sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Por enquanto a violência é só contra nós...

Adelson Elias Vasconcellos

Normalmente, procuramos não comentar sobre assuntos de natureza policial. Acreditamos que gente, como melhor calibre, pode compor análise com melhor e maior profundidade. Mas, na qualidade de cidadão, que paga impostos, que tem direitos e deveres previstos na constituição, o que menos se pode agora, é fazer o mesmo que os governantes brasileiros: omitir-se. Aliás, a omissão neste e noutros casos semelhantes de parte das ditas “autoridades” é o pior dos castigos para a população que tenta viver honestamente neste país. A segurança, como sabemos, é um dos mais obrigatórios e essenciais deveres do Estado para com o seu povo. No caso brasileiro, é o mais deslavado retrato de como ele não cumpre com este dever.
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De início vamos afirmar o seguinte: o Estado brasileiro, por seu governantes, é o maior culpado de toda a violência, de toda a impunidade e de todas as safadezas que afligem a nossa vida diária. Justamente por omitir-se. A cada novo caso de comoção, as autoridades distribuem discursos, promessas de tomada de providências, até que o assunto saia de foco e retorne apenas quando ocorre novo crime bárbaro e estúpido. E nesta cantilena, estamos nos tornando um imenso favelão haitiano. E o governo, permanece acantonado em sua imensa alcova de festim.
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Estamos chegando ao cúmulo de culparmos as vítimas e não os bandidos. Estamos chegando ao cúmulo dos governantes culparem a sociedade, e não a si próprio, pelo aumento incontrolável da violência. E talvez, até certa medida, a sociedade seja culpada mesmo: afinal, foi ela que elegeu e colocou no poder gente incompetente, irresponsável, omissa, negligente e que além do discurso no palanque, nada mais faz além, é claro, de nos assaltar com impostos extorsivos, cujo destino, regra geral, tem sido paraísos fiscais em contas particulares não oficiais.
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Mas há também um parlamento que, mesmo vivendo de perto os anseios de todo um povo clamando por justiça e providências, deixa engavetados projetos de interesse coletivo na questão da segurança pública. Temos ainda um Judiciário, mais omisso ainda, em cujas sentenças se lê o convite diuturno à bandidagem impune. A começar pelos crimes financeiros, a continuar pelas solturas irresponsáveis e injustificadas de delinqüentes e criminosos de extrema periculosidade.
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É claro que é impossível uma única ação corrigir o histórico do desleixo público. Mas que se começasse dando um passo de cada vez. Mas, qual ? O que mais se ouve é, de um lado, a sociedade apontar caminhos, e de outro lado, as autoridades canalhas dizendo que não se pode fazer isto ou aquilo, ou que isto ou aquilo não resolve o problema. Muito bem, doutos senhores da ignorância dos males sociais: sabemos que vossas coroadas cabeças são bastante iluminadas nas soluções do que não nos serve. E as que servem, quais são?
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Ouviu-se ao longo do dia do Secretário Geral da CNBB, do ministro da Justiça, dos ministros do STF, e do presidente da República, deste país abandonado por todos eles à própria sorte, a mesma hipocrisia de sempre: a redução da maioridade penal não resolve. Lula chegou a alinhar casos de crimes nos Estados Unidos e na Rússia para justificar a não redução. A diferença é nos Estados Unidos tais crimes recebem a devida punição. O mesmo criminoso, dificilmente, ficará novamente solto para repetir sua sanha assassina. No Brasil, recebem a devida proteção do Estado, o carinho das ONGS, e o beneplácito do Judiciário, que os trata como vítimas dos próprios crimes. Em pouco tempo serão soltos para continuarem no crime. Na Rússia, esqueceu Lula de mencionar, a invasão da escola e morte de crianças se deu por terroristas, todos adultos, e por razões de natureza política.
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No Brasil os crimes praticados por menores tornaram-se rotineiros. E com níveis de brutalidade e violência inconcebíveis e cada maiores. Mas não menos intoleráveis. As ações, é disto que falamos, para a segurança do cidadão podem não evitar o crime. Certo, vá lá que seja. Mas e a punição não deveria ao menos ser exemplar ? Não no entendimento destas tolas cabeças que nos desgovernam. Elas acham que, já que não se consegue impedir o crime, a punição a posteriori se torna dispensável. E é justamente aqui que entra o cidadão: queremos e exigimos sim, punição para os criminosos, punição mais forte para crimes hediondos, e sem esta de cumprirem 1/6 da pena e ficarem livres. O sujeito que comete um crime bárbaro, da forma como o que fizeram com o garoto João merece complacência ? Merece consideração ? Merece paparicos ? De jeito nenhum. Merece cadeia em regime integral e fechado, sem mordomias, para primeiro não ser solto para repetir sua bestialidade animalesca, segundo para penar prô resto da vida a lembrança de sua estupidez !
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Mas ainda há outro lado da questão que vai além da omissão, e que, lamentavelmente, provém também do Estado, e aqui ele está encarnado nos seus poderes, executivo, legislativo e judiciário. Todos são especialistas em perdoarem seus próprios crimes. Não por outra razão criaram a figura da “imunidade” parlamentar. O Executivo por exemplo, especialista em soltar sua tropa de choque canina para ocultar provas, interferir em processos, dificultar investigações, e usando a chave do cofre e a caneta que libera, distribuir incentivos financeiros para tudo ficar ignorado e impune. E quando tudo deságua no Judiciário, então o que se tem é um estupendo desfiar de caminhos e atalhos legais, com tantos recursos, que o processo às vezes se interrompe pela morte das partes. Judiciário, aliás, que deveria ser responsável pela punição. No Brasil, tornou-se co-responsável pela falta de punição, em conseqüência, incentivador para todos os crimes se repetirem à exaustão. Sua mão é pesada apenas para ladrões de potes de shampú ou margarina. O resto, está liberado.
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Portanto, acreditem que vocês ouvirão nos próximos dias discursos inflamados, com pedidos de providência, autoridades “exigindo” ações drásticas e punição exemplar ! Tudo seria lindo não fosse o fato de que toda a encenação faz parte do grandioso espetáculo feito no circo dos horrores de um estado canalha que sequer é capaz de garantir um mínimo de segurança à vida dos cidadãos. Passada a “onda”, tudo volta ao normal, até a próxima vítima ser levada ao cadafalso, ensangüentada, esquartejada, quando então tudo começa outra vez.
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Para encerrar é preciso que a sociedade também faça sua escolha: ou ela trata de continuar se preocupando unicamente em “justificar” os criminosos vagabundos, em ser "humana" com quem se lixa para qualquer sentimento de humanidade, como tem feito no refrão idiota dos "direitos humanos dos criminosos", e assim continuará enterrando vítimas atrás de vítimas da brutalidade animalesca, ou começa a exigir que os governantes saiam da sua omissão, da sua pasmaceira e inércia e comecem a mostrar serviço. Ou seja, ou escolhe a barbárie, ou escolhe a lei e a ordem, e neste caso, enterra de vez seu discurso imbecil. É preciso deixar claro que toda esta hipocrisia que assistimos há tanto tempo por autoridades pagas e muito bem pagas, omissas e irresponsáveis, continuará, não tenham dúvida, a incentivar que os crimes se tornem cada dia mais constantes, brutais e hediondos. E tudo incentivado por uma sociedade voltada e devotada aos bandidos, e não às suas vítimas. Nas portas das cadeias as ONGS fazem fila e estendem cartazes em favor do bandido. Nos necrotérios, não se vê uma única flor enviada em solidariedade. Nem das ONGs nem do Estado. Hoje, a vítima são os pobres da periferia, são os filhos da classe média. Amanhã, poderá ser algum parente ou familiar de juízes, deputados, senadores, ou mesmo do próprio presidente da república. Talvez seja apenas isso que esteja faltando para eles se darem conta de suas obrigações, e tomados pela dor, passem a cumprir com suas obrigações. O que não é possível suportar é , além da sucessão dos crimes bárbaros praticados por animais que o Estado abençoa, é o discurso cafajeste de que “não podemos agir tomados pela emoção”. Diriam a mesma coisa se o filho João fosse seu ?
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Duvido ! Por isto é que as desculpas esfarrapadas são canalhas, maldosas, hipócritas, porque os filhos mortos com tamanha brutalidade e selvageria são por enquanto os nossos, e não os deles. Cá prá nós, que moral de merda tem esta gentalha que nos desgoverna, hein ?
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E que puta sentimento de desumanidade que demonstram não é mesmo ? Enquanto a dor bater na porta do vizinho, que tal algumas lágrimas de cretinice governamental para acalmar o pranto e suavizar a dor?

E que fique claro: não há uma única justificativa para o não punir. Não fazê-lo é consentir com o crime, e esbofetear o cidadão indefeso, duplamente vítima do mesmo sofrimento: do bandido cuja crueldade lhe rouba a felicidade, e do Estado canalha cuja omissão lhe rouba a esperança.

