sexta-feira, outubro 19, 2007

O terceiro mandato

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Muita gente acha que tem azeitona na empada oferecida pelo vice-presidente José Alencar aos senadores, no encontro de quarta-feira. E não se trata da promessa de nomeações e liberação de verbas para emendas individuais ao orçamento, de resto já garantidas pelo presidente Lula para depois da prorrogação da CPMF. No caso, Alencar estaria indo muito mais fundo e mais além, quando ressuscitou a proposta da convocação de uma Constituinte Exclusiva para elaborar as reformas tributária e política. É aqui que mora o perigo.

Uma Constituinte Exclusiva botaria ordem numa série de conflitos políticos e eleitorais, como a fidelidade partidária, a cláusula de barreira, o financiamento público das campanhas e o voto distrital. Jamais, no entanto, perderia a oportunidade de acabar com a reeleição. Como compensação, ampliaria os mandatos de presidentes, governadores e prefeitos para cinco ou seis anos.

Aparentemente perfeito, não fosse a sutil referência ao fato de que, criadas novas regras, o apagador seria passado no quadro negro. A partir da alteração, todo cidadão teria o direito de concorrer aos cargos em disputa, sem limitações. Inclusive ele. Essa é a fórmula para o terceiro mandato de Lula, capaz de adoçar a boca de governadores e prefeitos já reeleitos (bom dia, governador Aécio Neves) e sem maiores possibilidades de candidatar-se a novos postos, no próximo ano.

Para o sucesso dessa armação seria imprescindível que em outubro de 2008, junto com as eleições municipais, fossem realizadas as eleições para a Constituinte Exclusiva, que teria o ano de 2009 para efetivar seus trabalhos, já valendo as mudanças para as eleições gerais de 2010. Simples, não?

Pernicioso e abominável, também, tanto quanto excelente para resolver e adiar graves dúvidas eleitorais dos atuais detentores do poder. Porque pelas pesquisas, entre eles a mais recente, da CNT-Sensus, só por milagre o PT elegerá um companheiro para o Planalto. À exceção, é claro, do presidente Lula.

De ingênuo, o vice-presidente José Alencar não tem nada. Tanto que em meio a mil especulações feitas ano passado quanto ao companheiro de chapa de Lula, na batalha da reeleição, ele acabou confirmado. Se lança agora a idéia da Constituinte Exclusiva, terá seus motivos.

Indaga-se a respeito da reação do Congresso, que seria garfado em suas prerrogativas caso um corpo estranho de legisladores usurpasse seu poder constituinte derivado, único admitido para emendar a Constituição. O Congresso, porém, é a instituição mais sensível a pressões. Não haverá um governador que deixe de forçar suas bancadas a votar a emenda da Constituinte Exclusiva.

Até José Serra, se sentir a evidência de mais uma derrota para Lula no plano federal. Some-se a isso o comportamento do PT e partidos da base, apavorados diante da perspectiva de descerem a rampa do Planalto, perdendo benesses nas quais nadam de braçada desde 2003. Faltaria, dizem alguns, convencer Lula a engajar-se ou, pelo menos, a não atrapalhar a montagem. Precisa?

Duas fortunas
Singular foi o acordo assinado entre o presidente da África do Sul, o primeiro-ministro da Índia e o presidente do Brasil, em Pretória, quarta-feira, pela não-proliferação de armas nucleares. Porque Mbeki, Singh e Lula comprometeram-se a jamais utilizarem a tecnologia de seus países para fabricar artefatos atômicos. "Me engana que eu gosto", porque a Índia e a África do Sul já possuem bombas atômicas.

No primeiro caso, abertamente, como reconhece o governo de Nova Delhi. No outro, em segredo, porque a bomba sul-africana foi montada nos tempos do appartheid, quando a comunidade branca temia que os países da África negra pudessem, um dia, unir-se e jogá-la no mar. O regime de discriminação saiu pelo ralo, hoje a comunidade negra elege até presidente, mas a bomba continua bem guardada, para emergências diferentes.

Só o Brasil se mantém à margem do clube, aliás uma das razões pelas quais não somos aceitos no Conselho de Segurança na ONU. Muita gente daria uma fortuna para perscrutar a fisionomia do presidente Lula diante de seus dois parceiros, na hora da assinatura do acordo. Duas fortunas, porém, valeriam para ver a cara do outro presidente e do primeiro-ministro...

Papável
D. Odilo Scherer não passou apenas de bispo a cardeal. Por um desses desígnios da Providência, tornou-se "papável", com a notícia de sua promoção. Por certo que já era antes. Teve seu perfil detectado pelo papa Bento XVI ao designá-lo para arcebispo de São Paulo e, agora, ao promovê-lo. Idade e porte físico são condições periféricas quando se atenta para suas qualidades de religioso e sua sensibilidade política, social e ética.

