8 milhões).
Essas despesas foram produzidas de setembro a dezembro de 2002, período em que o cartão corporativo passou a ser usado na prática pelo governo federal iniciando o processo de substituição dos fundos de suprimento. As informações foram colocadas no portal na última quarta.

Segundo a assessoria da CGU, isso foi feito para atender a um pedido feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de dar transparência a todos os gastos gerados pelo governo. Também foram publicadas as despesas com os cartões corporativos referentes a 2003, primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As informações preservam o sigilo dos dados dos gastos secretos feitos com o cartão pelo gabinete da Presidência, que somam R$ 1.045.110,75. Os gastos secretos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também tiveram seu conteúdo protegido, somando R$ 1.723.132,79.

O uso do cartão corporativo passou a crescer gradativamente, explodindo no ano passado, como revelou reportagem do Estado, em janeiro, provocando a queda da ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria da Igualdade Racial, campeã de gastos entre os ministros.

As despesas sigilosas do gabinete da Presidência somaram cerca de R$ 1 milhão em 2002 e aumentaram já no ano seguinte. No primeiro ano do governo Lula, os cartões corporativos produziram um total de despesas de R$ 9.262.660,44. As despesas secretas do gabinete da Presidência somaram R$ 5.606.183,22.

O crime compensa? No governo Lula, sim !!!

Adelson Elias Vasconcellos

Qual a impressão que este governo acaba passando para a sociedade? A de que o crime compensa. Todos os petistas implicados, unas mais do que os outros, nas grandes tramas criminosas que vieram à tona desde 2003, nenhum, repito, NENHUM responde a processos na justiça, a exceção dos 40 quadrilheiros do Mensalão, e ainda assim não temos a menor idéia de como esta história irá terminar. Contudo, todos vão bem obrigado. Aliás, MUITO BEM. E muitos, o noticiário é claro neste sentido, acabaram em situação até melhor depois dos escândalos.

A sensação que este governo transpassa para o povo é a de que, entre eles, não apenas o crime compensa, mas o criminosos com carteirinha do partido acaba até sendo promovido. Diante desta clara demonstração de impunidade fica difícil para qualquer pai e mãe tentarem educar seus filhos seguindo as regras da boa conduta, de que não se pode matar, furtar, corromper, subornar, mentir. Porque ele, fatalmente, lhe jogará na cara que fulano infringiu a lei e acabou recompensado, ou que o presidente mente e continua presidente. Dias difíceis, não é mesmo ?

Pois a Folha de São Paulo deste domingo mais uma desta notícias que nos espanta e nos estarrece: a dona Erenice Guerra, enredada até o último fio de cabelo na sórdida trama do dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique, esposa e ministros, acaba de ser contemplada com promoção ao Conselho Fiscal do BNDES, onde, por uma e única miserável reunião mensal, receberá módicos R$ 3.500,00 de salário, os quais serão devidamente acoplados aos seus ganhos pelo trabalho “honesto” que presta ao partido na Casa Civil, que é de R$ 8.400,00, além de uma boquinha rica na Chesf onde recebe a merreca de R$ 2.400,00, para não fazer absolsutamente nada. Assim, esta "inestimável" prestadora de serviços públicos, será regiamente paga pelos brasileiros em módicos R$ 14.300,00, para as tarefas que compreende bisbilhotar governos dos outros e montar dossiês. Trata-se, como se vê, de uma profissional do ramo, com salários inimagináveis para qualquer barbabé, sem concurso, sem despesas, e devidamente protegida pela chefia. É, sem dúvida, um acinte.

E, aí, vamos dizer o quê, diante deste desrespeito ao povo brasileiro, desta bofetada desferida por Lula à honestidade da imensa maioria de honestos e que trabalham duro, em condições muitas vezes deploráveis, recebendo salários indignos para tocarem longas jornadas de trabalho diário, tendo ainda que suportar o fato de que, o produto dos impostos que o governo lhes toma, serve para sustentar a corja canalha cada vez mais patropi? Como podemos, diante destas ações degradantes e imorais, tentar consertar o país, lhe dando ares de seriedade e civilidade?

