quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Negociação sim, cretinice não.

Adelson Elias Vasconcellos

Tenho procurado evitar comentar sobre a decisão da EMBRAER de eliminar cerca de 4.200 empregos, cerca de 10% do total de seu quadro de funcionários. E o faço por uma simples razão: a empresa, no fundo, ainda não divulgou as razões em que fundamentou sua decisão.

No artigo que reproduzimos abaixo do Carlos Alberto Sardenberg, COMPRANDO EMPREGOS, no qual ele expõe a situação difícil da GM e a ação de socorro do governo Obama, temos ali uma situação bem posta e que demonstra que tipo de intervenção deve ser acionado pelo Poder Público junto à iniciativa privada.

Por aqui, a reação tanto do governo quanto dos sindicatos e centrais sindicais, foram as piores possíveis. Ao invés de optarem pelo equilíbrio e da busca de uma negociação e entendimento amigáveis, optou-se pelo “sentimento de indignação” de um lado, e de retaliação e enfrentamento de outro.

Vamos por partes. Em 1990, a Embraer mergulhou em profunda crise financeira e seu efetivo foi reduzido de 13.900 para 9.900 empregados, ou seja, muito embora o número de cortes tenha sido praticamente o mesmo de agora, o impacto naquele ano foi ainda maior, porque representou cerca de 30% do total. E, para quem já esqueceu: naquele ano, a EMBRAER ainda era estatal. Ela seria privatizada somente em dezembro de 1994, e o foi como única forma de evitar seu fechamento. De lá para cá, após o investimento de bilhões de reais, a empresa mais do que dobrou seu efetivo, ampliando seu mercado e consolidando uma posição marcante no mercado da indústria aeronáutica.

Portanto, antes de se atirar pedras à decisão da empresa de reduzir seu número de funcionários,seria conveniente,primeiro, ouvir as alegações que fundamentaram tal decisão. Nenhum empresário é maluco de cortar 10% de seu efetivo de pessoal apenas por simples ato de maldade. Muitos dos demitidos são funcionários especializados cuja formação requer altos investimentos em treinamento e qualificação feitos e bancados pela própria empresa. Deste modo, a decisão pela demissão deve ter razões bastante amplas e justificadas pela direção da EMBRAER.

Porém, independente de quais sejam estas razões, acredito que faltou um pouco de sensibilidade por parte dos diretores da empresa. Deveriam ter avaliado que, o tamanho do corte acabaria provocando uma forte reação fosse dos sindicatos ou mesmo do Poder Público. Sendo assim, deveriam ter provocado reuniões com os governos estadual e federal juntamente com os sindicatos para expor a necessidade imperiosa de demitir. Claro que, apesar de toda a “indignação” demonstrada por Lula logo após o anúncio dos cortes, foi apenas jogo de cena. Ele fora comunicado da decisão alguns dias antes. Sua reação, portanto, além de cretina, acaba abrindo curso para que se estabeleça conflitos desnecessários. Ao invés de usar a negociação política para tentar minimizar os efeitos da decisão da empresa, fez política eleitoreira a partir de uma decisão que lhe fora comunicada antecipadamente.

Dizer-se que a empresa, porque tomou empréstimos junto ao BNDES, não poderia demitir, é papo furado. Comecemos pelo seguinte: os empréstimos foram de favor,ou a empresa preencheu todos os requisitos básicos que são, de resto, exigidos de todos as demais empresas, para ter suas solicitações aceitas e aprovadas pela instituição? A EMBRAER tem pago corretamente as obrigações contraídas, incluindo-se os juros e encargos financeiros existentes nos contratos? A EMBRAER tem pago todos os seus impostos e obrigações trabalhistas em dia? Se tal tem procedido, e por ser há mais de 10 anos, uma empresa de capital privado, sobre ela o governo federal não tem nenhum poder para deliberar sobre as decisões soberanas de sua diretoria e acionistas. Pode, dentro dos limites que a lei lhe faculta, quando muito, tentar negociar para que, em momentos de crise como o atual, a empresa consiga sobreviver e remunerar seus acionistas, com menores custos sociais como o desemprego é capaz de provocar. Não apenas uns cem, duzentos ou até 400 emprego. São mais de 4.000 e isto, como não poderia de ser, tem enorme impacto social.

Partir para conflitos como pretendem os sindicatos e centrais sindicais,ou como pretende o governo pressionando o BNDES para a não concessão de futuros pedidos de empréstimos e financiamento, chega a ser ridículo e estúpido. Alegar que, em passo recente, a empresa foi beneficiário de empréstimos e que, por esta razão, não lhe compete demitir parte de seu quadro em momento de aguda crise como ao planeta todo atravessa e é duramente afetado por ela, é de estupidez colossal. Conforme vimos acima, quando mais do que dobrou seu número de empregados, passando de 9.900 para mais de 20 mil, como também pelo próprio histórico do crescimento da empresa desde sua privatização, quando desenvolveu tecnologia de ponta para tornar-se, neste período, uma das principais marca da indústria da aviação, justificaram plenamente os empréstimos e financiamentos concedidos à empresa. Ou acaso o governo é capaz de apontar que tais concessões provocam ou demandaram prejuízos ao BNDES ou aos cofres públicos? Caramba, além dos empregos, a empresa também gerado divisas, geração de renda e de impostos.

Alguns bestiais aproveitaram a crise para sustentarem a necessidade de que os governos devem intervir no mercado, ao contrário da filosofia até então adotada. Ora, já provei, certa vez, que, na raiz da crise atual, está a falta de ação justamente dos governos. Por quê? Porque, simplesmente, deixaram de cumprir seu papel de fiscalizador. E não o fizeram justamente porque no oba-oba da ciranda financeira, se beneficiaram todos, inclusive o Brasil. Quando pagamos impostos, além dos serviços de educação, segurança, saúde, dentre outros, também estão inclusos os de fiscalização. Deste modo, não podem os governos agora alegarem a conversa mole de que aumentar sua presença no mercado. Devem, isto sim, cumprirem com seu papel e nada mais.

Diante disso, não pode o governo Lula atuar como chantagista em relação à EMBRAER. Não têm competência legal para tanto. Como também, deve dispor o aparato policial para garantir segurança à atuação da empresa que paga impostos justamente para isto. Repito: a EMBRAER não vivo nem de favores imorais muito menos de benesses indevidas do Poder Público. E, diante de uma carteira de encomendas que se encolheu abruptamente, pode e deve recorrer à medidas que, se são tristes e problemáticas, por outro lado, são indispensáveis para a manutenção dos demais empregos (e são milhares), como também sobreviver e continuar gerando renda, divisas e impostos.

Assim, a presença maior que, realmente, se requer não apenas agora, na hora da dificuldade, mas antes da própria crise espalhar seus tentáculos, é o cumprimento na medida certa de suas principais funções. Se não consegue promover bem esdtar social com melhor educação, saúde e segurança, e aainda por cima não consegue executar com eficiência e rigor sua função de fiscalizador da atividade econômica, como pode querer pretender aumentar ainda mais seu raio de atribuições? Sendo assim, fica claro que, lhe faltando competência para o básico, há de faltar-lhe igualmente para o assessório.