Mil equações precisarão ser resolvidas até o momento desconhecido em que a cristandade escolherá um novo papa. Os italianos aceitarão outro pastor nascido além de suas fronteiras? Depois da Igreja do Silêncio, de João Paulo II, e da Igreja Conservadora, de Bento XVI, haverá espaço para a Igreja do Terceiro Mundo? Os africanos reivindicarão para eles essa condição? E o restante da comunidade latino-americana se disporá a reconhecer mais uma prevalência do Brasil? Qual a força da Igreja dos Estados Unidos? De qualquer forma, haverá que reconhecer: D. Odilo entrou nas especulações.

Para argentinos, Brasil é imperialista

Política econômica leva a 'brasilianização' de empresas argentinas, diz jornal
BBC Brasil
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Um editorial do jornal La Nación atribui a onda de aquisições de empresas argentinas por suas concorrentes brasileiras a um melhor desempenho da política econômica brasileira em comparação com a argentina.

"Mais empresas em mãos brasileiras", diz o editorial, que ilustra o processo – que chama de "brasilianização" das empresas nacionais - com a recente compra da tradicional fabricante de calçados argentina Alpargatas pela brasileira São Paulo Alpargatas, ex-subsidiária que virou concorrente.

O fenômeno se repete em diversos outros setores da economia, como carnes, alimentos e bebidas, e com empresas de porte da Quilmes e Perez Companc.

Para o jornal, "a brasilianização das empresas argentinas tem mais de uma explicação": a primeira é o câmbio fortalecido no Brasil e artificialmente desvalorizado na argentina, que barateia os ativos do país vizinho.

Outro fator importante é o papel da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) como meio de capitalização de firmas brasileiras.

"Quase todos os grandes fundos de investimento do mundo estão presentes na Bovespa e facilitam a captação de recursos que são empregados nos planos de expansão das empresas brasileiras", explica o editorial.

Além disso, lembra o La Nación, o Brasil está bem mais próximo da Argentina de alcançar nível de investimento nas avaliações das agências internacionais de risco.

Essas resultam de políticas ortodoxas aplicadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que para o diário "se mostram finalmente mais consistentes e duradouras".

Por fim, o jornal atribui a venda de empresas argentinas a uma "índole cultural profundamente arraigada nas atitudes empresariais".

"Nosso país tem se caracterizado pela volatilidade das políticas públicas e pela recorrente intervenção estatal em favor da estabilidade dos negócios", afirma o La Nación.

"Na demagogia dos governantes e políticos, o empresário tem sido com freqüência o culpado e o bode expiatório dos problemas econômicos e sociais.

Ser empresário bem-sucedido por ser um problema na Argentina, e muitos preferem substituir o risco de gerenciar pessoal e conflitos pelo campo de golfe e o perfil baixo."
Para o diário, "muitos políticos que se lamentam pela desargentinização das empresas deveriam refletir sobre o quanto têm contribuído para incentivar este fenômeno.

O novo nome do suicídio

Olavo de Carvalho, filósofo, Jornal do Brasil

Já citei mil vezes a fórmula de Antonio Gramsci segundo a qual o partido revolucionário deve aspirar à "autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino" - mas quanto mais penso nela, mais vejo razões para repeti-la. Ela é a expressão mais exata da essência mesma do movimento revolucionário, que nasce como usurpação paródica da autoridade divina, tomando em suas próprias mãos a incumbência de castigar todos os pecados e instaurar à força a justiça universal. A motivação profunda de cada revolucionário corresponde com exatidão milimétrica à definição agostiniana do orgulho: "Todos os vícios se apegam ao mal, para que se realize; só o orgulho se apega ao bem, para extingui-lo". Não há nada de estranho em que o movimento nascido de uma inspiração tão ostensivamente satânica termine por admitir que só pode prosperar macaqueando as qualidades divinas da onipresença e da invisibilidade. Nem me espanta que, nele, essas duas qualidades se fomentem e se fortaleçam uma à outra: quanto mais onipresente, mais invisível - e vice-versa.

Umas décadas atrás, seria inconcebível que a vaga de candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata tivesse como ocupantes virtuais duas pessoas tão claramente comprometidas com a causa comunista quanto Al Gore e Hillary Clinton. Esta última, declaradamente a candidata predileta de Fidel Castro e de Ahmadinejad, jamais renegou a formação marxista adquirida na militância universitária e é notória pela ajuda que presta a movimentos subversivos e terroristas em várias partes do mundo. Gore, tal como seu pai, deveu toda a sua carreira aos bons préstimos de Armand Hammer, que durante algum tempo se imaginou ser apenas um capitalista casualmente enriquecido por negócios com a URSS, mas que a abertura dos Arquivos de Moscou provou ser de fato um dos dirigentes financeiros do Comintern. Na época da guerra fria, as chances de qualquer desses dois na política americana seriam mínimas. Hoje, hipnotizados pela lenda do "fim do comunismo", os EUA correm o risco de se entregarem, alegremente, nas mãos do seu mais antigo e odiento adversário.

