quarta-feira, setembro 27, 2006

Leitura recomendada

Censura política do PT na Internet
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Por Jorge Serrão
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A censura política real recaiu sobre o mundo virtual da Internet, faltando uma semana para a eleição. Na madrugada do dia 23 de setembro diversas comunidades do Orkut, que faziam oposição ao governo, foram “deletadas” – retiradas do ar, na gíria dos internautas. Todas foram apagadas com a justificativa de estarem descumprindo os regulamentos do serviço. Estranhamente, nenhuma comunidade petista de porte foi afetada. Ainda não se tem a confirmação se foi uma medida do Google, por ordem da Justiça, ou uma ação de hackers – invasores de computadores e sistemas.
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Foram banidas do orkuk (o famoso site de relacionamentos) as seguintes comunidades: Fora Lula 2006 (+ de 170.000 membros), Cadê o dedinho do Lula, Heloisa Helena Presidente 50, 50 Heloísa Helena Presidente, Heloísa Helena, Eu voto na Heloísa Helena, Somos a favor da pena de Morte!, Pena de morte já!!, Anti-PT, Odeio PT, PT- PARTIDO DOS TRAIDORES, Paulo Souto, Odeio o MST, Geraldo Alckmin (a segunda maior do candidato), PSDB Nunca Mais e Jose Serra.
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Mas a velocidade dos internautas censurados foi maior que a de seus censores e já criaram as novas comunidades:
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Nova comunidade da Heloísa:
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http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=87156 - Nova comunidade Fora Lula
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=20951366 - Comunidade O PT quer acabar com o orkut
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=19389528 - Geraldo salvo por milagre
A comunidade "Geraldo Alckmin Presidente 45"
foi praticamente deletada.
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O perfil que moderava está comunidade foi apagado, mas Geraldo foi salvo pela rapidez e esperteza do internauta Gustavo Lacerda,que estava on line e salvou, em cinco segundos, um trabalho de dois anos. www.orkut.com/Profile.aspx?uid=2655369075299133711
A gente avisou...

O Alerta Total alertou em 23 de julho que o PT entraria na guerra eleitoral virtual de forma impiedosa:
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“O PT resolveu travar uma dura batalha em um campo em que costuma sofrer violentas derrotas. Os petistas prometem usar a internet como nova estratégia de ataque e contra-ataque na campanha pela reeleição. O PT acaba de lançar uma campanha para combater a “guerra suja” virtual que poderá atingir o presidente”.”A palavra de ordem no PT é usar o site, chats, blogs e e-mails como meios para contra-ataques e defesas imediatas”.
O marketeiro João Santana criou um site: http://www.lulapresidente.org.br/. O portal na Internet deverá captar todas as denúncias contra Lula, o governo e o PT. O partido promete investigar a origem de cada uma e perseguir os “difamadores” até na Justiça”.
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O secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, convoca os internautas a ocupar o espaço virtual para defender os projetos da administração federal, debater o programa de governo do próximo mandato e combater a “guerra suja das acusações infundadas, caluniosas e criminosas que circulam com facilidade por este meio”.
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“O PT pede aos eleitores de Lula que repassem as mensagens ofensivas para o e-mail internet@pt.org.br. Os analistas do partido farão o rastreamento”.
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Pelo menos as promessas ruins o PT consegue cumprir, o que já é um grande avanço, não é verdade?
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A raiva dos petistas
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No boletim de campanha número 29, do último dia 18, o PT atacou um site Fora Lula que é mantido fora do Brasil – e que não pode ser atingido por seus militantes.“Os esforços dos detratores para ofender o governo e a campanha do presidente Lula não se limitam somente aos e-mails não assinados que circulam pela rede. Para simular seriedade às informações foi criado um site no formato de agência de notícias, que replica todos os boatos que circulam na Internet.
Atentos à lei eleitoral brasileira e com receio de que qualquer ação do Tribunal Superior Eleitoral pudesse retirar o site do ar, os criadores apócrifos, que não tem coragem de se responsabilizar pelas informações publicadas, utilizam-se de um servidor internacional para hospedar a página (...) Note que o registro do servidor é feito na Holanda, tudo para tentar atacar com mentiras sem passar pelo rigor da lei brasileira".