José Dirceu, Presidente

por Denis Rosenfield, na Folha
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PT, O retorno. Talvez essa fórmula melhor ilustre a vitória do deputado Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara dos Deputados. Acabrunhado pelas sucessivas crises éticas que o corroeram, o partido descobriu na vitória de Lula a ocasião de reafirmar suas posições históricas, considerando que as urnas o tinham absolvido moralmente. Personagens que se destacaram nos casos mensalão e sanguessuga, entre outros, voltaram a circular livremente, participando ativamente da eleição de seu companheiro. Na crise, o partido cerra fileiras, elegendo um dos seus. Seguro de si, recomeça as suas brigas pelo poder.
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Nesse contexto se inserem as recentes notícias e declarações relativas à anistia do ex-deputado José Dirceu.
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Assinale-se que elas vêm precedidas e acompanhadas de manifestações políticas que sinalizam uma inflexão à esquerda das posições partidárias.
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Chinaglia representa a volta ao poder de um setor do partido que esteve alijado por questões morais. Nunca é demais lembrar que a comissão de ética do partido não julgou os companheiros envolvidos nos diferentes escândalos. Na verdade, ela está fechada para reformas. Duração: indefinida.
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Nesse sentido, o novo presidente da Câmara conseguiu aglutinar em torno de si várias tendências que comungam das mesmas posições, como as defesas do ditador Fidel Castro, do novo ditador Chávez -agora reunindo em suas mãos os Poderes Executivo e Legislativo- e do projeto de ditador Evo Morales. Pensam, com nuances, que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho, instaurando uma sociedade socialista, dita solidária, mas, de fato, autoritária ou totalitária.
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José Dirceu sabe como poucos dentro do partido navegar nessas águas. Nada acontece ali acidentalmente, embora os desmentidos façam parte desse processo.
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Ocorre que a luta pela sucessão de Lula já está aberta, sendo seus momentos preliminares as discussões relativas ao próximo presidente do partido e a questões programáticas que se delineiam nos encontros e congressos. José Dirceu, que seria candidato natural do PT à Presidência da República, teve, com sua cassação, o caminho barrado. No entanto, ele pode abrir uma nova via se conseguir uma anistia política, entendida também como absolvição moral.
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Mas, para que seja politicamente válida -e não só juridicamente-, ela deveria vir acompanhada de uma iniciativa "popular", que deveria reunir 1,5 milhão de eleitores. A cifra não tem nada de exorbitante, pois o PT, a CUT, o MST e a UNE conseguiriam, em conjunto, alcançar facilmente o número, podendo até ultrapassá-lo.
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Tal união se faria em torno das bandeiras esquerdistas históricas do partido que, assim, estaria legitimado para disputar, com essa plataforma, as eleições presidenciais de 2010, tendo em Dirceu o seu representante. Um político "absolvido de uma injustiça" se alçaria, de uma forma "popular", a virtual candidato presidencial.
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Logo ele assumiria uma atitude mais à esquerda, defendendo, como já vem fazendo, Chávez e MST e criticando o superávit primário e a autonomia operacional do Banco Central.
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Ou seja, ele voltaria seu discurso para aquilo que o partido considera os símbolos -positivos- do socialismo e os -negativos- do capitalismo, em sua linguagem, do "neoliberalismo".
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O aval do partido já começou a ser dado. Marco Aurélio Garcia o defende abertamente, sendo uma pessoa que goza de prestígio partidário. O mesmo faz o presidente do partido, Ricardo Berzoini, ligado à corrente sindicalista que, assim, reconquistaria suas posições de poder, abaladas pelo envolvimento de um número significativo de seus membros nos escândalos do primeiro mandato.
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O deputado Vaccarezza, em recente entrevista a esta Folha, fez questão de demarcar a independência do PT em relação a Lula, como se um novo processo estivesse se iniciando. Procuram, dessa maneira, enterrar definitivamente os escândalos éticos que marcaram o primeiro mandato presidencial, com o objetivo de politizar os desvios de conduta do partido.
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Reverter a cassação de José Dirceu se inscreve nesse contexto. Se ela for bem-sucedida, ele próprio poderá ser o próximo candidato petista. O ministro Tarso Genro não se engana quando centra suas baterias a favor de uma refundação do partido, porque seu objetivo consiste em barrar esse movimento, se colocando, também ele, como uma alternativa partidária para as próximas eleições.

Com que armas se luta no PT

Editorial do Estadão
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Teve menos destaque do que merecia no noticiário político de ontem a informação de que o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, deu o dito pelo não dito e expurgou da “Mensagem ao Partido”, de que é o principal autor e signatário, a expressão “crise de corrupção ética e programática” - a mais frontal acusação já feita por um petista cinco-estrelas à elite dirigente da legenda, o chamado Campo Majoritário, desde que o termo mensalão se incorporou ao léxico político brasileiro. Em 2005, quando se preparava para assumir a presidência interina da sigla, depois da queda em desgraça do titular José Genoino, o ex-prefeito de Porto Alegre, à época ministro da Educação, lançou a palavra de ordem da “refundação” do partido - o que significaria uma ruptura com o pragmatismo desprovido de qualquer senso ético do dispositivo petista de poder encabeçado pelo ainda ministro e deputado José Dirceu.
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Prova da hegemonia do companheiro hiper-realista entre os seus, a idéia foi logo sepultada sem choro nem vela. Eis que, reeleito Lula, Genro tratou de exumá-la, no bojo de um documento a que veio se dedicando a partir de então, com o intuito de roubar a cena do 3º congresso da agremiação, marcado para julho, com pré-estréia no encontro do seu diretório nacional este sábado em Salvador, emendando com a comemoração dos 27 anos da sigla. O objetivo último, criar uma relação de forças que desembocasse na eleição (antecipada) de um novo comando partidário, inequivocamente à esquerda do atual e presumivelmente menos propenso ao pragmatismo que deu no mensalão e, há pouco, no escândalo do dossiê Vedoin. Para acuar o Campo e impedir o segundo passamento da refundação, Genro radicalizou, incluindo na mensagem a escaldante referência à corrupção.
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No fim de semana passado, a versão ainda não definitiva do texto vazou na internet. Tão violenta foi a reação dos que vestiram a carapuça que a corrupção soçobrou, levando consigo a refundação dos sonhos do ministro. Vencido e à falta de melhor, ele tentou justificar o recuo, falando em “repercussão enviesada”, como quem culpa a imprensa pelo impacto que o uso do substantivo até então tabu no petismo - corrupção - provocou. Em si mesma, a capitulação tática de Genro, que deve estar ruminando como poderá conseguir o que pretende sem afrontar o apparat partidário com verdades tão inconvenientes, não mereceria mais tinta e papel do que com ela se gastou. Seria apenas outro episódio dos desentendimentos ideológicos, políticos e pessoais que fizeram do PT uma verdadeira federação de facções, o que não se atenuou nem sequer com os dois triunfos eleitorais de seu nume tutelar.
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O importante, no caso, é a revelação de que a volta atrás do ministro não se deveu apenas aos duros protestos dos atingidos e às costumeiras invocações do imperativo de preservar acima de tudo a unidade partidária. A reportagem de ontem, deste jornal, sobre a nova versão da “Mensagem do Partido” informava que um exasperado José Dirceu ameaçou divulgar “todas as doações que ele recebeu quando candidato ao governo do Rio Grande do Sul” (em 2002). Ou seja, uma insinuação sibilina, de que Genro também teria os seus esqueletos no armário e, em outras palavras, deveria refundar-se a si próprio antes de pregar a refundação alheia, o teria levado abruptamente a considerar encerrada a polêmica, conforme declarou. Dirceu pode, ou não, saber do que está falando. Em qualquer hipótese, o ponto a salientar, pelo que contém de instrutivo em relação ao PT, descontadas as diferenças e rivalidades entre os seus diferentes campos, é a modalidade de armamento utilizado para silenciar adversários. O seu nome, em português corrente, é chantagem.
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Quando discursou em plenário pouco antes da sua eleição afinal vitoriosa para a presidência da Câmara, o deputado petista Arlindo Chinaglia se qualificou para fazer jus aos votos dos colegas que temem porque devem ao decretar que o passado passou. “A crise”, tranqüilizou, “é da legislatura anterior.” Essa é também a atitude predominante no PT, decerto com o aval do presidente Lula: nada de remexer o entulho das mazelas éticas da companheirada. Não só por autodefesa, mas porque talvez seja difícil saber quem tem um telhado que não seja de vidro.

ENQUANTO ISSO...

OAB prevê fechamento de cursos de Direito

O presidente nacional da OAB, Cezar Britto, anunciou em Porto Velho (RO), que na próxima reunião do colégio de presidentes de seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, dia 2, em Brasília, será realizada juntamente com os presidentes das comissões de exame de Ordem de todo o País. O objetivo é dar prioridade máxima à busca pela melhoria na qualidade dos cursos jurídicos em funcionamento no Brasil. "Não estranhem se faculdades de Direito de péssima qualidade forem fechadas nos próximos dias", afirmou Cezar Britto, ao ser questionado sobre os índices alarmantes de reprovação nos exames e sobre a baixa qualidade da formação oferecida por alguns cursos jurídicos.

Enquanto isso...


Haddad autoriza mais onze cursos de Direito

Após anunciar, sexta-feira (2), que aumentaria o rigor nas autorizações para funcionamento de novos cursos de Direito, e que seria levado em conta o parecer do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o ministro Fernando Haddad (Educação) autorizou ontem o funcionamento mais onze novos cursos, sendo três deles no Distrito Federal. As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União desta segunda-feira.

TOQUEDEPRIMA...

Futebol No Rio
Por Ralph J. Hofmann, no Prosa & Política
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Um dos técnicos de futebol brasileiros trabalhando no exterior descobriu nas ruas de Bagdá um menino de 17 anos, jogador fabuloso de futebol.Rapidamente antes que outro o fizesse, foi a Bagdá e contratou o garoto.

Depois arrendou-o para o Fluminense.
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Primeiro jogo, um Fla-Flu. Fawzi, o garoto iraquiano no banco de reservas. No segundo tempo, faltando 15 minutos o Fluminense está perdendo por 4 a 2 quando o técnico manda Fawzi entrar.
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É uma revelação, aproveitando espaços que ninguém mais vê Fawzi faz dois gols em cinco minutos, depois faz mais dois gols nos dez minutos restantes. Vitória do Fluminense por 6 a 4.
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Fawzi é carregado pela torcida, é ovacionado, celebrado, etc. A certa altura dos acontecimentos pede um celular e liga para sua velha mãe.
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- Mãe! Estou no topo do mundo! Fiz quatro gols em quinze minutos mãe! Estão me carregando mãe!
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- Filho, você aí se divertindo! Nós aqui na maior dureza meu filho! Teu ai levou um tiro ontem meu filho! Teu irmão se juntou a um bando armado! Tua irmã e eu fomos espancadas roubadas, desrespeitadas e estupradas ontem meu filho.

- Pôxa mãe! Nem sei o que dizer!
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- Pois é meu filho! Mas lembre. Foi você que nos obrigou a nos mudarmos para o Rio de Janeiro!

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Palocci eleito, inquérito sobre Francenildo vai para o STF
Da Folha On Line:

A eleição do ex-ministro Antonio Palocci como deputado federal (PT-SP) determinou a subida do inquérito sobre a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa para o STF (Supremo Tribunal Federal). A Justiça Federal confirmou que o processo já saiu da 10ª Vara Federal nesta semana.O inquérito provocou a saída do então ministro da Fazenda e "homem forte" Palocci do governo. Os dados bancários do caseiro vazaram para a internet, logo após a participação do caseiro à CPI dos Bingos. Em seu depoimento, Francenildo disse ter visto Palocci na mansão usada em Brasília por lobistas para fechar negócios suspeitos e promover festas com prostitutas. O ministro havia negado por diversas vezes ter freqüentado essa casa.A Polícia Federal entrou no caso para investigar o vazamento e tomou o depoimento do então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. O executivo disse à PF que entregou o extrato de Francenildo para Palocci no dia 16 de março --um dia antes da publicação dos dados na imprensa, no início de março de 2006.Ainda que Mattoso tenha assumido sozinho a responsabilidade pela extração dos dados bancários de Francenildo, a posição do ministro ficou insustentável e ele pediu afastamento do cargo, no dia 27 daquele mês

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Plebiscito deve servir à democracia, não ao autoritarismo, alerta OAB

O presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Fábio Comparato, criticou nesta quinta-feira (08.02) o documento divulgado por um grupo de deputados federais do PT de São Paulo que defende poderes para o presidente Lula convocar plebiscitos sem autorização legislativa.
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“Os instrumentos de democracia direta e participativa são meios de controle da ação dos governantes pelo próprio povo; eles não podem se tornar formas de legitimação populista para instauração de governos autoritários”, justificou Comparato.Trecho do documento em questão, divulgado há dias, afirma: “Se o presidente da República pode editar medidas provisórias cada vez mais sob o crivo de críticas por seu vezo autoritário, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional?”.