É claro também que essa situação só se tornou possível graças a quatro décadas de sabotagem cultural, ao longo das quais as propostas marxistas, laboriosamente adaptadas à linguagem tradicional da política americana, acabaram por se impregnar no "senso comum" de metade do eleitorado, incapaz de reconhecê-las sob a densa camuflagem.

Mas uma ajuda suplementar ao crescimento desse poder onipresente veio da doutrina "realista" de Hans Morgenthau, que, descrevendo a política internacional essencialmente como uma concorrência entre poderes estatais, cobriu com o manto da invisibilidade os esquemas transnacionais, que desde então, e graças sobretudo à nova fórmula de organização em "redes", vem transcendendo cada vez mais o horizonte de visão dos governos e sobrepujando formidavelmente a sua capacidade de ação. Quando a secretária de Estado Condoleezza Rice, inspirada nessa doutrina, declara que os EUA "não cobram um preço ideológico dos seus parceiros", isso quer dizer, no fim das contas, que o governo de Washington deixará o comunismo florescer livremente na América Latina contanto que os acordos comerciais e diplomáticos sejam mantidos até o fim do atual mandato presidencial. Toda a esperteza dessa política consiste em salvar provisoriamente as aparências e deixar para o sucessor de George W. Bush uma bomba de efeito retardado. "Realismo" tornou-se o novo nome do suicídio.

Sem motivo para comemorar

Denise de Almeida, Jornal do Brasil

Festejado por uns, criticados por outros, os médicos têm pouco a comemorar hoje, no dia dedicado à categoria. Ontem, o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, revelou que, por causa da precariedade das condições da rede pública, os profissionais de saúde estão abandonando o emprego. De 2001 para cá, 65% dos médicos concursados deixaram os postos de trabalho.

Dos 3 mil aprovados no exame de 2001, para as unidades hospitalares do Estado, 2 mil pediram demissão. Os fatores que influenciaram a evasão foram os baixos salários e a falta de infra-estrutura para trabalhar. O presidente do sindicato estima que 10 mil médicos desistiram do emprego. Segundo Darze, há uma carência de 40 mil profissionais, principalmente na Zona Oeste, Baixada e São Gonçalo.

Para Márcia Rosa de Araújo, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), a crise na saúde só será resolvida quando os salários aumentarem. A remuneração inicial na rede municipal, estadual e federal é de R$ 1.300, para uma jornada de 24 horas semanais. Além de o salário ser baixo, ainda é pago com atraso. Márcia disse que recebeu ontem e-mail de seis médicos que trabalham na emergência do Hospital Getúlio Vargas, na Penha, denunciando que não receberam o pagamento de abril e maio. Segundo a presidente do Cremerj, os profissionais foram admitidos pelo Estado por meio de seleção em abril e só começaram a receber em junho. Márcia reclamou também dos contratos temporários e do atraso do pagamento dos contratados pelas cooperativas, que afastam ainda mais os profissionais.

- Com esse dinheiro não dá para comprar livros, participar de congressos e pagar as contas - critica Márcia Rosa. - E o primeiro salário do cooperativa atrasa até dois meses.

Por causa da situação adversa, boa parte dos médicos que continuam a trabalhar na rede pública acabam adoecendo. O presidente do Sindmed alertou que os casos de enfarte, estresse, depressão e até suicídios aumentaram 30%, nos últimos anos. A contaminação por doenças infecto-contagiosas, principalmente tuberculose, também cresceu.

- Os médicos têm de ter mais de um emprego, exercem a função em lugares insalubres e ficam doentes - resumiu Darze.

Mesmo sem motivos para festejar, a Assembléia Legislativa vai conceder a medalha Tiradentes, post-mortem, para o médico Roberto Chabo. A Câmara também vai homenagear Chabo, com a medalha Pedro Ernesto e os 80 anos do Sindicato.

Piantao

por Ralph J. Hofmann, site Casagrande
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Salgamos a volar querida
Subite en mi ilusión supersport
*(Balada para un loco – Astor Piazzola)
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Está confirmado, o governo tem dinheiro saindo pelo ladrão. Não pode haver outra explicação. Ou então está perdido em ilusões oníricas que criam uma nova realidade.

Uma realidade parecida ao loco das calles de Buenos Aires, o astronauta com “medio melón em la cabeza y las rayas pintadas sobre la piel”, convidando para uma viagem a Vênus.

Cito Ilmar Franco em sua coluna de hoje no jornal O Globo do Rio de Janeiro. “O Preço: O Presidente Lula contesta as resistências da área econômica à abertura de linhas de financiamentos para os países vizinhos. Na reunião com embaixadores da América do Sul disse: ‘A paz do continente vale alguns bilhões de dólares’.”