A bronca dos petistas é não conseguir censurar este site, também.
O endereço é: http://foralula.lpchat.com/
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COMENTANDO A NOTÍCIA: O PT, por seus dirigentes, seguidores e ideologias e ações, jamais admitirá viver num país livre, democrático. Para eles, o policiamento contra aqueles não alinhados à sua vigarice deve ser intenso. Este bando de quadrilheiro, bandidos e criminosos, não respeita regras, não tem escrúpulos e por detrás de ações e palavras, se configuram o verdadeiro apetite para instalação do crime organizado no poder. Outras ações estão curso, como as ameaças ao blog Minuto Político. Gente medíocre e decrépita !!!!
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Façam o que fizerem, mas sua insidiosa ação para calar as vozes da sociedade que se lhes opõem, que não aceitam e acatam sua imoralidade endêmica, ou sua paranóia obsessiva pelo poder, estejam certos que de o Brasil não aceitará JAMAIS sua ditadura imoral. Precisarão serem mais competentes para tanto. Desistam enquanto é tempo, antes de serem tragados pelas próprias cloacas que criaram e tentam engolir as instituições. Voltem para os esgotos de onde emergiram feitos vermes, entupam-se com sua ignorância e com sua insignificância. Não somos amebas adestradas a serviços de salafrários.

TOQUEDEPRIMA...

Dossiê: 'Ou são cegos, ou somos tontos', diz Quércia
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Da Agência Estado
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O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Orestes Quércia afirmou nesta segunda que "ou eles são cegos, ou nós somos tontos" numa referência ao desconhecimento alegado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros, sobre os casos do mensalão e dossiê Vedoin. "O Lula não sabia de nada, o Mercadante disse que não tinha conhecimento que o coordenador de seu programa de governo (Hamilton Lacerda) estava envolvido com o dossiê Vedoin, e o Serra não viu nada", disse após fazer palestra para empresários e convidados da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), na capital.
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Quércia reafirmou que poderia, caso fosse eleito, facilitar o pagamento de impostos estaduais pagos por empresários como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "Podemos facilitar o pagamento em parcelas, mas temos uma infra-estrutura que por si só já é um incentivo a quem produz, mas em último caso podemos pensar em reduzir alíquotas.
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O peemedebista acredita que irá para o segundo turno, apesar de as pesquisas de intenção de voto indicarem a vitória já no primeiro turno do tucano José Serra. "Temos pesquisas qualitativas que indicam que vai haver uma virada nestes dias que antecedem a eleição. É como o efeito retardado de uma bomba" afirmou, mas sem especificar qual seria o motivo dessa suposta virada.
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Lula está mais para Judas, critica Heloísa Helena em Minas
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Do Portal Uai
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A candidata à presidência da República pela da Frente de Esquerda (PSOL, PCB e PSTU), senadora Heloísa Helena, disse em campanha em Belo Horizonte, nesta segunda-feira, que o presidente Lula está com mania de se comparar a personalidades históricas, mas nunca deve ter lido a Bíblia, porque está mais para Judas do que para Cristo.
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"Como eu sou cristã e conheço muito bem a história do Evangelho, com certeza ele está mais para Judas Iscariotes ou para Pilatos do que mesmo Jesus Cristo", disse. A afirmação da candidata refere-se ao discurso de Lula deste domingo, em que ele se compara a Tiradentes e Jesus Cristo e fala sobre traição.
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Segundo a candidata, o povo está cansado com o cinismo com que Lula trata episódios da maior seriedade. Ela acredita que seria excelente para o país se houvesse um segundo turno entre ela e Lula, porque são duas pessoas vindas de famílias pobres e que conseguiram subir na vida. A diferença é que ela não se vendeu.