Segue a reportagem da Folha, pela qual a repulsa fica quase incontida diante do que Lula está fazendo com o Brasil, isto é, a total degradação moral e ética dos costumes, da decência e da cidadania. É isto aí, gente boa, vamos bisbilhotar. A profissão pode não ser regulamentada, mas a remuneração, parece, é ótima.

A reportagem é de Andreza Matais para a Folha.

Braço direito de ministra vai para o Conselho Fiscal do BNDES

Erenice vai receber R$ 3.500 por uma reunião por mês

Responsável por coordenar a montagem do dossiê com informações sigilosas sobre gastos da família FHC, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, vai assumir nos próximos dias uma vaga no Conselho Fiscal do BNDES, o que lhe garantirá renda extra de R$ 3.500 para participar de uma reunião por mês.

A vaga é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, mas a Folha apurou que a sugestão do nome dela partiu da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), de quem Erenice é a principal subordinada. A indicação também tem a chancela do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem cabe nomear os conselheiros.

Nos últimos três dias, a Folha buscou confirmar com a Casa Civil, o BNDES e o Desenvolvimento quando foi feita a indicação. Não obteve resposta.

A secretária entrará na vaga de Cesar Acosta Rech. O mandato é de dois anos. O Conselho Fiscal do BNDES tem três representantes. Dois são indicados pelo Desenvolvimento e outro, pela Fazenda.

Além do salário de R$ 3.500 para participar de uma reunião por mês, os conselheiros também recebem reembolso das despesas de locomoção e hospedagem -as reuniões são no Rio. A atribuição do conselho é analisar as contas do banco.

Na Casa Civil, o salário de Erenice é de cerca de R$ 8.400. Ela também está no conselho de administração da Chesf, com salário de R$ 2.500, desde 2005. Erenice integrava o Conselho Fiscal da Petrobras, mas seu mandato se encerrou agora em abril e não será renovado.

Para a oposição, o governo tenta fortalecer Erenice porque a sua demissão seria confissão de culpa. "Isso [a indicação] mostra como ela é de confiança e como há preocupação com ela no governo. A participação nesses conselhos é uma forma de aumentar o salário de alguns servidores. Ela deveria é ser demitida e não receber "promoção'", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

A Folha procurou Erenice por meio de sua assessoria, mas ela não se manifestou.

O campo minado do trânsito no Brasil

Adelson Elias Vasconcellos

Pois vamos agora voltar a falar sobre a questão que, de fato, me preocupa em relação a grande venda de automóveis, que é falta de ações públicas, que permite ao grandes centros urbanos, absorverem sem traumas nem caos, este enorme de veículos novos que estão sendo despejados a mais no trânsito, seja das vias públicas nas cidades, ou até nas rodovias.

Para quem mora em São Paulo, ou ao menos acompanha os noticiários diários, sabe o inferno e a loucura que andar de carro na capital paulistana tem se tornado. Já se calculou o prejuízo que caótico provoca: são mais de R$ 20,0 bilhões anuais.

No Rio de Janeiro, quem nos informa é o Globo online:

O preço que o Rio paga por parar no tempo
O Globo Online

RIO - Parado num engarrafamento, onde só os minutos passam correndo, o carioca não perde apenas tempo, segundo reportagem publicada neste domingo pelo jornal 'O Globo'. De acordo com estudo feito pelo professor de engenharia de transportes da Coppe/UFRJ Ronaldo Balassiano, ao qual os repórteres Cláudio Motta e Fernanda Pontes tiveram acesso, as horas de trabalho desperdiçadas no trânsito das principais vias da cidade, seja ao volante do próprio carro ou dentro dos ônibus, geram um prejuízo que pode chegar a R$ 12 bilhões por ano, o equivalente a 10% do PIB da cidade. O cálculo considera o valor médio da hora trabalhada e os gastos a mais com combustíveis.