Na mesma coluna cita-se que a Petrobrás estuda novos investimentos em gás boliviano. Para quê? Para que vendam o gás para a Venezuela que está com carência de combustível e já está comprando o gás boliviano que falta em Cuiabá. Bom Senhor Grande Timoneiro, então não precisamos de CPMF. Podemos também dar um corte de cima abaixo nos impostos e contribuições extorquidos do povo Brasileiro. Tentativamente, talvez inicialmente voltar aos níveis de 28% do PIB? O governo confirma novamente que não é qualificado para gerir milhões, que dirá bilhões. Melhor não tê-lo para não esbanja-lo. Dinheiro na mão de governo é dinheiro na mão de perdulário. Ou do astronauta de Piazzola. O melhor a fazer é o Sr. demitir todos os seus ministros e fazer uma concorrência para entregar a gestão do país a um grupo de administradores profissionais com passagem pelas maiores empresas do país. Remunerados aos níveis da indústria privada ainda serão baratos. O Senhor pode continuar com seus périplos pelo mundo a bordo da sua “Ilusão Super Sport” e os administradores profissionais tocarão o país.

Porque, senhor presidente, entre outras coisas, o senhor acaba de confirmar publicamente que somos uns “locos”. O Brasil se equivale ao matuto que vinha ao Rio de Janeiro e comprava uma ponte achando que podia cobrar pedágio nela. Aliado não se compra. O Senhor pagou à Bolívia. A Bolívia continua nos apertando. Ou seja, ela aceita a grana, mas se reserva o direito de extorquir mais. O senhor agrada ao Hugo Chavez. E Hugo Chavez nunca hesita em humilha-lo publicamente. Assim como Nestor Kirchner. Aliado comprado não fica comprado. Sugiro que jogue “1914, O Jogo da Diplomacia”, aliás com impostos embutidos da ordem de 70%. Aprenderia que entre as nações a traição é a norma e não a exceção.

Que belos parceiros são esses. O Chavez comprando o gás que nos era destinado. Mas querendo fazer um gasoduto através do Brasil para transportar gás à Argentina, quando não consegue, sentado em cima de uma das maiores reservas de combustível fóssil do planeta, suprir seu próprio gás. Tudo que está correto no país foi feito nas gestões que o antecederam. As receitas do país, foram feitas por empresários com pouca voz ativa nos destinos do país. Os banqueiros recebem seus lucros de mão beijada. Seu financiamento de dívida interna os enriquece. Não adianta um ou outro dentre eles argumentar que a longo prazo isto acaba. Quem decide são falsos magos como Mantega.

A verdade ó Grande Timoneiro do Brasil, é que o senhor continua se parabenizando ante uma platéia que lhe recebeu de braços abertos há cinco anos atrás e que concordava consigo no conceito de que não é necessário um doutorado para tocar este país. Só que o senhor não percebe que esta platéia hoje sabe que o senhor está falando apenas para si e para seus pensionistas da Bolsa Família. Que na realidade o senhor não tem estatura cultural nem moral para gerir sequer a prefeitura de Garanhuns. O senhor é esperto, Se reelege com os seus pensionistas à hora que quiser. Seus pensionistas não são “piantao” (portenho para pirados). Vão sempre votar com o estômago.

No entanto, se continuar a depender de votos comprados, seja entre os estados do Nordeste, seja entre os vendilhões do congresso, haverá um mau momento, uma crise no exterior coincidindo com crises internas como a atual situação política uma supersafra no exterior dos produtos que mantém este país. Tudo ao mesmo tempo.

E o Brasil estará com tudo desalinhado, tudo fora de esquadro. E com uma gestão que não saberá o que fazer.

O Senhor ate agora tem sido Gastão, no sentido de quem gasta muito, e Gastão, no sentido do primo sortudo do Pato Donald (de quem espero o senhor tenha conhecimento, personagem de Walt Disney, desenho animado, etc.). Mas a sorte acaba. E quando acaba a vida será mais amarga para o senhor do que para quem nunca tenha vivido o fausto que passou a considerar seu direito natural. Vai andar para cima e para baixo piantao.

Alerta amazônico

Editorial da Folha de São Paulo

Repique no desmate em setembro não afeta cifra anual, ainda em queda; agronegócio pode iniciar novo ciclo de devastação

O desmatamento na Amazônia brasileira voltou a crescer -8%, nos últimos quatro meses, sobre o mesmo período de 2006- após três anos em queda. As taxas estão longe do recorde de 2004 (27 mil km2), mas não é desprezível a chance de que esteja em gestação o "cenário de catástrofe" descartado pelo Ministério do Meio Ambiente.
As cifras do desmatamento sempre foram um ponto nevrálgico. Descontada alguma mentalidade colonialista ainda presente em países desenvolvidos, a preocupação de seus cidadãos com uma floresta a milhares de quilômetros de distância não é de todo impertinente. Na Amazônia está o maior remanescente contínuo de floresta tropical do globo, e o Brasil concentra cerca de 60% desse patrimônio.