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"Ele fala aos pobres, mas de fato governa para o capital financeiro e para os banqueiros brasileiros", disse, ao ser questionada sobre a afirmação do presidente de que a atual eleição é uma disputa da classe trabalhadora contra a "elite aristocrática" brasileira. "Quando chegou no poder, se vendeu à elite política e econômica, faz o jogo sujo e sórdido do capital financeiro, dos parasitas sem pátria, dos banqueiros que nunca ganharam tanto. "Se cada um dos nossos eleitores conseguir dois votos, matematicamente nós passamos o 'chuchu' e encostamos na 'majestade barbuda'".
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Banditismo A candidata do PSOL também acusou o governo Lula de "banditismo político" e disse que uma cúpula instalada no Palácio do Planalto, "conduzida pelo presidente", transformou-se "numa gangue partidária, numa organização criminosa capaz de qualquer coisa" para se manter no poder.
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Ela também fez uma vinculação direta entre Lula e os escândalos no Congresso. "Não tenho dúvida de que o Congresso Nacional é bandido quando o presidente da República bandido é. Até porque a única forma de comprar mensaleiros, sanguessugas e outros delinqüentes do mundo da política é quando quem tem a chave do cofre se predispõe a fazer isso", afirmou, ressaltando que espera que o povo seja capaz de mudar o Parlamento e a Presidência da República.
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Heloísa disse ainda que é preciso "responder de onde é que vem tanto dinheiro" e novamente acusou o governo federal de ocultar informações sobre a origem dos recursos destinados a pagar o dossiê contra tucanos. Segundo ela, "quando foi para perseguir o caseiro (Francenildo dos Santos Costa), que denunciou as orgias do dinheiro público roubado", instituições como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central "funcionaram de forma implacável" e identificaram uma movimentação financeira atípica. "Agora são milhões de reais e dólares e aí a legislação em vigor, o Banco Central, o Coaf, ninguém identifica absolutamente nada", reclamou. Campanha Heloísa Helena chegou ao Aeroporto de Confins no começo da manhã e visitou as PUC de Contagem, na Grande BH, de onde saiu em carreata passando pelo centro de Belo Horizonte e seguiu para a UFMG, onde foi recebida por cerca de mil estudantes e conversou rapidamente com a vice-reitora, Heloísa Starling. Acompanhada da candidata ao governo de Minas pelo partido, Vanessa Portugal, a senadora defendeu mais recursos para a educação e disse que se for eleita, vai investir R$ 10 bilhões na estrutura da educação básica.

A política de guerrilha do PT

COMENTANDO A NOTICIA: Os relatos a seguir reúnem de reportagens feitas pelo Jornal Zero Hora, Porto Alegre, e servem como prova do que se constitui o Partido dos Trabalhadores, PT.
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Pelo que veremos, se observa nitidamente tratar-se de um partido apegado à tática de guerrilhas cujo sentido único é dirigido exclusivamente à obtenção do poder. A tomado do poder. Instalação e perpetuação. Não se trata de partido congregando pessoas para um propósito de servir ao seu país para a implantação de um projeto de país. Não. Foi sintomático, nestes 46 meses em que Lula preside o País, que ele nunca teve um projeto de país, um projeto de governo.
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O discurso do PT sempre manteve enorme distância da prática. Se para o povo Lula tinha um discurso populista, na prática, tinha e mantinha atitudes conservadoras. Todo o benefício gerado pelo seu governo partiu de projetos já existentes e que tiveram seus nomes mudados para se vender a falsa impressão de terem sido criados pelo governo atual. Por outro lado, tudo o que se tentou implantar de novo redundou em exuberantes fracassos.
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E se tal não bastasse, Lula desmontou programas que produziam resultados positivos, e quando exigido a mudar e corrigir rotas da economia, se negou em mexer com medo dos resultados serem ou se tornarem negativos aquilo que dava certo. Uma delas, a política cambial, se mantém a inflação baixa, produz o empobrecimento da agropecuária que fechará este ano em baixa se comparada com 2005, como também, está sufocando enormes cadeias econômicas de grande geração de empregos e renda.
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Mas o lado conservador do PT não é tão funesto quanto o seu lado guerrilheiro, seu lado bandido. O PT não se deu conta de que preside um país democrático. Todas as críticas que lhe são dirigidas são tomadas com desdém, e vistas como tentativas de desestabilizar o governo. São consideradas como “elitistas” e se joga isto para o povo como sendo algo ruim para a boa governabilidade do Brasil.