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Agroindústria cresceu 1,6% em 2006, anuncia IBGE

A agroindústria brasileira cresceu 1,6% em 2006, revertendo a queda verificada em 2005 (-1%), mas ficando abaixo do crescimento de 2,8% registrado pela indústria nacional no ano. Os dados foram anunciados nesta quinta-feira (08.02) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística).
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Este resultado foi influenciado positivamente pelas melhores condições climáticas em 2006 na relação com 2005 (ano de forte estiagem, sobretudo no Sul). O fator favoreceu a expansão de 3,4% nos setores vinculados à agricultura, impulsionada pelo crescimento dos derivados de cana-de-açúcar, celulose e fumo.
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Negativamente, o percentual foi afetado pelo recuo nos segmentos associados à pecuária (-0,8%), influenciado pela queda nas exportações de frangos em razão da gripe das aves. Outros fatores que contribuíram negativamente para a agroindústria foram, também, a valorização cambial (reduziu exportações de máquinas e equipamentos agrícolas), aumento dos custos de produção e a queda no preço internacional da soja.
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Em bases trimestrais, a agroindústria apresentou resultados positivos nos quatro trimestres do ano. No primeiro trimestre cresceu 1,6%, no segundo desacelerou (0,8%), atingiu sua maior taxa no terceiro (2,9%), voltando a desacelerar no último trimestre de 2006 (0,8%).

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Reforma fica para março
Felipe Recondo

Lula adiou mais uma vez as mudanças no seu ministeriado. Até a semana passada, a desculpa era a disputa pela Presidência da Câmara. Agora, o motivo é a briga pela presidência do PMDB entre o atual presidente, deputado Michel Temer, e Nelson Jobim.

Ontem pela manhã, Temer e Jobim conversaram em particular e não chegaram a um consenso. Temer disse que os fatos das últimas semanas, especificamente a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a Presidência da Câmara, o favorecem. Jobim disse estar sendo pressionado a lançar seu nome e sabe contar com a simpatia de Lula.

Com o impasse posto, os dois disputarão o controle do partido no dia 11 de março, data da convenção da legenda. Diante dessa celeuma, Lula não sabe que grupo do PMDB contemplar na reforma.

É por isso que já avisou aos aliados: vai esperar esse “feiche de palha” do PMDB assentar para então definir a ocupação de espaço na Esplanada dos Ministérios.

Raposas, leões e macacos em loja de louças

Carlos Alberto de Melo (*), Blog do Noblat

A astúcia é o oxigênio das raposas. Já a força impõe respeito entre os leões. Fundamental é compreender o momento de ser um ou outro. No mais, lembrar que esperteza demasiada come o esperto; que força desmedida se degenera em estupidez ou covardia. O equilíbrio entre a raposa e o leão supõe a sabedoria que não está em toda parte, pois é arte. E é, na justa medida dessa arte que se constituem os “príncipes” – coletivos ou individuais – capazes de expressar e realizar a vontade coletiva. A política nacional, no entanto, tem sido a negação desse equilíbrio. As raposas caem em armadilhas e os leões amedrontam-se com os lobos. Onde falta visão sistêmica, sobram fisiologismo e dispersão de forças. Num emaranhado de interesses, pretensas raposas e leões auto-proclamados se confundem; metamorfoseiam-se em agitados macacos em lojas de louça.

As primeiras semanas do novo mandato de Lula provam isto. O presidente, parece, esterilizou os 58 milhões de votos que lhe garantiriam rugir como leão. Sem ser candidato, poderia passar ao largo das armadilhas da disputa eleitoral; ser raposa e estabelecer outra lógica; uma lógica republicana. Mas, por auto-suficiência ou excesso de zelo, negou-se a enfrentar o sistema político. Ao contrário, passou a admiti-lo com naturalidade (Tarso Genro). Acreditou que acordos à base de distribuição de recursos – cargos e emendas – bastam. Foi raposa tímida quando deveria ser leão. Metamorfoseou-se num presidente, pelo menos temporariamente, enfraquecido; transformou o PT num forte.

O certo é que, em dezembro, Lula poderia ter arriscado um gesto de grandeza ou de ousadia: retirar dos quatro anos de experiência um projeto de verdade; chamar a sociedade e as forças políticas para sua construção. Sob o argumento de recuperar a capacidade de ação do Estado, propor a profunda reforma; com a legitimidade das urnas, acuar as resistências corporativas dos lobos e estabelecer negociações públicas para ocupação de espaço vis a vis a composição da governabilidade. Poderia impor perdas e definir ganhos; fosse o caso, denunciar tentativas de coerção; aproveitar a segunda chance que teve e estabelecer novo parâmetro de convivência política.

Mas verbos no futuro do pretérito não contam histórias. Objetivamente, o presidente cedeu aos conchavos; voltou-se para dentro insistindo numa fixação pouco consistente (o crescimento de 5% ao ano), quando deveria apresentar um diagnóstico mais preciso: a “trava” do desenvolvimento está menos na infra-estrutura e do que nas instituições. Governar, afinal, não é apenas abrir estradas. Por fim, centralizou a articulação para a qual jamais demonstrou disposição; barganhou espaços por fidelidades a um acordo despolitizado e sem projeto; construiu uma coalizão com 11 partidos, confundindo parceiros e agregados. Sequer o ministério conseguiu nomear. Entediou-se, foi descansar na praia.

Já o PT, naturalmente, olhou para o seu futuro; foi raposa e foi leão. O primeiro desafio era atravessar a tormenta da crise do mensalão; não ser desmoralizado pelas urnas; manter uma bancada robusta. Fez-se de morto e, por fim, desmoralizou os coveiros: a tempo, percebeu que o presidente armava a independência; montaria o governo como bem quisesse, articulando a sucessão, sem amarras. O partido seria o coadjuvante de agora e, talvez, apenas o figurante de 2010. Um PT Fraco, um Lula forte! O fim do amanhã.

As raposas agiram nas brechas do descuido do presidente. A sacada foi simples: confrontado, Lula recuaria como fez tantas vezes no passado, em sua história com o PT. Das bases de apoio Lulista, algumas rachaduras poderiam ser exploradas. O PMDB, por exemplo, poderia ser atraído pela ampliação dos mesmos argumentos que o fizeram aderir a Lula: espaço na máquina. No mais, o fiel Aldo Rebelo, não cooptável, talvez pudesse ser removido. Foi o que ocorreu; Chinaglia entrou em cena.

Arlindo jamais expressou amor sem limites a Lula. No PT, manteve-se eqüidistante de centros de poder que pudesse manietá-lo. Raposa, construiu a própria relevância se comportando como o fiel da balança. Sabendo da força somatória de sua “minoria”, articulou interesses distintos: de Dirceu ao “campo majoritário”; de Marta Suplicy à esquerda do partido; dos ressentidos aos desenvolvimentistas; dos náufragos do mensalão aos cristãos-novos do PMDB; dos aliados menores aos apetites maiores; do baixo clero aos governadores Serra e Aécio – na lógica do conflito interno do PSDB. Quando não houve alternativa, configurou-se no leão: bateu duro em Aldo, nas pretensões de Ciro Gomes; encarou a mídia; seduziu setores do governo; obteve a transigência constrangida de Lula. Venceu, mas não o fez sozinho.

O novo presidente da Câmara terá que honrar as retribuições combinadas; os acordos que lhe garantiram o atual relevo. A caneta – que nomeia e demite – pode pertencer, mas, agora, a Arlindo pertence o relógio que define o timing das votações e a pauta que lhe convier. Daqui por diante, será a ele, Arlindo – em acordo com o PT e com o PMDB – a quem Lula terá que recorrer, negociar e ceder. Tudo o que o PT sonhava era com essa chance de “diálogo” com Lula. No mais, se o presidente cedeu a Severino Cavalcante por que não o faria com o próprio partido, na mesma posição de força? A lógica do aparelho, como gás, tende se expandir pela atmosfera.

Possivelmente, a vitória de Chinaglia põe o PT mais forte do que fora no primeiro mandato. As circunstâncias mudaram: a dependência estratégica em relação a Lula diminuiu – pela primeira vez, Luiz Inácio não será candidato; as condições de “adesão” ao PT são muito maiores: manejando os instrumentos do Executivo, o partido terá ao seu lado pelo menos meia-dúzia de legendas, já em 2008; a agenda da estabilidade está vencida e um vazio que genericamente vem sendo chamado de “agenda do crescimento” abre espaço para uma ampla gama de experiências; as condições econômicas do país são incomparavelmente melhores e o espectro da crise já não intimida e nem apela tanto à moderação; os focos de resistência ortodoxa dentro do governo são muito menores que em 2003 e estão, neste momento, enfraquecidos e sem perspectivas.

O que o partido fará com isso, ninguém é capaz de saber. Como se vê, tudo tem se transformado com rapidez e, afinal, o PT é o PT. Quem poderá assegurar que permanecerá assim, leão ou raposa até o fim? Inúmeras vezes, dormiu príncipe e acordou macaco na loja de louça. Por que agora seria diferente? Só a história dirá.
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(*) Carlos Alberto de Melo, Cientista Político, doutor pela PUC-SP, Professor de Sociologia e Política do Ibmec São Paulo.

MEC cria novas regras para cursos

Tribuna do Interior, Campo Mourão, Paraná

Na última segunda-feira, o Ministério da Educação (MEC) baixou uma portaria com novas normas para a criação de cursos de Direito e Medicina no país. Pelas novas regras, os pareceres da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS) passarão a ter peso maior na decisão final do ministério.

Segundo o coordenador do curso de Direito da Faculdade Integrado e um dos novos avaliadores do MEC, Robervani do Prado (foto a direita), se os pareceres forem desfavoráveis, os cursos terão que, obrigatoriamente, passar por nova avaliação, que será feita por uma comissão técnica.

