Adelson Elias Vasconcellos
Tenho procurado evitar comentar sobre a decisão da EMBRAER de eliminar cerca de 4.200 empregos, cerca de 10% do total de seu quadro de funcionários. E o faço por uma simples razão: a empresa, no fundo, ainda não divulgou as razões em que fundamentou sua decisão.
No artigo que reproduzimos abaixo do Carlos Alberto Sardenberg, COMPRANDO EMPREGOS, no qual ele expõe a situação difícil da GM e a ação de socorro do governo Obama, temos ali uma situação bem posta e que demonstra que tipo de intervenção deve ser acionado pelo Poder Público junto à iniciativa privada.
Por aqui, a reação tanto do governo quanto dos sindicatos e centrais sindicais, foram as piores possíveis. Ao invés de optarem pelo equilíbrio e da busca de uma negociação e entendimento amigáveis, optou-se pelo “sentimento de indignação” de um lado, e de retaliação e enfrentamento de outro.
Vamos por partes. Em 1990, a Embraer mergulhou em profunda crise financeira e seu efetivo foi reduzido de 13.900 para 9.900 empregados, ou seja, muito embora o número de cortes tenha sido praticamente o mesmo de agora, o impacto naquele ano foi ainda maior, porque representou cerca de 30% do total. E, para quem já esqueceu: naquele ano, a EMBRAER ainda era estatal. Ela seria privatizada somente em dezembro de 1994, e o foi como única forma de evitar seu fechamento. De lá para cá, após o investimento de bilhões de reais, a empresa mais do que dobrou seu efetivo, ampliando seu mercado e consolidando uma posição marcante no mercado da indústria aeronáutica.
Portanto, antes de se atirar pedras à decisão da empresa de reduzir seu número de funcionários,seria conveniente,primeiro, ouvir as alegações que fundamentaram tal decisão. Nenhum empresário é maluco de cortar 10% de seu efetivo de pessoal apenas por simples ato de maldade. Muitos dos demitidos são funcionários especializados cuja formação requer altos investimentos em treinamento e qualificação feitos e bancados pela própria empresa. Deste modo, a decisão pela demissão deve ter razões bastante amplas e justificadas pela direção da EMBRAER.
Porém, independente de quais sejam estas razões, acredito que faltou um pouco de sensibilidade por parte dos diretores da empresa. Deveriam ter avaliado que, o tamanho do corte acabaria provocando uma forte reação fosse dos sindicatos ou mesmo do Poder Público. Sendo assim, deveriam ter provocado reuniões com os governos estadual e federal juntamente com os sindicatos para expor a necessidade imperiosa de demitir. Claro que, apesar de toda a “indignação” demonstrada por Lula logo após o anúncio dos cortes, foi apenas jogo de cena. Ele fora comunicado da decisão alguns dias antes. Sua reação, portanto, além de cretina, acaba abrindo curso para que se estabeleça conflitos desnecessários. Ao invés de usar a negociação política para tentar minimizar os efeitos da decisão da empresa, fez política eleitoreira a partir de uma decisão que lhe fora comunicada antecipadamente.
Tenho procurado evitar comentar sobre a decisão da EMBRAER de eliminar cerca de 4.200 empregos, cerca de 10% do total de seu quadro de funcionários. E o faço por uma simples razão: a empresa, no fundo, ainda não divulgou as razões em que fundamentou sua decisão.
No artigo que reproduzimos abaixo do Carlos Alberto Sardenberg, COMPRANDO EMPREGOS, no qual ele expõe a situação difícil da GM e a ação de socorro do governo Obama, temos ali uma situação bem posta e que demonstra que tipo de intervenção deve ser acionado pelo Poder Público junto à iniciativa privada.
Por aqui, a reação tanto do governo quanto dos sindicatos e centrais sindicais, foram as piores possíveis. Ao invés de optarem pelo equilíbrio e da busca de uma negociação e entendimento amigáveis, optou-se pelo “sentimento de indignação” de um lado, e de retaliação e enfrentamento de outro.
Vamos por partes. Em 1990, a Embraer mergulhou em profunda crise financeira e seu efetivo foi reduzido de 13.900 para 9.900 empregados, ou seja, muito embora o número de cortes tenha sido praticamente o mesmo de agora, o impacto naquele ano foi ainda maior, porque representou cerca de 30% do total. E, para quem já esqueceu: naquele ano, a EMBRAER ainda era estatal. Ela seria privatizada somente em dezembro de 1994, e o foi como única forma de evitar seu fechamento. De lá para cá, após o investimento de bilhões de reais, a empresa mais do que dobrou seu efetivo, ampliando seu mercado e consolidando uma posição marcante no mercado da indústria aeronáutica.
Portanto, antes de se atirar pedras à decisão da empresa de reduzir seu número de funcionários,seria conveniente,primeiro, ouvir as alegações que fundamentaram tal decisão. Nenhum empresário é maluco de cortar 10% de seu efetivo de pessoal apenas por simples ato de maldade. Muitos dos demitidos são funcionários especializados cuja formação requer altos investimentos em treinamento e qualificação feitos e bancados pela própria empresa. Deste modo, a decisão pela demissão deve ter razões bastante amplas e justificadas pela direção da EMBRAER.