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Lula e seus companheiros de partido consideram golpe de estado quando a justiça lhe manda cumprir a lei. Consideram golpe de estado quando outros políticos o ameaçam nas urnas lhe tomar o lugar e o mandato. Consideram direitistas os que se lhe opõem idéias e métodos .
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O serviço secreto do PT não existiria secretamente ao conhecimento de Lula. Ninguém seria ingênuo de acreditar que Lula não apenas sabe, mas autoriza e dá aquela força necessária a sua atuação. Volte-se no tempo e revisem os discursos de Lula. Em muitos momentos se encontrarão pistas de como ele muitas vezes se valeu das informações de seu serviço de inteligência para atacar seus adversários.
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Flagrado prestes a comprar um dossiê anti-tucano, o serviço secreto do Partido dos Trabalhadores desta vez fracassou. Mas, desde 1989, vinha colhendo uma série de sucessos nos bastidores de disputas presidenciais.
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A campanha daquele ano viu nascer o setor do partido especializado em atacar adversários e defender correligionários. Ele é chamado por muitos militantes de Abin (referência à agência que sucedeu o Serviço Nacional de Informações do regime militar). Outros preferem o apelido de KGB, numa lembrança ao serviço secreto da extinta União Soviética, matriz ideológica de fundadores do núcleo.
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Surgida logo depois da primeira derrota de Lula à Presidência, esta central de boatos e contra-insurgência teve como um dos mentores José Dirceu, o deputado federal paulista que 16 anos depois seria cassado por envolvimento no mensalão.
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Dirceu pregava no PT a necessidade de reagir a golpes baixos como o uso, por Fernando Collor, do depoimento da mãe de Lurian, filha de Lula: na TV, ela declarou que à época da gravidez o petista a pressionara a abortar. A bomba, lançada às vésperas da eleição de 1989, ajudara a derrubar as pretensões do petista. Desde então o PT agiu mais como estilingue do que como vidraça nas disputas presidenciais, sempre com base no núcleo de inteligência.
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Um dos primeiros "agentes" da Abin do PT foi Waldomiro Diniz, braço-direito de Dirceu, homem de confiança de Lula. Caixa da campanha de Dirceu a deputado federal, Diniz conviveu com ele em Brasília por 12 anos.
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Era Diniz quem carregava dossiês que alimentaram a mídia nas CPIs de PC Farias e dos Anões do Orçamento, além de petardos contra o governo FH, como as denúncias contra o chefe de gabinete do presidente tucano, Eduardo Jorge. Diniz mudou-se com Dirceu para a Casa Civil quando Lula se elegeu. Conforme petistas confidenciaram a ZH, Diniz era o encarregado na Casa Civil de negociar emendas parlamentares com vistas a resolver problemas de congressistas nas votações de interesse do governo. Ele sairia das sombras para a má fama após ser filmado negociando com um empresário do ramo de jogos propina para subvencionar campanhas políticas. Seria o primeiro grande escândalo no governo Lula.
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Com baixas eventuais, a central de denúncias do PT continua ativa. Um dos que confirmaram a Zero Hora a existência do grupo é o sindicalista Wagner Cinchetto, 43 anos. Jornalista, ele atuou por dois anos na Força Sindical (entre 1991 e 1993), de onde saiu atirando petardos contra o então presidente Luiz Antônio de Medeiros.
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Cinchetto, que nos últimos anos atuou como "consultor informal" da Central Única dos Trabalhadores (CUT), admitiu ontem, em entrevista por telefone a ZH, ter integrado o grupo que gestou três montagens de dossiês contra adversários de Lula na campanha presidencial de 2002: contra os vices de Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS) e contra José Serra (PSDB).