Vocês acham pouco ? Então, saibam que apenas nestas duas cidades, os prejuízos causados pelo trânsito no espaço de um ano apenas, é quase o dobro do montante que o Governo Federal pretende investir em 2008 em infra-estrutura em toda a extensão do território nacional. Conclusão: nem no curto tampouco no médio prazos, teremos soluções que ao menos amenizem o prejuízo. A tendência, conclusão óbvia, é continuar aumentando.

E destaca-se ainda que o incentivo governamental para que este aquecimento se mantenha vai permanecer como está. Claro, existem razões políticas e econômicas, com as quais as autoridades tentam se justificar. Contudo, até seria razoável de se entender tais razões se, em contrapartida, houvesse de parte do Poder Público um pouco de ação no campo de se dotar não apenas as cidades, mas também as estradas que cortam o país, de uma capacidade mínima possível de suportar o fluxo cada dia mais intenso.

Ontem, dissemos aqui que também, por conta de apelo para a compra de carros, que não se pode ignorar a falha criminosa das autoridades responsáveis pela fiscalização do trânsito. Muitos prefeitos e vereadores, na tentativa de capitalizarem simpatias e votos junto ao eleitorado, sistematicamente fazem campanha prometendo acabar com o que eles chamam de “indústria da multa”. Retiradas de redutores de velocidade, liberação de limites de velocidade, liberação inconseqüente de estacionamento em vias sem a menor condição para tanto, tudo aliado a falta de critério para concessão de novas habilitações, a falta de condição mínima de um imenso contingente de veículos imprestáveis, vão se juntando a leniência com as leis que servem para tirar das ruas pessoas inaptas, que se consideram donas das ruas e se comportam acima das leis. Já nem sequer apelo ao prejuízo material, e sim ao prejuízo de vidas que são ceifadas aos milhares, afora os sobreviventes que permaneceram inválidos para o restante de suas existências.

Hoje, A Agência Estado publicou uma estatística aterradora: há no Brasil, segundo estimativa do Estudo da VIGITEL, um total de 350.829 motoristas dirigindo diariamente após o consumo de bebida alcoólica. Destacam-se São Paulo, com 40.305, Belo Horizonte com 8.711, Rio de Janeiro com 21.299, Distrito Federal com 7.670, Salvador com 9.681, justamente as que apresenta os maiores congestionamentos, e as que possuem a maior frota. E sabemos o quanto é difícil para as autoridades de trânsito conseguirem punir alguém por conta desta infração. Esquecem-se os que adoraram infringir, as milhares de pessoas que morrem anualmente por conta de acidentes provocados por motoristas embriagados. Neste caso, não apenas o motorista bêbado, que provocou acidente com vítimas fatais, deveria ter sua carteira habilitação apreendida, como também deveria responder a processo por homicídio culposo, e ainda mais importante, cumprir a pena devidamente preso. Não se pode condescender com práticas criminosas. Tal comportamento apenas serve para transformar o país numa terra de selvagens, onde inexiste leis, onde impera a barbárie e a violência é que faz as regras.

Não é tornar a lei severa além do que ela já é. Basta apenas cumpri-la, e isto deve valer para todos. Conscientização de motoristas se faz não apenas com propagandinhas vagabundas, com campanhas incipientes, ou com a adoção de novas regras que, depois de serem notícias, caem no profundo esquecimento. É preciso que haja rigor, e não apenas no trânsito mas em tudo, no cumprimento das leis que servem para tornar a vida de todos melhor e mais segura. É preciso multar, apreender veículos imprestáveis e cassar habilitação de motoristas sem a menor condição de dirigirem um carro.

Com planejamento viário e rodoviário e a devida aplicação das leis que disciplinam o tráfego, já se estará indo na direção certa, isto é, fazer do automóvel aquilo que ele realmente é, um meio de transporte, e não uma arma nas mãos de gente sem qualificação. Ou seja, e em resumo: precisamos, sempre e sob quaisquer circunstância, preservar e valorizar a vida. Do jeito que vai, sem ações nem conscientização, ruas, avenidas e rodovias estão se transformando em campos de batalha. Importante destacar, batalha contra a gente mesmo.

Lula só pensa “naquilo”.