Não se trata só de valorização sentimental da natureza. A Amazônia concentra em quantidade incontrastável três ativos com potencial para influenciar cada vez mais o rumo da economia mundial: biodiversidade, água e carbono fixado (na queima da mata, ele alcança a atmosfera e ajuda a agravar o efeito estufa). O estoque e a produtividade do ecossistema nessas áreas lhe conferem alto valor estratégico, ainda que isso hoje traga pouco benefício para mais de 20 milhões de brasileiros na região.

Enquanto não se desenvolvem arranjos produtivos que agreguem mais valor aos produtos desse acervo biológico, permanece o incentivo a dilapidar o capital natural. Grileiros e madeireiros ilegais são acionados por pecuaristas interessados na abertura de novas áreas, após vender sua terra já desmatada a empresários do agronegócio, como a soja que avança por Mato Grosso e na região de Santarém (PA). Quando sobem os preços da commodity, como agora, a engrenagem se põe em marcha no chamado Arco do Desmatamento, que inclui ainda Rondônia.

Não surpreende, assim, ver as taxas de desmate de setembro nesses Estados crescerem 59% (PA), 84% (MT) e até 602% (RO), na comparação com setembro de 2006. Também houve aumentos em relação ao mês anterior (respectivamente 191%, 48% e 65%). É preocupante o caso do Pará: um quarto do desmatamento ocorrido ali de agosto de 2006 a julho de 2007 atingiu unidades de conservação, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.
Esgota-se, portanto, o expediente de decretar reservas sem dotá-las de pessoal e equipamentos. Ainda que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, feche 2007 com uma taxa anual abaixo de 10 mil km2 (pois a data-base do desmatamento é 1º de agosto, anterior ao repique), seu ministério será talvez obrigado a retomar grandes ações de repressão com a Polícia Federal para conter a tendência.

O ímpeto da fronteira agrícola já não parece deter-se diante da interdição fundiária nas áreas protegidas. Ele só será disciplinado com um zoneamento agroecológico abrangente da Amazônia, desde que ele também não fique no papel, e com o avanço da experiência de concessões florestais inaugurada há um mês em Rondônia -maior aposta do governo para legalizar, monitorar e reduzir o impacto da exploração madeireira.

Indignação justa

Editorial do Correio Braziliense
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Não poderia ser mais ultrajante a imagem moral do Congresso perante a consciência crítica da sociedade civil. É o retrato que se colhe de pesquisa realizada pelo instituto Sensus em parceria com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Nada menos de 23% dos entrevistados defenderam o fechamento do Senado, enquanto 19,2% entenderam que a Câmara deveria também ser extinta. Os mais radicais (12,6%) pediram o fim das atividades do Legislativo. Apenas 25,6% se pronunciaram a favor da manutenção da instituição legislativa.

Os resultados do inquérito de opinião testemunham a justa indignação do povo contra o envolvimento rotineiro de parlamentares em rapinagem de dinheiros públicos. Reflete, também, repulsa ao jogo que transforma mandatos em moedas de troca no balcão das barganhas indignas. Não são culpas estampadas apenas em operações escandalosas, como as do mensalão, dos sanguessugas, dos vampiros e outras vinculadas a estripulias da mesma espécie. Na conta das obscenidades entra o espírito de corpo para encobrir bandalheiras e garantir o voto cúmplice em favor dos desavindos com o decoro e as leis penais.

Há quadros políticos respeitáveis em atuação no Congresso. Mas são lançados às zonas de sombra porque os spot ligths, diante de tantos escândalos, se ocupam em iluminar os cenários da desintegração moral e do desrespeito ao povo. O acúmulo das decepções enferruja a crença nas virtudes do regime democrático. Acaba por suscitar reações irracionais como as propostas de eliminação do Senado e da Câmara. Devem-se tomar os resultados da pesquisa Sensus/CNT como sinal de que grande parte dos brasileiros ousa admitir mudanças perniciosas aos sistemas de governos abertos, afluentes, solidários. A investigação social captou também tendência da população em favor de modelo legislativo unicameral. O Senado seria extinto. Trata-se de transformação incompatível com o sistema federativo de índole republicano-presidencial. A representação com assento na Câmara é proporcional à população do país. Já o Senado, com base na representação paritária — três senadores por estado — cumpre o papel institucional de garantir o equilíbrio federativo. As funções de ambas as casas se completam para assegurar a viabilidade política do regime.