Agir desequilibradamente como pretende o governo é demonstrativo de um ranço caudilhesco que não combina com o discurso do “democrata” com que Lula se reveste e se mascara. Este é o momento certo para negociação. Jamais para enfrentamento e discurso cretino de palanqueiro. Ou acaso Lula se esqueceu dos difíceis tempos em que teve que atuar como bombeiro quando era sindicalista? Este é o momento certo para demonstrar suas “qualidades”... Aliás, é bom lembrar ao senhor Lula que, apesar da EMBRAER ser brasileira, quando ele precisou comprar um avião novo para a presidência, Lula foi bater nas portas da Airbus, portanto, foi gerar empregos lá fora...

O Massacre da Embraer foi morte anunciada

Elio Gaspari

Indignado, Nosso Guia disse que não sabia das 4.000 demissões, afinal, não lê jornal

Há Uma semana, diante da notícia do Massacre da Embraer, no qual foram destruídos 4.000 empregos, Lula indignou-se. Segundo a narrativa de sindicalistas que estavam com ele, Nosso Guia teria dito: "É um absurdo que uma empresa que recebeu recursos do BNDES ao longo dos últimos anos, ao primeiro sinal de problemas, promova este enorme corte, sem uma única conversa com alguém do governo, sem nos procurar".

De duas uma: Lula está fazendo teatro (a melhor hipótese), ou disse a verdade, revelando que não tem ideia do que acontece no país e no seu governo. Pior: seus ministros do Trabalho, do Desenvolvimento e da Fazenda também não.

A informação de que a Embraer pretendia demitir 4.000 funcionários era pública desde dezembro do ano passado. Foi revelada pelo repórter Julio Ottoboni, referindo-se a um boletim interno da empresa. Ottoboni informou o tamanho da carnificina -"4.000 funcionários", e a época, o início de 2009. Lula e seu ministros podem dizer que não leem jornal, mas a informação constou da sinopse que a Radiobrás organiza diariamente.

Os sindicalistas de São José dos Campos sabiam do plano da Embraer e dizem que tentaram negociar com a empresa mecanismos semelhantes aos que têm protegido milhares de empregos. José Lopez Feijóo, da executiva da CUT, contou que a Embraer chegou a marcar um encontro com o ministro Guido Mantega, mas não apareceu. Discutiriam a qualidade dos sambas-enredo das escolas?

Quem diz que foi surpreendido ofende a quem lhes dá crédito. Com o tempo vai-se saber quem conversou com quem. Por enquanto, fica a possibilidade de ter havido um acordo tácito: a Embraer faz o massacre, eu digo que não sabia, falo mal de seus diretores durante uma semana e depois voltamos às práticas de sempre.

Que práticas? Desde o tempo dos generais a Embraer é uma queridinha do palácio. Se o presidente precisa de um cenário para bombar os avanços tecnológicos de seu governo, marca um evento em São José dos Campos e aparece na foto ao lado de jatos, robôs e máquinas fantásticas. Quando o tucanato precisou bombar sua publicidade, os marqueteiros selecionaram um plantel de bem-sucedidos para ilustrar anúncios pelo Brasil afora. Na lista, o presidente da Embraer.

A intimidade do Planalto com a Embraer chegou ao apogeu em 2004, quando Nosso Guia encomendou o AeroLula à empresa europeia Airbus, ao preço de US$ 56,7 milhões. Presidindo um país onde funcionava a quarta maior fábrica de aviões do mundo, teria sido razoável encaminhar o pedido à Embraer. Empregaria 400 pessoas durante seis meses. Segundo o Planalto, o Airbus era essencial porque sua autonomia permitia voos diretos até Paris ou Nova York. Considerando que esses trajetos não são frequentes, ficava pelo menos a dúvida. Ela foi desfeita pela Embraer, que se apressou em respaldar a decisão, informando que não produzia o tipo de avião pedido, nem pretendia fazê-lo nos próximos cinco anos. Caso raro de empresa amparando uma preferência pelo concorrente.

George Bush e Henry Paulson, seu secretário do Tesouro, fizeram muitas besteiras, mas nunca lhes passou pela cabeça armar um jogo ao fim do qual pudessem dizer que não sabiam que o banco Lehman Brothers estava quebrado

Tribunais de Contas prá quê?

Adelson Elias Vasconcellos

Em editorial na edição desta terça-feira, o Estadão (reproduzida abaixo), há um fato que não se pode desprezar. A de que “...seus pareceres e decisões são sistematicamente desrespeitados pelos Legislativos dos municípios cujas contas do Executivo têm sob seu exame”.

E isto serve de gancho para este artigo. Ao longo do tempo, a grande distorção do Brasil tem sido a de que o se imagina que o Estado deve ser rico epoderoso às vcustas da miséria do povo. Vivemos uma fantasia e o poder público veste esta máscara para criar uma elite de privilegiados que mantém em todo o país seus feudos, suas capitanias heriditárias, seus cartórios para usufruírem da energia que o restante dispensa para a sua sobrevivência. A opulência com que tudo o que se liga à vida política, chega a ser um acinte porque é sustentada pela miséria dos não “privilegiados” dos quais extraem tudo o que podem para seu deleite, e oferecem a indignidade em troca do “serviço prestado”.

Não sou contra a política como a ciência da negociação. E preferível tê-la, porque sua ausência será preenchida pelo conflito, pela guerra, pela estupidez. Contudo, e nem tentem me convencer do contrário, sou contrário ao político profissional, aquele que faz da política seu meio de vida. Aquilo que deveria ser uma missão de servir à sociedade foi, ao longo do tempo, totalmente deturpado para o servir-se da sociedade. E, quanto mais baixo o nível educacional de um povo, maior é a proliferação e infestação de políticos ordinários e salafrários.

Sempre que a sociedade se move no sentido de repelir as práticas imorais desta classe imunda, eles reagem superficialmente. Fingem atender os reclamos do que se quer e se pede, porém, logo tratam de imunizar-se contra a fiscal popular.

É o caso dos Tribunais de Contas. Como se pode dar crédito a um orgão fiscalizador cujos ministros são derivados de escolhas políticas, quando deveriam ser fruto de seleção técnica ? Impossível não se ver aí a malandragem na sua criação. Mais: por que estes tribunais não poder de punir aqueles que praticam desvios ou má versação dos recursos públicos? Não, isto seria pedir demais. Como a sua criação e a ampliação de suas funções deve ser “votada” pelas casas legislativas, não se pode esperar que os ditos representantes da sociedade legislem contra seus interesses particulares, muikto particulares...

No site Contas Abertas, seguidamente são publicados artigos relatando alguns relatórios dos Tribunais de Contas e, sempre, relatando as barbaridades que se cometem no uso do dinheiro que deveria ser público, mas o é apenas quanto à sua arrecadação, porque seu uso é totalmente privatizado pela nada honrada classe política brasileira.