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Outros integrantes, segundo Cinchetto, eram Ricardo Berzoini (presidente do PT, afastado semana passada da coordenação de campanha de Lula) e Oswaldo Bargas (também afastado da cúpula da campanha), amigo de Lula desde os tempos do sindicalismo em São Bernardo do Campo (SP). As reuniões ocorriam num escritório da Rua Haddock Lobo, nos Jardins, em São Paulo. Cinchetto, atualmente rompido com o PT, ressalva:
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- Não que fizéssemos algo ilegal. Nunca entrou dinheiro na nossa história, a meta era tornar público coisas contra os adversários e interceptar denúncias contra nosso pessoal.
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A sombra de Dirceu
O ex-governador catarinense Esperidião Amin tinha um apelido para o núcleo de inteligência do PT: PTpol, trocadilho da palavra Interpol e da "polícia do PT". Senador à época da CPI do Orçamento, em 1993, Amin achava "fantástica" a rapidez com que José Dirceu apresentava documentos que só um espião poderia conseguir.
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Dirceu tinha como obsessão contra-atacar petardos como o lançado por Collor, em 1989, envolvendo Lurian, a filha de Lula desconhecida dos eleitores.
Quando atuava na guerrilha, escondido do regime militar em Cuba, Dirceu fez na ilha de Fidel curso de informações, contra-informações, estratégia e segurança militar. Acabou se tornando para o PT, em tempos democráticos, o que o general Golbery do Couto e Silva era para a ditadura militar: um ideólogo e conspirador.
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A presença de Dirceu permeou o núcleo de inteligência do PT em episódios decisivos nas eleições presidenciais desde 1989. Apenas na compra do Dossiê Cuiabá o dedo de Dirceu não aparece. Mas um dos envolvidos, Hamilton Lacerda (então assessor do candidato a governador de São Paulo Aloizio Mercadante que admitiria ter participado da tentativa de divulgação do dossiê) é homem de confiança de Dirceu desde 1989.
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O economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-guerrilheiro fundador do PT e expulso do partido em 1997 depois de denunciar que Lula teve contas pagas por um amigo, diz que o esquema de fabricação de dossiês surgiu de uma união entre sindicalistas do ABC e leninistas liderados por José Dirceu. Do grupo para gerar denúncias que facilitassem a chegada ao poder faziam parte Waldomiro Diniz e Silvinho Pereira (ligados a Dirceu) e Jorge Lorenzetti e Oswaldo Bargas (ligados à CUT). O encontro dos grupos, na região do ABC paulista, foi apelidado Clube do Mé.
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- Era um aparelho para torpedear as campanhas inimigas e ajudar os amigos. O Sindicato dos Bancários paulistano abriu uma rubrica para auxílio financeiro dos companheiros desempregados e ligados ao grupo. Hoje não precisa mais, o aparelho tomou conta do Estado - opina Venceslau.
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A influência de uma gravação

Entrevista: Wagner Cinchetto, consultor sindical que integrou o núcleo
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Rompido com o PT e a CUT, o consultor sindical Wagner Cinchetto, 43 anos, conta a Zero Hora como agiu no grupo:
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Zero Hora - Em 2002, o senhor gravou uma fita que apontava para contas do deputado Luiz Antônio Medeiros no Exterior. Foi a pedido do PT?
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Wagner Cinchetto - Do Oswaldo Bargas e do atual ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Eu tinha trabalhado com o Medeiros e gravei uma fita com provas de conta secreta no Exterior que resultaram num enorme dossiê. O pedido de cassação do Medeiros estava pronto. Mas aí conversaram, e ele concordou que o PL fizesse o vice de Lula. O PT votou contra a cassação.
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ZH - O presidente Lula sabia?
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Cinchetto - Olha, o Bargas era homem forte do Lula, a mulher dele era secretária do presidente.
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O dedo deles em escândalos

1992

Missão: derrubar Collor
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Agente: José Dirceu
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Petistas ilustres ajudaram a municiar a imprensa com dicas sobre corrupção no governo Fernando Collor. Parte dos dossiês originou a CPI de PC Farias, tesoureiro de campanha de Collor. Ele acabou condenado por sonegação de impostos, e Collor sofreu impeachment. Entre os que abasteceram a mídia com denúncias, estava um grupo de assessores ligado ao deputado federal José Dirceu (PT-SP).