Diante do julgamento implacável demonstrado na pesquisa, o Poder Legislativo toma consciência de que os atos de desapreço à moralidade pública e o triunfo da impunidade fecundam na consciência de muitos brasileiros idéias à margem da legalidade democrática. Cumpre-lhe realizar verdadeira cruzada em favor da profilaxia moral da instituição para arredar de cena a parte que lhe cabe no afrouxamento das convicções populares sobre a probidade e eficácia do regime. E aos titulares da soberania política — o povo — cabe efetivar reflexão profunda antes de escolher representantes para os postos eletivos. Aí está a hora providencial para aperfeiçoar as instituições democráticas e dar-lhes quadros honestos, competentes e obedientes ao interesse público.

Os médicos estão infelizes

Miguel Srougi (*), Folha de São Paulo
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Os médicos estão infelizes com os salários desonrosos. Mas imaginar que essa é a causa principal do desalento é uma simplificação injusta

Hoje, (18/10), no dia dos médicos, resolvi homenageá-los. Resgatei na memória pesquisa de 2005 do Ibope sobre as instituições mais confiáveis na nossa sociedade. Como antes, me enchi de encantos: ganharam os médicos, com 81% das indicações, à frente dos padres (71%) e dos militares (69%). Resgatei também na memória aquele momento quase indescritível, os olhos marejados e agradecidos de alguém reconquistado para a vida. Emoções incomparáveis, que só um médico pode usufruir.

Nesse ponto, uma pergunta inevitável. Apesar do Ibope e dos momentos ricos, estariam os médicos brasileiros felizes com seu entorno e seu destino? Comecei a ficar aflito ao relembrar o noticiário recente: greve dos médicos paralisa o atendimento; cirurgiões se negam a realizar intervenções pelo SUS; pacientes morrem na porta de hospitais; médicos suspendem cirurgias cardíacas e abandonam centenas na fila de espera.

A aflição começou a aumentar quando me perguntei: estariam os médicos ficando insensíveis e deixando de se postar ao lado de seus parceiros, lutando contra o sofrimento?

O próprio noticiário ofereceu-me pistas para compreender a situação: em Fortaleza e em Alagoas, o salário mensal dos médicos do setor público oscila entre R$ 726 e R$ 1.500, para meio dia de trabalho; os cirurgiões da Paraíba recebem, em média, R$ 76 por intervenção que realizam no sistema público de saúde; hospitais e leitos de terapia intensiva foram inaugurados por políticos e, depois, abandonados por falta de provisão para contratação de pessoal, aquisição de equipamentos e custeio; hospitais universitários federais estão desamparados, devem R$ 450 milhões e estão totalmente desaparelhados, em alguns deles o déficit de pessoal chega a 700 funcionários; equipamentos avariados obrigam pacientes mineiros a viajar quatro horas para complementar tratamento de radioterapia.

A aflição ficou quase insuportável quando compreendi que os médicos estão, sim, infelizes com os salários desonrosos. Contudo, imaginar que essa é a causa principal do desalento representa simplificação injusta e mal-intencionada.

Os médicos têm vocação para exercer com altruísmo sua missão, defendendo a condição humana e a sociedade. Na prática, são afrontados por um sistema de saúde imerso na incompetência, na indecência e na indigência, frustrando-se quando exercem a ação médica. É irrealista esperar que eles pratiquem condignamente sua profissão quando os instrumentos para uma vida digna lhes são subtraídos por gestores indecentes.

Os nossos governantes, com felizes exceções, transformaram a saúde em balcão de negócios obscuros e de trocas de favores, destruindo a promissora estrutura médico-hospitalar edificada no Brasil entre os anos 40 e 60. Os salários do pessoal da saúde foram aviltados e, hoje, só os idealistas ou os desamparados se sujeitam a trabalhar em serviços públicos. Como exigir que um médico, recebendo R$ 726 ou mesmo R$ 1.500, deixe de ter três ou quatro empregos, trabalhando até a exaustão, ou se mantenha atualizado, quando um livro técnico custa entre US$ 50 e US$ 300 e quando cursos de aperfeiçoamento têm de ser pagos pelo próprio profissional?

Essa situação se torna mais desconfortável se lembrarmos que cerca de 95% dos médicos brasileiros são assalariados, prestando serviços a entidades privadas de assistência, que contribuem para o desânimo ao cercear a autonomia e criar restrições exageradas e perigosas às ações médicas.

A sociedade também alimenta esse processo perverso, assumindo atitudes de intransigência desconcertante ante seus médicos. Em todos os momentos, exige deles nada menos que a perfeição, não aceitando sequer a derrota em fatos inexoráveis, como a falibilidade humana, a existência de doenças incuráveis, a decadência pelo passar dos anos, a morte implacável.