Corrupção não é uma exclusividade brasileira. Ela existe em todoos cantos do planeta. Porém, nas nações desenvolvidas, sua constatação é imediatamente punidae os culpados são ou exonerados ou expulsos da vida pública. Ficha suja não tem uma segunda chance. Aqui, ao contrário, raros são os políticos que são punidos e mais raros aqueles que a própria sociedade não acaba, na próxima eleição, devolvendo à vida política.

Saber votar também significa em não eleger ou reeleger safados. Passado algum tempo, todos acabam nos “braços do povo”. Resultado: dissemina-se no seio social a sensação de que o crime, pelomenos para os políticos, compensa, e muito.

Deveriam ampliar-se ao nosso ver as competências dos Tribunais de Contas, assim como, sua estrutura para que suas fiscalizações pudessem abranger o máximo da prática política bancada com dinheiro público. É inadmissível,por exemplo, que as centrais sindicais, por exemplo, sejam brindadas com milhões derivados da arrecadação do imposto sindical subtraído à forceps dos trabalhadores, e não deva ser submetida à fiscalização quanto ao uso e destino que dá a esta fortuna.

Do mesmo modo, como o próprio editorial menciona, é inadmissível que a “...grande maioria das decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo é ignorada pelas Câmaras de Vereadores dos municípios a que se referem. Das 644 contas analisadas em 2006 pelo TCE, 243 foram consideradas irregulares - o que representa nada menos que 37% dos municípios. Foram detectadas distorções e infrações à lei que iam desde o não-pagamento de precatórios até o elevado déficit orçamentário, passando pela falta de aplicação dos recursos mínimos em saúde e educação, pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros dispositivos legais ou constitucionais. Foram, assim, apresentados pelo TCE motivos que justificariam a reprovação dos gastos de prefeitos pelas Câmaras de Vereadores, o que os tornaria inelegíveis...”

Quadro como este acima existem em todo o cenário político. Finge-se fiscalizar para que a grita proveniente da sociedade não peturbe o sossego das ratasanas do erário. A maquiagem é perfeita. Aliás, em matéria de maquiagem a classe política brasileira é pródiga e muito eficaz. É o caso por exemplo do tal pac, uma lista de obras requentadas aprtesentadas sob nova roupagem para parecerem pertencer a este governo. No fundo, mais de 80% de tudo que ali está existia antes do pac, e continuariam a existir apesar do pacote. Mistificação pura da marquetagem oficial que adora se esbaldar nas ditas “verbas publicitárias” para desgovernarem o país.

Com os Tribunais de Contas não seria diferente, dada a forma como os mesmos são constituídos. O Editorial informa a malandragem: como a Constituição concede aos vereadores o poder de derrubar os pareceres do TCE, desde que com maioria qualificada de dois terços dos votos, na prática isso se tornou uma garantia de impunidade. Veja-se agora o jeito como se "enxuga" esse processo de fiscalização das contas públicas: das 243 prestações de contas julgadas irregulares pelo TCE, apenas 31 foram colocadas em votação pelos Legislativos até a primeira semana de fevereiro. Certamente há uma demora decorrente dos prazos legais - que abrangem a auditoria do TCE, a defesa dos prefeitos e o envio das decisões do tribunal para as Câmaras. Mas, desses 31 pareceres sobre contas irregulares, 22 (isto é, 71%) acabaram derrubados nesses Legislativos - o que significa dizer que as contas dos respectivos prefeitos foram aprovadas.
Quando a sociedade berra um “basta!”, podem acreditar: a classe política irá criar alguma mistificação para fingir que tomou jeito, mas mudança será para manter imutável tanto o cometimento das safadezas, quanto a impunidade dos safados.

Há solução? Sim, e ela passa, obrigatoriamente, pelos bancos escolares. Sem educação, não corrigiremos não a “cultura” como comumente se atribui, mas o desvio de conduta, ou seja, a má conduta. Não existe a “cultura do mal”, o que existe é sua impunidade. E tal desvio só permite diante da ignorância. É por esta razão que insitimos tanto na tecla da educação como ponto de partida para correção das mazelas tupiniquins. Mas não esta porcaria indecente que está aí. Mas uma educação feita com qualidade e, acima de tudo, sem ideologias politiqueiras. O que hoje o governo atribui como “educação” se chama, no fundo, de má educação, má formação. E, reparem novamente no editorial.: dentre tantas maldades cometidas e apontadas pelos Tribunais de Contas “... foram detectadas distorções e infrações à lei que iam desde o não-pagamento de precatórios até o elevado déficit orçamentário, passando pela falta de aplicação dos recursos mínimos em saúde e educação, pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros dispositivos legais ou constitucionais...”

Agora perguntem aos edotirialistas e articulistas da tal TV Brasil se eles permitem que sejam divulgados estes relatórios dos tribunais de conta? Nada: o canal foi criado como veículo de propaganda do governo Lula. Nada além disto. Agora mesmo, no Congresso, se discute sobre a obrigatória transparência que se deve dar as tais verbas indenizatórias para os parlamentares “divulgarem o seu mandato”. No fundo, se sabe que as tais verbas foram criadas sob tal título apenas para enganar à sociedade que, na época, gritou enormente contra um aumento que se pretendia dar aos nossos congressitas. Portanto, a verba é um farsa, um engodo. Como seu uso é uma aberração e o sigilo dos gastos uma aberraçãomaior ainda, deveriam era por fim à falcatrua. Pois bem: eles até aceitam, mas desde que a verba seja incorporada aos salários que já recebem . Ou seja, querem oficializar a imoralidade, e fim de papo. E, apenas para não ficar martelando sobre os parlamentares, é bom sempre lembrar do tratamento cretino que a Presidência da República dá aos gastos feitos com os tais cartões corporativos!

Deste modo, é de se perguntar: se podem punir os cretinos que maltratam e desviam verbas públicas, e terem seus relatórios simplesmente ignorados, pra que servem, afinal, os tais Tribunais de Contas? Só para empregar os afilhados dos nossos gigolôs?

Tribunais de contas injustiçados

Estadão

Tanto causa repulsa a crônica impunidade reinante no País que às vezes se cometem injustas generalizações ou se culpam instituições pelos atos de outras. É o caso dos Tribunais de Contas. De há muito se fala da inutilidade desses órgãos de assessoramento técnico dos Legislativos, de seus pareceres resultarem em nada, de sua subordinação política ou do cabide de emprego, frequentemente nepotista, que infla seus quadros. Não que deixe de ter havido, ou de ainda haver, muitas dessas distorções. Mas no geral os Tribunais de Contas são providos de alta capacidade técnica e dispõem de quadros de fato dedicados ao exame e controle das contas públicas. O problema é que seus pareceres e decisões são sistematicamente desrespeitados pelos Legislativos dos municípios cujas contas do Executivo têm sob seu exame.