“O parecer da Ordem será considerado e uma comissão técnica vai avaliar se o parecer do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - órgão vinculado ao MEC, que analisa o sistema educacional brasileiro) será válido ou se os argumentos da OAB é que valerão”, explicou o advogado.

Sempre que houver divergência entre a comissão de avaliação e a OAB, o pedido de novo curso será enviado à Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação (CTAA), que terá 23 membros, cinco deles do próprio MEC.

No caso dos cursos de direito, o recurso à CTAA será automático quando houver divergência nos pareceres. Já em medicina, basta não haver manifestação do Conselho Nacional de Saúde para que o pedido de abertura do curso seja analisado pela CTAA. A decisão final será da Secretaria de Educação Superior (SESu).

Direito - No caso da OAB, a reivindicação por uma seleção mais rigorosa é antiga. Segundo dados da entidade, existem 1.024 cursos de Direito no país. Desses, 88 foram criados no ano passado, dos quais apenas dois receberam parecer favorável da entidade para começar a funcionar.

Segundo o presidente da Subseção da OAB em Campo Mourão, Júlio Queiroga (foto a esquerda), a medida do MEC demonstra que o posicionamento da OAB está correto. “Os nossos pareceres raramente são considerados nas instâncias do MEC. Agora com a supervisão da ordem, essa ação irá fortalecer o ensino de Direito no país”.

Segundo Queiroga a medida também formará profissionais mais competentes. “Há algum tempo nós notamos o despreparo de muitos candidatos para o exame da Ordem e para outros concursos públicos. Acredito que com a autorização somente de cursos mais bem estruturados, teremos candidatos com melhor desempenho nos testes”.

A decisão do governo federal também foi avaliada positivamente pelo coordenador do curso de Direito do Integrado. “A medida é muito importante, mas cada projeto de abertura tem que ser analisado com cuidado. Sou contra a uma “proibição” de novos cursos, mas favorável a autorização de projetos com qualidade e que de fato mereçam ser aprovados”, seclarou Prado.

Medicina - A reportagem da TRIBUNA tentou contato com o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) de Campo Mourão, Wilfredo Sérgio Sandy Saavedra, mas o mesmo estava atendendo um paciente e não pode dar uma opinião sobre a decisão.

De qualquer forma, o presidente do CRM no Paraná, Hélcio Bertolozzi Soares, divulgou uma nota para a impressa, criticando a criação desordenada de faculdades de Medicina. Segundo ele, a maioria delas não cumpre os requisitos para que possam formar médicos aptos a exercerem a profissão.

“Esta posição do CRM-PR tem como finalidade precípua proteger a sociedade de médicos malformados e que trazem riscos constantes àqueles que buscam atenção à saúde, pois lhes faltam conhecimento e treinamento necessários para a prática da Medicina com segurança e zelo ético”, afirma Soares no documento.
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COMENTANDO A NOTICIA: Vamos ver no que vai dar. O que se pede é que o Governo Federal seja mais rigoroso na concessão para a abertura de novas faculdades. Que fiscalize com mais intensidade o nível do ensino que se ministra porque, conforme já noticiamos aqui recentemente, Direito e Medicina tem apresentado formandos que não consegue ser aprovados em exame de certificação profissional. O caso do Direito então além de grave já é histórico, e nem por isso, evitou que o MEC, do ministro Haddad, autorizou seis novos cursos. É preciso que se priorize a qualidade em detrimento da quantidade. Claro que para o palanque de Lula, números são sempre bem vindos. Porém, para o jovem que ingressa na universidade p que interessa é qualidade da formação que se lhe ministrada. E neste aspecto, convenhamos, estamos ainda muito longe do que se poderia considerar de “qualidade mediana”.

Universidades: autonomia não é autocracia

Reinaldo Azevedo

Há pessoas indignadas, é claro, com o que escrevi sobre as universidades. Outros me mandam quase tratados sobre o que seria o “verdadeiro problema” — às vezes, no plural — da área, não tocados por mim, nesse meu desvio direitista, sim, sim, sei... O que ninguém é capaz de me dizer é por que a universidade tem de ser “pública e gratuita” independentemente de sua clientela. Não entendi se terceiro grau gratuito é:
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a) direito natural;
b) política social;
c) investimento público.
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Direito natural, numa rápida vista d’olhos pelo conceito, não é. Política social, a julgar pelos principais beneficiários da mamata, também não. Quanto a ser um investimento do país, bem, aí seria preciso verificar o que efetivamente o Brasil está ganhando com isso. Vamos ver quanto de dinheiro nos custa o serviço em comparação com o que a universidade brasileira tem rendido em:
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a) pesquisa;
b) atendimento às necessidades dos brasileiros.
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Exigimos, com razão, eficiência de todo mundo, especialmente dos políticos. Por que não exigir também das universidades? Autonomia, sim, todo apoio. Autocracia, não.
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Volto, a propósito, à observação que fiz sobre o R$ 1,2 bilhão que a USP tem em caixa, investido, certamente, no mercado financeiro — espero no mínimo isso, não? Só faltava o dinheiro estar parado. É verdade: universidades do mundo inteiro investem o seu dinheiro. São doações, no mais das vezes, que recebem de particulares. Não ficam estocando verba do orçamento público, que sai também do bolso dos que nunca botarão o pé num curso de medicina ou de direito. Os reitores se comportaram muito mal em chorar uma miséria que, definitivamente, não têm.
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O episódio da universidade expõe um dado dramático da cultura política brasileira: todo mundo quer a democracia, desde que seja no quintal alheio. O que foi que o governador Serra pediu de tão grave a estes senhores? Que exponham os seus gastos, que os tornem públicos. Por que a universidade não quer ser submetida ao mesmo escrutínio das outras esferas da República?Porque está com a boca torta. É mais uma das heranças invertidas do regime militar. Chamo de “herança invertida” certa disposição de fazer o rigoroso contrário de tudo o que se fazia durante a ditadura, ainda que esse contrário seja uma estupidez.
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Temos aí a Constituição de 1988. Como a esquerda havia decretado que o regime militar era de exclusão, então saiu por aí “incluindo” direitos, sem nem querer saber de onde viriam os recursos. Deu no que deu. Como a autonomia universitária foi pra cucuia durante a ditadura, ao ser restabelecida, confundiu-se a dita-cuja com autocracia. Ela quer a grana pública e quer dar uma banana para os mecanismos de transparência nos gastos. E nem me venham com a história de que já prestam contas a este ou àquele tribunais. O governo federal tem o TCU, mas tem também o Siafi. Do que as universidades têm medo?Essa história foi sendo meticulosamente plantada na mídia, numa escalada. Agora, os “aloprados” do PT querem greve. Se sou Serra, exponho todos os números das universidades estaduais num site especialmente criado para isso, mostro o quanto custa o serviço a cada paulista que nem sabe onde ficam USP, Unesp e Unicamp e digo aos reitores um sonoro: “Virem-se”.
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Não sem antes tentar votar na Assembléia — será que isso é possível? Não sei — uma lei que atrele o repasse de recursos à existência efetiva de aulas. Vale dizer: sem aula, sem grana. Quem paga tem a preferência. O público paga. Pode, por meio dos poderes constituídos, exigir que o serviço seja prestado.

Senado questiona presença estrangeira na Amazônia

Senado cobra explicações e investimentos na região amazônica
Sérgio Pardellas, Jornal do Brasil

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), pediu ontem à Casa que realize audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, a fim de pôr em debate os riscos de dominação da região amazônica por estrangeiros.

A intenção do senador tucano é debater a questão com os ministros da Defesa, Waldir Pires, do Meio Ambiente, Marina Silva e das Relações Exteriores, Celso Amorim, bem como com os diretores-gerais da Polícia Federal (PF), Paulo Lacerda, e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Márcio Paulo Buzanelli.
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O pedido de Virgílio teve como base o relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM) e publicado com exclusividade pelo Jornal do Brasil, que denuncia a presença e a atuação constantes de ONGs e entidades estrangeiras na Amazônia.

- Temos que cuidar de maneira séria e responsável da Amazônia, que continuará sendo uma área de absoluta soberania brasileira, mas de interesse internacional porque afeta cidadãos de outros países - disse.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) também subiu à tribuna da Casa para alertar sobre as ameaças à soberania brasileira sobre a Amazônia.

- Temos que lutar para que a Amazônia permaneça brasileira e não continue sendo explorada, como muito bem denuncia o Jornal do Brasil, por forças e interesses internacionais já não mais disfarçados.

Mozarildo cobrou ainda do governo federal que inclua investimentos para a Amazônia no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

- Examinem o PAC e verão que não há quase nada para a Amazônia. O que é que o BNDES tem para a Amazônia? Quase nada. O que é que tem de investimento do Governo Federal para a Amazônia? Quase nada.

O assunto dominou as discussões no plenário do Senador por quase uma hora na tarde de ontem. Ao fazer menção ao relatório sobre aquecimento global, do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) disse que a região amazônica está sendo responsabilizada de maneira injusta pelo desequilíbrio no clima do planeta.

- Essa região hoje é cobiçada internacionalmente. A Região Amazônica precisa ser entendida pelo governo brasileiro como um patrimônio da maior importância para o nosso país.

TOQUEDEPRIMA...

Convencida, porém nem tanto...
Blog do Noblat

A senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) está convencida de que será indicada por Lula para líder do governo no Congresso. É um cargo mais de prestígio do que poder. Porque o governo tem líder no Senado e na Câmara. E cada partido tem seu líder.

Foi o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) que sondou Roseana sobre o cargo que lhe parece destinado. Ouviu dela na ocasião:

- De novo, Mercadante?

Em 2005, autorizado por Lula, o então ministro José Dirceu, da Casa Civil, convidou Roseana para ser ministra da Articulação Política. Roseana topou. Na véspera do anúncio da reforma parcial do ministério, Lula desistiu de fazê-la.

Roseana disputou e perdeu no ano passado a eleição para o governo do Maranhão. Poderia virar ministra - mas seu pai, o senador José Sarney (PMDB-AP), prefere manter o controle sobre o ministério das Minas e Energia ocupado por um aliado dele.

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Por Alagoas, o PSDB vai paralisar o Senado

Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, anunciará esta tarde que seu partido impedirá a votação ali de qualquer coisa enquanto o governo federal não ajudar para valer o governo de Alagoas a enfrentar a complicadíssima situação econômica, social e administrativa do Estado.