Sociedade que, quase sempre, desconsidera o ambiente circundado pela indigência e pela violência no qual atua um sem-número de médicos brasileiros. Ignora-se a situação cruel enfrentada por esses profissionais, que exaurem seu talento e seus ideais ao clinicar em hospitais públicos caóticos, onde escasseiam ou inexistem materiais e medicamentos mais simples, onde se desgastam tratando de doenças já erradicadas em países mais sérios e onde um paciente com câncer espera até seis meses para ser internado, se sobreviver para isso.

Enfim, os médicos da nação estão realmente infelizes, e muitos brasileiros julgam que, tanto na saída como na chegada, o sentimento tem a ver com salários ou benefícios materiais. Contudo, é importante que se compreenda que os drs. Severino Baiano, José Pernambucano, João Paulista ou Antonio Mineiro, que dedicam suas vidas e emoções para aliviar o sofrimento alheio, estão infelizes, quase nunca por causa de interesses pessoais menores, mas porque a maioria é vítima da combinação perversa de uma sociedade complacente e governos indecentes. Realidade que Riobaldo, o jagunço filósofo de Guimarães Rosa, sabia muito bem como descortinar: "Digo, o real não está na saída ou na chegada, ele se dispõe para a gente no meio da travessia".

(*) Miguel Srougi, 61, médico, pós-graduado em urologia pela Universidade Harvard (EUA), é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP.

O Senado enfiou a carapuça até a orelha

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Coincidência, francamente não foi. A evidência que brilha como anúncio luminoso é que o Senado enfiou a carapuça até a ponta da orelha e tentou, em remendo apressado pelo vexame e o remorso, tampar o rombo escancarado pela degringolada ética que lançou o Legislativo na crise moral mais funda e dolorosa do que os apagões do negrume das ditaduras.

Nem seria necessário comprovar o que está claro como água potável. Esta semana, em decisão unânime, o Tribunal Superior Eleitoral estendeu aos eleitos por voto majoritário - presidente da República, governadores, prefeitos e senadores - a norma aprovada pelo Supremo Tribunal Federal de que o mandato pertence aos partidos e não ao eleito. E deu o primeiro empurrão na reforma política, promessa de campanha de todos os partidos, e que não andou um passo no Legislativo engasgado por escândalos, CPIs e mensalões, no sassarico da impunidade.

Pois não é que na quarta-feira, dia 13, sem aviso nem bulha, na mais dissimulada maciota, o Senado aprovou - e por unanimidade - a Proposta de Emenda Constitucional que estabelece a fidelidade partidária pelo prazo de quatro anos do mandato de todos os premiados no Legislativo e até no Executivo. Se não fosse a azarada coincidência era o caso de soltar foguetes no festival de arrependimento parlamentar por tantos anos de abúlica indiferença, na orgia das mordomias, vantagens e regalias que compõem o buquê de um dos melhores empregos do mundo.

Em votação às carreiras, a renascida PEC de autoria do senador Marco Maciel foi aprovada pelos 56 senadores presentes no plenário, em primeiro turno, que emendou no segundo turno com 58 votos fechados a favor. Na disparada, seguiu para a Câmara. E se não perder o fôlego de maratonista, com duas aprovações pelos deputados poderá valer para as eleições municipais de 2008. Um espanto.

Bem, nem tudo são flores no ramalhete dos açodados representantes do povo. Pois a toga não pisou no freio e está decidida a continuar a limpeza que começou em hora abençoada. Em sessão prevista para a próxima semana, o TSE deve examinar e aprovar a resolução que dirimirá as dúvidas e fixará as normas para disciplinar o alcance, os prazos e demais questionamentos da decisão anterior que estendeu aos eleitos pelo voto majoritário a regra moralizadora.

A pressa, mesmo quando necessária, não costuma ser amiga da perfeição. No caso, deixou dúvidas que precisam ser resolvidas para evitar os embaraços do futuro. Nas coligações, por exemplo, o candidato a governador, prefeito e senador nem sempre é do mesmo partido do suplente. O ministro Marco Aurélio Mello, promete desatar os nós, inclusive quanto à validade retroativa a 27 de março da proibição do troca-troca de legenda dos deputados federais e estaduais e vereadores.

O sumário balanço da ousada iniciativa da toga, que inegavelmente atropela prerrogativas do Congresso, não promete engrossar num choque entre poderes e merece mais louvores do que reparos.

Como estava, não podia continuar. Durante mais de cinco meses, o Senado, com reflexos na Câmara, ocupou-se com o romance de folhetim do senador Renan Calheiros com a jornalista Mônica Veloso. A novela chegou ao último capítulo.

O presidente Lula pressiona o Congresso para aprovar a prorrogação da CPMF, angustiado pela urgência do prazo para garantir a arrecadação dos R$ 40 bilhões do imposto do cheque. Chega de fricotes. Vamos cuidar das coisas sérias.