Matéria de nossa edição do dia 16 mostrou como a grande maioria das decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo é ignorada pelas Câmaras de Vereadores dos municípios a que se referem. Das 644 contas analisadas em 2006 pelo TCE, 243 foram consideradas irregulares - o que representa nada menos que 37% dos municípios. Foram detectadas distorções e infrações à lei que iam desde o não-pagamento de precatórios até o elevado déficit orçamentário, passando pela falta de aplicação dos recursos mínimos em saúde e educação, pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e a outros dispositivos legais ou constitucionais. Foram, assim, apresentados pelo TCE motivos que justificariam a reprovação dos gastos de prefeitos pelas Câmaras de Vereadores, o que os tornaria inelegíveis.

Mas, como a Constituição concede aos vereadores o poder de derrubar os pareceres do TCE, desde que com maioria qualificada de dois terços dos votos, na prática isso se tornou uma garantia de impunidade. Veja-se agora o jeito como se "enxuga" esse processo de fiscalização das contas públicas: das 243 prestações de contas julgadas irregulares pelo TCE, apenas 31 foram colocadas em votação pelos Legislativos até a primeira semana de fevereiro. Certamente há uma demora decorrente dos prazos legais - que abrangem a auditoria do TCE, a defesa dos prefeitos e o envio das decisões do tribunal para as Câmaras. Mas, desses 31 pareceres sobre contas irregulares, 22 (isto é, 71%) acabaram derrubados nesses Legislativos - o que significa dizer que as contas dos respectivos prefeitos foram aprovadas.

Não se pretende negar que os Tribunais de Contas possam sofrer ingerências políticas em seus pareceres, antes que estes cheguem aos Legislativos. Na matéria está o depoimento do ex-secretário de Finanças de São Paulo Amir Khair que diz: "É comum ver um parecer técnico apontando problemas e o relator vai contra aqueles apontamentos. Ou mesmo casos em que o próprio parecer aponta uma série de problemas, mas considera as contas regulares." Também diz o ex-secretário que "os Tribunais de Contas não têm isenção política, pois há uma falha na origem, que é a própria nomeação dos conselheiros" - já que são indicados pelo governador ou pelas assembleias legislativas. Aí, porém, há que se relativizar o problema, pois se isso significasse, necessariamente, falta de isenção, como confiar, por exemplo, em que os ministros do Supremo Tribunal Federal tivessem alguma isenção em relação à Presidência da República?

Agora, que há uma séria distância entre as funções dos Tribunais de Contas e seus efeitos quanto às administrações municipais não resta dúvida alguma. É por isso que se põe em dúvida, por exemplo, a utilidade real de um órgão público com 1.600 funcionários, que custa aos cofres públicos R$ 320 milhões anuais, como o TCE de São Paulo. Mas a sensação de inutilidade que ocorre, quando tantas contas de municípios são reprovadas por esses tribunais - depois aprovadas pelas Câmaras de Vereadores -, diminui quando há interferência do Ministério Público (a partir de dados levantados pelo Tribunal de Contas) no ajuizamento de ações contra maus administradores públicos. Como diz o diretor-geral do TCE de São Paulo, Sérgio Rossi, "pode o parecer ser derrubado, mas não é por isso que não existem consequências para esses agentes. Por exemplo, muitas vezes encaminhamos aqui notícia ao Ministério Público que o prefeito cometeu uma daquelas infrações previstas na lei de crimes fiscais". Há então que se dizer: pelo menos isso.

Deputado merece dinheiro ou cadeia?

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

O deputado João Paulo Cunha, do PT paulista, demorou três anos para descobrir que deve sentir-se ofendido com as "inverdades e contumélias" contidas no artigo A coalizão dos vigaristas, publicado nesta coluna em dezembro de 2005. Na petição encaminhada à Justiça, acha que merece uma indenização em dinheiro "por danos morais". O colunista continua achando que o que o ex-presidente da Câmara merece é cadeia. A reprodução do texto permitirá que os leitores decidam quem tem razão:

"Planalto paga mesada a deputados", informou o Jornal do Brasil em 24 de setembro de 2004. As primeiras quatro linhas da reportagem resumiram o escândalo: "O governo montou no Congresso um esquema de distribuição de verbas e cargos para premiar partidos fiéis ao Planalto. Chama-se mensalão". Imediatamente, estendeu-se sobre a bandalheira a rede corporativista tecida pelo cinismo dos culpados e pelo silêncio dos bem-informados.

Estimulado pelo recuo dos muitos parlamentares que sabiam da história, o deputado João Paulo Cunha, presidente da Câmara, ordenou a abertura de uma sindicância para conferir a denúncia. Os sherloques levaram duas horas para decidir que a acusação era "impertinente". João Paulo não perderia a chance de fingir que, diante de agressões à instituição, virava fera ferida.

No dia seguinte, reivindicou por ação judicial o direito de resposta e prometeu exigir do JB "indenização por danos morais". A resposta, publicada em 30 de outubro, transpirava indignação. A Câmara fora vítima de uma falsidade inominável, bradou o articulista, que condenou "o constrangimento imposto aos parlamentares". Oito meses depois, baseada na entrevista de Roberto Jefferson à jornalista Renata Lo Prete, a Folha de S.Paulo anunciou que o PT pagava mensalões a deputados. A essência da manchete repetia a que enfurecera João Paulo no ano anterior. Mas desta vez a fera de araque nem miou.

"Vocês ainda vão ouvir falar muito num carequinha chamado Marcos Valério", avisou Jefferson dias mais tarde. E então se deu a metamorfose. Sumiu o João Paulo com cara de garotão, maneiras polidas, cada fio de cabelo em seu lugar, óculos de primeiro da classe, afeito a sussurros conciliadores, mas disposto a enfrentar quaisquer perigos em defesa dos oprimidos e dos princípios do PT. Com os mesmos óculos, entrou em cena um tipo assustadiço, olheiras de porteiro de cabaré, barba implorando por lâminas, cabelos em desalinho, retinas dilatadas pelo medo. Esse João Paulo era o verdadeiro. Tinha a cara da alma, modificada pelo lucrativo convívio com Marcos Valério.

Eles se conheceram na temporada eleitoral de 2002, quando uma agência do vigarista mineiro foi contratada para cuidar da campanha do PT em Osasco, onde João Paulo nasceu. Vitorioso, o deputado transformou o novo amigo em marqueteiro de estimação. Candidato único à presidência da Câmara, João Paulo contratou-o para monitorar uma campanha que não haveria. Depois, escolheu uma agência do parceiro para "melhorar a imagem da Casa". Grato, Marcos Valério incluiu perguntas sobre o prestígio eleitoral de João Paulo em pesquisas destinadas a avaliar a imagem da instituição. O contrato foi renovado por dois anos no último dia útil de 2004.
Um cheque de R$ 50 mil valerianos recolhido pela mulher de João Paulo na agência do Banco Rural acabou por incluí-lo na fila da guilhotina. Puro descuido. A propina talvez tenha sido a menor das muitas transações tenebrosas consumadas pela dupla. Envolvem quantias bem mais impressionantes.