O governador de Alagoas é o ex-senador Teotônio Vilela Filho, do PSDB. A herança que lhe deixou o ex-governador Ronaldo Lessa (PSB) é muito mais do que maldita. Para fazer face a ela, Vilela suspendeu o aumento dos servidores concedido por Lessa no ano passado.

Foi o caos. Os servidores entraram em greve - os da área de Educação ainda estão. E Vilela teve que dar o dito pelo não dito. Adiantou pouco.

O Estado está quebrado. A greve dos professores fechou as escolas. Os professores ocuparam o prédio da Secretaria da Educação. Os sem terra estão acampados defronte do palácio do governo.

Vilela chegou ontem à noite em Brasília para uma audiência com o ministro da Educação.

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Bate-boca
Cláudio Humberto

Durante a campanha do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), neto do velho amigo Miguel Arraes, o escritor Ariano Suassuna, 78, tropeçou e quase caiu quando, à sua passagem, uma mulher colocou a perna de propósito. Ariano voltou, olhou-a fixamente e disparou:

- “Feia!”

Ela rebateu, desafiadora:

- “Bêbado!”

Ele reagiu em cima da bucha:

- É, mas amanhã eu estarei bom...

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Presidente da Hyundai Motor pega 3 anos de prisão
Fonte: AFP
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A Justiça sul-coreana condenou nesta segunda-feira o presidente da Hyundai Motor, o primeiro fabricante de automóveis do país asiático, a três anos de prisão por malversação de fundos e abuso de confiança.

Chung Mong-Koo, 68 anos, foi declarado culpado de ter desviado 63 bilhões de wones (US$ 67 milhões em valores atuais) por meio de falsos relatórios contábeis, com o objetivo de subornar políticos e responsáveis do governo e do setor financeiro.

Tudo igual, sem o charme da novidade e o amálgama social da esperança. Terreno fértil para invencionices e perda de tempo com assuntos sem sentido.

Como, por exemplo, o anunciado movimento pela anistia de José Dirceu. Prenderá atenções, consumirá energias, não dará em nada e paralisará o Congresso.

Seria o famoso mais do mesmo, não resultasse em atraso no enfrentamento do essencial: a estagnação do Brasil na economia, na saúde, na educação, na tecnologia, na atenção com o meio ambiente, na subordinação dos agentes públicos aos cidadãos e a tantas outras questões já resolvidas no mundo, mas que por aqui continuam em aberto ou são solenemente deixadas de lado enquanto prospera o espetáculo do palavrório vão, das ações inconseqüentes e da falta de compromisso com a palavra dita."
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Ah se esta moda pega por aqui, hein ? Vai faltar cadeia para engaiolar tanto safado solto por aí. Para isso, primeiro, precisaria haver um Poder Judiciário decente e atuante, e claro, um governo sério e responsável, com um Legislativo que trabalhasse pelo país, e não apenas para eles mesmos. É, pensando bem, estamos longe disso. Só em sonhos, só em sonhos...

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Kirchner se exalta ante pressão americana
Da Folha de S.Paulo
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"Exatamente no dia em que chegaram à Argentina dois enviados do Departamento de Estado norte-americano, o presidente Néstor Kirchner fez um discurso inflamado, claramente direcionado aos Estados Unidos, para afirmar que a Argentina "não é uma republiqueta" e que não admitirá pressões de nenhum tipo para tomar decisões "contrárias à soberania" do país.

Foi uma reação a uma carta enviada ao ministro do Planejamento, Julio De Vido, pelo embaixador americano no país, Earl Wayne. No documento, o diplomata manifestava a preocupação dos EUA pela interferência do governo argentino na venda pela Petrobras a um fundo norte-americano de cerca de 52% das ações da controlodadora da Transener, empresa de transporte de energia elétrica. A outra parte das ações já pertence a um grupo argentino.

"Me parece uma falta de respeito. A Argentina não é uma republiqueta. Não nos vão apressar para tomar uma decisão nacional. O governo tomará a decisão com base na soberania nacional", discursou ontem o presidente Kirchner."

Aquecimento global

Lucros Remetidos ao Exterior

Por Adriano Benayon(*), no Alerta Total
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No final de 2006, dia 25, a Folha SP publicou matéria com o chamativo título “Remessa de lucro triplica no governo Lula”. Há que esclarecer as coisas.
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A remessa oficial de lucros para o exterior continua crescendo muito sob Lula, como crescera sob a tucanagem, certamente agradada pela idéia enganosa, transmitida por aquele jornal, de um salto enorme na comparação entre 2006 e 2002.Conforme a Tabela 07, Capítulo V, do Boletim do Banco Central, publicado pouco antes da reportagem da Folha, a remessa líquida de rendas (deduzidas as transferidas para o Brasil) totalizou US$ 26,0 bilhões em 2005 e US$ 18,3 bilhões em 2002. Isso implica crescimento de 42%. Portanto, não houve sequer duplicação.Não há como comparar com 2006, porque só há dados para 10 meses, de janeiro a outubro. Em relação ao mesmo período de 2005, a elevação é pequena: 3,6%.
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O lucros remetidos por investimentos diretos estrangeiros (uma parte do total das rendas) ascenderam a US$ 10,3 bilhões em 2005, havendo dobrado em relação aos US$ 5 bilhões de 2002, mas não triplicado. Atenção: em 1998 eles chegaram a US$ 8,6 bilhões, cifra inferior à de 2005 em só 20%.
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Uma parte da explicação está no efeito da taxa de câmbio, agora favorável às remessas ao exterior, como ocorreu em 1998, quando não só o real estava valorizado, mas também já se prenunciava sua débâcle, manifestada plenamente em 1999. Sob os petistas, o real revalorizou-se, o que facilita as grandes transferências oficiais, em contraste com 2002, quando o real chegou a cair a R$ 3,60 por dólar.
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A outra rubrica principal do item “rendas” são as remessas dos lucros dos investimentos em carteira, i.e., das participações acionárias. Essa rubrica registra aumento de US$ 8,4 bilhões em 2002 para US$ 11,8 bilhões em 2005. O incremento ficará, pois, no máximo, em torno de 40%, uma vez que houve redução nos 10 primeiros meses de 2006.
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São cifras impressionantes, mas o quadro piora sensivelmente se elas forem postas em contexto. Para começar, os lucros dos concentradores econômicos e financeiros estão em crescimento acelerado, enquanto o PIB por habitante está estagnado, há anos.
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Esse passo de caranguejo acontece apesar do expressivo crescimento das exportações, proveniente da expansão da demanda mundial por bens intensivos de recursos naturais, como produtos siderúrgicos, minérios e agronegócio.Por que? Primeiro, porque as exportações são controladas por grupos concentradores - inclusive tradings - cujos lucros, em grande parte, vão para o exterior, pouco sendo investido na produção para uso local, mesmo porque pouquíssimo toca aos salários, e, assim, míngua a demanda interna.
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Esses fatores decorrem em parte das famigeradas políticas monetária e fiscal, as quais com eles interagem, tornando-os ainda mais depressivos. Elas privilegiam o serviço da dívida pública, formada pela capitalização dos próprios juros, em função das absurdas taxas impostas pela corrupção associada ao poder concentrado, forçando a prevalência dos juros abusivos em toda a economia.Os beneficiários são grandes empresas, quase todas transnacionais, inclusive bancos. Daí o crescimento dos lucros em taxa muito superior à da economia como um todo. Lógico que alguém está perdendo: 99,9% dos brasileiros e, em especial, os menos de 15% que constituem a classe média, com rendimentos em queda e impostos em alta.
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Não é demais lembrar que as remessas oficiais de lucros são apenas a ponta do iceberg. O iceberg é o total de mais de uma dezena de modalidades de transferências praticadas pelas transnacionais e descritas no meu livro, “Globalização versus Desenvolvimento”. Essas são feitas por meio dos preços de exportação e de importação - que ninguém controla, muito menos as “autoridades”, dissuadidas até pela OMC - e através de despesas a título de “serviços”, em favor das matrizes e de empresas próprias ou coligadas no exterior.
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Apesar dos imensos prejuízos que causa ao País, o capital estrangeiro tem tido total favorecimento do governo, pois sempre foi subsidiado e goza de tratamento fiscal privilegiado, situação acentuada com as isenções propiciadas pelo governo Lula do IR e da CPMF nas remessas ao exterior.
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Em suma, para os residentes no País, chumbo grosso. Para os não-residentes, todas as benesses. Parte dos ganhos do “capital estrangeiro” pertence à minoria de brasileiros que mandou centenas de bilhões de dólares para o exterior, graças a permissividade do Banco Central, desde a regulamentação das contas CC-5, no “governo” de FHC.
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(*) Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”.

Quem tem menos razão?