Renan Calheiros já era. Sarney é o próximo

por Paulo Moura, cientista político, site Diego Casagrande
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José Sarney é o último dos grandes oligarcas nordestinos merecedores desse "título nobiliárquico". Quem conhece o Maranhão sabe que o poder do clã Sarney se confunde com o próprio Estado como estrutura institucional e como unidade territorial. De fato, o Maranhão é quase um feudo. Quem passa diante do Tribunal de Justiça maranhense testemunha a estátua gigantesca e imponente do patriarca do clã, eliminando qualquer dúvida sobre a imparcialidade do braço jurídico do Estado no feudo dos Sarney.

José Sarney é, também, a encarnação viva da versão arcaica do patrimonialismo na política brasileira. A carreira política de Sarney inicia na década de 1950, quando, em 1955, foi eleito deputado federal. Hoje, portanto, Sarney é o parlamentar mais antigo em atividade no Congresso Nacional. Além de ter sido, por diversas vezes, deputado e senador, Sarney governou o Maranhão entre 1966 e 1971 e atingiu o ápice de sua carreira entre 1986 e 1990, quando chegou a Presidente da República por acaso (?), como conseqüência da morte de Tancredo Neves, de quem era vice na chapa escolhida de forma indireta para conduzir a transição do regime militar para a democracia. Ao longo de sua carreira Sarney foi membro da UDN, depois foi presidente da Arena e do PDS antes de se filiar ao PMDB em 1988, após uma breve passagem pelo PFL.

Político centrista por excelência, Sarney possui a viscosidade típica do fisiologismo característico da maioria dos políticos brasileiros, razão pela qual acomodou-se tão confortavelmente no PMDB. A partir do PMDB, Sarney opera com maestria seus interesses, revelando-se o mais competente de todos os políticos brasileiros contemporâneos. Ocupando ou não posto formalmente relevante no parlamento, Sarney detém poder político de fato. E o exerce como aliado fiel quando reconhecido, ou como adversário sempre que não lhe é dada a proeminência correspondente ao cacife que tem. Sua arma é o veto; seu estilo é a ação discreta como operador de bastidor que usa prepostos para as ações de vitrine. Sarney paralisa quaisquer governos quando quer, desde que deixou a Presidência da República acuado pela hiperinflação e pelas denúncias de corrupção que marcaram o fim de seu mandato presidencial em 1988.

No futuro, quando os historiadores investigarem os "arquivos secretos" do que se passou na política brasileira atual, não será surpresa se descobrirem a mão invisível de Sarney por trás do impeachment de Collor; da eleição e da reeleição de FHC; da eleição e da reeleição de Lula e, também, da maioria dos impasses que todos os presidentes que o sucederam sofreram no Congresso Nacional, toda vez que questões relevantes envolvendo o controle e a gestão do poder foram objeto de negociação.

José Sarney, no entanto, é um oligarca em decadência e vive as circunstâncias da modernização da política brasileira, que acompanha a modernização de uma nação que se urbaniza aceleradamente desde 1930, e hoje se integra de forma singular ao processo de globalização. Sob o governo de Lula, o Brasil tenta a revitalização do patrimonialismo, agora não mais sob comando de oligarquias rurais e empresariais arcaicas, mas, através de uma aliança da burocracia sindical com o capital financeiro e setores empresariais, que patrocinam o esquema em troca de benesses. A base eleitoral de Lula é mesma das velhas oligarquias que manipulavam a ignorância popular e comprando a alma corrupta de um povo imaturo e ainda carente do paternalismo de tipo clientelista, consolidado na cultura política nacional como herança das oligarquias arcaicas que Sarney representa.

Por paradoxal que pareça, a chegada de Lula e do lulismo ao poder é uma faceta contraditória da modernização à brasileira, que busca adaptar nosso patrimonialismo ao paradigma do mundo globalizado, repetindo o padrão da modernização conservadora já exaustivamente caracterizado pela Ciência Política tupiniquim.

Lula, também nisso, imita FHC e dá continuidade ao extermínio político dos velhos oligarcas e seus clones, geneticamente defeituosos. O tucano mor usou os velhos senhores feudais da política brasileira para eleger-se, governar e modernizar, em parte, a economia e o Estado brasileiros, e depois rifou gente como ACM, Jáder Barbalho e o próprio Sarney.

Lula acaba de ceifar Renan Calheiros, mandando-o para o limbo do poder. O método está evidente aos olhos de quem quer ver. O petismo dá o cargo e a visibilidade e depois fabrica o escândalo fatal. O senador petista Tião Viana, novo senhor feudal do Acre, constrói a prancha com que o PT pretende jogar Sarney aos tubarões. E Lula avisa: "- A Presidência do Senado é do PMDB." A cadeira de presidente do Senado, hoje, é um patíbulo sobre a qual repousa uma reluzente guilhotina.

Senta Sarney!