O que se leu nos parágrafos acima não chega a ser novidade: a trechos publicados em colunas anteriores foram acrescentadas algumas frases. Novidade é a trama urdida na Câmara para a salvação dos pecadores. A ofensiva – sórdida e atrevida – começou na sessão que redimiu o mensaleiro Romeu Queiroz. O passo seguinte é a tentativa de absolver João Paulo. Há outras pilantragens em andamento. É hora de deter os bandidos.

A face honesta do país não merece mais bofetadas. E já não é possível suportá-las.

TOQUEDEPRIMA...

***** Informe JB - Agenda de miss para a ministra
Karla Correia , Jornal do Brasil
É bom os tucanos se apressarem porque a estratégia de superexposição da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, só está começando. Depois de ter sua desenvoltura aprovada durante um Carnaval em que fez "voo solo", sem o reforço da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra terá, nos próximos meses, agenda cheia de viagens e eventos nos quais deve aparecer como estrela. E, nesta fase, vale aparecer em qualquer espaço que se abra. Dilma faz parte até de uma lista de mulheres que serão homenageadas pela faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em uma cerimônia voltada para o reconhecimento do trabalho de pessoas que se destacam no mundo jurídico.

***** Battisti, o terrorista, é tratado com regalias
Cláudio Humberto
O terrorista Cesare Battisti recebe tratamento privilegiado no presídio da Papuda, de Brasília, onde aguarda o julgamento de sua extradição no Supremo Tribunal Federal. A principal regalia é estar no CIR, o Centro de Internamento e Reeducação, ala especial destinada a ex-policiais. Fonte da Polícia Civil, responsável pela custódia do terrorista, informou que as regalias foram obtidas por pressão de petistas junto ao governo do DF.

Cesare Battisti tem regalias, na penitenciária do DF, que jamais seriam concedidas na Itália a brasileiros presos, mesmo sendo policiais.

Juristas experientes crêem existir argumentos jurídicos sólidos para o STF extraditar Battisti, redimindo o Brasil perante o mundo civilizado.

***** Sindicato inventa greve em Furnas no primeiro dia útil após o carnaval
Como ninguém é de ferro, Sindicato dos Eletricitários de São Paulo marcou para esta quinta-feira (26), primeiro dia útil após o carnaval, uma paralisação que pretende afetar todas as unidades da estatal Furnas Centrais Elétricas S/A. O objetivo é político: impedir a substituição do diretor-presidente, Sergio Wilson Ferraz Fontes, e do diretor-financeiro, Ricardo Carneiro Gurgel Nogueira, do seu fundo de pensão, a Fundação Real Grandeza. O governo decidiu e a dupla deve ser defenestrada pelo conselho deliberativo, órgão máximo da Real Grandeza, mas o sindicato sustenta que esses diretores teriam sido responsáveis pela recuperação da entidade, após o prejuízo de R$ 150 milhões que sofreu com o Banco Santos.

***** Cubano que desertou no Pan-07 foge para os EUA
Folha online
Guillermo Rigondeaux, 27, chegou ontem a Miami para tentar terminar empreitada iniciada sem sucesso em 2007: deixar Cuba e se aventurar em uma carreira internacional.

O pugilista cubano, que teria passado pelo México durante a fuga, está hospedado com antigos companheiros de seleção e também deve passar a ser agenciado pela empresa alemã Arena Box Promotions, que já trabalha com Yuriorkis Gamboa, Erislandy Lara e Odlanier Solís.
As informações são do jornal de Miami "El Nuevo Herald".

"Queremos que ele faça parte do nosso grupo de boxeadores e abrir todas as portas para que ele cumpra seu sonho de ser campeão mundial", disse o representante da Arena nos EUA Luis de Cubas à publicação. Bicampeão olímpico e mundial, Rigondeaux já havia tentado deixar Cuba em 2007. Durante o Pan do Rio, fugiu da Vila com o conterrâneo Erislandy Lara. Eles ficaram quase duas semanas escondidos no Estado do Rio até serem presos.

Os cubanos foram deportados menos de 48 horas depois de terem sido localizados.

À época o Ministério da Justiça informou que o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) não discutiu o caso dos atletas, que poderiam ter recebido refúgio no Brasil.

***** Cheio de gás: Robson: sem mandato, mas com cargo

Lauro Jardim, Radar, Veja
O ex-deputado federal Robson Tuma é o novo diretor de planejamento corporativo da Liquigás, subsidiária da BR Distribuidora que comercializa GLP. Foi nomeado, sem alarde, no finzinho de dezembro. O padrinho da indicação foi - quem mais poderia ser? - seu próprio pai, o senador Romeu Tuma. Mais uma daquelas clássicas boquinhas da política brasileira para atender um político que ficou sem mandato. Robson deve entender de muita coisa, menos de planejamento corporativo. Quem entra em seu site pessoal, por exemplo, descobre que ele é "um jovem empreendedor que adora estar com a família, com os amigos, viajar, correr na praia" e "é uma pessoa divertida e aberta". Beleza. O site é extenso, mas, sobre GLP ou "planejamento corporativo", nada.

***** Projeto obriga governo a informar como gasta a receita das multas de trânsito. É pagar prá ver!
Cláudio Humberto
Projeto do deputado Marcos Montes (DEM-MG), que tramita em caráter conclusivo na Câmara, promete ser um duro golpe na indústria da multa. Se aprovado, obrigará a União, os estados e os municípios a divulgarem trimestralmente o total arrecadado com multas de trânsito e onde o dinheiro é gasto. O Código de Trânsito Brasileiro determina que a receita da cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em segurança e educação de trânsito. O parlamentar, porém, afirma que em muitos casos esse dinheiro vem custeando a administração. No caso do Distrito Federal, grande parte da receita de cerca de R$ 13 milhões mensais é aplicada no pagamento dos salários dos agentes de trânsito, que ganham em média R$ 6 mil por mês. "Com a divulgação, a sociedade poderá fiscalizar os montantes arrecadados e a destinação, exigindo o cumprimento da lei e contribuindo para a sua efetiva aplicação na educação e segurança do trânsito". O projeto será discutido agora na comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça.

*****O calote da Caixa
Com o lucro de R$ 3,9 bilhões em 2008, a Caixa bem que poderia pagar o que deve à Previdência: R$ 1,33 bilhão. É uma das responsáveis pelo déficit previdenciário, que somou R$ 6,3 bilhões só no mês passado.

***** Mudança de discurso
Ainda na campanha de 2002, Lula bateu o quanto pode em FHC porque o ex-presidente não privilegiava a indústria nacional nos vultosos contratos da Petrobras. Isso porque, FHC mandava contratar quem cobrasse menos, independentemente da nacionalidade do empresário. Ontem, no entanto, Lula mudou o tom.