por Villas-Bôas Corrêa, no Jornal do Brasil
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O oportuníssimo bate-boca entre a toga e os parlamentares foi a melhor coisa que aconteceu nos porões das mordomias, pelo menos no empacado segundo mandato do presidente Lula.
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Por isto mesmo deve ser estimulado pelos prezados colegas da reportagem política de Brasília como a primeira oportunidade a sério para expor as mazelas que corroem a respeitabilidade do mais democrático dos poderes. E que vem sendo evitado pelo novo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, enquanto o presidente reeleito do Senado, senador Renan Calheiros, finge que não tem nada a ver com a farra dos imaturos 513 colegas da outra Casa do Legislativo.
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Aos fatos: o abençoado pavio curto do ministro Marco Aurélio de Mello - do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - sapecou a ponta dos dedos, soprou o desabafo que avivou as cinzas do silêncio hipócrita, reacendeu a fogueira de um debate saudável, necessário e indispensável ao abrir a caixa-preta de um segredo de recíprocas cumplicidades.
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Todas as setas atingiram em cheio o alvo da impostura: o aumento dos subsídios parlamentares que os novos dirigentes do Congresso tentam adiar para o primeiro descuido da opinião pública. Quem sabe, na semana do Carnaval?
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O tom desabusado do presidente do TSE, que por vezes inquieta os austeros ministros, acertou na mosca a rajada de metralhadora e um das balas, no ricochete, quebrou algumas telhas no palácio da mais alta corte do Judiciário.
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Em São Paulo, depois de proferir a aula inaugural na Faculdade de Direito e sem ser provocado, soltou o verbo: "Faço um desafio: troco o que ganho pelo que ganha um deputado e um senador. Vamos colocar na ponta do lápis as vantagens dos parlamentares: se não forem três vezes maiores do que recebe um ministro do STF eu deixo a cadeira que tenho no Judiciário".
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Balaço mortal.
O ministro dispensou-se de desfiar o colar de miçangas das vantagens, benefícios e muambas que multiplica o subsídio de R$ 12.847 mensais à altura milionária que ultrapassa os R$ 100 mil nos meses afortunados. E que entre outras estripulias, como a jóia da coroa, esplende a verba indenizatória de R$ 15 mil mensais - disfarce descarado de salário indireto, para ressarcir as despesas de suas excelências, mediante a apresentação de recibos nem sempre confiáveis. E mais o resto da penca tanta vezes expostas pela mídia.
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No caso do STF, a surpresa que coça a curiosidade: uma passagem aérea por mês, de ida e volta, para o Estado de origem é privilégio injustificável e de generosidade perdulária.
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No revide cauteloso de quem não se sente à vontade para sustentar a briga, na mais sintomática dissimulação, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) enfiou a carapuça. Depois de almoçar com o presidente Lula, seu grande eleitor, o petista escapou pela tangente: não assumiu o compromisso de priorizar o reajuste dos subsídios dos deputados. E, sem mexer um músculo do rosto, completou: "Breve é breve, não é imediato".
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Durou pouco a esperança de uma reação do Congresso para sair do lodaçal em que se atolou na mal-afamada legislatura dos mensalões, do caixa 2, dos sanguessugas, da dança debochada da comemoração da impunidade.
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A dura campanha para a eleição do novo presidente não envolveu compromissos éticos de moralização para valer, com a poda das mordomias e demais regalias empilhadas em anos de espertezas. Os três candidatos jogaram para a platéia do baixo clero. Comportaram-se como manda o figurino da esperteza. Farinha do mesmo saco.
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Para esta e a próxima semana, anunciam e prometem o esforço extenuante de sessões diárias para aprovar projetos do interesse do presidente Lula. O de sempre, e claro, a semana livre para a fuzarca do carnaval.
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Por enquanto, a grande reforma inevitável e politicamente inviável, deverá limitar-se ao trivial de sempre: cláusula de barreira, fidelidade partidária e outros lances do oportunismo.
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A faxina da vergonha aguardará a próxima crise. Que talvez não demore.

Duelo sem mocinho

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

Com ou sem terceiro mandato de Lula, a direção que o comando do PT tomar a partir de agora é crucial para o Brasil. Nas diretrizes traçadas pelo partido pode estar a bússola política do governo nos próximos anos.

Democracia direta, decisões plebiscitárias, “democratização” dos meios de comunicação, chavismo? Essas e outras teses estão na ordem do dia, e o aniversário de 27 anos do PT começa a definir quem é que vai apertar (ou não) esses gatilhos.

Depois do mensalão e de todas as delubianas, o mocinho do partido chama-se Tarso Genro. Com seu perfil de político moderado e reserva intelectual, o ministro gaúcho faz sucesso com sua tese de “refundação do PT”, um eufemismo para tirar as rédeas do grupo paulista de José Dirceu. Na já famosa “Mensagem ao partido”, Tarso faz uma espécie de receituário da virtude – o que, com a folha corrida de Dirceu e sua turma, é carapuça fácil.

De fato, não há vilão tão perfeito quanto José Dirceu. Trata-se de um pecador infalível. Como dizia o jornalista Jorge Bastos Moreno bem antes do mensalão, Zé era o veneno antimonotonia do governo Lula. Toda notícia que não brotava do resto do governo jorrava do então superministro – por tudo que fazia e depois desfazia para refazer, por tudo que era e mais ainda pelo que pensava ser. É fácil ser candidato a virtuoso ao lado de Dirceu.

O problema é que Tarso Genro não é esse virtuoso. A rigor, Tarso Genro não é nada. E esses são os mais perigosos.

Na tal Mensagem ao partido, Tarso diz que há no PT “uma crise de corrupção ética e programática”. Deve vir desse estilo Madame Natascha sua reputação de intelectual. Essa crise, segundo ele, provém de “um modo de construção eleitoralista” e pelo distanciamento “do mundo do trabalho e da utopia socialista”. É preciso construir “um novo campo político” dentro do PT.

Isto é Tarso Genro. O nada com cobertura de marshmellow verbal. Mas enquanto as taras de Dirceu são mais ou menos conhecidas e previsíveis, as taras de Tarso são dissimuladas e, por isso, potencialmente mais embaraçosas.

Constrói-se em torno de Tarso uma lenda de “contraponto democrático” ao autoritário Dirceu. Pura lenda. Dirceu dá canelada na mídia, tem mania de perseguição e acredita naquele expediente de “falar por cima” com os veículos de comunicação. Tarso Genro assopra em público, mas morde feio nos bastidores. Fica construindo teses sobre conspiração da mídia burguesa contra o governo popular e montando planos arrepiantes de controle da prática jornalística.

O “moderado” Tarso é aquele que como ministro de Estado, em plena campanha eleitoral, acusa o candidato adversário de fazer pacto com os criminosos do PCC. Depois de ateado o fogo, retira o que disse. Santa moderação. Santa coerência. Ato contínuo à reeleição de Lula, faz discursos conciliadores de ampla concertação política e escreve panfletos do tipo “eles contra nós”, afirmando que o país está dividido entre ricos e pobres.

Como autoridade, Tarso Genro se especializou no estilo camaleão. Cansou de acender vela para a responsabilidade fiscal e a política econômica, ao mesmo tempo em que lançava intrigas contra o Banco Central e a “era Palocci” – cujo fim chegou a decretar ruidosamente, sendo depois desautorizado por Lula. Um espírito público, por assim dizer, de fundo de quintal.

Numa compilação de declarações de Tarso Genro, pode-se escolher o desenvolvimentista ou o fiscalista, o conciliador ou o incendiário, o arauto da liberdade de expressão ou o ideólogo do controle estatal da mídia.

José Dirceu é um pecador de carne e osso, símbolo daquele PT paulista delubiano que bota a mão na m… sem tapar o nariz. Tarso Genro é um virtuoso etéreo, símbolo daquele PT gaúcho que faz política de proveta e acha que o país é um tubo de ensaio para suas teses revolucionárias.

Por incrível que pareça, o risco Tarso é maior do que o risco Dirceu.

Foco de dengue no pátio da Secretaria de Saúde

Cecília Brandim, Do Correio Braziliense

Uma caminhonete S-10 destinada ao programa de combate à dengue no Distrito Federal, é o exemplo de como é falho o esforço para erradicar a doença na capital federal. Sem condições de uso e estacionada no pátio do Parque de Apoio da Secretaria de Saúde do DF, a caminhonete se transformou em foco do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Agentes de saúde que estiveram no local na tarde desta segunda-feira encontraram água parada no assoalho do veículo, com indícios de que ali há ovos do vetor da dengue. Ao todo, 39 carros e 17 motos aguardam conserto, o que corresponde a 51% de toda a frota, com 109 veículos usados nas ações de controle de endemias. Em meio à temporada de chuvas intensas, quando há condições ideais para desenvolvimento da larva do mosquito, o DF está em situação de risco. Para o Ministério da Saúde, a capital federal está em uma das unidades da Federação mais vulneráveis à doença. Os 316 casos registrados em 2006 superaram o ano anterior em 7%. O número pode aumentar nos dois primeiros meses deste ano em função do alto volume de chuvas, segundo previsões da equipe de vigilância em saúde do governo local.
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Além do aumento nos casos, a exposição do brasiliense ao mosquito transmissor também dobrou. No DF, o índice de infestação atual do vetor da doença é de 1,4%. O percentual, referente ao número de focos de larvas do Aedes aegypti, é o dobro do registrado em 2005. A estatística coloca a capital federal na zona de alerta. Mesmo assim, mais de duas mil residências deixaram de receber um item fundamental na prevenção à proliferação dos focos do Aedes aegypti. Tampas para caixas d´água, compradas com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), aguardam distribuição no estacionamento do órgão. Algumas não resistiram ao desgaste promovido pela exposição ao sol e à chuva e já não podem mais ser utilizadas. Elas deveriam proteger os reservatórios domésticos dos mosquitos.
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Abandono Segundo o procurador da República no DF, Peterson de Paula Pereira, faz pelo menos três anos que as tampas estão abandonadas. Ele foi pessoalmente ao local ontem para apurar denúncia do descaso, feita pelos sindicatos que representam os agentes de saúde. “O dinheiro foi alocado e ficou sem uso. Tenho convicção de que faltou vontade política, por isso não adianta dizer que o mal é o mosquito”, criticou. Além das tampas, Pereira conferiu a situação dos veículos usados nas ações do programa e classificou como “desserviço” a forma como a Secretaria de Saúde enfrenta a dengue no DF. O Ministério Público Federal (MPF) enviará ao GDF uma recomendação para que os problemas sejam resolvidos.
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O subsecretário de Vigilância em Saúde do DF, Eduardo Guerra, reconheceu a demora no conserto dos veículos. “Uma coisa evidente é a falta de agilidade no reparo dos automóveis pelo serviço público. Temos carros com um, dois, três meses na oficina”, revelou. Para o trabalho de mil agentes de saúde, seriam necessários 77 veículos. Atualmente, apenas 49 estão nas ruas, além de quatro motos. “Diante dessa notícia (da notificação pelo MPF), a secretaria deve tomar as providências para que esses carros sejam consertados no tempo mais curto possível”, garante. Sobre as tampas, o subsecretário afirmou que não houve distribuição porque os modelos comprados pela Funasa não se encaixam às caixas d´água usadas pela população brasiliense.
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Atualmente, os recursos para controle de endemias é repassado pelo Ministério da Saúde ao GDF. Por mês, o governo local recebe R$ 1,8 milhão, por meio do convênio. Jorge de Sousa, diretor da Associação dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), reclama que o dinheiro não tem sido suficiente para garantir boas condições aos agentes do programa. “As condições de trabalho dos servidores chegaram ao limite”, diz o técnico que identificou o foco do mosquito da dengue no pátio da oficina da Secretaria de Saúde.
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Dos mil agentes que estão nas ruas atualmente, 475 pertencem ao quadro do órgão federal. “O profissional vai às casas, sem uniforme, orienta os moradores, mas não aplica o larvicida onde há foco de dengue porque o estoque atual do produto está vencido”, afirma Laurizete Gusmão, agente de saúde e diretora do sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde, Trabalho e Previdência (Sindiprev). O subsecretário Eduardo Guerra confirma que a data de validade do estoque de larvicida da secretaria está vencida desde novembro. No entanto, explica, a recomendação é não usar o produto em qualquer situação. “Só aplicamos se houver orientação técnica”, conclui. A Procuradoria da República no DF vai apurar se há má gestão dos recursos federais no DF.