Adelson Elias Vasconcellos

Era para ter sido no anterior, aí apareceu a afirmação do José Dirceu quanto a teoria conspiratória no caso do dossiê anti-FHC, aí tive que deixar para ser neste. E, de novo, vou deixar para o próximo post a conclusão do assunto sobre os problemas que a grande venda de automóveis está provocando e que tende a ficar pior e dramática nos próximos 3 a 5 anos, a persistir o volume atual, e persistir também a falta de planejamento para o desafogo viário e rodoviário no país, principalmente por parte das prefeituras das grandes e médias cidades brasileiras. Segurem firmes aí, que ainda voltarei a este assunto.

É que acabo de ler no Globo online, um artigo sobre o tal terceiro mandato para Lula já a partir de 2011.

Bem, este assunto começamos a tratar logo que se iniciaram as discussões em torno da CPMF, com o terrorismo do governo Lula para aprovar, e a oposição provando que o governo não mais precisava deste dinheiro, que o melhora fazer seria aliviar os contribuintes de mais um achaque. Claro que Lula esqueceu que, na oposição, ele e seu partido fecharam questão e votaram contra. Já no governo, o discurso mudou, e o dinheiro que os outros não precisavam, agora fazia imensa falta para ele. Dizia que, sem ele, ficariam prejudicados os programas sociais do governo federal e a saúde ficaria prejudicada com o montante de recursos que deixariam de entrar.

A CPMF foi negada, mas o que se vê, três meses, é que os programas sociais não foram afetados coisíssima nenhuma, até pelo contrário. Já deu para Lula amplia-los, com o Bolsa do Primeiro Voto. E quanto a Saúde continua tão mal quanto antes mesmo com a CPMF, pelo que se conclui que ali não é falta de dinheiro o problema, é falta de competência mesmo.

Mas voltemos ao assunto do tal terceiro mandato. Pela lei atual Lula só poderia eleger-se novamente em 2014. Mas ele não quer, e tanto não quer que, nem tendo chegado a metade de seu segundo mandato, ele próprio antecipou a discussão sobre a sua sucessão.

E, como sempre afirmamos, a necessidade da CPMF não tinha por foco nem Programas Sociais nem tampouco a Saúde. Objetivo central estava na eleição deste 2008, municipais, para as quais Lula despenderia enorme esforço para ampliar seu arco de apoio e, assim, poder não logo contar-se o último voto, iniciar a campanha de 2010 em definitivo. É lógico que o tema da sucessão jamais saiu de foco, mas, naquele momento, poucos se apercebiam ou pelo menos se atreviam a escrever sobre o assunto.

Lula sempre que questionado sobre as possibilidades do terceiro mandato, desconversa. Sempre procura dar respostas que não representem comprometimento. Nunca se ouviu dele um sonoro e vibrante “NÃO VOU CONCORRER” . Contudo, este sonho permanece mais aceso do que nunca. E a montanha de dinheiro proveniente da CPMF serviria justamente para adubar este caminho.

Ora, R$ 40 bilhões anuais, é sim uma enorme tentação para ser recusada de ser utilizada nas campanhas que Lula vem fazendo país afora. Inclusive, Lula tem participado diretamente das discussões em torno de nomes em algumas cidades, bem como o arco de alianças necessárias para que os “escolhidos” acabem eleitos.

Com ampla base de apoio, nos Estados e Municípios, o tema do terceiro mandato seria em frente. Não que Lula encaminhará diretamente a modificação constitucional indispensável. Nunca falta um ou mais laranjas para “proporem” a alteração.

Se ele de fato puder comemorar em clima de festa a alegria pela eleição de seus aliados ou “escolhidos”, neste caso o assunto seguirá em frente.

Ao artigo a que me referi acima do Jornal O Globo Online, nos mostra que o debate sobre o terceiro mandato é estimulado pelo próprio Lula e dele emana toda uma estratégia para colher-se o resultado pretendido.

Vocês podem reparar nos noticiários, jornais e revistas semanais que o tema vai tomando forma, e as pessoas já medem mais escrúpulos , já falam abertamente.

Claro que se precisa mudar a Constituição, mas com a maioria que tem, quem duvida que não consiga. Ainda mais levando-se em conta de que o PT não ninguém com mínimas chances de vitória dentro do partido, a não ser o próprio Lula.