Durante a reunião do conselho político, o presidente se disse insatisfeito com os preços "absurdos" que os fornecedores brasileiros têm apresentado para a estatal e avisou que já mandou consultar os preços praticados no exterior. Categórico, garantiu que não ficará refém das fornecedoras nacionais se os valores forem extorsivos.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como sempre se disse, oposição no governo alheio é muito fácil. Pena que Lula precisa consumir 6 anos para aprender o espírito da boa governança. Claro que ainda lhe falta muito, mas quem sabe, né, daqui uns 20 anos, ainda aprenda que a primeira lição para ser um bom presidente é não mentir para a Nação...

***** Assassinos
Aproveitando a folia de carnaval, integrantes do MST tentaram reocupar a fazenda Colinas, da qual tinham sido expulsos por decisão judicial, em São Joaquim do Monte (PE). Saldo: 4 mortos entre os legítimos donos.

***** Bancada do DF defende a incorporação. Que surpresa!!!
Pelo menos metade da bancada do Distrito Federal na Câmara dos Deputados defende a incorporação da "verba indenizatória" de R$ 15 mil mensais aos vencimentos dos parlamentares, de cerca de R$ 16 mil. O deputado Rodovalho (DEM-DF) acha que a medida seria positiva "para diminuir a burocracia em torno dos gastos que fazemos com a divulgação do mandato”, segundo reportagem do jornal Correio Braziliense desta terça-feira. Para Jofran Frejat (PR-DF), a incorporação faria com que os deputados passassem a pagar Imposto de Renda sobre a ajuda de custo e ainda colocaria um fim às dúvidas e suspeitas que cercam o uso e a aplicação dos recursos. O deputado Osório Adriano (DEM) considera mesmo que “esse recurso é uma farsa", porque "cada um presta conta da forma como acha melhor e, no final, ela funciona como salário da mesma forma. A verba, na verdade, foi criada como salário, mas colocaram regras diferentes por falta de coragem de enfrentar o desgaste em torno da discussão do reajuste salarial. Por isso, acho que, para organizar as coisas, a proposta de isonomia com os ministros do Supremo Tribunal Federal é razoável”, afirmou.

***** Será que é para valer?
Em reunião do Conselho Político, Lula prometeu aos ministros e líderes partidários presentes que dificultaria ao máximo a edição de novas Medidas Provisórias - uma das maiores fontes de reclamações dos parlamentares.

E, num aviso aos ministros, disse que mandaria para o Congresso "as medidas provisórias estritamente necessárias".

Se cumprir o prometido, será uma mudança e tanto. Afinal, nunca antes neste país... um presidente editou tantas MPs. Nos seus seis anos de governo foram quase 350 MPs (em oito anos, FHC editou 334).

**** Simon sugere "uma limpa" no PMDB
Tribuna da Imprensa
O senador Pedro Simon (RS), em entrevista ao jornal mineiro "O Tempo", publicada ontem, disse que "o PMDB está se oferecendo para ver quem paga mais e quem ganha mais", numa espécie de barganha eleitoral para articulação na eleição presidencial em 2010. Segundo ele, o processo de escolha do partido se dará entre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ambos pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

Simon criticou os "métodos de condução" do atual comando do PMDB, afirmando que ele "não está à altura do partido". Sugeriu "uma limpa" na legenda e disse que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a maior parte dos correligionários utiliza como moeda de negociação com o governo federal a ocupação de espaço na máquina pública. "Passou a ser a política de quem paga mais. Eles ficam esperando para ver quem paga mais", insistiu.

De acordo com Simon, a mesma situação ocorreu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "O PMDB fez de tudo para agradar Fernando Henrique e conseguiu 'carguinhos'. Agora faz a mesma coisa com Lula."

Peemedebista histórico, o senador gaúcho foi um dos poucos membros da legenda a se solidarizar com as críticas do senador Jarbas Vasconcelos (PE) ao partido. Em entrevista recente à revista "Veja", Jarbas disse que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção" e que "a maioria de seus quadros se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas".

Comprando empregos

Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

Olhando assim de primeira, não faz sentido. Como pode o governo Obama emprestar mais US$12,6 bilhões para a GM demitir 26 mil trabalhadores nos EUA e mais 21 mil pelo mundo afora? Só nos Estados Unidos, seriam US$484 mil por emprego destruído. Desse lado da história, o contrário faz sentido: o governo Obama deveria determinar que a empresa não pode demitir se receber dinheiro público.

Ocorre que a GM perde dinheiro todos os dias. Não se salvará se não conseguir uma brutal redução de custos. No mercado extremamente positivo dos últimos anos, a companhia mal se aguentou. Com a forte redução das vendas, pós-crise, todas as montadoras estão reduzindo sua produção nos EUA. Pois a GM precisa mais do que isso, precisa encolher, com alterações estruturais. Isso significa fechar fábricas, operar com menos marcas e… reduzir o número de trabalhadores.

A história já mudou. Agora, o governo Obama, emprestando para a GM, estaria, na verdade, comprando empregos. Sem a ajuda federal, a GM vai à falência, circunstância em que o encolhimento da empresa e a destruição de empregos serão devastadoras.

Com o dinheiro do contribuinte americano - e mais um tanto dos contribuintes de outros países onde tem fábricas - a GM acredita que se estabiliza com 200 mil trabalhadores pelo mundo. Empregos salvos. Mas como lidar com o impacto político e social das demissões?

Decisões de política econômica frequentemente impõem esses dilemas. Não é simples fazer a coisa certa, do ponto de vista econômico, e parecer certo do ponto de vista político.

Tome-se a questão do protecionismo. Se todo um setor da economia local não consegue competir com os chineses, para citar os culpados habituais, parece fazer sentido barrar as importações de modo a salvar as fábricas e os empregos nacionais. Mas, se é assim, por que não proteger toda a economia nacional.

Os custos dessa política não são visíveis a olho nu. Uma economia fechada torna-se cada vez mais ineficiente, e isso significa que suas empresas fornecerão produtos e serviços ruins e caros, para poucos consumidores. Não serão lucrativas e, assim, acabarão eternamente dependentes dos subsídios do governo e da proteção contra os importados. Os consumidores, de seu lado, ficarão reféns de fornecedores locais. Tudo resulta numa queda do comércio externo e, daí, em baixo crescimento da renda e do emprego.

Generalizada a opção protecionista pelo mundo, já que esse tipo de prática sempre provoca reações, todos exportam e importam menos, derrubando o crescimento global.

Isso é consenso no pensamento econômico. E a história já demonstrou várias vezes. Também já vimos isso aqui no Brasil, nem faz muito tempo assim.

Vimos também o processo de abertura que, aliás, não matou a economia nacional. Mas parece que as pessoas não aprendem com a história, nem aqui, nem no mundo.

Na sequência da crise de 1929, o Congresso americano aprovou a lei Smoot-Hawley, elevando tarifas de importação de milhares de produtos. Na ocasião, um manifesto assinado por mais de mil renomados economistas alertou para a ameaça, que se concretizou. Dado o peso dos EUA no mundo, o comércio global caiu quase 70% entre 1929 e 34, atrasando a recuperação de todos os países. O protecionismo prolongou a crise.