Rir é o melhor remédio

Prosa & Política

Sergio Gasparinetti, de São Paulo envia a interessante história abaixo, que certamente agradará nossas leitoras e também aos leitores esclarecidos e realistas.

O cortador de grama
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Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu devia consertá-lo.
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Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim.Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura.
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Eu olhei em silêncio por um tempo e depois entrei em casa. Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dentes, lhe entreguei e perguntei.
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"- Quando você terminar de cortar a grama, você pode também varrer a calçada? "
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Depois disso não me lembro de mais nada.
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Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida.
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O casamento é uma relação entre duas pessoas no qual uma está sempre certa, e a outra é o marido...

Tarso Genro ataca mídia "oposicionista"

Tribuna da Imprensa

Ministro diz que parte da imprensa manipula notícias e torce por despetização do governo

BRASÍLIA - Um dos maiores críticos no governo da tumultuada relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a mídia, o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Tarso Genro, encerrou ontem um curto período de trégua da gestão com jornalistas. Em entrevista à Radiobrás, Genro afirmou que a imprensa "oposicionista" manipula notícias e faz uma "torcida terrível" para que Lula diminua o tamanho do PT na administração federal.

Na entrevista, o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República classificou as guerras internas no partido como simples "discussões" que são distorcidas pelos meios de comunicação social. "A mesma imprensa que disse que o governo tinha terminado e fracassado diz que o presidente vai 'despetizar' o governo", afirmou.

Assessores do Poder Executivo avaliam que as declarações de Genro, na verdade, mostram uma "mágoa momentânea". Ele estaria convencido de que setores do jornalismo estariam contra a pretensão dele de ocupar o Ministério da Justiça.
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Genro sempre considerou falha a política de comunicação do Executivo, criticando colegas de usarem repórteres para fazer intrigas.

No fim de 2006, o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência posicionou-se a favor de mudanças no comportamento do presidente diante dos meios de comunicação, como sustentava, reservadamente, o secretário de Imprensa e Porta-Voz da Presidência, André Singer. Genro é visto como a autoridade com gabinete no Palácio do Planalto que mais dá atenção a jornalistas credenciados do comitê de imprensa ou de outras áreas.

Desde a vitória nas urnas, em outubro, Lula repete, em conversas com repórteres, assessores e ministros, que terá uma relação melhor com os veículos de comunicação social no segundo mandato, sem as velhas mágoas expostas nos quatro primeiros anos de Planalto. Nos últimos discursos, ele deixou de lado a tese de que todas as crises na Presidência da República não passam de versões fantasiosas dos veículos de comunicação.

Durante o programa de rádio, Genro afirmou que os veículos de mídia fazem torcida com editoriais, manifestações e notícias manipuladas contra a Presidência e o PT. A Radiobrás convidou jornalistas de emissoras privadas de rádio para fazer perguntas ao chefe da Secretaria de Relações Institucionais.

Genro disse que a "torcida" das publicações é legítima e normal num regime democrático, mas não influencia as decisões da União. "O presidente não vai 'despetizar' o governo", disse. "O governo tem na sua presidência um militante emérito (do PT)", acrescentou, referindo-se ao presidente.

Um jornalista perguntou ao chefe da Secretaria de Relações Institucionais se era mais difícil para o governo enfrentar a guerra interna no partido ou a oposição do PSDB e do PFL. Genro, então, voltou a atacar os meios de comunicação de massa, acusando setores do jornalismo de inventarem histórias de divergências na legenda. "Há muita torcida em cima dessas questões", disse.

Atualmente, o chefe da secretaria trava uma disputa na administração federal e na sigla com o grupo do ex-deputado José Dirceu (PT-SP). Na agremiação, os adversários de Genro não querem que ele seja nomeado para o cargo de ministro da Justiça, no lugar do ministro Márcio Thomaz Bastos.
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COMENTANDO A NOTÍCIA:

Tarso Genro é, inicialmente, um dissimulado. Joga prá torcida. Seu discurso, depende da ocasião. Você nunca sabe o que ele pensa, justamente porque o que diz hoje, desmente amanhã. Ao melhor estilo Lula, é um embromador. Não sei se esta personalidade cretina que ele carrega é uma construção pessoal, ou faz parte do traje que veste pela proximidade do seu chefe.

Basta ver quantas versões o seu “documento” ao partido teve, e você notará esta esquizofrênica figura mudando de opinião tanto quanto se troca de camisa. Tenta as vezes ser malandro, outras, apenas esperto, outras mais tenta ser humilde para empurrar suas teorias “conspiratórias”. Se você quiser tornar qualquer debate uma circunstância imbecil em sua vida, basta que convide Tarso Genro. Mas, cuidado: você pode achar que ao término ganhou um amigo ou um aliado, e no dia seguinte se dar conta de que a figura apenas te enrolou. Na surdina, morderá tua canela.

Esta sua raiva à imprensa é até engraçada: quando ele quer plantar idéias, a procura sem a maior cerimônia. Depois, enche-se de fúria, e descarrega um recalque e um ressentimento odioso incompreensível e injustificável.

Agora, trata a imprensa que critica o governo, como “oposicionista”. Quando será que este cidadão tomará consciência de que se critica quando se entende que é necessário, e se elogia quando entendemos que há acertos para elogiar ! Quando saberá este senhor viver ajustado a uma sociedade aberta, livre, multicultural ? Por que este ranço autoritário de tentar alinhar todos os pensamentos ao seus ? Ou terá este imbecil o dom da sapiciência absoluta e somos todos os demais, meros idiotas ? Acredite, leitor, você não está maluco, não, por discordar de Tarso Genro. Ele é que está fora do lugar, fora do tempo. Lendo suas últimas pérolas, seu novo ataque de frescura, me faz acreditar que este cidadão deve procurar o serviço médico do Planalto para tratar sua TPM – Tensão Pré-Ministério. Melhor seria que Genro antes de seus ataques histéricos à imprensa começasse a se dar o respeito. Não apenas a imprensa critica este governo de droga que aí está: boa parte da sociedade brasileira quer saber afinal quando este governo vagabundo vai começar o segundo mandato ? Ou ele acha que vivemos no melhor dos mundos e sem problemas sérios e graves para serem cuidados e corrigidos ? Mais trabalho responsável e competente, e menos histerismos imbecis seria a receita certa para o senhor Tarso Genro parar de nos encher o saco, literalmente falando.

Sujeito que não sabe respeitar uma crítica da imprensa, não tem competência e nem autoridade moral para encher a boca para falar de democracia. A crítica, meu senhor, para quem governa, faz parte do cenário. E é até saudável que alguém possa alertar com sua crítica ao governo, evitando que incorra em erros. Se você não se satisfaz com ela, ou trate de trabalhar e fazer melhor, para evitá-la, ou mude de atividade. Mas enquanto estiver sendo pago com recursos públicos para fazer um trabalho, trate de aceitar a cobrança. É um direito que nos cabe, sendo imprensa ou não. Somos cidadãos que pagamos impostos e exigimos daqueles que estão no poder, o cumprimento de suas obrigações. E dentre elas, certamente, não se inclui encher nossos ouvidos com tolices.

TOQUEDEPRIMA...

Entre o dólar e os impostos
Editorial de O Estado de S.Paulo:

"Não é choradeira. A maior parte dos empresários tem motivos de sobra para reclamar da valorização do real. Com o dólar despencando para menos de R$ 2,09 no começo da semana, até os mais otimistas decidiram juntar-se ao coro de protestos. O problema aflige tanto exportadores quanto produtores voltados para o mercado interno. A questão não se reduz à concorrência chinesa, apoiada em custos baixos e moeda subvalorizada. Há sinais de inquietação até nos setores favorecidos pela demanda externa crescente e pelos preços em alta. Nesta altura, o risco é reconhecido tanto na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) quanto em Brasília. Mas qual a solução? Berrar é muito mais fácil do que apontar uma saída eficaz, mas, apesar disso, todos têm o direito de cobrar uma resposta do governo."

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PT propõe que presidente convoque plebiscitos
De O Globo:

"Uma minuta de um documento da tendência petista Novo Rumo, que integra o Campo Majoritário do partido, defende a possibilidade de o presidente da República convocar plebiscitos sem autorização específica do Congresso. O texto alimentou, durante o dia de ontem, especulações de que o PT queria, dessa forma, facilitar mudanças constitucionais. Por exemplo, mudanças que implicassem na autorização para um terceiro mandato ao presidente Lula, como levantou o jornalista Elio Gaspari em sua coluna de ontem, no GLOBO.

Os subscritores do documento, no entanto, negaram que essa seja a intenção do texto e afirmaram que a frase que trata do tema foi tirada de seu contexto, uma vez que o assunto está inserido no tema da reforma política. O documento que está em discussão, e que ainda será apresentado ao Campo Majoritário, para, se aprovado, ser defendido no 3 Congresso do PT, em julho, tem 90 parágrafos."

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Lula teme ação especulativa, mas BC vê dólar sob controle
Da Folha de S.Paulo:

"Preocupado com a desvalorização do dólar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou de sua equipe econômica explicações sobre um eventual risco de o país sofrer um ataque especulativo que possa derrubar o preço da moeda americana para perto de R$ 1,90.

Alvo direto das cobranças, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou a Lula que sua equipe já havia detectado início de reversão na queda do dólar e que o cenário atual não aponta para uma desvalorização tão acentuada da moeda, para um patamar entre R$ 1,90 e R$ 2,00.

Após nova intervenção do BC comprando dólares no mercado, a moeda fechou ontem com alta de 0,34%, a R$ 2,093."

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Abdenur explicará no Senado "doutrinação" no Itamaraty
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BRASÍLIA - O ex-embaixador do Brasil em Washington Roberto Abdenur foi convidado para falar na Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre as críticas que fez, em entrevista à revista "Veja", à doutrinação ideológica a que os diplomatas estariam sendo submetidos pela cúpula do Itamaraty. Ele é aguardado na próxima terça-feira, caso a data seja compatível com a sua agenda.

O requerimento de convocação é do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para quem o embaixador agiu de "forma corajosa contra a idéia generalizada no governo de que as promoções ocorrem por afinidade político-ideológica e não por competência".

Por iniciativa do senador Inácio Arruda (PC do B-CE), a comissão também convidou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para falar dos rumos da política externa brasileira, mas ainda não há data prevista. Da tribuna, o líder do PDT, senador Jefferson Péres (AM), afirmou que "não é democrático, nem aceitável, a suspeita de doutrição ideológica por parte do Itamaraty".