Agora vocês imaginem aquela bufunfa toda irrigando as arcas das campanhas para vereadores e prefeitos? Dá, não dá?

E registrem: o assunto do terceiro mandato só está tomando forma na boca por enquanto dos petistas, em razão de que o Vice-Presidente José Alencar, vislumbrou no tema polêmico, a grande sacada para o foco sair do dossiê. E dia após dia, aparece mais um maluco defendendo a tese. Hoje, por exemplo, foi o prefeito do Recife, (adivinhem de que partido é o mancebo?), que “não vê nenhum” Ele viu quando FHC fez, mas o poderoso Lula, ele pode muito bem fazer o mesmo que os outros que não há mal algum (dois pesos e duas medidas, né?).

Assim, a informação que O Globo nos traz somente confirma o que aqui alertamos desde outubro de 2007. Ás vezes, as esquerdas brasileiras são aborrecidamente previsíveis. E, apesar disso, a oposição continua comendo poeira com sua “oposição responsável”. Exemplo disto já comentamos aqui. Em São Paulo, Alckmin sem mais nem porque, se intrometeu a querer sair candidato do PSDB à prefeitura, alegando, na época sua posição nas pesquisas. Ignorou a aliança vitoriosa de DEM/PSDB em relação à Prefeitura, e apesar da boa colocação, e sempre crescente, de Gilberto Kassab, aliada à sua aprovação,

Deveria o tucano, conforme afirmamos, ter se resguardado para disputar o Governo do Estado em 2010.Porém, cabeça dura como é, Alckmin a exemplo do que fizera em 2006 na eleição presidencial atropelando José Serra, o único de vencer Lula dentre todos os candidatos inclusive a ele próprio, Alckmin, seguiu em frente e abriu brecha no eleitorado, agora dividido graças à sua estabanada intervenção.

Com isso, Marta Suplicy que seguia flanando sestrosa nas asas do Ministério do Turismo viu uma luz no fim do túnel. Lula lançou-a candidata do partido e, eis que o impensável se tornou possível: com o eleitorado divido, Marta já aparece em primeiro lugar na pesquisas, agora também à frente de Alckmin. Muito embora Kassab seja apenas o terceiro, em cada pesquisa seu índice cresce. E no ritmo em que vai, não demorará muito para superar a Alckmin.

Assim, de atrapalhada em atrapalhada, mais e mais os oposicionistas abrem caminho para Lula que, comovido, agradece com dossiês.

Segue a reportagem do Globo Online.

Debate sobre terceiro mandato é estimulado por Lula como tática para eleições municipais
O Globo Online

BRASÍLIA - Reportagem de Gerson Camarotti publicada na edição deste domingo do jornal 'O Globo' mostra que os movimentos políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para antecipar o debate sobre sua própria sucessão foram calculados e com um objetivo claro: federalizar a disputa municipal deste ano e ganhar musculatura entre os aliados no Congresso Nacional.

A estratégia palaciana é dar um caráter plebiscitário de aprovação ao governo durante as eleições deste ano. A avaliação reservada de assessores do Palácio do Planalto é de que, dependendo da força política do presidente depois do pleito municipal, ele terá condições de ditar o rumo político a partir de 2009.

Apesar das negativas oficiais do governo de um terceiro mandato para o presidente Lula, a estratégia alimenta a especulação em torno da idéia. Para qualquer cenário, Lula decidiu priorizar a eleição municipal e colocar na pauta temas como o bom momento da economia, as ações sociais do Bolsa Família e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Surpreendidos com a decisão de Lula de antecipar a sucessão faltando quase três anos para a disputa de 2010, até mesmo aliados estranharam o comportamento do presidente. Internamente, a percepção é de que a mais recente vítima desse processo foi a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o nome que estava sendo testado pelo próprio Lula. Segundo um interlocutor privilegiado do Planalto, a decisão do presidente de desafiar a lógica política e antecipar a própria sucessão tem como objetivo primeiro ampliar o seu capital político pessoal.