Hoje, praticamente todos os governos e instituições internacionais têm feito discursos antiprotecionistas. E o que se vê? Medidas protecionistas por toda parte. São mais fáceis de vender no mercado político. Além disso, os governantes alimentam a esperança de que seu protecionismo vai passar e o dos outros, não.

Parece estupidez, mas é mediocridade.

Apenas lideranças políticas do primeiro nível conseguem adotar essas medidas difíceis e, mais importante ainda, conseguem convencer a população de que esse é o caminho correto. E são necessários líderes em vários países, pois só uma ação coordenada pode barrar os protecionismos locais.

Olha-se por aí, e onde estão esses líderes? Obama era a esperança. Mas até aqui, pelo menos, ele não conseguiu barrar a cláusula do buy american em seu programa.

Adolescente é agredido por supostos skinheads na zona leste de SP

A seguir, notícia da Folha Online. Comentaremos em seguida:

Dois supostos skinheads foram presos nesta terça-feira acusados de agredir um adolescente de 17 anos na praça Silvio Romero, no bairro do Tatuapé (zona leste de São Paulo). A agressão ocorreu na madrugada desta terça-feira, e a dupla foi presa.

Segundo a Polícia Civil, o adolescente sofreu lesões internas e foi internado. Ele conversava com um grupo de emos na praça, uma das mais movimentadas do bairro, quando foi agredido.

À polícia, a namorada da vítima afirmou que a agressão foi gratuita e que o adolescente não teve tempo de escapar dos chutes e socos dos skinheads, desmaiando em seguida.

Os dois jovens acusados da agressão, ambos de 25 anos, foram detidos por tentativa de homicídio. A dupla, que está presa no 31º DP (Vila Carrão), deve ser transferida para o Centro de Detenção Provisória da zona leste.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Quando surgiram as primeiras notícias sobre a suposta de que teria sido vítima advogada brasileira, residente na Suíça, Paula de Oliveira, nosso diplomata-mor, Celso Amorin, se apressou em acusar o povo daquele país de uma xenofobia. Claro, quando a verdade mostrou sua verdadeira face, primeiro, a tal xenofobia foi desmentida pelos fatos, e a agressão acabou desmascarada.

Lembro que, neste espaço, criticamos tanto a posição de Amorin quanto de Lula. Nossa violência é muito maior, tanto aqui no Brasil, quanto lá fora.

Estes grupos de “animais” que atuam em São Paulo, também atuam no Rio, em Porto Alegre, enfim, em todo o país. Porém, são grupos isolados, não são regra geral comportamento de toda a população brasileira. Sendo assim, e a considerar a posição de Amorin alguém até poderia sentir tentado a acusar o povo do nosso país de xenófobo, o que, bem sabemos, seria ridículo.

A notícia da Folha online serve para demonstrar o quanto a diplomacia brasileira, a partir da chegada de Lula ao poder, perdeu de bom senso, de lucidez e inteligência. Hoje, não perdemos tempo em agredir países e povos democráticos, com governos legitimamente eleitos e sem truques. Contudo, deixamos chutar nosso traseiro com ofensas ao país e suas instituições por países, muitas vezes inexpressivos, governados por imbecis lambidos de atraso e revestidos de ranços autoritários. Nossa opção pelo lixo ideológico sepultado no século passado é colossal. Haja estômago!!!!

Baião do pernambucano doido

Percival Puggina, site Diego Casagrande

Suspeito que a conexão em 4 megas não está me ligando ao mundo com velocidade compatível. A dissertação de Lula sobre a crise da economia mundial, expectorada em evento do Sebrae no dia 4 de fevereiro, só agora chegou ao meu e-mail. De duas uma: ou voltamos aos tempos das diligências ou meus fornecedores de insumo informativos entraram na moda das férias coletivas. Seja como for, o grande guru de Garanhuns viveu momento de copiosa inspiração perante aquele auditório do Sebrae, repleto de empresários.

Você sabe que quando a economia andou bem e o emprego cresceu, Lula desfilou como pai dos recém-empregados, esperança dos desempregados e provedor dos sem maior interesse nisso. As vagas criadas nada tinham a ver com as empresas, seus acionistas, seus empresários, sua disposição para o investimento e sua criatividade. Os empregos nasciam das mãos dadivosas do presidente. Agora que a vaca, o boi, o touro e o terneiro foram para o brejo, os culpados pelo desemprego são os empreendedores. E Lula desfila pelo país a cobrar soluções criativas desses sanguessugas da mais valia, incapazes de coisas tão elementares quanto pagar a folha de pessoal sem faturamento.

Pois eis que o presidente subiu nas tamancas e resolveu lecionar sobre a crise de 1929. Disse ele: "Temos que reconhecer que a situação é delicada, que essa crise é possivelmente maior que a crise de 1929 e temos que reconhecer que o Roosevelt só conseguiu resolver a crise de 29 por causa da 2ª Guerra Mundial. Como não queremos guerra, queremos paz, nós vamos ter que ter mais ousadia, mais sinceridade, mais inteligência, por que eu não admito que uma guerra, para resolver um problema econômico, tenha seis milhões de mortos" (Estadão Online, 04/02/2009). Decida o leitor sobre o que é pior nesse baião do pernambucano doido, se o atropelo da história ou se o completo desalinho dos argumentos.

Eu guardo em meu site (www.puggina.org) um colar, tão longo quando precioso e bem humorado das pérolas de nosso presidente. Tendo colecionado todas ou quase todas, posso afirmar que desta vez Lula se superou. O discurso, certamente acolhido com prolongados aplausos por uma platéia contagiada pela basbaquice (esse troço quando vem de cima pega), justificaria um motim da inteligência, da imprensa e da academia nacional. No entanto, como mencionei no início do texto, só fui topar com alguma repercussão do fato, duas semanas mais tarde, simultaneamente com notícias sobre o baixo desempenho de nossos estudantes nas provas do Enem. Queríamos o quê?
Por fim, a bem da verdade, reconheça-se que o presidente, sobre os próprios disparates, arranca uma conclusão correta: não será preciso matar seis milhões de judeus nem promover uma guerra para resolver a atual crise da economia mundial. Isso ele não admite. Ufa!

Dívidas de alto custo

Estadão

Os brasileiros estão aumentando seu endividamento pessoal mediante o uso de cartões de crédito e operações com cheque especial - as mais caras do mercado -, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Isso tanto pode indicar que é insuficiente a oferta de crédito a juros módicos como o agravamento da inadimplência, que empurra os devedores para qualquer crédito disponível, a despeito dos altos juros.

As operações com cheque especial, que cresceram apenas 6,6% entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008 - de R$ 17,52 bilhões para R$ 18,69 bilhões -, aumentaram nos últimos 12 meses, até janeiro deste ano, 23%, atingindo R$ 23 bilhões, conforme estimativas da Anefac. Já as operações com cartão de crédito evoluíram de R$ 9,70 bilhões, em janeiro de 2008, para R$ 13,50 bilhões, no mês passado, com aumento de 39,1%.