"O que é realmente preocupante é que a denúncia confere com informações que me chegaram de outras fontes, de que estaria havendo no Itamaraty uma tentativa de lavagem cerebral pela recomendação, quase determinação, dada ao jovem diplomata da leitura de textos determinados pela direção da Casa", afirmou.

Péres explicou que, quando se referia à "direção da Casa", falava do secretário-executivo do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. "Que, para alguns, é o chanceler de fato do País", disse. "Não é republicano, não é democrático, nem aceitável para o Ministério das Relações Exteriores recomendar textos da mesma linha ideológica."

Já o senador Almeida Lima (PMDB-SE) afirmou considerar que Abdenur foi "inoportuno" ao fazer suas críticas só depois de ter deixado o cargo e obtido a aposentadoria da carreira diplomática.

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Voz Do Dono
Por Dora Kramer em O Estado de São Paulo
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“O Executivo não manda aqui”, bravateou o então candidato à presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia, em discurso minutos antes da eleição.Dois dias na presidência e uma reunião com o presidente da República depois, Chinaglia mudou de opinião sobre a urgência da votação do aumento dos subsídios dos deputados, em recuo 24 horas anterior à celeuma com o Judiciário. A anistia pleiteada por José Dirceu, à qual assegurou dar encaminhamento assim que o assunto (“como qualquer outro”) chegasse à Câmara, num átimo tornou-se “fruto da criatividade da imprensa”.Recolheu os flaps. Lula não quer marola balançando o barco do PAC e Chinaglia segue o lema manda quem pode, obedece quem tem juízo.

O PAC e a camisinha

por Valdivino Ferreira, Blog Diego Casagrande

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve estar rindo para as paredes, como diz o ditado norte mineiro. Empurrando a reforma ministerial para o final do carnaval [e de lá para frente sabe-se Deus para quando], vendo o Congresso entregue nas mãos de seus aliados mais fiéis – Arlindo Chinaglia [Câmara dos Deputados] e Renan Calheiros [Senado Federal], enquanto continua assistindo de camarote o desmantelo do PSDB e do PFL. As duas legendas de raro brilho nos fastos brasileiros dos últimos 25 anos, sempre aliadas, têm aproveitado mal a lição da derrota eleitoral de 2006. Brigas estéreis, oriundas de ciúmes regionais e do papel saliente que à Minas tem cabido desde a República Velha, tem estiolado o poder de fogo da oposição no Congresso Nacional. Queira Deus o resultado disso tudo não será o autoritarismo desbragado do presidente, que não cansa de concordar e elogiar a guinada populista dos nossos vizinhos andinos. Com efeito há que se lembrar dos erros da campanha tucana de 2006, mas precisa-se colocar na balança o real sentido da oposição, que é dar vez e voz à uma parte da população que discorda dos métodos empregados pelo governo na sua administração.
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Por outro lado, a oferta de preservativos nas escolas públicas, programadas pelo governo da união, está sendo amplamente aprovada pelos pais e pelos estudantes, conforme pesquisa apresentada na terça-feira (6 de fevereiro), pelo Ministério da Saúde e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). De acordo com a avaliação dos entrevistados pelos pesquisadores, a medida se tornou importante em face da disseminação de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre os estudantes adolescentes. Segundo a pesquisa com pais, alunos e professores da rede pública em quatorze estados da federação, 89,5% dos alunos e 63% dos pais estão exultantes com a distribuição de camisinhas nas escolas públicas, fatia considerável do ensino que está contida na população de baixa renda e na classe média baixa – sendo que 5,1% dos estudantes e 12% dos pais, acham que a distribuição de camisinhas não é tarefa que esteja afeta às escolas. Entre o professorado, 6,7% reprovam tal ação governamental.
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Já para o representante da Unesco no Brasil, Dr. Vincent Defourny, tais resultados mostram a extrema importância da cooperação entre o governo e a sociedade civil para o incremento de atitudes administrativas que incentivem mudanças substanciais de comportamento social. Disse ele: “A pesquisa indica que a comunidade reconhece o papel da escola como agente na busca de soluções para melhorar a qualidade de vida”, afirmou o eminente professor. Na parte quantitativa, no estudo foram entrevistados entre 2003 e 2006, 14.761 estudantes, 5.538 pais e 495 professores.
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Ao quantificar os resultados no levantamento, descobriu-se que 56% dos pais de alunos das escolas envolvidas no Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) – que se desenvolve desde 2003 através dos ministérios da Saúde e da Educação e pela ONU no Brasil – disseram ter intensificado a conversa com os filhos sobre assuntos sexuais, sobre a “AIDS”, gravidez e métodos contraceptivos. “Não há dúvidas de que os pais se tornaram grandes aliados da educação sexual e ficaram mais engajados”, disse a coordenadora da pesquisa, professora Lorena Bernadete, conforme veiculado pela página do jornal “O Liberal”.
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De fato, a educação sexual é necessária na grade curricular. Ensinar o ser humano sobre o seu caminho e o seu destino, é um dever sagrado da escola. A escola deve ser um local de ensino efetivo: preparar o conhecimento teórico aliado ao prático. Fico a imaginar as benesses dessa medida governamental. Todos nós já fomos adolescentes e sabemos do apetite sexual que acomete ao jovem nessa idade. Não se pensa em outra coisa a não ser em sexo. As indagações sobre a sexologia e a pornografia pululam das mentes juvenis, as vezes extravasada no linguajar chulo, sujo mesmo, que passam a adotar em seu dialeto diário. É necessário instrumentalizar a educação para que ela se torne de fato e de direito a ação possível de preparar o ser humano jovem para seus dias vindouros. No mundo globalizado a educação fez-se na principal ferramenta de ascensão social e de busca de dias melhores. Assim a gravidez precoce e a paternidade infanto-juvenil, além de perigosos descaminhos da saúde, torna-se em perigoso precipício social, impedindo o jovem de alçar vôos maiores e de buscar novos horizontes sociais.
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Embora preocupante, creio não ser transformar os corredores dos prédios escolares em farmácias estilizadas, o principal meio de conter o fogo juvenil e de controlar a libido infantil. Há que se pensar na possibilidade dos taradinhos de plantão em usarem as facilidades para a aquisição do preservativo para rotineiras sessões de sexo nos banheiros escolares. Disposição é que não lhes faltam. Assistimos assim ao contar de uma piada e a confecção de um crime: a piada é esse PAC pra inglês ver, o crime é esse roubo da infância brasileira. Há que se estudar o problema na sua profundidade e sob diversos ângulos. Professores devem se aprofundar no assunto, dando pasto ao escaninho sociológico do problema e suas implicações na sociedade moderna. Enquanto isso, estamos vendo dia-a-dia, infelizmente, a discussão acerca do FUNDEB e o incremento da educação superior simplesmente serem relegadas a plano nenhum.
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Enquanto o presidente distribui camisinhas aos estudantes e joga confetes pelos “PACs” da vida, o país se entrega ao bacanal do carnaval. Num país onde a pobreza campeia solta, relegar assuntos de interesse nacional para depois da festa momesca, é revoltante. Haja tesão para discutir política nesse país, haja saco para pensar educação nesses dias. Coitados dos professores nossos de cada dia.

Economist: Câmara é parlamento ou chiqueiro?

BBC Brasil

Uma reportagem publicada na edição desta semana da revista The Economist afirma que poucas vezes a reputação da Câmara dos Deputados do Brasil esteve tão em baixa. A assessoria do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) informou que ele só deve se manifestar sobre o caso na sexta-feira

Com o título de "Parlamento ou Chiqueiro?", a matéria sobre a eleição para a presidência da Câmara - vencida por Arlindo Chinaglia (PT) - diz que "a história vai julgar se ele vai conseguir restaurar a reputação da instituição".

O texto cita o resultado de uma pesquisa de opinião encomendada pela revista Veja na qual quase a metade dos entrevistados considerou os parlamentares mentirosos e dois em cada cinco disseram que a democracia estaria melhor sem o Congresso.

Segundo a revista, "parte do problema está na fragmentação da política brasileira", na qual há 21 partidos políticos representados no Congresso, "mas apenas sete deles têm presença nacional".

A matéria diz que mais de um quinto dos congressistas trocou de partido, "geralmente em retribuição de favores, alguns deles meia dúzia de vezes".

"A dificuldade de obter a maioria envolveu o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma sucessão de escândalos no mandato anterior", diz o texto. "Esses escândalos derrubaram muitos dos assessores mais próximos do presidente".

Segundo a revista, ainda assim "uma dúzia de apoiadores do governo" envolvidos em escândalos de corrupção continua no Congresso.

A Economist diz ainda que a resposta de Lula foi prometer uma reforma política, "mas isso é pedir para perus votarem a favor do Natal".

"É preciso ser um presidente mais determinado do que Lula para conduzir medidas impopulares por uma legislatura em que leis são aprovadas ou não ao sabor de interesses especiais, claques regionais e uma voracidade por mamata e clientelismo", diz a reportagem.

A revista afirma que Chinaglia venceu as eleições prometendo defender o Congresso e a democracia, mas que "a tarefa mais difícil é proteger a democracia brasileira de si mesma".
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Claro que se aguarda uma reação do distinto público que freqüenta o Congresso. A diferença é que a gente até já acostumou com o cheiro que emana dos recintos daquele imenso balcão de negócios, por isso, às vezes não estranhamos nenhum um pouco a pocilga. Porém, lá fora, no mundo civilizado, o que fazemos é um escândalo. Neste espaço quantas vezes se vezes se leu a indignação das palhaçadas que o congresso brasileiro apronta quase que diariamente ? Quantas vezes vozes se levantaram nos últimos seis meses, inclusive alguns parlamentares, para qualificar como a pior legislatura da história a que passou e só deixou vergonha atrás de si ? Quantas ? Como se pode então estranhar que lá fora nos vejam da maneira como a revista se referiu a nós ? Querem um exemplo do chiqueiro ? Quantos mensaleiros, vampiros, sanguessugas retornaram pela via do voto direto à Câmara de Deputados ? Portanto, o melhor que faríamos seria nos conscientizar do ridículo que cometemos, do quanto estamos ainda estamos atrasados e deficientes em relação ao primeiro mundo! Somente a partir do momento que pararmos de culpar os outros pelas nossa mazelas, e as encararmos com realismo e seriedade, poderemos recolher na imprensa mundial notícias mais agradáveis acerca do Brasil. Para evitar a crítica não basta indignação: tem de haver trabalho e ação para impedir que as causas que as originaram continuem a se repetir.