Porém, independente de quais sejam estas razões, acredito que faltou um pouco de sensibilidade por parte dos diretores da empresa. Deveriam ter avaliado que, o tamanho do corte acabaria provocando uma forte reação fosse dos sindicatos ou mesmo do Poder Público. Sendo assim, deveriam ter provocado reuniões com os governos estadual e federal juntamente com os sindicatos para expor a necessidade imperiosa de demitir. Claro que, apesar de toda a “indignação” demonstrada por Lula logo após o anúncio dos cortes, foi apenas jogo de cena. Ele fora comunicado da decisão alguns dias antes. Sua reação, portanto, além de cretina, acaba abrindo curso para que se estabeleça conflitos desnecessários. Ao invés de usar a negociação política para tentar minimizar os efeitos da decisão da empresa, fez política eleitoreira a partir de uma decisão que lhe fora comunicada antecipadamente.
Dizer-se que a empresa, porque tomou empréstimos junto ao BNDES, não poderia demitir, é papo furado. Comecemos pelo seguinte: os empréstimos foram de favor,ou a empresa preencheu todos os requisitos básicos que são, de resto, exigidos de todos as demais empresas, para ter suas solicitações aceitas e aprovadas pela instituição? A EMBRAER tem pago corretamente as obrigações contraídas, incluindo-se os juros e encargos financeiros existentes nos contratos? A EMBRAER tem pago todos os seus impostos e obrigações trabalhistas em dia? Se tal tem procedido, e por ser há mais de 10 anos, uma empresa de capital privado, sobre ela o governo federal não tem nenhum poder para deliberar sobre as decisões soberanas de sua diretoria e acionistas. Pode, dentro dos limites que a lei lhe faculta, quando muito, tentar negociar para que, em momentos de crise como o atual, a empresa consiga sobreviver e remunerar seus acionistas, com menores custos sociais como o desemprego é capaz de provocar. Não apenas uns cem, duzentos ou até 400 emprego. São mais de 4.000 e isto, como não poderia de ser, tem enorme impacto social.
Partir para conflitos como pretendem os sindicatos e centrais sindicais,ou como pretende o governo pressionando o BNDES para a não concessão de futuros pedidos de empréstimos e financiamento, chega a ser ridículo e estúpido. Alegar que, em passo recente, a empresa foi beneficiário de empréstimos e que, por esta razão, não lhe compete demitir parte de seu quadro em momento de aguda crise como ao planeta todo atravessa e é duramente afetado por ela, é de estupidez colossal. Conforme vimos acima, quando mais do que dobrou seu número de empregados, passando de 9.900 para mais de 20 mil, como também pelo próprio histórico do crescimento da empresa desde sua privatização, quando desenvolveu tecnologia de ponta para tornar-se, neste período, uma das principais marca da indústria da aviação, justificaram plenamente os empréstimos e financiamentos concedidos à empresa. Ou acaso o governo é capaz de apontar que tais concessões provocam ou demandaram prejuízos ao BNDES ou aos cofres públicos? Caramba, além dos empregos, a empresa também gerado divisas, geração de renda e de impostos.
Alguns bestiais aproveitaram a crise para sustentarem a necessidade de que os governos devem intervir no mercado, ao contrário da filosofia até então adotada. Ora, já provei, certa vez, que, na raiz da crise atual, está a falta de ação justamente dos governos. Por quê? Porque, simplesmente, deixaram de cumprir seu papel de fiscalizador. E não o fizeram justamente porque no oba-oba da ciranda financeira, se beneficiaram todos, inclusive o Brasil. Quando pagamos impostos, além dos serviços de educação, segurança, saúde, dentre outros, também estão inclusos os de fiscalização. Deste modo, não podem os governos agora alegarem a conversa mole de que aumentar sua presença no mercado. Devem, isto sim, cumprirem com seu papel e nada mais.
Diante disso, não pode o governo Lula atuar como chantagista em relação à EMBRAER. Não têm competência legal para tanto. Como também, deve dispor o aparato policial para garantir segurança à atuação da empresa que paga impostos justamente para isto. Repito: a EMBRAER não vivo nem de favores imorais muito menos de benesses indevidas do Poder Público. E, diante de uma carteira de encomendas que se encolheu abruptamente, pode e deve recorrer à medidas que, se são tristes e problemáticas, por outro lado, são indispensáveis para a manutenção dos demais empregos (e são milhares), como também sobreviver e continuar gerando renda, divisas e impostos.
Assim, a presença maior que, realmente, se requer não apenas agora, na hora da dificuldade, mas antes da própria crise espalhar seus tentáculos, é o cumprimento na medida certa de suas principais funções. Se não consegue promover bem esdtar social com melhor educação, saúde e segurança, e aainda por cima não consegue executar com eficiência e rigor sua função de fiscalizador da atividade econômica, como pode querer pretender aumentar ainda mais seu raio de atribuições? Sendo assim, fica claro que, lhe faltando competência para o básico, há de faltar-lhe igualmente para o assessório.
Agir desequilibradamente como pretende o governo é demonstrativo de um ranço caudilhesco que não combina com o discurso do “democrata” com que Lula se reveste e se mascara. Este é o momento certo para negociação. Jamais para enfrentamento e discurso cretino de palanqueiro. Ou acaso Lula se esqueceu dos difíceis tempos em que teve que atuar como bombeiro quando era sindicalista? Este é o momento certo para demonstrar suas “qualidades”... Aliás, é bom lembrar ao senhor Lula que, apesar da EMBRAER ser brasileira, quando ele precisou comprar um avião novo para a presidência, Lula foi bater nas portas da Airbus, portanto, foi gerar empregos lá fora...