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1993
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Missão: derrubar os Anões do Orçamento
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Agente: Waldomiro Diniz
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O serviço de inteligência do PT convenceu o ex-diretor do Senado José Carlos Alves dos Santos a dar entrevista mencionando os nomes dos parlamentares que cobravam propina das empreiteiras para apresentar emendas destinando recursos a grandes obras. Como os parlamentares eram quase todos de baixa estatura, a investigação levou o apelido de CPI dos Anões do Orçamento (na foto acima, a leitura do relatório da CPI). Foi sugerida a cassação de 18 deputados. Destes, seis foram condenados e perderam o mandato, entre eles Ibsen Pinheiro, posteriormente inocentado nos processos criminais. O principal assessor do PT a municiar a mídia foi Waldomiro Diniz.
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2002
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Missão: afastar suspeitas em Santo André
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Agentes: José Dirceu e Gilberto Carvalho
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O prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), foi seqüestrado, torturado e assassinado. As investigações apontaram para um esquema de cobrança de propina supostamente montado por ele para beneficiar o partido. Petistas que trabalhavam com ele, suspeitos do homicídio, foram grampeados pela Polícia Federal. Sob o comando de José Dirceu e Gilberto Carvalho (ex-secretário do prefeito Celso Daniel e atual chefe de gabinete de Lula), o serviço acionou procuradores para impedir que os conteúdos dos grampos vazassem para a mídia. A Justiça invalidou os grampos.
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1998
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Missão: examinar o Dossiê Cayman
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Agente: José Dirceu
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Apesar de estar em disputa com o PSDB, o serviço de inteligência do PT ajudou a desarmar uma bomba contra os tucanos. Alertou o candidato Lula de que eram falsos os papéis do Dossiê Cayman e não deveriam ser usados na campanha daquele ano. O dossiê atestava a existência de uma empresa criada em nome de integrantes do PSDB em paraísos fiscais, para envio ilegal de dinheiro. Entre os donos fictícios da empresa estariam o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso e o então ministro da Saúde, José Serra. Perícias mostraram a falsidade dos documentos.
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2002
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Missão: neutralizar Garotinho
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Agente: Oswaldo Bargas
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A mando de Oswaldo Bargas (que era da campanha de Lula à reeleição, até o estouro do Dossiê Cuiabá), emissários do PT procuraram o candidato a vice-presidente pelo PSB, Paulo Costa Leite, e tentaram convenê-lo a abandonar a chapa encabeçada pelo governador fluminense Anthony Garotinho, ameaça em potencial à candidatura de Lula. Costa Leite renunciou porque, entre as informações que vazaram sobre ele na campanha, estava a de que integrara o Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de espionagem do regime militar.
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Missão: neutralizar Ciro
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Agente: Wagner Cinchetto
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Wagner Cinchetto, um dos integrantes do serviço de inteligência do PT, vazou para a imprensa documentos que apontavam a compra superfaturada de uma fazenda e desvio de dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por parte de Paulo Pereira da Silva, candidato a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PPS). O dossiê ajudou a naufragar a candidatura de Paulinho e Ciro.
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Missão: neutralizar José Serra
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Agente: Wagner Cinchetto
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Wagner Cinchetto e o serviço do PT conseguem, com funcionários do Banco do Brasil, documentos sobre supostas irregularidades num empréstimo feito por um parente de José Serra. A papelada resultou numa ação civil pública do Ministério Público contra o responsável pelo empréstimo, Ricardo Sérgio de Oliveira, também caixa de campanha dos tucanos. A mídia foi avisada. Serra, que já estava atrás nas pesquisas, perdeu a eleição para Lula.
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2006
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Missão: neutralizar os tucanos
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Agentes: Jorge Lorenzetti Oswaldo Bargas
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Chefe do serviço de inteligência da campanha de Lula à reeleição, Jorge Lorenzetti foi o principal articulador da negociação do Dossiê Cuiabá, que tinha informação supostamente comprometedoras para candidatos do PSDB à Presidência e ao governo de São Paulo. Bargas, também da cúpula da campanha, ofereceu o dossiê à revista Época, em uma reunião reservada da qual participou Lorenzetti.
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