Cotejando os porcentuais com os da expansão geral do crédito às pessoas físicas - de 33,4%, entre 2006 e 2007, e de 24,3%, entre 2007 e 2008 -, pode-se supor que o aumento das operações mais caras não é tão grande. Ocorre que as operações com cheque especial acusavam desaceleração até 2007 - e esta era uma tendência natural, recomendada pelos analistas.

No mês passado, os juros médios do cheque especial atingiram 7,91% ao mês, ou 149,31% ao ano. No cartão de crédito, as operações não quitadas na data do vencimento estavam sujeitas à cobrança de um juro médio de 10,56% ao mês, correspondente a 233,56% ao ano. Em apenas um mês, portanto, o custo de uma operação dessas é bem superior à taxa anual de inflação, que serve como base para os reajustes de salários. Maiores do que estas taxas, só as dos empréstimos pessoais oferecidos pelas financeiras independentes, de 11,74% ao mês ou 278,88% ao ano, em janeiro, ou as cobradas por agiotas.

Os próprios bancos, levando em conta que juros tão elevados se tornam insuportáveis para os clientes, já estariam reduzindo os montantes do crédito disponível para cada tomador. Limites de cheque especial têm sido cortados em até 30% e no cartão de crédito, em 10%. Os bancos argumentam que os cortes de crédito se justificam pelo aumento da inadimplência, mas isto acaba acontecendo por causa dos juros estratosféricos, que tornam os devedores incapazes de pagar as prestações mensais dos financiamentos.

O aumento do volume das operações mais onerosas é um indício claro das dificuldades crescentes dos consumidores habituados a pagar as contas em dia. É um fenômeno que se repete a cada ano, em janeiro, quando se acumulam os gastos com mensalidades escolares, IPTU, anuidades de clubes e o recolhimento do IPVA sobre os veículos. Uma despesa a mais, neste ano, em São Paulo, é a da inspeção dos veículos, para o controle de poluição de emissões de gases dos motores.

O mais provável é que o endividamento crescente via cartões de crédito e cheque especial anteceda um aumento ainda mais grave da inadimplência.

Contra a inadimplência os bancos dispõem de um mecanismo contábil: ampliam as provisões para devedores duvidosos e, graças a isso, pagam menos Imposto de Renda (IR). Foi o que demonstrou análise do economista Amir Khair, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo. Comparando 2007 com 2008, houve redução real de 11% no IR recolhido pelas instituições financeiras.A Anefac recomenda cautela aos investidores. Sem planejar cuidadosamente sua vida financeira, as pessoas físicas correm o risco de cair em situação de endividamento excessivo.

O site do Banco Central passou a divulgar informações sobre os juros cobrados pelos bancos em cada tipo de operação, o que ajuda a tomar decisões.

O maior risco é o de que o endividamento excessivo dos consumidores acabe por tolher o consumo de bens essenciais, afetando o ritmo da atividade econômica.Créditos como os do cartão e do cheque especial são um resvaladouro para o empobrecimento.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Já comentei isto aqui várias vezes: o crescimento sustentado do consumo que, por sua vez, alimenta o desenvolvimento do país, é aquele proveniente do crescimento da massa salarial. Quando o aumento do consumo se dá, como agora por opção do atual governo, baseado exageradamente a partir do crédito, e um crédito caro ainda por cima, não estamos diante de “denvolvimento econômico”, e, sim, assistimos ao crescimento de uma bolha que não se sustenta ao longo do tempo.

Muito se fala sobre o auamento no número de geração de empregos. Claro que isto é louvável, porém, tal crescimento se deve, sobretudo, não a um projeto de desenvolvimento parido nos subterrâneos do poder central. Grande parte destes empregos novos são fruto do crescimento da economia intenacional, que criou uma enorme demanda por comodities das quais o país é um expoente mundial. Ou seja, a bonança econômica lá fora tragou as nossas potencialidades, principalmente minérios e o agronegócio, tão demonizado pelas esquerdas estúpidas e tão maltratado pelo governo. E, apesar do tão decantado aumento de “pessoas classe média”, fruto dos programas sociais, o que se constata é o que o trabalhador médio brasileiro, em janeiro de 2009, ainda tem um ganho real inferior ao que teve em 1996.

Agora imaginem o quanto decresceu o rendimento da classe média neste mesmo período?

A questão do aumento de consumo sustentado no crédito apenas, tem prazo de validade: ele se expande até olimite da capacidade depagamento dos tomadores destes empréstimos. Se sua renda decresce ao longo do tempo, é evidente que estamos diante de uma bolha que, além dos seus limites naturais de expansão, ainda penaliza o brasileiro com uma carga tributária excorchante e juros proibitivos.

Quando Lula fica rezando para o “santo“ Obama para por fim à crise, na verdade, ele está é agradecendo pela crise: ela vem atender o interesse do próprio Lula de agora ter a crise internacional para justificar um menor crescimento do país. Na verdade, a crise é secundária até certo ponto, no nosso caso. Nossas dificuldades já eram visíveis antes da crise se instalar por aqui. E, mesmo que ela não nos atingisse, certamente, teríamos necessidade de reduzir o ritmo de forma quase abrupta.

O crescimento da inadimplência demonstra, no fundo, que muita gente vinha tomando empréstimos novos para pagamento de empréstimos antigos. Com os juros nas alturas, é fácil constatar que, cedo ou tarde, a farra iria acabar. Não condenamos o crescimento do crédito farto, o que condenamos é ele ser farto num país de juros exorbitantes e onde a massa salarial não conseguiu repor seu nível de dez anos atrás.

Exemplo bem claro disto se dá, conforme noticia a Folha de São Paulo nesta quarta-feira, sob a manchete “Bancos têm 100 mil carros de inadimplente”, informando que “...Os bancos brasileiros têm em conjunto um estoque de pelo menos 100 mil carros recuperados de clientes inadimplentes, o equivalente à metade das vendas mensais de veículos novos no país, para desovar no mercado de autos usados. Esse estoque é mais um motivo de pressão no segmento de usados, que vive queda sem precedente nos preços e cuja falta de liquidez trava as ações para retomar a venda de carros novos...”

A lógica, como se vê, aponta não para dificuldades de créditos, pois afetariam, como de fato afetaram, o mercado de carros novos. A recuperação, é bom que se diga, por mais óbvio que possa parecer, é sobre vendas realizadas antes do aperto no crédito, pessoas que fizeram financiamentos um pouco além de sua real capacidade de pagamento.

É fácil para o governo apontar como a causa maior das dificuldades que o país enfrenta em alguns segmentos, a crise internacional e sobre a qual o Brasil em nada contribuiu. Porém, é preciso fazer um diagnóstico mais realista para, detectadas as causas para os problemas do presente, sabemos corrigir a rota para, no futuro, não encontrá-los novamente. Mas terá este governo coragem para tanto?